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A Lei 9.

601/98 e o Contrato de Trabalho por Tempo Determinado

Artur Luis Pereira Torres

Intróito. 1. Contrato a prazo e trabalho temporário:: realidades inconfundíveis? 2. Os


ordenamentos espanhol e italiano como exemplos de intervenção estatal na política de criação
e estimulação de empregos. 3. A Lei 9.601/98 e sua repercussão no quadro do crescimento
formal do emprego no Brasil. Considerações
Consideraçõ Finais.

Intróito

A Lei 9.601/98, agradando alguns e aterrorizando outros tantos, acabou por


movimentar a doutrina laboralista do final da década de noventa. Especulações a respeito do
acerto ou desacerto da política por ela adotada não faltaram, no entanto, não passaram de
meras meditações.
Perpassados doze anos de sua publicação parece-nos
parece nos tenha transcorrido
tempo hábil para, sem quaisquer precipitações, identificarmos se detinham razão (a) os que a
repugnaram ou (b) os que aplaudiram-na.
aplaudiram
Longe de pretender estudá-la
estudá em minúcias (prazos, condições e detalhes), o
desiderato aqui almejado não supera a realização de análise macroscópica capaz de identificar
em que medida contribuiu a adoção da política para a efetiva recuperação (ou não) do mercado
de trabalho formal no Brasil.
il.
Perguntamo
Perguntamo-nos, então: a adoção da política surtiu os efeitos desejados em
solo nacional, ou empresariado se fez valer da previsão legal para reduzir contratações por

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prazo indeterminado?? Aumentaram o número de postos formais de emprego no Brasil, ou tal
medida não passou de mera precarização dos direitos trabalhistas?
É hora de checar o que se tornou, de fato, realidade entre nós.

Laureado
1
Dom Antonio Zattera pela Universidade Católica de Pelotas; Especialista em Direito Processual (PUC/RS); Mestre
Mestr em
Direito (PUC/RS); Professor convidado do PPG em Direito e Processo do Trabalho (PUC/RS); Professor do PPG em Direito de
Família (PUC/RS); Professor convidado da Fundação Escola Ministério Público RS; advogado.

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1. Contrato a prazo e trabalho temporário:: realidades inconfundíveis?

Cumpre, antes de investigar os malefícios ou benefícios oriundos da


publicação da Lei 9.601/98, rememorar o critério legislativo utilizado para dissociar dois
importantes institutos do direito do trabalho: contratos a prazo e trabalho temporário.
temporário
Os contratos individuais do trabalho revelam-se
revelam se classificáveis a partir de
diversos critérios. Do ponto de vista da forma mediante a qual são pactuados,
pactuados poderão revelar-
se verbais ou escritos;; do ponto de vista da forma mediante a qual
ual as partes o anuem,
anuem tácitos
ou expressos e, finalmente, do ponto de vista do tempo que devam perdurar,
perdurar por prazo
determinado ou
2

indeterminado.
No que diz com a derradeira possibilidade (a que interessa mais de perto),
considerada a excepcionalidade de seu aceite, a Consolidação das Leis do Trabalho tratou de
conceituar e enumerar expressamente as possibilidades de sua contratação. Fez constar,
destarte, que considera a prazo os contratos de trabalho “cuja vigência dependa de termo
prefixado ou da execução
cução de serviços especificados ou ainda da realização de certo
34
acontecimento suscetível de previsão aproximada”.
Os contratos por prazo determinado são assim nominados em contraposição
aos contratos por prazo indeterminado, regra no direito brasileiro,
o, e nada obstante possuam
regramento peculiar (especialmente o rescisório), revelam a existência de vínculo laboral entre
o empregado contratado para laborar por período predeterminado e a figura clássica do
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empregador descrita pelo artigo 2º da CLT.
O trabalho temporário, espécie de contrato por tempo determinado,
determinado não se
confunde com a noção supra esposada no que diz com a vinculação entre o prestador e
tomador da mão de obra. Regulado pela Lei 6.019/74, o epíteto revela a existência de relação
triangular entre
7
(a) uma empresa de trabalho temporário – ETT, (b) uma empresa tomadora de serviço – ETS
e,

Prevê o artigo 443 da Consolidação das Leis Trabalhistas brasileiras que o “contrato
2

individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por


escrito e por prazo determinado ou indeterminado.”
“Art. 443. (...) § 1º -Considera
Considera-se
se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja
3

vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da


realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada.” (Parágrafo
(Parágr único renumerado

