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28ª.

REUNIÃO DA EXCELSA CONGREGAÇÃO DOS SUPREMOS CONSELHOS DO


RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DO BRASIL

A CONVENÇÃO DE LAUSANNE (1875) NA HISTÓRIA DO


RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

Jean-Paul Minsier, 33°


Tradução: Moiz Halfon, 33°
Cortesia: Manoel Olegário da Costa, 33°

A Convenção de Lausanne constitui, mais que um título, uma etapa maior na História duas vezes
centenária do Rito Escocês Antigo e Aceito; sua ressonância sobre a Ordem maçônica não foi
negligenciada jamais. Para bem compreender todas as sessões é conveniente situá-la em seus
contextos: histórico, maçônico, filosófico, religioso e político de 1875, mas também naqueles
que a precederam. Nós limitaremos a evocar somente as razões que a motivaram no plano
maçônico, suas conseqüências imediatas e suas repercussões ulteriores que influem ainda em
nossos dias sobre as relações internacionais entre os Supremos Conselhos.

A Convenção de Lausanne não é uma inovação devida ao acaso das circunstâncias: a


possibilidade de convocar uma Convenção Universal foi prevista pelo Tratado de Aliança e de
Confederação maçônica assinado em Paris em 24 de fevereiro de 1834 entre os Supremos
Conselhos da França, da Bélgica, do Brasil e do contestado Supremo Conselho do Hemisfério
Ocidental (do Irmão conde Roume de Saint-Laurent) ao qual aderiram a seguir aqueles da Itália,
das Duas Sicílias e da Espanha. Este Tratado foi uma primeira tentativa de união entre Supremos
Conselhos. Seu Artigo I proclamava:“... desde este momento e a perpétuo, a união intensa e
indissolúvel entre Supremos Conselhos... “. Idealistas, os contratantes declaram uma outra
pretensão “se prestar apoio constante e firme em todas as ocasiões e “se defender mutuamente
contra as associações maçônicas irregulares”. O Tratado recordava sobretudo que em virtude das
Grandes Constituições, não poderia existir senão um único Supremo Conselho por país e que
nenhuma Potência do Rito Escocês Antigo e Aceito poderia se fundir com uma Potência de outro
Rito. Os signatários se engajaram em manter os princípios do Escocismo, a independência e a
integridade de cada Supremo Conselho e adotaram como lei fundamental do Rito Escocês
Antigo e Aceito a versão latina das Grandes Constituições do Irmão Roume de Saint-Laurent.
Finalmente, este Tratado previa a troca de Grandes Representantes entre Supremos Conselhos e
a reunião a cada cinco anos dos delegados dos Supremos Conselhos aliados. Infelizmente, todas
estas prometidas disposições se revelaram mais fáceis de serem formuladas que concretizadas:
foi necessário esperar por quatro décadas para que a Convenção de Lausanne realizasse a
primeira tentativa”.

A CONVENÇÃO DE LAUSANNE (6 a 22 DE SETEMBRO 1875)

Face aos distúrbios políticos, sociais e religiosos que perturbavam fortemente a vida das
Jurisdições, muitos Supremos Conselhos entenderam que havia chegado o tempo de reatualizar o
“Tratado de União, de Aliança e de Confederação” de 1834 para permutar sobre a situação do
mundo profano e da Maçonaria, proclamar os princípios do Rito Escocês Antigo e Aceito,
harmonizar a prática, instaurar um modus vivendi entre Jurisdições, prever as trocas e os
reencontros internacionais regulares.

Em primeiro lugar foi questionado o local da reunião. A Jurisdição Sul dos Estados Unidos
propôs Washington para 1874; a distância dissuadiu os Supremos Conselhos europeus que
sugeriram Bruxelas, mas o Supremo Conselho para a Bélgica declina a oferta em razão da
complexidade da situação maçônica belga do momento. Finalmente, todo o mundo se une em

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torno da idéia de confiar a organização desta Convenção Universal ao último dos Supremos
Conselhos em data de antigüidade, o da Suíça (constituído em 30 de novembro de 1873 pelo
Supremo Conselho da França).

As reuniões da Convenção ocorreram em Lausanne de 6 a 22 de setembro de 1875 e se dividiram


em onze sessões plenárias intercaladas por jornadas de trabalhos em Comissões. Cinco pontos
importantes foram tratados:

1) a redação de uma versão modificada das Grandes Constituições de 1786.

2) a elaboração de uma Declaração dos Princípios e de um Manifesto.

3) a instauração de um novo “Tratado de União, de Aliança e de Confederação” entre os


Supremos Conselhos do Rito Escocês Antigo e Aceito.

4) o estabelecimento de um Telhador dos trinta e três graus do Rito Escocês Antigo e Aceito.

5) o reconhecimento da regularidade de onze Supremos Conselhos dos vinte e dois existentes até
então.

Os participantes por ordem de antigüidade de criação :

- o Supremo Conselho da França ( 1804 ), representado pelos Mui Ilustres Irmãos Georges
Guiffrey ( Grande Chanceler ), Jules Le Batteaux, François Delongray, Eugène Barre, Louis
Jousserandot. O Grande Comendador Adolphe Crémieux, impedido, apenas participou das duas
últimas sessões.

- o Supremo Conselho da Itália ( 1805 ), representado pelo Mui Ilustre Irmão Timothée Riboli.

- o Supremo Conselho da Bélgica ( 1817 ), representado pelos Mui Ilustres Irmãos Henri-Joseph
Pappaert, Édouart Cluydts, P.C. de Bie

- o Supremo Conselho da Irlanda ( 1826 )

- o Supremo Conselho do Peru ( 1830 )

- o Supremo Conselho da Inglaterra ( 1845 ), representado pelos Mui Ilustres Irmãos John
Pulteney Montagu, Robert Hamilton, Hugh David Sandeman.

- o Supremo Conselho da Escócia ( 1846 ), representado pelo Mui Ilustre Irmão L. Mackersy

- o Supremo Conselho de Colon ( Cuba ) ( 1859 ), representado pelo Mui Ilustre Irmão David
Elias Pierre

- o Supremo Conselho de Portugal ( 1869 )

- o Supremo Conselho da Hungria ( 1871 )

- o Supremo Conselho da Grécia ( 1872 )

- o Supremo Conselho da Suíça ( 1873 ) representado pelos Mui Ilustres Irmãos Jules Besançon
(Mui Poderoso Soberano Grande Comendador), Antoine Amberny (Lugar Tenente Grande

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Comendador), Jules Duchesne (Grande Chanceler), Louis Ruchonnet (Grande Orador), Eugène
Dulon (Grande Tesoureiro), Henri Pachoud (Grande Capitão das Guardas).

As Sessões Plenárias

A Sessão inaugural de 6 de setembro

Ela foi consagrada ao discurso de boas vindas do Grande Comendador do Supremo Conselho da
Suíça, Jules Besançon, o qual precisou o quadro e o objetivo dos Trabalhos da Convenção,
seguido daquele do Grande Orador Louis Ruchonnet que evocou as metas da Franco Maçonaria.
Em resposta, e em nome dos Supremos Conselhos presentes, o Grande Chanceler do Supremo
Conselho da França, Georges Guiffrey, agradece aos Irmãos suíços pela sua hospitalidade depois
evoca a grandeza da empreitada que aguarda os delegados:

“Nos erguemos, diz ele, em nome da consciência, em nome do livre pensamento. Pregamos o
empenho de difundir a instrução e a ciência ao nosso redor, único meio de ensinar aos homens a
conhecer seus direitos e seus deveres”.

