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Capa:Femando Comac...

-tlia
FOlode capa:Rennato Testa
"- '. Copidesque: Mõnica Saddy Martins
Revisão: Lúcia Helena lahoz Morelli

Dados Internacionais de Catalogação


(Câmara Brasileira do Uvro,
na PUblicaç.llo
SP, Brasil)
(CIP) L
lnfancia e produção cutluraY Sonia Kramer, Maria Isabel Ferraz
Pereira leite (orgs.}. - Campinas, SP: Papirus, 1998. _ (Série
Pratica Pedag6gica} .

Vários autorel!,
Bibliografia.
ISBN 85-308-0531_3

1, Crianças - Desenvolvimento 2. DesenvOlvimento Cultural


3. Educação de crianças 4_ Psicologia educacional I. Kramer
50nia.lI. Leite, Maria Isabel Ferraz P.1I1. Série. •

98-3741
SUMÁRIO
CDD-370_15

fndices para catálogo sistemático:

Crianças: Desenvolvimento: PsicOlogia educaciona/370.15


2. PSicologia educacional 370.15
~
APRESENTAÇÃO . . . . .. ... . . .
Sania Kramer e Maria Isabel Ferraz Pereira Leite
...... 7 I
l. O QUE É BÁSICO NA ESCOLA BÁSICA?
CONTRIBUIÇÕES PARA O DEBATE SOBRE O PAPEL
DA ESCOLA NA VIDA SOCIAL E NA CULTURA
Sania Kramer . . . II

2. INF ÃNCIA, CONHECIMENTO E CONTEMPORANEIDADE .',,


Rita ,Marisa Ribes Pereira e Solange Jobim e Souza .25

I
3. O TEATRO DO SEM JEITO MANDA LEMBRANÇAS:
4~ Edição
2005 UM PEQUENO ESTUDO SOBRE O .;/
ESPECTADOR DO TEATRO ÉPICO p
Flávio Desgranges ......... .43 -:]
Proibida a reprodução tOlal ou parcial
da obra de acordo com a lei 9.610198.
Editora afiliada á ASSOCiação Brasileira
dos DireÍlos Reprográficos fABDR}.
4. FOTO-GRAFIAS: AS ARTES PLÁSTICAS
NO CONTEXTO DA ESCOLA ESPECIAL
Ana Elisabete Lopes .75
'I
DIREITOS RESERVADOS PARA A lÍNGUA PORTUGUESA;
e M.R. Cornacchia Livraria e Editora LIda. _ Papirus Editora
FOne/fax: (19) 3272-45ÓO - Campinas _ São Paulo _ Brasil 5. IMAGENS DA CRIANÇA NO COMPUTADOR
. . . . . ..
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E-mal!: editora@papirus_COm.br _ www.papirus.com.br Letícia Nogueira 109
,I

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i
1
j .
elaboração deste livro, lemos cuidadosamente todos os trabalhos e assim
tambénl-aprenctemos a fazer e a reéeber críticas; a ponderar, arglúnentar.
Mais do que uma compilação de textos, a obra carrega em seu bojo urna
cumplicidade, uma partilha coletiva, que faz com que cada um de nós se
sinta, de alguma forma, co-autor do livro.
Gostaríamos de aproveitar a 0p011unidade para explicitar nossos
am-adecimentos a todas as crianças, profissionais e insti tuições que; de
algUll1u forma, permitiram que essas pesquisas se concretizassem. Em
particular, a Letícia Nogueira, por sua disponibilidade e ajuda na elabo-
ração e na organização deste material.
Esperamos que essas leituras possam abrir debates e reflexões
críticas entre seus diversos leitores e que, sobretudo, possam subsidiar I
uma discussão a respeito da infãncia em seus múltiplos aspectos, sempre O QUE É BÁSICO NA ESCOLA BÁSICA? I
situando a criança como sujeito com vida e voz, ativo, histórico, contex- CONTRIBUIÇÕES PARA O DEBATE SOBRE O PAPEL DA ESCOLA
tualizado e com especificidades em relação aos adultos que estão muito NA VIDA SOCIAL E NA CULTURAl f.
além de seu tamanho ou faixa etária. Pensar na relação da criança Com a
cultura extrapolando a idéia de produção para as crianças ou sobre as
f=
1
crianças; mas, sobretudo, fomentar o campo de pesquisa da produção i
~--.
cultural das crianças é, também, nosso objetivo.
"
t:-,.
~'. Introdução
Sonia Kram.er
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i
Sonia Kramer
Maria Isabel Ferraz Pereira Leite o que é crucial reafirmar hoje em relação à escola básica? Minha
compreensão é a de que a escola básica enfrenta desafios, mas tem
I
perspecti vas, e é com esse espiri to - há perspecti vas _ que me proponho
a refletir sobre alguns dos grandes desafios da, na e para a escola básica.
~,
, Mas procuro pensar o que é básico na escola básica levando em consi-
deração: I) o estudo que tenho desenvolvido e as perguntas que faço, ou
seja, o que a própria natureza do trabalho acadêmico me faculta aprender
na pesquisa e no ensino na universidade; 2).as questões, os problemas e
as indagações com que deparo no diálogo cotidiano com professores,
supervisores e gestores de redes públicas, de escolas particulares e de