42
pelo Decreto-lei
lei nº 229, de 28.2.1967)
As possibilidades de sua concretização (de acordo com a CLT) e a potencial abertura do
4

sistema mediante a publicação da Lei 9.601/98 figurarão como objeto de abordagem do item
3 destes escritos.
5

“Art. 2º -Considera-se
se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite,
serviço § 1º -Equiparam-se
assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os
profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos,
lucrativo que admitirem
trabalhadores como empregados. § 2º -Sempre
Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria,
estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade
at econômica,
serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa
empresa principal e cada uma das subordinadas.”
“(...) no contrato de trabalho a prazo o vínculo empregatício se estabelece
6

diretamente entre o empregado e a empresa que o admite.”. ROMITA,


Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. São Paulo: LTr, 1998.
98. p. 203. “Art. 4º -
7

Compreende-se se como empresa de trabalho temporário a pessoa física ou


jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras
empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por
elas remunerados e assistidos.”

43
(c) o trabalhador temporário.
temporário

Trabalho temporário, na definição do art. 2º da Lei n. 6.019, de 3 de janeiro de


1974, é aquele prestado por pessoa física a uma empresa, para atender,
necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou
8
acréscimo extraordinário de serviços.

Em suma, é preciso compreender que a prestação do trabalho temporário


tem como pano de fundo a celebração de um contrato de natureza civil entre dois empresários.
O primeiro deles (responsável pela empresa de trabalho temporário)) obriga-se
obriga a colocar a
disposição do segundo (responsável pela empresa tomadora de serviço)
serviço trabalhador a ele
vinculado, para fins de atender necessidade provisória deste (seja
seja em razão da troca de seu
9
quadro de empregados, seja em decorrência do acréscimo extraordinário
extraordinário de serviço).
serviço)
A despeito do que ocorre com os contratos a prazo previstos pela CLT,
inexiste vínculo trabalhista entre empresa tomadora do serviço e trabalhador temporário
(eventual reconhecimento de vínculo trabalhista entre ambos dependerá do desrespeito
desre ao
prazo legal). Vínculo existe, porém, entre a empresa de trabalho temporário eo trabalhador
temporário.
Os contratos previstos pela CLT (gise-se,
(gise se, onde há vinculo empregatício
entre aquele que presta e quem recebe a prestação do serviço), com exceção
exce do contrato de
10
experiência,, poderão ser pactuados por até dois anos. A prestação de trabalho temporário,
consoante prescreve
o artigo 10 da Lei 6.019/74, não poderá exceder de 3 (três) meses, pena de reconhecimento de
11
vínculo entre trabalhador temporário
temp e empresa tomadora do serviço.
Os institutos não devem ser baralhados pelo só fato de possuírem limitação
temporal, no entanto, não há negar que analisados a partir do critério do tempo que devam
perdurar,, revelam realidades assemelhadas. Em ambos
ambos é possível conhecer previamente o
período máximo pelo qual surtirão efeitos enquanto contratos a termo.
termo Distinguem-se,
portanto, com relação a distinto critério.
Em suma, a Lei 9.601/98 possibilita contratação a termo em situações
distintas daquelas previstas
evistas pela CLT (a autorização deriva de instrumento coletivo) e deve ser
compreendida, a exemplo do realizado em ordenamentos outros, como instrumento de adoção
de política combativa a altas taxas de desemprego que assolaram o Brasil do final do século
XX.

44
ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 203.
8

A respeito: MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 21 ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 184-185.
9

184
Os contratos de experiência não poderão superar 90 dias.
10

“Art. 10 -O
O contrato entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora ou cliente,
11

com relação a um mesmo empregado, não poderá exceder de três meses, salvo autorização
conferida pelo órgão local do Ministério do Trabalho e Previdência Social, segundo se
instruções a serem baixadas pelo Departamento Nacional de Mão-de-Obra.”
Mão Obra.”

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2. Os ordenamentos espanhol e italiano como exemplos de intervenção estatal na política
de criação e estimulação de empregos

Consoante preleciona doutrina de renome, pelo menos dois países de peso


(em
matéria trabalhista), no intuito de alargar o mercado formal de trabalho, se fizeram valer de
12 13
expediente semelhante ao adotado pela Lei 9.601/98: Espanha e Itália.
Editado em 1980 na Espanha, o Estatuto dos Trabalhadores (Lei
( n. 8)
consagrou a
presunção de que os contratos de trabalho deviam ser estipulados, em regra, por prazo
indeterminado,, admitindo excepcionalmente a contratação a prazo.. No entanto:

O agravamento da crise econômica e o aumento progressivo dos níveis de


desemprego determinaram a necessidade de dar nova redação ao art. 15 do
Estatuto dos Trabalhadores, a fim de se admitir em caráter geral a celebração de
contratos de duração determinada, surgindo o denominado ‘sistema conjuntural
de duração determinada’.
determinada’. O contrato de incentivo ao emprego tem como
principal característica a inexigibilidade de causa objetiva que justifique a
predeterminação da duração do ajuste. Esta reforma foi obra da Lei n. 32/1984,
14 15
de 2 de agosto.

