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DIREITO AMBIENTAL CONTEMPORÂNEO

INTRODUÇÃO AO DIREITO AMBIENTAL

Conceito de Meio Ambiente


O conceito pode ser encontrado na Lei nº. 6.938/81 que dispõe sobre a
Política Nacional do Meio Ambiente, destacando que essa lei foi editada
antes da CF/88 e que a mesma foi recepcionada pela Constituição.

Lei nº. 6.938/81 – Art. 3º, I.


Art 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:

I - Meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações


de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em
todas as suas formas;

O que se busca é o equilíbrio ecológico.

Em análise ao referido conceito observamos que o mesmo não se completa,


destacando que é importante que seja analisada a ADIN nº. 3.540 STF, a
qual o STF faz toda uma análise sobre o conceito de meio ambiente dentro
de todo um contexto, inclusive o meio ambiente artificial, cultural,
trabalhista, da natureza e das relações de trabalho, etc.

ADIN 3540 – STF


E M E N T A:
MEIO AMBIENTE - DIREITO À PRESERVAÇÃO DE SUA INTEGRIDADE
(CF, ART. 225) - PRERROGATIVA QUALIFICADA POR SEU CARÁTER
DE METAINDIVIDUALIDADE - DIREITO DE TERCEIRA GERAÇÃO (OU
DE NOVÍSSIMA DIMENSÃO) QUE CONSAGRA O POSTULADO DA
SOLIDARIEDADE - NECESSIDADE DE IMPEDIR QUE A
TRANSGRESSÃO A ESSE DIREITO FAÇA IRROMPER, NO SEIO DA
COLETIVIDADE, CONFLITOS INTERGENERACIONAIS - ESPAÇOS
TERRITORIAIS ESPECIALMENTE PROTEGIDOS (CF, ART. 225, § 1º, III) -
ALTERAÇÃO E SUPRESSÃO DO REGIME JURÍDICO A ELES
PERTINENTE - MEDIDAS SUJEITAS AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL
DA RESERVA DE LEI - SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO EM ÁREA DE
PRESERVAÇÃO PERMANENTE - POSSIBILIDADE DE A
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CUMPRIDAS AS EXIGÊNCIAS LEGAIS,
AUTORIZAR, LICENCIAR OU PERMITIR OBRAS E/OU ATIVIDADES NOS
ESPAÇOS TERRITORIAIS PROTEGIDOS, DESDE QUE RESPEITADA,
QUANTO A ESTES, A INTEGRIDADE DOS ATRIBUTOS
JUSTIFICADORES DO REGIME DE PROTEÇÃO ESPECIAL - RELAÇÕES
ENTRE ECONOMIA (CF, ART. 3º, II, C/C O ART. 170, VI) E ECOLOGIA
(CF, ART. 225) - COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS - CRITÉRIOS
DE SUPERAÇÃO DESSE ESTADO DE TENSÃO ENTRE VALORES
CONSTITUCIONAIS RELEVANTES - OS DIREITOS BÁSICOS DA
PESSOA HUMANA E AS SUCESSIVAS GERAÇÕES (FASES OU
DIMENSÕES) DE DIREITOS (RTJ 164/158, 160-161) - A QUESTÃO DA
PRECEDÊNCIA DO DIREITO À PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE:
UMA LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL EXPLÍCITA À ATIVIDADE
ECONÔMICA (CF, ART. 170, VI) - DECISÃO NÃO REFERENDADA -
CONSEQÜENTE INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR.
A PRESERVAÇÃO DA INTEGRIDADE DO MEIO AMBIENTE:
EXPRESSÃO CONSTITUCIONAL DE UM DIREITO FUNDAMENTAL QUE
ASSISTE À GENERALIDADE DAS PESSOAS.

