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FARMACOTÉCNICA I

autora
CRISTIANE CARDOSO CORREIA TEIXEIRA

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2018
Conselho editorial  roberto paes e gisele lima

Autora do original  cristiane cardoso correia teixeira

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gisele lima, paula r. de a. machado e aline karina


rabello

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  bfs media

Revisão linguística  bfs media

Revisão de conteúdo  izabella passos de araujo

Imagem de capa  wavebreakmedia | shutterstock.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)

T266f Teixeira, Cristiane Cardoso Correia


Farmacotécnica I / Cristiane Cardoso Correia Teixeira.
Rio de Janeiro : SESES, 2018.
144 p: il.

isbn: 978-85-5548-555-8.

1. Boas práticas de fabricação. 2. Formas farmacêuticas sólidas.


3. Formas farmacêuticas líquidas. 4. Sistemas de liberação modificada de
fármacos. I. SESES. II. Estácio. cdd 615.4

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário
Prefácio 7

1. Introdução à Farmacotécnica 9
Posição da farmacotécnica nas ciências farmacêuticas 10
Evolução histórica 12

Definições em Farmacotécnica 14
Tipos de medicamentos 14
Forma farmacêutica 15
Fórmula farmacêutica 16
Embalagem 17
Dose e posologia 17
Outras definições 17

Cálculo aplicado à farmacotécnica 18


Regra de três 18
Densidade 19
Fator de equivalência 20
Fator de Correção (FC) 22
Unidades internacionais (UI) 22
Solução estoque e trituração 23
Estatística aplicada à farmacotécnica 24

RDC 67/2007 25

Prescrição médica 30

2. Operações farmacêuticas 35
Operações farmacêuticas de uso geral 36
Pesagem 36
Medida de volume de líquidos 38

Operações farmacêuticas propriamente ditas 38


Operações mecânicas 39
Operações físicas que exigem intervenção do frio ou calor 47
Operações físicas que exigem intervenção de líquido 55
Operações farmacêuticas químicas 55

3. Formas farmacêuticas líquidas 59


Formas farmacêuticas líquidas 60
Aspectos críticos envolvidos na formulação de líquidos orais 61

Escolha do solvente 66
Água 67
Álcool etílico 70
Glicerina 70
Propilenoglicol 71
Polietilenoglicol 400 72
Óleo mineral (Vaselina líquida) 72
Manipulação de formas farmacêuticas líquidas 72
Solução medicamentosa 73

4. Formas farmacêuticas obtidas por


dissolução extrativa 85
Soluções extrativas 86

Fundamentos dos processos extrativos 87

Fatores que influenciam os processos extrativos 89


Estado de divisão da droga 89
Agitação 90
Temperatura 90
pH 90
Solvente 91

Processo de extração 92
Processos que estabelecem uma concentração de equilíbrio 93
Processos que esgotam a droga 100
Extração Soxhlet 100

Tinturas e alcoolaturas 104


5. Formas farmacêuticas sólidas 109
Pós 111
Granulados 116
Cápsulas gelatinosas 117
Controle em processo 122
Comprimidos 122
Comprimidos revestidos e drágeas 128
Sistemas de liberação modificada de fármacos 130
Prefácio

Prezados(as) alunos(as),

Uma das competências e habilidades do farmacêutico é a de preparar medica-


mentos. Portanto, é de responsabilidade deste profissional de saúde garantir que o
produto tenha uma excepcional qualidade, uma vez que se trata de promoção de
saúde. A Farmacotécnica é a disciplina que te dará os conhecimentos necessários
para, a partir de um produto natural ou um fármaco obtido por síntese, transfor-
mar em medicamentos nas várias formas farmacêuticas.
Neste livro abordamos algumas questões importantes no preparo de formas
farmacêuticas líquidas e sólidas. No primeiro capítulo temos uma grande intro-
dução da farmacotécnica, mostrando a importância desta disciplina nas ciências
farmacêuticas. Esse capítulo oferece os conhecimentos essenciais para o melhor
entendimento de alguns termos utilizados nesta disciplina bem como algumas
operações matemática e de estatística básica, conhecimentos essenciais para o pre-
paro e controle de qualidade dos medicamentos.
O capítulo 2 descreve alguns pontos importantes que você deve saber das ope-
rações farmacêuticas de uso geral e das operações farmacêuticas mecânicas (não
envolvem mudança física nem química). No final do capítulo apresentaram-se as
principais operações farmacêuticas que envolvem mudança de estado físico e as
que envolvem mudança de ordem química.
No capítulo 3 você encontra informações importantes das formas farmacêu-
ticas líquidas por dissolução de ativos e as obtidas por dissolução extrativas estão
descritas no capítulo 4. Por fim, no capítulo 5 você terá conhecimento das formas
farmacêuticas sólidas, tais como pós, granulados e comprimidos, além disso, serão
abordados o revestimento de comprimidos, drágeas e novas formas farmacêuticas.

Bons estudos!

7
1
Introdução à
Farmacotécnica
Introdução à Farmacotécnica
O primeiro capítulo desse livro realizará uma grande introdução da farma-
cotécnica, mostrando a importância desta disciplina nas ciências farmacêuticas.
Esse capítulo oferece os conhecimentos essenciais para o melhor entendimento de
alguns termos utilizados nesta disciplina bem como algumas operações de mate-
mática e estatística básica, conhecimentos essenciais para o preparo e controle de
qualidade dos medicamentos.
Serão apresentadas também as Boas Práticas de Fabricação (BPF), exigência
para obter autorização para comercialização de medicamentos, sendo assim será
mostrado alguns aspectos importantes da RDC 67/ 2007 e a implantação dos
procedimentos operacionais padrão (POP).
Por fim, serão apresentados os elementos essenciais, conforme exigência legal,
em uma receita médica, além de mostrar os diferentes tipos de receitas médicas.

OBJETIVOS
•  Conhecer a importância da farmacotécnica nas ciências farmacêuticas;
•  Diferenciar alguns conceitos importantes dentro da disciplina de farmacotécnica e nas
ciências farmacêuticas;
•  Aplicar conceitos de matemática e estatística básica no preparo e controle de qualidade
de medicamentos;
•  Reconhecer a importância e a finalidade da RDC 67/07 e a implantação dos procedimen-
tos operacionais padrão;
•  Apresentar os elementos essenciais na receita médica bem como os diferentes tipos
de prescrição.

Posição da farmacotécnica nas ciências farmacêuticas

Uma das competências e habilidades do farmacêutico é a de preparar medica-


mentos. No preparo de medicamentos é de responsabilidade deste profissional de
saúde garantir que este produto tenha uma excepcional qualidade, uma vez que se
trata de promoção de saúde.

capítulo 1 • 10
A Farmacotécnica é a ciência do desenvolvimento e preparo do medicamento,
ou seja, é a disciplina que te dará os conhecimentos necessários para, a partir de
um produto natural ou um fármaco obtido por síntese, transformar em medica-
mentos nas várias formas farmacêuticas. Para isso, o profissional tem que se preo-
cupar com diversas questões referentes a este preparo:
•  Via de administração; •  Efeito terapêutico;
•  Absorção; •  Embalagem e rotulagem;
•  Forma farmacêutica; •  Prazo de validade;
•  Estabilidade do fármaco; •  Transporte.

Para que você tenha condições de ser um profissional capaz de desenvolver


um produto de qualidade é necessário o conhecimento de disciplinas básicas den-
tro das Ciências Farmacêuticas, como você pode observar na figura 1.1. Além
das disciplinas elencadas na figura 1.1, deve ser considerada disciplinas como
Farmacognosia e Química Farmacêutica, que são responsáveis pelo preparo do fár-
maco a ser utilizado no preparo do medicamento. Não se esqueça da Farmacologia
que trará os conhecimentos relacionados à via e administração, farmacocinética e
farmacodinâmica que pode influenciar na escolha tanto da forma farmacêutica
quanto dos adjuvantes selecionados ao preparo dos medicamentos.
Portanto, os objetivos da farmacotécnica vão desde a escolha da forma farma-
cêutica, preparo do medicamento, acondicionamento e dispensação destes sempre
buscando maneiras que facilite a sua administração e prolongue o período de
administração. Lembre-se que todo o processo visa à eficácia terapêutica para a
busca da promoção da saúde.
O preparo de medicamentos é muito antigo referindo à época dos boticários.
Estes eram homens ou mulheres que conheciam propriedades curativas de plantas.
A melhora das doenças com o uso dos medicamentos preparados pelos boticários
era visto de forma misteriosa, como se existisse uma conexão com o mundo dos
espíritos. Por isso o boticário era temido, respeitado e tinha sempre um papel
importante nas tribos. Não existia diferença entre farmácia e medicina, pois todo
o poder do diagnóstico e do preparo era do boticário (REMINGTON, 2004).
Foram os árabes que fizeram as primeiras tentativas de separar o farmacêu-
tico do médico, mas somente no século XIII foi proibida a mencionada ligação
(REMINGTON, 2004).

capítulo 1 • 11
Fisiologia

Química Patologia

Físico Farmacotécnica Microbiologia


Química

Figura 1.1  –  Disciplinas requisitos para Farmacotécnica.

Evolução histórica

Durante muitos anos o homem preparava os medicamentos através das subs-


tâncias naturais, seja animal, vegetal ou mineral. Existem diversos documentos que
mostram o uso destes produtos naturais, um dos mais famosos é o papiro de Ebers
(XVI a. C.). Neste documento pode ser visto algumas substâncias e formas farmacêu-
ticas que foram usadas pelos egípcios (1550 a. C.), que ainda são usadas atualmente.
Com o desenvolvimento da civilização, grandes mentes surgiram, como
Hipócrates, Dioscórides, Galeno e Paracelso. Hipócrates, considerado pai da me-
dicina, viveu de 460 a 377 a.C., médico grego inicia o tratamento baseado em
métodos científicos, separando a medicina da religião. Umas das suas grandes
contribuições é a separação dos sintomas e das doenças. Além disso, Hipócrates,
em seus vários escritos médicos da época, deixa claro a necessidade da ética da
prática médica, tanto que foi a partir de suas ideias que surgem o Juramento de
Hipócrates, da conduta dos profissionais da saúde, a seguir parte deste juramento
(REMINGTON, 2004).

Aplicar os tratamentos para ajudar os doentes conforme minha habilidade e minha ca-
pacidade, e jamais usá-los para causar dano ou malefício. Não dar veneno a ninguém,
embora solicitado a assim fazer, nem aconselhar tal procedimento. Da mesma maneira
não aplicar pessário em mulher para provocar aborto... (OLIVEIRA, 1981).

Dioscórides (I d. C.) foi o grande responsável pela botânica como parte in-
tegrante da farmácia. Em seu trabalho, De Materia Medica ele aborda desde a
identificação, coleta, armazenamento até adulterações de produtos naturais, tendo
como grande legado a Farmacognosia (REMINGTON, 2004).

capítulo 1 • 12
Claudio Galeno (130 - 200 d. C), médico e farmacêutico grego descreve di-
versas preparações obtidas de drogas vegetais, incluindo método de preparação.
Muitas fórmulas por ele descritas são utilizadas na farmacotécnica até nos dias
atuais, sendo assim, considerado o pai da Farmácia (REMINGTON, 2004).
Além disso, Galeno aplicava a medicina diferente de Hipócrates, pois seu fun-
damento era mais prático e direto, sem a riqueza filosófica de Hipócrates. Ele
combatia as doenças utilizando medicamentos e não somente os sintomas. Além
disso, Galeno descreve a importância do conhecimento de anatomia, fisiologia e
patologia na medicina (REMINGTON, 2004).
Em 1240 d. C, Frederico II, imperador da Alemanha, decreta a separação
da medicina e farmácia, reconhecendo que o farmacêutico precisa de habilidades
especiais que garantam as necessidades médicas da população. Neste momento a
farmácia ficou unida a química. Porém, foi Paracelso (1493-1541) que mostrou a
possibilidade de administrar os ativos de isolados de produtos naturais ou obtidos
através de síntese química (REMINGTON, 2004).
A química ficou unida a Farmácia levando a descoberta de vários fármacos.
A tabela 1.1 mostra algumas importantes descobertas (REMINGTON, 2004;
BELLAN, PINTO, 2016).

Isolamento da morfina do ópio


Fruedrich Serturner (1783 - 1841)

Isolaram Quinina, cinchocina, estriquinina, brucina

Joseph Caventou (1795 - 1877) e


Joseph Plletier (1788-1842)

Isolaram a cafeína
Pelletier e Pierre Robiquet (1780 - 1840)

Estudou o curare
Claude Bernard (1813-1878

Sintetizou a heroína e o ácido acetil salicílico


Felix Hoffman (1868-1946)

Tabela 1.1  –  Cronologia de isolamento e descoberta de alguns ativos

capítulo 1 • 13
Após a descoberta da síntese da heroína e do ácido acetilsalicílicos diversos
outros fármacos foram sintetizados sendo que, no século XX, existiam muitas op-
ções terapêuticas. Porém nesta época prevalecia o uso irracional dos medicamentos
e falta de regulação de qualidade e produção destes. Diante de diversos desastres
ocorridos (1937: elixir de sulfonamida contendo etilenoglicol que levou a mortes
e o desastre da talidomida em 1957) levou a regulamentação da comercialização
e registro de medicamentos, surgindo a farmacovigilânia e diversas ações volta-
das para a qualidade de produção dos medicamentos (REMINGTON, 2004;
BELLAN, PINTO, 2016).
No final dos anos 80, no Brasil, as Farmácias magistrais ganharam destaque,
a população percebe a importância do farmacêutico. Neste momento, a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) visando a qualidade destes produtos
obtidos pela farmácia magistral, criam, no ano de 2000, a RDC no 33/00 que ins-
titui as boas práticas de manipulação, normatizando e aumentando a importância
deste setor. Na sequência vieram outras normas, em 2006 a ANVISA publica a
RDC no 214/2006 e na sequência esta foi substituída pela RDC no 67/2007
(REMINGTON, 2004; BELLAN, PINTO, 2016). Você irá aprofundar no estu-
do sobre a RDC no 67/2007 mais adiante neste capítulo (item 3).

Definições em Farmacotécnica

Uma vez que você entenda a posição da farmacotécnica nas ciências farma-
cêuticas é importante que fique claro a diferença de algumas terminologias que
frequentemente são usadas nesta importante disciplina. Definições retiradas da
Farmacopeia Brasileira (BRASIL, 2010).

Tipos de medicamentos

Medicamento é o produto tecnicamente elaborado contendo um ou mais


fármacos. Este pode ser usado para tratamento, cura ou prevenção de doenças.
Além disso, medicamentos podem ser utilizados para auxiliar no diagnóstico de
doenças.
Você vai encontrar algumas classificações para os medicamentos industriali-
zados dentre elas destaca-se medicamentos de referência, genéricos e similares.
Medicamentos de referência é o medicamento inovador, com qualidade, eficácia
de segurança comprovada e registrado na ANVISA.

capítulo 1 • 14
Medicamento genérico é o produto similar ao de referência, ou seja, con-
tém o mesmo insumo farmacêutico, na mesma forma farmacêutica e na mesma
dose, para ser aplicado na mesma via de administração e com a mesma indicação
terapêutica. Este é intercambiável com o medicamento de referência, o que sig-
nifica que pode o genérico substituir o de referência, pois a partir de testes como
bioequivalência (verifica se são semelhantes, equivalentes) e biodisponibilidade
(mesma extensão e velocidade de absorção) comprova-se a qualidade, segurança
e eficácia. Este é produzido após a expiração da patente do medicamento de refe-
rência. Este medicamento deve conter na embalagem uma faixa amarela e o dizer
“Medicamento Genérico”, além de ter sempre o nome do princípio ativo, não
existe o nome de marca (ANVISA).
Por fim, o medicamento similar é aquele que possui o mesmo fármaco, mes-
ma concentração, forma farmacêutica, posologia tendo a mesma indicação tera-
pêutica e na mesma via de administração. Este é equivalente ao medicamento de
referência, porém pode ter algumas características diferentes tais como embala-
gem, excipientes e veículos, tamanho, prazo de validade e rotulagem. Este sempre
está identificado com o nome de marca.
Medicamento magistral é aquele preparado na farmácia magistral pelo far-
macêutico ou sob sua supervisão. Preparação magistral consiste no preparo do
medicamento mediante prescrição médica, que define a composição, forma far-
macêutica e posologia. A preparação oficinal é aquela feita mediante o descrito
nas Farmacopeias, Compêndios ou formulários reconhecidos.

Forma farmacêutica

Os diferentes tipos de medicamentos que foram descritos anteriormente po-


dem ser apresentados por diferentes estados físicos, ou seja, diferentes formas far-
macêuticas, com a finalidade de facilitar a administração do fármaco, sua conser-
vação, posologia, absorção ou até mesmo o fracionamento.
Exemplo de formas farmacêuticas: pós, granulados, cápsulas, comprimidos,
pellets, soluções, emulsões, suspensão, pomadas, géis entre outras.

capítulo 1 • 15
Fórmula farmacêutica

Fórmula farmacêutica é a composição do medicamento, nesta é descrita a


quantidade de cada matéria prima usada para fabricação do medicamento.
Matéria prima pode ser uma substância ativa ou inativa usada na fabricação
dos medicamentos. A matéria prima que possui atividade farmacológica é chama-
da de fármaco, insumo farmacêutico ou princípio ativo, ou seja, é a substância
ativa presente no medicamento.
Além do princípio ativo na preparação dos medicamentos existem os excipien-
tes, que são as matérias primas inertes, sem atividade terapêutica, utilizada para
dar volume, peso e consistência adequada, permitindo a administração pela via al-
mejada. Os excipientes que auxiliam o fármaco possuem a função de adjuvantes.
Denomina coadjuvante farmacotécnico aquela matéria prima que auxilia as
propriedades físicas, químicas e físicas químicas dos fármacos, já os coadjuvantes
terapêuticos melhoram as fases de farmacodinâmica ou farmacocinética (aumen-
tam meia vida, diminuem efeitos adversos ou sinergismo de ação).

EXEMPLO
•  Exemplo de fórmula farmacêutica:

Alendronato de sódio.................................70mg
Excipiente....................................................qsp 1 cápsula

Observe que neste exemplo o alendronato de sódio é o fármaco!


•  Exemplo de excipiente:

Estearato de Magnésio....................... 0,5%


Aerosil............................................... 1,0%
Amido de milho............. qsp.............. 100%

capítulo 1 • 16
Embalagem

Embalagem é o recipiente usado para envasar os medicamentos. Pode ser usa-


do também para manter as matérias primas ativas ou inertes. Existem dois tipos
de embalagem, a primária e a secundária.

É aquela que fica em contato direto com o medicamen-


EMBALAGEM to ou com as matérias primas. Exemplo: bisnaga, am-
PRIMÁRIA pola, blister.

É a que envolve a embalagem primária, ou seja, que per-


EMBALAGEM mite o transporte e a distribuição. Exemplo: Caixa de
SECUNDÁRIA papelão.

Dose e posologia

Você vai se deparar também com definições de dose e posologia, apesar de


semelhante não são sinônimos. Dose é a quantidade que deve ser administrado
para que o fármaco tenha eficácia. Posologia refere-se à dose e a maneira de ad-
ministrar tal medicamento.
Exemplo de posologia: Administrar 1 comprimido de 10mg (dose) duas vezes
ao dia.

Outras definições

Outras definições importantes a serem memorizadas é a definição de droga.

É toda substância que modifica a função fisiológica com ou


DROGA sem intenção benéfica.

É toda substância que, uma vez administrado, pode causar da-


VENENO nos à saúde ou morte.

capítulo 1 • 17
Cálculo aplicado à farmacotécnica

Um assunto de muita importância dentro da disciplina de farmacotécnica e


de grande utilidade ao farmacêutico são os cálculos aplicados à farmacotécnica,
pois o correto preparo de medicamentos está ligado a cálculos corretos das doses,
diluições, fator de equivalência e de correção, conversão de unidades entre outros.
Vale lembrar que erros nos cálculos pode levar a incorreta dose do fármaco ocasio-
nando desde ineficácia da terapia ou efeitos tóxicos.
A seguir serão mostrados alguns cálculos essenciais para a disciplina de far-
macotécnica (ANSEL, PINCE, 2005; ANSEL, H. C , STOKLOSA, 2008;
FERREIRA, 2002).

Regra de três

A maioria dos cálculos na farmacotécnica você poderá resolver utilizando re-


gra de três, este pode ser aplicado quando se trata de quatro valores sendo que
destes, você conheça três valores. O princípio básico deste método é a linearidade
entre variáveis, sendo possível fazer tanto utilizando porcentagem quanto valores
absolutos (grama, mililitros). Segue um exemplo abaixo.

EXEMPLO
•  Exemplo de cálculo de porcentagem

Para preparar 10 ml de uma solução oral de dipirona é necessária 5 g deste fármaco,


qual a quantidade de dipirona necessária para se preparar uma 100 mL?
Para resolver esta questão, note que existem quatro valores, sendo um desconhecido.

10 mL → 5 g dipirona 10x = 500

100 mL → x x = 50g

Serão necessários 50 g de dipirona para preparar 100 mL de solução oral de dipirona

capítulo 1 • 18
Concentração

Concentração é a razão entre a quantidade de fármaco (ou outra substância)


e o volume da solução em que esse ativo encontra-se dissolvido. A concentração
pode ser expressa em diversas unidades, sendo as mais comuns: g/mL, g/L, mg/
mL. Você poderá encontrar a concentração expressa em porcentagem, 10% p/v
significa 10g em 100 mL de solução, 10% p/p significa 10g em 100g de solução.
Segue um exemplo no a seguir.

EXEMPLO
•  Exemplo de cálculo de concentração

No exemplo anterior, qual a concentração de dipirona em solução?


Para resolver esta questão, você pode fazer com regra de três ou usando a fórmula de
concentração.

100 mL → 50 g dipirona
Concentração 50 g
= = 0, 5 g / mL
Volume 100 mL
100 mL → x

x = 0,5 g/mL

A concentração de dipirona em soluça é de 0,5 g/mL.


Se quisermos dar essa concentração em porcentagem:

Concentração 50 g
= x100 = x100 50% p / v
Volume 100 mL

A concentração de dipirona em soluça é de 50% p/v

Densidade

Densidade é a relação entre a massa e o volume da substância. Esse é um cál-


culo muito utilizado em farmacotécnica, principalmente no preparo de cápsulas.

capítulo 1 • 19
A fórmula para se calcular densidade é:
massa ( g )
Densidade =
volume (mL)

Segue exemplo a seguir.

EXEMPLO
•  Exemplo de cálculo de densidade

Você precisa preparar uma cápsula de 500 mg (0,5 g) de paracetamol, qual o volume
ocupado para esta quantidade de fármaco? Considere a densidade do paracetamol de 1,25
g/mL.
Usando a fórmula:
massa ( g)
Densidade =
volume (mL )

0,5 (g)
1,25=
Volume (mL)

0,5 ( g)
Volume (mL )= = 0,4 mL
1,25

O volume ocupado por 500 mg (0,5 g) de paracetamol é de 0,4 mL

Fator de equivalência

Nem sempre o fármaco pode ser utilizado na sua forma livre, algumas vezes
você encontrará o ativo na forma de sal ou até mesmo na forma hidratada. Neste
caso, você precisará converter a massa do sal (ou hidratada) para o fármaco ativo
ou (anidro). Para tanto, você pode utilizar o fator de equivalência encontrado na
literatura ou pode calculá-lo.
Se o fator de equivalência for 1, significa que o fármaco e a matéria-prima
disponível são a mesma substância, se o fármaco e a matéria prima disponível não
for a mesma substância, deve ser utilizado o fator de equivalência. Segue exemplo.

capítulo 1 • 20
Importante: A aplicação do FEq deve ser feita se a matéria prima e a substância pres-
crita tiverem as mesmas características farmacocinéticas, existem alguns casos em que
isso não acontece, não sendo possível essa conversão. Por exemplo, Cloridrato de Imi-
pramina e Pamoato de Imipramina (ação prolongada) não possuem as mesmas caracte-
rísticas farmacotécnicas, portanto não podem ser convertidos.

EXEMPLO
•  Exemplo de cálculo de fator de equivalência

Você precisa preparar uma cápsula de 5 mg anlodipina. Porém, você possui como maté-
ria prima Besilato de Anlodipina, como proceder?
Primeiramente você deve calcular o fator de equivalência (FEq), caso não possua dados
de literatura oficial. Para este cálculo você deve buscar o peso molecular do anlodipina e do
besilato de anlodipina.
Peso molecular besilato de anlodipina: 567,06
Peso molecular anolidipina: 408,88

1 mol de anlodipina base → 1 mol de besilato de anlodipina


408,88 g → 567,06 g
1→x
x = 1,39
FEq = 1,39

Para saber quanto você deve pesar do besilato de anlodipina, você deve multiplicar o
fator de equivalência encontrado a dose de anlodipina desejada:

Dose x FEq = 5 x 1,39 = 6,95 mg

Você deverá pesar 6,95 mg de besilato de anlodipina para o preparo desta cápsula.

capítulo 1 • 21
Fator de Correção (FC)

O fator de correção você deve utilizar sempre que a substância estiver diluída
ou até mesmo para corrigir umidade.
Para calcular o FC você deve dividir 100 pelo teor do ativo:
100%
FC =
Teor (%)

A seguir está um exemplo de cálculo de fator de correção.

EXEMPLO
•  Cálculo de fator de correção
Você precisa preparar uma cápsula de 15 mg betacaroteno. Porém, você possui como
matéria prima betacaroteno a 10%, como proceder?
Primeiramente você deve calcular o fator de correção (FC).

100 % 100 %
=FC = =10
Teor (%) 10 %

O fator de correção calculado é de 10.


Para saber quanto você deve pesar de betacaroteno, você deve multiplicar o fator de
correção encontrado pela dose de caroteno desejada:
Dose x FC = 15 x 10 = 150 mg
Você deverá pesar 150 mg de betacaroteno para o preparo desta cápsula.

Unidades internacionais (UI)

Outro cálculo utilizado no preparo de medicamentos é a conversão de uni-


dades internacionais (UI) em massa. UI é um sistema de medidas baseado na
atividade biológica, e não na massa.
Abaixo encontra-se um exemplo de conversão de UI para massa.

capítulo 1 • 22
EXEMPLO
•  Exemplo de conversão de UI para massa.

Você precisa preparar uma cápsula de vitamina D3 2000 UI. Quantos miligramas de
vitamina D3 devo ter por cápsula?
Considerando a correlação de 1 mg para 40000 UI
1 mg → 40000 UI
X mg → 2000UI
X = 0,05 mg

Devo ter 0,05 mg de vitamina D3 por cápsula.

Solução estoque e trituração

Nas farmácias magistrais é comum trabalhar com soluções estoque ou tritura-


ções, isto facilita a manipulação, pois diminui o número de operações realizadas e/
ou evita ter que medir ou pesar pequenas quantidades.
Soluções estoque é uma solução mais concentrada do ativo que, quando ne-
cessário, dilui-se até a concentração desejada. Já trituração refere-se ao preparado
estoque contendo o fármaco sólido diluído em uma matéria prima inerte. Na tri-
turação o fármaco e o inerte devem ser intimamente misturados para se obter um
pó uniforme. Abaixo vemos o exemplo de cálculo de solução estoque.