Estes três discursos, revelam já as empreitadas dos delegados :

- proclamar os princípios do Rito Escocês Antigo e Aceito

- promover a união mais íntima dos Supremos Conselhos

- dissipar as prevenções e as desconfianças que poderá suscitar a Convenção

- participar de regeneração e do progresso da humanidade pelo desenvolvimento das faculdades


individuais

- superar as divisões e realizar a universalidade maçônica para além das fronteiras e as distâncias

- se comprometer em difundir a instrução e a ciência em nome da consciência e do livre


pensamento.

Uma comissão de verificação dos poderes dos delegados é formada a seguir: são admitidos como
regulares as delegações dos Supremos Conselhos da França, da Inglaterra, da Bélgica, da
Escócia, da Hungria, da Itália e da Suíça; a de Colon ( Cuba ) é colocada em discussão. Depois o
Grande Comendador Besançon anuncia a abertura da Convenção.

Muitas decisões são então tomadas: a Secretaria da Convenção será composta dos Oficiais
titulares do Supremo Conselho organizador, cada Potência maçônica só poderá emitir um voto (
qualquer que seja o número de seus representantes ), três Comissões serão criadas :

- a Primeira ( composta de três membros ), encarregada de verificar os poderes dos delegados


podendo ser colocados em discussão,

- a Segunda ( composta de cinco membros ) encarregada de estudar as modificações a serem


apresentadas às Constituições, Estatutos e ao Tratado de Aliança de 1834,
- a Terceira ( composta de cinco membros ) para examinar todas as outras questões.

Segunda Sessão ( 7 de setembro )

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Foi decidido enviar um telegrama ao Mui Ilustre Irmão Adolphe Crémieux e discutir o relatório
da Comissão de verificação dos poderes :

- o Supremo Conselho da Grécia transferiu os poderes ao Mui Ilustre Irmão Mackersy ( do


supremo Conselho da Escócia ) para o representar, este pedido é aceito ( mas foi decidido que,
qualquer que seja o número de Supremos Conselhos que represente, todo delegado só terá direito
a um voto ),

- a solicitação do Supremo Conselho de Palermo foi recusado bem como a do Grande Oriente
Nacional do México do Rito Escocês Antigo e Reformado; a do Supremo Conselho de Colon (
Cuba ) foi aceita malgrado um litígio jurisdicional com o Supremo Conselho da França
concernente à ilha de Saint-Thomas.

Terceira Sessão ( 9 de setembro )

O delegado da Escócia ( também representando a Grécia ) deixa a Convenção e se explica com


uma carta que será lida dia 13.

- O Mui Ilustre Irmão Benjamin Odio 33º, foi reconhecido na qualidade de delegado do Supremo
Conselho de Colon ( Cuba ).

- O Mui Ilustre Irmão David Elias Pierre do Supremo Conselho de Colon ( Cuba ) evoca as
perseguições que sofrem os Irmãos de Porto Rico. Considerando que os deveres políticos ou
religiosos estão fora de suas atribuições, a Convenção passa à ordem do dia.

Quarta Sessão ( 11 de setembro )

A solicitação de admissão à Convenção do Supremo Conselho da Espanha, não reconhecido, é


recusada.

O trabalho da Segunda Comissão ( encarregada do exame e da revisão das Grandes


Constituições de 1786 ) é instruído. O projeto é discutido e adotado artigo por artigo depois em
seu conjunto, por unanimidade dos Supremos Conselhos representados na Convenção. A redação
definitiva ( formulada em francês e assinada pelos delegados ) será disponibilizada nos arquivos
do Supremo Conselho da Suíça e terá força de lei para os Supremos Conselhos Confederados;
um exemplar traduzido para o latim será endereçada a cada Supremo Conselho.

Quinta Sessão ( 13 de setembro )

A mensagem do Mui Ilustre Irmão Mackersy (que deixou a Convenção em 9 de setembro ) é


lida: o delegado da Escócia e da Grécia justifica sua saída pelo fato que não poderia subscrever,
em nome dos Supremos Conselhos que representava, a ausência da afirmação de um Deus
pessoal nas definições do Grande Arquiteto do Universo adotadas pela Comissão.

A solicitação de representação do Supremo Conselho da Itália no Vale de Sebeto ( Oriente de


Nápoles ) é rejeitada. As dos Supremos Conselhos do Peru e de Portugal são aprovados ( o Mui
Ilustre Irmão Amberny, do Supremo Conselho da Suíça os representará ).

O Mui Ilustre Irmão Henri-Joseph Pappaert, do Supremo Conselho da Bélgica, relator da terceira
Comissão, expõe a “Declaração dos Princípios do Maçom escocês”; esta é discutida artigo por
artigo e aprovada por unanimidade depois de emendas e modificações.

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Sobre a proposta do Supremo Conselho da França de adotar o lema “Liberdade – Igualdade –
Fraternidade “ para o Rito, a Convenção decide que o lema geral de todos os Supremos
Conselhos permanecerá “Deus Meumque Jus “ mas que cada Supremo Conselho será livre para
escolher como sub-lema aquele que lhe parecer melhor.

Foi decidido que a bandeira da Ordem permanecerá a mesma, mas que a Águia será de ouro ( em
lugar de preto ) e que uma bandeirola saindo dos dois bicos da Águia será semeada de tantas
estrelas quantos forem os Supremos Conselhos Confederados.

Os diferentes graus do Escocismo atualmente em vigor são examinados um após o outro e


adotados. São determinados de maneira formal os sinais, palavras toques e aclamações a fim de
tornar uniformes os meios pelos quais os Maçons possam se reconhecer no mundo inteiro. Cada
Supremo Conselho regulará por decretos especiais as questões e os pontos deixados em
suspenso. O Supremo Conselho da Suíça é encarregado de estabelecer um Telhador geral do Rito
Escocês Antigo e Aceito.

Sexta Sessão ( 15 de setembro )

A ordem do dia trata da discussão sobre as relações que poderiam existir entre os Supremos
Conselhos Confederados e os Grandes Orientes de outros Ritos. Sobre a proposta do Mui Ilustre
Irmão Guiffrey, modificada no decorrer da análise, a seguinte redação é mantida artigo por artigo
depois aprovada em seu conjunto por unanimidade dos delegados:

- § 1) Os Supremos Conselhos Confederados poderão, após declaração prévia, continuar as


relações amistosas com certos corpos maçônicos, embora estes corpos não sejam regulamente
reconhecidos, mas desde que tenham sido estabelecidas anteriormente à presente Convenção.

- § 2) Este acerto entre um Supremo Conselho Confederado e outros corpos maçônicos da


Jurisdição não compromete em nada os outros membros da Confederação.

- § 3) Todo corpo maçônico estranho ao Escocismo que não reconhece o Supremo Conselho de
seu país, não poderá ser admitido a nenhum gênero de relações por nenhum dos Supremos
Conselhos Confederados.

