Você está na página 1de 29

Contrato de agência

Ana Rita Ribeiro 20140377; Turma C1


Margarida Costa 20140434; Turma C1
Rita Branco 20140409; Turma C1
Stephanie Russo 20140441; Turma C1

Unidade curricular: Direito de Marketing e Publicidade


Docente: Nuno Correia

Lisboa, Maio 2017


Índice

I. Introdução…………………………………………………………………………1
II. Enquadramento……………………………………………………………….......2
III. Direitos e obrigações das partes………………………………………………….3
3.1 Direitos…………………………………………………………………...3
3.2 Remuneração…………………………………………………………….3
IV. Proteção de terceiros……………………………………………………………..5
V. Cessação do contrato de agência………………………………………………….7
5.1 A Caducidade………………………………………………………………..7
5.2 A Denúncia………………………………………………………………….7
5.3 Resolução…………………………………………………………………...7
VI. Disposições Legais………………………………..……………………………...9
6.1 CAPÍTULO I………………………………………………………………..9
6.2 CAPÍTULO II ……………………………………………………………..10
6.3 CAPÍTULO III …………………………………………………………….13
6.4 CAPÍTULO IV …………………………………………………………….14
6.5 CAPÍTULO V……………………………………………………………...17
6.6 CAPÍTULO VI…………………………………………………………….17
VII. Acórdãos do supremo tribunal de justiça……………………………………...18
7.1 Processo: 98A444……………………………………………………….18
7.2 Processo: 91/2000.S1……………………………………………………..21
7.3 Processo: 10042/08.2TBMAI.C1………………………………………….23
VIII. Conclusão…………………………………………………………………….25
IX. Bibliografia…………………………………………………………………….26
I. Introdução

No âmbito da Unidade Curricular de Direito de Marketing e da Publicidade foi pedido ao


grupo um trabalho que consistia na escolha de um tema, entre várias opções, tendo o
grupo escolhido a temática do Contrato de agência.
Este trabalho irá focar-se em três partes principais. Primeiro, o aprofundamento histórico
do tema em questão, uma segunda parte mais relacionada com o Direito em si através da
análise e interpretação de leis, normas e artigos sobre o Contrato de agência e uma última
parte que corresponde à Jurisprudência e à apresentação de casos reais do tema e suas
consequências e resultados. Com este trabalho teremos a oportunidade de aprofundar e
explorar um tema que nos é praticamente desconhecido, mas que tem ganho importância
nos últimos anos por ser um dos temas com maior importância em termos de publicidade.
II. Enquadramento

O contrato de agência ou representação comercial, com ainda recente integração de


Portugal na Comunidade Europeia, impulsionou a poder do legislador quanto à definição
dos termos do contrato de agência. (Directiva 86/653/CEE).
Como breve resumo histórico do seu surgimento, o contrato de agência tem na sua base
a necessidade de sedimentação dos mercados já existentes assim como a procura de novos
mercados, muitas vezes distantes da zona de produção, inicialmente através de um
Contrato de Comissão.
Geralmente, os contratos de agência assumem a forma escrita, sendo frequente que
derivem da simples adesão a cláusulas contratuais gerais.
De acordo com o artigo 1º, nº1 do Decreto-Lei n.º 178/86, de 3 de Julho - "Agência é o
contrato pelo qual uma das partes se obriga a promover por conta da outra a celebração
de contratos, de modo autónomo e estável e mediante retribuição, podendo ser-lhe
atribuída certa zona ou determinado círculo de clientes."
Existem sempre duas partes do contrato que são o principal, que se refere à empresa que
comercializa o produto/ serviço e o agente que se trata daquele que promove a celebração.
A agência pode ser celebrada com ou sem representação. Se existir, presume-se que o
agente está autorizado a cobrar os créditos do principal, o que de outra maneira exigiria
autorização escrita.
Num paralelo com o disposto para o mandato – artigo. 1165.º Cód. Civil - o agente pode
recorrer a auxiliares e substitutos, designadamente sub-agentes, aplicando-se a estes, com
as necessárias adaptações, as normas aplicadas ao agente.
Este tipo de contrato pode ser celebrado com prazo certo, que consiste na determinação
de um prazo de X tempo e ainda aquele que não tem um prazo determinado e termina
quando uma ou ambas as partes deixaram de estar interessadas. No caso de não ser fixado
nenhum prazo este passa automaticamente a ser um contrato de prazo indeterminado. No
caso de existir um prazo combinado e se ambas as partes continuarem a executar o
conteúdo, este passa a ser um contrato de prazo indeterminado.
III. Direitos e obrigações das partes

O agente, na celebração de contratos, deve proceder de boa fé, zelando pelo interesse do
principal e desenvolver as atividades adequadas à realização plena do fim contratual.
Estando obrigado a respeitar as cláusulas previstas nos art. 7º a 11º, nos quais, numa
enumeração meramente exemplificativa, temos o dever:
- Respeitar as instruções da outra parte que não ponham em causa a sua autonomia;
- Prestar as informações pedidas e necessárias, esclarecendo ainda o principal sobre a
situação do mercado e suas perspetivas;
- Prestar contas;
- Dever de segredo, mesmo após a cessação do contrato;
- Obrigação de não concorrência pós-eficaz, se for acordado por escrito, não podendo, no
entanto, ultrapassar o período de 2 anos;
- Dever de avisar de imediato o principal de qualquer impossibilidade sua de cumprir o
contrato.

3.1 Direitos:
O agente desfruta da enumeração prevista nos art. 12º a 20º, assim cabem-lhe:
- Direito de receber do principal os elementos necessários ao exercício da sua atividade
(concretização do art. 1167 a) do CC);
- O direito de receber sem demora a informação da aceitação ou recusa dos contratos
concluídos sem poderes;
- O direito de receber periodicamente a relação dos contratos celebrados e das comissões
devidas;
- Uma compensação pela obrigação de não concorrência, após a cessação do contrato.

