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Sistemas de iluminação artificial e eficiência energética: iniciativas para a redução do consumo de energia

Sistemas de iluminação artificial e eficiência energética: iniciativas para a redução do consumo de

energia elétrica em ambientes laborais

Dezembro/2016

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Sistemas de iluminação artificial e eficiência energética: iniciativas para a redução do consumo de energia elétrica em ambientes laborais

Eduardo Antonio Correia Pinto De Lemos - eduardolemos@gmail.com Master em Arquitetura e Iluminação Instituto de Pós-Graduação - IPOG

Resumo

O artigo em tela apresenta algumas iniciativas e dispositivos no âmbito da luminotecnia, com

vistas a minimizar o desperdício de energia elétrica nos ambientes laborais, além dos impactos ambientais acarretados pelo uso dessa fonte de energia. Nesse contexto, observamos uma crescente preocupação por parte das empresas e organizações, em escala global, em busca de suprir as necessidades energéticas para o desenvolvimento sustentável, reduzindo os impactos ambientais e prováveis consequências climáticas no planeta. A melhoria da eficiência energética traz uma série de vantagens: poupa recursos naturais como o petróleo e o gás, diminui custos de produção dos bens e serviços, melhora o desempenho econômico de empresas, reduz a necessidade de se investir em infraestrutura e energia, uma

vez que é mais barato conservar do que gerar energia, garante mais verba para ser destinada

a outros fins. Nessa via, as ações aqui elencadas, traçadas mediante pesquisa bibliográfica

acerca do assunto em comento, têm como premissa a racionalização do uso da energia elétrica empregada no sistema de iluminação, não obstante aos níveis de iluminância adequados e demais recomendações previstas na legislação vigente, mostrando-se ser perfeitamente viável economizar energia sem prejudicar o conforto, a saúde, segurança e o desempenho da comunidade envolvida, sobretudo assegurando a preservação do meio ambiente.

Palavras-chave: Ambientes Laborais, Conforto Lumínico, Eficiência Energética, Sistemas de Iluminação, Sustentabilidade.

1. Introdução

A energia é indispensável para a qualidade de vida do homem moderno como também para o desenvolvimento de suas atividades, seja para fins domésticos, comerciais, industriais ou institucionais. Para isso, são necessários mecanismos para obtenção de energia utilizável no cotidiano proveniente de fontes primárias: o Sol, movimentos de massas de água e ar, ventos e etc. Quanto mais o processo de obtenção se aproxima da fonte primária, há uma redução nas perdas de transformação de uma forma de energia em outra. A necessidade do uso da energia, por efeito do crescimento populacional e do progresso industrial, tem aumentado cada vez mais nos últimos tempos. Como resultado desse progresso, surge a problemática da escassez

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dos recursos energéticos em escala mundial. Sendo assim, tornou-se crescente a busca por alternativas sustentáveis visando à minimização do impacto ambiental. Entende-se por desenvolvimento sustentável, conforme descrito no Relatório Brundtland, 1987, produzido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - WCED da Organização Mundial das Nações Unidas - ONU, como sendo a satisfação das necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades. De acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - PROCEL, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia - MME, quase 50% da energia elétrica produzida neste país sejam consumidas não só na operação e manutenção das edificações, como também nos sistemas artificiais, que proporcionam conforto ambiental para seus usuários, como iluminação, climatização e aquecimento de água. Desta fatia, aproximadamente 20% da energia elétrica consumida é destinada à iluminação, ultrapassando o patamar de 40% no setor terciário. Este tipo de consumo possui um papel de destaque em qualquer projeto e/ou instalação de equipamentos de iluminação, devido aos crescentes custos de tarifas do setor e as crises energéticas ocorridas no país. O uso eficiente da energia elétrica não significa apenas uma redução nas despesas, mas uma redução nos impactos ambientais. A eficiência energética pode ser entendida como a obtenção de um serviço com baixo dispêndio de energia (LAMBERTS et al, 1997).

Considerando o total de energia elétrica disponibilizada no país, descontadas as perdas, o consumo no Brasil chega a 516,6 TWh (BEN-2015), sendo que 258 TWh, ou o equivalente a R$60 bilhões são consumidas apenas pelas edificações. Com a construção de prédios eficientes, a redução no consumo de energia é de cerca de 77,49 TWh, fomentado por uma política pública integrada de eficiência energética que englobe construção, reforma e operação das edificações, sem a necessidade grandes investimentos adicionais garantindo um payback significativo, Ou seja,

praticamente o montante de energia produzida pela Usina de Itaipu,

Tais medidas

também significariam reduzir em 65% o uso de Termoelétricas, corroborando para a redução de emissões poluentes bem como economizando quantias financeiras relevantes aos cofres públicos. (GBC - BRASIL, 2015:31)

No âmbito da luminotecnia, as tecnologias que envolvem esses sistemas vêm se desenvolvendo consideravelmente. Atualmente, há uma ampla variedade de componentes e soluções mais eficientes para variados tipos de aplicações. Dentre essas, uma gama de equipamentos inteligentes que instalados em determinados ambientes, executam tarefas automaticamente, propiciando aos seus usuários um maior conforto e economia de tempo na execução de tarefas, que outrora eram realizadas de forma manual, como também uma maior economia do consumo de energia elétrica. Mudar as lâmpadas antigas por lâmpadas econômicas é um primeiro passo, que deve ser complementado pelo uso de equipamentos eficientes que ligam ou desligam as lâmpadas quando for necessário, e que isso seja adaptado para funcionar de acordo com a ocupação do ambiente e/ou claridade natural. Por estar relacionado a sensações físicas, fisiológicas e até psicológicas, pode-se afirmar que uma edificação que contenha ambientes confortáveis, em relação à iluminação, proporciona uma maior qualidade de vida aos seus ocupantes, independente das atividades desenvolvidas nesta. Além disso, o conforto ambiental, em seus diversos âmbitos (lúminico, térmico,

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acústico, ergonômico), está diretamente relacionado com a produtividade. Diante do exposto, o presente trabalho procura elucidar soluções eficientes, no âmbito da luminotecnia, visando minimizar o desperdício de energia elétrica que implica diretamente em maior custo financeiro, além dos impactos ambientais acarretados pelo uso dessa fonte de energia, sem contrapor o conforto lumínico do ambiente.