- § 4) Os Graus similares àqueles do Escocismo, acima do grau de Mestre, conferidos por um


corpo maçônico local não são reconhecidos pelos Supremos Conselhos Confederados; em
conseqüência, não serão admitidos nas Oficinas Escocesas os Irmãos, até e inclusive o grau de
Mestre, dependentes de uma outra Potência maçônica e na extensão da Jurisdição de cada um
dos Supremos Conselhos Confederados.

- § 5) Os Maçons pertencentes a corpos não regularmente reconhecidos não poderão gozar dos
privilégios reservados aos Membros que fazem parte da Confederação, sem se colocarem sob a
obediência do Supremo Conselho Escocês constituído no território onde estão estabelecidos, e
obtendo a regularização de seus títulos maçônicos a partir do terceiro grau.

(As cinco decisões acima serão intercaladas no Tratado de Aliança dos Supremos Conselhos
Confederados do qual formarão o Artigo XVIII).

O Presidente da Convenção propõe que, como símbolo do trabalho ao qual são sujeitos os
Maçons de todos os graus, os Irmãos possuidores um dos graus acima daquele de Mestre,
continuem a usar seu Avental em Loja simbólica: proposta adotada por unanimidade.

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Sétima Sessão ( 16 de setembro )

A discussão é aberta sobre o projeto de “Tratado de União, de Aliança e de Confederação “. O


Mui Ilustre Irmão Jules Le Battteaux, relator da segunda Comissão, dá conhecimento de cada um
dos artigos que são discutidos, corrigidos por emendas e adotados um após outro, depois o
Tratado é aprovado definitivamente em seu conjunto por unanimidade.

A Convenção convenciona como base de suas deliberações e de suas resoluções os sete pontos
principais das doutrinas antigas e imprescritíveis da Ordem e uma declaração de princípios, a
saber:

Para os pontos da doutrina:

1º ) A Franco Maçonaria é uma instituição de fraternidade universal cuja origem remonta ao


berço da humanidade; ela tem como doutrina o reconhecimento de uma força superior da qual
ela proclama a existência sob o nome de “Grande Arquiteto do Universo “;

2º ) Todos os verdadeiros Maçons, qualquer que seja sua pátria, formam uma só família de
Irmãos espalhados sobre a superfície da Terra; eles compõem a Ordem maçônica;

3º ) Cada Supremo Conselho governa, através dos estatutos gerais, as Oficinas de sua
Obediência; seu poder é soberano e independente em toda extensão de sua jurisdição territorial,
mas sem poder atingir as leis gerais do Escocismo e os estatutos fundamentais do Rito;

4º ) Atentar à independência de um Supremo Conselho regular e reconhecido, é atentar à


independência de todos os outros; é perturbar a Ordem em seu todo;

5º ) A Ação de um Supremo Conselho não pode legalmente se estender além dos Maçons de sua
Obediência;

6º ) O primeiro dever de um verdadeiro Maçom é a fidelidade à sua pátria; ele tem entre
numerosas obrigações as mais sagradas o respeito aos juramentos que o unem ao seu Rito, à sua
Loja onde recebeu a Luz, á Potência maçônica da qual recebeu seus poderes;

7º ) A missão de todas as Oficinas do Rito Escocês Antigo e Aceito é trabalhar para a Ordem; a
dos Supremos Conselho é lhes ensinar a doutrina maçônica e direcionar suas ações para a pureza
dos princípios e para a observação dos estatutos fundamentais da Ordem.

O Tratado de União, de Aliança e de Confederação é assinado pelos delegados de nove


Supremos Conselhos (dos quais três por representação) além dos vinte e dois que serão
reconhecidos no dia seguinte. Após o lema do Rito Escocês Antigo e Aceito “Deus Meumque
Jus, assinaram em nome :
- do Supremo Conselho da França: Adolphe Crémieux, Geoges Guiffrey, Julles Le Batteaux.
- do Supremo Conselho da Itália: Timthée Riboli e David Levy.
- do Supremo Conselho da Bélgica e dos Países Baixos: Henri-Joseph Pappaert, Édouard
Cluydts.
- do Supremo Conselho da Inglaterra e do País de Gales: Robert Hamilton, John Pulteney
Montagu, Hugh David Sanderman.
- do Supremo Conselho de Colon ( Cuba ): David Elias Pierre, Benjamin Odio.
- do Supremo Conselho da Suíça: Jules Besançon, Jules Duschesne, Henri Pachoud, Louis
Ruchonnet.

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Assinarão à margem igualmente os Mui Ilustres Irmãos Suíços Eugène Baud ( representante do
Supremo Conselho da Hungria ) e Atoine Amberny ( representante dos Supremos Conselhos de
do Peru e de Portugal ).

Oitava Sessão (17 de setembro )

Por proposta do Supremo Conselho da França, a Convenção apresenta uma lista de vinte e dois
Supremos Conselhos Reconhecidos Regulares com delimitação de sua Jurisdição territorial. Fica
decidido que esta lista irá figurar no apêndice do Tratado.

Nona Sessão ( 20 de setembro )

Anunciada a chegada de Adolphe Crémieux que assistirá à próxima Sessão da Convenção.

O Mui Ilustre Irmão Le Batteaux desenvolve esta proposta :

“Autorizar os Supremos Conselhos a fazer no texto dos Juramentos e Compromissos maçônicos


de cada grau, as modificações que julgarem necessárias, para deixá-los em harmonia com os
hábitos de seu respectivo país“.

Esta é adotada. O Mui Ilustre Irmão Pappaert propõe um aditivo que também será consagrado
por unanimidade:

“Nas fórmulas do Juramento, os Supremos Conselhos, sempre levando em conta os usos,


costumes e crenças dos Maçons de sua Obediência, terão a preocupação, como sanção, de
invocar ainda e sem a omitir, a honra e a lealdade de homem e de Maçom. Quando um Supremo
Conselho tiver reformado ou revisado as fórmulas dos Juramentos, todas as Lojas, bem como
todos os Capítulos, Conselhos, Areópagos, ou todas as outras Oficinas de sua Obediência não
poderão mais empregar as outras“.

Décima Sessão (21 de setembro)

A ordem do dia designa a leitura do relatório sobre o estado da Maçonaria na Espanha pelo Mui
Ilustre Irmão Benjamin Odio. A Convenção decide de não levar em consideração o pedido de
reconhecimento de um poder neste país pelo fato de que os Irmãos do 33º grau que constituíram
um Supremo Conselho não conseguiram comprovar a sua regularidade. O Supremo Conselho da
Suíça fica encarregada de obter as provas.

Discussão sobre um conflito de competência entre o Supremo Conselho dos Estados Unidos (
Jurisdição Sul ) e o Supremo Conselho da França com respeito ao direito de jurisdição territorial
sobre as Ilhas Sandwich ( Hawai ); foi decidido que o Supremo Conselho da França conservará
este direito até o estabelecimento de um Supremo Conselho Nacional neste território ( que será
anexado aos Estados Unidos em 1898 ).

Acolhida do Mui Ilustre Irmão Adolphe Crémieux.

A Convenção constata a existência de um Supremo Conselho no Brasil, mas que duas


autoridades pretendem este título: um acordo mútuo entre eles é esperado e, em caso de
insucesso, eles serão convidados a apelar dentro das normas previstas ao Artigo VII do Tratado
de Aliança.