3.2 Remuneração:
A lei específica o pagamento de uma retribuição nos termos acordados pelas partes ou,
na falta deste, pelos usos e pela equidade, não existindo nenhum obstáculo em que a
retribuição consista simplesmente em comissões pelos contratos celebrados.
O agente adquire o direito à comissão quando ocorra uma de duas circunstâncias:
- ou o principal cumpra ou deva ter cumprido o contrato ou o terceiro o haja cumprido.
Tendo o principal executado a sua obrigação e tendo o terceiro cumprido o contrato ou
devesse fazê-lo, o agente adquire o direito à comissão, mesmo que existam cláusulas em
contrário.
A comissão deve ser paga até ao último dia do mês seguinte ao trimestre em que o direito
tiver sido adquirido.
Havendo convenção del credere, o agente pode exigir as comissões devidas, uma vez
celebrado o contrato, dado ele garantir o cumprimento pelo terceiro.
Se o contrato não for cumprido por causa imputável ao principal, mantém-se o direito à
comissão por parte do agente.
→ Além das retribuições e das comissões, acima referidas, o agente tem ainda o direito a
uma comissão especial pelo encargo de cobranças ou pela convenção del credere – art.
269.º, 2º parágrafo do Cod. Comercial. O agente deve ainda ser avisado de qualquer
diminuição da atividade do principal.
IV. Proteção de terceiros

O contrato de agência visa celebrar negócios entre o principal e terceiros. Dado o especial
interesse que o principal retira da atuação dos agentes e visto o valor geral que a confiança
nos negócios representa, dentro da sociedade, a lei estabeleceu diversos mecanismos para
a proteção de terceiros, presentes nos art. 21º a 23º do DL 178/86.

Art. 21º - Dever de informação


Seguindo o princípio geral da Liberdade de Forma, o contrato de agência, fica sujeito a
registo na exata medida da vontade das partes. A razão de ser deste instituto, reside na
maior ameaça ao consumidor, neste tipo de negócios jurídicos, que é a celebração de
contratos sem que o agente tenha poderes para tal. Assim a norma protege o consumidor,
obrigando o agente a fazer transparecer o conteúdo da relação interna que o liga ao
principal. No fundo trata-se de assegurar os direitos do consumidor.

Art. 22º - Representação sem poderes


Este instituto vem-se debruçar sobre o valor do silêncio enquanto declaração negocial.
Requer que um negócio jurídico celebrado através de representação sem poderes, seja
ratificado pelo principal, sob pena de ser sobre este considerado ineficaz.
Impõe ao principal o ónus de comunicar ao terceiro a sua intenção de não ratificar o
negócio, pois caso não o faça e o terceiro tenha actuado de boa fé, tem-se por ratificado
o negócio jurídico., nos termos do art. 218º do código civil.

Art. 23º - Representação Aparente


Versa sobre um problema geral de direito, que se resume ao facto do terceiro negociar
com um agente, que negoceia e atua como se tivesse poderes para tal, sendo facto que
não os tinha, sem que esse conhecimento seja imputável ao terceiro. Ao nível do direito
privado civilista que nos aparece a solução, cfr. artigos 268º/1 e 770º do Código Civil por
remissão do art. 22º/1 e art. 3º/3 do Decreto-Lei 178/86.
Não obstante de soluções específicas, num sentido mais lato e abrangente, o legislador
introduziu uma cláusula que visa tutelar a boa-fé dos terceiros, que para ser plenamente
eficaz requer requisitos objetivos e subjetivos. (O art. 23º estabelece por fim uma hipótese
muito particular de representação aparente, havendo representação sem poderes e o
agente contratar em nome do principal, acreditando o terceiro de boa fé na existência
deles, desde que essa confiança seja objetivamente justificada devido a contribuição do
principal nesse sentido, o negócio é eficaz, é a hipótese do agente, com conhecimento e
sem reacção do principal, se proclamar publicamente seu representante).
Desde logo, o agente deve informar quais os poderes que possui, através de letreiros
afixados nos locais de trabalho e em todos os documentos em que se identifica como
agente de outrem, devendo sempre constar se tem ou não poderes representativos e se
pode ou não efetuar cobrança de créditos. Quando não tenha poderes de representação, o
agente contrata em nome próprio, funcionando as regras do mandato sem representação
ou proporciona uma contratação direta entre o principal e o terceiro. Se porém contratar
em nome próprio, caímos na representação com poderes, prevista no art. 268º n.º 1 do
CC, conforme previsão do art. 22º n.º 1 do DL 178/86.
Porém, o negócio considera-se ratificado se o principal, tendo conhecimento da sua
celebração e do seu conteúdo e estando o terceiro de boa-fé, não lhe manifestar no prazo
de 5 dias após o seu conhecimento, a sua oposição.
V. Cessação do contrato de agência

A cessação do contrato de agência encontra-se regulada nos art. 24º a 36º, existindo quatro
formas de cessação: por acordo das partes, por caducidade, denúncia ou resolução. O
mútuo acordo corresponde ao acordo pelo qual as partes decidem por termo à relação
contratual, devendo constar de documento escrito.

5.1 A caducidade:
O art. 26º, refere como extintivos o termo do prazo, a condição, a morte ou extinção do
agente tratando-se este de pessoa coletiva.
Se as partes não tiverem convencionado prazo, o contrato presume-se celebrado por
tempo indeterminado, assim como acontece com aquele em que se tenha convencionado
prazo mas continue a ser executado pelas partes para além deste.

5.2 A denúncia:
Destina-se a fazer cessar um contrato de duração indeterminada, conforme consta do art.
28º. Deve ser comunicada à outra parte com determinada antecedência, sendo os prazos
crescentes em consonância com a duração do contrato. Assim:
- Se o contrato durar há menos de 1 ano – aviso prévio de 1 mês
- Se já tiver iniciado o segundo ano de vigência - 2 meses
- Nos restantes casos – 3 meses
O termo do prazo deve, salvo convenção em contrário, coincidir com o último dia do mês.
As partes podem ainda fixar prazos de pré-aviso mais longos, contudo o prazo a observar
terá de ser igual para ambas as partes. A denúncia sem pré-aviso é eficaz, mas obriga o
denunciante a indemnizar a outra parte pelos danos causados, conforme consta do art. 29º
n.º 1. Contudo, dadas as dificuldades de prova com que o agente se poderá deparar, ou
porque a indemnização poderá não ser significativa, o n.º 2, oferece ao agente, em
alternativa, a possibilidade de exigir uma quantia calculada com base na remuneração
média mensal auferida no decurso do contrato.

