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DAS INFLUÊNCIAS SCHOPENHAURIANAS NA POESIA DE AUGUSTO DOS

ANJOS
INFLUENCES OF SCHOPENHAURIANAS IN POETRY AUGUSTO DOS ANJOS

Deividy Ferreira dos Santos (UPE)1


Jairo Nogueira Luna (UPE)2

RESUMO
O presente artigo visa apresentar um breve estudo sobre as influências existencialistas exercidas pelo filósofo
alemão Arthur Schopenhauer na poesia de Augusto dos Anjos. Para isso, selecionamos alguns poemas
marcadamente existencialistas contidos no livro Eu (1912), único livro publicado pelo poeta paraibano, e alguns
trechos decisivos da filosofia de Arthur Schopenhauer, extraídos da principal obra do filósofo alemão, ou seja, O
Mundo Como Vontade e Representação (1818). Para alcançar o nosso objetivo, procuramos trabalhar com
algumas temáticas corriqueiras da poética de Augusto dos Anjos, como a angústia existencial, o pessimismo, a
profunda melancolia diante da vida e a amargura cósmica. A partir dessas usuais temáticas retiradas do Eu,
partimos para a busca das marcas schopenhaurianas que porventura se encontrem em sua poesia através de
diversos elementos, tanto no que concerne ao aspecto textual quanto ao aspecto temático, e assim procuramos
apontar os paralelos entre ambos: Augusto dos Anjos e Arthur Schopenhauer.

PALAVRAS-CHAVE: Augusto dos Anjos, Existencialismo, Schopenhauer.

ABSTRACT
This article presents a brief study of the existentialist influences exerted by the German philosopher Arthur
Schopenhauer in Augustan poetry of Angels. We selected some markedly existentialist poems in the book I
(1912), the only book published by paraibano poet, and some crucial parts of the philosophy of Arthur
Schopenhauer, extracted from the main work of the German philosopher, ie, The World as Will and
Representation (1818). To achieve our goal, we seek to work with some mundane issues of poetics of Augusto
dos Anjos, as existential anguish, pessimism, deep melancholy to life and cosmic bitterness. From these
withdrawals thematic usual of I, we set off for the search of schopenhaurianas brands that perhaps are in his
poetry through various elements, both in relation to the textual aspect as the thematic aspect, and so we try to
point out the parallels between the two: Augustus Angels and Arthur Schopenhauer

KEYWORDS: Augusto dos Anjos, Existentialism, Schopenhauer.

“A dor é a fonte da poesia. Só quem experimenta a perda de um ser


finito como perda infinita tem a força para o fogo do lirismo. Só o
encanto doloroso da recordação do que já existe é o primeiro artista, o
primeiro idealista no homem.”

(Ludwig Feuerbach)

1
Graduando em Letras Português/Literatura pela Universidade de Pernambuco. Foi bolsista PIBIC/CNPq e
atualmente é professor de Português no Programa de Línguas e Informática UPE – PROLINFO -, e monitor das
disciplinas Teoria Literária II e Literatura Brasileira II na referida instituição. Participa dos grupos de pesquisa:
ARGILEA e DISCENS. E-mail: deividyferreira@outlook.com
2
Orientador, professor Doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e professor
adjunto da Universidade de Pernambuco (UPE), Campus Garanhuns.
Introdução

É consenso no meio da crítica literária que o poeta Augusto dos Anjos foi um artista
que recebeu muita influência do âmbito da ciência biológica e da filosofia. Sobre essa questão
das influências literárias e intelectuais de Augusto dos Anjos no tocante à suas construções
fraseológicas, Ferreira Gullar, num ensaio publicado em 1978, assim nos elucida que “a obra
de Augusto dos Anjos aparece como uma complicada retórica, o verbalismo é de um
adolescente doentio que leu demais Schopenhauer, Spencer e Haeckel” (GULLAR, 1978, p.
36).

