Você está na página 1de 12

05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

Universidade Federal
 de Minas Gerais

POR 
 
Coberturas especiais

Mulheres superam obstáculos e


avançam na ciência
Na UFMG, liderança feminina na pesquisa
cresceu em seis das oito áreas do conhecimento
quinta-feira, 8 de março 2018, às 13h24
atualizado em segunda-feira, 12 de março 2018, às 09h08

A participação feminina na liderança de grupos de pesquisa

Videogra smo: Bruna Araujo

Resquícios de uma tradição em que homens herdavam de seus pares che as


de laboratório e de grupos de pesquisa estão paulatinamente cedendo lugar
à participação feminina. Os espaços acadêmicos vêm sendo ocupados cada
vez mais por mulheres, incluindo a liderança de grupos de pesquisa e os
cargos de gestão – mesmo em unidades acadêmicas e departamentos
tradicionalmente dirigidos por homens.
https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 1/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

De 2007 a 2018,Universidade
a presença feminina
Federal em funções de liderança na pesquisa

cresceu em seis de
dasMinas
oito áreas
Geraisdo conhecimento, segundo levantamento da
Pró-reitoria de Pesquisa (PRPq). Um dos destaques é a área de ciências
agrárias, na qual a liderança de mulheres passou de 23,68%, no primeiro ano
da série, para 41,03%, em 2018. Em grupos de pesquisa das ciências sociais
aplicadas, essa presença saltou, no período, de 29,51% para 43,18%.

Também na UFMG, dos 2.076 pesquisadores que guram como inventores


nos depósitos de patentes efetuados pela Coordenadoria de Transferência e
Inovação Tecnológica, 880 (42%) são mulheres – incluindo docentes, alunas de
graduação e pós-graduação.

Nilma: mulheres tensionam a sociedade a se


democratizar
Foca Lisboa / UFMG

A professora Nilma Lino Gomes, da Faculdade de Educação, pondera que essa


gradativa mudança de gênero na ciência só existe devido às lutas sociais por
direitos e emancipação, desencadeadas pelas mulheres. “Historicamente, as
mulheres tensionam a sociedade e o campo da produção do conhecimento a

https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 2/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

se democratizarem em relação
Universidade ao gênero. O conhecimento ainda é um espaço
Federal

masculino, eurocentrado e branco em nosso país. Precisa ser democratizado e
de Minas Gerais
descolonizado”, defende.

Percepção de liderança
Apesar dos avanços, ainda há muito a conquistar, alerta a professora Andréa
Mara Macedo, diretora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), um dos
maiores centros de pesquisa do país. Ela recorre ao conceito de “currículo
oculto” para discutir a percepção que os pesquisadores têm de seus pares.

Andrea Mara Macedo: currículo oculto


Foca Lisboa/UFMG

“Embora registre muito bem o trabalho de cada pesquisador, com número e


peso de artigos, por exemplo, há algo que o Lattes [Plataforma do CNPq] não
consegue computar: como uma pessoa, por sua excelência, é percebida pelos
pares? Quanto ela seria ouvida sobre uma determinada estratégia ou política?
É isso que chamo de currículo oculto”, pondera Andrea Macedo. Ela acredita
que, sob esse aspecto, a prevalência ainda é masculina, pois quando
questionadas sobre quem são as lideranças de uma instituição como a UFMG,

https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 3/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

as pessoas, na maioria das vezes


Universidade – mesmo as mulheres –, mencionam
Federal
homens.  de Minas Gerais

Outro obstáculo enfrentado pelas mulheres na academia é o preconceito de


gênero, que “sempre houve e continua existindo”, assegura Maria de Fátima
Leite, também pesquisadora do ICB. Ela conta que, em concurso a que se
submeteu no ano passado para tornar-se professora titular, ouviu
“comentários constrangedores” de integrantes da banca examinadora,
formada somente por homens. “O meu sucesso cientí co foi considerado um
golpe de sorte”, critica.

International Fellow do Howard Hughes Medical Institute (EUA), de 2007 a


2012, Fátima Leite alcançou notoriedade internacional em 2003 ao participar
da descoberta, ao lado de pesquisadores dos Estados Unidos, de uma
organela celular – o retículo nucleoplasmático – que armazena e regula a
liberação de íons cálcio no núcleo das células.

Há também o viés étnico, para o qual chama a atenção a professora Nilma


Lino Gomes, ex-titular do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos
Humanos. Ela comenta que há baixo número de mulheres negras na
academia, e as poucas presentes estão mais representadas nas humanidades.
Tal situação, destaca a professora, é re exo de profundas desigualdades
raciais, sociais e de gênero que impactam as condições de estudo e as
possibilidades de escolha da população negra e pobre em nosso país.