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Trata-se


de um típico direito de terceira geração (ou de novíssima dimensão), que
assiste a todo o gênero humano (RTJ 158/205-206). Incumbe, ao Estado e
à própria coletividade, a especial obrigação de defender e preservar, em
benefício das presentes e futuras gerações, esse direito de titularidade
coletiva e de caráter transindividual (RTJ 164/158-161). O adimplemento
desse encargo, que é irrenunciável, representa a garantia de que não se
instaurarão, no seio da coletividade, os graves conflitos intergeneracionais
marcados pelo desrespeito ao dever de solidariedade, que a todos se
impõe, na proteção desse bem essencial de uso comum das pessoas em
geral. Doutrina. A ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PODE SER EXERCIDA
EM DESARMONIA COM OS PRINCÍPIOS DESTINADOS A TORNAR
EFETIVA A PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. - A incolumidade do meio
ambiente não pode ser comprometida por interesses empresariais nem ficar
dependente de motivações de índole meramente econômica, ainda mais se
se tiver presente que a atividade econômica, considerada a disciplina
constitucional que a rege, está subordinada, dentre outros princípios gerais,
àquele que privilegia a "defesa do meio ambiente" (CF, art. 170, VI), que
traduz conceito amplo e abrangente das noções de meio ambiente natural,
de meio ambiente cultural, de meio ambiente artificial (espaço urbano) e de
meio ambiente laboral. Doutrina. Os instrumentos jurídicos de caráter legal
e de natureza constitucional objetivam viabilizar a tutela efetiva do meio
ambiente, para que não se alterem as propriedades e os atributos que lhe
são inerentes, o que provocaria inaceitável comprometimento da saúde,
segurança, cultura, trabalho e bem-estar da população, além de causar
graves danos ecológicos ao patrimônio ambiental, considerado este em seu
aspecto físico ou natural. A QUESTÃO DO DESENVOLVIMENTO
NACIONAL (CF, ART. 3º, II) E A NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO DA
INTEGRIDADE DO MEIO AMBIENTE (CF, ART. 225): O PRINCÍPIO DO
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO FATOR DE OBTENÇÃO DO
JUSTO EQUILÍBRIO ENTRE AS EXIGÊNCIAS DA ECONOMIA E AS DA
ECOLOGIA. - O princípio do desenvolvimento sustentável, além de
impregnado de caráter eminentemente constitucional, encontra suporte
legitimador em compromissos internacionais assumidos pelo Estado
brasileiro e representa fator de obtenção do justo equilíbrio entre as
exigências da economia e as da ecologia, subordinada, no entanto, a
invocação desse postulado, quando ocorrente situação de conflito entre
valores constitucionais relevantes, a uma condição inafastável, cuja
observância não comprometa nem esvazie o conteúdo essencial de um dos
mais significativos direitos fundamentais: o direito à preservação do meio
ambiente, que traduz bem de uso comum da generalidade das pessoas, a
ser resguardado em favor das presentes e futuras gerações. O ART. 4º DO
CÓDIGO FLORESTAL E A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.166-67/2001: UM
AVANÇO EXPRESSIVO NA TUTELA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO
PERMANENTE. - A Medida Provisória nº 2.166-67, de 24/08/2001, na parte
em que introduziu significativas alterações no art. 4o do Código Florestal,
longe de comprometer os valores constitucionais consagrados no art. 225
da Lei Fundamental, estabeleceu, ao contrário, mecanismos que permitem
um real controle, pelo Estado, das atividades desenvolvidas no âmbito das
áreas de preservação permanente, em ordem a impedir ações predatórias e
lesivas ao patrimônio ambiental, cuja situação de maior vulnerabilidade
reclama proteção mais intensa, agora propiciada, de modo adequado e
compatível com o texto constitucional, pelo diploma normativo em questão. -
Somente a alteração e a supressão do regime jurídico pertinente aos
espaços territoriais especialmente protegidos qualificam-se, por efeito da
cláusula inscrita no art. 225, § 1º, III, da Constituição, como matérias
sujeitas ao princípio da reserva legal. - É lícito ao Poder Público - qualquer
que seja a dimensão institucional em que se posicione na estrutura
federativa (União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios) -
autorizar, licenciar ou permitir a execução de obras e/ou a realização de
serviços no âmbito dos espaços territoriais especialmente protegidos, desde
que, além de observadas as restrições, limitações e exigências
abstratamente estabelecidas em lei, não resulte comprometida a integridade
dos atributos que justificaram, quanto a tais territórios, a instituição de
regime jurídico de proteção especial (CF, art. 225, § 1º, III).

(ADI 3540 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado
em 01/09/2005, DJ 03-02-2006 PP-00014 EMENT VOL-02219-03 PP-
00528)

Também destacamos a Resolução nº. 306 do CONAMA que engloba toda


uma categoria, envolvendo toda a coletividade.

Destacamos que para as Nações Unidas, meio ambiente é o conjunto de


componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar
efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou longo, sobre os seres
vivos e as atividades humanas.

O ilustre José Afonso da Silva conceitua o meio ambiente como a "interação


do conjunto de elementos naturais, artificiais, e culturais que propiciem o
desenvolvimento equilibrado da vida em todas as suas formas".