EXEMPLO
•  Exemplo de cálculo de solução estoque

Você deve preparar 1L de uma formulação contendo 10 mEq/L de Ca2+. Você dispõe de
uma solução estoque de CaCl2 a 10% para preparar a formulação, como proceder?
Para resolver este problema, primeiramente você deve recordar o conceito de miliequi-
valente: Miliequivalentes correspondem à milésima parte de um equivalente grama, ou sim-
plesmente equivalente, corresponde ao peso molecular (em miligrama) dividido pela valência.

capítulo 1 • 23
Peso atômico 0,111
mEq = = = 0,055 mg
Valência 2

10 x 0,055 = 0,55 mg
10 mEq de Ca2+ corresponde a 0,55mg de CaCl2. Você quer preparar 1L a 0,55 mg/L.
Como você tem uma solução a 10%:
10 mg → 100 mL
0,55 mg → x
X = 5,5 mL

Para o preparo você deve pegar uma alíquota de 5,5 mL da solução estoque e completar
o volume para 1.000 mL de solução.

Estatística aplicada à farmacotécnica

Algumas ferramentas estatísticas serão muito utilizadas para se determinar a


qualidade do medicamento produzido. A seguir serão descritos três ferramentas
que mais são utilizadas:
Média aritmética ( x ): razão da soma de todos os valores pelo número
de valores

x=
∑ x1 + x2 + x3 + ...Xn
n

Desvio padrão (s): Mede amplitude de variação em torno da média.

∑ ( xi − x )
2

s=
n −1

Coeficiente de variação (CV): Também conhecida como estimativa do des-


vio padrão relativa, serve para estimar o desvio padrão com a média dos valo-
res obtidos.
S
CV = x 100
x

A seguir encontra-se exemplo de aplicação dessas estatísticas na farmacotécnica.

capítulo 1 • 24
EXEMPLO
•  Estatística aplicada à farmacotécnica

Os seguintes pesos de cápsulas foram obtidos (mg), calcule o peso médio (média arit-
mética), desvio padrão e coeficiente de variação.
1. 200 3. 205 5. 202
2. 201 4. 210

200 + 201+ 205 + 210 + 202


x= = 203, 6
5

(200 − 203, 6 )2 + (201− 203, 6 )2 + (205 − 203, 6 )2 + (210 − 203, 6 )2 + (202 − 203, 6 )2
s= = 4, 04
5

4, 04
=CV = x100 198
,
203, 6

RDC 67/2007

A produção de produtos farmacêuticos segue, no Brasil, as Boas Práticas de


Fabricação (BPF), sendo estas uma exigência para obter autorização para co-
mercialização de medicamentos. Sendo assim, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) publicou em 12 de dezembro de 2006 a RDC 214. Porém,
em 08 de outubro de 2007 a ANVISA na tentativa de reorganizar as BPF publicou
a RDC 67 (ALMEIDA, NASCIMENTO FILHO, 2010).
A RDC 67/ 2007 visa à obtenção de um medicamento de qualidade com
ações que vão desde o controle de qualidade das matérias primas e produto acaba-
do, gestão de processo e garantia da qualidade (SILVA, 2007).
Note que em 24 de novembro de 2008 a ANVISA publicou a Resolução
RDC nº 87 que alterou apenas alguns pontos da RDC 67/2007.
Estas resoluções possuem como objetivo a obtenção de um medicamento de
qualidade, sendo assim, fixam os requisitos mínimos para a manipulação das far-
mácias como mostrado na tabela 1.2 (BRASIL, 2007).

capítulo 1 • 25
•  Instalações;
•  Equipamentos;
•  Recursos humanos;
•  Aquisição e controle da qualidade da matéria-prima;
•  Armazenamento;
•  Avaliação farmacêutica da prescrição;
•  Manipulação;
•  Fracionamento;
•  Conservação;
•  Transporte;
•  Dispensação das preparações;
•  Atenção farmacêutica aos usuários ou seus responsáveis.

Tabela 1.2  –  Requisitos mínimos para a manipulação das farmácias da RDC 67/07.

A RDC divide os estabelecimentos, de acordo com a área de atuação, em seis


grupos, conforme tabela a seguir.

REGULAMENTO A QUE SE
GRUPOS ÁREA DE ATUAÇÃO
APLICA
Manipulação de medicamentos a
I Regulamento Técnico e Anexo I partir de insumos/matérias primas,
inclusive de origem vegetal.

Manipulação de substâncias de bai-


II Regulamento Técnico e Anexos I e II
xo índice terapêutico.

Manipulação de antibióticos, hor-


III Regulamento Técnico e Anexos I e III mônios, citostáticos e substâncias
sujeitas a controle especial.

IV Regulamento Técnico e Anexos I e IV Manipulação de produtos estéreis.

Regulamento Técnico e Anexos I Manipulação de medicamentos


V
(quando aplicável) e V homeopáticos.

Regulamento Técnico, Anexos I Manipulação de doses unitárias e


VI (no que couber), Anexo IV (quan- unitarização de dose de medica-
do couber) e Anexo VI mentos em serviços de saúde.

Tabela 1.3  –  Estabelecimentos de acordo com a área de atuação. Fonte: Resolução


RDC nº 67/2007 (BRASIL, 2007).

capítulo 1 • 26
Na tabela 1.4 você pode encontrar do assunto que se trata os regulamentos
técnicos e anexos da RDC 67/2007.

ANEXO ASSUNTO
I Boas Práticas de Manipulação em Farmácias.

Boas Práticas de Manipulação de Substâncias de Baixo Índice


II
Terapêutico.

Boas Práticas de Manipulação de Antibióticos, Hormônios, Citostáti-


III
cos e Substâncias Sujeitas a Controle Especial.

IV Boas Práticas de Manipulação de Produtos Estéreis.

V Boas Práticas de Manipulação de Preparações Homeopáticas.

Boas Práticas para Preparação de Dose Unitária e Unitarização de


VI
Doses de Medicamento em Serviços de Saúde.

VII Roteiro de Inspeção para Farmácia.

Padrão Mínimo para Informações ao Paciente, Usuários de Fárma-


VIII
cos de Baixo Índice Terapêutico.

Tabela 1.4  –  Anexos da RDC 67/2007. Fonte: Resolução RDC nº 67/2007 (BRASIL, 2007) .

Segue alguns pontos importantes retirados da RDC 67/2007 (BRASIL, 2007):

99 Item 5:
• “Preconizam, entre outros itens, que a farmácia deve possuir o Manual
de Boas Práticas de Manipulação e possuir Autorização de Funcionamento
de Empresa (AFE) expedida pela ANVISA”;
• “Possuir Autorização Especial, quando manipular substâncias sujeitas a
controle especial”;
• “Deve ter gerenciamento de resíduos de serviços de saúde”;
• “Não é permitida a intermediação entre farmácias de diferen-
tes empresas”;
• “Não é permitida a exposição ao público de produtos manipulados,
com objetivo de propaganda, publicidade ou promoção”;

capítulo 1 • 27
• “No caso de haver necessidade de continuidade do tratamento, com
manipulação do medicamento constante de uma prescrição por mais de
uma vez, o prescritor deve indicar na receita a duração do tratamento”;
• ‘Na ausência de indicação na prescrição sobre a duração de tratamento,
o farmacêutico só poderá efetuar a repetição da receita, após confirmação
expressa do prescritor. Manter os registros destas confirmações, datados e
assinados pelo farmacêutico responsável”;
• “Quando a dose ou posologia dos produtos prescritos ultrapassarem
os limites farmacológicos ou a prescrição apresentar incompatibilidade ou
interações potencialmente perigosas, o farmacêutico deve solicitar confir-
mação expressa do profissional prescritor. Na ausência ou negativa de con-
firmação, a farmácia não pode aviar e/ou dispensar o produto”.

99 Anexo I – Boas práticas de fabricação:


• O farmacêutico é responsável pela supervisão da manipulação e pela
aplicação das normas de Boas Práticas;
• “Os Excipientes utilizados na manipulação de medicamentos devem
ser padronizados pela farmácia de acordo com embasamento técnico”;
• “Todo o pessoal, inclusive de limpeza e manutenção, deve ser motivado
e receber treinamento inicial e continuado, incluindo instruções de higie-
ne, saúde, conduta e elementos básicos em microbiologia, relevantes para a
manutenção dos padrões de limpeza ambiental e qualidade dos produtos”;
• “A farmácia deve assegurar a todos os seus trabalhadores a promoção
da saúde e prevenção de acidentes, agravos e doenças ocupacionais, priori-
zando as medidas promocionais e preventivas, em nível coletivo, de acordo
com as características do estabelecimento e seus fatores de risco, cumprindo
Normas Regulamentares (NR) sobre Segurança e Medicina do Trabalho”.
• “A farmácia deve ser localizada, projetada, construída ou adaptada,
com uma infra-estrutura adequada às atividades a serem desenvolvidas”;
• “As matérias-primas devem ser analisadas, no seu recebimento, efetuan-
do-se no mínimo os testes a seguir, respeitando-se as suas características
físicas e mantendo os resultados por escrito: a) caracteres organolépticos; b)
solubilidade; c) pH; d) peso; e) volume; f ) ponto de fusão; g) densidade; h)
avaliação do laudo de análise do fabricante/fornecedor”;

capítulo 1 • 28
• “Devem ser feitos testes físico-químicos e microbiológicos, no mínimo
a cada seis meses, para monitorar a qualidade da água de abastecimento,
mantendo-se os respectivos registros”;
• “Devem ser feitos testes físico-químicos e microbiológicos da água pu-
rificada, no mínimo mensalmente, com o objetivo de monitorar o processo
de obtenção de água, podendo a farmácia terceirizá-los”;
• “Devem existir procedimentos operacionais escritos para manipulação
das diferentes formas farmacêuticas preparadas na farmácia”;
• “Devem ser realizados, no mínimo, os seguintes ensaios, de acordo
com a Farmacopeia Brasileira ou outro Compendio Oficial reconhecido
pela ANVISA, em todas as preparações magistrais e oficinais: a) Sólida:
Descrição, aspecto, características organolépticas, peso médio. b) Semi-
sólida: Descrição, aspecto, caracteres organolépticos, pH (quando aplicá-
vel), Peso. c) Líquidas não estéreis: Descrição, aspecto, caracteres organo-
lépticos, pH (quando aplicável), peso ou volume antes do envase;
• Quando realizado o ensaio de peso médio, devem ser calculados tam-
bém, o desvio padrão e o coeficiente de variação em relação ao peso médio”;
• “A farmácia deve realizar análise de no mínimo uma fórmula a cada
dois meses”.

99 Anexo III
• “As farmácias devem possuir salas de manipulação, dotadas cada uma
com antecâmara, para a manipulação de cada uma das três classes terapêu-
ticas a seguir – hormônios, antibióticos e citostáticos, com sistemas de ar
independentes de eficiência comprovada”;
• “Tais salas devem possuir pressão negativa em relação as áreas adjacen-
tes, sendo projetadas de forma a impedir o lançamento de pôs no laborató-
rio ou no meio ambiente, evitando a contaminação cruzada, protegendo o
manipulador e o meio ambiente”.

Como exigência da RDC 67/2007 todos os procedimentos da farmácia de-


vem ter um Procedimento Operacional Padrão (POP). POP é a descrição das
operações e técnicas que são utilizadas nas farmácias, com a finalidade de garantir
tanto a qualidade dos produtos manipulados quanto a segurança dos trabalhado-
res (FERREIRA, 2002).

capítulo 1 • 29
CONEXÃO
Você quer saber mais sobre a RDC 672007? Aprenda mais sobre essa lei no link: <http://
portal.anvisa.gov.br/documents/33880/2568070/RDC_67_2007.pdf/b2405915-a2b5-
40fe-bf03-b106acbdcf32>.

Prescrição médica

Uma das responsabilidades do farmacêutico descrito na RDC 67/2007 é a


avaliação das prescrições, esta avaliação deve ser feita antes da manipulação. O pro-
fissional deve avaliar a concentração, compatibilidade física química, bem como
a compatibilidade farmacológica dos componentes. Deve ser avaliado também se
está correto a dose e a via de administração. No artigo 41, da Lei 5991/73 Brasil
(1973) consta que caso o farmacêutico verifique algum problema deve comunicar
o prescritor. É preciso ressaltar que o farmacêutico não deve modificar, jamais, a
fórmula prescrita. Note que a receita deve ser armazenada de forma apropriada,
por ser um documento de implicações jurídicas.
A prescrição ou receita, feita pelo médico ou outro profissional da saúde (pro-
fissional registrado, licenciado e autorizado para prescrever) deve ser feita em papel
timbrado, constando dos seguintes elementos (MADRUGA, SOUZA, 2009):
•  Cabeçalho: Nome completo do médico, especialidade e endereço;
•  Superinscrição: Nome e endereço do paciente;
•  Inscrição: Aqui devem constar os fármacos com as respectivas quantidades
e forma farmacêutica;
•  Subscrição: Quantidade total a ser fornecida;
•  Adscrição: Orientações do profissional para o paciente;
•  Data e assinatura.

Em alguns casos a receita médica pode vir acompanhada de uma notificação


de Receita que é o documento que pode vir acompanhado da receita para autori-
zar a dispensação de medicamentos à base de fármacos constantes nas listas A1 e
A2 (entorpecentes), A3, B1 e B2 (psicotrópicas), C2 (retinoicas para uso sistêmi-
co) e C3 (imunossupressoras) do Regulamento Técnico.
Existem diversos tipos de receitas, a tabela 1.5 mostra as principais diferenças
entre elas:

capítulo 1 • 30
TIPO DE RECEITA FINALIDADE
Prescrição de medicamentos anódinos e de medicamento
Receia simples
de tarja vermelha.
Receita Amarela ou Prescrição dos medicamentos das listas A1 e A2 (entorpe-
Receita A centes) e A3 (psicotrópicos). Cor amarela.
Prescrição de medicamentos que contenham substâncias
Receita Azul ou Receita B psicotrópicas – listas B1 e B2 e suas atualizações constan-
tes na Portaria 344/98. Cor azul.
Prescrição de medicamentos à base de substâncias
Receita de Controle constantes das listas “C1” (outras substâncias sujeitas
Especial a controle especial), “C2”(retinoicas para uso tópico) e
“C5”(anabolizantes).
Notificação de Receita Prescrição de medicamentos constante na lista C2 (Retinoi-
Especial de Retinoides des de uso sistêmicos).
Notificação de Receita
Prescrição de medicamentos constante na lista C3.
Especial para Talidomida
Substâncias Prescrição de medicamentos constante na lista C4. Formu-
anti-retrovirais lário estabelecido pelo programa DST/AIDS. Receita branca.

Tabela 1.5  –  Diferentes tipos de receita. Fonte: MADRUGA, SOUZA, 2009.

CONEXÃO
•  Para se aprofundar neste assunto, você pode ler sobre a Lei 5991/73 Brasil (1973) no
link: <http://www.anvisa.gov.br/hotsite/sngpc_visa/legis/lei_5991.pdf?id=16614&>.
•  Você já ouviu falar de prescrição farmacêutica? Saiba mais sobre isso no link: <http://
www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/586.pdf>.

ATIVIDADES
01. Você, como profissional farmacêutico, se deparou com a seguinte fórmula farmacêutica:
Salbutamol ................................................ 100 mg
Solução de cloreto de benzalcônico 0,1% (p/v) ........ 3 mL
Cloreto de sódio ........................................................ 0,876 g
Água destilada q.s.p................................................... 100 mL

capítulo 1 • 31
Sobre essa fórmula farmacêutica, responda:
a) Qual é o fármaco e quais os adjuvantes? Justifique.
b) Qual a concentração do fármaco nesta solução?
c) Justifique o uso da solução estoque de cloreto de benzalcônico 0,1% (p/v).
d) Qual a massa de cloreto de benzalcônico que foi adicionada a esta solução?
e) No preparo desta fórmula você possui o sulfato de salbutamol, calcule o fator de equiva-
lência e a massa que você deve pesar deste sal para equivaler a 0,1 mg de salbutamol.

02. Qual a importância da RDC 67/2007 e da RDC 87/2008?

REFLEXÃO
Uma das competências e habilidades do farmacêutico é a de preparar medicamentos.
Para tanto, este profissional deve garantir que o medicamento tenha uma excepcional quali-
dade, uma vez que se trata de promoção de saúde.
Sendo a disciplina de Farmacotécnica a ciência do desenvolvimento e preparo do medi-
camento, trará os conhecimentos necessários, o preparo do medicamento nas várias formas
farmacêuticas.
Sendo a disciplina de Farmacotécnica a ciência do desenvolvimento e preparo do medi-
camento, o conhecimento desta te dará os conhecimentos necessários para o preparo das
diversas formas farmacêuticas.
Além disso, o farmacêutico deve ter conhecimentos essenciais para o preparo e controle
de qualidade dos medicamentos, tais como operações matemática, estatística básica, Boas
Práticas de Fabricação (BPF), RDC 67/ 2007, procedimento operacional padrão (POP).
Por fim, a necessidade de o farmacêutico conhecer os elementos essenciais e seu papel
na avaliação da prescrição médica.

LEITURA
ALMEIDA, M. L. C.; NASCIMENTO FILHO, A. P. Análise e discussão de aspectos críticos
da resolução 67/2007 da ANVISA para as farmácias com manipulação. Infarma, v.22, nº
11/12, 2010. Este artigo mostra alguns pontos críticos da RDC 67/2007, mostrando as principais
dificuldades que as farmácias encontraram para se adequarem a esta importante resolução.

capítulo 1 • 32
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, M. L. C.; NASCIMENTO FILHO, A. P. Análise e discussão de aspectos críticos da
resolução 67/2007 da ANVISA para as farmácias com manipulação. Infarma, v.22, nº 11/12,
2010
ANSEL, H. C , STOKLOSA, M. J. Cálculos farmacêuticos. Artmed Editora, 2008, 452p.
ANSEL, H. C., PINCE, S. J. Manual de cálculos farmacêuticos. Artmed Editora, 2005, 300p.
BELLAN, N.; PINTO, T. J. A. Diretrizes do processo de regulamentação sanitária dos
medicamentos no Brasil. Barueri: Manole, 2016, 455p.
BRASIL. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Prescrição Farmacêutica e Atribuições Clínicas
do Farmacêutico. Recompilação de documentos. 2013. Disponível em: <http://www.cff.org.br/
userfiles/prescri%C3%A7%C3%A3o%20farmaceutica%202015(1).pdf>. Acesso em: 16 jul. 17.
BRASIL. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Resolução nº 357, de 20 de abril de 2001. Aprova
o regulamento técnico das boas práticas farmacêuticas. Disponível em: <http://www.cff.org.br/
userfiles/file/resolucoes/357.pdf>. Acesso em: 16 jul. 17
BRASIL. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Resolução nº 586 de 29 de agosto de 2013.
Ementa: Regula a prescrição farmacêutica e dá outras providências. Disponível em: <http://
www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/586.pdf>. Acesso em: 16 jul. 17.
Brasil. Farmacopeia Brasileira, volume 2 / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa,
2010. 546p.
BRASIL. Lei 5.991, de 17 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de
drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5991.htm>. Acesso em: 16 jul. 17
BRASIL. Lei 9.787, de 10 de fevereiro de 1999. Altera a Lei no 6.360, de 23 de setembro de 1976,
que dispõe sobre a vigilância sanitária, estabelece o medicamento genérico, dispõe sobre a utilização
de nomes genéricos em produtos farmacêuticos e dá outras providências. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9787.htm>. Acesso em: 16 jul. 17
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Portaria nº344, de 12 de maio de
1998. Aprova o Regulamento Técnico de Medicamento sobre substâncias e medicamentos sujeitos a
controle especial. Diário Oficial da União; Brasília, DF, n. 21, de 1 fev. 1999. Seção 1, p. 29-42.
BRASIL. Resolução RDC 67, de 08 de outubro de 2007. Dispõe sobre as Boas Práticas de
Manipulação de Medicamentos para Uso Humano em Farmácias e seus anexos, ANVISA, Diário Oficial
da União de 09/10/2007, páginas 29 a 58.
BRASIL. Resolução RDC 87, de 21 de novembro de 2008. Altera o Regulamento Técnico sobre as
Boas Práticas de Manipulação de Medicamentos em Farmácias, ANVISA, Diário Oficial da União de
09/10/2007, páginas 58 e 59.

capítulo 1 • 33
FERREIRA, A. O. Guia Prático da Farmácia Magistral. Juiz de Fora, 2ª edição, p. 2, 2002.
MADRUGA, C. M. D.; SOUZA, E. S. M. Manual de orientações Básicas para prescrição médica. -
João Pessoa: Ideia, 2009. 34p.
OLIVEIRA, B. A. A Evolução da Medicina até o Início do Século XX. São Paulo, Livraria Pioneira
Editora, 1981.
REMINGTON. A ciência e a prática da Farmácia. Genaro, Alfonso R. 20a edição. Guanabara Kogan,
2004
SILVA, R.F. Indicadores de desempenho em sistemas de garantia de qualidade de produção
de medicamentos. Uma contribuição para a aplicação em farmácias de manipulação. Dissertação de
Mestrado em Sistemas de Gestão – Niterói, RJ: UFF, 2007.
THOMPSON, J. E., DAVIDOW, L. W. Prática Farmacêutica na Manipulação de Medicamentos,
Artmed Editora, 2016.

capítulo 1 • 34
2
Operações
farmacêuticas
Operações farmacêuticas
Existem diversas operações que você fará no preparo dos medicamentos, essas
são conhecidas como Operações Farmacêuticas, que vão desde a pesagem e medi-
ção de volumes (uso geral) até às operações farmacêuticas propriamente ditas, que
visam transformar um fármaco numa forma farmacêutica.
O mais comum é a utilização de várias operações farmacêuticas até chegar ao
medicamento. No capítulo 2 serão descritos alguns pontos importantes que você
deve saber das operações farmacêuticas de uso geral e das operações farmacêuticas
mecânicas (não envolvem mudança física nem química).
No final do capítulo serão apresentadas as principais operações farmacêuticas
que envolvem mudança de estado físico além de mostrar a importância de ordem
química destas.

OBJETIVOS
•  Conhecer as operações farmacêuticas de uso geral;
•  Reconhecer as operações farmacêuticas mecânicas;
•  Diferenciar as operações farmacêuticas físicas;
•  Reconhecer a importância das operações farmacêuticas de ordem química;
•  Apresentar os elementos essenciais das operações farmacêuticas.

Operações farmacêuticas de uso geral

As operações farmacêuticas denominadas de uso geral são aquelas utilizadas


em todos os laboratórios: pesagem e medição de volume.

Pesagem

A pesagem é, sem dúvida, a operação farmacêutica que mais se utiliza no


preparo de medicamento, sendo a Balança de precisão um dos equipamentos mí-
nimos exigidos na farmácia magistral pela RDC 67/2007.

capítulo 2 • 36
Existem diversos tipos de balança que variam conforme (FERREIRA, 2008):

CAPACIDADE Peso máximo que pode ser colocado em uma balança.

Menor peso que produz uma mudança perceptível no mostra-


SENSIBILIDADE dor digital da balança eletrônica. Ressalta que o último dígito
do mostrador digital é um algarismo duvidoso (não confiável).

PRECISÃO Reprodutibilidade da medida de pesagem.

Em pesagens que não exigem muita precisão pode ser utilizada balança técni-
ca, porém as balanças analíticas, de maior precisão, às vezes são necessárias quando
se tem que pesar pequenas quantidades. Porém, estas devem ser colocadas em salas
específicas para sua manipulação com temperatura, umidade e voltagem contro-
ladas, pois qualquer corrente de ar pode gerar erro de leitura na pesagem (Bonfim
et al, 2002). Além disso, devem estar livres de influência de trepidação, correnteza
de ar e sustentadas com parafusos que a mantenham em perfeito nível.
As macrobalanças possuem capacidade máxima de 160 a 200 g, com desvio
-padrão de 0,1 mg. As balanças semimicroanalíticas são para pesagens de, no má-
ximo, 10 a 30 g com uma precisão de 0,01 mg. Já a balança microanalítica possui
capacidade de 3 g e uma precisão de 0,001 mg (Bonfim et al., 2002).
Atualmente a balança mais utilizada é a Analítica Eletrônica por ser de fácil
manuseio. Uma vez ligada a balança, você deverá aguardar 25 minutos para que o
equipamento atinja a temperatura de trabalho. Alguns cuidados devem ser toma-
dos referentes a balança:
•  Manutenção: Para limpar a balança deve desligá-la, remover o prato e reti-
rar o plástico de proteção. O prato pode ser lavado com detergente, porém para a
limpeza da balança utilizar somente uma flanela com álcool (FERREIRA, 2008).
•  Calibração: Para que a balança pese com precisão, ela deve ser calibra-
da por laboratórios credenciados pelo INMETRO, conforme exigência da RDC
67/2007:
"5.2.1. As calibrações dos equipamentos e instrumentos de medição de-
vem ser executadas por empresa certificada, utilizando padrões rastreáveis à
Rede Brasileira de Calibração, no mínimo uma vez ao ano ou, em função
da frequência de uso do equipamento. Deve ser mantido registro das cali-
brações realizadas dos equipamentos, instrumentos e padrões."

capítulo 2 • 37
"5.2.2. A verificação dos equipamentos deve ser feita por pessoal treinado
do próprio estabelecimento, antes do início das atividades diárias, empre-
gando procedimentos escritos e padrões de referência, com orientação es-
pecífica, mantidos os registros."

CONEXÃO
Você quer saber mais sobre medida de massa? Consulte este artigo: Bonfim et al. Me-
didas de massa nas rotinas farmacêuticas. Enciclopédia biosfera, Centro Científico Co-
nhecer - Goiânia, v.8, N.14; p.1604-1614.

Medida de volume de líquidos

Outra operação farmacêutica bastante utilizada nos laboratórios é a medida


de volume de líquidos. Esta pode ser feita em instrumentos de vidro ou plástico
(Prista et al., 1995) sendo:

PIPETAS Maior rigor na medida

Medição de volumes que não exijam muito rigor


PROVETAS na medição

BALÕES VOLUMÉTRICOS Usado para preparo de soluções

Instrumentos que proporcionam menor rigor na


COPOS GRADUADOS medição

Operações farmacêuticas propriamente ditas

As operações farmacêuticas propriamente ditas são divididas em três grandes


grupos: as operações mecânicas, operações físicas e químicas (Prista et al., 1995).
As operações mecânicas são as que não alteram o seu estado físico ou cons-
tituição química, apenas modificam o aspecto exterior, já as operações físicas são
aquelas em que há alteração no estado físico e aquelas que levam a alguma mudan-
ça química são denominadas operações químicas. (Prista et al., 1995).

capítulo 2 • 38
Operações mecânicas

As operações mecânicas são divididas em operações de separação e de divisão


(Prista et al., 1995), conforme ilustrado na figura 2.1.

Operações de separação
Operações de divisão

Triagem ou monda
Divisão grosseira
Tamisação
Pulverização em almofariz
Decantação
Moagem
Centrifugação
Emulsificação
Filtração
Clarificação

Figura 2.1  –  Classificação das operações mecânicas.

Operações de separação

Muitas operações farmacêuticas têm problemas com misturas de diferentes


produtos. Dentre os processos de separação, os mecânicos são mais simples, tanto
o seu fundamento teórico quanto aos equipamentos. As operações de separação
consistem em triagem ou monda, tamisação ou levigação, decantação, centrifuga-
ção, filtração e clarificação (Prista et al., 1995).

