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Caderno de Geografia

ISSN: 0103-8427
cadernodegeografia@pucminas.br
Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais
Brasil

Kozel, Salete
Geopoética das paisagens: olhar, sentir e ouvir a “natureza”
Caderno de Geografia, vol. 22, núm. 37, enero-junio, 2012, pp. 65-78
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Belo Horizonte, Brasil

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=333228743005

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ISSN 0103-8427 Caderno de Geografia, v.22, n.37, 2012

Geopoética das paisagens: olhar, sentir e ouvir a “natureza”

Landscape geopoetics: looking, felling and hearing the “nature”

Salete Kozel
Professora Adjunta da Universidade Federal do Paraná - UFPR
skozel@ufpr.br

Artigo recebido para revisão em 20/05/2012 e aceito para publicação em 31/05/2012

RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo destacar a essência do ser humano e as relações que estabe-
lece com o mundo por meio de sua cultura, sentimentos e valores. Assim sendo, busca-se a reflexão
sobre os diferentes olhares e sentimentos sobre a natureza a fim de melhor compreendê-la em sua
plenitude. Abordando a geopoética das paisagens, o artigo se propõe a resgatar tal plenitude por
meio de linguagens expressas das mais diferentes formas como as artes visuais, a música, os odores,
as expressões oral e escrita em combinação e sintonia propiciando, assim, o desenvolvimento de
projetos criativos e significativos nas mais distintas áreas do conhecimento, em especial da Geogra-
fia Cultural e Humanista.

Palavras-chave: geopoética, paisagem, olhares, sentimentos, natureza.

ABSTRACT
This paper aims to highlight the essence of human nature and its relationships that is established
with the world through its culture, values and feelings. Therefore, the main goal is to consider diffe-
rent views and feelings about nature in order to better understand it in its fullness. Addressing the
landscape geopoetics, the article proposes to recover such fullness by analyzing different types of
language expressed by diverse forms of visual arts, music, odors, oral and written expressions in
combination and harmony providing the development of creative and significant projects in diffe-
rent areas of knowledge, especially Cultural and Humanistic Geography.

Keywords: geopoetics, landscape, looks, fellings, nature.

belece com o mundo, perpassada pela cultura,


1. COMO PENSAR E RESSIGNIFICAR
sentimentos e valores.
AS COISAS DO MUNDO?
Geopoética...um olhar.... um caminho... No contexto da geografia nos sentimos
desafiados a todo o momento a desvendar os
Refletir sobre um olhar, ouvir, sentir a
mistérios que envolvem o “nosso existir no
natureza nos leva a pensar se existiria um cami-
mundo” tendo em vista compreender a organi-
nho possível, um canal de comunicação, um tipo
zação espacial em que estamos inseridos como
de linguagem para entender as “coisas do mun-
parte integrante desse próprio mundo.
do” em sua inteireza.
De acordo com a cultura valores e repre-
Essa questão nos remete ao próprio ser
sentações os seres humanos constroem e dimen-
humano em sua essência e as relações que esta-
sionam “seus mundos” de maneira muito parti-

