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Universidade Federal de Uberlândia

UFU
Assistente em Administração

ÍNDICE

CONHECIMENTOS GERAIS

1. LÍNGUA PORTUGUESA
Será avaliada a capacidade de o candidato:
• Ler, compreender e interpretar textos diversos de diferentes gêneros, redigidos em Língua Portuguesa e produzidos em situa-
ções diferentes e sobre temas diferentes.
• Argumentar e justificar opiniões.
• Apreender informações não explicitadas, apoiando-se em deduções.
• Identificar elementos que permitam extrair conclusões não explicitadas no texto.
• Integrar e sistematizar informações.
• Identificar elementos que permitam relacionar o texto lido a outro texto ou a outra parte do mesmo texto.
• Identificar informações pontuais no texto.
• Identificar e corrigir, em um texto dado, determinadas inadequações em relação à língua padrão.
• Inferir o sentido de palavras a partir do contexto.
• Identificar objetivos discursivos do texto (informar ou defender uma opinião, estabelecer contato, promover polêmica, humor,
etc.).
• Identificar as diferentes partes constitutivas de um texto.
• Reconhecer e identificar a estrutura dos gêneros textuais.
• Estabelecer relações entre os diversos segmentos do próprio texto e entre textos diferentes.
• Estabelecer articulação entre informações textuais, inclusive as que dependem de pressuposições e inferências (semânticas,
pragmáticas) autorizadas pelo texto, para dar conta de ambiguidades, ironias e opiniões do autor.
• Reconhecer marcas linguísticas necessárias à compreensão do texto (mecanismos anafóricos e dêiticos, operadores lógicos e
argumentativos, marcadores de sequenciação do texto, marcadores temporais, formas de indeterminação do agente).
• Reconhecer e avaliar, em textos dados, as classes de palavras como mecanismos de coesão e coerência textual.
• Reconhecer os recursos linguísticos que concorrem para o emprego da língua em diferentes funções, especialmente no que se
refere ao uso dos pronomes, dos modos e tempos verbais e ao uso das vozes verbais.
• Reconhecer a importância da organização gráfica e diagramação para a coesão e coerência de um texto.
• Identificar e empregar recursos linguísticos próprios da língua escrita formal: pontuação, ortografia, concordância nominal e
verbal, regência nominal e verbal, colocação pronominal, estruturação de orações e períodos ...................................................... 01/62

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2. NOÇÕES DE INFORMÁTICA
MS-Windows 7: controle de acesso e autenticação de usuários, painel de controle, central de ações, área de trabalho, manipulação de arqui-
vos e pastas, uso dos menus, ferramentas de diagnóstico, manutenção e restauração ................................................................................. 01
MS-Word 2007: estrutura básica dos documentos, edição e formatação de textos, cabeçalhos, rodapés, parágrafos, fontes, colunas, marcado-
res simbólicos e numéricos, tabelas, impressão, controle de quebras e numeração de páginas, legendas, índices, inserção de objetos, campos
predefinidos, caixas de texto, mala direta, correspondências, envelopes e etiquetas, correção ortográfica ................................................... 17
MS-Excel 2007: estrutura básica das planilhas, conceitos de células, linhas, colunas, pastas e gráficos, elaboração de tabelas e gráficos, uso
de fórmulas, funções e macros, impressão, inserção de objetos, campos predefinidos, controle de quebras e numeração de páginas, obtenção
de dados externos, classificação e filtragem de dados .................................................................................................................................... 22
MS-Power Point 2007: estrutura básica das apresentações, conceitos de slides, slide mestre, modos de exibição, anotações, régua, guias,
cabeçalhos e rodapés, noções de edição e formatação de apresentações, inserção de objetos, numeração de páginas, botões de ação, anima-
ção e transição entre slides .............................................................................................................................................................................. 31
Correio Eletrônico: uso do aplicativo de correio eletrônico Mozilla Thunderbird, protocolos, preparo e envio de mensagens, anexação de arqui-
vos. Internet: Navegação Internet (Internet Explorer, Mozilla Firefox, Google Chrome), conceitos de URL, proxy, links/apontadores, sites/sítios
Web, sites/sítios de pesquisa (expressões para pesquisa de conteúdos/sites (Google)). Noções de Segurança e Proteção: Vírus, Cavalos de
Tróia, Worms, Spyware, Phishing, Pharming, Spam e derivados .................................................................................................................... 35

3. LEGISLAÇÃO
Regime jurídico dos servidores públicos civis da União. Lei 8.112 de 1990 e suas alterações ....................................................................... 01
Código de Ética Profissional no Serviço Público. Decreto 1.171 de 22 de junho de 1994 ............................................................................... 20
Lei da Improbidade Administrativa. Lei nº 8.429/1992...................................................................................................................................... 22
Processo Administrativo disciplinar. Lei nº 9.784/1999 .................................................................................................................................... 25

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

1. Noções em Administração
1.1 Administração: conceitos, teorias e tendências .......................................................................................................................................... 01
1. 2 Planejamento: objetivos e formulação estratégica .................................................................................................................................... 32
1.3 Organização: modelos, poder e estruturas organizacionais ....................................................................................................................... 32
1.4 Motivação, liderança e comunicação nas organizações ............................................................................................................................. 41
1.5 Controle: processos, sistemas e instrumentos de controle do desempenho organizacional ..................................................................... 54
1.6 Gestão de tempo, recursos e informações ................................................................................................................................................. 32

2. Redação Oficial
2.1 Características Fundamentais da Redação Oficial. 2.2 Emprego dos Pronomes de Tratamento. 2.3 Gêneros da Redação Oficial.
2.3.1 Aviso. 2.3.2 Declaração. 2.3.3 E-mail. 2.3.4. Memorando. 2.3.5. Ofício. 2.4 Sintaxe e Semântica da Redação Oficial......................... 63

3 Noções de Arquivologia
3.1 Conceitos Fundamentais de Arquivologia. 3.2 Gestão de Documentos. 3.3 Instrumentos de Gestão de Documentos. 3.4 Protocolo.
3.5 Legislação Arquivística. 3.6 Documentos Arquivísticos Digitais ................................................................................................................. 73

2
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PORTUGUÊS
APOSTILAS OPÇÃO

Língua Portuguesa Compreensão e


interpretação de textos

Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali-


Será avaliada a capacidade de o candidato: dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve
compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de
Ler, compreender e interpretar textos diversos de di- necessitar de um bom léxico internalizado.
ferentes gêneros, redigidos em Língua Portuguesa e pro- As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto
duzidos em situações diferentes e sobre temas diferentes. em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um
Argumentar e justificar opiniões. confronto entre todas as partes que compõem o texto.
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas
Apreender informações não explicitadas, apoiando-se por trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento
em deduções. justifica-se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do
Identificar elementos que permitam extrair conclu- autor diante de uma temática qualquer.
sões não explicitadas no texto.
Denotação e Conotação
Integrar e sistematizar informações. Sabe-se que não há associação necessária entre significante (ex-
pressão gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma
Identificar elementos que permitam relacionar o texto convenção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante +
lido a outro texto ou a outra parte do mesmo texto. significado) que se constroem as noções de denotação e conotação.
Identificar informações pontuais no texto. O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicioná-
rios, o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras
Identificar e corrigir, em um texto dado, determina- é a atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compre-
das inadequações em relação à língua padrão. ensão, depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determi-
nada construção frasal, uma nova relação entre significante e significado.
Inferir o sentido de palavras a partir do contexto.
Os textos literários exploram bastante as construções de base conota-
Identificar objetivos discursivos do texto (informar ou tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações
defender uma opinião, estabelecer contato, promover diferenciadas em seus leitores.
polêmica, humor, etc.). Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis-
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do
Identificar as diferentes partes constitutivas de um
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra
texto. ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste
Reconhecer e identificar a estrutura dos gêneros tex- caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim
tuais. ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e
esclareçam o sentido.
Estabelecer relações entre os diversos segmentos do
próprio texto e entre textos diferentes.
Como Ler e Entender Bem um Texto
Estabelecer articulação entre informações textuais, Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e
inclusive as que dependem de pressuposições e inferên- de reconhecimento e a interpretativa.
cias (semânticas, pragmáticas) autorizadas pelo texto, A primeira deve ser feita de maneira cautelosa por ser o primeiro con-
para dar conta de ambiguidades, ironias e opiniões do tato com o novo texto. Desta leitura, extraem-se informações sobre o
autor. conteúdo abordado e prepara-se o próximo nível de leitura. Durante a
interpretação propriamente dita, cabe destacar palavras-chave, passagens
Reconhecer marcas linguísticas necessárias à com- importantes, bem como usar uma palavra para resumir a ideia central de
preensão do texto (mecanismos anafóricos e dêiticos, cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça a memória visual, favo-
operadores lógicos e argumentativos, marcadores de recendo o entendimento.
sequenciação do texto, marcadores temporais, formas de
Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjeti-
indeterminação do agente). va, há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a
Reconhecer e avaliar, em textos dados, as classes de fim de responder às interpretações que a banca considerou como perti-
palavras como mecanismos de coesão e coerência textual. nentes.
No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele tex-
Reconhecer os recursos linguísticos que concorrem to com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da
para o emprego da língua em diferentes funções, especi- época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen-
almente no que se refere ao uso dos pronomes, dos modos tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida.
e tempos verbais e ao uso das vozes verbais. Aqui não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência biblio-
gráfica da fonte e na identificação do autor.
Reconhecer a importância da organização gráfica e
diagramação para a coesão e coerência de um texto. A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções
de resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não,
Identificar e empregar recursos linguísticos próprios exceto, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha
da língua escrita formal: pontuação, ortografia, concor- adequada. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do
dância nominal e verbal, regência nominal e verbal, colo- "mais adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento
cação pronominal, estruturação de orações e períodos. proposto. Por isso, uma resposta pode estar certa para responder à per-
gunta, mas não ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por
haver uma outra alternativa mais completa.

Língua Portuguesa 1
APOSTILAS OPÇÃO
Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmen- O narrador que está a contar a história também é uma personagem,
to do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor-
ao texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A des- tância, ou ainda uma pessoa estranha à história.
contextualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um
recurso para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso-
posterior para ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta manei- nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não
ra a resposta será mais consciente e segura. alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e
tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma di-
mensão psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de reações perante os acontecimentos.
texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto; • Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos,
a trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá podemos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios
até o fim, ininterruptamente; progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o clímax,
03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo menos o desenlace ou desfecho.
umas três vezes ou mais; Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,
04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas; as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre,
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”),
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor; ou seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de
07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor com- interesses entre as personagens.
preensão; O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten-
08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfe-
correspondente; cho, ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos.
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
• Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici-
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto e outras; palavras que
gênero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento coti-
aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
diano constitui uma crônica, o relato de um drama social é um
perguntou e o que se pediu;
romance social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais central, que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundá-
exata ou a mais completa; rios, relacionados ao principal.
12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de • Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos
lógica objetiva; lugares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa con-
13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais; ter informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas
vezes, principalmente nos textos literários, essas informações são
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta, extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos tex-
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto; tos narrativo.
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a • Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num
resposta; determinado tempo, que consiste na identificação do momento,
16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor, dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa-
definindo o tema e a mensagem; lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas rela-
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las; ções podem ser lineares, isto é, seguindo a ordem cronológica
dos fatos, ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que an-
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importan- tes de um fato que aconteceu depois.
tíssimos na interpretação do texto.
Ex.: Ele morreu de fome. O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tem-
de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realiza- po material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela
ção do fato (= morte de "ele"). natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões
Ex.: Ele morreu faminto. fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontra- sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no
va quando morreu. seu espírito.
19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as • Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis-
ideias estão coordenadas entre si; semos, é a personagem que está a contar a história. A posição
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza em que se coloca o narrador para contar a história constitui o fo-
de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo co, o aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser ca-
Cunegundes racterizado por:
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS - visão “por detrás”: o narrador conhece tudo o que diz respeito
TEXTO NARRATIVO às personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos
• As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, acontecimentos e a narração é feita em 3a pessoa.
forças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desen- - visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da nar-
rolar dos fatos. rativa que é feito em 1a pessoa.
Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou - visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê,
heroína, personagem principal da história. aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per-
O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designíos do pro- sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra-
tagonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa.
contracena em primeiro plano. • Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de
As personagens secundárias, que são chamadas também de compar- apresentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do
sas, são os figurantes de influência menor, indireta, não decisiva na narra- qual a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é
ção. feita em 1a pessoa ou 3a pessoa.
Língua Portuguesa 2
APOSTILAS OPÇÃO
Formas de apresentação da fala das personagens É predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer
Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou meca-
três maneiras de comunicar as falas das personagens. nismos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc.
• Discurso Direto: É a representação da fala das personagens
através do diálogo. TEXTO DISSERTATIVO
Exemplo: Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação
“Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da consta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou
verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna- questão, e pressupõe um exame crítico do assunto sobre o qual se vai
val a cidade é do povo e de ninguém mais”. escrever com clareza, coerência e objetividade.
No discurso direto é frequente o uso dos verbos de locução ou des- A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persua-
cendi: dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e dir o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como
etc.; e de travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão.
ou rápidas os verbos de locução podem ser omitidos. A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfati-
zando o contexto.
• Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas Quanto à forma, ela pode ser tripartida em:
próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens. • Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda-
Exemplo: mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e
“Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa- objetiva da definição do ponto de vista do autor.
dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
• Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias co-
que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os
locadas na introdução serão definidas com os dados mais rele-
menos sombrios por vir”.
vantes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de
• Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem ideias articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte
se mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narra- num conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e
ção. Exemplo: desencadeia a conclusão.
“Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando • Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da
alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles ideia central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retoman-
lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensas- do a introdução e os fatos resumidos do desenvolvimento do tex-
sem que estivesse doido. Como poderia andar um homem to. Para haver maior entendimento dos procedimentos que podem
àquela hora, sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco ocorrer em uma dissertação, cabe fazermos a distinção entre fa-
de pés no chão como eles? Só sendo doido mesmo”. tos, hipótese e opinião.
(José Lins do Rego) - Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida;
é a obra ou ação que realmente se praticou.
TEXTO DESCRITIVO - Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou
Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais ca- não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so-
racterísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc. bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido.
As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importan- - Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou
tes, tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje-
que vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem
para que o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma a respeito de algo.
imagem unificada.
Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, va- O TEXTO ARGUMENTATIVO
riando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a Baseado em Adilson Citelli
pouco.
Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra A linguagem é capaz de criar e representar realidades, sendo caracte-
técnica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas: rizada pela identificação de um elemento de constituição de sentidos. Os
• Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar
transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto
através dos sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a de referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras
subjetiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas do tipo de texto solicitado.
preferências, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e Para se persuadir por meio de muitos recursos da língua é necessário
não o que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo que um texto possua um caráter argumentativo/descritivo. A construção de
objetivo, fenomênico, ela é exata e dimensional. um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a
• Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das sua análise e esta dar-se-á a partir do momento em que a compreensão
personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos, do conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação
pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e tempera- discursiva é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja
mento, com a finalidade de situar personagens no contexto cultu- transmitir, ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do
ral, social e econômico. sujeito, suas análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que
• Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o fazemos é soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em
observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama, que o indivíduo viva. Vemos que o sujeito lança suas opiniões com o
para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as simples e decisivo intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem
partes mais típicas desse todo. o convencimento do ponto de vista de algo/alguém.
• Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e
ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma desejamos estabelecer um contato verbal com os ouvintes e leitores, e
visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas
e típicos. de intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas.
• Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada, Dentro deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerên-
que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de cia é de relevada importância para a produção textual, pois nela se dará
um incêndio, de uma briga, de um naufrágio. uma sequência das ideias e da progressão de argumentos a serem expla-
• Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge- nadas. Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitá-
rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um voca- vel, a apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em
bulário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores. seus objetivos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os
Língua Portuguesa 3
APOSTILAS OPÇÃO
mecanismos da coesão e da coerência serão então responsáveis pela Para melhor exemplificarmos o que foi dito, tomamos como exemplo
unidade da formação textual. um Editorial, no qual o autor expõe seu ponto de vista sobre determinado
Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos assunto, uma descrição de um ambiente e um texto literário escrito em
verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por prosa.
recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados. Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, pois
Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é se conceituam como gêneros textuais as diversas situações
a linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que sociocomunciativas que participam da nossa vida em sociedade. Como
ocorre agora), podemos dizer que há de ter alguém que transmita algo, e exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma reportagem, uma
outro que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argu- monografia, e assim por diante. Respectivamente, tais textos classificar-
mentos com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto, se-iam como: instrucional, correspondência pessoal (em meio eletrônico),
estes argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da texto do ramo jornalístico e, por último, um texto de cunho científico.
comunicação ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e
Persuasão). Mas como toda escrita perfaz-se de uma técnica para compô-la, é
extremamente importante que saibamos a maneira correta de produzir
Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em esta gama de textos. À medida que a praticamos, vamos nos
sua unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim o aperfeiçoando mais e mais na sua performance estrutural. Por Vânia
propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo. As Duarte
relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma
alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos
dão tornem esta produção altamente evocativa.
O Conto
A paráfrase é também outro recurso bastante utilizado para trazer a
um texto um aspecto dinâmico e com intento. Juntamente com a paródia, É um relato em prosa de fatos fictícios. Consta de três momentos per-
a paráfrase utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que tornam-se feitamente diferenciados: começa apresentando um estado inicial de
algo espetacularmente incrível. A diferença é que muitas vezes a paráfra- equilíbrio; segue com a intervenção de uma força, com a aparição de um
se não possui a necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de conflito, que dá lugar a uma série de episódios; encerra com a resolução
argumentos, e sim de esquematizar novas formas de textos, sendo estes desse conflito que permite, no estágio final, a recuperação do equilíbrio
diferentes. perdido.
A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente a junção Todo conto tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem
de palavras a uma frase, requer algo mais que isto. É necessário ter na entre si uma relação causal. Entre estas ações, aparecem elementos de
escolha das palavras e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las, bem recheio (secundários ou catalíticos), cuja função é manter o suspense.
como para se adotá-las. Um texto não é totalmente autoexplicativo, daí Tanto os núcleos como as ações secundárias colocam em cena persona-
vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu histórico gens que as cumprem em um determinado lugar e tempo. Para a apresen-
uma relação interdiscursiva e intertextual. tação das características destes personagens, assim como para as indica-
ções de lugar e tempo, apela-se a recursos descritivos.
As metáforas, metonímias, onomatopeias ou figuras de linguagem,
entram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias Um recurso de uso frequente nos contos é a introdução do diálogo
capazes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é das personagens, apresentado com os sinais gráficos correspondentes
muito utilizada para causar este efeito, umas de suas características (os travessões, para indicar a mudança de interlocutor).
salientes, é que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar ideias,
A observação da coerência temporal permite ver se o autor mantém a
valores da oposição, tudo isto em forma de piada.
linha temporal ou prefere surpreender o leitor com rupturas de tempo na
Uma das últimas, porém, não menos importantes, formas de persuadir apresentação dos acontecimentos (saltos ao passado ou avanços ao
através de argumentos, é a Alusão ("Ler não é apenas reconhecer o dito, futuro).
mais também o não-dito"). Nela, o escritor trabalha com valores, ideias ou
conceitos pré-estabelecidos, sem, porém, com objetivos de forma clara e A demarcação do tempo aparece, geralmente, no parágrafo inicial. Os
concisa. O que acontece é a formação de um ambiente poético e sugerí- contos tradicionais apresentam fórmulas características de introdução de
vel, capaz de evocar nos leitores algo, digamos, uma sensação... temporalidade difusa: "Era uma vez...", "Certa vez...".
Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP, Os tempos verbais desempenham um papel importante na construção
Editora .Scipione, 1994 - 6ª edição. e na interpretação dos contos. Os pretéritos imperfeitos e o perfeito pre-
dominam na narração, enquanto que o tempo presente aparece nas
descrições e nos diálogos.
Reconhecimento de tipos e gêneros textuais.
O pretérito imperfeito apresenta a ação em processo, cuja incidência
A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam eles chega ao momento da narração: "Rosário olhava timidamente seu preten-
verbais e não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto é, a ideia dente, enquanto sua mãe, da sala, fazia comentários banais sobre a
intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido entre os história familiar." O perfeito, ao contrário, apresenta as ações concluídas
interlocutores. no passado: "De repente, chegou o pai com suas botas sujas de barro,
olhou sua filha, depois o pretendente, e, sem dizer nada, entrou furioso na
Esses interlocutores são as peças principais em um diálogo ou em um sala".
texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo
falamos sozinhos. A apresentação das personagens ajusta-se à estratégia da definibili-
dade: são introduzidas mediante uma construção nominal iniciada por um
É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos artigo indefinido (ou elemento equivalente), que depois é substituído pelo
quais travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos definido, por um nome, um pronome, etc.: "Uma mulher muito bonita
saber que existem tipos textuais e gêneros textuais. entrou apressadamente na sala de embarque e olhou à volta, procurando
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato presenciado alguém impacientemente. A mulher parecia ter fugido de um filme român-
ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre determinado assunto, tico dos anos 40."
ou descrevemos algum lugar pelo qual visitamos, e ainda, fazemos um O narrador é uma figura criada pelo autor para apresentar os fatos
retrato verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou ver. que constituem o relato, é a voz que conta o que está acontecendo. Esta
É exatamente nestas situações corriqueiras que classificamos os voz pode ser de uma personagem, ou de uma testemunha que conta os
nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e fatos na primeira pessoa ou, também, pode ser a voz de uma terceira
Dissertação. pessoa que não intervém nem como ator nem como testemunha.

Língua Portuguesa 4
APOSTILAS OPÇÃO
Além disso, o narrador pode adotar diferentes posições, diferentes Lembramos que, para medir o verso, devemos atender unicamente à
pontos de vista: pode conhecer somente o que está acontecendo, isto é, o distância sonora das sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas
que as personagens estão fazendo ou, ao contrário, saber de tudo: o que diferenças das sílabas ortográficas. Estas diferenças constituem as cha-
fazem, pensam, sentem as personagens, o que lhes aconteceu e o que madas licenças poéticas: a diérese, que permite separar os ditongos em
lhes acontecerá. Estes narradores que sabem tudo são chamados onisci- suas sílabas; a sinérese, que une em uma sílaba duas vogais que não
entes. constituem um ditongo; a sinalefa, que une em uma só sílaba a sílaba final
de uma palavra terminada em vogal, com a inicial de outra que inicie com
A Novela vogal ou h; o hiato, que anula a possibilidade da sinalefa. Os acentos
finais também incidem no levantamento das sílabas do verso. Se a última
É semelhante ao conto, mas tem mais personagens, maior número de palavra é paroxítona, não se altera o número de sílabas; se é oxítona,
complicações, passagens mais extensas com descrições e diálogos. As soma-se uma sílaba; se é proparoxítona, diminui-se uma.
personagens adquirem uma definição mais acabada, e as ações secundá-
rias podem chegar a adquirir tal relevância, de modo que terminam por A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos,
converter-se, em alguns textos, em unidades narrativas independentes. pois existem versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso fre-
quente na poesia moderna). A rima consiste na coincidência total ou
A Obra Teatral parcial dos últimos fonemas do verso.

Os textos literários que conhecemos como obras de teatro (dramas, Existem dois tipos de rimas: a consoante (coincidência total de vogais
tragédias, comédias, etc.) vão tecendo diferentes histórias, vão desenvol- e consoante a partir da última vogal acentuada) e a assonante (coincidên-
vendo diversos conflitos, mediante a interação linguística das persona- cia unicamente das vogais a partir da última vogal acentuada). A métrica
gens, quer dizer, através das conversações que têm lugar entre os partici- mais frequente dos versos vai desde duas até dezesseis sílabas. Os
pantes nas situações comunicativas registradas no mundo de ficção versos monossílabos não existem, já que, pelo acento, são considerados
construído pelo texto. dissílabos.

Nas obras teatrais, não existe um narrador que conta os fatos, mas As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas dife-
um leitor que vai conhecendo-os através dos diálogos e/ ou monólogos rentes combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à
das personagens. progressão temática do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade
informativa vinculada ao tema central.
Devido à trama conversacional destes textos, torna-se possível en-
contrar neles vestígios de oralidade (que se manifestam na linguagem Os trabalhos dentro do paradigma e do sintagma, através dos meca-
espontânea das personagens, através de numerosas interjeições, de nismos de substituição e de combinação, respectivamente, culminam com
alterações da sintaxe normal, de digressões, de repetições, de dêiticos de a criação de metáforas, símbolos, configurações sugestionadoras de
lugar e tempo. Os sinais de interrogação, exclamação e sinais auxiliares vocábulos, metonímias, jogo de significados, associações livres e outros
servem para moldar as propostas e as réplicas e, ao mesmo tempo, recursos estilísticos que dão ambiguidade ao poema.
estabelecem os turnos de palavras.
TEXTOS JORNALÍSTICOS
As obras de teatro atingem toda sua potencialidade através da repre-
sentação cênica: elas são construídas para serem representadas. O Os textos denominados de textos jornalísticos, em função de seu por-
diretor e os atores orientam sua interpretação. tador (jornais, periódicos, revistas), mostram um claro predomínio da
função informativa da linguagem: trazem os fatos mais relevantes no
Estes textos são organizados em atos, que estabelecem a progressão momento em que acontecem. Esta adesão ao presente, esta primazia da
temática: desenvolvem uma unidade informativa relevante para cada atualidade, condena-os a uma vida efêmera. Propõem-se a difundir as
contato apresentado. Cada ato contém, por sua vez, diferentes cenas, novidades produzidas em diferentes partes do mundo, sobre os mais
determinadas pelas entradas e saídas das personagens e/ou por diferen- variados temas.
tes quadros, que correspondem a mudanças de cenografias.
De acordo com este propósito, são agrupados em diferentes seções:
Nas obras teatrais são incluídos textos de trama descritiva: são as informação nacional, informação internacional, informação local, socieda-
chamadas notações cênicas, através das quais o autor dá indicações aos de, economia, cultura, esportes, espetáculos e entretenimentos.
atores sobre a entonação e a gestualidade e caracteriza as diferentes
cenografias que considera pertinentes para o desenvolvimento da ação. A ordem de apresentação dessas seções, assim como a extensão e o
Estas notações apresentam com frequência orações unimembres e/ou tratamento dado aos textos que incluem, são indicadores importantes
bimembres de predicado não verbal. tanto da ideologia como da posição adotada pela publicação sobre o tema
abordado.
Os textos jornalísticos apresentam diferentes seções. As mais co-
O Poema
muns são as notícias, os artigos de opinião, as entrevistas, as reporta-
Texto literário, geralmente escrito em verso, com uma distribuição es- gens, as crônicas, as resenhas de espetáculos.
pacial muito particular: as linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão
A publicidade é um componente constante dos jornais e revistas, à
relevância aos espaços em branco; então, o texto emerge da página com
medida que permite o financiamento de suas edições. Mas os textos
uma silhueta especial que nos prepara para sermos introduzidos nos
publicitários aparecem não só nos periódicos como também em outros
misteriosos labirintos da linguagem figurada. Pede uma leitura em voz
meios amplamente conhecidos como os cartazes, folhetos, etc.; por isso,
alta, para captar o ritmo dos versos, e promove uma tarefa de abordagem
nos referiremos a eles em outro momento.
que pretende extrair a significação dos recursos estilísticos empregados
pelo poeta, quer seja para expressar seus sentimentos, suas emoções, Em geral, aceita-se que os textos jornalísticos, em qualquer uma de
sua versão da realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrea- suas seções, devem cumprir certos requisitos de apresentação, entre os
lismo, relatar epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para quais destacamos: uma tipografia perfeitamente legível, uma diagramação
apresentar ensinamentos morais (como nas fábulas). cuidada, fotografias adequadas que sirvam para complementar a informa-
ção linguística, inclusão de gráficos ilustrativos que fundamentam as
O ritmo - este movimento regular e medido - que recorre ao valor so-
explicações do texto.
noro das palavras e às pausas para dar musicalidade ao poema, é parte
essencial do verso: o verso é uma unidade rítmica constituída por uma É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se na
série métrica de sílabas fônicas. A distribuição dos acentos das palavras publicação para melhor conhecer a ideologia da mesma. Fun-
que compõem os versos tem uma importância capital para o ritmo: a damentalmente, a primeira página, as páginas ímpares e o extremo supe-
musicalidade depende desta distribuição. rior das folhas dos jornais trazem as informações que se quer destacar.

Língua Portuguesa 5
APOSTILAS OPÇÃO
Esta localização antecipa ao leitor a importância que a publicação deu ao justificar esta tese; para encerrar, faz-se uma reafirmação da posição
conteúdo desses textos. adotada no início do texto.
O corpo da letra dos títulos também é um indicador a considerar sobre A efetividade do texto tem relação direta não só com a pertinência dos
a posição adotada pela redação. argumentos expostos como também com as estratégias discursivas usa-
das para persuadir o leitor. Entre estas estratégias, podemos encontrar as
A Notícia seguintes: as acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações,
as digressões, as apelações à sensibilidade ou, ao contrário, a tomada de
Transmite uma nova informação sobre acontecimentos, objetos ou distância através do uso das construções impessoais, para dar objetivida-
pessoas. de e consenso à análise realizada; a retenção em recursos descritivos -
As notícias apresentam-se como unidades informativas completas, detalhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de
que contêm todos os dados necessários para que o leitor compreenda a pesquisa estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das
informação, sem necessidade ou de recorrer a textos anteriores (por fontes da informação. Todos eles são recursos que servem para funda-
exemplo, não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpre- mentar os argumentos usados na validade da tese.
tá-la), ou de ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em A progressão temática ocorre geralmente através de um esquema de
publicações similares. temas derivados. Cada argumento pode encerrar um tópico com seus
É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: começa respectivos comentários.
pelo fato mais importante para finalizar com os detalhes. Consta de três Estes artigos, em virtude de sua intencionalidade informativa, apre-
partes claramente diferenciadas: o título, a introdução e o desenvolvimen- sentam uma preeminência de orações enunciativas, embora também
to. O título cumpre uma dupla função - sintetizar o tema central e atrair a incluam, com frequência, orações dubitativas e exortativas devido à sua
atenção do leitor. Os manuais de estilo dos jornais (por exemplo: do Jornal trama argumentativa. As primeiras servem para relativizar os alcances e o
El País, 1991) sugerem geralmente que os títulos não excedam treze valor da informação de base, o assunto em questão; as últimas, para
palavras. A introdução contém o principal da informação, sem chegar a ser convencer o leitor a aceitar suas premissas como verdadeiras. No decor-
um resumo de todo o texto. No desenvolvimento, incluem-se os detalhes rer destes artigos, opta-se por orações complexas que incluem proposi-
que não aparecem na introdução. ções causais para as fundamentações, consecutivas para dar ênfase aos
A notícia é redigida na terceira pessoa. O redator deve manter-se à efeitos, concessivas e condicionais.
margem do que conta, razão pela qual não é permitido o emprego da Para interpretar estes textos, é indispensável captar a postura
primeira pessoa do singular nem do plural. ideológica do autor, identificar os interesses a que serve e precisar sob
Isso implica que, além de omitir o eu ou o nós, também não deve re- que circunstâncias e com que propósito foi organizada a informação
correr aos possessivos (por exemplo, não se referirá à Argentina ou a exposta. Para cumprir os requisitos desta abordagem, necessitaremos
Buenos Aires com expressões tais como nosso país ou minha cidade). utilizar estratégias tais como a referência exofórica, a integração crítica
dos dados do texto com os recolhidos em outras fontes e a leitura atenta
Esse texto se caracteriza por sua exigência de objetividade e veraci- das entrelinhas a fim de converter em explícito o que está implícito.
dade: somente apresenta os dados. Quando o jornalista não consegue
comprovar de forma fidedigna os dados apresentados, costuma recorrer a Embora todo texto exija para sua interpretação o uso das estratégias
certas fórmulas para salvar sua responsabilidade: parece, não está des- mencionadas, é necessário recorrer a elas quando estivermos frente a um
cartado que. Quando o redator menciona o que foi dito por alguma fonte, texto de trama argumentativa, através do qual o autor procura que o leitor
recorre ao discurso direto, como, por exemplo: aceite ou avalie cenas, ideias ou crenças como verdadeiras ou falsas,
cenas e opiniões como positivas ou negativas.
O ministro afirmou: "O tema dos aposentados será tratado na Câmara
dos Deputados durante a próxima semana. A Reportagem

O estilo que corresponde a este tipo de texto é o formal. É uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que,
para informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma
Nesse tipo de texto, são empregados, principalmente, orações figura-chave para o conhecimento deste tópico.
enunciativas, breves, que respeitam a ordem sintática canônica. Apesar
das notícias preferencialmente utilizarem os verbos na voz ativa, também A conversação desenvolve-se entre um jornalista que representa a
é frequente o uso da voz passiva: Os delinquentes foram perseguidos pela publicação e um personagem cuja atividade suscita ou merece despertar a
polícia; e das formas impessoais: A perseguição aos delinquentes foi feita atenção dos leitores.
por um patrulheiro. A reportagem inclui uma sumária apresentação do entrevistado, reali-
A progressão temática das notícias gira em tomo das perguntas o zada com recursos descritivos, e, imediatamente, desenvolve o diálogo.
quê? quem? como? quando? por quê e para quê?. As perguntas são breves e concisas, à medida que estão orientadas para
divulgar as opiniões e ideias do entrevistado e não as do entrevistador.
O Artigo de Opinião
A Entrevista
Contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atu-
alidade que, por sua transcendência, no plano nacional ou internacional, já Da mesma forma que reportagem, configura-se preferentemente me-
é considerado, ou merece ser, objeto de debate. diante uma trama conversacional, mas combina com frequência este
tecido com fios argumentativos e descritivos. Admite, então, uma maior
Nessa categoria, incluem-se os editoriais, artigos de análise ou pes- liberdade, uma vez que não se ajusta estritamente à fórmula pergunta-
quisa e as colunas que levam o nome de seu autor. Os editoriais expres- resposta, mas detém-se em comentários e descrições sobre o entrevista-
sam a posição adotada pelo jornal ou revista em concordância com sua do e transcreve somente alguns fragmentos do diálogo, indicando com
ideologia, enquanto que os artigos assinados e as colunas transmitem as travessões a mudança de interlocutor. É permitido apresentar uma intro-
opiniões de seus redatores, o que pode nos levar a encontrar, muitas dução extensa com os aspectos mais significativos da conversação manti-
vezes, opiniões divergentes e até antagônicas em uma mesma página. da, e as perguntas podem ser acompanhadas de comentários, confirma-
ções ou refutações sobre as declarações do entrevistado.
Embora estes textos possam ter distintas superestruturas, em geral se
organizam seguindo uma linha argumentativa que se inicia com a identifi- Por tratar-se de um texto jornalístico, a entrevista deve necessa-
cação do tema em questão, acompanhado de seus antecedentes e alcan- riamente incluir um tema atual, ou com incidência na atualidade, embora a
ce, e que segue com uma tomada de posição, isto é, com a formulação de conversação possa derivar para outros temas, o que ocasiona que muitas
uma tese; depois, apresentam-se os diferentes argumentos de forma a

Língua Portuguesa 6
APOSTILAS OPÇÃO
destas entrevistas se ajustem a uma progressão temática linear ou a O tema-base (introdução) e sua expansão descritiva - categorias bá-
temas derivados. sicas da estrutura da definição - distribuem-se espacialmente em blocos,
nos quais diferentes informações costumam ser codificadas através de
Como ocorre em qualquer texto de trama conversacional, não existe tipografias diferentes (negrito para o vocabulário a definir; itálico para as
uma garantia de diálogo verdadeiro; uma vez que se pode respeitar a vez etimologias, etc.). Os diversos significados aparecem demarcados em
de quem fala, a progressão temática não se ajusta ao jogo argumentativo bloco mediante barras paralelas e /ou números.
de propostas e de réplicas.
Prorrogar (Do Jat. prorrogare) V.t.d. l. Continuar, dilatar, estender
uma coisa por um período determinado. 112. Ampliar, prolongar 113.
Fazer continuar em exercício; adiar o término de.
TEXTOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
Esta categoria inclui textos cujos conteúdos provêm do campo das ci-
ências em geral. Os referentes dos textos que vamos desenvolver situam- A Nota de Enciclopédia
se tanto nas Ciências Sociais como nas Ciências Naturais.
Apresenta, como a definição, um tema-base e uma expansão de tra-
Apesar das diferenças existentes entre os métodos de pesquisa des- ma descritiva; porém, diferencia-se da definição pela organização e pela
tas ciências, os textos têm algumas características que são comuns a amplitude desta expansão.
todas suas variedades: neles predominam, como em todos os textos
informativos, as orações enunciativas de estrutura bimembre e prefere-se A progressão temática mais comum nas notas de enciclopédia é a de
a ordem sintática canônica (sujeito-verbo-predicado). temas derivados: os comentários que se referem ao tema-base constitu-
em-se, por sua vez, em temas de distintos parágrafos demarcados por
Incluem frases claras, em que não há ambiguidade sintática ou se- subtítulos. Por exemplo, no tema República Argentina, podemos encontrar
mântica, e levam em consideração o significado mais conhecido, mais os temas derivados: traços geológicos, relevo, clima, hidrografia, biogeo-
difundido das palavras. grafia, população, cidades, economia, comunicação, transportes, cultura,
O vocabulário é preciso. Geralmente, estes textos não incluem vocá- etc.
bulos a que possam ser atribuídos em multiplicidade de significados, isto Estes textos empregam, com frequência, esquemas taxionômicos,
é, evitam os termos polissêmicos e, quando isso não é possível, estabele- nos quais os elementos se agrupam em classes inclusivas e incluídas. Por
cem mediante definições operatórias o significado que deve ser atribuído exemplo: descreve-se "mamífero" como membro da classe dos vertebra-
ao termo polissêmico nesse contexto. dos; depois, são apresentados os traços distintivos de suas diversas
variedades: terrestres e aquáticos.
A Definição
Uma vez que nestas notas há predomínio da função informativa da
Expande o significado de um termo mediante uma trama descritiva, linguagem, a expansão é construída sobre a base da descrição científica,
que determina de forma clara e precisa as características genéricas e que responde às exigências de concisão e de precisão.
diferenciais do objeto ao qual se refere.
As características inerentes aos objetos apresentados aparecem atra-
Essa descrição contém uma configuração de elementos que se rela- vés de adjetivos descritivos - peixe de cor amarelada escura, com man-
cionam semanticamente com o termo a definir através de um processo de chas pretas no dorso, e parte inferior prateada, cabeça quase cônica,
sinonímia. olhos muito juntos, boca oblíqua e duas aletas dorsais - que ampliam a
Recordemos a definição clássica de "homem", porque é o exemplo base informativa dos substantivos e, como é possível observar em nosso
por excelência da definição lógica, uma das construções mais generaliza- exemplo, agregam qualidades próprias daquilo a que se referem.
das dentro deste tipo de texto: O homem é um animal racional. A expan- O uso do presente marca a temporalidade da descrição, em cujo teci-
são do termo "homem" - "animal racional" - apresenta o gênero a que do predominam os verbos estáticos - apresentar, mostrar, ter, etc. - e os
pertence, "animal", e a diferença específica, "racional": a racionalidade é o de ligação - ser, estar, parecer, etc.
traço que nos permite diferenciar a espécie humana dentro do gênero
animal. O Relato de Experimentos
Usualmente, as definições incluídas nos dicionários, seus portadores Contém a descrição detalhada de um projeto que consiste em
mais qualificados, apresentam os traços essenciais daqueles a que se manipular o ambiente para obter uma nova informação, ou seja, são textos
referem: Fiscis (do lat. piscis). s.p.m. Astron. Duodécimo e último signo ou que descrevem experimentos.
parte do Zodíaco, de 30° de amplitude, que o Sol percorre aparentemente
antes de terminar o inverno. O ponto de partida destes experimentos é algo que se deseja saber,
mas que não se pode encontrar observando as coisas tais como estão; é
Como podemos observar nessa definição extraída do Dicionário de La necessário, então, estabelecer algumas condições, criar certas situações
Real Academia Espa1ioJa (RAE, 1982), o significado de um tema base ou para concluir a observação e extrair conclusões. Muda-se algo para cons-
introdução desenvolve-se através de uma descrição que contém seus tatar o que acontece. Por exemplo, se se deseja saber em que condições
traços mais relevantes, expressa, com frequência, através de orações uma planta de determinada espécie cresce mais rapidamente, pode-se
unimembres, constituídos por construções endocêntricas (em nosso colocar suas sementes em diferentes recipientes sob diferentes condições
exemplo temos uma construção endocêntrica substantiva - o núcleo é um de luminosidade; em diferentes lugares, areia, terra, água; com diferentes
substantivo rodeado de modificadores "duodécimo e último signo ou parte fertilizantes orgânicos, químicos etc., para observar e precisar em que
do Zodíaco, de 30° de amplitude..."), que incorporam maior informação circunstâncias obtém-se um melhor crescimento.
mediante proposições subordinadas adjetivas: "que o Sol percorre aparen-
temente antes de terminar o inverno". A macroestrutura desses relatos contém, primordialmente, duas cate-
gorias: uma corresponde às condições em que o experimento se realiza,
As definições contêm, também, informações complementares relacio- isto é, ao registro da situação de experimentação; a outra, ao processo
nadas, por exemplo, com a ciência ou com a disciplina em cujo léxico se observado.
inclui o termo a definir (Piscis: Astron.); a origem etimológica do vocábulo
("do lat. piscis"); a sua classificação gramatical (s.p.m.), etc. Nesses textos, então, são utilizadas com frequência orações que co-
meçam com se (condicionais) e com quando (condicional temporal):
Essas informações complementares contêm frequentemente
abreviaturas, cujo significado aparece nas primeiras páginas do Dicionário: Se coloco a semente em um composto de areia, terra preta, húmus, a
Lat., Latim; Astron., Astronomia; s.p.m., substantivo próprio masculino, etc. planta crescerá mais rápido.

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APOSTILAS OPÇÃO
Quando rego as plantas duas vezes ao dia, os talos começam a os enunciados das fontes como para incorporar os comentários e opiniões
mostrar manchas marrons devido ao excesso de umidade. do emissor.
Estes relatos adotam uma trama descritiva de processo. A variável Se o propósito da monografia é somente organizar os dados que o
tempo aparece através de numerais ordinais: Em uma primeira etapa, é autor recolheu sobre o tema de acordo com um determinado critério de
possível observar... em uma segunda etapa, aparecem os primeiros brotos classificação explícito (por exemplo, organizar os dados em tomo do tipo
...; de advérbios ou de locuções adverbiais: Jogo, antes de, depois de, no de fonte consultada), sua efetividade dependerá da coerência existente
mesmo momento que, etc., dado que a variável temporal é um componen- entre os dados apresentados e o princípio de classificação adotado.
te essencial de todo processo. O texto enfatiza os aspectos descritivos,
apresenta as características dos elementos, os traços distintivos de cada Se a monografia pretende justificar uma opinião ou validar uma hipó-
uma das etapas do processo. tese, sua efetividade, então, dependerá da confiabilidade e veracidade das
fontes consultadas, da consistência lógica dos argumentos e da coerência
O relato pode estar redigido de forma impessoal: coloca-se, colocado estabelecida entre os fatos e a conclusão.
em um recipiente ... Jogo se observa/foi observado que, etc., ou na primei-
ra pessoa do singular, coloco/coloquei em um recipiente ... Jogo obser- Estes textos podem ajustar-se a diferentes esquemas lógicos do tipo
vo/observei que ... etc., ou do plural: colocamos em um recipiente... Jogo problema /solução, premissas /conclusão, causas / efeitos.
observamos que... etc. O uso do impessoal enfatiza a distância existente Os conectores lógicos oracionais e extra oracionais são marcas lin-
entre o experimentador e o experimento, enquanto que a primeira pessoa, guísticas relevantes para analisar as distintas relações que se estabele-
do plural e do singular enfatiza o compromisso de ambos. cem entre os dados e para avaliar sua coerência.

A Monografia A Biografia
Este tipo de texto privilegia a análise e a crítica; a informação sobre É uma narração feita por alguém acerca da vida de outra(s)
um determinado tema é recolhida em diferentes fontes. pessoa(s). Quando o autor conta sua própria vida, considera-se uma
Os textos monográficos não necessariamente devem ser realizados autobiografia.
com base em consultas bibliográficas, uma vez que é possível terem como Estes textos são empregados com frequência na escola, para apre-
fonte, por exemplo, o testemunho dos protagonistas dos fatos, testemu- sentar ou a vida ou algumas etapas decisivas da existência de persona-
nhos qualificados ou de especialistas no tema. gens cuja ação foi qualificada como relevante na história.
As monografias exigem uma seleção rigorosa e uma organização coe- Os dados biográficos ordenam-se, em geral, cronologicamente, e, da-
rente dos dados recolhidos. A seleção e organização dos dados servem do que a temporalidade é uma variável essencial do tecido das biografias,
como indicador do propósito que orientou o trabalho. Se pretendemos, por em sua construção, predominam recursos linguísticos que asseguram a
exemplo, mostrar que as fontes consultadas nos permitem sustentar que conectividade temporal: advérbios, construções de valor semântico adver-
os aspectos positivos da gestão governamental de um determinado per- bial (Seus cinco primeiros anos transcorreram na tranquila segurança de
sonagem histórico têm maior relevância e valor do que os aspectos nega- sua cidade natal Depois, mudou-se com a família para La Prata), proposi-
tivos, teremos de apresentar e de categorizar os dados obtidos de tal ções temporais (Quando se introduzia obsessivamente nos tortuosos
forma que esta valorização fique explícita. caminhos da novela, seus estudos de física ajudavam-no a reinstalar-se
Nas monografias, é indispensável determinar, no primeiro parágrafo, o na realidade), etc.
tema a ser tratado, para abrir espaço à cooperação ativa do leitor que, A veracidade que exigem os textos de informação científica mani-
conjugando seus conhecimentos prévios e seus propósitos de leitura, fará festa-se nas biografias através das citações textuais das fontes dos dados
as primeiras antecipações sobre a informação que espera encontrar e apresentados, enquanto a ótica do autor é expressa na seleção e no modo
formulará as hipóteses que guiarão sua leitura. Uma vez determinado o de apresentação destes dados. Pode-se empregar a técnica de acumula-
tema, estes textos transcrevem, mediante o uso da técnica de resumo, o ção simples de dados organizados cronologicamente, ou cada um destes
que cada uma das fontes consultadas sustenta sobre o tema, as quais dados pode aparecer acompanhado pelas valorações do autor, de acordo
estarão listadas nas referências bibliográficas, de acordo com as normas com a importância que a eles atribui.
que regem a apresentação da bibliografia.
Atualmente, há grande difusão das chamadas "biografias não -
O trabalho intertextual (incorporação de textos de outros no tecido do autorizadas" de personagens da política, ou do mundo da Arte. Uma
texto que estamos elaborando) manifesta-se nas monografias através de característica que parece ser comum nestas biografias é a inten-
construções de discurso direto ou de discurso indireto. cionalidade de revelar a personagem através de uma profusa acumulação
Nas primeiras, incorpora-se o enunciado de outro autor, sem modifi- de aspectos negativos, especialmente aqueles que se relacionam a defei-
cações, tal como foi produzido. Ricardo Ortiz declara: "O processo da tos ou a vícios altamente reprovados pela opinião pública.
economia dirigida conduziu a uma centralização na Capital Federal de
toda tramitação referente ao comércio exterior'] Os dois pontos que pre-
nunciam a palavra de outro, as aspas que servem para demarcá-la, os TEXTOS INSTRUCIONAIS
traços que incluem o nome do autor do texto citado, 'o processo da eco-
nomia dirigida - declara Ricardo Ortiz - conduziu a uma centralização...') Estes textos dão orientações precisas para a realização das mais di-
são alguns dos sinais que distinguem frequentemente o discurso direto. versas atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou
animais domésticos, usar um aparelho eletrônico, consertar um carro, etc.
Quando se recorre ao discurso indireto, relata-se o que foi dito por ou- Dentro desta categoria, encontramos desde as mais simples receitas
tro, em vez de transcrever textualmente, com a inclusão de elementos culinárias até os complexos manuais de instrução para montar o motor de
subordinadores e dependendo do caso - as conseguintes modificações, um avião. Existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de
pronomes pessoais, tempos verbais, advérbios, sinais de pontuação, receitas e manuais, estão os regulamentos, estatutos, contratos, instru-
sinais auxiliares, etc. ções, etc. Mas todos eles, independente de sua complexidade, comparti-
Discurso direto: ‘Ás raízes de meu pensamento – afirmou Echeverría - lham da função apelativa, à medida que prescrevem ações e empregam a
nutrem-se do liberalismo’ trama descritiva para representar o processo a ser seguido na tarefa
empreendida.
Discurso indireto: 'Écheverría afirmou que as raízes de seu
pensamento nutriam -se do liberalismo' A construção de muitos destes textos ajusta-se a modelos convencio-
nais cunhados institucionalmente. Por exemplo, em nossa comunidade,
Os textos monográficos recorrem, com frequência, aos verbos dis- estão amplamente difundidos os modelos de regulamentos de coproprie-
cendi (dizer, expressar, declarar, afirmar, opinar, etc.), tanto para introduzir dade; então, qualquer pessoa que se encarrega da redação de um texto
Língua Portuguesa 8
APOSTILAS OPÇÃO
deste tipo recorre ao modelo e somente altera os dados de identificação A Carta
para introduzir, se necessário, algumas modificações parciais nos direitos
e deveres das partes envolvidas. As cartas podem ser construídas com diferentes tramas (narrativa e
argumentativa), em tomo das diferentes funções da linguagem (informati-
Em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos ins- va, expressiva e apelativa).
trucionais, que nos ajudam a usar corretamente tanto um processador de
Referimo-nos aqui, em particular, às cartas familiares e amistosas, is-
alimentos como um computador; a fazer uma comida saborosa, ou a
to é, aqueles escritos através dos quais o autor conta a um parente ou a
seguir uma dieta para emagrecer. A habilidade alcançada no domínio
um amigo eventos particulares de sua vida. Estas cartas contêm aconte-
destes textos incide diretamente em nossa atividade concreta. Seu em-
cimentos, sentimentos, emoções, experimentados por um emissor que
prego frequente e sua utilidade imediata justificam o trabalho escolar de
percebe o receptor como ‘cúmplice’, ou seja, como um destinatário com-
abordagem e de produção de algumas de suas variedades, como as
prometido afetivamente nessa situação de comunicação e, portanto, capaz
receitas e as instruções.
de extrair a dimensão expressiva da mensagem.
As Receitas e as Instruções Uma vez que se trata de um diálogo à distância com um receptor co-
nhecido, opta-se por um estilo espontâneo e informal, que deixa transpa-
Referimo-nos às receitas culinárias e aos textos que trazem instru- recer marcas da oralidade: frases inconclusas, nas quais as reticências
ções para organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefa- habilitam múltiplas interpretações do receptor na tentativa de concluí-las;
to, fabricar um móvel, consertar um objeto, etc. perguntas que procuram suas respostas nos destinatários; perguntas que
Estes textos têm duas partes que se distinguem geralmente a partir encerram em si suas próprias respostas (perguntas retóricas); pontos de
da especialização: uma, contém listas de elementos a serem utilizados exclamação que expressam a ênfase que o emissor dá a determinadas
(lista de ingredientes das receitas, materiais que são manipulados no expressões que refletem suas alegrias, suas preocupações, suas dúvidas.
experimento, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um Estes textos reúnem em si as diferentes classes de orações. As
aparelho, etc.), a outra, desenvolve as instruções. enunciativas, que aparecem nos fragmentos informativos, alternam-se
com as dubitativas, desiderativas, interrogativas, exclamativas, para
As listas, que são similares em sua construção às que usamos habi-
manifestar a subjetividade do autor. Esta subjetividade determina também
tualmente para fazer as compras, apresentam substantivos concretos
o uso de diminutivos e aumentativos, a presença frequente de adjetivos
acompanhados de numerais (cardinais, partitivos e múltiplos).
qualificativos, a ambiguidade lexical e sintática, as repetições, as interjei-
As instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres, ções.
com verbos no modo imperativo (misture a farinha com o fermento), ou
orações unimembres formadas por construções com o verbo no infinitivo A Solicitação
(misturar a farinha com o açúcar).
É dirigida a um receptor que, nessa situação comunicativa estabeleci-
Tanto os verbos nos modos imperativo, subjuntivo e indicativo como da pela carta, está revestido de autoridade à medida que possui algo ou
as construções com formas nominais gerúndio, particípio, infinitivo apare- tem a possibilidade de outorgar algo que é considerado valioso pelo
cem acompanhados por advérbios palavras ou por locuções adverbiais emissor: um emprego, uma vaga em uma escola, etc.
que expressam o modo como devem ser realizadas determinadas ações
(separe cuidadosamente as claras das gemas, ou separe com muito Esta assimetria entre autor e leitor um que pede e outro que pode ce-
cuidado as claras das gemas). Os propósitos dessas ações aparecem der ou não ao pedido, — obriga o primeiro a optar por um estilo formal,
estruturados visando a um objetivo (mexa lentamente para diluir o conteú- que recorre ao uso de fórmulas de cortesia já estabelecidas con-
do do pacote em água fria), ou com valor temporal final (bata o creme com vencionalmente para a abertura e encerramento (atenciosamente .com
as claras até que fique numa consistência espessa). Nestes textos inclui- votos de estima e consideração . . . / despeço-me de vós respeitosamente.
se, com frequência, o tempo do receptor através do uso das dêixis de . / Saúdo-vos com o maior respeito), e às frases feitas com que se iniciam
lugar e de tempo: Aqui, deve acrescentar uma gema. Agora, poderá mexer e encerram-se estes textos (Dirijo-me a vós a fim de solicitar-lhe que ... O
novamente. Neste momento, terá que correr rapidamente até o lado abaixo-assinado, Antônio Gonzalez, D.NJ. 32.107 232, dirigi-se ao Senhor
oposto da cancha. Aqui pode intervir outro membro da equipe. Diretor do Instituto Politécnico a fim de solicitar-lhe...)
As solicitações podem ser redigidas na primeira ou terceira pessoa do
singular. As que são redigidas na primeira pessoa introduzem o emissor
através da assinatura, enquanto que as redigidas na terceira pessoa
TEXTOS EPISTOLARES identificam-no no corpo do texto (O abaixo assinado, Juan Antônio Pérez,
Os textos epistolares procuram estabelecer uma comunicação por es- dirige-se a...).
crito com um destinatário ausente, identificado no texto através do cabeça- A progressão temática dá-se através de dois núcleos informativos: o
lho. Pode tratar-se de um indivíduo (um amigo, um parente, o gerente de primeiro determina o que o solicitante pretende; o segundo, as condições
uma empresa, o diretor de um colégio), ou de um conjunto de indivíduos que reúne para alcançar aquilo que pretende. Estes núcleos, demarcados
designados de forma coletiva (conselho editorial, junta diretora). por frases feitas de abertura e encerramento, podem aparecer invertidos
Estes textos reconhecem como portador este pedaço de papel que, em algumas solicitações, quando o solicitante quer enfatizar suas condi-
de forma metonímica, denomina-se carta, convite ou solicitação, depen- ções; por isso, as situa em um lugar preferencial para dar maior força à
dendo das características contidas no texto. sua apelação.
Essas solicitações, embora cumpram uma função apelativa, mostram
Apresentam uma estrutura que se reflete claramente em sua organi- um amplo predomínio das orações enunciativas complexas, com inclusão
zação espacial, cujos componentes são os seguintes: cabeçalho, que tanto de proposições causais, consecutivas e condicionais, que permitem
estabelece o lugar e o tempo da produção, os dados do destinatário e a desenvolver fundamentações, condicionamentos e efeitos a alcançar,
forma de tratamento empregada para estabelecer o contato: o corpo, parte como de construções de infinitivo ou de gerúndio: para alcançar essa
do texto em que se desenvolve a mensagem, e a despedida, que inclui a posição, o solicitante lhe apresenta os seguintes antecedentes... (o infiniti-
saudação e a assinatura, através da qual se introduz o autor no texto. O vo salienta os fins a que se persegue), ou alcançando a posição de... (o
grau de familiaridade existente entre emissor e destinatário é o princípio gerúndio enfatiza os antecedentes que legitimam o pedido).
que orienta a escolha do estilo: se o texto é dirigido a um familiar ou a um
amigo, opta-se por um estilo informal; caso contrário, se o destinatário é A argumentação destas solicitações institucionalizaram-se de tal ma-
desconhecido ou ocupa o nível superior em uma relação assimétrica neira que aparece contida nas instruções de formulários de emprego, de
(empregador em relação ao empregado, diretor em relação ao aluno, etc.), solicitação de bolsas de estudo, etc.
impõe-se o estilo formal. Texto extraído de: ESCOLA, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS, Ana Maria
Kaufman, Artes Médicas, Porto Alegre, RS.