I. Pane deste texto foi originalmente apresentada na rhcsa-redonda "Escola básica: Desnfios c
perspectivas". realizada dumme o seminário "A construção da educação brasileira", na UFRJ, Rio
deJ,meiro,junhode 1997 .
r
10 .".
11 ~
i
1J
;

órgãos não-governamentais, em especial, em assessorias a políticas


públicas de educação na concepção, na implementação e no acompanha- Janeiro, participei da mesa "Educação e qualidade de vida", Ao lado de
mento de propostas curriculares e de projetos de formação de médicos e engenheiros, apresentei o que era e é consenso entre n6s, do
professores; 3) minha participação em discussões e ações de movimentos campo da educação,'quando falamos.de edúcaçãode qualidade:'a iITIPO;'-
sociais diversos, sindicatos, associações profissionais e diferentes fóruns
de natureza política ou pOlítico-partidária. Portanto, procuro falar consi-
t~ncia'.de constmir a escOla,.anecessidade de resgate da escola pública'
que se .encontra-empobrecida; a retomada ,de sua função êle êliSinar-e
t:
derando as tensões e as contradições que constituem o campo d~ cumprir .seupapel 'no exercício da'cidadani:Q o -reconhecimento, da
educação, e que me constituem como professora que trabalha no plano centralidade.da.atuação.dos .professores. E naquele debate _ di'ante de
te6rico-prático na pesquisa, na sala de aula, em políticas públicas e em uma platéia'que reunia inúmeros tipos de profissionais, a maioria de fora
;

processos de formação, preocupada com as questões ético-políticas que da educação, militantes políticos e administradores públicos _ fui me
marcam a ação educacional e com suas conseqüências hoje, em especial dando conta de que, quando os engenheiros sanitaristas falavam de água
no Rio de Janeiro, visíveis no descaso com a escola e na desvalorização potável, de poluição do ar ou da Baía de Guanabara, todos da platéia se
da profissão de professor. identificavam com os problemas, que eram percebidos como questões I
Em primeiro lugar, a.nalisoos.desafioscda escola básica, tomando-os de todos. Comprcendi que se debatia ali um projeto de,despoluição da I
I
temas dacidadánia (ou de como 1utar,contra'a desigualdade assegurando'o baíâe de' tratamentõ-daágua- que; além desef'impÕf1:llité .põrqu-e
.recOl;hecimentii das diferenças)', da Cultura'(espaço da singularidaúee-da
pluralidade) e do conhecimento (e-seu compromisso'coma dimensão de ";'
constituía pauta de programa de governo, era fundamental por dizer
respeito à água que aquelas pessoa's, cidadãs e cidadãos, bebiam. Contu-
do, 'ao falarmos da escola pública, parecia que falávamos da escola dos
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I
!
humanidade.:e uniyersalidade)~ Em seguida, su~o um eixo de ação:'" a .
outros. Feita por nós para os outros, pobres:e excluídos.
ormação - que, no meu modo de entender, é Ocaroço, o núcleo por onde .~ i

passam as perspectivas. Aqui apresento, para discussão, certos desafios Chamo essa primeira situação de água e faço a defesa de uma
recentes relacionados ao próprio papel da universidade e da pós-graduação escola que seja reconhecida 'êVITlõrinrna como ágg,ãl E se me refiro a
que irão, caso não nos coloquemos em estado de alerta, indignação e uma questão aparéntemente mais específica do Rio de Janeiro, ou de
resistência, pôr em risco nossa própria possibilidade de contribuir para a grandes centros urbanos, é para ressaltar que algo básico se perde na
resolução dos problemas da escola básica. Enfim, vale dizer que defendo, escola pública quando ela deixa de ser concebida e concretizada como
ao longo da fala, o ponto de vista de que a escola de qualidade _ além de ser eScoLacdecrodose se' torna escola-<le pobres,'identificada ain<la'como
direito de todos - é um dos elementos básicos da vida social e da cultura. escolade baixa qualidade: Penso que são graves as conseqüências para
Este é, aliás, o mote de minha exposição: a escola Como elemenlO básico a democracia e para a cidadania não termos hoje, na escola pública, todas
da vida social e da cultura. as classes sociais e as diferenças que existem no plano da vida social.
SãO'gravés,:-porque,essa ausência coloca,em risco.o significadoda.escola
Cidadania - água e,deseucompromisso comacultura e COmo conhe~iJ11-el;to,~i~ntifiço,
~pois.. Para ,a construção da cidadania e para. o aprendizaElo. de ..seu
,exerc'íciõ, e êruCiãlOCo'nví viodas diferenças.socioeconômicas,étnicas
Para falar de cidadania, começo com uma pergunta: até quando
falaremos da escola pública como se fosse a escola dos outros? >I',e'CU!turais;-:Vaie
a pena, nesse sentido, analisar Zada um desses-d~saf;os:
reconhecer e difundir a cultura e assegurar o conhecimento científico e
Na análise desse tema, relato uma primeira situação: em junho de artístico. É isso o que procuro fazer a seguir.
1994, durante um seminário sobre programa de governo no Rio de