Tal política manteve-se


manteve por aproximadamente
roximadamente uma década. Visando
combater o
desemprego que agonizou a Espanha do início dos anos noventa, três importantes diplomas
legislativos foram promulgados (Leis 10, 11 e 14/1994). A Lei 10/1994 prestou-se,
prestou dentre
outras, a
onstante do artigo 15 do Estatuto dos Trabalhadores (que consolidava a
suprimir a previsão constante
previsão de que os contratos de trabalho deveriam ser interpretados como por prazo
); a Lei 14 revogou o artigo 43.1, tornando lícita a atuação de empresas de
indeterminado);
trabalho
temporário, mediante a justificativa de que a quase totalidade dos países que compunham a
União
Européia admitia tal expediente. O novo Estatuto dos Trabalhadores (1995) manteve,
16
inauguralmente, idêntica sistemática.
Contudo, a “grande rotatividade da mão-de-obra
mão obra e impossibilidade de
implementar processos de qualificação profissional dos trabalhadores” conduziram o legislador
espanhol, em 1997, “a rever a orientação até então adotada”. O “princípio da continuidade do
18 19
17
contrato de trabalho” reconquistou seu espaço. A política social não prosperou em solo

ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 202/224.


12

46
Segundo Arion Sayão Romita parcela da doutrina brasileira, “em nome de interesses
13

obscuros” (a) realiza distorção relativa a realidade do ordenamento espanhol no que diz com
o tema contratos a prazo e, (b) ignora/omite a experiência a italiana no concernente,
concernente, visando “apedrejar”, “quase sempre por
motivos ideológicos facilmente identificáveis”, o conteúdo da Lei 9.601/98. ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas
abertos. p. 202/224.
ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 204.
14

Tal alteração, segundo Romita, representou “uma evolução legislativa digna de nota”, porque
15

revelou a sensibilidade do poder público no concernente ao grave problema do desemprego.


ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 204/205.
O Decreto Legislativo número 1 de 1995 foi responsável pela aprovação do novo Estatuto dos
16

Trabalhores.
ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 207.
17

“Essa reforma foi implementada por meio de dois reais decretos-leis:


decretos leis: 1º -n. 8/1997, de 16
18

maio, sobre medidas urgentes para a melhoria do mercado de trabalho e incentivo à


contratação por tempo indefinido. Foram introduzidas alterações no Estatuto dos
Trabalhadores. As novas disposições articulam uma modalidade para o incentivo à
contratação por tempo indeterminado, dirigidos a grupos especialmente afetados pelo
desemprego e a instabilidade trabalhista; além disso, deu-se deu se maior prestígio à negociação
coletiva na contratação de empregados; 2º -n. 9/1997, de

47
espanhol.
O ordenamento
ordenament italiano fez-se
se valer de política assemelhada, todavia, ao que
tudo
20
indica, com melhor sorte. No início do último quartel do século passado, sob idêntico
pretexto
(combate ao desemprego), implementou inovadora tendência: expansão do aceite da
contratação a
21
termo.
No ano de 1987 surge no direito italiano algo à semelhança do disposto pela
Lei
9.601/98:
Atenuou-se
Atenuou se em conseqüência o desfavor manifestado pelo legislador
legi no tocante
ao contrato de trabalho a prazo. Este passou a ser tido por eficaz instrumento de
flexibilização a ser utilizado pelas empresas, surgindo uma tendência a conceder
crescente espaço ao contrato a termo, a ponto de se falar em uma inversão do
histórico desfavor cultivado no passado, tendência esta que culmina com a
promulgação da Lei n. 56, de 28 de fevereiro de 1987, que atribui à
negociação coletiva, promovida pelos sindicatos de trabalhadores mais
representativos, a tarefa de fixar novas hipóteses de contratações a termo,
além daquelas previstas em lei. Anteriormente a este diploma, outras leis
haviam sido editadas, sempre com o mesmo desiderato, a saber, o aumento
da possibilidade de celebração de contratos de trabalho por tempo
22
determina (...). (grifos nossos)
determinado