Língua Portuguesa 9
APOSTILAS OPÇÃO
Nessas palavras, m e n indicam a nasalização das vogais que as an-
tecedem.
Fonética e fonologia: fonemas, vogais, Veja ainda:
consoantes e semivogais; encontros nave: o /n/ é um fonema;
vocálicos, consonantais e dígrafos, dança: o n não é um fonema; o fonema é /ã/, representado na escrita
classificação das palavras quanto à pelas letras a e n.
sílaba tônica, paronímia e homonímia;
ortoépia e prosódia.
6) A letra h, ao iniciar uma palavra, não representa fonema.
Exemplos:
FONEMA hoje fonemas: ho / j / e / letras: h o j e
A palavra fonologia é formada pelos elementos gregos fono ( "som, 1 2 3 1234
voz") e log, logia ( "estudo", "conhecimento") . Significa literalmente " Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/fono/fono1.php
estudo dos sons" ou "estudo dos sons da voz". O homem, ao falar, emite Vogais
sons. Cada indivíduo tem uma maneira própria de realizar esses sons no
ato da fala. Essas particularidades na pronúncia de cada falante são As vogais são os fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar
estudadas pela Fonética. que passa livremente pela boca. Em nossa língua, desempenham o papel
de núcleo das sílabas. Assim, isso significa que em toda sílaba há neces-
Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de esta- sariamente uma única vogal.
belecer uma distinção de significado entre as palavras. Observe, nos
exemplos a seguir, os fonemas que marcam a distinção entre os pares de
palavras: Na produção de vogais, a boca fica aberta ou entreaberta. As vogais
amor - ator podem ser:
morro - corro a) Orais: quando o ar sai apenas pela boca.
vento - cento Por Exemplo:
Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua portuguesa que /a/, /e/, /i/, /o/, /u/.
está em sua memória: a imagem acústica que você, como falante de
português, guarda de cada um deles. É essa imagem acústica, esse
referencial de padrão sonoro, que constitui o fonema. Os fonemas formam b) Nasais: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.
os significantes dos signos linguísticos. Geralmente, aparecem represen- Por Exemplo:
tados entre barras. Assim: /m/, /b/, /a/, /v/, etc. /ã/: fã, canto, tampa
/ /: dente, tempero
Fonema e Letra / /: lindo, mim
1) O fonema não deve ser confundido com a letra. Na língua escrita, /õ/ bonde, tombo
representamos os fonemas por meio de sinais chamados letras. Portanto,
/ / nunca, algum
letra é a representação gráfica do fonema. Na palavra sapo, por exemplo,
a letra s representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a letra s
representa o fonema /z/ (lê-se zê). c) Átonas: pronunciadas com menor intensidade.
Por Exemplo:
2) Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de até, bola
uma letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que pode ser representado
pelas letras z, s, x:
d)Tônicas: pronunciadas com maior intensidade.
Exemplos:
Por Exemplo:
zebra
casamento até, bola
exílio
Quanto ao timbre, as vogais podem ser:
3) Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fo- Abertas
nema. A letra x, por exemplo, pode representar:
Exemplos:
- o fonema sê: texto
pé, lata, pó
- o fonema zê: exibir
Fechadas
- o fonema chê: enxame
Exemplos:
- o grupo de sons ks: táxi
mês, luta, amor
4) O número de letras nem sempre coincide com o número de fone-
mas. Reduzidas - Aparecem quase sempre no final das palavras.
Exemplos: Exemplos:
tóxico fonemas: /t/ó/k/s/i/c/o/ letras: t ó x i c o dedo, ave, gente
1234567 123456
galho fonemas: /g/a/lh/o/ letras: g a l h o Quanto à zona de articulação:
12 3 4 12345 Anteriores ou Palatais - A língua eleva-se em direção ao palato
duro (céu da boca).
5) As letras m e n, em determinadas palavras, não representam fo- Exemplos:
nemas. Observe os exemplos: é, ê, i
compra Posteriores ou Velares - A língua eleva-se em direção ao palato mo-
conta le (véu palatino).

Língua Portuguesa 10
APOSTILAS OPÇÃO
Exemplos: É a sequência de duas vogais numa mesma palavra que pertencem a
ó, ô, u sílabas diferentes, uma vez que nunca há mais de uma vogal numa sílaba.
Por Exemplo:
Médias - A língua fica baixa, quase em repouso.
saída (sa-í-da)
Por Exemplo:
poesia (po-e-si-a)
a
Encontros Consonantais
2) Semivogais O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediá-
Os fonemas /i/ e /u/, algumas vezes, não são vogais. Aparecem apoi- ria, recebe o nome de encontro consonantal.Existem basicamente dois
ados em uma vogal, formando com ela uma só emissão de voz (uma tipos:
sílaba). Nesse caso, esses fonemas são chamados de semivogais. A - os que resultam do contato consoante + l ou r e ocorrem numa
diferença fundamental entre vogais e semivogais está no fato de que estas mesma sílaba, como em: pe-dra, pla-no, a-tle-ta, cri-se...
últimas não desempenham o papel de núcleo silábico.
- os que resultam do contato de duas consoantes pertencentes a síla-
Observe a palavra papai. Ela é formada de duas sílabas: pa-pai. Na bas diferentes: por-ta, rit-mo, lis-ta...
última sílaba, o fonema vocálico que se destaca é o a. Ele é a vogal. O
outro fonema vocálico i não é tão forte quanto ele. É a semivogal. Há ainda grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos;
são, por isso, inseparáveis: pneu, gno-mo,psi-có-lo-go...
Outros exemplos: Dígrafos
saudade, história, série. De maneira geral, cada fonema é representado, na escrita, por ape-
Obs.: os fonemas /i/ e /u/ podem aparecer representados na es- nas uma letra.
crita por" e", "o" ou "m". Por Exemplo:
Veja: lixo - Possui quatro fonemas e quatro letras.
pães / pãis mão / mãu/ cem /c i/ Há, no entanto, fonemas que são representados, na escrita, por duas
letras.
3) Consoantes Por Exemplo:
Para a produção das consoantes, a corrente de ar expirada pelos bicho - Possui quatro fonemas e cinco letras.
pulmões encontra obstáculos ao passar pela cavidade bucal. Isso faz com Na palavra acima, para representar o fonema | xe| foram utilizadas
que as consoantes sejam verdadeiros "ruídos", incapazes de atuar como duas letras: o c e o h.
núcleos silábicos. Seu nome provém justamente desse fato, pois, em Assim, o dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para repre-
português, sempre consoam ("soam com") as vogais. sentar um único fonema (di = dois + grafo = letra). Em nossa língua, há
Exemplos: um número razoável de dígrafos que convém conhecer. Podemos agrupá-
/b/, /t/, /d/, /v/, /l/, /m/, etc. los em dois tipos: consonantais e vocálicos.
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/fono/fono2.php
Dígrafos Consonantais
Encontros Vocálicos Letras Fonemas Exemplos
Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, lh lhe telhado
sem consoantes intermediárias. É importante reconhecê-los para dividir nh nhe marinheiro
corretamente os vocábulos em sílabas. Existem três tipos de encontros: o
ch xe chave
ditongo, otritongo e o hiato.
rr Re (no interior da palavra) carro
1) Ditongo
ss se (no interior da palavra) passo
É o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) numa
mesma sílaba. Pode ser: qu que (seguido de e e i) queijo, quiabo
a) Crescente: quando a semivogal vem antes da vogal. gu gue (seguido de e e i) guerra, guia
Por Exemplo: sc se crescer
sç se desço
sé-rie (i = semivogal, e = vogal)
xc se exceção
b) Decrescente: quando a vogal vem antes da semivogal.
Por Exemplo:
Dígrafos Vocálicos: registram-se na representação das vogais
pai (a = vogal, i = semivogal)
nasais.
c) Oral: quando o ar sai apenas pela boca.
Fonemas Letras Exemplos
Exemplos:
ã am tampa
pai, série
an canto
d) Nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.
Por Exemplo: em templo
mãe en lenda
2) Tritongo im limpo
É a sequência formada por uma semivogal, uma vogal e uma semivo- in lindo
gal, sempre nessa ordem, numa só sílaba. Pode ser oral ou nasal. õ om tombo
Exemplos: on tonto
Paraguai - Tritongo oral um chumbo
quão - Tritongo nasal un corcunda
3) Hiato Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/fono/fono4.php

Língua Portuguesa 11
APOSTILAS OPÇÃO
Separação Silabica
Não se separam as letras que formam os dígrafos CH, NH, LH, QU,
GU.
1- chave: cha-ve Ortografia, Acentuação gráfica
aquele: a-que-le
palha: pa-lha
manhã: ma-nhã As dificuldades para a ortografia devem-se ao fato de que há fonemas
guizo: gui-zo que podem ser representados por mais de uma letra, o que não é feito de
modo arbitrário, mas fundamentado na história da língua.
Não se separam as letras dos encontros consonantais que apresen-
tam a seguinte formação: consoante + L ou consoante + R Eis algumas observações úteis:
2- emblema: em-ble-ma abraço: a-bra-ço DISTINÇÃO ENTRE J E G
reclamar: re-cla-mar recrutar: re-cru-tar 1. Escrevem-se com J:
flagelo: fla-ge-lo drama: dra-ma a) As palavras de origem árabe, africana ou ameríndia: canjica. cafajes-
globo: glo-bo fraco: fra-co te, canjerê, pajé, etc.
implicar: im-pli-car agrado: a-gra-do b) As palavras derivadas de outras que já têm j: laranjal (laranja), enrije-
atleta: a-tle-ta atraso: a-tra-so cer, (rijo), anjinho (anjo), granjear (granja), etc.
prato: pra-to c) As formas dos verbos que têm o infinitivo em JAR. despejar: despejei,
despeje; arranjar: arranjei, arranje; viajar: viajei, viajeis.
Separam-se as letras dos dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC. d) O final AJE: laje, traje, ultraje, etc.
3- correr: cor-rer desçam: des-çam e) Algumas formas dos verbos terminados em GER e GIR, os quais
passar: pas-sar exceto: ex-ce-to mudam o G em J antes de A e O: reger: rejo, reja; dirigir: dirijo, dirija.
fascinar: fas-ci-nar
2. Escrevem-se com G:
Não se separam as letras que representam um ditongo. a) O final dos substantivos AGEM, IGEM, UGEM: coragem, vertigem,
4- mistério: mis-té-rio herdeiro: her-dei-ro ferrugem, etc.
cárie: cá-rie b) Exceções: pajem, lambujem. Os finais: ÁGIO, ÉGIO, ÓGIO e ÍGIO:
estágio, egrégio, relógio refúgio, prodígio, etc.
Separam-se as letras que representam um hiato. c) Os verbos em GER e GIR: fugir, mugir, fingir.
5- saúde: sa-ú-de cruel: cru-el
rainha: ra-i-nha enjoo: en-jo-o DISTINÇÃO ENTRE S E Z
1. Escrevem-se com S:
Não se separam as letras que representam um tritongo. a) O sufixo OSO: cremoso (creme + oso), leitoso, vaidoso, etc.
6- Paraguai: Pa-ra-guai b) O sufixo ÊS e a forma feminina ESA, formadores dos adjetivos pátrios
saguão: sa-guão ou que indicam profissão, título honorífico, posição social, etc.: portu-
guês – portuguesa, camponês – camponesa, marquês – marquesa,
Consoante não seguida de vogal, no interior da palavra, fica na sílaba burguês – burguesa, montês, pedrês, princesa, etc.
que a antecede. c) O sufixo ISA. sacerdotisa, poetisa, diaconisa, etc.
7- torna: tor-na núpcias: núp-cias d) Os finais ASE, ESE, ISE e OSE, na grande maioria se o vocábulo for
técnica: téc-ni-ca submeter: sub-me-ter erudito ou de aplicação científica, não haverá dúvida, hipótese, exe-
absoluto: ab-so-lu-to perspicaz: pers-pi-caz gese análise, trombose, etc.
e) As palavras nas quais o S aparece depois de ditongos: coisa, Neusa,
Consoante não seguida de vogal, no início da palavra, junta-se à síla- causa.
ba que a segue f) O sufixo ISAR dos verbos referentes a substantivos cujo radical
8- pneumático: pneu-má-ti-co termina em S: pesquisar (pesquisa), analisar (análise), avisar (aviso),
gnomo: gno-mo etc.
psicologia: psi-co-lo-gia g) Quando for possível a correlação ND - NS: escandir: escansão;
pretender: pretensão; repreender: repreensão, etc.
No grupo BL, às vezes cada consoante é pronunciada separadamen-
te, mantendo sua autonomia fonética. Nesse caso, tais consoantes ficam 2. Escrevem-se em Z.
em sílabas separadas. a) O sufixo IZAR, de origem grega, nos verbos e nas palavras que têm o
mesmo radical. Civilizar: civilização, civilizado; organizar: organização,
9- sublingual: sub-lin-gual organizado; realizar: realização, realizado, etc.
sublinhar: sub-li-nhar b) Os sufixos EZ e EZA formadores de substantivos abstratos derivados
sublocar: sub-lo-car de adjetivos limpidez (limpo), pobreza (pobre), rigidez (rijo), etc.
c) Os derivados em -ZAL, -ZEIRO, -ZINHO e –ZITO: cafezal, cinzeiro,
Preste atenção nas seguintes palavras: chapeuzinho, cãozito, etc.
trei-no so-ci-e-da-de
gai-o-la ba-lei-a
DISTINÇÃO ENTRE X E CH:
des-mai-a-do im-bui-a
1. Escrevem-se com X
ra-diou-vin-te ca-o-lho
te-a-tro co-e-lho a) Os vocábulos em que o X é o precedido de ditongo: faixa, caixote,
du-e-lo ví-a-mos feixe, etc.
am-né-sia gno-mo b) Maioria das palavras iniciadas por ME: mexerico, mexer, mexerica,
co-lhei-ta quei-jo etc.
pneu-mo-ni-a fe-é-ri-co d) EXCEÇÃO: recauchutar (mais seus derivados) e caucho (espécie de
dig-no e-nig-ma árvore que produz o látex).
e-clip-se Is-ra-el e) Observação: palavras como "enchente, encharcar, enchiqueirar,
mag-nó-lia enchapelar, enchumaçar", embora se iniciem pela sílaba "en", são

Língua Portuguesa 12
APOSTILAS OPÇÃO
grafadas com "ch", porque são palavras formadas por prefixação, ou c) substantivo:
seja, pelo prefixo en + o radical de palavras que tenham o ch (enchen- O MAL não tem remédio,
te, encher e seus derivados: prefixo en + radical de cheio; encharcar: Ela foi atacada por um MAL incurável.
en + radical de charco; enchiqueirar: en + radical de chiqueiro; encha-
pelar: en + radical de chapéu; enchumaçar: en + radical de chumaço). CESÃO/SESSÃO/SECÇÃO/SEÇÃO
CESSÃO significa o ato de ceder.
2. Escrevem-se com CH: Ele fez a CESSÃO dos seus direitos autorais.
a) charque, chiste, chicória, chimarrão, ficha, cochicho, cochichar, estre- A CESSÃO do terreno para a construção do estádio agradou a todos
buchar, fantoche, flecha, inchar, pechincha, pechinchar, penacho, sal- os torcedores.
sicha, broche, arrocho, apetrecho, bochecha, brecha, chuchu, ca-
chimbo, comichão, chope, chute, debochar, fachada, fechar, linchar, SESSÃO é o intervalo de tempo que dura uma reunião:
mochila, piche, pichar, tchau. Assistimos a uma SESSÃO de cinema.
b) Existem vários casos de palavras homófonas, isto é, palavras que Reuniram-se em SESSÃO extraordinária.
possuem a mesma pronúncia, mas a grafia diferente. Nelas, a grafia
se distingue pelo contraste entre o x e o ch. SECÇÃO (ou SEÇÃO) significa parte de um todo, subdivisão:
Exemplos: Lemos a notícia na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de esportes.
• brocha (pequeno prego) Compramos os presentes na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de brinquedos.
• broxa (pincel para caiação de paredes)
• chá (planta para preparo de bebida) HÁ / A
• xá (título do antigo soberano do Irã) Na indicação de tempo, emprega-se:
• chalé (casa campestre de estilo suíço) HÁ para indicar tempo passado (equivale a faz):
• xale (cobertura para os ombros) HÁ dois meses que ele não aparece.
• chácara (propriedade rural) Ele chegou da Europa HÁ um ano.
• xácara (narrativa popular em versos) A para indicar tempo futuro:
• cheque (ordem de pagamento) Daqui A dois meses ele aparecerá.
• xeque (jogada do xadrez) Ela voltará daqui A um ano.
• cocho (vasilha para alimentar animais)
• coxo (capenga, imperfeito) FORMAS VARIANTES
Existem palavras que apresentam duas grafias. Nesse caso, qual-
DISTINÇÃO ENTRE S, SS, Ç E C quer uma delas é considerada correta.
Observe o quadro das correlações: Eis alguns exemplos.
Correlações Exemplos aluguel ou aluguer hem? ou hein?
t-c ato - ação; infrator - infração; Marte - marcial alpartaca, alpercata ou alpargata imundície ou imundícia
ter-tenção abster - abstenção; ater - atenção; conter - contenção, deter - amídala ou amígdala infarto ou enfarte
detenção; reter - retenção assobiar ou assoviar laje ou lajem
rg - rs aspergir - aspersão; imergir - imersão; submergir - submersão; assobio ou assovio lantejoula ou lentejoula
rt - rs inverter - inversão; divertir - diversão azaléa ou azaleia nenê ou nenen
pel - puls impelir - impulsão; expelir - expulsão; repelir - repulsão bêbado ou bêbedo nhambu, inhambu ou nambu
corr - curs correr - curso - cursivo - discurso; excursão - incursão bílis ou bile quatorze ou catorze
sent - sens sentir - senso, sensível, consenso cãibra ou cãimbra surripiar ou surrupiar
ced - cess ceder - cessão - conceder - concessão; interceder - intercessão. carroçaria ou carroceria taramela ou tramela
exceder - excessivo (exceto exceção) chimpanzé ou chipanzé relampejar, relampear, relampeguear ou
gred - gress agredir - agressão - agressivo; progredir - progressão - progresso - debulhar ou desbulhar relampar
progressivo fleugma ou fleuma porcentagem ou percentagem
prim - press imprimir - impressão; oprimir - opressão; reprimir - repressão.
tir - ssão admitir - admissão; discutir - discussão, permitir - permissão.
(re)percutir - (re)percussão EMPREGO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS

PALAVRAS COM CERTAS DIFICULDADES Escrevem-se com letra inicial maiúscula:


1) a primeira palavra de período ou citação.
ONDE-AONDE Diz um provérbio árabe: "A agulha veste os outros e vive nua."
Emprega-se AONDE com os verbos que dão ideia de movimento. No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da
Equivale sempre a PARA ONDE. letra maiúscula.
AONDE você vai? 2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes
AONDE nos leva com tal rapidez? sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil,
Naturalmente, com os verbos que não dão ideia de “movimento” em- Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva,
prega-se ONDE Via-Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
ONDE estão os livros? O deus pagão, os deuses pagãos, a deusa Juno.
Não sei ONDE te encontrar. 3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas
MAU - MAL religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da
MAU é adjetivo (seu antônimo é bom). Independência do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
Escolheu um MAU momento. 4) nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da
Era um MAU aluno. República, etc.
MAL pode ser: 5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação,
a) advérbio de modo (antônimo de bem). Estado, Pátria, União, República, etc.
Ele se comportou MAL. 6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações,
Seu argumento está MAL estruturado órgãos públicos, etc.:
b) conjunção temporal (equivale a assim que). Rua do 0uvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras,
MAL chegou, saiu Banco do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc.
Língua Portuguesa 13
APOSTILAS OPÇÃO
7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias derivados, de origem estrangeira. Por exemplo, Gisele Bündchen não vai
e científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, deixar de usar o trema em seu nome, pois é de origem alemã. (neste
Os Lusíadas, O Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio caso, o “ü” lê-se “i”)
da Manhã, Manchete, etc.
8) expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente, QUANTO À POSIÇÃO DA SÍLABA TÔNICA
Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc. 1. Acentuam-se as oxítonas terminadas em “A”, “E”, “O”, seguidas
9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos ou não de “S”, inclusive as formas verbais quando seguidas de “LO(s)”
do Oriente, o falar do Norte. ou “LA(s)”. Também recebem acento as oxítonas terminadas em ditongos
abertos, como “ÉI”, “ÉU”, “ÓI”, seguidos ou não de “S”
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste. Ex.
10) nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, Chá Mês nós
o Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc.
Gás Sapé cipó
Escrevem-se com letra inicial minúscula: Dará Café avós
1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes Pará Vocês compôs
gentílicos, nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, vatapá pontapés só
carnaval, ingleses, ave-maria, um havana, etc. Aliás português robô
2) os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando dá-lo vê-lo avó
empregados em sentido geral:
recuperá-los Conhecê-los pô-los
São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria.
guardá-la Fé compô-los
3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio
Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc. réis (moeda) Véu dói
4) palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação méis céu mói
direta: pastéis Chapéus anzóis
"Qual deles: o hortelão ou o advogado?" (Machado de Assis) ninguém parabéns Jerusalém
"Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso,
mirra." (Manuel Bandeira) Resumindo:
Só não acentuamos oxítonas terminadas em “I” ou “U”, a não ser que
seja um caso de hiato. Por exemplo: as palavras “baú”, “aí”, “Esaú” e
ORTOGRAFIA OFICIAL “atraí-lo” são acentuadas porque as semivogais “i” e “u” estão tônicas
Por Paula Perin dos Santos nestas palavras.
O Novo Acordo Ortográfico visa simplificar as regras ortográficas da 2. Acentuamos as palavras paroxítonas quando terminadas em:
Língua Portuguesa e aumentar o prestígio social da língua no cenário • L – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.
internacional. Sua implementação no Brasil segue os seguintes parâme- • N – pólen, abdômen, sêmen, abdômen.
tros: 2009 – vigência ainda não obrigatória, 2010 a 2012 – adaptação • R – câncer, caráter, néctar, repórter.
completa dos livros didáticos às novas regras; e a partir de 2013 – vigên- • X – tórax, látex, ônix, fênix.
cia obrigatória em todo o território nacional. Cabe lembrar que esse “Novo • PS – fórceps, Quéops, bíceps.
Acordo Ortográfico” já se encontrava assinado desde 1990 por oito países • Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs.
que falam a língua portuguesa, inclusive pelo Brasil, mas só agora é que • ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão.
teve sua implementação. • I(S) – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis.
É equívoco afirmar que este acordo visa uniformizar a língua, já que • ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon.
uma língua não existe apenas em função de sua ortografia. Vale lembrar • UM(S) – álbum, fórum, médium, álbuns.
que a ortografia é apenas um aspecto superficial da escrita da língua, e • US – ânus, bônus, vírus, Vênus.
que as diferenças entre o Português falado nos diversos países lusófonos Também acentuamos as paroxítonas terminadas em ditongos cres-
subsistirão em questões referentes à pronúncia, vocabulário e gramática. centes (semivogal+vogal):
Uma língua muda em função de seus falantes e do tempo, não por Névoa, infância, tênue, calvície, série, polícia, residência, férias, lírio.
meio de Leis ou Acordos. 3. Todas as proparoxítonas são acentuadas.
Ex. México, música, mágico, lâmpada, pálido, pálido, sândalo, crisân-
A queixa de muitos estudantes e usuários da língua escrita é que, de-
temo, público, pároco, proparoxítona.
pois de internalizada uma regra, é difícil “desaprendê-la”. Então, cabe aqui
uma dica: quando se tiver uma dúvida sobre a escrita de alguma palavra,
QUANTO À CLASSIFICAÇÃO DOS ENCONTROS VOCÁLICOS
o ideal é consultar o Novo Acordo (tenha um sempre em fácil acesso) ou,
4. Acentuamos as vogais “I” e “U” dos hiatos, quando:
na melhor das hipóteses, use um sinônimo para referir-se a tal palavra.
• Formarem sílabas sozinhos ou com “S”
Mostraremos nessa série de artigos o Novo Acordo de uma maneira Ex. Ju-í-zo, Lu-ís, ca-fe-í-na, ra-í-zes, sa-í-da, e-go-ís-ta.
descomplicada, apontando como é que fica estabelecido de hoje em
diante a Ortografia Oficial do Português falado no Brasil. IMPORTANTE
Alfabeto Por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “ca-ir”, “Ra-ul”,
A influência do inglês no nosso idioma agora é oficial. Há muito tempo se todos são “i” e “u” tônicas, portanto hiatos?
as letras “k”, “w” e “y” faziam parte do nosso idioma, isto não é nenhuma Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de NH. O “u” e o “i” tôni-
novidade. Elas já apareciam em unidades de medidas, nomes próprios e cos de “ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l” respectiva-
palavras importadas do idioma inglês, como: mente. Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando natural-
km – quilômetro, mente a sílaba “tônica”, sem precisar de acento que reforce isso.
kg – quilograma
Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros. 5. Trema
Não se usa mais o trema em palavras da língua portuguesa. Ele só
Trema vai permanecer em nomes próprios e seus derivados, de origem estran-
Não se usa mais o trema em palavras do português. Quem digita mui- geira, como Bündchen, Müller, mülleriano (neste caso, o “ü” lê-se “i”)
to textos científicos no computador sabe o quanto dava trabalho escrever
linguística, frequência. Ele só vai permanecer em nomes próprios e seus

Língua Portuguesa 14
APOSTILAS OPÇÃO
6. Acento Diferencial • Antes da palavra casa, se estiver determinada:
O acento diferencial permanece nas palavras: Referia-se à Casa Gebara.
pôde (passado), pode (presente)
pôr (verbo), por (preposição)
Nas formas verbais, cuja finalidade é determinar se a 3ª pessoa do • Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar.
verbo está no singular ou plural: Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa).
SINGULAR PLURAL
• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo.
Ele tem Eles têm
Voltou à terra onde nascera.
Ele vem Eles vêm Chegamos à terra dos nossos ancestrais.
Essa regra se aplica a todos os verbos derivados de “ter” e “vir”, co-
mo: conter, manter, intervir, deter, sobrevir, reter, etc.
Mas:
Os marinheiros vieram a terra.
O comandante desceu a terra.
Emprego do sinal indicativo de
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o
Crase
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente:
Vou até a (á ) chácara.
Crase é a fusão da preposição A com outro A. Cheguei até a(à) muralha
Fomos a feira ontem = Fomos à feira ontem.
• A QUE - À QUE
EMPREGO DA CRASE Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino
• em locuções adverbiais: ocorrerá crase:
à vezes, às pressas, à toa... Houve um palpite anterior ao que você deu.
• em locuções prepositivas: Houve uma sugestão anterior à que você deu.
em frente à, à procura de... Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não
• em locuções conjuntivas: ocorrerá crase.
à medida que, à proporção que... Não gostei do filme a que você se referia.
• pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo,
Não gostei da peça a que você se referia.
a, as
Fui ontem àquele restaurante.
Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão: O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrati-
Refiro-me àquilo e não a isto. vo A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes
do de:
Meu palpite é igual ao de todos
A CRASE É FACULTATIVA
Minha opinião é igual à de todos.
• diante de pronomes possessivos femininos:
Entreguei o livro a(à) sua secretária.
NÃO OCORRE CRASE
• diante de substantivos próprios femininos: • antes de nomes masculinos:
Dei o livro à(a) Sônia. Andei a pé.
Andamos a cavalo.
CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE
• antes de verbos:
• Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o Ela começa a chorar.
artigo A: Cheguei a escrever um poema.
Viajaremos à Colômbia.
(Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia) • em expressões formadas por palavras repetidas:
Estamos cara a cara.
• Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasí-
lia, Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, • antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona:
Veneza, etc. Dirigiu-se a V. Sa com aspereza.
Viajaremos a Curitiba. Escrevi a Vossa Excelência.
(Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba). Dirigiu-se gentilmente à senhora.
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural:
Não falo a pessoas estranhas.
• Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o
Jamais vamos a festas.
modifique.
Ela se referiu à saudosa Lisboa.
Vou à Curitiba dos meus sonhos. Pontuação
• Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida:
Às 8 e 15 o despertador soou.
Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita
• Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras as pausas da linguagem oral.
“moda” ou "maneira":
PONTO
Aos domingos, trajava-se à inglesa. O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase de-
Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo. clarativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos
casos comuns ele é chamado de simples.

Língua Portuguesa 15
APOSTILAS OPÇÃO
Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris- • Enumeração após os apostos:
to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo). Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido.

PONTO DE INTERROGAÇÃO TRAVESSÃO


É usado para indicar pergunta direta. Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar
Onde está seu irmão? palavras ou frases
Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação. – "Quais são os símbolos da pátria?
A mim ?! Que ideia! – Que pátria?
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos).
PONTO DE EXCLAMAÇÃO
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra
É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
vez.
Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma
Ó jovens! Lutemos!
coisa". (M. Palmério).
VÍRGULA • Usa-se para separar orações do tipo:
A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena – Avante!- Gritou o general.
pausa na fala. Emprega-se a vírgula: – A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta.
• Nas datas e nos endereços:
São Paulo, 17 de setembro de 1989. Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam
Largo do Paissandu, 128. uma cadeia de frase:
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• No vocativo e no aposto:
• A ponte Rio – Niterói.
Meninos, prestem atenção!
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre.
Termópilas, o meu amigo, é escritor.
• Nos termos independentes entre si: ASPAS
O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões. São usadas para:
• Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste • Indicar citações textuais de outra autoria.
caso é usado o duplo emprego da vírgula: "A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles)
Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa- • Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se
droeira. expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares:
Há quem goste de “jazz-band”.
• Após alguns adjuntos adverbiais: Não achei nada "legal" aquela aula de inglês.
No dia seguinte, viajamos para o litoral. • Para enfatizar palavras ou expressões:
• Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo empre- Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite.
go da vírgula: • Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc.
Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor. "Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro.
• Em casos de ironia:
• Após a primeira parte de um provérbio.
A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente.
O que os olhos não veem, o coração não sente.
Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão.
• Em alguns casos de termos oclusos:
Eu gostava de maçã, de pêra e de abacate. PARÊNTESES
Empregamos os parênteses:
RETICÊNCIAS • Nas indicações bibliográficas.
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento. "Sede assim qualquer coisa.
Não me disseste que era teu pai que ... serena, isenta, fiel".
• Para realçar uma palavra ou expressão. (Meireles, Cecília, "Flor de Poemas").
Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome... • Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento. "Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também... fora das órbitas. Amália se volta)".
(G. Figueiredo)
PONTO E VÍRGULA
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém • Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória:
"E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de
alguma simetria entre si.
fome."
"Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desco-
(C. Lispector)
nhecido, guardando consigo a ponta farpada. "
• Para isolar orações intercaladas:
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu "Estou certo que eu (se lhe ponho
interior. Minha mão na testa alçada)
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, Sou eu para ela."
mais calmo, resolveu o problema sozinho. (M. Bandeira)

DOIS PONTOS COLCHETES [ ]


• Enunciar a fala dos personagens: Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.
Ele retrucou: Não vês por onde pisas?
• Para indicar uma citação alheia: ASTERISCO
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
passageiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar- alguma nota (observação).
que".
BARRA
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
anterior: abreviaturas.
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente.
Língua Portuguesa 16
APOSTILAS OPÇÃO
Além desses processos, a língua portuguesa também possui outros
processos para formação de palavras, como:
Emprego das classes de palavras • Hibridismo: são palavras compostas, ou derivadas, constituídas
por elementos originários de línguas diferentes (automóvel e monóculo,
grego e latim / sociologia, bígamo, bicicleta, latim e grego / alcalóide,
alcoômetro, árabe e grego / caiporismo: tupi e grego / bananal - africano e
Formação de palavras latino / sambódromo - africano e grego / burocracia - francês e grego);
As palavras, em Língua Portuguesa, podem ser decompostas em • Onomatopeia: reprodução imitativa de sons (pingue-pingue, zun-
vários elementos chamados elementos mórficos ou elementos de zum, miau);
estrutura das palavras. • Abreviação vocabular: redução da palavra até o limite de sua
Exs.: compreensão (metrô, moto, pneu, extra, dr., obs.)
cinzeiro = cinza + eiro
endoidecer = en + doido + ecer • Siglas: a formação de siglas utiliza as letras iniciais de uma se-
predizer = pre + dizer quência de palavras (Academia Brasileira de Letras - ABL). A partir de
siglas, formam-se outras palavras também (aidético, petista)
Os principais elementos móficos são: • Neologismo: nome dado ao processo de criação de novas pala-
RADICAL vras, ou para palavras que adquirem um novo significado. pciconcursos
É o elemento mórfico em que está a ideia principal da palavra.
Exs.: amarelecer = amarelo + ecer
enterrar = en + terra + ar CLASSES DE PALAVRAS
pronome = pro + nome
SUBSTANTIVOS
PREFIXO
É o elemento mórfico que vem antes do radical. Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá
Exs.: anti - herói in - feliz nome aos seres em geral.
São, portanto, substantivos.
SUFIXO a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, ca-
É o elemento mórfico que vem depois do radical. chorra, Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado.
Exs.: med - onho cear – ense b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres:
trabalho, corrida, tristeza beleza altura.
CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da
espécie: rio, cidade, pais, menino, aluno
As palavras estão em constante processo de evolução, o que torna a b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado ele-
língua um fenômeno vivo que acompanha o homem. Por isso alguns mento. Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial
vocábulos caem em desuso (arcaísmos), enquanto outros nascem (neolo- maiúscula: Tocantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair.
gismos) e outros mudam de significado com o passar do tempo. c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não,
Na Língua Portuguesa, em função da estruturação e origem das pala- propriamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc.
vras encontramos a seguinte divisão: Verifique que é sempre possível visualizar em nossa mente o subs-
• palavras primitivas - não derivam de outras (casa, flor) tantivo concreto, mesmo que ele não possua existência real: casa,
cadeira, caneta, fada, bruxa, saci.
• palavras derivadas - derivam de outras (casebre, florzinha) d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto
• palavras simples - só possuem um radical (couve, flor) é, só existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração,
• palavras compostas - possuem mais de um radical (couve-flor, sendo, pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos
aguardente) abstratos vão, portanto, designar ações, estados ou qualidades, to-
mados como seres: trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza.
Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conheci-
Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou
mento dos seguintes processos de formação:
adjetivos
Composição - processo em que ocorre a junção de dois ou mais ra- trabalhar - trabalho
dicais. São dois tipos de composição. correr - corrida
• justaposição: quando não ocorre a alteração fonética (girassol, alto - altura
sexta-feira); belo - beleza
• aglutinação: quando ocorre a alteração fonética, com perda de
elementos (pernalta, de perna + alta). FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
Derivação - processo em que a palavra primitiva (1º radical) sofre o a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua
acréscimo de afixos. São cinco tipos de derivação. portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal.
b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa:
• prefixal: acréscimo de prefixo à palavra primitiva (in-útil); florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro.
• sufixal: acréscimo de sufixo à palavra primitiva (clara-mente); c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve,
ódio, tempo, sol.
• parassintética ou parassíntese: acréscimo simultâneo de prefixo d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de-
e sufixo, à palavra primitiva (em + lata + ado). Esse processo é responsá- colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol.
vel pela formação de verbos, de base substantiva ou adjetiva;
• regressiva: redução da palavra primitiva. Nesse processo forma- COLETIVOS
se substantivos abstratos por derivação regressiva de formas verbais Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um gru-
(ajuda / de ajudar); po de seres da mesma espécie.
Veja alguns coletivos que merecem destaque:
• imprópria: é a alteração da classe gramatical da palavra primitiva alavão - de ovelhas leiteiras
("o jantar" - de verbo para substantivo, "é um judas" - de substantivo alcateia - de lobos
próprio a comum). álbum - de fotografias, de selos
antologia - de trechos literários escolhidos

Língua Portuguesa 17
APOSTILAS OPÇÃO
armada - de navios de guerra a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas,
armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc) uma para o masculino, outra para o feminino:
arquipélago - de ilhas aluno/aluna homem/mulher
assembleia - de parlamentares, de membros de associações menino /menina carneiro/ovelha
atilho - de espigas de milho
atlas - de cartas geográficas, de mapas Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas
banca - de examinadores pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo:
bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios padrinho/madrinha bode/cabra
bando - de aves, de pessoal em geral cavaleiro/amazona pai/mãe
cabido - de cônegos
cacho - de uvas, de bananas b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única
cáfila - de camelos forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se
cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves em:
cancioneiro - de poemas, de canções 1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam
caravana - de viajantes animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca.
cardume - de peixes Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, de-
clero - de sacerdotes vemos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré
colmeia - de abelhas fêmea
concílio - de bispos 2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes
conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa que designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo
congregação - de professores, de religiosos artigo, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante,
congresso - de parlamentares, de cientistas a estudante, este dentista.
conselho - de ministros 3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam
consistório - de cardeais sob a presidência do papa pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por
constelação - de estrelas artigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o
corja - de vadios cônjuge, a pessoa, a criatura.
elenco - de artistas Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim:
enxame - de abelhas uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino.
enxoval - de roupas
esquadra - de navios de guerra AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero:
esquadrilha - de aviões São masculinos São femininos
falange - de soldados, de anjos o anátema o grama (unidade de peso) a abusão a derme
farândola - de maltrapilhos o telefonema o dó (pena, compaixão) a aluvião a omoplata
fato - de cabras o teorema o ágape a análise a usucapião
o trema o caudal a cal a bacanal
fauna - de animais de uma região
o edema o champanha a cataplasma a líbido
feixe - de lenha, de raios luminosos o eclipse o alvará a dinamite a sentinela
flora - de vegetais de uma região o lança-perfume o formicida a comichão a hélice
frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus o fibroma o guaraná a aguardente
girândola - de fogos de artifício o estratagema o plasma
horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros o proclama o clã
junta - de bois, médicos, de examinadores
júri - de jurados Mudança de Gênero com mudança de sentido
legião - de anjos, de soldados, de demônios Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
malta - de desordeiros Veja alguns exemplos:
manada - de bois, de elefantes o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo)
matilha - de cães de caça o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal)
o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora)
ninhada - de pintos
o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, conclusão)
nuvem - de gafanhotos, de fumaça o lotação (veículo) a lotação (capacidade)
panapaná - de borboletas o lente (o professor) a lente (vidro de aumento)
pelotão - de soldados
penca - de bananas, de chaves Plural dos Nomes Simples
pinacoteca - de pinturas 1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S:
plantel - de animais de raça, de atletas casa, casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
quadrilha - de ladrões, de bandidos 2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
ramalhete - de flores a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões;
réstia - de alhos, de cebolas coração, corações; grandalhão, grandalhões.
récua - de animais de carga b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião,
romanceiro - de poesias populares guardiães.
resma - de papel c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos):
revoada - de pássaros cristão, cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos.
súcia - de pessoas desonestas Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma
vara - de porcos forma de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou
vocabulário - de palavras charlatães; ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabe-
liães, etc.
FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS
3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,
Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e
armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
grau.
Gênero 4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femi- lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen,
nino: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta. hífens (ou hífenes).
Podemos classificar os substantivos em: Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.

Língua Portuguesa 18
APOSTILAS OPÇÃO
5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso,
animais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis. padres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos
Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules. ou salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate.
6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em:
fóssil, fósseis; réptil, répteis. Adjetivos Compostos
Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona.
barris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis. Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino-
americanos; cívico-militar, cívico-militares.
7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxíto- 1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quan-
nos: o pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossí- do o segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa,
labos tônicos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, tecidos amarelo-ouro, paredes azul-piscina.
portugueses; burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases. 2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam:
São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, surdos-mudos > surdas-mudas.
os substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o 3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho.
ônix, os ônix.
8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o Graus do substantivo
substantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do subs- Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os
tantivo primitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; quais podem ser: sintéticos ou analíticos.
cãozinho, cãezitos.
Substantivos só usados no plural Analítico
afazeres anais Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do ta-
arredores belas-artes manho: boca pequena, prédio imenso, livro grande.
cãs condolências
confins exéquias Sintético
férias fezes Constroi-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados.
núpcias óculos
olheiras pêsames Principais sufixos aumentativos
viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes) AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO,
ÁZIO, ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil,
Plural dos Nomes Compostos caldeirão, povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra,
1. Somente o último elemento varia: lobaz, dentuça.
a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes;
claraboia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns; Principais Sufixos Diminutivos
b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZI-
grão-mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres; NHO, ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.:
c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de subs- lobacho, montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto,
tantivo ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; burrico, flautim, pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote,
guarda-comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sem- papelucho, glóbulo, homúncula, apícula, velhusco.
pre-viva, sempre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas me- Observações:
la-mela, mela-melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique- • Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos,
tiques) adquirem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulher-
zinha, etc. Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: pova-
2. Somente o primeiro elemento é flexionado: réu, fogaréu, etc.
a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de- • É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor
leite; pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; bur- afetivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
ro-sem-rabo, burros-sem-rabo; • Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente
b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finali- formal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: car-
dade ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, taz, ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc.
pombos-correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, pei- • Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e
xes-espada; banana-maçã, bananas-maçã. diminutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho,
A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos- bonzinho, pequenito.
correios, homens-rãs, navios-escolas, etc. Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em
lugar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radi-
3. Ambos os elementos são flexionados: cais diferentes para designar o sexo:
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves- bode - cabra genro - nora
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, car- burro - besta padre - madre
tas-compromissos. carneiro - ovelha padrasto - madrasta
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor- cão - cadela padrinho - madrinha
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara- cavalheiro - dama pai - mãe
pálida, caras-pálidas. compadre - comadre veado - cerva
frade - freira zangão - abelha
São invariáveis: frei – soror etc.
a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o
pisa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo; ADJETIVOS
b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não-
molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem- FLEXÃO DOS ADJETIVOS
desocupa-o-copo; Gênero
c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
o perde-ganha, os perde-ganha. a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o ca- ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
so por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda- lher simples; aluno feliz - aluna feliz.

Língua Portuguesa 19
APOSTILAS OPÇÃO
b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino, Esta cidade é muito poluída.
outra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / ho- - Superlativo relativo
mem alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a
Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se- a outros seres:
melhante a dos substantivos. Este rio é o mais poluído de todos.
Este rio é o menos poluído de todos.
Número
a) Adjetivo simples Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico:
Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os - Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade -
substantivos simples: muito trabalhador, excessivamente frágil, etc.
pessoa honesta pessoas honestas - Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti-
regra fácil regras fáceis quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc.
homem feliz homens felizes Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compa-
Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam rativo e o superlativo, as seguintes formas especiais:
invariáveis: NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO ABSOLUTO RELATIVO
blusa vinho blusas vinho bom melhor ótimo
camisa rosa camisas rosa melhor
b) Adjetivos compostos mau pior péssimo
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último pior
elemento varia, tanto em gênero quanto em número: grande maior máximo
acordos sócio-político-econômico maior
acordos sócio-político-econômicos pequeno menor mínimo
causa sócio-político-econômica menor
causas sócio-político-econômicas
Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos:
acordo luso-franco-brasileiro
acre - acérrimo ágil - agílimo
acordo luso-franco-brasileiros
agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo
lente côncavo-convexa
amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo
lentes côncavo-convexas
amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo
camisa verde-clara
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo
camisas verde-claras
audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo
sapato marrom-escuro
benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo
sapatos marrom-escuros
célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo
Observações:
cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo
1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica in-
eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo
variável:
fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo
camisa verde-abacate camisas verde-abacate
frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo)
sapato marrom-café sapatos marrom-café
incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro
íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo
2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invari- livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo
áveis: magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo
blusa azul-marinho blusas azul-marinho manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo
camisa azul-celeste camisas azul-celeste negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo
3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo)
elementos variam: possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
menino surdo-mudo meninos surdos-mudos próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo
menina surda-muda meninas surdas-mudas público - publicíssimo pudico - pudicíssimo
sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo
Graus do Adjetivo salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo
As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex- simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
pressas em dois graus: terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo
- o comparativo velho - vetérrimo visível - visibilíssimo
- o superlativo voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo

Comparativo Adjetivos Gentílicos e Pátrios


Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma Argélia – argelino Bagdá - bagdali
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano
igual, superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo: Bóston - bostoniano Braga - bracarense
- Comparativo de igualdade: Bragança - bragantino Brasília - brasiliense
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral. Bucareste - bucarestino, -bucarestense Buenos Aires - portenho, buenairense
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente. Cairo - cairota Campos - campista
- Comparativo de superioridade: Canaã - cananeu Caracas - caraquenho
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro.
Catalunha - catalão Ceilão - cingalês
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico.
Chicago - chicaguense Chipre - cipriota
- Comparativo de inferioridade:
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro. Coimbra - coimbrão, conimbricense Córdova - cordovês
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável. Córsega - corso Creta - cretense
Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de inten- Croácia - croata Cuiabá - cuiabano
sidade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo: Egito - egípcio EI Salvador - salvadorenho
- Superlativo absoluto Equador - equatoriano Espírito Santo - espírito-santense, capixaba
Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser: Filipinas - filipino Évora - eborense
Esta cidade é poluidíssima. Florianópolis - florianopolitano Finlândia - finlandês
Língua Portuguesa 20
APOSTILAS OPÇÃO
Fortaleza - fortalezense Formosa - formosano 2ª pessoa: com quem se fala, o receptor.
Gabão - gabonês Foz do lguaçu - iguaçuense Tu saíste (tu)
Genebra - genebrino Galiza - galego Vós saístes (vós)
Goiânia - goianense Gibraltar - gibraltarino Convidaram-te (te)
Groenlândia - groenlandês Granada - granadino Convidaram-vos (vós)

Guiné - guinéu, guineense Guatemala - guatemalteco 3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente.
Himalaia - himalaico Haiti - haitiano Ele saiu (ele)
Hungria - húngaro, magiar Honduras - hondurenho Eles sairam (eles)
Iraque - iraquiano Ilhéus - ilheense Convidei-o (o)
João Pessoa - pessoense Jerusalém - hierosolimita
Convidei-os (os)
La Paz - pacense, pacenho Juiz de Fora - juiz-forense
Os pronomes pessoais são os seguintes:
Macapá - macapaense Lima - limenho
NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO
Maceió - maceioense Macau - macaense
singular 1ª eu me, mim, comigo
Madri - madrileno Madagáscar - malgaxe
2ª tu te, ti, contigo
Marajó - marajoara Manaus - manauense
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe
Moçambique - moçambicano Minho - minhoto plural 1ª nós nós, conosco
Montevidéu - montevideano Mônaco - monegasco 2ª vós vós, convosco
Normândia - normando Natal - natalense 3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, lhes
Pequim - pequinês Nova lguaçu - iguaçuano
Porto - portuense Pisa - pisano PRONOMES DE TRATAMENTO
Quito - quitenho Póvoa do Varzim - poveiro Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra-
Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (Est.) - fluminense tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
São Paulo (Est.) - paulista Rio de Janeiro (cid.) - carioca deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a
São Paulo (cid.) - paulistano Rio Grande do Norte - potiguar você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso.
Terra do Fogo - fueguino Salvador – salvadorenho, soteropolitano
Três Corações - tricordiano Toledo - toledano Veja, a seguir, alguns desses pronomes:
Tripoli - tripolitano Rio Grande do Sul - gaúcho PRONOME ABREV. EMPREGO
Veneza - veneziano Varsóvia - varsoviano Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Vitória - vitoriense Vossa Eminência V .Ema cardeais
Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral
Locuções Adjetivas Vossa Magnificência V. Mag a reitores de universidades
As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs- Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral
tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem Vossa Santidade V.S. papas
ser substituídas por um adjetivo correspondente. Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados
Vossa Majestade V.M. reis, imperadores
PRONOMES
São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo-
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que re- cês.
presenta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do
discurso. Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tra-
tar-se de pronome substantivo. EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS
• Ele chegou. (ele) 1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
• Convidei-o. (o) ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.
Considera-se errado seu emprego como complemento:
Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a Convidaram ELE para a festa (errado)
extensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo. Receberam NÓS com atenção (errado)
• Esta casa é antiga. (esta) EU cheguei atrasado (certo)
• Meu livro é antigo. (meu) ELE compareceu à festa (certo)
Classificação dos Pronomes
Há, em Português, seis espécies de pronomes: 2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas pronomes retos:
de tratamento: Convidei ELE (errado)
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões; Chamaram NÓS (errado)
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo; Convidei-o. (certo)
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde; Chamaram-NOS. (certo)
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá-
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou-
3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de prepo-
trem, nada, cada, algo.
sição, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases
correto seu emprego como complemento:
interrogativas.
Informaram a ELE os reais motivos.
PRONOMES PESSOAIS Emprestaram a NÓS os livros.
Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis- Eles gostam muito de NÓS.
curso:
1ª pessoa: quem fala, o emissor. 4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
Eu sai (eu) errado seu emprego como complemento:
Nós saímos (nós) Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
Convidaram-me (me) Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)
Convidaram-nos (nós)
Língua Portuguesa 21
APOSTILAS OPÇÃO
Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas 9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar
de preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar,
oblíquas MIM e TI: sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse
Ninguém irá sem EU. (errado) infinitivo:
Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado) Deixei-o sair.
Ninguém irá sem MIM. (certo) Vi-o chegar.
Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo) Sofia deixou-se estar à janela.
É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desen-
Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e volvendo as orações reduzidas de infinitivo:
TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam Deixei-o sair = Deixei que ele saísse.
como sujeito de um verbo no infinitivo.
Deram o livro para EU ler (ler: sujeito) 10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos:
Deram o livro para TU leres (leres: sujeito) A mim, ninguém me engana.
A ti tocou-te a máquina mercante.
Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é
Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleo-
obrigatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática
nasmo vicioso e sim ênfase.
de sujeito.