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.~
13
---------"

(Cidadal1ia e) cultura - ar

. afro-brasileiras, euro-brasileiras, judo-brasileiras, sino-brasileiras. Te-


Se falei de água para falar de cidadania, quero falar de cultura nho imenso respeito e compreensão pelos fatores que geraram a
corno do ar que respiramos. E abordo, em relação ao tema da cultura, nec'essidade dessa classificação, mas prefiro a denominação "afro-
dois aspectos: um relativo a tradições culturais, costumes e valores dos
diferentes grupos, suas trajetórias, suas experiências, seu saber; outro '!
descendentes", que remete à origem e à história, à denominação
"afro-brasileiros". Afinal, não somos brasileiros? O que nos singulariza
c:
I
~
-referente ao acervo de conhecimentos culturais disponíveis a cadá mo- não é justamente nossa pluralidade? Precisamos qualificar a cidadania
I
mento da história de uma dada sociedade, um povo, um país. No primeiro ou ela é substantiva') E qual o papel da escola nesse contexto? Penso que lo

1
caso, temos uma imensa pluralidade de experiências possíveis, de valo- é o de assegurar o direito ao conhecimento _ desafio de que falarei
adiante.
res e saberes: na dança e na música lful1k, pagode, choro, samba,
passando pelo canto coral, pela música religiosa); na produção de objetos Antes, gostalia de analisar o segundo aspecto envolvido no tema da
(da confecção em tecido à produção em couro, passando pelo trabalho cultura: trata-se do acervo cultural acumulado, uma espécie de outra camada
com o barro, a paU,a, os fios); nas comemorações civis ou religiosas; nos de ar que a gente respira e que se encontra disponível na literatura (nos seus
modos de cuidar das crianças, da terra, dos alimentos, das vestimentas mais diversos gêneros), no cinema, na música, -na fotografia, no teatro, na
etc. Além disso, nas trajetórias contadas, .experiências sofridas, perdas, pintura, na escultura, na poesia, nos museus, na arquitetura etc.
conquistas das famílias, dos grupos, das etnias.
Chamo a atenção para essa segunda camada de ar, sabendo que é
Seja por conta da pesquisa, seja pela pressão dos movimentos difícil distingui-Ia de conhecimento, para ressaltar que não podemos
sociais, o fato é que sobre isso hoje dispomos de um razoável acervo de reduzir o conceito de conhecimento a sua dimensão de ciência e a uma
referências teóricas, publicações e indicações práticas. A produção re- dada concepção de ciência, deixando de fora a dimensão artística e
cente sobre rTIulticulturalismo e o embate COmquestões muito antigas- cultural. Esclareço, porém, que não me importa aqui o acesso a essa
enlbora ainda atuais, como9 racismo - assumem dimensão crescente no produção como parte de uma educação livresca e generalista. Longe de
debate sobre os desafios da escola. E para provocar a discussão desse propor que alunos e professores aprendam ou ensinem gêneros literários,
ponto, menciono outra situação: participando esporadicamente de semi- mOvimentos estéticos ou poéticos, diferente também do uso dessas
nários sobre questões raciais e educação, tenho dialogado com produções culturais como modo de melhor ensinar os conteúdos escola-
profissionais da educação e atores de vários movimentos sociais.' Esse res, interessa-me que crianças e aduitos possam aprender com a cultura
é um processo delicado, em que muito aprendemos, mas confesso que me e a arte guardadas nos livros, com os textos, COm a história, com a
preocupa a concepção de Jnlllticllltltralisnw qW:U1doela não vemjullto COm experiência acumulada. Ainda que ideologicamente marcados, tendo
uma séria intenção interclllíural. Assim, se, de um lado, considero que o todos eles uma linguagem jamais isenta de preconceitos, a experiência
conhecimento das raízes culturais, das tradições, das experiências e da com a produção Cultural COntribui de maneira básica na formação de
história de cada grupo é conquista fundamental na construção da identi- crianças, jovens e adultos, pois resgata trajetórias e relatos, provoca a
dade, estranho quando ouço as pessoas serem chamadas de discussão de valores, crenças e a reflexão crítica da cultura que produzi-
mos e que nos produz, suscita o repensar do sentido da vida, da sociedade
2. Menciono. entre Outros, o semjn~hio "A questão das relações raciais na educação", realiZ<ldo por Contemporãnea e, nela, do papel de cada um de nós. '
Sepe, rPeN, jornal Maioria Fa{allle e projeto "Di;ílogo ent~ povos", Ver S. Kramer. "Questõcs
raciais e educação: Entre lembi ..mças c renexõcs". Cademosde Pesquisa rP-93 (maio de t(95). pp. Insisto nesse ponto, e lembro de um seminário sobre ensino básico
66-71. São Pilulo: FUlldução Curlos Chagas.
na América Latina em que acompanhei, como observadora, as falas de
representantes de secretarias de educação de estados e municípios e
14

