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DIREITO DAS SUCESSÕES

1 Quais são as espécies de legado? Sobre as espécies de legado, Carlos Roberto


Gonçalves, 2012, existem várias modalidades de legados, sendo elas: As várias
modalidades de legado podem ser classificadas, quanto ao objeto, em:
a) legado de coisas;
b) legado de crédito ou de quitação de dívida;
c) legado de alimentos;
d) legado de usufruto;
e) legado de imóvel;
f) legado de dinheiro;
g) legado de renda ou pensão periódica; e,
h) legado alternativo.
2 Qual é a regra estipulada pela lei para o legado de alimentos?
O legado de alimentos são prestações devidas ao legatário para que ele possa prover seu
sustento, é instituído pelo testador, mas pode ser estipulado pelo juiz.
O testador é quem deve fixar o valor da pensão alimentícia. Se não o fizer, a tarefa cabe ao
juiz, que agirá cum arbitrio boni viri, levando em conta as forças da herança, a condição
social e a necessidade do legatário.
Tal como ocorre no direito de família, os alimentos podem ser legados in natura ou em
dinheiro. O testador pode, com efeito, determinar a um herdeiro que forneça hospedagem e
sustento ao gratificado. Compete ao juiz, se as circunstâncias o exigirem, fixar a forma de
cumprimento da prestação, como determina o parágrafo único do art. 1.701 do Código
Civil, uma vez que não se pode constranger pessoas a coabitarem, se existe situação de
incompatibilidade entre elas.
Se não houve disposição expressa quanto ao período que abrange o legado de alimentos,
entende-se que são vitalícios. As prestações devidas em cumprimento do dever de
educação e de instrução têm a duração necessária para que se eduque e instrua o
beneficiado, tendo em vista a profissão escolhida.
Os alimentos testamentários não se confundem com os legais, não se lhes aplicando os
princípios destes.
Se o testador deixar como único herdeiro filho havido com sua esposa, não poderá ser este
compelido a pagar legado de alimentos em favor da concubina de seu pai
3 Qual é a regra estipulada pela lei para o legado de usufruto?
O art. 1.921 do CC 02 diz que o usufruto é vitalício, mas há ressalva no art. 1410, III
dizendo que se o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica e o testador não
determinou o tempo de duração da benesse, esta perdurará por trinta anos, a não ser que,
antes, ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído.
Com o fim do usufruto surgirá o domínio do herdeiro ou terceiro como substituto.
4 As partes acrescidas ao imóvel após o legado serão consideradas incluídas no
testamento? E as benfeitorias realizadas no imóvel legado? Cite o dispositivo que
fundamenta a sua resposta. As partes adquiridas, ainda que contíguas, não farão parte do
legado. Com relação ao às benfeitorias feitas em imóvel, segue-se a regra da gravidade,
quer dizer que os bens acessórios seguem o principal. Embasamento legal no art. 1.922.
5 Em que momento a propriedade do legado é transferida ao legatário? E a posse?
O legatário adquire a propriedade de coisa certa, existente no acervo, salvo se o legado
estiver sob condição suspensiva, Isto quer dizer, que o legatário apenas adquire a posse
indireta, mas não a direta e imediata. Com relação a posse, Carlos Roberto Gonçalves diz
que, a abertura da sucessão confere ao legatário somente o direito de pedi-la aos herdeiros
instituídos, não podendo obtê-la por sua própria autoridade, sob pena de incorrer no crime
de exercício arbitrário das próprias razões. Se se tratar de coisa incerta, fungível, só a
adquire com a partilha
6 Em que hipóteses haverá caducidade do legado?
Carlos Roberto Gonçalves, 2012, “Caducidade vem a ser a ineficácia, por causa ulterior,
de disposição testamentária válida”. O art. 1.939 traz as possibilidades que enseja a
caducidade:
“I - se, depois do testamento, o testador modificar a coisa legada, ao ponto de já não ter a
forma nem lhe caber a denominação que possuía;
II - se o testador, por qualquer título, alienar no todo ou em parte a coisa legada; nesse
caso, caducará até onde ela deixou de pertencer ao testador;
III - se a coisa perecer ou for evicta, vivo ou morto o testador, sem culpa do herdeiro ou
legatário incumbido do seu cumprimento;
IV - se o legatário for excluído da sucessão, nos termos do art. 1.815;
V - se o legatário falecer antes do testador”.”