No que concerne ainda às influências literárias exercidas sobre Augusto dos Anjos,
Alfredo Bosi, explicitando sobre a postura existencialista do poeta, assim nos explana em seu
livro História Concisa da Literatura Brasileira:

A postura existencial do poeta lembra o inverso do cientificismo: uma angústia


funda, letal ante a fatalidade que arrasta toda carne para a decomposição. E já não
será mais lícita falar em Spencer ou em Haeckel para definir a sua cosmovisão, mas
sim no alto pessimismo de Arthur Schopenhauer, que identifica na vontade de viver
a raiz de todas as dores. (BOSI, 1995, p. 325).

Como se pôde constatar a partir da referida citação de Bosi, a cosmovisão de Augusto


dos Anjos é profundamente marcada pelo existencialismo pessimista de Schopenhauer,
filósofo que muito influenciou a mundividência do poeta paraibano e de muitos entusiastas do
existencialismo. O pessimismo ontológico e filosófico foi, pois, o principal legado que
Schopenhauer exerceu sobre o pensamento de Augusto dos Anjos, haja vista que este fora um
leitor voraz de sua produção filosófica, tendo, inclusive, lido as obras do filósofo alemão em
francês, segundo alguns de seus biógrafos.

Ainda sobre essa questão das influências exercidas por Schopenhauer na produção
lírica de Augusto dos Anjos, Anatol Rosenfeld, no ensaio “A costela de prata de A. dos
Anjos”, é ainda mais enfático, ao afirmar:

A influência de Schopenhauer sobre Augusto dos Anjos afigura-se muito mais


profunda do que a de Haeckel e Spencer; alguns de seus maiores poemas, como “Na
forja” e “A floresta”, parecem inimagináveis sem a assimilação do pensamento do
filósofo alemão. (ROSENFELD, 1973, p. 265).

Ou seja, torna-se completamente impraticável debruçar-se de forma analítica sobre a


poética de Augusto dos Anjos sem admitir o legado filosófico, ontológico e até mesmo
religioso que Schopenhauer exerceu sobre o poeta. No que concerne ao caráter filosófico e
ontológico, podemos dizer que o filósofo deixou como legado ao poeta paraibano o profundo
pessimismo existencialista oriundo de sua visão do mundo e do homem, e no que tange ao
caráter religioso, a sua influência circunda no que se refere às ideias oriundas do Budismo,
pois Schopenhauer tinha na concepção budista da dor a base para o seu sistema filosófico, e
Augusto muito sorveu das reflexões schopenhaurianas sobre os conceitos budistas, tais quais
à “dor”, a “vontade”, o “Nirvana” e o “prazer”.

As citações referidas até o presente momento deste artigo foi o que nos despertou para
o assunto ora proposto, isto é, sobre as influências schopenhaurianas na poesia de Augusto
dos Anjos. Dito isso, devemos frisar que não temos nenhuma pretensão de esgotar o assunto
ora proposto, até porque temos a plena consciência da extensão do mesmo. Queremos, pois,
tão somente apontar as influências mais pertinentes e nítidas que a filosofia de Arthur
Schopenhauer exerceu sobre a poética de Augusto dos Anjos, que, a nosso ver, é um dos mais
originais poetas da literatura nacional.

Na parte subsequente deste artigo, apresentaremos, ainda que de forma sumária, os


aspectos da filosofia schopenhauriana mais recorrentes nos diversos poemas selecionados do
Eu (1912), em especial no que concerne ao aspecto existencialista.

1. Augusto dos Anjos e o Eu

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) nasceu no Engenho Pau


d’Arco, na Paraíba, no dia 20 de abril de 1884. Depois de exercer a profissão de advogado, foi
promotor e professor de literatura. Foi poeta de um livro só: Eu, escrito em 1912. Mesclando
tematizações de fundo simbolista ao uso de termos extravagantes, exóticos e científicos, o
poeta caracteriza-se por uma individualidade atormentada pelos paradoxos da existência. Seus
poemas são cheios de lirismo e melancolia, abordando temas como a morte, cemitérios e
hospitais, destacando-se além da linguagem científica, a temática do vazio das coisas, a
putrefação e a decomposição da matéria.