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cular e peculiar. De acordo com Kenneth White mente é, fundamentalmente, poética” (WHITE,
somos protagonistas de uma geopoética cons- 1990).
tantemente resignificada pela autopoise. White Em geopoética a poesia, o pensamento e
(1990) elaborou o conceito de geopoética inspi- a ciência podem convergir em reciprocidade
rado numa visão de mundo integrada e signifi- para romper com as fragilidades inerentes à fra-
cativa, onde o ser humano e as “coisas do mun- gmentação e dualidade do conhecimento vis-
do” compõem um único universo integrado pela lumbrando o “todo”; a “inteireza” do ser huma-
geopoética. Ele ressalta o conhecimento sobre o no no mundo buscando refletir sobre a vida na
universo como uma unidade e a geopoética o terra e o papel do ser humano nesse contexto.
elemento unificador, considerando o planeta Essas dimensões podem se integrar com a ”ob-
Terra como o cerne desse pensar. jetivação do sensível”, proveniente dos signifi-
O mundo como uma unidade composta cados próprios de cada um, dos valores éticos
por um todo harmônico entre terra e pensamen- que reside no perceber, representar e transfor-
to, uma noção de mundo renovada, redimensio- mar as maneiras de ser e pensar e viver no mun-
nando a noção de espaço, luz e energia. Segun- do. A poética propõe sintetizar as forças do cor-
do o autor essas noções poderão ser experimen- po e espírito para poder entender o mundo tendo
tadas intelectualmente, com o desenvolvimento como aporte a cultura. L'essentiel, pour le mo-
do conhecimento, e emocionalmente, pelos sen- ment, c'est que l'on sente une émergence, et la
tidos para se sintonizar o mundo. possibilité d'une convergence... la poétique de-
Nessa perspectiva White fundou em vrait synthétiser toutes les forces du corps et de
1989 um instituto Internacional de geopoetics l’esprit, devrait être la manière essentielle dont
tendo como objetivo um projeto audacioso não l’être humain compose le monde. Et pour ap-
como mais um contributo para o espetáculo de précier l’apport fondamental de la poétique dans
variedades culturais, nem é uma escola literária, une culture, il suffit, là encore, de parcourir
nem com a poesia como uma arte da intimida- l’histoire des cultures (WHITE, 1998).
de... mas um grande movimento envolvendo os Bateson (1984) na obra Nature et la Pen-
próprios fundamentos da vida humana na terra. sée apresenta a cartografia estética e da consci-
Refletir o mundo pela geopoética propõe ência como proposta para estudos antropológi-
o resgate da sua inteireza por meio de lingua- cos, psicológicos e cibernéticos, considerando
gens, expressas de formas diferenciadas e sensí- um contexto mais amplo onde é possível refletir
veis como as artes visuais, a música, odores, sobre as diferenças e subjetividades provenien-
expressão oral e escrita em combinação e sinto- tes das sinfonias do espírito. Essa perspectiva é
nia. Assim propicia o desenvolvimento de proje- considerada como uma Cartografia cultural que
tos criativos e significativos nas mais distintas pode ser referendada pelos mapas mentais como
áreas do conhecimento, pois “toda criação da enunciados que reflete discursos e visões de

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mundo, uma maneira geopoética de representar de coletar os fenômenos que se estendem adian-
e tentar entender o mundo. Um sistema aberto te dele em um particular tipo de unidade, cujo
com porosidades onde a mente permanecesse fundamento mais relevante é ‘stimmung’ deno-
aberta, pois um mapa jamais será um território, minada atmosfera, entonação, essência”. (AN-
apenas poderá sugeri-lo e poderá nos permitir DREOTTI, 2005).
superar imaginar e viver as abstrações, por meio A paisagem seria o resultado da contem-
das linguagens advindas do olhar, sentir, ouvir plação, primeiramente no sentido ótico e em
aqui ressaltada. seguida espiritual da natureza, correlacionando
De acordo com Bateson (1984) la forme os diversos objetos e a imaginação subjetiva dos
résultante, par-delà le style propre à chacun, est mesmos. Para Simmel a paisagem está situada
avant tout une trace, un fragment, un témoigna- na esfera intermediária entre o particular e o
ge poétique ou noétique dont la valeur, selon geral, entre o finito e o infinito em sua perfeita
nous, réside dans sa capacité à «augmenter» nos sintonia, percepção e integração. Assim poderí-
sensations de vie, à provoquer nos perceptions, amos pensar a paisagem como “a alma do lu-
voire à transformer nos manières d’ être et de gar”, onde o empírico, a criatividade, a sensibi-
penser au monde. O autor ressalta a importância lidade se integra, de maneira que seria muito
das estruturas e as conexões entre os seres vi- superficial descrever apenas os elementos visí-
vos, maravilhando-se sempre diante de tudo que veis de forma mecânica. Entendemos o ser hu-
traduz a vida e interage entre si. mano como um sistema aberto com muitas in-
Esse argumento é realçado por Heide- terconexões propiciando a mente permanecer
gger (2008) quando diz que é a poesia que ad- em constante estado de alerta captando e resig-
mite ao homem habitar a sua essência. A poesia nificando informações, sensações construindo
deixa habitar em sentido originário. Assim a significados sobre as “coisas do mundo” e o
escolha da relação que o ser humano estabelece “estar no mundo”. Esta abertura permite uma
com a natureza pode ser analisada como prerro- autoconsciência, como um lugar de criatividade
gativa de sua condição humana. e inovação e é central para a emergência do no-
Simmel nos proporciona outro aspecto vo, a partir da ordem e desordem (caos). Et ce
interessante quando se refere à construção de «chaos» n'est plus un amas informe, ou une me-
“caminhos” e “pontes” que podem interligar nace aggressive (MATURANA; VARELA,
localidades e pessoas analisados além do efeito 1998.) Segundo esses autores por meio desse
estético na paisagem, ou do complexo de obje- "caos" pode-se detectar uma auto-organização,
tos naturais inanimados, como a descrição e ou autopoiesis, ou seja, adquirir uma consciên-
justaposição de relevos, rios e vegetação. An- cia de si na relação com o outro e com as coisas
dreotti (2005) cita Georg Simmel para o qual “a do mundo ressignificando-as. Vemos na auto-
paisagem existe só quando o observador é capaz

