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LEV VIGOTSKI BIBLIOGRAFIA COMENTADA

Traduções
publicadas no
Brasil (1984-2010)
por Achilles Delari JÚnior

Num período de 26 anos, 31 títulos de Vigotski foram


publicados no Brasil, distribuídos em 18 volumes distintos.
Isto representa apenas cerca de 10% de sua produção

E
m março de 1926, o advogado, his- Sherrington e outros estudiosos europeus e norte-
toriador, filólogo, educador, tra- americanos do tema. Desde então, até a dissolução
dutor poliglota, crítico literário de seu grupo em 1931, ou mesmo depois até sua
Lev Vigotski está com 29 anos e morte em 1934, com a publicação e leitura de bem
já é Doutor em Ciências, com a pouco de sua vasta obra irá deleitar-se.
valiosa tese Psicologia da arte aprovada, sem defesa, Em 1936, seus trabalhos saíram de circulação na
desde o ano anterior. Mesmo com estes e outros ex-URSS, por força de decreto destinado a corrigir
tantos raros predicados, lembrados hoje em diver- “erros pedológicos”, mesmo sendo ele também um
sos relatos biográficos, sente-se isolado e anônimo crítico severo de muito do que se veio a proibir.
em sua própria nação. Mas, bem-humorado, ironiza Apenas em 1956 alguns de seus textos voltaram
sua condição em carta ao amigo Aleksandr Luria a ser publicados em honrosas mas ainda tímidas
(1902-1977): “Quem nos lê aqui? [...]. Eu mesmo te- iniciativas editoriais. Só de 1982 a 1984 publicam-se
nho a esperança de forçar minha filha a ler meus na URSS suas Sobranie Sotchinenii (Собрание Сочи-
artigos (começando aos cinco anos), mas você não нений) ou Obras Reunidas, em seis tomos. Nestes
© Reprodução

tem nenhuma criança!” (carta de 5 mar. 1926). E fala volumes constam, ao todo, 54 títulos independen-
sobre o “deleite” em saber que seu texto em inglês tes, desde livros completos, com vários capítulos, a
sobre “psicologia dos surdos-mudos” será lido por breves “teses de informe” em congressos.

76 história da pedagogia
Montagem com
capas de diversos
livros de Vigotski
publicados no Brasil

história da pedagogia 77
Lev Vigotski BIBLIOGRAFIA COMENTADA

Obra do artista africano


Barthélémy Toguo. Para Vigotski:
“A arte não é um complemento da
vida, mas o resultado daquilo que
excede a vida no ser humano”

Em 1996, Tamara M. Linovova


publica uma compilação, segundo ela
“completa”, dos trabalhos de Vigotski,
com 282 títulos – além do registro de
79 cartas. De fato, houve trabalhos
muito importantes publicados em
russo além do contemplado no plano
das Obras em 1982-84. Mesmo assim,
isso está longe de perfazer todo o
acervo preservado nos arquivos de fa-
mília do autor, que entra no cômputo
da historiadora russa Tamara Lifa-
nova [ver quadro da página 87].
No ano passado, 2009, circulou de tradução é demorado e repleto de logia, flagrante para qualquer leitor
por fóruns acadêmicos na internet um limitações. A tradução ao espanhol do mais atento. Entre muitos méritos a
“anúncio” de lançamento da edição “Tomo I”, de Madrid, mais acessível a reconhecer e uns tantos limites a su-
em 15 tomos (ou mais) das “Obras” nós que a de Havana, só veio a público perar, de 1984 a 2009, dos 282 títulos
do “Mozart da psicologia” (epíteto em 1991, desde então chegou-se ao de Vigotski compilados por Lifanova,
criado por Stephen Toulmin). Que quinto volume só em 1997 e não há no- levantamos aqui exatamente 31 publi-
teria como “editor-in-chef” sua neta tícia do sexto, até o momento – exceto cados no Brasil, de alguma maneira,
Elena E. Kravtsova, filha de Guita fragmentado em outros, perdendo distribuídos em 18 volumes distintos.
L’vovna. Veem-se ali títulos ausentes todos os ricos posfácios, notas e índi- De dois dos 31 títulos originais (His-
no trabalho de Lifanova. Raridades, ces. No Brasil, a primeira composição tória do Desenvolvimento das Funções
como “Cadernos Clínicos” (inclusive com textos extraídos das Obras, veio Psíquicas Superiores; e Instrumento
o da Clínica de Don, 1933-34); “No- a público apenas em 1996, traduzida e Signo) há apenas alguns excertos.
tas Marginais de Vigotski à “Ética” do espanhol, num volume “mutilado”, Seja compondo coletâneas, entrando
de Spinoza”; e o mais precoce dos intitulado Teoria e Método em Psicolo- como artigos em revistas, ou em volu-
trabalhos conhecidos de L. S. Vi- gia – preservando os méritos da fonte, mes completos fiéis à organização da
gotski (1912) devotado ao Eclesiastes. mas também reproduzindo à risca as edição original – nós os encontramos
E-mails com o conteúdo deta- suas incorreções, das mais óbvias às traduzidos do inglês, do espanhol ou
lhado desses 15 tomos foram enviados mais comprometedoras. do russo. Certos títulos foram publi-
e especificaram-se preços para a en- Embora desde 1984 se publique cados duas vezes, traduzidos de lín-
comenda dos primeiros volumes. Mas Vigotski no Brasil, sua primeira tra- guas diferentes. A isto se soma uma
logo tudo se adiou indefinidamente e dução mais volumosa diretamente breve carta, dentre as 73 de que se
nada de mais objetivo se pôde saber do russo só veio a público em 1999 tem notícia, inserida em Vigotski e
sobre o assunto, mesmo da parte de – seguida de outras iniciativas im- Leontiev: Ressonâncias de um Passado,
“scholars” mais próximos à família de portantes, mas não isentas de ques- artigo recente de Elisabeth Tunes e
Vigotski, como René Van der Veer ou tionamento quanto às opções feitas Zoia Prestes, sobre a ruptura ou não
Dorothy Robbins. pelo tradutor – não por desconhecer entre Vigotski e Leontiev.
Não bastasse tal escassez de pu- a língua russa, certamente, mas por Refletir sobre causas históricas, cul-
blicações mesmo em russo, o processo sua pouca familiaridade com a psico- turais, políticas, de tratamento edito-

78 história da pedagogia
Títulos de Vigotski
© Barthélémy Toguo, Liberdade guiando o povo, instalação, 2010. Reprodução
publicados no Brasil
A data inicial é referente à da redação da obra. No final do
texto relacionado está a data de sua publicação no Brasil,
cuja edição está detalhada no quadro das páginas 88 e 89

