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A legislacao escolar como fonte para a Historia da Educacao: uma tentativa de interpretacao* Luciano Mendes de Faria Filho * ne ao apes owas parca de Um oto Ime de ‘regia que vt exo decol po op te Pars Ua deus eine por sos di Palade ce Bago [Une com apoio do EA « un IAM. A fans ial dese teat Uses em eosin des ces que ponies Semin nepal ato so sco Ses ents ‘sad tar Caton} ary, rf. ce Nunes dp “Taro Mr yo, ns ue Sow moo wes Introdugao 0 desejo © a nevessidade le praduzir este trabalho referem-se a, pelo menos, 8s siluagoes. Em primeiro lugar, meu grupo de pesquisa, atualmente, vem trabalhan- do em um projeto de historia da eclucagao mineisa e tem sentido necesscace de urn estuda dessa natureza. No Zam bito do projeto, temos sentido falta de um texto-referéncia sobre as fontes com as quais estamos wahalhando, Em segundo lugar, é preciso dizer que o texto ¢ Jntimamente efrelagado as minhas proprias praticas de pesquisa © milincia polities. [4 hd algam tempo venho trabalhando com a legislagio como fonte sem, no entan- to, realizar uma reflexio mais detallada sobre isto, Fste fato tem me incomedado por sentir que, mesmo reali zando a criti das aproximagdes mecinicas em relagio a legislagao, eu acabava nfo stindo clas malas da mess Fata é, por assim dizer, uma forma de realizar urna crfica aos limites do meu préprio trabalho de pesquisa Noutros momentos, antes mesmo de entrar pars & icadéimica, fri convidado, por dever de oficio © politica, a intervir nos debates que: se travavam ra époct cht claboracio, da aprovacio e, posteriomnent ‘i implementagio do clamado Esttuto da Crianga € do, & Adolescente (Lei 8069/90), Durante os debates, nunc dleisel de expressar miniia admiracio pelo fato do ECA ter sido aprovado e sancionado sob e por um governo dos imais cortuptos ¢ descompromissadlos com a legalidade de seus atos que © Brasil ji teve — 0 Governo Collor Por ocasiso de um seminatio onganizado pela Frente lle Defesa dos Direitos cla Crianga e do Adolescente, pbjetivando a comemoracio dos quatro anos de aprova- ‘610 da Hel @ a avallagio de suas repercussoes no campo Alas poliiens adotadas para as eviangas ¢ adolescentes 10 Brasil, deseavolvi, pela primeira ver, algumas das idiias centstis contidas no presente texto. Afimmava qué para Firender o Estatuto € podermos melhor aquilatar as difi- culdades € possibilidades provenientes de sua imple mentaglo, era preciso concebé-lo no apenas como ondenamento juridico, mas também como kinguagem € pritica social, Essa mesma discussio, agora mals apro- ‘Tindhdi€ detalhaca, proponho neste texto, nao mais com, referéncia ao ECA, mas como abordagem possivel aque- les que desejam utilizar a legislagio como fonte para 0 testudo dla hist n terceisa lugar, € preciso reconheces, e eu 0 fico de muito bom grado, que esta discussio sobre fontes, hss espectfeamente, o-enstio que fago sobre 2 legstieao, ‘guarcls uma esteia relaglo com as questdes postas atu mente, resultantes das discusses da nova Lei de Diretrzes| f Bases da Bdacagio Nacional. A forma de organiza a reflexio, os aspectos abordados, a propria forma de enten- mento da legislaga como dispositive de conformaci0 {Jo campo e das priticas pedagégicos, no podem ser lesvinculados dos debates atuais, Como, por exemplo, filo entender a legislagao como espaco", objeto e obje- Livo de luras politica se, nas dkimos anos, boa paste dos {grupos socinis onganizados, ligados ao campo da educt- ‘lo escolie, estiveram (e ainda esto) se digladianco pela fe por cnist da legislagio escolar brasil 92 i Nao