Para Arthur Migliari o meio ambiente é a "integração e a interação do


conjunto de elementos naturais, artificiais, culturais e do trabalho que
propiciem o desenvolvimento equilibrado de todas as formas, sem
exceções. Logo, não haverá um ambiente sadio quando não se elevar, ao
mais alto grau de excelência, a qualidade da integração e da interação
desse conjunto".
Meio Ambiente Natural, Meio Ambiente Artificial, Meio Ambiente
Cultural e Meio Ambiente do Trabalho

Neste tópico estudaremos a classificação do meio ambiente, destacando


que a mesma diz respeito a uma necessidade metodológica com vistas a
facilitar a identificação da atividade agressora e do bem diretamente
degradado, uma vez que o meio ambiente por definição é unitário.

Convém destacar que independentemente dos seus aspectos e das suas


classificações, a proteção jurídica ao meio ambiente é uma só e tem sempre
o único objetivo de proteger a vida e a qualidade de vida.

• meio ambiente natural ou físico- constitui-se de recursos naturais,


como o solo, a água (subterrâneas e superficiais, mar territorial), o ar,
a flora e a fauna, e pela correlação recíproca de cada um destes
elementos com os demais.

• Meio ambiente artificial – é aquele construído ou alterado pelo ser


humano, constituindo-se pelos edifícios urbanos, que são os espaços
públicos fechados, e pelos equipamentos comunitários, que são os
espaços públicos abertos, como as ruas, as praças e as áreas
verdes. Mesmo sendo mais relacionado ao conceito de cidade o
conceito de meio ambiente artificial alcança também a zona rural,
referindo-se simplesmente aos espaços habitáveis, visto que nele os
espaços naturais cedem lugar ou se integram às edificações urbanas
artificiais.

• meio ambiente cultural– abrangeo patrimônio histórico, artístico,


paisagístico, ecológico, científico e turístico, constituindo-se tanto de
bens de natureza material, a exemplo dos lugares, objetos e
documentos de importância para a cultura, quanto imaterial, a
exemplo dos idiomas, das danças, dos cultos religiosos e dos
costumes de uma maneira geral. Embora comumente possa ser
enquadrada como artificial, a classificação como meio ambiente
cultural ocorre devido a valoração especial que adquiriu.

Vejamos a CF/88 em seu artigo 216, que assim estabelece:

CF/88 – Art. 216


Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de
natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em
conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória
dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais
se incluem:

I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços
destinados às manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico,
artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

• meio ambiente do trabalho – podemos dizer que se refere a uma


extensão do conceito de meio ambiente artificial, e assim, é o
conjunto de fatores que se relacionam às condições do ambiente de
trabalho, como o local de trabalho, as ferramentas, as máquinas, os
agentes químicos, biológicos e físicos, as operações, os processos, a
relação entre trabalhador e meio físico. Uma situação muito
observada é a referente a salubridade e a incolumidade física e
psicológica do trabalhador, independentemente de atividade, do lugar
ou da pessoa que a exerça.

Vejamos a CF/88 em seu artigo 200, VIII, que assim estabelece:

CF/88 – Art. 200, VIII


Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras
atribuições, nos termos da lei:
( ..... )
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o
do trabalho.

Legislação Aplicada ao Direito Ambiental

O direito ambiental não dispõe de um Código, o mesmo é regulamentado


por diversas leis que tratam dos objetivos, dos princípios, e também dos
conceitos legais.

As leis que tratam do meio ambiente no Brasil estão entre as mais


completas e avançadas do mundo, destacando que até meados da década
de 1990, a legislação cuidava separadamente dos bens ambientais de
forma não relacionada..

• Lei nº. 6.938/81 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente;


• Lei 7.347/1985 - Lei da Ação Civil Pública
• Lei nº. 9.433/97 – Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos
• Lei nº. 9.605/98 – Lei dos Crimes Ambientais
• Lei nº. 9.985/00 – Lei das Unidades de Conservação;
• Lei Complementar nº. 140/11 – Repartição de Competências para fins
de Licenciamento;
• Lei nº. 12.305/10 – Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos
• Lei nº. 12.651/12 – Código Florestal
Paradigma do Direito Ambiental

No século XIX nós tínhamos o Estado de Direito, o chamado “ruleoflaw”. Era


necessário obedecer a lei, e a dignidade da pessoa humana. A lei tinha que
respeitar a dignidade da pessoa humana.

A positivação do Direito Ambiental foi moldada a partir de convenções,


acordos e interesses tanto no ambiento interno como externo do país.