2. Iniciativas organizacionais

O tema eficiência energética é amplamente discutido em nível mundial. Podem-se observar várias iniciativas internacionais relacionadas ao uso racional da energia, uma vez que há países com fontes escassas e cuja matriz energética não é diversificada. Em 1972, a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano realizada em Estocolmo, dentre as ações determinadas durante a mesma, uma delas foi a elaboração de uma definição atual para o conceito de desenvolvimento. Posteriormente, em 1987, a comissão encarregada, liderada por Gro Harlem Brundtland, primeira ministra da Noruega na época, elaborou o relatório “Our Common Future”, no qual ficou consolidado um novo conceito: o de “desenvolvimento

sustentável”; já mencionado na introdução deste artigo. Foi a partir do citado conceito que surgiu o termo “consumo sustentável”, divulgado pela Agenda 21 for Sustainable

, principais ações a serem tomadas pelos governos aliando a necessidade de crescimento dos países com a manutenção do equilíbrio do meio ambiente.

Já em 1992, a Organização das Nações Unidas – ONU realizou, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - CNUMAD; também conhecida como Rio 92 e Cúpula da Terra. Fizeram presentes 179 países os quais acordaram e assinaram a Agenda 21 Global, um programa de ação baseado num documento de 40 capítulos, que constitui a mais abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, denominado “desenvolvimento sustentável”.

Historicamente se pode indicar a Europa como sendo uma pioneira na formalização de uma regulamentação com intuito de obter redução do uso da energia nas edificações. Para tal, desenvolveu regulamentos sobre a construção das envoltórias dos edifícios no final da década de 1970 para reduzir a transferência de calor através de elementos da envoltória (e.g. paredes e janelas) e de difusão de vapor e controle de permeabilidade ao ar, seguido por regulamentos e recomendações de melhores práticas sobre o cálculo, projeto e manutenção de conforto térmico (e.g. aquecimento, ventilação e ar condicionado – AVAC e água quente sanitária – AQS) (PÉREZ-LOMBARD et al, 2009).

Construction in Developing Countries (INTERNATIONAL

2002), em que são relatadas as

Outra iniciativa importante nesse sentido foi o desenvolvimento de um método inglês de elaboração de projetos com alta qualidade ambiental, o Building Research Establishment Environmental Assessment – BREEAM; o qual foi seguido pelo sistema francês, Haute Qualité Environnementale - HQE®, e depois pelo norte-americano Leadership in Energy and Environmental Design - LEED™, em 2000. A certificação LEED™ trata das questões de responsabilidade ambiental durante a vida útil de uma edificação, desde a sua concepção até demolição; ou seja, todos os processos relacionados à operação, manutenção e ocupação de edifícios estão intimamente ligados aos parâmetros de uso racional dos recursos naturais. No Brasil, O representante oficial do LEED™ é o GBC Brasil.

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No âmbito nacional, foi criada em 2008 a certificação AQUA, adaptada da francesa HQE®, pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini; instituição privada sem fins lucrativos, criada, mantida e gerida pelos professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Foi o primeiro selo que levou em conta as especificidades do país para elaborar seus 14 critérios, os quais avaliam a gestão ambiental das obras e as especificidades técnicas e arquitetônicas. Posteriormente, em 2010, foi lançado o Selo Casa Azul, da Caixa Econômica Federal - CEF, instituição financeira, sob a forma de empresa pública do governo federal brasileiro, visando reconhecer e incentivar projetos que demonstrem suas contribuições à redução de impactos ambientais por meio de soluções mais eficientes aplicadas à construção, utilização, ocupação e manutenção das edificações, promovendo o uso racional de recursos naturais e a melhoria da qualidade da habitação e de seu entorno. O selo é de adesão voluntária, e seus critérios de avaliação da sustentabilidade de projetos foram desenvolvidos exclusivamente para a realidade da construção habitacional brasileira. Ressalta-se ainda o engajamento de várias entidades, que representam diversas classes profissionais. Como exemplo, a ASHRAE, Sociedade Americana dos Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado, a qual publica padrões para racionalizar o uso da energia e que são utilizados pelo próprio governo americano, mediante o Department of Energy - DOE. Os mencionados padrões são utilizados como base para a confecção de normas em outros países, também. No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT utilizou a norma 90.1 da ASHRAE, no processo de revisão da norma brasileira que regulamenta os sistemas de ar condicionado, enfatizando a eficiência energética. Portanto, as questões de sustentabilidade representam o principal desafio para todas as nações, no sentido de buscar um desenvolvimento equilibrado, que assegure as condições de sobrevivência para os habitantes do planeta.

2.1. O PROCEL

Instituído pelo Governo Federal, através da Portaria Interministerial n° 1.877 de 30/12/85, o PROCEL tem o objetivo de integrar as ações visando o combate ao desperdício de energia elétrica no país e a redução dos impactos ambientais. Diante da crise no setor de abastecimento de energia elétrica ocorrida no país em 2001, foi decretado pelo Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, em 17 de outubro de 2001, a Lei de Eficiência Energética nº 10.295; que estabelece os níveis máximos de consumo ou mínimos de eficiência energética de máquinas e aparelhos consumidores de energia comercializados no Brasil. Essa Lei dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, visando à alocação de recursos energéticos e a preservação do meio ambiente. A partir desta estrutura, foi criado em 2003 o PROCEL Edifica, com o objetivo de construir as bases necessárias para racionalizar o consumo de energia nas edificações brasileiras. A Etiqueta PBE Edifica faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e foi desenvolvida em parceria entre o Inmetro e a Eletrobrás/PROCEL Edifica. As etiquetas podem ser obtidas para edificações comerciais, de serviços e públicas e edificações residenciais, sendo estas de 3 tipos: unidades habitacionais autônomas (casas ou apartamentos), edificações multifamiliares e áreas de uso comum. O potencial de economia de energia desse setor também é expressivo, uma vez que edificações novas construídas de acordo com os padrões instituídos pela Etiquetagem PBE Edifica podem obter uma economia de até 50%, já as edificações existentes que sofrerem grandes reformas, uma economia de até 30%. Nos edifícios comerciais, de serviços e públicos são avaliados três sistemas: envoltória, iluminação e condicionamento de ar. No tocante à

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avaliação do sistema de iluminação, são considerados: a divisão dos circuitos para acionamento independente da iluminação, o desligamento automático da iluminação e a contribuição da luz natural. O Selo, que é de adesão voluntária, é outorgado nas categorias projeto e edificação construída, e, desde o seu lançamento, já foi concedido para 37 edificações.

É importante destacar, também, algumas Leis brasileiras relacionadas à eficiência energética:

Portaria nº456 ANEEL de 29 de novembro de 2000 – Estabelece de forma atualizada e consolidada, as condições gerais de fornecimento de energia elétrica;

Lei nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 – “Leis de Crimes Ambientais”, dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio

ambiente, resíduos sólidos, líquidos ou gasosos; Decreto n° 99.656 de 26 de outubro de 1990 – Estabelece as regras básicas de funcionamento da CICE – Comissão Interna de Conservação de Energia.

As CICE-s têm por objetivo propor, implantar e acompanhar medidas efetivas de utilização racional de energia elétrica além de controlar e divulgar as informações mais relevantes. A sua concepção aplica-se a todo tipo de instalação, seja ela do setor federal, estadual ou municipal.

3. Referencial teórico - iluminação

Conforme a NBR 5461/91 (Iluminação), luz é uma radiação eletromagnética, capaz de produzir uma sensação visual e está compreendida em uma faixa de comprimento de onda entre 380 e 780 nanômetros no espectro eletromagnético. Em síntese, é a faixa de radiação das ondas eletromagnéticas visível ao olho humano e está compreendida entre as radiações infravermelhas, de maior comprimento de onda, e as radiações ultravioletas, de menor comprimento de onda (Figura 01).

ultravioletas, de menor comprimento de onda (Figura 01). ISSN 2179-5568 - Revista Especialize On-line IPOG -

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Figura 01 - Espectro eletromagnético com o espectro de luz visível indicado Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Radiação_eletromagnética

O termo iluminância (Figura 02), também conhecido como nível de iluminação, indica a

quantidade de luz (lumens - lm) por unidade de área (m²) que chega a um determinado ponto.

O nível de iluminação pode ser medido, porém não visto. O que é percebido são as diferenças

na reflexão da luz incidente. Sua unidade é o lux, ou lm/m². Para realização de medições de

iluminâncias em lux (lx) ou lumens por metro quadrado (lm/m²) em ambientes, seja quanto à iluminação natural e ou artificial deste, é usado um equipamento dotado de sensor fotométrico, chamado de luxímetro (Figura 03). A norma NBR ISO/CIE 8995-1 - Iluminação

de ambiente de trabalho, publicada em 2013 pela ABNT, estabelece os níveis de iluminância

adequados conforme a atividade a ser executada em cada local em específico.

a atividade a ser executada em cada local em específico. Figura 02 – Iluminância Fonte: Vianna

Figura 02 – Iluminância Fonte: Vianna & Gonçalves (2001)

02 – Iluminância Fonte: Vianna & Gonçalves (2001) Figura 03 - Luxímetro MLM-1011, da fabricante Minipa

Figura 03 - Luxímetro MLM-1011, da fabricante Minipa Fonte: adaptação de acervo próprio (2013)

A iluminância e sua distribuição nas áreas de trabalho e no entorno imediato têm um maior impacto em como uma pessoa percebe e realiza a tarefa visual d e forma rápida, segura e confortável. Para lugares onde a área específica é desconhecida, a área onde a tarefa pode ocorrer é considerada como a área de tarefa (NBR ISO/CIE

8995-1,2013:4).

O fluxo luminoso, segundo o Manual de Iluminação Eficiente do PROCEL (2002), representa

uma potência luminosa emitida por uma fonte luminosa, por segundo, em todas as direções, sob a forma de luz. Conforme o citado manual segue abaixo alguns outros termos técnicos fundamentais usados pela luminotecnia:

Eficiência Luminosa – quociente entre o fluxo luminoso emitido em lumens (lm), pela potência consumida em Watts (W) (Figura 04);

Índice de Reprodução de Cor (IRC) – medida de correspondência entre a cor real de um objeto e sua aparência diante de uma determinada fonte de luz;

Temperatura de Cor – grandeza que expressa a aparência de cor da luz, sendo sua unidade o Kelvin (K). Quanto mais alta a temperatura de cor, mais branca é a luz;

Ofuscamento – Efeito de uma luz forte no campo de visão do olho humano;

Refletância- Relação entre o fluxo luminoso transmitido por uma superfície e o fluxo luminoso incidente sobre ela (Tabela 01);

Curva de Distribuição Luminosa – Curva que representa, em coordenadas polares, as intensidades luminosas nos planos transversal e longitudinal.

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de energia elétrica em ambientes laborais Dezembro/2016 7 Figura 04 - Eficiência luminosa das lâmpadas Fonte:

Figura 04 - Eficiência luminosa das lâmpadas Fonte: Osram

Figura 04 - Eficiência luminosa das lâmpadas Fonte: Osram Tabela 01 – Refletâncias conforme a cor

Tabela 01 – Refletâncias conforme a cor da superfície Fonte: Tabela de Refletâncias - Manual de Eficiência Energética do PROCEL (2002)

A luminância é fundamental para a percepção visual da forma ou do detalhe espacial, pois é a

variação dos níveis desta que determina o contraste e seu calor médio, o brilho perceptivo.

Neste sentido, o aumento ou a diminuição da luminância de um objeto em relação à luminância de fundo que o cerca, produz um fenômeno denominado de contraste.

Ainda, o Manual de Iluminação Eficiente da PROCEL (2002) conceitua a fotometria como sendo uma série de métodos e processos de medida das grandezas luminosas. Esses permitem

a determinação do fluxo luminoso, intensidade luminosa, iluminâncias e curvas de desempenho dos aparelhos de iluminação.

3.1. Sistemas de Iluminação

Os sistemas de iluminação podem ser caracterizados em naturais e artificiais, podendo ser usados em conjunto, de forma suplementar. Para Lamberts et al (1997), o objetivo do projeto

de iluminação é a busca do uso integrado da luz natural e artificial, formando assim um único

sistema de iluminação, tornando o sistema energeticamente mais eficiente.

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3.1.1. Sistemas de Iluminação Natural

Segundo Neto (1980) apud Almeida (2003), a iluminação natural é aquela que se obtém com

a luz do dia. Sua eficiência depende de quatro fatores: a iluminação da abóboda celeste

(Hemisfério celeste visível, conhecido popularmente como firmamento), ângulo de incidência da luz, cores empregadas no ambiente e a cor e natureza dos vidros por onde penetra a luz. A luz natural ocorre tanto de forma direta, através dos raios solares, quanto de forma indireta, através da luz da abóbada celeste. O Sol libera uma quantidade aproximada de seis bilhões de lumens para cada metro quadrado de uma superfície. Deste valor, cerca de 134.000 lux alcançam a atmosfera externa da Terra, onde são absorvidos perto de 20% desta luz e refletidos 25% de volta ao espaço. Uma parte dos 55% restantes chega à superfície da Terra diretamente em forma de feixes paralelos, que é chamada de luz direta. Outra fração é difundida pelas camadas da atmosfera, nuvens e outros elementos presentes na composição do

ar, compondo então a luz difusa. Outros fatores que tornam a utilização da luz da abóbada celeste mais comum são os danos derivados pela iluminância que provêm diretamente do Sol, tais como ofuscamentos, calor, brilho, efeitos devastadores sobre o mobiliário, etc. (ROMERO, 2001). Seus principais inconvenientes decorrem da grande variação da intensidade luminosa e disponibilidade. Para o estudo da geometria da insolação existem as cartas solares (Figura 05) que são representações gráficas do percurso do sol na abóbada celeste da terra, nos diferentes períodos do dia e do ano (BITTENCOURT 2004:27, apud TOLEDO, 2008). O eixo de rotação da terra possui uma posição fixa que está ligeiramente inclinada em 23,5 º em relação ao eixo de translação da terra (movimento da terra em torno do sol). Isso faz com que em determinada época do ano, a luz solar incida com maior intensidade sobre o hemisfério norte e, na outra parte do ano, incida com maior intensidade sobre o hemisfério sul, caracterizando o chamado solstício. Da mesma forma, ocorre que em

determinada época, a luz solar incide de maneira igual sobre os dois hemisférios, caracterizando o equinócio. A carta solar, além de variar em função da data e da hora, também

é especifica para a latitude do lugar. A posição do sol na abóboda celeste é dada por duas coordenadas angulares: altura solar e azimute (Figura 06).

coordenadas angulares: altura solar e azimute (Figura 06). Figura 05 - Carta solar para a cidade

Figura 05 - Carta solar para a cidade de João Pessoa-PB

Figura 06 - Azimute e altura solar

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Fonte: http://analisegeo.wordpress.com/carta-solar/

Fonte: http://analisegeo.wordpress.com/carta-solar/

Dependendo da posição da abertura, por onde a luz penetra no interior do recinto, a iluminação natural pode ser classificada em lateral ou zenital (Figura 07). A iluminação lateral é aquela onde a luz penetra pelas aberturas existentes nas paredes da edificação. Sua forma mais tradicional ocorre através das janelas. Já a Iluminação zenital ocorre pela entrada da luz pelo alto através de superfícies iluminantes na cobertura. São exemplos: o átrio, duto com espelhos, poço de luz, telhado com shed, clarabóia.

com espelhos, poço de luz, telhado com shed , clarabóia. Figura 07 – Sistemas de iluminação

Figura 07 – Sistemas de iluminação natural Fonte: Lamberts et al (1997)

Quanto aos sistemas laterais, ocorre grande declínio do nível de iluminância à medida que se distancia da abertura. O maior aproveitamento da luz natural, neste caso, ocorre perto das janelas; aproximadamente, conforme proporções evidenciadas abaixo (Figura 08):

conforme proporções evidenciadas abaixo (Figura 08): Figura 08 - Curva de amortecimento da iluminação natural

Figura 08 - Curva de amortecimento da iluminação natural no ambiente segundo a profundidade do ambiente; estimativa para uma relação área de janela/área de parede entre 35% e 100%. Fonte: Jorgensen, Fan Engeneering, em Queiroz (1996)

3.1.2. Sistema de Iluminação Artificial

Neto (1980) apud Almeida (2003) ressalta que, a iluminação artificial é aquela que se obtém com fontes artificiais (lâmpadas) que transformam a energia elétrica em luz. Podem ser feitas no interior e em meio urbano. Aqui é tratada a iluminação de interiores, com foco em

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ambientes laborais. São considerados interiores os locais abrigados onde existem tetos e paredes capazes de refletir a luz. Conforme a Osram (2003) apud Almeida (2003), a grande vantagem da iluminação artificial é permitir o desenvolvimento dos trabalhos sem limitações de horário, estendendo-se durante a noite. Sua utilização como complemento da luz natural faz com que a claridade chegue até os locais mais distantes das janelas, bem como mantém um nível de iluminamento durante todo o tempo, independente das variações que ocorrem com a luz do dia.

Em locais de trabalho deve-se utilizar uma iluminação abundante, uniforme e bem distribuída, características proporcionadas pela iluminação artificial, tende em vista que a penetração dos raios solares causam certos inconvenientes, como reflexões muito intensas e grandes contrastes entre os pontos de luz e sombra que levará ao ofuscamento, prejudicial à visão. Agregado a tais problemas ainda pode-se mencionar o desconforto causado pela quantidade de calor produzida pelo sol, vindo a interferir na produtividade. Assim sendo, para locais de trabalho, o estudo de insolação deve ser direcionado à orientação conveniente das superfícies iluminantes evitando expô-las diretamente aos raios solares (CRUZ, 2006:29).

De acordo com o Manual de Iluminação Eficiente da PROCEL (2002), a eficiência dos sistemas de iluminação artificial está associada basicamente, às características técnicas, à eficiência e ao rendimento de um conjunto de elementos dentre os quais se destacam:

lâmpadas, luminárias, reatores, circuitos de distribuição e controle, utilização de luz natural, cores das superfícies internas e mobiliárias. A seguir, serão tratados os três primeiros elementos supracitados:

3.1.2.1. Lâmpadas

São fontes produtoras de luz primária artificial de origem elétrica. No âmbito da luminotecnia, conforme a forma de emissão de luz divide-se essencialmente em dois grandes grupos: lâmpadas de incandescência e lâmpadas de descarga. Abaixo seguem os principais tipos:

a) Incandescentes - Funcionam através da passagem da corrente elétrica por um filamento que, com o aquecimento quando este é colocado no vácuo ou em meio gasoso apropriado, gera a luz.Têm uma eficiência luminosa e vida útil muito baixa;

b) Incandescentes Halógenas - Produzem luz pela incandescência de um filamento de tungstênio contido em um gás inerte e uma pequena quantidade de um halogênio. Possuem uma vida útil e uma eficiência luminosa um pouco maior que as incandescentes comuns. Também permitem uma ótima reprodução de cores;

c) Fluorescentes tubulares - São lâmpadas de descarga de baixa pressão. Possuem normalmente formato tubular longo, e contem vapor de mercúrio em baixa pressão com uma pequena quantidade de gás inerte. Exigem uma instalação especial com reatores. Possui uma boa vida útil e sua eficiência luminosa é muito maior que a das incandescentes. É uma boa alternativa para a redução do consumo de energia, sobretudo as lâmpadas tubulares T5, mais baratas que o LED porém, menos duráveis e eficientes;

d) Fluorescentes compactas - São lâmpadas fluorescentes de tamanho compacto, com a

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mesma tecnologia e características das fluorescentes tubulares;

e) Descarga em alta pressão - Funcionam a partir de uma descarga elétrica entre os eletrodos que leva os componentes internos do tubo de descarga a produzirem luz. Requerem reatores eletrônicos para sua ignição e operação. Dependendo do tipo, necessitam de 2 a 15 minutos entre a partida e a estabilização total do fluxo luminoso.

f) Mistas - Combina um filamento incandescente e um tubo de descarga com alta pressão. Funciona em tensão de 220 V, sem reator;

g) Lâmpadas de LED – Os light emissor diode,- LEDs são dispositivos semicondutores que convertem energia elétrica em luz visível. São bastante econômicos e resistentes, possui uma grande vida útil e uma ampla diversidade de aplicações. Os lampleds e tubeleds, isto é, lâmpadas de Leds para substituição de lâmpadas incandescentes, halógenas e fluorescentes tubulares, são opções cada vez mais encontradas no mercado. Os preços porém, ainda são dispendiosos.

3.1.2.2 Luminárias

Segundo o já citado Manual de Iluminação Eficiente do PROCEL (2002), as luminárias são

equipamentos que recebem a fonte de luz (lâmpada) e modificam a distribuição espacial do fluxo luminoso produzido pela mesma. Suas partes principais são:

a) receptáculo para fonte luminosa;

b) Os dispositivos para modificar a distribuição espacial do fluxo luminoso emitido (refletores, refratores, difusores, colmeias, etc.);

c) A carcaça, órgãos acessórios e de complementação.

Existem vários tipos de luminárias no mercado, com diferentes tamanhos, formatos, tipos de instalação e demais características, podendo comportar uma ou mais lâmpadas. Elas se caracterizam por ter finalidades diferentes, conforme o local a ser instalada e sua destinação.

3.1.2.3 Reatores

Tem por finalidade provocar um aumento de tensão durante a ignição e uma redução na intensidade de corrente, durante o funcionamento da lâmpada. Em termos construtivos podem se apresentar de duas formas: reatores eletromagnéticos ou reatores eletrônicos (PROCEL - RODRIGUES, 2002).

Os Reatores eletromagnéticos foram os pioneiros a surgir no mercado. São compostos geralmente por de núcleo de ferro, bobinas de cobre e capacitores. Possuem uma série de desvantagens: partida lenta, emissão de ruído, perdas elétricas, carga térmica elevada, são grandes e pesados. Já os reatores eletrônicos, mais modernos que os eletromagnéticos, são bem menores e mais leves; possuem partida rápida e trabalham em alta frequência sendo bem mais eficientes do que os eletromagnéticos. Existem também reatores eletrônicos dimerizáveis (Figura 09), que permitem variar o fluxo luminoso das luminárias. Podem ser usados em conjunto com sensores que monitoram a luminosidade solar, por meio de uma fotocélula, cuja medida é comparada a um valor de referência. Sendo assim, fazem o ajuste do fluxo luminoso de maneira que quanto maior a parcela de luz natural incidente no ambiente,

menor seja o uso da iluminação artificial. Operam com um sinal analógico de 0 a 10 Volts (V) em corrente contínua, DC.

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de energia elétrica em ambientes laborais Dezembro/2016 12 Figura 09 – Reator dimerizável - Quicktronic Intelligent

Figura 09 – Reator dimerizável - Quicktronic Intelligent DALI DIM T5, OSRAM Fonte: http://www.osram.com.br/osram_br/produtos/eletronicos/acessorios-eletronicos-para-iluminacao-

tradicional/reatores-eletronicos-para-lampadas-fluorescentes-tubulares-e-compactas/reator-eletronico-para-fl-e-

cfl%2c-dimerizavel-dali/quicktronic-intelligent-dali-dim-t5/index.jsp

3.1.3 Conforto Visual

O conceito de conforto é algo complexo e muito subjetivo, uma vez que os seres humanos,

diferentes entre si, reagem de forma distinta a determinados estímulos e condições adversas.

O conforto ambiental interno pode ser entendido como a avaliação das exigências humanas,

pois está baseada no princípio de que quanto maior for o esforço de adaptação do indivíduo,

maior será sua sensação de desconforto (VIANNA & GONÇALVES, 2001). Para Lamberts et al (1997), conforto visual é entendido como a existência de um conjunto de condições, num determinado ambiente, no qual o ser humano pode desenvolver suas tarefas visuais com o máximo de precisão visual, com o menor esforço, com menor risco de prejuízos

à vista e com reduzidos riscos de acidentes. Segundo Almeida (2003), um plano de

iluminação para um ambiente de trabalho deve atender a três requisitos: bom desempenho da

visão, economia na execução e facilidade na manutenção. Uma iluminação é considerada apropriada ao ambiente de trabalho quando permitir o máximo rendimento da visão com o

mínimo esforço visual. Esse tipo de iluminação resulta numa diminuição de erros, melhoria

da qualidade do trabalho, além de contribuir para o bem-estar psíquico das pessoas e redução

dos acidentes de trabalho.

A

qualidade da luz é primordial para o correto desempenho das atividades como também para

o

bem estar do homem, sua produtividade e consequentemente a redução da fadiga. As

condições de iluminamento de um ambiente interferem diretamente no mecanismo fisiológico

da visão e também na musculatura que comanda o movimento dos olhos (IIDA, 1990). Sendo

assim, a intensidade de luz que incide sobre a superfície de trabalho deve ser suficiente para

garantir uma boa visibilidade sem prejuízos ao aparelho visual humano. A claridade não é determinada apenas pela intensidade, mas pelas distâncias e pelo índice de reflexão das paredes, tetos, piso, máquinas e mobiliário.

) (

etária, as diferenças pessoais, a quantidade de luz, o tempo de exposição e o contraste entre figura e fundo. O contraste entre a figura e o fundo é bastante importante. Se não existir contraste, a figura ficará camuflada. Quando o objeto é mais brilhante que o fundo, pode ser naturalmente percebido. Por outro lado, se isso não acontecer, ocorrerá uma diminuição da eficácia visual, devido ao ofuscamento

(GRANDJEAN,1998:31).

muitos fatores implicam na capacidade de discriminação visual, como a faixa

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As condições de visibilidade dos objetos devem permitir a realização da tarefa visual com segurança, precisão, rapidez e eficiência, e de acordo com cada ambiente e com a atividade nele exercida, sem ofuscamento ou sombras, observando o que preconiza a NBR ISO/CIE 8995-1. É importante ressaltar que para a escolha do sistema de iluminação, o conjunto lâmpadas, luminárias e seus componentes, como também a distribuição das mesmas dependem do tipo de atividade que é exercida no local.