1915-1916 Investigação Reflexológicos e


A Tragédia de Hamlet, Príncipe Psicológicos” (1996b, pp. 3-31).
da Dinamarca, de W. Shakespeare
O tema desta obra não surge no va- “Prefácio” ao manual de Lazurski, A.
zio – há forte relação de Vigotski com F. – Psicologia Geral e Experimental
o teatro, desde menino. Só se publi- Trata-se do prefácio à 3ª edição
cou na Rússia em 1968 e no Brasil em (póstuma) de um manual introdutório.
1999. Trabalho juvenil, mas de grande Vigotski diz ter feito correções ao texto
rial tão relapso para com um autor tido densidade espiritual (subjetiva). Nele de Aleksandr Fiodorovitch Lazurski
por Jerome Bruner como um “titã da há um interesse precoce por questões (1874-1917) para que ficasse mais coe-
psicologia” ao lado de Sigmund Freud metodológicas: como a distinção entre rente com sua ideia geral – expediente
(1856-1939) e Jean Piaget (1896-1980), os papéis de “crítico-criador” e “crí- bastante usado depois de sua morte
não cabe aqui. Nem está em jogo “quem tico-leitor” – que “arranca” da obra por editores de seus próprios trabalhos.
lê Vigotski, aqui?”. Muitos o temos lido, “entonações internas” que nos apre- Seja como for, tal autor é relevante do
mediante nossas condições efetivas e sentará como mediação para o encon- ponto de vista metodológico. Não
potenciais, atentos, como bons “estran- tro com o que ela possui de mais pro- tanto por seu sistema qualitativo para
geiros”, para os desafios que seu le- fundo e transcendente. Além disso, já avaliação de diferenças individuais e
gado científico ainda hoje nos assinala. foca temas psicológicos aos que serão estabelecimento de tipologias, quanto
Deste modo, o que segue não aborda retomados no futuro, como os proble- pela noção de “experimento natural”
“quem” lê Vigotski aqui hoje e/ou mas da “vivência” e do “ato volitivo”. que a tal sistema subjaz.
“como”, tema de outra seção desta re- No Brasil: A tragédia de Hamlet, O prefácio, como tal, toca diferen-
vista, mas faz uma breve exposição de príncipe da Dinamarca (1999b). tes pontos de psicologia geral, desta-
“o que de Vigotski foi publicado no Brasil”. cando-se o tema da crise metodológica
País de lutadores aguerridos e ta- 1924 da psicologia como ciência – algo reto-
lentos incontestáveis, mas também de “Métodos de investigação mado detidamente em “O Sentido His-
várias modalidades de desigualdade reflexológica e psicológica” tórico da Crise da Psicologia”, de 1927.
social por enfrentar, com urgência. Texto que recupera uma das No Brasil: “A Psicologia Geral e
O que nos desafia constantemente, apresentações de Vigotski no II Con- Experimental (prólogo ao livro de
quanto ao método e à teoria mediante gresso de Psiconeurologia, de 1924, A. F. Lazurski)” (1996b, pp. 33-53)
os quais devemos fazê-lo. Demandas, na então Petrogrado. Apresenta tanto
por certo, anteriores à tarefa laboriosa influência pavloviana, mais tarde su- Psicologia Pedagógica
(talvez ainda demasiado excêntrica/ perada quanto pontos basilares para Esta obra para fins didáticos, publi-
elitizada) de aprender uma língua tão seu trabalho posterior, como o papel cada em 1926, foi escrita em conexão
linda quanto opaca para nós, como o fundante da alteridade na constitui- com a experiência docente do autor em
russo de Púshkin e Dostoiévski, de ção da “consciência de si”. Gomel. Ele a teria apresentado para
Bakhtin e Vigotski. No Brasil: “Os Métodos de publicação em 1924 à editora estatal

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Lev Vigotski BIBLIOGRAFIA COMENTADA

(GIZ), sem sucesso. No livro há claras pela existência social). Por outro, sem 1926
influências da reflexologia de Pavlov, uma dimensão simbólica e/ou de pla- “Prefácio” a Thorndike,
vista como perspectiva progressista. nejamento mental, não há trabalho. E. Princípios da Instrução
Dialoga com Freud e outros impor- Nesse sentido, mesmo que a abelha e Baseados na Psicologia
tantes nomes da psicologia da época, aranha tenham atividades voltadas a Em “Principles of Teaching,
sem maiores confrontos. Também satisfazer necessidades, jamais “traba- Based on Psychology” (1906), tradu-
menciona Lev Trotski (1879-1940) lham”. Vigotski se empenha por dizer ziu-se teaching por obutchenie. Pala-
quanto ao projeto de sociedade e de que a consciência permanece como ob- vra russa que, em versões brasileiras
homem ao qual psicologia e educação jeto da psicologia, já que nos diferen- de Vigotski, aparece como “apren-
devem voltar-se. Dentre os conteúdos cia de todos os outros seres. Contudo, dizado”, “aprendizagem”, “ensino”,
seus relevantes para a prática pedagó- ela não explica a si própria, nem deve “educação”, “instrução”. O prefácio
gica cabe destacar: (a) a relação entre permanecer inexplicável como na “ve- trata de relações profundas entre
organização das práticas educativas e lha psicologia”. Cabe estudar objetiva- psicologia e educação: “O novo sis-
seu papel na luta de classes; (b) a con- mente as condições de sua emergência. tema não precisará se esforçar para
cepção de que as práticas coletivas na No Brasil: “A Consciência como extrair de suas leis as derivações pe-
escola são capazes de criar “vínculos Problema da Psicologia do dagógicas nem adaptar suas teses à
sociais que ajudem a elaborar o cará- Comportamento” (1999b, pp. 52-92). aplicação prática na escola, porque a
ter moral” (2003, p. 220), entendendo solução para o problema pedagógico
que “educar significa organizar a vida” Psicologia da Arte está contida em seu próprio núcleo
(idem); tanto quanto (c) a orientação de Obra que constitui tese doutoral teórico, e a educação [vospitanie] é a
que a educação estética, ao seu turno, não defendida, mas aprovada em 1925. primeira palavra que menciona” (Vi-
não deve instrumentalizar a arte em Três gêneros literários são discuti- gotski, 1996, p. 151, grifo nosso). En-
função de mensagens morais; o que se dos: (a) a fábula – discute 11 títulos de tendemos tratar-se de “educação”
complementa com (d) a noção de que Ivan Krilov (1769-1844); (b) o conto (“vospitanie” – tb. “formação”) seu
“a arte não é um complemento da vida, – analisa “Hálito Leve” de Ivan Bu- sentido antropológico mais amplo,
mas o resultado daquilo que excede a nin (1870-1953); e (c) a tragédia – re- como inscrição das novas gerações
vida no ser humano” (idem, p. 233). toma Hamlet, Príncipe da Dinamarca, em práticas culturais que são, a um
No Brasil: Psicologia Pedagógica de Shakespeare. Aqui o tratamento só tempo, constitutivas do desenvol-
(2001b; 2003). metodológico não é mais o da “crítica vimento psíquico humano – não cir-
do leitor” e sim o do “método obje- cunscrito à instrução escolar.
1925 tivo analítico”. Tem-se como objeto a No Brasil: “Prólogo à Versão
“A Consciência como Problema da especificidade estética da própria lin- Russa do Livro Princípios de
Psicologia do Comportamento” guagem da obra na organização de Ensino Baseados na Psicologia”
Texto não apresentado em 1924 suas contradições forma-conteúdo, (1998, pp. 149-178).
no Congresso de “Leningrado”, como que visam provocar determinadas
disseram alguns autores, mas escrito emoções e não outras – dado o ca- “Por Motivo do Artigo de
e publicado em 1925, em coletânea ráter social e não puramente idios- K. Koffka sobre Introspecção”
organizada por K. Kornilov. O tema sincrático de sua constituição. Critica Breve artigo comentando texto
da “consciência” corria o risco de ser as ideias de Freud sobre a relação da de Kurt Koffka, originalmente pu-
rotulado “idealista”, no contexto da arte com a sexualidade e o complexo blicado em inglês “Introspection and
campanha oficial por construção de de Édipo. Visa superar análises psi- the Method of Psychology” no perió-
uma psicologia objetiva marxista. cologistas que focam ora a vivência dico The British Joumal of Psychology.
Contudo, já na epígrafe, o autor re- subjetiva criadora do autor, ora a vi- Nele Vigotski fala da necessidade de
corre a Marx citando uma passagem vência subjetiva de fruição do leitor/ diálogos internacionais para que a
d’ O Capital. Nela se alude ao “projeto espectador. Nesse sentido a arte é psicologia avance como ciência.
mental” como imanente à própria de- entendida como uma “técnica social No Brasil: “Sobre o Artigo de
finição do trabalho humano como tal. dos sentimentos” que se realiza, por- Koffka ‘A Introspecção e o Método
Por um lado, é o trabalho social que tanto, como “o social em nós”. da Psicologia’. A Título de
engendra a consciência (determinada No Brasil: Psicologia da Arte (1999a). Introdução” (1996b, pp. 87-92).