5.3 Resolução:
Quanto à resolução, esta implica um ato recipiendo, assente em determinada justificação
que faça cessar imediatamente o contrato de agência, tenha ele ou não prazo. O art. 30º
do DL 178/86 especifica as hipóteses de resolução, uma subjetiva e outra objetiva. Assim,
a resolução pode concretizar-se:
- se uma parte faltar ao cumprimento das suas obrigações, previstas nos art. 6º e seguintes
para o agente e 12º e seguinte para o principal, quando, pela sua gravidade ou reiteração,
não seja exigível a subsistência do vinculo contratual. Temos aqui a hipótese de
incumprimento culposo, que por ter a ver com o sujeito diz-se subjetiva. A resolução deve
ser comunicada por escrito, com indicação das razões e no prazo de um mês após o seu
conhecimento, ultrapassado esse prazo caduca o direito à resolução, restando a denúncia
para cessar o contrato. Independentemente do direito à resolução, qualquer das partes,
tem o direito de ser indemnizada pelos danos resultantes do incumprimento da outra parte,
conforme previsto no art. 32º. Sem prejuízo de qualquer outra indemnização a que haja
lugar, nos termos anteriormente expostos, o agente pode ter o direito, após a cessação do
contrato, a uma indemnização de clientela, com o intuito de o compensar pelo
enriquecimento que proporcionou à outra parte com a angariação de novos clientes que
se manterão após o termo do contrato de agência.
Este é o sentido da indemnização prevista no art. 33º do DL 178/86, exigindo para tal
cumulativamente:

a) Que o agente tenha angariado novos clientes para o principal ou aumentado


substancialmente o volume de negócios com a clientela já existente;

b) O principal venha a beneficiar consideravelmente, após a cessação do contrato, da


atividade desenvolvida pelo agente;

c) O agente deixe de receber qualquer retribuição por contratos negociados ou concluídos,


após a cessação do contrato, com os clientes angariados ou cujos negócios tenham sido
aumentados.

A indemnização de clientela pode ser exigida pelos herdeiros, não sendo devida se o
contrato tiver cessado por razões imputáveis ao agente ou se tiver cedido por acordo com
outra parte, a sua posição contratual a terceiro. A intenção de exercer o direito de clientela
deve ser comunicada ao principal no prazo de um ano a contar da cessação do contrato,
devendo a ação judicial ser proposta dentro do ano subsequente a esta comunicação. A
indemnização será calculada nos termos previstos no art. 34º, ou seja, a partir da média
anual das remunerações recebidas pelo agente durante a duração do contrato. No termo
do contrato, cada contraente deve restituir os objetos, valores e demais elementos que
pertençam ao outro, gozando o agente do direito de retenção sobre eles, pelos créditos da
sua atividade.
VI. Direito e Disposições legais:

Decreto-Lei n.º 178/86, de 3 de Julho - Regulamenta o contrato de agência ou


representação comercial
Alterado por:
Decreto-Lei n.º 118/93, de 13 de Abri l (altera os artigos 1.º, 4.º, 13.º, 16.º, 17.º, 18.º, 22.º,
27.º, 28.º, 33.º e 34.º)

CAPÍTULO I
Disposições gerais Artigo

1.º Noção e forma


1- Agência é o contrato pelo qual uma das partes se obriga a promover por conta da outra
a celebração de contratos, de modo autónomo e estável e mediante retribuição, podendo
ser-lhe atribuída certa zona ou determinado círculo de clientes.
2 - Qualquer das partes tem o direito, a que não pode renunciar, de exigir da outra um
documento assinado que indique o conteúdo do contrato e de posteriores aditamentos ou
modificações. Artigo

2.º Agente com representação


1 - Sem prejuízo do disposto nos números seguintes, o agente só pode celebrar contratos
em nome da outra parte se esta lhe tiver conferido, por escrito, os necessários poderes.
2 - Podem ser apresentadas ao agente, porém, as reclamações ou outras declarações
respeitantes aos negócios concluídos por seu intermédio.
3 - O agente tem legitimidade para requerer as providências urgentes que se mostrem
indispensáveis em ordem a acautelar os direitos da outra parte.

Artigo 3.º Cobrança de créditos


1 - O agente só pode efectuar a cobrança de créditos se a outra parte a tanto o autorizar
por escrito. 2 - Presume-se autorizado a cobrar os créditos resultantes dos contratos por
si celebrados o agente a quem tenham sido conferidos poderes de representação. Contrato
de Agência ou Representação Comercial Decreto-Lei 178/86 de 03/07 (alterado pelo DL
n.º 118/93 de 13/04).
3 - Se o agente cobrar créditos sem a necessária autorização, aplica-se o disposto no artigo
770.º do Código Civil, sem prejuízo do regime consagrado no artigo 23.º do presente
diploma.

Artigo 4.º Agente exclusivo


Depende de acordo escrito das partes a concessão do direito de exclusivo a favor do
agente, nos termos do qual a outra parte fique impedida de utilizar, dentro da mesma zona
ou do mesmo círculo de clientes, outros agentes para o exercício de atividades que estejam
em concorrência com as do agente exclusivo.

Artigo 5.º Subagência


1 - Salvo convenção em contrário, é permitido o recurso a subagentes.
2 - À relação de subagência aplicam-se, com as necessárias adaptações, as normas do
presente diploma.

CAPÍTULO II
Direitos e obrigações das partes
Secção I Obrigações do agente

Artigo 6.º Princípio geral


No cumprimento da obrigação de promover a celebração de contratos, e em todas as
demais, o agente deve proceder de boa fé, competindo-lhe zelar pelos interesses da outra
parte e desenvolver as actividades adequadas à realização plena do fim contratual.

Artigo 7.º Enumeração


O agente é obrigado, designadamente: a) A respeitar as instruções da outra parte que não
ponham em causa a sua autonomia; b) A fornecer as informações que lhe forem pedidas
ou que se mostrem necessárias a uma boa gestão, mormente as respeitantes à
solvabilidade dos clientes; c) A esclarecer a outra parte sobre a situação do mercado e
perspectivas de evolução; d) A prestar contas, nos termos acordados, ou sempre que isso
se justifique.

Artigo 8.º Obrigação de segredo


O agente não pode, mesmo após a cessação do contrato, utilizar ou revelar a terceiros
segredos da outra parte que lhe sejam sido confiados ou de que ele tenha tomado
conhecimento no exercício da sua actividade, salvo na medida em que as regras da
deontologia profissional o permitam.