O quadro evolutivo, a partir do início dos anos oitenta, apresentou-se


apresentou
galopante, tendo, inclusive, redundado em 1997, na queda do tradicional impedimento “de
23
interposição no trabalho”, admitindo-se
admitindo a figura do trabalhador temporário
porário.
Nada obstante tenha o ordenamento espanhol dado passo atrás (ou seja, por
lá a política não obteve os resultados almejados), o sistema italiano (nossa matriz ideológica)
segue firme em sua proposta, o quê nos leva a crer que o acerto na adoção da política em
epígrafe (leia-se,
se, seu sucesso ou insucesso) será passível de identificação apenas quando
analisado isoladamente suas consequências em dado ordenamento jurídico.
Nesta linha, portanto, importa verificar (a) quais as consequências de sua
implementação brasileira, não sem antes, é claro, preparar o terreno para tanto.
plementação na realidade brasileira,

16 de maio, peloqual se regulam incentivos em matéria de seguridade social e de caráter fiscal para a
promoção da contratação indefinida e a estabilidade no emprego.”.
emprego.”. ROMITA, Arion Sayão. Direito do
Trabalho: Temas abertos. p. 207/208.
19
“(...) o direito espanhol não serve de paradigma para o direito brasileiro, pelo menos com o
significado que lhe vem sendo emprestado por intérpretes que hostilizam a promulgação
promulgaçã da
Lei n. 9061. Se as medidas adotadas pelo legislador espanhol em 1984 não surtiram o efeito

48
desejado – reduzir as altas taxas de desemprego – o fato deve-se se a circunstância de ordem
econômica, estruturais, que não são necessariamente as mesmas observadas observad no Brasil.”.
ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 202/224.
“A Itália apresenta uma evolução legislativa idêntica à registrada na Espanha: em nome do
20

combate ao desemprego, ampliou as hipóteses de celebração de contratos de trabalho por


tempo determinado (...)”.ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos.
aberto p. 210.
“Como expressão da nova tendência à ‘política ativa do trabalho’, em 1977 e 1978 foram
21

promulagadas três leis que ampliaram as possibilidades de estipular contratos de trabalho por
tempo determinado. Além das cinco hipóteses taxativamente enumeradas enumeradas pela Lei n. 230, de
1962, este contrato tornou--se possível, também: 1º -no no setor do espetáculo e da radiotelevisão
(Lei n. 266, de 1977); 2º -setor
setor do comércio e do turismo (Lei n. 18, de 1978; 3º -no trabalho
dos jovens inscritos nas listas especiais
especiais de colocação ( Lei n. 479, de 1978).”. ROMITA,
Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 211/212.

ROMITA, Arion Sayão.


22
Direito do
A Lei
23
Trabalho: Temas abertos. p. 212.
196/97 estabeleceu a
possibilidade (lavor interinale).
interinale

49
3. A Lei 9.601/98 e sua repercussão no quadro do crescimento formal do emprego no
Brasil

Entre nós as contratações laborais são consideradas, em regra, por prazo


24
indeterminado. Preza-se
se pela prevalência do princípio da continuidade das relações de
laborais,
25
se, excepcionalmente, contratação a prazo.
admitindo-se,

Anteriormente a essa lei, o direito brasileiro conhecia alguns tipos de


contrato de trabalho de duração definida: a) o contrato de trabalho
temporário regulado pela Lei n. 6.019, de 3 de janeiro
janeiro de 1974, cuja
duração não poderia exceder 3 meses, ressalvada autorização
administrativa (art. 10); b) o contrato de trabalho a termo (CLT, art.
443, §1º); c) o contrato de trabalho por obra certa (CLT, art. 443, §1º);
d) o contrato de safra (CLT, art.
art. 443, §1º); e) o contrato de experiência
(CLT, art. 443, §2º, c). (...)
Após a Lei 9.601, os contratos de trabalho de duração definida podem ser então
assim grupados: a) o contrato de trabalho temporário (Lei n. 6.019); b) os
contratos regidos pelo art.
art. 443, CLT; c) o contrato de trabalho resultante da
26
negociação coletiva (Lei n. 9.601).

Interessa para o momento, antes de investigar suas consequências,


compreender
os anseios e a sistemática adotados pela Lei 9.601. O primeiro passo diz com a compreensão
compre de
que,
a exemplo dos ordenamentos espanhol e italiano, a medida legislativa visou, grosso modo,
expandir
o mercado formal de trabalho, almejando combater os altos índices de desemprego da época de
sua
27 28 29
promulgação.
Dispôs o primeiro artigo
arti do diploma sob apreço -regulamentado
regulamentado pelo
Decreto
2.490/98 -que
que as “convenções e os acordos coletivos de trabalho poderão instituir contrato de
trabalho por prazo determinado”, independentemente das condições estabelecidas pelo
parágrafo 2º
da Consolidação
idação das Leis Trabalhistas, “em qualquer atividade desenvolvida pela empresa ou
30
estabelecimento”.