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A obrigatoriedade da frase “À Glória do Grande Arquiteto do Universo“ é colocada em
discussão. Foi decidido a tornar obrigatória para as Oficinas que estão sob a direção imediata dos
Supremos Conselhos Confederados.

No futuro os Supremos Conselhos seguirão o calendário gregoriano.

Décima Primeira Sessão (22 de setembro de 1875)

A direção dos Trabalhos é confiada ao Mui Ilustre Irmão Adoplhe Crémieux.

A questão de saber se convém liberar para publicidade um sumário dos Trabalhos da Convenção
é levantada. O Mui Ilustre Irmão Adolphe Crémieux, reconhecendo que o sumário não ofereceria
um grande atrativo para o público, prefere que seja redigido um “Manifesto” contendo a
“Declaração de Princípios”. É encarregado, com os Mui Ilustres Irmãos Besançon e Montagu, de
redigir este “Manifesto”.

O Mui Ilustre Irmão Besançon, retomando a direção dos Trabalhos, anuncia que o jornal
maçônico “A Verdade” se tornará o Boletim Oficial da Confederação dos Supremos Conselhos
do Rito Escocês Antigo e Aceito.

O Mui Ilustre Irmão Guiffrey, em nome dos Supremos Conselhos, agradece ao Supremo
Conselho da Suíça pela acolhida aos delegados bem como pela preocupação tida para a
organização e o sucesso da Convenção.

Inicia-se então o encerramento da Convenção:

O Mui Ilustre Irmão Besançon pronuncia a alocução final evidenciando os resultados obtidos :

- conclusão da obra de 1786 adequando as Grandes Constituições às aspirações da época ;

- fortalecimento das bases do Tratado de Aliança entre os Supremos Conselhos e maior


estreitamento dos laços que os unem;

- redação de um “Manifesto” caloroso endereçado a todos os amigos da “Luz e do Progresso“ a


fim de lutar juntos contra a intolerância e os preconceitos.

Anuncia o encerramento da Convenção de Lausanne pela fórmula:

“Em nome de Deus, de São João e dos Supremos Conselhos Confederados “ depois fecha os
Trabalhos conforme o Ritual do 33º e último grau do Rito Escocês Antigo e Aceito.

O BALANÇO DA CONVENÇÃO DE LAUSANNE

Pode-se estimá-lo muito positivo, realista e futurista. Infelizmente, sua sabotagem e, por
conseqüência, sua não aplicação, provaram, embora não o digam seus difamadores, que era
visionário e previdente, como o confirmará a seguir a História do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Se bem que somente nove Supremos Conselhos dos vinte e dois reconhecidos participaram (
deve-se a um dado momento, constituir um núcleo inicial para que venham a seguir se agregar
outros Supremos Conselhos ), esta Convenção Universal conseguiu um trabalho considerável :

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Adaptar à sua época o primeiro “Tratado de União, de Aliança e de Confederação” de 1834 ( que
ainda não tinha sido aplicado quarenta anos após sua assinatura ) ;

Definir os princípios do Rito; formular os fundamentos de sua co-gestão através do conjunto dos
Supremos Conselhos;

Ratificar as relações passadas estabelecidas entre Jurisdições ou Potências maçônicas de outros


Ritos e fixar as condições destas a porvir;

Encontrar as disposições jurídicas para desfazer as diferenças entre Jurisdições. Desta forma,
tomam-se as medidas capitais que irão garantir ( se elas fossem aplicadas ) uma harmonização da
prática do Rito no mundo, o respeito mútuo da soberania e da independência dos Supremos
Conselhos, as condições e meios para instaurar laços estreitos e iguais entre eles, as bases
jurídicas da perpetuação do Rito, a saber:

- definição coletiva dos Princípios do Rito Escocês Antigo e Aceito e dos critérios de sua
regularidade;

- delimitação dos territórios devolutos às Jurisdições;

- garantia da soberania inalienável dos Supremos Conselhos;

- instituição de um tribunal para solucionar as diferença e examinar os recursos;

- determinação das condições de criação de novos Supremos Conselhos: nenhum Soberano


Grande Inspetor do 33º grau poderá tomar pessoalmente a iniciativa de uma criação sem o aval
de todos os membros da Confederação e sem ter obtido a aprovação da maioria;

- determinação das condições de nomeação: nenhum cidadão de um país compreendido na


Jurisdição de um Supremo Conselho Confederado poderá ser promovido a nenhum dos graus do
Rito Escocês Antigo e Aceito pela autoridade de um outro Poder maçônico, sem o consentimento
daquele da Jurisdição do qual desfruta os direitos de cidadão, mesmo que resida
temporariamente na Jurisdição deste outro Poder;

- decisão de tornar obrigatória a dedicação dos Trabalhos “À Glória do Grande Arquiteto do


Universo“ para todas as Oficinas que estão sob a direção imediata de um Supremo Conselho (o
que torna a dizer que sua própria regularidade, relativamente ao Grande Arquiteto do Universo,
não é necessariamente ligada àquela de uma Obediência gerando os três primeiros graus do
Rito);

- escolha das definições do “Grande Arquiteto do Universo” não exclusivamente teístas, mas
abertas a outra aproximações da espiritualidade dentro do respeito da liberdade de consciências
individuais.

A ausência desta regulamentação internacional vai arruinar toda possibilidade de assentar a


universalidade do Rito sobre bases jurídicas sólidas, elaboradas coletivamente para uma
aplicação livremente consentida pelos contratantes. Todas as divisões ( notadamente aquela,
catastrófica para o rito, consecutiva aos acontecimentos de 1965 na França ), todos os desvios
que resultaram da não observância de um Telhador comum, todos os abusos de poder que se
apropriaram de certas Jurisdições, resultaram da contra ofensiva anglo-americana de Edimburgo,
que em 1877, desmoronará a obra de Lausanne.

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EDIMBURGO (1877) OU A NEGAÇÃO DE LAUSANNE

De volta para seus respectivos Supremos Conselhos, os participantes da Convenção de Lausanne


prestaram conta a seus pares dos frutos seus trabalhos elaborados, discutidos e corrigidos em
comum depois todos adotados por unanimidade.

Infelizmente, este belo acordo não resiste por muito tempo: reviravoltas se produzem
rapidamente a propósito das definições do “Grande Arquiteto do Universo” (como foi previsto
pela partida antecipada do representante do Supremo Conselho da Escócia).

Os delegados franceses, retornando confiantes a Paris, pensavam que a calma poderia voltar em
suas Oficinas com o retorno;

O Grande Chanceler Guiffrey, na Festa Solsticial de 22 de dezembro de 1875, declara com


satisfação:
“... Esta fórmula é tão geral e tão vaga que às vezes deixa a porta aberta a todas as explicações, a
todas as declarações. Quem pode sondar o insondável que está encerrado nestas palavras, o
Grande Arquiteto do Universo? É conveniente respeitar a consciência individual em qualquer
acantonamento que ela possa ser colocada... “

O Grande Comendador Crémieux, em 1º de maio de 1876:


“... Nossos braços estão abertos para todas as convicções. Nós não damos nenhuma forma ao
Grande Arquiteto do Universo, nos deixamos a cada um a inquietação de pensar o que quiser.
Quanto a nós, nos inclinamos diante do Infinito, do Incompreensível e não impomos mais a
religião de Júpiter que aquela de Adonai : todas são iguais perante nossos olhos.. “ ..

