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Pr.

Paulo Roberto Corrêa Soares

O DIÁLOGO NA FAMÍLIA

OBJETIVO: Conscientizar o estudante da necessidade do diálogo no


relacionamento familiar e motivá-lo a utilizar esse precioso instrumento como
ferramenta importante na construção de uma vida familiar cristã, duradoura e
feliz.

TEXTO BÁSICO: A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura


suscita a ira. A língua dos sábios adorna o conhecimento, mas a boca dos
insensatos derrama a estultícia. (Pv 15: 1 e 2)

INTRODUÇÃO: “O dialogo é a fala entre duas ou mais pessoas, com


vista à solução de problemas comuns, ao entendimento ou à harmonia”. Neste
sentido, a Bíblia é o livro do diálogo. Logo nos primeiros capítulos (Gn 2 e 3) a
Escritura Sagrada apresenta dois diálogos interessantes: o primeiro, entre
Deus e o homem, e o segundo, entre a mulher e a serpente. O Criador aparece
instruindo o ser humano quanto à melhor forma de viver no mundo:
obedecendo a Deus (2:16-17). Satanás, por sua vez, com extrema sutileza,
aparece instruindo o ser humano quanto à pior forma de viver no mundo:
desobedecendo a Deus (3; 4:1-16). A lição é clara: o diálogo, se utilizado para
o bem, produz felicidade; se utilizado para o mal, produz profunda infelicidade.
A Bíblia também mostra Deus dialogando com Noé (Gn 6:13), com
Abraão (Gn 12 a 25; Tg 2:23), com Moisés (Êx 19), com os profetas (Is 6; Jr
1:1-10; Jn 1:1-2), com os apóstolos (Mc 9:7; At 9:1-6). Ele é o Deus do diálogo!
Nessas e em outras infinitas oportunidades em que Deus dialoga com as
pessoas, ele o faz com amor e compaixão; dá-lhes atenção e apresenta
soluções para os mais variados problemas que envolvem a vida humana.
Assim, Deus sempre usa o diálogo para abençoar seus filhos.
No lar cristão, não pode ser diferente. Em momentos de paz ou de
crises, os pais devem sempre conversar com os filhos, para que, juntos,
encontrem as melhores alternativas para a resolução dos problemas, pois,
quando os pais são abertos ao diálogo, os filhos são ensinados e incentivados
a agirem da mesma maneira. Esse procedimento divino evita que as conversas
entre cônjuges e entre pais e filhos se transformem em simples e pobres
emissões de ordens ou em cobranças grosseiras, como se vê em muitos lares.
Na lição de hoje, portanto, orientados pela palavra de Deus,
aprenderemos que o diálogo é extremamente necessário para gerar paz e
felicidade no lar.
I – A NECESSIDADE DE DIÁLOGO NA FAMÍLIA

Segundo os jornais, as revistas e as estatísticas, vivemos num tempo


em que as pessoas mais se casam e mais se separam. Diante de juízes,
pastores ou padres, fica constatado que a causa principal das brigas e das
separações é a ausência de diálogo. De sua parte, os especialistas em
comportamento humano explicam que o mundo moderno, mecanizado e
sofisticado tecnicamente, esfriou os relacionamentos. De nossa parte,
entretanto, como cristãos, não podemos esquecer que a resistência ao diálogo
é uma das armas do diabo para destruir a família, pois ele trabalha para "gelar"
os relacionamentos.
Veja, estudante: após pecarem, Adão e Eva não queriam conversar com
o Senhor (Gn 3:8); quando Caim matou Abel, revelou não nutrir nenhuma
afinidade com o irmão (Gn 4:9); quando Judas traiu Jesus, afastou-se do grupo
para se matar (Mt 27:3-5). É dessa forma trágica que o inimigo arma ciladas e
inspira as pessoas a resolverem seus problemas. Ele odeia o diálogo na
família.
Deus, porém, ama o diálogo: ele criou Eva para conversar com o
solitário Adão (Gn 2:18), deixou Lucas para conversar com o solitário Paulo (II
Tm 4:11), ouviu a voz do solitário Filho na cruz (Mc 15:34). Em todos os
momentos, Deus interage com seus filhos. Ele criou o ser humano com um
cérebro, uma boca, uma língua, um corpo para se comunicar com os seus
semelhantes. Deus sabe e nos quer fazer compreender que os problemas
humanos são complexos e que a melhor maneira de resolvê-los é conversando
sobre eles.
Na formação de muitas famílias, hoje, o diálogo quase inexiste. Os
casais mal conversam o suficiente para confiarem um no outro; tomam
decisões e atitudes precipitadas, que, logo à frente, lhes causará sofrimentos e
danos profundos. Na formação de uma família cristã, entretanto, o princípio
básico é conhecer um ao outro, através do diálogo praticado no namoro e no
noivado. A conversa com as famílias de um e de outro também é
imprescindível, porque aumenta as afinidades e revela as idéias e gostos em
comum. E assim os casais devem prosseguir no correr da vida: falando um ao
outro sobre todas as coisas, desenvolvendo uma amizade intensa e facilitando
o ensino que um dia terá de ser repassado aos filhos.
É maravilhoso quando a família, assim construída, resolve seus
problemas, conversando de forma honesta e transparente. Quando a verdade é
a base do diálogo, todos se sentem seguros para partilhar seus dilemas mais
secretos, pois sabem que estão praticando um princípio divino:

Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque
somos membros uns dos outros. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim
unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim transmita graça
aos que ouvem. (Ef 4:25, 29)

Como participantes da Igreja de Cristo, somos membros uns dos outros


e temos a necessidade e a obrigação de mantermos o diálogo aberto e
saudável uns com os outros e, em particular, com nossa família.
1. Leia Ef 4:25 e 29; Pv 18:13, 25:11 e responda: Por que os cristãos
necessitam manter o diálogo na família?

2. Leia Mt 12:33-37 e responda: Que alerta fez o Senhor Jesus Cristo


para aqueles que usam o diálogo de forma errada?

II – O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O DIÁLOGO NA FAMÍLIA

A Bíblia afirma que as pessoas sem Deus, usam o diálogo para destruir
o próximo: As palavras dos maus destroem os outros... (Pv 11:9 - BLH). Dessa
forma, gente precipitada, sem moderação no falar, sem bondade nas palavras,
sem sabedoria, sem cautela nas ponderações, desperta a ira dos outros,
quando fala, e causa terríveis conflitos e até violência na família (Tg 3:2-12).
Isso ocorre porque palavras precipitadas causam destruição (Jz 12:1-4; I Sm
25:10,11,21,22; I Rs 12:13-14). Na Bíblia, o livro dos Salmos é farto em alertar
sobre o uso errado das palavras (Sl 5:9, 12:2, 36:3, 55:21, 64:4, 73:9, 101:5,
109:2, 120:3-4, 140:3) e o uso certo (Sl 15:3, 17:3, 34:12-13, 141:3).
No livro de Provérbios 15:1, a Bíblia afirma: A resposta branda desvia o
furor, mas a palavra dura suscita a ira. Neste sentido, a palavra de Deus orienta
os cristãos a dialogarem com brandura. Assim, dos filhos de Deus, espera-se o
falar moderado:

Saber dar uma resposta é uma alegria; como é boa a palavra certa na hora certa! (Pv
15:23 - BLH)

O servos de Deus são estimulados a edificar os outros com suas


palavras:

Não digam palavras que façam mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que
ajudem os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que aquilo que vocês
dizem faça bem aos que ouvem. (Ef 4:29 - BLH)

De Gênesis a Apocalipse, as Escrituras Sagradas apresentam


incansáveis diálogos de Deus com o homem (Gn 2:19 e 20; Êx 3), do homem
com Deus (Hc 1; Jn 2) e dos homens com os homens (Gn 13 e 14; At 2:14-41;
3:11-26; 4:1-21), demonstrando, dessa forma, que o diálogo compreensivo é a
melhor maneira para a solução dos problemas familiares e para uma vida de
paz no lar. Foi dentro dessa visão cristã que a igreja de Éfeso foi orientada a
resolver os problemas familiares entre esposas e maridos, filhos e pais, patrões
e empregados (Ef 5:21-33, 6:1-6).
É triste ouvirmos sobre pais e filhos que não se entendem. Muitos pais
reclamam que sua maior dificuldade na vida vem de não conseguirem
conversar com seus filhos, pois enormes bloqueios foram criados, sendo que
prevalece o autoritarismo. Às vezes, o bloqueio provém de divergências de
pontos de vista e é agravado pela inflexibilidade entre as partes, ou seja,
quando as opiniões dos envolvidos no relacionamento não são tratadas e
discutidas com o devido respeito, quando há imposição de um ponto de vista
sobre os demais, o que culmina em enormes conflitos. O diálogo é então,
bloqueado pela teimosia de um não querer se colocar no lugar do outro, a fim
de compreendê-lo e aceitá-lo. Nessas circunstâncias, a família cristã deve
sempre buscar “a troca ou discussão de idéias, de opiniões, de conceitos, com
vista à solução de problemas, ao entendimento ou à harmonia”, pois a paz
familiar é a maior riqueza a ser alcançada (I Pe 3: 10 e 11).
Não é justo, portanto, que, para resolvermos problemas familiares,
despejemos sobre os entes queridos os insucessos profissionais, os problemas
financeiros, as frustrações pessoais, entre outros dilemas. Os problemas
devem ser colocados para a família de forma sensata, para que, juntos, através
do diálogo franco e honesto, todos possam discutir e procurar as soluções
cristãs adequadas.

3. Leia Gn 12:10-20, 20:1-18 e responda: Tomando a experiência de


Abraão como exemplo, explique quais os prejuízos que uma família cristã pode
causar a si mesma e às outras, por não praticar o diálogo sincero?

4. Nos Salmos 25 e 30 o rei Davi, em diálogo com Deus, reconhece o


seu pecado e suplica-lhe perdão. No diálogo com sua família, reconhece você
os seus erros e pede perdão a quem ofendeu? (Lc 15:18).

5. Leia Pv 15:1; Ef 4:29; I Pe 3:10-11 e responda: Como deve ser


praticado o diálogo na família?

