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Porque o gás de quenching no GM deve apresentar um potencial de

ionização menor do que o gás principal?

Para favorecer a transferência de carga de íons positivos e evitar que este


chegue ao catodo, diminuindo a probabilidade de liberação de elétrons do
catodo.

Porque a altura do pulso em um GM continua a aumentar com o


aumento da tensão aplicada?

Com o aumento da tensão, maior será a quantidade de cargas para reduzir o


campo elétrico para o valor crítico, desta forma, maior será o pulso.

A eficiência intrínseca de um GM para 1000 keV apresenta a forma


abaixo. Explique este comportamento.
eficiência

espessura da parede
A resposta a fótons ocorre devido à interação com a parede do tubo GM.

A eficiência depende de dois fatores:

1) da probabilidade da interação do fóton com o tubo.

2) da probabilidade de um elétron proveniente da interação do fóton com o


tubo atingir o gás.

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Logo, quando a espessura da parede do detector é muito fina, o fóton tem
menor probabilidade de interação com a parede do tudo e a eficiência é
baixa e conforme a espessura aumenta, a probabilidade de interação
aumenta e logo também a eficiência. O aumento da espessura da parede do
tubo chega a tal ponto em que passa a atenuar o feixe de fótons e a
eficiência de detecção passa a diminuir também.

Calcule a eficiência de cintilação do antraceno se 1MeV de energia


depositada gera 20300 fótons de comprimento de onda igual a 447 nm.

e = energia convertida em luz / energia total = n Eluz / Etotal

Eluz = hc/l = (4.135E-15 eV)(3E8 m/s) / (447E-9 m) = 2.775 eV

e = (20300 fótons)(2.775 eV/fóton) / (1E6 eV) = 5.63%

Segundo os parâmetros abaixo, qual seria o melhor cintilador


(orgânico ou inorgânico):

Velocidade de resposta – Orgânico.

Emissão de luz – Inorgânico.

Linearidade de resposta – Inorgânico.

Eficiência de detecção para gamas de alta energia – Inorgânico.

Explique a função do ativador nos inorgânicos. Porque não é


necessário nos orgânicos?

A função é criar níveis de energias dentro da banda proibida, possibilitando


assim que os elétrons excitados retornem a sua banda de valência emitindo
fótons na faixa da luz visível. O processo de fluorescência em material
orgânico surge de transições na estrutura do nível energético de uma
molécula isolada e, portanto, pode ser observado independentemente de seu
estado físico.

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Explique a afirmação: Cristais orgânicos mantém sua propriedade de
cintilação mesmo quando são dissolvidos em um solvente, enquanto os
inorgânicos perdem sua propriedade quando dissolvidos.

O processo de produção de luz nos orgânicos se baseia na excitação de


configuração eletrônica de moléculas independentes e não em um nível de
energia numa rede cristalina.

Os inorgânicos dependem de uma rede cristalina para emitir fótons na faixa


da luz visível, quando dissolvidos essa rede cristalina se desfaz e o
processo é comprometido.

Em campos de radiação muito altos, o modo pulso é impossível de ser


aplicado. Por quê?

“Praticamente todos os sistemas de medida necessitam de um tempo


mínimo separando dois eventos para que seja possível distingui-los; seja
por processos no próprio detector ou na eletrônica associada. Devido à
propriedade aleatória do decaimento radioativo, sempre haverá a
possibilidade de dois eventos ocorrerem em tempo menor que o necessário.
Nestes casos ocorrerá “perda” de informação que poderá se tornar muito
severa conforme aumenta a taxa de contagem. Há a necessidade de
correção para o tempo morto”.

