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LUMOS EDIÇÃO 08 / GRATUITA / NÃO COPIE

Foto: Hamza Al-Ajweh—AFP/Getty Images

GUERRA NA SÍRIA E AINDA:


PAZ ENTRE AS COREIAS?
Entenda sobre o conflito civil que MERCOSUL E UE
acontece no país desde 2011 OS FLUXOS MIGRATÓRIOS VENEZUELANOS
E MAIS!
LUMOS
Lumos é a revista online feita e distribuída gratuitamente pelo Centro Acadêmico
dos Estudantes de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi
(CAERI UAM), elaborada por alunos e para alunos. Todas as matérias foram
escritas pelos nossos colaboradores e suas respectivas fontes podem ser
encontradas online. Os artigos publicados foram autorizados pelos seus
respectivos autores a serem expostos através deste meio. Por favor, não copie
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EDITOR CHEFE COLABORADORES COLABORADORES

Amanda Lanfranco Giovanna Bergel


Guilherme de Paiva Daniela Caetano Heitor Rodrigues
Giovana Farias Thayná Gomes

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2
Sumário
INFORMAÇÕES GERAIS | 02

CARTA DO EDITOR | 04
Foto: Mauricio Duenas | EPA
ÁSIA | 05
PAZ ENTRE AS COREIAS?

CAPA | 07
SÍRIA: OS DIFERENTES CONFLITOS
DENTRO DA GUERRA CIVIL

MUNDO | 11
MERCOSUL E UE: SINAL VERDE
AO LIVRE-COMÉRCIO

OS FLUXOS MIGRATÓRIOS VENEZUELANOS


E SEUS IMPACTOS NO BRASIL

ARTIGO | 15
O BRASIL E O TNP

PARCEIROS | 17

AVISOS | 19

AGRADECIMENTOS FINAIS | 20

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Carta do Editor
A história e os movimentos do mundo

A história circunda os fatos do presente e do futuro. É preciso conhecê-la para evitar que os erros
do passado se repitam na atualidade, mas mesmo assim, percebemos que muitos acontecimentos
se repetem em intervalos contínuos de tempo. Este é o movimento cíclico da história. Nesse
sentido, destaca-se a necessidade de reforçar os conhecimentos para lidar com problemas
semelhantes em contextos diferentes.
A história é construída pelas pessoas e, no caso dos Estados, por seus governantes. Cabe a eles
moldarem os rumos dos Estados, de modo que estes sejam beneficiados e seus interesses sejam
atendidos. Nesse sentido, o movimento cíclico da história reforça essa equação básica da
sobrevivência estatal que resulta em movimentos similares através do tempo, podendo os atores,
cenários e contextos serem distintos ou não.
Em Abril de 2018 vimos o líder norte-coreano, Kin Jong-un, fazer história, sendo o primeiro
governante do norte a cruzar a fronteira com o sul. Os movimentos da história começam a mudar
rumo à uma condição de diálogo e possível pacifismo na península coreana. Mas ao mesmo
tempo, as crises vividas na Síria e na Venezuela reforçam o movimento cíclico da história rumo ao
desentendimento, a tensão e ao conflito, repetindo crises humanitárias já vividas no passado, com
atores e contextos distintos, mas essências similares.
Nesta oitava edição da Revista Lumos, trazemos os temas que marcaram as relações
internacionais nos últimos meses, e entre eles estão as negociações de paz e de
desnuclearização da Coreia do Norte, o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o
Mercosul e as crises na Síria e na Venezuela. Todos esses fatos que serão apresentados nos
fazem refletir sobre a o papel da história na condução dos destinos do mundo. Seria a história a
regente dos movimentos do mundo?

Boa Leitura!

Guilherme de Paiva,
Editor-Chefe da Revista Lumos e Presidente do CAERI UAM.