•  Triagem ou monda
A triagem ou monda é normalmente usada para separar substâncias estranhas
de drogas vegetais podendo ser feita (Prista et al., 1995):

Separar partes estranhas da droga vegetal. Se o objetivo for as


MÃO folhas, retirar os caules, raízes etc.

Coloca a droga vegetal em um tamis ou crivo de malhas largas,


CRIVO normalmente serve para retirar terra que aderem às raízes.

Separa materiais muito leves (poeiras, restos de pedúnculos, glu-


VENTILAÇÃO mas, glumélulas).

Menos utilizado, porém é indicado quando tem impurezas muito


LAVAGEM aderidas.

capítulo 2 • 39
•  Tamisação
A tamisação separa mecanicamente partículas sólidas que possuem tamanhos
diferentes através de tamises. Tamises possuem um aro de diâmetro variável e um
tecido perfurado ou uma malha eletrodeformada, frequentemente de bronze ou
aço inoxidável, com diâmetros de abertura definidos, que permite passagem de
partículas que possuem diâmetro inferior a abertura das suas malhas, (Auton,
2005), figura 2.2.
©© LADY-LUCK | SHUTTERSTOCK.COM

Figura 2.2  –  Tamis.

A tamisação tem duas finalidades, a de separação de corpos sólidos de mesmo


tamanho e a de verificação do tamanho de partículas, técnica de muita finalidade
nos processos farmacêuticos, pois tamanho das partículas influencia no fluxo dos
pós e na solubilidade e biodisponibilidade dos fármacos (Auton, 2005).
Apesar de simples, você deve ficar atento com a escolha do tamis, pois, este
deve ser compatível com os produtos a serem separados. Normalmente se utiliza
6 a 8 tamises de abertura de malhas de diferentes tamanhos, dispostos sequencial-
mente na forma de uma coluna. O tamis de maior abertura de malha é colocado
no topo seguido pelos demais tamises de forma progressivamente decrescente em
direção à base da coluna (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
O pó é colocado no topo da coluna de tamises e o conjunto é submetido à
vibração mecânica de um lado para outro, evitando assim, sacudidelas e golpes
violentos, de modo a que o material deslize naturalmente sem qualquer pressão
sobre a rede tamisante (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

capítulo 2 • 40
A agitação mecânica deve persistir até que menos de 0,2% do material passe
por um tamis de abertura determinada, dentro de um intervalo de 5 minutos
(Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Para melhor realização da técnica deve-se escolher o tamis a utilizar na ope-
ração de acordo com a tenuidade que o material tamisado deve apresentar, sendo
necessário, ainda, que a rede do tamis e o produto a tamisar sejam compatíveis
entre si (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

•  Levigação
A levigação é também conhecida como elutriação, esta consiste em suspender
um produto sólido num líquido com a finalidade de separarem as partículas que
possuem densidades diferentes, por sedimentação. Neste método o fluido flui em
sentindo oposto ao de sedimentação das partículas. As partículas que possuem
velocidade de sedimentação maior que a velocidade ascendente do líquido se de-
positarão no fundo, já as que possuem velocidade de sedimentação menor tendem
a subir (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Tal processo de separação implica que o sólido seja insolúvel no líquido utili-
zado para suspendê-lo e baseia-se nas diferentes velocidades de sedimentação das
partículas em função dos respectivos diâmetros (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

•  Decantação
A decantação é um processo de separação de um líquido sobrenadante de um
sólido ou de outro líquido imiscível. A diferença com a elutriação é que o líquido
não está se movimentando (Prista et al., 1995).
Na separação de sólido com líquido você deve primeiro colocar em um re-
cipiente adequado e deixar em repouso durante o tempo necessário para que o
sólido se deposite. Quando ocorre essa deposição, deve-se inclinar o recipiente,
lentamente, vertendo o líquido em outro recipiente. O interesse pode ser no sóli-
do ou no líquido (Prista et al., 1995).
Quando se utilizar esta operação para separar dois líquidos, estes devem ser
imiscíveis e se dispor em camadas bem separadas, de acordo com a diferença de
densidade. Deve deixar em repouso até que haja separação suficiente dos líquidos,
a partir deste momento deve retirar o líquido ou utilizando uma pipeta ou um
funil de separação (Prista et al., 1995).
A pipeta pode ser utilizada também para retirar o líquido sobrenadante do
sólido decantado (Prista et al., 1995).

capítulo 2 • 41
•  Centrifugação
A centrifugação é uma operação farmacêutica que tem por objetivo separar
sólidos de líquidos ou dois líquidos imiscíveis. São utilizados quando essas mistu-
ras não são facilmente separadas por decantação. Quando as partículas são muito
finas a sedimentação é muito lenta, sendo que abaixo de 1 µm a sedimentação é
ausente (Velocidade do movimento Browneano maior que a velocidade sedimen-
tação) (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Além disso, quando a densidades partícula e do fluido são próximas ou exis-
tem forças associativas que mantém componentes ligados, como nas emulsões,
você não conseguirá a separação por decantação (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Para tanto se utiliza a força centrífuga que possui a capacidade de aumentar a
força que atua sobre o centro de gravidade das partículas, facilitando a separação
e diminuindo o tempo de residência no equipamento (Auton, 2005; Prista et al.,
1995).
A caraterística fundamental é a substituição da força gravitacional pela centrí-
fuga, de maior intensidade. Esta força centrífuga pode ser aumentada, conforme
necessidade, aumentando a força de rotação (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
A força centrífuga é gerada quando os materiais entram em rotação e essa força
depende (Auton, 2005; Prista et al., 1995):
99 Raio;
99 Velocidade de rotação;
99 Densidade do material centrifugado: quanto maior a diferença de densida-
de, mais fácil é a separação;
99 Tamanho das partículas;
99 Viscosidade.

Para realizar a centrifugação utiliza a centrífuga, figura 2.3, que é um recipien-


te cilíndrico que gira a alta velocidade criando um campo de força centrífuga que
causa a sedimentação das partículas (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

capítulo 2 • 42
©© GURUXOX | SHUTTERSTOCK.COM

Figura 2.3  –  Exemplo de Centrífuga.

A primeira etapa da centrifugação consiste colocar a amostra nos tubos. Nessa


etapa é de fundamental importância que você coloque a mesma massa nos tubos
que ficarão na direção oposta, conforme pode ser visto na figura 2.3. Esta precau-
ção evita danos no equipamento além de garantir a mesma força centrífuga sejam
aplicados nos tubos (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

CONEXÃO
Você quer saber mais movimento browniano? Consulte este artigo: Lima, J. M; Silva,
J.A.S. Quatro abordagens para o movimento browniano. Revista Brasileira de Ensino de
Física, v. 29, n. 1, p. 25-35, 2007.

•  Filtração
A filtração é uma das operações farmacêuticas mais utilizadas, esta possui
como objetivo separar (Auton, 2005; Prista et al., 1995):
99 Partículas sólidas em suspensão num líquido;
99 Partículas sólidas no gás;
99 Líquido/líquido.
Na separação de partículas sólidas em suspensão num líquido, esta deve pas-
sar sobre uma superfície porosa, denominada filtro. O filtro retém as partículas

capítulo 2 • 43
sólidas permitindo a passagem do líquido. Esta operação é de grande utilidade,
sendo realizada com diversas finalidades, (Auton, 2005; Prista et al., 1995), como
visualizado na tabela 2.1.

ENXAGUANTE BUCAIS Melhoria da aparência de soluções

PREPARAÇÕES OFTÁLMICAS Remoção de partículas irritantes

RECUPERAÇÃO DO FÁRMACO Recuperação do sólido


APÓS RECRISTALIZAÇÃO
ESTERILIZAÇÃO Retirada de microrganismos

Tabela 2.1  –  Finalidades e exemplos de filtração.

A filtração sólido gás é muito utilizada para a purificação de ar, permitindo


um ar de qualidade requerida para a manipulação de produtos farmacêuticos, já a
filtração líquido/líquido comumente é aplicada para remoção de óleo em solução,
melhorando assim, a aparência da solução (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

•  Clarificação
Clarificação é o termo usado para todos os processos que consistem em re-
mover ou separar um sólido de um líquido ou gás ou até mesmo um líquido de
um líquido, com o objetivo de tirar a turvação. Os métodos mais empregados de
clarificação são a filtração e a centrifugação, já abordadas anteriormente (Auton,
2005; Prista et al., 1995).
Porém existem outros métodos de clarificação, descritos a seguir (Auton,
2005; Prista et al., 1995):
Utilizado para líquidos bem viscosos ou que contenham pro-
teínas. Se for um líquido viscoso, o calor diminui a viscosida-
de facilitando assim, a separação das partículas causado-
POR AÇÃO DO ras da turvação. Em caso de proteínas, o calor provoca sua
CALOR coagulação, formando um precipitado que pode aprisionar
as partículas responsáveis pela turvação, forçando-as a
sedimentar.

POR ADIÇÃO DE Clara de ovo, gelatina, coagulantes sintéticos, leite entre ou-
SUBSTÂNCIAS TAIS tras. Estas substâncias precipitam e ou coagulam e levam
COMO consigo as partículas causadoras da turvação.

capítulo 2 • 44
Operações de divisão de sólidos

A quebra de partículas menores é uma operação farmacêutica muito impor-


tante. O objetivo, normalmente, é aumentar a área externa de modo a facilitar o
processamento dos sólidos (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Ex.: Moagem de sementes e folhas para acelerar o processo de extração.
Além disso, a divisão de sólidos pode ser usada para facilitar a mistura homo-
gênea de dois ou mais sólidos. O produto será mais uniforme se as partículas dos
sólidos forem menores. Por isso que em produtos farmacêuticos é necessária uma
moagem fina para obter uma homogeneidade dos pós (Auton, 2005; Prista et al.,
1995).
Ressalta-se que quanto menor o tamanho de partículas, maior a área de conta-
to do fármaco com o líquido, o que melhora sua solubilidade e consequentemen-
te, sua dissolução e absorção (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

•  Divisão grosseira
A divisão grosseira é uma operação preliminar de fragmentação, para que este
possa ser submetido a manipulações posteriores. Mas o mais importante do ponto
de vista farmacêutico é a moagem dos sólidos. A seguir serão descritas as principais
técnicas de moagem (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

•  Pulverização em almofariz
O uso de gral e pistilo é uma das técnicas de moagem mais utilizada em farmá-
cia magistral, sendo bastante eficiente para pequenas quantidades de material. O
material é pulverizado por compressão. Depois deste processo de moagem o ideal
é submeter os pós a tamisação, para separar os pós por diferença de tamanho de
partícula (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

•  Moinhos
Existem vários tipos de moinhos que são usados para a divisão de sólidos
(Auton, 2005; Prista et al., 1995):

Possuem facas alinhadas a um rotor horizontal o qual age em fun-


MOINHOS DE ção de outra série de facas estacionárias no interior da câmera de
FACA moagem. Durante a moagem a redução do tamanho de partículas
ocorre por fratura das partículas.

capítulo 2 • 45
No moinho de rolos o material é pulverizado pela compressão. Um
MOINHOS DE rolo se movimenta enquanto o outro se movimenta somente pelo
ROLO atrito do material. Porém existem moinhos de rolos que os dois
rolos se movimentam em sentido contrário.
Este equipamento é dotado de quatro ou mais martelos pendura-
MOINHOS DE dos em uma haste central, em rotação. A pulverização ocorre por
MARTELO impacto das partículas aos martelos.
Possuem bolas de porcelana ou aço. Durante o processo de moa-
MOINHOS gem o moinho é submetido a vibração, que pelo impacto das partí-
VIBRATÓRIOS culas, as bolas, ocorre a pulverização.

MOINHOS Consiste em um cilindro oco, disposto horizontalmente de tal ma-


neira que ele gira em torno de seu eixo. No cilindro existem bolas
DE BOLAS E ou esferas de tamanhos variados, ocupando cerca de 30 a 50% do
ESFERAS volume total. A pulverização ocorre por impacto e atrito.

Operações de divisão de líquidos

A divisão de líquidos em gotículas pequenas implica na formação de um sis-


tema disperso, em que o líquido dividido encontra-se disperso em um líquido,
sólido ou gás. O mais comum é a dispersão deste líquido em outro líquido, ou
seja, emulsificação. A fase interna representa o líquido que está dividido, ou seja,
disperso, ao passo que o outro líquido que o rodeia é a fase externa (Prista et al.,
1995).
Nas emulsões existe um terceiro componente, o agente emulsivo, que se in-
terpõem entre as duas fases, retardando a separação das fases (Prista et al., 1995).
As emulsões possuem grande importância na área farmacêutica, principal-
mente no preparo de cosméticos. Estas possuem muitas vantagens, conforme ilus-
tra a tabela 2.2.

PERMITE DILUIR ÓLEO Formulações vitaminas lipossolúveis para administra-


EM ÁGUA ção por via endovenosa.

MELHORA SABOR DOS Emulsões por via oral, fármaco disperso na fase interna.
FÁRMACOS
EMULSÕES PARA USO Melhora a atividade do fármaco quando este está na
EXTERNO fase dispersa.

Tabela 2.2  –  Vantagens das emulsões.

capítulo 2 • 46
Existem dois tipos de emulsões, de acordo com a natureza da fase dispersa:

EMULSÃO O/A Óleo constitui a fase dispersa

EMULSÃO A/O Água constitui a fase dispersa.

Operações físicas que exigem intervenção do frio ou calor

As operações físicas são aquelas que modificam o estado físico, mesmo que de
forma transitória, sem alterarem a composição química. A tabela 2.3 mostra os
tipos de operações físicas que exigem intervenção do frio ou calor.

Refrigeração
Evaporação
Secagem
Liofilização
Cristalização
Fusão
Destilação

Tabela 2.3  –  Exemplos de operações físicas com intervenção de calor e frio.

Refrigeração

A refrigeração é uma operação muito utilizada nos laboratórios farmacêuticos.


Esta consiste em abaixar a temperatura com a finalidade de condensar vapores,
liofilização e conservação de medicamentos (Prista et al., 1995).

Evaporação

Evaporação consiste em formar vapores na superfície dos líquidos. Os vapores


vão saindo gradualmente, diminuindo assim o volume do líquido. Por isso, a eva-
poração é a operação farmacêutica que visa a concentração de uma solução (Prista
et al., 1995).
Para acelerar o processo de evaporação pode aumentar a temperatura, pois
aumenta a pressão de vapor. Quando a pressão de vapor se iguala a pressão atmos-
férica o líquido entra em ebulição (Prista et al., 1995).

capítulo 2 • 47
Uma das grandes aplicações da evaporação é o preparo de extratos. Por exem-
plo: realiza-se uma extração com uma solução de etanólica 70% (v/v). Este extrato
terá uma grande concentração de etanol, sendo necessária a evaporação do etanol
para a administração desse extrato em pacientes que não podem ingerir etanol
(Prista et al., 1995).
Uma alternativa eficiente é a utilização de pressão reduzida, pois permite uma
menor temperatura para que o líquido entre em ebulição (Prista et al., 1995).

Secagem

A secagem é a operação farmacêutica que possui a finalidade de retirar a umi-


dade transformando em sólidos. Você pode partir de um sólido úmido uma solu-
ção ou suspensão obtendo partículas sólidas. Quando se fala em desumidificação
está se referindo a retirada de umidade do gás. A secagem de sólidos é aplicada no
campo farmacêutico para produção de formas farmacêuticas sólidas: pós e grânu-
los (estes antecedem a produção de cápsulas e comprimidos) (Auton, 2005; Prista
et al., 1995).
Ressalta-se que o conteúdo de umidade de sólidos influencia sua propriedade
de fluxo e compactação. Além disso, quando a umidade do sólido é alta, existe
dificuldade no processo de moagem, sendo assim, esta operação pode ser realizada
também antes da moagem (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Uma das grandes vantagens das partículas sólidas é menor contaminação mi-
crobiana, pois os microrganismos precisam de um teor de umidade residual para
crescerem e se multiplicarem (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Existem várias etapas durante um processo de secagem. Primeiramente ocorre
a saída da umidade da superfície do sólido, pois é esta que está em contato com o
gás aquecido. Após a saída de umidade da superfície, a umidade do interior do só-
lido começa a se difundir para a superfície para que assim, ocorra sua evaporação.
Esta segunda fase é mais demorada devido à necessidade do processo de migração
desta umidade (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Quando a umidade do sólido entra em equilíbrio com a umidade do gás, o só-
lido atingiu a umidade em equilíbrio. Neste ponto não ocorre mais a diminuição
da umidade (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
Existem vários métodos de secagem de sólidos, portanto na escolha do tipo de
secagem devem levar em consideração tanto fatores relacionados ao solvente a ser
evaporado quanto ao material a ser seco, conforme ilustra a tabela 2.4.

capítulo 2 • 48
Sensibilidade ao calor do material a ser secado
Características físicas do material
Necessidade de assepsia
Natureza do líquido a ser removido
Escala da operação
Fontes disponíveis de calor

Tabela 2.4  –  Fatores para escolha do processo de secagem.

•  Secagem natural
A secagem natural é o processo de secagem mais econômico, pois não exige
instalações nem equipamentos especiais, porém é mais lento. Além disso, esse
processo é influenciado pelo clima. Este processo é muito utilizado para secagem
de plantas medicinais, porém, o mais adequado é a utilização de secadores (Auton,
2005; Prista et al., 1995).

•  Secagem pelo ar seco à temperatura ambiente


Para a secagem pelo ar seco à temperatura ambiente, utilizam-se dessecadores,
figura 2.4. Nos dessecadores o ar é mantido seco com a utilização de substâncias
higroscópicas colocadas na parte inferior. Normalmente é usado ou para manter o
produto seco livre de umidade ou para secar sólidos úmidos (Auton, 2005; Prista
et al., 1995).
©© TANOOCHAI | SHUTTERSTOCK.COM

Figura 2.4  –  Dessecador.

capítulo 2 • 49
•  Secagem conectiva
A secagem conectiva pode ser realizada em leito fixo ou dinâmico. A secagem
em leito fixo consiste em deixar o sólido úmido em prateleiras. Nesta existe a
circulação de ar quente, responsável pela evaporação do líquido. O ar é constan-
temente reaquecido após ter sofrido resfriamento ao passar pelo material úmido
(Auton, 2005; Prista et al., 1995).
A secagem por convecção dinâmica usa leito fluidizado. A fluidização ocorre
quando um fluxo ascendente de fluido escoa através de um leito de partículas
e adquire velocidade suficiente para manter as partículas em suspensão (Auton,
2005; Prista et al., 1995).
Existem diversas vantagens do leito fluidizado, como ilustra a tabela 2.5.

Transferência de calor e massa eficiente


Menor tempo de secagem
Diminui efeitos térmicos em ativos termolábeis
Temperatura uniforme
Secagem constante
Turbulência do leito fluidizado produz partículas esféricas

Tabela 2.5  –  Vantagens do leito fluidizado.

•  Secagem condutiva
Nesta secagem o sólido úmido entra em contato com a superfície quente e a
transferência de calor ocorre por condução. As estufas à vácuo e o secador de vol-
teadura à vácuo são exemplos deste tipo de secagem. Na estufa à vácuo a secagem
ocorre a baixa temperatura, e como a quantidade de ar é pequena, existe menor
risco de oxidação (Auton, 2005; Prista et al., 1995).
O secador de volteadura a vácuo é muito utilizado para secagem de grânulos.
Neste equipamento os grânulos rolam sobre a superfície quente o que aumenta a
transferência de massa (Auton, 2005; Prista et al., 1995).

•  Secagem por radiação


A secagem por radiação não necessita de um meio de transmissão de calor
(líquido, sólido, gasoso), pois as radiações conseguem atravessar espaços vazios.
Essa secagem pode ser realizada utilizando as seguintes radiações (Auton, 2005).

capítulo 2 • 50
Infravermelha: Não penetra muito na massa úmida, secando somente cama-
das superficiais, por isso não é muito utilizada (Auton, 2005).
Microondas: Penetra de forma mais eficiente que a infravermelha, gerando
um calor uniforme no interior do sólido. Esta secagem possui a vantagem de ser
rápida devido a elevada eficiência térmica (Auton, 2005).
•  Secagem de soluções e suspensões
Existem dois tipos de secagem de soluções e suspensões, ambos possuem o
objetivo de espalhar o líquido sobre uma grande área superficial para facilitar a
secagem (Auton, 2005).
Os secadores cilíndricos espalham o líquido numa fina camada, no cilindro
aquecido internamente. Esta secagem pode ser feita a vácuo, o que permite meno-
res temperaturas de secagem (Auton, 2005).
Nos secadores por aspersão (spray dryer), o líquido é atomizado em pequenas
gotículas, o que permite uma grande área superficial. O líquido é atomizado em
uma corrente de ar quente, de modo que cada gotícula forma uma partícula sólida
(Auton, 2005).
As vantagens dos secadores por aspersão encontram-se na tabela 2.6.

Elevada área superficial


Baixo tempo de residência
Custo baixo de operação
Condições assépticas

Tabela 2.6  –  Vantagens dos secadores por aspersão.

Nota-se que a principal vantagem do secador por aspersão (nebulização) é sua


rapidez na secagem, ou seja, curto tempo de residência do material no interior do
equipamento, o que diminui perdas ou degradações por temperaturas elevadas
(Freitas et al., 2010). Além disso, o secador por nebulização tem como vantagem
originar um material finamente particulado, ou pó, eliminando a necessidade de
moagem após a secagem (Oliveira et al., 2009). Porém sua desvantagem é seu alto
investimento e o uso de altas temperaturas aplicadas ao ar de secagem, possibili-
tando degradação parcial das substâncias ativas.

capítulo 2 • 51
Liofilização

Liofilização é o processo que permite a secagem de substâncias sensíveis ao ca-


lor e temperatura, tais como substâncias termolábeis, proteínas, microrganismos,
entre outros. Vale ressaltar que produtos biotecnológicos como proteínas, enzimas
e aminoácidos, quando submetidos ao aquecimento, podem sofrer modificações
nas suas estruturas secundária e terciária, o que compromete sua atividade bioló-
gica, mesmo em temperatura moderadas, abaixo de 80 oC (Oliveira et al., 2009).
Para se realizar a liofilização a solução ou suspensão deve ser congelada. Depois,
com pressão reduzida o solvente sublima, ocorrendo dessa forma transição a seca-
gem, porém sem uso de alta temperatura. Porém, existem substâncias que podem
degradar com esse processo, sendo que, nestes casos, a adição de um crioprotetor,
como Manitol, pode evitar essa perda.
Porém, a liofilização possui algumas desvantagens, tais como alto custo de in-
vestimento e de operação, além de uma baixa produtividade. Além disso, os ciclos
de secagem por liofilização podem durar dias, aumentando o custo e inviabili-
zando a secagem de alguns materiais. Desta maneira, a liofilização aparece como
alternativa para aqueles produtos com valor agregado muito alto (Teixeira, 2017).
Na literatura você vai encontrar alternativa a liofilização convencional. A téc-
nica de liofilização do nebulizado, “spray freeze drying”, ainda em pesquisa, trará
inúmeros benefícios ao processamento de produtos naturais e biotecnológicos.
Pois, une as vantagens dos dois principais secadores utilizados para processamento
destes materiais, que são o secador por nebulização, “spray dryer”, e o liofilizador,
“freeze dryer” (Teixeira, 2017).
Existem variações a esta técnica, porém esta consiste em nebulizar a solução
ou suspensão em um meio que pode ser um líquido ou “spray freeze drying on
cryogenic medium” (SFL), gás refrigerante ou “spray freeze drying into gases” (SFG)
e a nebulização com gás sobre leito fluidizado ou “spray freeze drying into gases over
a fluidized bed” (SFG-FB) (Kudra, Mujumdar, 2009).
Na liofilização por nebulização em líquido, a solução ou suspensão é nebu-
lizada sobre uma camada criogênica de líquido, por exemplo, nitrogênio líquido
(Kudra, Mujumdar, 2009). Quando as gotículas de material encontram e imer-
gem na camada de nitrogênio líquido sob agitação, acontece o rápido congela-
mento das partículas a temperaturas de –90 oC, após o congelamento as partículas
são levadas ao liofilizador.

capítulo 2 • 52
Na Liofilização por atomização com gás refrigerante, SFG a solução ou sus-
pensão é nebulizada em uma corrente de gás refrigerado, causando um imediato
congelamento das gotículas (Lebedev, Bihovsky, 2001).
Na Liofilização por nebulização em leito fluidizado, SFB a solução de ativos
é atomizada em uma câmara cilíndrica com fundo cônico. Em sua queda, as go-
tículas atomizadas encontram uma corrente ascendente de ar resfriado entre –45
a –60 oC. Na base cônica do equipamento as partículas congeladas são fluidizadas
pela corrente ascendente de ar frio. Este ar retira a umidade das partículas por
sublimação (Teixeira, 2017).

Cristalização

A cristalização é uma operação farmacêutica importante na purificação de


compostos. Esta consiste em solubilizar o composto em um solvente que ele é
solúvel a quente, para tanto segue os seguintes passos (Prista et al., 1995):
1. Dissolução da substância num solvente apropriado, aquecido à
ebulição;
2. Filtração da solução quente, eliminando as impurezas insolúveis;
3. Resfriamento da solução, para que a substância dissolvida cristalize
(lembre, ele é solúvel somente a quente);
4. Separação dos cristais formados.

Fusão

A fusão, técnica muito empregada no controle de qualidade dos fármacos, con-


siste na fusão, ou seja, na passagem do sólido para líquido mediante aumento de
temperatura. Normalmente se faz esse teste para verificar pureza dos compostos,
para privar os sais da sua água de cristalização, para facilitar ou permitir a combina-
ção de certas substâncias e para facilitar a incorporação de substâncias medicamen-
tosas insolúveis num excipiente sólido (óvulos, supositórios) (Prista et al., 1995).

Destilação

A destilação é um método de separação de mistura homogênea que possui


componentes com diferentes pontos de fusão. Em escala industrial esse método é
o mais utilizado com essa finalidade, no campo farmacêutico utiliza-se a destilação

capítulo 2 • 53
no preparo de extratos e na purificação da água (Prista et al., 1995). Envolve as
seguintes etapas:
1. Aquecimento;
2. Evaporação do líquido mais volátil;
3. Condensação do líquido.

A figura 2.5 ilustra uma destilação simples e na figura 2.6 está ilustrada uma co-
luna de destilação fracionada, mostrando a purificação dos derivados do petróleo.
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Figura 2.5  –  Destilação simples.