tenho, também, a pretensio de realizar uma revisio bibliogeifiea sobre o tenma, 0 que seria interes sante mas impossivel de se fazer neste momento. No eentanto, gostaria de explictar minhas dividas para com 0 livro organizaclo por Osmar Favero, nicado recentemente 2996), 0 qual se prope a interessante tarefa de discutir a relacao entre a educagio ¢ a sociedade brasleim pela mediagto da legislagio, e o faz de maneira muito stisla- (ria! O enfoque deles, no entanto, € dado as Const tuigdes Brasilia, ¢ 90 a legislagao snfuconstiticiona, 6 que, talvez, possa significar uma complementaridacle de pontos de vista, e ro de resutdo cle trabalho, i que 0 meu é bem mais modesto que aquele apresentido no liv. ‘Além do mais, no resta divida de que mantenbo uma divida com 0 livro de Paulo Kriger Mourto (1964), ‘0 qual desvendou para nosso grupo uma série de possi- bilidaes de fontes tornando sobremaneira mats cil 10850 trabalho no Arquivo Pablico Mineiro. Finalmente, no menos importante, & mink civics para com meu geupo de pesquisa, o qual, de fato, tem significado um suporte de convivéncia, estimulo © Cui- tha: sem ele o trabalho ficaria muito mais penoso & ‘menos prizeroso, A legislagao Gostarin de Iniciar este estudo citanclo um longo, s muito interessunte, texto do filésofo frances J, Detti- sate a questo dda, pare de um trabalho em que cle d tlo arquivo no tereno da psicandlise. Diz ele: ‘to comecemos pel comego, em mesmo pelo aqui es Ivo ve, expt, reson Ftd Un (8 wl (a Savrploseeote ps edugo jimesomulor) cto Poe ‘Ehise tbo Jol Cy, Jot Shen Rin © Onna Fase, Aas, pela playa “au —« plo srqyiro de wr pale ‘Bo fair Ah emiremo nds, nome ui 36 © comero « 0 eotianda. Ese nome coordena spare. tent dos prlacpos ef ro principio segundo ana ter ou a tr, onde as cosas comers —~ prineio fico, hii os ontlbco —, mas a 9 princi Segundo a, onde os homens os dese oman 1 nde se execs sioriade oder sa, olga dene qual orem € dat — principio namoieieo. (.) Como « axhivue ou 0 archi ladno (© sentido de “archive, Seu dco sentido, Ine vert aon asco antes de ido, uma cass uot domicio um endeseyo, tmorida dos magitsios supers, os tones, aque ‘qe comaodavam, Acs clacos que detinham esigafesart {ssn o poder pltico, econhesaae 0 dre de se ‘Nae represent le. Fedenciand a sia autodiade asim publcamente recone € na etdencla dels, no Mist fue és cas (ess priv, ania ov de taal, qe desta eet os decent ois, Os chon 80 en Principio os guseices dees les no gente somente 2 egurangs fics do depo edo supe. Se Tes concede , mie 6 dio e+ eompeténes hermendatie. Fes em | poder de interpre os arquivo. (Deda, 1995. 11.3" Gosto desse texto por que ele me permite visual zar uma tip amculagfo: a primeie delas cefere-se 2 }origem leg, ou com base na I de boa parte da docu: tmentaglo que utllzamos, Nao resta davidn de que, ape- osso pensar, por exemplo, nos relatérios dos Presi- «dents da Provincia: todos tm sua origem em algum ato | egal. Nessa mesma perspectiva, no posso deixar de ‘compreendé-tos como a realizagio e a expresso dos im- penativos legais, ou seja, como lei, Por um lado, todos os swlatérios e quase a totaidade dos demais textos oriundos dda administrigio publica estciual que nos serviram de ‘tno date echo 6 Jenin veil, oa fontes principals de pesquisa, so produzidos em obe- liga @ legislago em. vigor, Ou, em outros casos, repre: sentam a prspria legislacao. Assim, especialmente em se tratando dos relarios las diretoras @ dos inspetores,’ nassos documentos signi ficim a propria lei em sus dindmica de wealizagio &, por- tanto, de ordenagao das relagdes socioculturais, Neste