t5
enfatizei, no relatório final, minha perplexidade de, durante as apresen-
tações, não ter ouvido ninguém falar a palavra "livro"] Enfatizo também também italianos, portugueses, coreanos, japoneses etc.). já signi ficou a
aqui que uma escola básica que se compromete com a cidadania e Com esperança; para os emigrados, negros expatriados, retirados de Sua
a democracia precisa ter na formação cultural um de seus elementos própria terra, a escravidão. E sobre os migrantes brasileiros sem-terra,
básicos, volto a dizer, como o ar que respiramos. sem-teto, sem-trabalho, que um dia já chamamos de retirantes, não
precisaríamos falar?

(Cidadania, cultura e) conhecimento _ terra E que papel específico a escola precisa exercer em relação ao
saber? O de incorporar as diferenças combatendo a desigualdade; o de
assegurar - no plano social e cultural - a posse do conhecimento, como
Em relação ao desafio do conhecimento, gostariade tomar duas indaga-
defendo no plano econômico e político-social a posse da terra, pois o que
ções: inicialmente: "por que o conhecimento?"; em seguida: "como?".
possibilita a superação da particularidade é o conhecimento universal e,
Para falar do "por quê?", lembro que, no curso dos últimos 25 sobretudo, a compreensão da história. Vejam que, ao falar de conheci-
anos, e especialmente na década de 1980, a defesa do conhecimento era mento, acabo falando de cidadania e esse é um ponto básico a ser
parte de nosso ofício. Inúmeros foram os trabalhos produzidos a esse reafirmado, pois, infelizmente, parece que tantos anos de administrações
respeito. Aprendíamos e dizíamos: o conhecimento é direito de todos, incompetentes, falta de recursos, propostas equivocadas levam a popu-
porque foi produzido por todos. Tal qual a terra, poderíamos dizer hoje. lação a esquecer que o trabalho básico da escola _ de ensinar, de
A terra que se torna matéria pela sua falta, como aliás é uma constante assegurar a reapropriação do conhecimento - é um serviço que ela presta
no Brasil. Analfabetismo é palavra conhecida; alfabetismo não. A terra na (e para a) construção da cidadania.
é tema trazido pelas lutas dos sem-terra, que, aliás, querem, e fazem,
Tomemos agora uma segunda questão: refere-se ao "como?", aos
escola, creche, formação de jovens e adultos. Reafirmo que garantir a
modos de ensinar, às maneiras de trabalhar com o conhecimento na
reapropriação do conhecimento é função da escola e é sua maneira de
escola de forma a garantir sua socialização. E para falar do conhecimento
contribuir no próprio processo de humanização. Se defendi o fortaleci-
como terra - direito de todos -, trago de volta a água, com Marilena Chaui
mento dos laços culturais, das raízes históricas dos diferentes grupos e a que, num texto de 1980, diz:
consciência das tradições, penso que, graças ao conhecimento universal,
poderemos escapar da guetificação, do isolamento, do estreitamento das
relações, da perda de humanidade. o professor de nat::lçào n50 pode ensinar o aluno. a nadar na areia I
fazendo-o imitar seus gestos. mas leva-o a lançar-se o"água em sua !
companhia para que aprenda a nadar lutando contra as ondas, revelando
Nesse sentido, um dos mais fortes eventos a que assisti e que me
ajudou a repensar esse ponto ocorreu na Câmara de Vereadores do Rio
que o diálogo do aluno não se trava com o seu professor de natação, mas ,1
com a água.. O diálogo do aluno é com o pensamento, com a cultura !
de Janeiro, na comemoração do Dia do Holocausto' Cada um dos ccrporifici3da nas obras e nas práticas sociais e transmitidas peln lingua~
representantes ali presentes manifestava sua visão em relação ao Brasil gem e pejos gestos do professor. (p. 39)