5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados 11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessi-
somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção vo, exercendo função sintática de adjunto adnominal:
em que os referidos pronomes não sejam reflexivos: Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro.
Querida, gosto muito de SI. (errado) Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos.
Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
Querida, gosto muito de você. (certo) 12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para represen-
Preciso muito falar com você. (certo) tar uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de
modéstia:
Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchen-
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos: tes.
Ele feriu-se Vós sois minha salvação, meu Deus!
Cada um faça por si mesmo a redação
O professor trouxe as provas consigo 13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quan-
6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados do falamos dessa pessoa:
normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, Ao encontrar o governador, perguntou-lhe:
tais pronomes devem ser substituídos pela forma analítica: Vossa Excelência já aprovou os projetos?
Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração.
Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.
14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE,
7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª
combinações possíveis são as seguintes: pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como
me+o=mo me + os = mos pronomes de terceira pessoa:
te+o=to te + os = tos Você trouxe seus documentos?
lhe+o=lho lhe + os = lhos Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.
nos + o = no-lo nos + os = no-los
vos + o = vo-lo vos + os = vo-los COLOCAÇÃO DE PRONOMES
lhes + o = lho lhes + os = lhos Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A,
NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições:
A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femini- 1. Antes do verbo - próclise
nos a, as. Eu te observo há dias.
me+a=ma me + as = mas
te+a=ta te + as = tas 2. Depois do verbo - ênclise
- Você pagou o livro ao livreiro? Observo-te há dias.
- Sim, paguei-LHO.
3. No interior do verbo - mesóclise
Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que Observar-te-ei sempre.
representa o livreiro) com O (que representa o livro).
Ênclise
8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos direto ou indireto.
indiretos: O pai esperava-o na estação agitada.
O menino convidou-a. (V.T.D ) Expliquei-lhe o motivo das férias.
O filho obedece-lhe. (V.T. l )
Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões) ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como 1. Quando o verbo iniciar a oração:
as construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento Voltei-me em seguida para o céu límpido.
de verbos transitivos diretos:
Eu lhe vi ontem. (errado) 2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
Nunca o obedeci. (errado) Como eu achasse muito breve, explicou-se.
Eu o vi ontem. (certo) 3. Com o imperativo afirmativo:
Nunca lhe obedeci. (certo) Companheiros, escutai-me.

Língua Portuguesa 22
APOSTILAS OPÇÃO
4. Com o infinitivo impessoal: Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o
A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um livro pertence a 1ª pessoa (eu)
destino na mesa. Eis as formas dos pronomes possessivos:
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS.
5. Com o gerúndio, não precedido da preposição em: 2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS.
E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo. 3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS.
6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética. 1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS.
A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de 2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS.
meio franco. 3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS.
Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa
Próclise (seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de
Na linguagem culta, a próclise é recomendada: você).
Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambi-
1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos, guidade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s).
interrogativos e conjunções. Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele.
As crianças que me serviram durante anos eram bichos. A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles.
Tudo me parecia que ia ser comida de avião. Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio.
Quem lhe ensinou esses modos? Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos
Quem os ouvia, não os amou. pronomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância.
Que lhes importa a eles a recompensa?
Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez. Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as
2. Nas orações optativas (que exprimem desejo): suas mãos).
Papai do céu o abençoe. Não me respeitava a adolescência.
A terra lhes seja leve. A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face.
O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos.
3. Com o gerúndio precedido da preposição EM:
Em se animando, começa a contagiar-nos. Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir:
Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse. 1. Cálculo aproximado, estimativa:
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos
4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma histó-
pausa entre eles.
ria
Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova.
O nosso homem não se deu por vencido.
Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.
Chama-se Falcão o meu homem
Mesóclise 3. O mesmo que os indefinidos certo, algum
Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presen- Eu cá tenho minhas dúvidas
te e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não Cornélio teve suas horas amargas
estejam precedidos de palavras que reclamem a próclise. 4. Afetividade, cortesia
Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris. Como vai, meu menino?
Dir-se-ia vir do oco da terra. Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo
Mas: No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de pa-
Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris. rentes de família.
Jamais se diria vir do oco da terra. É assim que um moço deve zelar o nome dos seus?
Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível: Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensidade.
Lembrarei-me (!?) Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando
Diria-se (!?) não sabia o que dizer.

PRONOMES DEMONSTRATIVOS
O Pronome Átono nas Locuções Verbais
São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou
coisa designada em relação à pessoa gramatical.
enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra per-
Podemos contar-lhe o ocorrido.
to de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro
Podemos-lhe contar o ocorrido.
está longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica
Não lhes podemos contar o ocorrido.
que o livro está longe de ambas as pessoas.
O menino foi-se descontraindo.
O menino foi descontraindo-se. Os pronomes demonstrativos são estes:
O menino não se foi descontraindo. ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclíti- ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
co ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio. AQUELE (e variações), próprio (e variações)
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a MESMO (e variações), próprio (e variações)
Descartes ." SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)
Tenho-me levantado cedo.
Emprego dos Demonstrativos
Não me tenho levantado cedo.
1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta.
fala).
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o
Este documento que tenho nas mãos não é meu.
da colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na
Isto que carregamos pesa 5 kg.
linguagem escrita.
b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
PRONOMES POSSESSIVOS
Este coração não pode me trair.
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu-
Esta alma não traz pecados.
indo-lhes a posse de alguma coisa.
Tudo se fez por este país..
Língua Portuguesa 23
APOSTILAS OPÇÃO
c) Para indicar o momento em que falamos: Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso
Neste instante estou tranquilo. e aquela tranquila.
Deste minuto em diante vou modificar-me.
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE,
d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural:
momento em que falamos: Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose?
Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile. Com um frio destes não se pode sair de casa.
Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem. Nunca vi uma coisa daquelas.
Um dia destes estive em Porto Alegre.
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter
e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no reforçativo:
qual se inclui o momento em que falamos: Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos.
Nesta semana não choveu. Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas.
Neste mês a inflação foi maior.
Este ano será bom para nós. 7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO,
Este século terminará breve. ISSO ou AQUELE (e variações).
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro.
f) Para indicar aquilo de que estamos tratando: O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres.
Este assunto já foi discutido ontem. Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames.
Tudo isto que estou dizendo já é velho. A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os
homens superiores.
g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
Só posso lhe dizer isto: nada somos. 8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante:
Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos. A menina ia cair, nisto, o pai a segurou

2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se: 9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE,
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO.
quem se fala): Tal era a situação do país.
Esse documento que tens na mão é teu? Não disse tal.
Isso que carregas pesa 5 kg. Tal não pôde comparecer.

b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente: Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu-
Esse teu coração me traiu. des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompa-
Essa alma traz inúmeros pecados. nha QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases
Quantos vivem nesse pais? como Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo
DE QUAL ou OUTRO TAL:
c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que Suas manias eram tais quais as minhas.
desejamos distância: A mãe era tal quais as filhas.
O povo já não confia nesses políticos. Os filhos são tais qual o pai.
Não quero mais pensar nisso. Tal pai, tal filho.

d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa: É pronome substantivo em frases como:
Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde. Não encontrarei tal (= tal coisa).
O que você quer dizer com isso? Não creio em tal (= tal coisa)

e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que PRONOMES RELATIVOS
falamos: Veja este exemplo:
Um dia desses estive em Porto Alegre. Armando comprou a casa QUE lhe convinha.
Comi naquele restaurante dia desses. A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo
casa é um pronome relativo.
f) Para indicar aquilo que já mencionamos: PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já
Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio. referidos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos.
Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito dis- A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente.
tante. No exemplo dado, o antecedente é casa.
Outros exemplos de pronomes relativos:
3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se: Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos.
a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se O lugar onde paramos era deserto.
á 3ª.
Traga tudo quanto lhe pertence.
Aquele documento que lá está é teu?
Leve tantos ingressos quantos quiser.
Aquilo que eles carregam pesa 5 kg.
Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso?
b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante.
Naquele instante estava preocupado. Eis o quadro dos pronomes relativos:
Daquele instante em diante modifiquei-me. VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele Masculino Feminino
século, para exprimir que o tempo já decorreu. o qual a qual quem
os quais as quais
4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas, cujo cujos cuja cujas que
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou quanto quanta quantas onde
variações) para a primeira: quantos

Língua Portuguesa 24
APOSTILAS OPÇÃO
Observações: c) Fenômeno:
1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente, Chove. O céu dorme.
vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL.
O médico de quem falo é meu conterrâneo. VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de
estado e fenômeno, situando-se no tempo.
2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
sempre um substantivo sem artigo. FLEXÕES
Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar? O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle-
xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer
3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos em si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica:
de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas. • a ação de cantar.
Tenho tudo quanto quero. • a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós).
Leve tantos quantos precisar. • o número gramatical (plural).
Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou. • o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito).
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido
4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a no passado (indicativo).
EM QUE. • que o sujeito pratica a ação (voz ativa).
A casa onde (= em que) moro foi de meu avô. Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz.
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural:
PRONOMES INDEFINIDOS O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular).
Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural).
modo vago, impreciso, indeterminado.
1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO, 2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais:
SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO 1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser
Exemplos: a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço.
Algo o incomoda? b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme-
Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve. cemos.
Não faças a outrem o que não queres que te façam.
2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser
Quem avisa amigo é.
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces.
Encontrei quem me pode ajudar.
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adorme-
Ele gosta de quem o elogia.
ceis.
2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, 3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser
CERTA CERTAS. a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela
Cada povo tem seus costumes. adormece.
Certas pessoas exercem várias profissões. b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.:
Certo dia apareceu em casa um repórter famoso. Eles adormecem.

PRONOMES INTERROGATIVOS 3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do


Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se falante em relação ao fato que comunica. Há três modos em portu-
de modo impreciso à 3ª pessoa do discurso. guês.
Exemplos: a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato.
Que há? A cachorra Baleia corria na frente.
Que dia é hoje? b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato.
Reagir contra quê? Talvez a cachorra Baleia corra na frente .
Por que motivo não veio? c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um
Quem foi? pedido
Qual será? Corra na frente, Baleia.
Quantos vêm?
Quantas irmãs tens? 4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tem-
po, em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos
são:
VERBO
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala:
Fecho os olhos, agito a cabeça.
CONCEITO b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele
“As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando- em que se fala:
as no tempo. Fechei os olhos, agitei a cabeça.
Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala:
receita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, fari- Fecharei os olhos, agitarei a cabeça.
nha e gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o
elas. Assim fiz. Morreram.” presente.
(Clarice Lispector)
Veja o esquema dos tempos simples em português:
Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir: Presente (falo)
a) Estado: INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei)
Não sou alegre nem sou triste. Imperfeito (falava)
Sou poeta. Mais- que-perfeito (falara)
Futuro do presente (falarei)
b) Mudança de estado: do pretérito (falaria)
Meu avô foi buscar ouro. Presente (fale)
Mas o ouro virou terra. SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse)
Futuro (falar)
Língua Portuguesa 25
APOSTILAS OPÇÃO
Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que 2) ACONTECER, SUCEDER
se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esque- Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
ma dos tempos simples. Não haja desavenças entre vós.
Infinitivo impessoal (falar) Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos.
Pessoal (falar eu, falares tu, etc.)
FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando) 3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado:
Particípio (falado) Há meses que não o vejo.
Haverá nove dias que ele nos visitou.
5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser: Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
a) agente do fato expresso. O fato aconteceu há cerca de oito meses.
O carroceiro disse um palavrão. Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no
(sujeito agente) pretérito imperfeito, e não no presente:
O verbo está na voz ativa. Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada.
b) paciente do fato expresso: Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos.
Um palavrão foi dito pelo carroceiro. Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo.
(sujeito paciente) Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava.
O verbo está na voz passiva.
c) agente e paciente do fato expresso: 4) REALIZAR-SE
O carroceiro machucou-se. Houve festas e jogos.
(sujeito agente e paciente) Se não chovesse, teria havido outros espetáculos.
O verbo está na voz reflexiva. Todas as noites havia ensaios das escolas de samba.
6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de 5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e
rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical. seguido de infinitivo):
Falo - Estudam. Em pontos de ciência não há transigir.
Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está Não há contê-lo, então, no ímpeto.
fora do radical. Não havia descrer na sinceridade de ambos.
Falamos - Estudarei. Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas.
E não houve convencê-lo do contrário.
7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em: Não havia por que ficar ali a recriminar-se.
a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto - Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de
cantei - cantarei – cantava - cantasse. há muito (= desde muito tempo, há muito tempo):
b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou De há muito que esta árvore não dá frutos.
nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse. De há muito não o vejo.
c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa,
como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe- O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com
nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc. ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª
d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o pessoa do singular:
mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: Vai haver eleições em outubro.
matado - morto - enxugado - enxuto. Começou a haver reclamações.
e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua Não pode haver umas sem as outras.
conjugação. Parecia haver mais curiosos do que interessados.
verbo ser: sou - fui Mas haveria outros defeitos, devia haver outros.
verbo ir: vou - ia
A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser
QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO construída de três modos:
1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou Hajam vista os livros desse autor.
explícito. Quase todos os verbos são pessoais. Haja vista os livros desse autor.
O Nino apareceu na porta. Haja vista aos livros desse autor.
2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implí- CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA
cito ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais: Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar, sentido da frase.
etc.
Garoava na madrugada roxa. Exemplo:
b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer: Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
Houve um espetáculo ontem. A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)
Há alunos na sala. Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ati-
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos va passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva,
claros. conservando o mesmo tempo.
c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico. Outros exemplos:
Fazia dois anos que eu estava casado. Os calores intensos provocam as chuvas.
Faz muito frio nesta região? As chuvas são provocadas pelos calores intensos.
Eu o acompanharei.
O VERBO HAVER (empregado impessoalmente) Ele será acompanhado por mim.
O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente Todos te louvariam.
na 3ª pessoa do singular - quando significa: Serias louvado por todos.
1) EXISTIR Prejudicaram-me.
Há pessoas que nos querem bem. Fui prejudicado.
Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá. Condenar-te-iam.
Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios. Serias condenado.
Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores.

Língua Portuguesa 26
APOSTILAS OPÇÃO
EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS c) Pretérito Perfeito
a) Presente Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar
Emprega-se o presente do indicativo para assinalar: um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as
- um fato que ocorre no momento em que se fala. características do modo subjuntivo).
Eles estudam silenciosamente. Que tenha estudado bastante é o que espero.
Eles estão estudando silenciosamente. d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-
- uma ação habitual. perfeito do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro
Corra todas as manhãs. fato passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo sub-
- uma verdade universal (ou tida como tal): juntivo:
O homem é mortal. Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui-
A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa. lamente.
- fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar e) Futuro
maior realce à narrativa. Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já
Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis". concluído em relação a outro fato futuro.
É o chamado presente histórico ou narrativo. Quando eu voltar, saberei o que fazer.
- fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos: VERBOS IRREGULARES
Amanhã vou à escola. DAR
Qualquer dia eu te telefono. Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão
Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram
b) Pretérito Imperfeito Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram
Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar: Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, deem
- um fato passado contínuo, habitual, permanente: Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis,
Ele andava à toa. dessem
Nós vendíamos sempre fiado. Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem
- um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre
MOBILIAR
por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais,
Era uma vez...
mobiliam
- um fato presente em relação a outro fato passado. Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis,
Eu lia quando ele chegou. mobiliem
Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem
c) Pretérito Perfeito
Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já AGUAR
ocorrido, concluído. Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam
Estudei a noite inteira. Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes,
Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até aguaram
o momento presente. Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem
Tenho estudado todas as noites.
MAGOAR
d) Pretérito mais-que-perfeito Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais,
Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em magoam
relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado): Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes,
A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou. magoaram
e) Futuro do Presente Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis,
Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato magoem
futuro em relação ao momento em que se fala. Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar
Irei à escola.
APIEDAR-SE
f) Futuro do Pretérito Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-
Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar: nos, apiedais-vos, apiadam-se
- um fato futuro, em relação a outro fato passado. Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-
- Eu jogaria se não tivesse chovido. nos, apiedei-vos, apiedem-se
- um fato futuro, mas duvidoso, incerto. Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A
- Seria realmente agradável ter de sair?
Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às MOSCAR
vezes, ironia. Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais,
- Daria para fazer silêncio?! muscam
Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mos-
Modo Subjuntivo queis, musquem
a) Presente Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar:
- um fato presente, mas duvidoso, incerto. RESFOLEGAR
Talvez eles estudem... não sei. Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos,
- um desejo, uma vontade: resfolegais, resfolgam
Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores. Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos,
resfolegueis, resfolguem
b) Pretérito Imperfeito Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
hipótese, uma condição. NOMEAR
Se eu estudasse, a história seria outra. Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos,
Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo. nomeais, nomeiam
Língua Portuguesa 27
APOSTILAS OPÇÃO
Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos,
nomeáveis, nomeavam fizésseis, fizessem
Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes, Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem
nomearam Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer
Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos,
nomeeis, nomeiem PERDER
Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem
Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam
Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam
COPIAR
Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam PODER
Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copia- Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem
ram Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam
Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá- Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam
reis, copiaram Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudé-
Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem reis, puderam
Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais,
possam
ODIAR Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudés-
Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam seis, pudessem
Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem
odiavam Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, pode-
Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram rem
Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiá- Gerúndio podendo
reis, odiaram Particípio podido
Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmati-
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar vo nem no imperativo negativo

PROVER
CABER
Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes,
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem
proveem
Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes,
Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam
couberam
Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram
Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos,
Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos,
coubéreis, couberam
provêreis, proveram
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam
Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis,
Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubés-
proverão
semos, coubésseis, coubessem
Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proverí-
Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes,
eis, proveriam
couberem
Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam
O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmati-
Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos,
vo nem no imperativo negativo
provejais. provejam
Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos,
CRER
provêsseis, provessem
Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, creem
Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes,
Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam
proverem
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam
Gerúndio provendo
Conjugam-se como crer, ler e descrer
Particípio provido
DIZER QUERER
Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem
Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram
Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos,
disséreis, disseram quiséreis, quiseram
Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, quei-
Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam rais, queiram
Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisés-
Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissés- seis, quisessem
seis, dissesse Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem
Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem
Particípio dito REQUERER
Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos,
requereis. requerem
FAZER Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, reque-
Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem reste, requereram
Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, reque-
Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, reramos, requerereis, requereram
fizeram Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos,
Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão requerereis, requererão
Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos,
Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam requereríeis, requereriam
Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram

Língua Portuguesa 28
APOSTILAS OPÇÃO
Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeira- Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis,
mos, requeirais, requeiram abolirão
Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêsse- Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis,
mos, requerêsseis, requeressem, aboliriam
Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, reque- Presente do subjuntivo não há
rerdes, requerem Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolís-
Gerúndio requerendo seis, abolissem
Particípio requerido Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
O verbo REQUERER não se conjuga como querer. Imperativo afirmativo abole, aboli
Imperativo negativo não há
REAVER Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Presente do indicativo reavemos, reaveis Infinitivo impessoal abolir
Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, Gerúndio abolindo
reouveram Particípio abolido
Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéra- O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do
mos, reouvéreis, reouveram radical há E ou I.
Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse,
reouvéssemos, reouvésseis, reouvessem AGREDIR
Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes, reouverem Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agri-
O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que dem
esse apresenta a letra v Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agri-
dam
SABER Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam
Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substi-
Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, soube- tuído por I.
ram
Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos, COBRIR
soubéreis, souberam Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem
Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cu-
Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubés- bram
semos, soubésseis, soubessem Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram
Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem Particípio coberto
Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir
VALER
Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem FALIR
Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham Presente do indicativo falimos, falis
Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam
Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram
TRAZER Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão
Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam
Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, Presente do subjuntivo não há
trouxeram Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falis-
Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéra- sem
mos, trouxéreis, trouxeram Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão Imperativo afirmativo fali (vós)
Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam Imperativo negativo não há
Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam Gerúndio falindo
Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, Particípio falido
trouxésseis, trouxessem
Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxerem FERIR
Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, traze- Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem
rem Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam
Gerúndio trazendo Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados.
Particípio trazido
MENTIR
VER
Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem
Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem
Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam
Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram
Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram
Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir.
Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês
Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam FUGIR
Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Particípio visto Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam
ABOLIR
IR
Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem
Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam
Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram
Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis,
Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram
aboliram
Língua Portuguesa 29
APOSTILAS OPÇÃO
Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão SUMIR
Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem
Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam
Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam
Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir,
Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem cuspir
Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem
Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem ADVÉRBIO
Gerúndio indo
Particípio ido Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad-
vérbio, exprimindo uma circunstância.
OUVIR
Os advérbios dividem-se em:
Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures,
Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde,
Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam avante, através, defronte, aonde, etc.
Particípio ouvido 2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre,
nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve,
PEDIR brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc.
Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem 3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior,
Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc.
Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam 4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante,
Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam demasiado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tan-
Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir to, bem, mal, quase, apenas, etc.
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc.
POLIR 6) NEGAÇÃO: não.
Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem 7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto,
Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam provavelmente, etc.
Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam
Há Muitas Locuções Adverbiais
REMIR 1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à
Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, entrada, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc.
redimem 2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à
Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, noite, às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por
redimam fim, de repente, de vez em quando, de longe em longe, etc.
3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de
RIR bom grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência,
Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem em geral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a
Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam olhos vistos, de propósito, de súbito, por um triz, etc.
Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram 4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui-
Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc.
Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão 5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc.
6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma,
Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam
etc.
Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam
7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc.
Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam
Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem Advérbios Interrogativos
Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como?
Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Gerúndio rindo Palavras Denotativas
Particípio rido Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios,
Conjuga-se como rir: sorrir terão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão,
situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc.
VIR 1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.
Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm 2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc.
Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham 3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram 4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis,
6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
vieram
Você lá sabe o que está dizendo, homem...
Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão
Mas que olhos lindos!
Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam Veja só que maravilha!
Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, ve- NUMERAL
nhais, venham
Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, vies- Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.
sem O numeral classifica-se em:
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem - cardinal - quando indica quantidade.
Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem - ordinal - quando indica ordem.
Gerúndio vindo - multiplicativo - quando indica multiplicação.
Particípio vindo - fracionário - quando indica fracionamento.
Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir
Língua Portuguesa 30
APOSTILAS OPÇÃO
Exemplos: XVI capítulo da telenovela (décimo sexto)
Silvia comprou dois livros.
Antônio marcou o primeiro gol. Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao
Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço. emprego do ordinal.
O galinheiro ocupava um quarto da quintal. Hoje é primeiro de setembro
Não é aconselhável iniciar período com algarismos
QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS 16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia
Algarismos Numerais
Roma- Arábi- Multiplicati- A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos or-
Cardinais Ordinais Fracionários
nos cos vos dinais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e
I 1 um primeiro simples - dois (= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam
II 2 dois segundo Duplo / dobro meio nesse caso porque está subentendida a palavra número. Casa número
III 3 três terceiro tríplice terço
vinte e um, página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever
IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
também: a folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense,
V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
vemos o numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.
VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo ARTIGO
IX 9 nove nono nônuplo nono
X 10 dez décimo décuplo décimo
décimo Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determi-
XI 11 onze onze avos ná-los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número.
primeiro
décimo Dividem-se em
XII 12 doze doze avos
segundo • definidos: O, A, OS, AS
XIII 13 treze
décimo
treze avos
• indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS.
terceiro
XIV 14 quatorze décimo quarto quatorze avos Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular.
XV 15 quinze décimo quinto quinze avos
dezesseis Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado).
XVI 16 dezesseis décimo sexto
avos
dezessete Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso,
XVII 17 dezessete décimo sétimo
avos geral.
XVIII 18 dezoito décimo oitavo dezoito avos
dezenove Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde-
XIX 19 dezenove décimo nono
avos
terminado).
XX 20 vinte vigésimo vinte avos
XXX 30 trinta trigésimo trinta avos
lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido.
XL 40 quarenta quadragésimo quarenta avos
quinquagési- cinquenta
L 50 cinquenta
mo avos CONJUNÇÃO
LX 60 sessenta sexagésimo sessenta avos
LXX 70 setenta septuagésimo setenta avos Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos Coniunções Coordenativas
XC 90 noventa nonagésimo noventa avos
1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
C 100 cem centésimo centésimo
2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão,
CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo
no entanto, etc.
quatrocen- quadringenté- quadringenté- 3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer, etc.
CD 400 4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por conse-
tos simo simo
quingentési- quingentési- quência.
D 500 quinhentos 5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque, pois, etc.
mo mo
DC 600 seiscentos sexcentésimo sexcentésimo
septingenté- septingenté- Conjunções Subordinativas
DCC 700 setecentos
simo simo 1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
octingentési- octingentési- 2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
DCCC 800 oitocentos
mo mo 3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que,
CM 900 novecentos nongentésimo nongentésimo
etc.
M 1000 mil milésimo milésimo
4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem
Emprego do Numeral
que, etc.
Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc.
6) INTEGRANTES: que, se, etc.
empregam-se de 1 a 10 os ordinais.
7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro)
8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que,
Luis X (décimo) ano I (primeiro)
de forma que, de modo que, etc.
Pio lX (nono) século lV (quarto)
9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto
mais, etc.
De 11 em diante, empregam-se os cardinais:
10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.
Leão Xlll (treze) ano Xl (onze)
Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis)
Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte) VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES

Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal. Examinemos estes exemplos:


XX Salão do Automóvel (vigésimo) 1º) Tristeza e alegria não moram juntas.
VI Festival da Canção (sexto) 2º) Os livros ensinam e divertem.
lV Bienal do Livro (quarta) 3º) Saímos de casa quando amanhecia.

Língua Portuguesa 31
APOSTILAS OPÇÃO
No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma ora- Conjunções subordinativas
ção: é uma conjunção. As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma
à outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações
No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão li- que traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição
gando orações: são também conjunções. ou hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo).
Abrangem as seguintes classes:
Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da 1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como,
mesma oração. já que, uma vez que, desde que.
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa:
No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma de- efeito).
penda da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por Como estivesse de luto, não nos recebeu.
isso, a conjunção E é coordenativa. Desde que é impossível, não insistirei.

No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma 2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como,
à outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjun- (tão ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que,
ção QUANDO é subordinativa. (tanto) quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o
mesmo que (= como).
As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinati- Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento.
vas. O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa.
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias."
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS (Paulo Mendes Campos)
As conjunções coordenativas podem ser: "Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa."
1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas (Antônio Olavo Pereira)
também, mas ainda, senão também, como também, bem como. "E pia tal a qual a caça procurada."
O agricultor colheu o trigo e o vendeu. (Amadeu de Queirós)
Não aprovo nem permitirei essas coisas. "Por que ficou me olhando assim feito boba?"
Os livros não só instruem mas também divertem. (Carlos Drummond de Andrade)
As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polini- Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas.
zam as flores. Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero.
Os governantes realizam menos do que prometem.
2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com-
pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao 3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por
apesar disso, em todo caso. menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que
Querem ter dinheiro, mas não trabalham. (= embora não).
Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia. Célia vestia-se bem, embora fosse pobre.
Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce. A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele. Beba, nem que seja um pouco.
O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula. Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo.
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado. Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
Você já sabe bastante, porém deve estudar mais. Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
Eu sou pobre, ao passo que ele é rico. afirmações.
Hoje não atendo, em todo caso, entre. Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite.

3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou, 4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc. (= se não), a não ser que, a menos que, dado que.
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos. Ficaremos sentidos, se você não vier.
Ou você estuda ou arruma um emprego. Comprarei o quadro, desde que não seja caro.
Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo.
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo.
"Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando.
que os mosquitos se opusessem."
"Já chora, já se ri, já se enfurece."
(Ferreira de Castro)
(Luís de Camões)
5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por
não são como (ou conforme) dizem.
conseguinte, pois (posposto ao verbo), por isso.
"Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
As árvores balançam, logo está ventando.
(Machado de Assis)
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável.
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te. 6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, forma que, de maneira que, sem que, que (não).
porque, porquanto, pois (anteposto ao verbo). Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
causar incêndios. Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas. Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.
Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adver-
sativo: 7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que).
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam. Afastou-se depressa para que não o víssemos.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde." Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse.
(Jorge Amado) Fiz-lhe sinal que se calasse.

Língua Portuguesa 32
APOSTILAS OPÇÃO
8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quan- 2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito.
to mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (sem que = se não,caso não)
(tanto mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados.
À medida que se vive, mais se aprende.
(sem que = que não)
À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo. 4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não)
Os soldados respondiam, à medida que eram chamados. Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.

Observação:
São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medi- PREPOSIÇÃO
da que e na medida em que. A forma correta é à medida que:
"À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem." Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois
(Maria José de Queirós) termos de uma oração.
O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o segundo, um subor-
9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre dinado ou consequente.
que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora Exemplos:
que, etc. Chegaram a Porto Alegre.
Venha quando você quiser. Discorda de você.
Não fale enquanto come. Fui até a esquina.
Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra. Casa de Paulo.
Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia. Preposições Essenciais e Acidentais
"Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval- As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CON-
cânti) TRA, DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB,
SOBRE e ATRÁS.
10) Integrantes: que, se.
Sabemos que a vida é breve. Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a
Veja se falta alguma coisa. outras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais:
afora, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante,
Observação: salvo, segundo, senão, tirante, visto, etc.
Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o
chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB,
porém, não consigna esta espécie de conjunção. INTERJEIÇÃO
Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem
que, por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem
etc. ser:
Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, - alegria: ahl oh! oba! eh!
portanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no - animação: coragem! avante! eia!
contexto. Assim, a conjunção que pode ser: - admiração: puxa! ih! oh! nossa!
1) Aditiva (= e): - aplauso: bravo! viva! bis!
Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai.
- desejo: tomara! oxalá!
A nós que não a eles, compete fazê-lo.
- dor: aí! ui!
2) Explicativa (= pois, porque): - silêncio: psiu! silêncio!
Apressemo-nos, que chove. - suspensão: alto! basta!
3) Integrante:
Diga-lhe que não irei. LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo
valor de uma interjeição.
4) Consecutiva: Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam!
Tanto se esforçou que conseguiu vencer. Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim!
Não vão a uma festa que não voltem cansados.
Onde estavas, que não te vi?
5) Comparativa (= do que, como):
A luz é mais veloz que o som.
Ficou vermelho que nem brasa. Concordância Nominal e Verbal
6) Concessiva (= embora, ainda que):
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo.
Beba, um pouco que seja. Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinan-
te se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões.
7) Temporal (= depois que, logo que): Principais Casos de Concordância Nominal
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel. 1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em
8) Final (= pare que): gênero e número com o substantivo.
Vendo-me à janela, fez sinal que descesse. As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico.

9) Causal (= porque, visto que): 2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vival- normalmente para o plural.
do Coaraci) Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio.
A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase:
3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe- para o masculino plural.
disse. (sem que = embora não) Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.

Língua Portuguesa 33
APOSTILAS OPÇÃO
4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais 3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá
próximo: ao plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural.
Trouxe livros e revista especializada. Os Estados Unidos são um grande país.
Os Lusíadas imortalizaram Camões.
5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais pró- Os Alpes vivem cobertos de neve.
ximo. Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular.
Dedico esta música à querida tia e sobrinhos. Flores já não leva acento.
O Amazonas deságua no Atlântico.
6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o
Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica.
sujeito.
Meus amigos estão atrapalhados.
4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome
7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predi- no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indife-
cativo no gênero da pessoa a quem se refere. rentemente.
Sua excelência, o Governador, foi compreensivo. A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios.
A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram).
8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo
vão para o singular ou para o plural. 5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o
Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros). sujeito paciente.
Vende-se um apartamento.
9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier Vendem-se alguns apartamentos.
precedido de artigo e o segundo não vão para o plural.
Já estudei o primeiro e segundo livros. 6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o
verbo para a 3ª pessoa do singular.
10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural. Precisa-se de funcionários.
Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro.
7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha
11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a no singular e o verbo no singular ou no plural.
que se referem. Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem)
Ela mesma veio até aqui.
Eles chegaram sós. 8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural.
Eles próprios escreveram. Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul.

12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere. 9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular.
Muito obrigado. (masculino singular) Mais de um jurado fez justiça à minha música.
Muito obrigada. (feminino singular).
10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando
13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo
fica invariável quando é advérbio. no singular.
Quero meio quilo de café. As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição.
Minha mãe está meio exausta.
É meio-dia e meia. (hora) 11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o
sujeito.
14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o subs- Deu uma hora.
tantivo a que se referem. Deram três horas.
Trouxe anexas as fotografias que você me pediu. Bateram cinco horas.
A expressão em anexo é invariável. Naquele relógio já soaram duas horas.
Trouxe em anexo estas fotos.
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da
15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substi- frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito.
tuem advérbios em MENTE, permanecem invariáveis. Ela é que faz as bolas.
Vocês falaram alto demais. Eu é que escrevo os programas.
O combustível custava barato.
Você leu confuso. 13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é
Ela jura falso. um pronome relativo.
Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova.
16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjeti- Fui eu que fiz a lição
vos, sofrem variação normalmente. Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí-
Esses pneus custam caro. veis.
Conversei bastante com eles. • que: Fui eu que fiz a lição.
Conversei com bastantes pessoas. • quem: Fui eu quem fez a lição.
Estas crianças moram longe. • o que: Fui eu o que fez a lição.
Conheci longes terras.
14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na
CONCORDÂNCIA VERBAL terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem
CASOS GERAIS a este sua impessoalidade.
1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Chove a cântaros. Ventou muito ontem.
O menino chegou. Os meninos chegaram. Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões.

2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular. CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER
O pessoal ainda não chegou. 1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos
A turma não gostou disso. pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e
Um bando de pássaros pousou na árvore. PARECER concordam com o predicativo.
Língua Portuguesa 34
APOSTILAS OPÇÃO
Tudo são esperanças. 5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto
Aquilo parecem ilusões. Prefiro Comunicação à Matemática.
Aquilo é ilusão.

2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER 6. INFORMAR - transitivo direto e indireto.
concorda sempre com o nome ou pronome que vier depois. Informei-lhe o problema.
Que são florestas equatoriais?
Quem eram aqueles homens? 7. ASSISTIR - morar, residir:
3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará Assisto em Porto Alegre.
com a expressão numérica. • amparar, socorrer, objeto direto
São oito horas. O médico assistiu o doente.
Hoje são 19 de setembro. • PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto
De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros.
Assistimos a um belo espetáculo.
4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER • SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto
fica no singular. Assiste-lhe o direito.
Três batalhões é muito pouco.
Trinta milhões de dólares é muito dinheiro.
8. ATENDER - dar atenção
5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular. Atendi ao pedido do aluno.
Maria era as flores da casa. • CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto
O homem é cinzas. Atenderam o freguês com simpatia.
6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER
concorda com o predicativo. 9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto
Dançar e cantar é a sua atividade. A moça queria um vestido novo.
Estudar e trabalhar são as minhas atividades. • GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto
O professor queria muito a seus alunos.
7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER
concorda com o pronome.
A ciência, mestres, sois vós. 10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto
Em minha turma, o líder sou eu. Todos visamos a um futuro melhor.
• APONTAR, MIRAR - objeto direto
8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infiniti- O artilheiro visou a meta quando fez o gol.
vo, apenas um deles deve ser flexionado. • pör o sinal de visto - objeto direto
Os meninos parecem gostar dos brinquedos. O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia.
Os meninos parece gostarem dos brinquedos.
11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto
Devemos obedecer aos superiores.
Desobedeceram às leis do trânsito.
Regência verbal e nominal
12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE
• exigem na sua regência a preposição EM
Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati- O armazém está situado na Farrapos.
calmente do outro. Ele estabeleceu-se na Avenida São João.
A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos
e adjetivos). 13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo.
Essas tuas justificativas não procedem.
Exemplos: • no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se
- acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM com a preposição DE.
EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
PARA = passagem
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani
A regência verbal trata dos complementos do verbo.
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A.
ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
O secretário procedeu à leitura da carta.
1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
• pretender (transitivo indireto) 14. ESQUECER E LEMBRAR
No sítio, aspiro o ar puro da montanha. • quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto:
Nossa equipe aspira ao troféu de campeã. Esqueci o nome desta aluna.
Lembrei o recado, assim que o vi.
2. OBEDECER - transitivo indireto • quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto:
Devemos obedecer aos sinais de trânsito. Esqueceram-se da reunião de hoje.
Lembrei-me da sua fisionomia.
3. PAGAR - transitivo direto e indireto
Já paguei um jantar a você. 15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa.
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos.
4. PERDOAR - transitivo direto e indireto. • pagar - Pago o 13° aos professores.
Já perdoei aos meus inimigos as ofensas. • dar - Daremos esmolas ao pobre.

Língua Portuguesa 35
APOSTILAS OPÇÃO
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega. Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos. mais que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os
• agradecer - Agradeço as graças a Deus. sinônimos: Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante -
• pedir - Pedi um favor ao colega. afastado, remoto.
Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
mais que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os
16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto:
antônimos: Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim.
O amor implica renúncia.
Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposi-
possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica,
ção COM:
ou seja, os homônimos:
O professor implicava com os alunos

As homônimas podem ser:


• no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a prepo-
sição EM: Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia.
Implicou-se na briga e saiu ferido Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente
indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa
singular presente indicativo do verbo consertar);
17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição
A: Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita.
Ele foi a São Paulo para resolver negócios. Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão
quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA: (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo);
Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso. Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos:
cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) /
cedo (verbo) - cedo (advérbio);
18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa
como sujeito: Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais
O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas
pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente na pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro -
dificuldade, será objeto indireto. cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura
Custou-me confiar nele novamente. (atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura
(situação decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar) -
Custar-te-á aceitá-la como nora.
discriminar (diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear
(passar as folhas de uma publicação)/ despercebido (não notado) -
desapercebido (desacautelado)/ geminada (duplicada) - germinada (que
germinou)/ mugir (soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que
Semântica percorre) - precursor (que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) -
subscrever (aprovar, assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) /
descrição - discrição / onicolor - unicolor.
Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de
SEMÂNTICA apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na
empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida.
Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e
origem completamente distintos. Exemplos: São(Presente do verbo ser) -
São (santo)

Conotação e Denotação:
Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do
original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de
pedra.
Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original.
Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das
rochas.
Semântica (do grego σηµαντικός, sēmantiká, plural neutro de
sēmantikós, derivado de sema, sinal), é o estudo do significado. Incide Sinônimo
sobre a relação entre significantes, tais como palavras, frases, sinais e Sinônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado idêntico
símbolos, e o que eles representam, a sua denotação. ou muito semelhante à outra. Exemplos: carro e automóvel, cão e
cachorro.
A semântica linguística estuda o significado usado por seres humanos O conhecimento e o uso dos sinônimos é importante para que se
para se expressar através da linguagem. Outras formas de semântica evitem repetições desnecessárias na construção de textos, evitando que
incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica formal, e se tornem enfadonhos.
semiótica.
A semântica contrapõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a Eufemismo
primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça Alguns sinônimos são também utilizados para minimizar o impacto,
sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse algo normalmente negativo, de algumas palavras (figura de linguagem
é expresso(por exemplo, escritos ou falados). Dependendo da concepção conhecida como eufemismo).
de significado que se tenha, têm-se diferentes semânticas. A semântica Exemplos:
formal, a semântica da enunciação ou argumentativa e a semântica • gordo - obeso
cognitiva, fenômeno, mas com conceitos e enfoques diferentes. • morrer - falecer
Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em
consideração:
Língua Portuguesa 36
APOSTILAS OPÇÃO
Sinônimos Perfeitos e Imperfeitos Homófono
Os sinônimos podem ser perfeitos ou imperfeitos. Palavras homófonas são palavras de pronúncias iguais. Existem dois
tipos de palavras homófonas, que são:
Sinônimos Perfeitos • Homófonas heterográficas
Se o significado é idêntico. • Homófonas homográficas
Exemplos:
• avaro – avarento, Homófonas heterográficas
• léxico – vocabulário, Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia),
• falecer – morrer, mas heterográficas (diferentes na escrita).
• escarradeira – cuspideira,
• língua – idioma Exemplos
• cozer / coser;
• catorze - quatorze
• cozido / cosido;
Sinônimos Imperfeitos • censo / senso
Se os signIficados são próximos, porém não idênticos. • consertar / concertar
Exemplos: córrego – riacho, belo – formoso • conselho / concelho
• paço / passo
Antônimo • noz / nós
Antônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado • hera / era
contrário (também oposto ou inverso) à outra. • ouve / houve
O emprego de antônimos na construção de frases pode ser um recurso • voz / vós
estilístico que confere ao trecho empregado uma forma mais erudita ou • cem / sem
que chame atenção do leitor ou do ouvinte. • acento / assento
Palavra Antônimo
aberto fechado Homófonas homográficas
alto baixo Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), e
bem mal homográficas (iguais na escrita).
bom mau Exemplos
bonito feio Ele janta (verbo) / A janta está pronta (substantivo); No caso,
demais de menos janta é inexistente na língua portuguesa por enquanto, já que
doce salgado deriva do substantivo jantar, e está classificado como
forte fraco neologismo.
Eu passeio pela rua (verbo) / O passeio que fizemos foi
gordo magro
bonito (substantivo).
salgado insosso
amor ódio
Parônimo
seco molhado
Parônimo é uma palavra que apresenta sentido diferente e forma
grosso fino semelhante a outra, que provoca, com alguma frequência, confusão.
duro mole Essas palavras apresentam grafia e pronúncia parecida, mas com
doce amargo significados diferentes.
grande pequeno O parônimos pode ser também palavras homófonas, ou seja, a
soberba humildade pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma.Palavras parônimas
louvar censurar são aquelas que têm grafia e pronúncia parecida.
bendizer maldizer
ativo inativo Exemplos
simpático antipático Veja alguns exemplos de palavras parônimas:
progredir regredir acender. verbo - ascender. subir
rápido lento acento. inflexão tônica - assento. dispositivo para sentar-se
sair entrar cartola. chapéu alto - quartola. pequena pipa
sozinho acompanhado comprimento. extensão - cumprimento. saudação
concórdia discórdia coro (cantores) - couro (pele de animal)
pesado leve deferimento. concessão - diferimento. adiamento
quente frio delatar. denunciar - dilatar. retardar, estender
presente ausente descrição. representação - discrição. reserva
escuro claro descriminar. inocentar - discriminar. distinguir
inveja admiração
despensa. compartimento - dispensa. desobriga
destratar. insultar - distratar. desfazer(contrato)
Homógrafo
Homógrafos são palavras iguais ou parecidas na escrita e diferentes emergir. vir à tona - imergir. mergulhar
na pronúncia. eminência. altura, excelência - iminência. proximidade de ocorrência
emitir. lançar fora de si - imitir. fazer entrar
Exemplos
• rego (subst.) e rego (verbo); enfestar. dobrar ao meio - infestar. assolar
• colher (verbo) e colher (subst.); enformar. meter em fôrma - informar. avisar
• jogo (subst.) e jogo (verbo); entender. compreender - intender. exercer vigilância
• Sede: lugar e Sede: avidez; lenimento. suavizante - linimento. medicamento para fricções
• Seca: pôr a secar e Seca: falta de água.

Língua Portuguesa 37
APOSTILAS OPÇÃO
migrar. mudar de um local para outro - emigrar. deixar um país para as palavras, suas combinações. É a linguagem figurada apresentada em
morar em outro - imigrar. entrar num país vindo de outro obras literárias, letras de música, em algumas propagandas etc.
peão. que anda a pé - pião. espécie de brinquedo
recrear. divertir - recriar. criar de novo Função metalinguística
centralizada no código, usando a linguagem para falar dela mesma. A
se. pronome átono, conjugação - si. espécie de brinquedo poesia que fala da poesia, da sua função e do poeta, um texto que comen-
vadear. passar o vau - vadiar. passar vida ociosa ta outro texto. Principalmente os dicionários são repositórios de metalin-
venoso. relativo a veias - vinoso. que produz vinho guagem.
vez. ocasião, momento - vês. verbo ver na 2ª pessoa do singular Obs.: Em um mesmo texto podem aparecer várias funções da lingua-
gem. O importante é saber qual a função predominante no texto, para
então defini-lo.
Denotaçao e Conotaçao
A denotação é a propriedade que possui uma palavra de limitar-se a Variação linguística
seu próprio conceito, de trazer apenas o seu significado primitivo, original. Uma variação de uma língua é uma forma que difere de outras
formas da linguagem sistemática e coerentemente. Variedade é um
A conotação é a propriedade que possui uma palavra de ampliar-se conceito maior do que estilo de prosa ou estilo de linguagem.
no seu campo semântico, dentro de um contexto, podendo causar várias Alguns escritores de sociolinguística usam o termo leto,
interpretações. aparentemente um processo de criação de palavras para termos
específicos como dialeto e idioleto.
Exemplos de variações são:
Observe os exemplos: • dialetos, isto é, variações faladas por comunidades
Denotação geograficamente definidas.
As estrelas do céu. Vesti-me de verde. O fogo do isqueiro. • idioma é um termo intermediário na distinção dialeto-linguagem e
é usado para se referir ao sistema comunicativo estudado (que
poderia ser chamado tanto de um dialeto ou uma linguagem)
Conotação
quando sua condição em relação a esta distinção é irrelevante
As estrelas do cinema. (sendo, portanto, um sinônimo para linguagem num sentido mais
O jardim vestiu-se de flores geral);
O fogo da paixão • socioletos, isto é, variações faladas por comunidades socialmente
definidas
SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO • linguagem padrão ou norma padrão, padronizada em função da
comunicação pública e da educação
• idioletos, isto é, uma variação particular a uma certa pessoa
As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido • registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário especializado e/ou a
figurado: gramática de certas atividades ou profissões
Construí um muro de pedra - sentido próprio • etnoletos, para um grupo étnico
Maria tem um coração de pedra – sentido figurado. • ecoletos, um idioleto adotado por uma casa
A água pingava lentamente – sentido próprio.
Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem ser distinguidos
não apenas por seu vocabulários, mas também por diferenças na
gramática, na fonologia e na versificação. Por exemplo, o sotaque de
palavras tonais nas línguas escandinavas tem forma diferente em muitos
Funções da Linguagem dialetos. Um outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes
socioletos variam em seu grau de adaptação à fonologia básica da
linguagem.
Função emotiva (ou expressiva) Certos registros profissionais, como o chamado legalês, mostram uma
centralizada no emissor, revelando sua opinião, sua emoção. Nela variação na gramática da linguagem padrão. Por exemplo, jornalistas ou
prevalece a 1ª pessoa do singular, interjeições e exclamações. É a lingua- advogados ingleses frequentemente usam modos gramaticais, como o
gem das biografias, memórias, poesias líricas e cartas de amor. modo subjuntivo, que não são mais usados com frequência por outros
falantes. Muitos registros são simplesmente um conjunto especializado de
Função referencial (ou denotativa) termos (veja jargão).
centralizada no referente, quando o emissor procura oferecer informa-
ções da realidade. Objetiva, direta, denotativa, prevalecendo a 3ª pessoa É uma questão de definição se gíria e calão podem ser considerados
do singular. Linguagem usada nas notícias de jornal e livros científicos. como incluídos no conceito de variação ou de estilo. Coloquialismos e
expressões idiomáticas geralmente são limitadas como variações do
Função apelativa (ou conativa) léxico, e de, portanto, estilo.
centraliza-se no receptor; o emissor procura influenciar o comporta-
mento do receptor.
Como o emissor se dirige ao receptor, é comum o uso de tu e você, Sintaxe da oração e do período
ou o nome da pessoa, além dos vocativos e imperativo. Usada nos discur-
sos, sermões e propagandas que se dirigem diretamente ao consumidor.

Função fática No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta.
centralizada no canal, tendo como objetivo prolongar ou não o contato Fui ao cinema.
com o receptor, ou testar a eficiência do canal. Linguagem das falas O pássaro voou.
telefônicas, saudações e similares.
PERÍODO COMPOSTO
Função poética
No período composto há mais de uma oração.
centralizada na mensagem, revelando recursos imaginativos criados
pelo emissor. Afetiva, sugestiva, conotativa, ela é metafórica. Valorizam-se (Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
folgam.)
Língua Portuguesa 38
APOSTILAS OPÇÃO
Período composto por coordenação ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE
Apresenta orações independentes. É aquela que vem entre os termos de uma outra oração.
(Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.) O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido.
A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos:
Período composto por subordinação CONTINUAR, DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc.
Apresenta orações dependentes.
(É bom) (que você estude.) ORAÇÃO PRINCIPAL
Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida
Período composto por coordenação e subordinação por um conectivo.
Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este ELES DISSERAM que voltarão logo.
período é também conhecido como misto. ELE AFIRMOU que não virá.
(Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.) PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma)

ORAÇÃO COORDENADA ORAÇÃO SUBORDINADA


Oração coordenada é aquela que é independente. Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é
introduzida por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal
As orações coordenadas podem ser: nem sempre é a primeira do período.
- Sindética: Quando ele voltar, eu saio de férias.
Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS
coordenativa.
Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR
Viajo amanhã, mas volto logo.
- Assindética: ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA
Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função
ponto e vírgula. de um substantivo.
Chegou, olhou, partiu. Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas
substantivas classificam-se em:
A oração coordenada sindética pode ser: 1) SUBJETIVA (sujeito)
1. ADITIVA: Convém que você estude mais.
Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas, Importa que saibas isso bem. .
também: É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é
Ele falava E EU FICAVA OUVINDO. necessária.
Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM.
A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ. 2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto)
Desejo QUE VENHAM TODOS.
2. ADVERSATIVA: Pergunto QUEM ESTÁ AI.
Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de
contraste (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto, 3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto)
etc).
Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS.
A espada vence MAS NÃO CONVENCE.
Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE.
O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO.
Daremos o prêmio A QUEM O MERECER.
Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO.
4) COMPLETIVA NOMINAL
3. ALTERNATIVAS: Complemento nominal.
Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a Ser grato A QUEM TE ENSINA.
outra (ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc).
Sou favorável A QUE O PRENDAM.
Mudou o natal OU MUDEI EU?
“OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel, 5) PREDICATIVA (predicativo)
OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!” Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA)
(C. Meireles) Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE.
4. CONCLUSIVAS: Não sou QUEM VOCÊ PENSA.
Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS,
PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO QUE, 6) APOSITIVAS (servem de aposto)
etc).
Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE)
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO.
Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME.
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ.
7) AGENTE DA PASSIVA
5. EXPLICATIVAS: O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR)
Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM.
que a explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.)
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS. Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de
um adjetivo.