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Figura 2.6  –  Coluna de destilação fracionada.

capítulo 2 • 54
Operações físicas que exigem intervenção de líquido

As operações físicas que exigem intervenção de líquido são a dissolução e


a extração.
A dissolução é a operação que visa misturar intimamente duas ou mais subs-
tâncias com a finalidade de formar uma única fase. No campo farmacêutico a dis-
solução mais importante é aquela do sólido em um solvente, ou seja, a formação
de uma solução (Prista et al., 1995).
Aqui vale você recordar que existem soluções no qual o solvente é um sólido
(soluções sólidas), gás ou líquido. Nas soluções farmacêuticas, tema no capítulo 3,
tem como solvente um líquido (Prista et al., 1995).
A dissolução é importante do ponto de vista biofarmacotécnico, pois é uma
etapa crítica na absorção dos fármacos. Os fármacos para serem absorvidos devem
estar dissolvidos nos fluidos gastrintestinais (caso de administração por via oral).
Sendo assim, o teste de dissolução faz parte do controle de qualidade das formas
farmacêuticas sólidas (Prista et al., 1995).
Para que o processo de dissolução ocorra, o soluto deve ser suficientemente
solúvel em determinado solvente. Ressalta que a solubilidade de uma substância
não é ilimitada, ela varia conforme a quantidade do soluto, a temperatura, a cons-
tante dielétrica do solvente e tamanho de partícula do sólido (Prista et al., 1995).
A extração envolve um processo de transferência de massa multicomponente,
multifásica e em estado não-estacionário. Esta operação possui o objetivo de sepa-
rar um ou mais componentes contidos na fase sólida utilizando uma fase líquida,
produzindo soluções extrativas (Blackadder, Nedderman, 2004).
Soluções extrativas resultam da dissolução parcial de ativos de drogas vegetais
num solvente adequado. Neste ponto você deve prestar atenção que não é todo
conteúdo da droga vegetal que é dissolvido, e sim parte de seus constituintes. As
soluções extrativas serão estudadas mais adiante neste livro.

Operações farmacêuticas químicas

As operações farmacêuticas químicas são aquelas em que ocorre alguma mu-


dança química. Estas operações envolvem, dentre outras, síntese de fármacos, mo-
dificação molecular de fármacos e formações de sais de fármacos.

capítulo 2 • 55
A formação de sais dos fármacos é de extrema importância, pois o sal do
fármaco é mais solúvel em água. Portanto, pode-se utilizar dessa técnica para a
extração de ativos, ou dissolução, por exemplo.
Para ocorrer um processo de dissolução de um sólido em água deve ocorrer
interação entre o sólido e a água. Normalmente os ativos possuem baixa pola-
ridade, o que dificulta sua dissolução em solvente polar, como a água. Por isso,
uma alternativa simples é a adição de ácidos ou de bases que reagem com o ativo
formando sais. Sais são mais polares, capaz de interagir com a água por interação
do tipo íon-dipolo.

CONEXÃO
Para se aprofundar neste assunto, você pode ler o artigo: Glanzner, A. L.; Silva, D. M.
Formação de Sais no Desenvolvimento de Fármacos. Encarte da Revista Átomo Nº
8 – SINQFAR, p. 1-16, 2010. Disponível em: http://sinqfar.org.br/admin/files/artigos/arti-
gos_pdf/57a7a66c4e73164a56498cc5fddbac9d.pdf

ATIVIDADE
01. Para a produção de um fitoterápico a base de Cúrcuma longa procedeu-se da seguin-
te maneira:
•  Obteve as raízes da planta em questão
•  Retiraram-se algumas folhas e caules que vieram juntos
•  Cortou-se em pedaços menores e adicionou os pedaços das raízes em um moinho
•  Em seguida, levou o material a um conjunto de tamises
•  As partículas obtidas foram pesadas (10 g) e adicionadas a 1000 mL de solvente (solução
hidroalcoólicas 70% com adição de NaOH 0,1%).
•  Em seguida filtrou-se a solução obtida
•  Por fim a solução foi levada ao equipamento spray dryer para a obtenção do produto final.

Baseado nas operações descritas anteriormente classifique as operações indicando o


objetivo principal de cada operação farmacêutica realizada.

capítulo 2 • 56
REFLEXÃO
Ao fazer o preparo de medicamentos o farmacêutico executará diversas operações far-
macêuticas, desde operações básicas de qualquer laboratório (pesagem, medição de volu-
me) até as operações farmacêuticas propriamente ditas.
As operações farmacêuticas propriamente ditas podem ser de origem mecânica, física
ou química. As de origem mecânica são aquelas em que não ocorre mudança de estado físico
nem químico das partículas, na de origem física ocorrem mudança do estado físico. As de
origem química leva a mudança química das partículas.
Você deve ter em mente que no preparo de um medicamento você irá utilizar vários
tipos de operações farmacêuticas, raramente você fará uma única operação. Neste caso o
conhecimento básico dessas operações, principalmente dos pontos críticos de cada uma
dessas operações, é muito importante para obter um medicamento de qualidade. Após o
estudo desses tópicos, faça uma reflexão ao redor destas operações e sua importância no
desenvolvimento de medicamentos.
Após essa reflexão você perceberá o quão amplo e complexo é o tema. Não deixe de
consultar as bibliografias recomendadas para se aprofundar e estudar sobre os temas des-
se capítulo!

LEITURA
OLIVEIRA, O. W.; PETROVICK, P. R. Secagem por aspersão (spray drying) de extratos vegetais:
bases e aplicações. Rev. bras. farmacogn., Curitiba , v. 20, n. 4, p. 641-650, Sept. 2010. Este artigo
mostra alguns pontos importantes da secagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AUTON, M. Delineamento de Formas Farmacêuticas 2a. edição. Editora Artmed. 2005.
BLACKADDER, D. A.; NEDDERMAN, R. M. Manual de operações unitárias. London: Hemus, 2004.
BONFIM et al. Medidas de massa nas rotinas farmacêuticas. Enciclopédia biosfera, Centro Científico
Conhecer - Goiânia, v.8, N.14; p.1604-1614.
BRASIL. Resolução RDC 67, de 08 de outubro de 2007. Dispõe sobre as Boas Práticas de
Manipulação de Medicamentos para Uso Humano em Farmácias e seus anexos, ANVISA,
Diário Oficial da União de 09/10/2007, p. 29 a 58.

capítulo 2 • 57
FERREIRA, A. O. Guia Prático da Farmácia Magistral. Juiz de Fora, 2ª edição, p. 2, 2002.
GLANZNER, A. L.; SILVA, D. M. Formação de Sais no Desenvolvimento de Fármacos. Encarte
da Revista Átomo Nº 8 – SINQFAR, p. 1-16, 2010. Disponível em: <http://sinqfar.org.br/admin/files/
artigos/artigos_pdf/57a7a66c4e73164a56498cc5fddbac9d.pdf>.
KUDRA, T.; MUJUMDAR, A. S. Spray-freeze drying. In: Advanced Drying Technologies, 2nd Ed., CRC
Press, 2009.
LEBEDEV, D.P.; BIHROVSKY, B.N. Method of intensification of vacuum freeze-drying and
development of a new apparatus for continuous operation. J. Ind. Heat Eng. 23(1-2), p.67-75,
2001.
OLIVEIRA, O. W.; PETROVICK, P. R.. Secagem por aspersão (spray drying) de extratos vegetais:
bases e aplicações. Rev. bras. farmacognosia, Curitiba , v. 20, n. 4, p. 641-650, Sept. 2010
OLIVEIRA, W.P.; FREITAS, L.A.P.; FREIRE, J. T. Secagem de Produtos Farmacêuticos. Cap. 10 em:
Fenômenos de Transporte em Sistemas Particulados: Fundamentos e Aplicações, p. 307-343. J.T.
Freire & A.M. Silveira (Org.). Editora SUPREMA, São Carlos, SP. 2009.
PRISTA, L. N.; ALVES, A. C.; MORGADO, R. Técnica Farmacêutica e Farmácia Galênica. Volumes I,
II e III. 5a edição Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian, 1995.
TEIXEIRA, C. C. C. et al. Solid state stability of polyphenols from a plant extract after fluid bed
atmospheric spray-freeze-drying. Powder Technology, v. 319, p. 494-504, 2017

capítulo 2 • 58
3
Formas
farmacêuticas
líquidas
Formas farmacêuticas líquidas
Os medicamentos podem ser apresentados por diferentes formas farmacêuti-
cas com intuito de facilitar a administração do fármaco, sua conservação, posolo-
gia, absorção ou até mesmo o fracionamento.
Existem diversos tipos de formas farmacêuticas tais como pós, granulados,
cápsulas, comprimidos, pellets, soluções, emulsões, suspensões, pomadas, géis en-
tre outras.
No capítulo 3 você verá informações importantes das formas farmacêuticas
líquidas por dissolução de ativos, as demais serão descritas no capítulo 4 deste
livro. Tais formas são excelentes alternativas para a administração de fármacos.
No entanto o seu preparo exige cuidados com diversos pontos críticos, tais como
solvente; instabilidade química, física e microbiológica do ativo; palatabilidade;
intolerância e/ou sensibilidade aos ingredientes inertes além da insolubilidade de
alguns ativos.

OBJETIVOS
•  Conhecer as vantagens e desvantagens das formas farmacêuticas líquidas;
•  Reconhecer os pontos críticos no preparo e armazenamento;
•  Aprender o preparo de soluções medicamentosas;
•  Aprender o conceito e preparo de xarope, elixir e gotas orais.

Formas farmacêuticas líquidas

As formas farmacêuticas líquidas são alternativas importantes na terapêutica,


principalmente para pacientes pediátricos, geriátricos ou aqueles com dificuldade
de deglutição (AULTON, 2005). Na tabela 3.1, encontram-se as diversas vanta-
gens dessas formas farmacêuticas:

capítulo 3 • 60
Líquidos são mais facilmente deglutidos, portanto mais ade-
FACILIDADE DE quados para crianças, idosos e pacientes com dificuldades de
DEGLUTIÇÃO deglutição.

A dissolução do fármaco é uma das etapas iniciais da forma


RAPIDEZ DE farmacêutica após a administração por via oral. Nas fórmulas
ABSORÇÃO líquidas o fármaco já se encontra em solução, sendo, portanto,
mais rapidamente absorvido.

Por ser uma mistura homogênea, o fármaco encontra-se uni-


UNIFORMIDADE formemente em toda a solução. Diferentemente do observado
DE DISTRIBUIÇÃO em suspensões e emulsões, que podem ter uma distribuição
desigual do fármaco.

Uma vez que o fármaco já se encontra em solução, ele será


MENOR rapidamente misturado no conteúdo gástrico, não se deposi-
IRRITAÇÃO tando, o que diminui a ocorrência de danos à mucosa gástrica.

Tabela 3.1  –  Vantagens das formas farmacêuticas líquidas (AULTON, 2005).

Porém, as formas farmacêuticas líquidas de uso oral são, na maioria das vezes,
mais complexas que as sólidas. Tal fato ocorre porque os fármacos no estado líqui-
do são mais instáveis do que no estado sólido (FERREIRA, 2002; FERREIRA,
SOUZA; 2007). Portanto, você deve ter um conhecimento amplo de todo os
pontos críticos de seu preparo para que você possa garantir que o produto tenha
eficácia e qualidade adequadas.

Aspectos críticos envolvidos na formulação de líquidos orais

Um dos pontos mais críticos no preparo da forma farmacêutica líquida é a ins-


tabilidade. Formulações líquidas, principalmente as aquosas, são mais propensas
às instabilidades físicas, químicas e microbiológicas (AULTON, 2005).
No preparo de um medicamento você deve garantir que o medicamento te-
nha qualidade, eficácia e segurança adequada. A qualidade de um produto farma-
cêutico está diretamente ligada às características químicas e físicas dos fármacos.
Note que à medida que o fármaco é degradado, sua concentração diminui, o que
contribui para uma menor eficácia da terapia. Outro ponto importante que você
deve considerar é a formação de produtos tóxicos da degradação, o que diminui
a segurança do medicamento (FERREIRA, 2002; FERREIRA, SOUZA; 2007).

capítulo 3 • 61
Além disso, outros pontos críticos devem ser considerados, tais como a pala-
tabilidade e a solubilidade dos fármacos.

Instabilidade química

Qualquer tipo de reação química é, na sua grande maioria, favorecida quando


os produtos se encontram em solução. Hidrólise, oxidação e fotólise são as rea-
ções de degradação mais comuns dos fármacos (ANSEL, 2007; PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005).
Na Hidrólise, como o próprio nome diz, ocorre a quebra da molécula do
fármaco pela ação da água. Esta reação é muito comum em fármacos com grupos
funcionais éster, amidas, aminas substituídas, lactamas (amidas cíclicas) e lactonas
(ésteres cíclicos) (AULTON, 2005; ANSEL, 2007; FERREIRA, 2002; PRISTA,
1995).
A hidrólise pode ser influenciada pelo pH, ou seja, dependendo de seu valor,
a reação pode ter sua velocidade aumentada ou diminuída. Por este motivo existe
um pH considerado ótimo, no qual a degradação será menor. Tal fato justifi-
ca a necessidade de verificação do pH das formulações, e, se necessário, colocar
um tampão para ajuste e manutenção do pH (AULTON, 2005; ANSEL, 2007;
FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).
Além disso, a presença de metais e o aumento da temperatura também podem
favorecer a hidrólise de fármacos. Para se evitar isto, pode-se adicionar quelantes e
manter boas condições de temperatura. Na tabela 3.2, você encontrará alguns fár-
macos que podem sofrer hidrólise (AULTON, 2005; ANSEL, 2007; FERREIRA,
2002; PRISTA, 1995).

Fármacos sujeitos à hidrólise:

•  Ácido acetilsalicílico, •  Ácido ascórbico,


•  Aldosterona, •  Atropina,
•  Barbitúricos, •  Benzocaína,
•  Carbachol, •  Carbimazol,
•  Cefalosporinas, •  Clindamicina,
•  Diazepam, •  Digitoxina,

capítulo 3 • 62
•  Digoxina, •  Espironolactona,
•  Fenitoína, •  Hidrocortisona,
•  Heparina, •  Lincomicina,
•  Neostigmina, •  Nicotinamida,
•  Nistatina, •  Paracetamol,
•  Penicilinas, •  Pilocarpina,
•  Pralidoxima, •  Procaína,
•  Procainamida, •  Riboflavina.
•  Varfarina,

Tabela 3.2  –  Exemplos de fármacos sujeitos à hidrólise (AULTON, 2005; ANSEL, 2007;
FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).

A oxidação é a reação de degradação de fármacos que ocorre na presença de


oxigênio. O fármaco, através de reação, pode ganhar oxigênio ou perder hidrogê-
nio para se oxidar. Esta reação pode ser iniciada por metais ou pela luz. Alguns
fármacos são mais suscetíveis por terem grupos tióis, aldeídos, alcenos e hidroqui-
nonas. A vitamina C é um exemplo de fármaco que se oxida muito facilmente em
solução. Na tentativa de diminuir essa instabilidade pode-se utilizar antioxidantes
e/ou quelantes, além de diminuir o contato com a luz e oxigênio. Na tabela 3.3,
você encontrará alguns fármacos que podem oxidar (AULTON, 2005; ANSEL,
2007; FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).

Fármacos sujeitos à oxidação:

•  Ácido retinóico •  Amitriptilina,


•  Anfotericina B, •  Captopril,
•  Catecolaminas, •  Clorpromazina,
•  Corticosteróides •  Ergotamina,
•  Fenilefrina, •  Flufenazina.
•  Furosemida, •  Hidroquinona,
•  Imipramina, •  Lovastatina,
•  Morfina, •  Nitrofurantoína,

capítulo 3 • 63
•  Óleos e gorduras, •  Paracetamol,
•  Pravastatina, •  Prometazina,
•  Resorcinol, •  Salbutamol,
•  Sinvastatina, •  Sulfacetamida,
•  Tetraciclina, •  Tioridazina,
•  Trifluoperazina, •  Vitamina C.
•  Vitaminas lipossolúveis,

Tabela 3.3  –  Exemplos de fármacos sujeitos à oxidação (AULTON, 2005; ANSEL, 2007;
FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).

A luz ultravioleta pode fornecer energia suficiente para provocar quebra das
ligações químicas entre os átomos dos fármacos. Nesta quebra ocorre a separa-
ção dos elétrons compartilhados na ligação covalente, podendo produzir radicais
livres. Esta reação recebe o nome de fotólise, podendo levar à isomerização do
fármaco (AULTON, 2005; ANSEL, 2007; FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).
Na tabela 3.4, você encontrará exemplos de fármacos sujeitos à fotólise.

Fármacos sujeitos à fotólise:

•  Ácido fólico;
•  Ácido meclofenâmico;
•  Corantes;
•  Corticóides: hidrocortisona, metilprednisolona;
•  Dipirona;
•  Fenotiazinas;
•  Metotrexato;
•  Vitaminas (A, B1, B12, D, E).

Tabela 3.4  –  Exemplos de fármacos sujeitos à fotólise (AULTON, 2005; ANSEL, 2007;
FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).

Instabilidade física

Instabilidade física é a alteração das propriedades físicas originais, inclusive


aparência, palatabilidade, uniformidade, dissolução e suspensibilidade. Nas so-
luções, a instabilidade física que pode ocorrer é o aparecimento de cristais em

capítulo 3 • 64
soluções. Sendo assim, um aspecto importante que você deve considerar é a so-
lubilidade do fármaco no solvente que está sendo usado para o preparo da solu-
ção. Em uma solução, o fármaco deve se solubilizar completamente no veícu-
lo, para tanto, ele deve ter comportamento (polaridade) semelhante ao solvente
(AULTON, 2005; ANSEL, 2007; FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).
Para evitar problemas com formação de cristais, durante o preparo ou durante
o tempo de prateleira da formulação, é importante conhecer as características físi-
co-químicas dos fármacos e dos veículos, tais como:
99 Solubilidade;
99 Necessidade de co-solventes;
99 Necessidade de aquecimento;
99 Faixa de pH e pKa.

EXEMPLO
•  Exemplo de instabilidade física

Fenobarbital pode precipitar em pH ácido, pois ficará na forma não ionizada, sendo, por-
tanto, mais lipossolúvel.

Instabilidade microbiológica

A contaminação microbiana acarreta em perda de estabilidade química e física


das preparações orais líquidas, além de alteração no odor e na cor. Uma contagem
alta de microrganismos bem como a presença de patogênicos pode ser prejudicial
à saúde, principalmente para crianças, idosos e imunodeprimidos. Você deve lem-
brar que a presença de água favorece o crescimento de microrganismos, justifican-
do a maior prevalência de contaminações em preparações líquidas e semissólidas
(AULTON, 2005; ANSEL, 2007; FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).
Na tentativa de minimizar o crescimento de microrganismos, é necessário
adicionar na formulação conservantes, além de minimizar a contaminação com
cuidados no preparo e qualidade da matéria-prima utilizada (AULTON, 2005;
ANSEL, 2007; FERREIRA, 2002; PRISTA, 1995).

capítulo 3 • 65
Os conservantes precisam de um pH adequado para que sejam efetivos, por-
tanto a verificação do pH é de suma importância, também, para evitar a ins-
tabilidade microbiológica (AULTON, 2005; ANSEL, 2007; FERREIRA, 2002;
PRISTA, 1995).

Palatabilidade

O sabor é um importante fator para a aceitação do medicamento. Nas formas


farmacêuticas líquidas o sabor amargo dos fármacos é sempre mais pronunciado,
por isso se faz necessário a correção do sabor para torná-lo mais agradável ao pa-
ciente. Essa correção é um ponto importante para adesão ao tratamento, sendo
um grande desafio ao farmacêutico (AULTON, 2005).
Normalmente, o sabor doce é preferido em relação ao amargo, mas ressalta-se
que para cada formulação é necessário o estudo referente à flavorização.

CONEXÃO
Você quer saber técnicas de flavorização? Leia esse artigo e veja uma aplicação no
preparo de formas farmacêuticas líquidas: BATISTA, G. D.; SIQUEIRA, A.P. N. D. F. Ava-
liação de diferentes associações de flavorizantes. Revista do Núcleo Interdiscipli-
nar de Pesquisa e Extensão do UNIPAM (6): 87-95, out. 2009. Disponível em: <http://
perquirere.unipam.edu.br/documents/23456/35660/Avaliacao_de_diferentes_associa-
coes_de_flavorizantes.pdf>.

Escolha do solvente

Existem diversos solventes que podem ser utilizados no preparo de formula-


ções líquidas (FERREIA, 2002):
•  Água para uso farmacêutico;
•  Álcool etílico;
•  Glicerina;
•  Propilenoglicol;
•  Polietilenoglicol;
•  Óleo Mineral.

capítulo 3 • 66
Dentre os diversos solventes, a água é o solvente mais utilizado no preparo das
formulações líquidas. Tal fato se justifica pois ela não é tóxica e possui uma alta
constante dielétrica, o que permite a dissolução de muitas substâncias ionizáveis.

Água

A água potável é utilizada no preparo da água purificada. Esta deve ter os


níveis de qualidade satisfazendo as exigências legais. Além disso, de acordo com
RDC 67/2007 (BRASIL, 2007):

A farmácia deve ser abastecida com água potável e, quando possuir caixa d'água pró-
pria, ela deve estar devidamente protegida para evitar a entrada de animais de qual-
quer porte ou quaisquer outros contaminantes, devendo definir procedimentos escritos
para a limpeza e manter os registros que comprovem sua realização.

Além disso, de acordo com a RDC 67/2007 (BRASIL, 2007) é necessário ve-
rificar a qualidade da água a cada seis meses, sendo necessário realizar, no mínimo,
os seguintes testes:
•  pH;
•  Cor aparente;
•  Turbidez;
•  Cloro residual livre;
•  Sólidos totais dissolvidos;
•  Contagem total de bactérias;
•  Coliformes totais;
•  Presença de E. coli;
•  Coliformes termorresistentes.

Essa verificação da qualidade é necessária, pois a água pode ser contaminada


na fonte de alimentação, pela extração de materiais, absorção de gases da atmos-
fera, poluentes ou resíduos de produtos utilizados na limpeza e sanitização de
equipamentos. Além disso, a presença de bactérias apresenta um grande desafio à
qualidade da água (FERREIRA, 2002).
Esses contaminantes microbiológicos podem ter diversas origens:
•  Microbiota da fonte de água,
•  Equipamentos de purificação,
•  Procedimentos de limpeza e sanitização inadequados.

capítulo 3 • 67
A partir da purificação da água potável você irá obter a água adequada para
uso em preparações farmacêuticas. Veja a seguir a definição da água purificada:

Água Purificada: A água utilizada na manipulação deve ser obtida a partir da água
potável, tratada em um sistema que assegure a obtenção da água com especificações
farmacopéicas para água purificada, ou de outros compêndios internacionais reconhe-
cidos pela ANVISA, conforme legislação vigente (BRASIL, 2007).

Existem diversas maneiras de purificar a água potável, sendo a destilação, deio-


nização e a osmose reversa os métodos comumente empregados (BRASIL, 2010).
A destilação consiste em aquecer a água até a temperatura de ebulição, levando
à mudança do estado físico da água de líquido para vapor. Após esse processo o
vapor de água passa por um condensador, passando de vapor para líquido. Este
método é eficiente para remoção de contaminantes sólidos e biológicos (micror-
ganismos). Porém, este método de purificação não retira todos os íons sólidos
dissolvidos (BRASIL, 2010).
A água deionizada é obtida através de um equipamento chamado deionizador.
Este consiste em resinas de troca iônica, catiônicas e aniônicas. Neste processo são
retirados os íons, mas a matéria orgânica não é retirada (BRASIL, 2010).
A osmose reversa possui alta pureza química e microbiológica. Para tanto, a
água passa através de uma membrana semi-permeável, contra o gradiente de con-
centração. Neste processo remove-se eficientemente material particulado, material
insolúvel, material inorgânico dissolvido e microrganismos (BRASIL, 2010).
A tabela 3.5 mostra algumas características da água purificada.

TESTE VALOR DE REFERÊNCIA


Condutividade 0,1 a 1,3 mS/cm a 25,0 °C

Carbono orgânico total (COT) < 0,50 mg/L

Endotoxinas < 0,25 UI de endotoxina/mL

Contagem total de bactérias < 100 UFC/mL

Tabela 3.5  –  Qualidade da água purificada (BRASIL, 2010).

capítulo 3 • 68
Além da água purificada existe a água para injetáveis, solvente utilizado no
preparo de (BRASIL, 2010):
•  Formulações parenterais de pequeno e grande volume;
•  Fabricação de princípios ativos de uso parenteral;
•  Fabricação de produtos estéreis;
•  Produtos que requeiram o controle de endotoxinas;
•  Água esterilizada para injeção;
•  Água estéril para injeção;
•  Limpeza e preparação de processos, equipamentos e componentes que en-
tram em contato com as formas parenterais na produção de fármacos.

O processo de destilação pode ser utilizado o preparo da água para injetáveis, po-
rém pode ser utilizado outro processo que seja superior à destilação (BRASIL, 2010).
A tabela 3.6 mostra alguns requisitos de qualidade exigidos da água para injetáveis.

TESTE VALOR DE REFERÊNCIA


Carbono orgânico total (COT) < 0,50 mg/L

Endotoxinas < 0,25 UI de endotoxina/mL

Contagem total de bactérias < 10 UFC/mL

Tabela 3.6  –  Qualidade da água para injetáveis (BRASIL, 2010).

Alguns laboratórios de ensaios, diluição de substâncias de referência ou con-


trole de qualidade exigem a utilização de água ultrapurificada, esta deve possuir
baixa concentração iônica, baixo nível de COT e baixa carga microbiana. A tabela
3.7 mostra alguns requisitos de qualidade exigidos da água ultrapurificada.

TESTE VALOR DE REFERÊNCIA


Condutividade 0,055 a 0,1mS/cm a 25,0 °C

Carbono orgânico total (COT) < 0,050 mg/L

Endotoxinas < 0,03 UI de endotoxina/mL

Contagem total de mesófilos < 1 UFC/mL

Tabela 3.7  –  Qualidade da água ultrapurificada (BRASIL, 2010).

capítulo 3 • 69
Álcool etílico

O álcool etílico é o segundo solvente mais utilizado nas preparações farmacêu-


ticas. Este diminui as reações de hidrólise. Tal solvente é muito utilizado em so-
luções hidroalcoólicas extrativas de princípios ativos. Você estudará essas soluções
no capítulo 4. O álcool etílico pode ser usado também em soluções antissépticas
e em soluções desinfetantes. O uso deste solvente facilita a penetração cutânea
de fármacos, sendo importante seu uso em soluções tópicas (FERREIRA, 2002).
Porém, existem algumas incompatibilidades do álcool etílico. Não pode ser
usado em formulações contendo sustâncias oxidantes, pois este solvente pode, em
meio ácido, reagir de forma violenta. Outra incompatibilidade é a precipitação de
gomas e algumas substâncias orgânicas na presença de álcool etílico (FERREIRA,
2002).
A tabela 3.8 mostra alguns usos do álcool etílico.

USO CONCENTRAÇÃO
Soluções hidroalcoólicas extrativas 45 a 90%

Preservativo antimicrobiano > 10%

Desinfetante 60 a 90%

Produtos tópicos 60 a 90%

Tabela 3.8  –  Uso do álcool etílico (FERREIRA, 2002).

Glicerina

A glicerina pode ser utilizada como solvente em preparações orais, auriculares,


oftálmicas, tópicas, cosméticas e parenterais. Além de solvente a glicerina possui
a propriedade umectante e emoliente. Em preparações orais pode ser usada de-
vido a suas propriedades edulcorante, antimicrobiana e doadora de viscosidade
(FERREIRA, 2002).
Tome cuidado ao misturar a glicerina com agentes oxidantes fortes (perman-
ganato de potássio, clorato de potássio), pois pode explodir. Além disso, a glicerina
pode escurecer em contato com óxido de zinco ou nitrato básico de bismuto e na
presença de luz (FERREIRA, 2002).

capítulo 3 • 70
A tabela 3.9 mostra alguns usos da glicerina.