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Se a escrita é “linguagem”,
1927 microcosmo) e a importância da lin- sua gênese não está no puro
O Sentido Histórico guagem para a constituição do pen- domínio de hábitos motores,
como “pré-requisitos”, mas
da Crise da Psicologia samento científico.
sim em atividades simbólicas,
Optamos por “sentido” por tra- No Brasil: “O Significado Histórico como o jogo e o desenho.
tar-se de “smisl”, não de “znatchenie”. da Crise Psicologia – Uma
Vigotski diferenciará tais termos: Investigação Metodológica” (1996b,
o segundo, conhecemos por “signi- pp. 203-417).
ficado”; e o outro, por “sentido”. O “Sobre a Questão do
tema da “crise da psicologia” fora 1928 Multilinguismo na Idade Infantil”
antes levantado por psicólogos ges- “Sobre a Questão da Neste texto, enfatiza-se a necessi-
taltistas. Esse diz respeito à difi- Dinâmica do Caráter Infantil” dade de não atentarmos para as fun-
culdade metodológica desta ciência Trabalho publicado em 1928 na ções e/ou processos mentais em se-
nascente em dar conta de seu objeto, revista Pedologuiia i Vospitanie. O parado, mas para o desenvolvimento
cindido pelo dualismo que marcou problema da dinâmica do caráter social da personalidade em seu con-
a sua própria “fundação”. Vigotski é discutido basicamente tendo em junto estrutural e dinâmico. O que
critica Freud e combate o ecletismo conta a crítica à tipologia vigente à ajuda a pensar, por exemplo, proces-
freudo-marxista. época, para a qual os vetores bioló- sos envolvidos na gênese social do do-
O livro antecipa, ainda, princí- gicos herdados eram decisivos e as mínio de mais que uma língua. O “bi-
pios como o da análise das relações relações sociais vistas apenas como linguismo deve ser estudado em toda
interfuncionais e da sua organização “fatores” externos, que só podem sua amplitude e em toda a profundi-
sistêmica, próprios ao pensamento “influenciá-los”, seja no sentido de dade de suas influências no desenvol-
mais avançado do autor. Nota-se potencializar ou de limitar tendên- vimento psíquico da personalidade
também semelhança entre a ênfase cias inatas. da criança de forma integral” (p. 12).
dada depois para a palavra signifi- No Brasil: “Sobre a Questão da No Brasil: Sobre a questão do
cativa na constituição da consciên- Dinâmica do Caráter Infantil” multilinguismo na infancia
cia (como sua unidade de análise e (2006, pp. 279-291). (2005, pp. 11-12).

história da pedagogia 81
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1929 “pessoa”, “ser humano”: homem


“Pré-História da Linguagem Escrita” ou mulher. O fato, de nesta obra,
Cabe notar que aqui a palavra “pessoa” e “homem” poderem tra-
“linguagem” traduz “retch” – como duzir um mesmo termo russo não
termo que contempla não só “fala”, é só “curiosidade”. A conceituação
mas também a “escrita”. Se a escrita de “homem” está entre suas preo­
é “linguagem” sua gênese não está cupações centrais, assim como a
no puro domínio de hábitos motores, busca por definir o papel histórico
como “pré-requisitos”, mas sim em da psicologia na compreensão e
atividades simbólicas, como o jogo e constituição do devir humano: do
o desenho. Se a escrita é “linguagem”, “em si” ao “para si”, mediante um
como tal deve ser significativa e cabe “para o outro”.
escrever o que faça sentido. Ela tam- No Brasil: “Manuscrito de 1929
bém implica uma necessidade singu- [Psicologia Concreta do Homem]”
lar de sistematização, pois supõe um (2000, pp. 21-44 ).
interlocutor não presente no campo
sensorial imediato. É, portanto, uma 1930
forma de atividade mediada por ex- Estudos sobre História do
celência, culturalmente produzida Comportamento (O Macaco.
e apropriada, constitutiva de nossa O Primitivo. A Criança.).
existência social. Juntamente com A. R. Luria
No Brasil: “A Pré-História Segundo Valsiner e Van der
da Linguagem Escrita” Veer, trata-se de um dos principais
(1984 – pp. 119-134). livros da chamada “teoria histórico-
cultural” elaborada e desenvolvida
“Psicologia Concreta do Homem” por Vigotski e Luria entre 1928 e
Este título não foi dado por Vi- 1931. Para tal teoria, o desenvol-
gotski, mas pela edição russa de ano- vimento humano é um entrelaça-
tações programáticas dele, publicada mento dialético entre duas linhas
em 1986, sob a responsabilidade de genéticas: a natural e a cultural.
Andrei Puzirei. Algumas das ano- Esta, por sua vez, materializa-se no
tações são retomadas literalmente curso de relações sociais, histori-
em “A História do Desenvolvimento camente constituídas ao longo de
das Funções Psíquicas Superiores” incontáveis gerações, que criam e
© Jorge Vieira, Duas cabeças, terracota com engobes, 1952. Reprodução

