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Pavimentação Prof.

ª Andyara Lemes
Engenharia Civil - 10º Semestre

Unidade 4 - Projeto e Construção de Pavimentos Flexíveis


• Dimensionamento do pavimento flexível

Outubro de 2016
O que é e qual a função do
pavimento?
O pavimento é uma estrutura destinada a resistir os
esforços aplicados pelo tráfego e distribuí-los ao
subleito, garantindo conforto e segurança aos usuários,
e integridade (durabilidade) da estrutura.
DIMENSIONAMENTO DA
ESTRUTURA
A estrutura dependerá do CBR que o subleito
apresentar, além também dos esforços/solicitações que
irão ocorrer no pavimento.

O dimensionamento do pavimento ocorre de cima para


baixo.
CBR
A capacidade de suporte de um solo compactado pode ser
medida através do método do índice de suporte, que
fornece o “Índice de Suporte Califórnia - ISC” (California
Bearing Ratio - CBR), idealizada pelo engenheiro O. J.
Porter, no estado da Califórnia - USA.

Para um dado valor de CBR do subleito, existe uma


espessura de pavimento que protege este subleito de
deformações excessivas ou mesmo de ruptura.
Ensaio - Índice de suporte
Califórnia
O ensaio de CBR consiste na determinação da relação
entre a pressão necessária para produzir uma
penetração de um pistão num corpo de prova de solo,
e a pressão necessária para produzir a mesma
penetração numa brita padronizada.
Ensaio - Índice de suporte
Califórnia
A resistência à penetração considerada no ensaio é
uma medida de resistência de cisalhamento do
material, fundamental para calcular sua estabilidade.
O ensaio de penetração deve ser feito após 4 (quatro)
dias de imersão do corpo de prova, para simular a pior
condição possível do subleito.
Energia de compactação
Ensaio
Compacta-se no molde o material, em cinco
camadas iguais de modo a se obter uma altura total
de solo com cerca de 12,5 cm, após a compactação.
Cada camada recebe golpes do soquete de acordo
com o tipo de estrutura a ser compactada, caindo de
45,7 cm, distribuídos uniformemente sobre a
superfície da camada. O peso do soquete é de 4,5
kg.
Extensômetro
Expansão
Os materiais do subleito devem apresentar uma
expansão, medida no ensaio C.B.R., menor igual a
2% e um C.B.R. ≥ 2%.
Reforço do subleito: C.B.R > subleito e expansão ≤ 1%.
Sub-base: C.B.R. ≥ 20% e expansão ≤ 1%.
Base: C.B.R. ≥ 80% e expansão ≤ 0,5%. (Para Número N,
menor que 5,0E+06, pode ser empregado material com C.B.R. ≥ 60%.
Prensa
ÍNDICE DE SUPORTE CALIFORNIA - CBR
ENSAIO DE PENETRAÇÃO 180 EXPANSÃO
Leitura do
160 Datas Diferença Expansão
CILINDRO Nº = 39 Deflect.
Tempo Penetração Leitura Pressão - kg / cm2 140 HORA Hora mm mm %
do
min. Pol mm Extens. Determ. Corrig. Padrão % 0 15:00 2,00 0,00 0,00
120
0,00 0,000 0,00 0 24 15:00
0,50 0,025 0,63 20 100
48 15:00
1,00 0,050 1,27 33 80
72 15:00
1,50 0,075 1,90 44 96 15:00 2,12 0,12 0,10
2,00 0,100 2,54 61 61 70 6,1 60

3,00 0,150 3,81 88 40


4,00 0,200 5,08 102 102 105 6,8
C B R - FINAL = 8,0
6,00 0,300 7,62 128 20
UMIDADE ÓTIMA = 27,84%
8,00 0,400 10,16 144 0
EXPANSÃO = 0,06
10,00 0,500 12,70 169
0 ,0 2 ,0 4 ,0 6 ,0 8 ,0 1 0,0 1 2,0

ENSAIO DE PENETRAÇÃO 200 EXPANSÃO CBR


Leitura do
Datas Diferença Expansão
CILINDRO Nº = 62 Deflect.
7,9
Tempo Penetração Leitura Pressão - kg / cm 2
HORA Hora mm mm %
do
min. Pol mm Extens. Determ. Corrig. Padrão % 0 15:00 2,00 0,00 0,00 7,4
0,00 0,000 0,00 0 24 15:00
0,50 0,025 0,63 38 48 15:00
6,9
1,00 0,050 1,27 45 72 15:00