7 Explique o preceito contido no art. 1.899 do Código Civil.


O artigo em tela revela que a interpretação dos testamentos deverá atender ao desejo do
testador, ainda que escrito de modo a criar ambigüidades ou interpretações diferentes, o
legislador tratou de assegurar o cumprimento da vontade do testador. Nos testamentos
podem ocorrer erros gramaticais, sobre os nomes de quem se quer referir, ou afirmações
contraditórias, contudo o que se deve entender é que a intenção do testador é que deve
prevalecer.
8 Fale sobre a nulidade prevista no art. 1.900 do Código Civil. Cite exemplos.
1 A nulidade que o art. 1900, I trata é a instituição de herdeiro ou legatário sob condição
captatória, que reflete-se em nulidade absoluta do benefício a que se refere aquela
condição. Ex: O testador deixa sua herança para o herdeiro Fulano se ele deixar a dele para
o testador.
2 O art. 1900, II diz que, “É nula também a cláusula que se refira a “pessoa incerta, cuja
identidade não se possa averiguar”. não há como cumprir a vontade do testador, salvo se a
pessoa for determinável;
3 A nulidade do inciso III trata-se de vício de vontade, o testamento é ato personalíssimo,
Valerá a disposição em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro,
dentre duas ou mais pessoas “mencionadas pelo testador, ou pertencentes a uma família,
ou a um corpo coletivo, ou a um estabelecimento por ele designado”;
4 A nulidade do art. 1900, IV – “que deixe a arbítrio do herdeiro, ou de outrem, fixar o
valor do legado”, também é vício de vontade, valerá a disposição que deixe ao arbítrio do
herdeiro, ou de outrem, determinar o valor do legado, quando instituído “em remuneração
de serviços prestados ao testador, por ocasião da moléstia de que faleceu”;
5 A nulidade derradeira do art. 1900, é a do inciso V, que diz, É nula a disposição - “que
favoreça as pessoas a que se referem os arts. 1.801 e 1.802”. O art. 1801 traz em seu rol as
pessoas que não podem ser nomeadas como herdeiras ou legatárias do testador. O art. 1802
diz que “São nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a
suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante
interposta pessoa”.

9 Explique o preceito contido no art. 1.901 do Código Civil. O art. 1901 traz ressalvas
às nulidades do inciso II, III e IV do art. 1900.

10 O testamento que não observa os requisitos exigidos para sua celebração poderá
ser anulado? Sim, Carlos Roberto Gonçalves afirma que “só terá validade se forem
observadas todas as formalidades essenciais prescritas na lei (ad solemnitatem). Não
podem elas ser postergadas, sob pena de nulidade do ato. Excetua-se o testamento
nuncupativo (de viva voz), admissível somente como espécie de testamento militar (CC,
art. 1.896)”. Essa é a regra geral, no entanto os tribunais têm entendido que o formalismo
não deve ser exagerado e seguido a qualquer custo, pois se deve atender a vontade do
testador que não estará presente para corrigir o ato, também por proteção aos herdeiros de
que se beneficiam dos testamentos.
11 O testamento feito por testador incapaz para testar poder ser anulado?
Os absolutamente incapazes e “além dos incapazes, não podem testar os que, no ato de
fazê-lo, não tiverem pleno discernimento”, o ato deles de testar é nulo de plano e pode ser
anulado, é o que diz o art. 1860 do CC 02. Os incapazes são os relacionados no art.
12 O testamento que prevê nomeação de herdeiro ou legatário que não possui
capacidade poderá ser anulado?
Sim, o art. 1802 do CC 02 diz que, são nulas a nomeação das pessoas, que são as incapazes
de herdar ou ser legatárias, especificadas no art. 1801 do mesmo código.
13 O testamento que contrariar disposição expressa da lei poderá ser anulado?
Haverá nulidade absoluta do testamento quando seu objeto for ilícito ou impossível; não
observar as formas prescritas em lei para cada uma das modalidades de cédulas
testamentárias, ordinárias e especiais; a lei taxativamente o declarar nulo ou lhe negar
efeito; e suas disposições forem nulas;
14 O testamento que instituir objeto ilícito poderá ser anulado?
Sim, o testamento é um negócio jurídico e deve obedecer aos requisitos de validade dos
demais. Haverá nulidade absoluta do testamento quando seu objeto for ilícito ou
impossível; não observar as formas prescritas em lei para cada uma das modalidades de
cédulas testamentárias, ordinárias e especiais; a lei taxativamente o declarar nulo ou lhe
negar efeito; e suas disposições forem nulas;
15 O testamento realizado mediante erro, dolo, simulação ou coação poderá ser anulado?
Sim, o testamento mediante erro, dolo, simulação ou coação é anulável, é o que diz o art.