USO CONCENTRAÇÃO
Conservante maior que 20%.

Emoliente máx. 30%.

Umectante máx. 30%.

Oftálmicas 0,5 a 3%.

Tabela 3.9  –  Usos da glicerina (FERREIRA, 2002).

Propilenoglicol

O propilenoglicol pode ser usado em formulações de uso parenteral e não


parenteral. Além de solvente pode ser usado como extrator, conservante, doador
de viscosidade, umectante e aumenta o tempo de permanência do fármaco na
superfície cutânea. Você irá notar que ele solubiliza grande variedade de substân-
cias, sendo por isso muito utilizado para facilitar a incorporação de fármacos em
formulações líquidas (FERREIRA, 2002).
Sua única incompatibilidade é o uso com reagente oxidante, como perman-
ganato de potássio (FERREIRA, 2002). A tabela 3.10 mostra alguns usos do
propilenoglicol.

USO CONCENTRAÇÃO
Conservante Soluções e semi-sólidas (15 a 30%)

Aerosol (10 a 30%), soluções orais (10 a 25%),


Solvente e co-solvente
parenterais (10 a 60%), tópicos (5 a 80%);

Umectante Tópica (15%)

Oftálmicas 60 a 90%

Tabela 3.10  –  Uso do propilenoglicol (FERREIRA, 2002).

capítulo 3 • 71
Polietilenoglicol 400

O polietilenoglicol é um solvente que pode ser utilizado em formulações pa-


renterais, tópicas, orais, retais e oftálmicas. Em soluções aquosas pode ser utilizado
como agente suspensor ou doador de viscosidade. Além disso, pode ser útil em
aumentar a solubilidade de fármacos pouco solúveis em água (FERREIRA, 2002).
Porém o polietilenoglicol não pode ser usado com alguns antibacterianos e
conservantes, tais como: penicilina, bacitracina e parabenos. É preciso ressaltar
que pode haver uma diminuição da atividade dessas substâncias na presença do
polietilenoglicol (FERREIRA, 2002).

Óleo mineral (Vaselina líquida)

O óleo mineral é mais utilizado em formulações tópicas, sendo um importan-


te emoliente. Pode ser usado como solvente, principalmente para veicular fármaco
lipossolúvel (FERREIRA, 2002). A tabela 3.11 mostra alguns usos da vaselina
líquida.

USO CONCENTRAÇÃO
Pomadas tópicas 0,1 a 95%

Loções tópicas 1 a 20%

Emulsões tópicas 1 a 32%

Oftálmicas 3 a 60%

Tabela 3.11  –  Uso da vaselina líquida (FERREIRA, 2002).

Manipulação de formas farmacêuticas líquidas

Existem diversas formas farmacêuticas líquidas, sendo classificadas de acordo


com seu processo de preparo (FERREIRA, 2002; FERREIRA, SOUZA; 2007):
•  Formas farmacêuticas obtidas por dissolução simples: solução medicamentosa;
•  Formas Farmacêuticas obtidas por destilação: Hidrolatos e pseudo-hidrolatos;
•  Formas farmacêuticas obtidas por dissolução extrativa.

capítulo 3 • 72
A seguir serão apresentadas as formas farmacêuticas obtidas por dissolução
simples, as demais serão descritas no capítulo 4 deste livro.

Solução medicamentosa

Segundo a Farmacopeia Brasileira, a definição de solução medicamentosa é a


seguinte (BRASIL, 2010):

É a forma farmacêutica líquida; límpida e homogênea, que contém um ou mais prin-


cípios ativos dissolvidos em um solvente adequado ou numa mistura de solventes
miscíveis.

As soluções medicamentosas podem conter mais de um fármaco dissolvi-


do (disperso molecularmente) em água, podendo ter co-solventes adicionados.
Depois que você estudou os pontos críticos das fórmulas líquidas, você deve ter
em mente a necessidade de se adicionar adjuvantes farmacotécnicos para melhorar
a estabilidade e o sabor (FERREIRA, 2002; FERREIRA, SOUZA; 2007).
Dentre os adjuvantes farmacotécnicos, destaca-se:
•  Antioxidantes;
•  Agentes sequestrantes;
•  Conservantes;
•  Edulcorantes;
•  Aromatizantes;
•  Doador de viscosidade.

Solubilidade

Como as soluções medicamentosas são obtidas por dissolução simples e tendo


em vista que o fármaco deve estar disperso molecularmente no solvente, algumas
considerações sobre solubilidade devem ser levadas em conta (FERREIRA, 2002;
FERREIRA, SOUZA; 2007).
Relembrando conceitos que você estudou em Química, para dissolver uma
substância, esta deve ter polaridade semelhante ao solvente, ou seja, o fármaco
deve ter comportamento semelhante ao solvente (FERREIRA, 2002; FERREIRA,
SOUZA; 2007).

capítulo 3 • 73
Um fator importante a ser considerado é o aumento da temperatura, pois este
pode favorecer a solubilização de fármacos. Desta forma, é um recurso que poderá
te auxiliar no preparo de formulações (FERREIRA, 2002; FERREIRA, SOUZA;
2007).
A maioria dos fármacos é ácido ou base fracos, sendo assim, a mudança de pH
da formulação pode aumentar a solubilidade dos fármacos em água (FERREIRA,
2002; FERREIRA, SOUZA; 2007). Para tanto você deve lembrar o conceito de
pKa, tabela 3.12.

pKa é o pH, no qual temos 50% do fármaco na forma ionizada e 50% do fármaco na
forma não ionizada.

Tabela 3.12  –  Conceito de pKa

Lembre-se de que a forma ionizada é mais hidrossolúvel, o que facilita a so-


lubilização do fármaco em água. O grau de ionização de uma substância pode ser
calculado seguindo a forma de Henderson Hasselbach (FERREIRA, SOUZA;
2007):
Concentração protonada
pKa = pH + log
Concentração não protonada

Ou seja, para fármacos ácidos:


HA → H+ + A–
Concentração não ionizada
pKa = pH + log
Concentraçãoionizada

Para fármacos básicos:


B + H+ → BH+
Concentraçãoionizada
pKa = pH + log
Concentração não ionizada

Para fármaco ácido, quando este estiver em pH acima de seu valor de pKa ele
se encontrará em maior quantidade na forma ionizada. Já o fármaco básico estará
mais ionizado em pH menor que seu pKa. A tabela 3.13 mostra quanto deve
ser a diferença entre o pH e o pKa de fármaco ácido e a tabela 3.14 mostra para
fármaco básico. Depois você encontrará um exemplo de aplicação deste cálculo.

capítulo 3 • 74
Insolúvel pH – pKa = <–1,0

Solúvel em baixas concentrações pH – pKa = 0

Solúvel pH – pKa = > 2

Tabela 3.13  –  Relação da diferença entre pH e pKa com solubilidade de fármacos ácidos
(FERREIRA, 2002; FERREIRA, SOUZA; 2007).

Insolúvel pH – pKa = <–1,0

Solúvel em baixas concentrações pH – pKa = 1

Solúvel pH – pKa = > 2

Tabela 3.14  –  Relação da diferença entre pH e pKa com solubilidade de fármacos básicos
(FERREIRA, 2002; FERREIRA, SOUZA; 2007).

EXEMPLO
•  Exemplo de cálculo de pka e solubilidade

O ibuprofeno é um fármaco ácido, cujo pka é de 5,2. Qual valor de pH seria melhor para
solubilizar o ibuprofeno em água?
Utilizando a regra da tabela 3.13:
pH – pKa = 2
pH = 2 + pKa
pH = 2 + 5,2 = 7,2.

Para melhor solubilizar o ibuprofeno deve ser colocado em pH acima de 7,2.


Se aplicarmos a equação de Henderson Hasselbach:

Concentração não ionizada


pKa = pH + log
Concentração ionizada

Concentração não ionizada


5, 2 = 7, 2 + log
Concentração ionizada

capítulo 3 • 75
Concentração não ionizada
5, 2 − 7, 2 = log
Concentração ionizada
Concentração não ionizada
−2, 0 = log
Concentração ionizada
Concentração não ionizada
0, 01 =
Concentração ionizada

Ou seja, em pH 7,2 tem-se 100 vezes mais fármacos ionizados em relação a não ionizados.

Preparo geral de uma solução

Para o preparo de solução você deve seguir alguns passos importantes, como
ilustrado na tabela 3.15.

PESAGEM •  Cálculo da quantidade dos ativos.

•  Escolha do solvente de acordo com a solubilidade do fármaco;


SOLVENTE •  Verificar possíveis interações fármaco excipiente.

•  Verificar a necessidade de adjuvantes (conservantes, antioxi-


ADJUVANTES dantes, sequestrantes);
•  Se necessário escolher os corretivos de sabor.

•  Durante o preparo pode ser necessário aquecer e agitar, pois


PREPARO o aumento da temperatura e a agitação auxiliam a dissolução
dos componentes sólidos da formulação.

Tabela 3.15  –  Procedimento geral de preparo de soluções medicamentosas (FERREIRA,


2002).

No preparo da solução, um dos fatores que você deve tomar mais cuidado é
a solubilização dos ativos. Conforme você estudou no item 3.1.1 deste capítulo,
o aquecimento, a agitação e mudança de pH podem te ajudar na solubilização.
Para fármacos pouco solúveis no solvente a ser utilizado você pode colocar no
banho de ultrassom ou ainda adicionar co-solventes anfifílicos, como PEG 400
(FERREIRA, 2002; FERREIRA, SOUZA; 2007).

capítulo 3 • 76
Abaixo você encontrará um exemplo de formulação de solução oral.

EXEMPLO
•  Exemplo de formulação de solução oral (FERREIRA, SOUZA, 2007)

Solução oral de Amilorida cloridrato (FERREIRA, SOUZA, 2007)

Cloridrato de amilorida 0,1 g

Glicerina 40 mL

Metilparabeno 0,1 g

Água destilada qsp 100 mL

Modo de preparo:
1. Dissolver o metilparabeno em glicerina;
2. Adicionar o cloridrato de amilorida;
3. Agitar;
4. Adicionar água destilada até o volume de 100 mL;
5. Envasar;
6. Rotular.

Tipos de soluções medicamentosas:

99 Xarope;
99 Elixir;
99 Gotas orais.

•  Xarope
Xarope é uma formulação líquida com alta concentração de açúcar. Segundo
a Farmacopeia Brasileira (BRASIL, 2010):

É a forma farmacêutica aquosa caracterizada pela alta viscosidade, que apresenta não
menos que 45% (p/p) de sacarose ou outros açúcares na sua composição.

capítulo 3 • 77
São várias as vantagens do xarope como forma farmacêutica líquida, tais como:
99 Boa conservação (sol. Hipertônica);
99 Apropriados para fármacos hidrossolúveis;
99 Mascarar o sabor amargo do fármaco devido ao sabor adocicado.

Possui como desvantagem a alta concentração de sacarose. Por tal motivo,


como você pode ver no quadro 8, é contraindicado para pacientes diabéticos. Para
tais pacientes existe uma alternativa no preparo do xarope, utilizando formulações
“sugar free”.

EXEMPLO
•  Exemplo de formulação de xarope oficinal (FERREIRA, SOUZA, 2007)

Xarope Simples 100 mL (FERREIRA, SOUZA, 2007)


Sacarose ............................................................................ 85 g
Metilparabeno.................................................................. 0,15 g
Propilparabeno................................................................ 0,05 g
Água destilada q.s.p..................................................... 100 mL

Procedimento:
1. Pesar os componentes da formulação;
2. Dissolver os parabenos em quantidade suficiente de propilenoglicol;
3. Em recipiente adequado, dissolver a sacarose com auxílio de 50mL de água, e ba-
nho-maria, com agitação constante (Temperatura menor que 80 ºC~;
4. Esfriar, completar o volume com água, homogeneizar;
5. Filtrar em gaze.

Apesar da alta quantidade de sacarose dificultar o crescimento de microrganis-


mos a adição de metilparabeno e propilparabeno é recomendado quando o xarope
não for consumido de imediato, pois existem alguns microrganismos osmotole-
rantes (FERREIRA, 2002; FERREIRA, SOUZA; 2007).
Um cuidado importante no preparo do xarope é não aquecer mais que 80 ºC,
pois em temperaturas maiores que esta, ocorre a formação do açúcar invertido. As
soluções de sacarose são dextrógenas, à medida que se aquece essa solução ocorre

capítulo 3 • 78
a hidrólise da sacarose e a formação de glicose e frutose que invertem a rotação da
luz polarizada. Esta hidrólise pode levar ao escurecimento do xarope (FERREIRA,
2002; FERREIRA, SOUZA; 2007).
A adição de glicerina ou sorbitol ao xarope pode diminuir sua cristalização,
pois aumenta a solubilidade dos componentes da formulação.

EXEMPLO
•  Exemplo de formulação de xarope “sugar free” (FERREIRA, 2002).

Xarope “sugar free” (FERREIRA, 2002)


CMC-Na (média viscosidade)................................ 2,0%
Metilparabeno......................................................... 0,15%
Sacarina sódica....................................................... 0,1%
Ciclamato sódico..................................................... 0,05%

Procedimento:
1. Pesar os componentes da formulação;
2. Dissolver o metilparabeno em água quente;
3. Adicionar aos poucos a CMC até sua dissolução;
4. Adicionar o restante da formulação;
5. Embalar e rotular.

No xarope mostrado no quadro 8, a sacarina e o ciclamato são os edulcoran-


tes, substitutos da sacarose. A Carboximetilcelulose (CMC) aumentará a viscosi-
dade da formulação, ficando semelhante ao xarope oficinal (simples).
Para adicionar o ativo ao xarope alguns cuidados podem ser tomados
(FERREIRA, 2002):

ATIVO SOLÚVEL NO XAROPE Pode adicionar diretamente a formulação.

Recomenda-se triturar ativo com propile-


POUCO SOLÚVEL noglicol ou outro co-solvente em graal e
pistilo antes de adicionar na formulação

Acrescentar a tintura e depois o xarope.


TINTURAS OU EXTRATOS FLUIDOS Pode haver precipitação.

capítulo 3 • 79
Abaixo você encontrará uma composição de xarope.

EXEMPLO
•  Exemplo de aditivação de xarope (FERREIRA, SOUZA, 2007)

Xarope de guaiafenesina
Guaiafenesina.................................................... 2,0 g
Mentol................................................................ 0,01 g
Álcool etílico....................................................... qs
Glicerina............................................................. 10 mL
Flavorizante......................................................... 0,5 mL
Xarope simples qsp................................................. 100 mL

Procedimento:
1. Pesar os componentes;
2. Dissolver o mentol em quantidade suficiente de álcool etílico;
3. Triturar a guaiafenesina com glicerina e adicionar no passo 2;
4. Adicionar o xarope simples e o flavorizante;
5. Embalar e rotular.

•  Elixir
Elixires são formulações líquidas obtidas por dissolução do ativo em solução
hidroalcoólica. Segundo a Farmacopeia Brasileira (2010):

É a preparação farmacêutica, líquida, límpida, hidroalcoólica, de sabor adocicado, agra-


dável, apresentando teor alcoólico na faixa de 20% a 50% (BRASIL, 2010).

Pode conter em sua formulação diferentes sistemas solventes e co-solventes


como a glicerina, propilenoglicol e polietilenoglicol de baixo PM. O Elixir, devi-
do ao alto teor de álcool etílico, pode veicular fármacos insolúveis em água. Por
possuir menos sacarose, é menos doce e viscoso que o xarope (FERREIRA, 2002;
FERREIRA, SOUZA; 2007).

capítulo 3 • 80
Sua principal desvantagem é que, devido ao alto teor de álcool, é contrain-
dicado para crianças, idosos e adultos que devem evitar o álcool. Abaixo você
encontrará um exemplo de elixir.

EXEMPLO
•  Exemplo de formulação de elixir (FERREIRA, SOUZA; 2007).

Elixir de fenobarbital
Fenobarbital................................................... 0,4 g
Óleo de laranja ......................................................... 0,025 g
Álcool etílico....................................................... 20 mL
Propilenoglicol............................................................. 10 mL
Sorbitol 70%................................................................ 60 mL
Corante qsp
Água destilada qsp................................................. 100 mL

Procedimento:
1. Pesar os componentes da formulação;
2. Triturar o fenobarbital com álcool etílico, propilenoglicol e o sorbitol;
3. Adicionar o óleo de laranja e o corante;
4. Ajustar o volume com água destilada;
5. Ajustar o pH entre 6 a 6,5 (devido a estabilidade do fenobarbital).

•  Gotas orais
As gotas orais podem ser soluções e suspensões orais administradas em peque-
nos volumes. Para tanto se utiliza um conta gotas ou frasco gotejador. As gotas
orais, como toda solução medicamentosa, também devem ter o cuidado de dis-
solver adequadamente os ativos na formulação (FERREIRA, 2002; FERREIRA,
SOUZA; 2007). A seguir vemos um exemplo de formulação de gotas orais.

capítulo 3 • 81
EXEMPLO
•  Exemplo de formulação de gotas orais (FERREIRA, SOUZA; 2007).

Gotas orais de fenobarbital


Fenobarbital sódico........................................... 3,27 g
Glicerina........................................................... 60 mL
NaOH 0,1 N...................................................... qsp pH 9,4
Água destilada qsp............................................ 100 mL

Procedimento:
1. Pesar os componentes da formulação;
2. Diluir o fenobarbital sódico em qs de água destilada;
3. Adicionar glicerina e misturar;
4. Ajustar o pH com NaOH até 9,4;
5. Completar o volume final com água destilada;
6. Envasar e rotular.

ATIVIDADES
01. O quadro 12 ilustrou uma formulação de gotas orais de fenobarbital sódico. Conside-
rando o fenobarbital um fármaco ácido com pKa de 7,3, como você justificaria a necessidade
de ajustar o pH da formulação a 9,4? O que acontecerá se esse ajuste não for realizado?

02. Quais as vantagens e desvantagens das formulações líquidas? Descreva os pontos e os


cuidados necessários no preparo dessas formulações.

REFLEXÃO
As formas farmacêuticas líquidas são excelentes alternativas na terapêutica, principal-
mente para pacientes com dificuldade de deglutição, incluindo crianças e idosos.
Porém, seu preparo exige um criterioso estudo frente à estabilidade do ativo, pois as
reações químicas são aceleradas quando as substâncias estão dissolvidas em um solvente,
principalmente a água.

capítulo 3 • 82
Além disso, o farmacêutico deve estudar a solubilidade do composto no solvente que
será usado, pois, para o correto preparo destas formas farmacêuticas se faz necessário a
completa dissolução do ativo, ressaltando que este deve permanecer em solução durante
todo o prazo de validade.
Fica também sob a responsabilidade do farmacêutico o correto mascaramento do sabor
amargo dos fármacos, outro desafio desta importante forma farmacêutica. Portanto, a forma
farmacêutica líquida de uso oral é, na maioria das vezes, mais complexa que a sólida, sendo
assim, você deve buscar o conhecimento dos pontos críticos para que você possa garantir
que o produto tenha eficácia e qualidade adequadas.

LEITURA
FERREIRA, A. O.; SOUZA, G. F. Flavorização de preparações orais in: Preparações orais líquidas.
2ªedição. São Paulo: Pharmabooks, 2007, p.65 -87. Este capítulo do livro traz informações importantes
sobre técnicas de Flavorização.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANSEL, H.C. et al. Farmacotécnica - Formas farmacêuticas e Sistemas de Liberação de Fármacos -
8ª Ed., Porto Alegre, Artmed, 2007, 776 p.
AULTON, M. Delineamento de Formas Farmacêuticas 2a. edição. Editora Artmed. 2005.
BATISTA, G. D.; SIQUEIRA, A.P. N. D. F. Avaliação de diferentes associações de flavorizantes.
Revista do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão do UNIPAM (6): 87-95, out. 2009.
BRASIL. Farmacopeia Brasileira, volume 2 / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília:
Anvisa, 2010. 546p.
BRASIL. Resolução RDC 67, de 08 de outubro de 2007. Dispõe sobre as Boas Práticas de
Manipulação de Medicamentos para Uso Humano em Farmácias e seus anexos, ANVISA,
Diário Oficial da União de 09/10/2007, p. 29 a 58.
FERREIRA, A. O. Guia Prático da Farmácia Magistral. Juiz de Fora, 2ª edição, p. 2, 2002.
FERREIRA, A. O.; SOUZA, G. F. Preparações orais líquidas. 2ªedição. São Paulo: Pharmabooks,
2007, 606p.
PRISTA, L. V. N. - Técnica Farmacêutica e Farmácia Galênica. 5ª ed., Lisboa 3 vol., Ed. Calouste
Gulbekian, 1995.

capítulo 3 • 83
capítulo 3 • 84
4
Formas
farmacêuticas
obtidas por
dissolução extrativa
Formas farmacêuticas obtidas por dissolução
extrativa

As formas farmacêuticas líquidas obtidas por dissoluções extrativas, conheci-


das por soluções extrativas, são as principais formas farmacêuticas das drogas ve-
getais. As drogas vegetais possuem uma composição heterogênea, que dificilmente
serão administrados sem nenhum processo extrativo.
Porém, para aumentar o interesse nas drogas vegetais, estas passam por uma
dissolução parcial dos seus ativos em um solvente adequado. Entenda que nem to-
dos os componentes serão de interesse terapêutico, por isso, o solvente deve extrair
seletivamente os compostos de interesse restando somente um resíduo (parte da
droga vegetal que não se dissolveu).
No capítulo 4, você verá informações importantes das formas farmacêuticas
líquidas obtidas por dissolução extrativas. Detalhes importantes sobre os funda-
mentos da extração, processos que afetam extração de ativos bem como os diversos
métodos de preparo dessas soluções extrativas também serão abordados.

OBJETIVOS
•  Conhecer os fundamentos dos processos extrativos;
•  Reconhecer os fatores que influenciam na extração de ativos;
•  Aprender os diferentes métodos de extração;
•  Aprender o conceito e preparo de tinturas e alcoolaturas.

Soluções extrativas

Os processos de extração são muito importantes, pois as drogas vegetais repre-


sentam uma importante alternativa na terapêutica. O uso das plantas medicinais
direcionado ao tratamento de doenças está presente desde os primórdios da civi-
lização, quando o homem começou um longo percurso de manuseio, adaptação
e modificação dos recursos naturais para o seu próprio benefício (STASIL,1996).

capítulo 4 • 86
Sendo assim, as técnicas extrativas são de conhecimento do homem há muito
tempo, principalmente a maceração, depois diversas outras técnicas foram desen-
volvidas, utilizando o calor e outros solventes para auxílio da dissolução dos ativos.
A extração de drogas é a separação por meios físicos e químicos de um material
sólido de um líquido, ou sólido de um sólido ou ainda um líquido de um líquido,
como as drogas vegetais normalmente estão no estado sólido, os processos extrati-
vos que serão abordados são extração sólido/líquido (WIJESEKERA, 1991).

Fundamentos dos processos extrativos

No processo de extração ocorre o inverso do que ocorre no processo de seca-


gem, pois a matéria-prima vegetal obtida para o preparo das soluções extrativas
vem como droga seca (MARTINS et al., 2017).
No processo de secagem das drogas vegetais, a maior parte da água foi remo-
vida, por evaporação, sendo assim, as células vegetais encontram-se cheias de ar e
seus conteúdos encontram-se precipitados na forma de sólidos amorfos ou crista-
linos (MARTINS et al., 2017).
Quando a planta medicinal seca entra em contato com o solvente, este penetra
nas suas células expulsando o ar contido no citoplasma e reidrata o protoplasma,
recompondo-se, assim, o suco celular por redissolução dos compostos precipita-
dos durante a secagem. Depois de restabelecido o estado normal do protoplasma
pelo solvente, inicia-se a extração dos componentes (PRISTA et al., 1995).
Note aqui que está ocorrendo dois processos paralelos, a lixiviação das subs-
tâncias solúveis de células rompidas e a dissolução e difusão das substâncias so-
lúveis das células intactas. Como o processo de difusão requer etapas de umede-
cimento e intumescimento, a fim de aumentar a permeabilidade da membrana,
ocorre lentamente, enquanto o processo de lixiviação é mais rápido (SHARAPIN
et al., 2000; CORREIA, 2006).
A lixiviação envolve a solubilização de um composto, que é geralmente cha-
mado de soluto, de sua mistura com um sólido inerte, usando um solvente especí-
fico. Esta transferência de um soluto de uma matriz sólida através de um solvente
é uma operação de transferência de massa e a força motriz para esta transferência
é a diferença de concentração ou um gradiente de concentração (MARTINS et
al., 2017).

capítulo 4 • 87
A extração de tecidos vegetais pode ser descrita por dois mecanismos princi-
pais (MARTINS et al., 2017):
•  Lavagem ou nascente dos compostos de células danificadas ou quebradas;
•  Penetração dos solventes através da estrutura do tecido, seguidas de solubi-
lização de compostos e migração para fora do tecido.

A difusão de solventes e dos componentes é o fenômeno que rege o segundo


mecanismo, conforme mostra a figura 4.1. Primeiramente, o solvente se difunde
para o interior do tecido e célula vegetal, inchando a célula e solubilizando os com-
ponentes, em seguida ocorre a saída do solvente contendo os componentes solúveis
para fora das células, indo para a solução extrativa. O inchaço dos tecidos/células
desempenha um papel importante na extração, uma vez que pode aumentar a per-
meabilidade das paredes das células e aumentar a difusão (MARTINS et al., 2017).

Solvente

Tecido
planta seca

Dissolução de
composto no
solvente

Difusão do soluto
para fora do
tecido

Figura 4.1  –  Difusão de solventes e componentes.

A entrada do solvente e a saída possuem como força motriz a diferença de


concentração, seguindo, portanto, a lei de difusão de Fick´s, dada pela equação 1
para uma mistura binária e apresentando difusiva velocidade em relação ao volu-
me de média velocidade, equação 1 (MARTINS et al., 2017):
dc A dcB
J A = −D AB e JB = −DBA
dx dx

capítulo 4 • 88
Onde:
•  JA = fluxo de entidade A em mol por área x tempo;
•  dcA/dx = gradiente de concentração; e
•  DAB= coeficiente de difusividade de A em B (MARTINS et al., 2017).

Preste atenção que a se a força de difusão é a diferença de concentração, esta


leva o composto do local de maior concentração para o de menor concentração, e
esta diferença tende a ir reduzindo ao longo do tempo de extração. Quando atinge
o limite de transferência de massa, ou seja, quando a concentração em drogas e
solvente torna-se igual em ambas às fases, chamado de equilíbrio, cessa a transfe-
rência líquida de compostos (MARTINS et al., 2017).

Fatores que influenciam os processos extrativos

Existem diversas variáveis que interferem no processo extrativo, como ilustra


a figura 4.2.

Estado
Temperatura Divisão da
droga vegetal

Agitação pH

Processo
Solvente extração

Figura 4.2  –  Fatores que influenciam os processos extrativos (CORREIA, 2006).

Estado de divisão da droga

Uma das etapas essenciais na produção de soluções extrativas é a penetra-


ção do solvente nos tecidos e células vegetais, conforme discutido anteriormente.
Sendo assim, pós muito grossos dificultam a penetração do solvente, podendo
ocasionar uma extração incompleta devido à pobre e lenta penetração do solvente

capítulo 4 • 89
no tecido vegetal. Além disso, dificulta a saída dos componentes extraídos. Porém,
pós muito finos podem causar problemas como a sua compactação, dificultando a
passagem do solvente no caso de percolação ou passagem das partículas mais finas
para o extrato, conferindo uma aparência turva no caso da maceração. A utilização
de pós moderadamente grossos é mais adequada para extração (SHARAPIN et al.,
2000; CORREIA, 2006).

Agitação

Como descrito, a extração tende a terminar quando ocorre o equilíbrio de


saturação, neste sentido a agitação auxilia no processo extrativo por colocar o
solvente menos concentrado em contato com o sólido, deslocando assim, o equi-
líbrio no sentido da saturação (CORREIA, 2006; TEIXEIRA, 2010).

Temperatura

Como a solubilidade das substâncias a serem extraídas varia com a tempera-


tura, o processo de dissolução é facilitado com o aumento desta. Porém você deve
se preocupar se as substâncias de interesse são termolábeis, caso elas forem, podem
ser destruídas, em parte ou completamente, em temperaturas elevadas. Ressalta-
se que as substâncias voláteis também podem ser perdidas com emprego do calor
(CORREIA, 2006).

pH

Esta variável também influencia na solubilidade pela formação de sais, tendo,


portanto, um papel importante na seletividade. A solubilidade de um ácido fraco
ou base fraca é influenciada pelo grau de ionização de suas moléculas. A molécula
ionizada é mais solúvel em solventes polares. A influência dessa ionização pode
ser determinada pela equação de Henderson Hasselbach (FERREIRA, SOUZA;
2007):
Concentração protonada
pKa = pH + log
Concentração não protonada

capítulo 4 • 90
Ou seja, para fármacos ácidos:
HA → H+ + A–
Concentração não ionizada
pKa = pH + log
Concentraçãoionizada

Para fármacos básicos:


B + H+ → BH+
Concentraçãoionizada
pKa = pH + log
Concentração não ionizada

Esse assunto foi tratado no capítulo 3 com maiores detalhes. É recomendado


que você voltasse e relembrasse a influência do pH na solubilidade de fármacos.

Solvente

A escolha do solvente a ser usado no preparo de soluções extrativas deve ser


analisada com cautela, pois deve levar em consideração a solubilidade do ativo a
ser extraído bem como a toxicidade, sobretudo daquelas que se destinem a uso
interno (MARTINS, et al. 2017).
Nos últimos anos, restrições em vários solventes foram instituídas por agên-
cias reguladoras, reduzindo drasticamente as opções para medicamentos fitoterá-
picos. Os solventes devem ser atóxicos, de baixo custo e seletivo na extração dos
compostos com atividade biológica (MARTINS, et al. 2017).
A quantidade ou o volume do solvente também deve ser considerado, bem
como, por exemplo, a possibilidade de sua recuperação por destilação, que tam-
bém está ligada a questões de custo. Entre os solventes mais utilizados, hoje, tendo
em conta as considerações acima, são água e etanol, bem como suas misturas em
proporções diferentes. Ainda pode haver mencionado benzina, n-hexano, dicloro-
metano, éter de etilo, metanol, acetona e acetato de etila. No entanto, como disse
antes, a visão contemporânea para a escolha de solventes deve incluir também
questões ambientais (MARTINS, et al. 2017).
Na escolha do solvente ou misturas de solvente baseado na dissolução você
deve se preocupar com a solubilidade, lembre-se que esta característica está con-
dicionada a polaridade que ela e o solvente possuem (MARTINS, et al. 2017).

capítulo 4 • 91
A constante dielétrica refere-se às propriedades eletrônicas do solvente, sendo
que quanto mais polar for o solvente, maior será a constante dielétrica. Sendo
assim, compostos polares (altamente ionizáveis) dissolverão em solventes com alta
constante dielétrica (ε) e, ao contrário para compostos apolares, que se dissolvem
em solventes com baixa constante dielétrica (ε) (SHARAPIN et al. 2000).
O que foi dito no capítulo 3, “Semelhante dissolve Semelhante”. A constante
dielétrica auxilia na substituição e nas misturas de solventes, pois se o composto a
ser extraído possui solubilidade ótima em um solvente tóxico, este pode ser subs-
tituído por outro solvente ou por misturas de solventes com a mesma constante
dielétrica do considerado tóxico (SHARAPIN et al. 2000).
A constante dielétrica de misturas de solventes pode ser calculada pela equação:
( ε A x % A ) + εB x %B) + εC x %C)
εm =
100

Onde
εm = constante dielétrica das misturas de solventes A, B e C;
εA = constante dielétrica do solvente A;
εB = constante dielétrica do solvente B;
εC = constante dielétrica do solvente C;
%A = porcentagem do solvente A;
%B = porcentagem do solvente B;
%C = porcentagem do solvente C.

Processo de extração

Na escolha de um processo extrativo devem ser analisados diversos fatores,


entre eles a rapidez do método, o custo, a extração exaustiva dos princípios ati-
vos, sua simplicidade e a capacidade de automatização (WIJESEKERA, 1991;
SHARAPIN et al., 2000).
Você irá notar à medida que você prosseguir a leitura deste capítulo que
existe uma variedade de processos de extração. Estes podem ser classificados em
(WIJESEKERA, 1991; SHARAPIN et al., 2000):
•  Processos que resultam no equilíbrio de concentração entre o soluto e o
resíduo
•  Processos que a droga é extraída exaustivamente

capítulo 4 • 92
Deve ficar claro que qualquer um dos métodos de equilíbrio mostrados na
tabela 4.1 pode ser operado como uma extração exaustiva também, para isso é
só realizar a extração em batelada, usando o mesmo material de planta (droga),
porém colocando solvente fresco em cada estágio (CORREIA, 2006).
A desvantagem da extração exaustiva é o alto consumo de solvente, mas a van-
tagem é a remoção completa dos ativos de interesse (CORREIA, 2006).

•  Maceração;
•  Maceração dinâmica;
•  Digestão;
EQUILÍBRIO •  Remaceração;
•  Turbólise;
•  Fluido supercrítico;
•  Microondas e Ultrassom.

•  Soxhlet;
•  Percolação;
EXAUSTIVA •  Repercolação;
•  Extração contra corrente.

Tabela 4.1  –  Processos extração (MARTINS et al., 2017).

Processos que estabelecem uma concentração de equilíbrio

Os processos que estabelecem uma concentração de equilíbrio são aqueles


no qual a extração finda, quando o gradiente entre a micela (extrato fluido) e o
resíduo torna-se zero. Numerosos fatores afetam o equilíbrio, tais como tipo e
quantidade da droga, umidade, seletividade e quantidade do solvente empregado
(LIST; SCHMIDT, 1989).

Maceração

A maceração consiste em deixar em contato a droga com o solvente extrator


por algum tempo. No final da extração o macerado é filtrado e pressionado [1,2].
Este é um dos métodos de extração mais utilizados, pois é um método simples e
de grande versatilidade, podendo ser usado tanto para pequenas quantidades de

capítulo 4 • 93
drogas quanto a quantidades industriais (WIJESEKERA, 1991). A versatilidade
deste método é insubstituível, porém há algumas desvantagens como a lentidão e
a não extração exaustiva da droga (LIST; SCHMIDT, 1989).
A lentidão e a extração incompleta ocorrem devido a não renovação do solven-
te de extração. No entanto, na tentativa de alcançar o equilíbrio de difusão, o tem-
po de contato do material vegetal com o líquido extrativo pode ser de muitos dias
ou mesmo semanas, o que podem comprometer a estabilidade química de alguns
compostos. Estes podem ser componentes importantes para a atividade biológica
do extrato e podem sofrer hidrólise ou outra degradação química. Você deve se
preocupar também com a contaminação microbiológica, caso haja baixas con-
centrações de solventes orgânicos em misturas aquosas (MARTINS et al., 2017).
Ressalta-se que equipamentos de maceração possuem um investimento inicial
e custos operacionais baixos, porém, as desvantagens citadas anteriormente pode
limitar sua aplicação em muitos casos (MARTINS et al., 2017).
Este processo depende de fatores (SHARAPIN et al., 2000), conforme ilustra
a tabela 4.2.

•  Natureza
DROGA •  Granulometria
•  Umidade

•  Seletividade
SOLVENTE •  Quantidade

Tabela 4.2  –  Fatores que influenciam a maceração (MARTINS et al., 2017).

O intumescimento da droga é fator importante porque aumenta a permeabi-


lidade da parede celular, aumentando a difusão do solvente (SHARAPIN et al.,
2000). Para superar as limitações de maceração, foram propostas diversas modifi-
cações, mas mantendo a principal vantagem, que é na verdade a simplicidade do
método. Os métodos mais importantes derivados de maceração são a digestão, a
maceração dinâmica e a remaceração (MARTINS et al., 2017).
•  Maceração dinâmica
A maceração dinâmica ou cinética é um método aprimorado da maceração
no qual utiliza a agitação do meio extrator. Como dito anteriormente, a agitação

capítulo 4 • 94
promove um contato mais íntimo entre a droga e o solvente, reduzindo o efeito de
camada limite (MARTINS et al., 2017).
Como na extração a transferência de massa é limitada pelo gradiente de con-
centração, as camadas de solvente perto da superfície sólida estão mais concentra-
das e sua concentração diminui, enquanto se move longe da superfície do sólido.
Isso dificulta a transferência de massa em um sistema sem agitação, pois diminui
a força motriz para o processo de difusão. Quando o líquido ou o solvente se mo-
vimentam devido à agitação do meio extrator aumenta-se a transferência de massa
devido a turbulência. No entanto, mesmo com agitação uma camada de fluido
estático ainda permanece (filme estagnado) que diminui de espessura à medida
que aumenta a velocidade do líquido (MCCABE, 2004).
A maceração dinâmica é geralmente realizada em tanques agitados convencio-
nais e pode ser realizada com uma variedade de impulsores de agitação e outras
geometrias tanque (MARTINS et al., 2017).

•  Digestão
Outro processo derivado da maceração é a digestão, que consiste na mace-
ração com aquecimento. Pode utilizar a maceração dinâmica e o aquecimento,
permitindo um aumento da eficiência de extração e redução do tempo. Apesar
de aumentar a eficiência, a digestão e ainda não é capaz de esgotar a droga e o
aumento da temperatura pode comprometer a composição de ativos termolábeis
(MARTINS et al., 2017).
Os equipamentos para realizar a digestão possuem um custo maior que a ma-
ceração, mas com a diminuição do tempo de extração e a possibilidade de utili-
zar menor quantidade de solvente pode levar a uma diminuição de custo. Preste
atenção aqui que você não pode afirmar um maior ou menor custo em relação à
maceração, pois um estudo de custo para cada droga vegetal deve ser realizado
para uma comparação mais efetiva (MARTINS et al., 2017).

•  Remaceração
A remaceração é semelhante a maceração convencional, a diferença é que o
líquido de extração é substituído após o sistema atingir o equilíbrio de difusão.
Repete-se este processo até que a capacidade extrativa se esgotar. Apesar da eficiên-
cia de extração, os tempos de processo são na ordem de dias. Este pode ser classifi-
cado também como um processo exaustivo de extração. Outras desvantagens deste

capítulo 4 • 95
método é necessidade de usar grandes volumes de solventes e grandes espaços na
planta industrial, aumentando os custos operacionais (MARTINS et al., 2017).

Extração de Turbo

A extração de turbo, também chamado de turbólise difere da maceração dinâ-


mica pelo tipo de agitador e a velocidade de rotação. Na extração de turbo, a agita-
ção é feita por um misturador de alto cisalhamento, que é mais parecido com um
moinho coloidal do que um agitador. A alta velocidade de agitação promove uma
diminuição no tamanho de partículas, o que aumenta a superfície de contato com
o solvente. Além disso, como descrito no item 4.1.1.1 deste capítulo, o aumento
da velocidade favorece a extração. Portanto, uma das vantagens da turbólise é o
tempo curto de extração, baixo consumo de solvente, alta eficiência de extração e
equipamento de moderado investimento e custo operacional (MARTINS et al.,
2017).

Extração por fluido supercrítico

Fluido supercrítico é definido “qualquer substância cujo estado termodi-


nâmico de pressão e temperatura esteja acima do ponto crítico” (BARRETO,
CANUTO, 2007). Para você entender o que é um fluido supercrítico, deve re-
lembrar alguns conceitos de termodinâmica.
Existem três estados físicos da matéria, sólido, líquido e gasoso. Os sólidos
são rígidos e possuem formas definidas, os líquidos são fluidos condensados tão
densos quanto os sólidos, porém toma a forma do recipiente que os contêm, os
gases são fluidos que não possuem nem volume nem forma definida. Estes estados
físicos da matéria dependem dos valores de temperatura e pressão (BARRETO,
CANUTO, 2007).

À medida que a pressão aumenta, a compressibilidade da fase gasosa diminui, e densi-


dade aumenta; da mesma forma, à medida que a temperatura aumenta, a viscosidade e
a densidade da fase líquida diminuem. Caminhando sobre a linha de coexistência líqui-
da/ gás, as diferenças entre as fases líquida e gasosa vão diminuindo até o chamado
ponto crítico (critical point): a partir deste ponto, conhecida como região supercrítica, a
transição entre a fase líquida e gasosa não é mais visível através da descontinuidade
das propriedades macroscópicas (BARRETO, CANUTO, 2007).

capítulo 4 • 96
Sendo assim, as propriedades físicas de um fluido supercrítico são intermediá-
rias entre um típico gás e líquidos, possuindo baixa viscosidade como um gás, alta
densidade como os líquidos e propriedades de difusão intermediária entre gases e
líquidos, o que promove maior capacidade de solvatação para diversas substâncias
(MARTINS et al., 2017).
Note que a extração das substâncias, utilizando fluido supercrítico, possui alta
eficiência devido a maior capacidade de difusão dos fluidos supercríticos do que a
dos líquidos e devido à semelhança entre a viscosidade dos fluidos supercríticos e
dos gases. Além disso, outras propriedades, tais como capacidade calorífica e con-
dutividade térmica, fazem deste método uma alternativa importante na extração
de ativos de drogas vegetais (MARTINS et al., 2017).
Sendo assim, a extração de compostos a partir de fontes naturais é a mais
amplamente estudada aplicação de fluidos supercríticos (MARTINS et al., 2017).
A figura 4.3 mostra as vantagens do uso do fluido supercrítico na extração de
drogas vegetais (MARTINS et al., 2017).

Modulação contínua Solventes orgânicos


do solvente menos poluentes

Flexibilidade

Eliminação do solvente
utilizado após o Maior eficiência
processo de extração e seletividade

Figura 4.3  –  Vantagens da extração por fluido supercrítico (MARTINS et al., 2017).

A maior eficiência e seletividade deste processo de extração pode ser explicada


por diversas maneiras (MARTINS et al., 2017).
•  Rapidez da transferência de massa devido à facilidade que o fluido supercrí-
tico possui de penetrar os poros de materiais sólidos;
•  Contínuo bombardeamento do fluido supercrítico na droga vegetal poden-
do fornecer completa extração;
•  Poder de solvatação do fluido pode ser manipulado por mudanças na pres-
são / temperatura e adição de co-solvente promovendo alta seletividade;

capítulo 4 • 97
•  Facilidade de separação entre o solvente e o material extraído, não exigindo
etapas subsequentes de filtração e concentração.

A desvantagem deste método de extração é o alto custo do equipamento e


altos custos operacionais, além disso, este processo requer alta demanda de energia
e mão de obra qualificada (MARTINS et al., 2017).
A tabela 4.3 mostra solventes que são usados nos processos de extração utili-
zando fluido supercrítico:

TEMPERATURA PRESSÃO CRÍTICA


SOLVENTES CRÍTICA (° C) (MPA)
Etileno 9.4 5.04
Dióxido de carbono 31,1 7,38
Etano 32,3 4,87
Óxido nitroso 36,6 7.26
Propano 96.8 4,25
n-hexano 234.5 3.01
Acetona 235.1 4.70
Metanol 239.6 8,09
Álcool etílico 240.9 6.14
Acetato de etila 250,2 3.83
Água 374,1 22.06
TC – temperatura crítica, Pc - pressão crítical.

Tabela 4.3  –  Solventes, com suas respectivas temperaturas e pressões de crítica (MAR-
TINS et al., 2017).

Extração por ultrassom

Iniciou-se o uso do ultrassom em 1950, para aumentar o rendimento e acele-


rar o processo de extração (VINATORU, 2001). Atualmente é amplamente usada
na extração de diferentes plantas (VELICKOVIC et.al., 2005).
Frequência acima de 20.000 Hz produz um aumento de permeabilidade da
parede celular, redução do tamanho das partículas, aumento do estresse mecânico

capítulo 4 • 98
nas células e aumento da transferência de massa via formação de cavidades (LIST;
SCHMIDT, 1989). Outro benefício deste processo extrativo é o aumento do
processo de hidratação e fragmentação da planta (VELICKOVIC et al., 2005),
levando ao aumento no rendimento a temperaturas mais baixas e a menor tempo
de extração e em alguns casos uma extração mais seletiva (VINATORU, 2001).
As vibrações de alta frequência (ultrassom) provocam cavitação e aceleram
a extração. Cavitação é a geração de "cavidades" no interior do líquido. O mo-
vimento rápido do fluido gera queda localizada de pressão, que pode evaporar o
solvente e formar bolhas. Quando as bolhas encontram regiões de maior pressão
elas estouram e promovem um aumento de temperatura e altas tensões mecânicas
e elevação da temperatura, promovendo uma maior interação entre as fases sólidas
e líquidas, reduzindo a resistência à transferência de massa explicada anteriormen-
te (MARTINS et al., 2017).
Portanto, o ultrassom é uma técnica de extração de alta eficiência que pode ser
executada em poucos minutos. Porém sua desvantagem é o alto custo dos equipa-
mentos e alto gasto de energia. Além disso, alguns ativos podem sofrer degradação
com a alta frequência aplicada (TEIXEIRA, 2010; MARTINS et al., 2017).

Extração por micro-ondas

Em 1986 aparece a primeira publicação que descreve a extração por micro


-ondas de compostos orgânicos. A principal vantagem desta extração é o uso de
pouca quantidade de solvente e o rápido aquecimento deste (TEIXEIRA, 2010).
Micro-ondas são ondas eletromagnéticas, não-ionizantes, que oscilam em
dois campos perpendiculares, o campo elétrico e o magnético. As frequências es-
tão entre 0.3-300 GHz, portanto, localizadas entre os raios-x e infravermelho no
espectro eletromagnético, esta é capaz de penetrar a certos materiais e interagir
com moléculas polares tais como a água produzindo e liberando calor (MARTINS
et al., 2017).
A água dentro da planta absorve a energia de micro-ondas, causando ruptura
celular causada pelo superaquecimento interno, facilitando a extração de produtos
químicos da matriz. Esse efeito é dependente da constante dielétrica do solvente,
portanto melhor eficiência de extração é conseguida com solvente de alta constan-
te dielétrica (MARTINS et al., 2017).
O tamanho das partículas influencia a eficiência de extração por micro-ondas.
O tamanho das partículas de matriz vegetal usado geralmente está na faixa de 100

capítulo 4 • 99
μm a 2 mm. Pós muito finos podem aumentar a extração, por terem uma maior
área superficial facilitando o contato sólido líquido e a difusão dos ativos.
Um detalhe importante que você deve considerar na extração por micro-on-
das é a quantidade de solvente adicionado na extração, pois este deve ser suficiente
para cobrir o material vegetal, pouco solvente dificulta a recuperação e um excesso
de solvente diminui a agitação do sistema, consequentemente diminui a eficiência
do processo (MARTINS et al., 2017).
A figura 4.4 ilustra as principais vantagens e desvantagens da extração por
micro-ondas.

Vantagens Desvantagens

Baixo tempo Alto custo do


de extração equipamento

Alto custo
Pouco solvente operacional

Baixa eficiência
Alto rendimento com compostos
e solventes
polares

Figura 4.4  –  Vantagens e desvantagens da extração por micro-ondas (TEIXEIRA, 2010;


MARTINS et al., 2017).

Processos que esgotam a droga

Os processos que esgotam a droga, também chamada extração exaustiva, é


definida como a completa remoção das substâncias desejadas (CORREIA, 2006).

Extração Soxhlet

Durante séculos a extração usando o Soxhlet foi considerada uma técnica pa-
drão de extração de bioativos, atualmente ainda é a técnica mais amplamente
utilizada e a de referência quando se deseja comparar a execução de outras técnicas
(CORREIA, 2006).

capítulo 4 • 100
Nesta técnica, esquematizada na fi-
gura 4.5 a amostra seca é colocada no
recipiente (2) acima do frasco contendo
o líquido extrator (1) e abaixo do con-
densador. Aquece-se o frasco contendo
o solvente, este se evapora, ascende até
o condensador, condensa e cai no fras-
co contendo a amostra. Quando o nível
de solvente na amostra ultrapassa seu li-
mite, ele transborda e goteja o frasco de
ebulição (1) (CORREIA, 2006).

Figura 4.5  –  Soxhlet. Disponível em: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/so-


xhlet-extractorpercolatorboiler-refluxdistillation-flask-on-heating-470597279>.

A figura 4.6 ilustra as vantagens e desvantagens desta técnica.

Vantagens Desvantagens

Solventes
Equipamento aquecidos até o
barato ponto de ebulição

Tempo de
Técnica simples extração alto

Não necessita Grande


de mão de obra quantidade
especializada de solvente

Extração Dificuldade de
exaustiva automatização

Figura 4.6  –  Vantagens e desvantagens da extração por Soxhlet (CORREIA, 2006).

capítulo 4 • 101
A extração por Soxhlet é uma extração exaustiva, note que o solvente que
entra em contato com a droga vegetal é sempre fresco, isto aliado à temperatura
relativamente elevada durante o processo, favorece a extração de compostos devi-
do a maior solubilidade (CORREIA, 2006).

Percolação

Outro método de extração exaustiva é a percolação. Na percolação simples, o


solvente é sempre renovado e com isso consome-se grande quantidade de solven-
te e longo tempo. Na repercolação a droga é inicialmente extraída com solven-
te puro, depois parte do percolado é extraída novamente em outro percolador,
aumentando o tempo de contato da droga com o solvente e com isso aumen-
tando a eficiência do método (LIST; SCHMIDT, 1989; WIJESEKERA, 1991;
SHARAPIN et al., 2000).
Este processo consiste em colocar a droga vegetal em um recipiente com tela
perfurada no inferior e o solvente é distribuído no topo e permeia a camada de pó,
impulsionada pela gravidade. Tome cuidado ao colocar o solvente, este deve ser
distribuído uniformemente em cima da camada de drogas, evitando a criação de
caminhos preferenciais ou canalizando para o solvente (CORREIA, 2006).
A figura 4.7 ilustra as vantagens e desvantagens desta técnica.

Vantagens Desvantagens

Baixo custo inicial Tempo de


e operacional extração alto

Grande
Técnica simples quantidade
de solvente

Não necessita
de mão de obra
especializada

Extração
exaustiva

Figura 4.7  –  Vantagens e desvantagens da extração por percolação (CORREIA, 2006).

capítulo 4 • 102
Extração contracorrente

O líquido extrator flui no sentido contrário à droga na extração em contracor-


rente, figura 4.8 (CORREIA, 2010).
Extrato
Solvente

Recipiente
Droga Droga esgotada

Figura 4.8  –  Esquema da extração em contracorrente, contínuo absoluto (AUTORES,


2017).

Existem três variantes deste processo de extração, tabela 4.4.

Planta e o solvente se movimentam em direções opostas e en-


CONTÍNUO contra-se num mesmo compartimento, a droga entra no compar-
ABSOLUTO timento e encontra o solvente enriquecido e na saída encontra
o solvente fresco.

CONTÍNUO Somente o líquido extrator se movimenta, enquanto a droga per-


RELATIVO manece estática e acondicionada em vários recipientes.

DESCONTÍNUO Tanto a droga quanto o solvente se movimentam, porém a droga


ABSOLUTO fica acondicionada em vários percoladores.

Tabela 4.4  –  Tipos de extração em contracorrente (CORREIA, 2006).

As figuras 4.9 e 4.10 ilustram as extrações contracorrente contínuo relativo e


descontínuo absoluto.

Solvente
Extrato
Recipiente Recipiente Recipiente
contendo contendo contendo
a droga a droga a droga

Figura 4.9  –  Esquema da extração em contracorrente, contínuo relativo (AUTORES, 2017).

capítulo 4 • 103
Solvente
Extrato

Recipiente Recipiente Recipiente Recipiente


Droga
Droga Esgotada

Figura 4.10  –  Esquema da extração em contracorrente, descontínuo absoluto (AUTORES,


2017).

Tinturas e alcoolaturas

Existem diversos tipos de soluções extrativas, dentre elas destacam-se as tin-


turas e as alcoolaturas. Alcoolatura é obtida pela ação do álcool (normalmente
na concentração de entre 70º GL e 80° GL) na droga vegetal fresca e a tintura
(normalmente na concentração de entre 60º GL e 85° GL) é preparada pela ação
do álcool através da droga vegetal seca (BRASIL, 2010).
A alcoolatura pode ser preparada por maceração, já a tintura pode ser pre-
parada por maceração ou percolação. No Quadro 1 encontra-se uma técnica de
preparo da alcoolatura, abaixo encontra-se exemplos de preparo de tintura por
maceração e percolação, respectivamente (BRASIL, 2010).

EXEMPLO
•  Procedimento de preparo da alcoolatura (BRASIL, 2010).

Modo de preparo:
1. Tomar uma amostra de peso definido de vegetal fresco, fracioná-la em fragmentos
suficientemente reduzidos, deixando-a em estufa à temperatura entre 100 e 105 ºC,
até peso constante;
2. Calcular a porcentagem do resíduo sólido na amostra;
3. Calcular o peso total do resíduo sólido contido no vegetal fresco;
4. O volume final de tintura-mãe a ser obtido é feito multiplicando o valor do resíduo
sólido contido no vegetal fresco por dez (10);

capítulo 4 • 104
5. Caso não haja especificação em monografias, o teor alcoólico durante e ao final da
extração deverá estar próximo a 60% (55 a 65%), obedecendo a seguinte orientação:
a) Utilizar álcool 90% (p/p) para resíduo sólido até 29% (plantas com alto
teor de água).
b) Utilizar álcool 80% (p/p) para resíduo sólido de 30 a 39% (plantas com
médio teor de água).
c) Utilizar álcool 70% (p/p) para resíduo sólido igual ou acima de 40%
(plantas com baixo teor de água).
6. Proceder a extração
•  Procedimento de preparo de tintura por maceração (BRASIL, 2010).

Modo de preparo:
1. Pesar o material vegetal (1:10 p/V) ou 10%;
2. Deixar o solvente em contato com a droga vegetal por 15 dias;
3. Agitar o recipiente diariamente;
4. Filtrar;
5. Prensar o resíduo, filtrar e juntar o líquido resultante dessa operação àquele ante-
riormente filtrado;
6. Deixar em repouso por 48 horas, filtrar e armazenar adequadamente;
7. Caso não haja especificação em monografias, o teor alcoólico durante e ao final da
extração deverá ser de 60% (V/V);
8. Armazenar e Rotular.
•  Procedimento de preparo de tintura por percolação (BRASIL, 2010).