Língua Portuguesa 39
APOSTILAS OPÇÃO
Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas: Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE.
1) EXPLICATIVAS:
Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente, ORAÇÕES REDUZIDAS
atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-lhe Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas
uma informação. nominais: gerúndio, infinitivo e particípio.
Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará. Exemplos:
Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria. • Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU
PREPARADO.
2) RESTRITIVAS: • Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ.
Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo • FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM,
indispensáveis ao sentido da frase: conseguirás.
Pedra QUE ROLA não cria limo. • É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS
ATENTOS.
As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem.
• AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO,
Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui. entristeceu-se.
• É interesse ESTUDARES MAIS.= É interessante QUE
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS ESTUDES MAIS.
Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de • SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI,
um advérbio. procure-me.
As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:
1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
O tambor soa PORQUE É OCO. Redação oficial

2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma


comparação. AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS
O som é menos veloz QUE A LUZ. CAPÍTULO I
Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA. ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL
1. O que é Redação Oficial
3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela
admite: qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações. Interessa-
POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram. nos tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo.
Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado. A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do
padrão culto de linguagem, clareza, concisão, formalidade e uniformidade.
CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava.
Fundamentalmente esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe,
no artigo 37: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de
4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese: qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
SE O CONHECESSES, não o condenarias. Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO? moralidade, publicidade e eficiência (...)". Sendo a publicidade e a impes-
soalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro
5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunica-
com outro: ções oficiais.
Fiz tudo COMO ME DISSERAM. Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza seja re-
digido de forma obscura, que dificulte ou impossibilite sua compreensão. A
Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI.
transparência do sentido dos atos normativos, bem como sua inteligibili-
dade, são requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um
6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado: texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A publicidade implica, pois,
A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS. necessariamente, clareza e concisão.
Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA! Além de atender à disposição constitucional, a forma dos atos norma-
Tenho medo disso QUE ME PÉLO! tivos obedece a certa tradição. Há normas para sua elaboração que
remontam ao período de nossa história imperial, como, por exemplo, a
7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto: obrigatoriedade – estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro de
Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE. 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, o número de anos trans-
corridos desde a Independência. Essa prática foi mantida no período
Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR.
republicano.
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformidade,
8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade: concisão e uso de linguagem formal) aplicam-se às comunicações oficiais:
À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende. elas devem sempre permitir uma única interpretação e ser estritamente
QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo. impessoais e uniformes, o que exige o uso de certo nível de linguagem.
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações oficiais são
9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso necessariamente uniformes, pois há sempre um único comunicador (o
na oração principal: Serviço Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço
ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam. Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o
QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam. conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea (o
público).
10) MODAIS: exprimem modo, maneira: Outros procedimentos rotineiros na redação de comunicações oficiais
foram incorporados ao longo do tempo, como as formas de tratamento e
Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE.
Língua Portuguesa 40
APOSTILAS OPÇÃO
de cortesia, certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes, etc. ção restrita, como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o jargão técni-
Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para comunicações co, tem sua compreensão dificultada.
oficiais, regulados pela Portaria no 1 do Ministro de Estado da Justiça, de 8 Ressalte-se que há necessariamente uma distância entre a língua fa-
de julho de 1937, que, após mais de meio século de vigência, foi revogado lada e a escrita. Aquela é extremamente dinâmica, reflete de forma imedi-
pelo Decreto que aprovou a primeira edição deste Manual. ata qualquer alteração de costumes, e pode eventualmente contar com
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se buscou fazer das outros elementos que auxiliem a sua compreensão, como os gestos, a
características específicas da forma oficial de redigir não deve ensejar o entoação, etc., para mencionar apenas alguns dos fatores responsáveis
entendimento de que se proponha a criação – ou se aceite a existência – por essa distância. Já a língua escrita incorpora mais lentamente as
de uma forma específica de linguagem administrativa, o que coloquialmen- transformações, tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas
te e pejorativamente se chama burocratês. Este é antes uma distorção do de si mesma para comunicar.
que deve ser a redação oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões A língua escrita, como a falada, compreende diferentes níveis, de
e clichês do jargão burocrático e de formas arcaicas de construção de acordo com o uso que dela se faça. Por exemplo, em uma carta a um
frases. amigo, podemos nos valer de determinado padrão de linguagem que
A redação oficial não é, portanto, necessariamente árida e infensa à incorpore expressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um
evolução da língua. É que sua finalidade básica – comunicar com impes- parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do vocabulário técnico
soalidade e máxima clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz correspondente. Nos dois casos, há um padrão de linguagem que atende
da língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, ao uso que se faz da língua, a finalidade com que a empregamos.
da correspondência particular, etc. O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu caráter impessoal, por
Apresentadas essas características fundamentais da redação oficial, sua finalidade de informar com o máximo de clareza e concisão, eles
passemos à análise pormenorizada de cada uma delas. requerem o uso do padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão
culto é aquele em que a) se observam as regras da gramática formal, e b)
1.1. A Impessoalidade se emprega um vocabulário comum ao conjunto dos usuários do idioma. É
importante ressaltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na
A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita. redação oficial decorre do fato de que ele está acima das diferenças
Para que haja comunicação, são necessários: a) alguém que comunique, lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, dos modismos vocabulares,
b) algo a ser comunicado, e c) alguém que receba essa comunicação. No das idiossincrasias linguísticas, permitindo, por essa razão, que se atinja a
caso da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este pretendida compreensão por todos os cidadãos.
ou aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço, Seção);
o que se comunica é sempre algum assunto relativo às atribuições do Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de ex-
órgão que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o público, o pressão, desde que não seja confundida com pobreza de expressão. De
conjunto dos cidadãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros nenhuma forma o uso do padrão culto implica emprego de linguagem
Poderes da União. rebuscada, nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de linguagem
próprios da língua literária.
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve ser dado
aos assuntos que constam das comunicações oficiais decorre: Pode-se concluir, então, que não existe propriamente um "padrão ofi-
cial de linguagem"; o que há é o uso do padrão culto nos atos e comuni-
a) da ausência de impressões individuais de quem comunica: embora cações oficiais. É claro que haverá preferência pelo uso de determinadas
se trate, por exemplo, de um expediente assinado por Chefe de determi- expressões, ou será obedecida certa tradição no emprego das formas
nada Seção, é sempre em nome do Serviço Público que é feita a comuni- sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se consagre a
cação. Obtém-se, assim, uma desejável padronização, que permite que utilização de uma forma de linguagem burocrática. O jargão burocrático,
comunicações elaboradas em diferentes setores da Administração guar- como todo jargão, deve ser evitado, pois terá sempre sua compreensão
dem entre si certa uniformidade; limitada.
b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com duas pos- A linguagem técnica deve ser empregada apenas em situações que a
sibilidades: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre concebido como exijam, sendo de evitar o seu uso indiscriminado. Certos rebuscamentos
público, ou a outro órgão público. Nos dois casos, temos um destinatário acadêmicos, e mesmo o vocabulário próprio a determinada área, são de
concebido de forma homogênea e impessoal; difícil entendimento por quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o universo te- ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em comunicações encaminhadas a
mático das comunicações oficiais se restringe a questões que dizem outros órgãos da administração e em expedientes dirigidos aos cidadãos.
respeito ao interesse público, é natural que não cabe qualquer tom particu- Outras questões sobre a linguagem, como o emprego de neologismo
lar ou pessoal. e estrangeirismo, são tratadas em detalhe em 9.3. Semântica.
Desta forma, não há lugar na redação oficial para impressões pesso-
ais, como as que, por exemplo, constam de uma carta a um amigo, ou de
um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação 1.3. Formalidade e Padronização
oficial deve ser isenta da interferência da individualidade que a elabora. As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto é, obede-
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de que nos va- cem a certas regras de forma: além das já mencionadas exigências de
lemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, ainda, para que impessoalidade e uso do padrão culto de linguagem, é imperativo, ainda,
seja alcançada a necessária impessoalidade. certa formalidade de tratamento. Não se trata somente da eterna dúvida
quanto ao correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento para
uma autoridade de certo nível (v. a esse respeito 2.1.3. Emprego dos
1.2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais Pronomes de Tratamento); mais do que isso, a formalidade diz respeito à
A necessidade de empregar determinado nível de linguagem nos atos polidez, à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a
e expedientes oficiais decorre, de um lado, do próprio caráter público comunicação.
desses atos e comunicações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, A formalidade de tratamento vincula-se, também, à necessária uni-
aqui entendidos como atos de caráter normativo, ou estabelecem regras formidade das comunicações. Ora, se a administração federal é una, é
para a conduta dos cidadãos, ou regulam o funcionamento dos órgãos natural que as comunicações que expede sigam um mesmo padrão. O
públicos, o que só é alcançado se em sua elaboração for empregada a estabelecimento desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que
linguagem adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais, cuja se atente para todas as características da redação oficial e que se cuide,
finalidade precípua é a de informar com clareza e objetividade. ainda, da apresentação dos textos.
As comunicações que partem dos órgãos públicos federais devem ser A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes para o texto defini-
compreendidas por todo e qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse tivo e a correta diagramação do texto são indispensáveis para a padroni-
objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem restrita a determinados zação. Consulte o Capítulo II, As Comunicações Oficiais, a respeito de
grupos. Não há dúvida que um texto marcado por expressões de circula- normas específicas para cada tipo de expediente.
Língua Portuguesa 41
APOSTILAS OPÇÃO
1.4. Concisão e Clareza serão tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos à sua
A concisão é antes uma qualidade do que uma característica do texto análise, vejamos outros aspectos comuns a quase todas as modalidades
oficial. Conciso é o texto que consegue transmitir um máximo de informa- de comunicação oficial: o emprego dos pronomes de tratamento, a forma
ções com um mínimo de palavras. Para que se redija com essa qualidade, dos fechos e a identificação do signatário.
é fundamental que se tenha, além de conhecimento do assunto sobre o
qual se escreve, o necessário tempo para revisar o texto depois de pronto. 2.1. Pronomes de Tratamento
É nessa releitura que muitas vezes se percebem eventuais redundâncias 2.1.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento
ou repetições desnecessárias de ideias.
O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga
O esforço de sermos concisos atende, basicamente ao princípio de tradição na língua portuguesa. De acordo com Said Ali, após serem incor-
economia linguística, à mencionada fórmula de empregar o mínimo de porados ao português os pronomes latinos tu e vos, "como tratamento
palavras para informar o máximo. Não se deve de forma alguma entendê- direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra", passou-se a
la como economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar passa- empregar, como expediente linguístico de distinção e de respeito, a se-
gens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Trata-se gunda pessoa do plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior.
exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias, passagens que Prossegue o autor:
nada acrescentem ao que já foi dito.
"Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que se di-
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe em todo texto rigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente da pessoa de ca-
de alguma complexidade: ideias fundamentais e ideias secundárias. Estas tegoria superior, e não a ela própria. Assim aproximavam-se os vas-
últimas podem esclarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; salos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria
mas existem também ideias secundárias que não acrescentam informação (...); assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e adota-
alguma ao texto, nem têm maior relação com as fundamentais, podendo, ram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, vossa paternida-
por isso, ser dispensadas. de, vossa eminência, vossa santidade."
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial, conforme A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já
já sublinhado na introdução deste capítulo. Pode-se definir como claro estava em voga também para os ocupantes de certos cargos públicos.
aquele texto que possibilita imediata compreensão pelo leitor. No entanto Vossa mercê evoluiu para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o
a clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende estritamente das pronome vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém
demais características da redação oficial. Para ela concorrem: o atual emprego de pronomes de tratamento indireto como forma de
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpretações que dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e eclesiásticas.
poderia decorrer de um tratamento personalista dado ao texto;
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de entendimento 2.1.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento
geral e por definição avesso a vocábulos de circulação restrita, como a
gíria e o jargão; Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indireta) apresen-
tam certas peculiaridades quanto à concordância verbal, nominal e pro-
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a imprescindível nominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com
uniformidade dos textos; quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam a concordância
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos linguísticos para a terceira pessoa. É que o verbo concorda com o substantivo que
que nada lhe acrescentam. integra a locução como seu núcleo sintático: "Vossa Senhoria nomeará o
É pela correta observação dessas características que se redige com substituto"; "Vossa Excelência conhece o assunto".
clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável releitura de todo texto redigido. Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de
A ocorrência, em textos oficiais, de trechos obscuros e de erros gramati- tratamento são sempre os da terceira pessoa: "Vossa Senhoria nomeará
cais provém principalmente da falta da releitura que torna possível sua seu substituto" (e não "Vossa ... vosso...").
correção. Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero grama-
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda, se ele será de tical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o
fácil compreensão por seu destinatário. O que nos parece óbvio pode ser substantivo que compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor for ho-
desconhecido por terceiros. O domínio que adquirimos sobre certos as- mem, o correto é "Vossa Excelência está atarefado", "Vossa Senhoria
suntos em decorrência de nossa experiência profissional muitas vezes faz deve estar satisfeito"; se for mulher, "Vossa Excelência está atarefada",
com que os tomemos como de conhecimento geral, o que nem sempre é "Vossa Senhoria deve estar satisfeita".
verdade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o
significado das siglas e abreviações e os conceitos específicos que não
possam ser dispensados. 2.1.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa com que Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento obedece a secu-
são elaboradas certas comunicações quase sempre compromete sua lar tradição. São de uso consagrado:
clareza. Não se deve proceder à redação de um texto que não seja segui- Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
da por sua revisão. "Não há assuntos urgentes, há assuntos atrasados", a) do Poder Executivo;
diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua indesejável repercussão Presidente da República;
no redigir. Vice-Presidente da República;
Por fim, como exemplo de texto obscuro, que deve ser evitado em to- Ministros de Estado;
das as comunicações oficiais, transcrevemos a seguir um pitoresco qua-
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal;
dro, constante de obra de Adriano da Gama Kury , a partir do qual podem
ser feitas inúmeras frases, combinando-se as expressões das várias Oficiais-Generais das Forças Armadas;
colunas em qualquer ordem, com uma característica comum: nenhuma Embaixadores;
delas tem sentido! O quadro tem aqui a função de sublinhar a maneira de Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos
como não se deve escrever: de natureza especial;
Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
CAPÍTULO II Prefeitos Municipais.
AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS
2. Introdução b) do Poder Legislativo:
A redação das comunicações oficiais deve, antes de tudo, seguir os Deputados Federais e Senadores;
preceitos explicitados no Capítulo I, Aspectos Gerais da Redação Oficial. Ministro do Tribunal de Contas da União;
Além disso, há características específicas de cada tipo de expediente, que Deputados Estaduais e Distritais;
Língua Portuguesa 42
APOSTILAS OPÇÃO
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; 2.2. Fechos para Comunicações
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais. O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade óbvia de
arrematar o texto, a de saudar o destinatário. Os modelos para fecho que
c) do Poder Judiciário: vinham sendo utilizados foram regulados pela Portaria no 1 do Ministério
da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com o fito de simpli-
Ministros dos Tribunais Superiores;
ficá-los e uniformizá-los, este Manual estabelece o emprego de somente
Membros de Tribunais; dois fechos diferentes para todas as modalidades de comunicação oficial:
Juízes; a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República:
Auditores da Justiça Militar. Respeitosamente,
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior:
de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo: Atenciosamente,
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autorida-
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional, des estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios, devidamente
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal. disciplinados no Manual de Redação do Ministério das Relações Exterio-
res.
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, segui-
do do cargo respectivo:
2.3. Identificação do Signatário
Senhor Senador,
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República,
Senhor Juiz, todas as demais comunicações oficiais devem trazer o nome e o cargo da
Senhor Ministro, autoridade que as expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da
Senhor Governador, identificação deve ser a seguinte:
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento digníssi- (espaço para assinatura)
mo (DD), às autoridades arroladas na lista anterior. A dignidade é pressu- Nome
posto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
sua repetida evocação. (espaço para assinatura)
Vossa Senhoria é empregado para as demais autoridades e para par- Nome
ticulares. O vocativo adequado é: Ministro de Estado da Justiça
Senhor Fulano de Tal, (...) Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em pá-
gina isolada do expediente. Transfira para essa página ao menos a última
No envelope, deve constar do endereçamento: frase anterior ao fecho.
Ao Senhor
Fulano de Tal
3. O Padrão Ofício
Rua ABC, no 123
70.123 – Curitiba. PR Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes pela finalidade
do que pela forma: o ofício, o aviso e o memorando. Com o fito de unifor-
Como se depreende do exemplo acima, fica dispensado o emprego mizá-los, pode-se adotar uma diagramação única, que siga o que chama-
do superlativo ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento mos de padrão ofício. As peculiaridades de cada um serão tratadas adian-
de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de te; por ora busquemos as suas semelhanças.
tratamento Senhor.
Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, e sim título
3.1. Partes do documento no Padrão Ofício
acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como regra geral, empre-
gue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau O aviso, o ofício e o memorando devem conter as seguintes partes:
por terem concluído curso universitário de doutorado. É costume designar a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o
por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito e em expede:
Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada Exemplos:
formalidade às comunicações. Mem. 123/2002-MF Aviso 123/2002-SG Of. 123/2002-MME
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, empregada por b) local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à
força da tradição, em comunicações dirigidas a reitores de universidade. direita:
Corresponde-lhe o vocativo: Exemplo: Brasília, 15 de março de 1991.
Magnífico Reitor, c) assunto: resumo do teor do documento
(...)
Exemplos:
Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo com a hierar- Assunto: Produtividade do órgão em 2002.
quia eclesiástica, são:
Assunto: Necessidade de aquisição de novos computadores.
Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo
correspondente é:
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a co-
Santíssimo Padre,
municação. No caso do ofício deve ser incluído também o endereço.
(...)
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima, em comuni-
e) texto: nos casos em que não for de mero encaminhamento de do-
cações aos Cardeais. Corresponde-lhe o vocativo:
cumentos, o expediente deve conter a seguinte estrutura:
Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou
– introdução, que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é
Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, apresentado o assunto que motiva a comunicação. Evite o uso das for-
(...) mas: "Tenho a honra de", "Tenho o prazer de", "Cumpre-me informar que",
Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comunicações dirigi- empregue a forma direta;
das a Arcebispos e Bispos; Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria – desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver
Reverendíssima para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos. mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágra-
Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clérigos e demais religi- fos distintos, o que confere maior clareza à exposição;
osos.
Língua Portuguesa 43
APOSTILAS OPÇÃO
– conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a tipo do documento + número do documento + palavras-chaves do
posição recomendada sobre o assunto. conteúdo
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em Ex.: "Of. 123 - relatório produtividade ano 2002"
que estes estejam organizados em itens ou títulos e subtítulos.
Já quando se tratar de mero encaminhamento de documentos a estru- 3.3. Aviso e Ofício
tura é a seguinte: 3.3.1. Definição e Finalidade
– introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial praticamente
encaminhamento. Se a remessa do documento não tiver sido solicitada, idênticas. A única diferença entre eles é que o aviso é expedido exclusi-
deve iniciar com a informação do motivo da comunicação, que é encami- vamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia,
nhar, indicando a seguir os dados completos do documento encaminhado ao passo que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos
(tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata), e a razão pela têm como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da
qual está sendo encaminhado, segundo a seguinte fórmula: Administração Pública entre si e, no caso do ofício, também com particula-
"Em resposta ao Aviso nº 12, de 1º de fevereiro de 1991, enca- res.
minho, anexa, cópia do Ofício nº 34, de 3 de abril de 1990, do Depar-
tamento Geral de Administração, que trata da requisição do servidor
Fulano de Tal." 3.3.2. Forma e Estrutura
ou Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo do padrão ofício,
com acréscimo do vocativo, que invoca o destinatário (v. 2.1 Pronomes de
"Encaminho, para exame e pronunciamento, a anexa cópia do Tratamento), seguido de vírgula.
telegrama no 12, de 1o de fevereiro de 1991, do Presidente da Con-
federação Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de moderni- Exemplos:
zação de técnicas agrícolas na região Nordeste." Excelentíssimo Senhor Presidente da República
– desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum Senhora Ministra
comentário a respeito do documento que encaminha, poderá acrescentar Senhor Chefe de Gabinete
parágrafos de desenvolvimento; em caso contrário, não há parágrafos de
desenvolvimento em aviso ou ofício de mero encaminhamento. Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguintes in-
formações do remetente:
f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações); – nome do órgão ou setor;
– endereço postal;
g) assinatura do autor da comunicação; e
– telefone e endereço de correio eletrônico.
h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do Signatário).
3.4. Memorando
3.2. Forma de diagramação 3.4.1. Definição e Finalidade
Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à seguinte forma O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades admi-
de apresentação: nistrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em
mesmo nível ou em nível diferente. Trata-se, portanto, de uma forma de
a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de corpo 12 no
comunicação eminentemente interna.
texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas de rodapé;
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado para a
b) para símbolos não existentes na fonte Times New Roman poder-
exposição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados por deter-
se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;
minado setor do serviço público.
c) é obrigatória constar a partir da segunda página o número da pági-
Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do memorando
na;
em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de
d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser impressos procedimentos burocráticos. Para evitar desnecessário aumento do núme-
em ambas as faces do papel. Neste caso, as margens esquerda e direta ro de comunicações, os despachos ao memorando devem ser dados no
terão as distâncias invertidas nas páginas pares ("margem espelho"); próprio documento e, no caso de falta de espaço, em folha de continua-
e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distância da ção. Esse procedimento permite formar uma espécie de processo simplifi-
margem esquerda; cado, assegurando maior transparência à tomada de decisões, e permitin-
f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no mínimo, 3,0 do que se historie o andamento da matéria tratada no memorando.
cm de largura;
g) o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm; 3.4.2. Forma e Estrutura
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 pon- Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício,
tos após cada parágrafo, ou, se o editor de texto utilizado não comportar com a diferença de que o seu destinatário deve ser mencionado pelo
tal recurso, de uma linha em branco; cargo que ocupa.
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado, letras Exemplos:
maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer outra forma Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração Ao Sr. Subchefe pa-
de formatação que afete a elegância e a sobriedade do documento; ra Assuntos Jurídicos
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel branco.
A impressão colorida deve ser usada apenas para gráficos e ilustrações; 4. Exposição de Motivos
l) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício devem ser impres- 4.1. Definição e Finalidade
sos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presidente da Repú-
m) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de arquivo Rich blica ou ao Vice-Presidente para:
Text nos documentos de texto;
a) informá-lo de determinado assunto;
n) dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o
b) propor alguma medida; ou
arquivo de texto preservado para consulta posterior ou aproveitamento de
trechos para casos análogos; c) submeter a sua consideração projeto de ato normativo.
o) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser for- Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente da Repú-
mados da seguinte maneira: blica por um Ministro de Estado.

Língua Portuguesa 44
APOSTILAS OPÇÃO
Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério, a Forma e Estrutura
exposição de motivos deverá ser assinada por todos os Ministros envolvi- A estrutura da lei é composta por dois elementos básicos: a ordem le-
dos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial. gislativa e a matéria legislada.
A ordem legislativa compreende a parte preliminar e o fecho da lei; a
4.2. Forma e Estrutura matéria legislada diz respeito ao texto ou corpo da lei.
Formalmente, a exposição de motivos tem a apresentação do padrão
ofício (v. 3. O Padrão Ofício). O anexo que acompanha a exposição de Ordem Legislativa
motivos que proponha alguma medida ou apresente projeto de ato norma- Das partes do ato normativo
tivo, segue o modelo descrito adiante.
O projeto de ato normativo é estruturado em três partes básicas:
A exposição de motivos, de acordo com sua finalidade, apresenta du-
as formas básicas de estrutura: uma para aquela que tenha caráter exclu- a) A parte preliminar, com a epígrafe, a ementa, o preâmbulo, o enun-
sivamente informativo e outra para a que proponha alguma medida ou ciado do objeto e a indicação do âmbito de aplicação das disposições
submeta projeto de ato normativo. normativas;
No primeiro caso, o da exposição de motivos que simplesmente leva b) A parte normativa, com as normas que regulam o objeto definido na
algum assunto ao conhecimento do Presidente da República, sua estrutu- parte preliminar;
ra segue o modelo antes referido para o padrão ofício. c) A parte final, com as disposições sobre medidas necessárias à im-
Já a exposição de motivos que submeta à consideração do Presiden- plementação das normas constantes da parte normativa, as disposições
te da República a sugestão de alguma medida a ser adotada ou a que lhe transitórias, se for o caso, a cláusula de vigência e a cláusula de revoga-
apresente projeto de ato normativo – embora sigam também a estrutura ção, quando couber.
do padrão ofício –, além de outros comentários julgados pertinentes por
seu autor, devem, obrigatoriamente, apontar: Epígrafe
a) na introdução: o problema que está a reclamar a adoção da medida A epígrafe é a parte do ato que o qualifica na ordem jurídica e o situa
ou do ato normativo proposto; no tempo, por meio da data, da numeração e da denominação.
b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida ou aquele ato Exemplo de epígrafe:
normativo o ideal para se solucionar o problema, e eventuais alternativas LEI No 8.078, DE 11 DE SETEMBRO DE 1990.
existentes para equacioná-lo; Ementa ou Rubrica da Lei
c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser tomada, ou qual A ementa é a parte do ato que sintetiza o conteúdo da lei, a fim de
ato normativo deve ser editado para solucionar o problema. permitir, de modo imediato, o conhecimento da matéria legislada.
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à exposição de mo- Exemplo de ementa:
tivos, devidamente preenchido, de acordo com o seguinte modelo previsto
Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.
no Anexo II do Decreto no 4.176, de 28 de março de 2002.
A síntese contida na ementa deve resumir o tema central ou a finali-
dade principal da lei; evite-se, portanto, mencionar apenas um tópico
ATOS NORMATIVOS - CONCEITOS BÁSICOS genérico da lei acompanhado do clichê “e dá outras providências”.
Preâmbulo
LEI ORDINÁRIA O preâmbulo contém a declaração do nome da autoridade, do cargo
em que se acha investida e da atribuição constitucional em que se funda
Definição para promulgar a lei e a ordem de execução ou mandado de cumprimento,
A lei ordinária é um ato normativo primário e contém, em regra, nor- a qual prescreve a força coativa do ato normativo.
mas gerais e abstratas. Embora as leis sejam definidas, normalmente, Exemplo de autoria:
pela generalidade e abstração (“lei material”), estas contêm, não raramen- O Presidente da República
te, normas singulares (“lei formal” ou “ato normativo de efeitos concretos”). Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a se-
Exemplo de lei formal: guinte lei (...)
– Lei orçamentária anual (Constituição, art. 165, § 5o); Exemplo de ordem de execução:
– Leis que autorizam a criação de empresas públicas, sociedades de O Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
economia mista, autarquias e fundações (Constituição, art. 37, XIX). Âmbito de aplicação
O STF tem entendido que os atos normativos de efeitos concretos, O primeiro artigo da lei indicará o objeto e o âmbito de aplicação do
por não terem o conteúdo material de ato normativo, não se sujeitam ao ato normativo a ser editado de forma específica, em conformidade com o
controle abstrato de constitucionalidade. conhecimento técnico ou científico da área respectiva.
Objeto Fecho da Lei
O Estado de Direito (Constituição, art. 1o) define-se pela submissão Consagrou-se, entre nós, que o fecho dos atos legislativos haveria de
de diversas relações da vida ao Direito. conter referência aos dois acontecimentos marcantes de nossa História:
Assim, não deveria haver, em princípio, domínios vedados à lei. Essa Declaração da Independência e Proclamação da República.
afirmativa é, todavia, apenas parcialmente correta. Exemplo de fecho de lei:
A Constituição exclui, expressamente, do domínio da lei, as matérias “Brasília, 11 de setembro de 1991, 169o da Independência e 102o da
da competência exclusiva do Congresso Nacional (art. 49), que devem ser República.”
disciplinadas mediante decreto legislativo. Também não podem ser trata-
das por lei as matérias que integram as competências privativas do Sena- Matéria Legislada: Texto ou Corpo da Lei
do e da Câmara (Constituição, arts. 51 e 52). O texto ou corpo da lei contém a matéria legislada, isto é, as disposi-
Por fim, a Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001, ções que alteram a ordem jurídica. Ele é composto por artigos, que, dis-
reservou matérias para decreto do Presidente da República (art. 84, VI, postos em ordem numérica, enunciam as regras sobre a matéria legislada.
alíneas a e b). Na tradição legislativa brasileira, o artigo constitui a unidade básica
Acentue-se, por outro lado, que existem matérias que somente podem para a apresentação, a divisão ou o agrupamento de assuntos de um texto
ser disciplinadas por lei ordinária, sendo, aliás, vedada a delegação normativo. Os artigos desdobram-se em parágrafos e incisos, e estes em
(Constituição, art. 68, § 1º, I, II, III). alíneas.
Por exemplo, o art. 206 do Código Civil de 10 de janeiro de 2002:
“Art. 206. Prescreve:

Língua Portuguesa 45
APOSTILAS OPÇÃO
§ 1o Em um ano: além de cumprir a finalidade de marcar o encerramento do texto legislativo
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destina- – remete com precisão aos dispositivos revogados.
dos a consumo no próprio estabelecimento, para o pagamento da hospe-
dagem ou dos alimentos; Cláusula de Vigência
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra Além da cláusula de revogação, o texto ou corpo do ato normativo
aquele, contado o prazo: contém, normalmente, cláusula que dispõe sobre a sua entrada em vigor.
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da Caso a lei não consigne data ou prazo para entrada em vigor, aplica-se
data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo preceito constante do art. 1o da Lei de Introdução ao Código Civil, segun-
terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do do o qual, salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar em todo o
segurador; país 45 dias após a sua publicação.
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da preten-
são; (...)” Assinatura e Referenda
Para terem validade, os atos normativos devem ser assinados pela
Agrupamento de Artigos autoridade competente. Trata-se de práxis amplamente consolidada no
Como assinalado no item “Sistemática Externa”, a dimensão de de- Direito Constitucional e Administrativo brasileiros.
terminados textos legais exige uma sistematização adequada. No direito As leis devem ser referendadas pelos Ministros de Estado que res-
brasileiro consagra-se a seguinte prática para a divisão das leis mais pondam pela matéria (Constituição, art. 87, parágrafo único, I), que assu-
extensas: mem, assim, a co-responsabilidade por sua execução e observância. No
– um conjunto de artigos compõe uma SEÇÃO; caso dos atos de nomeação de Ministro de Estado, a referenda será
– uma seção é composta por várias SUBSEÇÕES; sempre do Ministro de Estado da Justiça, nos termos do art. 29 do Decreto
no 4.118, de 7 de fevereiro de 2002, que “Dispõe sobre a organização da
– um conjunto de seções constitui um CAPÍTULO; Presidência da República e dos Ministérios e dá outras providências”.
– um conjunto de capítulos constitui um TÍTULO;
– um conjunto de títulos constitui um LIVRO.
LEI COMPLEMENTAR
Se a estrutura alentada do texto requerer desdobramentos, adotam-se
as PARTES, que se denominam Parte Geral e Parte Especial.
Definição
Por exemplo, o Código Civil de 10 de janeiro de 2002: As leis complementares constituem um terceiro tipo de leis que não
ostentam a rigidez dos preceitos constitucionais, e tampouco comportam a
PARTE GERAL
revogação por força de qualquer lei ordinária superveniente. Com a insti-
LIVRO I tuição de lei complementar buscou o constituinte resguardar certas maté-
DAS PESSOAS rias de caráter paraconstitucional contra mudanças céleres ou apressa-
TÍTULO I das, sem lhes imprimir uma rigidez exagerada, que dificultaria sua modifi-
DAS PESSOAS NATURAIS cação.
CAPÍTULO I A lei complementar deve ser aprovada pela maioria absoluta de cada
uma das Casas do Congresso (Constituição, art. 69).
DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE
Objeto
CAPÍTULO II
Caberia indagar se a lei complementar tem matéria própria. Poder-se-
DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE
ia afirmar que, sendo toda e qualquer lei uma complementação da Consti-
CAPÍTULO III tuição, a sua qualidade de lei complementar seria atribuída por um ele-
DA AUSÊNCIA mento de índole formal, que é a sua aprovação pela maioria absoluta de
Seção I cada uma das Casas do Congresso. A qualificação de uma lei como
Da Curadoria dos Bens do Ausente complementar dependeria, assim, de um elemento aleatório. Essa não é a
Seção II melhor interpretação. Ao estabelecer um terceiro tipo, pretendeu o consti-
tuinte assegurar certa estabilidade e um mínimo de rigidez às normas que
Da Sucessão Provisória regulam certas matérias. Dessa forma, eliminou-se eventual discricionari-
Seção III edade do legislador, consagrando-se que leis complementares propria-
Da Sucessão Definitiva mente ditas são aquelas exigidas expressamente pelo texto constitucional.
Cláusula de Revogação Disto decorre que:
Até a edição da Lei Complementar no 95, de 1998, (art. 9o – v. Apên- – Não existe entre lei complementar e lei ordinária (ou medida provi-
dice) a cláusula de revogação podia ser específica ou geral. Desde então, sória) uma relação de hierarquia, pois seus campos de abrangência são
no entanto, admite-se somente a cláusula de revogação específica. Assim, diversos. Assim, a lei ordinária que invadir matéria de lei complementar é
atualmente é incorreto o uso de cláusula revogatória do tipo “Revogam-se inconstitucional e não ilegal;
as disposições em contrário.”. – Norma pré-constitucional de qualquer espécie que verse sobre ma-
A revogação é específica quando precisa a lei ou leis, ou parte da lei téria que a Constituição de 1988 reservou à lei complementar foi recepcio-
que ficam revogadas . nada pela nova ordem constitucional como lei complementar.
Exemplo de cláusulas revogatórias específicas: – Lei votada com o procedimento de Lei Complementar e denominada
“Fica revogada a Lei no 4.789, de 14 de outubro de 1965.” como tal, ainda assim, terá efeitos jurídicos de lei ordinária, podendo ser
“Ficam revogadas as Leis nos 3.917, de 14 de julho de 1961, 5.887, revogada por lei ordinária posterior, se versar sobre matéria não reservada
de 31 de maio de 1973, e 6.859, de 24 de novembro de 1980.” constitucionalmente à lei complementar.
“Ficam revogados os arts. 16, 17 e 29 da Lei no 7.998, de 11 de janei- – Dispositivos esparsos de uma lei complementar que não constituí-
ro de 1990.” rem matéria constitucionalmente reservada à lei Complementar possuem
efeitos jurídicos de lei ordinária.
Ademais, importantes doutrinadores já ressaltavam a desnecessidade
da cláusula revogatória genérica, uma vez que a derrogação do direito No texto constitucional são previstas as seguintes leis complementa-
anterior decorre da simples incompatibilidade com a nova disciplina jurídi- res:
ca conferida à matéria (Lei de Introdução ao Código Civil, art.2o, § 1o). – Lei que disciplina a proteção contra despedida arbitrária (Constitui-
Destarte, afigura-se mais útil o emprego da cláusula específica, que – ção, art. 7º, I);

Língua Portuguesa 46
APOSTILAS OPÇÃO
– Lei que estabelece casos de inelegibilidade e prazos de sua cessa- – Lei que regula a competência para instituição do imposto de trans-
ção (art. 14, § 9º); missão causa mortis e doação, se o doador tiver domicílio ou residência
– Lei que regula a criação, transformação em Estado ou reintegração no exterior, ou se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou
ao Estado dos Territórios Federais e que define a incorporação, subdivi- teve o seu inventário processado no exterior (art. 155, § 1o, III);
são e desmembramento dos Estados mediante plebiscito e aprovação do – Lei que define os serviços sujeitos a imposto sobre serviços de
Congresso Nacional (art. 18, §§ 2o, 3o e 4o); qualquer natureza, define as suas alíquotas máxima e mínima, exclui da
– Lei que dispõe sobre os casos em que se pode permitir o trânsito ou sua incidência a exportação de serviços para o exterior e regula a forma e
a permanência temporária de forças estrangeiras no território nacional (art. as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão conce-
21, IV); didos e revogados (art. 156, III e § 3o);
– Lei que faculta aos Estados legislar sobre questões específicas das – Lei que estabelece normas sobre distribuição das quotas de receitas
matérias relacionadas na competência legislativa privativa da União (art. tributárias (art. 161, I, II, III e parágrafo único);
22, parágrafo único); – Lei que regulamenta as finanças públicas; o controle das dívidas ex-
– Lei que fixa normas para a cooperação entre a União e os Estados, terna e interna; a concessão de garantias pelas entidades públicas; a
o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvol- emissão e o resgate de títulos da dívida pública; a fiscalização das institui-
vimento e do bem-estar em âmbito nacional (art. 23, parágrafo único); ções financeiras; as operações de câmbio realizadas por órgãos e entida-
– Lei dos Estados que institui regiões metropolitanas, aglomerações des da União, do Distrito Federal e dos Municípios; a compatibilização das
urbanas e microrregiões. (art. 25, § 3o); funções das instituições oficiais de crédito da União (art. 163, I a VII);
– Lei que define as áreas de atuação de sociedades de economia – Lei que regulamenta o exercício e a gestão financeira e patrimonial
mista, empresas públicas e fundações criadas pelo poder público (art. 37, da administração direta e indireta, bem como as condições para a institui-
XIX); ção e o funcionamento de fundos (art. 165, § 9o, I e II);
– Lei que estabelece exceções aos limites de idade para aposentado- – Lei que estabelece limites para a despesa com pessoal ativo e inati-
ria do servidor público no caso de exercício de atividades consideradas vo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 169);
penosas, insalubres ou perigosas (art. 40, § 4o); – Lei que estabelece procedimento contraditório especial para o pro-
– Lei que dispõe sobre as normas gerais para a instituição de regime cesso judicial de desapropriação (art. 184, § 3o);
de previdência complementar pela União, Estados, Distrito Federal e – Lei que dispõe sobre o sistema financeiro nacional (art. 192);
Municípios, para atender aos seus respectivos servidores titulares de – Lei que estabelece o montante máximo de débito para a concessão
cargo efetivo (art. 40, § 15); de remissão ou anistia de contribuições sociais
– Lei que estabelece o procedimento de avaliação periódica para per- – Lei que regula a aplicação de recursos dos diversos entes da fede-
da de cargo de servidor público (art. 41, §1o); ração em saúde (art. 198, § 3o);
– Lei que dispõe sobre as condições para integração das regiões em – Lei que estabelece casos de relevante interesse público da União,
desenvolvimento e a composição dos organismos regionais (art. 43, § 1o, quanto aos atos que tratam da ocupação, do domínio e da posse das
I, II); terras indígenas, ou da exploração das riquezas naturais do solo, fluviais e
– Lei que estabelece o número de Deputados, por Estado e pelo Dis- lacustres nelas existentes (art. 231, § 6o).
trito Federal, proporcionalmente à população (art. 45, § 1o);
– Lei que autoriza o Presidente da República a permitir, sem manifes- LEI DELEGADA
tação do Congresso, em determinadas hipóteses, que forças estrangeiras
Definição
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente.
(art. 49, II, e art. 84, XXII). Lei delegada é o ato normativo elaborado e editado pelo Presidente
da República em virtude de autorização do Poder Legislativo, expedida
– Lei que dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e consolida-
mediante resolução e dentro dos limites nela traçados (Constituição, art.
ção das leis (art. 59, parágrafo único);
68, caput e §§).
– Lei que confere outras atribuições ao Vice-Presidente da República
De uso bastante raro, apenas duas leis delegadas foram promulgadas
(art. 79, parágrafo único);
após a Constituição de 1988 (Leis Delegadas no 12, de 7 de agosto de
– Lei que dispõe sobre o Estatuto da Magistratura (art. 93); 1992 e no 13, 27 de agosto de 1992).
– Lei que dispõe sobre organização e competência dos tribunais elei- Objeto
torais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais (art. 121);
A Constituição Federal (art. 68, § 1o) estabelece, expressamente, que
– Lei que estabelece a organização, as atribuições e o estatuto do Mi- não podem ser objeto de delegação os atos de competência exclusiva do
nistério Público (art. 128, § 5o); Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara ou do Sena-
– Lei que dispõe sobre a organização e o funcionamento da Advoca- do Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação
cia-Geral da União (art. 131); sobre:
– Lei que dispõe sobre a organização da Defensoria Pública da União, a) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira
do Distrito Federal e dos Territórios, e prescreve normas gerais para sua e a garantia de seus membros;
organização nos Estados (art. 134, parágrafo único); b) nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
– Lei que estabelece normas gerais a serem adotadas na organiza- c) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
ção, no preparo e no emprego das Forças Armadas (art. 142, § 1o);
Forma e Estrutura
– Lei que dispõe sobre conflitos de competência, em matéria tributá-
Sobre a estrutura e a forma da Lei Delegada são válidas, fundamen-
ria, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, regula
talmente, as considerações expendidas em 11.3. Forma e Estrutura.
limitações ao poder de tributar e estabelece normas gerais, em matéria
tributária (art. 146, I, II, III a, b, c); Exemplo de Lei Delegada:
– Lei que institui empréstimos compulsórios para atender a despesas “LEI DELEGADA Nº 12, DE 7 DE AGOSTO DE 1992.
extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou Dispõe sobre a instituição de Gratificação de Atividade Militar para os
sua iminência, ou para possibilitar investimento público de caráter urgente servidores militares federais das Forças Armadas.
e de relevante interesse nacional (art. 148, I e II); O PRESIDENTE DA REPÚBLICA,
– Lei que institui imposto sobre grandes fortunas (art. 153, VII); Faço saber que, no uso da delegação constante da Resolução no 1,
– Lei que institui outros impostos federais não previstos na Constitui- de 1992 - CN, decreto a seguinte lei:
ção (art. 154, I); Art. 1o Fica instituída a Gratificação de Atividade Militar, devida men-
sal e regularmente aos servidores militares federais das Forças Armadas,

Língua Portuguesa 47
APOSTILAS OPÇÃO
pelo efetivo exercício de atividade militar, ou, em decorrência deste, 2001, em relação às contas a que se refere o caput, será caracterizada no
quando na inatividade. ato de recebimento do valor creditado na conta vinculada, dispensada a
(...) comprovação das condições de saque previstas no art. 20 da Lei no
Art. 5o Esta lei delegada entra em vigor na data de sua publicação, 8.036, de 11 de maio de 1990.
com efeitos financeiros a contar de 1° de julho de 1992, observada a § 2º Caso a adesão não se realize até o final do prazo regulamentar
graduação estabelecida pelo art. 2°. para o seu exercício, o crédito será imediatamente revertido ao FGTS.
Art. 2º O titular de conta vinculada do FGTS, com idade igual ou supe-
rior a setenta anos ou que vier a completar essa idade até a data final para
MEDIDA PROVISÓRIA
firmar o termo de adesão de que trata o art. 6o da Lei Complementar no
Definição 110, de 2001, fará jus ao crédito do complemento de atualização monetá-
Medida Provisória é ato normativo com força de lei que pode ser edi- ria de que trata a referida Lei Complementar, com a redução nela prevista,
tado pelo Presidente da República em caso de relevância e urgência. Tal em parcela única, no mês seguinte ao de publicação desta Medida Provi-
medida deve ser submetida de imediato à deliberação do Congresso sória ou no mês subsequente ao que completar a mencionada idade.
Nacional. Art. 3º Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publica-
As medidas provisórias perdem a eficácia desde a edição se não fo- ção.
rem convertidas em lei no prazo de 60 dias, prorrogável por mais 60.
Neste caso, o Congresso Nacional deverá disciplinar, por decreto legislati-
DECRETO LEGISLATIVO
vo, as relações jurídicas decorrentes da medida provisória. Se tal discipli-
na não for feita no prazo de 60 dias após a rejeição ou perda de eficácia Definição
de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de Decretos Legislativos são atos destinados a regular matérias de com-
atos praticados durante a vigência da medida provisória conservar-se-ão petência exclusiva do Congresso Nacional (Constituição, art. 49) que
por ela regidas. tenham efeitos externos a ele.
Objeto Objeto
As Medidas Provisórias têm por objeto, basicamente, a mesma maté- Objeto do Decreto Legislativo são as matérias enunciadas no art. 49
ria das Leis Ordinárias; contudo, não podem ser objeto de medida provisó- da Constituição, verbis:
ria as seguintes matérias: “Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direi- I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internaci-
to eleitoral; onais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio
b) direito penal, processual penal e processual civil; nacional;
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira II – autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a
e a garantia de seus membros; paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei
adicionais e suplementares, ressalvada a abertura de crédito extraordiná- complementar;
rio, a qual é expressamente reservada à Medida Provisória (Constituição, III – autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se au-
art. 167, § 3º); sentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias;
e) as que visem a detenção ou sequestro de bens, de poupança po- IV – aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o
pular ou qualquer outro ativo financeiro; estado de sítio, ou suspender qualquer dessas medidas;
f) as reservadas a lei complementar; V – sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do
g) já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;
e pendente de sanção ou veto do Presidente da República; VI – mudar temporariamente sua sede;
h) aprovação de Código; e VII – fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senado-
i) regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido res, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4o, 150, II, 153, III, e
alterada por meio de emenda constitucional promulgada no período com- 153, § 2o, I;
preendido entre 1º de janeiro de 1995 até a promulgação da Emenda VIII – fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da Repú-
Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001. blica e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI,
Por fim, o Decreto no 4.176, de 2002, recomenda que não seja objeto 39, § 4o, 150, II, 153, III, e 153, § 2o, I;
de Medida Provisória a matéria “que possa ser aprovada dentro dos IX – julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da Repú-
prazos estabelecidos pelo procedimento legislativo de urgência previsto na blica e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo;
Constituição” (art. 40, V). X – fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas,
Forma e Estrutura os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;
São válidas, fundamentalmente, as considerações expendidas em XI – zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da
10.3. Forma e Estrutura. atribuição normativa dos outros Poderes;
Exemplo de Medida Provisória XII – apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de
“MEDIDA PROVISÓRIA Nº 55, DE 7 DE JULHO DE 2002. emissoras de rádio e televisão;
Autoriza condições especiais para o crédito de valores iguais ou infe- XIII – escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da
riores a R$ 100,00, de que trata a Lei Complementar no 110, de 29 de União;
junho de 2001, e dá outras providências. XIV – aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe con- nucleares;
fere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com XV – autorizar referendo e convocar plebiscito;
força de lei: XVI – autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento
Art. 1º Fica a Caixa Econômica Federal autorizada a creditar em con- de recursos hídricos, e a pesquisa e lavra de riquezas minerais;
tas vinculadas específicas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - XVII – aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras pú-
FGTS, a expensas do próprio Fundo, os valores do complemento de blicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares.”
atualização monetária de que trata o art. 4o da Lei Complementar no 110, Acrescente-se, ainda, como objeto do Decreto Legislativo a disciplina
de 29 de junho de 2001, cuja importância, em 10 de julho de 2001, seja das relações jurídicas decorrentes de medida provisória não convertida
igual ou inferior a R$ 100,00 (cem reais). em lei (Constituição, art. 63, § 3o).
§ 1º A adesão de que trata o art. 4º da Lei Complementar no 110, de
Língua Portuguesa 48
APOSTILAS OPÇÃO
Forma e Estrutura e os elementos de identificação dos destinatários. Na delegação, ao revés,
São válidas, fundamentalmente, as considerações expendidas no item não se identificam, na norma regulamentada, o direito, a obrigação ou a
11.3. Forma e Estrutura. Ressalte-se, no entanto, que no decreto legislati- limitação.
vo a autoria e o fundamento de autoridade antecedem o título. Estes são estabelecidos apenas no regulamento.
Exemplo de Decreto Legislativo: Decretos Autônomos
“Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Ramez Tebet, Com a Emenda Constitucional no 32, de 11 de setembro de 2001, in-
Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, item 28, do Regi- troduziu-se no ordenamento pátrio ato normativo conhecido doutrinaria-
mento Interno, promulgo o seguinte mente como decreto autônomo, i. é., decreto que decorre diretamente da
DECRETO LEGISLATIVO Nº 57, DE 2002 Constituição, possuindo efeitos análogos ao de uma lei ordinária.
Aprova solicitação de o Brasil fazer a declaração facultativa prevista Tal espécie normativa, contudo, limita-se às hipóteses de organização
no artigo 14 da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento
Formas de Discriminação Racial, reconhecendo a competência do Comitê de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos, e de extinção de
Internacional para a Eliminação da funções ou cargos públicos, quando vago (art. 84, VI, da Constituição).
Discriminação Racial para receber e analisar denúncias de violação Forma e Estrutura
dos direitos humanos cobertos na Convenção. Tal como as leis, os decretos compõem-se de dois elementos: a or-
O Congresso Nacional decreta: dem legislativa (preâmbulo e fecho) e a matéria legislada (texto ou corpo
Art. 1º Fica aprovada solicitação de fazer a declaração facultativa pre- da lei).
vista no artigo 14 da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Assinale-se que somente são numerados os decretos que contêm re-
Todas as Formas de Discriminação Racial, reconhecendo a competência gras jurídicas de caráter geral e abstrato.
do Comitê sobre a Eliminação da Discriminação Racial para receber e Os decretos que contenham regras de caráter singular não são nume-
analisar denúncias de violações dos direitos humanos cobertos na Con- rados, mas contêm ementa, exceto os relativos a nomeação ou a designa-
venção. ção para cargo público, os quais não serão numerados nem conterão
Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional ementa.
quaisquer atos que possam resultar em revisão da referida Convenção, Todos os decretos serão referendados pelo Ministro competente.
bem como, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, Exemplo de Decreto:
quaisquer ajustes complementares que acarretem encargos ou compro- “DECRETO Nº 4.298, DE 11 DE JULHO DE 2002.
missos gravosos ao patrimônio nacional.
Dispõe sobre a atuação dos órgãos e entidades da Administração Pú-
Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publica- blica Federal durante o processo de transição governamental.
ção.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe con-
Senado Federal, em 26 de abril de 2002 fere o art. 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição,
Senador RAMEZ TEBET DECRETA:
Presidente do Senado Federal” Art. 1º Transição governamental é o processo que objetiva propiciar
condições para que o candidato eleito para o cargo de Presidente da
DECRETO República possa receber de seu antecessor todos os dados e informações
necessários à implementação do programa do novo governo, desde a data
Definição
de sua posse.
Decretos são atos administrativos da competência exclusiva do Chefe
Parágrafo único. Caberá ao Chefe da Casa Civil da Presidência da
do Executivo, destinados a prover situações gerais ou individuais, abstra-
República a coordenação dos trabalhos vinculados à transição governa-
tamente previstas, de modo expresso ou implícito, na lei. Esta é a defini-
mental.
ção clássica, a qual, no entanto, é inaplicável aos decretos autônomos,
tratados adiante. Art. 2º O processo de transição governamental tem início seis meses
antes da data da posse do novo Presidente da República e com ela se
Decretos Singulares
encerra.
Os decretos podem conter regras singulares ou concretas (v. g., de-
Art. 3º O candidato eleito para o cargo de Presidente da República
cretos de nomeação, de aposentadoria, de abertura de crédito, de desa-
poderá indicar equipe de transição, a qual terá acesso às informações
propriação, de cessão de uso de imóvel, de indulto de perda de nacionali-
relativas às contas públicas, aos programas e aos projetos do Governo
dade, etc.).
Federal.
Decretos Regulamentares
Parágrafo único. A indicação a que se refere este artigo será feita por
Os decretos regulamentares são atos normativos subordinados ou meio de ofício ao Presidente da República.
secundários.
Art. 4º Os pedidos de acesso às informações de que trata o art. 3o,
A diferença entre a lei e o regulamento, no Direito brasileiro, não se qualquer que seja a sua natureza, deverão ser formulados por escrito e
limita à origem ou à supremacia daquela sobre este. A distinção substan- encaminhados ao Secretário-Executivo da Casa Civil da Presidência da
cial reside no fato de que a lei inova originariamente o ordenamento República, a quem competirá requisitar dos órgãos e entidades da Admi-
jurídico, enquanto o regulamento não o altera, mas fixa, tão-somente, as nistração Pública Federal os dados solicitados pela equipe de transição,
“regras orgânicas e processuais destinadas a pôr em execução os princí- observadas as condições estabelecidas no Decreto no 4.199, de 16 de
pios institucionais estabelecidos por lei, ou para desenvolver os preceitos abril de 2002.
constantes da lei, expressos ou implícitos, dentro da órbita por ela cir-
Art. 5º Os Secretários-Executivos dos Ministérios deverão encaminhar
cunscrita, isto é, as diretrizes, em pormenor, por ela determinadas”.
ao Secretário-Executivo da Casa Civil da Presidência da República as
Não se pode negar que, como observa Celso Antônio Bandeira de informações de que trata o art. 4o, as quais serão consolidadas pela
Mello, a generalidade e o caráter abstrato da lei permitem particulariza- coordenação do processo de transição.
ções gradativas quando não têm como fim a especificidade de situações
Art. 6º Sem prejuízo do disposto nos arts. 1o a 5o, o Secretário-
insuscetíveis de redução a um padrão qualquer. Disso resulta, não raras
Executivo da Casa Civil solicitará aos Secretários-Executivos dos Ministé-
vezes, margem de discrição administrativa a ser exercida na aplicação da
rios informações circunstanciadas sobre:
lei.
I - programas realizados e em execução relativos ao período do man-
Não se há de confundir, porém, a discricionariedade administrativa,
dato do Presidente da República;
atinente ao exercício do poder regulamentar, com delegação disfarçada de
poder. Na discricionariedade, a lei estabelece previamente o direito ou II - assuntos que demandarão ação ou decisão da administração nos
dever, a obrigação ou a restrição, fixando os requisitos de seu surgimento cem primeiros dias do novo governo;

Língua Portuguesa 49
APOSTILAS OPÇÃO
III - projetos que aguardam implementação ou que tenham sido inter- c) data, por extenso:
rompidos; e Brasília, em 12 de novembro de 1990;
IV - glossário de projetos, termos técnicos e siglas utilizadas pela Ad- d) identificação do signatário, abaixo da assinatura:
ministração Pública Federal. NOME (em maiúsculas)
Art. 7º O Chefe da Casa Civil expedirá normas complementares para Secretário da Administração Federal
execução do disposto no art. 5º.
No original do ato normativo, próximo à apostila, deverá ser mencio-
Art. 8º As reuniões de servidores com integrantes da equipe de transi- nada a data de publicação da apostila no Boletim de Serviço ou no Boletim
ção devem ser objeto de agendamento e registro sumário em atas que Interno.
indiquem os participantes, os assuntos tratados, as informações solicita-
das e o cronograma de atendimento das demandas apresentadas. Exemplo de Apostila:
Art. 9º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. “APOSTILA
Brasília, 11 de julho de 2002; 181º da Independência e 114º da Repú- O cargo a que se refere o presente ato foi transformado em Assessor
blica. da Diretoria-Geral de Administração, código DAS-102.2, de acordo com o
Decreto no 99.411, de 25 de julho de 1990.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Brasília, 12 de novembro de 1990.
Silvano Gianni”

NOME
PORTARIA Subchefe da Secretaria-Geral da Presidência da República”
Definição e Objeto
É o instrumento pelo qual Ministros ou outras autoridades expedem
instruções sobre a organização e funcionamento de serviço e praticam
outros atos de sua competência.
Forma e Estrutura A produção de textos (logicidade,
Tal como os atos legislativos, a portaria contém preâmbulo e corpo. correção, clareza, objetividade).
São válidas, pois, as considerações expendidas no item 11.3. Forma e
Estrutura.
Exemplo de Portaria:
A linguagem escrita tem identidade própria e não pretende ser mera
“PORTARIA Nº 5, DE 7 DE FEVEREIRO DE 2002.
reprodução da linguagem oral. Ao redigir, o indivíduo conta unicamente
Aprova o Regimento Interno do Conselho com o significado e a sonoridade das palavras para transmitir conteúdos
Nacional de Arquivos - CONARQ. complexos, estimular a imaginação do leitor, promover associação de
O CHEFE DA CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, no ideias e ativar registros lógicos, sensoriais e emocionais da memória.
uso da atribuição que lhe confere o art. 9º do Decreto nº 4.073, de 3 de
janeiro de 2002, Redação é o ato de exprimir ideias, por escrito, de forma clara e orga-
R E S O L V E: nizada. O ponto de partida para redigir bem é o conhecimento da gramáti-
Art. 1º Fica aprovado, na forma do Anexo, o Regimento Interno do ca do idioma e do tema sobre o qual se escreve. Um bom roteiro de
Conselho Nacional de Arquivos - CONARQ. redação deve contemplar os seguintes passos: escolha da forma que se
Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. pretende dar à composição, organização das ideias sobre o tema, escolha
do vocabulário adequado e concatenação das ideias segundo as regras
PEDRO PARENTE”
linguísticas e gramaticais.