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poiesis uma possibilidade para se pensar e de- categoria para compreender e analisar a dimen-
senvolver a geopoética são geográfica da natureza e cultura que se ma-
A teoria autopoiética tem como ideia bá- nifesta na paisagem com a relação entre o ser
sica um sistema organizado autossuficiente. humano e a mundo.
Este sistema produz e recicla seus próprios
2. NATUREZA, PAISAGEM E
componentes diferenciando-se do meio exterior.
REPRESENTAÇÃO
O termo foi criado pelos biólogos chilenos
Humberto Maturana e Francisco Varela. A teo- Pensar a paisagem com olhos de geógra-
ria Autopoiética tem sido aplicada em várias fo nos remeteria as origens da ciência geográfi-
áreas da ciência tendo em vista a compreensão e ca em tosa a sua trajetória epistemológica, mas
integração do todo. Segundo os autores a auto- não é isso que nos move nesse momento. A
consciência não está no cérebro – ela compete proposta é ir além do conceito de paisagem que
ao espaço relacional que se constitui na lingua- relaciona natureza e sociedade, e pensar como
gem. A operação que dá origem à autoconsciên- tomada de consciência da natureza que o envol-
cia está relacionada com a reflexão na distinção ve e da qual também é integrante.
do que distingue que se faz possível no domínio E nessa direção entendemos a paisagem
das coordenações de ações no momento em que como portadora de elementos visuais, sonoros,
há linguagem. Então a autoconsciência surge odoríferos e tácteis, e dos significados dados a
quando o observador constitui a auto- esses elementos pelas pessoas que os vivenciam.
observação como uma entidade ao distinguir a A paisagem, segundo tal perspectiva,
distinção da distinção no linguajar (MATURA- não é o retrato fotográfico nem uma tela pintada
NA; VARELA 1998). de um espaço geográfico qualquer – existem
A autoconsciência propõe uma maior inúmeras maneiras de representá-la, uma vez
abrangência, uma consciência de si mesmo. E que também são inúmeras as percepções, valo-
desperta para essa consciência de si na relação res e as significações de quem vive e capta essa
com o outro, já que é na relação que se estabele- paisagem.
ce a identificação do outro. Para Maturana Anne Cauquelin (2007) no livro A in-
(1998) não é mais a razão que fundamenta e venção da paisagem, considera que a paisagem
embasa as ações e a comunicação, mas sim a representada pelos artistas é a consolidação do
emoção, que não pode ser abarcada pela lingua- vínculo entre os distintos elementos e valores de
gem enquanto construção racional, mas pela uma cultura, ligação que oferece um agencia-
linguagem construída nas coordenações de mento, um ordenamento e, por fim, uma ordem
ações consensuais. Assim considerando a auto- à percepção do mundo.
poiesis como um vetor importante no contexto Nessa perspectiva a paisagem é pensada
da geopoética propomos essa abordagem como como um modo de ver perpassado pelo viés