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Paz entre as Coreias?
Via BBC Brasil, Veja e Bhaz | Por Guilherme de Paiva e Heitor Rodrigues

Foto: Leo Martins | Agência O Globo

Aperto de mão entre Kim Jong-un e Moon Jae-in na linha fronteiriça que demarca a divisão entre os dois países. Foto: Reuters

Após meses de ameaças e escalonamento da Norte ajudaram no processo de retaliação aos


tensão na península coreana, decorrente dos testes nucleares, o que fragilizou demasiada-
insistentes e incisivos testes nucleares realizados demasiadamente a economia do país asiático,
pela Coreia do Norte, o governo de Kin Jong-un já enfraquecida.
aceitou discutir com a Coreia do Sul e com os Contudo, meses depois, após discussões e
Estados Unidos da América seu processo de encontros diplomáticos entre os representan-
“desnuclearização” e, também, um acordo para tes do EUA, Coreia do Sul e da Coreia do
pôr fim ao conflito existente na península desde Norte, no dia vinte e sete (27) de Abril de 2018,
1950, que formalmente nunca terminou. o próprio Kin Jong-un atravessou a fronteira
O governo norte-americano já havia enfatizado com o sul – fato nunca antes ocorrido –,
que não seria brando nas reações a um novo apertou a mão de Moon Jae-in, presidente da
teste de mísseis, capazes de transportar ogivas Coreia do Sul, e apontou para um possível
atômicas, realizado pelo governo norte-coreano, acordo de paz para colocar fim ao conflito
ameaçando-os com “fogo e fúria”, em agosto de entre as Coreias e afirmou que não pretende
2017. Os embargos colocados contra a Coreia do mais realizar testes nucleares.
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A mudança na retórica de Pyongyang começou a A Guerra da Coreia
mudar com a autorização do envio da delegação
norte-coreana às Olimpíadas de Inverno de O conflito armado que separou as duas
PyeongChang, na Coreia do Sul. Ali, ambas as Coreias ocorreu, em beligerância, de 1950 a
delegações desfilaram sobre a bandeira da 1953, e teve como pano e fundo a disputa
península coreana, que unifica os dois povos. geopolítica da Guerra Fria, entre Estados
Além disso, uma figura chave no processo de Unidos – apoiadores da Coreia do Sul – e
reaproximação intercoreano foi a senhorita Kim União Soviética – apoiadora da Coreia do
You-jong, irmã do líder norte-coreano, Kim Jong- Norte.
un, que viajou para o sul durante as Olimpíadas A Guerra da Coreia foi o primeiro conflito
e atuou como mediadora para a organizar a armado da Guerra Fria e, em virtude disso,
cúpula entre os dois países. Todo esse processo causou grande apreensão ao redor do mundo
se deve a Moon Jae-in, presidente sul-coreano, pelo risco iminente de uma guerra nuclear,
que aproveitou a oportunidade para construir afinal as duas superpotências nucleares
uma chance de aproximação e pacificação da estavam diretamente envolvidas na disputa.
região.
A partir disso, iniciaram-se as tratativas entre o
secretário de Estado norte- americano com
Pyongyang, com o intuito de iniciar o processo
de desnuclearização norte-coreana, inclusive
para ajustar um possível encontro entre Donald
Trump, presidente dos EUA, e Kin Jong-un, líder
da Coreia do Norte. Há quem diga que a mão de
ferro e os tweets de Trump tenham feito a
pressão suficiente para que os norte-coreanos
cedessem. Todavia, não se pode ignorar outro
ator de grande peso e com muitos interesses na
península coreana: a China. Desde que Xi
Tropas americanas em julho de 1950 durante a Guerra das Coreias.
Jinping assumiu o cargo de presidente chinês, foi Foto: CreditAssociated Press
defendida a aproximação e a reunificação das
Coreias.
O fato é que, com todo o processo de
aproximação, crê-se que surge no mundo mais
uma chance para a paz. A restauração dos Gostou da matéria? Encontrou
diálogos e da finalização do histórico conflito na algum erro? Nos envie um inbox!
Península Coreana seria uma evolução histórica Facebook.com/caerianhembi
sem precedentes, dando ao povo coreano a
chance de reunificar suas famílias, separadas a
mais de cinquenta anos pelo conflito.
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Síria: os
diferentes
conflitos
dentro da
guerra
civil

oto: Bassam Khabieh | Reuters


Síria: os diferentes conflitos
dentro da guerra civil
Via Folha de S. Paulo, Exame e El País | Por Daniela Caetano e Giovanna Bergel