APOSTILA Para adquirir um estilo próprio e eficaz é conveniente ler e estudar os


Definição e Finalidade grandes mestres do idioma, clássicos e contemporâneos; redigir frequen-
Apostila é a averbação, feita abaixo dos textos ou no verso de decre- temente, para familiarizar-se com o processo e adquirir facilidade de
tos e portarias pessoais (nomeação, promoção, ascensão, transferência, expressão; e ser escrupuloso na correção da composição, retificando o
readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração, recondução, remo- que não saiu bem na primeira tentativa. É importante também realizar um
ção, exoneração, demissão, dispensa, disponibilidade e aposentadoria), exame atento da realidade a ser retratada e dos eventos a que o texto se
para que seja corrigida flagrante inexatidão material do texto original (erro refere, sejam eles concretos, emocionais ou filosóficos. O romancista, o
na grafia de nomes próprios, lapso na especificação de datas, etc.), desde cientista, o burocrata, o legislador, o educador, o jornalista, o biógrafo,
que essa correção não venha a alterar a substância do ato já publicado. todos pretendem comunicar por escrito, a um público real, um conteúdo
Tratando-se de erro material em decreto pessoal, a apostila deve ser que quase sempre demanda pesquisa, leitura e observação minuciosa de
feita pelo Ministro de Estado que o propôs. fatos empíricos. A capacidade de observar os dados e apresentá-los de
maneira própria e individual determina o grau de criatividade do escritor.
Se o lapso houver ocorrido em portaria pessoal, a correção por aposti-
lamento estará a cargo do Ministro ou Secretário signatário da portaria.
Nos dois casos, a apostila deve sempre ser publicada no Boletim de Para que haja eficácia na transmissão da mensagem, é preciso ter em
Serviço ou Boletim Interno correspondente e, quando se tratar de ato mente o perfil do leitor a quem o texto se dirige, quanto a faixa etária, nível
referente a Ministro de Estado, também no Diário Oficial da União. cultural e escolar e interesse específico pelo assunto. Assim, um mesmo
A finalidade da correção de inexatidões materiais por meio de apostila tema deverá ser apresentado diferentemente ao público infantil, juvenil ou
é evitar que se sobrecarregue o Presidente da República com a assinatura adulto; com formação universitária ou de nível técnico; leigo ou especiali-
de atos repetidos, e que se onere a Imprensa Nacional com a republica- zado. As diferenças hão de determinar o vocabulário empregado, a exten-
ção de atos. são do texto, o nível de complexidade das informações, o enfoque e a
condução do tema principal a assuntos correlatos.
Forma e Estrutura
A apostila tem a seguinte estrutura:
Organização das ideias. O texto artístico é em geral construído a par-
a) título, em maiúsculas e centralizado sobre o texto: tir de regras e técnicas particulares, definidas de acordo com o gosto e a
APOSTILA; habilidade do autor. Já o texto objetivo, que pretende antes de mais nada
b) texto, do qual deve constar a correção que está sendo feita, a ser transmitir informação, deve fazê-lo o mais claramente possível, evitando
iniciada com a remissão ao decreto que autoriza esse procedimento; palavras e construções de sentido ambíguo.

Língua Portuguesa 50
APOSTILAS OPÇÃO
Para escrever bem, é preciso ter ideias e saber concatená-las. Entre- fala do personagem; (2) discurso indireto, no qual o narrador conta o que o
vistas com especialistas ou a leitura de textos a respeito do tema aborda- personagem disse, lançando mão dos verbos chamados dicendi ou de
do são bons recursos para obter informações e formar juízos a respeito do elocução, que indicam quem está com a palavra, como por exemplo
assunto sobre o qual se pretende escrever. A observação dos fatos, a "disse", "perguntou", "afirmou" etc.; e (3) discurso indireto livre, em que se
experiência e a reflexão sobre seu conteúdo podem produzir conhecimen- misturam os dois tipos anteriores.
to suficiente para a formação de ideias e valores a respeito do mundo
circundante. O conjunto dos acontecimentos em que os personagens se envolvem
chama-se enredo. Pode ser linear, segundo a sucessão cronológica dos
É importante evitar, no entanto, que a massa de informações se dis- fatos, ou não-linear, quando há cortes na sequência dos acontecimentos.
perse, o que esvaziaria de conteúdo a redação. Para solucionar esse É comumente dividido em exposição, complicação, clímax e desfecho.
problema, pode-se fazer um roteiro de itens com o que se pretende escre-
ver sobre o tema, tomando nota livremente das ideias que ele suscita. O Dissertação. A exposição de ideias a respeito de um tema, com base
passo seguinte consiste em organizar essas ideias e encadeá-las segundo em raciocínios e argumentações, é chamada dissertação. Nela, o objetivo
a relação que se estabelece entre elas. do autor é discutir um tema e defender sua posição a respeito dele. Por
essa razão, a coerência entre as ideias e a clareza na forma de expressão
Vocabulário e estilo. Embora quase todas as palavras tenham sinôni- são elementos fundamentais.
mos, dois termos quase nunca têm exatamente o mesmo significado. Há
sutilezas que recomendam o emprego de uma ou outra palavra, de acordo A organização lógica da dissertação determina sua divisão em intro-
com o que se pretende comunicar. Quanto maior o vocabulário que o dução, parte em que se apresenta o tema a ser discutido; desenvolvimen-
indivíduo domina para redigir um texto, mais fácil será a tarefa de comuni- to, em que se expõem os argumentos e ideias sobre o assunto, fundamen-
car a vasta gama de sentimentos e percepções que determinado tema ou tando-se com fatos, exemplos, testemunhos e provas o que se quer
objeto lhe sugere. demonstrar; e conclusão, na qual se faz o desfecho da redação, com a
finalidade de reforçar a ideia inicial. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil
Como regras gerais, consagradas pelo uso, deve-se evitar arcaísmos Publicações Ltda.
e neologismos e dar preferência ao vocabulário corrente, além de evitar
cacofonias (junção de vocábulos que produz sentido estranho à ideia ELEMENTOS DA NARRATIVA
original, como em "boca dela") e rimas involuntárias (como na frase, "a
audição e a compreensão são fatores indissociáveis na educação infan- Introdução
til"). O uso repetitivo de palavras e expressões empobrece a escrita e, A narração é um relato centrado num fato ou acontecimento; há per-
para evitá-lo, devem ser escolhidos termos equivalentes. sonagens a atuar e um narrador que relata a ação. O tempo e o ambien-
te (ou cenário) são outros elementos importantes na estrutura da narra-
ção.
A obediência ao padrão culto da língua, regido por normas gramati-
cais, linguísticas e de grafia, garante a eficácia da comunicação. Uma
frase gramaticalmente incorreta, sintaticamente mal estruturada e grafada O Enredo
com erros é, antes de tudo, uma mensagem ininteligível, que não atinge o O enredo, ou trama, ou intriga, é, podemos dizer, o esqueleto da nar-
objetivo de transmitir as opiniões e ideias de seu autor. rativa, aquilo que dá sustentação à história, ou seja, é o desenrolar dos
acontecimentos. Geralmente, o enredo está centrado num conflito, res-
Tipos de redação. Todas as formas de expressão escrita podem ser ponsável pelo nível de tensão da narrativa; podemos ter um conflito entre
classificadas em formas literárias -- como as descrições e narrações, e o homem e o meio natural (como ocorre em alguns romances modernis-
nelas o poema, a fábula, o conto e o romance, entre outros -- e não- tas), entre o homem e o meio social, até chegarmos a narrativas que
literárias, como as dissertações e redações técnicas. colocam o homem contra si próprio (como ocorre em romances introspec-
tivos).

Descrição. Descrever é representar um objeto (cena, animal, pessoa,


lugar, coisa etc.) por meio de palavras. Para ser eficaz, a apresentação Em O Ateneu o enredo desenvolve-se a partir da entrada do menino
das características do objeto descrito deve explorar os cinco sentidos Sérgio, aos onze anos de idade, no colégio interno. Colocado diante de
humanos -- visão, audição, tato, olfato e paladar --, já que é por intermédio um mundo diferente, sem estar preparado para isso, o menino vivência
deles que o ser humano toma contato com o ambiente. uma série de experiências e acontecimentos que culminam com o incên-
dio e a consequente destruição do colégio.

A descrição resulta, portanto, da capacidade que o indivíduo tem de


perceber o mundo que o cerca. Quanto maior for sua sensibilidade, mais O Ambiente
rica será a descrição. Por meio da percepção sensorial, o autor registra O ambiente é o espaço por onde circulam personagens e se desenro-
suas impressões sobre os objetos, quanto ao aroma, cor, sabor, textura ou la o enredo. Em alguns casos, é de importância tão fundamental que se
sonoridade, e as transmite para o leitor. transforma em personagem, como no caso do colégio interno em O Ate-
neu, de Raul Pompéia, e da habitação coletiva em O cortiço, de Aluísio
Azevedo.
Narração. O relato de um fato, real ou imaginário, é denominado nar-
ração. Pode seguir o tempo cronológico, de acordo com a ordem de
sucessão dos acontecimentos, ou o tempo psicológico, em que se privile- O Tempo
giam alguns eventos para atrair a atenção do leitor. A escolha do narrador, Observe, no fragmento de O Ateneu, como o tempo é um elemento
ou ponto de vista, pode recair sobre o protagonista da história, um obser- importante: "Eu tinha onze anos", afirma o personagem-narrador (perceba
vador neutro, alguém que participou do acontecimento de forma secundá- a expressividade do pronome pessoal e do verbo no pretérito). Fica carac-
ria ou ainda um espectador onisciente, que supostamente esteve presente terizada, assim, uma narrativa de caráter memorialista, ou seja, o tempo
em todos os lugares, conhece todos os personagens, suas ideias e senti- da ação é anterior ao tempo da narração. O personagem-narrador na sua
mentos. vida adulta narra fatos acontecidos durante a sua pré-adolescência.

A apresentação dos personagens pode ser feita pelo narrador, quan- As Personagens
do é chamada de direta, ou pelas próprias ações e comportamentos deste, Os seres que atuam, isto é, que vivem o enredo, são as personagens.
quando é dita indireta. As falas também podem ser apresentadas de três Em geral a personagem bem construída representa uma individualidade,
formas: (1) discurso direto, em que o narrador transcreve de forma exata a
Língua Portuguesa 51
APOSTILAS OPÇÃO
apresentando, inclusive, traços psicológicos distintos. Há personagens Inserindo-se numa abordagem mais geral sobre os mecanismos de
que não representam individualidades, mas sim tipos humanos, identifica- elaboração textual, com base nos conceitos de coesão e coerência, o
dos antes pela profissão, pelo comportamento, pela classe social, enfim, trabalho pedagógico de leitura e produção do texto de base descritiva
por algum traço distintivo comum a todos os indivíduos dessa categoria. E deve partir dos seguintes pontos:
há também personagens cujos traços de personalidade ou padrões de a) O texto de base descritiva tem como objetivo oferecer ao leitor
comportamento são extremamente acentuados (às vezes tocando o /ouvinte a oportunidade de visualizar o cenário onde uma ação se
ridículo); nesses casos, muito comuns em novelas de televisão, por exem- desenvolve e as personagens que dela participam;
plo, temos personagens caricaturais. b) A descrição está presente no nosso dia-a-dia, tanto na ficção (nos
romances, nas novelas, nos contos, nos poemas) como em ou-
A personagem Sérgio, do romance O Ateneu, constitui-se numa indi- tros tipos de textos (nas obras técnico-científicas, nas enciclopé-
vidualidade, ou seja, numa figura humana complexa que vive conflitos com dias, nas propagandas, nos textos de jornais e revistas);
o mundo exterior e consigo mesmo. Já o diretor do colégio, o Dr. Aristar- c) A descrição pode ter uma finalidade subsidiária na construção de
co, embora não seja uma caricatura, apresenta alguns traços de persona- outros tipos de texto, funcionando como um plano de fundo, o que
gem caricatura. explica e situa a ação (na narração) ou que comenta e justifica a
argumentação;
O Nome das Personagens d) Existem características linguísticas próprias do texto de base
É interessante observar como os bons escritores se preocupam com a descritiva, que o diferenciam de outros tipos de textos;
relação personagem/nome próprio. Veja Graciliano Ramos, em Vida e) Os advérbios de lugar são elementos essenciais para a coesão
secas: Vitória é o nome de uma nordestina que alimenta pequenos e a coerência do texto de base descritiva, permitindo a localiza-
sonhos, nunca concretizados; Baleia é o nome de uma cachorra que ção espacial dos cenários e personagens descritos;
morre em consequência da seca, em pleno sertão nordestino. f) O texto descritivo detém-se sobre objetos e seres considerados
na sua simultaneidade, e os tempos verbais mais frequentes são
Machado de Assis é outro exemplo brilhante; em Dom Casmurro, o o presente do indicativo no comentário e o pretérito imperfeito
personagem-narrador chama-se Bento e tem sua vida em grande parte do indicativo no relato.
determinada pela carolice da mãe, que queria torná-lo padre.
O que é um texto descritivo
Lima Barreto também trabalha muito bem o nome dos seus persona- Segundo Othon M. Garcia (1973), "Descrição é a representação ver-
gens: Clara do Anjos é uma rapariga negra que é engravidada e abando- bal de um objeto sensível (ser, coisa, paisagem), através da indicação dos
nada por um rapaz branco; Isaías Caminha é um escrivão (lembra-se do seus aspectos mais característicos, dos pormenores que o individualizam,
Pero Vaz ?); Quaresma é um ingênuo nacionalista que morre às mãos de que o distinguem."
um ditador.
Descrever não é enumerar o maior número possível de detalhes, mas
No romance O Ateneu, o diretor autocrático e majestático, responsá- assinalar os traços mais singulares, mais salientes; é fazer ressaltar do
vel por um ensino conservador e ultrapassado, é significativamente bati- conjunto uma impressão dominante e singular. Dependendo da intenção
zado de Aristarco (de áristos, "ótimo" + arqué, "governo", ou seja, o bom do autor, varia o grau de exatidão e minúcia na descrição.
governo, com toda ironia possível). Conclusão: ao ler bons autores ou
mesmo ao criar personagens, preste atenção aos nomes. Diferentemente da narração, que faz uma história progredir, a des-
crição faz interrupções na história, para apresentar melhor um persona-
gem, um lugar, um objeto, enfim, o que o autor julgar necessário para dar
Em Quincas Borba temos um narrador omnisciente. Veja como o mais consistência ao texto. Pode também ter a finalidade de ambientar a
narrador "lê" os sentimentos, os desejos e mesmo o jogo de cena da história, mostrando primeiro o cenário, como acontece no texto abaixo:
personagem; sabemos, por exemplo, que Rubião mirava disfarçadamen-
te a bandeja, que amava de coração os metais nobres. O narrador co- "Ao lado do meu prédio construíram um enorme edifício de aparta-
nhece as prováveis opções de Rubião: a preferência pela bandeja de mentos. Onde antes eram cinco românticas casinhas geminadas, hoje
prata aos bustos de bronze. instalaram-se mais de 20 andares. Da minha sala vejo a varandas (estilo
mediterrâneo) do novo monstro. Devem distar uns 30 metros, não mais.
Narração na 3ª Pessoa e narrador omnisciente e omnipresente
E foi numa dessas varandas que o fato se deu."
O narrador omnisciente ou omnipresente é uma espécie de testemu-
nha invisível de tudo o que acontece, em todos os lugares e em todos os (Mário Prata. 100 Crônicas. São Paulo, Cartaz Editorial, 1997)
momentos; ele não só se preocupa em dizer o que as personagens fazem A descrição tem sido normalmente considerada como uma expansão
ou falam, mas também traduz o que pensam e sentem. Portanto, ele tenta da narrativa. Sob esse ponto de vista, uma descrição resulta frequente-
passar para o leitor as emoções, os pensamentos e os sentimentos das mente da combinação de um ou vários personagens com um cenário, um
personagens. meio, uma paisagem, uma coleção de objetos. Esse cenário desencadeia
Nas narrações em terceira pessoa, o narrador está fora dos aconte- o aparecimento de uma série de subtemas, de unidades constitutivas que
cimentos; podemos dizer que ele paira acima de tudo e de todos. Esta estão em relação metonímica de inclusão: a descrição de um jardim (tema
situação permite ao narrador saber de tudo, do passado e do futuro, das principal introdutor) pode desencadear a enumeração das diversas flores,
emoções e pensamentos dos personagens. Daí dizer-se omnisciente. canteiros, árvores, utensílios, etc., que constituem esse jardim. Cada
subtema pode igualmente dar lugar a um maior detalhe (os diferentes
Texto Descritivo tipos de flor, as suas cores, a sua beleza, o seu perfume...).
Vamos abordar o texto descritivo, sob o ponto de vista da sua produ-
Em trabalho recente, Hamon (1981) mostra que o descritivo tem ca-
ção e funcionamento discursivo, com base na ideia de que um texto se
racterísticas próprias e não apenas a função de auxiliar a narrativa, che-
define pela sua finalidade situacional - todo o ato de linguagem tem uma
gando a apontar aspectos linguísticos da descrição: frequência de ima-
intencionalidade e submete-se a condições particulares de produção, o
gens, de analogias, adjetivos, formas adjetivas do verbo, termos
que exige do falante da língua determinadas estratégias de construção
técnicos... Além disso, o autor ressalta a função utilitária desempenhada
textual. Em cada texto, portanto, podem combinar-se diferentes recursos
pela descrição face a qualquer tipo de texto do qual faz parte: "descrever
(narrativos, descritivos, dissertativos), em função do tipo de interação que
para completar, descrever para ensinar, descrever para significar, descre-
se estabelece entre os interlocutores. Nesse contexto teórico, o texto
ver para arquivar, descrever para classificar, descrever para prestar con-
descritivo identifica-se por ter a descrição como estratégia predominante.
tas, descrever para explicar."

Língua Portuguesa 52
APOSTILAS OPÇÃO
No texto dissertativo, por exemplo, a descrição funciona como uma em Euclides da Cunha, Eça de Queiroz, Flaubert, Zola), enquanto em
maneira de comentar ou detalhar os argumentos contra ou a favor de textos não-Literários (técnicos e científicos), a descrição subjetiva reflete o
determinada tese defendida pelo autor. Assim, para analisar o problema estado de espírito do observador, as suas preferências. Isto faz com que
da evasão escolar, podemos utilizar como estratégia argumentativa a veja apenas o que quer ou pensa ver e não o que está para ser visto. O
descrição detalhada de salas vazias, corredores vazios, estudantes des- resultado dessa descrição é uma imagem vaga, diluída, nebulosa, como
motivados, repetência. os quadros impressionistas do fim do século passado. É uma descrição
em que predomina a conotação.
Numa descrição, quer literária, quer técnica, o ponto de vista do au- "Ao descrever um determinado ser, tendemos sempre a acentuar al-
tor interfere na produção do texto. O ponto de vista consiste não apenas guns aspectos, de acordo com a reação que esse ser provoca em nós. Ao
na posição física do observador, mas também na sua atitude, na sua enfatizar tais aspectos, corremos o risco de acentuar qualidades negativas
predisposição afetiva em face do objeto a ser descrito. Desta forma, existe ou positivas. Mesmo usando a linguagem científica, que é imparcial, a
o ponto de vista físico e o ponto de vista mental. tarefa de descrever objetivamente é bastante difícil.
a) Ponto de vista físico Apesar dessa dificuldade, podemos atingir um grau satisfatório de im-
b) É a perspectiva que o observador tem do objeto; pode determinar parcialidade se nos tornarmos conscientes dos sentimentos favoráveis ou
a ordem na enumeração dos pormenores significativos. Enquanto desfavoráveis que as coisas podem provocar em nós. A consciência disso
uma fotografia ou uma tela apresentam o objeto de uma só vez, a habilitar-nos-á a confrontar e equilibrar os julgamentos favoráveis ou
descrição apresenta-o progressivamente, detalhe por detalhe, le- desfavoráveis.
vando o leitor a combinar impressões isoladas para formar uma Um bom exercício consiste em fazer dois levantamentos sobre a coisa
imagem unificada. Por esse motivo, os detalhes não são todos que queremos descrever: o primeiro, contendo características tendentes a
apresentados num único período, mas pouco a pouco, para que o enfatizar aspectos positivos; o segundo, a enfatizar aspectos negativos.
leitor, associando-os, interligando-os, possa compor a imagem
que faz do objeto da descrição.
Observamos e percebemos com todos os sentidos, não apenas Características linguísticas da descrição
com os olhos. Por isso, informações a respeito de ruídos, cheiros, O enunciado narrativo, por ter a representação de um acontecimento,
sensações tácteis são importantes num texto descritivo, depen- fazer-transformador, é marcado pela temporalidade, na relação situação
dendo da intenção comunicativa. inicial e situação final, enquanto que o enunciado descritivo, não tendo
c) Outro fator importante diz respeito à ordem de apresentação dos transformação, é atemporal.
detalhes.
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-semânticas
Texto - Trecho de conversa informal (entrevista) encontradas no texto que vão facilitar a compreensão:
"Vamos ver. Bom, a sala tem forma de ele, apesar de não ser grande,
né, dá dois ambientes perfeitamente separados. O primeiro ambiente da Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores de pro-
sala de estar tem um sofá forrado de couro, uma forração verde, as almo- priedades, atitudes, qualidades, usados principalmente no presente e no
fadas verdes, ladeado com duas mesinhas de mármore, abajur, um qua- imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se, existir, ficar).
dro, reprodução de Van Gogh. Em frente tem uma mesinha de mármore e
em frente a esta mesa e portanto defronte do sofá tem um estrado com
Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é descrito;
almofadas areia, o aparelho de som, um baú preto. À esquerda desse
estrado há uma televisão enorme, horrorosa, depois há em frente à televi- Exemplo:
são duas poltroninhas vermelhas de jacarandá e aí termina o primeiro "Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num
ambiente. Depois então no outro, no alongamento da sala há uma mesa colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva,
grande com seis cadeiras com um abajur em cima, um abajur vermelho. A vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma
sala é toda pintadinha de branco ..." orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto lustroso
dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não tingia o bigode; tinha-o
grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as
Comentário sobre o texto
lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito
Neste trecho da entrevista, a informante descreve a sala, nomeando despegadas do crânio. "(Eça de Queiroz - O Primo Basílio)
as peças que compõem os dois ambientes, reproduzidos numa sequência
Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesi-
bem organizada. A localização da mobília é fornecida por meio de diver-
as).
sas expressões de lugar, como em frente, defronte, à esquerda, em cima,
que ajudam a imaginar com clareza a distribuição espacial. Há uma preo- Exemplos:
cupação da informante em fazer o nosso olhar percorrer a sala, dando os "Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo,
detalhes por meio das cores (verde, areia, preto, vermelhas), do tamanho ( mas rolho e bojudo como um vaso chinês. Apesar de seu corpo rechon-
televisão enorme, poltroninhas, mesinhas, sala pintadinha). É também chudo, tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe dava petulância
interessante observar que essa informante deixa transparecer as suas de rapaz e casava perfeitamente com os olhinhos de azougue." (José de
impressões pessoais, como por exemplo ao usar o adjetivo horrorosa, Alencar - Senhora)
para falar da televisão e pintadinha, no diminutivo, referindo-se com cari- Uso de advérbios de localização espacial.
nho à sua sala de estar e de jantar.
Exemplo:
"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa
b) ponto de vista mental ou psicológico era assim: na frente, uma grade de ferro; depois você entrava tinha um
A descrição pode ser apresentada de modo a manifestar uma impres- jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco degraus;
são pessoal, uma interpretação do objeto. A simpatia ou antipatia do aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde
observador pode resultar em imagens bastante diferenciadas do mesmo saíam três portas; no final do corredor tinha a cozinha, depois tinha uma
objeto. Deste ponto de vista, dois tipos de descrição podem ocorrer: a escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha um galpão, que era o
objetiva e a subjetiva. lugar da bagunça ..." (Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ)
A descrição objetiva, também chamada realista, é a descrição exata,
dimensional. Os detalhes não se diluem, pelo contrário, destacam-se "A ordem dos detalhes é, pois, muito importante. Não se faz a descri-
nítidos em forma, cor, peso, tamanho, cheiro, etc. Este tipo de descrição ção de uma casa de maneira desordenada; ponha-se o autor na posição
pode ser encontrado em textos literários de intenção realista (por exemplo, de quem dela se aproxima pela primeira vez; comece de fora para dentro

Língua Portuguesa 53
APOSTILAS OPÇÃO
à medida que vai caminhando na sua direção e percebendo pouco a Internacional das Mulheres Inúteis", ajudar o marido nos negócios, fazer
pouco os seus traços mais característicos com um simples correr d'olhos: ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos
primeiro, a visão do conjunto, depois a fachada, a cor das paredes, as jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda
janelas e portas, anotando alguma singularidade expressiva, algo que dê gente, toda gente gostar dela, colecionar colheres do século XVII, jogar
ao leitor uma ideia do seu estilo, da época da construção. Mas não se golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar
esqueça de que percebemos ou observamos com todos os sentidos, e de pintura abstrata, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar
não apenas com os olhos. Haverá sons, ruídos, cheiros, sensações de sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e
calor, vultos que passam, mil acidentes, enfim, que evitarão que se torne a ser muito séria.
descrição uma fotografia pálida daquela riqueza de impressões que os Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mônica.
sentidos atentos podem colher. Continue o observador: entre na casa, Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre do ioga ou da pintura
examine a primeira peça, a posição dos móveis, a claridade ou obscurida- abstrata.
de do ambiente, destaque o que lhe chame de pronto a atenção (um
móvel antigo, uma goteira, um vão de parede, uma massa no reboco, um Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma dis-
cão sonolento...). Continue assim gradativamente. Seria absurdo começar ciplina rigorosa e contente. Pode-se dizer que Mônica trabalha de sol a
pela fachada, passar à cozinha, voltar à sala de visitas, sair para o quintal, sol.
regressar a um dos quartos, olhar depois para o telhado, ou notar que as De fato, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que
paredes de fora estão descaiadas. Quase sempre a direção em que se possui, Mônica teve de renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à
caminha, ou se poderia normalmente caminhar rumo ao objeto serve de santidade.
roteiro, impõe uma ordem natural para a indicação dos seus pormenores." Texto - Calisto Elói
Fica evidente que esse "passeio" pelo cenário, feito como se tivésse-
mos nas mãos uma câmara cinematográfica, registrando os detalhes e Calisto Elói, naquele tempo, orçava por quarenta e quatro anos. Não
compondo com eles um todo, deve obedecer a um roteiro coerente, evi- era desajeitado de sua pessoa. Tinha poucas carnes e compleição, como
tando idas e vindas desconexas, que certamente perturbam a organização dizem, afidalgada. A sensível e dissimétrica saliência do abdômen devia-
espacial e prejudicam a coerência do texto descritivo. se ao uso destemperado da carne de porcos e outros alimentos intumes-
centes. Pés e mãos justificavam a raça que as gerações vieram adelga-
Textos descritivos çando de carnes. Tinha o nariz algum tanto estragado das invasões do
Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser não-literária ou rapé e torceduras do lenço de algodão vermelho. A dilatação das ventas e
literária. Na descrição não-literária, há maior preocupação com a exatidão o escarlate das cartilagens não eram assim mesmo coisa de repulsão.
dos detalhes e a precisão vocabular. Por ser objetiva, há predominância (Camilo Castelo Branco, A queda dum anjo)
da denotação.
Comentário sobre a descrição de pessoas
Textos descritivos não-literários A descrição de pessoas pode ser feita a partir das características físi-
A descrição técnica é um tipo de descrição objetiva: ela recria o objeto cas, com predomínio da objetividade, ou das características psicológicas,
usando uma linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é usado para com predomínio da subjetividade. Muitas vezes, o autor, propositadamen-
descrever aparelhos, o seu funcionamento, as peças que os compõem, te, faz uma caricatura do personagem, acentuando os seus traços físicos
para descrever experiências, processos, etc. ou comportamentais.
Exemplo:
a) Folheto de propaganda de carro Os personagens podem ser apresentados diretamente, isto é, num
• Conforto interno - É impossível falar de conforto sem incluir o es- determinado momento da história, e neste caso a narrativa é momentane-
paço interno. Os seus interiores são amplos, acomodando tran- amente interrompida. Podem, por outro lado, ser apresentados indireta-
quilamente passageiros e bagagens. O Passat e o Passat Variant mente, por meio de dados, como comportamentos, traços físicos, opini-
possuem direção hidráulica e ar condicionado de elevada capaci- ões, que vão sendo indicados passo a passo, ao longo da narrativa.
dade, proporcionando a climatização perfeita do ambiente.
• Porta-malas - O compartimento de bagagens possui capacidade Texto - Trecho de "A Relíquia" (Eça de Queiroz)
de 465 litros, que pode ser ampliada para até 1500 litros, com o
encosto do banco traseiro rebaixado. "Estávamos sobre a pedra do Calvário.
• Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em plástico Em torno, a capela que a abriga, resplandecia com um luxo sensual e
reciclável e posicionado entre as rodas traseiras, para evitar a de- pagão. No teto azul-ferrete brilhavam sóis de prata, signos do Zodíaco,
formação em caso de colisão. estrelas, asas de anjos, flores de púrpura; e, dentre este fausto sideral,
pendiam de correntes de pérolas os velhos símbolos da fecundidade, os
ovos de avestruz, ovos sacros de Astarté e Baco de ouro. [...] Globos
Textos descritivos literários espelhados, pousando sobre peanhas de ébano, refletiam as jóias dos
Na descrição literária predomina o aspecto subjetivo, com ênfase no retábulos, a refulgência das paredes revestidas de jaspe, de nácar e de
conjunto de associações conotativas que podem ser exploradas a partir de ágata. E no chão, no meio deste clarão, precioso de pedraria e luz, emer-
descrições de pessoas; cenários, paisagens, espaço; ambientes; situa- gindo dentre as lajes de mármore branco, destacava um bocado de rocha
ções e coisas. Vale lembrar que textos descritivos também podem ocorrer bruta e brava, com uma fenda alargada e polida por longos séculos de
tanto em prosa como em verso. beijos e afagos beatos."

Descrição de pessoas Considerações Finais


A descrição de personagem pode ser feita na primeira ou terceira Um enunciado descritivo, portanto, é um enunciado de ser. A descri-
pessoa. No primeiro caso, fica claro que o personagem faz parte da histó- ção não é um objeto literário por princípio, embora esteja sempre presente
ria; no segundo, a descrição é feita pelo narrador, que, ele próprio, pode nos textos de ficção, ela encontra-se nos dicionários, na publicidade, nos
fazer ou não parte da história. textos científicos.
Há autores que apresentam a definição como um tipo de texto descri-
Texto - Retrato de Mônica tivo. Para Othon M.Garcia (1973), "a definição é uma fórmula verbal
através da qual se exprime a essência de uma coisa (ser, objeto, ideia)",
Mônica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultanea-
enquanto "a descrição consiste na enumeração de caracteres próprios dos
mente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da "Liga
seres (animados e inanimados), coisas, cenários, ambientes e costumes
Língua Portuguesa 54
APOSTILAS OPÇÃO
sociais; de ruídos, odores, sabores e impressões tácteis." Enquanto a caráter totalmente diferenciado, na medida em que não fala de pessoas ou
definição generaliza, a descrição individualiza, isto porque, quando defini- fatos específicos, mas analisa certos assuntos que são abordados de
mos, estamos a tratar de classes, de espécies e, quando descrevemos, modo impessoal.
estamos a detalhar indivíduos de uma espécie.
A NARRAÇÃO
Definições de futebol Tipos de narrador
Texto extraído de uma publicidade - encontramos aqui uma interes- Narrar é contar um ou mais fatos que ocorreram com determinadas
sante definição do futebol, feita de uma maneira bastante diferente daque- personagens, em local e tempo definidos. Por outras palavras, é contar
la que está nos dicionários. uma história, que pode ser real ou imaginária.
Futebol é bola na rede. Festa. Grito de golo. Não só. Não mais. No Quando vai redigir uma história, a primeira decisão que deve tomar é
Brasil de hoje, futebol é a reunião da família, a redenção da Pátria, a união se você vai ou não fazer parte da narrativa. Tanto é possível contar uma
dos povos. Futebol é saúde, amizade, solidariedade, saber vencer. Fute- história que ocorreu com outras pessoas como narrar fatos acontecidos
bol é arte, cultura, educação. Futebol é balé, samba, capoeira. Futebol é consigo. Essa decisão determinará o tipo de narrador a ser utilizado na
fonte de riqueza. Futebol é competição leal. Esta é a profissão de fé da sua composição. Este pode ser, basicamente, de dois tipos:
***. Porque a *** tem o compromisso de estar ao lado do torcedor e do 1. Narrador de 1ª pessoa: é aquele que participa da ação, ou seja,
cidadão brasileiro. Sempre. que se inclui na narrativa.
Enciclopédia e Dicionário Koogan/Houaiss Trata-se do narrador-personagem. 1. Narrador de 1ª pessoa: é
Desporto no qual 22 jogadores, divididos em dois conjuntos, se aquele que participa da ação, ou seja, que se inclui na narrativa. Trata-se
esforçam por fazer entrar uma bola de couro na baliza do conjunto do narrador-personagem.
contrário, sem intervenção das mãos. (As primeiras regras foram Exemplo:
elaboradas em 1860).
Andava pela rua quando de repente tropecei num pacote embrulhado
em jornais. Agarrei-o vagarosamente, abri-o e vi, surpreso, que lá havia
A diferença entre descrição, narração e dissertação uma grande quantia em dinheiro.
Esquema da narração
Tipos de redação ou composição 2. Narrador de 3ª pessoa: é aquele que não participa da ação, ou se-
Tudo o que se escreve recebe o nome genérico de redação (ou com- ja, não se inclui na narrativa. Temos então o narrador-observador. 2.
posição). Existem três tipos de redação: descrição, narração e disserta- Narrador de 3ª pessoa: é aquele que não participa da ação, ou seja, não
ção. É importante que perceba a diferença entre elas. Leia, primeiramen- se inclui na narrativa. Temos então o narrador-observador.
te, as seguintes definições: Exemplo:
João andava pela rua quando de repente tropeçou num pacote em-
Descrição brulhado em jornais. Agarrou-o vagarosamente, abriu-o e viu, surpreso,
É o tipo de redação na qual se apontam as características que com- que lá havia uma grande quantia em dinheiro.
põem um determinado objeto, pessoa, ambiente ou paisagem.
Exemplo: OBSERVAÇÃO:
A sua estatura era alta e seu corpo, esbelto. A pele morena refletia o Em textos que apresentam o narrador de 1.ª pessoa, ele não precisa
sol dos trópicos. Os olhos negros e amendoados espalhavam a luz interior ser necessariamente a personagem principal; pode ser somente alguém
de sua alegria de viver e jovialidade. Os traços bem desenhados compu- que, estando no local dos acontecimentos, os presenciou.
nham uma fisionomia calma, que mais parecia uma pintura. Exemplo:
Estava parado na paragem do autocarro, quando vi, a meu lado, um
Narração rapaz que caminhava lentamente pela rua. Ele tropeçou num pacote
É a modalidade de redação na qual contamos um ou mais fatos que embrulhado em jornais. Observei que ele o agarrou com todo o cuidado,
ocorreram em determinado tempo e lugar, envolvendo certas persona- abriu-o e viu, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro.
gens.
Exemplo: Elementos da narração
Numa noite chuvosa do mês de Agosto, Paulo e o irmão caminhavam Depois de escolher o tipo de narrador que vai utilizar, é necessário
pela rua mal-iluminada que conduzia à sua residência. Subitamente foram ainda conhecer os elementos básicos de qualquer narração.
abordados por um homem estranho. Pararam, atemorizados, e tentaram Todo o texto narrativo conta um FATO que se passa em determinado
saber o que o homem queria, receosos de que se tratasse de um assalto. TEMPO e LUGAR. A narração só existe na medida em que há ação; esta
Era, entretanto, somente um bêbado que tentava encontrar, com dificulda- ação é praticada pelos PERSONAGENS.
de, o caminho de sua casa.
Um fato, em geral, acontece por uma determinada CAUSA e desenro-
Dissertação la-se envolvendo certas circunstâncias que o caracterizam. É necessário,
É o tipo de composição na qual expomos ideias gerais, seguidas da portanto, mencionar o MODO como tudo aconteceu detalhadamente, isto
apresentação de argumentos que as comprovem. é, de que maneira o fato ocorreu. Um acontecimento pode provocar CON-
Exemplo: SEQUÊNCIAS, as quais devem ser observadas.
Tem havido muitos debates sobre a eficiência do sistema educacio- Assim, os elementos básicos do texto narrativo são:
nal. Argumentam alguns que ele deve ter por objetivo despertar no estu- 1. FATO (o que se vai narrar);
dante a capacidade de absorver informações dos mais diferentes tipos e 2. TEMPO (quando o fato ocorreu);
relacioná-las com a realidade circundante. Um sistema de ensino voltado
para a compreensão dos problemas socioeconômicos e que despertasse 3. LUGAR (onde o fato se deu);
no aluno a curiosidade científica seria por demais desejável. 4. PERSONAGENS (quem participou do ocorrido ou o observou);
Não há como confundir estes três tipos de redação. Enquanto a des- 5. CAUSA (motivo que determinou a ocorrência);
crição aponta os elementos que caracterizam os seres, objetos, ambien- 6. MODO (como se deu o fato);
tes e paisagens, a narração implica uma ideia de ação, movimento em-
7. CONSEQUÊNCIAS.
preendido pelos personagens da história. Já a dissertação assume um
Língua Portuguesa 55
APOSTILAS OPÇÃO
Uma vez conhecidos esses elementos, resta saber como organizá-los Embora não tivessem demorado a chegar, os bombeiros não conse-
para elaborar uma narração. Dependendo do fato a ser narrado, há inúme- guiram impedir que o quarto e a sala ao lado fossem inteiramente destruí-
ras formas de dispô-los. Todavia, apresentaremos um esquema de nar- dos pelas chamas. Não obstante o prejuízo, a família consolou-se com o
ração que pode ser utilizado para contar qualquer fato. Ele propõe-se fato de aquele incidente não ter tomado maiores proporções, atingindo os
situar os elementos da narração em diferentes parágrafos, de modo a apartamentos vizinhos.
orientá-lo sobre como organizar adequadamente a sua composição. Vamos observar as características desta narração. O narrador está na
3ª pessoa, pois não toma parte na história; não é nem membro da família,
Esquema de narração nem o porteiro do restaurante, nem um dos bombeiros e muito menos
alguém que passava pela rua na qual se situava o prédio. Outra caracte-
1º Parágrafo: Explicar que fato será narrado. Determinar o tempo e rística que deve ser destacada é o fato de a história ter sido narrada com
o lugar INTRODUÇÃO objetividade: o narrador limitou-se a contar os fatos sem deixar que os
2º Parágrafo: Causa do fato e apresentação das personagens. seus sentimentos, as suas emoções transparecessem no decorrer da
DESENVOLVIMENTO narrativa.
3º Parágrafo: Modo como tudo aconteceu (detalhadamente). Este tipo de composição denomina-se narração objetiva. É o que
4º Parágrafo: Consequências do fato. CONCLUSÃO costuma aparecer nas "ocorrências policiais" dos jornais, nas quais os
redatores apenas dão conta dos fatos, sem se deixar envolver emocio-
nalmente com o que estão a noticiar. Este tipo de narração apresenta um
OBSERVAÇÕES: cunho impessoal e direto.
1. É bom lembrar que, embora o elemento Personagens tenha sido
citado somente no 2º parágrafo (onde são apresentados com
A narração subjetiva
mais detalhes), eles aparecem no decorrer de toda a narração,
uma vez que são os desencadeadores da sequência narrativa. Existe também um outro tipo de composição chamado narração sub-
jetiva. Nela os fatos são apresentados levando-se em conta as emoções,
2. O elemento Causa pode ou não existir na sua narração. Há fatos
os sentimentos envolvidos na história. Nota-se claramente a posição
que decorrem de causa específica (por exemplo, um atropela-
sensível e emocional do narrador ao relatar os acontecimentos. O fato não
mento pode ter como causa o descuido de um peão ao atravessar
é narrado de modo frio e impessoal, pelo contrário, são ressaltados os
a rua sem olhar). Existe, em contrapartida, um número ilimitado
efeitos psicológicos que os acontecimentos desencadeiam nas persona-
de fatos dos quais não precisamos explicar as causas, por serem
gens. É, portanto, o oposto da narração objetiva.
evidentes (por exemplo, uma viagem de férias, um assalto a um
banco, etc.). Daremos agora um exemplo de narração subjetiva, elaborada tam-
bém com o auxílio do esquema de narração. Escolhemos o narrador de
3. três elementos mencionados na Introdução, ou seja, fato, tempo
1.ª pessoa. Esta escolha é perfeitamente justificável, visto que, participan-
e lugar, não precisam necessariamente aparecer nesta ordem.
do da ação, ele envolve-se emocionalmente com maior facilidade na
Podemos especificar, no início, o tempo e o local, para depois
história. Isso não significa, porém, que uma narração subjetiva requeira
enunciar o fato que será narrado.
sempre um narrador em 1.
Utilizando esse recurso, pode narrar qualquer fato, desde os inciden-
tes que são noticiados nos jornais com o título de ocorrências policiais Com a fúria de um vendaval
(assaltos, atropelamentos, raptos, incêndios, colisões e outros) até fatos
Numa certa manhã acordei entediada. Estava nas minhas férias esco-
corriqueiros, como viagens de férias, festas de adeptos de futebol, come-
lares do mês de Agosto. Não pudera viajar. Fui ao portão e avistei, três
morações de aniversário, quedas e acontecimentos inesperados ou fora
quarteirões ao longe, a movimentação de uma feira livre.
do comum, bem como quaisquer outros.
Não tinha nada para fazer, e isso estava a matar-me de aborrecimen-
É importante ressaltar que o esquema apresentado é apenas uma su-
to. Embora soubesse que uma feira livre não constitui exatamente o
gestão de como se pode organizar uma narração. Temos inteira liberdade
melhor divertimento do qual um ser humano pode dispor, fui andando, a
para nos basearmos nele ou não. Mostra-se apenas uma das várias
passos lentos, em direção daquelas barracas. Não esperava ver nada de
possibilidades existentes de se estruturarem textos narrativos. Caso se
original, ou mesmo interessante. Como é triste o tédio! Logo que me
deseje, poderá inverter-se a ordem de todos os elementos e fazer qual-
aproximei, vi uma senhora alta, extremamente gorda, discutindo com um
quer outra modificação que se ache conveniente, sem prejuízo do enten-
feirante.
dimento do que se quer transmitir. O fundamental é conseguir-se contar
uma história de modo satisfatório. O homem, dono da barraca de tomates, tentava em vão acalmar a
nervosa senhora. Não sei por que brigavam, mas sei o que vi: a mulher,
imensamente gorda, mais do que gorda (monstruosa), erguia os seus
A narração objetiva enormes braços e, com os punhos cerrados, gritava contra o feirante.
Observe-se agora um exemplo de narração sobre um incêndio, criado Comecei a assustar-me, com medo de que ela destruísse a barraca (e
com o auxílio do esquema estudado. Lembre-se de que, antes de começar talvez o próprio homem) devido à sua fúria incontrolável. Ela ia gritando
a escrever, é preciso escolher o tipo de narrador. Optamos pelo narrador empolgando-se com a sua raiva crescente e ficando cada vez mais verme-
de 3ª pessoa. lha, como os tomates, ou até mais.
De repente, no auge de sua ira, avançou contra o homem já atemori-
O incêndio zado e, tropeçando em alguns tomates podres que estavam no chão, caiu,
tombou, mergulhou, esborrachou-se no asfalto, para o divertimento do
Ocorreu um pequeno incêndio na noite de ontem, num apartamento pequeno público que, assim como eu, assistiu àquela cena incomum.
de propriedade do Sr. António Pedro.
No local habitavam o proprietário, a sua esposa e os seus dois filhos. OBSERVAÇÃO:
Todos eles, na hora em que o fogo começou, tinham saído de casa e
estavam a jantar num restaurante situado em frente ao edifício. A causa A narração pode ter a extensão que convier. Pode aumentá-la ou di-
do incêndio foi um curto circuito ocorrido no sistema elétrico do velho minuí-la, suprimindo detalhes menos importantes. Lembre-se: quando um
apartamento. determinado parágrafo ficar muito extenso, pode dividi-lo em dois. Desta-
camos, mais uma vez, que o esquema dado é uma orientação geral e não
O fogo começou num dos quartos que, por sorte, ficava na frente do precisa ser necessariamente seguido; ele pode sofrer variações referentes
prédio. O porteiro do restaurante, conhecido da família, avistou-o e imedia- ao número de parágrafos ou à ordem de disposição dos elementos narra-
tamente foi chamar o Sr. António. Ele, rapidamente, ligou para os Bombei- tivos.
ros. Fonte: http://lportuguesa.malha.net/content/view/27/1/

Língua Portuguesa 56
APOSTILAS OPÇÃO
Retórica gos cristãos, que, quanto ao conteúdo, seguiam com fidelidade as doutri-
Existe uma retórica natural, assimilada empiricamente junto com a lin- nas ditadas pela igreja, embora imitassem o estilo dos autores clássicos.
guagem. É um patrimônio coletivo, embora não inteiramente consciente, Por volta do século XVI, era aplicada à redação de cartas. Sob a influência
de todos os membros de uma sociedade falante. Essa retórica natural vem do humanista francês Petrus Ramus foi reduzida principalmente a ques-
a ser a base desenvolvida e sistematizada pela retórica escolar. tões de estilo e se tornou uma coleção de figuras de linguagem. A partir de
então ganhou a fama de ser mera ornamentação formal, sem conteúdo.
Retórica é a arte de exprimir-se bem pela palavra, ou seja, de utilizar Foi relegada às escolas para ensino do latim e permaneceu por três
todos os recursos da linguagem com o objetivo de provocar determinado séculos sem maiores alterações.
efeito no ouvinte. A premissa básica da retórica é que todo discurso é feito
com a intenção de alterar uma situação determinada. A retórica escolar Retórica moderna. As transformações registradas na teoria do conhe-
tem sentido mais restrito: é a arte do discurso partidário, exercida princi- cimento, iniciadas após o Renascimento com René Descartes e John
palmente nos tribunais. Como disciplina ensinada e aprendida, a retórica Locke, superaram algumas das ideias da retórica clássica. Nietzsche e
apresenta um sistema de formas de pensamento e de linguagem, que filósofos contemporâneos como Thomas Kuhn já não consideram a lin-
devem ser conscientemente utilizadas. guagem como simples espelho da realidade e expressão da verdade
absoluta, mas, pelo contrário, acreditam que atua como um filtro que
Evolução histórica. A arte da retórica nasceu na Sicília, em meados condiciona a percepção.
do século V a.C., quando a política dos tiranos deu lugar à democracia. No
mundo grego, a oratória veio a ser uma necessidade fundamental do Devido a essas mudanças na epistemologia, a retórica clássica forne-
cidadão, que teria de defender seus direitos nas assembleias. Pouco a ce um modelo capcioso para os estudiosos da linguagem enquanto comu-
pouco, começaram a surgir profissionais da retórica -- os primeiros advo- nicação ou transmissão de conhecimento. A verdade não é mais definida
gados -- que ainda não representavam seus clientes na tribuna, mas como ideia prefixada que a linguagem apresenta de forma atraente, mas
orientavam seus discursos, quando não os escreviam totalmente, obrigan- como ideia relativa a uma perspectiva que é intrínseca à própria lingua-
do os clientes a decorá-los, para realizar uma exposição correta e obter o gem. Pensadores do pós-estruturalismo, que veem a linguagem como
ganho da causa. estrutura cultural preexistente, que condiciona o indivíduo, pretendem
fazer o exame retórico inclusive de outras formas de discurso relacionadas
Os primeiros profissionais retores de que há notícia são dois sicilianos à linguagem.
de Siracusa, Córax e Tísias, que, no ano de 460 a.C., definiram-na como a
arte da persuasão e começaram a sistematizar as regras do discurso Tornam-se objeto desse estudo o cinema, a televisão, a publicidade, o
forense, para o qual prescreveram três seções: provímion, "proêmio", mercado financeiro, os partidos políticos e os sistemas educacionais,
agones, "pleito" e epílogos, "epílogo". estruturas produtoras de discurso e intrinsecamente retóricas, já que
instituídas para persuadir e provocar resultados específicos. Outros retóri-
No mesmo século, os sofistas foram responsáveis por um grande im- cos modernos compreendem toda comunicação linguística como argu-
pulso na evolução da retórica. Consideravam que, sendo a verdade relati- mentação e advogam que a análise e a interpretação do discurso sejam
va, poderia depender da forma do discurso no qual fosse apresentada. baseadas em um entendimento da reação e da situação social da audiên-
Criaram então escolas de retórica, que passaram a ser frequentadas pelas cia. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
pessoas que tinham necessidade de falar em público. Platão não compar- Figuras de Linguagem
tilhava das ideias dos sofistas e postulava a existência de uma verdade Consideradas pelos autores clássicos gregos e romanos como inte-
absoluta, inquestionável. Portanto, a linguagem seria fundamentalmente grantes da arte da retórica, de grande importância literária, as figuras de
um meio de expressão dessa verdade e das leis da moral. linguagem contribuem também para a evolução da língua.