24
“A indeterminação da duração contratual tem constituído, no Direito do Trabalho, como já
exaustivamente analisado, a regra geral aplicável aos contratos contratos de trabalho.”. DELGADO.
Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 4 ed. São Paulo: LTr, 2005. p. 554.
A Consolidação das Leis do Trabalho regula a matéria a partir de seu artigo 443, assim
25

50
redigido: “Art. 443 -OO contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou
expressamente, verbalmente ou por escrito e por prazo determinado ou indeterminado. § 1º -
Considera-se
se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa depen de
termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da realização de certo
acontecimento suscetível de previsão aproximada. § 2º -O O contrato por prazo determinado só
será válido em se tratando: a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade
transitorie justifique a
predeterminação do prazo; b) de atividades empresariais de caráter transitório; c) de contrato
de experiência.”
ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 214.
26

27
“Foram objetivos do governo, ao enviar ao Congresso Nacional o projeto que deu origem à
Lei n. 9.601/98, diminuir o desemprego e legalizar a situação informal de certos
trabalhadores, que eram contratados sem carteira assinada.”. MARTINS, Sérgio Pinto. Direito
do Trabalho. 21 ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 151.
“A Lei n. 9.601 tem o declarado propósito de contribuir para a redução da taxa de
28

desemprego, que ultimamente vem crescendo: (...) O art. 1º da lei dispõe claramente que o
contrato de trabalho porr tempo determinado ali previsto poderá ser instituído para admissões que
representem acréscimo no número de empregados. O art. 1º, parágrafo único, do Decreto n 2.490, de 4 de fevereiro de 1998, que regulamenta a
Lei 9.601, veda a contratação por tempo determinado
determinado na forma agora introduzida para substituição de pessoal regular e permanente contratado
por tempo indeterminado.” ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 216.
“A Lei n. 9.601 deve ser estuda neste contexto: combate ao desemprego,
desemprego, à luz do modelo ou
29

sistema de relações industriais prevalecente no Brasil.”. ROMITA, Arion Sayão. Direito do


Trabalho: Temas abertos. p. 221.
“O §1º, do art. 1º da Lei 9.601/98 dispõe expressamente que a contratação é feita mediante convenção ou acordo coletivo. Não
30

usa a expressão acordo ou convenção coletiva, que poderia indicar que o acordo é individual. Nesse caso, o acordo é coletivo e
não individual. Para a validade do contrato por tempo determinado, a contratação deve ser feita mediante mediante
convenção ou acordo coletivo. Não será possível a contratação individual.”. MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 21
ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 152.

51
Segundo doutrina de peso, dois são os requisitos exigidos para a validação
da
contratação
ação a termo previsto pela Lei 9.601/98: a) a existência de instrumento coletivo
autorizativo
31
e, b) que tais admissões representem acréscimo no número de empregados do contratante.

No tocante ao primeiro requisito (contrato instituído por negociação


coletiva ), quer a lei que tal contrato somente seja pactuado caso tenha recebido
oletiva),
autorização de diploma normativo autônomo negociado. Não há possibilidade
jurídica, desse modo, à utilização do contrato a termo, nos moldes da Lei n.
9.601/98, sem o manto prévio da negociação coletiva, através de seus
instrumentos formais (convenção e/ou acordo coletivo do trabalho). (...) Quer a
ordem jurídica exigir, portanto, a formalidade da convocação de assembléia geral
específica para tratar do tema (arts. 611 e 612, CLT), celebrando
celebrando-se os diplomas
normativos negociais coletivos autorizadores do tipo de pactuação aventado pela
Lei n. 9.601/98. Sem tal formalidade e sem tal título jurídico de caráter coletivo,
torna se irregular o contrato por tempo determinado. (...) O segundo destes
torna-se
requisitos (...), é de que seja o contrato de trabalho instituído para pactuar
admissões que representem acréscimo no número de empregados. Isso
significaria que o temor de que haja utilização desse contrato para admissão de
obreiros que não traduzam
traduzam real acréscimo no número de empregados teria
encontrado lenitivo no próprio texto legal: será irregular a contratação que se
32
faça sem verdadeiro incremento no número de postos de trabalho.