Artigo 9.º Obrigação de não concorrência


1 - Deve constar de documento escrito o acordo pelo qual se estabelece a obrigação de o
agente não exercer, após a cessação do contrato, actividades que estejam em concorrência
com as da outra parte.
2 - A obrigação de não concorrência só pode ser convencionada por um período máximo
de dois anos e circunscreve-se à zona ou ao círculo de clientes confiado ao agente.

Artigo 10.º Convenção «del credere»


1 - O agente pode garantir, através de convenção reduzida a escrito, o cumprimento das
obrigações de terceiro, desde que respeitantes a contrato por si negociado ou concluído.
Contrato de Agência ou Representação Comercial Decreto-Lei 178/86 de 03/07 (alterado
pelo DL n.º 118/93 de 13/04).
2 - A convenção «del credere» só é válida quando se especifique o contrato ou se
individualizem as pessoas garantidas.

Artigo 11.º Impossibilidade temporária


O agente que esteja temporariamente impossibilitado de cumprir o contrato, no todo ou
em parte, deve avisar, de imediato, o outro contraente.

Secção II Direitos do agente

Artigo 12.º Princípio geral


O agente tem o direito de exigir da outra parte um comportamento segundo a boa fé, e
mordem à realização plena do fim contratual.

Artigo 13.º Enumeração


O agente tem direito, designadamente: a) A obter da outra parte os elementos que, tendo
em conta as circunstâncias, se mostrem necessários ao exercício da sua atividade; b) A
ser informado, sem demora, da aceitação ou recusa dos contratos negociados e dos que
haja concluído sem os necessários poderes; c) A receber, periodicamente, uma relação
dos contratos celebrados e das comissões devidas, o mais tardar até ao último dia do mês
seguinte ao trimestre em que o direito à comissão tiver sido adquirido; d) A exigir que lhe
sejam fornecidas todas as informações, nomeadamente um extrato dos livros de
contabilidade da outra parte, que sejam necessárias para verificar o montante das
comissões que lhe serão devidas; e) Ao pagamento da retribuição, nos termos acordados;
f) A receber comissões especiais, que podem cumular-se, relativas ao encargo de
cobrança de créditos e à convenção «del credere»; g) A uma compensação, pela obrigação
de não concorrência após a cessação do contrato.

Artigo 14.º Direito a aviso


O agente tem o direito de ser avisado, de imediato, de que a outra parte só está em
condições de concluir um número de contratos consideravelmente inferior ao que fora
convencionado ou àquele que era de esperar, segundo as circunstâncias.

Artigo 15.º Retribuição


Na ausência de convenção das partes, a retribuição do agente será calculada segundo os
usos ou, na falta destes, de acordo com a equidade.

Artigo 16.º Direito à comissão


1 - O agente tem direito a uma comissão pelos contratos que promoveu e, bem assim,
pelos contratos concluídos com clientes por si angariados, desde que concluídos antes do
termo da relação de agência.
2 - O agente tem igualmente direito à comissão por actos concluídos durante a vigência
do contrato se gozar de um direito de exclusivo para uma zona geográfica ou um círculo
de clientes e os mesmos tenham sido concluídos com um cliente pertencente a essa zona
ou círculo de clientes. Contrato de Agência ou Representação Comercial Decreto-Lei
178/86 de 03/07 (alterado pelo DL n.º 118/93 de 13/04).
3 - O agente só tem direito à comissão pelos contratos celebrados após o termo da relação
de agência provando ter sido ele a negociá-los ou, tendo-os preparado, ficar a sua
conclusão a dever-se, principalmente, à actividade por si desenvolvida, contanto que em
ambos os casos sejam celebrados num prazo razoável subsequente ao termo da agência.

Artigo 17.º Sucessão de agentes no tempo


O agente não tem direito à comissão na vigência do contrato se a mesma for devida, por
força do n.º 3 do artigo anterior, ao agente que o anteceder, sem prejuízo de a comissão
poder ser repartida equitativamente entre ambos, quando se verifiquem circunstâncias que
o justifiquem.

Artigo 18.º Aquisição do direito à comissão


1 - O agente adquire o direito à comissão logo e na medida em que se verifique uma das
seguintes circunstâncias: a) O principal haja cumprido o contrato ou devesse tê-lo
cumprido por força do acordo concluído com o terceiro; b) O terceiro haja cumprido o
contrato.
2 - Qualquer acordo das partes sobre o direito à comissão não pode obstar que este se
adquira pelo menos quando o terceiro cumpra o contrato ou devesse tê-lo cumprido, caso
o principal tenha já cumprido a sua obrigação.
3 - A comissão referida nos números anteriores deve ser paga até ao último dia do mês
seguinte ao trimestre em que o direito tiver sido adquirido.
4 - Existindo convenção del credere, pode, porém, o agente exigir as comissões devidas
uma vez celebrado o contrato.

Artigo 19.º Falta de cumprimento


Se o não cumprimento do contrato ficar a dever-se a causa imputável ao principal, o
agente não perde o direito de exigir a comissão.

Artigo 20.º Despesas


Na falta de convenção em contrário, o agente não tem direito de reembolso das despesas
pelo exercício normal da sua actividade.

CAPÍTULO III
Proteção de terceiros

Artigo 21.º Dever de informação


O agente deve informar os interessados sobre os poderes que possui, designadamente
através de letreiros afixados nos seus locais de trabalho e em todos os documentos emque
se identifica como agente de outrem, deles devendo sempre constar se tem ou não poderes
representativos e se pode ou não efetuar a cobrança de créditos.

Artigo 22.º Representação sem poderes


1 - Sem prejuízo do disposto no artigo seguinte, o negócio que o agente sem poderes de
representação célebre em nome da outra parte tem os efeitos previstos no artigo 268.º,
n.º1, do Código Civil.
2 - Considera-se o negócio ratificado se a outra parte, logo que tenha conhecimento da
sua celebração e do conteúdo essencial do mesmo, não manifestar ao terceiro de boa-fé,
no prazo de cinco dias a contar daquele conhecimento, a sua oposição ao negócio.