dima aaspecto reside, por exemplo, o ato de os relatos serem ‘comumente utilizados como indicadoressignificatvos pa ue os ocupantes de posicdes de comando na Secretaria Uo Interior pudessem aferir o quanto a lei estava ou no ssendo cumprida, ou soja, realizad, {Uma segunda anticulag, também inspirada no texto de Deri TEFTese 4 discussio sobre © arqUiNo © suas relagbes com a lei. Como vimos, Demida cham a atenco patra 0 fato do arquivo estar na origem e ser © lugar de ‘onde se comand 2 origem. Ponte tanto cle/do poder polt- co, 0 arquivo & também, o lugar das fontes de nossis pesquisa, af, minha pergunia: qual o comande did & partir do arquivo? Sem davida esta pergunta revestese de espe- Gal interesse pars ns, pesquisadores, porquanto sabemos que, ainda hoje, ou sobretudo hoje, a guarda, 2 orpanizacio, A remogio ou scesso aos modemos (ou mesmo, 40s NO Imodemnas) arquivos, tudo &, geralmente, comandado por les,» pantr das modemas Ce mesina das nao tho modems) estruturas do Estido, Nesse sentido, boa pare dle nossos arquivos guartiam (ou no) ¢ "sio mandacis guandar”infor- magdes a patir da W6gica © do interesse da administraga0 staal. No & raro sumpreenderse com poliicas de arquivo que estabelecem seus limites e possibiidades segundo pergunti: 0 que interessa & adminisraglo piblica guard? (© que lazer com © que nio & interesse de acministrago, 4, do Esco? so me leva § reece articulaedor a recs de7as aaa a peta da pesquisa, Todos que Tiamos com documentos nos/€os aiquuivos pablicos b sileios sabemos o quanto as pitas de arquivo intefe= apenas a forina como eles estio orginizados (Ou, na maioria das we7es, dlesonganizados), mas também a auséncia ce gut as de fontes toms, por vezes, nossas pesquisis extre nuimente penosis, Por outro lado, certas guias de fortes, lorganizago de eédices, os quais S20 identificados muitas| vezes pelt sui origem e nto pelos seus contetdos, nao faciltam muito 0 trabalho, No entanty, em se tratanlo da scr cs educa vito recente e ainda no mato disseminada entre nds, prooe ‘om 0s conhecimentos especficos da are Vista €, menor ainda, tem sido nassi disposicio por "en- Frentar” 0 trabalho e © dilogo com outros profissionats da dea, FSi aqui, creo ey, um de nassos desafles atunis Foi posits ow negativamemte nas pesquisis, Mas, a teri aticulag2o, tal como eu a coneebo, mio se esgots aqui. E precio chan a tengo, pelo me- nos no que se refere a Minas Gers, de um ouz0 compo- rete imporante ca aniculagao nite a pitica do arquivo e *prdica da pesquis.Demonstrindo mals uma vex que esta relagao ¢ por vezes bastante tensa, gosta de ctar dois exemplos estas dt experncia de nesso grupo. Primeiramente, gostaria de chamar a steno para as tomadas de decisdes do arquivo que afetam, no con- juato, nossas pesiss Um de nossos volegas, tendo urganizado Jo seu plano de pesquisa, ficou sabendo que os documentos pelos gua ele iniciaria a pesquiss estavam inteditidos para restaurago, Diante da pritica do Arquivo, c, mas ainda, dante da total indefinigto quanto ao tempo neces para sua restauragio, eve, durante © processo de investigicto, por in lao, de buscar outs fortes, por utr, de inverter, de certa forma, © percurso da pesuisa enfatizanclo, nu primeira momento, 2 uulizigio de fontes ora. Nao se trata, porém, de avaliar o grau de criai- vidide do bistoriador 20 "se-produzis” suas Fontes, mas; de enfatizar o quanto isso esta mudando a pesquisa em seu processo ¢, € evidente, em seu resultado, © segundo exemplo tran de uma experiencia vive: ciadla por mint mesmo e por uma aluna bolsista de inicia ye comigo trabalha. Uma