Segundo Nilma Lino, as ações para estimular a presença de mulheres na


ciência necessitam de um recorte de raça, “ou seja, mais mulheres negras na
ciência”. Em sua opinião, “o contato emancipatório do conhecimento com a
diversidade é importante para a superação de preconceitos e ignorâncias na
relação com o outro". E lembra que “nem sempre ser um PhD da ciência
signi ca excelência na relação com a alteridade”.

https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 4/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

Universidade Federal
 de Minas Gerais

Maria de Fátima Leite: notoriedade internacional


Foto: Victor Leite

Nova postura
A professora Maria de Fátima Leite considera positivas políticas recentes que
contribuem para que mulheres possam conciliar a vida na academia com as
atividades em família, a exemplo da extensão de bolsas do Conselho Nacional
de Desenvolvimento Cientí co e Tecnológico (CNPq) para alunas que
engravidam.

A medida também é bem-vista pela pesquisadora Fernanda Tonelli, que tem


bolsa de pós-doutorado Junior no Laboratório de Nanobiotecnologia do ICB.
Embora não tenha vivido situações de discriminação no ambiente acadêmico,
Fernanda diz acompanhar, nos grupos de que participa em redes sociais,
relatos de bolsistas que deixaram cursos de pós-graduação ao engravidarem
ou terem lhos, devido à pressão dos orientadores para que a entrega de
resultados ocorresse na mesma velocidade que a exigida de outros
pesquisadores.

Fátima Leite também observa uma mudança de postura na organização de


eventos: “Atualmente, quando sou convidada para algum congresso,
sobretudo no exterior, me perguntam se preciso de algum tipo de auxílio para
levar meu lho. Isso não existia, é um progresso, talvez porque haja mais
mulheres participando desse trabalho de organização.”
https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 5/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

A professora, noUniversidade
entanto, nãoFederal
enxerga apenas problemas nos desa os que o

mundo acadêmico impõeGerais
de Minas às mulheres. “Porque passamos por tantas
di culdades, acabamos desenvolvendo muitas habilidades, como a
capacidade de ter foco, de aproveitar melhor o tempo, pois tempo é o que nos
falta, já que somos muito demandadas também pelos cuidados com lhos,
pais idosos e tarefas domésticas”, pondera.

Fernanda Tonelli (à esquerda) com a pesquisadora Samyra Lacerda


Foto: Carol Prado / UFMG

Estrutura androcêntrica
O pesquisador Marcel Freitas, que defendeu em janeiro deste ano tese de
doutorado sobre trajetórias de mulheres cientistas na UFMG, a rma que
existe uma “estruturação ainda androcêntrica na produção cientí ca na
Universidade”. No trabalho, desenvolvido na Faculdade de Educação sob
orientação da professora Adla Betsaida Martins Teixeira, ele demonstra que
há prevalência masculina nos índices de produtividade. Segundo ele, “a
diferença não é grande, mas existe e é recorrente”.

Tendo o ano de 2016 como base, Marcel Freitas mensurou os seguintes itens
de produtividade, sempre separados por grupos de sexo: artigos cientí cos
publicados, trabalhos ou resumos de trabalhos publicados em anais de
eventos, orientações de mestrado e doutorado e supervisões de pós-
doutorado.
https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 6/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

Para comparar aUniversidade


participaçãoFederal
de homens e mulheres na produção de ciência

na UFMG, ele levantou o número
de Minas Gerais de artigos publicados por 2.021 docentes de
ambos os sexos que, em 2016, atuavam em 74 cursos de pós-graduação stricto
sensu. “Todos têm doutorado e atuam apenas no mestrado e no doutorado”,
explica o pesquisador.

A distribuição por sexo é desigual entre as áreas, e as mulheres concentram-


se principalmente nas ciências humanas e na saúde. Nesta, contudo, embora
haja mais mulheres, são os homens que apresentam maior produtividade
acadêmica, diz o pesquisador.

“A maior produtividade dos homens é nas ciências exatas, o que é esperado,


por ser a área em que há menos mulheres, mas a segunda área de maior
produtividade deles é a saúde, em que o número de mulheres é um pouco
maior”, compara Marcel Freitas.

O pesquisador levanta a hipótese de que há uma divisão de trabalho, em que


os homens atuam na criação e na produção cientí ca, enquanto grande parte
das mulheres se ocupa de tarefas ligadas ao ensino e à burocracia. “Isso
replica na academia o ambiente doméstico e uma antiga imagem social da
mulher cuidadora – não aquela que pensa, cria, inventa, desenvolve uma
vacina, um método ou um equipamento”, diz.

Marcel Freitas também a rma que a área de ciências exatas ainda permanece
como “uma espécie de santuário masculino”. Segundo ele, as mulheres são
minoria nas exatas mesmo nos países escandinavos e europeus, nos quais
elas têm muita proeminência na academia e se distribuem mais
igualitariamente entre as áreas.