Foi esquecido o ponto de vista teísta dos partidários decididos das Religiões do Livro. O
Supremo Conselho dos Estados Unidos (Jurisdição Sul), que não havia participado da
Convenção de Lausanne e não se fez representar, foi o primeiro a contestar as decisões, seguido
dos Supremos Conselhos da Escócia e da Grécia (todos os dois representados em Lausanne pelo
Mui Ilustre Irmão Mackersy que abandonou o local sem ter participado da discussão plenária
onde poderia dar sua opinião e curvar as opiniões da Convenção), da Irlanda, da América Central
(Costa Rica), ou seja, cinco Supremos Conselhos dos vinte e dois reconhecidos em Lausanne
(menos de ¼ portanto).

Estes decidiram reformular a Declaração de Princípios num sentido mais restritivo e


resolutamente teísta, impondo as crenças em um Deus pessoal e no dogma cristão de
imortalidade da alma, em desprezo da liberdade de consciência dos Irmãos:
“A Franco Maçonaria proclama, como tem proclamado desde as origens, a existência de Deus, o
Grande Arquiteto do Universo, e a imortalidade da alma”; acrescentando depois uma cláusula de
fé, declarando “necessário e fundamental a crença em Deus, verdadeiro e vivente” sempre
deixando a cada um a preocupação “de adorar Deus na forma que julgar em sua consciência
devendo Ele ser o mais agradável”.

Uma cisão desta forma se instaura entre os Supremos Conselhos partidários de impor as crenças
religiosas a seus membros, e aqueles, mais tolerantes e não dependentes das Igrejas que, sem
serem ateus, entendiam, entretanto preservar as liberdades de pensamento e de consciência
individuais.

Expliquemos as posições de uns e de outros. O Grande Comendador Albert Pike da Jurisdição


Sul dos Estados Unidos (adepto episcopal que, por outro lado, não apreciou que a jurisdição das
Ilhas Sandwich fora confiada ao Supremo Conselho da França) se emociona:

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“Nenhum Maçom de língua inglesa desejoso em proclamar sua não crença ao Deus de seus pais,
nem sua fé em um princípio criador, frase sem significado que anula o Deus da Justiça e da
bondade, a Providência protetora de nossa existência cotidiana, destrói com mesmo golpe a
Religião e derruba os altares de toda Fé e de toda a Maçonaria“.

Constatamos, por sua viva reação, que Pike não adota uma posição filosófica neutra, mas que se
apresenta como partidário de um Deus pessoal e se coloca como defensor da religião que então,
prudentemente, Lausanne quis descartar a Maçonaria deste terreno. Como o “Tratado de União,
de Aliança e de Confederação“ define o “Grande Arquiteto do Universo”? Ao utilizar expressões
diferentes que à primeira vista poderiam fazer crer a ambigüidade, mas que, de fato, permitem
admitir e manipular os pontos de vista teísta, deísta ou agnóstico.

Eis as formulações:

1º no preâmbulo:
“A Franco Maçonaria é uma instituição de Fraternidade universal cuja origem remonta ao berço
da sociedade humana; ela tem por doutrina o reconhecimento de uma Força Superior a qual
proclama a existência sob o nome de Grande Arquiteto do Universo “.

2º na Declaração de Princípios:
“A Franco Maçonaria proclama, como tem proclamado desde sua origem, a existência de um
Princípio Criador sob o nome de Grande Arquiteto do Universo“.

3º no Manifesto:
“Para elevar o homem diante de seus próprios olhos, para o torna digno de sua missão sobre a
Terra, a Maçonaria afirma em princípio que o Criador Supremo deu ao homem como bem mais
precioso, a liberdade, patrimônio da humanidade toda, reinando do alto, o qual nenhum poder
tem o direito de extinguir nem de reduzir e que é a busca dos sentimentos de honra e de
dignidade“.

(estas três definições são grifadas por mim) ..

Para entender o não emprego da palavra “Deus” sujeito a polêmica por alguns Supremos
Conselhos, nos coloquemos no contexto da época; analisaremos a seguir o sentido exato das três
definições de substituição.

O contexto de 1875:

- campanhas anti-maçônicas redobradas, nos países católicos, depois que o papa perdeu em 1870
seu poder temporal;

- atitude ultra conservadora da Igreja católica que não se pronuncia globalmente contra a
modernidade, as liberdades individuais e coletivas, os direitos do Homem, a democracia, o
sufrágio universal, a ciência, a filosofia; em conseqüência, a luta contra a empresa da Igreja
surge, a esta época, como a condição obrigada da emancipação das pessoas e dos povos;

- a radicalização da doutrina católica (infalibilidade pontifical, proclamação da afirmação: “fora


da Igreja sem salvação “) que vai de encontro à liberdade religiosa.

Será pouca surpresa que estas tomadas de posição que afetaram, sobretudo os países
majoritariamente católicos e originaram (nas populações como na Lojas maçônicas) uma rejeição
à palavra “Deus” em nome de que eles eram proferidos, que eles tinham formado o leito do

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positivismo, do cientismo e do materialismo e que haviam motivado o envio do laicismo nos
Estados. Estes fenômenos não afetaram (nas décadas que precederam Lausanne) as nações
protestantes, em particular anglo-americanas, permaneceram ligadas às suas raízes religiosas e
não cumpriram na justa medida a causa da exacerbação dos espíritos nos países católicos.

Teve a Convenção de Lausanne vontade de erradicar toda espiritualidade, de fazer professar o


ateísmo ou abrir o caminho? Absolutamente não; nós daremos conta que sua neutralidade
religiosa não excluía nem o teísmo, nem o deismo, mas que ao evitar toda proclamação explícita,
não queria mais impor uma crença precisa, mas respeitar a liberdade de consciências individuais
em matérias religiosas e filosóficas. Como primeiras provas:

- a Convenção manteve o lema geral do Rito “Deus Meumque Jus”: “Deus e meu direito”;

- o Presidente Besançon encerra a Convenção “Em nome Deus, São João e dos Supremos
Conselhos Confederados”.

Quanto às três formulações utilizadas, elas deixam o campo livre às interpretações nas quais cada
Maçom poderá encontrar seu entendimento:
- “Criador Supremo“ para o teísta
- “O Princípio Criador“ para o deísta
- “A Força Superior“ para o agnóstico.

Mesmo o Supremo Conselho da Inglaterra admite o erro do delegado da Escócia Mackersy em


uma circular enviada em 26 de janeiro de 1876 as Oficinas de sua Jurisdição:

“Se o delegado escocês permaneceu até o fim da Conferência, não deveria ter ousado emitir a
declaração insustentável que o congresso não havia expressado sua crença em um Deus pessoal...
pois o único ponto sobre o qual o Congresso insistiu fortemente, era de se colocar, como
princípio fundamental do Rito Escocês Antigo e Aceito, a crença na pessoa de Deus, o Criador
Supremo, o Grande Arquiteto do Universo“,

e a circular de reconhecer :
“Um dos grandes intentos do Congresso foi de provar ao mundo através de seu Manifesto, que o
Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria não admitiria jamais em suas fileiras qualquer
pessoa que não acredite em Deus como um Deus pessoal, o Criador, o Autor e o Governador de
toda coisa, o Jeová“.