1901 do CC 02, “São anuláveis as disposições testamentárias inquinadas de erro, dolo ou
coação”. “Segundo Carlos Roberto Gonçalves, Se, apesar das proibições previstas nos
arts. 1.801, 1.798 e 1.799, I, do Código Civil, forem contempladas, de modo direto ou
mediante simulação, pessoas neles mencionadas, nulas se tornarão as disposições
testamentárias”. Há a previsão de nulidade do negócio jurídico no art. 167 do CC 02.
16 O testamento realizado com a presença de uma das situações previstas no art.
1.900 poderá ser anulado? Sim, são nulas as previsões feitas no art. 1900, há no entanto
as ressalvas feitas no art. 1901.
17 O testamento celebrado sem os requisitos exigidos para a forma adotada ao testar
poderá ser anulado? Como regra geral o testamento pode ser anulado quando não
obedecerem as formas prescritas em lei, mas, Carlos Roberto Gonçalves afirma que há
uma tendência nos tribunais de que exigência da forma pode ser flexibilizada.
18 Qual é o prazo previsto para propor ação de anulação de testamento?
O prazo previsto para invalidação do testamento é de cinco anos, “art.1.859. Extingue-se
em cinco anos o direito de impugnar a validade do testamento, contado o prazo da data do
seu registro”. E o prazo para anulação é de quatro anos, dado o conhecimento do vício.
“Art. 1.909. São anuláveis as disposições testamentárias inquinadas de erro, dolo ou
coação. Parágrafo único. Extingue-se em quatro anos o direito de anular a disposição,
contados de quando o interessado tiver conhecimento do vício.”
19 O testamento anulável convalida-se automaticamente após o transcurso do prazo
previsto para sua anulação? Em matéria de testamento, porém, o art. 1.859 inova,
introduzindo em nosso sistema um regime especial para a nulidade do negócio jurídico
testamentário, fixando um prazo de caducidade para que a ação própria seja intentada e
derrogando, ipso facto, a regra geral estabelecida no art. 169.
O art. 1.859, aplicável somente aos negócios jurídicos testamentários, refere-se à
impugnação da validade do testamento, dando a entender que ela pode ocorrer em ambos
os casos: de nulidade e de anulabilidade.
20 Dê um exemplo prático para a hipótese prevista no art. 1.904 do Código Civil.
Se o autor da herança tem herdeiros necessários, só pode testar a porção disponível (arts.
1.846 e 1.857, § 1º). Atribuindo-a a dois ou mais herdeiros, sem especificar as quotas
respectivas, efetuar-se-á a partilha por igual, entre todos.
21 Explique os preceitos contidos nos arts. 1.905, 1.906 e 1.907 do Código Civil.
O art. 1905 diz que se nomeados herdeiros separadamente, uns individualmente outras em
grupos, a parte disponível será divida por eles considerando o grupo como uma pessoa só,
esse grupo receberá em partes divididas o que os individuais receberem.
O art. 1906 diz que o testador determina quotas da parte disponível aos herdeiros testados,
mas se as quotas não alcançarem a totalidade daquela parte, o restante deverá integrar a
herança legítima.
E o derradeiro, art. 1907 diz que, se determinada quota de um ou alguns herdeiro e a dos
outros não, entrega-se a quota do qual se determinou e a parte que sobrar é dividida entre
os herdeiros que não tiveram especificação das suas quotas.
22 Na sucessão testamentária, o que significa direito de acrescer? O direito de
acrescer nasce quando o herdeiro ou legatário não pode ou não deseja ser beneficiado no
testamento. Segundo Carlos Roberto Gonçalves, “Dá-se o direito de acrescer quando o
testador contempla vários beneficiários (coerdeiros ou colegatários), deixando-lhes a
mesma herança, ou a mesma coisa determinada e certa, em porções não determinadas, e
um dos concorrentes vem a faltar”.