Aristóteles é o autor do mais importante tratado da antiguidade sobre Figuras de linguagem são maneiras de falar diferentes do cotidiano
o tema. Em sua Retórica, estabeleceu como qualidades máximas para o comum, com o fim de chamar a atenção por meio de expressões mais
estilo a clareza e a adequação dos meios de expressão ao assunto e ao vivas. Visa também dar relevo ao valor autônomo do signo linguístico, o
momento do discurso. Relacionou os métodos de persuasão do júri e da que é característica própria da linguagem literária. As figuras podem ser
assembleia e classificou-os em três categorias: os que induzem atitude de dicção (ou metaplasmos), quando dizem respeito à própria articulação
favorável à pessoa do orador, os que produzem emoção e os argumentos dos vocábulos; de palavra (ou tropos), quando envolvem a significação
lógicos e exemplos. Concordou com Platão quanto aos aspectos morais dos termos empregados; de pensamento, que ocorre todas as vezes que
da retórica e distinguiu três tipos de discurso: deliberativo, para ser pro- se apresenta caprichosamente a linguagem espiritual; ou de construção,
nunciado nas assembleias políticas; forense, para ser ouvido no tribunal; e quando é conseguida por meios sintáticos.
epidíctico, ou demonstrativo, tais como panegíricos, homenagens fúnebres
etc. Cada tipo de discurso se estruturava segundo regras próprias para Metaplasmos. Todas as figuras que acrescentam, suprimem, permu-
efetuar a persuasão. tam ou transpõem fonemas nas palavras são metaplasmos. Assim, por
exemplo, mui em vez de muito; enamorado, em vez de namorado; cuido-
so, em vez de cuidadoso; desvario, em vez de desvairo.
A Roma republicana adotou a teoria aristotélica e em seu sistema le-
gislativo e judicial atribuía grande importância à oratória, disciplina básica Figuras de palavras. As principais figuras de palavras são a metáfora,
em seu sistema de educação. A prática da retórica decaiu no período a metonímia e o eufemismo. Recurso essencial na poesia, a metáfora é a
imperial, em consequência da perda das liberdades civis. Os maiores transferência de um termo para outro campo semântico, por uma compa-
oradores romanos foram Cícero, no século I a.C., e Quintiliano, um século ração subentendida (como por exemplo quando se chama uma pessoa
depois. A retórica romana elaborou as práticas gregas e desenvolveu um astuta de "águia"). A metonímia consiste em designar um objeto por meio
processo de composição do discurso em cinco fases: a invenção, escolha de um termo designativo de outro objeto, que tem com o primeiro uma
das ideias apropriadas; a disposição, maneira de ordená-las; a elocução, dentre várias relações: (1) de causa e efeito (trabalho, por obra); (2) de
que se referia ao uso de um estilo apropriado; a memorização; e, final- continente e conteúdo (garrafa, por bebida); (3) lugar e produto (porto, por
mente, a pronunciação. A retórica se estruturava assim como uma técnica vinho do Porto); (4) matéria e objeto (cobre, por moeda de cobre); (5)
mecanicista de construção do discurso. concreto e abstrato (bandeira, por pátria); (6) autor e obra (um Portinari,
por um quadro pintado por Portinari); (7) a parte pelo todo (vela, por
O declínio do Império Romano levou ao desaparecimento dos foros embarcação). O eufemismo é a expressão que suaviza o significado
públicos e a retórica civil praticamente se restringiu à elaboração dos inconveniente de outra, como chamar uma pessoa estúpida de "pouco
panegíricos dos imperadores. A retórica foi também praticada pelos teólo- inteligente", ou "descuidado", ao invés de "grosseiro".

Língua Portuguesa 57
APOSTILAS OPÇÃO
Figuras de construção e de pensamento. Tanto as figuras de constru- acréscimos anotam-se os fonemas que se agregam às antigas formas. Em
ção quanto as de pensamento são às vezes englobadas como "figuras "estrela" há um e inicial, e mais um r, que não havia no originário stella.
literárias". As primeiras são: assindetismo (falta de conectivos), sindetismo Observem-se essas evoluções: foresta > floresta, ante > antes. "Brata",
(abuso de conectivos), redundância (ou pleonasmo), reticência (ou inter- oriundo de blatta, diz-se atualmente "barata". Decréscimos são supres-
rupção), transposição (ou anástrofe, isto é, a subversão da ordem habitual sões como as observadas na transformação de episcopus em "bispo". Ou
dos termos). As principais figuras de pensamento são a comparação (ou em amat > ama, polypus > polvo, enamorar > namorar.
imagem), a antítese (ou realce de pensamentos contraditórios), a grada-
ção, a hipérbole (ou exagero, como na frase: "Já lhe disse milhares de
vezes"), a lítotes (ou diminuição, por humildade ou escárnio, como quando Apontam-se trocas em certas transformações. Note-se a posição do r
se diz que alguém "não é nada tolo", para indicar que é esperto). em: pigritia > preguiça, crepare > quebrar, rabia > raiva. Os acentos
também se deslocam às vezes, deslizando para a frente (produção), como
em júdice > juiz, ou antecipando-se (correpção), como em amassémus >
Figuras de sintaxe. Quando se busca maior expressividade, muitas amássemos. A crase (ou fusão) é um caso particular de diminuição,
vezes usam-se lacunas, superabundâncias e desvios nas estruturas da característico aliás da língua portuguesa, e consiste em se reduzirem duas
frase. Nesse caso, a coesão gramatical dá lugar à coesão significativa. Os ou três vogais consecutivas a uma só: avoo > avô, avoa > avó, aa > à,
processos que ocorrem nessas particularidades de construção da frase maior > mor, põer > pôr. A crase é também normal em casos como "casa
chamam-se figuras de sintaxe. As mais empregadas são a elipse, o ze- amarela" (káz ãmáréla).
ugma, o anacoluto, o pleonasmo e o hipérbato.

Os metaplasmos são, em literatura, principalmente na poesia, figuras


Na elipse ocorre a omissão de termos, facilmente depreendidos do de dicção. Os poetas apelam para as supressões, para as crases, para os
contexto geral ou da situação ("Sei que [tu] me compreendes."). Zeugma é hiatos, como para recursos de valor estilístico. A um poeta é lícito dizer no
uma forma de elipse que consiste em fazer participar de dois ou mais Brasil: "E o rosto of'rece a ósculos vendidos" (Gonçalves Dias). Quando
enunciados um termo expresso em apenas um deles ("Eu vou de carro, Bilac versifica: "Brenha rude, o luar beija à noite uma ossada" dá ao
você [vai] de bicicleta."). O anacoluto consiste na quebra da estrutura encontro u-a um tratamento diferente daquele que lhe notamos adiante
regular da frase, interrompida por outra estrutura, geralmente depois de em: "Contra esse adarve bruto em vão rodavam "no ar". No ar reduzido a
uma pausa ("Quem o feio ama, bonito lhe parece."). O pleonasmo é a um ditongo constitui uma sinérese. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil
repetição do conteúdo significativo de um termo, para realçar a ideia ou Publicações Ltda.
evitar ambiguidade ("Vi com estes olhos!"). Hipérbato é a inversão da
ordem normal das palavras na oração, ou das orações no período, com
finalidade expressiva, como na abertura do Hino Nacional Brasileiro: FIGURAS DE ESTILO
"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / de um povo heróico o brado METÁFORA = significa transposição. Consiste no uso de uma palavra
retumbante. ("As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumban- ou expressão em outro sentido que não o próprio, fundamentando-se na
te de um povo heróico.") ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações íntima relação de semelhança entre coisas e fatos. A metáfora é sempre
Ltda. uma imagem, isto é, representação mental de uma realidade sensível. É
uma espécie de comparação latente ou abreviada. Por exemplo: Paulo é
Metaplasmo um touro.
As palavras, tanto no tempo quanto no espaço, estão sujeitas a alte- COMPARAÇÃO = consiste em comparar dois termos, em que vêm
rações fonéticas, que chegam por vezes a desfigurá-las. Só se admite que expressos termos comparativos, constituindo-se em intermediário entre o
a palavra "cheio" era, em sua origem latina, o vocábulo plenus, porque leis sentido próprio e o figurado. Por exemplo: Paulo é forte como um touro.
fonéticas e documentos provam essa identidade. METONÍMIA = significa mudança de nome. Consiste na troca de um
nome por outro com o qual esteja em íntima relação por uma circunstân-
cia, de modo que um implique o outro. Há metonímia quando se emprega:
Metaplasmo é a alteração fonética que ocorre na evolução dos fone-
mas, dos vocábulos e até das frases. Os metaplasmos que dizem respeito • o efeito pela causa = Sócrates tomou a morte(= o veneno).
aos fonemas são vários. Na transformação do latim em português alguns • a causa pelo efeito = Vivo do meu trabalho(= do produto de meu
foram frequentíssimos, como o abrandamento, a queda, a simplificação e trabalho).
a vocalização. • o autor pela obra = Eu li Castro Alves(= a obra de Castro Alves).
• o continente pelo conteúdo = Traga-me um copo d’água(= a água
No caso do abrandamento, as consoantes fortes (proferidas sem voz) do copo).
tendem a ser proferidas com voz, quando intervocálicas (lupus > lobo, • a marca pelo produto = Comprei um gol(= carro).
defensa > defesa). Na queda, as consoantes brandas tendem a desaparer • o conteúdo pelo continente = As ondas fustigavam a areia(= a
na mesma posição (luna > lua, gelare > gear). Excetuam-se m, r, e por praia).
vezes g (amare > amar, legere > ler, regere > reger). O b, excetuando-se
também, muda-se em v (debere > dever). • o instrumento pela pessoa = Ele é um bom garfo(= comilão).
• o sinal pela coisa significada = A cruz dominará o Oriente(= Cris-
Ocorre a simplificação quando as consoantes geminadas reduzem-se tianismo).
a singelas (bucca > boca, caballus > cavalo). O atual digrama ss não • o lugar pelo produto = Ele só fuma Havana(= cigarro da cidade de
constitui exceção, porque pronunciado simplesmente como ç (passus > Havana).
passo). Quanto ao rr, para muitos conserva a geminação, na pronúncia
trilada, como no castelhano (terra > terra); para outros os dois erres se
SINÉDOQUE = consiste em alcançar ou restringir a significação pró-
simplificam num r uvular, muito próximo do r grasseyé francês.
pria de uma palavra. É o emprego do mais pelo menos ou vice-versa, isto
é, a troca de um nome pelo outro de modo que um contenha o outro.
Consiste a vocalização na troca das consoantes finais de sílabas inte- • a parte pelo todo = No horizonte surgia uma vela(= um navio).
riores em i, ou u: (acceptus > aceito, absente > ausente). Muitos brasilei-
ros estendem isso ao l, como em "sol", que proferem "çóu", criando um • o todo pela parte = O mundo é egoísta(= os homens).
ditongo que não existe em português. • o singular pelo plural = O homem é mortal(= os homens).
• a espécie pelo gênero = Ganhei o pão com o suor do rosto(= ali-
Os vocábulos revelam, em sua evolução, metaplasmos que se classi- mento).
ficam como de aumento, de diminuição, e de troca. Como exemplos de • o indivíduo pela classe = Ele é um Atenas(= cidade culta).
Língua Portuguesa 58
APOSTILAS OPÇÃO
• a espécie pelo indivíduo = No entender do Apóstolo…(São Paulo). APÓSTROFE = é uma invocação, um chamado emotivo. Por exem-
• a matéria pelo instrumento = Ela possui lindos bronzes(= objetos). plo: Deuses impassíveis… Por que é que nos criastes?(Antero de Quen-
tal).
• o abstrato pelo concreto = A audácia vencerá(= os audaciosos).
GRADAÇÃO = é a disposição das ideias numa ordem gradativa. Por
exemplo: Homens simples, fortes, bravos… hoje míseros escravos sem ar,
CATACRESE = é o desvio da significação de uma palavra por outra, sem luz, sem razão…(Castro Alves).
ante a inexistência de vocábulo apropriado. Origina-se da semelhança ASSÍNDETO = é a ausência de conectivos numa sequência de frases.
formal entre dois objetos, dois seres. É uma metáfora estereotipada. Por Por exemplo: Destrançou os cabelos, soltou-os, trançou-os de novo(Pedro
exemplo: Dente de alho; pernas da mesa. Rabelo).
ELIPSE = é a omissão de um termo da frase facilmente subentendido. HIPÉRBATO = é uma inversão dos termos da frase, uma alteração na
Por exemplo: "Na terra tanta guerra, tanto engano, tanta necessidade ordem direta. Por exemplo: Já da morte o palor me cobre o rosto (Álvares
aborrecida, no mar tanta tormenta e tanto engano"(Camões). Os casos de Azevedo).
mais comuns são de verbos(ser e haver), a conjunção integrante(que), a
ANÁFORA = é a repetição de um termo no início das frases ou ver-
preposição(de) das orações subordinadas substantivas indiretas e comple-
sos. Por exemplo: Tem mais sombra no encontro que na espera. Tem
tivas nominais, sujeito oculto.
mais samba a maldade que a ferida (Chico Buarque de Holanda).
ZEUGMA = é a omissão de um termo já expresso anteriormente na
ALITERAÇÃO = é a repetição de sons consonantais iguais ou seme-
frase. Por exemplo: Nem ele entende a nós, nem nós a ele.
lhantes. Por exemplo: E as cantilenas de serenos sons amenos fogem
PLEONASMO = consiste na repetição de uma mesma ideia por meio fluidas, fluindo à fina flor dos fenos(Eugênio de Castro).
de vocábulos ou expressões diferentes. Por exemplo: Resta-me a mim
ASSONÂNCIA = é a repetição de sons vocálicos iguais ou semelhan-
somente uma esperança.
tes. Por exemplo: Até amanhã, sou Ana da cama, da cana, fulana, saca-
POLISSÍNDETO = é a repetição de uma conjunção. Por exemplo: E na(Chico Buarque de Holanda).
rola, e rebola, como uma bola.
PARANOMÁSIA = é o encontro de duas palavras muito semelhantes
ANACOLUTO = consiste na interrupção do esquema sintático inicial quanto à forma. Por exemplo: Ser capaz, como um rio, (…) de lavar do
da frase, que termina por outro esquema sintático. Por exemplo: Este, o límpido a mágoa da mancha(Thiago de Mello).
rei que têm não foi nascido príncipe(Camões). Fonte: http://www.micropic.com.br/noronha/grama_fig.htm
ONOMATOPEIA = consiste no uso de palavras que imitam o som ou
a voz natural dos seres. Graças a seu valor descritivo, é também excelen-
te subsídio da linguagem afetiva. Por exemplo: Os sinos bimbalhavam PROVA SIMULADA
ruidosamente.
RETICÊNCIA = consiste na proposital suspensão do pensamento, 01. Assinale a alternativa correta quanto ao uso e à grafia das palavras.
quando se julga o silêncio mais expressivo que as palavras. Por exemplo:
(A) Na atual conjetura, nada mais se pode fazer.
Nós dois … e, entre nós dois, implacável e forte.
(B) O chefe deferia da opinião dos subordinados.
SILEPSE = concordância ideológica. A concordância não é feita com (C) O processo foi julgado em segunda estância.
o elemento gramatical expresso, mas sim com a ideia, com o sentido real.
(D) O problema passou despercebido na votação.
A silepse pode ser: de gênero = Vossa Majestade mostrou-se genero- (E) Os criminosos espiariam suas culpas no exílio.
so. (V.Majestade = feminino e generoso = masculino); de número = O
povo lhe pediram que ficasse. (o povo = singular e pediram = plural); de
02. A alternativa correta quanto ao uso dos verbos é:
pessoa = Os brasileiros somos nós.(os brasileiros = 3ª pessoa e somos =
1ª pessoa). (A) Quando ele vir suas notas, ficará muito feliz.
(B) Ele reaveu, logo, os bens que havia perdido.
ANTÍTESE = consiste na exposição de uma ideia através de conceitos
(C) A colega não se contera diante da situação.
ou pensamentos opostos, quer fazendo confrontos, quer associando-os.
Por exemplo: Buscas a vida, e eu a morte; procuras a luz, e eu as trevas. (D) Se ele ver você na rua, não ficará contente.
(E) Quando você vir estudar, traga seus livros.
IRONIA = consiste no uso de uma expressão, pela qual dizemos o
contrário do que pensamos com intenção sarcástica e entonação apropri-
ada. Por exemplo: A excelente D. Celeste era mestra na arte de judiar dos 03. O particípio verbal está corretamente empregado em:
alunos. (A) Não estaríamos salvados sem a ajuda dos barcos.
(B) Os garis tinham chego às ruas às dezessete horas.
EUFEMISMO = consiste no uso de uma expressão em sentido figura-
do para suavizar, atenuar uma expressão rude ou desagradável. Por (C) O criminoso foi pego na noite seguinte à do crime.
exemplo: Ficou rico por meios ilícitos(= roubou). (D) O rapaz já tinha abrido as portas quando chegamos.
(E) A faxineira tinha refazido a limpeza da casa toda.
HIPÉRBOLE = consiste em exagerar a realidade, a fim de impressio-
nar o espírito de quem ouve. Por exemplo: Ele se afogava num dilúvio de
cartas. 04. Assinale a alternativa que dá continuidade ao texto abaixo, em
conformidade com a norma culta.
PROSOPOPEIA = consiste na personificação de coisas e evocação
Nem só de beleza vive a madrepérola ou nácar. Essa substância do
de deuses ou de mortos. Por exemplo: As estrelas disseram-me: aqui
interior da concha de moluscos reúne outras características interes-
estamos.
santes, como resistência e flexibilidade.
ANTONOMÁSIA = substituição de um nome próprio por um nome (A) Se puder ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
comum, por uma apelido ou por um título que tornou a pessoa conhecida. componentes para a indústria.
Por exemplo: O Mártir da Inconfidência (para Tiradentes). (B) Se pudesse ser moldada, dá ótimo material para a confecção de
PERÍFRASE = rodeio de palavras, circunlóquio: por exemplo: A mais componentes para a indústria.
antiga das profissões (a prostituição). (C) Se pode ser moldada, dá ótimo material para a confecção de
SINESTESIA = figura que se baseia na soma de sensações percebi- componentes para a indústria.
das por diferentes órgãos dos sentidos. Por exemplo: A ondulação sonora (D) Se puder ser moldada, dava ótimo material para a confecção de
e táctil entrava pelos meus ouvidos. componentes para a indústria.
PARADOXO = expressão contraditória. Por exemplo: Ia divina, num (E) Se pudesse ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
simples vestido roxo, que a vestia como se a despisse(Raul Pompéia). componentes para a indústria.

Língua Portuguesa 59
APOSTILAS OPÇÃO
05. O uso indiscriminado do gerúndio tem-se constituído num problema 12. A maior parte das empresas de franquia pretende expandir os
para a expressão culta da língua. Indique a única alternativa em que negócios das empresas de franquia pelo contato direto com os pos-
ele está empregado conforme o padrão culto. síveis investidores, por meio de entrevistas. Esse contato para fins
(A) Após aquele treinamento, a corretora está falando muito bem. de seleção não só permite às empresas avaliar os investidores com
(B) Nós vamos estar analisando seus dados cadastrais ainda hoje. relação aos negócios, mas também identificar o perfil desejado dos
(C) Não haverá demora, o senhor pode estar aguardando na linha. investidores.
(D) No próximo sábado, procuraremos estar liberando o seu carro. (Texto adaptado)
(E) Breve, queremos estar entregando as chaves de sua nova casa.
Para eliminar as repetições, os pronomes apropriados para substitu-
06. De acordo com a norma culta, a concordância nominal e verbal está ir as expressões: das empresas de franquia, às empresas, os inves-
correta em: tidores e dos investidores, no texto, são, respectivamente:
(A) As características do solo são as mais variadas possível. (A) seus ... lhes ... los ... lhes
(B) A olhos vistos Lúcia envelhecia mais do que rapidamente. (B) delas ... a elas ... lhes ... deles
(C) Envio-lhe, em anexos, a declaração de bens solicitada. (C) seus ... nas ... los ... deles
(D) Ela parecia meia confusa ao dar aquelas explicações. (D) delas ... a elas ... lhes ... seu
(E) Qualquer que sejam as dúvidas, procure saná-las logo. (E) seus ... lhes ... eles ... neles

07. Assinale a alternativa em que se respeitam as normas cultas de 13. Assinale a alternativa em que se colocam os pronomes de acordo
flexão de grau. com o padrão culto.
(A) Nas situações críticas, protegia o colega de quem era amiquíssimo. (A) Quando possível, transmitirei-lhes mais informações.
(B) Mesmo sendo o Canadá friosíssimo, optou por permanecer lá (B) Estas ordens, espero que cumpram-se religiosamente.
durante as férias. (C) O diálogo a que me propus ontem, continua válido.
(C) No salto, sem concorrentes, seu desempenho era melhor de todos. (D) Sua decisão não causou-lhe a felicidade esperada.
(D) Diante dos problemas, ansiava por um resultado mais bom que (E) Me transmita as novidades quando chegar de Paris.
ruim.
(E) Comprou uns copos baratos, de cristal, da mais malíssima qualida- 14. O pronome oblíquo representa a combinação das funções de objeto
de. direto e indireto em:
(A) Apresentou-se agora uma boa ocasião.
Nas questões de números 08 e 09, assinale a alternativa cujas pa- (B) A lição, vou fazê-la ainda hoje mesmo.
lavras completam, correta e respectivamente, as frases dadas. (C) Atribuímos-lhes agora uma pesada tarefa.
(D) A conta, deixamo-la para ser revisada.
08. Os pesquisadores trataram de avaliar visão público financiamento (E) Essa história, contar-lha-ei assim que puder.
estatal ciência e tecnologia.
(A) à ... sobre o ... do ... para (B) a ... ao ... do ... para
(C) à ... do ... sobre o ... a (D) à ... ao ... sobre o ... à 15. Desejava o diploma, por isso lutou para obtê-lo.
(E) a ... do ... sobre o ... à Substituindo-se as formas verbais de desejar, lutar e obter pelos
respectivos substantivos a elas correspondentes, a frase correta é:
09. Quanto perfil desejado, com vistas qualidade dos candidatos, a (A) O desejo do diploma levou-o a lutar por sua obtenção.
franqueadora procura ser muito mais criteriosa ao contratá-los, pois (B) O desejo do diploma levou-o à luta em obtê-lo.
eles devem estar aptos comercializar seus produtos. (C) O desejo do diploma levou-o à luta pela sua obtenção.
(A) ao ... a ... à (B) àquele ... à ... à (D) Desejoso do diploma foi à luta pela sua obtenção.
(C) àquele...à ... a (D) ao ... à ... à (E) Desejoso do diploma foi lutar por obtê-lo.
(E) àquele ... a ... a
16. Ao Senhor Diretor de Relações Públicas da Secretaria de Educação
10. Assinale a alternativa gramaticalmente correta de acordo com a do Estado de São Paulo. Face à proximidade da data de inaugura-
norma culta. ção de nosso Teatro Educativo, por ordem de , Doutor XXX, Dignís-
(A) Bancos de dados científicos terão seu alcance ampliado. E isso simo Secretário da Educação do Estado de YYY, solicitamos a má-
trarão grandes benefícios às pesquisas. xima urgência na antecipação do envio dos primeiros convites para
(B) Fazem vários anos que essa empresa constrói parques, colaboran- o Excelentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, o
do com o meio ambiente. Reverendíssimo Cardeal da Arquidiocese de São Paulo e os Reito-
(C) Laboratórios de análise clínica tem investido em institutos, desen- res das Universidades Paulistas, para que essas autoridades pos-
volvendo projetos na área médica. sam se programar e participar do referido evento.
(D) Havia algumas estatísticas auspiciosas e outras preocupantes Atenciosamente,
apresentadas pelos economistas. ZZZ
(E) Os efeitos nocivos aos recifes de corais surge para quem vive no Assistente de Gabinete.
litoral ou aproveitam férias ali. De acordo com os cargos das diferentes autoridades, as lacunas
são correta e adequadamente preenchidas, respectivamente, por
11. A frase correta de acordo com o padrão culto é: (A) Ilustríssimo ... Sua Excelência ... Magníficos
(A) Não vejo mal no Presidente emitir medidas de emergência devido (B) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Magníficos
às chuvas. (C) Ilustríssimo ... Vossa Excelência ... Excelentíssimos
(B) Antes de estes requisitos serem cumpridos, não receberemos (D) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Excelentíssimos
reclamações.
(E) Ilustríssimo ... Vossa Senhoria ... Digníssimos
(C) Para mim construir um país mais justo, preciso de maior apoio à
cultura.
17. Assinale a alternativa em que, de acordo com a norma culta, se
(D) Apesar do advogado ter defendido o réu, este não foi poupado da
respeitam as regras de pontuação.
culpa.
(A) Por sinal, o próprio Senhor Governador, na última entrevista, reve-
(E) Faltam conferir três pacotes da mercadoria.
lou, que temos uma arrecadação bem maior que a prevista.

Língua Portuguesa 60
APOSTILAS OPÇÃO
(B) Indagamos, sabendo que a resposta é obvia: que se deve a uma (B) Qual jardineiro? e Galhos de quê?
sociedade inerte diante do desrespeito à sua própria lei? Nada. (C) Que jardineiro? e Podou o quê?
(C) O cidadão, foi preso em flagrante e, interrogado pela Autoridade (D) Que vizinho? e Que galhos?
Policial, confessou sua participação no referido furto. (E) Quando podou? e Podou o quê?
(D) Quer-nos parecer, todavia, que a melhor solução, no caso deste
funcionário, seja aquela sugerida, pela própria chefia. 24. O público observava a agitação dos lanterninhas da plateia.
(E) Impunha-se, pois, a recuperação dos documentos: as certidões Sem pontuação e sem entonação, a frase acima tem duas possibili-
negativas, de débitos e os extratos, bancários solicitados. dades de leitura. Elimina-se essa ambiguidade pelo estabelecimen-
to correto das relações entre seus termos e pela sua adequada pon-
tuação em:
18. O termo oração, entendido como uma construção com sujeito e
(A) O público da plateia, observava a agitação dos lanterninhas.
predicado que formam um período simples, se aplica, adequada-
(B) O público observava a agitação da plateia, dos lanterninhas.
mente, apenas a:
(C) O público observava a agitação, dos lanterninhas da plateia.
(A) Amanhã, tempo instável, sujeito a chuvas esparsas no litoral. (D) Da plateia o público, observava a agitação dos lanterninhas.
(B) O vigia abandonou a guarita, assim que cumpriu seu período. (E) Da plateia, o público observava a agitação dos lanterninhas.
(C) O passeio foi adiado para julho, por não ser época de chuvas.
(D) Muito riso, pouco siso – provérbio apropriado à falta de juízo. 25. Felizmente, ninguém se machucou.
(E) Os concorrentes à vaga de carteiro submeteram-se a exames. Lentamente, o navio foi se afastando da costa.
Considere:
Leia o período para responder às questões de números 19 e 20. I. felizmente completa o sentido do verbo machucar;
O livro de registro do processo que você procurava era o que esta- II. felizmente e lentamente classificam-se como adjuntos adverbiais
va sobre o balcão. de modo;
III. felizmente se refere ao modo como o falante se coloca diante do
19. No período, os pronomes o e que, na respectiva sequência, remetem a fato;
(A) processo e livro. IV. lentamente especifica a forma de o navio se afastar;
(B) livro do processo. V. felizmente e lentamente são caracterizadores de substantivos.
(C) processos e processo. Está correto o contido apenas em
(D) livro de registro. (A) I, II e III. (B) I, II e IV.
(E) registro e processo. (C) I, III e IV. (D) II, III e IV.
(E) III, IV e V.
20. Analise as proposições de números I a IV com base no período
acima: 26. O segmento adequado para ampliar a frase – Ele comprou o car-
I. há, no período, duas orações; ro..., indicando concessão, é:
II. o livro de registro do processo era o, é a oração principal; (A) para poder trabalhar fora.
III. os dois quê(s) introduzem orações adverbiais; (B) como havia programado.
IV. de registro é um adjunto adnominal de livro. (C) assim que recebeu o prêmio.
Está correto o contido apenas em (D) porque conseguiu um desconto.
(A) II e IV. (B) III e IV. (E) apesar do preço muito elevado.
(C) I, II e III. (D) I, II e IV. (E) I, III e IV.
27. É importante que todos participem da reunião.
21. O Meretíssimo Juiz da 1.ª Vara Cível devia providenciar a leitura do O segmento que todos participem da reunião, em relação a
acórdão, e ainda não o fez. Analise os itens relativos a esse trecho: É importante, é uma oração subordinada
I. as palavras Meretíssimo e Cível estão incorretamente grafadas;
(A) adjetiva com valor restritivo.
II. ainda é um adjunto adverbial que exclui a possibilidade da leitura
pelo Juiz; (B) substantiva com a função de sujeito.
III. o e foi usado para indicar oposição, com valor adversativo equiva- (C) substantiva com a função de objeto direto.
lente ao da palavra mas; (D) adverbial com valor condicional.
IV. em ainda não o fez, o o equivale a isso, significando leitura do (E) substantiva com a função de predicativo.
acórdão, e fez adquire o respectivo sentido de devia providenciar.
Está correto o contido apenas em 28. Ele realizou o trabalho como seu chefe o orientou. A relação esta-
(A) II e IV. belecida pelo termo como é de
(B) III e IV. (A) comparatividade.
(C) I, II e III. (B) adição.
(D) I, III e IV. (C) conformidade.
(E) II, III e IV.
(D) explicação.
22. O rapaz era campeão de tênis. O nome do rapaz saiu nos jornais. (E) consequência.
Ao transformar os dois períodos simples num único período com-
posto, a alternativa correta é: 29. A região alvo da expansão das empresas, _____, das redes de
(A) O rapaz cujo nome saiu nos jornais era campeão de tênis. franquias, é a Sudeste, ______ as demais regiões também serão
(B) O rapaz que o nome saiu nos jornais era campeão de tênis. contempladas em diferentes proporções; haverá, ______, planos
(C) O rapaz era campeão de tênis, já que seu nome saiu nos jornais. diversificados de acordo com as possibilidades de investimento dos
(D) O nome do rapaz onde era campeão de tênis saiu nos jornais. possíveis franqueados.
(E) O nome do rapaz que saiu nos jornais era campeão de tênis. A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas e
relaciona corretamente as ideias do texto, é:
23. O jardineiro daquele vizinho cuidadoso podou, ontem, os enfraque- (A) digo ... portanto ... mas
cidos galhos da velha árvore. (B) como ... pois ... mas
Assinale a alternativa correta para interrogar, respectivamente, (C) ou seja ... embora ... pois
sobre o adjunto adnominal de jardineiro e o objeto direto de podar. (D) ou seja ... mas ... portanto
(A) Quem podou? e Quando podou? (E) isto é ... mas ... como

Língua Portuguesa 61
APOSTILAS OPÇÃO
30. Assim que as empresas concluírem o processo de seleção dos _______________________________________________________
investidores, os locais das futuras lojas de franquia serão divulga-
dos. _______________________________________________________
A alternativa correta para substituir Assim que as empresas concluí- _______________________________________________________
rem o processo de seleção dos investidores por uma oração reduzi-
da, sem alterar o sentido da frase, é: _______________________________________________________
(A) Porque concluindo o processo de seleção dos investidores ... _______________________________________________________
(B) Concluído o processo de seleção dos investidores ...
(C) Depois que concluíssem o processo de seleção dos investidores ... _______________________________________________________
(D) Se concluído do processo de seleção dos investidores... _______________________________________________________
(E) Quando tiverem concluído o processo de seleção dos investidores
_______________________________________________________
_______________________________________________________
RESPOSTAS _______________________________________________________
_______________________________________________________
01. D 11. B 21. B
02. A 12. A 22. A _______________________________________________________
03. C 13. C 23. C
_______________________________________________________
04. E 14. E 24. E
05. A 15. C 25. D _______________________________________________________
06. B 16. A 26. E
_______________________________________________________
07. D 17. B 27. B
08. E 18. E 28. C _______________________________________________________
09. C 19. D 29. D
_______________________________________________________
10. D 20. A 30. B
_______________________________________________________
___________________________________ _______________________________________________________
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Língua Portuguesa 62
INFORMÁTICA
APOSTILAS OPÇÃO
Desktops e notebooks

Noções de Vamos dar uma repassada nos tipos básicos de computador. Os


desktops são os computadores de mesas. Compostos por monitor, mouse,
teclado e a Unidade de Processamento Central (CPU), aquele módulo

Informática onde ficam o drive óptico, disco rígido e demais componentes, é o formato
mais tradicional dos PCs.
A maior vantagem dos desktops é maior possibilidade de se fazer
upgrade no hardware. Trocar o disco rígido por um mais espaçoso, insta-
lar mais memória RAM ou mesmo uma placa de vídeo mais robusta são
MS-Windows 7: controle de acesso e tarefas bem mais fáceis do que em outros tipos de computador. Os note-
books (termo cuja tradução literal é cadernos), são a versão móvel dos
autenticação de usuários, painel de desktops. E este é o seu grande trunfo: poder ser levado para tudo quanto
controle, central de ações, área de tra- é lado. E com o aprimoramento dos processadores voltados para esse tipo
balho, manipulação de arquivos e pas- de equipamento, muitos notebooks – também conhecidos como laptops ou
tas, uso dos menus, ferramentas de di- computadores de colo – não perdem em nada para os desktops quando o
agnóstico, manutenção e restauração. assunto é desempenho. Aliás, há modelos portáteis tão poderosos e
grandes que até foram classificados em outra categoria de computador: a
dos desknotes, notebooks com telas de 17 polegadas ou mais, que mais
servem para ficar na mesa do que na mochila. O lado ruim dos notes
Definição tradicionais é que são mais limitados em termos de upgrade, já que além
A informática é a ciência que tem como objetivo estudar o tratamento de não contarem com a mesma diversidade de componentes que os seus
da informação através do computador. Este conceito ou esta definição é irmãos de mesa, uma expansão de funções em um notebook é bem mais
ampla devido a que o termo informática é um campo de estudo igualmente cara.
amplo.
A informática ajuda ao ser humano na tarefa de potencializar as capa-
cidades de comunicação, pensamento e memória. A informática é aplica- All-in-one ou Tudo-em-um
da em várias áreas da atividade social, e podemos perfeitamente usar Como o próprio nome diz, esse computador de mesa – ou desktop –
como exemplo as aplicações multimídia, arte, desenho computadorizado, traz tudo dentro de uma única peça. Nada de monitor de um lado e CPU
ciência, vídeo jogos, investigação, transporte público e privado, telecomu- do outro: tudo o que vai neste último foi incorporado ao gabinete do moni-
nicações, robótica de fabricação, controle e monitores de processos tor, o que inclui placa-mãe, disco rígido, drive óptico, portas USB e por aí
industriais, consulta e armazenamento de informação, e até mesmo vai. Já teclado e mouse continuam de fora. Mas o bom é que diversos
gestão de negócios. A informática se popularizou no final do século XX, modelos de computador AIO vêm com modelos sem fios desse acessório.
quando somente era usada para processos industriais e de uso muito Ou seja, se você for o felizardo comprador de um PC do tipo com uma tela
limitado, e passou a ser usada de forma doméstica estendendo seu uso a de 20 polegadas ou superior, mais placa sintonizadora de TV (digital, de
todo aquele que pudesse possuir um computador. A informática, à partir preferência) poderá usá-lo com um televisor turbinado. Imagina poder
de essa época começou a substituir os costumes antigos de fazer quase assistir TV, gravar a programação, dar stop na transmissão de TV ao vivo
tudo a mão e potencializou o uso de equipamentos de música, televisores, e, ainda por cima, dar uma “internetada” na hora do intervalo? E, pra
e serviços tão essenciais nos dias atuais como a telecomunicação e os completar, sem ver a bagunça de cabos típica dos desktops convencionais
serviços de um modo geral. e ainda contar com tela touschscreen – como o modelo ao lado, o HP
O termo informática provém das palavras de origem francesa “infor- TouchSmart? Os pontos negativos desse equipamento são o custo, bem
matique” (união das palavras “information”, Informática e “Automatique”, mais alto do que o de um desktop convencional.
automática. Se trata de um ramo da engenharia que tem relação ao trata-
mento da informação automatizada mediante o uso de máquinas. Este Tablet PC
campo de estudo, investigação e trabalho compreende o uso da computa- Há anos que a indústria aposta nos tablets PCs, computadores portá-
ção para solucionar problemas vários mediante programas, desenhos, teis que contam com tela sensível ao toque rotacionável. A possibilidade
fundamentos teóricos científicos e diversas técnicas. de torcer a tela e dobrá-la sobre o teclado faz com que seja possível
A informática produziu um custo mais baixo nos setores de produção segurá-lo com uma mão (o que pode ser um pouco penoso por causa do
e o incremento da produção de mercadorias nas grandes indústrias graças peso) e escrever ou desenhar na tela com a outra por meio de uma cane-
a automatização dos processos de desenho e fabricação. tinha conhecida como stylus. Os ancestrais diretos dos tablets atuais já
Com aparecimento de redes mundiais, entre elas, a mais famosa e viveram dias melhores no mercado. No entanto, ainda são lançados
conhecida por todos hoje em dia, a internet, também conhecida como a modelos do tipo todos os anos, como o netbook conversível Asus EeePC
rede das redes, a informação é vista cada vez mais como um elemento de Touch T101MT que testamos há alguns dias. Voltados principalmente
criação e de intercâmbio cultural altamente participativo. para o mercado corporativo, dificilmente você, usuário doméstico, verá um
A Informática, desde o seu surgimento, facilitou a vida dos seres hu- desses sendo usado por aí.
manos em vários sentidos e nos dias de hoje pode ser impossível viver
sem o uso dela.queconceito.com.Br
Netbook
Tipos De Computadores Versão reduzida e bem mais econômica dos notebooks, os netbooks
Emerson Rezende surgiram como a mais nova sensação do mercado – mas não consegui-
Podemos dizer com tranquilidade que vivemos atualmente um verda- ram manter o pique. A queda do preço dos notebooks e o surgimento de
deiro “boom” no que se refere à diversidade de formas, preços, tamanhos outros tipos de computador reduziram o alcance desses pequenos. Como
e cores de computadores pessoais. A variedade é tão grande que o con- contam com pouquíssimos recursos computacionais, são voltados para o
sumidor pode se sentir perdido em meio a tantas opções ou, na pior das usuário que vive em trânsito e só precisa acessar a internet para baixar e-
hipóteses, até mesmo enganado ou prejudicado. Afinal, já pensou adquirir mails, visitar um site ou outro e só. Nem com drive óptico eles vêm, o que
determinado equipamento e descobrir que poderia ter comprado outro? E obriga o proprietário a comprar um drive externo ou depender de arquivos
que ele só não fez isso porque não havia sido informado, seja pela im- que possam ser rodados a partir de pen drives caso necessite instalar
prensa especializada, pelos “amigos que manjam de informática” ou, pior, mais programas. E como são equipados com telas de até 10 polegadas e
pelo vendedor da loja? processadores da família Intel Atom, dificilmente o usuário conseguirá
Quem detém a informação, detém o poder, caro leitor internauta. Va- rodar algum programa diferente do que os que já vêm com ele. Por outro
mos mostrar aqui alguns exemplos do quanto o formato dos computadores lado, em matéria de consumo de bateria, os netbooks são imbatíveis: há
pessoais (PCs) pode variar. E detalhe: com exceção do tablet, todos os modelos que aguentam até 10 horas longe da tomada em uso normal.
modelos estão à venda por aí.

Noções de Informática 1
APOSTILAS OPÇÃO
Nettop Dispositivos de Entrada e Saída
Eis um dos formatos (ou fatores de forma, para os mais técnicos) de O avanço da tecnologia deu a possibilidade de se criar um dispositivo
computador mais surpreendente que você pode encontrar. com a capacidade de enviar e transmitir dados. Tais periféricos são classi-
Trata-se da versão de mesa dos netbooks. Ou seja, pegue um des- ficados como dispositivos de entrada e saída. São eles:
ses, tire a tela, o teclado e coloque tudo isso em um gabinete do tamanho Pen Drives – Tipo de memória portátil e removível com capacidade
de uma caixa de DVD (ok, um pouco maior, vai) e você terá um glorioso de transferir dados ou retirar dados de um computador.
nettop. Feitos inicialmente para serem uma versão econômica de PCs Impressora Multifuncional - Como o próprio nome já diz este tipo
para uso comercial – como caixas de lojas e supermercados, por exemplo impressora poder servir tanto como copiadora ou scanner.
– logo surgiram modelos para serem conectados à TV, como o aparelho Monitor Touchscreen – Tela de monitor sensível ao toque. Através
produzido pela Positivo Informática ao lado. Com saída HDMI, leitor de dela você recebe dados em forma de imagem e também enviar dados e
disco Blu-Ray e um processador Intel Atom que trabalha em conjunto com comandos ao computador através do toque.
um chip gráfico poderoso, esse computador ainda traz o poder do Win- A tecnologia é mais usada na indústria telefônica e seu uso em moni-
dows Media Center para dar mais inteligência à sua TV. O lado ruim do tores de computadores ainda está em fase de expansão.
nettop é que ainda há pouquíssimos modelos no mercado e, os que já
foram lançados, não são nada baratos.
Secure Digital Card
Dispositivos de Entrada e Saída do Computador No básico, cartões SD são pequenos cartões que são usados
Dispositivos de entrada/saída é um termo que caracteriza os tipos de popularmente em câmeras, celulares e GPS, para fornecer ou aumentar a
dispositivo de um computador. memória desses dispositivos. Existem muitas versões, mas a mais
Imput/Output é um termo da informática referente aos dispositivos conhecida, sem dúvida é o micro-SD, o cartão de memória que funciona
de Entrada e Saída. na maioria dos celulares.
Quando um hardware insere dados no computador, dizemos que ele é Os cartões de memória Secure Digital Card ou SD Card são uma
um dispositivo de entrada. Agora quando esses dados são colocados a evolução da tecnologiaMultiMediaCard (ou MMC). Adicionam capacidades
mostra, ou quando saem para outros dispositivos, dizemos que estes de criptografia e gestão de direitos digitais (daí oSecure), para atender às
hardwares são dispositivos de saída. exigências da indústria da música e uma trava para impedir alterações ou
Saber quais são os dispositivos de entrada e saída de um computador a exclusão do conteúdo do cartão, assim como os disquetes de 3½".
é fácil. Não pense que é um bicho de sete cabeças. Listarei neste artigo Se tornou o padrão de cartão de memória com melhor custo/benefício
os principais dispositivos de entrada e saída do computador. do mercado (ao lado do Memory Stick), desbancando o concorrente
Compact Flash, devido a sua popularidade e portabilidade, e conta já com
Dispositivo de Entrada do Computador a adesão de grandes fabricantes como Canon,Kodak e Nikon que
anteriormente utilizavam exclusivamente o padrão CF (sendo que seguem
Teclado – Principal dispositivo de entrada do computador. É nele que usando o CF apenas em suas câmeras profissionais). Além disso, está
você insere caracteres e comandos do computador. No início da computa- presente também em palmtops, celulares (nos modelos MiniSD, MicroSD
ção sua existência era primordial para que o ser humano pudesse interagi e Transflash), sintetizadores MIDI, tocadores de MP3 portáteis e até em
com o computador. O inserimento de dados eram feitos através dos aparelhos de som automotivo.
prompt de comandos.
Mouse – Não menos importante que os teclados os mouses ganha-
ram grande importância com advento da interface gráfica. É através dos
botões do mouse que interagirmos com o computador. Os sistemas ope-
racionais de hoje estão voltados para uma interface gráfica e intuitiva onde
é difícil imaginar alguém usando um computador sem este periférico de
entrada. Ícones de programas, jogos e links da internet, tudo isto é clicado
através dos mouses.
Touchpad – É um dispositivo sensível ao toque que na informática
tem a mesma função que o mouse. São utilizados principalmente em
Notebooks.
Web Cam – Câmera acoplada no computador e embutida na maioria
dos notebooks. Dependendo do programa usado, sua função e capturar
imagens que podem ser salvos tanto como arquivos de imagem ou como
arquivos de vídeo. Hardware
Scanner – Periférico semelhante a uma copiadora, mas com função O hardware pode ser definido como um termo geral para
contraria. O escâner tem a função de capturar imagens e textos de docu- equipamentos como chaves, fechaduras, dobradiças, trincos, puxadores,
mentos expostos sobre a sua superfície. Estes dados serão armazenados fios, correntes, material de canalização, ferramentas, utensílios, talheres e
no próprio computador. peças de máquinas. No âmbito eletrônico o termo "hardware" é bastante
utilizado, principalmente na área de computação, e se aplica à unidade
Microfone – Periférico de entrada com a função de gravação de voz e central de processamento, à memória e aos dispositivos de entrada e
testes de pronuncias. Também podem ser usados para conversação saída. O termo "hardware" é usado para fazer referência a detalhes
online. específicos de uma dada máquina, incluindo-se seu projeto lógico
pormenorizado bem como a tecnologia de embalagem da máquina.
Dispositivo de Saída do Computador O software é a parte lógica, o conjunto de instruções e dados
Monitor – Principal dispositivo de saída de um computador. Sua fun- processado pelos circuitos eletrônicos do hardware. Toda interação dos
ção é mostrar tudo que está sendo processado pelo computador. usuários de computadores modernos é realizada através do software, que
é a camada, colocada sobre o hardware, que transforma o computador em
Impressora – Dispositivo com a função de imprimir documentos para algo útil para o ser humano.
um plano, folha A4, A3, A2, A1 e etc. Este documento pode ser um dese-
O termo "hardware" não se refere apenas aos computadores
nho, textos, fotos e gravuras. Existem diversos tipos de impressora as
pessoais, mas também aos equipamentos embarcados em produtos que
mais conhecidas são a matricial, jato de tinta, a laser e a Plotter.
necessitam de processamento computacional, como os dispositivos
Caixas de Som – Dispositivo essencial para quem desejar processar encontrados em equipamentos hospitalares, automóveis, aparelhos
arquivos de áudio como MP3, WMA e AVI. celulares (em Portugal telemóveis), entre outros.