Modo de preparo:
1. Colocar a droga vegetal dessecada, finamente dividida e tamisada (tamis 40 ou 60);
2. Adicionar, em recipiente adequado e bem vedado, o líquido extrator em quantidade
correspondente a 20 % do peso da droga para umedecer o pó;
3. Deixar em contato por 4 horas;
4. Transferir cuidadosamente para percolador de capacidade ideal, de forma a se evi-
tar a formação de canais preferenciais para o escoamento do solvente;
5. Colocar volume suficiente de líquido extrator para cobrir toda a droga e para a ob-
tenção da quantidade almejada de tintura-mãe;
6. Deixar em contato por 24 horas.

capítulo 4 • 105
ATIVIDADES
01. O processo de extração é descrito como o oposto a secagem, justifique essa afirmação
mostrando os fundamentos da extração.

02. Quais os fatores que influenciam a produção de formas farmacêuticas obtidas por dis-
solução extrativas?

03. Quais os métodos de preparo das tinturas?

REFLEXÃO
As plantas medicinais são uma excelente alternativa na terapêutica, porém as drogas
vegetais possuem uma composição heterogênea, que dificilmente serão administradas sem
nenhum processo extrativo. Sendo assim a solução extrativa é a principal forma farmacêutica
desta importante terapia.
Formas farmacêuticas líquidas obtidas por dissolução extrativa na maioria das vezes são
obtidas por extração sólido / líquido, pois as drogas vegetais estão na maioria das vezes no
estado sólido.
Você precisa ficar atento com as variáveis de um processo extrativo, pois o tamanho das
partículas, a agitação, a temperatura, o pH, o solvente e o processo extrativo influenciam na
eficiência e na qualidade dos extratos, tinturas e alcoolaturas.
Portanto, o conhecimento dos vários processos extrativos e o controle das diversas variá-
veis do processo permitirá obter uma solução extrativa de qualidade, auxiliando a terapêutica.

LEITURA
BRASIL. Farmacopeia Brasileira, volume 2 / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília:
Anvisa, 2010. 546p. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/hotsite/farmacopeiabrasileira/
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capítulo 4 • 106
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARRETO, R.; CANUTO, S. Fluidos Supercríticos. Introdução e Questionamento Geral. USP 2007.
BRASIL. Farmacopeia Brasileira, volume 2 / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa,
2010. 546p. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/hotsite/farmacopeiabrasileira/arquivos/
cp38_2010/x_metodos_preparacao_tintura.pdf>. Acesso em 10/09/17.
CORREIA, C. C. Padronização e otimização das condições de extração de Peumus boldus.
Dissertação de Mestrado apresentado a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Pretp/USP.
2006.
FERREIRA, A. O.; SOUZA, G. F. Preparações orais líquidas. 2ªedição. São Paulo: Pharmabooks,
2007, 606p.
LIST, P.H.; SCHMIDT, P.C. Phytopharmaceutical Technology. Boca Raton: CRC Press, p.374, 1989.
MARTINS, R. M.; FREITAS, L. V. D.; MONTES, ANA CAROLINA R.; FREITAS, L. A. P. Extraction
of bioactives from plants. In: Freitas, L. A.; Teixeira, C. C. C., Zamarioli, C. M.. (Org.). Recent
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92.
MCCABE, W.; SMITHM, J.; HARRIOTT, P. Unit Operations of Chemical Engineering. 7th edition,
McGraw Hill, London, 2004.
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capítulo 4 • 107
capítulo 4 • 108
5
Formas
farmacêuticas
sólidas
Formas farmacêuticas sólidas
As formas farmacêuticas sólidas são as mais utilizadas devido as suas inúmeras
vantagens, tais como maior estabilidade física e química, menor evidência do pa-
ladar desagradável, maior precisão de dose e possibilidade de modular a liberação
do fármaco.
Porém, é preciso ter cautela no seu preparo devido a problemas de resistência,
liberação e dissolução do fármaco. Sendo assim, é necessário verificar esses parâ-
metros para garantir a eficácia e segurança do tratamento.
No capítulo 5 você verá informações importantes das formas farmacêuticas
sólidas, tais como pós, granulados e comprimidos, além disso, serão abordados o
revestimento de comprimidos, drágeas e novas formas farmacêuticas.

OBJETIVOS
•  Conhecer as vantagens e desvantagens das formas farmacêuticas sólidas;
•  Reconhecer os pontos críticos no preparo e armazenamento;
•  Aprender o preparo de pós, granulados, comprimidos e cápsulas;
•  Aprender o conceito e preparo de Sistemas de Liberação Modificada de Fármacos.

As formas farmacêuticas sólidas são as mais utilizadas, devido às inúmeras


vantagens (FERREIRA, 2002). Na tabela 5.1, encontram-se as diversas vantagens
dessas formas farmacêuticas:

A presença de água nas formulações líquidas favorecem as


MAIOR reações químicas e o crescimento de microrganismos, sen-
ESTABILIDA do assim as formas farmacêuticas sólidas são mais estáveis
devido a ausência de água ou de outro solvente.

DISPENSADAS Pós, granulados, cápsulas e comprimidos são mais fáceis de


NA FORMA armazenar e transportar por estarem na forma compacta
COMPACTADA

capítulo 5 • 110
PALADARES As formas farmacêuticas líquidas possuem sabor mais pro-
DESAGRADÁVEIS nunciado que as sólidas, além disso quando o fármaco se
SÃO MENOS encontra no interior de uma cápsula ou comprimido revesti-
do o sabor desagradável é anulado.
EVIDENCIADOS
DOSES PRECISAS As formas famacêuticas unitárias, tais como cápsulas e
E MODIFICAÇÃO comprimidos, possuem doses mais precisas, além disso es-
DA LIBERAÇÃO sas formulações facilitam o desenvolvimento de sistemas de
liberação modificada.
DOS FÁRMACOS
Tabela 5.1  –  Vantagens das formas farmacêuticas líquidas (FERREIRA, 2002).

Porém, para um fármaco ser absorvido quando veiculado na forma farma-


cêutica sólida depende da desintegração desta e da dissolução do ativo. Fatores
como tamanho de partícula, solubilidade do fármaco e os adjuvantes utilizados
podem influenciar na velocidade de dissolução e consequentemente biodisponi-
bilidade. Portanto, esses pontos críticos devem ser cuidadosamente monitorados
(AULTON, 2005).

Pós

Pós quando utilizados como forma farmacêutica final refere-se à mistura con-
tendo o fármaco e outros adjuvantes pulvéreos, cujo tamanho varia de 0,1 a 10
μm. Os pós podem ser usados como intermediários na produção de granulados,
comprimidos e cápsulas ou ser dispensados na forma de (AULTON, 2005):
•  Pós divididos → Sachês e flaconetes;
•  Pós a granel;
•  Pós para reconstituição;
•  Pós para inalação;
•  Pós-efervescentes;
•  Pós para uso externo.

capítulo 5 • 111
A figura 5.1 mostra as principais vantagens e desvantagens dos pós como for-
ma farmacêutica final.
VANTAGENS
Mais estáveis
Dispensar em altas doses
Alta velocidade dissolução

Mais difícil transporte


Sabor
Fármacos potentes
Fármacos inativados ou irritantes estômago

DESVANTAGENS

Figura 5.1  –  Vantagens e desvantagens dos pós como forma farmacêutica final (FERREI-
RA, 2002).

O preparo dos pós consiste em três etapas. A primeira etapa é a redução do


tamanho das partículas por trituração. Na farmácia magistral usa-se gral e pis-
tilo, já na indústria podem-se utilizar equipamentos de moagem, moinho de fa-
cas, de martelos, por vibração, de bolas, de pinos entre outros (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
A levigação pode também ser empregada, esta consiste em adicionar ao sólido
um líquido em que ele seja insolúvel, em seguida faz-se a trituração. Além disso,
você pode utilizar a pulverização por intervenção, caso a substância não possa ser
triturada diretamente (sólidos cristalinos duros), sendo assim, dissolve-se o sólido
em um mínimo de solvente volátil (álcool) mistura-se triturando até a evaporação
completa do solvente (FERREIRA, 2002).
A segunda etapa consiste na tamisação, para obter pós com mesmo interva-
lo de tamanho de partículas. Tamisação consiste na utilização de vários tamises
com aberturas de malhas diferentes. Os diversos tamises são encaixados uns nos
outros de modo a formarem uma coluna de peneiração, no topo estão os tamises
de maiores malhas, diminuindo a abertura da malha à medida que se caminha
para a base. No topo da coluna existe uma tampa para evitar perdas de material.
Na base encaixa-se uma peneira também conhecida como denominada "panela",

capítulo 5 • 112
destinada a receber as partículas menores que atravessaram toda a coluna sem
serem retidos em nenhuma das peneiras (AULTON, 2005).
A terceira etapa é a de mistura, esta pode ser realizada através de espatula-
ção, trituração e tamisação. Esta etapa pode ser feita utilizando misturadores
de pós, como o misturador na forma de V (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002;
AULTON, 2005).
Você deve tomar alguns cuidados ao realizar as misturas, alguns componentes
formam misturas explosivas (agente fortemente redutor e agente fortemente oxi-
dante), tabela 5.2. Além disso, alguns pós são higroscópicos, ou seja, absorvem
umidade do ar. Alguns são deliquescentes, se liquefazendo parcial ou totalmente,
tabela 5.3. Para corrigir este problema pode-se adicionar substâncias adsorventes,
tais como óxido de magnésio e dióxido de silício coloidal, além de monitorar
a umidade do local de produção e deixar os pós bem vedados (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

AGENTE OXIDANTE AGENTE REDUTOR


•  Ácido hipocloroso •  Bissulfitos

•  Ácido nítrico •  Glicerina

•  Hipocloritos •  Álcool

•  Nitratos •  Brometos

•  Peróxidos •  Enxofre

Tabela 5.2  –  Exemplos de misturas explosivas (FERREIRA, 2002).

•  Cloreto de cálcio •  Brometo de sódio

•  Cloreto de alumínio •  Amoxacilina

•  Cloreto de sódio •  Cloridrato de pilocarpina

•  Cromoglicato dissódico •  Cloreto de magnésio

Figura 5.2  –  Substâncias higroscópicas e deliquescentes (FERREIRA, 2002).

capítulo 5 • 113
Um dos pontos mais críticos da manipulação dos pós seja como produto final
ou como intermediário na fabricação de outras formas farmacêuticas sólidas é o
fluxo e a compactabilidade. Para tanto, algumas medidas se fazem necessárias, tais
como Ângulo de repouso, Índice de Hausner e Índice de Carr (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Tanto o Índice de Hausner e o Índice de Carr são medidas quantitativas da
compactabilidade do pó, que é uma propriedade importante, pois afeta o enchi-
mento de cápsulas ou a compressão de comprimidos. Estes são feitos pelo cálculo
da densidade aparente e compactada dos pós, sendo calculado conforme as equa-
ções 1 e 2.
densidade de compactação
Índice de Hausner = (1 )
densidade aparente

densidade compactação − densidadeaparente


Índice de Carr = (2)
densidade compactação

As tabela 5.3 e 5.4 mostram a relação dos valores de índice de Hausner e


Índice de Carr com a qualidade do pó.

ÍNDICE DE HAUSNER QUALIDADE DE FLUXO


1,00 a 1,11 Excelente fluxo;

1,12 a 1,18 Fluxo bom;

1,19 a 1,25 Fluxo fraco;

1,26 a 1,45 Fluxo pobre;

FH > 1,50 Fluxo muito pobre.

Figura 5.3  –  Valores de Índice Hausner (AMERICAN PHARMACOPEIA, 2008).

ÍNDICE DE CARR QUALIDADE DE FLUXO


IC < 10% Excelente fluxo;

11 a 15% Fluxo bom;

capítulo 5 • 114
ÍNDICE DE CARR QUALIDADE DE FLUXO
16 a 20% Fluxo fraco;

21 a 31% Fluxo pobre

16 a 31% Fluxo pobre (pós coesivos);

IC > 32% Fluxo muito pobre.

Tabela 5.3  –  Valores de Índice de Carr (AMERICAN PHARMACOPEIA, 2008).

A determinação do ângulo de repouso consiste em deixar escoar certa quan-


tidade do pó e medir o ângulo formado. Calcula-se a Tan. α, razão entre a altura
(h) e o raio (r) da base do cone resultante, sendo assim determina-se o ângulo
formado, figura 5.4. A tabela 5.4 mostra os valores de ângulo de repouso e fluxo.

ÂNGULO DE REPOUSO QUALIDADE DE FLUXO


Abaixo de 30° Excelente fluxo;

30 a 50° Fluxo passável;

Acima de 50° Fluxo ruim

Tabela 5.4  –  Ângulo de repouso (AMERICAN PHARMACOPEIA, 2008).

h
r

Figura 5.4  –  Determinação do ângulo de repouso (OS AUTORES, 2017).

capítulo 5 • 115
Alguns fatores influenciam o fluxo dos pós, tais como tamanho de partículas
(quanto maior, melhor o fluxo), forma (mais esférica, melhor fluxo) e densidade
(mais denso, melhor fluxo), conforme visualizado na figura 5.5.

Tamanho Forma Densidade


partícula

Menor Esférica Maior

Pior fluxo Melhor fluxo Menor fluxo

Figura 5.5  –  Fatores que influenciam o fluxo de pós (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002;
AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

Granulados

Granulados são agregados sólidos de partículas cristalinas ou amorfas que po-


dem ser utilizados como forma farmacêutica final (2 a 4 mm) ou como interme-
diário da fabricação de comprimidos (0,2 a 0,5mm) (PRISTA, 1995; FERREIRA,
2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Grânulos possuem algumas vantagens quando comparados aos pós, dentre
elas destacam-se a menor segregação dos componentes da mistura; grânulos pos-
suem melhor fluxo e melhor característica de compactação devido ao maior ta-
manho de partícula e ocupam menos espaço (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002;
AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Existem duas formas de produzir os granulados, a via seca, figura 5.5, e a
via úmida, tabela 5.5. A via seca consiste em uma compactação prévia da mis-
tura de pós, seguida de diminuição do tamanho de partículas. Por fim é neces-
sária a calibração dos grânulos que pode ser feita por tamisação (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

1. Compactação prévia (slugs prensas, compactadores)


2. Diminuição
3. Calibração dos grânulos

Tabela 5.5  –  Granulação via seca (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

capítulo 5 • 116
A primeira etapa da via úmida consiste na adição de um solvente, normalmen-
te a água, etanol ou isopropanol, para a aglutinação. Esse líquido pode conter um
agente aglutinante que garante a adesão das partículas. Em seguida a massa úmida
é forçada a passar por um tamis, produzindo grânulos úmidos, que posteriormen-
te deverão ser secos. A última etapa consiste na calibração dos grânulos secos, por
tamisação (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Ressalta-se que a água é o solvente mais utilizado, por razões econômicas e
ecológicas, porém alguns ativos podem sofrer hidrólise. Além disso, como a tem-
peratura de evaporação da água é alta, pode favorecer a perda de ativos termo-
lábeis. Por isso a granulação por via seca apresenta a vantagem de não utilizar
solvente e nem processo de secagem, tendo menor número de etapas. Porém a
granulação por via seca gera mais pós, os equipamentos são mais caros e o processo
desgasta os equipamentos (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005,
ANSEL, 2007).

1. Aglutinação → massa;
2. Granulação;
3. Secagem;
4. Calibração dos grânulos.

Tabela 5.6  –  Procedimento geral de preparo de grânulos (FERREIRA, 2002).

Cápsulas gelatinosas

Uma forma farmacêutica sólida que é mais aviada na farmácia magistral são
as cápsulas. Estas possuem o ingrediente ativo em um invólucro duro ou mole
(normalmente de gelatina), de diversos tamanhos e formatos. Além do ingrediente
ativo as cápsulas podem conter diluentes, lubrificantes e agentes desintegrantes.
Você deve notar que o conteúdo não pode conter solvente que leva a deterioração
do invólucro da
cápsula, como a água. Porém, o invólucro deve liberar o conteúdo encapsu-
lado ao ser atacado pelos fluidos digestivos (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002;
AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

capítulo 5 • 117
Na tabela 5.7 encontram-se as principais desvantagens e na tabela 5.8 as van-
tagens das cápsulas.

Desvantagens
•  Maior custo de produção;
•  Não é fracionável;
•  Dificuldade de se conseguir uniformidade de peso em cápsulas duras;
•  Maior aderência à parede do esôfago;
•  Necessidade de controle de umidade e temperatura na produção;
•  Dificuldade de deglutição.

Tabela 5.7  –  Principais desvantagens das cápsulas (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002;
AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

Vantagens
•  Fácil deglutição;
•  Fácil de ser identificável;
•  Farmaceuticamente elegante;
•  Mascaram sabores e ou odores desagradáveis;
•  Fácil formulação;
•  Fabricação a seco;
•  Número de adjuvantes reduzidos;
•  Risco reduzido de contaminação cruzada (poucas etapas de produção);
•  Limitado potencial de incompatibilidades;
•  Menos equipamentos para a fabricação;
•  Configurações únicas de cor e forma que realçam a identificação do produto;
•  Menos exigências de validação;
•  Boa estabilidade;
•  Apresentam boas características de biodisponibilidade;
•  Permite elaboração de sistemas de liberação modificada;
•  Protegem o fármaco de agentes externos;
•  Boa resistência física e boa aceitação pelos pacientes.

Tabela 5.8  –  Principais vantagens das cápsulas (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AUL-
TON, 2005, ANSEL, 2007).

capítulo 5 • 118
Cápsulas duras

As cápsulas duras são arredondadas nos extremos e possuem formas cilíndri-


cas, figura 5.6. Possuem uma tampa (porção larga e curta) e um corpo (porção
mais longa que contém o ativo), como visualizado na figura 5.7.

Figura 5.6  –  Cápsula dura. Fonte: <https://www.shutterstock.com/pt/ima-


g e - v e c t o r / w h i t e - red-pil l s-capsules-vector-il l ustration- 4 0 0 6 9 0 7 2 3 ? s rc=-
yQA7HClKCtPBsT6mhFT5IQ-1-71>.

Figura 5.7  –  Tampa e corpo da cápsula.

Existem diversos tamanhos das cápsulas duras, conforme visto na tabela 5.9.
Quanto maior o número dado à cápsula, maior capacidade ela possui (PRISTA,
1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

NÚMERO VOLUME (ML)


5 0,12 a 0,13

4 0,2 a 0,21

3 0,27 a 0,30

capítulo 5 • 119
NÚMERO VOLUME (ML)
2 0,37

1 0,48 a 0,50

0 0,67 a 0,68

00 0,92 a 0,95

000 1,36 a 1,37

Tabela 5.9  –  Volume das cápsulas duras

Abaixo vemos um exemplo de cálculo utilizado para se determinar o tamanho


da cápsula e a quantidade de diluente necessário na manipulação.

EXEMPLO
•  Exemplo de cálculo de preenchimento de cápsula

A seguinte formulação deverá ser feita:


Paracetamol................ 500 mg
Excipiente (Amido) qsp... 1 cápsula

Primeiramente você deve determinar a densidade do paracetamol e do excipiente a ser


utilizado, pois você não sabe qual o volume que 500 mg de paracetamol irão ocupar. Para
tanto, pese uma quantidade do fármaco e verifique o volume encontrado. Faça o mesmo com
o excipiente a ser utilizado.
Suponha que você tenha encontrado os valores a seguir.
Paracetamol 1g → 1,6 ml (densidade = 0,625 g/ml)
Amido 1g → 1 ml (densidade = 1g/ml)

Como você precisa colocar 500 mg de paracetamol na cápsula, este ocupará 0,8 ml. A
cápsula mais próxima a este volume é a 00, que cabe aproximadamente 0,95 ml.

capítulo 5 • 120
Quando você adicionar o paracetamol, a cápsula não ficará completamente cheia, o que
acarreta erros de enchimento, portanto o volume que sobra deve ser preenchido com o exci-
piente (0,95 – 0,80 = 0,15 ml).
Através do cálculo de densidade do excipiente, para ocupar 0,15 ml deve ser adicionado
0,15 g deste, por cápsula.

No exemplos foi descrito o cálculo da quantidade de excipiente que deve ser


adicionado na cápsula, lembre-se que você deve misturar o ativo com o excipiente
antes de adicionar na cápsula.

Cápsulas moles ("Soft gel"):

A cápsula destinada a acondicionar líquidos é a capsula mole, figura 5.8, esta


possui uma única parte, além disso, o conteúdo encontra-se hermeticamente sela-
do em seu interior. Existem cápsulas moles das mais variáveis formas e tamanho,
contendo desde 0,2 até 5g. Algumas vantagens e desvantagens das cápsulas moles
em relação às cápsulas duras estão demonstradas na tabela 5.10 (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

.
Figura 5.8  –  Cápsula mole. Fonte: <https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/
transparent-capsule-image-523669165?src=yQA7HClKCtPBsT6mhFT5IQ-1-2>.

capítulo 5 • 121
Vantagens
•  Fácil deglutição;
•  Maior preferência pelos pacientes;
•  Maior biodisponibilidade (princípio ativo líquido ou solubilizado em veículo líquido).
•  Ideal para incorporação de fármacos susceptíveis a hidrólise ou oxidação;
•  Possibilita a incorporação de fármacos empregados em altas doses e com baixa ca-
pacidade de compressão;
•  Precisão no encapsulamento.
Desvantagens
•  Não podem ser produzidas na farmácia magistral;
•  Inadequada para incorporar substância líquida com alto teor de água (maior que 5%),
substâncias hidrossolúveis de baixo peso molecular e compostos orgânicos voláteis.

Tabela 5.10  –  Vantagens e desvantagens das cápsulas moles (PRISTA, 1995; FERREIRA,
2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

Controle em processo

Na farmácia magistral o controle em processo da produção de cápsulas é rea-


lizado pelo peso médio, para tanto, 10 unidades são pesadas e calcula-se a média
aritmética. É aceito um desvio de ±10%, para cápsulas de até 300 mg e ±7,5%
para cápsulas maiores que 300 mg (BRASIL, 2002).
Além disso, é necessário o cálculo do desvio padrão relativo (DPR), que não
deve ser maior que 4% (BRASIL, 2002).
DP
DPR = x100
PM
( Pcap −Pm dio )2
DP = ∑
n −1

Comprimidos

Comprimidas são formulações sólidas, utilizadas para administração por via oral,
contendo um ou mais fármacos obtidos por compressão. Comumente o comprimido
deve ser desintegrado nos fluidos gastrintestinais e o fármaco liberado e dissolvido para
poder ser absorvido. As vantagens dos comprimidos são inúmeras, como você pode vi-
sualizar na tabela 5.11. Note também que há desvantagens referentes a essa forma farma-
cêutica (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

capítulo 5 • 122
Vantagens
•  Boa estabilidade física, química e microbiológica;
•  Maior precisão de dose e uniformidade conteúdo;
•  Cedência modulada, controlada e reprodutível;
•  Processos de obtenção estabelecidos e robusto;
•  Boa aceitação (leves e compactos);
•  Invioláveis e identificáveis (forma, tamanho, cor).
Desvantagens
•  Alguns fármacos possuem problema de biodisponibilidade;
•  Fármacos que apresentam liberação irregular;
•  Irritação local ou danos na mucosa gastrintestinal;
•  Pobre compressibilidade dos pós.

Tabela 5.11  –  Vantagens e desvantagens dos comprimidos

A maioria dos comprimidos deve ser deglutida inteira, mas existem outros tipos
de comprimidos, conforme pode ser visualizada na tabela 5.12 (AULTON, 2005).

Estes são aqueles que devem ser deglutidos inteiros e libe-


COMPRIMIDOS rar o fármaco rapidamente e completamente. Estes normal-
CONVENCIONAIS mente possuem diluente, desintegrante, aglutinante, desli-
zante, antiaderente.

São aqueles comprimidos que a desintegração ocorre pela


COMPRIMIDOS mastigação. Esta é uma forma atrativa para crianças e ido-
MASTIGÁVEIS sos. Estes normalmente possuem diluente, aglutinante, des-
lizante, antiaderente, flavorizantes e corantes.

São aqueles que devem ser dissolvidos em água antes da


COMPRIMIDOS administração. Pela reação do Bicarbonato com ácido libe-
EFERVESCENTES ram CO2. Estes, normalmente, possuem aromatizante, co-
rante, antiaderente hidrossolúveis.

COMPRIMIDOS Os comprimidos sublinguais e bucais devem ser mantidos


na boca, para que o fármaco seja liberado e absorvido neste
SUBLINGUAIS E local. Possuem rápida absorção sistêmica. Estes devem ser
BUCAIS pequenos e porosos.

Tabela 5.12  –  Tipos de comprimidos (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005,
ANSEL, 2007).

capítulo 5 • 123
Etapas de produção de comprimidos

A compactação para formação de comprimido consiste na compressão e em


seguida da consolidação. A compressão consiste na eliminação dos espaços vazios
aumento o contato entre as partículas. Em seguida começa a consolidação, ou seja,
o aumento da força mecânica leva a interações entre as partículas.
Existem três métodos de preparo de comprimidos, como ilustrado na
tabela 5.13. Como visualizado na tabela 5.13, a compressão direta é que pos-
sui menor número de etapas, porém os excipientes utilizados devem ser direta-
mente compressíveis (tendência mínima à segregação, boa compressibilidade,
fluir facilmente).
Os outros métodos de produção de comprimidos consistem em obter primei-
ramente granulados e fazer a compressão destes. Como dito anteriormente neste
capítulo, existe dois tipos de granulação, a via seca e a via úmida. A via úmida,
embora utilize equipamentos mais baratos, tem como desvantagens muitas etapas
de processo, adição e remoção de solventes; maior gasto de energia; possibilida-
de de hidrólise; possibilidade de degradação por aquecimento (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

•  Mistura;
DIRETA •  Compressão.

•  Mistura;
•  Compressão dos slugs;
VIA SECA •  Redução dos slugs;
•  Compressão.

•  Mistura;
•  Adição aglutinante;
•  Obtenção massa;
VIA ÚMIDA •  Granulação;
•  Secagem;
•  Seleção grânulos;
•  Compressão.

Tabela 5.13  –  Métodos de preparo de comprimidos (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002;


AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

capítulo 5 • 124
Apesar do reduzido número de etapas na compressão direta, existem diversas
razões para granular, conforme visualizado na tabela 5.14.

Razões para granular:

•  Aumentar a densidade, o que ajuda a assegurar o volume requerido;


•  Aumentar a fluidez, o que diminui a variação de peso;
•  Aumentar a homogeneidade por reduzir as partículas pequenas;
•  Aumentar a compactabilidade devido à adição de solução de aglutinante na superfície;
•  Coloração homogênea;
•  Dissolução de fármacos hidrofóbicos por aglutinante e enchimento hidrofílico.

Tabela 5.14  –  Algumas razões para granular (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON,
2005, ANSEL, 2007).