Chancelando a ratio legislativa, o artigo 1º do diploma regulamentador


regul
(Decreto
2.490/98) veda a contratação de trabalhadores, por esta via, para substituição de pessoal regular
e
33
permanente contratado por prazo indeterminado.
É possível asseverar, destarte, que a Lei 9.601/98 atenuou sim “o caráter
restritivo
que a ordem jurídica” conferia à validação dos contratos a termo, restando, porém, a
necessidade de
enfrentar o tema a partir da perspectiva da fragilização ou não da proteção estatal ao
trabalhador e
34
sua atual legitimidade.
De um lado, parcela doutrinária
doutrinária sustenta que o diploma legal não apenas
diminuiu
restrições à pactuação dos contratos a termo, mas “aprofundou a carência de direitos
trabalhistas”,
35
característica ínsita a espécie contratual, em clara afronta ao sistema juslaboral pátrio.
Argumenta-se,
se, primeiro, no sentido de que a política adotada não se presta a legitimar o
discurso
oficial “de que a redução do custo direto e indireto da força do trabalho” seria instrumento
eficaz
36 37
para gerar novos postos de trabalho. Segundo, que o trilho normativo escolhido como
política
52
Neste sentido, vide: DELGADO. Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. p. 555/556.
31

DELGADO. Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 4 ed. São Paulo: LTr, 2005. p. 556.
32

Pugnando pela ilegalidade


alidade do artigo 1º do Decreto 2.490/98, vide: MARTINS, Sérgio Pinto.
33

Direito do Trabalho. p. 152/153.


“Ao ser promulgada, a Lei n. 9.601 ensejou a nítida separação na grei dos estudiosos do
34

Direito do Trabalho entre nós, de duas correntes de opinião perfeitamente identificadas: 1ª –


corrente estatizante, intervencionista, apegada AA noção do garantismo legislativo, crente no
direito impositivo, defensora intransigente da ordem pública social; 2ª – corrente que abre
espaço às manifestações da sociedade civil, liberalizante, que dá ênfase à autonomia coletiva
privada, avaliza o direito promocional e reconhece não o primado, mas a necessidade de
atentar para as limitações da ordem pública econômica de direção.”. ROMITA, Arion Sayão.
Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 219.
DELGADO. Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 4 ed. São Paulo: LTr, 2005. p. 554.
35

DELGADO. Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 4 ed. São Paulo: LTr, 2005. p. 575.
36

“Há críticas, porém, ao mecanismo adotado pela lei. Pondera-se


Pondera se que nenhum empresário, em
37

sã consciência, iria criar novos postos de trabalho simplesmente pelo fato de se tratar de
postos menos onerosos (o raciocínio é outro: eleva-se
eleva se a produção apenas se o mercado
justificar
ficar tal acréscimo). A equação postos de trabalho mais onerosos versus menos onerosos apenas
justificaria a substituição de trabalhadores,
trabalhadores eliminando-se se os postos mais dispendiosos pelos menos dispendiosos e igualmente
produtivos. Para tal linha reflexiva,, a criação efetiva de empregos passaria por raciocínio distinto, de dimensão macroeconômica, não
se vinculando a práticas de apenação unilateral do trabalhador (práticas adotadas em um país cujos salários básicos já se situam
sit entre
os menores, no quadro dos os parâmetros ocidentais minimamente comparáveis). (...) mesmo considerado o cenário estritamente
trabalhista, outro tipo de política social é que se mostraria eficaz no combate ao desemprego: a redução da jornada de

53
social encontra enorme dificuldade de compatibilização com o texto constitucional de 1988.

A Lei 9.601/98, entretanto, parece querer firmar marco distinto e mais extremado
do processo flexibilizatório trabalhista no país. Pelo texto deste diploma, a linha
flexibilizatória deixa de preponderar pela simples adequação do caráter genérico
das leis trabalhistas às circunstâncias e especificidades de segmentos do mercado
de trabalho e setores produtivos e profissionais, através da negociação coletiva.
Prefere o novo diploma, ao revés, apontar na direção
direção da franca e direta redução
dos direitos laborais decorrentes da ordem jurídica. Passa-
Passa-se a perceber na norma
jurídica heterônoma estatal e na negociação coletiva instrumentos de pura e
38
simples redução de direitos.

Em suma, tal corrente considera que


que o diploma em epígrafe é responsável
pela
precarização de direitos trabalhistas e condições básicas de pactuação da força de trabalho,
39 40
motivo pelo qual apelidou a Lei 9.601/98 de “Lei do Contrato Precário”.
Doutro, ecoam aplausos ao legislador de 98 considerando parcela
doutrinária que
a veemente crítica ao diploma legal retrata herança do ranço histórico-ideológico
histórico que,
atualmente,
41
se presta tão somente a albergar interesses escusos.