de 1931; e no cap. 16 da Pedologia do transmitem aos mais novos práticas


Adolescente, de 1930-31. mediadas de relação com a natureza
Na versão brasileira, a mesma e com seus semelhantes.
palavra russa “tchelovek”, traduzida Este livro, particularmente, tem
por “homem” no título do editor características pouco comuns em
russo, no corpo do texto aparecerá obras de Vigotski: foi publicado an-
só uma vez como “homem” (p. 39) tes de sua morte e pela editora esta-
e nas demais como “pessoa”. O plu- tal (GIZ), em Moscou e Leningrado;
ral “pessoas”, na página 24, traduz e é bastante sistemático na organiza-
o coletivo “liudi” (люди). “Tchelo- ção geral de suas seções. Luria con-
vek” significa “homem” na nossa tribuiu, mas não é bem uma obra “a
acepção mais “genérica”, sem as quatro mãos”.
marcas de diferença de “gênero” Teoricamente, o modo de com-
que temos em português. Por- preender o papel “signo” implica
tanto “tchelovek” pode ser também sua interposição entre um estímulo

82 história da pedagogia
ambiental (S) e a resposta humana mesmo “arte”. Em estudos de esté-
(R). Como Vigotski dissera antes, tica literária, por exemplo, pode-se
em trabalhos reflexológicos, o ho- falar de “словесное творчество [sloves-
mem não pode responder a todos noe tvortchestvo]” – “criação verbal”.
os estímulos. Agora se nota que, O livro é muito rico, mas des-
com auxílio de sistemas de signos, taca-se a ideia central defendida pelo
pode interferir ativamente sobre a autor, contrária ao senso comum, de
produção de suas próprias respos- que a imaginação tão somente nos
tas. Algo que o macaco não faz, o distancia da realidade, ao contrário,
primitivo já realiza de diferentes imaginação e realidade relacionam-
maneiras, e a criança virá a reali- se de modo íntimo, seja para imagi-
zar pela instrução de pessoas mais nar realidades existentes no espaço,
experientes. Mesmo o instrumento ou no tempo, termos a experiência
usado pelo ser humano não é como a sensorial delas.
vara de que um macaco se vale para A indicação pedagógica mais evi-
alcançar uma fruta. Isto porque é dente de Vigotski a partir disso é a
próprio do ser humano “guardar de que o desenvolvimento da imagi-
a ferramenta” para usar depois, já nação não se dá onde não há interfe-
que somos capazes não só de usá-la rência do meio social. E se se deixa a
mas também de abstrair suas carac- criança “criando” por conta própria,
terísticas funcionais. Dessa maneira menos recursos terá para imaginar
as medições da cultura (simbólicas e ser criativa. Cabe à educação pro-
e instrumentais) se entrelaçam no porcionar experiências e não se omi-
processo histórico que cria as for- tir de intervir para que o aluno “use
mas propriamente humanas de a imaginação”.
“comportamento”, ou atividade. No Brasil: Imaginação e Criação
A edição brasileira (1996) foi na Infância: Ensaio Psicológico:
traduzida da americana, publicada Livro para Professores (2009).
em 1993.
No Brasil: Estudos sobre História Instrumento e Signo
do Comportamento: O Macaco, o Este é outro dos principais livros
Primitivo e a Criança (1996a). da chamada “teoria histórico-cultu-
ral” – desenvolvida por Vigotski e
Imaginação e Criação na Idade Luria de 1928 a 1931. A datação para
Infantil (Ensaio Psicológico) 1930 é incerta, aparecendo seguida de
Trabalho também publicado pela ponto de interrogação na lista de Li-
GIZ, Moscou e Leningrado. Trata-se fanova. Sua primeira publicação russa
de ensaio, em linguagem didática, so- foi em 1984, no tomo VI das Obras. No
bre o tema da “criação” (творчество Brasil nunca foi publicada na íntegra.
[tvortchestvo]) – traduzido em diferen- Mas há alguns excertos dela na co-
tes línguas também por termos como letânea A Formação Social da Mente,
“criatividade”, “trabalho criativo”, ou de 1984, traduzida do inglês Mind
in Society – the Development of Higher
Psychological Process, de 1978. Nota-se
que o ano de publicação dos excertos
Escultura do artista português no Brasil é o mesmo que da primeira
Jorge Vieira. Para Vigotski
“imaginação e realidade publicação na Rússia. Mas não é um
relacionam-se de modo íntimo” mérito nosso. Ocorre que se publi-
cou antes nos Estados Unidos que

história da pedagogia 83
Lev Vigotski BIBLIOGRAFIA COMENTADA

na própria Rússia, por colaboração explícita sobre questões relativas


do grupo de Cole com Luria, que em à organização político-econômica
1973 já tinha sugerido a publicação das sociedades. Cabe destacar que a
de uma coletânea de Vigotski. E no visão de Vigotski sobre a possibili-
Brasil se traduziu do inglês, apenas dade de produção histórica de um
por isso a coincidência com o ano da “novo homem socialista” confronta
edição russa. diretamente a visão irracionalista
Em vários textos em português e vitalista de Friedrich Nietzsche
“znak” está traduzida, corretamente, (1844-1900). Vigotski é um crítico
como “signo” – já que, em semiótica, severo da cosmovisão nietzchiana,
“símbolo” se reservaria para uma mesmo que aprecie algo de suas
modalidade específica de processo imagens literárias. Para o psicólogo,
de significação. Todo símbolo é um a criação de formas mais avançadas