das facctas do i © 0 papel do jomal eho cient rosso pepjeto € estuda a import ra conlormacio do campo pedagogico em Minas Gerais no século XIX. Iniclamos © trabalho no final de 1996 e, i em 97, depots de uma letura preliminar de alguns deles, foptamos por uma anilise mais detalhada d'O Universal ‘Apés despender um bom tempo com o trabalho, planejar a pesquisa, familirizarse com 0 jormal, pds ini iia, leamos sibendo, por um aviso na entrada da salt de consuila do Arquivo Piblico Mineiro, que todas os jomuis e periddicos no podenam mais ser consutacios esariam sendo preparados para a mudanca para a heme roteca recémcriada pelo Estado. De navo, sem nenbui ‘previsio de quando ficariam disponiveis novamente, © que fazer? Como havia uma grande vontade de trabalhar com o joral e, sobretudo, por ele ser Iistante significativo para nossa pesquisa, € diante da imenss Interrogacao sobre © tempo de interdi¢ao, rexolveimos parar tudo (da pesquisa!) que vinhamos Fizendo, ¢ con: ‘centramos-n0s nO Universal, Mesma assim sabkamos que ‘9 tempo era por demais resto: tivemos que delimitar periodos e restringir os temas da pesquisa Qual o significado disso para a pesquisa? Mais uma vee houve alteragbes no seu desenvolvimento € elas foram signficativas, Sentimo-las ainda nesse momento. Uma delas, para fear, apenas, em umm exemplo, refere-se a fato de ter que restingir a pesquisa a temas dineta- mente relacionados 3 educagio ou 2 insirucio, ‘Mas, perguntarse-ia: © que tem isso a ver com 0 problema ct legislacio? Ora, se retacionarem essas priicas| do anquivo com a politica de guards, conservacio, argini zagi0 © acesso, poder se verficar que, em tiima ins Xincia, esti presente, aqui, aque iia do Demrida sobre © poder de mando ¢ de comando, ¢, de outra forma que mo na organizacio do arquivo, é visivel a infiuéncia do Estado em nossis ‘competéncias hermenéuticas” © em nosso poder de “interpretar as arquives sob sua guard As varias dimensées da lel 1H alguns anos, ao produzir um trabalho enfocando 2 temitica da legislacdo e inovagdo educacional a partir de 1930, no Brasil, Walter Garcia(1995.p.224) alirmava: “A egisagio, emai especicamente a lepisato educacons), ‘cf senda considera coin a expresso Weal que a8 ‘cumacs domunantes, ra sockace dependent, reveam 2 respeito de eclicacio,Slientamos que a legslagio educacio fal ¢ visa como a consoled a nivel polio insucional das onemgdes eminalas das grupos dominates mt sect ‘dade dependente ssa tem sido, em linhas gerafs, a forma como legislagio tem sido compreenclida , também, pela histo- riografla da educagio brasileira. No entanto, est visio :me parece limitadora do entendimento ¢ trtamento dado ‘east forte no trabalho historiagrifico e, mesmo, socio- logico. A legislagao é, sem divida, aquilo que afirma W, Garcia, Mas €, eambém, muito mai. Conforme ja adiantei na introdugao deste trabalho, estou defendenda a tese de que proxluzir a legistacio ‘como corpus documental significa enfoct-la em suas va- rias dimensdes, Isso permitiria um triple movimer inicialmente, una critica as concepgSES mecanicistas da legislagito, que, grasso modo, a entende como eampo de expressio e imposigio, nica © exclusivamente, dos inte esses das classes dominantes, em seguida, ereia que 90 petmitira surpreender a legisiacto maquilo que, me pac rece, elt tem de mais fascinante: sua dinamicigade; e, Finalmente, abriria mais uma possibilidade de inter ona, no campo educativos dimensoes lo Fazer peck- 26800, 2 qual, atravestadas pela leisacio, vio desde a ppoltics echicacional até as prticas da sls de aula © que eu procuro fazer, a