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cultural. E será esta ligação que, segundo ela, irá como um fato íntimo, espiritual, psicológico
agenciar e/ou ordenar a experiência perceptiva. (ANDREOTTI, 2005).
Podemos observar um lago, mas ele só é perce- Entendendo que a percepção não se limi-
bido porque outros elementos, além dos naturais ta ao sentido da visão, o estudo da paisagem na
e visíveis são acionados. Lembranças, imagina- abordagem cultural da Geografia propõe ir além
ção sensibilidades vem à tona e são acionadas dos aspectos visuais, considerando toda a sua
nesse momento, no entanto isso não é percebido dimensão subjetiva; desvendar a “alma do lu-
claramente pelo observador num primeiro mo- gar”.
mento. Será preciso estar atento às diferentes Abrem-se, neste entendimento, outros
maneiras de ver e sentir a natureza tendo em elementos e interpretações para se discutir as
vista sua inteireza para se captar esse processo. paisagens considerando-as como um complexo
Entender essas diferentes maneiras de de formas e de relações culturais é preciso agu-
pensar a configuração da paisagem é o desafio, çar o olhar não apenas para a leitura estética,
pois a paisagem observada pela janela é algo mas buscar desvendar os significados dos luga-
que se pode ver apenas por partes e nunca de res em sua essência, além das relações aparentes
forma completa. que geralmente são estabelecidas e entre eles.
Cada paisagem é produto e produtora de
cultura, e é possuidora de formas e cores, odo- 3. OS ODORES E A PAISAGEM ...
SENTIR A NATUREZA ...
res, sons e movimentos, que podem ser experi-
enciados por cada pessoa que nela se insira, ou
Para Jean Robert Pite (1998), é “através
abstraído por aquele que a lê pelos relatos e/ou
do poder evocativo do cheiro, velejamos na
imagens. Nesse sentido, é por meio da paisagem
emoção, sensualidade, viagem, fuga, encontro,
que os elementos que integram no espaço “sal-
beleza, sedução, elegância e prestígio.”
tam aos olhos” do ser humano, “gritam aos seus
Ao pensar a paisagem em sua inteireza
ouvidos”, e envolvem-no nas suas dimensões
na perspectiva da poética nos remete a diferen-
sensíveis.
tes conexões como os odores que nos envolvem
Para Andreotti o conceito de paisagem
e propiciam sensações diversas e inusitadas.
está vinculado à abordagem cultural e emocio-
As sensações relacionadas à própria
nal. A paisagem cultural é, por sua vez, inco-
condição animal de seres vivos sempre foi nor-
mum: contém alma. Por isso o passado não é
teada pelos odores, sobretudo na delimitação
mais passado porque, por via da conexão psico-
territorial e nas questões relacionadas à sobrevi-
lógica, é sempre uma relação com o observador.
vência. Para os seres humanos também os odo-
Portanto, deve ser pensado – e esta é uma das
res tem especial papel, nos remetendo a experi-
incontáveis possibilidades de interpretação –
ências que tivemos nos espaços de vivência.

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O odor pode estar relacionado com o Enfim, qual é a relação que estabelece-
ambiente físico, com o psicológico, com aspec- mos com os cheiros e como os relacionamos
tos culturais, enfim na interface da fisiologia, com os demais sentidos e sensações ao anali-
psicologia, cultura e linguística, assim pode-se sarmos um determinado espaço?
dizer que o cheiro tem a sua geografia. Os odores em sua essência consistem em
Entre as sensações, apenas os odores não moléculas de gás que variam na quantidade em
tem vocabulário próprio e permanece relaciona- sua composição e combinação com o espaço e
do ao selvagem, sobretudo pela especial atenção tempo, em todas as escalas. Eles provem de
que sempre tiveram as imagens, gosto, tato e várias substâncias da natureza, mas, sobretudo
sons. Pois, admirar e encontrar prazer na con- gerados em abundância pelos seres vivos, plan-
templação de uma paisagem ou numa obra de tas e animais. Portanto tudo e todos têm um
arte, ouvir um concerto, saborear um prato refi- cheiro e essa percepção tem diferentes interpre-
nado, ou tocar um sedoso tecido, são sinais de tações.
bom gosto e requinte. É importante considerar- Os odores causados pela poluição causa-
mos que o saborear de um bom prato inicia a da por emissão de gases oriundos de áreas in-
motivação do odor que desperta o apetite assim dustriais, aterros sanitários, emissores de esgoto
como o cheiro das flores complementam a con- a céu aberto etc... podem influenciar na desvalo-
templação de um jardim. Dessa forma perce- rização de uma área, sobretudo no tecido urba-
bem-se a importância de se considerar os odores no.
quando a proposta é analisar a poética da paisa- Os odores na área rural provenientes de
gem, sobretudo ao buscar a inteireza dos ele- estrume de gado, suíno ou aves podem ser re-
mentos integrando o ser humano e mundo. A pulsivos para algumas pessoas, mas representam
contribuição da geografia para uma melhor vida para os que vivem nessas áreas agrícolas,
compreensão das emissões olfativas pode ocor- incorporado as suas vidas aos seus mundos e
rer em vários aspectos como aponta Pitte na sentidos.
obra Geografia dos odores, como: o cheiro dos As substâncias aromáticas desde a mais
lugares, odores e a localização das atividades remota antiguidade integram as rotas de comer-
humanas agrícolas e industriais, o comercio dos cio como especiarias (cravo, canela, pimenta,
odores, o papel que desempenham na diferenci- noz moscada etc..) essências exóticas, propici-
ação dos territórios etc. A compreensão do es- ando aroma e sabores associados ao prazer, ao
paço tendo em vista os odores pode ser conside- bom, ao belo.
rados em várias escalas como o espaço dentro A indústria de perfumes e cosméticos
da casa para a rua, bairro, cidade, região, da movimenta grandes cifras no mundo relacio-
grande área bio-climática, cultural e do próprio nando odores a valores culturais ao poder a os-
planeta.