O Estado autoritário – onisciente, onipresente e onipotente -, que sabe


melhor do que os grupos e do que os indivíduos aquilo que convém a
todos e a cada qual, está em vias de desaparecimento, mesmo entre
nós. O Estado que absorve os anseios da sociedade civil c reprime a
ação dos corpos sociais intermediários ou a direciona para a satisfação
dos interesses do bloco instalado no poder. (...) O Estado que
desconfia dos atores sociais, que se nega a aceitar a participação dos
protagonistas sociais na criação do direito também se encolhe. Como
disse Ernst Forsthoff em 1964, ‘liberdade e participação são conceitos cardeais
42
que determinam hoje a relação do indivíduo com o Estado’.

Segundo tal corrente, não há mais falar na manutenção de um modelo


jurídico
“facista-getulista”
getulista” (incapaz de alinhar o exacerbado paternalismo estatal a contemporânea
conjuntura econômica) que vede maior participação da sociedade civil na construção dos
ditames
jurídicos a que se submete. O Direito, independentemente do pretexto a ser
se levantado como
pano de
fundo, não pode ignorar a realidade e as necessidades sociais. Escasso o bem da vida (no caso
o
emprego)) deve sim o ordenamento buscar alternativas para renová-lo.
renová
Ao adotar medidas tendentes a abrandar os contornos do desemprego,
desempreg a Lei n.
9.601, sem sombra de dúvida, atenta contra o princípio da continuidade da
relação da relação de emprego (...) mas o faz com o declarado propósito de
contribuir para o combate do desemprego. Leva em conta a existência de vastos
contingentes de seres
seres humanos que buscam uma colocação, após terem perdido a

54
que tinham. Procura incorporar ao mercado formal de trabalhadores que se
encontram fora dele, marginalizados. (...) A Lei n. 9.601 tem suportado muitas
críticas, de diversas origens e de variadas naturezas. Todas são injustas e
improcedentes. Não raro carregam em seu bojo o preconceito (jamais

trabalho, associada à penalização definitiva da prática de horas suplementares habituais, por exemplo.”. DELGADO. Maurício
Godinho. Curso de
Direito do Trabalho. p. 576.
A respeito: DELGADO. Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. p. 579/581.
38

DELGADO. Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. p. 578.


39

40
Segundo Romita tal corrente “fiel à sua matriza ideológica de cunho autoritário, com raízes no
corporativismo facista-getulista
getulista do Estado Novo, não pode tolerar o avanço doutrinário, de
efeito modernizante e democrática, que a Lei 9.601 traz em seu bojo.”. ROMITA, Arion
Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 219.
Neste sentido vide: ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 203/224.
41

ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 216/217.


42

55
explicitado, é claro) que trai o apego doutrinário e ideológico de quem as
formula ao ideário corporativista, estatizante, autoritário, paternalista e
protecionista que está na base do Direito do Trabalho brasileiro, desde seu
43
hoje (grifos nossos)
início histórico até os dias de hoje.

Mas, e de fato, a adoção da política (12 anos atrás) surtiu quais efeitos em
solo brasileiro? O empresariado se fez valer da previsão legal para reduzir contratações por
prazo indeterminado?? Aumentaram o número de postos de emprego?
Consoante anotação do Ministério do Trabalho (vide relatórios de Relação
44
Anual de Informações Sociais – RAIS ), com derradeira atualização em 2008 (apenas dados
45
do CAGED relatam o ano de 2009 ), constata-se
se que os anos que precederam a publicação da
Leii 9.601/98 representaram período de pequena evolução no quadro do crescimento do
emprego no Brasil (em alguns casos até seu decrescimento).
De 1989 a 1992 registrou-se
registrou se queda livre no número de empregos formais no
país (1989= 24.486.568; 1990= 23.198.656; 1991= 23.010.793; 1992= 22.272.843). Ainda que
se tenha registrado alta no ano de 1993 (em relação a 1992 -1993=
1993= 23.165.027), os índices
alcançados em 1989 foram recuperados/superados tão somente no ano de 1999 (ano posterior
ao da publicação da Lei 9.601 -1999=
1999= 24.993.265), momento a partir do qual decolou o Brasil
rumo aos 39.441.566 postos de trabalho registrados em 2008. Foram registrados no âmbito
celetista,, até o mês de julho de 2009, o surgimento de mais 299,5 mil postos de trabalho.
É preciso, porém,
porém, analisar os números oficiais com a devida cautela.
Primeiro, porque a estatística oficial soma postos de emprego (formais) celetistas e
estatutários;; segundo, porque não há dados específicos referentes ao número de contratações
realizadas mediante a via ora analisada (pelo menos não há divulgação oficial); terceiro,
porque evidentemente questões outras (com destaque para o crescimento econômico do país)
obviamente contribuíram para a evolução do número de postos de emprego constatado. Assim
sendo, imperioso
oso reconhecer a impossibilidade de concluir pelo (des)acerto de qualquer das
correntes doutrinárias supra mencionadas.
Há, no entanto, uma certeza. O Brasil, desde 2000, registra considerável taxa
46
de crescimento no número de empregos formais. Desde lá,, crescemos mais de 35%, nada
obstante afigure-se
se impossível afirmar o quilate da contribuição perpetrada pela Lei 9.601/98
para tanto.