Na fabricação de comprimidos os excipientes utilizados podem dividir-se em:


diluentes, absorventes, aglutinantes, desagregantes, lubrificantes molhantes, co-
rantes, tampões, aromatizantes, edulcorantes (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002;
AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Entre os diluentes (usados para dar volume adequado) pode-se destacar: car-
bonato de Ca, fosfato de Ca dibásico e tribásico, sulfato de cálcio, celulose, dextra-
no, dextrina, dextrose excipiente, frutose, caulim, lactose anidra, lactose monoi-
dratada, maltodextrina, maltose, manitol, sorbitol, amido e sacarose. A celulose
microcristalina (MCC), lactose anidra, amido pré-gelatinizado e açúcar compres-
sível são diluentes que podem ser usados na compressão direta (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Os deslizantes são utilizados para melhorarem o fluxo pela diminuição da fric-
ção entre grânulos, já os Antiaderentes evitam a aderência dos grânulos à matriz
ou às punções. Estearatos de magnésio e amido são considerados antiaderentes e
o talco e dióxido de silício (Aerosil®) são considerados deslizantes (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Ressalta-se que os lubrificantes são utilizados para reduzirem a fricção entre
as partículas, assegurando melhor transmissão da força de compressão através do
material além de diminuir as forças de reação que aparecem nas paredes da matriz.
Exemplos de lubrificantes: estearatos de cálcio e ácido esteárico (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

capítulo 5 • 125
Os tensoativos podem ser utilizados para diminuir a tensão superficial, me-
lhorando a dissolução de fármacos hidrofóbicos. Um exemplo é o laurilsulfato de
sódio.

Qualidade de comprimidos

Assim como todas as demais formulações farmacêuticas, os comprimidos pre-


cisam ter algumas qualidades essenciais para que se enquadrem dentro das especi-
ficações de qualidade. Entre os mais importantes estão à dosagem, uniformidade
de conteúdo, liberação do fármaco (desintegração), dissolução do fármaco, qua-
lidade microbiana e resistência e dureza. Na tabela 5.15, encontra-se um resumo
dos critérios de qualidade dos comprimidos (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002;
AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

•  Deve conter concentração correta do fármaco;


•  Deve ser elegante, e seu peso, suas dimensões e aparência devem ser constantes;
•  Deve ser liberado de modo controlado e reprodutível;
•  Biocompatível;
•  Resistência mecânica;
•  Estável;
•  Aceitação pelo paciente;
•  Acondicionado de maneira segura.

Tabela 5.15  –  Qualidades do comprimido (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON,


2005, ANSEL, 2007).

Após a fabricação de comprimidos deve-se ficar atento a alguns defeitos


que podem ter nos comprimidos: capping, picking, laminação (PRISTA, 1995;
FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Capping ocorre quando há a separação da coroa superior ou inferior do resto
do comprimido, já a laminação consiste na separação do comprimido em dife-
rentes camadas horizontais. Estes problemas podem acontecer logo após a com-
pressão ou até 72 horas (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005,
ANSEL, 2007).
A presença de ar ou a utilização de grande força, alta velocidade e pouco tem-
po de compressão pode propiciar ao capping. Além disso, grânulos secos ou muito
úmidos também favorecem a separação da coroa. Já a laminação normalmente

capítulo 5 • 126
está relacionada à relaxação de regiões durante a ejeção e/ou desgaste da matriz
(PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).
Você deve se preocupar também com a presença de picking, que é a perda de
material da superfície do comprimido, normalmente esta perda ocorre pela adesão
do material a punções da máquina de compressão ou devido ao desgaste destas.
Outro fator que contribui para esta perda é a umidade superficial elevada ou grânu-
los úmidos (PRISTA, 1995; FERREIRA, 2002; AULTON, 2005, ANSEL, 2007).

Ensaios de controle da qualidade de comprimidos

Devido à sua importância, alguns testes devem ser ressaltados, tais como uni-
formidade de conteúdo, desintegração, dissolução e resistência (AULTON, 2005).
O ensaio de uniformidade de peso é realizado com uma mostra de 20 compri-
midos. Determina-se o peso de cada comprimido, depois, calcula-se a média. Não
pode ter um desvio grande, pois desvio de peso, reflete em quantidades diferentes
de fármaco em cada comprimido. Deve-se também quantificar o teor do fármaco
nos comprimidos (normalmente 10 comprimidos), não podendo estar longe das
especificações (AULTON, 2005).
O teste de desintegração verificará a cedência do fármaco, ou seja, a liberação
do fármaco para ser dissolvido no trato gastrintestinal. O ensaio é feito por meio
de agitação do comprimido em meio aquoso, registrando o tempo necessário para
ocorrer à desintegração (AULTON, 2005).
Na dissolução, semelhante à desintegração o comprimido é colocado em agi-
tação no meio aquoso, conforme especificações da monografia. Verifica-se a quan-
tidade do fármaco que está sendo dissolvido ao longo do experimento, deste modo
tem-se a velocidade com que o fármaco se dissolve (AULTON, 2005).
A resistência de um comprimido é avaliada pelo teste de dureza e friabilidade.
Os comprimidos devem ser duros suficientes para resistir à quebra durante a em-
balagem, o transporte e à manipulação, porém devem ser “moles” o bastante para
desintegrar ou dissolver após a administração. Para verificar a dureza utiliza-se
durômetro, que medirá a resistência à fratura (AULTON, 2005).
A friabilidade é uma medida de resistência ao atrito, pois, verifica a tendência
do comprimido em perder pós. Os comprimidos rolam e caem dentro do receptá-
culo giratório. Os comprimidos são pesados antes e depois de um número especí-
fico de rotações, determinando-se a perda de peso (AULTON, 2005).

capítulo 5 • 127
Comprimidos revestidos e drágeas

Revestir formas farmacêuticas consiste na aplicação de um material sob a su-


perfície externa, sendo realizado com diversas finalidades, conforme pode ser vi-
sualizado na tabela 5.16.

•  Facilitar deglutição;
•  Mascarar aparência e sabor desagradável;
•  Proteger dos fatores ambientais;
•  Facilitar manipulação e aumentar resistência;
•  Modificar liberação;
•  Melhorar qualidade estética do produto.

Tabela 5.16  –  Motivos para revestir (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).

Existem diversas técnicas de revestimento, revestimento por pós, compressão,


filme e por açúcar (drageamento).
Um dos métodos mais antigos é o drageamento que consiste na aplicação de
soluções aquosas de sacarose. Este tipo de revestimento é realizado com intuito de
melhorar sabor, odor, facilitar a deglutição, além de proteger o fármaco do meio
(ANSEL et al. 2005).
O revestimento utilizando pós-insolúveis é realizado para modificar a libera-
ção ou para rápida liberação, controle da umidade e formação de películas pro-
tetoras. São utilizados amido, carbonato de cálcio, goma arábica e talco. Uma
grande vantagem dessa técnica é a não utilização de solvente o que reduz o tempo
de processamento, reduz gastos de energia, reduzindo assim, o custo do processo
(LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).
Outra técnica de revestimento utilizada é a imersão dos comprimidos em
um líquido, posteriormente o comprimido é seco em bacia de revestimento. Esta
técnica é muito demorada e pouco viável (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007;
ROLIM, 2009).
Uma das maneiras mais utilizadas para o revestimento é o revestimento por
película, que consiste na deposição de uma película fina e uniforme na superfí-
cie do substrato. Neste processo utilizam-se polímeros em solução ou dispersos
em água ou outro solvente atóxico (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM,
2009).

capítulo 5 • 128
O polímero utilizado para o revestimento deve ter algumas características fun-
damentais, como visualizados na tabela 5.17.

•  Solubilidade em uma ampla gama de sistemas solventes;


•  Propriedades mecânicas adequadas;
•  Solubilidade apropriada nos líquidos gastrointestinais;
•  Atóxico;
•  Inerte física e quimicamente,
•  Não pegajoso;
•  Fácil de aplicar;
•  Estável à luz, calor e umidade.

Tabela 5.17  –  Características fundamentais de polímeros de revestimento (LYR et al., 2007;


PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).

Na tabela 5.18 encontram-se alguns excipientes utilizados no revestimento


(LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).

POLÍMEROS Polímero hidrofílico que possui capaci-


dade de intumescimento/relaxamento,
HIDROXIPROPILMETILCELULOSE exercendo efeito pronunciado na cinética
(HPMC) de liberação do fármaco.

Baixa toxicidade, alta estabilidade, baixo


POLÍMEROS EUDRAGIT® custo e biodegradabilidade específica.

Melhorar a qualidade dos filmes poliméri-


cos de interesse farmacêutico, diminundo
a força tensil, aumentando o alongamen-
PLASTIFICANTES to e a flexibilidade dos filmes. Exemplos
de plastificadores incluem glicerina, pro-
pilenoglicol, polietilenoglicol, triacetina,
ésteres de citrato ou de ftalato.

Garantem uma deposição controlada do


SOLVENTES polímero. Álcoois, cetonas, ésteres, hale-
tos de alquila e água.

Tabela 5.18  –  Excipientes utilizados no revestimento (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; RO-
LIM, 2009).

capítulo 5 • 129
Sistemas de liberação modificada de fármacos

Existem várias definições referentes aos sistemas de liberação de fármacos


(LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009):

Esse sistema permite a liberação do fármaco um tempo após


RETARDADA a administração, ou seja, não imediatamente. Ex.: Comprimidos
gastroresistentes.

PROLONGADA, Através desse sistema de liberação a frequência da dosagem é


SUSTENTADA reduzida.

Sistema que libera doses individuais em intervalos intermitentes,


REPETIDA ou seja, não permite liberação de uma forma sustentada.

Sistema que controla a liberação, sem especificar o tipo de con-


CONTROLADA trole, ou seja, engloba os demais sistemas.

Ressalta-se que os termos liberação sustentada ou prolongada são aplicados às


formas farmacêuticas que liberarem o fármaco gradualmente, com a finalidade de
manter a concentração plasmática em níveis terapêuticos, por período de tempo
prolongado (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).
A tabela 5.19 mostra as principais vantagens das formas farmacêuticas de li-
beração modificada.

TIPO VANTAGENS
Baixa oscilação do nível terapêutico: Impedir níveis tóxicos e evita
subníveis terapêuticos.
Farmacológica Aumentar concentrações plasmáticas de princípios ativos de meia-
vida plasmática relativamente curta.
Maior segurança de fármacos de elevada potência.

A diminuição do número de administrações diárias acarreta em


maior comodidade para o paciente.
Eficácia do
Facilita adesão do paciente ao tratamento.
Tratamento
Administração noturna pode ser evitada.
Efeitos indesejados reduzidos.

Tabela 5.19  –  Vantagens de formas farmacêuticas de liberação modificada (LYR et al.,


2007; PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).

capítulo 5 • 130
A tecnologia para obter as formulações de liberação controlada se baseia na
utilização de uma “barreira” física. Dentre as técnicas utilizadas destacam-se uti-
lização de revestimentos, incrustação do fármaco na matriz de cera ou plástica
e incorporação em uma bomba osmótica (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007;
ROLIM, 2009).
Dentre as formas farmacêuticas de liberação modificada têm-se as gastrore-
sistentes. Esta técnica baseia-se na aplicação de um revestimento ou um polímero
que não se degrada no estômago, liberando, assim, o fármaco no intestino. Estes
são muito importantes para evitar degradação de fármacos sensíveis ao conteúdo
do estômago. Polímeros que podem ser utilizados para este fim são: acetoftalato
de celulose, ftalato de hidroxipropilmetilcelulose, acetoftalato de polivinila e ace-
tossuccinato de hidroxipropilmetilcelulose, copolímero de ácido metacrílico tipo
C (Acryl-Eze®) (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).
Algumas vezes a liberação do fármaco no cólon auxilia a absorção uma vez que
neste local existe pH neutro, poucas enzimas digestivas e longo tempo de trânsito
intestinal, sendo assim o revestimento para liberação colônica tem sido estudado e
desenvolvido (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).
Esta é uma alternativa importante principalmente para colite ulcerativa, doen-
ça de Chron, carcinomas e infecções. Neste tipo de revestimento você pode utili-
zar polissacarídeos tais como, pectina, quitosana, dextrana, goma guar, galactoma-
na, arabinogalactomana e inulina (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM,
2009).
Uma alternativa que vem sendo aperfeiçoada é a dispersão ou dissolução do
fármaco numa matriz polimérica hidrofílica ou lipofílica. Note que o ativo pode
estar homogeneamente disperso na matriz polimérica, dentro de um reservatório
ou adsorvido em sua superfície. A matriz liberará o fármaco após a penetração da
água, difusão do fármaco pelos poros da matriz, por degradação do polímero ou
por uma combinação dos dois mecanismos (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007;
ROLIM, 2009).
As matrizes hidrofílicas são compostas de polímeros hidrofílicos, sendo que a
liberação do fármaco ocorre quando a matriz se dissolve, intumesce e o fármaco
se dissolve. Já nas matrizes hidrofóbicas ou lipídicas, o fármaco estará disponível
quando o solvente penetrar na matriz e dissolver as partículas (LYR et al., 2007;
PEZZINI, 2007; ROLIM, 2009).

capítulo 5 • 131
A tabela 5.20 mostra exemplos de substâncias utilizadas para a preparação de
matrizes hidrófilas e hidrofóbicas (LYR et al., 2007; PEZZINI, 2007; ROLIM,
2009).

99 Derivados celulósicos: metilcelulose, hidroxipropilmetilcelulose,


carboximetilcelulose sódica;

MATRIZ 99 Polissacarídeos: gomas, ágar, alginato de sódio;

HIDROFÍLICA 99 Carbopol;
99 Gelatina;
99 Pectina.
99 Ceras: cera microcristalina e cera de carnaúba
MATRIZ 99 Etilcelulose
HIDROFÓBICA 99 Acetato de polivinila

Tabela 5.20  –  Matrizes hidrofílicas e hidrofóbicas

Bombas osmóticas utilizam da pressão osmótica para a liberação do ativo. Essa


forma farmacêutica consiste em um núcleo (comprimido, cápsula gelatinosa dura
ou mole) revestido com uma membrana semipermeável. Nessa membrana é feito
um orifício a laser. No interior contém o fármaco no estado sólido e uma solução
saturada e fármaco. Após a administração, devido à pressão osmótica, o solvente
penetra no núcleo (membrana semipermeável), aumentando a pressão interna, o
que resulta na liberação do fármaco dissolvido ou disperso, através do orifício na
membrana (PEZZINI, 2007).

MULTIMÍDIA
Para se aprofundar neste assunto, você pode ler o artigo: Pezzini, B. R. Formas farmacêu-
ticas sólidas orais de liberação prolongada: sistemas monolíticos e multiparticulados. Revista
Brasileira de Ciências Farmacêuticas vol. 43, n. 4, out/dez., 2007, p.491-502.

ATIVIDADES
01. Formas farmacêuticas sólidas possuem muitas vantagens frente às demais formulações,
porém alguns pontos críticos devem ser cuidadosamente monitorados. Quais são esses pon-
tos críticos? Como monitorar?

capítulo 5 • 132
02. Quais as vantagens das formulações sólidas?

03. Você deve manipular a seguinte forma farmacêutica:


sulfato de glucosamina 400 mg.
dglucosamina sulf. 0,5 g/ml
excipiente: 0,7 g/ml

a) Qual a cápsula utilizada?


b) Qual a massa de excipiente utilizada?

REFLEXÃO
As formas farmacêuticas sólidas são uma das formas mais utilizadas devido às suas
inúmeras vantagens, tais como maior estabilidade, maior facilidade de transporte, sabor do
ativo menos pronunciado, além de permitir modular a liberação de fármacos com o uso de
sistemas de liberação ou revestimento.
Porém, seu preparo exige um criterioso estudo, principalmente no que diz respeito ao
fluxo do pó ou grânulo. Ressalta-se que este é um dos pontos mais críticos da manipulação
dos pós seja como produto final ou como intermediário na fabricação de outras formas far-
macêuticas sólidas, pois esta propriedade afeta o enchimento de cápsulas ou a compressão
de comprimidos.
Além disso, outros pontos críticos são a desintegração e a dissolução dos ativos. Para
um fármaco ser absorvido quando veiculado a forma farmacêutica sólida depende da desin-
tegração desta e da dissolução do fármaco. Fatores como tamanho de partícula, solubilidade
do fármaco e os adjuvantes utilizados podem influenciar na velocidade de dissolução e con-
sequentemente biodisponibilidade, portanto esses pontos críticos devem ser cuidadosamente
monitorados.
Portanto, a forma farmacêutica sólida de uso oral é, na maioria das vezes, mais utilizada
que a líquida, porém, exige um cuidado na sua formulação e produção a fim de obter um
produto que tenha eficácia e qualidade adequadas.

capítulo 5 • 133
LEITURA
ROLIM, L. A. Aplicações de revestimento em formas farmacêuticas sólidas na indústria
farmacêutica. Rev. Bras. Farm., 90(3), p.224-230. 2009.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANSEL, H.C. et al. Farmacotécnica - Formas farmacêuticas e Sistemas de Liberação de Fármacos -
8ª Ed., Porto Alegre, Artmed, 2007, 776 p.
AULTON, M. Delineamento de Formas Farmacêuticas 2a. edição. Editora Artmed. 2005.
FERREIRA, A. O. Guia Prático da Farmácia Magistral. Juiz de Fora, 2ª edição, p. 2, 2002.
LYR, M. A. M. et al. Sistemas Matriciais Hidrofílicos e Mucoadesivos para Liberação Controlada
de Fármacos. Lat. Am. J. Pharm. 26 (5): 784-93, 2007.
PEZZINI, B. R. Formas farmacêuticas sólidas orais de liberação prolongada: sistemas monolíticos
e multiparticulados. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas vol. 43, n. 4, out./dez., 2007,
p.491-502.
PRISTA, L. V. N. - Técnica Farmacêutica e Farmácia Galênica. 5ª ed., Lisboa 3 vol., Ed. Calouste
Gulbekian, 1995.
ROLIM, L. A. Aplicações de revestimento em formas farmacêuticas sólidas na indústria
farmacêutica. Rev. Bras Farm, 90(3), p.224-230. 2009.
UNITED STATES PHARMACOPEIA: USP 29. Rockville: United States Pharmacopeia Convention,
2006.

GABARITO
Capítulo 1

01.
a) O fármaco é a matéria prima ativa da fórmula farmacêutica, neste caso é o Salbuta-
mol (broncodilatador). Os demais são adjuvantes, ou seja, matéria prima inerte que
compõem o excipiente desta fórmula farmacêutica.

Concentração 100 mg
b) = = 1mg / mL
Volume 100 mL

capítulo 5 • 134
c) O uso de soluções estoque facilita a manipulação, pois diminui o número de ope-
rações realizadas e/ou evita ter que medir ou pesar pequenas quantidades. Neste
caso se partíssemos do cloreto de benzalcônico para fazer esta fórmula, teríamos
que pesar pequena quantidade, que poderia levar a erro de pesagem.
d) Solução de cloreto de benzalcônico 0,1 % p/v : 0,1g → 100 mL
0,1g → 100 mL
X → 3 mL
X = 0,003 g
Foram adicionados 0,003g ou 3 mg de cloreto de benzalcônico.
e) Fórmula Molecular do Sulfato de Salbutamol: (C13H21NO3) 2 .H2 SO4
Peso Molecular do Sulfato de Salbutamol: 576,71 g
Equivalente-Grama do sal: 288,35 g

Peso atômico 576, 71


=Eq = = 288, 35 g
Valência 2

Fórmula Molecular do Salbutamol: C13H21NO3


Peso Molecular do Salbutamol: 239,31 g
Equivalente-Grama da base: 239,31 g

Eq sal 288, 35
=
FEq = =120
,
Eq base 239, 31

FEq = 1,20
Para saber quanto você deve pesar do Sulfato de Salbutamol, você deve multiplicar o
fator de equivalência encontrado a dose de salbutamol desejada:

Dose x FEq = 100 mg x 1,20 = 120mg

Você deverá pesar 120mg de Sulfato de Salbutamol para o preparo desta solução.

02. Um dos maiores desafios das farmácias magistrais é sua falta de credibilidade tanto de
outros profissionais de saúde quanto da população. Existe uma crença de que os produtos
magistrais não possuem controle de qualidade rígido. A ANVISA publicou a RDC 67/2007 e
sua atualização RDC 87/2008 que fixa os requisitos mínimos e exigidos para a manipulação,
fracionamento, conservação, transporte, dispensação de preparações magistrais e oficinais,
alopáticas e homeopáticas. Estas resoluções procuram adaptar a farmácia de manipulação
para que ela atenda as normas de qualidade inerentes ao fármaco, a gestão do processo e

capítulo 5 • 135
ao sistema de garantia de qualidade implantados nas empresas, buscando, assim, uma uni-
formidade e uma reprodutibilidade dos medicamentos ao longo do tempo (ALMEIDA, NAS-
CIMENTO FILHO, 2010).

Capítulo 2

01.
a) Retiraram-se algumas folhas e caules que vieram juntos
R: Operação mecânica de separação, sendo realizada triagem ou monda que é usado
para separar substâncias estranhas de drogas vegetais
b) Cortou-se em pedaços menores e adicionou os pedaços das raízes em um moinho
R: Operação mecânica de divisão, sendo realizada primeiramente a divisão grosseira
que é uma operação preliminar de fragmentação, para que este possa ser submetido a ma-
nipulações posteriores. Na sequência o material foi colocado em moinho, que é uma divisão
de sólidos.
c) Em seguida, levou o material a um conjunto de tamises.
R: Operação mecânica de separação. A tamisação é uma operação de separação por
tamanho de partícula.
d) As partículas obtidas foram pesadas (10 g) e adicionadas a 1000 mL de solvente
(solução hidroalcoólicas 70% com adição de NaOH 0,1%).
R: Nesta etapa houve quatro operações. A primeira e a segunda foram operações farma-
cêuticas gerais, pesagem e medição de líquidos. A Terceira foi operação física que exige in-
tervenção de líquido, a extração. A extração, envolve um processo de transferência de massa
multicomponente, multifásica e em estado não-estacionário. Esta operação possui o objetivo
de separar um ou mais componentes contidos na fase sólida utilizando uma fase líquida,
produzindo soluções extrativas. Por último foi a adição de hidróxido de sódio, NaOH, foi uma
operação química, pois gerou um sal de curcuminóides (ativos da planta).
e) Em seguida filtrou-se a solução obtida
R. Operação mecânica de separação. A filtração é uma das operações farmacêuticas
mais utilizadas que possui como objetivo separar partículas sólidas em suspensão num líquido
f) Por fim a solução foi levada ao equipamento spray dryer para a obtenção do pro-
duto final.
R: Operação física com intervenção de calor. Nos secadores por aspersão (spray dryer),
o líquido é atomizado em pequenas gotículas, o que permite uma grande área superficial. O
líquido é atomizado em uma corrente de ar quente, de modo que cada gotícula forma uma
partícula sólida.

capítulo 5 • 136
Capítulo 3

01. O fenobarbital é um fármaco ácido, cujo pka é de 7,3. Utilizando a regra da tabela 3.13:
pH – pKa
9,4 – 7,3 = 2,1
Quando se ajusta o pH para 9,4, aumentamos a solubilidade do fenobarbital, aplicando
a fórmula, temos um valor acima de 2, o que indica que o fármaco está solúvel em água, ou
seja, se ioniza. Se esse ajuste não for realizado, provavelmente o fármaco irá precipitar devido
à alta concentração na formulação.

02. Vantagens:
•  Menor irritação: Uma vez que o fármaco já se encontra em solução, ele será rapidamente
diluído no conteúdo gástrico, não se depositando, isso diminui a ocorrência de danos à mu-
cosa gástrica;
•  Facilidade de deglutição;
•  Rapidez de absorção;
•  Por ser uma mistura homogênea, o fármaco encontra-se uniformemente em toda a solução.

Desvantagens:
•  Menor estabilidade;
•  Realce do sabor amargo dos fármacos;
•  Dificuldade de transporte.

Capítulo 4

01. No processo de extração ocorre o inverso do que ocorre no processo de secagem,


pois a matéria-prima vegetal obtida para o preparo das soluções extrativas vem como droga
seca. No processo de secagem das drogas vegetais, a maior parte da água foi removida, por
evaporação, sendo assim, as células vegetais encontram-se cheias de ar e seus conteúdos
encontram-se precipitados na forma de sólidos amorfos ou cristalinos. Quando a planta
medicinal seca entra em contato com o solvente, este penetra nas suas células expulsando
o ar contido no citoplasma e reidrata o protoplasma, recompondo-se, assim, o suco celular
por redissolução dos compostos precipitados durante a secagem. Depois de restabelecido
o estado normal do protoplasma por pelo solvente, inicia-se a extração dos componentes.

capítulo 5 • 137
02. Os fatores que influenciam a extração são:
•  Estado de divisão da droga: pós muito grossos dificultam a penetração do solvente, po-
dendo ocasionar uma extração incompleta. Porém, pós muito finos podem causar problemas
como a sua compactação, dificultando a passagem do solvente no caso de percolação ou
passagem das partículas mais finas para o extrato, conferindo uma aparência turva no caso
da maceração. A utilização de pós moderadamente grossos é mais adequada para extração;
•  Agitação: auxilia no processo extrativo por colocar o solvente menos concentrado em
contato com o sólido, deslocando assim, o equilíbrio no sentido da saturação;
•  Temperatura: Como a solubilidade das substâncias a serem extraídas varia com a tempe-
ratura, o processo de dissolução é facilitado com o aumento desta;
•  pH: Esta variável também influencia na solubilidade pela formação de sais, tendo, portanto,
um papel importante na seletividade;
•  Solvente: O solvente deve ter polaridade semelhante ao ativo a ser extraído, além disso,
deve ser atóxico e não poluir o meio ambiente;
•  Processo de extração: Na escolha de um processo extrativo devem ser analisados di-
versos fatores, entre eles a rapidez do método, o custo, a extração exaustiva dos princípios
ativos, sua simplicidade e a capacidade de automatização.

03. As tinturas são formas farmacêuticas obtidas pela extração de drogas vegetais secas
utilizando solução hidroalcoólicas, normalmente, na concentração de entre 60º GL e 85° GL.
Podem ser preparadas por maceração ou percolação.

Capítulo 5

01. Para um fármaco ser absorvido quando veiculado a forma farmacêutica sólida depende
da desintegração desta e dissolução do ativo. Fatores como tamanho de partícula, solubili-
dade do fármaco e os adjuvantes utilizados podem influenciar na velocidade de dissolução e
consequentemente biodisponibilidade, portanto esses pontos críticos devem ser cuidadosa-
mente monitorados. Os principais testes que devem ser realizados são teste de desintegra-
ção e dissolução, além de uniformidade de conteúdo e teor.

02. Vantagens:
•  A presença de água nas formulações líquidas favorece as reações químicas e o crescimen-
to de microrganismos, sendo assim as formas farmacêuticas sólidas são mais estáveis devido
à ausência de água ou de outro solvente;

capítulo 5 • 138
•  Pós, granulados, cápsulas e comprimidos são mais fáceis de armazenar e transportar por
estarem na forma compacta;
•  As formas farmacêuticas líquidas possuem sabor mais pronunciado que as sólidas, além
disso, quando o fármaco se encontra no interior de uma cápsula ou comprimido revestido o
sabor desagradável é anulado;
•  As formas farmacêuticas unitárias, tais como cápsulas e comprimidos, possuem doses
mais precisas, além disso, essas formulações facilitam o desenvolvimento de sistemas de
liberação modificada.

03. Considerando a dose e a densidade o fármaco ocupará 0,8 ml, sendo assim deve ser
colocado na cápsula 00. Para tanto deve der adicionado 0,15 ml de excipiente, considerando
a densidade: 105 mg.

capítulo 5 • 139
ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 140
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