seguir, € explictar alk suns elementos desta concepeao, tendo em visa a ex- Posicio de minha propria pritca de pesquisa com a legislaedo, Observo, no entanto, que minha intensao nic, € esgotar o assunto, Ao fazé-lo, procuro, na medida do) possvel, empreender um duplo movimento que € come proender a egislacio como fonte &, a0 mesino tempo, como objeto de minhas iavestigacdes E preciso dizer, por isso mesmo, que tenho consciéneia da existéncis de lacunas imporantes neste trabalho, Uma delas eu gostaria de salientar, inclusive para motivar outros a estudéla, Tatase, ch tadigo Juri dico-egislativa brasileira no campo da eccaea Como bem ji 0 demonssov E. .Thamson par 0 ‘aso da Inglaterra (Thompson, 1984; 1957), € fundamental relacionae toda a pritica legishtiva e os precutos ds mesms,( 4 lis, com as relagdes socinis mais ampli rs qua eis testo inser @ as quais clas conisbuem para produzie O historiadoringlés chama a atencio, particularmente, para 3 cultura € os castumes com os ual legisla, seja cla ‘qu fot, est em intimo e continiade dilogo. Sendo cle, € impossivel compreender a legslgho ingles a res peito de virios aspects dt vida social, econdmica € cul tal daquele pas, abstain da relaia com os costurnes, que ea vei substi, entrando, portato, em competicio com os mesmos, ou mesmo, a partir dos quais a legislaci ‘era continuamente interprctada reinterpretada Pois bem, se Thompson pode fala, por exemplo, da tlicio do “inglés vee de nascimento" ede seu peso Ssgniicatvo na cultura ingest, o mesmo no ocomte aq Como ji realcou Sérgio Adomo (1986:47), referindo-se 40 século XIX brasleieo, entre nds a retrica da j or exemplo, encontst eco na lei, ou melhor, € a lei, mas no encontra eco nos cosaites Na verdad, convém esclaréoer que: a relagio entre lei costume & Lem mais complera, Vojese, por exemplo, © que diz a esse respeito Notherto Bobbio (1996 p.95): “Como cifimes, cso do reaconamento ent Lie costme {bem mais contpleno porque mio pode reeher us yeep ‘ger alguns ordenamentos cnt o crime infers by endo no cio de aninomi apie o eke lee agen ‘outros ofenamentes conser 3 Le eo cote tt plano, © entiotorse nesses aptcr cates cities Ea) see eprint La at aoc ad ‘orks com. poder frente ceil a ssa € uma questio ji posta, mesmo que indireta- ‘mente, por estudos ciissicas no Brasil (estou me lembran- dlo aqui, particularmente, de um livro como o de Maria Silvia de Carvalho Franco (1983) —, e de outros mais recentes, como a dle Sérgio Adosno, ji cio. No entanto, hho que se refere a edlucagao, & um assunto bastante inex. plorado que previsa ser melhor conhecido © expliitado nos trabalhos sobre a legislacie escola. Outro aspecto de Fundamental importants, elacio nado também com a legalizacio refere-se forma como o poder judicfrio historieamente vem se telacionado con legislacto do ensino e qual» importincia cla pritica juceet- "a, soja interpretagao da fe, Saja enquanto guatcit chs formas de garantia © controle da legalcale, © como tem questo tm af uma pantelpacko ative. les utiizam diver sos meios para fazer valer seus interesses ou put seter ‘unvids. Um desses meios 6, na verdade, representa por aqueles sutos que fazem e/ou publcam o jomal A faceta educatva da atividade jomnalistica pode ser percebida quando se analisa suas posigdes frente 10s debates sobre a politica € legislacio exueacionas, oct sito em que eles se colocam como expressto da opi pala e, sem divide, como momento mesmo de sia Constituigio. 1880 pode ser percebido, nessa pesquisa, rs manifestg¥es que tiveram lugar 1° universal no perfodo de discussio da lei n® 13 a qual jé me refer, O jomal, além de publicar © prog inkl da lei © 3 versio final, abre espaco, também, pura manifestagdes como ad “Sociedade Promesion ct Insti ; 107 instituigio Fundada quatro anos antes na ci afirmava a Sociedade; ile de Ouro Preto. Nessa ocasi "A Sociedade Promotors, confiad nas vows laze juga ecessirioinciearvos as precisbes ds Prova, may para scx consequente com 05 fins de sua fasttuigo, no poe ‘deixar de invacaevoeso parctisa em favor ch Intgto . Piables, que € sem duvide a primeira necessade os Go veamas Lives" Carta Ding ao “Sis. Representantes da Provincia de Minas Gerais" em 1803) Dias depois de aprov issuumia como sua a seguinte posicit: “A let que sega a Insaco prima abwindo os brags ca siminsraglo para proce hvemeate a testo ds Pola Pals, remoren grande pate dos oct que se opt ‘sham ao aproveiamento di Mocelid, ¢tabikos 0 Governo ‘com mis sufientes pa encetar ita nova cei, de que mito pode depend educagto,e inttugo publica desat parte de nosso concidalis, que oa bebe sx pas © ss \outinas Ge morale de educa pelem vr a ser no fare © apoio ds Liberdade,e pee o renate na cba que ses ree feseres cmegaram 9 edi (Em 01/04/38) Fm diversas outras ocasides, o jomal voltou a Imanifestar 2 favor ou contra aspectos da lepislacs do censino © dos atos praticadas pelo executive a respeito dla instugto pablica 2 Momento: a realizagao da let } Se até aqui tenho buscado relacionar a legislacio ) Com as pritieas que a produziram, meu intento agora & | buscar relacionésla com a produgio de novas priticas NNesse particular, o terreno & muiko mais trangiito e nos trdigdo de pesquisa, muito maior. $20. por demas conhecidas as abordagens que entendem & legislagaio ‘como pritica de orcienacio, contrale ¢ formulizagio de tras (ou novas) priticas. Outra posibildade pitadora de novas priticas, 0 que colo © processo de: Apropriacio, ou sea, a ago do sujelto supostamente nse prada pela legislaglo, Isto me temete, imediatamente, para o terreno muito mais pantanoso das relagdes entre ‘sujeitos e priticas distintas, nlo reforgando 0 viés autori- lisio © desqualficador suposto quando se entende a le~ lslaco como pura imposicio. Reconhego que falar de pritica inspirada na ou pela legislaglo € muito genérico. No entanto, nao creio que a ideéia deva ser abandonada pois, por diversas ve es, encontram-se relatos de pritica que vemetem, sem vida, para o dillogo com a legislacto. Fm algunas dla, inclusive, as lacunas da lel € imputaca a responsi bilidade por certas priticas consideradas condeniveis. pensar legishicie como ins- “0 Vice-resilente da Prova, tendo vistado 2 Aula do ensing mstuo deat cade observe que 0 métede Lt terano se no tem so complesamente esquecido, & ali tio Inegularmenteprtiada, que nia x se conhece que est Instituto lem tetrogradado do mesme esd sins impr Felo, em que se achava nos peimeics anos do estabeleci mento aul, mas também parece que ele sei menos prficvo aos dtepules do que © métado antigo, quando se ‘observa ene oulros o defeito de feaem eat completa ‘ciosidacle as lasses dos principintes enquanco 0 profes £05 detrand «cade, se elrelém co os mais provecios 4 fase operagdesautméicts nos respective bance (© Vioe Presidente da Provincia nfo abide a0 ual pro esor as fas, que al se notam, por nao Fazer do mesmo esfivonveljuio, recanhsce contd 4 necessidade, ov de fazerse que o método Lanasteriono sea perfetamente cobservado, dle sore que dele se colham is mesinss van ges poids em diverses pases, ou de abi de tl, fquindla se cance, que alo é possvel, que sem que es belegam as Aula de que tata o Aigo Ola Le n° 13 de 