ROMITA, Arion Sayão. Direito do Trabalho: Temas abertos. p. 222. “Instituída pelo
43 44

Decreto no 76.900/75, a RAIS é um registro administrativo de


responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego, criado com fins
fiscalizadores, operacionais e estatísticos.” Fonte: Relatório 2008 – RAIS, acessado em 10.10.2010;

56
“Se
45

www.mte.gov.br/rais/2008/arquivos/resultados_definitivos
www.mte.gov.br/rais/2008/arquivos/resultados_definitivos.pdf;
; acessado em 10.10.2010.
considerarmos o saldo do CAGED (que compreende apenas o mercado de
trabalho celetista), de janeiro a junho de 2009 (299,5 mil postos, cujo
resultado está fortemente influenciado pelo impacto da crise financeira), o mont
montante
ante de empregos criados
no período de janeiro de 2003 a junho de 2009 totaliza 11,056 milhões de postos de trabalho formais.”
“No
46

www.mte.gov.br/rais/2008/arquivos/resultados_definitivos.pdf; acessado em 10.10.2010.


www.mte.gov.br/rais/2008/arquivos/resultados_definitivos.pdf;
período de 2003 a 2008, com base nos dados da RAIS, verificou-se
verificou a
geração de emprego formal da ordem de 10,758 milhões. Esse resultado
demonstra um ganho na formalização da força de trabalho sem precedentes, com importantes repercussões
em termos sociais e econômicos, visto que representa uma
uma melhoria social, decorrente do fato de que esses
trabalhadores são amparados legalmente, com salários mais altos e outros benefícios.” Fonte: Relatório
2008 – RAIS, www.mte.gov.br/rais/2008/arquivos/resultados_definitivos.pdf;
www.mte.gov.br/rais/2008/arquivos/resultados_definitivos.pdf; acessado em 10.10.2010.

57
Considerações finais

O presente estudo, ao fim e ao cabo, nos leva concluir que:


a) ainda que a espécie contratual prevista pela Lei 9.601/98 não possa ser
confundida com o trabalho temporário no que diz com a vinculação existente entre prestador e
tomador da mão de obra, ambos se assemelham do ponto de vista da estipulação de limitação
temporal para duração do pacto;
b) o contrato especial a termo (Lei 9.601/98) foi introduzido no Brasil, a
exemplo do que ocorreu na Espanha e na Itália do final do século passado, mediante o discurso
de tratar-se de política social capaz de adequar o ordenamento vigente as exigências
econômicas contemporâneas, visando o combate aos altos índices de desemprego registrados à
época de sua publicação;
c) a doutrina pátria
pátr cindiu-se
se no que diz com a aprovação da política por ela
adotada. De um lado, sustentou-se
sustentou se que, além de a política adotada não revelar instrumento
eficaz à geração de novos postos de trabalho, encontrava enorme dificuldade de
compatibilização com o texto
texto constitucional de 1988. Em suma, considerou tal corrente que o
diploma em epígrafe representou fonte de precarização dos direitos trabalhistas,
trabalhistas nada além
disso; De outro, sustentou-se
se que não mais havia falar na manutenção de um modelo jurídico
“facista-getulista”
getulista” (incapaz de alinhar o exacerbado paternalismo estatal a contemporânea
conjuntura econômica) capaz de impedir a maior participação da sociedade civil na construção
dos ditames jurídicos a que deveria se submeter. Escasso o emprego,, teria agido bem
be o
legislador ao buscar alternativa inovadora para sua renovação;
d) nada obstante registre-se
registre se o considerável crescimento do número postos
formais de emprego no Brasil a partir do início do século XXI, não é possível afirmar, face à
inexistência de índices
es oficiais específicos, o acerto ou desacerto de qualquer das correntes
doutrinárias, bem como
o tamanho da contribuição perpetrada pela Lei 9.601/98 para tanto.

58
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previsto na lei nº 9.601/98. www.mundojuridico.adv.br/sis_artigos/artigos.asp?codigo=731,
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62

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59