O início do mês de Abril de 2018 foi conturbado sírio está relacionada à alegação de que a
no território sírio devido aos supostos ataques Rússia (Estado que apoia as ações de Bashar
químicos contra a população local na região de al-Assad) falhou em retirar as armas químicas
Duma, periferia da capital da Síria, Damasco. da região. A primeira-ministra britânica,
Segundo a Organização Mundial da Saúde Theresa May, incluiu ainda que Moscou vetou
(OMS), mais de 70 mortos e 500 feridos foram a investigação para averiguar os ataques
atingidos pela ação química, a qual os Estados químicos em Duma, esgotando os meios
Unidos, França e ativistas do Centro de diplomáticos para resolver o conflito e
Documentação sobre Violações na Síria dizem endossando a ação militar.
ter provas de que às agressões foram Em contrapartida, o Kremilin russo afirma que
executados pela Força Aérea Síria com a afronta química foi um suposto ataque
autorização do presidente Bashar al-Assad. Esse forjado (isto é, que não ocorreu ataque químico
caso reabre os debates internacionais para de fato) e que esse evento foi uma ação do
tentativa de resolução do complexo conflito que serviço secreto dos países que estão em uma
completa sete anos. dianteira anti-Rússia. Em reunião no CSONU
Em resposta aos ataques químicos, os EUA um dia após o ataque liderado pelos EUA à
bombardearam a região, no dia 13 de Abril de Síria, o embaixador russo na ONU, Vassily
2018, com 58 mísseis (em locais que, segundo Nebenzia, disse também que a ação norte-
eles, tinham capacidade de uso de armas americana foi uma agressão contra um estado
químicas) e tiveram consentimento e apoio tanto soberano. O presidente russo, Vladimir Putin,
do Reino Unido como da França (membros afirmou ainda que o país está simplesmente
permanentes do Conselho de Segurança da ajudando a legitimar um governo que luta
ONU (CSONU) e alvos de atentados terroristas contra o Terrorismo em seu território.
nos últimos anos). Estes também apresentaram Essa não é primeira vez que um ataque
direcionamentos diplomáticos, militares e desse tipo acontece na Síria, mas é primordial
econômicos para contenção da afronta à destacar que o uso de armas químicas é ilegal
estabilidade da região da Síria, determinando sob o ponto de vista do Direito Internacional e
uma aliança ocidental para motivar resoluções que o conflito vem acarretando em vários
para os acontecimentos no conflito civil. crimes de guerra e desrespeito às normas de
A justificativa de Donald Trump, presidente dos Direitos Humanos (por diversas partes
EUA, sobre a retaliação ocidental em território envolvidas).
sírio está relacionada à alegação de que a
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Rússia
Como a guerra começou? A guerra civil e seu alcance