É importante destacar que primeiramentea preservação do meio-ambiente


foi voltada a garantir o bem-estar do homem individualmente, ou seja, o
homem só previa a preservação dos recursos porque necessitava dos
mesmos para sua sobrevivência.

O tempo foi passando e as normas foram evoluindo, passando a melhorar


a consciência de preservação do meio ambiente como um sistema
completo, onde tudo deveria ser preservado, não somente para o bem
estar do homem individual, como também da sociedade em geral, e além
disso para as futuras gerações.

Dessa forma, o Direito Ambiental foi se positivando e foi surgindo um


Estado de Direito Ambiental, surgindo assim, um novo paradigma em
relação à proteção ao meio ambiente, consagrado na Constituição Federal
de 1988, de maneira a defender os princípios que influenciam na correlação
entre o homem e o meio ambiente.

Meio Ambiente Digital

Após a segunda guerra mundial o Direito Ambiental cresceu com os direitos


de terceira dimensão, passando a ter uma visão na coletividade.
Também podemos chamar de meio ambiente cibernético, sendoconstituído
pela internet, com o repasse de informações de maneira dinâmica.
O meio ambiente digital passa a acompanhar as evoluções da sociedade,
uma vez que cada vez mais se torna mais efetiva as relações por meio da
era digital, fazendo-se necessário que as relações existentes sejam
tuteladas pelo Direito.

Observamos que é importante que seja garantido os deveres, direitos,


obrigações e regras acerca de toda a responsabilidade desse mundo
globalizado.

Podemos citar alguns princípios que regem o meio ambiente digital.

• liberdade, privacidade e direitos humanos - a internet deve ser basear


com base na liberdade de expressão, privacidade do indivíduo e de
respeito aos direitos humanos, reconhecendo-os, assim, como
fundamentais para a preservação de uma sociedade justa e
democrática;

• governança democrática e colaborativa – deve ser exercida de forma


transparente, multilateral e democrática, buscando a participação de
vários setores da sociedade, preservando e estimulando o seu
caráter de criação coletiva;

• universalidade - o acesso à internet deve ser universal, visando a


construção de uma sociedade inclusiva e não discriminatória em prol
da coletividade;

• diversidade - com base na diversidade cultural e devida preservação


e respeito, sem a imposição de crenças, costumes ou valores;

• inovação - valorando a contínua evolução e ampla difusão de novas


tecnologias e modelos de uso e acesso;

• neutralidade da rede – com respeitoaos critérios técnicos e éticos,


não admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais ou
qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento;

• inimputabilidade da rede - o combate a ilícitos na rede deve atingir os


responsáveis finais e não os meios de acesso e transporte,
preservando os princípios maiores de defesa da liberdade, da
privacidade e do respeito aos direitos humanos;

• funcionalidade, segurança e estabilidade - a estabilidade, a


segurança e a funcionalidade globais da rede devem ser preservadas
de forma ativa através de medidas técnicas compatíveis com os
padrões internacionais e estímulo ao uso das boas práticas;

• padronização e interoperabilidade - a internet deve basear-se em


padrões abertos que permitam a interoperabilidade e a participação
de todos em seu desenvolvimento

• ambiente legal e regulatório - preservando a dinâmica da Internet


como espaço de colaboração.

Ambientalismo Social e Natural

O ambientalismo movimento ecológico ou movimento verde diz respeito ao


heterogêneo feixe de correntes de pensamento e movimentos sociais que
têm na defesa do meio ambiente sua principal preocupação, reivindicando
medidas de proteção ambiental e sobretudo uma ampla mudança nos
hábitos e valores da sociedade de modo a estabelecer um paradigma de
vida sustentável.
O desejado equilíbrio entre homem e natureza ainda não foi conseguido em
larga escala e de forma permanente e sustentável, e ainda é grande a
distância entre o discurso e a prática cotidiana.

O ambientalismo moderno vê a redução da pobreza e a melhoria da


qualidade de vida como componentes essenciais de uma visão inteligente
de proteção ambiental.

Na verdade, o que se observa atualmente é que a tecnologia domina a vida


das pessoas, e o mundo fica pequeno, e paralelamente a isso, a população
mundial cresce enquanto os recursos naturais diminuem.

Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT

A Convenção 169 da OIT foi aprovada em substituição à Convenção 107.


Esta foi a primeira Convenção da OIT a tratar amplamente dos direitos dos
povos indígenas.