Para apoiar sua afirmação, a circular recorda as três definições contidas no Tratado: Força
Superior, Princípio Criador e Criador Supremo, antes de concluir:

“Se estas palavras não designam o único Deus, que está acima de tudo, e que é um Deus pessoal,
nenhuma língua será capaz de fazer“.

E durante este tempo Mackersy conseguiu fazer passar a desconfiança do ateísmo (ainda mais
imperdoável porque ele não tinha participado da Convenção até o término) aos Supremos
Conselhos um pouco excessivamente empenhados em acreditar em sua palavra. Bem rápido,
duas atitudes muito conciliatórias deram ganho de causa aos partidários de Edimburgo. Para
evitar uma divisão que predizia fatalmente a existência de duas Declarações de Princípios
diferentes para o mesmo Rito, o novo Grande Comendador do Supremo Conselho da Suíça,
Antoine Amberny, suplica ao Supremo Conselho da França de se opor à Declaração de
Edimburgo, por ser um erro aceitar este último, mesmo provisoriamente, na esperança que a
Convenção prevista para 1878 em Roma ou em Londres possa encontrar uma solução

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consensual. Duas atitudes conciliatórias, mas falíveis em vez de deixar isolados alguns Supremos
Conselhos muito minoritários e ausentes em Lausanne, irão suspender a aplicação do Tratado,
farão hesitar os novos aderentes e permitir a qualquer signatário trocar de opinião. A Convenção
de 1878 não pode se reunir: tendo terminado a Convenção de Lausanne. Desde então mais
nenhuma Convenção universal do Rito Escocês Antigo e Aceito não consegui se reunir.
Assistiremos doravante ao aumento progressivo da força dos Supremos Conselhos teístas
apoiados pelas Jurisdições americanas; estes últimos acabarão por se tornar lideres nas
Conferências Internacionais, após o golpe de força de 1965 que isolou o último partidário da
Convenção de Lausanne: o Supremo Conselho da França.

QUAIS PERSPECTIVAS PARA O SÉCULO XXI?

“Nele havia Vida, e a Vida era a Luz dos Homens, e a Luz resplandece nas trevas, e as trevas não
a compreenderam.” Prólogo do Evangelho de João, I , 4 – 5

Constatações prévias
Não estamos mais no século XIX, acabamos de deixar o século XX, e não obstante muitos ainda
não examinaram o Rito Escocês Antigo e Aceito aqui e agora na nossa época mas relativamente
a um período completo. Confundindo Tradição e conformismo, perenidade e conservadorismo,
eles não medem a amplitude da mutação acelerada na qual a Humanidade inteira está
empenhada, mutação radical com a qual a Franco Maçonaria de todos os países está confrontada.
Trata-se de nos contradizermos de nossas raízes, de evitar artificiosamente ou renegar dois
séculos de nossa História, de pregar um modernismo de circunstância para responder aos
desafios de nosso século? Certamente não, mas somente não nos curvarmos sobre nós mesmos
nem sobre um passado idealizado a fim de olhar a realidade, a realidade de hoje, bem de frente,
de opor aos desvios do mundo profano as virtudes iniciáticas e espirituais do nosso Rito e fazer
dessa forma um instrumento portador do futuro para os nossos Irmãos em dúvida. Em fase com o
dinamismo da vida e aberto ao paradigma da não dualidade universal, o Rito Escocês Antigo e
Aceito poderá então se regenerar de si próprio e realizar sua vocação mundialista, se tornado
através de seus diversos componentes da Ordem maçônica o exemplo concreto de uma
metamorfose de êxito.

Se as religiões institucionalizadas são as primeiras vítimas da mundialização materialista e se


omitem, se as sociedades são arrancadas de suas tradições ancestrais, se a fecunda diversidade
das culturas tende a se uniformizar ao redor de um modelo único, em toda parte se desperta uma
necessidade por uma reação, ainda difusa e multiforme, de espiritualidade vivente. Não
esqueçamos o que já declarou Albert Schweitzer em 1934:

“Uma verdade é inabalável: tudo que se passa na História é baseada sobre o espiritual. Se o
espiritual é forte, ele cria a História, se ele é fraco, ele a submete. A questão é saber se nós
devemos fazer a História ou a submeter. Nosso pensamento deve ser de uma nova ética e
religiosa? Reconquistaremos um ideal que se oporá à realidade ? Eis a questão que está aberta
diante de nós hoje “. (“Religion in Modern Civilisation “, The Christian Century, Chicago, p.
1483).

Esta constatação se aplica também, de forma bem evidente, à Maçonaria do Rito Escocês Antigo
e Aceito.

Todos os pensadores atuais concordam em dizer que, para escapar dos perigos que a ameaçam, a
Humanidade deve induzir uma nova maneira de pensar. Desta forma Edgar Morin em Terre
Patrie:

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“A reforma do pensamento é um problema antropológico e histórico. Isto implica uma revolução
mental ainda mais considerável que a revolução coperniquiana. Jamais na história da
humanidade as responsabilidades do pensamento foram tão esmagadoras. O coração da tragédia
está também no pensamento“.

Teremos nós também, no seio da Ordem Escocesa, que reformar nossa maneira de pensar,
tornarmo-nos lúcidos e inovadores para afrontar o século XXI?

O século XX foi marcado por um fracasso da maior parte das ideologias religiosas, filosóficas,
científicas e políticas cujos resultados foram calamitosos para a Humanidade. Felizmente, sinais
de uma renovação surgiram aqui e lá: a ciência (admitindo doravante que uma certeza
generalizada é um mito), reinventa outros paradigmas para explicar a realidade complexa; o
racionalismo constata seus limites e apela inclusive para uma lógica paradoxal; a filosofia,
esclarecida pelas últimas descobertas científicas, reconhece que a matéria perseguida em suas
últimas barricadas se apaga e se absorve em uma substância única de natureza espiritual ; as
religiões (quando elas não se radicalizam mais no integralismo e fundamentalismo para represar
um mundo e adeptos que lhe escapam) se abrem ao conceito de um Deus de Amor mais
próximo, mais humano e mais tolerante.

Muitas causas explicam a divisão atual do Rito. Primeiro o insucesso da Convenção de


Lausanne. Ao definir uma espiritualidade específica ao Rito Escocês Antigo e Aceito desligado
da esfera religiosa, mas conservando o Espírito sua supremacia sobre a matéria, ao conciliar uma
plena liberdade de consciência ( hoje admitido ) relativamente à idéia que cada um podia se
tornar a Última realidade, colide de frente com os Supremos Conselhos desejosos de manter a
concepção teísta do Grande Arquiteto do Universo. Ora, em nossos dias, o antagonismo dualista
entre teísmo personalista e deismo não personalista é assimilado numa interpretação mais ampla,
assim já o sugeriu Albert Shweitzer em Aus meinem Leben und Denken (Minha vida e meu
Pensamento, Leipzig 1931):

“Todo cristianismo verdadeiramente vivente é panteísta na medida onde deve conceber tudo
aquilo que existe como existente no Ser universal. Mas ao mesmo tempo, toda piedade
verdadeiramente ética se coloca acima de toda mística panteísta. Pois ela não encontra o Deus do
Amor na natureza; ela somente o conhece porque ele se revela em nos como vontade de Amor.
O Ser universal, tal qual se manifesta na natureza, é para nos sempre qualquer coisa de
impessoal. Mas, com o Ser universal que se revela em nos como vontade de Amor, nos, nos
colocamos em relação como que com uma personalidade ética. O teísmo não está em oposição
com o panteísmo, mas ele surgiu de seu solo, como a determinação ética saída da indeterminação
natural“.