A obra é a soma de todas as tendências e estilos predominantes desde o final do século


XIX na literatura brasileira. Recebe influências do Parnasianismo, do Decadentismo, do
Simbolismo e ainda antecipa o Modernismo. Alfredo Bosi chama atenção, em seu livro
História concisa da Literatura Brasileira (1995), para uma tese de intransponível valor que
projeta uma luminosidade para a compreensão da mímese em Augusto dos Anjos, captando a
inversão do cientificismo, como ferramenta propulsora de sua poética.

Augusto dos Anjos é sem dúvida o poeta no qual o acúmulo de conhecimento está
proporcionalmente relacionado à intensificação do tormento frente à impossibilidade de
compreensão da origem, do fim da vida e do porquê do mundo, assuntos esses relacionados
intimamente com as questões do existencialismo filosófico, no qual Schopenhauer é um
expoente. Sua única obra literária, Eu, lançada em junho de 1912, apresenta uma confluência
de estilos que revela não apenas a sua complexidade, mas também a sua liberdade de criação,
seu caráter ambíguo, seu contundente ceticismo, sua sede insaciável pelo infinito, pelo
cósmico, pela compreensão do mistério da vida e, principalmente, da morte.

O título Eu pode justamente ser relacionado com o individualismo do autor no que se


refere à sua independência poética, à sua introspecção profunda, ao seu pessimismo atroz, a
uma angústia cósmica e a uma cosmogonia desesperadora. Órris Soares, um dos primeiros
críticos do autor, afirma:

O título do livro vale por uma autopsicologia. É um monossílabo que fala. Este aqui,
então, diz tudo, pintado de pincel a alma e o físico do autor. O Eu é Augusto, sua
carne, seu sangue, seu sopro de vida. É ele integralmente no desnudo gritante de sua
sinceridade, no clamor de suas vibrações nervosas, na apoteose de seu sentir, nos
alentos e desalentos de seu espírito. (SOARES, 1920, p. 64).

Ao auferir da transcrita citação de Órris Soares, podemos, com certa segurança,


afirmar que o Eu (1912) é uma expressão literária da biografia do autor, mas não da biografia
histórica propriamente dita, mas sim de uma biografia anímica, das comoções de sua alma, de
sua vida interior, de sua psique e de suas emoções mais recônditas. Vejamos, pois, o que
ainda nos diz Órris Soares sobre essa obra estupenda:
O Eu é um livro de sofrimento, de verdade e de protesto: sofre as dores que
dilaceram o homem e aquela do cosmos; e, em relação ao homem e ao cosmos, diz
as verdades apreendidas por indagação e ciência, protestando em nome delas pelo
que, no homem e no cosmos, há um desconexo, de ilógico, de absurdo. Um livro de
pensamento, sem fantasia nem doidivanices. Como viu e sentiu a vida, - na
multiplicidade dos fenômenos e da grandeza dos mistérios insondáveis, - assim
escreveu o poeta, sempre molhando a pensa na “chaga aberta do coração”
(SOARES, 1920, p. 72).

2. Schopenhauer e a sua filosofia

Arthur Schopenhauer foi um filósofo alemão da corrente irracionalista. Nasceu em


Danzig, na Prússia, em 22 de Fevereiro de 1788 e morreu em Frankfurt-am-Main, em 21 de
Setembro de 1860. Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o Budismo e o pensamento
indiano na metafísica alemã. A influência oriental em sua filosofia o fez aceitar o ateísmo.

Ficou vulgarmente conhecido por seu pessimismo e entendia o budismo (e a essência


da mensagem cristã, bem como o essencial da maior parte das culturas religiosas de todos os
povos em todos os tempos) como uma confirmação dessa visão realista-pessimista.
Schopenhauer também combateu fortemente a filosofia hegeliana e influenciou fortemente o
pensamento de Eduard Von Hartmann e Friedrich Nietzsche.