CBR
1,50 0,075 1,90 62 96 15:00 2,05 0,05 0,04
2,00 0,100 2,54 80 80 70 8,0 6,4

3,00 0,150 3,81 94


4,00 0,200 5,08 120 120 105 8,0 5,9
6,00 0,300 7,62 144
8,00 0,400 10,16 166 0 5,4
10,00 0,500 12,70 189
0 ,0 2 ,0 4 ,0 6 ,0 8 ,0 1 0,0 1 2,0
26,0 26,5 27,0 27,5 28,0 28,5 29,0 29,5 30,0

ENSAIO DE PENETRAÇÃO 140 EXPANSÃO


Leitura do
Datas Diferença Expansão
CILINDRO Nº = 79 120 Deflect.
Tempo Penetração Leitura Pressão - kg / cm2 HORA Hora mm mm %
do
min. Pol mm Extens. Determ. Corrig. Padrão %
100
0 15:00 2,00 0,00 0,00
0,00 0,000 0,00 0 24 15:00
0,50 0,025 0,63 20 48 15:00
80

1,00 0,050 1,27 33 72 15:00


60
1,50 0,075 1,90 48 96 15:00 2,02 0,02 0,02
2,00 0,100 2,54 55 55 70 5,5
40
3,00 0,150 3,81 62
4,00 0,200 5,08 77 77 105 5,2
20
6,00 0,300 7,62 89
8,00 0,400 10,16 99 0
10,00 0,500 12,70 121
0 ,0 2 ,0 4 ,0 6 ,0 8 ,0 1 0,0 1 2,0
Esforço / Solicitações
A espessura do pavimento é governada pelo número de
repetições de um eixo padrão (8,2 tf = 80 KN) para
vários coeficientes de suporte do subleito.

Quando a carga não é igual à carga padrão ou consiste


num eixo em tandem duplo ou triplo, esta é convertida
por um Fator de Equivalência de Carga.
Esforço / Solicitações
O número “N”, é necessário ao dimensionamento do
pavimento flexível de uma rodovia, sendo definido pelo
número de repetições de um eixo-padrão de 8,2 t
(18.000 lb ou 80 kN), durante o período de vida útil do
projeto, que teria o mesmo efeito que o tráfego previsto
sobre a estrutura do pavimento.
Os métodos mais difundidos
no Brasil são:
• Método da AASHTO
• Método Mecanístico-Empírico
• Método do DNIT
Método da AASHTO
Experimento em verdadeira grandeza: construídas
seções de pavimentos com várias espessuras e
materiais com o objetivo de definir uma relação entre a
repetição da carga e a perda da capacidade de serviço,
para diversas estruturas.
Método da AASHTO
Base empírica: derivado dos resultados das pistas
experimentais AASHO (American Association of State
Highway Officials, atual AASHTO) construídas em
Ottawa, Illinois, Estados Unidos; fim da década de 50.
Método Mecanístico-Empírico
Em virtude da apresentação de uma prematura
deterioração da malha rodoviária, e das limitações
dos métodos empíricos, foi introduzido no país o
estudo da resiliência dos materiais de pavimentação,
permitindo analisar o comportamento estrutural até
então não explicável pelos métodos empíricos
clássicos de dimensionamento.
Método do DNIT
O método do DNIT é uma adaptação efetuada pelo
Engo. Murillo Lopes de Sousa em 1966 do método
desenvolvido pelo USACE que utiliza algumas
conclusões da pista experimental AASHTO - American
Association of State Highway and Transportation
Officials (1958 a 1960);
Método do DNIT
•O critério básico utilizado é o de camadas granulares
sobre o subleito natural de maneira a protegê-lo de
ruptura por cisalhamento;
•Esse método foi baseado em correlações empíricas,
entretanto, ainda em nossos dias é bastante difundido.
Método do DNIT
O CBR – California Bearing Ratio, é a relação de
resistência à penetração de um pistão de 2” entre o solo
propriamente dito e um corpo de prova de brita graduada,
esse com valor correspondente a 100%.
•Observe-se que a brita graduada tomada com referência
era o tipo de material utilizado em camadas de pavimentos
que apresentavam um bom desempenho nos pavimentos
da Califórnia.
DIMENSIONAMENTO
As instruções de serviço do DERT (Departamento de
Edificações, Rodovias e Transportes) indicam o método do
DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem)
como método para projeto de pavimentos flexíveis, o qual
é uma adaptação efetuada pelo Engo. Murillo Lopes de
Sousa em 1966 do método desenvolvido pelo USACE que
utiliza algumas conclusões da pista experimental AASHO
(1958 a 1960).
Coeficientes de Equivalência
Estrutural
São coeficientes de equivalência estrutural, para os
diferentes materiais constitutivos do pavimento.
Coeficientes
Coeficientes Estruturais
São as designações dos coeficientes estruturais:
KR - Revestimento
KB - Base
KS – Sub-base
KRef - Reforço
NOMENCLATURAS
• Hm designa espessura total de pavimento para proteger um
material com CBR ou IS=m;
• hn designa a espessura da camada do pavimento com
CBR ou IS = n;
• B é a espessura da base;
• R é a espessura de revestimento.
ORIENTAÇÕES
• As espessuras máxima e mínima de compactação das camadas
granulares são de 20 cm e 10 cm, respectivamente.
• A espessura construtiva para camadas granulares deve ser de
no mínimo 15 cm.
• Mesmo que o CBR ou IS da sub-base seja > 20%, a espessura
de pavimento necessária para protegê-la é determinada como
se o valor do CBR fosse 20. Por isso, usam-se sempre os
símbolos H20 e h20 para designar as espessuras de pavimento
sobre a sub-base e a espessura da própria sub-base.
DIMENSIONAMENTO
O método do DNER segue as seguintes 4 etapas de
trabalho:
1) Definição da capacidade de suporte do subleito
2) Definição dos materiais
3) Determinação do tráfego
4) Dimensionamento do pavimento da pista de
rolamento e acostamentos
ATIVIDADE
Dados:
Tráfego: N = 1,0E+06
Subleito: C.B.R. = 3%
Reforço do subleito (material granular): C.B.R. = 9%
Sub-base (material granular): C.B.R. = 20%
Base (material granular): C.B.R. = 60%
Definição do revestimento
ESPESSURA = 2,5 CM
Número Nacumulado = 1,06E+06