Artigo 23.º Representação aparente Contrato de Agência ou Representação Comercial


Decreto-Lei 178/86 de 03/07 (alterado pelo DL n.º 118/93 de 13/04).
1 - O negócio celebrado por um agente sem poderes de representação é eficaz perante
oprincipal se tiverem existido razões ponderosas, objectivamente apreciadas, tendo em
conta as circunstâncias do caso que justifiquem a confiança do terceiro de boa fé na
legitimidade do agente, desde que o principal tenha igualmente contribuído para fundar a
confiança do terceiro.
2 - À cobrança de créditos por agente não autorizado aplica-se, com as necessárias
adaptações, o disposto no número anterior.

CAPÍTULO IV
Cessação do contrato

Artigo 24.º Formas de cessação


O contrato de agência pode cessar por: a) Acordo das partes; b) Caducidade; c) Denúncia;
d) Resolução.

Artigo 25.º Mútuo acordo


O acordo pelo qual as partes decidem por termo à relação contratual deve constar de
documento escrito.

Artigo 26.º Caducidade


O contrato de agência caduca, especialmente: a) Findo o prazo estipulado; b) Verificando-
se a condição a que as partes o subordinaram ou tornando-se certo que não pode verificar-
se, conforme a condição seja resolutiva ou suspensiva; c) Por morte do agente ou,
tratando-se de pessoa coletiva, pela extinção desta.

Artigo 27.º Duração do contrato


1 - Se as partes não tiverem convencionado prazo, o contrato presume-se celebrado por
tempo indeterminado.
2 - Considera-se transformado em contrato de agência por tempo indeterminado o
contrato por prazo determinado cujo conteúdo continue a ser executado pelas partes, não
obstante o decurso do respetivo prazo.

Artigo 28.º Denúncia


1 - A denúncia só é permitida nos contratos celebrados por tempo indeterminado e desde
que comunicada ao outro contraente, por escrito, com a antecedência mínima seguinte: a)
Um mês, se o contrato durar há menos de um ano; b) Dois meses, se o contrato já tiver
iniciado o 2.º ano de vigência; c) Três meses, nos restantes casos.
2 - Salvo convenção em contrário, o termo do prazo a que se refere o número anterior
deve coincidir com o último dia do mês.
3 - Se as partes estipularem prazos mais longos do que os consagrados no n.º 1, o prazo a
observar pelo principal não pode ser inferior ao do agente. Contrato de Agência ou
Representação Comercial Decreto-Lei 178/86 de 03/07 (alterado pelo DL n.º 118/93 de
13/04).
4 - No caso previsto no n.º 2 do artigo 27.º, ter-se-á igualmente em conta, para determinar
a antecedência com que a denúncia deve ser comunicada, o tempo anterior ao decurso do
prazo.

Artigo 29.º Falta de pré-aviso


1 - Quem denunciar o contrato sem respeitar os prazos referidos no artigo anterior é
obrigado a indemnizar o outro contraente pelos danos causados pela falta de pré-aviso.
2 - O agente poderá exigir, em vez desta indemnização uma quantia calculada com base
na remuneração média mensal auferida no decurso do ano precedente, multiplicada pelo
tempo em falta; se o contrato durar há menos de um ano, atender-se-á à remuneração
média mensal auferida na vigência do contrato.

Artigo 30.º Resolução


O contrato de agência pode ser resolvido por qualquer das partes: a) Se a outra parte faltar
ao cumprimento das suas obrigações, quando, pela sua gravidade ou reiteração, não seja
exigível a subsistência do vínculo contratual; b) Se ocorrerem circunstâncias que tornem
impossível ou prejudiquem gravemente a realização do fim contratual, em termos de não
ser exigível que o contrato se mantenha até expirar o prazo convencionado ou imposto
em caso de denúncia.

Artigo 31.º Declaração de resolução


A resolução é feita através de declaração escrita, no prazo de um mês após o
conhecimento dos factos que a justificam, devendo indicar as razões em que se
fundamenta.

Artigo 32.º Indemnização


1 - Independentemente do direito de resolver o contrato, qualquer das partes tem o direito
de ser indemnizada, nos termos gerais, pelos danos resultantes do não cumprimento das
obrigações da outra.
2 - A resolução do contrato com base na alínea b) do artigo 30.º confere o direito a uma
indemnização segundo a equidade.

Artigo 33.º Indemnização de clientela


1 - Sem prejuízo de qualquer outra indemnização a que haja lugar, nos termos das
disposições anteriores, o agente tem direito, após a cessação do contrato, a uma
indemnização de clientela, desde que sejam preenchidos, cumulativamente, os requisitos
seguintes: a) O agente tenha angariado novos clientes para a outra parte ou aumentado
substancialmente o volume de negócios com a clientela já existente; b) A outra parte
venha a beneficiar consideravelmente, após a cessação do contrato, da actividade
desenvolvida pelo agente; c) O agente deixe de receber qualquer retribuição por contratos
negociados ou concluídos, após a cessação do contrato, com os clientes referidos na alínea
a).
2 - Em caso de morte do agente, a indemnização de clientela pode ser exigida pelos
herdeiros.
3 - Não é devida indemnização de clientela se o contrato tiver cessado por razões
imputáveis ao agente ou se este, por acordo com a outra parte, houver cedido a terceiro a
sua posição contratual. Contrato de Agência ou Representação Comercial Decreto-Lei
178/86 de 03/07 (alterado pelo DL n.º 118/93 de 13/04).
4 - Extingue-se o direito à indemnização se o agente ou seus herdeiros não comunicarem
ao principal, no prazo de uma ano a contar da cessação do contrato, que pretendem recebê-
la, devendo a ação judicial ser proposta dentro do ano subsequente a esta comunicação.

Artigo 34.º Cálculo da indemnização de clientela


A indemnização de clientela é fixada em termos equitativos, mas não pode exceder um
valor equivalente a uma indemnização anual, calculada a partir da média anual das
remunerações recebidas pelo agente durante os últimos cinco anos; tendo o contrato
durado menos tempo, atender-se-á à média do período em que esteve em vigor.

Artigo 35.º Direito de retenção


Pelos créditos resultantes da sua atividade, o agente goza do direito de retenção sobre os
objetos e valores que detém em virtude do contrato.

Artigo 36.º Obrigação de restituir


Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, cada contraente tem a obrigação de restituir,
no termo do contrato, os objetos, valores e demais elementos pertencentes ao outro.