© Ana Teixeira. Reprodução


signo, mas nem todo signo é sím- da vida humana não demanda o sur-
bolo. De todo modo, o conceito de gimento de um “além-do-homem”
signo nesta obra não está ainda tão (“übermensch”) com base em princí-
desenvolvido quanto nos estudos pios biológico-evolutivos, naturais.
posteriores de Vigotski, escritos Além disso, a concepção vigotskiana
pouco antes sua morte. de “transformação socialista do ho-
No Brasil: A Formação Social da mem” não postula relações mecâ-
Mente (1984, caps. 1-4, pp. 21-65). nicas entre a posição das pessoas
na luta de classes (ou numa futura desde já, um “novo homem” ou uma
“Sobre os Sistemas Psicológicos” sociedade sem classes) e a gênese “nova mulher”.
Neste momento da trajetória cien- social de sua personalidade. Se vivo No Brasil: “A Transformação
tífica de Vigotski, a noção da organi- numa sociedade de classes e sou de Socialista do Homem”
zação sistêmica das funções psicoló- classe trabalhadora, não implica me- (2004; 2006b).
gicas superiores está em elaboração. canicamente que minha personali-
Neste texto é de particular interesse dade se desenvolva exclusivamente História do Desenvolvimento
ver não as funções de modo isolado, como “de trabalhador”. Para além das Funções Psíquicas Superiores
mas sim as relações entre elas, e o pa- disso, ocorre que o desenvolvimento Publicação póstuma. Sua primeira
pel que desempenham no conjunto da personalidade implica a incorpo- edição foi em 1960 – só com cinco ca-
da personalidade social. Ele comenta ração de todo o conjunto de lutas so- pítulos. Com 15 capítulos veio a pú-
isso para diferentes processos: atenção ciais próprio do momento histórico blico apenas nas Obras – no Tomo 3,
e memória; o sonho, e o pensamento. em que se vive. Tal reflexão, por um em 1983. No Brasil só se publicou um
Em síntese, a visão de qualquer função lado, abre perspectivas, por não ver- único, embora importante, excerto.
psíquica superior não existe de modo mos a reprodução de certas formas Trata-se do trabalho que compõe o
autônomo, mas como algo que ganha de agir como inevitáveis – como uma capítulo 5 de “A Formação Social da
sentido e cumpre função na vida de suposta atitude de “subordinação” e Mente”. De modo geral, este é ou-
uma pessoa, um homem concreto, so- “acomodação” do expropriado, ou de tro dos mais importantes livros da
cialmente situado.. “indiferença” e “mesquinhez” do que “teo­ria histórico-cultural”. Portanto,
No Brasil: “Sobre os Sistemas o expropria. Por outro lado, nos põe também se pauta num modelo estí-
Psicológicos” (1999b, pp. 103-135). em constante desafio, pois se nossas mulo–mediador–resposta. Porém,
personalidades se constituem da pró- temas menos transitórios também
1931 pria luta entre classes, todos os tra- se apresentam, como o da volição em
“Transformação Socialista ços das diferentes posições de classe sua relação com a liberdade humana.
do Homem [tchelovek]” irão conviver em nós mesmos, em Ao final do livro, há ainda um
Um dos poucos textos de Vi- luta permanente, e ninguém poderá capítulo desafiante e programático
gotski, daqueles a que temos acesso, se ver suficientemente distanciado sobre os temas “visão de mundo” e
em que ele toma uma posição mais desse processo a ponto de sentir-se, “personalidade”, vistos como essen-

84 história da pedagogia
O jogo (brincadeira) não se
origina da imaginação, como
se crê no senso comum, mas
é a própria condição social
de sua gênese

“O Jogo e seu Papel no


Desenvolvimento
Psíquico da Criança”
Para Vigotski, onde houver uma
atividade humana que cria uma si-
tuação imaginária, há jogo. Sendo
assim, o jogo (brincadeira) não se
origina da imaginação, como se crê
no senso comum, mas é a própria
condição social de sua gênese. Em
carta para Elkonin (1904-1984), Vi-
gotski abrevia: “No jogo ecce homo”
(“no jogo – eis o homem”). Além
ciais para o desenvolvimento futuro pauta no modelo “estímulo-media- de afirmar que “só o homem ‘joga’
da psicologia. dor-resposta” (S-X-R) próprio da ou ‘brinca’”, também sugere que é
No Brasil: “Problemas de Método” “teoria histórico-cultural”, apontado “brincando” ou “jogando” que vi-
(1984 – cap. 5, pp. 67-85). em outros comentários. Neste mé- mos a ser propriamente humanos.
todo é relevante sua inclusão entre Modo de pensar correlato à busca,
“Prefácio ao livro de A. N. Leontiev – os “experimentos de ensino”, nos nas anotações de 1929, em definir o
Desenvolvimento da Memória” quais não só se estudam processos já que venha a ser o homem (pessoa).
O livro de Leontiev é publicado formados, mas cria-se na relação en- A “psicologia humaniza-se”, diz Vi-
em 1931 pela Utchpedgiz, em Mos- tre a pesquisa e o sujeito da pesquisa gotski quando deixa de priorizar
cou e Leningrado. Mas Vigotski condições sociais para a emergência processos psíquicos abstratos e/
tivera acesso antes ao desenvolvi- de tais processos. ou estruturas impessoais. Quando
mento da própria pesquisa – como se A apreciação geral de Vigotski passa, portanto, a priorizar a perso-
vê no capítulo 3 de A Formação So- sobre o trabalho de Leontiev é nificação do drama de papéis sociais
cial da Mente extraído de Instrumento bastante positiva, dando destaque constituído/constituinte de um
e Signo, segundo Cole. O leitor ali ao seu caráter ainda inicial mas já conflito exclusivo do humano. As-
encontrará relatos de experimentos inovador, pois supera modelos na- sim, também se pode deduzir que:
com uso de cartões coloridos como turalistas para a compreensão deste no drama ecce homo.
“segunda série de estímulos” como objeto de estudo e aborda algo muito No Brasil: “O Papel do Brinquedo
auxiliares para a memória. O que vai pouco discutido até então: “a memó- no Desenvolvimento” (1984 –
na linha de Vigotski para o chamado ria do homem”(p. 170, grifo do autor). cap. 7); “A Brincadeira e seu Papel
“método da dupla estimulação”. En- De uma perspectiva sistêmica, será no Desenvolvimento Psíquico
tre os “estímulos-objeto” que im- só como sendo “de um homem” (de da Criança” (2008).
pactam de modo imediato sobre o uma pessoa), que determinada fun-
sujeito, e suas respostas, coloca-se ção psíquica superior importa, para 1932
uma segunda série com os chama- a psicologia histórico-cultural. “Conferências de Psicologia”
dos “estímulos-meio” (ou signos). No Brasil: “Desenvolvimento da Estes registros de conferências de
Sua utilização se realiza ativamente Memória (prefácio ao livro de A. N. Vigotski só foram publicados pela pri-
pelo próprio sujeito. Isto também se Leontiev)” (1996b, p. 161-170). meira vez em 1960 no volume Desen-