e, ouvindo-os, podíamos refletir sobre o que significa essa terra brasileira


para cada grupo. Para os migrantes (naquele evento judeus, mas em geral
De minha parte, penso que o professor pode estar dentro ou fora
d' água, mas as crianças e os adultos - que são alunos _, para aprender a
3. Tratn-se do seminãrio organiUldo pelo Preal e ~Iiz.adopelaDemeclRio de Janeiro, em 1996.
4. Trata~se de ato comemol.ltivo ao Dia do HolOCJ.u~o,organizado pela verendom Jurema Batista e
nadar, devem estar necessariamente na água. Considero que esse diálogo
realizado em 19 de abril Je 1997, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. COmo conhecimento, com a cultura, com o pensamento pode se dar de
diferentes maneiras; porém, em nome de garantir O acesso ao saber, temos
J6

17 .--
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-
I
I

gerado e cristalizado dicotomias. Mais do que método de ensino ou modelo


de proposta curricular, importa o conhecimento; meus alunos e minhas Essa professora ajuda a pensar que a escola tradicional não é a
alunas sabeni que não defendo nenhum método de alfabetização, por fada ou a bruxa que muitos imaginam: fada para os que supõem que nela
exemplo. E penso' que; cada. vez mais, (emos~confundido pFotesso~de o conteúdo era ensinado e aprendido de maneira lógica, todos juntos
oaprenderccom formas ou métodos de ensinar,Reduzirumao outrõsignifica., repetindo a lição, numa aprendizagem mecânica; bruxa para aqueles que
re~uiira' aquisição" dO.conhecÍJTlento 11:.esfera -psicológica ou. à esfera se acostumaram a reunir sob O adjetivo "tradicional" todas as mazelas
,sociológica:. No'entanto, a polêmica teórica e a convivência de modelos da escola. Talvez - ontem como hoje - tenhamos, aí também. uma
pedagógicos distintos são indícios, a meu ver, de caminhos mais democrá- saudável diversidade, longe da caricaturá que dela desenhamos. Classi-
ticos, menos autoritários na produção acadêmica e na prática das políticas ficamos como tradicional as práticas que julgamos en'adas e que devem
educacionais. A busca de unarlimidade de métodos e de hegemonia teórica ser eliminadas da escola. Porém, com base em pesquisas, tenho conhe-
parece-me autoritária. A-práfiêil pédagógica, como prática social que é;: cido uma escola tradicional que também não era uniforme e onde já se
'concretiza-se demOdo'Contráditório e dinâmico; só artificialmente podemos apresentavam questões de ensino, de método, de disciplina. Indago
separar" conteúdo de método, processo de aprender de método de ensin:if, então: por que Opor criatividade e conhecimento? Na minha prática de
construção do conhecimento de aquisição das informações, Na prática professora, sempre procuro trabalhar da maneira mais ativa e criativa,
pedagógica, esses pólos são indissociáveis, não dicotômicos. com o objetivo crucial de garantir o conhecimento. Da mesma maneira, ,
Ao lado de tais polarizações, ao longo desses 25 anos, falamos da
prática pedagógica que supõe uma. uniformidade a meu ver também
inúmeros professores da escola básica (de matemática. ciências. história,
geografia ou língua portuguesa) ensinam-me que, para serem bons l=
,
I

equivocndJ. Opomos escola tradicional e escola nova; GOlllelldismo'.e. professores, é preciso que saibam muita matemática ou ciências etc. e
construtivismo',llóSCiiiodernismo e'mOderniSirio(numa versão anos 90 que gostem de ensinar; que entrem na água ou se lambuzem de terra; que, I
por serem críticos, busquem alternativas. Por isso, penso que a polariza-
desse equívoco). Creio que. tetpº.s.UJTI.avisão:êstêreõfipil<:iadôque"é'Sét_ "
(professo(oy professora da.~~~.la ~ásic~uma visão que não corresponde
aos professores e às professoras de carne e osso que trabalham nas nossas
ção é um equívoco. Por outro lado, além de autoritária do ponto de vista
político e equivocada do pOnto de vista teórico (processo de quê, sem
t=
I

escolas. Entrevistando uma professora de 96 anos - que "atravessou o produto?; produto como, sem processo?), a pretensa unanimidade é
século", como ela mesma diz -, ouvimos Sua crítica de que a escola de absurda do ponto de vista operacional: 30 mil professores ensinando do
hoje só valoriza o decoreba e a escola antiga não.' Ela diz: " mesmo jeito? Será que é básico defender um modo de ensinM como o
único válido, ou é preciso admitir que o mais importante é entrar no
Comecei a dar :lula em 1918 conforme eu "p'rendL A professora sentava conhecimento? Por outro lado. será que não temos banalizado a própria
no meio e as meninas em volta. como um círculo ....TomavJ liç50 de tudo. teoria crítica da Cultura e da modernidade? Será que, hoje, ao chamarmos
O neg6cio CI.l :lssim. InJndava os alunos estudarem e depois debati;] com
c:ld:l uma o que ela tinha estud:ldo ... Na aula de história discutia os de crítica uma dada tendência, não desqualificamos todas as outras como
não-críticas?
aSsuntos todos. n:io decor<lvo n50. A leiturn? Tinha leitur<! todo di<l. era
leitura do diZ!,elas prep:lr:lvam e liam na sala. Cad::luma lia e comentava.
(Kr.mer <I aI. 1996, pp. 99.100) " Falei no primeiro momento de cidadania e ressaltei como elemen-
to básico na escola que a construção da cidadania, no enfrentamento da'
injustiça e da desigualdade, precisa considerar as diferenças. Em seguida,
s. Proressam cntrevi~ por Senia Kmrnere:M:1rcia SouLOM:1iorSá. no primeiro sc~ de 1996. I
p:mt 3 pesqUiSl"Cultura, modemid<:Jdc e lin,gu3£e:m: Leiturn e:escrila de:profCSSOl't:Sem SUôlShistórias
de vid:l e:fOlTl'1.1Ç"dú",dcse:nvolvidacomo projeto integrndode: pesquiSl Com õlpoiodo CNPq. Krnmer
~I,d.. 1996.
6. Sobre: r:'ldas OU bruxns. ve:r"Alrahe:tiZllÇ5o: DilerrutSd., pr.itica" cm S. KrJ.mer.Alfalx!ti:.ttÇtio./t!ituJ71
t!t!ScriJn: Fon"açÜiJ de profcssflrt!s em curso. Rio de Janeiro: Escola de Prorcssores. 1995.
18

19
.' I:
I.:
procurei destacar a idéia de que é o conhecimento universal, em especial I
o conhecimento da história, que permite Costurar as diferentes perspec- que - ta.~0'na.ilnplal1ta1ão~~:pr{)pest~:p~dag~gj(;~fou seja, em serviço)
tivas culturais, dar-lhes base intercultural. Abordo, agora, O quarto 'e ceme.na.esGolgridadeeprévia;(em escolas de formação de maglsténo e na
último elemento: aquele que, na minha visão, é fundamental para enfren- u~i~~rsidade) -, ae.pr0p0remL!danç*9~_Gonsel içhlr~al~m'ati vas:errf curso,
tar os três desafios. Adianto .que se trata de fogo, gar,lnta,esl"aqo:para-queprof"ssores:e:prefessp~~:nar:rem,suas,ex'r<:.rLê!]cias.
reflttllIn"":'cri
tiçilmen le,sobre:Rrálic_~e:trajetórias:vi:yjdas,compr~endam:SlJ.a
própria,históri'4' redimensibnem:o:passado-e:o:presente~al]1plierrtª-eJJ:saºer
Paixão pelo callhecimelIlo, força para SUstentar
as lUlas, formação -fogo
----=-
e seu-saberrazer.

Mas, para que ocorra realmente a formação de professores, é


Defendo a idéia de que"é"básicQ.que'a'escola~<lS'Crianças:-osjovens precisa; de,llrTl::.la(to,cOlldj_ções::<ligna~:de'vidaee:de:tl'ab~o.p"".:'1-t.edos
~os.a9ul tos.!!!.cJJP_er~m;-:-aprenaam~_aêSCUbr:rnr'a~paiXão.pelo conneci~ ,0s:,profissiona~,entendendo-a-fomnaçãP.::.elll-.seryiço-:-c(l'mo:trab.alho'que
Q':.nto,_po!qu-=-~ó-o-ser.hu..~no "j)ocie'conhecer-çnesSqiJ'Ocessb."" de.:> resulta em-melhoria-saladal, na carreira e em avanço na escolaridade; de
c~nstJ;Uç~o-de-cOnhecil11e.n«)-=Q.'Pap-el-dO~01ftro_e_âa coleti Viaãâe' é outro lado:proTetos d'; formação permanente concebidos no intelior de
funôal11~ntal. uma política cultural sólida e consistente que assegure a todos os profes-
E como perspectiva para enfrentar os três desafios analisados _'
cidadania, conhecimento e cultura - identifico-como'ponto:central'actmma
sores acesso a cinemas, centros de cultura, bibliotecas, salas de leltura,
círculos de estudo, teatros, jornais, revistas, fotografia, museus, salas de
vídeos etc. A-fomnação,culturalede:p'rofes.>~Seé:p~te 'do~proc!,ss.o-d~
L
dO~onhecimerrto,.a. valorização -CIo-saber;::-o~reconhecimento::-de-:queo
conhecimento é importante, necessário e atraente. Mas vejamos: a fim de
queToTconhecimento 'seja.
CtmstiUÇãeãaCldadania,.é_direILO.de.tooos.seconsideramos'9,lle
q.lanças.e-adu Itos sOmosjndivíduos.~oc.i ais"suj~
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cnanç~rlovens~e=adultos -, é fundamental que'seja~oportunizãã'õ-abS
ri que-têm:djr~j tOS'~()fi~s,:entreel~s,direito_:à:educação_e,à~cultuIa.
P.!2P os.profess,ores.q ue,com" eles-a!!!3ltI.:OilC<ls.s{),
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conhecimemos proouzidos nas:mills:9ife@l1tes~eas"Isso signifiçaclefender. Por fim, ainda falando de fogo, en\endo que é ele que acende e
,a",atualização, a 'formaçãode-professores;como .~~tr.atégia.essenciill.=no} movimenta também a chama das lutas políticas e traz sempre novos
e.nfrentamemoed_os:desafios-menCionados, 1'"0rrnação;"cOmâ:direilÕ=àeau. desafios. E, em nossa prática, enfrentamos hoje alguns desafios que se
~ção;-::de-::tõdõFos:profesg>r~. Formação nas quatro áreas básicas do relacionam diretamente com os desafios da escola básica: ,i}:::o~das)
conhecimemo -língua;' matemática; aêíiciaS'naturãiS-eciêncillS socims _ e 'Condições:~nossas::próp'rias_c;ondi'iQes_de-,,ºrofessore~p~sg!:,js>Wores;
formação cultural que traga a oportunidade de discutir valores, preconceitos, hoje,9s.órgãosJi nanç,iadoresjnstitllem,regraS;:9ue.difi(;U Itam,çada-vez
experiências e a própria história. Formação que seja entendida na dimensão mãisaos-p~'ofêSsores-comuIis;-daScr(:deS-:pÓblicas~achallce'de:a PIoiu ndar
tanto de ,g~t:ic-ªç.ão,.redu nc!andQ.em-melhoria-dª::.qllalidade-do-ttâbalho es tudos,de-en gajarose:na-pe~iIUis:r:::Sem::-dúvída,_restrições-ôe:bol sas',e
~~<lgóRco~gt!anto~aeprofissj onalização.-garantiiiâõ:ã%fiçO-Iia-carreira~e evasão de professores da universidade incluem-se nesse desafio; ii1.,()::::.
P~~essão"l1a.eSGolaridaj:le:-Formação que implique constituição de identi- "
'riscode:que_brar,oelo,o,uQ:"neLda,universi~de.com~as<lifere'n tes"prática"S'
dade, ponto crucial quando deparamos com o crescente abandono da ,ca". eSG6Iaobásica~f'enso,que.sef::por::'!.m,ladocé-importante-:êÕlrtj nuar."Or
profissão, com o aumento significativo da evasão de professores7 Formação I nvanço do nos;-opr6prió conhecimento~-por oUlro, vale a pena evitar a

7. uV::lntmncnlo rt:ito pelo $cp: (Sindicato de Profissinnais dn.Educação do E.sbdo do Rio de J:lileiro) £Ipont:.lque. desde m:I1'ÇOde 1995. oito professores em média deixõlJll a profiss5o. por dia. no Rio de I
Janeiro.

20

21
"

polarização de iSlllOS - teorias, correntes, paradigmas _ que possam


acabar atuando contra a escola. Chamo a atenção aqui para a necessária difíceis problemas da nossa própria condição humana: ~ap:lgamelltoAa'
articulação entre universidade. políticas públicas de educação e movi. di~renças,_0_não.:Le.c9,nhe.c:ilTI_ento~de~que~aquilo"lue~caractetiUl-no~sa
mentos sociais, a fim de que não se parta essa tênue ponte entre o avanço singulnl'iâade~éj.uslãille£t'e:nossápIUrãliaaae. Contra uma escola que busca
do conhecimento e as práticas concretas. ,""ªl'lQm6geneiºªde~penso-<Jue_a __es~~_pr(:Gisa 'aprend~r:?-.-li9ã0.de_CjueJl
neterogeneidade-=é-:riqueza~ não obstáculo. O acesso ao conhecimento
COflcluindo ... científico, artístico e cultural e a possibilidade de aprender se tornam vitais
nesse sentido, e é básico que a escola exerça esse papel.

Procurei falar da eSCQ'la~cOtnoelemento,básicºcda'vida'sbcialle Enfim, manifesto mais uma vez minha preocupação Com modismos
<c.ultural;c-trazendo'Para"O"debate.-ql1.air<t~pect9~ ..qUe;-no.-ineu~n tender:, e com a desvalorização da experiência acumulada que observo na nossa área
são os eleme,ntos básicosTdacprópriacaçii'b!a-escola:J:cidadania. "que' e, mesmo, o desperdício que constato do nosso próprio conheci mento. E.
c.ha~~i,,-d.e~-;;~vo~ando"'a -neêessidade-de :forj arca'consci~IlG@:<!a ,nesse sentido, água, ar, terra e fogo - tão antigos no mundo como antigo é
quallejade:da:escolaepu bhca':para :todos:comOalla'água-que:bebemos; o mundo - incitam-me a terminar este texto citando o filósofo quando
culrura=queTelacionei:aoar q u.e:r~spir:atJlo.s,:p.'lfadestaçara:importãncia , lembra que as "sementes de trigo que durante milhares de anos ficaram
, fechadas hermeticamente nas cãmaras das pirâmides conservam até hoje
simu ltaneamente:da'Jrªdjçã,2cCu!tural.decada,grupo,deseus:yalo.r",s;'suas
l£aj"tórias;-suas:ex periênci as;-seu :Sa1>er~e,do.acesso:ao-acervo-C~ltu ral suas forças germinativas" (Benjamin 1987, p. 204).
L
~~yeL".:.cªda'II!'2..lTl.':":<l::~~_~iSJÓi'i~;_~,~lIlhe~i~ento_ 'lue chamei_d~
~erra,-para:fal anja:1 mportan_Glª,eIo.sabe~.clêiliífico'e'âo:direi tO,'â.e;iodos
Ao enfrentar os desafios da escola básica, estou convencida de que
encontraremos mais força, suporte teórico e clareza para deli near alter- I
a' dQe tomar_poss~-e:c0m.~le'p-rOdl!z.ir":cri<lrTP2.r_fjm,(alei-:da.-p,liJ(~
pelo:conneclmento:e:da-formação:que;:como,A,in(lignaç~0,a:resi ênga
st
e~a'luta,pela:mudança"chªll'lei.,de,f.c>goo.De0ndi a idéia de que, articu.
lando esses elementos. é crucial que todos - crianças e adultos _ possam,
nativas práticas nas sementes de teorias e experiências da história
passada e presente do que nos fantasmas de um futuro que insistimos em
desenhar Com desesperança. E, nesse processo, é crucial o papel da escola
,na formação cultural n'ão só de 'crianças, joveJ)S e adultos que a freqüen-
b
de um lado, apropriar-se dos conhecimentos científicos básicos e de tam, mas de todos nós'que nela trabalhamos, 'que a estudamos, gerimos
outro, aprender com a história, com os livros. com o cinema, co~ a ou investigamos. Por que formação cultural? Porque Com a literatura, o
música, a dança, o teatro, com a linguagem e a arte, pois a experiência teatro, o cinema, a poesia, a música, as conquistas da mídia, da informá-
com essas produções constitui a formação cultural e humana necessária tica e também com a escola podemos nos constituir como seres humanos
para enfrentar desafios ainda mais graves da vida contemporânea. críticos~ imbuídos de uma ética e de vontade de agir em prol da justiça,
GOstaria de encerrar dizendo que, na discussão d~s mais diversos da solidariedade ede um espírito de coletividade que teimamos ainda em
defender.
temarperiiileiifes 'l\~ êScola' básica; -nãõpoo~mos~abriLmão-d~penSarl
critiC::unente-nosso-tempo;::-tr,ab,alhando_te<J,rias_qUe_dêem_COntribuiçQes
ef\'tixaspi1r:lopens'!JTIlos:a.prátiq:eSluenos instrurnentalizeriij)'aTn'combater
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e.~lusªO=--Váleacentuar que, enquanto lutamos em diferentes frentes ~ara
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precisamos enfrentar na escola, dia a dia, .talvez um dos mais pesados e
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diversidade humana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Rita Marisa Ribes Pereira
Solange Jobim e Souza

As coisas não querem mais ser vistas


t=
por pessoas razoáveis:
Elas desejam ser olhadas de azul-
Que Hem unw criança que você olha de ave.
.1
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ii
::,(
I
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Manoel de Barros I:~
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ii
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Infância e conhecimento: Pluralidade de caminhos . I
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A geometria afirma que a reta é o caminho mais curto entre dois I


pontos. Um traçado preciso, lógico, econômico, imediato. A poeSla ~e I
Mário Quintana, entretanto, vem nos ajudar a problematizar essa questao I
bem mais no que geométrica: "A reta é o caminho mais chato entre dOIs I
pontos", pondera. Quem sabe sua poesia não está a sugerir pistas para
uma nova questão: por que alguns assuntos ligados ao conhecimento c::
parecem ter perdido o seu vigor na modernidade?
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2S .-i-