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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA ____ VARA DE

FAMÍLIA DA COMARCA DE FORTALEZA-CE

MICHEL CUNHA DE OLIVEIRA, absolutamente incapaz, nascido em


2004, estudante, RG 3746183460-7, inscrito no CPF nº 184592175-77, neste
ato representado por sua genitora, MARIA DILMA CUNHA, brasileira,
solteira, professora da Rede Municipal de Ensino, RG n° 1980321123-0,
inscrita no CPF nº 798.231.540-10, endereço eletrônico
maridcunha@hotmail.com, e domicílio fixado na Rua Magistrado Girão, nº
34, Água Fria. Vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por
intermédio de sua advogada e bastante procuradora que esta subscreve,
procuração em anexo, vem respeitosamente a presença de Vossa Excelência,
com fulcro na Lei 5.478, de 25 de julho de 1968, propor a presente

AÇÃO DE ALIMENTOS
Em face de FRANCISCO LULA MICHEL DE OLIVEIRA, brasileiro,
divorciado, aposentado, RG nº 8367153925-3, inscrito no CPF nº
283.124.934-83, endereço eletrônico fcolulamoliveira@hotmail.com, e
domicílio fixado na Rua José Leon, nº 293, Mondubim. Pelos motivos de
fato e de direito a seguir aduzidos:
PRELIMINARMENTE
Requer o autor, a concessão dos benefícios da justiça gratuita, com
fulcro no disposto da Lei 1.060/50, em virtude de ser pessoa pobre na
acepção jurídica da palavra e sem condições de arcar com os encargos
decorrentes do processo, sem prejuízo de seu próprio sustento e de sua
família, conforme declaração em anexo.

DOS FATOS

Conforme faz prova a certidão de nascimento em anexo, o requerente


é filho legítimo do requerido, fruto da relação extraconjugal da representante
do menor e do requerido.

Apesar de ter assumido a paternidade, o requerido nunca cumpriu com


seu dever de colaborar para o sustento de seu filho menor impúbere. De fato,
salienta-se que até os quatorze anos, atual idade do requerente, este foi
alimentado por sua mãe, sem qualquer auxílio do genitor, quanto à prestação
de alimentos. Em razão da necessidade que ora o alimentando se encontra
resolve buscar a tutela jurisdicional para pleitear o devido direito.

É bom que se diga que a genitora, representante legal do menor, em


questão, trabalha como professora, percebendo o salário mensal de R$ 2.700,
(dois mil e setescentos reais), e vem enfrentando dificuldades para sustentar
seu filho com as principais necessidades básicas. Portanto, a criação do
requerente não deve recair somente sobre a responsabilidade de sua genitora,
que são muitas e notórias, como por exemplo: alimentação, vestuário,
moradia, assistência médica, educação, lazer, dentre outras, conforme faz
prova a documentação em anexo.
Por outro viés, a situação financeira do requerido é estável e
privilegiada, uma vez que é aposentado e está recebendo proventos
equivalentes a R$ 9.000, (nove mil reais), possuindo assim, condições de
colaborar para o sustento de seu filho. Entretanto, quando procurado pela
representante legal do requerente, a fim de propor alimentos para o menor, o
requerido se negou a prestar auxílio, não restando outra alternativa se não a
propositura da presente ação.

DO DIREITO

A Lei 5.478 dispõe sobre a prestação de alimentos, regualando a


presente ação. O artigo 1.696 do diploma Civil aduz ainda que:

"Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre


pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação
nos mais próximos em grau, uns em falta de outros."

O requerente encontra amparo legal no artigo 1.695 do Código Civil


que diz:

"Art. 1.695. São devidos os alimentos


quando quem os pretende não tem bens
suficientes, nem pode prover, pelo seu
trabalho, à própria mantença, e aquele, de
quem se reclamam, pode fornecê-los, sem
desfalque no necessário ao seu sustento."

Ademais, doutrina ensina ainda que,

“A faculdade concedida ao necessitado de


alimentos cria-lhe um direito de natureza
especial. É um dever a que não se pode
esquivar o parente, cônjuge ou
companheiro a ele sujeito. E, neste
sentido, o caráter é de ordem pública.
Dada a sua finalidade de atender as
exigências da vida, não é renunciável.”
(MÁRIO, Caio. Instituições de Processo
Civil vol. 5. 2017)

Além disso, salienta-se que a jurisprudência de nossos Egrégios


Tribunais dizem que

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO


DE FAMÍLIA - ALIMENTOS -
FIXAÇÃO - FILHO MENOR - RELAÇÃO
EXTRACONJUGAL - IRRELEVÂNCIA -
PROPORCIONALIDADE - VALOR
ADEQUADO PARA A SUBSISTÊNCIA
DO INFANTE
- PATERNIDADE RESPONSÁVEL -
RECURSO NÃO PROVIDO.
1. Alimentos arbitrados em 30% dos
rendimentos líquidos, em favor do filho
menor. 2. Atendimento à equação
"proporcionalidade-possibilidade-
necessidade". Diminuição que provocaria
grave prejuízo à subsistência do infante. 3. O
alimentante deve agir com responsabilidade
em seus relacionamentos, respondendo pela
escolha que fez ao ter um filho advindo de
uma relação extraconjugal, assumindo as
consequências daí decorrentes, inclusive na
esfera patrimonial. 4. Recurso não provido.”

DO PEDIDO

Por derradeiro, restando infrutíferas todas as tentativas para uma saída


suasória, não restou à requerente outra alternativa se não a propositura da
presente ação de alimento, para que seu genitor, ora requerido, seja
compelido a contribuir com o necessário para que a requerente sobreviva
com, um mínimo de dignidade , e para tanto requer:

a) a citação do requerido, acima descrito, para que compareça em


audiência a ser designada por Vossa Excelência, sob pena de confissão
quanto a matéria de fato, podendo contestar dentro do prazo legal sob pena
de sujeitar-se aos efeitos da revelia.

b) O deferimento dos benefícios da justiça gratuita por ser pobre na


acepção jurídica da palavra, não podendo arcar com as despesas processuais
sem privar-se do seu próprio sustento e de sua família.

c) O arbitramento de alimentos provisórios, na proporção de 1,5


salário-mínimo.

d) A intimação do representante do Ministério Público para intervir no


feito

e) a procedência da presente ação, condenando-se o requerido na


prestação de alimentos definitivos, na proporção de 1,5 salário-mínimo,
sendo estes depositados em conta bancária da representante legal do
requerente.
f) Seja condenado o requerido ao pagamento das custas processuais e
honorários advocatícios.

DAS PROVAS

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas,


além dos documentos que ora junta, depoimento pessoal do requerido, sob
pena de confesso e também da oitiva de testemunhas arroladas
oportunamente, bem como as que se fizerem necessários.

DO VALOR DA CAUSA

Dá-se a presente causa o valor de R$ 18.000 (dezoito mil reais), para todos
os efeitos legais, de acordo com o disposto no artigo 292, III, CPC/15.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Fortaleza, 02 abril de 2018.

Dâmaris Damasceno,

OAB 30759