CAPÍTULO V
Normas de conflitos

Artigo 37.º Aplicação no tempo


1 - O disposto no presente diploma aplica-se aos contratos em curso à data da sua entrada
em vigor, sem prejuízo das disposições, legais ou convencionais, que, em concreto, se
mostrem mais favoráveis ao agente.
2 - Os contraentes dispõem de 60 dias, após a entrada em vigor do presente diploma, para
reduzir a escrito quaisquer acordos anteriormente concluídos, se for essa a forma exigida
pelo presente diploma.
3 - O agente dispõe de igual prazo para dar cumprimento ao dever de informação o
imposto no artigo 21.º

Artigo 38.º Aplicação no espaço


Aos contratos regulados por este diploma que se desenvolvam exclusiva ou
preponderantemente em território nacional só será aplicável legislação diversa da
portuguesa, no que respeita ao regime da cessação, se a mesma se revelar mais vantajosa
para o agente.

CAPÍTULO VI
Disposição final

Artigo 39.º Vigência


VII. Acórdãos do supremo tribunal de justiça

Processo: 98A444
Tribunal de recurso: Tribunal da relação de Lisboa
Legislação Nacional: DL 178/86 DE 1986/07/03 ARTIGO 1 ARTIGO 31.
CCOM888 ARTIGO 266.
CCIV66 ARTIGO 762 N2 ARTIGO 1157.
Data: 18-03-1996
Data do Acordão:08-06-1999

Situação factual

Acordam no Supremo Tribunal de Justiça:


A, B, C, D, E,F, cidades comerciais italianas e G, sociedade com sede no Luxemburgo,
intentaram ação com processo ordinário contra H, pedindo a condenação da ré a pagar.
Alegaram, para tanto, e em, resumo, que venderam diversas mercadorias à ré que esta não
pagou.
Na sua contestação, a ré impugnou parcialmente os factos narrados na petição inicial.
Deduzindo reconvenção, por a autora B, que representava todas as outras autoras, haver
revogado sem qualquer pré-aviso um contrato de representação comercial que celebrara
com a ré, pediu-se que reconheça o crédito da ré sobre a 2. autora no montante de Lit
277.602.213 e 232.225,3 escudos e vinte centavos, condenando-se a autora no seu
pagamento e compensando-se, a final, as duas dívidas.
Na réplica, as autoras impugnaram os factos vertidos na reconvenção pedindo ainda a
condenação da ré como litigante de má-fé.

Com interesse para a decisão do presente recurso destacam-se os seguintes factos


provados:

A 2. autora nomeou a I, sua representante exclusiva em Portugal para venda dos seus
equipamentos;
A empresa J, é agente de máquinas e produtos da B para o norte do País;
Anteriormente a 1977, os então gerentes da ré celebraram um acordo verbal com a B, 2.
autora, que se representava a si e a todas as outras empresas das autoras, nos termos do
qual a ré ficou com os direitos de comercializar em exclusivo em Portugal os
equipamentos fabricados e comercializados pelo referido grupo;
De acordo com o então convencionado a ré ficou com esses direitos de representação;
A ré importava equipamentos e revendia-os em nome próprio, sendo ela quem os
faturava; embora agindo como representante dos produtos B;

Em Setembro de 1989, a B, sem qualquer explicação, rompeu o contrato de representação


exclusiva que tinha com a ré;
A ré viu-se impossibilitada de vender as peças ou equipamentos do B que tinha em
armazém;
A margem de lucro da ré rondava os 30% e 40%;
A empresa L comprou o capital da ré.

A questão colocada consiste em saber se o pedido reconvencional deduzido pela ré contra


a autora B pode ou não ser julgado procedente nos termos em que o foi pelas instâncias.
As instâncias, julgando o pedido reconvencional, condenaram a autora B a pagar (à ré)
uma quantia a liquidar em execução de sentença por aquela haver rompido o acordo
verbal de representação exclusiva.
Entendeu, assim, a relação que entre a autora e a ré se havia constituído um contrato da
agência, regulado pelo DL 178/86, posteriormente alterado pelo DL 118/93, de 13 de
Abril.
A verdade é que dos factos apurados não pode concluir-se pela existência de tal contrato
de agência.

Decisão do tribunal:

Na sua alegação, a autora recorrente formula as conclusões seguintes:

Tal solução carece de suporte factual, assim como de qualquer suporte jurídico; De facto,
não ficou provado ou sequer alegado que a ré tenha obrigação de promover a celebração
de contratos ou de fazer prospeção de mercado, bem como a de angariar clientes; No
entanto, e em desabono da tese da aplicação do regime jurídico do contrato de agência,
ficou provado que a ré era uma mera importadora, que agia por sua conta e risco, e que
não auferia qualquer remuneração da recorrente; Como tal, à relação comercial existente
entre as partes, se é que existia alguma para além de meros contratos de compra e venda,
nunca poderia ser aplicável o regime do contrato de agência. Também, atento à matéria
de facto, a relação existente entre as partes não poderia ser enquadrada no regime jurídico
do mandato comercial ou do contrato de comissão, pois também aqui faltaria o elemento
tipificador, comum a estes dois contratos: agir em nome de outrem;
A ré era, como ela própria se define, uma mera importadora dos produtos da recorrente,
que pagava-lhe diretamente o preço dos produtos adquiridos, os quais ficavam a pertencer
à recorrida, que aos mesmos podia dar o destino que ela quisesse;

A doutra decisão padece também de outras contradições, pois reconhece o incumprimento


da ré, ao condená-la a pagar à recorrente o preço devido pelas mercadorias que lhe
adquiriu e dá como matéria provada que a empresa holandesa Stork, concorrente da autora
recorrente, adquiriu o capital da ré, mas no entanto conclui que improcede a conclusão de
justa causa de rescisão;

A mesma decisão confunde ainda a figura jurídica da resolução com a denúncia, ao


concluir que a falta de formalização escrita da resolução acarreta para a recorrente o dever
de indemnizar;

Ainda que, na tese do acórdão recorrido, se considere aplicável ao caso em apreço, o


regime legal do contrato de agência, a não formalização escrita da resolução não acarreta,
quando haja justa causa de rescisão, para aquele que rescinda o contrato, o dever de
indemnizar a outra parte;

A doutra decisão recorrida parece ter "esquecido" que os prejuízos alegados pela ré não
foram provados, agindo antes como se estivessem provados, faltando apenas a sua
quantificação.

Não houve contra-alegações.


Cumpre decidir.