N≤ 1,0E+06 Tratamentos Superficiais betuminosos

1,0E+06 <N ≤ 5,0E+06 Revestimentos betuminosos com 5,0 cm de espessura

5,0E+06 <N ≤ 1,0E+07 Concreto betuminoso com 7,5 cm de espessura

1,0E+07 <N ≤ 5,0E+07 Concreto betuminoso com 10,0 cm de espessura

N> 5,0E+07 Concreto betuminoso com 12,5 cm de espessura


Revestimento Asfáltico
Pode ser fabricado em usina específica (misturas
usinadas), fixa ou móvel, ou preparado na própria pista
(tratamentos superficiais).

C.B.R. = 8%
DIMENSIONAMENTO PELA FÓRMULA

0,0482 −0,598
𝐻𝐻𝐻𝐻 = 77,67𝑥𝑥𝑁𝑁 x 𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶
𝐻𝐻𝐻𝐻 = 77,67𝑥𝑥(1,0𝐸𝐸 + 06)0,0482 x 3−0,598= = 78,37 cm 𝐻𝐻𝐻𝐻 = 79 cm
𝐻𝐻𝐻𝐻 = 77,67𝑥𝑥(1,0𝐸𝐸 + 06)0,0482 x 9−0,598= = 40,63 cm 𝐻𝐻𝐻𝐻 = 41 cm
𝐻𝐻𝐻𝐻 = 77,67𝑥𝑥(1,0𝐸𝐸 + 06)0,0482 x 20−0,598= = 25,20 cm 𝐻𝐻𝐻𝐻 = 26 cm
RESULTADOS OBTIDOS PELA
FÓRMULA
Para proteger subleito (CBR = 3) precisa-se de:
H3(m) = 79 cm (pela fórmula)

Para proteger reforço (CBR = 9) precisa-se de:


H9(n) = 41 cm (pela fórmula)

Para proteger sub-base (CBR = 20) precisa-se de:


H20 = 26 cm (pela fórmula)
EQUAÇÕES
Revestimento betuminoso por penetração (K = 1,2);
Camadas granulares (K = 1,0).
R x KR + B x KB = H20
2,5 x 1,2 + B x 1,0 = 26 cm
B = 26 - 3 = 23 cm

Sub-base:
R x KR + B x KB + h20 x KS = Hn
2,5 x 1,2 + 23 x 1,0 + h20 x 1,0 = 41 cm
h20 = 41 - 26 = 15 cm

Reforço do Subleito:
R x KR + B x KB + h20 x KS + hn x KRef = Hm
2,5 x 1,2 + 23 x 1,0 + 15 x 1,0 + h9 x 1,0 = 79 cm
h9 = 79 - 41 = 38 cm
e = 2,5 cm
e = 23 cm

e = 79 cm e = 15 cm

e = 38 cm

C.B.R. = 8%
Referência para acesso virtual
http://ipr.dnit.gov.br/
Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre