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CURSO DO PROF. DAMÁSIO A DISTÂNCIA

MÓDULO XII

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL


Processo de Execução

1. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO

1.1. Princípio da Máxima Utilidade da Execução (exato


Adimplemento)

De acordo com esse princípio, o processo de execução tem que ser


extremamente proveitoso ao credor, o mais próximo do que ele teria caso não
houvesse ocorrido transgressão ao seu direito. O princípio em questão é um
corolário do princípio da máxima utilidade da atuação jurisdicional. A
relevância, porém, é muito maior no processo de execução, na medida em que
o processo de execução é instrumento do processo de conhecimento e visa
assegurar o “bem da vida” ao credor, por meio de resultados materiais. É
necessária a mudança da realidade, fazendo surgir situação concreta e muito
aproximada ao cumprimento espontâneo por parte do devedor. Para tal, a
celeridade e o rigor dos atos são fundamentais.

Entre as medidas necessárias para albergar os princípios em questão


temos:

• aplicação de multa diária na execução das obrigações de fazer e não


fazer (astreintes);

• execução provisória;

• a antecipação da tutela para garantir o resultado do processo


executório (arts. 273 e 461 do CPC);

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• sanção ao devedor desleal (arts. 600 e 601 do CPC);

• arresto de bens do devedor não localizado (art. 653 do CPC).

Salientamos que algumas dessas medidas serão estudadas à luz das


recentes modificações introduzidas no Código de Processo Civil, após a
explicitação dos demais princípios atinentes à matéria.

1.2. Princípio do Menor Sacrifício do Executado (menor


onerosidade)

O caminho buscado deverá ser sempre o menos oneroso para o devedor.


O próprio art. 620 determina: “quando por vários meios o credor puder
promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso
para o devedor”.

É importante ressaltarmos que não se busca sanção ao devedor, mas sim


a satisfação ao credor. Deve haver uma proporcionalidade, pois sempre que
houver necessidade de sacrifício, deverá ser no limite do necessário.

Temos como efeitos:

• direito do devedor nomear bens à penhora;

• direito do devedor de pedir a substituição do bem penhorado por


dinheiro (art. 668, do CPC);

• direito do devedor de remanescer como depositário de seus bens


penhorados (art. 666, do CPC);

• proibição da arrematação de bens do devedor por preço vil (art. 692,


do CPC);

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• impenhorabilidade de alguns bens do devedor (arts. 649 e 650 do


CPC e Lei n. 8.009/90).

1.3. Princípio do Contraditório

Não é somente o credor quem participa do processo de execução, pois o


texto constitucional garante a ampla defesa e o contraditório em todas as fases
processuais (art. 5.º, LIV e LV, da CF). O princípio do contraditório garante
inclusive ao devedor inadimplente, a oposição de embargos do devedor. Aliás,
o contraditório é inerente a todas as modalidades de processo, de acordo com
as garantias constitucionais. Ademais, o princípio do menor sacrifício implica
o contraditório.

1.4. Medidas previstas para assegurar maior índice de


satisfatividade às execuções

As previsões do procedimento ordinário, de aplicação subsidiária a todo


o sistema, e das execuções provisórias, foram reformuladas e ampliadas com o
fim de permitir maior índice de satisfatividade nas efetivações de tutelas
antecipadas e executivas.

Entre as medidas necessárias para albergar os princípios em questão,


garantindo assim maiores índices de satisfatividade às execuções e a obtenção
de efetividade à execução forçada, encontram-se:

• aplicação de multa diária (astreintes) na execução das obrigações de


fazer, não fazer, e entrega de coisa, esta última inclída pela Lei n.
10.444/02;

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• execução provisória;

• a antecipação da tutela para garantir o resultado do processo


executório (arts. 273 e 461 do CPC);

1.4.1. Aplicação da Multa diária na Execução das obrigações de


Fazer, não-Fazer e entrega de Coisa

Muitas e importantes foram as alterações operadas em sede de execução


das obrigações de fazer, não fazer e entrega de coisa. Para fins de estudo,
apresentam-se tais institutos em disposições tópicas.

“Art. 287. Se o autor pedir que seja imposta ao réu a abstenção da


prática de algum ato, tolerar alguma atividade, prestar ato ou entregar
coisa, poderá requerer cominação de pena pecuniária para o caso de
descumprimento da sentença ou da decisão antecipatória de tutela
(arts. 461, § 4o e 461-A).” (NR)

A execução das obrigações de fazer, de não fazer e de entrega de coisa


passa a ter um regime uniforme, de acordo com as regras estabelecidas pelos
artigos 461 e 461-A, além de poder ser aplicado o disposto no artigo 588, no
que couber, conforme expressão da própria lei.

O artigo 287 dispõe sobre a possibilidade de fixação de multa diária


(“astreintes” ou “astrentes”) em qualquer antecipação de tutela, como forma de
compelir o obrigado à execução da prestação objeto de efetivação. Ressalte-se
que, na doutrina e na jurisprudência, tal hipótese já se admitia, de modo
pacífico.

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Com efeito, a lei qualificou a providência de efetivação da medida


satisfativa como de antecipação de tutela e não como providência cautelar,
quer seja concedida de modo antecipado ou no momento da sentença, e em
qualquer tipo de ação, mesmo em ações civis públicas, e para efetivação desta
antecipação tornam-se cabíveis as “astreintes”.

Conforme se verá no texto da nova redação do artigo 461, § 6.º, é


mantida a possibilidade de o juiz modificar de ofício o valor da multa fixada a
título de “astreintes”; todavia, a reforma vai além, pois foi introduzida a
possibilidade de alteração da periodicidade da multa.

Seguindo a tendência uniformizadora da lei, em aplicar institutos


semelhantes para a efetivação de tutelas cujos objetos sejam parecidos, foram
incluídas novas proposições ao artigo 461, além da inserção do artigo 461-A,
no Código de Processo Civil.

O artigo 461-A passa a tratar especificamente das regras a serem


utilizadas pelo magistrado quando da aplicação de preceitos coercitivos
visando à efetivação da entrega de coisa concedida em sede de tutela
antecipatória.

Como regra, e com o objetivo de atender ao princípio do exato


adimplemento, utiliza-se para efetivação de tutela de obrigações de fazer e de
não fazer o provimento mandamental, em que o juiz ordena e impõe medidas
de apoio para pressionar a vontade do devedor, ao passo que, na efetivação da
tutela de entrega de coisa, haverá identificação com as ações executivas lato
sensu, ou seja, apesar de suas decisões não possuírem cunho ordenatório com
sanções específicas, uma vez proferidas podem ser efetivadas desde logo, nos
mesmos autos, sem necessidade de novo processo executivo.

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Assim, a técnica de sub-rogação, ou execução em sentido estrito, em que


há a substituição da vontade do devedor pela atuação judicial, só tem lugar se
os provimentos mandamentais não surtirem efeitos. O exato adimplemento,
previsto no Código de acordo com a expressão “resultado prático equivalente”
(artigo 461, § 5.º, do Código de Processo Civil), portanto, deve ser buscado
primordialmente pelo magistrado, a exemplo dos alimentos.

No entanto, não se afigura possível a decretação de qualquer restrição de


liberdade, ainda que pudesse ser alegada sua eficácia na obtenção do dito
resultado equivalente, uma vez que, na hipótese, seria de rigor observar um
injustificável retrocesso em relação às conquistas obtidas pela sociedade,
inclusive em sede de direitos individuais, a começar pela negação da
consagrada lex poetelia papíria, que traduz o princípio da patrimonialidade.

“Art. 461.............................................................................

§ 5o Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado


prático equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento,
determinar as medidas necessárias, tais como a imposição de multa
por tempo de atraso, busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas,
desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva, se
necessário com requisição de força policial.”

O artigo 461, em seu § 5.º, apresenta um rol exemplificativo de medidas


a serem tomadas pelo juiz quando da busca da efetivação de tutela de
obrigações de fazer e de não fazer, que vão desde o provimento mandamental
até a sub-rogação (execução indireta, em sentido estrito), dependendo do grau
de resistência do devedor.
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Considera-se na doutrina, ainda incipiente, esse rol exemplificativo, uma


vez que no texto do referido parágrafo encontra-se a expressão “tais como”, de
forma a indicar a possibilidade de aplicação de outras medidas não previstas
neste artigo, corroborando, assim, a previsão do artigo 273, § 3.º, que prega a
aplicação, no que couber, dos institutos dos artigos 588, 461 e 461-A do
Código de Processo Civil. Dessa maneira, o limite das tutelas é o limite das
restrições expressas nos comandos constitucionais.

“§ 6o O juiz poderá, de ofício, modificar o valor ou a periodicidade


da multa, caso verifique que se tornou insuficiente ou
excessiva.”(NR)

Conforme se colhe da nova redação do artigo 461, § 6.º, é mantida a


possibilidade de o juiz modificar de ofício o valor da multa fixada a título de
“astreintes”; todavia, a reforma vai além, pois foi introduzida a possibilidade
de alteração da periodicidade desta. Pode-se, então, vislumbrar a não-
obrigatoriedade do critério diário de fixação da multa ante a possibilidade
conferida ao juiz de modificar sua periodicidade, apesar de continuar a ser o
mais fácil e prático dos critérios possíveis.

“Artigo 2.o da Lei n. 10.444/02 : A Lei n.o 5.869, de 11 de janeiro de


1973, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 461-A:

Art. 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz,
ao conceder a tutela específica, fixará o prazo para o cumprimento da
obrigação.

§ 1o Tratando-se de entrega de coisa determinada pelo gênero e


quantidade, o credor a individualizará na petição inicial, se lhe

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couber a escolha; cabendo ao devedor escolher, este a entregará


individualizada, no prazo fixado pelo juiz.

§ 2o Não cumprida a obrigação no prazo estabelecido, expedir-se-á


em favor do credor mandado de busca e apreensão ou de imissão na
posse, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel.

§ 3o Aplica-se à ação prevista neste artigo o disposto nos §§ 1o a 6o


do art. 461.”(NR)

Atendendo à uniformização das efetivações de tutela proposta pela lei,


foi inserido no texto do Código de Processo Civil o artigo 461-A, que
determina a aplicação de regras semelhantes às previstas para a execução de
obrigações de fazer e de não fazer, para a entrega de coisa, com pequenas
alterações que a assemelham às ações executivas lato sensu.

Assim, mantém-se a primazia da tutela específica, remetendo


excepcionalmente o credor às perdas e danos, se impossível a obtenção do
resultado equivalente. Ao menos a princípio, a doutrina parece inclinar-se à
visão de que o artigo 461-A aplica-se nos casos de efetivação de títulos
executivos judiciais e antecipações de tutela (por meio de decisões
interlocutórias). Não se aplicam à execução de títulos executivos
extrajudiciais, pois para esses há previsão de regras próprias nos artigos 621 e
seguintes do Diploma Processual Civil.

Surge da aplicação das regras acima, a dedução de que, na execução das


obrigações de fazer e de não fazer, fundadas no artigo 461, aplicam-se
subsidiariamente as regras dos artigos 632 e seguintes do Código, e na
execução das obrigações de entrega de coisa (artigo 461-A), subsidiariamente

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as regras dos artigos 621 e seguintes, quando se tratar de título executivo


extrajudicial.

Dessa feita, principiam vozes na doutrina no sentido de identificar erro


na lei, pois quem não possui título executivo tem a possibilidade de obter
efetivação mais rápida da decisão interlocutória concessiva de tutela
antecipada (nos moldes do artigo 461-A) do que aqueles que possuem títulos
executivos extrajudiciais, que devem seguir as regras dos artigos 621 e
seguintes, em que são previstos embargos com possibilidade de suspensão da
execução etc.

Para a correção do problema apontado, parte incipiente da doutrina


sustenta a possibilidade de opção pela ação de conhecimento àquele que
possui título executivo extrajudicial, dada a vantagem de obtenção dos efeitos
da tutela antecipada, com aplicação do artigo 461-A, e subsidiariamente os
artigos 621 e seguintes do Código de Processo Civil. Todavia, é ainda
majoritário o entendimento da doutrina clássica, que entende haver carência de
ação de conhecimento para o possuidor de título executivo extrajudicial, em
razão da falta de interesse de agir, em sua modalidade inadequação.

Cabe multa para forçar o devedor à entrega de coisa, o que possibilita a


interpretação no sentido da “não-aplicação” da Súmula n. 500 do Supremo
Tribunal Federal, que, em seu texto, a vedava. In verbis: “Não cabe ação
cominatória para compelir-se o réu a cumprir obrigação de dar”.

Incursão necessária:

Mais uma vez, cumpre observar o texto dos artigos 273, § 3.º, 461 e 461-
A, que, ao utilizarem a expressão “efetivação da tutela”, assume visão
iconoclasta do sistema, quebrando, assim, a idéia da tripartição dos feitos em
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virtude de seus objetivos, conseqüentemente deixando de exigir um novo


processo de execução para que se possa, nos mesmos autos e de forma mais
célere, obter a efetivação do provimento antecipatório, atendendo ao princípio
da instrumentalidade das formas.

Uma vez que se fala em efetivação, surge o complicador de, quando em


antecipação de tutela de pagamento de quantia e ante a aplicação irrestrita de
todo o artigo 588, devidamente ampliado, ser possível ou não o cabimento de
embargos do devedor, pois não há propriamente execução e, via de regra, não
há possibilidade de surgimento de fatos novos não discutidos em contestação
(matéria superveniente) que pudessem embasar a interposição de embargos.
Somente se vislumbra a possibilidade de, por meio de petição atravessada nos
autos, apresentar fatos novos que possibilitem a revogação da tutela
antecipada, notadamente ante o seu caráter rebus sic stantibus, ou,
imediatamente após a decisão concessiva, interpor recurso de agravo.

1.4.2. A Execução Provisória das Sentenças

Execução provisória das sentenças é a modalidade de execução de


sentença ainda não transitada em julgado, atacada por recurso recebido
somente no efeito devolutivo. Encontra previsão no artigo 588 do CPC.

As modificações da execução provisória foram realizadas em dois


planos: interna e extensivamente. Internamente houve ampliação das
disposições do artigo 588 do Código de Processo Civil; extensivamente foi
ampliada a aplicação desse artigo, agora por inteiro, às efetivações de tutela
antecipada, de acordo com as novas regras do artigo 273 do mesmo diploma.

Vejamos as alterações processadas:


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“Art. 588. A execução provisória da sentença far-se-á do mesmo


modo que a definitiva, observadas as seguintes normas:”

De plano, nota-se a supressão da exigência de caução, como regra geral,


seguindo, destarte, a jurisprudência dominante nos tribunais.

Em relação à aplicação da lei no tempo, a partir de sua vigência


configura-se a hipótese de utilização das regras previstas no novo artigo 588,
em execução de processos pendentes, não sendo possível a alegação de direito
adquirido por parte do devedor executado.

“I - corre por conta e responsabilidade do exeqüente, que se obriga,


se a sentença for reformada, a reparar os prejuízos que o executado
venha a sofrer;

II - o levantamento de depósito em dinheiro, e a prática de atos que


importem alienação de domínio ou dos quais possa resultar grave
dano ao executado, dependem de caução idônea, requerida e prestada
nos próprios autos da execução; ”

Uma excelente novidade é a possibilidade de alienação de domínio,


desde que seja prestada caução idônea, o que não era possível na sistemática
anterior, nem mesmo com caução. Desse modo, prevê o artigo em estudo a
necessidade de restituição ao status quo ante em caso de reforma ou anulação
da decisão exeqüenda, qualquer que seja seu objeto, a saber, obrigações de
fazer e de não fazer, de entrega de coisa ou ainda pagamento de quantia, pois,
onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir (aliás, prevê
o artigo 273 a aplicação, no que couber, dos referidos institutos). Somente se
houver impossibilidade de restituição das coisas ao estado anterior é que se

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resolve em perdas e danos o prejuízo indevidamente causado, com a execução


da caução idônea.

“III - fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a


sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado
anterior;

IV - eventuais prejuízos serão liquidados no mesmo processo.

§ 1o No caso do inciso III, se a sentença provisoriamente executada


for modificada ou anulada apenas em parte, somente nessa parte
ficará sem efeito a execução.”

Embora o referido artigo, em seu inciso III, determine ficar sem efeito os
atos objeto de execução provisória de sentença posteriormente modificada,
deve-se dar especial atenção aos atos que envolvam terceiros de boa-fé, que,
salvo melhor juízo, devem ser mantidos, com conseqüente indenização do
devedor prejudicado, por meio da execução da caução acima referida, que por
sua vez, serve mesmo no caso de restituição efetiva ao status quo ante, a
exemplo da ocorrência de lucros cessantes pela temporária privação da coisa.

“§ 2o A caução pode ser dispensada nos casos de crédito de natureza


alimentar, até o limite de 60 (sessenta) vezes o salário mínimo,
quando o exeqüente se encontrar em estado de necessidade. ”(NR)

O parágrafo 2.º do modificado artigo 588 prevê ainda a dispensa de


caução para a execução dos créditos alimentares, esses interpretados
amplamente, ante a não-diferenciação do legislador, caso seu valor não exceda
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a 60 salários mínimos e o exeqüente esteja em estado de necessidade. Mesmo


que o valor ultrapasse os 60 salários mínimos, atendendo à mens legis do
artigo em questão, deve o juiz se limitar ao valor legal apenas para o fim da
não-exigência de caução. Assim, a tendência é a incorporação no conceito de
créditos alimentares, até mesmo daqueles decorrentes de ilícito (judiciais),
mesmo porque, aqui, a medida coercitiva adotada não é a prisão civil do
devedor, mas apenas a inexigência de caução, ante a consagrada orientação de
interpretação parcimoniosa (cum granu salis) do risco de irreversibilidade do
provimento antecipatório, com fulcro na proporcionalidade.

1.4.3. A Efetivação da tutela antecipada

Em relação às efetivações de tutela antecipada, cumpre observar que,


ante as modificações operadas, e em razão da adoção de uma visão
verdadeiramente iconoclasta do sistema, no sentido de busca da
satisfatividade, privilegiando sobremaneira o princípio da instrumentalidade
das formas, as regras atinentes à efetivação deste instituto salutar devem ser
analisadas em conjunto, de acordo com as disposições já explicitadas dos
artigos 273, 287, 461, 461-A e 588 do Código de Processo Civil.

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2. DAS ESPÉCIES DE EXECUÇÃO

2.1. Execução por Quantia Certa

Divide-se, conforme a situação econômica do devedor em:

• execução por quantia certa contra devedor solvente;

• execução por quantia certa contra devedor insolvente.

São modalidades de execução por expropriação.

Pelas dívidas, responde o patrimônio do devedor. A expropriação


começa com o ato de penhora, sendo que o devedor poderá ficar como
depositário. Mais tarde, o bem será alienado para pagar o credor.

Pode o credor satisfazer o seu crédito, aceitando o próprio bem


penhorado como pagamento, ocorrendo o que se denomina adjudicação. Nesse
caso, para que esta seja possível, não pode haver outros credores habilitados.

O credor, havendo mais interessados no adimplemento de seus créditos,


também pode arrematar o bem, porém concorrerá em iguais condições com
todos os que participarem da hasta pública.

A execução contra devedor insolvente é universal e tem embasamento no


princípio da pars conditio creditorum. Todos os credores vão ao juízo
universal e, ao invés da penhora, ocorre a arrecadação de todos os bens do
devedor, que é verdadeira expropriação de todo o seu patrimônio.

Pergunta-se: Cabe execução por quantia certa com penhora dos bens da
Fazenda Pública?

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Resposta: Não. Porque esse tipo de execução leva à expropriação, e o


bem da Fazenda Pública não pode ser expropriado (arts. 730 e ss. do CPC).

Cumpre observar que o Bem de Família não é penhorável, nem


expropriável.

2.2. Execução para Entrega de Coisa

Divide-se em:

• execução para entrega de coisa certa;

• execução para entrega de coisa incerta.

As execuções para entrega de coisa, são execuções em que o credor,


vitorioso em processo de conhecimento, objetiva reaver para si coisa móvel ou
imóvel que se encontra em posse do devedor inadimplente. Desta feita,
conclui-se que abrangem não só as obrigações não-adimplidas de entrega, mas
também de restituição de coisas móveis e imóveis.

A partir de 1994, as execuções para entrega de coisa passaram a permitir


seu fundamento em título executivo extrajudicial. Não se aplicam as
disposições relativas à execução para entrega de coisa às ações denominadas
executivas lato sensu, uma vez que podem ser efetivadas por medidas diretas,
sem necessidade de novo processo de execução. Ressalte-se que as ações
executivas lato sensu não dispensam processo de execução em relação às
verbas de sucumbência, custas e honorários advocatícios, que devem ser pagos
ao vencedor.

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São execuções por desapossamento. Na realidade, por ser a liquidez um


dos requisitos do título para a execução, somente a execução para entrega de
coisa é por desapossamento ( arts. 621 e ss. do CPC). Nesse passo, salienta-se
que o desapossamento cabe contra a Fazenda Pública, a exemplo da obrigação
de entregar coisa, em que o juiz entende não pertencer a coisa à Fazenda
Pública, mas ao exeqüente. Via de regra, a execução contra a Fazenda é por
quantia.

A maior diferença em relação ao processamento de tais execuções para


entrega de coisa está na necessidade de o devedor, quando a este couber,
exercer seu direito de escolha em relação à coisa a ser entregue, quando
incerta, pois se a escolha couber ao credor, este deverá indicá-la na inicial. Ato
contínuo, a parte contrária poderá impugnar a escolha no prazo de 48 horas, e
decidida a questão, segue-se o rito da entrega de coisa certa.

Na execução de entrega de coisa certa, o devedor é citado para entregar o


bem em 10 dias, ou, seguro o juízo, apresentar embargos. Conforme as lições
de Marcus Vinícius Rios Gonçalves, o depósito da coisa é suficiente para
garantir o juízo.

Não havendo satisfação da obrigação, ou o depósito da coisa para


possibilitar os embargos, o juiz expede mandado para :

• Buscar e apreender o bem móvel em posse do devedor;

• Imitir na posse de bem imóvel o credor do devedor inerte.

Após o julgamento dos embargos, se houverem, duas situações podem


ocorrer:

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• Procedentes os embargos, libera-se a coisa depositada


judicialmente;

• Improcedentes os embargos, ou inadmitidos, o credor levanta a


coisa, e a execução estará extinta.

Em relação à possibilidade de fixação de astreintes para coerção ao


devedor de entrega de coisa, tal hipótese veio a ser sedimentada com as
reformas operadas em 2002, além de medidas destinadas a imprimir maior
celeridade e satisfatividade ao instituto, senão vejamos:

“Art. 621. .....................................

Parágrafo único. O juiz, ao despachar a inicial, poderá fixar multa


por dia de atraso no cumprimento da obrigação, ficando o respectivo
valor sujeito a alteração, caso se revele insuficiente ou
excessivo.”(NR)

Em que pese ao artigo em estudo ter acrescentado a possibilidade de


fixação de “astreintes” para coagir o obrigado à entrega de coisa, a
possibilidade de interposição de embargos do devedor, com conseqüente
suspensão da execução, nos remete à discussão já apresentada, a respeito da
divisão da doutrina ante a possibilidade de ingresso de ação de conhecimento
mesmo que o credor possua título executivo extrajudicial, em razão da maior
celeridade deste rito, para fins de efetivação de tutela.

“Artigo 624. Se o executado entregar a coisa, lavrar-se-á o respectivo


termo e dar-se-á por finda a execução, salvo se esta tiver de
prosseguir para o pagamento de frutos ou ressarcimento de prejuízos.
(NR)”.

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Via de regra, com a entrega da coisa objeto da execução, quer da tutela


antecipada, quer da sentença, extingue-se o feito. No entanto, resta a
possibilidade de correr a execução pelo restante, a exemplo de lucros cessantes
pela temporária privação da coisa, que pode, em havendo caução, executá-la
inclusive.

“Art. 627...........................................................................

§ 1o Não constando do título o valor da coisa, ou sendo impossível a


sua avaliação, o exeqüente far-lhe-á a estimativa, sujeitando-se ao
arbitramento judicial.

§ 2o Serão apurados em liquidação o valor da coisa e os prejuízos.”


(NR)

Em caso de inexistência da coisa a ser entregue, seu valor deve ser


apurado em avaliação, por regra. Não sendo essa possível, o credor exeqüente
faz estimativa e o juiz arbitra o valor, que deve ser apurado, de acordo com a
correção terminológica conferida ao parágrafo 2.º do referido artigo, em
liquidação por arbitramento, mesmo de forma incidental.

2.2.1. A questão dos Embargos de Retenção por benfeitorias em


sede de execução para entrega de coisa

Há muito na doutrina se discute a possibilidade ou não de o devedor, nas


ações executivas lato sensu , invocar no momento do cumprimento da medida,
o direito de retenção por benfeitorias mediante embargos, uma vez que não há
propriamente processo de execução e, conseqüentemente, a questão estaria

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atingida pela preclusão, em razão de dever ser argüida na contestação, durante


a fase de conhecimento.

Essa mesma discussão foi transferida, com menor força, todavia, ao


processo de execução para a entrega de coisa, pois, em que pese a ter havido a
possibilidade, ao menos em regra (quando da execução fundada em título
executivo judicial), de o devedor deduzir seu direito de retenção por
benfeitorias em sede de contestação, quando da execução para a entrega de
coisa há a possibilidade de embargos, que possuem natureza de ação.

Em razão destas dúvidas, na reforma concluída com a Lei n. 10.444/02,


ao sistema processual, foi modificado o texto do artigo 744 do Código de
processo Civil, in verbis :

“Art. 744. Na execução para entrega de coisa (art. 621) é lícito ao


devedor deduzir embargos de retenção por benfeitorias (NR)...”.

• Alteração processada pela Lei n. 10.444/02.

Contrariando parte minoritária da doutrina e da jurisprudência, a lei, de


acordo com a nova redação dada ao artigo 744 do Código de Processo Civil,
permite a interposição de embargos de retenção por benfeitorias em sede de
execução, ainda que não interpostos no processo de conhecimento.

Permanece, todavia, a dúvida, a ser extirpada pela doutrina, se cabem


embargos por retenção na execução por título judicial ou na efetivação de
tutela antecipada nas obrigações de entrega, em razão da remissão ao artigo
621, no caput do artigo 744, que se refere ao título extrajudicial somente.

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2.3. Execução das Obrigações de Fazer e Não Fazer

É uma execução por transformação.

A execução pode ser classificada em :

• expropriação;

• desapossamento;

• transformação.

A execução pode ser, ainda:

• definitiva;

• provisória.

Será definitiva quando fundada em título executivo extrajudicial ou


judicial, este último materializado em sentença transitada em julgado.

Qualquer que seja a modalidade das execuções de fazer ou não-fazer, é


regida por meios de coerção e princípios expressos no Código, notadamente no
texto do artigo 644, alterado pela Lei n. 10.444/02, conforme segue:

“Art. 644. A sentença relativa a obrigação de fazer ou não fazer


cumpre-se de acordo com o artigo 461, observando-se,
subsidiariamente, o disposto neste Capítulo (NR)”.

O texto do artigo supra exige que a efetivação das obrigações de fazer e


de não fazer sejam cumpridas, primordialmente, de acordo com as regras do
artigo 461, atendendo assim ao princípio do exato adimplemento, e

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subsidiariamente é que se observam as proposições dos artigos 632 e seguintes


do Código de Processo Civil, conforme já explicitado.

Será provisória a execução das obrigações de fazer e não-fazer, quando


fundada em sentença sujeita a recurso, ou em decisões de antecipação de
tutela, apesar de, neste último caso, as atualizações o Código indicarem a
expressão “efetivação de tutela”, de acordo com uma visão iconoclasta do
sistema, unificando-o, conforme já explicado.

A execução provisória é regida por certos princípios constantes no artigo


588 do Código de Processo Civil, já explicitados quando do estudo deste
instituto.

Se a execução for definitiva, se houver embargos do devedor e esses


forem rejeitados, a execução prosseguirá, mesmo se houver apelação da
decisão dos embargos, porque a apelação só tem efeito devolutivo (art. 520 do
CPC). Nesse caso, há controvérsia. A jurisprudência dominante do Superior
Tribunal de Justiça diz que a execução prossegue como definitiva; o que
começa definitivo, termina como definitivo. Já na doutrina, a exemplo de
Vicente Greco Filho, há quem diga que a execução se torna provisória
enquanto pendente o recurso de apelação.

A execução começa por iniciativa da parte, do credor, que pode desistir


total ou parcialmente da execução.

Pergunta-se: Algumas providências podem ser tomadas de ofício?

Resposta: Não, porque a execução é feita pela iniciativa da parte.

Momentos em que a desistência pode ocorrer:


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• Até a oposição de embargos, a desistência é livre pelo exeqüente:


Diferente da desistência do processo de conhecimento, em que o autor
pode desistir livremente até a citação; na verdade, pode alterar a causa
de pedir até a citação, mas a desistência até decorrer o prazo para a
defesa.

• Após a oposição de embargos: Se os embargos versarem apenas


sobre matéria processual, o exeqüente poderá desistir, desde que
pague os honorários do advogado do executado. Se os embargos
versarem sobre matéria de mérito, a extinção da execução por
desistência não impedirá o prosseguimento dos embargos como ação
autônoma para declarar a inexistência da obrigação ou para
desconstituir o título. Exemplo: Numa execução foi proposta a ação
de embargos, em que o embargante declara não existir o débito. O
autor da execução desiste. Mesmo que haja desistência, os embargos
prosseguirão para declarar a inexistência da obrigação ou para
desconstituir o título.

O mérito da execução é julgado nos embargos que têm natureza de ação


de conhecimento. No processo de conhecimento, o Juiz profere uma sentença,
enquanto no processo de execução, a sentença apenas põe fim ao processo, não
julga o pedido.

Na execução, pode-se alegar o pagamento, mesmo não sendo nos


embargos, desde que haja prova, sem necessidade de garantir o Juízo. É uma
das hipóteses da denominada exceção de pré-executabilidade.

A desistência não se confunde com a renúncia ao crédito. A renúncia é


desistir do direito material, enquanto a desistência refere-se aos atos do
processo.

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A execução é feita em proveito do credor, porém deverá ser feita de


forma menos gravosa para o devedor (v. art. 620 do CPC), desde que não
prejudique a satisfação do credor.

Na Justiça do Trabalho, quando se penhorava linha telefônica, essa era


desligada. Feita a penhora, o devedor ficava como depositário do bem até que
houvesse a desapropriação. Mas, às vezes, o juiz oficiava para que a linha
fosse desligada – se não fosse feito o pagamento, perdia-se a linha, não tendo
dessa forma como garantir o Juízo. Então, defendeu-se que se o devedor
pagava as contas, continuaria a fazê-lo. É nesse sentido que se deve fazer a
execução de forma menos gravosa, ficando, dessa forma, o devedor como
depositário, usufruindo do bem penhorado.

3. EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR


SOLVENTE

3.1. Fase Inicial

3.1.1. Introdução

A abordagem desta forma de execução deve ser bastante criteriosa, já


que a mesma serve como substrato para as demais formas de execução.
Ademais, tem mais incidência prática.

3.1.2. Estrutura procedimental

Há uma rigidez nos procedimentos executivos aqui retratados. Temos


uma fase inicial, uma fase preparatória e uma fase final.
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A fase inicial engloba a petição inicial, citação, arresto e nomeação de


bens à penhora.

A fase preparatória engloba a penhora, o momento para embargos, a


avaliação dos bens e atos preparatórios à satisfação.

A fase final abarca a expropriação ou remição, a satisfação do credor e a


extinção da execução.

3.1.3. Petição inicial

O processo de execução é um processo autônomo em que deve haver


petição inicial. Pode tramitar nos próprios autos do processo de conhecimento,
que, nesse caso, ocasionará a instrumentalização de dois processos distintos e
sucessivos nos mesmos autos.

A inicial do processo de execução é similar à do processo de


conhecimento, com os mesmos requisitos e pressupostos. Deve ser formulado
um pedido mediato e um pedido imediato, que é a própria execução. Deve
haver correlação entre a causa de pedir e o pedido.

3.1.4. Efeitos e prescrição

Ao processo de execução, aplicamos os mesmos dispositivos e efeitos do


processo de conhecimento a que se refere o art. 219 do Código de Processo
Civil. Dessa forma, fazemos remição à análise daquela matéria já tratada.

O prazo prescricional da pretensão executiva pode variar, dependendo se


o título executivo for judicial ou extrajudicial. Sendo o título executivo

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extrajudicial, afora as espécies específicas, aplicamos o art. 177 do Código de


Processo Civil .

Já os títulos executivos judiciais prescrevem em vinte anos. Temos a


Súmula n. 150 do Supremo Tribunal Federal, que determina que a execução
prescreve no mesmo prazo da ação de conhecimento, bastando verificar
hipótese por hipótese para quantificarmos.

3.1.5. Citação e efeitos

A citação normalmente deve ocorrer por mandado, mas poderá ocorrer


por edital, desde que o executado não seja localizado e todas as providências
sejam tomadas. Não cabe citação postal, e nem citação por hora certa.

Uma vez citado, o devedor deverá pagar em 24 horas, sob pena de


penhora, sob pena de o Oficial de Justiça definir os bens a serem penhorados.
Aqui não há defesa, mas sim um prazo para o devedor cumprir
voluntariamente a obrigação. O prazo é de 24 horas e não de um dia, pois
contamos em minutos. Assim, se o réu for citado às 13:05 horas, terá até às
13:05 horas do dia seguinte para nomear bens à penhora e não até o final do
dia, pois o prazo não é contado em dias, como já falamos. Por isso, o Oficial
deve mencionar o horário em que efetuou a citação. Caso o Oficial de Justiça
não certifique o horário, o prazo correrá até o final do dia seguinte.

Havendo vários devedores, o prazo é independente para cada um, não


existindo a prerrogativa de se aguardar que o último seja citado.

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3.2. Processamento da Execução e Penhora de Bens

A execução por quantia só termina com a expropriação, adjudicação,


usufruto de empresa ou de imóvel, ou arrematação e conversão do valor obtido
no pagamento da dívida.

Pode ser contra devedor solvente, ocasião em que se procederá de forma


singular, e também pode haver execução por quantia certa contra devedor
insolvente, que é a execução universal por concurso de credores.

Execução contra devedor solvente = execução singular.

Execução contra devedor insolvente = execução universal.

A penhora estabelece preferência sobre produto da alienação.

Execução por quantia certa contra devedor solvente começa com a


apresentação de memória de cálculo, que é um demonstrativo (arts. 604 e 614
do CPC).

O credor pede que o réu seja citado para pagar ou nomear bens à penhora
em vinte e quatro horas, sob pena de ter tantos bens penhorados quanto bastem
para satisfazer o crédito.

O pedido é que sejam praticados atos de invasão da esfera do patrimônio


do devedor até a satisfação integral do credor.

A forma da citação, em regra, é pessoal, feita por Oficial de Justiça em


cumprimento de mandado. Não cabe citação por via postal, nem citação com
hora certa. A execução fiscal pode ser por via postal.

Pergunta-se: Cabe citação por hora certa em execução?

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Resposta: Há entendimento sumulado do Superior Tribunal de Justiça,


determinando caber nomeação de curador especial ao devedor que foi citado
fictamente, com hora certa, na execução. Logo, é plausível o entendimento que
determina caber tal modalidade de citação, exceto na execução por quantia
certa contra devedor solvente, em razão primordialmente de seus objetivos.

Quando da entrega da coisa, se o devedor está se ocultando, o juiz, em se


tratando de bem imóvel, determina a imissão na posse, e se for móvel,
determina a busca e apreensão do bem.

Na execução por quantia, se o Oficial não encontra o devedor, mas


localiza o seu patrimônio, ele deverá proceder ao arresto (art. 653 do CPC).

Arresto, genericamente, é um ato de apreensão de patrimônio do


devedor. Todo arresto se converte em penhora. A rigor, o arresto é uma pré-
penhora porque, caso tudo se dê em conformidade com as regras legais,
converte-se em penhora.

Para a doutrina dominante, o arresto em sede de execução tem natureza


executiva, ou seja, não tem natureza cautelar (art. 653 do CPC). Para Vicente
Grecco Filho, todavia, é verdadeira medida cautelar.

Cumpre observar que o arresto não se confunde com a ação cautelar de


arresto (arts. 813 e ss. do CPC), que dá início a um processo cautelar e que tem
como requisitos fumus boni iuris e o periculum in mora.

Todo ato de apreensão só se complementa com o depósito, portanto, a


penhora só se aperfeiçoa com a apreensão e o depósito.

Se o devedor se recusar a ser depositário, nomeia-se o credor, porém o


devedor terá que sair da posse.

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Feito o arresto, deverá haver uma nova tentativa de localização e citação


pessoal do réu. Não sendo possível, terá lugar a citação por edital (art. 653 do
CPC), sendo que, nessa ocasião, faz-se a citação e a conversão do arresto em
penhora.

A jurisprudência majoritária, do Superior Tribunal de Justiça inclusive,


exige a publicação de um novo edital para que seja feita a intimação da
penhora.

Aplicam-se ao arresto as regras da penhora. Não se faz penhora se essa


não cobrir nem mesmo as despesas e custas, atendendo assim ao princípio da
utilidade da execução. Quando não localizados bens do devedor, suspende-se o
processo.

O prazo para opor embargos corre a partir da juntada do mandado de


intimação do réu. Se a intimação for feita por edital, neste haverá um prazo,
sendo que decorrido esse, inicia-se o prazo para embargar.

A citação por edital pressupõe a prévia tentativa de encontrar o réu pelos


meios de citação pessoal. Em relação ao curador especial, essa citação é
inválida.

O réu tem o ônus de impugnação especifica (art. 302 do CPC), tal regra
não se aplica ao curador e ao Ministério Público, que podem embargar
inclusive por negativa geral.

Não se encontrando o devedor, nem bens penhoráveis ou arrestáveis,


suspende-se o processo. Mesmo sem arresto, ocorre a citação por edital.

Ocorre a interrupção da prescrição com a citação, retroagindo à


propositura, desde que a citação tenha sido feita conforme o art. 219 do Código

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de Processo Civil. Não citado o devedor em virtude de não ter sido encontrado,
e não havendo bens penhoráveis, não corre a prescrição.

A citação ficta deve ser feita apenas quando o réu não for localizado ou
seu paradeiro for desconhecido. A jurisprudência exige primeiramente o
esgotamento dos meios de localização pessoal. O esgotamento ocorre no
momento do arresto.

Se o executado for localizado, ele será citado e poderá nomear bens à


penhora. Penhora é ato de apreensão de patrimônio sujeito à regra de
responsabilidade patrimonial. O devedor responde por suas dívidas com seu
patrimônio.

Nos casos em que o devedor tenta evitar que a regra de responsabilidade


recaia sobre seu patrimônio, está configurada fraude contra credor.

A penhora estabelece um vínculo entre um bem e o processo, conferindo


ao credor um direito de preferência sobre o produto da alienação.

Na execução por quantia, ocorre a expropriação e, ao fazê-la com o


produto, paga-se o credor. Se várias pessoas penhoram o bem, receberá
primeiro quem penhorou primeiro, porém o credor hipotecário terá preferência.

A nomeação de bem à penhora deve obedecer a ordem do art. 655 do


Código de Processo Civil , que vai do líquido para o ilíquido.

Art. 655 do Código de Processo Civil : o primeiro bem penhorável é o


dinheiro. Posteriormente, as pedras preciosas e outros bens.

Se o devedor não fizer uma nomeação válida, o credor poderá recusá-la,


caso em que o direito passará para ele, o exeqüente.

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Compete ao devedor nomear bens à penhora; não o fazendo, caberá ao


credor, que vai poder invadir o patrimônio do devedor.

Feita e aceita a nomeação, a penhora é posta a termo e completa-se com


o depósito. Por regra, a coisa é depositada em mãos do próprio devedor (art.
620 do CPC).

Se a penhora recair sobre bem imóvel, a lei fala em registro da penhora.

Para a doutrina dominante, o registro não é constitutivo da penhora, mas


um ônus do exeqüente para dar eficácia erga omnes, impedindo o sucesso de
eventuais embargos de terceiro.