23 Quais são os requisitos para que ocorra o direito de acrescer?
Os requisitos são:
a) nomeação de coerdeiros, ou colegatários, na mesma disposição testamentária (não
necessariamente na mesma frase);
b) deixa dos mesmos bens ou da mesma porção de bens;
c) ausência de quotas hereditárias determinadas.
24 Quando ocorre a substituição vulgar? Cite 1 exemplo. Para Carlos Roberto Gonçalves,
“Dá-se a substituição vulgar quando o testador designa uma ou mais pessoas para ocupar o
lugar do herdeiro, ou legatário, que não quiser ou não puder aceitar o benefício.”
Exemplo: O testador deixa legado a “Melvio e nomeia Tício como substituto. Melvio
renuncia ao benefício, então Tício é chamado para substituir Mélvio e receber a parte que
lhe cabia.
25 Quando ocorre a substituição recíproca? Cite 1 exemplo.
A substituição recíproca se assemelha com o direito de acrescer e ocorre quando são
nomeados dois ou mais beneficiários, estabelecendo o testador que reciprocamente se
substituam. No caso de haver substituição recíproca, e os herdeiros terem sido
contemplados com partes iguais, os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier
a faltar.
No entanto, se forem desiguais os quinhões, os substitutos exercerão seus direitos na
mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles. A proporção entre as quotas fixadas
na primeira instituição se presume também repetida na substituição.
Se, todavia, for incluído mais alguém como substituto, além dos que já haviam sido
primitivamente instituídos, não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada
na primeira disposição. A solução encontrada pelo legislador, no art. 1.950, segunda parte,
foi dividir o quinhão vago em partes iguais.
Exemplo: um testador nomeia três herdeiros testamentários – chamados "A", "B" e "C" –
sendo que, caso qualquer dos três não possa ou não queira aceitar a herança, terão como
substitutos os mesmos "A", "B" e "C". Vale lembrar que a cada um dos herdeiros caberá
exatos 1/3 da herança. Ou seja, caso "A" não aceite a herança, "B" e "C" ficarão, cada um
com seu 1/3 somados à metade do 1/3 (ou seja, 1/6) que caberia à "A".
26 Quando ocorre a substituição fideicomissária? Cite 1 exemplo.
A substituição fideicomissária ocorre quando o testador nomeia um favorecido e, desde
logo, designa um substituto, que recolherá a herança, ou legado, depois daquele.
Estabelece-se uma vocação dupla: direta, para o herdeiro ou legatário instituído, que
desfrutará do benefício por certo tempo estipulado pelo de cujus; e indireta ou oblíqua,
para o substituto. Os contemplados são, assim, nomeados em ordem sucessiva.
Exemplo:
O testador nomeia A, que ainda não tem filhos, no testamento há previsão que A deverá
passar a herança ou legado a seus filhos quando eles completarem a maioridade, aqueles
que ainda não existem. Daí, o testador morre e A recebe a herança, posteriormente nascem
dois filhos dele, então, ao tempo que os filhos completarem dezoito anos serão
contemplador pelo legado/herança.
27 Na substituição fideicomissária, quem é considerado fideicomitente, fiduciário e
fideicomissário? Fideicomitente é o testador, fiduciário é o nomeado para receber a
herança que após determinado tempo, ou sua morte, ou resolução de cláusula feita pelo
testador de passar o benefício ao fideicomissário, este é o que receberá o benefício.
28 O que são bens fideicometidos? Os bens fideicometidos são as coisas, das quais se
faz referência na herança ou legado, ou seja, são os imóveis, valores e etc.
29 Explique o preceito contido no art. 1.952 e seu parágrafo único.
O art. 1952 do CC 02 remete ao fato de que a partir do momento em que o nascer o
fideicomissário, a titularidade do fiduciário tem efeitos de usufruto.
30 O herdeiro fideicomissário pode renunciar à herança?
O feideicomissário pode renunciar a herança nas formas previstas, art. 1954 do CC 02.

31 Explique o preceito contido no art. 1.956. O art. 1956 preceitua que o


fideicomissário se beneficia dos benefícios dos quais o fiduciário acrescer em virtude da
herança ou legado em comum.
32 Pode haver fideicomisso além do segundo grau? Explique.
O art. 1959 proíbe a substituição além do segundo grau. Quer dizer que só pode haver um
fiduciário e um fideicomisso, não se pode anotar mais de um fideicomisso.