4. Dispositivos e soluções eficientes

4.1. O uso da tecnologia LED em iluminação

Em se tratando de edificações em seus diversos usos, um acréscimo em eficiência energética pode ser alcançado através de diversas medidas: desde as mais simples, como por exemplo, a adoção de boas rotinas para a economia de energia e a mudança das cores dos revestimentos de modo a aumentar a refletância da luz no ambiente, até o uso de fontes de energias alternativas e a implantação de tecnologias que fazem o controle, programação e monitoramento dos sistemas presentes no prédio. No caso em comento, as parcelas mais significativas dos custos de energia elétrica geralmente estão associadas ao consumo dos sistemas de iluminação e climatização.

Retrofit é um termo utilizado para definir especificamente, a alteração de sistemas de iluminação através da utilização de tecnologias energeticamente eficientes, como lâmpadas, luminárias e reatores de qualidade, visando a conservação de energia elétrica sem detrimento da satisfação e conforto do usuário (GHISI, 1997).

Nessa via, que a tecnologia LED apresenta-se como uma boa alternativa, tendo em vista: seu baixo consumo de energia, IRC satisfatório, longa vida útil, não propaga calor para o ambiente, não emite raios nocivos, seu descarte não necessidade de cuidados especializados, dispensa o uso de reatores e por fim, sua substituição não demanda modificação nas instalações elétricas convencionais. Entretanto, deve-se observar se a nova infraestrutura adotada atende quanto às características luminotécnicas adequadas ao ambiente em questão, sem prejuízo às atividades desenvolvidas no mesmo e aos seus ocupantes. Outro fator a ser observado é a análise de payback, ou seja, o tempo de retorno do investimento aportado. Segundo o Relatório de Resultados do Procel 2015 - ano base 2014 (2015), uma das grandes realizações do referido ano base foi o estabelecimento do regulamento técnico para lâmpadas

LED, viabilizada principalmente pelos estudos técnicos conduzidos pela Eletrobrás, incluindo

o

Brasil no rol de países que desenvolveram metodologias para a certificação do produto, com

o

objetivo de informar melhor os consumidores e estabelecer regras equânimes que deverão

ser atendidas pela indústria nacional e estrangeira. O foco da referida regulamentação, além da eficiência energética, é a avaliação da durabilidade do produto, anunciado pelos fabricantes como apresentando vida útil longa correspondente a 25, 50 e, em casos mais recentes, até mais de 70 mil horas. Uma nova solução semelhante ao LED, no âmbito da iluminação, é o Organic Light Emitting Diode - OLED. Essa tecnologia usa moléculas de carbono em sua composição, é ultrafina e flexível, e de alta eficiência energética e vida útil. A principal diferença entre as citadas é que, diferentemente do LED que é formado por pontos, o OLED é uma superfície que pode chegar

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a uma espessura de menos de 2 milímetros, permitindo a sua produção em versão maleável e extremamente leve para aplicação em inúmeras superfícies, inclusive transparentes. Como o OLED se distribui pela superfície, gera uma luz homogênea, minimizando o ofuscamento.

4.2. Dispositivos de Controle da Iluminação Artificial

O sistema de iluminação artificial pode ser gerenciado de maneira a prover quantidades

adequadas de luz em determinados horários e locais, conforme as necessidades dos usuários, enquanto minimiza o consumo de energia elétrica. Em iluminação de interiores, principalmente em residências, estes controles também são usados para criar diferentes cenas de iluminação, dando uma maior versatilidade ao ambiente. Ainda, através desses dispositivos, é possível o melhor aproveitamento da luz natural, utilizando sempre que possível a artificial somente para complementar a luminosidade proveniente do sol. A tabela abaixo apresenta alguns potenciais de redução de consumo, conforme dados da Associação de

Iluminação Francesa, publicados no artigo “A tendência da eficiência energética”, em fevereiro de 2010 (Tabela 02).

energética”, em fevereiro de 2010 (Tabela 02). Tabela 02 – Solução de controle e sua redução

Tabela 02 – Solução de controle e sua redução de consumo Fonte: http://www.osetoreletrico.com.br/web/component/content/article/58-artigos-e-materias-relacionadas/274- a-tendencia-da-eficiencia-energetica.html

4.2.1. Minuteria

Os temporizadores ou minuterias (Figura 10) são equipamentos que desligam as lâmpadas sob

seu comando após um tempo determinado. Podem ser de dois tipos: eletrônico ou individual. A minuteria individual é utilizada para comandar a iluminação de áreas que não necessitam de luminosidade constante, como hall, escadas e corredores. Elas mantêm as lâmpadas acesas por um período de tempo de aproximadamente um minuto e trinta segundos. Já a minuteria eletrônica, apresenta uma regulagem para seu funcionamento que pode ser permanente ou temporizada entre quinze segundos a cinco minutos, e possui um pré aviso de extinção de luz com a redução da luminosidade durante dez segundos. A diferença entre minuteria e sensores consiste que a primeira trata-se de dispositivos eletromecânicos, que precisam ser acionados manualmente através de um interruptor; apenas o desligamento das lâmpadas que ocorre automaticamente.

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de energia elétrica em ambientes laborais Dezembro/2016 15 Figura 10 – interruptor minuteria

Figura 10 – interruptor minuteria

http://instalacoeseletricas3eam1.blogspot.com.br/2013/03/aula-4-dispositivos-de-comandos.html

4.2.2. Sensores de presença

Os sensores de presença (Figura 11) são os dispositivos de controle mais utilizados. Esse dispositivo eletrônico aciona o sistema de iluminação após detectar movimentação no ambiente e é desligado após tempo programável, quando não houver mais movimentação. São frequentemente usados em locais onde tenha circulação esporádica de pessoas ou em substituição aos interruptores de teclas convencionais. Podem ser de três tipos: os sensíveis a radiação infravermelha, que são mais comuns no mercado, os sensíveis ao ultrassom, e os que usam ambas as tecnologias.

sensíveis ao ultrassom, e os que usam ambas as tecnologias. Figura 11 – Sensores de presença

Figura 11 – Sensores de presença modelo OccuSwitch da Phillips

http://www.lighting.philips.com.br/prof/controles-de-iluminacao/sensores-de-controle-de-iluminacao-

interior/occuswitch

4.2.3. Sensores de luminosidade

São dispositivos dotados de fotocélulas que, em função da luz natural captada controlam o sistema de iluminação artificial, fazendo a devida compensação, através de dimmer, ou até mesmo o bloqueio da luz artificial. Quanto maior a quantidade de luz natural disponível no ambiente, menor será a potência elétrica fornecida às lâmpadas e vice-versa. A figura abaixo ilustra um sensor autônomo de luz natural com dimerizador de interface 1 a 10V, adequado para até 10 reatores eletrônicos, acoplável para lâmpadas T8 e T5 (Figura 12). De acordo com o fabricante do mesmo, o equipamento possibilita uma economia de energia de até 30 %, comparado-se com às lâmpadas T8 operando com mecanismo de controle magnético convencional, sem sensores).

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de energia elétrica em ambientes laborais Dezembro/2016 16 Figura 12 - Sensor autônomo de luz natural
de energia elétrica em ambientes laborais Dezembro/2016 16 Figura 12 - Sensor autônomo de luz natural

Figura 12 - Sensor autônomo de luz natural com dimerizador de interface 1-10 V DIM PICO da OSRAM

http://www.osram.pt/osram_pt/produtos/eletronicos/sistemas-de-gerenciamento-da-iluminacao/sensores-stand-

alone/dim-pico/index.jsp

4.2.4. Dimmers

O dimmer (Figuras 13 e 14) é um variador de tensão, permitindo que a luminosidade da lâmpada varie entre zero e seu máximo. Sem o uso de um dimmer, a lâmpada possui apenas dois estados: ligado e desligado. Sua utilização é importante em locais onde há a presença da iluminação natural e artificial, podendo a artificial ser dimerizada quando a natural suprir as necessidades. Através da redução da intensidade da iluminação, em lugares e momentos onde não se necessita muita luz, a economia começa a aparecer. Dimerizar não apenas reduz o consumo de energia, mas aumenta significantemente a vida útil das lâmpadas. Além disto, os ambientes onde se utiliza controle de intensidade sobre a iluminação, ficam mais aconchegantes e valorizados em termos decorativos. Segundo Lamberts et al (1997), os dimmers são bastante conhecidos e controlam, através de um circuito eletrônico, a potência fornecida à lâmpada. Da mesma forma como se controla o volume de um rádio, uma pessoa pode controlar o brilho de uma lâmpada de zero a 100% através do dimmer. Este aparelho era normalmente encontrado para lâmpadas incandescentes, mas com a utilização de reatores dimerizáveis, pode-se também empregar esse sistema com lâmpadas fluorescentes. É possível também dimerizar lâmpadas LEDs, as quais são controladas por drivers eletrônicos. Para cada tipo de lâmpada existe uma solução (módulo) para dimerização.

lâmpada existe uma solução (módulo) para dimerização. Figura 13 - Mastro® dimmer & switch , LUTROM

Figura 13 - Mastro® dimmer & switch, LUTROM Fonte: http://www.lutron.com/en-

US/Products/Pages/StandAloneControls/Dimmers-

Switches/MaestroDimmerSwitch/Overview.aspx

Switches/MaestroDimmerSwitch/Overview.aspx Figura 14 - iLux® CLSI-C6M de 6 canais, CRESTRON

Figura 14 - iLux® CLSI-C6M de 6 canais, CRESTRON

http://www.crestron.com/products/model/CLSI-C6M

4.2.5. Automação dos sistemas de iluminação

Conforme Pereira (2007), “automação trata de sistemas desenvolvidos para execução automática de atividades repetitivas ou quando da ocorrência de determinados eventos”.

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A automação tem assumido papel importante no controle de sistemas de iluminação, requerendo cuidado dos profissionais envolvidos nessa área para que não ocorra a busca indiscriminada por tecnologia, mas sim a implantação de um projeto, cujos resultados impliquem na melhoria para o usuário final. Ademais, os projetistas devem cuidar para que a operação do sistema seja o máximo possível compreensivo para o usuário, por meio de interfaces conhecidas (MURATORI, 2011, apud LOZZER, 2012).

Nos últimos anos, as redes sem fio se desenvolveram em diversas áreas, onde a comunicação a cabo dominava. Antigamente, apenas utilizada para comunicação via satélites, hoje são encontradas em diversos tipos de ambientes. Um padrão muito utilizado é o IEEE802.11, também conhecido como WI-FI (Wireless Fidelity), o qual substitui os cabos das redes de computadores pessoais; ideais para retrofit em prédios com restrição de intervenções mais severas.

A internet também contribui de diversas formas para a automação predial, a exemplo do

próprio protocolo Internet Protocol - IP. Além disso, o uso de redes do tipo Local Area Network - LAN, permitiu uma facilidade incrível de trafegar dados e integrar sistemas dentro

de uma edificação. A maioria das integrações dos sistemas é feita trafegando dados nessa

estrutura, em que cada ponto de controle do prédio ou sistema predial tem um endereço e envia dados para a gestão de uma edificação a um Building Management System - BMS. Esse Sistema de gestão predial é baseado em um software de controle e gerenciamento que monitora equipamentos mecânicos, elétricos e hidraulicos, tais como: sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado - HVAC (heating, ventilating and air conditioning), iluminação, CAGs (centrais de água gelada), energia, controle de acesso, CFTV, incêndio, entre outros. Um exemplo prático em iluminação é a integração deste ao sistema de controle de acesso do prédio, vinculando o acionamento automático das lâmpadas condicionadas a um calendário ou à ocupação dos ambientes, evitando o consumo

desnecessário de energia elétrica e aumentando a vida útil das lâmpadas. Outra possibilidade é

o controle do nível de luz adequado em cada um dos ambientes, a qualquer momento, uma

vez que pode ser programada para as variações de incidência de luz ao longo do dia, quantidade de pessoas em cada área, iluminação de acordo com os diferentes locais de trabalho, etc. Da mesma forma, a abertura e fechamento de persianas e brises automáticos podem ser controladas mediante sensores de luminosidade externos, posicionados nas fachadas da edificação, os quais atuam informando a intensidade luminosa externa; conforme informações geográficas do local pré-configuradas. Essa solução, além de contribuir com o

aproveitamento da luminosidade externa sem que haja ofuscamento de monitores e telas devido à reflexão dos raios solares, oferece também uma redução considerável da temperatura interna trazendo economia da energia do sistema de climatização.

O protocolo de comunicação entre os mencionados dispositivos é uma “linguagem” utilizada

para trafegar as informações de envio e recebimento de dados. Existem diversos tipos de protocolos de mercado, como o BACNET, MODBUS, sistemas de gerenciamento de iluminação DALI e DMX, e os protocolos de automação sem fio, a exemplo do ZigBee e o Enocean.

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de energia elétrica em ambientes laborais Dezembro/2016 18 Figura 15 – Componentes de controle e monitoramento

Figura 15 – Componentes de controle e monitoramento Fonte: Adaptado de Onório (2015)

4.2.6. Métodos para integração da luz natural e artificial

Na dissertação, intitulada “Integração de Iluminação Natural e Artificial: Métodos e Guia Prático para Projeto Luminotécnico”, Toledo (2008) realiza uma revisão bibliográfica dos métodos de projeto luminotécnico existentes, nas investigações sobre a formação do profissional luminotécnico e de seu processo projetual, culminando na elaboração de um guia para o desenvolvimento de projetos integrando luz natural e artificial. Robbins (1986) apud Toledo (2008) considera a escolha, compreensão e aceitação de um método de integração da iluminação natural e artificial como uma das questões fundamentais para que a luz natural seja utilizada plenamente em edificações. Para ele a interface, ou melhor, a estratégia de controle que integra os sistemas de iluminação natural e artificial é a responsável por viabilizar o sistema de iluminação natural como um sistema de iluminação do edifício.