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tentação a estética a beleza a construções simbó- ver o significante como algo aberto, constante-
licas. mente criado e recriado pelas ações e interações
E nesse aspecto ainda como as pessoas humanas. (KOZEL, 2010).
se relacionam com seus próprios cheiros e como Para abordar os odores da sociedade é
convivem com os cheiros dos outros? Essa preciso reacender os principais odores e condi-
questão pode explicar vínculos ou repulsas so- ção de circulação, identificar os filtros de per-
cioespaciais em varias escalas e podem nos le- cepção da sensibilidade dos odores para se che-
var a entender a relação olfato/ e a poética da gar a geopoética proposta.
paisagem. Aspectos culturais merecem análises
mais aprofundadas, pois as percepções variam 4. OS SONS DA PAISAGEM ...
OUVIR A NATUREZA...
de individuo para individuo.
Como exemplos citados na obra Geogra-
Compreender a paisagem a partir dos
fia dos odores no romance Germinal, de Émile
sons da natureza é uma experiência que envolve
Zola, a mulher do grande patrão quer abrir as
percepções, valores e significações que não po-
janelas depois da visita de uma delegação de
dem ser reduzidas, exclusivamente, a um pro-
operários para esvaziar a sala dos odores da
cesso fisiológico. Como foi apontado anterior-
classe operária. Em Quincas Borba, Machado de
mente a cultura é um dos vetores principais a ser
Assis descreve com detalhes o cuidado do per-
considerado, pois quando um determinado espa-
sonagem Cristiano Palha com sua aparência. Ele
ço é pensado culturalmente, características são
ensaboa e esfrega o rosto, lava o colo e a cabeça
peculiares e diversas são atribuídas à sua identi-
em uma fina bacia de prata para depois enxugar-
dade. Entendendo cultura de acordo com Claval
se, escovar-se e perfumar-se. Essas duas atitu-
como “a soma dos comportamentos, dos sabe-
des aparentemente sem importância são pistas
res, das técnicas, dos conhecimentos e dos valo-
fundamentais para entender grandes eventos da
res acumulados pelos indivíduos durante suas
história contemporânea como a ascensão do
vidas e, pelo conjunto dos grupos de que fazem
narcisismo e o recolhimento para o espaço pri-
parte” (CLAVAL, 2001, p. 63), e que vão im-
vado.
primir na paisagem suas marcas, e trazer para si
Enfim, essa abordagem pode contribuir
as marcar da paisagem.
para que as dicotomias entre homem e signo
A paisagem sonora pensada no contexto
possam ser rompidas, permitindo refletir além
cultural deve levar em conta a diversidade de
das estruturas formais dos códigos sacralizados
sons presentes num lugar, e a relação destes
em modelos que tudo prevê e definem, na rela-
com a cultura e com o lugar. É na paisagem
ção entre significado e significante, abrindo uma
sonora que estão, além dos sons artificiais pro-
possibilidade inovadora de perceber o signo
duzidos pelas máquinas e motores, as línguas,
como construção dialógica e social, propiciando