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A interação da radiação ionizante em gazes podem gerar dois tipos de
fenômenos: A excitação (o elétron é levado a um estado maior de energia)
e a ionização (o elétron recebe energia suficiente para de desprender do
átomo, tornando-se assim um elétron livre, deixando o átomo ionizado).
Neste ultimo caso, as partículas formadas são denominadas de par de íons
e serão responsáveis pela formação do sinal elétrico a ser desenvolvido na
saída do detector. O número de pares de íons formados pela trajetória de
uma partícula é dado por: N = E/W

Recombinação: Ocorre quando um elétron livre colide com um íon


positivo e é absorvido, tornando o íon em uma molécula ou átomo neutro,
isso resulta na perda de informação no detector.

Região 1 – Para pequenos valores de campo elétrico, a velocidade dos íons


e elétrons também é pequena, possibilitando a ocorrência de recombinação
e desta forma o número de cargas coletadas é menor que o número de
cargas produzidas.

Região 2 – A medida que a intensidade do campo elétrico é aumentada, a


taxa de recombinação diminui e alcança uma região de saturação onde
todos os pares de íons produzidos são coletados. Esta é a faixa de operação
dos detectores chamados câmara de ionização. Essa região se estende até
um ponto limite em que os elétrons livres alcançam energia cinética
superior à energia de ligação da camada mais externa do núcleo dos átimos
presente no gás do detector.

Região 3 – Ao se alcançar esse limite, os elétrons livres são capazes de


provocar novas ionizações, neste ponto inicia-se a região de multiplicação
dos íons. Para um determinado valor de campo elétrico o fator de
multiplicação dos íons é constante, de forma que ainda se mantém a
proporcionalidade entre a energia absorvida e o número de cargas
produzidas/coletadas apesar de se alcançar o valor de multiplicação na
ordem de 10-E2 e 10-E4. Entretanto, com a variação do fator de
multiplicação em função do campo elétrico aplicado é significativa, isso
implica na necessidade de utilização de campos estáveis e contínuos em
todo o volume do gás, tornando essa região não conveniente em aplicações

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de determinação de energia com alta resolução. Nessa região operam os
detectores proporcionais.

Região 4 – Com o aumento de pares de íons produzidos por ionizações


secundárias no gás, ao se aumentar o valor do campo elétrico, efeitos não
lineares começam a serem observados. Isto é devido, principalmente, a
existência de um número muito grande de íons positivos que por possuírem
velocidade de deslocamento menor em relação aos elétrons, permanecem
em movimento no gás e provocam perturbações no campo elétrico, como
qualquer multiplicação posterior depende do valor do campo elétrico, a
proporcionalidade deixa de existir. Esta faixa é chamada de
proporcionalidade limitada e não existem detectores que operam nessa
faixa de campo elétrico.

Região 5 – Se o valor do campo elétrico for elevado ainda mais, o número


de pares de íons produzidos cresce ainda mais e a multiplicação de íons
acontece até que seja produzido um número de íons positivos que seja
capaz de reduzir o campo elétrico a um valor abaixo do necessário para que
ocorra a multiplicação. Desta forma, o processo se torna autolimitado e o
número de pares coletados constantes e independentes da partícula da
energia incidente, uma vez que o processo termina sempre que seja
produzido o número de pares de íons suficientes para reduzir o campo
elétrico a tal valor. Esta região é chamada de Geiger-Miller e nela são
operados os detectores Geiger-Miller.

Região 6 – Se o campo elétrico for aumento ainda mais, a força do campo


produzido passa a arrancar elétrons dos átomos do gás mesmo sem a
necessidade de interação de partículas ou fótons com as moléculas do gás.
Esta região e denominada de descarga contínua e não existem detectores
que operam nessa faixa de campo elétrico.

Detectores: São transdutores que transformam os efeitos da radiação (α, β,


γ e raios X) em pulsos de corrente elétrica que possam ser medidos em um
circuito eletrônico apropriado. O processo de produção de corrente elétrica
é baseado na movimentação de elétrons por um campo elétrico produzido
pela alta tensão aplicada ao detector.

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CÂMARAS DE IONIZAÇÃO:

- São utilizadas para diversas finalidades na área da detecção nuclear, tem


sido um dos primeiros métodos de detecção estudados.