Para aqueles que alguma vez tentaram compreender a relação entre deismo e teísmo sem fazer
objeto de polêmica religiosa, a questão não oferece muito para tomar partido; infelizmente,
alguns de nossos contemporâneos condizem dificilmente que não existe antilogia entre o pessoal
e o impessoal, o sujeito e o objeto, a causa e o efeito, o absoluto e o relativo, o finito e o infinito,
o temporal e o eterno, o material e o espiritual; optando por um ou por outro deste termos
aparentemente antônimos, eles se enclausuram numa percepção dualista, linear, mecanicista do
mundo e não conseguem içar ao nível superior de uma Realidade complexa, animada pela inter-
relação dinâmica de fatores multidimensionais, a aceitar o caráter incompleto e provisório de
todo conhecimento. É, portanto o que afirma agora a ciência moderna, reencontrando assim os
ensinamentos das Grandes Tradições da Humanidade. O Maçom do Rito Escocês Antigo e
Aceito não pode se erguer à concepção de uma substância ou de uma Realidade universais sem,
no entanto as encerrar numa terminologia religiosa particular e ignorar aquilo que a ciência
contemporânea, certa filosofias ou o pensamento oriental concebem a este propósito? Se o Rito

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Escocês Antigo e Aceito quiser se fazer ouvir a todas as grandes correntes de pensamento e se
tornar verdadeiramente universalista, não lhe caberá aceitar, ao lado da concepção tipicamente e
exclusivamente religiosa de antigamente, a possibilidade de uma formulação espiritualmente
neutra do Grande Arquiteto do universo, portanto aberto a todas as aproximações e a todas as
sensibilidades humanas? Neste domínio também a mundialização em marcha fará pouco caso
das querelas de capelas.

A situação bloqueada na qual se encontra o Rito Escocês Antigo e Aceito tem outras causas, bem
atuais, que o fracasso de Lausanne. Ela provém notadamente da França onde uma Obediência, se
glorificando do reconhecimento anglo-americano e confundindo a intenção de regularidade e
reconhecimento, afirma que a invocação do “Grande Arquiteto do Universo“ se dirige
exclusivamente ao Deus pessoal das Religiões do Livro (portanto mesmo que cada uma destas
três religiões monoteístas tenha uma concepção diferente das outras duas!) e faz crer que esta
posição permanece firmemente como aquela da Maçonaria anglo-americana, então que esta aqui,
apreciada pelas instituições religiosas com perda de audiência em seus próprios países,
reconhece pouco a pouco o bom fundamento da posição de Lausanne.

Esta Obediência francesa não hesita em conservar a exclusividade de suas apadrinhações,


destilar controvérsias ao estrangeiro para prejudicar aqueles que, permaneceram
fundamentalmente e sinceramente espiritualistas e fieis aos valores constitutivos do Rito Escocês
Antigo e Aceito não sendo menos permanentes dos mais regulares. Persistindo nas falsas
alegações durante decênios, eles acabaram por fazer acreditar as novas gerações de Maçons que
não estão sempre preparados em conhecer a verdade histórica e os anteriores pensamentos
estratégicos: é assim que nascem as lendas enganosas e tenazes.

Uma outra causa de bloqueio reside no fato de que existe uma confusão no espírito de certas
Jurisdições entre a presença protocolar que implica sempre naturalmente à anterioridade de sua
criação e um direito de primogenicidade sobre as Jurisdições mais recentes, se traduzindo por
uma fixação unilateral de critérios de regularidade por uma retirada de seu reconhecimento, se
houver a menor divergência de ponto de vista ou uma tentativa de não dependência. Nesta
matéria, Lausanne conseguiu consagrar plena soberania, igualdade e colegialidade entre todas as
Jurisdições.

Exceder as probabilidades da História ou sucumbir?

O século XXI entrou em uma era planetária com os efeitos felizes e nefastos que o conheceram.
Não restam meios para que as instituições, quer sejam religiosas, sociais, econômicas, políticas,
não governamentais (O . N.. G. ) ou maçônicas, que possam mais arcar sobre si mesmos com o
risco de serem condenadas à estagnação, a regressar, ver desaparecer ; doravante uma visão
global e futurista das coisas se impõe, as aproximações e os reagrupamentos tornam-se
necessários para sobreviver e gerar novos dinamismos. A tendência não é recente: assim, as duas
guerras mundiais fizeram compreender a necessidade de instaurar uma Sociedade de Nações ou
de uma Organização das Nações Unidas para tentar regular as relações internacionais. Não
enxergam hoje as religiões institucionais, com perda da credibilidade e de efetivos, outrora em
conflitos permanentes entre elas, mas no presente confrontadas ao perigo comum do
materialismo, do consumismo e da economia ultra liberal induzindo a uma forte
desespiritualização do Homem, escutar-se mutuamente e tentar descobrir os critérios e
perspectivas que poderiam os aproximar, fazendo passar a um segundo plano suas diferenças
doutrinárias? Não podiam lamentar que o mundo maçônico, rico em sua diversidade, portador
dos ideais do Século da Luzes, podendo se orgulhar de ter sido no passado a vanguarda da
conquista dos Direitos do Homem, da justiça social e da democracia, não poder ser para si
próprio um fermento inovador? E o Rito Escocês Antigo e Aceito que, bem antes, estava

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entretanto dotado de uma constituição mundialista visionária, que uso fez dela e qual promessa
para o futuro fará? Continuará ela a se atormentar nas quer ela de um outro tempo, padecer ainda
e sempre os trâmites do passado, decepcionar a geração de Maçons já com um pé no século XXI
ou lhes oferecer uma formidável perspectiva por vir? Teríamos nós, no seio de nosso próprio
Rito, nos tornados menos clarividentes e menos tolerantes que as Igrejas que outrora nos
combateram mas que hoje entenderam a necessidade de revisar seu posicionamento (Encíclica
Ecclesiam Suam de Paulo VI, 1964, e criação de um Conselho pontifical sobre o diálogo inter-
religioso, Encontro de Assis), menos capazes que as nações que tentam se federar (construção
européia), menos hábeis que o mundo das finanças (Fundo Monetário Internacional, Banco
Central Europeu), menos audaciosos que a Organização Mundial do Comércio, etc ....? Teríamos
nos tornados incapazes de aplicar a nós mesmos nossos próprios ideais para nos colocarmos em
adequação com os nossos princípios, de abrir simplesmente nosso coração ao diálogo, à
conciliação e à Fraternidade antes de perseguir conflitos irrelevantes ao olhares mundiais e de
nos refugiarmos passivamente atrás de teses obsoletas? Não é necessário ser um grande sábio
para predizer que se continuarmos a nos ignorar ou a nos anatemizar mutuamente, daremos desta
forma a demonstração que nos cortamos nossas raízes vivificantes do Espírito e da Vida: o
enfraquecimento e a marginalização inexoráveis do Rito Escocês Antigo e Aceito serão as
funestas conseqüências.