Dois dos métodos mais conhecidos que abordam a questão da integração da iluminação natural e artificial são os métodos IASPI – Iluminação Artificial Suplementar Permanente em Interiores, e PALN – Percentual de Aproveitamento da Luz Natural. O método IASPI, originalmente conhecido por PSALI – Permanent Supplementary Artificial Lighting in Interiors (MOORE, 1993), propõe a divisão do ambiente em zonas de diferentes níveis de iluminância (iluminação natural) mostrando onde há necessidade do uso da iluminação artificial suplementar para a execução da determinada tarefa. Apesar de superficial, o método tem como vantagens a rápida aplicação e o fácil entendimento (TOLEDO,2008:.87).

De acordo com Vianna & Gonçalves (2001) o PSALI, desenvolvido na Inglaterra no Building Reserch Station, baseia-se nas considerações subjetivas da aparência do local assim como na previsão dos níveis necessários de iluminância. Ainda, segundo Toledo (2008), O método

IASPI (Figura 16) parte do princípio fundamental de que a luz artificial deve ser considerada suplementar à luz natural e nunca o contrário. É guiado pelas seguintes hipóteses básicas:

a) Em relação à luz natural, a grande variação da iluminação que ocorre ao longo de um dia típico, não afeta o desempenho visual mesmo quando esta se encontra abaixo da aceitação recomendada, em função da habilidade de adaptação da visão humana;

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b) As iluminâncias de tarefa são aquelas recomendadas pela IESNA (Illuminating Engineering Society of North America), e as iluminâncias gerais são 1/3 da iluminância recomendada para a tarefa visual;

c) A luz elétrica pode ser usada para suplementar a luz natural com sucesso quando esta for insuficiente.

a luz natural com sucesso quando esta for insuficiente. Figura 16 – Iluminação Artificial Suplementar Permanente

Figura 16 – Iluminação Artificial Suplementar Permanente em Interiores - IASPI Fonte: Toledo (2012), adaptado de Moore (1993)

O esquema acima resume o princípio de funcionamento do método, representando em gráfico

a queda da iluminância média a partir da luz natural, evidenciando a necessidade de

iluminação suplementar natural na porção mais afastada das janelas no ambiente em exemplo. Mesmo em mínimas condições de iluminação natural, haverá luz suficiente para atender à

iluminância recomendada a uma distância igual à altura da janela acima do plano de trabalho,

e neste caso, a primeira luminária será usada somente no período noturno. A segunda e

terceira luminárias podem ser acionadas por controle automático ou dimerizada, enquanto a última poderá permanecer ligada ao longo das horas de uso do ambiente.

5. Conclusão

O intuito do trabalho em questão é disseminar práticas que visam o consumo inteligente de

energia elétrica com ênfase nos sistemas de iluminação artificial de ambientes laborais. Sendo

assim, com base na pesquisa desenvolvida acerca do tema em questão, foram elencadas, de forma sucinta, algumas tecnologias e iniciativas em eficiência energética bem como seus benefícios; dentre eles: a redução de custos do impacto ambiental. É importante ressaltar que com o acelerado desenvolvimento tecnológico no ramo da luminotecnia e da automação predial, os mencionados benefícios se tornam viáveis, sem comprometer a garantia das condições de trabalho necessárias para manutenção da saúde e conforto do trabalhador, fator fundamental para que se atinja uma produtividade satisfatória num ambiente sem insalubridade quanto à iluminação.

Estratégias sustentáveis tornam-se fundamentais na concepção de projetos como também na instalação de sistemas de iluminação, tendo em vista os crescentes custos de tarifas do setor e

as crises energéticas vivenciadas no país. Uma das estratégias em comento, bastante eficaz em

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nossa região, é o aproveitamento da luz natural em complemento ao sistema de iluminação artificial, uma vez que temos em abundância esse tipo de recurso. Não há dúvidas que as soluções em LED aliada aos sistemas de controle discutidos preteritamente neste trabalho, aproveitando também a luz natural, é a iminente tendência para a redução do consumo de energia dos sistemas de iluminação. Para tal, já existem diversos produtos de elevada qualidade disponíveis no mercado. Em contrapartida, visto a diversidade dos LEDs, muito se teme que a tecnologia seja confundida com produtos de baixa qualidade e confiabilidade. Todavia, já estão sendo adotadas iniciativas governamentais para a regulamentação desses produtos. Vale salientar que os sistemas de controle de fato trazem uma boa economiza de energia contudo, a parcela poupada é variável; depende das estratégias gerais do sistema, das restrições de arquitetura, do local de implantação da edificação e seus condicionantes climáticos, do grau de automatização e da educação dos usuários do recinto. Soluções mais simples e menos dispendiosas, como a utilização de sensores de presença e minuterias, já garantem uma redução do consumo e se caracterizam pela simplicidade de instalação, baixo custo e facilidade de manuseio, adequando-se bem às edificações já construídas, com aproveitamento da infraestrutura existente. Outra alternativa é a substituição de equipamentos obsoletos, que por muitas vezes traz resultado que ratifica a garantia de um retorno do investimento financeiro. Devido a indústria da construção civil ser grande geradora de resíduos e gases de efeito estufa, organizações públicas e privadas criaram normas para reduzir os impactos gerados pela mesma. Em suma, entende-se que a principal vantagem dessas regulamentações, seus métodos de avaliação e certificação, consiste na orientação aos empreendedores, projetistas e incorporadores quanto aos aspectos a serem considerados na produção de edificações sustentáveis, mostrando ser um grande diferencial haja vistas os desafios sociais e econômicos enfrentados na atualidade. Contribuir com a economia de energia não implica apenas em retorno financeiro, mas também na preservação de espécies animais e vegetais, na redução de resíduos e riscos de poluição e contaminação. A educação ambiental deve ser desenvolvida não só com os técnicos da área, mas entendida a todos os cidadãos, incentivada pelo governo e organizações, em prol do desenvolvimento sustentável. Por fim, as iniciativas e soluções aqui discutidas estão em conformidade com o compromisso ambiental que deve ser assumido pelas corporações e instituições, consoante ao planejamento estratégico destas, para a garantia do desenvolvimento sustentável.

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