história da pedagogia 85
Lev Vigotski BIBLIOGRAFIA COMENTADA

volvimento das Funções Psíquicas Supe- tros do grupo, mas não registradas rico e cultural.
riores [Razvitie Visshikh Psikhitcheskikh por ele. É um texto “enigmático” No Brasil: “O Problema da
Funktsii] em Moscou pela APN. Ma- e “criptografado”, mas rico em in- Consciência” (1996b, pp. 171-189).
terial bastante completo organizado sights importantes para os meses
em seis conferências sobre temas restantes de vida e trabalho para 1934
clássicos em psicologia geral: 1. Per- Vigotski. Algo fundamental que “A Psicologia e a Teoria
cepção; 2. Memória; 3. Pensamento; ali se registra é uma reformulação [‘Doutrina’] da Localização
4. Emoções; 5. Imaginação; e 6. Von- da concepção de signo, quando se das Funções Psíquicas”
tade. Todos vistos da perspectiva de afirma que antes não se enfatizava Texto resultante de uma apre-
seu desenvolvimento na idade infantil. que o signo tinha significado. sentação realizada em Kharkov, no
No Brasil: “O Desenvolvimento Em termos epistemológicos, I Congresso de Psiconeurologia de
Psicológico na Infância” critica-se, mais uma vez, a psica- toda a Ucrânia, em junho de 1934,
(1998 – caps. 1 a 6, pp. 3-146). nálise (“psicologia profunda”), não pouco antes da morte do autor. É
por detalhes empíricos, mas por sua também um trabalho que lança ba-
1933 pauta programática – ao orientar-se ses para desenvolvimento futuro da
“O Problema da Consciência” prioritariamente para o que é imutá- psicologia. Vigotski discute questões
O material que compõe este vel no desenvolvimento, suas raízes advindas da experiência com casos
trabalho, disponível no Brasil biológicas profundas. O projeto de clínicos, e está bastante ocupado
desde 1996, é bastante fragmen- Vigotski e seu grupo desenhava-se com a organização sistêmica das
tário. Nele alternam-se anotações em direção diametralmente oposta: funções mentais para compreendê-
feitas por Leontiev e Zaporojets ir em busca dos “cumes”, dos pontos los. Nisto sua abordagem contrasta
(1905-1981), algumas das quais mais elevados do desenvolvimento com tendências tradicionais focadas
transcrevendo literalmente pala- do psiquismo, aos quais o ser hu- na catalogação de sintomas e no es-
vras de Vigotski, ditas em encon- mano se dirige em seu devir histó- tabelecimento de rótulos, que reduz
a tarefa complexa do diagnóstico a
um trabalho mecânico, puramente
© Ana Teixeira. Reprodução

descritivo e quantitativo. Orien-


tando sua compreensão por uma
análise genético-causal e qualitativa,
o autor apresenta conceitos sobre o
desenvolvimento das funções cere-
brais que serão desenvolvidos mi-
nuciosamente por Luria mais tarde.
Basicamente o papel das diferentes
áreas corticais, das primárias às ter-
ciárias, no sistema integral de fun-
ções psíquicas, é mutável ao longo
da ontogênese. Suas relações hierár-
quicas se modificam, o que de início
subordina, mas tarde é subordinado,
e vice-versa.

Para Vigotski as
relações interfuncionais
proporcionam à criança, ao
adolescente, ao ser humano,
um “salto para o futuro”

86 história da pedagogia
Obras de Vigotski publicadas no Brasil (pela ordem cronológica de sua produção original)

1ª 1ª ref.
Conclusão publicação Títulos por Lifanova (1996) [transliterados]1 Tradução “literal”2 no Brasil*
1916 1968 [Traguediia o Gamlete, printse Datskom, U. Shekspira] “A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, de W. Shakespeare” 1999b
[Metodika refleksologuitcheskogo i
1924 1926 “Métodos de investigação [‘pesquisa’] reflexológica e psicológica” 1996b
psikhologuitcheskogo issledovaniia]
[Predislovie // Lazurskii A. F. Psikhologuiia
1924 1925 “Prefácio // Lazurski, A. F. Psicologia geral e experimental” 1996b
obshtchaia i eksperimental’naia]
1924 1926 [Pedagoguítcheskaia psikhologuiia] “Psicologia pedagógica” 2001b | 2003
1925 1925 [Soznanie kak problema psikhologuii povedeniia] “A consciência como problema da psicologia do comportamento” 1996b
1925 1965 [Psikhologuiia iskusstva] “A psicologia da arte” 1999a
“Por motivo [povod] do artigo de K. Koffka sobre introspecção”.
1926 1926 [Po povodu stat’i K. Koffki o samonabliudenii] 1996b
(“Introspection and the method of psychology” - de 1924)
“Prefácio // Thorndike E. Princípios da “instrução” [obutchenie],
[Predislovie // Torndaik E. Printsipi obutcheniia,
1926 1926 baseados na psicologia” (“Principles of teaching, based on 1996b
osnovannie na psikhologuii] psychology” - de 1906) 3
1927 1982 [Istoritcheskii smisl psikhologuitcheskogo krizisa] “O sentido [smisl] histórico da crise da psicologia” 1996b
1928 1928 [K voprosu o dinamike detskogo kharaktera] “Sobre a questão da dinâmica do caráter infantil” 2006
1928 1935 [K voprosu o mnogoiazitchii v detskom vozraste] “Sobre a questão do multilinguismo na idade infantil” 2005
1929 1935 [Predistoriia pis’mennoi retchi] “Pré-história da linguagem [retch] escrita” 1984
1929 1986 [Konkretnaiia psikhologuiia tcheloveka] “Psicologia concreta do homem [‘pessoa’ – tchelovek]” 2000
“Artigo introdutório [‘preliminar’] // Bühler K. Ensaio sobre o
[Vstupitel’naia stat’ia // Biuler K. Otcherk
1930 1930 desenvolvimento espiritual da criança” 1998
dukhovnogo razvitiia rebionka] (“Die geistige entwickelung der kinder” – de ?)
[Etiudi po istorii povedeniia. (Obez’iana. Primitiv. “Estudos sobre história do comportamento. (O macaco. O primitivo. A
1930 1930 1996a
Rebionka) Sovmestno s A.R. Luria] criança.) Juntamente com A.R. Luria”
[Voobrajenie i tvortchestvo v detskom vozraste “Imaginação e criação [tvortchestvo] na idade infantil
1930 1930 2009
(psikhologuitcheskii otcherk)] (ensaio psicológico)”
1930(?) 1984 [Orudie i znak] “Instrumento e signo” 1984 (4 cps.)
1930 1960 [Instrumental’nii metod v psikhologuii] “O método instrumental em psicologia” 1996b
“Prefácio // Köhler W. Investigação [‘pesquisa’]
[Predslovie // Keler V. Issledovanie intellekta
1930 1930 sobre o intelecto dos macacos antropomorfos” 1998
tchelovekopodobnikh obez’ian] (Intelligenzprufungen an Mennschenaffen - 1921)
1930 1930 [Psikhika, soznanie, bessoznatel’noe] “Psique, consciência, inconsciente” 1996b
1930 1982 [O psikhologuitcheskikh sistemakh] “Sobre sistemas psicológicos” 1996b
1930 1930 [Sotsialistitcheskaia peredelka tcheloveka] “Transformação [‘modificação’] socialista do homem [tchelovek]” 2004 | 2006b
1960 cps. 1-5 [Istoria razvitiia visshikh
1931 “História do desenvolvimento das funções psíquicas superiores” 1984(1 cp.)
1983 cps. 1-15 psikhitcheskikh funktsii]
1931 1931 [Predislovie // Leontiev A. N. Razvitie pamiati] “Prefácio // Leontiev A.N. Desenvolvimento da memória” 1996b
1932 1960 [Lektsii po psikhologuii] “Conferências [lektsii] de psicologia” (são seis conferências) 1998
1933 1933 [Igra i eio rol’ v psikhitcheskom pazvitii rebionka] “O jogo [igra] e seu papel no desenvolvimento psíquico da criança” 1984 | 2008
1933 1968 [Problema soznaniia] “O problema da consciência” 1996b
[Problema razvitiia v strukturnoi psikhologuii // “O problema do desenvolvimento na psicologia estrutural//
1934 1934 Koffka K. Osnovi psikhitcheskogo rasvitiia] Koffka K. Fundamentos do desenvolvimento psíquico. 1998
[Problema obutcheniia i umstvennogo razvitiia v “O problema da instrução [obutchenie] e do desenvolvimento mental
1934 1934 shkol’nom vozraste] na idade escolar” 1984 | 1988?
[Psikhologuiia i utchenie o lokalizatsii “A psicologia e a teoria [‘doutrina’] da localização
1934 1934 psikhitcheskikh funktsii] das funções psíquicas” 1996b