33 Se a disposição testamentária exceder a parte disponível, o testamento será
anulável? O art. 549 declara nula a doação somente na parte que exceder à de que o
doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento.
34 Em que circunstância poderá ocorrer a redução da disposição testamentária?
Pode ocorrer o fato de testador ter deixado em testamento legado ou herança que ultrapasse
ao montante de 50% da parte disponível do testador, ou o bem deixado a legatário ou
herdeiro ultrapasse aos deixados em herança legítima. Nesses casos deve ocorrer a redução
testamentária até equilibrar a parte dos herdeiros necessários e a parte disponível da
herança.
35 A redução da disposição testamentária depende de ação judicial? Explique.
Preceitua, com efeito, o art. 1.967, caput, do Código Civil: “As disposições que excederem
a parte disponível reduzir-se-ão aos limites dela, de conformidade com o disposto nos
parágrafos seguintes”. Somente, porém, os interessados que ingressarem em juízo serão
alcançados pela sentença que determinar a redução testamentária. Se a ação for intentada
por alguns dos herdeiros, os demais serão havidos como tendo acatado a vontade do
extinto.
36 Qual é o critério legal para proceder à redução da disposição?
O critério para tal verificação é estabelecido na lei. Calcula-se a legítima sobre o valor dos
bens existentes na abertura da sucessão, abatidas as dívidas e as despesas do funeral,
adicionando-se, em seguida, o valor dos bens sujeitos a colação (CC, art. 1.847). As
dívidas constituem o passivo do de cujus e devem ser abatidas do monte para que se apure
o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. Se absorvem todo o acervo, não há
herança. As despesas de funeral constituem dispêndios desta (art. 1.998), que devem ser
atendidas de preferência aos herdeiros e legatários. O patrimônio líquido é dividido em
duas metades, correspondendo, uma delas, à legítima, e a outra, à quota disponível.
Ambas, em princípio, têm o mesmo valor. O da primeira, no entanto, pode eventualmente
superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes, as quais
devem vir à colação. Esta tem por fim, como já visto, conferir e igualar a legítima dos
herdeiros necessários.

37 A redução da disposição testamentária promovida por um dos herdeiros


prejudicados beneficia aos demais? Explique. Somente os interessados que ingressarem
em juízo serão alcançados pela sentença que determinar a redução testamentária. Se a ação
for intentada por alguns dos herdeiros, os demais serão havidos como tendo acatado a
vontade do extinto.
38 Em que circunstância ocorre a revogação do testamento? Explique.
Carlos Roberto Gonçalves, “a revogação ou adenção (ademptio), o testador revoga o
legado, no mesmo testamento ou em posterior, expressa ou tacitamente”. O autor aludido
considera tácita os dois primeiros incisos do art. 1939 do CC 02, que diz, “- se, depois do
testamento, o testador modificar a coisa legada, ao ponto de já não ter a forma nem lhe
caber a denominação que possuía; II - se o testador, por qualquer título, alienar no todo ou
em parte a coisa legada; nesse caso, caducará até onde ela deixou de pertencer ao
testador;”
39 Fale sobre a revogação prevista no art. 1.972.
Diz o art. 1.972, “O testamento cerrado que o testador abrir ou dilacerar, ou for aberto ou
dilacerado com seu consentimento, haver-se-á como revogado”. A revogação ocorre pelo
motivo de fraude, também porque o testamento perderia sua essência de ser secreto. Se o
testador faz o testamento cerrado, significa que ele deseja que sua vontade só seja
conhecida “pos mortem”. Cabe salientar que a abertura ou dilaceração partir de terceiro e
for comprovada a vontade do testador, o testamento poderá ser cumprido.
40 Em que hipóteses ocorre a caducidade do testamento?
Art. 1839, ““Caducará o legado:
I - se, depois do testamento, o testador modificar a coisa legada, ao ponto de já não ter a
forma nem lhe caber a denominação que possuía;
II - se o testador, por qualquer título, alienar no todo ou em parte a coisa legada; nesse
caso, caducará até onde ela deixou de pertencer ao testador;
III - se a coisa perecer ou for evicta, vivo ou morto o testador, sem culpa do herdeiro ou
legatário incumbido do seu cumprimento;
IV - se o legatário for excluído da sucessão, nos termos do art. 1.815;
V - se o legatário falecer antes do testador”.