III – LIÇÕES PARA VIVERMOS EM FAMÍLIA

1. O diálogo na família cristã deve ser baseado no respeito e na amizade.


Em Provérbios 17:14, lemos:

Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que
haja rixas.

Esse texto refere-se a uma pequena rachadura numa represa, por onde
a água começara a sair, para logo se transformar em uma grande enxurrada
descontrolada. Na represa rachada, a pequena quantidade de água amplia-se
porque tem poder de escavar a terra e aumentar a rachadura. Da mesma forma
são as contendas e as rixas: elas aumentam as fraturas relacionais entre os
familiares. As pequenas discórdias são só o início; logo as pessoas estarão em
grandes batalhas: ... desiste, pois, antes que haja rixas, diz a Palavra.
Como desistimos das rixas, sem desistirmos das pessoas de casa?
Através do diálogo baseado no respeito e na amizade! Tornando-nos tolerantes
no ambiente familiar, facilitando o diálogo, tornando-nos acessíveis aos entes
queridos, abrindo mão de certos pontos de vistas meramente ideológicos,
descendo do "pedestal" da arrogância. A conversa respeitosa e amiga faz bem
para todos e proporciona oportunidades para que o amor de Deus flua como
um bálsamo, promovendo paz e harmonia no lar.

6. Baseando-se em Pv 17:4, 18:13 e Tg 1:19, responda: Por que o


diálogo na família cristã deve ser baseado no respeito e na amizade?
2. O diálogo na família cristã deve ser baseado na sabedoria, na retidão e
na justiça.
No Salmo 37:30, está escrito: A boca do justo profere sabedoria; a sua
língua fala do que é reto. Esse texto sagrado afirma que o justo baseia seu
relacionamento familiar na lei viva de Deus (Sl 37:31), enquanto o injusto
estrutura-se para destruir a família do justo (Sl 37:32). Por hábito, o justo fala
com sabedoria porque já aprendeu a usar apropriadamente a sua língua. Ele a
utiliza para promover o bem. Falar a verdade é seu dever. Mas o injusto usa a
sua língua para destruir as pessoas. Falar tolices e depravações é a sua regra
de vida. Mas o justo apresenta estas três qualidades em seu caráter: 1) suas
palavras são sábias e justas; 2) suas atitudes são coerentes com suas palavras
e 3) seu coração vive de acordo com a retidão e a justiça.
Nas conversas familiares, o justo não pensa e nem responde com
maldade e estultícia, mas procura os filhos ou o cônjuge para dialogar, de
forma sabia, reta e justa. Nas situações difíceis, pensa no que vai falar, para
não cometer injustiças irreparáveis, pois sabe que O coração do justo medita o
que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldade. (Pv
15:28).
Sejamos, portanto, sábios, retos e justos em nossas conversas
familiares!

7. Baseando-se em Ec 9:13-18; Mt 5:37; I Tm 6:11, responda: Por que o


diálogo na família cristã deve ser baseado na sabedoria, na retidão e na
justiça?

3. O diálogo na família cristã deve ser temperado com amor.


Em Provérbios 16:23-24, lemos:

O coração do sábio é mestre de sua boca e aumenta a persuasão nos seus lábios.
Palavras agradáveis são como o favo de mel: doce para a alma e medicina para o corpo.

Esse texto ensina que é o coração quem sugere à boca as palavras a


serem faladas, como ensinou Jesus (Mt12:35). Mais ainda: as palavras, se
desagradáveis, serão amargas como o fel; se agradáveis, serão doces como o
favo de mel. É por isso que, em I Co 13: 1, encontramos esta firmação:

Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o
bronze que soa ou como o címbalo que retine.

Isso significa que, como filhos de Deus, podemos nos comunicar em


vários níveis humanos e até falar a língua dos anjos; mas se não tivermos
capacidade para conversarmos amorosamente, agradavelmente, nada
seremos (I Co 13:3).
Que, nos diálogos familiares, o amor seja o tempero que produza doçura
no lar. Que a conversa amorosa seja manifestada na compreensão, na
camaradagem, na amizade, no encorajamento, nas brincadeiras saudáveis.
Deixemos que o amor dê o tom para as conversas do lar!
8. Baseando-se em Pv 10:19; I Co 13:1; Cl 3:8-9, 4:6, responda: Por que
o diálogo na família cristã deve ser temperado com amor?

CONCLUSÃO: Nosso Deus ama o diálogo e deseja que nós sejamos o povo
do diálogo e dos relacionamentos saudáveis. O inimigo das nossas
almas, ao contrário, trabalha para que não haja conversa entre os
familiares. Sejamos sábios: procuremos o bem-estar do nosso lar pela
prática do diálogo respeitoso, amigo, sábio, reto, justo e amoroso.
Conversemos cada vez mais, para o benefício da nossa família.
Não permita, estudante, que a teimosia, a truculência a imposição e o
autoritarismo se sobressaiam no lar. Seja amoroso, fale com carinho e
mansidão. Pratique os ensinamentos da palavra de Deus, que é poderosa para
transformar os relacionamentos familiares. Deus o abençoe!

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