- É o mais simples dos detectores a gás existentes, uma vez que se baseia
na simples coleta de cargas sem a multiplicação de pares de íons, gerados
na interação primária da radiação com o gás.

* Modos de operação:

Medida direta de corrente:

- Mede a média de corrente no tempo, não mede energia (contador).

- As cargas negativas coletadas são tanto na forma de elétrons e íons


negativos, permitindo assim que sejam utilizados vários tipos de gases na
sua operação, inclusive o ar.

- Quando operado com o ar, sua maior aplicação é a medida de taxa de


exposição γ e raios X, já que essa grandeza é definida em função da
ionização produzida pela radiação no ar.

- Utilizado para medir altas atividades.

Medida de pulsos:

- Registra cada interação individualmente formando um pulso distinto, de


amplitude proporcional ao número de ionizações produzidas, que por sua
vez é proporcional a energia da interação (espectroscopia).

- Esses pulsos, uma vez analisados, fornecem informações de quantidades


de interações no volume sensível do detector, assim como a energia da
interação, desde que as interações percam toda a sua energia no volume do
detector (interior da câmara).

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DETECTORES PROPORCIONAIS:

- São baseados na multiplicação de pares de íons formados na interação da


radiação com o gás do detector, visando amplificar a carga original criada
no gás. Os elétrons liberados na interação inicial formam elétrons
secundários que por sua vez foram terciários, dando origem assim a uma
cascata de elétrons independentes de cada elétron secundário.

- A interação com elétrons pode acarretar em moléculas excitadas que


emitem fóton ultravioleta ou visível que podem criar novas ionizações, para
evitar esse efeito, é adicionado um gás chamado Gás de Quenching, que
absorve estes fótons. Caso o fóton ultravioleta interaja com o gás, formará
um elétron que por sua vez dará início a uma nova cascata. Como esse
evento ocorre com elétrons isolados, a altura dos pulsos é menor que as
provenientes das interações com a radiação ionizante.

- Como a multiplicação se dá por um valor constante para uma mesma


condição de operação, então é mantida a proporcionalidade entre a energia
da radiação cedida e o meio de detecção e a amplitude dos pulsos
resultantes.

- Operado na forma de pulso, sendo a amplitude dos pulsos bem maiores do


que os obtidos nas câmaras de ionização, uma melhor relação sinal-ruído é
obtida, facilitando a operação e simplificando a eletrônica associada aos
detectores proporcionais.

- Dá-se preferencia ao formato cilíndrico ou variações destes,


principalmente com eletrodos finos para obter um campo elétrico bastante
intenso. Uma das variações da geometria cilíndrica consiste na utilização
de um anodo na forma de grade posicionado entre duas placas paralelas que
forma o catodo que tem comportamento, a grosso modo, semelhante a
vários detectores cilíndricos colocados lado a lado. Esta geometria permite
a construção de detectores proporcionais de grande área bastante utilizados
em medidas de baixa atividade.

- O espaçamento entre as placas é normalmente maior do que o alcance das


partículas α no gás e menor do que o alcance de partículas β, possibilitando
uma boa discriminação entre as radiações α e β.

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- Devido ao fato de que normalmente toda a energia das partículas α é
depositada no meio de detecção, além da energia da partícula ser mais e
provocar maiores ionizações, o mesmo só ocorre com uma pequena fração
da energia das partículas β, os pulsos relativos à partícula α tem a
amplitude maior que os relativos às partículas β, uma vez que a amplitude é
diretamente proporcional à energia cedida pela interação. Como a partícula
β tem uma maior variação de energia em relação a partículas α, a largura
dos pulsos de β serão maiores do que as de α.

- O patamar α+β é normalmente menor e mais inclinado que o patamar α


devido ao fato de as partículas β não serem mono energéticas o que acarreta
numa distribuição de amplitudes de pulsos mais longas que para α.

- A discriminação entre α e β pode ser feita com a simples troca de tensão


de operação do detector.