Carlos Roberto Gonçalves chama a atenção para os incisos I e II, que na verdade se tratam
de revogação tácita.
41 Em que hipótese ocorre o rompimento do testamento? Cite um exemplo.
Carlos Roberto Gonçalves, “Dá-se a ruptura do testamento nos casos em que há a
superveniência de uma circunstância relevante, capaz de alterar a manifestação de vontade
do testador, como, verbi gratia, o surgimento de um herdeiro necessário. O rompimento do
testamento é, então, determinado pela lei, na presunção de que o testador não teria disposto
de seus bens em testamento se soubesse da existência de tal herdeiro.”
Trata-se da revogação presumida contida no art. 1.973 do Código Civil:
“Sobrevindo descendente sucessível ao testador, que não o tinha ou não o conhecia quando
testou, rompe-se o testamento em todas as suas disposições, se esse descendente sobreviver
ao testador”.
Ao três as hipóteses, três hipóteses: “a) o nascimento posterior de filho, ou outro
descendente (neto ou bisneto); b) o aparecimento de descendente, que o testador supunha
falecido, ou cuja existência ignorava; c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho,
ou a adoção, posteriores à lavratura do ato causa mortis”.
42 Se o testador faz um testamento sem saber da existência de um filho e, após a
morte do testador, é reconhecida a filiação no processo de investigação de
paternidade, o rompimento do testamento será total ou apenas parcial? Explique?
A descoberta posterior acarreta o rompimento automático, do testamento, sem necessidade
de que se o revogue. O art. 1973 do CC 02 diz que, ocorre a revogação da totalidade das
disposições feitas em testamento.
Tudo isso porque se presume que o testador teria vontade diferente dada a existência de
outro descendente sucessível.
43 Explique o preceito contido no art. 1.975. Cite um exemplo.
Trata-se do caso em que o testado sabe da existência de um herdeiro necessário, mas que
não o considera por motivos particulares. Ocorre como exemplo que o testador teve
relacionamento com uma mulher e desse relacionamento surge um filho entre eles, mas
que o testador não fez questão de reconhecê-lo como seu herdeiro.
44 Qual é a função do testamenteiro?
O testamenteiro é o executor do testamento. É a pessoa encarregada de cumprir as
disposições de última vontade do testador. Ele se incumbe de cumprir as obrigações do
testamento, propugnar a sua validade, defender a posse dos bens da herança e requerer ao
juiz que lhes conceda os meios necessários para cumprir as disposições testamentárias.
45 Quem nomeia o testamenteiro?
O testamenteiro pode ser instituído, nomeado pelo testador ou dativo, nomeado pelo juiz.
46 O testamenteiro é obrigado a aceitar a testamentaria? Não. Segundo Carlos Roberto
Gonçalves, “a pessoa nomeada para exercer a testamentaria pode, livremente, aceitar ou
recusar a nomeação. Ao contrário da tutela, que é encargo público, a testamentaria é munus
privatum, como já foi dito, função que ninguém é obrigado a exercer, senão por anuência
livre”.
47 O testamenteiro faz jus a alguma remuneração? Explique.
Depende, se estranho a herança, poderá ser estipulado pelo testador um valor a ser pago e
caso o testador não faça menção o juiz arbitrará um prêmio pela execução dos encargos
previstos no testamento, de acordo com o art. 1987 do CC 02.
48 O que significa a expressão vintena?
A vintena é o prêmio pago ao testamenteiro.
49 O testamenteiro que for herdeiro ou legatário fará jus à vintena? Explique.
Não, trata-se de um encargo a quem já se beneficia da herança e que pode se negar ao
encargo, portanto não deverá ser remunerado, é o que está previsto no art. 1987 do CC 02.
50 Nos termos previstos no novo CPC, para o cumprimento do testamento basta fazer
a sua juntada diretamente no processo de inventário ou há algum procedimento
específico antes de anexá-lo ao processo? Explique.
A intervenção judicial é imprescindível para garantir o cumprimento das disposições de
ultima vontade. A apresentação e o registro do testamento, ou codicilo, independe da
abertura do inventário, podendo apresentar-se como um procedimento preliminar. Serve
para que o juiz possa examinar os requisitos extrínsecos e ou formais do testamento. A
discussão acerca da validade e eficácia do testamento deve ser realizada em ação
autônoma, provocada pelos interessados.