A partir do ano de 2010, a região do Oriente O conflito na Síria é complexo por


Médio sofreu instabilidades de cunho político e compreender um extenso número de atores,
econômico, por consequência das ações dos sendo que, o governo de Bashar al-Assad
governos autoritários, corruptos e que iam contra busca, através de ofensivas, retomar e garantir
os princípios de Direitos Humanos, gerando o controle de territórios sírios e a manutenção
descontentamento da população no que diz do seu poder. Para isso, conta com o apoio
respeito aos reflexos negativos que as medidas externo de países como a Rússia, o Irã, o
governamentais causavam (grau elevado de governo xiita iraquiano, além do grupo
violência e de desemprego, por exemplo). fundamentalista libanês Hezbollah.
Mediante essa situação, o escalonamento de Em contrapartida, a oposição interna formada
protestos na região do MENA (Middle East and por grupos heterogêneos visa à queda do
North Africa, em português, Oriente Médio e regime Assad e, para isso, conta com apoio
Norte da África) contra os governos ditatoriais externo dos Estados Unidos, França, Reino
foram exponenciais, classificando esse Unido e Arábia Saudita. Além disso, os curdos
movimento social e seus desdobramentos como têm uma importante participação no conflito,
Primavera Árabe. A Síria engloba esse contexto, pois viram na guerra a oportunidade de
na qual o cenário abrange a tentativa de alcançar sua autonomia através de
derrubada do governo de Bashar al-Assad financiamentos provenientes dos norte-
(reivindicação que teve início em Março de 2011, americanos e de conquistar territórios na
em que grupos da oposição se manifestam região.
arduamente para a fim do autoritarismo vigente Por fim, há o ISIS (vulgo Estado Islâmico),
do então presidente), repressão das Forças grupo terrorista que tem como objetivo criar um
Armadas sírias e o início de uma guerra civil que Califado Islâmico e, para isso, luta contra o
dura até os dias atuais. governo, curdos e coalizões internacionais,
recebendo apoio externo através de doações
privadas (muitas de sauditas wahabistas),
tráfico de drogas e pessoas, além de recursos
advindos da venda de petróleo no mercado
ilícito.
O alcance da guerra civil na Síria não fica
restrito apenas ao ambiente doméstico, mas
também ao nível regional e internacional. No
contexto interno, o conflito entre governo,
grupos de oposição e curdos gera grandes
impactos locais, num embate em que o
governo é acusado de crimes de guerra e
Foto: Khalil Ashawi |Reuters crimes contra a humanidade. Entretanto, é
importante salientar que práticas criminosas
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importante salientar que práticas criminosas para uma ajuda externa ou intervenção militar.
como essas são cometidas por vários lados no Apesar das forças do ISIS estarem cada vez
conflito. Dentro desse evento existe também um mais enfraquecidas e perderem cada vez mais
confronto dos três atores citados contra o ISIS, territórios, a guerra civil como um todo ainda
que culmina numa luta contra o Terrorismo. Na gera não só um aumento de refugiados, mas,
dinâmica regional, há uma disputa de poder também, grandes impactos negativos para a
política entre sauditas sunitas e iranianos xiitas, população local, como a destruição da
que apoiam diferentes lados da guerra civil na infraestrutura do país, o alto número de mortos
Síria, a fim de garantir influência política e e feridos, a escassez de água, alimentos e
religiosa numa de suas guerras por procuração medicamentos e cada vez mais demanda por
no Oriente Médio. Já o alcance internacional se profissionais e equipamentos especializados
deve à presença de membros do Conselho de para fazer o atendimento dessa população.
Segurança da ONU defendendo lados opostos O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio
no conflito, travando impasses no órgão através Guterrez, pediu o fim da ação militar após os
de vetos de Rússia e China, aliança de países ataques dos EUA em Abril e a retomada da
ocidentais e bombardeiros periódicos de EUA, diplomacia, afirmando que é necessário evitar
França e Reino Unido em território sírio contra atos que agravem a situação do povo sírio.
forças de Bashar al-Assad. Entretanto, tendo em vista os impasses e vetos
no CSONU, que vêm ocorrendo há anos no
Consequências órgão, e às tentativas falhas das vias
diplomáticas entre os países, é difícil ter uma
A Guerra Civil na Síria tem criado uma das mais perspectiva próxima do fim desse conflito, mas
graves crises humanitárias do século XXI, na a esperança é de que haja, o quanto antes, um
qual, a população civil se vê obrigada a ponto final para isto, para acabar
abandonar suas casas em busca de um refúgio definitivamente com o sofrimento do povo sírio.
em outros países da região ou de outros
continentes. Desta maneira, para sair do conflito,
algumas pessoas com melhores condições
financeiras se arriscam em embarcações
precárias e outras através de longas caminhadas
em busca da sobrevivência, nas quais muitas
morrem no trajeto (no caminho para a saída da
Síria ou no percurso no mar por naufrágios). Isso
gera uma comoção internacional e a
reivindicação dos defensores dos Direitos
Humanos para lidar com esta crise humanitária,
através de políticas para refugiados em outros Fumaça sob a cidade de Arbin durante um bombardeio do
países, assistência humanitária e pressão da governo contra uma área controlada por grupos de oposição na
sociedade civil organizada sobre os Estados Síria. Foto: Ammar Sulieman/AFP/Getty Images
para uma ajuda externa ou intervenção militar.
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MERCOSUL E UE:
Sinal verde ao livre-comércio
Via G1.COM, Estadão, Economia UOL, MRE-BR, Greenpeace | Por Giovana Farias*

