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Plano de preservação: texto

Plano de gestão – ver como o plano de preservação se encaixa nessa estrutura maior –
planejamento integrado.

>> Besse: não construímos sobre uma pagina em branco, mas sobre camadas históricas > dessa forma é
preciso refletir na forma em que intervimos na cidade a fim de preservar os vestígios dessa história.

A cidade é complexa e dinâmica, com diversos atores sociais de interesses conflitantes.

Planejamento urbano local deve ser integrado, utilizar da gestão da conservação e seus instrumentos para
transferir as diretrizes participativas do planejamento para o âmbito da gestão do patrimônio.

PLANO DE GESTÃO:

Identificar e caracterização dos atributos do bem > gestão da conservação

Identificação do patrimônio cultural: (i) o conhecimento preliminar desse patrimônio, (ii) a pesquisa
histórica, (iii) a pesquisa histórica oral, (iv) a leitura da forma urbana e (v) a correlação das pesquisas
realizadas.

Gestão da conservação: atividades de monitoramento, definição de indicadores, avaliação, controle e financiamento.

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A Portaria nº 299 do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que orienta a
formulação, implementação, acompanhamento e avaliação do Plano de Preservação para sítios históricos,
menciona:

Art. 2º O Plano de Preservação de Sítio Histórico Urbano – PPSH é um instrumento de


caráter normativo, estratégico e operacional, destinado ao desenvolvimento de ações de
preservação em sítios urbanos tombados em nível federal, e deve resultar de acordo entre
os principais atores públicos e privados, constituindo-se em processo participativo.

Stael: ler capitulo 1 – morfologia – explicar as duas escolas e que o trabalho se


inspira nesse conteúdo.

Morfologia urbana: estudo da forma urbana, considerando-a um produto físico das ações da sociedade
sobre o meio (portanto, ao longo da transformação humana, as demandas da sociedade materializadas no
traçado urbano, estabelecidas por meio de normas dos órgãos públicos e às vezes pelos incorporadores
privados. “estudo da forma edificada das cidades, cujo estudo busca explicar o traçado e a composição
espacial de estruturas urbanas e espaços abertos, de caráter material e significado simbólico, à luz das forças
que as criaram, expandiram, diversificaram e transformaram.” Michael P. Cozen, 2012, p.31)
A cidade como um palimpsesto: a forma urbana é consolidada por meio de camadas históricas sobrepostas >
cujas marcas ainda podem ser percebidas por trás do tecido urbano de hoje. (p.32)

A morfologia urbana há abordagens distintas, porém complementares: ambos identificam a composição


formal da paisagem urbana + transformações ocorridas ao longo do tempo.

Escola Italiana – a cidade como um organismo / Escola Inglesa – a paisagem como um produto. Baseado em
alguns critérios de estudo: períodos morfológicos, identificação das transformações que ocorreram em
função de uma determinada época histórica e das evoluções formais introduzidas; historicidade; Mas não
utilizamos da metodologia aplicada pelas escolas.

Morfologia x Forma Urbana = restringem o seu uso ao objeto estático, em detrimento da compreensão do
processo que a consistiu.

Besse: o que é paisagem: ler prólogo e o primeiro capítulo.


A paisagem como estratégia de ordenamento do espaço em diferentes escalas.

Um campo de pesquisa amplo.

Durante a história, por muito tempo foi considerado como satisfatório, o conceito de paisagem como um
panorama natural, provocando um prazer estético.

Atualmente, a relação com a paisagem ficou mais complexa, tanto no campo das representações,
percepções quanto das realidades e projetos. (o conteúdo tecnológico (fotografia, cinema, perspectiva)
levaram a considerar novos tipos de paisagens, não baseadas apenas na visão. Dessa forma o
questionamento contemporâneo: ampliação e reformulação de conceitos, representações e praticas.