Noções de Informática 2
APOSTILAS OPÇÃO
Na ciência da computação a disciplina que trata das soluções de Arquitetura aberta
projeto de hardware é conhecida como arquitetura de computadores. A arquitectura aberta (atualmente mais utilizada, criada inicialmente
Para fins contábeis e financeiros, o hardware é considerado um bem pela IBM) é a mais aceita atualmente, e consiste em permitir que outras
de capital. empresas fabriquem computadores com a mesma arquitetura, permitindo
História do Hardware que o usuário tenha uma gama maior de opções e possa montar seu
próprio computador de acordo com suas necessidades e com custos que
A Humanidade tem utilizado dispositivos para auxiliar a computação
se enquadrem com cada usuário.
há milênios. Pode se considerar que o ábaco, utilizado para fazer cálculos,
tenha sido um dos primeiros hardwares usados pela humanidade. A partir
do século XVII surgem as primeiras calculadoras mecânicas. Arquitetura fechada
Em 1623 Wilhelm Schickard construiu a primeira calculadora A arquitetura fechada consiste em não permitir o uso da arquitetura
mecânica. APascalina de Blaise Pascal (1642) e a calculadora de Gottfried por outras empresas, ou senão ter o controle sobre as empresas que
Wilhelm von Leibniz (1670) vieram a seguir. fabricam computadores dessa arquitetura. Isso faz com que os conflitos de
hardware diminuam muito, fazendo com que o computador funcione mais
Em 1822 Charles Babbage apresenta sua máquina diferencial e em rápido e aumentando a qualidade do computador. No entanto, nesse tipo
1835 descreve sua máquina analítica. Esta máquina tratava-se de um de arquitetura, o utilizador está restringido a escolher de entre os produtos
projeto de um computador programável de propósito geral, empregando da empresa e não pode montar o seu próprio computador.
cartões perfurados para entrada e uma máquina de vapor para fornecer
Neste momento, a Apple não pertence exatamente a uma arquitetura
energia. Babbage é considerado o pioneiro e pai da computação. 8Ada
fechada, mas a ambas as arquiteturas, sendo a única empresa que produz
Lovelace, filha de lord Byron, traduziu e adicionou anotações ao Desenho
computadores que podem correr o seu sistema operativo de forma legal,
da Máquina Analítica.
mas também fazendo parte do mercado de compatíveis IBM.
A partir disto, a tecnologia do futuro foi evoluindo passando pela Principais componentes
criação de calculadoras valvuladas, leitores de cartões perfurados,
máquinas a vapor e elétrica, até que se cria o primeiro computador digital 1 Microprocessador (Intel, AMD e VIA)
durante a segunda guerra mundial. Após isso, a evolução dos hardwares 2 Disco rígido (memória de massa, não volátil, utilizada para
vem sendo muita rápida e sofisticada. A indústria do hardware introduziu escrita e armazenamento dos dados)
novos produtos com reduzido tamanho como um sistema embarcado, 3 Periféricos (impressora, scanner, webcam, etc.)
computadores de uso pessoal, telefones, assim como as novas mídias 4 Softwares (sistema operativo, softwares específicos)
contribuindo para a sua popularidade. 5 BIOS ou EFI
6 Barramento
Sistema binário 7 Memória RAM
Os computadores digitais trabalham internamente com dois níveis de 8 Dispositivos de multimídia (som, vídeo, etc.)
tensão (0:1), pelo que o seu sistema de numeração natural é o sistema 9 Memórias Auxiliares (hd, cdrom, floppy etc.)
binário (aceso, apagado). 10 Memória cache
11 Teclado
Conexões do hardware 12 Mouse
Uma conexão para comunicação em série é feita através de um cabo 13 Placa-Mãe
ou grupo de cabos utilizados para transferir informações entre a CPU e um
dispositivo externo como o mouse e o teclado, um modem, um Redes
digitalizador (scanner) e alguns tipos de impressora. Esse tipo de conexão
Existem alguns hardwares que dependem de redes para que possam
transfere um bit de dado de cada vez, muitas vezes de forma lenta. A
ser utilizados, telefones, celulares, máquinas de cartão de crédito, as
vantagem de transmissão em série é que é mais eficaz a longas
placas modem, os modems ADSL e Cable, os Acess points, roteadores,
distâncias.
entre outros. A criação de alguns hardwares capazes de conectar dois ou
Uma conexão para comunicação em paralelo é feita através de um mais hardwares possibilitou a existência de redes de hardware, a criação
cabo ou grupo de cabos utilizados para transferir informações entre a CPU de redes de computadores e da rede mundial de computadores (Internet)
e um periférico como modem externo, utilizado em conexões discadas de é, hoje, um dos maiores estímulos para que as pessoas adquiram
acesso a rede, alguns tipos de impressoras, um disco rÍgido externo hardwares de computação.
dentre outros. Essa conexão transfere oito bits de dado de cada vez, ainda
assim hoje em dia sendo uma conexão mais lenta que as demais.
Overclock
Uma conexão para comunicação USB é feita através de um cabo ou Overclock é uma expressão sem tradução (seria algo como sobre-
um conjunto de cabos que são utilizados para trocar informações entre a pulso (de disparo) ou ainda aumento do pulso). Pode-se definir o
CPU e um periférico como webcams, um teclado, um mouse, uma câmera overclock como o ato de aumentar a frequência de operação de um
digital, um pda, um mp3 player. Ou que se utilizam da conexão para componente (em geral chips) que compõe um dispositivo (VGA ou mesmo
armazenar dados como por exemplo um pen drive. As conexões USBs se CPU) no intuito de obter ganho de desempenho. Existem várias formas de
tornaram muito populares devido ao grande número de dispositivos que efetuar o overclock, uma delas é por software e outra seria alterando a
podiam ser conectadas a ela e a utilização do padrão PnP (Plug and Play). BIOS do dispositivo.
A conexão USB também permite prover a alimentação elétrica do
dispositivo conectada a ela.
Exemplos de hardware
Caixas de som
Arquiteturas de computadores
Cooler
A arquitetura dos computadores pode ser definida como "as
Dissipador de calor
diferenças na forma de fabricação dos computadores".
CPU ou Microprocessador
Com a popularização dos computadores, houve a necessidade de um
equipamento interagir com o outro, surgindo a necessidade de se criar um Dispositivo de armazenamento (CD/DVD/Blu-ray, Disco Rídido
padrão. Em meados da década de 1980, apenas duas "arquiteturas" (HD), pendrive/cartão de memória)
resistiram ao tempo e se popularizaram foram: o PC (Personal Computer Estabilizador
ou em português Computador Pessoal), desenvolvido pela empresa IBM e Gabinete
Macintosh (carinhosamente chamado de Mac) desenvolvido pela empresa Hub ou Concentrador
Apple Inc.. Impressora
Como o IBM-PC se tornou a arquitetura "dominante" na época, Joystick
acabou tornando-se padrão para os computadores que conhecemos hoje. Memória RAM

Noções de Informática 3
APOSTILAS OPÇÃO
Microfone Com exceção de Códigos de barras e OCR, o armazenamento
Modem eletrônico de dados é mais fácil de se revisar e pode ser mais econômico
Monitor do que métodos alternativos, devido à exigência menor de espaço físico e
Mouse à facilidade na troca (re-gravação) de dados na mesma mídia. Entretanto,
No-Break ou Fonte de alimentação ininterrupta a durabilidade de métodos como impressão em papel é ainda superior à
muitas mídias eletrônicas. As limitações relacionadas à durabilidade
Placa de captura
podem ser superadas ao se utilizar o método de duplicação dos dados
Placa sintonizadora de TV eletrônicos, comumente chamados de cópia de segurança ou back-up.
Placa de som
Tipos de dispositivos de armazenamento:
Placa de vídeo
Placa-mãe Por meios magnéticos. Exemplos: Disco Rígido, disquete.
Scanner ou Digitalizador Por meios ópticos. Exemplos: CD, DVD.
Teclado Por meios eletrônicos (SSDs) - chip - Exemplos: cartão de
Webcam memória, pen drive.
Frisando que: Memória RAM é um dispositivo de armazenamento
Dispositivo de armazenamento temporário de informações.
Dispositivos de armazenamento por meio magnético
Os dispositivos de armazenamento por meio magnético são os mais
antigos e mais utilizados atualmente, por permitir uma grande densidade
de informação, ou seja, armazenar grande quantidade de dados em um
pequeno espaço físico. São mais antigos, porém foram se aperfeiçoando
no decorrer do tempo.
Para a gravação, a cabeça de leitura e gravação do dispositivo gera
um campo magnético que magnetiza os dipolos magnéticos,
representando assim dígitos binários (bits) de acordo com a polaridade
utilizada. Para a leitura, um campo magnético é gerado pela cabeça de
leitura e gravação e, quando em contacto com os dipolos magnéticos da
mídia verifica se esta atrai ou repele o campo magnético, sabendo assim
se o pólo encontrado na molécula é norte ou sul.
Como exemplo de dispositivos de armazenamento por meio
magnético, podemos citar os Discos Rígidos .
Os dispositivos de armazenamento magnéticos que possuem mídias
removíveis normalmente não possuem capacidade e confiabilidade
equivalente aos dispositivos fixos, pois sua mídia é frágil e possui
capacidade de armazenamento muito pequena se comparada a outros
tipos de dispositivos de armazenamento magnéticos.
Dispositivos de armazenamento por meio óptico
Os dispositivos de armazenamento por meio óptico são os mais
utilizados para o armazenamento de informações multimídia, sendo
amplamente aplicados no armazenamento de filmes, música, etc. Apesar
disso também são muito utilizados para o armazenamento de informações
Dispositivo de armazenamento é um dispositivo capaz de e programas, sendo especialmente utilizados para a instalação de
armazenar informações (dados) para posterior consulta ou uso. Essa programas no computador.
gravação de dados pode ser feita praticamente usando qualquer forma de Exemplos de dispositivos de armazenamento por meio óptico são os
energia, desde força manual humana como na escrita, passando por CD-ROMs, CD-RWs, DVD-ROMs, DVD-RWs etc.
vibrações acústicas em gravações fonográficas até modulação de energia A leitura das informações em uma mídia óptica se dá por meio de um
eletromagnética em fitas magnéticas e discos ópticos. feixe laser de alta precisão, que é projetado na superfície da mídia. A
Um dispositivo de armazenamento pode guardar informação, superfície da mídia é gravada com sulcos microscópicos capazes de
processar informação ou ambos. Um dispositivo que somente guarda desviar o laser em diferentes direções, representando assim diferentes
informação é chamado mídia de armazenamento. Dispositivos que informações, na forma de dígitos binários (bits). A gravação das
processam informações (equipamento de armazenamento de dados) informações em uma mídia óptica necessita de uma mídia especial, cuja
podem tanto acessar uma mídia de gravação portátil ou podem ter um superfície é feita de um material que pode ser “queimado” pelo feixe laser
componente permanente que armazena e recupera dados. do dispositivo de armazenamento, criando assim os sulcos que
Armazenamento eletrônico de dados é o armazenamento que requer representam os dígitos binários (bits).
energia elétrica para armazenar e recuperar dados. A maioria dos
dispositivos de armazenamento que não requerem visão e um cérebro Dispositivos de armazenamento por meio eletrônico (SSDs)
para ler os dados se enquadram nesta categoria. Dados eletromagnéticos
podem ser armazenados em formato analógico ou digital em uma Este tipo de dispositivos de armazenamento é o mais recente e é o
variedade de mídias. Este tipo de dados é considerado eletronicamente que mais oferece perspectivas para a evolução do desempenho na tarefa
codificado, sendo ou não armazenado eletronicamente em um dispositivo de armazenamento de informação. Esta tecnologia também é conhecida
semicondutor (chip), uma vez que certamente um dispositivo semicondutor como memórias de estado sólido ou SSDs (solid state drive) por não
foi utilizado para gravá-la em seu meio. A maioria das mídias de possuírem partes móveis, apenas circuitos eletrônicos que não precisam
armazenamento processadas eletronicamente (incluindo algumas formas se movimentar para ler ou gravar informações.
de armazenamento de dados de computador) são considerados de Os dispositivos de armazenamento por meio eletrônico podem ser
armazenamento permanente (não volátil), ou seja, os dados permanecem encontrados com as mais diversas aplicações, desde Pen Drives, até
armazenados quando a energia elétrica é removida do dispositivo. Em cartões de memória para câmeras digitais, e, mesmo os discos rígidos
contraste, a maioria das informações armazenadas eletronicamente na possuem uma certa quantidade desse tipo de memória funcionando como
maioria dos tipos de semicondutores são microcircuitos memória volátil, buffer.
pois desaparecem com a remoção da energia elétrica.

Noções de Informática 4
APOSTILAS OPÇÃO
A gravação das informações em um dispositivo de armazenamento o Tamanho Cache L3: 12 MB
por meio eletrônico se dá através dos materiais utilizados na fabricação o Arquitetura: Core i7 Westmere
dos chips que armazenam as informações. Para cada dígito binário (bit) a Nota-se a diferença entre os processadores. O CPU 8086 tem fre-
ser armazenado nesse tipo de dispositivo existem duas portas feitas de quência de 8 MHz, enquanto que o i7 tem uma frequência de 3,2 GHz
material semicondutor, a porta flutuante e a porta de controle. (3200 MHz), lembrando que o i7 tem 8 núcleos, cada um com estas espe-
Entre estas duas portas existe uma pequena camada de óxido, que cificações.
quando carregada com elétrons representa um bit 1 e quando
Processadores bons são indispensáveis para as mais simples aplica-
descarregada representa um bit 0. Esta tecnologia é semelhante à
ções no dia a dia. Tarefas como abrir um arquivo, até rodar os games
tecnologia utilizada nas memórias RAM do tipo dinâmica, mas pode reter
mais atuais, o processador é quem faz tudo isso acontecer. A Tecnologia
informação por longos períodos de tempo, por isso não é considerada
dos processadores está evoluindo cada vez mais. Atualmente temos
uma memória RAM propriamente dita.
processadores domésticos com 8 núcleos, e cada vez aumenta mais a
Os dispositivos de armazenamento por meio eletrônico tem a capacidade de processamento dos novos produtos lançados no mercado.
vantagem de possuir um tempo de acesso muito menor que os Yuri Pacievitch
dispositivos por meio magnético, por não conterem partes móveis. O
principal ponto negativo desta tecnologia é o seu custo ainda muito alto,
portanto dispositivos de armazenamento por meio eletrônico ainda são Memória RAM e ROM
encontrados com pequenas capacidades de armazenamento e custo De uma forma bastante simplificada, memória é um dispositivo que
muito elevado se comparados aos dispositivos magnéticos. possui a função de guardar dados em forma de sinais digitais por certo
tempo. Existem dois tipos de memórias: RAM e ROM.
A memória RAM (Random Access Memory) é aquela que permite a
Processador gravação e a regravação dos dados, no entanto, se o computador for
O processador, também chamado de CPU (central processing unit), desligado, por exemplo, perde as informações registradas. Já a memória
é o componente de hardware responsável por processar dados e trans- ROM (Read Only Memory) permite a gravação de dados uma única vez,
formar em informação. Ele também transmite estas informações para a não sendo possível apagar ou editar nenhuma informação, somente
placa mãe, que por sua vez as transmite para onde é necessário (como o acessar a mesma.
monitor, impressora, outros dispositivos). A placa mãe serve de ponte
entre o processador e os outros componentes de hardware da máquina. SISTEMA OPERACIONAL WINDOWS
Outras funções do processador são fazer cálculos e tomar decisões CONHECIMENTO DO APLICATIVO DO MICROSOFT
lógicas.

Software, logiciário ou suporte lógico é uma sequência de


instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação,
redirecionamento ou modificação de um dado/informação ou
acontecimento. Software também é o nome dado ao comportamento
exibido por essa sequência de instruções quando executada em um
computador ou máquina semelhante além de um produto desenvolvido
pela Engenharia de software, e inclui não só o programa de computador
propriamente dito, mas também manuais e especificações. Para fins
contábeis e financeiros, o Software é considerado um bem de capital.
Algumas características do processador em geral:
Este produto passa por várias etapas como: análise econômica,
• Frequência de Processador (Velocidade, clock). Medido em hertz, análise de requisitos, especificação, codificação,teste, documentação,
define a capacidade do processador em processar informações ao mesmo Treinamento, manutenção e implantação nos ambientes.
tempo.
• Cores: O core é o núcleo do processador. Existem processado-
rescore e multicore, ou seja, processadores com um núcleo e com vários Software como programa de computador
núcleos na mesma peça. Um programa de computador é composto por uma sequência de
• Cache: A memória Cache é um tipo de memória auxiliar, que faz instruções, que é interpretada e executada por um processador ou por
diminuir o tempo de transmissão de informações entre o processador e uma máquina virtual. Em um programa correto e funcional, essa
outros componentes sequência segue padrões específicos que resultam em um
comportamento desejado.
• Potência: Medida em Watts é a quantia de energia que é consu-
mida por segundo. 1W = 1 J/s (Joule por segundo) O termo "software" foi criado na década de 1940, e é um trocadilho
A Evolução dos processadores é surpreendente. A primeira marca no com o termo hardware. Hardware, em inglês, significa ferramenta física.
mercado foi a INTEL, com o a CPU 4004, lançado em 1970. Este CPU era Software seria tudo o que faz o computador funcionar excetuando-se a
para uma calculadora. Por isto, muitos dizem que os processadores parte física dele.
começaram em 1978, com a CPU 8086, também da Intel. Um programa pode ser executado por qualquer dispositivo capaz de
Alguns anos mais tarde, já em 2006, é lançado o CORE 2 DUO, um interpretar e executar as instruções de que é formado.
super salto na tecnologia dos processadores.
Para comparar: Quando um software está representado como instruções que podem
ser executadas diretamente por um processador dizemos que está escrito
• CPU 8086: em linguagem de máquina. A execução de um software também pode ser
o Numero de transistores 29000 intermediada por um programa interpretador, responsável por interpretar e
o Frequência máxima 8 Mhz executar cada uma de suas instruções. Uma categoria especial e o
o Tamanho do registro da CPU 16 bits notável de interpretadores são as máquinas virtuais, como a máquina
o Tamanho da BUS externa 16 bits virtual Java (JVM), que simulam um computador inteiro, real ou imaginado.
• Core i7
o Suporte: Socket LGA 1366 O dispositivo mais conhecido que dispõe de um processador é o
o Frequência (MHz): 3,2 GHz computador. Atualmente, com o barateamento dos microprocessadores,
o Bus processador: 4,8 GTps existem outras máquinas programáveis, como telefone celular, máquinas
o Gravação: 32 nm de automação industrial, calculadora etc.
o Tamanho Cache L1: 6 x 64 KB
o Tamanho Cache L2: 6 x 256 KB
Noções de Informática 5
APOSTILAS OPÇÃO
A construção de um programa de computador Sistemas operacionais
Um programa é um conjunto de instruções para o processador Drivers
(linguagem de máquina). Entretanto, pode-se utilizar linguagens de ferramentas de diagnóstico
programação, que traduza comandos em instruções para o processador. ferramentas de Correção e Otimização
Normalmente, programas de computador são escritos em linguagens Servidores
de programação, pois estas foram projetadas para aproximar-se das Software de programação: O conjunto de ferramentas que
linguagens usadas por seres humanos. permitem ao programador desenvolver programas de computador usando
Raramente a linguagem de máquina é usada para desenvolver um diferentes alternativas e linguagens de programação, de forma prática.
programa. Atualmente existe uma quantidade muito grande de linguagens Inclui, entre outros:
de programação, dentre elas as mais populares no momento são Java, Editores de texto
Visual Basic, C, C++, PHP, dentre outras. Compiladores
Alguns programas feitos para usos específicos, como por exemplo
Intérpretes
software embarcado ou software embutido, ainda são feitos em linguagem
de máquina para aumentar a velocidade ou diminuir o espaço consumido. linkers
Em todo caso, a melhoria dos processadores dedicados também vem Depuradores
diminuindo essa prática, sendo a C uma linguagem típica para esse tipo Ambientes de Desenvolvimento Integrado : Agrupamento das ferramentas
de projeto. Essa prática, porém, vem caindo em desuso, principalmente anteriores, geralmente em um ambiente visual, de modo que o
devido à grande complexidade dos processadores atuais, dos sistemas programador não precisa digitar vários comandos para a compilação,
operacionais e dos problemas tratados. Muito raramente, realmente interpretação, depuração, etc. Geralmente equipados com uma interface
apenas em casos excepcionais, é utilizado o código de máquina, a de usuário gráfica avançada. Fonte Wikipedia
representação numérica utilizada diretamente pelo processador.
O programa é inicialmente "carregado" na memória principal. Após WINDOWS 7
carregar o programa, o computador encontra o Entry Point ou ponto inicial
de entrada do programa que carregou e lê as instruções sucessivamente Como Criar Contas de Usuário com as Ferramentas Administrati-
byte por byte. As instruções do programa são passadas para o sistema ou vas do Windows
processador onde são traduzidas da linguagens de programação para a Na plataforma Windows a tarefa de criar contas de usuário não se de-
linguagem de máquina, sendo em seguida executadas ou diretamente ve apenas ao item Contas de Usuário do Painel de Controle. Existe um
para o hardware, que recebe as instruções na forma de linguagem de outro caminho que permite a mesma funcionalidade, porém com mais
máquina. detalhes, este caminho é através das Ferramentas Administrativas do
Tipos de programas de computador Windows. Para que você entenda com mais clareza veja o tutorial abaixo
Qualquer computador moderno tem uma variedade de programas que realizado no Windows.
fazem diversas tarefas. Acesse o Painel de Controle e entre no item Ferramentas Adminis-
Eles podem ser classificados em duas grandes categorias: trativas, em seguida acesse as ferramentas do item Gerenciamento do
1. Software de sistema que incluiu o firmware (O BIOS dos Computador.
computadores pessoais, por exemplo), drivers de dispositivos, o sistema
operacional e tipicamente uma interface gráfica que, em conjunto,
permitem ao usuário interagir com o computador e seus periféricos.
2. Software aplicativo, que permite ao usuário fazer uma ou mais
tarefas específicas. Aplicativos podem ter uma abrangência de uso de
larga escala, muitas vezes em âmbito mundial; nestes casos, os
programas tendem a ser mais robustos e mais padronizados. Programas
Acessando o Gerenciamento do Computador você visualizará o
escritos para um pequeno mercado têm um nível de padronização menor.
menu de navegação localizado a esquerda do painel e no painel central
Ainda é possível usar a categoria Software embutido ou software todas as contas disponíveis para acesso ao Windows. Para criar uma
embarcado, indicando software destinado a funcionar dentro de uma nova conta utilize o painel de navegação, em Ferramentas do Sistema
máquina que não é um computador de uso geral e normalmente com um expanda o item Usuários e Grupos Locais para visualizar a pasta Usuá-
destino muito específico. rios. Clique com o botão direito do mouse na pasta Usuários e selecione
Software aplicativo: é aquele que permite aos usuários Novo Usuário...
executar uma ou mais tarefas específicas, em qualquer campo de Em seguida observamos a janela Novo Usuário, onde você digitará
atividade que pode ser automatizado especialmente no campo dos as informações pertinentes do novo usuário para o Windows onde apenas
negócios. Inclui, entre outros: o campo Nome de Usuário é obrigatório.
Aplicações de controle e sistemas de automação industrial.
A senha deve ser inserida, quanto maior e mais complexa melhor pa-
aplicações de informática para o escritório. ra sua segurança, caso não deseje colocá-la apenas deixe em branco. Os
Software educacional. itens restantes podem ser configurados de acordo com as necessidades
Software de negócios. do administrador do computador e do novo usuário.
Banco de dados.
Telecomunicações.
video games.
Software médico.
Software de calculo numérico e simbólico.
Atualmente, temos um novo tipo de software. O software como
serviço, que é um tipo de software armazenado num computador que se
acessa pela internet, não sendo necessário instalá-lo no computador do
usuário. Geralmente esse tipo de software é gratuito e tem as mesmas
funcionalidades das versões armazenadas localmente.
Outra classificação possível em 3 tipos é:
Software de sistema: Seu objetivo é separar usuário e
programador de detalhes do computador específico que está sendo Após criar a nova conta é necessário realizar o logoff (via menu Ini-
usado. O software do sistema lhe dá ao usuário interfaces de alto nível e ciar) da conta atual, e automaticamente o novo usuário aparecerá na tela
ferramentas que permitem a manutenção do sistema. Inclui, entre outros: de boas-vindas do Windows. Lembrando que todo este procedimento só

Noções de Informática 6
APOSTILAS OPÇÃO
poderá ser realizado pelo usuário administrador ou pela própria conta de Primeiro vamos ás caixinhas de seleção, nelas você poderá aplicar os
administrador padrão do sistema assim como toda e qualquer alteração só seguintes recursos:
poderá ser feita via administrador. - Bloquear barra de tarefas (Para fixá-la obrigatoriamente na parte
Como criar um slide para a área de trabalho do Windows inferior da área de trabalho)
No Windows os planos de fundo da área de trabalho estão mais per- - Ocultar Automaticamente a barra de tarefas (Para usá-la somente
sonalizados do que no Windows vista. Agora você pode selecionar várias quando passar o mouse)
imagens ao mesmo tempo com o objetivo de criar um slide, e configurá-las - Usar ícones pequenos (Ajuda a diminuir o tamanho total da barra
para que mudem aleatoriamente. de tarefas)
No Painel de controle acesse o ícone Personalização, e em seguida No recurso de seleção a seguir você poderá definir o local dessa bar-
você poderá escolher dentre alguns pacotes de imagens para criar um slide ra para as posições: Superior, Direita, Esquerda ou Inferior.
para o plano de fundo da sua área de trabalho. Dentre essas imagens é E o mais novo recurso é o da combinação de janelas, perfeito para
possível escolher fotos, imagens da internet, enfim, que ficará ao seu critério. aqueles que utilizam muitos programas ao mesmo tempo, pois agora você
Na imagem abaixo você pode escolher dentre vários pacotes de planos de não se preocupará de ter que ficar olhando para um monte de janelas.
fundo. Basta selecionar o desejado e partir para configurá-los. As opções são:
- Sempre combinar, ocultar rótulos (Não importando a quantidade
de programas a barra combinará as janelas somente pelo ícone do pro-
grama, ou seja, sem rótulos)
- Combinar quando a barra de tarefas estiver cheia (Exibirá nor-
malmente as janelas do modo tradicional com os rótulos até o quanto a
barra suportar, quando ultrapassar combinará os rótulos sumirão)
- Nunca combinar (As janelas serão exibidas tradicionalmente como
nos sistemas anteriores)
E por último as notificações dos ícones da parte direita da barra de ta-
refas que também não são novidades para nós usuários das versões
anteriores do Windows.
Após configurar á seu gosto clique em Aplicar e Ok.
Nos itens Plano de fundo da área de trabalho é possível configurar
o tempo em que um slide muda para outro e cor de janela. Isso você verá
Como ajustar efeitos visuais no Windows
na tela abaixo.
No Windows você também pode configurar alguns recursos visuais
para melhorar o desempenho. Para acessar rapidamente utilize as teclas
Windows + Pause Break, clique em Configurações avançadas do
sistema e entre na aba avançado, na guia Desempenho clique no botão
Configurações para visualizar as Opções de desempenho.

Depois de personalizar ao seu gosto clique em Salvar alterações pa-


ra aplicar as configurações.

Como personalizar a barra de tarefas do Windows


No Windows a barra de tarefas apresenta alguns novos recursos que
o Windows Vista não possui, uma das principais novidades é a combina-
ção de telas quando utilizadas do mesmo programa. Na imagem abaixo
você poderá enxergar como configurar e personalizar ao seu gosto. Para
acessá-la clique com o botão direito no menu Iniciar e clique em Proprie-
dades.

Na janela opções de desempenho você verá as opções de ajuste de


efeitos visuais. Onde 2 são contraditórias, Ajustar para obter uma me-
lhor aparência e Ajustar para obter um melhor desempenho. Pois a 1°
opção citada define cada item da lista marcado para utilizar todos os
recursos visuais do sistema de vídeo otimizando a aparência a todo vapor,
e a 2° opção desmarcar todos os itens da lista definindo o sistema de

Noções de Informática 7
APOSTILAS OPÇÃO
vídeo para a configuração mínima, porém otimizando o desempenho do Marque as bibliotecas desejadas para o compartilhar e clique em
sistema operacional justificando que quanto mais recursos visuais menor é Avançar.
o desempenho do computador e vice-versa.
Mas com a opção Personalizar você poderá escolher o item a qual
deseje que o sistema de vídeo utilize, dessa maneira haverá um maior
equilíbrio entre a aparência e o desempenho. Após escolher os itens
clique em Aplicar e Ok para que a configuração desejada entre em vigor
no Windows.

Como utilizar as Notas autoadesivas do Windows


Dentre os programas novos que acompanham no novo sistema Win-
dows temos as Notas Autoadesivas que simula uma espécie de etiqueta
adesiva de anotação. É um novo recurso que permite a inserção de pe-
quenos textos que servem para avisos, recados, etc.
Para utilizá-las, basta clicar sobre Notas Autoadesivas na lista de
programas no menu Acessórios do menu Iniciar. Ao executar uma nova
nota será inserida na área de trabalho pronta para receber textos. Você
também poderá modificar a cor clicando com o botão direito sobre a nota e
selecionar dentre as cores disponíveis.
Para adicionar uma nova nota posicione a seta do mouse em sua O próximo passo é anotar a senha gerada pelo grupo e repassar para
área superior e clique no botão +. Para fechá-la clique no botão x na outra as outras máquinas (usuários) se conectarem ao grupo doméstico criado.
extremidade da nota, mas lembre-se que dessa maneira o texto digitado Ao estar conectados poderão compartilhar tudo que foi configurado para o
não será salvo. O programa salva as notas automaticamente se for fecha- grupo.
do, sendo que as notas só aparecerão na área de trabalho com o progra-
ma em execução, você poderá checar que estará minimizado na barra de
tarefas e as notas estarão sendo exibidas.

Como Configurar Grupo Doméstico no Windows


Um novo recurso no sistema Windows é a possibilidade de criar gru-
pos domésticos que facilita todo um processo para realizar o compartilha-
mento de impressora e arquivos. Muito útil para Administradores de redes.
É uma forma mais simples de se configurar uma "rede" lógica. Tendo uma
estrutura física que garanta o interligamento de máquinas é possível criar
um grupo doméstico em uma única máquina e distribuir para as outras
com Windows. Siga o tutorial abaixo.
Para criar o grupo acesse a Central de Rede e Compartilhamento
do Windows pelo Painel de controle.
Para que outro usuário se conecte ao grupo basta entrar no Centro
de Rede e Compartilhamento, clicar em Disponível para ingressar,
inserir a senha gerada e pronto. Depois de ingressar o usuário poderá
acessar os arquivos compartilhados pelo Windows explorer.

Em seguida clique em Escolher o que você deseja compartilhar.

Como utilizar o Windows Defender no Windows


Uma combinação interessante e razoavelmente eficaz de proteção no
Windows é a utilização manual do Windows Defender aliado a um bom
antivírus. A execução contínua de um bom programa antivírus constante-
mente atualizado ajuda muito a proteger o seu computador de vírus,
spywares, etc. No caso do Windows Defender é aconselhável sua ativa-
ção manual a cada período prolongado do seu computador. Para executá-
lo rapidamente faça o seguinte:
Abra o menu Iniciar, no campo Pesquisar programas e arquivos,
digite Windows defender. O ícone do programa surgirá no painel superior
do campo de pesquisa do menu Iniciar.

Noções de Informática 8
APOSTILAS OPÇÃO
Em seguida clique no botão Verificar agora e aguarde o término da
verificação.

Ao executá-lo pela primeira vez o programa mostrará uma mensagem


indicando a necessidade de verificação, na imagem acima a mensagem
se refere que a verificação já foi realizada com sucesso e sem detecção
nenhuma. Quanto ao escaneamento você poderá realizar 3 tipos: Verifi- Lembre-se que o Windows Defender não é um Antivírus, e que deve
cação Rápida, Completa ou Personalizada. As 2 primeiras verificações ser utilizado juntamente com qualquer antivírus legítimo para que seu
são iniciadas automaticamente ao se clicá-las, quanto a verificação Per- Windows mantenha-se protegido.
sonalizada será possível selecionar os diretórios do seu sistema para ser
scaneado. Para acioná-la clique na setinha ao lado do botão Verificar, em
seguida clique em Verificação Personalizada. Criando Ponto de Restauração no Windows
Durante o uso do computador, instalamos e removemos dezenas de
programas do sistema operacional. Estas mudanças podem causar falhas
e problemas sérios ao Windows, em especial quando lidamos com desen-
volvedores ruins e certas aplicações específicas, como antivírus e temas
para a Área de Trabalho.
Muitas vezes instalamos o aplicativo e tudo parece correr bem, até
que algumas funções passam a apresentar erros e outras simplesmente
não funcionam mais. Tudo o que queremos nessa hora é voltar no tempo,
o que pode ser feito graças à Restauração do Sistema.
A função também serve como tentativa de solucionar qualquer com-
portamento diferente que o Windows passe a apresentar, o que pode ser
causado por diversos fatores – falhas inexplicadas do sistema, atualiza-
ções feitas de modo errado, vírus.

Como funciona
Ao criarmos um ponto de retorno dentro da Restauração do Sistema,
fazemos com que o computador memorize todas as configurações ineren-
tes ao funcionamento da máquina, o que em geral acontece no registro do
Windows.
Clique no botão Selecionar e marque as unidades desejadas para Desta forma, temos a segurança de poder voltar atrás quando insta-
realizar a verificação e clique em Ok e você voltará para a janela anterior. lamos um aplicativo danoso à saúde do sistema operacional. Criar um
ponto de restauração no Windows é muito fácil e demanda poucos segun-
dos de atenção. Siga os seguintes passos para realizar o processo:

Crie o ponto de restauração


1. Clique no botão Iniciar e digite Criar ponto na lacuna de pesquisa
para encontrar a função, como indicado na figura:

Noções de Informática 9
APOSTILAS OPÇÃO
2. Selecione a função Criar, localizada na parte inferior da janela: 3. Escolha o ponto de sua preferência e clique para avançar:

4. Salve seus arquivos importantes e somente após ter certeza de que


tudo está correto clique em Concluir para começar a restauração.

3. Digite um nome para identificar o ponto e evitar enganos posterior-


mente:

Em alguns casos podem ser necessários diversos minutos para retor-


nar o seu Windows a um ponto anterior no tempo. Para problemas cau-
4. Clique em criar e aguarde o término do processo.
sados por aplicativos instalados e danos feitos ao registro, a tarefa recupe-
Fácil assim, seu primeiro ponto de restauração do sistema está cria- ra o bom funcionamento do computador na grande maioria dos casos.
do! Agora vamos ensiná-lo a reverter situações complicadas que o Win-
Fonte: computerdicas
dows possa apresentar. O processo é tão fácil quanto o primeiro e em
boa parte dos casos gera resultados satisfatórios para os usuários.

Restaure o sistema
1. Abra novamente o Menu Iniciar e digite Restauração para encon-
trar o processo:

2. Caso a restauração recomendada não seja a que você criou, mar-


Em alguns casos podem ser necessários diversos minutos para retor-
que a seleção Escolher um outro ponto de restauração:
nar o seu Windows a um ponto anterior no tempo. Para problemas cau-
sados por aplicativos instalados e danos feitos ao registro, a tarefa recupe-
ra o bom funcionamento do computador na grande maioria dos casos.
Fonte: computerdicas

Windows RT 8.1

O Windows RT 8.1 é um sistema operacional baseado no Windows


que foi otimizado para computadores leves e dinâmicos com vida útil da
bateria estendida, projetados para uso em trânsito. O Windows RT 8.1 só
executa aplicativos nativos ou baixados da Windows Store. O Windows
Update mantém automaticamente o computador atualizado, e o Windows
Defender oferece proteção atualizada contra vírus e malware.

Noções de Informática 10
APOSTILAS OPÇÃO
Se você já tem um computador ou tablet que veio com o Windows RT Organizar a Tela Start do Windows 8
pré-instalado, pode baixar a atualização gratuita para o Windows RT 8.1 Essa tela nova funciona como o antigo Menu Iniciar e consiste em um
na Windows Store. Você só pode instalar o Windows RT 8.1 em computa- mosaico com imagens animadas. Cada mosaico representa um aplicativo
dores ou tablets que já estejam executando o Windows RT. que está instalado no computador. Os atalhos dessa área de trabalho, que
representam aplicativos de versões anteriores, ficam com o nome na parte
O Windows RT 8.1 contém muitos recursos iguais aos do Windows de cima e um pequeno ícone na parte inferior. Novos mosaicos possuem
8.1, mas foi criado para computadores leves e dinâmicos que usam pro- tamanhos diferentes, cores diferentes e são atualizados automaticamente.
cessadores ARM. Alguns recursos comuns ao Windows 8.1 e ao Windows
RT 8.1 são: A tela pode ser customizada conforme a conveniência do usuário. Al-
• Design de interface fluido, intuitivo, fácil de usar e de personalizar guns utilitários não aparecem nessa tela, mas podem ser encontrados
clicando com o botão direito do mouse em um espaço vazio da tela. Se
• Aplicativos nativos, como Email, Calendário, Fotos e OneDrive, deseja que um desses aplicativos apareça na sua tela inicial, clique com o
com muitos outros aplicativos disponíveis na Windows Store botão direito sobre o ícone e vá para a opção Fixar na Tela Inicial.
• Internet Explorer 11, para navegação rápida e intuitiva
• Projetado para touch, para você interagir com o Windows de uma Charms Bar
maneira inteiramente nova O objetivo do Windows 8 é ter uma tela mais limpa e esse recurso
• Projetado para mouse e teclado, para você ser tão produtivo possibilita “esconder” algumas configurações e aplicações. É uma barra
quanto precisa localizada na lateral que pode ser acessada colocando o mouse no canto
direito e inferior da tela ou clicando no atalho Tecla do Windows + C. Essa
função substitui a barra de ferramentas presente no sistema e configurada
O Windows RT 8.1 também inclui alguns outros recursos: de acordo com a página em que você está.
• O Windows Update e o Windows Defender estão sempre prontos Personalizando o Windows 8
e atualizados para reforçar a segurança de seu computador.
• A tecnologia BitLocker oferece proteção avançada de dados para Cor do Papel de Parede
manter suas informações mais seguras. Com a Charm Bar ativada, digite Personalizar na busca em configura-
• Todos os computadores com o Windows RT 8.1 usam o Ins- ções. Depois escolha a opção tela inicial e em seguida escolha a cor da
tantGo para ligar instantaneamente e manter os blocos e outros tela. O usuário também pode selecionar desenhos durante a personaliza-
serviços online atualizados, mesmo quando a tela estiver desliga- ção do papel de parede.
da (nem todos os computadores com oWindows 8.1 incluem o
InstantGo). Redimensionar as tiles
• Vem com o Office 2013 RT, oferecendo versões de área de traba- Na tela esses mosaicos ficam uns maiores que os outros, mas isso
lho do Word, Excel, PowerPoint, OneNote e Outlook otimizadas pode ser alterado clicando com o botão direito na divisão entre eles e
para touch. Para obter mais detalhes, confira a página do produto optando pela opção menor. Você pode deixar maior os aplicativos que
Office 2013 RT. você quiser destacar no computador.

Grupos de Aplicativos
Alguns recursos não estão incluídos no Windows RT 8.1:
Pode-se criar divisões e grupos para unir programas parecidos. Isso
• Windows Media Player pode ser feito várias vezes e os grupos podem ser renomeados.
• Windows Media Center
• Criação de Grupo Doméstico (é possível ingressar em um Grupo Visualizar as pastas
Doméstico existente, mas não criar um novo) A interface do programas no computador podem ser vistos de maneira
• Capacidade de conexão ao computador com o Windows RT 8.1 a horizontal com painéis dispostos lado a lado. Para passar de um painel
partir de outro computador via Área de Trabalho Remota para outro é necessário usar a barra de rolagem que fica no rodapé.

• Ingresso no domínio Compartilhar e Receber


Comando utilizado para compartilhar conteúdo, enviar uma foto, etc.
Com o Windows RT 8.1, você pode instalar aplicativos diretamente da Tecle Windows + C, clique na opção Compartilhar e depois escolha qual
Windows Store, mas não pode instalar aplicativos da área de trabalho que meio vai usar. Há também a opção Dispositivo que é usada para receber e
você usava com versões anteriores do Windows. enviar conteúdos de aparelhos conectados ao computador.
Fonte: http://windows.microsoft.com/pt-br/windows/windows-rt-faq
Alternar Tarefas
Windows 8 Com o atalho Alt + Tab, é possível mudar entre os programas abertos
no desktop e os aplicativos novos do SO. Com o atalho Windows + Tab é
possível abrir uma lista na lateral esquerda que mostra os aplicativos
É o sistema operacional da Microsoft que substituiu o Windows 7 em modernos.
tablets, computadores, notebooks, celulares, etc. Ele trouxe diversas
mudanças, principalmente no layout, que acabou surpreendendo milhares Telas Lado a Lado
de usuários acostumados com o antigo visual desse sistema.
A tela inicial completamente alterada foi a mudança que mais impac- Esse sistema operacional não trabalha com o conceito de janelas,
tou os usuários. Nela encontra-se todas as aplicações do computador que mas o usuário pode usar dois programas ao mesmo tempo. É indicado
ficavam no Menu Iniciar e também é possível visualizar previsão do tem- para quem precisa acompanhar o Facebook e o Twitter, pois ocupa ¼ da
po, cotação da bolsa, etc. O usuário tem que organizar as pequenas tela do computador.
miniaturas que aparecem em sua tela inicial para ter acesso aos progra-
mas que mais utiliza. Visualizar Imagens
Caso você fique perdido no novo sistema ou dentro de uma pasta, cli- O sistema operacional agora faz com que cada vez que você clica em
que com o botão direito e irá aparecer um painel no rodapé da tela. Caso uma figura, um programa específico abre e isso pode deixar seu sistema
você esteja utilizando uma das pastas e não encontre algum comando, lento. Para alterar isso é preciso ir em Programas – Programas Default –
clique com o botão direito do mouse para que esse painel apareça. Selecionar Windows Photo Viewer e marcar a caixa Set this Program as
Default.

Noções de Informática 11
APOSTILAS OPÇÃO
Imagem e Senha nhar três formas em touch ou com o mouse: uma linha reta, um círculo e
O usuário pode utilizar uma imagem como senha ao invés de escolher um ponto. Depois, finalize o processo e sua senha estará pronta. Na
uma senha digitada. Para fazer isso, acesse a Charm Bar, selecione a próxima vez, repita os movimentos para acessar seu computador.
opção Settings e logo em seguida clique em More PC settings. Acesse a
opção Usuários e depois clique na opção “Criar uma senha com imagem”. Internet Explorer no Windows 8
Em seguida, o computador pedirá para você colocar sua senha e redireci-
onará para uma tela com um pequeno texto e dando a opção para esco- Se você clicar no quadrinho Internet Explorer da página inicial, você
lher uma foto. Escolha uma imagem no seu computador e verifique se a terá acesso ao software sem a barra de ferramentas e menus.
imagem está correta clicando em “Use this Picture”. Você terá que dese-

Atalho do Novo Windows

Comando Atalho no Word Comando Atalho no Word


Troca entre a Área de Trabalho e Mostra as configurações, dispositivos instalados,
Tecla Windows Windows + C
a última aplicação rodada opções de compartilhamento e pesquisa.
Abre o desktop Windows + D Abre o Windows Explorer para ver seus arquivos. Windows + E
Abre o painel de busca de arquivos e pastas. Windows + F Abre o painel de compartilhamento de dados. Windows + H
Abre a tela de configurações. Windows + I Abre o painel de dispositivos. Windows + K
Minimiza o Windows Explorer ou o Internet
Windows + M Troca para um segundo monitor, caso exista. Windows + P
Explorer
Abre a ferramenta de busca. Windows + Q Trava o computador. Windows + L
Digite Power e você terá links para opções de gerenciar
Mostra os avisos do sistema (notifications). Windows + V Windows + W
energia, desligar, reiniciar e hibernar o computador.
Mostra o menu de contexto do botão direito do
Windows + Z Permite fazer zoom. Windows + +
mouse em tela cheia.
Abre o centro de acessibilidade, permitindo configura-
Abre a caixa de execução. Windows + R Windows + U
ções de tela, teclado e mouse, entre outros.
Efeito zoom out. Windows + - Abre o programa narrador. Windows + Enter

REQUISITOS DO SISTEMA deve ser usado o comando ls −a para também listar arquivos ocultos.
CPU
Seu computador deve possuir um processador 386, 486, Pentium, ou Extensão de arquivos
Pentium Pro, ou um dos clones desses processadores produzido por A extensão serve para identificar o tipo do arquivo. A extensão são as
fabricantes tal como Cyrix, AMD, TI, IBM, etc. Se seu processador tem letras após um "." no nome de um arquivo, explicando melhor:
letras como "sx", "sl", "slc", etc. depois do número como em "386sx", isto é • relatorio.txt − O .txt indica que o conteúdo é um arquivo texto
bom. O sistema não rodará em processadores 286 ou mais antigos • script.sh − Arquivo de Script (interpretado por /bin/sh).
• system.log − Registro de algum programa no sistema
• arquivo.gz − Arquivo compactado pelo utilitário gzip
Video • index.aspl − Página de Internet (formato Hypertexto)
Você deveria usar uma interface de video VGA-compatível para o
terminal de console. Quase toda placa de video moderna é compatível A extensão de um arquivo também ajuda a saber o que precisamos
com VGA. CGA, MDA, ou HGA trabalham OK para texto, mas elas não fazer para abri−lo. Por exemplo, o arquivo relatorio.txt é um texto simples
trabalharão com o Sistema X Window, e nós não as testamos. O uso de e podemos ver seu conteúdo através do comando cat, já o arquivo in-
um terminal serial para o console ainda não é suportado. dex.aspl contém uma página de Internet e precisaremos de um navegador
para poder visualiza−lo (como o lynx, Mosaic ou o Netscape).
Outro Hardware
O Linux suporta uma grande variedade de dispositivos de hardware A extensão (na maioria dos casos) não é requerida pelo sistema ope-
como mouses, impressoras, scanners, modems, placas de rede, etc. racional GNU/Linux, mas é conveniente o seu uso para determinarmos
Entretanto, nenhum desses dispositivos são requisitados na instalação do facilmente o tipo de arquivo e que programa precisaremos usar para
sistema. abri−lo.
Arquivos Arquivo texto e binário
É onde gravamos nossos dados. Um arquivo pode conter um texto fei- Quanto ao tipo, um arquivo pode ser de texto ou binário:
to por nós, uma música, programa, planilha, etc.
Texto
Cada arquivo deve ser identificado por um nome, assim ele pode ser Seu conteúdo é compreendido pelas pessoas. Um arquivo texto pode
encontrado facilmente quando desejar usa−lo. Se estiver fazendo um ser uma carta, um script, um programa de computador escrito pelo pro-
trabalho de história, nada melhor que salva−lo com o nome historia. Um gramador, arquivo de configuração, etc.
arquivo pode ser binário ou texto.O GNU/Linux é Case Sensitive ou seja,
ele diferencia letras maiúsculas e minúsculas nos arquivos. O arquivo Binário
historia é completamente diferente de Historia. Esta regra também é válido Seu conteúdo somente pode ser entendido por computadores. Con-
para os comandos e diretórios. tém caracteres incompreensíveis para pessoas normais. Um arquivo
binário é gerado através de um arquivo de programa (formato texto)
Prefira, sempre que possível, usar letras minúsculas para identificar através de um processo chamado de compilação. Compilação é básica-
seus arquivos, pois quase todos os comandos do sistema estão em mi- mente a conversão de um programa em linguagem humana para a lingua-
núsculas. gem de máquina.
Um arquivo oculto no GNU/Linux é identificado por um "." no inicio do
nome . Arquivos ocultos não aparecem em listagens normais de diretórios,
Noções de Informática 12
APOSTILAS OPÇÃO
Diretório Exemplo de diretório
Diretório é o local utilizado para armazenar conjuntos arquivos para Um exemplo de diretório é o seu diretório de usuário, todos seus ar-
melhor organização e localização. O diretório, como o arquivo, também é quivos essenciais devem ser colocadas neste diretório. Um diretório pode
"Case Sensitive" (diretório /teste é completamente diferente do diretó- conter outro diretório, isto é útil quando temos muitos arquivos e queremos
rio/Teste). melhorar sua organização. Abaixo um exemplo de uma empresa que
precisa controlar os arquivos de Pedidos que emite para as fábricas:
Não podem existir dois arquivos com o mesmo nome em um diretório, /pub/vendas − diretório principal de vendas /pub/vendas/mes01−05 −
ou um sub−diretório com um mesmo nome de um arquivo em um mesmo diretório contendo vendas do mês 01/2005 /pub/vendas/mes02−05 −
diretório. diretório contendo vendas do mês 02/2005/pub/vendas/mes03−05 −
diretório contendo vendas do mês 03/2005
Um diretório nos sistemas Linux/UNIX são especificados por uma "/" e
• o diretório vendas é o diretório principal.
não uma "\" como é feito no DOS.
• mes01−05 subdiretório que contém os arquivos de vendas do mês
01/2005.
Diretório Raíz
Este é o diretório principal do sistema. Dentro dele estão todos os di- • mes02−05 subdiretório que contém os arquivos de vendas do mês
retórios do sistema. O diretório Raíz é representado por uma "/", assim se 02/2005.
você digitar o comando cd / você estará acessando este diretório. • mes03−05 subdiretório que contém os arquivos de vendas do mês
03/2005. 
Nele estão localizados outros diretórios como o /bin, /sbin, /usr, • mes01−05, mes02−05, mes03−05 são diretórios usados para ar-
/usr/local, /mnt, /tmp, /var, /home, etc. Estes são chamados de mazenar os arquivos de pedidos do mês e ano
sub−diretórios pois estão dentro do diretório "/". A estrutura de diretórios e • correspondente. Isto é essencial para organização, pois se todos
sub−diretórios pode ser identificada da seguinte maneira: os pedidos fossem colocados diretamente no diretório vendas, se-
·/ ria muito difícil encontrar o arquivo do cliente "João" ;−)
· /bin Você deve ter reparado que usei a palavra sub−diretório para
· /sbin mes01−05, mes02−05 e mes03−05, porque que eles estão dentro do
· /usr diretório vendas. Da mesma forma, vendas é um sub−diretório de pub.
· /usr/local
· /mnt Estrutura básica de diretórios do Sistema Linux
· /tmp O sistema GNU/Linux possui a seguinte estrutura básica de diretórios:
· /var • /bin Contém arquivos programas do sistema que são usados com
· /home frequência pelos usuários.
• /boot Contém arquivos necessários para a inicialização do siste-
A estrutura de diretórios também é chamada de Árvore de Diretórios ma.
porque é parecida com uma árvore de cabeça para baixo. Cada diretório • /cdrom Ponto de montagem da unidade de CD−ROM.
do sistema tem seus respectivos arquivos que são armazenados conforme • /dev Contém arquivos usados para acessar dispositivos (periféri-
regras definidas pela FHS (FileSystem Hierarchy Standard − Hierarquia cos) existentes no computador.
Padrão do Sistema deArquivos), definindo que tipo de arquivo deve ser • /etc Arquivos de configuração de seu computador local.
armazenado em cada diretório. • /floppy Ponto de montagem de unidade de disquetes
• /home Diretórios contendo os arquivos dos usuários.
Diretório padrão
• /lib Bibliotecas compartilhadas pelos programas do sistema e mó-
É o diretório em que nos encontramos no momento. Também é cha-
dulos do kernel.
mado de diretório atual. Você pode digitar pwd para verificar qual é seu
• /lost+found Guia Completo Linux.Local para a gravação de ar-
diretório padrão.
quivos/diretórios recuperados pelo utilitário fsck.ext2. Cada parti-
O diretório padrão também é identificado por um . (ponto). O comando
ção possui seu próprio diretório lost+found.
comando ls . pode ser usado para listar os arquivos do diretório atual (é
claro que isto é desnecessário porque se não digitar nenhum diretório, o • /mnt Ponto de montagem temporário.
comando ls listará o conteúdo do diretório atual). • /proc Sistema de arquivos do kernel. Este diretório não existe em
seu disco rígido, ele é colocado lá pelo kernel e usado por diver-
Diretório home sos programas que fazem sua leitura, verificam configurações do
Também chamado de diretório de usuário. Em sistemas GNU/Linux sistema ou modificar o funcionamento de dispositivos do sistema
cada usuário (inclusive o root) possui seu próprio diretório onde poderá através da alteração em seus arquivos.
armazenar seus programas e arquivos pessoais. • /root Diretório do usuário root.
Este diretório está localizado em /home/[login], neste caso se o seu • /sbin Diretório de programas usados pelo superusuário (root) para
login for "joao" o seu diretório home será /home/joao. O diretório home administração e controle do funcionamento do sistema.
também é identificado por um ~(til), você pode digitar tanto o comando • /tmp Diretório para armazenamento de arquivos temporários cria-
ls/home/joao como ls ~ para listar os arquivos de seu diretório home. dos por programas.
• /usr Contém maior parte de seus programas. Normalmente aces-
O diretório home do usuário root (na maioria das distribuições sível somente como leitura.
GNU/Linux) está localizado em /root. Dependendo de sua configuração e • /var Contém maior parte dos arquivos que são gravados com fre-
do número de usuários em seu sistema, o diretório de usuário pode ter a quência pelos programas do sistema, e−mails, spool de impresso-
seguinte forma: /home/[1letra_do_nome]/[login], neste caso se o seu login ra, cache, etc.
for "joao" o seu diretório home será /home/j/joao.
Nomeando Arquivos e Diretórios
Diretório Superior e anterior No GNU/Linux, os arquivos e diretórios pode ter o tamanho de até 255
O diretório superior (Upper Directory) é identificado por .. (2 pontos). letras. Você pode identifica−lo com uma extensão (um conjunto de letras
Caso estiver no diretório /usr/local e quiser listar os arquivos do diretó- separadas do nome do arquivo por um ".").
rio /usr você pode digitar, ls .. Este recurso também pode ser usado para
copiar, mover arquivos/diretórios, etc. Os programas executáveis do GNU/Linux, ao contrário dos programas
O diretório anterior é identificado por −. É útil para retornar ao último de DOS e Windows, não são executados a partir de extensões .exe, .com
diretório usado. ou .bat. O GNU/Linux (como todos os sistemas POSIX) usa a permissão
Se estive no diretório /usr/local e digitar cd /lib, você pode retornar fa- de execução de arquivo para identificar se um arquivo pode ou não ser
cilmente para o diretório /usr/local usando cd −. executado.

Noções de Informática 13
APOSTILAS OPÇÃO
No exemplo anterior, nosso trabalho de história pode ser identificado A posição onde o comando será digitado é marcado um "traço" pis-
mais facilmente caso fosse gravado com o nome trabalho.text ou traba- cante na tela chamado de cursor. Tanto em shells texto como em gráficos
lho.txt. Também é permitido gravar o arquivo com o nome Trabalho de é necessário o uso do cursor para sabermos onde iniciar a digitação de
Historia.txt mas não é recomendado gravar nomes de arquivos e diretórios textos e nos orientarmos quanto a posição na tela.
com espaços. Porque será necessário colocar o nome do arquivo entre
"aspas" para acessa−lo (por exemplo, cat "Trabalho de Historia.txt"). Ao O aviso de comando do usuário root é identificado por uma # (tralha),
invés de usar espaços, prefira capitalizar o arquivo (usar letras maiúsculas e o aviso de comando de usuários é identificado pelo símbolo $. Isto é
e minúsculas para identifica−lo): TrabalhodeHistoria.txt. padrão em sistemas UNIX.