28 ‘le margadlo content ano prosper, por so resolve eco tmeniar do se Delgado do 18 Chctia Lien que vite 109 por algunas vezes a refed als, e examinand todos 08 efeitos da aula pritca de ensino, propa a0 Gorerno #3 providncias, que the parecem necessinas par sev metho ‘amento, podende faze este trabalho de acordo como at 3 Secretinio ea Presidéncis, ue por tet sido professor laqueleensino, e possuira spikian neces fi pelo View Presidente convidilo prs este fim, e deve ser chamado pelo se Delegado quando seja necessino™ (30/04/1835, 2s, Presdente da Provincs) Em ambas as abordagens expastas acim, as quis, dle Forma agama, devam ser entendidas como exchiden- 's, uma questo importante part ser enfocuda € a rela- ‘0 tensa enlte os imperativas Jegais e os imperativos da Pritica pedagdgici. Reforco esta questio porque, em mins pesquisas, tenho visto que, a0 conto do que Imuitas vezes pensimos, muitos professores, disetoras © inspetores tinham muito clara a especificidade dessa t= o, Nl poucas vezes os professores e, sobretudo, as Uitetoras de grupos escolares afimmaram que tal ou qual dleterminaco legal era incompativel com os imperatives pedaagogicos escolares, acasito em que eis mo tuber. vam em afastarse da lek Finalmente, gostaria de salientar 0 fato de, em su realizaglo, a leglslagio ser ago estabelecedora de pro- luios, ou de artefato, e de dispostivos. Como exemplo dle produtos ou artefatos, existe a propria documentasao, produc agora como fonte, utiliza em nassas pesqui- vas, questio esta A qual fi me refer. No que se refere 1s dispositivos, além da propria legislagao poder ser tentenclict como tal, posso clar outros menos "vis Em nossa pesquisa estamos vendo, por exemplo, a im- portincia de uma andlise mais pormenorizact dos qua- dos ou livros que acompanham as legislaghes, Estes, 0 mesmo tempo em que permite perceber a disposicao de uma Logica de controle do professor © de produce ile duos estatisticos, permitem também perceber as ioe , em determinada época, dle ts clientel informagdes consicerad: Interesse da escola sobre s Ao abrir um campo, no quadro de informagdes 4 ser preenchido pelo professor acerca de seus alunos, alguas destes cispositivos permitizam-me, por exemplo, verificar a existencia de experiéncias extra-escobares de aprendizado inicial da leitura © da escrita, £ evicente que, para os professores, esta ert uma informagio qu poderia ser utilizada como mecanismo de distribuigio dostas) alunostas) {A natureza de nossos documentos implicam, pois, no apenas a necessidade de refer-los constantemente sao “lugar” a partir da qual sio produzios, mas também, f fundamentalmente, buscar entenclé-los em suas dit ‘micas © materialidades proprias. ‘A lel como pratica ordenadora das relacoes sociais Pensindo ainda na climensao pritica da legistacto, coutra forma de abordi-la, pressuponclo as demais apro ximagdes ¢ com elas interagindo, € a que se entende a lei como uma pritica ordenador das relagoes socials Creio ser esse um dos aspectos nodais dest m {qne estou propondo € realizando, Tal entendimento resgata, a um s6 tempo, diss dimensdes importantes: a primeira, o cariter historico politico da legislagio e a segunda, celacior luma vez, com oS sujeitos responsiveis por esta inter venga social. Quanto a0 primeiro aspecto, pode parecer dbvio, mas € preciso dizet que fazer leis no Brasil nas primei ras décadas do século XIX ou no final do mesmo século, € uma tacefa qualitativamente diferente. Nao apenas por- ‘que mudaram as circunstinckas histricas, mas também porque mudou a propria natureza do ato legislativo. Se, no