Face aos factos provados, logo se vê que tais elementos tipificadores do contrato de
agência não estão presentes no caso dos autos.
Efetivamente, a ré não só não atuava por conta da autora como desta não recebia qualquer
remuneração.
Pelo acordo estabelecido entre autora e ré, aquela apenas ficou obrigada a vender a esta,
em exclusivo, os seus produtos, obrigando-se a ré a comprá-los à medida que os
encomendava.
Entre as partes foram celebrados diversos contratos de compra e venda. Se a autora estava
obrigada a vender à ré, em exclusivo, os seus produtos, esta estava obrigada a pagar o
respetivo preço.
Devendo as partes proceder de boa-fé (artigo 762, n. 2, do CCIV), a ré, não pagando o
preço de vários artigos comprados à autora, não podia esperar que esta continuasse a
vender-lhe em exclusivo os seus produtos, já que o respetivo preço não lhe era pago nas
condições contratadas. A autora tinha, pois, justa causa para cancelar as suas relações
comerciais com a ré. O que retira a esta qualquer direito de indemnização.
Nestes termos, concedendo-se a revista da autora B, revoga-se parcialmente o acórdão
recorrido e, julgando-se improcedente o pedido reconvencional, dele se absolve a autora
recorrente.

Processo: 91/2000.S1
1ª Secção
Data do Acórdão: 20.10.2009

A Autora intentou no Tribunal da Comarca de Lisboa uma ação com processo ordinário
contra industria de revestimento de cerâmicos SA, pedindo a sua condenação a pagar-lhe,
a titulo de indeminização de clientela a quantia de 29.066,30€ acrescida de juros desde a
citação e ainda a quantia a liquidar em execução de sentença referente às comissões das
vendas efetuadas pela Ré, durante a vigência do contrato de agência, a clientes angariados
pelo Autor e sem o seu conhecimento.
Na 1ª Instancia a ação foi julgada improcedente e em recurso interposto pelo Autor, a
Relação de Lisboa confirmou.
Não se conformando com a decisão do Tribunal da Relação interpôs recurso para o
Supremo Tribunal de Justiça, o qual negou a revista.
- As instancias deram por assente a seguinte matéria de facto: foi reduzido a escrito o
contrato celebrado em 1.01.1986, tendo a Ré nomeado o Autor seu agente para os
territórios da Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia.
- O Autor ficou incumbido de promover nos referidos territórios as vendas de tijoleira de
cerâmica de revestimentos de chão fabricado pela Ré.
- Ficou estipulado que o Autor teria direito à comissão de 6% das vendas.
- Em 15.05.1998 a Ré transmitiu-lhe a sua intenção de não renovar o contrato de agencia
a partir do fim desse ano.
- Ao longo de 18 anos do exercício da atividade o Autor angariou novos clientes para a
Ré nesses territórios que estavam destinados.
O artigo 33 nº1 do Decreto Lei 178/86, de 3 de julho, enumera três requisitos para que o
agente após a cessação do contrato de agência, tenha direito a uma indeminização de
clientela.
Que o agente tenha angariado novos clientes ou aumentado substancialmente o volume
de negócios com a clientela já existente.
Que a outra parte venha a beneficiar consideravelmente, apos a cessação do contrato, da
atividade anteriormente desenvolvida pelo agente.
Que o agente deixe de receber qualquer contribuição por contratos negociados ou
concluídos, apos a cessação do contrato, com os clientes por si angariados.
O entendimento das instancias foi de que estavam preenchidos os dois primeiros
requisitos, exceto o terceiro, porque consideraram tratar-se de um facto constitutivo e não
impeditivo do direito de indeminização à clientela que o Autor pretende.
Vindo o Supremo Tribunal de Justiça a concluir que os referidos requisitos da alínea c)
do art 33º daquele diploma sendo constitutivos do direito à indeminização de clientela,
deverá o agente, que quer ser compensado daquele dano contratual a alegar e provar os
factos que os integram nos termos do nº1 do art 342º do CC.

O contrato de agência nasceu para substituir o empregado que aumentava os custos do


negócio, não só porque cobrava pelas suas viagens, mas também porque tinha de ter uma
remuneração fixa independentemente de produzir mais ou menos.
No contrato de agência, o agente somente atua à conta de outrem, não atua em nome de
outrem. Os negócios são concretizados a favor da outra parte e quando, por algum motivo,
o referido contrato cessar, existe o dever de indemnizar.
Como se refere no relatório do DL 178/86 de 03 de julho, a indemnização de clientela
“trata-se na sua essência, de uma indemnização destinada a compensar o agente dos
proveitos de que após a cessação do contrato poderá continuar a usufruir a outra parte,
como decorrência da atividade desenvolvida por aquele”.
A prova de cessação do contrato (“o agente tem direito, apos a cessação do contrato a
uma indemnização de clientela”), funciona como pressuposto formal ou facto constitutivo
do direito (conforme diz, Menezes Leitão).
Refira-se que a questão do destino da clientela após o termo do contrato, é uma questão
fundamental a ter em conta, pois não é razoável compensar o distribuidor pelo que fez no
passado se não na medida em que se preveja que isso vira a refletir-se diretamente no
futuro, em beneficio do principal (conforme diz, Pinto Monteiro).
Também a nossa regra em direito, é que quem alega um determinado facto, tem obrigação
de prová-lo -art342º CC.
A razão de ser do direito de ser indemnizado por clientela, prende-se na expressão feliz
de Pinto Monteiro com o facto de, com a cessação do contrato, “o agente passar a ser
despojado de um valor que ajudou a criar e em cujas vantagens participava”.
A indemnização por clientela visa assim compensar o agente pelo enriquecimento que
continua a proporcionar ao principal.