A referida Convenção trata dos Povos Indígenas e Tribais, sendo


considerada a convenção internacional mandatória que diz respeito aos
povos indígenas, tendo sido criada na sequência dos princípios anunciados
na Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas.

Destaque-se que a Convenção 169 da OIT aplica-se tanto aos povos


indígenas quanto aos quilombolas, ambos reconhecidos como minorias
étnicas pela CF/88.

É importante destacar o art. 16, que assim dispõe.

Convenção da OIT – Art. 16


1. Com reserva do disposto nos parágrafos a seguir do presente Artigo,
os povos interessados não deverão ser transladados das terras que
ocupam.
2. Quando, excepcionalmente, o translado e o reassentamento desses
povos sejam considerados necessários, só poderão ser efetuados com o
consentimento dos mesmos, concedido livremente e com pleno
conhecimento de causa. Quando não for possível obter o seu
consentimento, o translado e o reassentamento só poderão ser realizados
após a conclusão de procedimentos adequados estabelecidos pela
legislação nacional, inclusive enquetes públicas, quando for apropriado, nas
quais os povos interessados tenham a possibilidade de estar efetivamente
representados.
3. Sempre que for possível, esses povos deverão ter o direito de voltar
a suas terras tradicionais assim que deixarem de existir as causas que
motivaram seu translado e reassentamento.
4. Quando o retorno não for possível, conforme for determinado por
acordo ou, na ausência de tais acordos, mediante procedimento adequado,
esses povos deverão receber, em todos os casos em que for possível,
terras cuja qualidade e cujo estatuto jurídico sejam pelo menos iguais
aqueles das terras que ocupavam anteriormente, e que lhes permitam cobrir
suas necessidades e garantir seu desenvolvimento futuro. Quando os povos
interessados prefiram receber indenização em dinheiro ou em bens, essa
indenização deverá ser concedida com as garantias apropriadas.
5. Deverão ser indenizadas plenamente as pessoas transladadas e
reassentadas por qualquer perda ou dano que tenham sofrido como
conseqüência do seu deslocamento.

Estes dispositivos tratam da remoção dos povos indígenas das terras que
ocupam e da possibilidade de alienarem tais terras. Segundo o art. 16, a
retirada dos povos indígenas das terras que tradicionalmente ocupam pode
ocorrer, mas sempre em caráter excepcional e, preferencialmente, com o
consentimento dos povos envolvidos.

Função Ambiental da Propriedade

Destacamos que a preservação do meio ambiente é condição indispensável


para o pleno desenvolvimento da pessoa humana e para o exercício dos
demais direitos fundamentais, demonstrando ainda um grande pressuposto
para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Sabemos que é impossível termos a ideia de existência de uma vida digna


sem condições ambientalmente saudáveis para seu desenvolvimento.

CF/88 – Art. 186


Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em
lei, aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação
do meio ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos
trabalhadores.

Assim, sabemos que a propriedade adquire uma nova função de caráter


ambiental, que confere à coletividade o poder de exigir do proprietário a
observância das medidas necessárias à preservação do direito
metaindividual ao meio ambiente ecologicamente preservado.

A conservação das áreas de preservação permanente tem por base a


função ambiental de preservação dos recursos hídricos, da paisagem, da
estabilidade geológica, da biodiversidade, do fluxo gênico de fauna e flora,
da proteção do solo, com o objetivo de assegurar o bem-estar das
populações humanas.
CF/88 – Art. 225 – Visão Antropocêntrica e Biocêntrica

Observaremos neste tópico que a nossa Constituição Federal de 1988


apresenta vestígios das duas visões (antropocêntrica e biocêntrica), em seu
artigo 225, caput, pois quando faz referências ao homem, apresenta noções
ao antropocentrismo, por outro lado, no § 1.º, inciso VII, do mesmo artigo
225, refere-se aos animais, citando também uma visão biocentrista.

A CF/88 estabelece o dever de preservar o ambiente, assim, a CF/88 é


antropocêntrica. Ela dá um direito e um dever.

Observamos que o constituinte preocupou-se não só com a geração


contemporânea, mas também com as gerações vindouras, determinando,
portanto, a incidência de uma solidariedade entre as presentes e futuras
gerações na obrigação de preservar o meio ambiente ecologicamente
equilibrado.