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os sotaques e as gírias, e as músicas. Estes ele- suas divindades integrando-os a essa mesma
mentos são, portanto, produtos e produtores da natureza.
paisagem sonora. A relação do homem com a natureza, as
Pensar a geopoética da paisagem nos le- peculiaridades apreendida nas paisagens e os
va também a considerar os sons como diferentes sons dos lugares, nos conduzem a desvendar a
possibilidades de estudo, desde as variações paisagem sonora.
espaciais dos ruídos, a questão ambiental da Murray Schafer citado por Torres
poluição sonora, as “heterotopias sonoras” – ou (2009), utilizou o termo soundscape (paisagem
as diferenças entre os lugares com base nos sons sonora), em seu livro O ouvido pensante, para
–, ou ainda uma “topofilia sonora” – ou a rela- se referir ao ambiente acústico.
ção de pertencimento a um lugar com base na O autor em seu livro A afinação do
sonoridade do mesmo. mundo reflete sobre a paisagem sonora da hu-
A paisagem, dessa forma, integra-se à manidade desde os contatos com a natureza a
música que representa importante papel na cul- relação com as atividades rural e industrial. Para
tura de um povo. Ela serve para reafirmar valo- Schafer a paisagem sonora natural contém os
res dentro do grupo, e ajuda na associação de sons “puros” da natureza, como os sons dos
suas existências em relação a objetos próximos. rios, mares e oceanos, dos ventos e/ou qualquer
O mundo apreendido é cantado e musicalizado. outra manifestação da natureza, como atividades
Os valores dos grupos são repassados nas can- vulcânicas ou, ainda, o derretimento do gelo da
ções, assim como suas relações com o meio. neve. Cada paisagem sonora natural tem seu
(TORRES, 2009) som peculiar, e com frequência se constituem
A paisagem sonora proporciona ao indi- marcos sonoros pela sua peculiaridade. Ele fala
víduo o primeiro contato com os sons, a partir ainda sobre suas experiências pessoais em rela-
daí e de suas experiências musicais, os seres ção aos marcos sonoros no mundo, ao relatar: O
humanos passam a expressar-se através da or- mais impressionante marco sonoro geográfico
ganização dos sons produzindo sonoridades. que já escutei ocorreu na Nova Zelândia. Em
E nessa acepção a música apresenta-se Tikitere, Rotorua, grandes campos de enxofre
como um produto cultural, influenciada pela fervente, espalhados ao longo de muitos acres
variedade de sons existentes em determinado(s) de terra, são acompanhados por estranhos ri-
lugar (es), e compondo parte da paisagem sono- bombos e gorgolejos subterrâneos. O lugar é
ra do lugar. uma chaga pustulenta na pele da terra, com in-
Os grupos humanos desde a antiguidade fernais efeitos sonoros em ebulição espalhando-
sempre estiveram conectados a natureza tendo se com os ventos. (SCHAFER, 2001, p. 48)
em suas manifestações sonoras ligações com A paisagem sonora natural pode ainda
ser vivenciada quando nos encontramos em am-

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bientes naturais distante das interferências do limites de decibéis e/ou horários estabelecidos
espaço urbano. Podemos captar e internalizar os para que as festas aconteçam. Assim, cada lugar
sons das águas dos rios, da mata, o sussurro do apresenta sua especificidade na paisagem sonora
vento e o canto dos pássaros, algo que tem se (TORRES, 2009).
tornando cada vez mais difícil diante as trans- À Geografia, o estudo da cultura e da
formações rápidas e intensas que vivemos atu- paisagem pautado na paisagem sonora, perpassa
almente. Inúmeros tipos de novos sons têm sido uma abordagem humanista-cultural, tendo em
inseridos no espaço no decorrer do tempo, con- vista a compreensão de como os seres humanos
tribuindo para que o homem experiencie cada individualmente e coletivamente constroem e
vez menos os sons naturais presentes na paisa- concebem o espaço. A paisagem sonora é, mais
gem sonora. um aporte para esse estudo, considerando que é
Com o intuito de abarcar os sons de um apreendida e ao mesmo tempo transformada,
determinado lugar se faz necessário pensar as diferentemente em cada localidade, em cada
sonoridades em vários aspectos a serem consi- grupo, em cada cultura.
derados como: sons de animais, fenômenos da A adaptação a um novo lugar sempre nos
natureza, advindos de objetos construídos pelos remete a buscar as relações de familiaridade o
seres humanos ou diferentes linguagens produ- que não está apenas nos elementos visuais, mas
zidas pelos seres humanos. em todos os elementos percebidos da paisagem.
A paisagem sonora é cultural, pois refle- De todo modo, em qualquer lugar do planeta
te a identidade de um lugar e de seus habitantes. seria possível fazer uma conexão com algo vivi-
Os sons dos animais e dos fenômenos da natu- do e experienciado num passado, se caracteri-
reza não se exprimem da mesma maneira em zando familiaridades.
todos os lugares. Os sons provenientes da circu- Esse aspecto pode ser referendado nas
lação de carros, além dos sons dos motores, reflexões de Torres (2009) em sua pesquisa so-
obedecem a códigos que são específicos em bre a paisagem sonora em Valadares. Além da
cada grupo social. As buzinas podem ser sons familiaridade que a paisagem da Ilha dos Vala-
agressivos em uma localidade, enquanto em dares proporcionou aos mestres de fandango
outra é encarado de maneira natural. Sons da quando nela chegaram para habitá-la, o fandan-
construção civil podem ser tolerados até tarde go, um dia praticado nos lugares de onde vie-
da noite em algumas localidades, enquanto em ram, e agora partilhado e refeito em Valadares,
outras são estabelecidas leis ou critérios para é um dos elementos culturais que os une na Ilha.
que não ultrapassem os horários comerciais. Tocar fandango e fazer fandango é um ato que
Uma festa pode durar uma noite inteira em cer- remete à memória de cada tocador, ao mesmo
tos lugares, ao som de músicas em alto volume, tempo em que reafirma sua cultura, mesmo vi-
conversas e risadas, enquanto em outros existem vendo em outro local. O tempo vivido na Ilha