Pessimista em sua visão do mundo, ele considerou ser a “vontade” a última e mais
fundamental força da natureza, que se manifesta em cada ser no sentido da sua total realização
e sobrevivência. O conceito de “vontade” deste filósofo diz respeito a algo infinito, uno,
indizível, e não a uma vontade finita, individual, ciente. Ela estaria presente no homem, como
em toda a natureza. Para Schopenhauer, a realidade é vontade irracional, onde o finito nada
mais é que mera aparência da realidade. A vontade infinita traz com ela a característica da
insaciabilidade, sendo então algo conflituoso que geraria dor e sofrimento ao homem.

O ponto de partida do pensamento de Schopenahuer encontra-se na filosofia kantiana.


Immanuel Kant (1724 – 1804) estabeleceu a distinção entre os fenômenos e a coisa-em-si. A
coisa-em-si não poderia, segundo Kant, ser objeto de conhecimento científico, como até então
pretendera a metafísica clássica. A ciência restringir-se-ia, assim, ao mundo dos fenômenos, e
seria constituída pelas formas da sensibilidade e pelas categorias do entendimento. Dessas
distinções, Schopenhauer conclui que o mundo não seria mais do que representações,
entendidas por ele, num primeiro momento, como síntese entre o subjetivo e o objetivo, entre
a realidade exterior e a consciência humana.

No sistema de Schopenhauer, segundo o estudioso de Filosofia, Deyve Redyson, no


livro Metafísica do Sofrimento do Mundo (2009), a vontade é a raiz metafísica do mundo e da
conduta humana, ao mesmo tempo, é fonte de todos os sofrimentos. Sua filosofia é, assim,
profundamente pessimista, pois a vontade é concebida em seu sistema, como algo sem
nenhuma meta ou finalidade, um querer irracional e inconsciente.

Sendo um mal inerente à existência do homem, ela gera a dor, necessária e


inevitavelmente, aquilo, portanto, que se conhece como felicidade seria apenas a interrupção
fugaz de um processo de desventura e somente a lembrança de um sofrimento passado, criaria
a ilusão de um bem presente. Para Schopenhauer, o prazer é apenas o momento fugaz de
ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida de novas
aspirações, sempre obstadas e sempre em luta por sua realização: viver é sofrer.

3. A influência de Schopenhauer nos poemas anjosianos

Iniciaremos este tópico do artigo já com a análise de um dos poemas mais


schopenhaurianos da poesia de Augusto dos Anjos, trata-se de um soneto intitulado “Eterna
Mágoa”:

Eterna Mágoa

O homem por quem sobre caiu a praga

Da tristeza do Mundo, o homem que é triste

Para todos os séculos existe

E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga

Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.

Quer resistir, e quanto mais resiste

Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.


Sabe que sofre, mas o que não sabe

E que essa mágoa infinda assim não cabe

Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;

E quando esse homem se transforma em verme

É essa mágoa que o acompanha ainda!

(ANJOS, 1994).

Este soneto do Eu é um poema que carrega uma forte carga de angústia existencial e
de um pessimismo ao estilo schopenhauriano. Logo ao título atribuído, “Eterna Mágoa”, se
nota uma noção de perenidade da condição mísera do homem. O poema tem início
explanando a condição do homem de uma forma pessimista (“O homem por quem sobre caiu
a praga/ Da tristeza do Mundo”), e depois atina para a fatalidade tétrica da raça humana
(“Nunca mais o seu pesar se apaga”), realça ainda a inevitável decomposição do ser (“Esse
homem se transforma em verme”) e expõe de forma desalentadora a eternidade da mágoa que
assola o homem mesmo depois de seu aniquilamento como ser carnal (“É essa mágoa que o
acompanha ainda”).

Outro recurso usado pelo poeta para dar veemência à ideia da mágoa incessante que
assola a condição humana é a anáfora, ou seja, a repetição exaustiva de uma palavra ou grupo
de palavras. Tal recurso se dá com a palavra “mágoa”, que aparece quatro vezes no poema e
reforça a consistência do pensamento pessimista a que Augusto dos Anjos elabora no soneto.
Seria também interessante registrar as inúmeras vezes a que Augusto dos Anjos faz referência
à continuidade do tempo.