Bandeiras da União Europeia e do Mercosul, respectivamente. Foto: Unimercosul

Depois de 19 anos, o acordo de livre-comércio moeda de troca o acesso a mercados em


entre a União Europeia e o MERCOSUL parece compras governamentais e do setor
que finalmente acontecerá. As primeiras automotivo. Já a UE ofereceu uma melhora
tentativas de negociação entre os blocos significativa nas cotas tarifárias, a inclusão de
regionais ocorreram em 1995, em Madri, com o produtos anteriormente excluídos ou ofertados
Acordo Quadro de Cooperação Inter-Regional, com preferências tarifárias e melhoras nas
baseado em três pilares – diálogo político, ofertas de serviços e compras governamentais.
cooperação e comércio e investimentos –, que Desde então, aconteceram diversas reuniões
passou a vigorar apenas no ano de 1999. para que as duas partes chegassem a um
Entre os anos 2000 e 2004 iniciou-se a primeira ajuste que fosse interessante para ambas. Mas
fase da aliança, onde foram feitas ofertas por apenas em 2016 foi realizada a XXVI Reunião
ambas às partes, que acabaram por considerar do Comitê de Negociações Birregionais, onde
insatisfatórias para seus governos, gerando uma os blocos demonstraram disposição para
suspensão no processo. Somente em 2010 os negociarem as compras governamentais e
dois blocos voltaram a se reunir para um novo novos temas antes não incluídos, como o
consenso, em que o MERCOSUL propôs como desenvolvimento sustentável. Os grupos
moeda de troca o acesso a mercados em negociadores
compras governamentais e do setor automotivo.
*NOTA DE AGRADECIMENTO: Eu, Giovana Farias, agradeço ao professor Jorge Mortean, pelas orientações dadas acerca do tema.
11
negociadores garantiram que dariam
continuação às tratativas para o acordo de livre-
comércio.
A França era o país que até então apresentava
maior resistência, pois o acordo desagradava os
produtores franceses locais, que temiam pela
concorrência do setor de carnes brasileira,
uruguaia e argentina. Mas, em janeiro deste ano
(2018), o presidente francês, Emmanuel Macron,
deu sinal de que seu governo estaria pronto para
firmar o acordo. Bandeira do Mercosul
Em março de 2018, o presidente brasileiro,
Michel Temer, participou da cerimônia de posse concordamos, nós talvez fechemos em
do presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, definitivo o acordo Mercosul e União Europeia”,
e aproveitou para falar com a imprensa: “Nós disse o presidente.
aproveitamos para fazer uma reunião, eu e o Por fim, ao ser efetivamente firmado, este
presidente Macri [presidente da Argentina], sobre acordo de livre-comércio entre MERCOSUL e
a questão da aliança Mercosul e União Europeia, União Europeia trará impactos, principalmente
que vai bastante avançada. Temos alguns no que tange ao aumento das exportações de
pequenos pontos para ainda resolver, mas os produtos brasileiros, uruguaios, paraguaios e
chanceleres da União Europeia e do Mercosul, argentinos. Não obstante, o acordo toca,
vão se reunir muito proximamente. Eu acho que, também, na questão do desmatamento.
depois de 19 anos, foi isso que eu e o Macri Segundo a Organização Internacional Não-
concordamos Governamental Greenpeace, este tratado
apresenta grande ameaça ao meio-ambiente
brasileiro, em especial no Cerrado e na
Amazônia, causada pela pecuária e por certos
tipos de plantação.