CF/88 – Art. 225


Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder
Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o
manejo ecológico das espécies e ecossistemas; (Regulamento)
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do
País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de
material genético; (Regulamento) (Regulamento)
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e
seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e
a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização
que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua
proteção; (Regulamento)
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente,
estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade; (Regulamento)
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas,
métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de
vida e o meio ambiente; (Regulamento)
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de
espécies ou submetam os animais a crueldade. (Regulamento)
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o
meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo
órgão público competente, na forma da lei.
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o
Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua
utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a
preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos
naturais.
§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados,
por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas
naturais.
§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua
localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo,
não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais,
desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta
Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante
do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei
específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017)
Conforme esclarecido no início deste tópico, mesmo possuindo um caráter
antropocêntrico, encontramos a demonstração da CF/88 de também ser
biocêntrica, se embasando no art. 225, § 1º. VII, uma vez que demonstra o
direito dos animais.

CF/88 – Art. 225, § 1º. VII

( ..... )
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de
espécies ou submetam os animais a crueldade.

Desconsideração da Pessoa Jurídica para fins de Pagamento de Dano


Ambiental

Em nosso estudo do direito ambiental, a desconsideração da personalidade


jurídica encontra previsão no artigo 4º da Lei 9.605/98, que assim dispõe:

Lei nº. 9.605/98 – Art. 4º.


Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua
personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à
qualidade do meio ambiente.
Em análise ao referido artigo fica fácil observarmos que o afastamento da
personalidade jurídica tem total pertinência com os valores ambientais
previstos na CF/88, uma vez que a atuação do Poder Judiciário visa atingir
diretamente os bens dos verdadeiros responsáveis pelo dano ambiental, de
forma que os sócios responsáveis passem a responder de forma ilimitada,
em razão de sua atuação nociva ao meio ambiente e à coletividade.

Vejamos o seguinte julgado.

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO POR QUANTIA


CERTA. DESCUMPRIMENTO DE TERMO DE AJUSTAMENTO DE
CONDUTA. DANO AMBIENTAL. DESCONSIDERAÇÃO
PERSONALIDADE JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DO ABUSO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA. DENECESSIDADE. PRINCÍPIO DA
ESPECIALIDADE. APLICABILIDADE LEI 9.605/98. TEORIA MENOR DA
DESCONSIDERAÇÃO. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. I. A
desconsideração da personalidade jurídica no Direito Ambiental será
sempre possível quando a personalidade constituir obstáculo ao
ressarcimento dos prejuízos causados ao meio ambiente. (Art. 4º da
Lei 9.605/98) II. Pelo princípio da especialidade, afasta-se a incidência do
art. 50 do Código Civil, sendo desnecessária a comprovação de atos de
desvio de finalidade ou confusão patrimonial entre os bens da sociedade e
dos sócios para que seja decretada a desconsideração da personalidade
jurídica para satisfação de dívida advinda de dano ambiental. (TJMG -
Agravo de Instrumento-Cv 1.0338.05.037512-4/001, Relator (a): Des.(a)
Washington Ferreira, 1ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 02/02/2016,
publicação da sumula em 16/02/2016)
Nós podemos citar a Teoria Menor, bastando a liquidez e a insolvência,
assim,o simples prejuízo do credor é motivo suficiente para a
desconsideração da personalidade jurídica.
Destaque-se que a teoria menor da desconsideração foi acolhida em nosso
ordenamento jurídico de maneira excepcional como pode ser visto no artigo
4° da lei n° 9605/98, que trata de crimes ambientais, ao dispor que a
desconsideração da personalidade jurídica incide com a simples prova de
insolvência da pessoa jurídica.

Vejamos o posicionamento de Frederico Amado (2014, p. 586):

“Em que pese se tratar de lei predominantemente criminal, cuida-se de uma


hipótese de desconsideração da personalidade jurídica, em que se
poderá declarar a ineficácia da personalidade notadamente nas ações
indenizatórias por danos ambientais. (...) é uma modalidade de disregard of
legalentity norteada pela Teoria Menor, não se exigindo abuso da
personalidade jurídica, bastando, por exemplo, a simples impossibilidade de
a pessoa jurídica arcar com a reparação ambiental, podendo atingir os
sócios e os gestores do ente de existência moral, a exemplo do que ocorre
no Código de Defesa do Consumidor”.
Também merece destaque a Teoria do Bolso Profundo, quepossui origem
norte-americana, em que os responsáveis pelo dano ambiental são
responsáveis solidários e o litisconsórcio é facultativo.
Assim, a referida Teoria traz a ideia de que a responsabilidade ambiental,
considerando-se a multiplicidade de agentes poluidores em uma
determinada situação, incidirá sobre aquele que possuir a maior condição
econômica ou a melhor situação financeira para arcar com os custos
ambientais.