1934 1934 [Mishlenie i retch] “Pensamento e ‘linguagem’ [retch]15” 1987 | 2001a

1 Não há regra única para transliterar do cirílico ao latino. Baseamo-nos em Voinova e Starets (1986, p. 10 ), com adaptações para contemplar convenções correntes na
literatura, principalmente para sobrenomes russos (cf. http://www.vigotski.net/obras_lsv.html#translitera).
2 “Literal” (entre aspas), pois não é: (a) “literal ” como ato automático “cativo” que nos exima de escolher e/ou interpretar; nem (b) “interpretativa”, como ato criador
“livre” que nos exima de considerar a gênese cultural e histórica do original. Mais adiante, pode-se buscar uma tradução “problematizadora” destes títulos – evitando
“apaziguar”, artificialmente, a luta de sentidos em sua arena como signos – seja por dogmatismo “literalista” ou por relativismo “interpretativo”. Aqui fizemos opções –
mas não há como explicitar sempre “por que não outras”. Nestas opções tivemos auxílio de Iulia Vladimirovna Bobrova Passos, psicóloga russa, fluente em português.
3 O título russo já traduz outra língua – em verde estão os títulos originais. Note-se que foram acrescentadas palavras pela edição russa: “ensaio sobre”, “pesquisa”...

história da pedagogia 87
Lev Vigotski BIBLIOGRAFIA COMENTADA

No Brasil: “A Psicologia e a Teoria para pensar as relações entre desen- mento – construída/estabelecida
da Localização das Funções volvimento e “obutchenie”: 1. “nível pela relação social entre uma pessoa
Psíquicas” (1996b, pp. 191-200). de desenvolvimento real”; 2. “nível e outras mais experientes. Enquanto
de desenvolvimento potencial”; e no texto posterior, tal noção de in-
“O Problema da Instrução 3. “zona de desenvolvimento pro- termediação não está tão evidente.
[obutchenie] e do Desenvolvimento ximal” – definida como “distância” Mesmo assim, nas duas versões
Mental na Idade Escolar” entre os dois primeiros (1984, p. 97 ). nota-se a defesa, por parte de autor,
Texto publicado pela primeira Enquanto no de 1988 a diferença en- de uma mesma concepção geral so-
vez no ano de 1935, em Moscou e tre os dois “níveis” é nomeada como bre as relações dialéticas entre “de-
Leningrado. Na lista de Lifanova só “área de desenvolvimento poten- senvolvimento das funções psíquicas
encontramos um título russo para cial”. O que talvez dificulte entender superiores” e “processo sistemático
esta obra. Mas no Brasil há duas que tal “área” [zona blijaishego razvi- de ensino-aprendizado” (instrução).
publicações distintas tratando desta tiia] não é o mesmo que o “nível de A concepção de que novas formas
temática: “Interação entre Aprendi- desenvolvimento potencial” – sendo de organização sistêmica das rela-
zado e Desenvolvimento” (capítulo 6 esta não só uma questão de traduzir ções interfuncionais emergem das
de a Formação Social da Mente, 1984) o mesmo conceito com diferentes relações sociais como força motriz
e “Aprendizagem e Desenvolvimento palavras, mas de dizer algo distinto. e/ou princípio explicativo do desen-
Intelectual na Idade Escolar” (1988). No primeiro texto, a metáfora volvimento humano – e não apenas
Só um cotejo mais detalhado entre espacial da “distância” favorece a in- como um “fator” ou um “pano de
os dois textos e deles com a fonte terpretação de ser algo como uma fundo”. Tais relações proporcionam
russa permitirá entender melhor “ponte” e/ou via de “conexão”, como à criança, ao adolescente, ao ser hu-
as contribuições e limites de cada aponta Valsiner em Developmental mano, um “salto para o futuro” me-
um. Há pelo menos uma distinção Psychology in the Soviet Union, entre diante a atividade partilhada com
relevante. No de 1984, distinguem- dois momentos distintos do mesmo um “outro social” mais experiente
se mais nitidamente três conceitos processo histórico de desenvolvi- (não necessariamente mais velho).

Publicações brasileiras de Vigotski

01 VYGOTSKY, L. S. (1984) 04 VYGOTSKY, L. S. (1996a) Fontes. [trad. do russo: Paulo Bezerra] –


A formação social da mente. São Estudos sobre a história do 377 páginas.
Paulo: Martins Fontes. [trad. do inglês: comportamento: o macaco, o
primitivo e a criança (com A. R. Luria).
08 VIGOTSKI, L. S. (1999b)
José Cipolla Netto; Luis Silveira Menna- A tragédia de Hamlet, príncipe da
Barreto; Solange Castro Afeche] - Porto Alegre: Artes Médicas. [trad. do Dinamarca. São Paulo: Martins
168 páginas. inglês: Lólio Lourenço de Oliveira] – Fontes. [trad. do russo: Paulo Bezerra] –
252 páginas. 252 páginas.
02 VYGOTSKY, L.S. (1987)
Pensamento e linguagem. São Paulo: 05 VIGOTSKI, L. S. (1996b) 09 VIGOTSKI, L. S. (2000)
Martins Fontes. [trad. do inglês: Jeferson Teoria e método em psicologia. São
Manuscrito de 1929 [psicologia
Luiz Camargo] - 135 páginas. Paulo: Martins Fontes. [trad. do espanhol:
concreta do homem]. In: Educação &
Claudia Berliner] – 524 páginas.
Sociedade, ano XXI, nº 71, Julho/00.
03 VIGOTsKII, L. S. (1988) 06 VIGOTSKI, L. S. (1998) [trad. do Russo: Alexandra Marenitch] –
Aprendizagem e desenvolvimento
O desenvolvimento psicológico na 23 páginas.
intelectual na idade escolar In:
infância. São Paulo: Martins Fontes.
LEONTIEV, A. N.; LURIA, A. R.; VIGOTSKII,
[trad. do espanhol: Claudia Berliner] – 10 VIGOTSKI, L. S. (2001a)
L. S. Linguagem, desenvolvimento e A construção do pensamento e da
326 páginas.
aprendizagem. São Paulo: Ícone. linguagem. São Paulo: Martins Fontes.
[trad. do inglês: Maria da Penha 07 VIGOTSKI, L. S. (1999a) [trad. do russo: Paulo Bezerra] –
Villalobos] - 15 páginas. Psicologia da arte. São Paulo: Martins 496 páginas.