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Presidente Michel Temer e o presidente argentino, Mauricio


Macri, na posse de Sebastián Piñera no Chile. Foto: Alan
Santos | PR

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Os Fluxos Migratórios Venezuelanos e
seus Impactos no Brasil
Via Nexo Jornal, BBC Brasil, Jornal USP | Por Amanda Lanfranco e Thayná Gomes

Fila de venezuelanos em Boa Vista para o agendamento de pedidos de refúgio e residência temporária. Foto: Inaê Brandão | G1 RR

Com as problemáticas enfrentadas pela situação de instabilidade. Houve a reforma da


Venezuela, o Estado sofre severas constituinte criada por Hugo Chávez. Maduro
consequências das decisões do governo, o que, prevê que a constituinte seja formada por 500
consequentemente, reflete na população, que se membros onde estes seriam selecionados por
vê em uma situação de calamidade, onde não há setores sociais, municípios e territórios, sendo
alimentos e recursos básicos de sobrevivência. dividida 50% para cada votante.
Isso os força a abandonar sua nação para Outro fato que marcou a atual crise do país foi
emigrar em busca de melhores condições de a saída deste da OEA (Organização dos
vida, iniciando um intenso fluxo migratório, que Estados Americanos), este fato juntamente
ocorre não só para países latino-americanos, com a grande onda de protestos na capital,
como o Brasil, mas também para países leva à Venezuela a enfrentar um período de
desenvolvidos como o Canadá. crise e dificuldades. Estes protestos são, em
O governo de Maduro vem trazendo uma nova sua grande maioria, contra o governo de
posição da Venezuela não só em âmbito Maduro, em que manifestantes o acusam de
nacional, mas também no mundial, criando uma não acompanhar a democracia e de aplicar um
situação de “Golpe de Estado”. 13
“Golpe de Estado”.
Pode-se, também, ressaltar a queda de preço do
petróleo, única fonte de renda do governo
venezuelano, como um fator que agravou a
crise, pois a renda proveniente da exportação de
petróleo era usada para diversas compras,
desde bens de consumo até tecnologia. O
governo de Maduro também vem lidando com a
pressão da oposição interna, que deseja
antecipar a convocação de uma nova eleição e
também a realização de um pleito regional que
Muitos venezuelanos chegam a Roraima em busca de trabalho
deveria ter ocorrido no ano anterior (2017). O para conseguir dinheiro e tirar suas famílias do país em crise. Foto:
governo de Maduro responde alegando que a Inaê Brandão | G1 RR
oposição trata do assunto com uma posição de
ofensiva golpista. em maio de 2017 pelo Senado e que entrou
Além disso, mesmo com um número alto para fluxos em vigor em novembro do mesmo ano,
migratórios no Brasil, estudiosos acreditam que o regula a entrada e a permanência de
decreto de emergência social não seria necessário, estrangeiros e prevê a isenção de taxa por
iniciando, então, a discussão a respeito da tomada razões de incapacidade econômica.
de decisão do presidente. Em contrapartida, a nova
Em suma, essa discussão é pautada em
Lei de Direitos Humanos (lei 13.445/2017), aprovada
como o governo deve lidar com as questões
de migração, que são recorrentes em um
mundo globalizado, e talvez em estado de
crise? E além disso, como a população dos
países que recebem esses imigrantes
consegue lidar com o fato e não o encarar
como uma ameaça ao seu espaço, tomando
por consciência uma sociedade onde os
pensamentos de extremismo e nacionalismo
estão dominando a mentalidade civil
contemporânea?

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Mapa de Fluxo de Imigração. Foto: Nexo Jornal
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14
O Brasil e o TNP
Via: E-Internacionalista (14/11/2017) | Por Patrícia Galves Derolle

Foto: Correio Popular

O artigo VI do Tratado de Não Proliferação (TNP) defesa.