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dos Valadares, compartilhado com os demais como algo distinto e “fora” do ser humano, pro-
habitantes, também constitui uma identidade piciando-o domina-la, adestrá-la ou mesmo sub-
que se reflete na paisagem. jugá-la de acordo com seus interesses imediatos.
Assim, não basta reconstituir a imagem A busca pelo rompimento com essa vi-
de um acontecimento passado para obter uma são de natureza nos leva ao sensível, ao imagi-
lembrança. É preciso que esta reconstrução te- nável além do visível apontando a geografia da
nha como referencia noções comuns que este- Gauguin de Staszak como um interessante apor-
jam espiritualmente internalizadas e continuem te a ser considerado.
a identificar e a fazer sentido ao grupo. Staszak (2003) nos apresenta Géogra-
Trazer para discussão os aspectos relaci- phies de Gauguin como uma perspectiva rumo
onados à paisagem sonora nos remete a desven- ao desvelamento dos mundos interiores, do
dar a geopoética em mais um dos aspectos im- imaginário. Uma geografia que se move com a
portantes dos significados da paisagem... os subjetividade, é transportada pelo indivíduo na
sons da natureza e consequentemente, dos seres relação com a representação, com o signo, e que
humanos. aflora no contato com as imagens (pinturas,
fotografias, etc.).
5. AS IMAGENS E A PAISAGEM ... Nessa obra propõe evidenciar as formas
A NATUREZA ALÉM DO OLHAR ...
que as geografias vernaculares polinésias chega-
ram aos europeus pelos marinheiros, o conhe-
Para Hugo Fernando Salinas (2009) em
cimento impressionante em termos de orienta-
um mundo controlado pelo racionalismo cientí-
ção, os saberes práticos precisos permitiram um
fico, no qual o homem se relaciona com o mun-
estudo da vegetação natural, a cultura da pesca
do natural de maneira distante, através de mode-
nas lagoas, os mitos contados, as migrações e
los e teorias, cabe ao artista repor ao homem um
origens da população, como a estratificação
contato mais sensível com a natureza, não mais
vertical da sociedade, uma religião que estrutura
de forma ingênua e fundante, mas considerando
o espaço em torno dos lugares sagrados, cheios
as alterações histórico-científicas e interagindo
de tabus etc...
poeticamente com elas.
A partir desse contexto analisa saberes
No que tange ao olhar pretende-se con-
desenvolvidos pelos europeus como: um conhe-
siderar a importância de ir além do visível em
cimento topográfico mais preciso; inventario
busca da geopoética, rompendo com os dualis-
dos recursos existentes como a cultura dos co-
mos oriundos do racionalismo científico fico
queirais e a fabricação de óleo de copra, as os-
que rompe com a visão integrada do todo, so-
tras perlíferas e o turismo.
bretudo quando aborda a relação homem/ natu-
Além desses aspectos imagens foram
reza. Geralmente a natureza é vista e pensada
construídas sobre os polinésios associando-os a

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descrição de Bougainville na “Nouvelle Cythé- importante considerar que ao permearmos as