Processo: 10042/08.2TBMAI.C1
Tribunal de Recurso: Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra
Legislação Nacional: DL Nº 178/86, DE 3/7, DL Nº 118/93 DE 13/4
Data do Acórdão: 12-10-2010

O autor levantou uma ação declarativa de condenação no Tribunal Judicial da Maia que
posteriormente foi transferido, após apontado pelo réu a incompetência territorial do
tribunal e aceite por este último, para o Tribunal Judicial da Comarca da Covilhã. Para
esta ação, A. alegou que R. se dedicava à atividade de agente comercial, promovendo e
celebrando contratos de compra e venda em nome de outros comerciantes, de forma
autónoma e independente, distribuindo e colocando no mercado as mercadorias destes,
contra remuneração. R. trata-se de um comerciante que atua na área do comércio grossista
de têxtil para lar.
A. e R. celebraram, em Maio de 2005, um contrato de trabalho não redigido onde A. se
obrigou a promover por conta do R. e em nome do mesmo, a celebração de contratos de
compra e venda das mercadorias que o R. vendia, recebendo deste, em contrapartida, uma
retribuição correspondente a uma percentagem do valor dos contratos de compra e venda
angariados e que denominam de “contrato de agência”.
É importante referir que a lei define o contrato de agência, no n.º 1 do artigo 1.º do DL
n.º 178/86, de 3 de Julho, atualizado pelo DL 118/93, de 13 de Abril, como «o contrato
pelo qual uma das partes se obriga a promover por conta da outra a celebração de
contratos, de modo autónomo e estável e mediante retribuição, podendo ser-lhe atribuída
certa zona ou determinado círculo de clientes». Posto isto, torna-se evidente que aquilo
que foi celebrado se tratava, sem dúvida, de um contrato de agência.
No final de Junho de 2007 R. informa A., sem aviso prévio, que pretende pôr fim ao
contrato de trabalho e que não aceita mais contratos seus. Esta decisão não era esperada
visto que o contrato estava a correr bem, tendo aumentado o volume de vendas de A e até
tendo colaborado para um aumento do número de clientes de R. existindo assim esperança
de que o contrato se mantivesses durante pelo menos 5 anos, já que até ao momento se
tinha mostrado bastante lucrativo para ambas as partes.
Como referido no início, após a transferência do processo, a admissão por parte de R. da
celebração do contrato e um pedido reconvencional, que não foi aceite, ficou conhecida
a sentença, onde ficou decido que «… parcialmente procedente a presente ação, por
parcialmente provada, e, consequentemente, condeno o R.(…) a pagar ao A. (…), a
quantia de € 11.375,52 (onze mil e trezentos e setenta e cinco euros e cinquenta e dois
cêntimos), a que acrescem juros moratórios, à taxa legal de 4%, desde 03.12.2007, até
integral pagamento, absolvendo-se o R dos demais juros peticionados.»
Apesar de anunciada a sentença pelo Tribunal, o réu, em sua defesa alega que não estavam
reunidos os cinco requisitos necessários ao contrato de agências que são: i) que o agente
tenha angariado novos clientes ou aumentado substancialmente o volume de negócios
com a clientela já existente; ii) que a outra parte venha a beneficiar consideravelmente,
após a cessação do contrato, da atividade anteriormente desenvolvida pelo agente; iii) que
o agente deixe de receber qualquer retribuição por contratos negociados ou concluídos,
após a cessação do contrato, com os clientes por si angariados; iv) que o contrato de
agência não tenha cessado por razões imputáveis ao agente, por acordo com a outra parte,
ou por cedência a terceiro da sua posição contratual; v) que o agente ou seus herdeiros
tenham comunicado à outra parte, no prazo de um ano a contar da cessação do contrato,
a vontade de receber a indemnização; vi) que a ação judicial seja proposta dentro do ano
subsequente a tal comunicação. Neste caso, o réu refere que em falta estaria a alínea ii).
Posto isto, o recorrente declara que não é obrigado, perante a lei, a pagar indeminização
clientela ao recorrido.
Com consideração pelas alegações anteriores e depois de avaliadas, ficou provado pelo
tribunal, que na realidade o recorrente teria sim beneficiado consideravelmente, após a
cessação do contrato, da atividade anteriormente desenvolvida pelo agente.
Concluindo, ficou então decidido que de acordo com o que tinha sido exposto, os Juízes
da Relação acordaram em julgar parcialmente procedente o recurso, ao qual se concede
parcial provimento, condenando o réu a pagar ao autor a quantia de € 10.938,00 (dez mil
novecentos e trinta e oito euros), no mais se confirmando a douta decisão recorrida.
VII. Conclusão

Com este trabalho tivemos a oportunidade de explorar aprofundadamente o tema do


Direito e o Contrato de agência ou representação comercial e todas as suas
complexidades.
Ao trabalhar sobre a sua história, as diversas definições e conceitos que existem sobre
este tópico, as suas características, as fases que o constituem, tal como as cláusulas que o
influenciam, apercebemo-nos da importância que deste contrato.
Assim e para finalizar podemos concluir que o Contrato de agência ou representação
comercial é o um contrato que tem na sua base a necessidade de consolidação dos
mercados já existentes assim como a procura de novos mercados, muitas vezes distantes
da zona de produção, inicialmente através de um Contrato de Comissão.
VIII. Bibliografia

Direção Geral da Politica de Justiça. Diretiva 86/653/CEE do Conselho de 18 de


Dezembro de 1986 relativa à coordenação do direito dos Estados- membros sobre os
agentes comerciais http://www.dgpj.mj.pt/sections/leis-da-justica/pdf-
internacional/directivas/dir-86-
653/downloadFile/file/DIR_86_653.pdf?nocache=1251896493.1

Contributos de direito comercial (2009) Contrato de Agência


http://contributosdedireitocomercial.blogspot.pt/2009/11/contrato-de-agencia.html

Contrato de Agência. Decreto-Lei 178/86 de 3 de Julho


http://www.fd.unl.pt/Anexos/Investigacao/4520.pdf

http://bdjur.almedina.net/item.php?field=node_id&value=1011671

Ekonomista (2015) Trabalhar à comissão: vantagens e desvantagens. http://www.e-


konomista.pt/artigo/trabalhar-a-comissao-vantagens-e-desvantagens/

Stephanie – Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. Contrato de agência; 98A444


(1999)
http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/093d7e305c46ff8c802
5690e002e2e51?OpenDocument

Rita Branco – Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. Contrato de Agência; 91/2000


S1 (2009). Indemnização de clientela. Dano de Clientela.
http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/a8e32b8993d6c3a080
2576550046e911

Rita Ribeiro – Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra. Contrato de Agência;


2509/05.0TBAVR.C1 (2010). Agente; Indemnização clientela.
http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/0/daf2ad048f6a28a880257749004e858f
Margarida Costa – Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra. Contrato de Agência
10042/08.2TBMAI.C1 (2010). Indemnização de clientela
http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb/c123ad5bf1d9b9e780
2577cf00382531?OpenDocument