Brasil reccmlberto do dominio, porugués, nosso legislativo se auto-impunlia a tarefa de estabelecer 0 “dominio da fei" por meio da propria lei, € asin assegurar lum iinimo de tringildade pblca e estabilidade politica tarefa esta que, conforme Séxgio Adomo, se estenden até uase « metade do século, jt no final do periode imperial ‘est no era uma tarefa das mais imporsantes, pois vencida, Assim, verifica-se inicialmente uma preocupacio muito grande em como conjugar liberdade e legaliace, tindo-se sempre no papel educativo das instinigoes is. Assi, nas paginas «'O Universal do dia 27/07/ 35, afirmavase que, # preciso que o hiomem sejaihutrado, para ditinguir 0 tbem do mal € preciso que ele sef vitoro part querer 9 bem; € preciso que ele ej livre paca que efetue sa ese ths; mas a res Luz que dige sua escolha moral, The mostrar todes os autos ben, bens que ee pode descr © todos os meios part os conseguir «cla progreso Cie ligénca convidar, exigi um progreso correspondent de ime, ede liberdade” Referindo-se a este mesmo perfodo, Sérgio Ador- no aponta que: Para os propsietcios ruse negociantes, a akemmat para resubelocer 4 ranilidade pica consists em reeupera feraamente © impéri ca Te" (Adorno, 1988 p.4951) Nao é sem nizao, pois, que O Univeral estampa em de suas paginas, em dezenas de anigos notes, a limperiosa necessidade de se estabelecer o impséria dle Em todo o periodo, porém, 0 cariter politico da intervensao legal baseia-se num pressuposto fundamental 1 intervengio era uma aglo necessitia das instituigoes cstatais e/ou das classes dustridas sobre o heterogeneo povo brasileito no sentido de eivilizé-lo © prepani-lo part contribuir para com © progresso da naga, n2 E clara, pois, « conotacto pedg6gica implicta na glo legislativa: a lei moldaria © cartes, ordenaria as relagdes, civilizaria @ povo, construiria a naclo, A ida de ordenar 0 social, e mestno 0 cariter de cada pessoa, pelo império da lei, se era algo bastante disseminado, no ‘momento inicial do impétio, velo a se constituir, 20 lon: 40 do perfodo, na bandeira de Iuta de um grupo particu lar de intelectuais, politicos ¢ profissionais: os bacharé Este(S) grapo(s), bastante homoxéneo(s) em sa ori- gem, foxmagao e agio politica, como bem o demonstrou José Murilo de Carvalho(1990), fol o responsivel, tam: bbém, no mais das vezes, pela elaboragao de nossas le- _gslagbes escolures. Tal fato, por sis6, revela a importincia * de uma aproximagio dlos(as) historiadores(as) da educa io com esse tema, fato, no entanto, que foge de miahas pretensoes neste momento, A lel como campo de expressio & construgdo das relacoes ¢ lutas sociais © timo dos aspecios relacionados & lei para 0 qual interesstsme chamat a atengio, e com o qual tems lidado «em nossas pesquisis, toma como referencia o fatlo da legis- lagdo, em suas varias dimensoes e em seus visios momen- tos, significar, ao mesmo tempo, um cos modos como is lutas socits slo produzidas e expressis. Esse aspecto esti ligado, sem dévida, & compreensio de que também a le, fem sua dindmica e contradigdes, abjtiva a propria dinaimi- ca das relagdes sociais em uma de sus manifesacoes. Nesse sentido, mais uma vez, recorto aos estudos de E. P. Thompson quando este afitma que: 8 verdide que, na hist, pedese vera let a medar & legtimar as relagdes de case existence, Sus formas © sus procedimentos podem crisalizs essay relagbes e mascara ‘njutiesinvonfesas. Mas essa meso, thes is formas dale, étealmente erente tn exerci ca fore sem rec 08, As formas ea recreate adquiem ua Klentidacde

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