re”, onde as mulheres se oferecem inocentemen- representações adentramos também nos mundos
te aos viajantes, como uma terra de luxúria e interiores dos seres humanos que advém de suas
prazeres. vivências e particularidades.
A obra de Gauguin é um marco na histó- A imagem cultural que Gauguin impri-
ria da arte proporcionando um olhar ocidental miu em seus quadros como uma expressão fiel
sobre o mundo cultural dos povos Taitianos que da realidade Polinésia passou a ser o cartão pos-
foram a sua inspiração. Ele retrata por meio da tal para vender os roteiros turísticos do país. A
pintura o contexto de uma época e de um lugar imagem que parece mais autêntica nos seus
em particular, o Taiti e a dominação colonial, quadros das belas mulheres polinésias com seus
participando da elaboração de seu próprio mito. páreos floridos, revela na verdade o ponto de
A geografia de Gauguin proporciona re- contato, pois os missionários anglicanos (séc.
fletir sobre a relação que se estabelece “nossos XIX) que impuseram o seu uso para que se
mundos” e como consideramos os “mundos dos mantivessem a decência, pois a nudez era pe-
outros”, aqui em particular o Taiti sendo apre- caminosa. E assim comercializavam os tecidos
endido, analisado e retratado pelo olhar de um de algodão florido fabricado em Manchester de
europeu como um paraíso perdido. Através de estampas alegres e coloridas para compor suas
sua arte e seus escritos proporciona uma ima- vestimentas.
gem muito particular do mundo do século XIX É importante considerar não apenas as
ao século XX e sem dúvida é com essas ima- particularidades estéticas desse processo, mas
gens que até os dias atuais o Taiti é imaginado e suas intencionalidades e o que podem provocar
considerado. Suas obras também podem ser na releitura do espaço. Desta forma, possibili-
consideradas como um protesto a modernidade tando sua contínua reconstrução e a configura-
ocidental, a autenticidade perdida pelos “civili- ção daquilo que Jean- François Staszak (2003)
zados”, a sua representação por meio do espaço denomina como uma geografia dos mundos
nos mostra o tempo... um tempo perdido. Foi interiores, do imaginário. Uma geografia que se
considerado um anticolonialista assim como move com a subjetividade, é transportada pelo
politicamente superficial por apresentar uma indivíduo na relação com a representação, com
imagem folclórica e superficial dos taitianos o signo, e que aflora no contato a imagem pro-
para vender uma imagem turística. duzida nas obras de arte.
E retornando a questão que nos move em Tuan (1980) ressalta que um geógrafo
particular a análise geográfica que fazemos das humanista tem como função despertar nas pes-
paisagens e a geopoética como conceito unifi- soas uma consciência de seu próprio passado, de
cador nos leva as análises teóricas e epistemoló- maneira crítica e reflexiva e por diferentes mei-
gicas dessa geografia dos mundos interiores. É os (sendo a arte um deles), tornando explícitos

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as virtudes e defeitos de uma cultura; mostrando todas as discussões desabonadoras impostas a


que o lugar é tanto um conceito e um sentimento Gauguin e suas representações artísticas é con-
compartilhado, quanto uma localização e um siderada atualmente não pela abundancia de
ambiente físico. A análise das pinturas de Gau- pescados, pela culpabilidade da nudez ou pelo
guin assume perspectivas tanto de um documen- colonialismo, mas como a “ilha do amor”, “um
tário como reflexiva. A primeira considera a paraíso terrestre” que povoa o imaginário sensí-
informação que pode ser apreendida por meio vel e os sonhos das pessoas.
da análise de conteúdo da imagem, servindo E essa ilha paradisíaca certamente existe
como uma fonte de dados sobre outros univer- no imaginário das pessoas pelos seus odores,
sos culturais e sobre o contexto histórico na qual seus perfumes de flores, suas cores tropicais,
foi criada. A segunda perspectiva considera a sua vegetação exótica pela beleza das pessoas.
imagem como um meio para elucidar as repre-
sentações criadas pelo sujeito cognoscível no 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
trabalho de campo e as estratégias discursivas
usadas na construção de um conhecimento sobre A tríade olhar, sentir e ouvir é a via pro-
o “outro”. Todas as imagens são resultados do posta para apreender a geopoética, visto que são
olhar de quem as cria e seus significados são os aportes centrais dessa proposta.
consequências da interpretação dada pelo espec- Em busca dos significados e da inteireza
tador. A imagem reitera aquilo que sentimos, nas análises das paisagens, pensando a natureza
ansiamos, imaginamos, sonhamos, vivemos, por meio do olhar, cheiros e sons ressaltamos a
pensamos, escrevemos, discutimos. As obras de necessidade da busca pela “alma do lugar” que
arte adquirem sentido enquanto uma forma de pode ser propiciada pelas obras de arte apresen-
linguagem, à medida que se ancoram na experi- tadas em Géographies de Gauguin por Stasiak,
ência sensível dos indivíduos – e, toda lingua- pelas paisagens sonoras de Valadares estudadas
gem reflete o homem e seu mundo. Tanto a arte por Torres ou pela geografia dos odores organi-
quanto a geografia estão diretamente relaciona- zada por Pitte.
das o desenvolvimento sociocultural de cada Assim propomos desenvolvermos a geo-
sociedade em sua época e o refletem em suas poética por meio de uma “autopoiesis” que
visões e representações de mundo. (FERREI- abarque a dimensão geográfica entre natureza ,
RA; SANTOS, 2009) cultura e seres humano tendo em vista a com-
Por meio de sua arte Gauguin apresenta preensão de sermos e estarmos no mundo.
uma visão de mundo que nos ajuda a compreen-
der e refletir sobre os seres humanos e a própria
sociedade, da qual somos integrantes, sempre
com nosso olhar parcial. Pois o Taiti apesar de

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