De acordo com o levantamento da PRPq, a liderança feminina de grupos de


pesquisa nas áreas de ciências exatas e da terra, na Universidade, caiu de
33,33% em 2007 para 27,27% em 2018, o que representa uma redução de
6,06%. Contudo, o terceiro maior aumento de grupos che ados por mulheres
na UFMG, nos últimos dez anos, foi no campo das engenharias – crescimento
de 10,11%, tendo passado de 22,73% para 32,84%.

Confira o levantamento da PRPq na íntegra

 Apresentação Mulheres - 2018.02.28.pdf


Paridade ainda distante
De acordo a Organização das Nações Unidas (ONU), “a maioria dos países,
industrializados ou não, está longe de alcançar a paridade de gênero nas
https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 7/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

disciplinas de ciência, tecnologia,


Universidade engenharia e matemática, em todos os
Federal

âmbitos do sistema educacional”.
de Minas Gerais O alerta foi feito em mensagem divulgada
no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (11 de fevereiro),
assinada pela diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Audrey Azoulay, e pela diretora-
executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka.

O documento ressalta que é difícil para as meninas acreditarem em si mesmas


como cientistas, exploradoras, inovadoras, engenheiras e inventoras quando
as imagens que veem nas mídias sociais, nos livros didáticos e na publicidade
re etem os papéis estreitos e limitantes de gênero.

Outro relatório, Gender in the global research landscape (Gênero no cenário


global de pesquisa, em tradução livre), publicado em 2017, mostra um cenário
mais favorável em países como Brasil e Portugal, nos quais 49% da população
de cientistas é feminina, o que indica que alcançaram a paridade de gêneros
nesse campo. O estudo calculou o número de homens e mulheres
pesquisadores em doze países, no período de 2011 a 2015. Considera-se que
há equilíbrio de gênero quando as mulheres compõem de 40 a 60% de
qualquer grupo.

Segundo o relatório, em outros cinco países (Reino Unido, Canadá, Austrália,


França e Dinamarca), mais a União Europeia, o número de publicações por
mulheres já atingiu pelo menos 40% do total. Entre 1996 e 2000, somente
Portugal contava com taxas superiores a 40%. A quantidade de pesquisadoras,
no entanto, muda de acordo com a área do conhecimento, segundo o
relatório.

https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 8/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

Universidade Federal
 de Minas Gerais

Karla Balzuweit: é preciso estimular as meninas 


Foca Lisboa / UFMG

“Equilíbrio de gênero é sempre muito bom, para incorporar diferentes formas


de pensar”, defende a professora Karla Balzuweit, do Departamento de Física.
Em sua opinião, é preciso estimular também nas meninas, desde o ensino
fundamental, o interesse pelas chamadas ciências duras. “É uma pro ssão
como qualquer outra”, pondera. Mas adverte que é muito difícil equilibrar as
atribuições acadêmicas, sobretudo a parte experimental, com a vida em
família. “A maioria dos pesquisadores trabalha de domingo a domingo, pois
não se pode parar uma experiência no meio.”

Segundo Karla Balzuweit, uma das perguntas feitas à sua ex-aluna de


mestrado Thaís Milagres de Oliveira, atualmente doutoranda da professora
Sara Bals, no Centro de Microscopia em Ciência dos Materiais da Universidade
de Antuérpia (Bélgica), era exatamente se ela tinha disponibilidade para usar
os microscópios eletrônicos em horário noturno e ns de semana.

Para Marcel Freitas, os laboratórios – não apenas nas ciências exatas – ainda
podem ser ambientes hostis para o feminino. “Trata-se de uma postura tácita,

https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 9/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

inconsciente, umUniversidade
habitus internalizado,
Federal no dizer do sociólogo francês Pierre

Bourdier”, a rma.deEm suaGerais
Minas opinião, é importante que haja mais mulheres
cientistas e conscientes “do caráter androcentrado da sociedade que se
reproduz na universidade”.

Grupos e bolsas
Em 2018, os grupos de pesquisa na UFMG ainda são liderados, em sua
maioria, por homens – as mulheres coordenam 44,61% do total. Na
distribuição pelas oito áreas do conhecimento, elas são maioria em apenas
três: 53,85% em linguística, letras e artes, 52,48% em ciências humanas e
50,94% em ciências da saúde. Se comparado com 2007, o quadro atual mostra
redução da liderança feminina em duas áreas: de 6,45% em linguística, letras e
artes e de 6,06% em ciências exatas e da terra.

Foi registrado crescimento em todas as outras seis áreas: ciências agrárias


(17,34% de aumento da presença feminina), ciências biológicas (6,46%),
ciências da saúde (7,85%), ciências humanas (5,23%), ciências sociais aplicadas
(13,67%) e engenharias (10,11%).