Pesquisar (Lei Paisagem, de 1993, na França, Convênio europeu sobre a paisagem, de 2000)

1. As cinco portas da paisagem - ensaio de


uma cartografia das problemáticas
paisagísticas contemporâneas
As cinco portas da paisagem: a paisagem é considerada como (1) uma representação
cultural (principalmente informada pela pintura), como (2) um território
produzido pelas sociedades na sua história, como (3) um complexo sistêmico
articulando os elementos naturais e culturais numa totalidade objetiva,
como (4) um espaço de experiências sensíveis arredias às diversas formas
possíveis de objetivação, e como, enfim, um (5) local ou um contexto de
projeto.
Na atualidade, trabalhar de um ponto de vista teórico sobre a questão da paisagem supõe que se aceite
considerar, pelo menos provisoriamente e como hipótese, a justaposição e a superposição desordenada
desses diferentes discursos e pontos de vista sobre a paisagem. (p12)

>>A paisagem é uma representação cultural e social: ela não existe objetivamente, em si mesma, mas é
relativa a interpretação, na relação com um sujeito individual ou coletivo. (p13)

A invenção histórica da paisagem foi relacionada com a invenção do quadro em pintura, no Renascimento
(...). (p15)

A representação cultural da paisagem não rejeita o seu ponto de vista estético. Elas podem, é claro, ser
estéticas, mas, nesse caso, a própria estética é questionada do ponto de vista do seu valor ou a sua função
dentro da cultura. (p19)

A paisagem e sua hermenêutica (interpretação do seu conjunto de signos a serem decifrados, mais ou
menos ordenados). A organização da vida contemporânea trouxe novas paisagens, em parte difíceis de
serem identificadas, talvez pela ausência de distanciamento e pela falta de análise, e mais certamente, pela
falta de palavras e de conceitos. (p25)

>>A paisagem é um território fabricado e habitado:


A questão da escolha da escala de estudo: dar conta do território.
Embora possa ser considerado, com razão, um veículo do imaginário
ou a expressão concentrada de um conjunto de afetos, embora
traduza de forma acordada um sistema de ideias ou de desejos, o
jardim também é um espaço desenhado, produzido, cuidado. É preciso portanto uma teoria que leve em
conta essa dimensão das práticas de fabricação.

Seguindo essa outra abordagem, a paisagem pode ser definida


como um território produzido e praticado pelas sociedades humanas,
por motivos que são, ao mesmo tempo, econômicos, políticos e
culturais. (p27)

A paisagem como uma produção cultural e social, encarnada em práticas, obras, apropriações. Toda
paisagem é cultural, não essencialmente por ser vista por uma cultura, mas essencialinente por ter sido
produzida dentro de um conjunto de práticas (econômicas, políticas, sociais), e segundo valores que, de
certa forma, ela simboliza.(p30)

O papel da morfologia: o primeiro objeto que deve preocupar aquele que estuda as paisagens é a forma
como o espaço foi organizado pela comunidade. A paisagem é um espaço social. Convém interessar-se, de
forma mais geral, pelas formas espaciais e sua diversidade, pelos elementos estruturantes e pelas
dinâmicas, morfologias e fluxos que as atravessam e as transformam, pelas descontinuidades do espaço e
pelas circulações, pois todos esses traços permitem caracterizar uma paisagem. (p31)

>>>> Nesse sentido, as distinções que costumam ser feitas entrea paisagem comum, que seria produzida
inconscientemente por uma coletividade humana, e a paisagem intencional, que seria conscientemente
projetada pelos profissionais, assim como as distinções entre a construção civil e a arquitetura de paisagem,
são distinções que deixam de ser tão rígidas: pois, em todos os casos, e em todos os níveis, o objetivo é a
organização de um espaço que possa responder a necessidades humanas. (p33)

A paisagem não é apenas a natureza, mas a natureza humanizada, que o homem deu forma segundo valores
culturais que também evoluem no tempo e no espaço. (p34)
A respeito da conservação das paisagens: nele, podemos ler que, entre todas as razões que se pode ter para
preservar um fragmento de paisagem, a razão estética é certamente a mais pobre. Temos que achar novos
critérios para avaliar as paisagens, existentes ou futuras. Para tanto, é preciso abandonar o ponto de vista do
espectador e se questionar sobre o interesse que o ser humano teria de viver nessas paisagens. As perguntas
que devem ser feitas não são primeiramente estéticas, mas sim as seguintes: quais possibilidades oferece a
paisagem para o ser humano viver, para ser livre, para estabelecer relações sensatas com os outros homens
e a própria paisagem? Qual é a contribuição da paisagem para a realização pessoal e a mudança social? (p36)

>>A paisagem é o meio ambiente material e vivo das sociedades humanas: a paisagem sobre o viés da
geologia, ecologia, etc. evitar uma abordagem unilateral para a paisagem: somente antropocentrada ou
somente naturalista. A paisagem é o meio.