Enquanto em “Idealização da Humanidade Futura”, por exemplo, o eu lança um olhar


negativista sobre a “multidão dos séculos futuros”, no soneto “Solilóquio de um Visionário”,
ele vaga, sem triunfo, “um século, improficuamente / pelas monotonias siderais”.

Outro poema do Eu que guarda profundas marcas schopenhaurianas é “Queixas


Noturnas” da qual transcreveremos duas estrofes:

Quem foi que viu a minha Dor chorando?

Saio. Minha alma sai agoniada.


Andam monstros sombrios pela estrada

E pela estrada, entre estes monstros, ando!

Bati nas pedras de um tormento rude

E a minha mágoa de hoje é tão intensa

Que eu penso que a Alegria é uma doença

E a Tristeza a minha única saúde!

(ANJOS, 1994).

Nesse poema, ele interroga pela dor e afirma que sua saúde é viver intensamente a
tristeza, porque a alegria é uma doença para sua alma amargurada. A palavra “alegria” vem
carregada de angústia, pois se viver significa sofrer, qualquer expressão de alegria não teria o
mínimo significado diante da tristeza que se é estar vivo (SCHOPENHAUER, 1980), sendo
obrigado a se conformar com os rumos que a vida está levando, apresentando-se, assim, o
pessimismo como um refúgio para suas dores.

Outro poema de Augusto dos Anjos que é profundamente niilista e schopenhaueriano


pelo exorbitante pessimismo ontológico é o soneto intitulado “Homo Infimus”:

Homo Infimus

Homem, carne sem luz, criatura cega,

Realidade geográfica infeliz,

O Universo calado te renega

E a tua própria boca te maldiz!

O nôumeno e o fenômeno, o alfa e o ômega

Amarguram-te. Hebdômadas hostis

Passam... Teu coração se desagrega,

Sangram-te os olhos, e, entretanto, ris!

Fruto injustificável dentre os frutos,

Montão de estercorária argila preta,

Excrescência de terra singular.


Deixa a tua alegria aos seres brutos,

Porque, na superfície do planeta,

Tu só tens um direito: — o de chorar!

(ANJOS, 1994).

Nesse poema, Augusto mostra toda a descrença, o desprezo dele e do universo pelo
homem, (pela humanidade decadente), considerado um “fruto injustificável dentre os frutos”,
um “montão de estercorária argila preta/ excrescência de terra singular”, que não tens o direito
de ser feliz, como se observa no fragmento adiante. Na visão trágica de Schopenhauer, “o
homem não tinha do que se orgulhar”, pois “sua concepção é uma culpa, o nascimento, um
castigo; a vida, uma labuta; a morte, uma necessidade” (SCHOPENHAUER, 1980, p. 189). O
filósofo comparava a vida como se fosse um pêndulo que oscila sem cessar entre o sofrimento
e o tédio, abreviada somente com a morte.

Considerações finais

Com este artigo, pretendeu-se mostrar como a influência do pessimismo de


Schopenhauer se fez presente em toda a tessitura dos versos que compõe o livro Eu. A
complexidade das temáticas abordadas pelo poeta, porém, não esgota a influência de outros
autores, como o evolucionismo social de Spencer, nem também permite que se possa afirmar
que o tema do pessimismo foi formatado em toda a sua dimensão espalhada na obra. Ao
contrário, esse estudo deixa em aberto a pesquisa e compenetração de outras análises mais
profundas e abrangentes sobre essa temática, procurando, assim, desvendar um pouco do
universo do pessimismo schopenhaueriano presente na obra.

Referências

ANJOS, Augusto. Obra completa. Org. Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. 3. ed. São Paulo: Cultrix. [s.d.].
GULLAR, Ferreira. Toda a Poesia de Augusto dos Anjos. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra,
1978.

REDYSON, Deyve. Metafísica do Sofrimento do Mundo. João Pessoa: Idéia, 2009.

ROSENFELD, Anatol. Texto/Contexto. São Paulo: Editora Perspectiva, 1973.

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo Como Vontade e Representação. Trad. M. F. Sá


Correia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.