88 história da pedagogia
A “instrução”, formal ou não for- ponto de alterar a proposição concei- transcrição de atas taquigráficas de
mal, gera desenvolvimento, o impul- tual comum às duas versões. partes da obra que teriam sido ditadas
siona adiante, e deve “adiantar-se” ao No Brasil: “Interação entre pelo autor, já em seu leito de morte.
que se aguarda dele para dado mo- Aprendizado e Desenvolvimento” Não tivesse morrido antes, sua publi-
mento ontogenético. Contudo, não (capítulo 6 de a Formação Social cação talvez pudesse ter sido revisada.
em demasia, pois trata-se de avanço da Mente, 1984, p. 89-103) e A partir de estudo de Minick, “The
para um futuro bem “próximo” e não “Aprendizagem e Desenvolvimento Development of Vygotsky’s Thought:
“remoto” – muito além das capacida- Intelectual na Idade Escolar” an Introduction”, obtém-se a datação
des atuais da pessoa. É importante (1988, pp. 103-117) dos capítulos como se segue: capítulo
lembrar que “ближайший” [blijaishii] 1 (O Problema e o Método de Inves-
é um “superlativo absoluto” de “pró- Pensamento e Linguagem tigação), 1934 – explica a análise por
ximo” (близкий [bliskii]) – como Obra considerada bastante impor- unidades; capítulo 2 (A Linguagem e
“nearest” ou “closest”, em inglês – não tante pelo tratamento apurado das o Pensamento da Criança na Teoria
apenas “muito próximo”, mas “o mais complexas relações entre pensamento de Piaget), 1932 – discute as relações
próximo de todos”. No Brasil: “proxi- e linguagem. Mesmo não aparentando, genéticas entre o individual e o social;
mal” (Vigotski, 1984); “imediato” (Vi- também é uma coletânea, que reúne capítulo 3 (O Desenvolvimento da
gotski, 2001); “iminente” (Vigotski, trabalhos de vários anos, mas difere Linguagem na Teoria de Stern), 1929
2008); nas “Obras em espanhol, ape- de outras por ter sido organizada, ao – questiona relações entre linguagem
nas “próximo”; etc. Tais diferenças que tudo indica, segundo plano do e personalidade; capítulo 4 (As Raízes
nos modos de nomear algo quanto ao próprio autor, o qual lhe garante uma Genéticas do Pensamento e da Lin-
seu “grau” de proximidade, no tempo unidade temática. Ao longo do texto guagem), 1929 – mostra que as liga-
(mais para “logo” que para “depois” podem-se notar repetições, reentrân- ções pensamento-linguagem modifi-
– “iminente”) ou no espaço (mais cias e mesmo alguns desencontros no cam-se ao longo do desenvolvimento;
para “central” que para “periférico” – modo de pensar o objeto de estudo. capítulo 5 (Estudo Experimental do
“proximal”), não são tão profundas a Some-se a isso problemas relativos à Desenvolvimento dos Conceitos), 1931
– apresenta as noções de sincretismo,
pensamento por complexos, pseudo-
conceitos e conceitos propriametne
ditos; capítulo 6 (Estudo do Desenvol-
vimento dos Conceitos Científicos na
Infância), 1933-34 – explica relações
entre conceitos científicos e cotidia-
11 VIGOTSKI, L. S. (2001b) 15 VIGOTSKI, L. S. (2006a) nos; e capítulo 7 (Pensamento e Pala-
Psicologia pedagógica. São Paulo: Sobre a questão da dinâmica do caráter vra), 1934 – abre várias possibilidades
Martins Fontes. [trad. do russo: Paulo infantil. Linhas Críticas – Revista da de investigação futura, como um tes-
Bezerra] – 561 páginas. Faculdade de Educação UnB. Vol. 12, n. 23, tamento intelectual do autor.
jul./dez. 2006 . [trad. do russo: Zoia Prestes].
12 VIGOTSKI, L. S. (2003) No Brasil: Pensamento e Linguagem
Psicologia pedagógica. Porto Alegre: 16 VIGOTSKI, L. S. (2006b) (1987) e A Construção do Pensamento
Artmed. [trad. do espanhol: Claudia A transformação socialista do homem. In: e da Linguagem (2001)
Schilling] – 311 páginas. Portal PSTU. (trad. do espanhol: Roberto Della
Santa Barros) – 14 páginas (formato pdf).
13 VYGOTSKY, L. S. (2004)
A transformação socialista do 17 VIGOTSKI, L. S. (2008) Achilles Delari Junior é psicólogo,
homem. Portal Marxists. org. (trad. do A brincadeira e o seu papel no educador, mestre em Educação pela
inglês: Nilson Dória) – página única desenvolvimento psíquico da criança. In: Universidade Estadual Paulista (Unicamp),
(formato html). GIS [trad. do russo: Zoia Prestes] – cuja dissertação (defendida em 2000) tratou
página única (formato html). do tema da consciência e da linguagem em
14 VIGOTSKI, L. S. (2005) Vigotski e pesquisador do GPPL – Grupo
Sobre a questão do multilinguismo na 18 VIGOTSKI, L. S. (2009) de Pesquisa Pensamento e Linguagem
da Faculdade de Educação da Unicamp.
infância. In: TEIAS. Rio de Janeiro, ano 6, Imaginação e criação na infância.
Leitor de Vigotski desde 1987, dedica-se ao
nº 11-12, jan./dez. 2005. [trad. do russo: São Paulo: Ática. [trad. do russo: Zoia adensamento de questões de teoria e método
Zoia Prestes] – 2 páginas. Prestes] – 135 páginas. numa perspectiva histórico-cultural.

história da pedagogia 89
Lev Vigotski Referências bibLiográficas

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como Instrumento para a Apreensão da Constituição Desenvolvimento e Aprendizagem. São Paulo: Ícone une Analyse de l’Activité Enseignante”. Revue Edu- Caráter Infantil”. Trad. Zoia Prestes. Linhas Críticas,
dos Sentidos”. Revista Psicologia, Ciência e Profissão, v. Editora, 1992. cation Permanente. França: Arcueil, nº 146, 2001. v. 12, nº 23, jul.-dez. 2006.
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90 história da pedagogia