Neste passo, cumpre observar as regras atinentes à penhora, modificadas


pelas recentes reformas operadas no sistema processual no ano de 2002:

“Art. 659..............................................................................

§ 4o A penhora de bens imóveis realizar-se-á mediante auto ou termo


de penhora, cabendo ao exeqüente, sem prejuízo da imediata
intimação do executado (art. 669), providenciar, para presunção
absoluta de conhecimento por terceiros, o respectivo registro no
ofício imobiliário, mediante apresentação de certidão de inteiro teor
do ato e independentemente de mandado judicial.”

O parágrafo 4.º do respectivo artigo altera a lei para estabelecer que o


registro da penhora não é constitutivo do ato, pois, com efeito, há penhora sem
registro. Todavia, é ônus do exeqüente o registro desta em cartório, mediante
apresentação de certidão de inteiro teor da decisão e independentemente de
mandado, para que o exeqüente obtenha a presunção absoluta de
conhecimento por terceiros, da penhora efetivada.

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“§ 5o Nos casos do § 4o, quando apresentada certidão da respectiva


matrícula, a penhora de imóveis, independentemente de onde se
localizem, será realizada por termo nos autos, do qual será intimado
o executado, pessoalmente ou na pessoa de seu advogado, e por este
ato constituído depositário. ”(NR)

O parágrafo 5.º determina que, apresentada a certidão de matrícula para


a penhora de bem imóvel, realiza-se esta por termo nos autos, dos quais deve-
se tirar certidão de inteiro teor, para fins de registro no Cartório de Registros
de Imóveis competente. Ato contínuo à penhora, deve-se intimar o executado,
ainda que na pessoa de seu advogado, para que o executado seja constituído
depositário do bem, com todas as obrigações decorrentes desse ônus.

Se sobre o bem penhorado recair garantia real, o credor titular dessa


garantia deverá ser intimado da penhora. Garantia real: hipoteca, penhor,
anticrese (sobre a receita, renda).

O credor não hipotecário pode penhorar bem sobre o qual recaia uma
hipoteca, porém deverá intimar o credor hipotecário. Intimado o credor com
garantia real, é dominante na jurisprudência de que ele deverá mover a sua
própria execução, sob pena de se extinguir a garantia, dando margem ao
devedor opor embargos de devedor.

Se o credor hipotecário não for citado, poderá opor embargos de


terceiros.

Não opostos ou rejeitados os embargos do devedor, passa-se à fase de


avaliação do bem penhorado.

A avaliação não tem natureza de prova. É um ato preparatório (prova


pericial: exame, vistoria e avaliação) da expropriação. Por isso, a

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jurisprudência dominante diz que não se admite assistentes técnicos, pois não é
prova pericial.

Quando não se faz a avaliação:

• Quando o credor aceita o valor dado pelo devedor no ato de


nomeação (requisito indispensável da nomeação), sob pena de a
avaliação ser ineficaz;

• Quando os bens têm cotação em bolsa;

• Quando os bens forem de pequeno valor (ou, na hasta pública,


forem vendidos ou não).

Feita a avaliação, pode ser determinada a ampliação ou redução, ou


transferência para outros bens da penhora. Nesse momento é que se alega o
excesso, insuficiência de penhora.

Excesso de penhora pode ser alegado fora de embargos, no próprio


processo de execução. É diferente de execução porque, nessa, cobra-se mais do
que o título permite. O excesso de execução (art. 741 c.c. art. 743, CPC) é
alegado nos embargos.

Após a avaliação, o juiz designa hasta pública para a alienação.

A hasta pública deve ser precedida, em regra, de publicação de edital


(art. 620 do CPC). Quanto mais patrimônio se obtiver na hasta pública, menos
gravosa é a execução para o devedor, evitando-se que nova penhora aconteça.
Então, quanto mais pessoas estiverem na hasta pública, melhor será para o
devedor.

Leilão é para bem móvel e Praça, para bem imóvel. O gênero é hasta
pública.

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Hasta pública ordinariamente tem duas seções: Na primeira, o bem só


poderá ser alienado pelo valor da avaliação, na segunda, por qualquer valor,
desde que não seja por preço vil que, conforme a jurisprudência, é relativo.
Aceita-se em torno de 60% a 70% para não ser vil, o juiz é quem decidirá.

Na hasta pública, o bem poderá ser arrematado (ato de alienação).


Poderá ser arrematado por uma terceira pessoa, ou pelo próprio credor
(oferecendo o valor do seu crédito para pagamento). Se o credor arremata e o
seu crédito é superior ao valor do bem, ficará com crédito.

Parte da jurisprudência diz que a arrematação pelo credor só pode se dar


pelo valor da avaliação (beneficiando o devedor).

Se o bem não for arrematado por falta de licitante, ele poderá ser
adjudicado pelo credor; a adjudicação é uma figura análoga à dação em
pagamento.

Arrematação: Há licitantes e um deles paga a avaliação; poderá ser o


credor.

Adjudicação: Pelo valor da avaliação. Não havendo licitante, ficará com


o credor.

A jurisprudência equipara a arrematação pelo credor e a adjudicação. A


diferença é que, na primeira, o credor está disputando com outros licitantes.

Alienado o bem em hasta pública pela arrematação, passa-se à entrega do


dinheiro, do pagamento ao credor. Nesse momento, poderá ser instaurado o
chamado concurso de credores, se mais de um tiver penhorado o mesmo bem.

Concurso de credores: Nesse caso, o devedor é solvente, há mais de um


credor que penhorou o bem e é necessário ver quem receberá primeiro

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(execução singular). É diferente daquele concurso de credores da execução


contra devedor insolvente (execução universal, insolvência civil).

Esse concurso se resolve por dois critérios:

• Preferência decorrente de direito material, direito real de garantia


geralmente.

Preferência decorrente da propriedade de ordem da penhora, ou seja, quem


penhorou primeiro leva. Penhora estabelece direito de preferência, assim, se
penhorou primeiro, mas tem credor hipotecário, esse é quem leva primeiro.

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