O tempo é chegado para o Rito Escocês Antigo e Aceito reconsiderar positivamente e


criativamente o por vir das relações internacionais entre os Supremos Conselhos regulares. Se
temos realmente o desejo e a vontade, um desbloqueio da situação poderá se efetuar
progressivamente, sem mudar de atitude nem incriminar nossos primórdios : primeiramente
esquecer o passado para poder imaginar criativamente o por vir; cessar a seguir de declarar
irregulares as Jurisdições preenchendo todos os critérios tradicionais da Regularidade ; tornar
possível as intervisitas ; deixar contatos confiantes e fraternais se unirem ; nos reconhecermos
mutuamente como co-herdeiros e co-responsáveis de um mesmo Rito ; viabilizar e realizar
finalmente a reconciliação da família escocesa. Certamente, as Grandes Constituições não
autorizam senão um Supremo Conselho por país, mas se quisermos um dia voltar a este ideal,
tornar-se-á necessário começar por nos reencontrarmos e dialogar durante um período
intermediário; se não pudermos conseguir, resta a solução de adaptar as Grandes Constituições à
realidade dos fatos : nossos antecessores em seu tempo legislaram a este respeito, por que não
poderemos fazer o mesmo, visto que aquilo que se reclama das Grandes Constituições antes de
1875 está longe de poder os aplicar tais quais estando portanto na irregularidade que denunciam.
A mundialização em curso, a situação internacional deletéria e o estado atual da Franco
Maçonaria pleiteiam em favor de uma concentração pacífica : não podem faltar reuniões se não
se deseja ser ultrapassado ou esquecido no curso dos acontecimentos. Pertence aos Maçons
Escoceses de boa vontade, lúcidos e criativos, tomar o destino em suas mãos.

Quem abrirá seus olhos sobre nosso mundo porvir?

Quem estenderá uma mão fraternal?

Quem responderá ao apelo da História?

Não poderíamos apoiar melhor nosso apelo em renovar o diálogo no seio da Família Escocesa
senão lembrando a alocução de encerramento do Grande Comendador do Supremo Conselho da
Suíça, organizador da Convenção de Lausanne:

“A Convenção maçônica de Lausanne terminou seus trabalhos; antes de fechá-los, vosso


presidente exprime seu reconhecimento; nunca uma empreitada tão temida se tornou tão fácil
graças ao vosso espírito fraternal e vossa indulgência”.

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Elas eram de uma grande gravidade, as questões submetidas à vossa deliberação e que felizmente
resolvestes:

- finalizar a obra de 1786, apropriando as Grandes Constituições às aspirações de nossa época e


sem os privar desta característica de elevada sabedoria que distinguia nossos ancestrais em
maçonaria. Nossos esforços foram assim o esperamos coroados do maior sucesso; não tivemos
de vencer nenhuma resistência, e cada um de nos pode levar sua pedra ao edifício comum;

- firmar as bases do Tratado de Aliança entre os Supremos Conselhos Escoceses e estreitar mais
ainda os laços que os unem. Lá ainda, grandes progressos foram realizados; a Maçonaria
Escocesa será doravante um feixe indestrutível, uma só família, apesar da distância, apesar das
diferenças de usos e costumes, de nacionalidades, de religiões; é o ideal da Maçonaria.

A Convenção não desejou se separar sem antes dirigir um manifesto caloroso a todos os amigos
da luz e do progresso. A Maçonaria Escocesa os associa a seus trabalhos e os convida a lutar
com ela contra a intolerância e os preconceitos.

Estas grandes, estas importantes decisões foram tomadas de um só coração, de uma só alma,
como convém a verdadeiros Maçons. A Arte real possuirá novas forças para lutar contra as
trevas da superstição e da ignorância. A fé Maçônica se reacenderá, todas as Oficinas serão
doravante focos de luz, cuja influência benfeitora invadirá o mundo e o transformará. Possa o
Grande Arquiteto do Universo satisfazer nossas esperanças e fecundar o campo onde
trabalhamos!“

Infelizmente, as esperanças do Grande Comendador da Suíça e dos iniciadores de Lausanne


foram frustradas bem rápido!

Neste caso que o Concílio Vaticano II conseguiu corrigir Vaticano I e se colocou em harmonia
com a sua época, o Conselho Pontifical para o Diálogo inter-religioso não teve receio de
escrever, a propósito de uma aproximação positiva das tradições religiosas:

“Estas tradições devem ser aproximadas com grande respeito, por causa dos valores espirituais e
humanos que contêm. Elas requerem nossa consideração pois, através dos séculos, elas foram a
testemunha dos esforços para encontrar respostas aos enigmas escondidos da condição humana...
O diálogo inter-religioso não tende simplesmente a uma compreensão mútua e às relações
amigáveis. Ela chega a um nível muito mais profundo, àquele do espírito, onde a permuta e a
partilha consistem em um testemunho mútuo daquilo que cada um crê e uma exploração comum
das convicções religiosas respectivas...

O diálogo sincero implica de um lado que se aceite a existência de diferenças e mesmo de


contradições, e por outro lado que se respeite a livre decisão que as pessoas tomam de acordo
com os imperativos de sua consciência... É num diálogo atento que é necessário saber reconhecer
e acolher os valores culturais que favorecem a dignidade do homem e de sue destino
transcendente... Poderá também ajudar a promover valores culturais tradicionais ameaçados pela
modernidade e o nivelamento por baixo que toda internacionalização indiferenciada pode trazer
consigo... “ (Atas da Santa-Matriz: “Diálogo e Anuncio “19 de maio 1991).

Neste caso em que esta abertura em andamento na Igreja católica, e já comprometida do lado
protestante e ortodoxo, leva a contatos regulares entre o cristianismo e o judaísmo, o islamismo e
o budismo para um melhor conhecimento recíproco, quem é por nós? As religiões que aceitam

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hoje a tolerância mútua que defendíamos no século XVIII, foram um surpreendente avanço para
os Maçons que pareciam tem regressado neste domínio!

Os Maçons Escoceses serão incapazes de seguir uma evolução semelhante? Serão eles
devassados por aqueles que, tornados conscientes da necessidade de resistir à dominação
técnico-econômico, já se compõem para a instauração de uma cidadania mundial humanista e
espiritualista ? Irão deixar escapar a oportunidade e a vantagem que lhes dão suas Grandes
Constituições internacionalistas pelo fato de os ajustar e se adaptar eles mesmos à realidade e às
exigências do mundo contemporâneo? Um mínimo de realismo e de fraternidade lhes irá permitir
aceitar um diálogo interjurisdicional e se abrir um dia à esperança de um Lausanne II?

As reuniões internacionais dos Supremos Conselhos regulares do mundo, impulsionados pelo


Supremo Conselho da França desde 1995 e reunindo a este momento vinte e seis Supremos
Conselhos distribuídos sobre três continentes trazem um elemento de resposta a esta questão
essencial.

IIr. Moiz Halfon, 33° e Manoel Olegário da Costa, 33°

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