preconiza o aprofundamento de negociações Diferentemente de Armas Químicas e
para o banimento total de armas nucleares. Biológicas, as Armas Nucleares não possuem
Embora algumas discussões tenham sido instrumento vinculante efetivo. Os três pilares
realizadas, ainda não se tem instrumento do TNP (não proliferação, desarmamento e
vinculante para o desarmamento nuclear dos direito ao uso pacífico) não estão propriamente
países reconhecidamente armados. Conforme delimitados no tratado, permitindo que se
salientou o jurista brasileiro Cançado Trindade, façam interpretações desequilibradas,
em decisão dissidente do caso Ilhas Marshall, na sobretudo, por parte dos países
Corte Internacional de Justiça, urge-se concluir reconhecidamente armados. Embora a
acordo para a eliminação de armamento nuclear, Conferência de Desarmamento da
uma vez que a sua existência coloca em risco a Organização das Nações Unidas (ONU), com
sobrevivência humana no planeta. O Brasil, como sede em Genebra, seja o órgão promotor do
ator ativo em relação ao tema, demonstra por diálogo sobre o tema, somente em dezembro
meio de suas ações a possibilidade de haver de 2016 a Assembleia Geral da ONU (AGNU)
pacifismo com o uso de instrumentos coletivos de votou a resolução 71/258 para ensejar uma
negociação mais densa acerca do 15
negociação mais densa acerca do termos intercontinentais, é possível verificar a
desarmamento nuclear. Apesar de a votação ser ZOPACAS, entre os países do Atlântico Sul.
substantiva, ela representa o grande impasse. Esses mecanismos servem como exemplo de
A resolução 71/258, da AGNU, contou com votos concertação e eliminação de desconfiança
contrários provenientes de quatro dos cinco entre os (e além dos) países vizinhos. O voto
países nucleares, com abstenção da China e da dissidente do jurista brasileiro na CIJ mostra
Índia (entre outros) e o não voto de Coreia do não apenas a opção pela via pacífica, mas
Norte, país que denunciou o TNP em 2003. O também pela preservação da vida no planeta.
impasse está não apenas entre os países Conflitos geopolíticos iminentes podem
nuclearmente armados, mas também entre os desencadear, a qualquer momento, uma
que não possuem armas nucleares. Os países guerra nuclear. A questão do Ártico e a busca
não detentores de armas nucleares, mas que de recursos naturais, o conflito do Mar do Sul
faze fazem parte de coalizões militares, como a da China e os problemas no Oriente Médio são
OTAN, tendem a seguir seus votos com as apenas alguns exemplos. A conferência
potências nucleares. No outro espectro, onusiana, que ocorreu entre os meses de
encontram-se os países que apontam a possível junho e julho de 2017 poderia ser o “turning-
caducidade do TNP, o qual, após 50 anos de point” dessa solução, uma vez que contou,
existência, ainda não foi capaz de cumprir com o pela primeira vez, com a participação da
que foi acordado em seu texto. A ação urgente sociedade civil.
vem sendo debatida em anos pretéritos, como A dicotomia entre justiça inalcançável e
nas Conferências de Oslo (2013), Nayarit (2014) segurança pragmática parece ser o grande
e Viena (2014), mas tornou-se mais forte em impasse da questão nuclear. Embora um
2016. Dessa forma, pretendia-se, em 2017, acordo de proibição de armamentos nucleares
debater com mais afinco a possibilidade de banir não afetaria o TNP, os principais países
armamentos nucleares. detentores de armas nucleares não estão
A diplomacia brasileira, por ter elemento dispostos a seguir a via pacífica. O voto da
principista, acredita no pacifismo e no resolução confirma essa posição, a qual
desenvolvimento. Embora o patrono da perpetua as diferenças mundiais.
diplomacia nacional, Barão do Rio Branco, tenha
defendido que um país pacífico é um país forte,
a Estratégia Nacional de Defesa (END) entende
que a energia nuclear deve ser utilizada para fins Disponível em:
pacíficos. O Brasil, como interlocutor de https://pgderolle.wordpress.com/2017/11/14/o-
desarmamento, vê na estratégia regional a brasil-e-o-tnp/
possibilidade de estender o pacifismo, ao mesmo
passo que defende o interior de suas fronteiras.
A estratégia hemisférica (Tratado de Tlatelolco) e
a do Cone-Sul (AIEA-ABACC) demonstram
claramente a opção pelo pacifismo. Ademais, em
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Acadêmicos de Relações Internacionais do estado de São Paulo, cujo o
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19
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próxima edição!