Comandos Você pode retornar comandos já digitados pressionando as teclas Se-


Comandos são ordens que passamos ao sistema operacional para ta para cima / Seta para baixo. A tela pode ser rolada para baixo ou para
executar uma determinada tarefa. cima segurando a tecla SHIFT e pressionando PGUP ou PGDOWN. Isto é
útil para ver textos que rolaram rapidamente para cima.
Cada comando tem uma função específica, devemos saber a função
de cada comando e escolher o mais adequado para fazer o que deseja- Abaixo algumas dicas sobre a edição da linha de comandos):
mos, por exemplo: • Pressione a tecla Backspace ("<−−") para apagar um caracter à
• ls − Mostra arquivos de diretórios esquerda do cursor.
• cd − Para mudar de diretório • Pressione a tecla Del para apagar o caracter acima do cursor.
• Pressione CTRL+A para mover o cursor para o inicio da linha de
Opções comandos.
As opções são usadas para controlar como o comando será executa- • Pressione CTRL+E para mover o cursor para o fim da linha de
do, por exemplo, para fazer uma listagem mostrando o dono, grupo, comandos.
tamanho dos arquivos você deve digitar ls −l. • Pressione CTRL+U para apagar o que estiver à esquerda do cur-
sor. O conteúdo apagado é copiado para uso com CTRL+y.
Opções podem ser passadas ao comando através de um "−" ou "−−": • Pressione CTRL+K para apagar o que estiver à direita do cursor.
− Opção identificada por uma letra. Podem ser usadas mais de uma O conteúdo apagado é copiado para uso com CTRL+y.
opção com um único hifen. O comando ls • Pressione CTRL+L para limpar a tela e manter o texto que estiver
−l −a é a mesma coisa de ls −la sendo digitado na linha de comando
• Pressione CTRL+Y para colocar o texto que foi apagado na posi-
Opção identificada por um nome. O comando ls −−all é equivalente a ção atual do cursor.
ls −a.
Interpretador de comandos
Pode ser usado tanto "−" como "−−", mas há casos em que somente Também conhecido como "shell". É o programa responsável em inter-
"−" ou "−−" esta disponível. pretar as instruções enviadas pelo usuário e seus programas ao sistema
operacional (o kernel). Ele que executa comandos lidos do dispositivo de
Parâmetros entrada padrão (teclado) ou de um arquivo executável. É a principal liga-
Um parâmetro identifica o caminho, origem, destino, entrada padrão ção entre o usuário, os programas e o kernel. O GNU/Linux possui diver-
ou saída padrão que será passada ao comando. sos tipos de interpretadores de comandos, entre eles posso destacar o
bash, ash, csh, tcsh, sh, etc. Entre eles o mais usado é o bash. O interpre-
Se você digitar: ls /usr/doc/copyright, /usr/doc/copyright será o parâ- tador de comandos do DOS, por exemplo, é o command.com.
metro passado ao comando ls, neste caso queremos que ele liste os
arquivos do diretório /usr/doc/copyright. Os comandos podem ser enviados de duas maneiras para o interpre-
tador: interativa e não−interativa:
É normal errar o nome de comandos, mas não se preocupe, quando
isto acontecer o sistema mostrará a mensagem command not found Interativa
(comando não encontrado) e voltará ao aviso de comando. Os comandos Os comandos são digitados no aviso de comando e passados ao in-
se encaixam em duas categorias: Comandos Internos e Comandos Exter- terpretador de comandos um a um. Neste modo, o computador depende
nos. do usuário para executar uma tarefa, ou próximo comando.
Por exemplo: "ls −la /usr/doc", ls é o comando, −la é a opção passada Não−interativa
ao comando, e /usr/doc é o diretório passado como parâmetro ao coman- São usados arquivos de comandos criados pelo usuário (scripts) para
do ls. o computador executar os comandos na ordem encontrada no arquivo.
Comandos Internos Neste modo, o computador executa os comandos do arquivo um por um e
São comandos que estão localizados dentro do interpretador de co- dependendo do término do comando, o script pode checar qual será o
mandos (normalmente o Bash) e não no disco. Eles são carregados na próximo comando que será executado e dar continuidade ao processa-
memória RAM do computador junto com o interpretador de comandos. mento.
Quando executa um comando, o interpretador de comandos verifica
primeiro se ele é um Comando Interno caso não seja é verificado se é um Este sistema é útil quando temos que digitar por várias vezes segui-
Comando Externo. das um mesmo comando ou para compilar algum programa complexo.

Exemplos de comandos internos são: cd, exit, echo, bg, fg, source, O shell Bash possui ainda outra característica interessante: A comple-
help. tação dos nomes de comandos. Isto é feito pressionando−se a tecla TAB,
o comando é completado e acrescentado um espaço. Isto funciona sem
Comandos Externos problemas para comandos internos, caso o comando não seja encontrado,
São comandos que estão localizados no disco. Os comandos são o Bash emite um beep.
procurados no disco usando o path e executados assim que encontrados.
Terminal Virtual (console)
Aviso de comando (Prompt) Terminal (ou console) é o teclado e tela conectados em seu computa-
Aviso de comando (ou Prompt), é a linha mostrada na tela para digita- dor. O GNU/Linux faz uso de sua característica multi−usuária usando os
ção de comandos que serão passados aointerpretador de comandos para "terminais virtuais". Um terminal virtual é uma segunda seção de trabalho
sua execução. completamente independente de outras, que pode ser acessada no com-
putador local ou remotamente via telnet, rsh, rlogin, etc.

Noções de Informática 14
APOSTILAS OPÇÃO
No GNU/Linux, em modo texto, você pode acessar outros terminais Você pode acessar uma partição de disco usando o comando mount.
virtuais segurando a tecla ALT e pressionando F1 a F6. Cada tecla de mount [dispositivo] [ponto de montagem] [opções]
função corresponde a um número de terminal do 1 ao 6 (o sétimo é usado
por padrão pelo ambiente gráfico X). O GNU/Linux possui mais de 63 Onde:
terminais virtuais, mas apenas 6 estão disponíveis inicialmente por moti- Identificação da unidade de disco/partição que deseja acessar (como
vos de economia de memória RAM . /dev/hda1 (disco rígido) ou /dev/fd0 (primeira unidade de disquetes).
Se estiver usando o modo gráfico, você deve segurar CTRL+ ALT en- Ponto de montagem
quanto pressiona uma tela de <F1> a <F6>. Diretório de onde a unidade de disco/partição será acessado. O dire-
Um exemplo prático: Se você estiver usando o sistema no Terminal 1 tório deve estar vazio para montagem de um sistema de arquivo. Normal-
com o nome "joao" e desejar entrar como "root" para instalar algum pro- mente é usado o diretório /mnt para armazenamento de pontos de monta-
grama, segure ALT enquanto pressiona <F2> para abrir o segundo termi- gem temporários.
nal virtual e faça o login como "root". Será aberta uma nova seção para o
usuário "root" e você poderá retornar a hora que quiser para o primeiro Exemplo de Montagem:
terminal pressionando ALT+<F1>. Montar uma partição Windows (vfat)em /dev/hda1 em /mnt somente
para leitura: mount
Login e logout /dev/hda1 /mnt −r −t ext2
Login é a entrada no sistema quando você digita seu nome e senha. Montar a primeira unidade de disquetes /dev/fd0 em /floppy: mount
/dev/fd0 /floppy −tvfat
Logout é a saída do sistema. A saída do sistema é feita pelos coman- Montar uma partição DOS localizada em um segundo disco rígido
dos logout, exit, CTRL+D, ou quando o sistema é reiniciado ou desligado. /dev/hdb1 em /mnt:mount
/dev/hdb1 /mnt −t msdos.
Partições
São divisões existentes no disco rígido que marcam onde começa on- fstab
de termina um sistema de arquivos. Por causa destas divisões, nós pode- O arquivo /etc/fstab permite que as partições do sistema sejam mon-
mos usar mais de um sistema operacional no mesmo computador (como o tadas facilmente especificando somente o dispositivo ou o ponto de mon-
GNU/Linux, Windows e DOS), ou dividir o disco rígido em uma ou mais tagem. Este arquivo contém parâmetros sobre as partições que são lidos
partes para ser usado por um único sistema operacional. pelo comando mount. Cada linha deste arquivo contém a partição que
desejamos montar, o ponto de montagem, o sistema de arquivos usado
Formatando disquetes compatíveis com o DOS/Windows pela partição e outras opções.
A formatação de disquetes DOS no GNU/Linux é feita usando o co- Após configurar o /etc/fstab, basta digitar o comando mount /dev/hdg
mando superformat que é geralmente incluido no pacote mtools. O super- ou mount /cdrom para que a unidade de CD−ROM seja montada.
format formata (cria um sistema de arquivos) um disquete para ser usado
no DOS e também possui opções avançadas para a manipulação da Desmontando uma partição de disco
unidade, formatação de intervalos de cilindros específicos, formatação de Para desmontar um sistema de arquivos montado com o comando
discos em alta capacidade e verificação do disquete superformat [opções] mount, use o comando umount. Você deve ter permissões de root para
[dispositivo] desmontar uma partição.
umount [dispositivo/ponto de montagem].
Dispositivo
Unidade de disquete que será formatada. Normalmente /dev/fd0 ou path
/dev/fd1 especificando respectivamente a primeira e segunda unidade de Path é o caminho de procura dos arquivos/comandos executáveis. O
disquetes. path (caminho) é armazenado na variável de ambiente PATH. Você pode
ver o conteúdo desta variável com o comando echo $PATH.
Opções
• −v [num] Especifica o nível de detalhes que serão exibidos duran- Executando um comando/programa
te a formatação do disquete. O nível 1 especifica um ponto mos- Para executar um comando, é necessário que ele tenha permissões
trado na tela para cada trilha formatada. de execução (veja a Tipos de Permissões de acesso, e que esteja no
• −superverify Verifica primeiro se a trilha pode ser lida antes de caminho de procura de arquivos.
formata−la. Este é o padrão. No aviso de comando #(root) ou $(usuário), digite o nome do coman-
• −−dosverify, −B Verifica o disquete usando o utilitário mbadblocks. do e tecle Enter. O programa/comando é executado e receberá um núme-
Usando esta opção, as trilhas defeituosas encontradas serão au- ro de identificação (chamado de PID − Process Identification), este núme-
tomaticamente marcadas para não serem utilizadas. ro é útil para identificar o processo no sistema e assim ter um controle
• −−verify_later, −V Verifica todo o disquete no final da formatação. sobre sua execução. Todo o programa executado no GNU/Linux roda sob
• −−noverify, −f Não faz verificação de leitura o controle das permissões de acesso.
Segue abaixo exemplos de como formatar seus disquetes com o su-
performat: Tipos de Execução de comandos/programas
Um programa pode ser executado de duas formas:
• superformat /dev/fd0 − Formata o disquete na primeira unidade de
Primeiro Plano − Também chamado de foreground. Quando você de-
disquetes usando os
ve esperar o término da execução de um programa para executar um novo
• valores padrões.
comando. Somente é mostrado o aviso de comando após o término de
• superformat /dev/fd0 dd − Faz a mesma coisa que o acima, mas execução do comando/programa.
assume que o disquete é deDupla Densidade (720Kb).
• superformat −v 1 /dev/fd0 − Faz a formatação da primeira unidade Segundo Plano − Também chamado de background. Quando você
de disquetes (/dev/fd0)e especifica o nível de detalhes para 1, não precisa esperar o término da execução de um programa para executar
exibindo um ponto após cada trilha formatada. um novo comando. Após iniciar um programa em background, é mostrado
um número PID (identificação do Processo) e o aviso de comando é
Pontos de Montagem
novamente mostrado, permitindo o uso normal do sistema.
O GNU/Linux acessa as partições existente em seus discos rígidos e
disquetes através de diretórios. Os diretórios que são usados para acessar
O programa executado em background continua sendo executado in-
(montar) partições são chamados de Pontos de Montagem. No DOS cada
ternamente. Após ser concluído, o sistema retorna uma mensagem de
letra de unidade (C:, D:, E:) identifica uma partição de disco, no
pronto acompanhado do número PID do processo que terminou. Para
GNU/Linux os pontos de montagem fazem parte da grande estrutura do
iniciar um programa em primeiro plano, basta digitar seu nome normal-
sistema de arquivos raiz.
Noções de Informática 15
APOSTILAS OPÇÃO
mente.Para iniciar um programa em segundo plano, acrescente o caracter O Help on Line não funciona com comandos internos (embutidos no
"&" após o final do comando. Bash)
Por exemplo, ls −−help.
OBS: Mesmo que um usuário execute um programa em segundo pla-
no e saia do sistema, o programa continuará sendo executado até que Help
seja concluido ou finalizado pelo usuário que iniciou a execução (ou pelo Ajuda rápida, útil para saber que opções podem ser usadas com os
usuário root). comandos internos do interpretador de comandos. O comando help so-
mente mostra a ajuda para comandos internos, para ter uma ajuda similar
Exemplo: find / −name boot.b & para comandos externos. Para usar o help digite:
O comando será executado em segundo plano e deixará o sistema li- help [comando]
vre para outras tarefas. Após o comando find terminar, será mostrada uma
mensagem. Por exemplo, help echo, help exit.

Executando programas em sequência Principais comandos do Linux


Os programas podem ser executados e sequência (um após o término
do outro) se os separarmos com ;. Por exemplo: echo primeiro;echo cd Este comando mudará o diretório atual de onde o usuário está.
segundo;echo terceiro. Sintaxe cd [nome_do_diretório]

Interrompendo a execução de um processo ls Este comando lista os arquivos, nada mais que isso. Se você exe-
Para cancelar a execução de algum processo rodando em primeiro cutar apenas o ls sozinho, ele vai mostrar todos os arquivos existentes no
plano, basta pressionar as teclas CTRL+C. A execução do programa será diretório atual.
cancelada e será mostrado o aviso de comando. Você também pode usar Sintaxe ls [opções] [arquivo/diretório]
o comando kill, para interromper um processo sendo executado.
mkdir Este comando criará o diretório paginas no seu diretório home.
Parando momentaneamente a execução de um processo Sintaxe mkdir <nome_do_diretório>
Para parar a execução de um processo rodando em primeiro plano,
basta pressionar as teclas CTRL+Z. O programa em execução será pau- rmdir Apaga um diretório que esteja vazio.
sado e será mostrado o número de seu job (job comando jobs mostra os Sintaxe rmdir <nome_do_diretorio>
processos que estão parados ou rodando em segundo plano), e o aviso de
comando. Para retornar a execução de um comando pausado, use fg, ou cp O comando cp copia arquivos e diretórios
bg.O programa permanece na memória no ponto de processamento em Sintaxe cp [opções] <arquivo_origem> <arquivo_destino>
que parou quando ele é interrompido.
Você pode usar outros comandos ou rodar outros programas enquan- mv Este comando simplesmente move algum arquivo para outro lu-
to o programa atual está interrompido. gar. Ele também é usado para renomear um arquivo.
Sintaxe mv <arquivo_origem> <arquivo_destino>
Portas de impressora
Uma porta de impressora é o local do sistema usado para se comuni- rm Este comando apaga definitivamente o arquivo ou diretório.
car com a impressora. Em sistemas GNU/Linux, a porta de impressora é Sintaxe rm [opções] <arquivo>
identificada como lp0, lp1, lp2 no diretório /dev, correspondendo respecti-
vamente a LPT1, LPT2 e LPT3 no DOS e Windows. Recomendo que o Ln Este comando é usado para gerar links simbólicos, ou seja, que se
suporte a porta paralela esteja compilado como módulo no kernel. comportam como um arquivo ou diretório, mas são apenas redirecionado-
res que mandam seu comando para outro arquivo ou diretório.
Imprimindo diretamente para a porta de impressora Sintaxe ln -s <arquivo_origem> <link simbólico>
Isto é feito direcionando a saída ou o texto com > diretamente para a
porta de impressora no diretório /dev. cat Este comando existe para mostrar o conteúdo de um arquivo, ou
para fazer a cópia deste arquivo, ou uma junção
Supondo que você quer imprimir o texto contido do arquivo traba- Sintaxe cat <arquivo>
lho.txt e a porta de impressora em seusistema é /dev/lp0, você pode usar
os seguintes comandos: file Este comando identifica o tipo de arquivo ou diretório indicado pe-
cat trabalho.txt >/dev/lp0. Direciona a saída do comando cat para a lo usuário conforme os padrões do sistema operacional.
impressora.  Sintaxe file <arquivo>
cat <trabalho.txt >/dev/lp0. Faz a mesma coisa que o acima.
cat −n trabalho.txt >/dev/lp0 − Numera as linhas durante a impressão. ps - Listando processos
head −n 30 trabalho.txt >/dev/lp0 − Imprime as 30 linhas iniciais do sintaxe ps [opções]
arquivo. 
cat trabalho.txt|tee /dev/lp0 − Mostra o conteúdo do cat na tela e envia kill - Matando um processo
também para a impressora. Sintaxe kill [-SINAL] <PID>

Os métodos acima servem somente para imprimir em modo texto (le- killall - Matando processos pelo nome
tras, números e caracteres semi−gráficos). Sintaxe killall [-SINAL] <comando>

Help on line w - Listas os usuários logados


Ajuda rápida, é útil para sabermos quais opções podem ser usadas Sintaxe w
com o comando/programa. Quase todos os comandos/programas
GNU/Linux oferecem este recurso que é útil para consultas rápidas (e rpm Para instalar um pacote
quando não precisamos dos detalhes das páginas de manual). É útil Sintaxe rpm
quando se sabe o nome do programa mas deseja saber quais são as
opções disponíveis e para o que cada uma serve. Para acionar o help on Outros tipos de comandos
line, digite:
help[comando] Descompactar arquivos
comando − é o comando/programa que desejamos ter uma explicação Extensão .tar.gz tar zxpvf arquivo.tar.gz
rápida. Extensão .tar tar xpvf arquivo.tar

Noções de Informática 16
APOSTILAS OPÇÃO
Extensão .gz gunzip arquivo.gz Cabeçalhos
Extensão .tar.bz2 bunzip2 arquivo.tar.bz2 ; tar xpvf arquivo.tar Escolha no menu Formatar –> Página a guia Cabeçalho
Extensão .bz2 bunzip2 arquivo.bz2 Para ativar este recurso selecione a opção Cabeçalho ativado. Tam-
Extensão .zip unzip arquivo.zip bém é possível formatá-lo ajustando suas margens, altura e, clicando no
botão Mais, suas bordas e plano de fundo.
Compactar arquivos Para excluir um cabeçalho, basta desativar o recurso.
Informações do sistema
date Mostra a data e hora atual Rodapés
cal Mostra um calendário Escolha no menu Formatar –> Página a guia Rodapé.
uptime Mostra quanto tempo seu sistema está rodando Para ativar este recurso selecione a opção Ativar rodapé. Também é
free Exibe a memória livre, a usada, e os buffers da memória RAM possível formatá-lo ajustando suas margens, altura e, clicando no botão
top Mostra os processos que mais gastam memória Mais, suas bordas e plano de fundo.
uname -a Mostra informações de versão do kernel Para excluir um rodapé, basta desativar o recurso.

Programas (console) NÚMERO DE PÁGINAS


vi Editor de texto Numerando Páginas
pico Editor de texto Depois de inserido o rodapé, selecione no menu Inserir –> Campos a
pine Leitor de E-Mail opção Número da Página.
mutt Leitor de E-Mail Também é possível utilizar a numeração no formato “Página 1 de 30”,
lynx Navegador Web basta, depois de inserida a numeração no rodapé, digitar no rodapé, antes
do número da página, a palavra Página e, depois do número, a palavra
links Navegador Web
de. Como na figura a seguir.

MS-Word 2007: estrutura básica dos docu-


mentos, edição e formatação de textos, cabe-
çalhos, rodapés, parágrafos, fontes, colunas,
marcadores simbólicos e numéricos, tabelas,
impressão, controle de quebras e numeração
de páginas, legendas, índices, inserção de
objetos, campos predefinidos, caixas de texto,
mala direta, correspondências, envelopes e
etiquetas, correção ortográfica Em seguida selecione no menu Inserir –> Campos a opção Conta-
gem de Páginas.

EDIÇÃO E FORMATAÇÃO
WORD
EDIÇÃO DE TEXTO
Estrutura básica dos documentos Selecionando texto
O processador de textos BrOffice.org Writer é um software similar ao Muitas vezes é preciso alterar, copiar, mover, apagar palavras ou pa-
Microsoft Word, destinado à edição de palavras (textos, documentos, rágrafos, porém todas essas operações e muitas outras são precedidas
formulários) com o objetivo de produzir correspondências, relatórios, pela seleção de texto.
brochuras ou livros. Entretanto, ao contrário de seu similar, é distribuído Para selecionar uma palavra, dê um clique duplo nela.
gratuitamente. Para selecionar um parágrafo inteiro dê um clique triplo em qual-
Ao iniciar o BrOffice.org Writer é apresentada a seguinte área de tra- quer palavra do parágrafo.
balho, contendo uma janela genérica de documento em branco: Para selecionar qualquer bloco de texto, mantenha o botão es-
Criando Texto querdo do mouse pressionado desde o início e mova o ponteiro até o final.
Para criar um novo texto, No menu suspenso, vá em Arquivo – Do- Experimente também utilizar a tecla SHIFT associada com as setas
cumento de texto ou clique no ícone "Novo" ou utilize a tecla de atalho do teclado para realizar essas operações de seleção. Mantenha-a pressi-
CTRL + N. onada enquanto move as setas para a direção desejada.
Para abrir um documento já existente, clique no menu Arquivo/Abrir e
em seguida localize e selecione (com duplo clique) o documento desejado, Movendo e Copiando
ou utilize a tecla de atalho CTRL + O. Ao iniciar o Writer, o modo de A maneira mais prática e comum de copiar um texto ou um trecho de
edição é ativado. Isto significa que você pode começar a digitar seu do- texto é, após selecioná-lo, pressionar a tecla de atalho CTRL e, manten-
cumento imediatamente. Ao digitar o texto, só pressione a Tecla <Enter> do-a pressionada, pressionar também a tecla “C”. Para colar esse texto
quando desejar iniciar um novo parágrafo, pois o Writer mudará de linha coloque o ponto de inserção no local desejado e pressione CTRL + “V”.
automaticamente a cada linha preenchida. Para movê-lo é utilizada a operação de recortar, que consiste em, após
É possível escolher e executar comandos rapidamente usando os selecionado o texto desejado, pressionar CTRL + “X”.
menus, a barra de ferramentas ou ainda teclas de atalho. Obs: A barra de ferramentas Padrão também apresenta todas essas
opções. O simples movimento do mouse sobre os botões dessa barra
BARRA DE FERRAMENTAS exibem sua funcionalidade. Lembre-se: antes de qualquer ação deve-se
O BrOffice.org Writer possui barras de ferramentas práticas para tor- selecionar o texto desejado.
nar rápida a escolha de muitos comandos utilizados com frequência.
Usando o comando do menu Exibir –> Barras de ferramentas é possível Excluir, Desfazer e Refazer
escolher quais barras estarão ativadas ou desativadas. Observe: Para excluir textos ou elementos gráficos selecione e pressione a te-
As opções de ferramentas são auto-explicativas e sua utilização é cla DEL ou Delete.
muito específica. As barras mais comuns e utilizadas são a Padrão – Se um erro foi cometido, é possível desfazer a ação simplesmente
apresenta opções para salvar, abrir e imprimir documentos, entre outros; a pressionando CTRL + “Z”. Para refazer uma ação desfeita pressione
Formatação – cujo conteúdo se refere aos formatos de fonte, de direção, CTRL + “Y”. O menu Editar também apresenta estas mesmas opções.
entre outros incluindo Desenho – com a qual é possível inserir figuras e Para mudar a aparência dos caracteres, é preciso selecionar o texto e
outros desenhos. clicar sobre o menu Formatar –> Caractere.

Noções de Informática 17
APOSTILAS OPÇÃO
MARCADORES SIMBÓLICOS E NUMÉRICOS
Para adicionar listas numeradas ou marcadores com o objetivo de
numerar tópicos, clique sobre o botão marcadores ou numeração na
barra de ferramentas Formatação.

O menu Formatar apresenta o submenu Marcadores e Numeração,


que mostra várias opções e estilos para os mesmos.

COLUNAS
Especifica o número de colunas e o layout de coluna para um estilo
de página, quadro ou seção.
Nesta caixa é selecionada a fonte, estilo, tamanho, cor e efeitos. Caso
Inserir Colunas
a formatação de uma palavra seja necessária para outra, é possível copiar
No menu suspenso, vá em Formatar > Colunas...
a formatação da primeira usando a ferramenta pincel:
Para isso selecione o texto que possui os formatos a serem copiados
e clique na ferramenta pincel, quando o ponteiro do mouse mudar para um
pincel selecione o texto a ser formatado com o mouse.
Algumas formatações mais comuns se encontram na barra de ferra-
mentas de formatação, como o tipo de letra. Experimente as diversas
fontes disponíveis e selecione a que mais agrada. Destaques como negri-
to, itálico e sublinhado podem ser interessantes em algumas partes do
texto.
Para mudar o espaçamento entre linhas ou alinhamento do texto, se-
lecione o parágrafo e aplique as formatações abaixo

Configurações padrão
Você pode selecionar entre layouts de colunas predefinidos ou criar o
seu próprio. Quando um layout é aplicado a um estilo de página, todas as
páginas que utilizam o estilo são atualizadas. Do mesmo modo, quando
um layout de coluna é aplicado a um estilo de quadro, todos os quadros
que utilizam o estilo são atualizados. Você também pode alterar o layout
da coluna para um único quadro.

USO DA BARRA DE FERRAMENTAS


O BrOffice.org Writer possui barras de ferramentas práticas para tor-
nar rápida a escolha de muitos comandos utilizados com frequência.
Alinhar o texto pela margem esquerda e deixar a borda direita desali- Usando o comando do menu Exibir –> Barras de ferramentas é possível
nhada é o padrão. Justificar significa alinhar à esquerda e à direita ao escolher quais barras estarão ativadas ou desativadas.
mesmo tempo.

Noções de Informática 18
APOSTILAS OPÇÃO
Observe: Nome do objeto
Digite um nome para o objeto de legenda, de modo que você possa
usar o Navegar para ir rapidamente até a legenda no documento.

Opções
Adiciona o número do capítulo ao rótulo da legenda.
Para usar este recurso, você deve primeiro atribuir um nível da estru-
tura de tópicos a um estilo de parágrafo e, em seguida, aplicar o estilo
aos títulos de capítulos do documento.

Controle de quebras
Permite realizar três opções de quebra, quebra de linha, quebra de
coluna e quebra de página. Ao inserir uma quebra de página é possível
alterar o estilo da página e alterar a sua numeração.

No menu suspenso, vá em INSERIR > QUEBRA MANUAL.


Será aberta a caixa de diálogo.

Inserir quebra manual


Insere uma quebra manual de linha, de coluna ou de página na posi-
As opções de ferramentas são auto-explicativas e sua utilização é ção atual em que se encontra o cursor.
muito específica. As barras mais comuns e utilizadas são a Padrão –
apresenta opções para salvar, abrir e imprimir documentos, entre outros; a Tipo
Formatação – cujo conteúdo se refere aos formatos de fonte, de direção, Selecione o tipo de quebra que você deseja inserir.
entre outros incluindo Desenho – com a qual é possível inserir figuras e
outros desenhos. Quebra de Linha
Termina a linha atual e move o texto encontrado à direita do cursor
Legendas para a próxima linha, sem criar um novo parágrafo.
Em documentos de texto, você pode adicionar legendas com numera-
ção sequencial a figuras, tabelas, quadros e objetos de desenho. Você também pode inserir uma quebra de linha teclando Shift+Enter
Você pode editar o texto e os intervalos numéricos de tipos de legen-
das diferentes. Quebra de Coluna
Quando você adiciona uma legenda a uma figura (ou a um objeto), a Insere uma quebra manual de coluna (no caso de um layout de várias
figura (ou objeto) e o texto da legenda são colocados juntos em um novo colunas) e move o texto encontrado à direita do cursor para o início da
quadro. Quando você adiciona uma legenda a uma tabela, o texto da próxima coluna. A quebra manual de coluna será indicada por uma borda
legenda é inserido como um parágrafo ao lado da tabela. Quando você não-imprimível no canto superior da nova coluna.
adiciona= uma legenda a um quadro, o texto da legenda é adicionado ao
texto que se encontra dentro do quadro, antes ou depois do texto já exis- Quebra de Página
tente. Insere uma quebra de página manual e move o texto encontrado à di-
Para mover o objeto e a legenda, arraste o quadro que contém esses reita do cursor para o início da próxima página. A quebra de página inseri-
itens. Para atualizar a numeração das legendas depois que você mover o da será indicada por uma borda não-imprimível no canto superior da nova
quadro, pressione F9. página.
Definição de Legendas Tabelas
Selecione o item ao qual você deseja adicionar uma legenda. Para criar uma tabela posicione o ponto de inserção no local desejado
No menu suspenso, vá em INSERIR > LEGENDA. e, na barra de Ferramentas Padrão, clique sobre o botão Inserir Tabela.
Você também pode acessar este comando clicando com o botão direi-
to do mouse no item ao qual deseja adicionar a legenda. Inserir Tabela
Arraste a grade para selecionar o tamanho de tabela desejado e solte
Legenda o botão do mouse.
Digite o texto a ser exibido após o número da legenda. Por exemplo,
se desejar rotular os objetos como "Objeto 1: texto", digite dois-pontos (:),
um espaço e, em seguida, o texto.

Propriedades
Define as opções de legenda para a seleção atual.

Categoria
Selecione a categoria da legenda ou digite um nome para criar uma
nova categoria. O texto da categoria aparecerá antes do número da le-
genda no rótulo da legenda. Cada categoria de legenda predefinida é
formatada com o estilo de parágrafo de mesmo nome. Por exemplo, a
categoria "Ilustração" é formatada com o estilo de parágrafo "Ilustração".
Numeração
Selecione o tipo de numeração que deseja usar na legenda.
Cada caixa na grade é uma célula.
O menu Tabela apresenta diversas opções para a formatação da ta-
Separador
bela, como o comando Inserir que permite Inserir células, linhas e colu-
Insira caracteres de texto opcionais para aparecerem entre o número
nas. Não se esqueça que antes de inserir é preciso selecionar uma célula,
e o texto da legenda.
linha ou coluna existente.
Posição
A opção AutoFormatação de Tabela permite definir uma formatação
Adiciona a legenda acima ou abaixo do item selecionado. Esta opção
já pronta para a tabela. Escolha a mais agradável.
só está disponível para alguns objetos.

Noções de Informática 19
APOSTILAS OPÇÃO

Para mesclar células, selecione-as e a partir do menu Tabela -> Mes-


clar Células, o BrOffice.org Writer converterá o conteúdo de cada célula
mesclada em parágrafos dentro da célula combinada.
Para classificar informações de uma tabela, selecione as linhas ou os Na caixa Nome do Arquivo, digite ou selecione o nome do documen-
itens da lista que será classificada to que deseja abrir. Se o arquivo não aparecer nesta lista, selecione a
No menu Tabela, escolha Classificar. unidade de disco onde ele se encontra e Ok.

OPERAÇÕES COM ARQUIVOS


Abrir, Salvar
Para salvar o documento editado, clique no botão salvar na barra de Impressão
ferramentas Padrão. Para imprimir um documento clique no botão imprimir na barra de
ferramentas Padrão.

Digite o nome do documento que deseja salvar e selecione o local em


que este ficará armazenado.
Para definir opções de impressão, escolha no menu Arquivo a opção
Imprimir.

Índices
Para criar um índice, deve-se posicionar o cursor no local desejado e
selecionar no menu Inserir –> Índices e Tabelas a opção Índices e
Sumários.

Há vários tipos de índices. Neste caso demonstraremos o índice ana-


lítico a partir dos estilos pré-definidos no texto anterior (pág. 21). Clique
Para editar o método de backups e auto-salvar o arquivo em interva- em Ok.
los de tempo, vá em Ferramentas -> Opções.., no menu a esquerda abra
o submenu Carregar/Salvar -> Geral, então em salvar, você pode editar Ortografia e gramática
de quantos minutos ele deve auto-salvar e se o programa deve salvar O BrOffice.org Writer exibe linhas onduladas vermelhas abaixo das
backups, os backups serão salvos em "C:/Arquivos de progra- palavras erradas e linhas onduladas verdes abaixo de sentenças que
mas/BrOffice.org 2.3/backup". apresentem problemas gramaticais.
Para verificar ortografia e gramática em seu documento, clique no
Para abrir um documento existente, clique no botão abrir na barra de menu Ferramentas – Verificação Ortográfica.
ferramentas Padrão.

Noções de Informática 20
APOSTILAS OPÇÃO
Campo de visualização
Exibe uma visualização da seleção atual.

MALA DIRETA
Para criar cartas ou e-mails padronizados que serão enviados para
uma grande quantidade de destinatários, deve-se utilizar o recurso de
mala direta. Para criar Cartas-Modelo associadas a um banco de dados,
ou seja, criar um modelo (de carta comercial por exemplo), com o texto
raramente alterado e associar a este documento um banco de dados com
nomes de clientes, devemos seguir estes passos:
- Abra um arquivo novo;
- Selecione o menu Ferramentas – Assistente de Mala Direta;

Caracteres Especiais
Para inserir caracteres especiais no documento clique em Inserir –
Caracteres Especiais.

Inserir figuras e caixa de texto


Para inserir uma figura em seu documento posicione o ponto de in-
serção onde deseja inserir a mesma e, em seguida, clique em Inserir –
- Escolha a opção Usar documento atual e clique em Próximo.
Figura. Também é possível inserir figuras através da barra de ferramentas
- Selecione a opção Carta e clique em Próximo;
Desenho. Esta, por sua vez, permite inserir, entre outras coisas, Caixa de
- Clique em Selecionar lista de endereços e na tela que será
Texto.
exibida clique em Criar;

Objetos
Para inserir recursos especiais de outros aplicativos BrOffice, pode-se - Ao terminar do preenchimento, salve a lista (fonte de dados) em
usar o Inserir - Objeto - Objeto OLE. um local apropriado.
Assim poderá ser inserido formulas do Math, planilhas do Calc, dese- - O próximo passo é destinado à criação da saudação.
nhos do Draw e outros, e pode-se também inserir arquivos prontos:
ex: Desenvolve uma fórmula no BrOffice.org Math, salva, e abre ela
em seu documento Writer.

Desenhos e Clipart
Insere uma figura no arquivo atual.
No menu suspenso, vá em INSERIR > FIGURA – Do arquivo Estilo
Selecione

Estilo
Selecione um estilo de quadro para a figura.

Vínculo
Insere o arquivo gráfico selecionado como um vínculo.

Visualizar
Exibe uma visualização do arquivo gráfico selecionado.

Noções de Informática 21
APOSTILAS OPÇÃO
8. O passo seguinte permite alinhar a saudação na página 3. No campo Colunas especifique o número de colunas desejada
ou selecione um dos exemplos de colunas mostrado ao lado.
4. Caso deseje especificar a largura da coluna desmarque a opção
Largura automática e em Largura especifique a largura de cada
coluna.
5. Após realizadas as configurações da coluna clique no botão OK.
6. O texto será dividido em colunas.
Atalhos
Uso do Teclado
Para navegar Pressione
Uma letra para direita Seta para direita
Uma letra para esquerda Seta para esquerda
Uma palavra para direita Ctrl + seta para direita
Uma palavra para esquerda Ctrl + seta para esquerda
Até o final da linha End
Até o início da linha Home
9. No próximo passo é possível escrever a carta clicando em Editar
Até o final do texto Ctrl + End
documento.
10. Terminada a carta clique em Retornar ao Assistente de Mala Até o início do texto Ctrl + Home
Direta. Uma tela para cima Page Up
Para finalizar conclua a mesclagem (documento com a fonte de da- Uma tela para baixo Page Down
dos), imprima ou salve o documento para posterior impressão Um caracter para a direita Shift + seta para direita
Um caracter para a esquerda Shift + seta para esquerda
Até o final de uma palavra Ctrl + Shift + seta
Até o final de uma linha Shift + End
Até o início de uma linha Shift + Home
Uma tela para baixo Shift + Page Down

PROTEÇÃO DE DOCUMENTOS
Proteção de Todos os Documentos ao Salvar
Opção disponível somente para o formato ODT. Ou seja, ao tentar
abrir o documento no Word, o mesmo não abrirá. Os documentos salvos
com senha não poderão ser abertos sem essa senha. O conteúdo é
protegido de modo que não possa ser lido com um editor externo. Isso se
aplica ao conteúdo, às figuras e aos objetos presentes no documento.
Ativação da proteção:
_ Escolha Arquivo - Salvar Como e marque a caixa de seleção Salvar
com senha. Salve o documento.
CONFIGURAR PÁGINA Desativação da proteção:
Recomenda-se antes de iniciar o documento definir o tamanho do pa- _ Abra o documento, inserindo a senha correta. Escolha Arquivo -
pel, a orientação da página, cabeçalhos, rodapés e outras opções que Salvar como e desmarque a caixa de seleção Salvar com senha.
veremos a seguir.
Proteção de Marcas de Revisão
Tamanho, Margens e Orientação A cada alteração feita no Calc e no Writer, a função de revisão grava
No menu Formatar -> Página selecione a guia Página. o autor da mudança.
Permite selecionar um tamanho de papel predefinido ou digitar suas Essa função pode ser ativada com proteção, de forma que só possa
medidas de largura e altura; selecionar a opção Retrato ou Paisagem em ser desativada quando a senha correta for inserida. Até então, todas as
Orientação e definir o espaçamento entre as bordas e o texto; além de alterações continuarão sendo gravadas. Não é possível aceitar ou rejeitar
outras opções como o layout de página. as alterações.
Para definir as margens usando a régua, no modo de edição de tex- Ativação da proteção:
to, arraste os limites das margens nas réguas horizontais e verticais. O _ Escolha Editar - Alterações - Proteger Registros. Insira e confirme
ponteiro do mouse transforma-se numa seta dupla quando está sobre o uma senha de, no mínimo, 5 caracteres.
limite da margem. Desativação da proteção:
_ Escolha Editar - Alterações - Proteger Registros. Insira a senha cor-
TEXTO COLUNADO reta.
Colunas
Através desse recurso pode-se dividir um texto em colunas.
1. Selecione a porção do texto que será dividido em colunas.
2. No menu suspenso vá em Formatar > Colunas. Será aberta a MS-Excel 2007: estrutura básica das plani-
caixa de diálogo a seguir: lhas, conceitos de células, linhas, colunas,
pastas e gráficos, elaboração de tabelas e
gráficos, uso de fórmulas, funções e macros,
impressão, inserção de objetos, campos
predefinidos, controle de quebras e nume-
ração de páginas, obtenção de dados exter-
nos, classificação e filtragem de dados.

EXCEL
Estrutura Básica das planilhas
Conceitos de células, linhas e colunas

Noções de Informática 22
APOSTILAS OPÇÃO
Efetue cálculos, analise informações e visualize dados em planilhas
usando

Para executar o Microsoft Office Excel, clique em Iniciar Todos os


programas Microsoft Office Microsoft Office Excel.
Quando você cria uma planilha nova, a tela do computador é dividida
em linhas e colunas, formando uma grade. A interseção de uma linha e de
uma coluna é chamada de célula. As linhas são numeradas sequencial- Quando abrimos o Microsoft Office Excel, já aparece um desenho bá-
mente, as colunas são identificadas por letras também sequenciais e cada sico de planilha na tela. Precisamos, então, organizar as informações em
célula pela linha e coluna que a forma. linhas e colunas e determinar uma região para cada tipo de informação.
Uma célula pode conter números, texto ou fórmulas. Por exemplo, a No layout, apenas definimos onde cada informação será colocada, mas
célula A4 (na tela abaixo) contém o valor 10 e a célula D2 contém o texto ainda não a digitamos. No nosso exemplo, vamos registrar o faturamento
“Valor total”. de cada um dos quatro produtos, mês a mês. A partir dessas informações,
calcularemos:
- O faturamento mensal de cada produto.
- O faturamento anual de cada produto.

A planilha tem espaços reservados tanto para as informações que se-


rão digitadas quanto para as que serão calculadas automaticamente.
As informações serão digitadas da célula B4 até a célula E15. Por
exemplo, na célula B4 digitaremos o faturamento do mês de janeiro cor-
Em geral, informações da mesma categoria são digitadas em uma co- respondente a engrenagens; na célula C4, o faturamento de janeiro de
luna (no exemplo, a coluna B é a descrição do produto vendido; a coluna parafusos; na célula B5, o faturamento de fevereiro de engrenagens, e
C é o valor unitário), mas essa estrutura não é rígida: você pode agrupar assim por diante, até o faturamento de dezembro de arruelas na célula
as informações por linha ou por outras formas mais convenientes para o E15.
seu caso. As informações da coluna F, sobre faturamento mensal total, e as in-
A possibilidade de usar fórmulas é o que diferencia um programa de formações da linha 17, sobre o faturamento anual por produto, serão
planilha de uma calculadora. Quando colocamos uma fórmula em uma calculadas automaticamente.
célula, dizemos que o conteúdo dessa célula deve ser calculado em
Primeiro, vamos escrever as fórmulas para calcular o faturamento to-
função dos valores contidos em outras células.
tal mensal (coluna F). Esse faturamento é a soma dos valores vendidos de
Na planilha abaixo, o preço total de uma venda é calculado multipli-
cada produto.
cando- se o preço unitário pela quantidade vendida de produtos do mesmo
tipo. Em nosso exemplo, a coluna A registra a quantidade de produtos e a
coluna C traz o preço unitário do produto. A coluna D mostra o preço total. Assim, o faturamento total de janeiro (célula F4) será a soma do fatu-
O conteúdo de cada célula é calculado multiplicando-se os valores da ramento de cada produto nesse mês (da célula B4 até a E4). Portanto, na
coluna A pelos valores da coluna C. Para que esse cálculo seja feito célula F4 digitaremos a seguinte fórmula:
automaticamente, devemos digitar a fórmula =A4*C4 na célula D4.
Quando modificamos o valor de A4, o valor de D4 é recalculado au-
tomaticamente de acordo com a fórmula registrada na célula.

Isso indica para o programa de planilha que o valor de F4 será a so-


ma dos valores das células B4, C4, D4 e E4.

Pastas e Gráficos
Inserindo e Excluindo Planilhas
Uma pasta de trabalho padrão apresenta, inicialmente, 3 planilhas.
Caso necessite de mais planilhas, você pode incluí-las, utilizando o se-
guinte comando: Inserir Planilha (SHIFT + F11).
Normalmente, uma planilha é criada em duas etapas. Primeiro você
determina os itens que deseja calcular e as fórmulas a serem usadas para
fazer esse cálculo. Depois, na fase de utilização da planilha, é preciso
digitar os valores correspondentes a cada item; os resultados serão calcu-
lados automaticamente.
Aqui mostraremos como criar uma planilha, usando o programa Mi-
crosoft Office Excel, mas o procedimento descrito aplica-se a qualquer
programa de planilha. Como exemplo, vamos fazer uma planilha para Uma pasta de trabalho padrão apresenta, inicialmente, 3 planilhas.
controlar o faturamento de uma empresa que vende apenas quatro produ- Caso não necessite de todas, você pode excluir as desnecessárias, sele-
tos. Embora as fórmulas sejam diferentes para cada planilha, o procedi- cionando-as e utilizando os comandos: Clique com o botão direito do
mento será sempre o mesmo. mouse sobre a planilha e clique na opção Excluir.

Noções de Informática 23
APOSTILAS OPÇÃO
Renomeando Planilhas
No Microsoft Office Excel, um arquivo, ou seja, uma pasta, pode con-
ter várias planilhas diferentes, sendo, portanto, fundamental nomeá-las de
maneira a distingui-las. A nomeação não grava a planilha, por isso é
necessário utilizar o comando Salvar (CTRL + B).
Para nomear a planilha, utilize um dos seguintes comandos: Clique
duplamente na guia da planilha que deseja renomear.
Digite o nome da planilha e pressione a tecla ENTER.
Alterando a Altura e Largura de Linhas e Colunas
Inserindo e Excluindo Gráficos A definição de tamanho é extremamente comum para as linhas e co-
O Microsoft Office Excel apresenta um excelente recurso para a cria- lunas.
ção dos gráficos: a guia Inserir. Com esse recurso, o programa orienta o Porém, no Microsoft Office Excel, as linhas e colunas da planilha que
usuário a construir um gráfico. contêm títulos ou aquelas que contêm células de conteúdo formatado com
Para inserir um gráfico, selecione a área com os dados que deseja um tipo de letra diferente podem ter a altura aumentada ou diminuída.
apresentar nele. Selecione, inclusive, os dados que serão apresentados Para alterar a altura de uma linha ou largura de uma coluna, faça o se-
como legenda e como gráfico. guinte: aponte o mouse entre as linhas 1 e 2, clique e arraste para alterar
a altura da linha ou aponte o mouse entre as colunas A e B, clique e
arraste para alterar a largura da coluna.
Formatação da planilha
Formatando a Tabela
Seção Fonte

Você pode mudar o visual das letras, números ou outros caracteres


digitados das células selecionadas.

Seção Alinhamento

O Microsoft Office Excel identifica dentro da área selecionada o que Você pode modificar o alinhamento das letras, números ou outros ca-
irá ser apresentado como legenda e como gráfico, porque o programa racteres digitados das células selecionadas.
“entende” que, na maioria das vezes, a área selecionada está disposta
segundo padrões que facilitam a identificação dos elementos. Seção Número

Você pode formatar os números das células selecionadas.


Gráficos - Elaboração de tabelas e gráficos
Trabalhando com Linhas e Colunas
Inserindo e Excluindo Linhas e Colunas
Imagine que, durante a digitação de uma sequência de dados, alguns
dados foram esquecidos, ficando a tabela incompleta. Os dados podem
ser introduzidos posteriormente nos locais corretos, bastando para isso
fazer a escolha adequada entre as opções de inserção, encontradas na
guia Início: Selecione o local adequado e clique na ferramenta Inserir,
Inserir Linhas na Planilha ou Inserir Colunas na Planilha.

Os gráficos transformam dados em imagens.


Vamos supor que você esteja vendo uma planilha que mostra quantas
caixas de geleia do Sir Rodney foram vendidas por três vendedores duran-
te três meses. Como você criaria um gráfico para fazer uma análise com-
parativa do desempenho desses vendedores a cada mês?
De modo semelhante é possível fazer a exclusão de colunas ou linhas Para começar, selecione os dados desejados para o gráfico, além dos
que tenham sido introduzidas equivocadamente ou que não sejam mais títulos de coluna e de linha.
necessárias.
Em seguida, clique no botão Assistente de Gráfico na barra de
O comando de exclusão de linhas ou colunas pode ser encontrado na ferramentas para abrir o Assistente de Gráfico.
guia Início, na ferramenta Excluir, Excluir Linhas da Planilha ou Excluir Quando o assistente for aberto, o tipo de gráfico de Colunas será se-
Colunas da Planilha. lecionado. Você poderá selecionar facilmente outro tipo de gráfico para

Noções de Informática 24
APOSTILAS OPÇÃO
comunicar suas ideias, mas nesse caso, aceite o tipo de Colunas que é Quando o gráfico é um objeto, é possível movê-lo e redimensioná-lo.
geralmente usado para a comparação de itens. Você verá como fazer isso nesta sessão prática. Também é possível
Em seguida, clique no botão Concluir na parte inferior do assistente. imprimi-lo junto com os dados de origem.
Basta seguir esse procedimento para criar um gráfico rapidamente.

O assistente posicionou o gráfico na mesma planilha que os dados.


Clique no botão Assistente de Gráfico na barra de ferramentas para Você pode mover o gráfico na planilha arrastando-o para qualquer lugar.
abrir o Assistente de Gráfico. Diga ao assistente o que você deseja

Como os dados da planilha aparecem no gráfico


A linha de dados de cada vendedor recebeu uma cor no gráfico. A le-
genda do gráfico, criada com base nos títulos das linhas na planilha,
informa qual cor representa os dados de cada vendedor. Os dados de
Peacock, por exemplo, são representados pela cor lavanda. Os dados de
cada vendedor aparecem em três colunas separadas do gráfico, uma para
cada mês.
A célula B2 da planilha torna-se a coluna de gráfico janeiro de Pea-
cock, C2 torna-se a coluna fevereiro e D2 torna-se a coluna março de
Peacock.
Todas as colunas do gráfico atingem uma altura proporcional ao valor
da célula que representam. Você pode comparar o desempenho total ou
mês a mês dos vendedores.
No lado esquerdo do gráfico, o Excel criou uma escala de números
segundo a qual é possível interpretar a altura das colunas. Você pode definir como o Assistente de Gráfico compara os dados.
Agora, os títulos das colunas da planilha estão na parte inferior do Vamos supor que você queira comparar o desempenho dos vendedo-
gráfico. Esses títulos tornam-se as categorias nas quais os valores das res individualmente, para que possa analisar como eles se saíram ao
linhas da planilha são organizados. longo do tempo. Novamente, selecione os dados da Geleia do Sir Rodney
Como você pode observar por meio de uma análise geral, o gráfico e abra o Assistente de Gráfico clicando no botão Assistente de Gráfico.
indica que Suyama vendeu mais geleia em janeiro e fevereiro, mas seu
desempenho caiu em março, quando Peacock saiu-se melhor.
Mas dessa vez, clique no botão Avançar, em vez de clicar em Con-
cluir. Isso fará com que seja exibida a guia Intervalo de Dados como a
Etapa 2 do Assistente de Gráfico.

Guia Intervalo de Dados


É possível alterar a estrutura do gráfico nesta guia.
O gráfico da primeira lição (à esquerda na imagem) compara os ven-
dedores entre si, a cada mês. Para fazer isso, o Excel agrupou pelas
colunas e comparou as linhas da planilha. Se o Excel agrupasse por linhas
e comparasse as colunas, o gráfico mostraria algo completamente diferen-
te. Indicaria o melhor ou o pior desempenho de cada vendedor, mensal-
mente, conforme exibido à direita na imagem.
Você poderia escolher a comparação a ser feita selecionando Linhas
ou Colunas na opção Séries em. A opção recebeu esse nome porque os
valores da planilha usados no gráfico são chamados séries de dados.
As linhas da planilha tornam-se colunas do gráfico. Os rótulos das linhas tor-
nam-se o texto da legenda do gráfico, e os rótulos das colunas tornam-se os nomes
Você decide se deseja comparar e agrupar a série em linhas ou colunas.
das categorias na parte inferior do gráfico. Atualizar e posicionar gráficos Veja o resultado da sua escolha na visualização da guia.
Você mesmo testará essa escolha na sessão prática.
As alterações feitas aos dados da planilha serão mostradas instanta- Guia Série
neamente no gráfico. Você pode usar essa guia para excluir ou adicionar uma série de da-
O assistente posicionou o gráfico como um objeto na planilha, junto dos ao gráfico. Por exemplo, talvez você decida colocar no gráfico somen-
com os dados, conforme mostrado na imagem. Também é possível posi- te dois dos vendedores, em vez dos três selecionados na planilha. A guia
cionar um gráfico em uma outra planilha de uma pasta de trabalho. Esse permite a realização dessa alteração, sem que você volte à planilha, além
procedimento será mostrado na próxima lição. de oferecer a visualização das alterações.

Noções de Informática 25
APOSTILAS OPÇÃO
Observação A exclusão ou a adição de uma série de dados nessa 3. Legenda Onde é possível colocar a legenda do gráfico em
guia não altera os dados na planilha. locais diferentes no mesmo.
4. Rótulos de Dados Onde você pode definir o rótulo do gráfico
com os títulos de linha e de coluna para cada valor, e com os
próprios valores numéricos. No entanto, tenha cuidado: é fácil
truncar um gráfico e tornar sua leitura difícil.
5. Tabela de Dados Onde é possível exibir uma tabela contendo
todos os dados usados na criação do gráfico. Você poderá
fazer isso se colocar um gráfico em uma planilha separada na
pasta de trabalho e quiser que os dados fiquem visíveis com
esse gráfico. Esse é o próximo passo.
6. Local do Gráfico A Etapa 4 do assistente oferece a você a
opção de posicionar o gráfico. Como nova planilha ou Como
objeto em. Se optar por uma nova planilha, você poderá
escolher um título para ela. Se decidir posicionar o gráfico
como objeto, ele aparecerá na mesma planilha com os dados
usados em sua criação. Se você criar o gráfico da maneira
rápida clicando em Concluir assim que vir esse botão no
De acordo com o modo que você escolher, assistente, ele será posicionado automaticamente Como
selecione Linhas ou Colunas na opção Séries em. objeto em.
Adicionar títulos
É uma boa ideia adicionar títulos descritivos ao gráfico, para que os
leitores não tenham que adivinhar seu conteúdo.
A guia Títulos na Etapa 3 do assistente possui caixas para três títu-
los: um para o gráfico, na parte superior, e um para cada eixo do gráfico,
vertical e horizontal. Após a inserção dos títulos, eles serão mostrados na
visualização da guia.
Você pode adicionar um título ao gráfico digitando-o na caixa Título
do gráfico. Por exemplo: Geleia do Sir Rodney.
Em seguida vem a caixa de título do Eixo das categorias (X). Esta é
a designação do Excel para as categorias na parte inferior do gráfico
(janeiro etc.). Você pode denominar esse eixo como Vendas do Primeiro
Trimestre.
Em seguida vem a caixa de título do Eixo dos valores (Y). A escala
de números que indicam a quantidade de caixas vendidas fica neste
gráfico. Você pode denominar esse eixo como Caixas Vendidas. Linhas de Grade
Legenda
Tabela de Dados