O SISTEMA> A INTERAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS: De que é composta a realidade paisagística? Encontramos


nela, é verdade, topografia, geologia, formações vegetais e grupamentos de animais, condições climáticas,
hidrográficas, pedológicas etc. Entretanto, encontramos também prédios, reunidos de forma mais ou menos
densa e servindo a usos muito diversos (habitação, culto, comércio), vias de comunicação, estradas,
ferrovias, instalações agrícolas, mas também industriais, que afetam de forma mais ou menos profunda o
solo que os sustenta (extração, evacuação dos resíduos, simples posição sobre uma superfície etc.). Esses
diversos elementos interagem constantemente uns com os outros. O que significa que uma paisagem é,
antes de tudo, uma totalidade dinâmica, evolutiva, atravessada por fluxos de natureza, intensidade e direção
bastante variáveis e, por isso, lhe é atribuída uma temporalidade própria. (p43) A paisagem apresenta-se
então, neste caso, como uma morfologia dinâmica, mais precisamente como uma totalidade atravessada por
dialéticas internas e externas (...) (p47).

>>A paisagem é uma experiência fenomenológica: esse encontro concreto com a paisagem, a realidade,
pode ser abordada tanto pela ciência (anterior visto) como pela experiência. A paisagem não é apenas vista,
mas experimentada. A arte e a filosófica podem dar a ver e a ouvir essa paisagem como experiência
fundamental da convivência com o mundo.

>>A paisagem como projeto:


O projeto paisagístico como forma de manifestar o lugar, antes mesmo da preocupação do programa de
necessidades solicitado. “da exploração, do reconhecimento, em suma da leitura do local, o pressuposto de
uma estratégia de ordenamento visando a torná-lo legível, isto é, a manifestar e articular os dados físicos e
culturais, geográficos e históricos, que participam ou participaram da sua conformação particular.” (p57).

Em suma, o local, misto de dados geográficos e históricos, não é


um contexto no qual deveria ser inserido um programa, mesmo
sendo espaço público, mas constitui a própria matéria do projeto:
é praticamente nele que deveria ser decifrado o programa da
intervenção sobre o espaço (Marot, S., 1995, pp. 68-9).

SOLO + TERRITÓRIO + MEIO AMBIENTE NATURAL/VIVO:

O que significa que o solo é o efeito de uma construção histórica, que traz toda uma superposição de passados e
que é, ao mesmo tempo, urna reserva para energias futuras. Em outros termos, o recurso à paisagem reflete a
conscientização do fato de que o espaço não é uma página cm branco, assemelhando-se mais a um palimpsesto.
O solo não é uma simples superfície plana que se oferece à ação, mas confronta a ação a um conjunto mais ou
menos denso de marcas, de pegadas, de dobras e de resistências que a ação deve levar em conta. Os locais têm
memória, por assim dizer. (p58)
Ligação com a Morfologia: Considerar o território é, por exemplo, considerar o espaço urbano na complexidade
das suas relações com a organização do espaço rural que o cerca, com a malha das estradas e dos caminhos, com
as circunscrições administrativas, em resumo, é recolocar o espaço urbano dentro de alguns conjuntos
morfológicos de escalas, de temporalidades e lógicas de funcionamento diversificadas, com os quais deve,
entretanto, se coordenar. (p58)
Meio ambiente não como um outro na cidade, mas como parte desta.
O projeto de paisagem seria, então, o seguinte: criar algo que já escava aí. (...) Efetivamente, trata-se de fabricar,
elaborar o que já está presente e que não se vê. (p61)

Um mundo cujo começo e fim não possam mais me representar


passa a ser, para mim, um simples objeto, que posso percorrer
com o olhar ou o pensamento, ou graças a companhias de aviação,
é verdade, mas que não habito mais. É um espetáculo que está na
minha frente, mas diante do qual fico de fora. (p65).