Em relação às bolsas de produtividade do CNPq, as mulheres correspondem a


35,96% dos 748 detentores desse incentivo na UFMG. Ele é concedido a
pesquisadores “que se destaquem entre seus pares, valorizando sua produção
cientí ca”, segundo critérios normativos adotados pela agência de fomento.

Dos 63 pesquisadores da UFMG com bolsas de produtividade de remuneração


mais alta (1A), apenas 15 são mulheres, o que corresponde a 23,81% do total.
Essa classi cação destina-se a pesquisadores “que tenham mostrado
excelência continuada na produção cientí ca e na formação de recursos
humanos e que liderem grupos de pesquisa consolidados”.

Uma em 56
Professora do Departamento de Matemática da UFMG desde 1983, Sônia
Pinto de Carvalho admite que qualquer mulher que queira frequentar
ambientes majoritariamente masculinos precisa perceber a sutileza de certos
comportamentos desses grupos. “Existe uma maneira de ser em cada
ambiente”, pondera. Ela diz que é comum, por exemplo, em comissões da
área de exatas, o grupo escolher um homem para presidir os trabalhos e
indicar a única mulher presente para assumir a tarefa de secretária. “Parece
tão natural que a mulher exerça essa função que, ao se recusar, ela os
assusta”, descreve.

As mulheres são minoria em quase todos os ambientes que lidam com


matemática, ressalta Sônia Carvalho. Entre os 40 pesquisadores que

https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 10/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

compõem o corpo docente do


Universidade Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa),
Federal

só há uma mulher. Das 308
de Minas bolsas de produtividade do CNPq na área, em
Gerais
2016, somente 7% (23) foram atribuídas a mulheres. O Departamento de
Matemática da UFMG tinha, em julho de 2017, 13 mulheres (18%) entre 74
professores – apenas 8% dos docentes atuando na pós-graduação. “A
matemática da universidade de Paris VII tem 12% de mulheres no corpo
docente”, compara Sônia Carvalho.

A matemática defende a necessidade de um “olhar feminino” nas ciências


exatas e sobre a tecnologia que está sendo criada cotidianamente. “O cinto de
segurança dos carros corta o pescoço, porque os homens que o planejaram
não se atentaram que era preciso pensar em outra ergometria”, exempli ca.
Em sua opinião, “enquanto os meninos são criados para serem guerreiros, as
meninas não podem sujar a roupa nem desmanchar o cabelo”. Talvez por isso,
diz Sônia Carvalho, o mais importante prêmio na área de matemática, a
medalha Fields, entregue a cada quatro anos desde 1936, alcançou “apenas
uma mulher” em um universo de 56 pesquisadores, “e justamente uma
iraniana” – a professora Maryam Mirzakhani, que morreu de câncer aos 40
anos, em julho de 2017.

Formada em Medicina Veterinária em 1985, a professora Zélia Lobato iniciou


ainda na graduação suas atividades de investigação cientí ca. “Na construção
da minha vida na ciência tive como referência grandes pesquisadoras,
nacionais e internacionais, que, em menor número do que os homens,
conquistaram uma posição no mundo acadêmico. Não me lembro de
situações de preconceito, mas de momentos de surpresa, mesmo no
ambiente universitário, de pessoas que deparavam com uma mulher
exercendo papel de cientista”, relata.

Professora titular do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, Zélia


Lobato ressalta o crescimento da presença feminina na área: na Escola de
Veterinária da UFMG, por exemplo, dos alunos formados em 1977, apenas
10% eram mulheres. Em 2016, esse percentual foi de 67%. “Também o
número de professoras vem aumentando, somos hoje 35% do quadro de
docentes”, informa. 

Em sua opinião, o preconceito contra a mulher é mais evidente na área rural.


“Quando fazia estágio no campo, acompanhava o veterinário nas fazendas, e
invariavelmente as mulheres que nos recebiam me chamavam para carmos
conversando na sala, ‘enquanto os homens iam olhar as vacas’”, conta. “Não
encarava isso como preconceito, mas como uma questão cultural que
mostrava o tamanho da estrada que as veterinárias precisariam percorrer. E

https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 11/17
05/05/2018 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Mulheres superam obstáculos e avançam na ciência

estão percorrendo. Muito mais


Universidade rapidamente do que eu previa”, conclui Zélia
Federal

Lobato. Que assim seja. Gerais
de Minas

Zélia Lobato: referências femininas


Raíssa César/UFMG

(Alessandra Ribeiro e Ana Rita Araújo)

Mulheres na ciência

   

Últimas notícias

Vilma Carvalho assume IGC: 'prioridade aos membros da comunidade'

https://ufmg.br/comunicacao/noticias/mulheres-superam-obstaculos-e-avancam-na-ciencia 12/17