- Espectroscopia com fótons de energias pequenas.

DETECTORES GEIGER MILLER:

- Operam na região onde o fator de multiplicação é muito alto, devido à


tensão aplicada e ao campo elétrico criado. Formam além de muitos pares
de íons, um grande número de moléculas excitadas no gás, que retornam ao
seu estado fundamental através da emissão de fótons na faixa da luz visível
e ultravioleta, que interagem por efeito fotoelétrico com as partículas do
gás, liberando um elétron que por sua vez gera outra descarga no interior
do detector, logo, as avalanches de elétrons no detector não são
independentes e a partir da primeira interação no interior do detector, várias
outras cascatas de elétrons são formadas e apresentam quase sempre a
mesma amplitude de pulso devido ao número de elétrons coletados em
cada evento. A possibilidade da ocorrência desse evento é pequena nos
detectores proporcionais, devido à aplicação de menor valor de campo
elétrico e região de multiplicação no detector, porém, nos detectores Geiger
Miller a região de multiplicação é da ordem de 10-E6 a 10-E8, o processo
se torna a princípio sem limite, pois cada descarga, seja ela primária ou

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secundária, pode gerar outra em seguida formando assim várias cascatas de
elétrons independentes.

- Ao se formar no interior do detector um número de íons positivos (que


tem velocidade de deslocamento muito inferior aos elétrons) suficientes
para reduzir o campo elétrico a um valor abaixo do necessário para que
ocorra a multiplicação, o processo se autolimita e cessam as descargas no
detector, e por este motivo, os pulsos produzidos são da mesma amplitude,
independente da partícula ou energia da radiação incidente no detector.

- Outro efeito de importância devido ao elevado número de íons positivos


formados é a liberação de elétrons no instante em que esses íons se chocam
com o catodo do detector (quando a energia do íon positivo é maior do que
a função de trabalho do elétron do catoto), esses elétrons podem então dar
início a uma nova descarga que devido ao tempo de migração de íons ser
muito mais longos em relação aos elétrons, produzirá um novo pulso na
saída do detector, o que atrapalha o processo de detecção gerando ruídos
(novas descargas) no detector. Esse efeito é praticamente eliminado com a
adição de um segundo componente ao gás principal do detector, esse gás
adicionado é chamado de Gás de Quenching e é utilizado em concentração
de ordem de 5% a 10%. O Gás de Quenching interno (halogênios)
neutraliza o íon positivo (com o choque do íon positivo), se torna positivo e
se choca com o catodo, absorvendo um elétron e se recombinando logo
após. O Quenching externo é a modificação feita eletronicamente pelo
aparelho do campo elétrico, o campo é reduzido logo após a coleta dos
elétrons até que os íons positivos sejam todos coletados, não havendo assim
possibilidades dos íons positivos se chocarem com o catodo em tal
velocidade que arranque um elétron e dê início a uma nova descarga. Nesta
operação, só são registrados pulsos com a descarga máxima do detector.

- São normalmente utilizados moléculas orgânicas (metano) ou halogênios


(Cl2) em que a probabilidade de dissociação é muito superior que a de
emissão de elétrons ao se chocar com o catodo e por possuírem um
potencial de ionização inferior ao gás principal do detector, os íons
formados transferem sua carga positiva as moléculas do gás de Quenching
ao longo do seu caminho, e estas são atraídas ao catodo. Os gazes
halogênios possuem a vantagem de poderem se regenerar após a
dissociação, o que acontece com as moléculas orgânicas, aumentando
assim a vida útil dos tubos Geiger Miller.

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- Como a produção de pares de íons em um detector Geiger Miller se
processa até que um número de cargas positivas capaz de reduzir o campo
elétrico no interior do tubo seja criado, o detector não será capaz de
responder a interação de uma nova partícula ou fóton até que essas cargas,
ou grande parte delas sejam neutralizadas ao alcançarem o catodo. O tempo
que é necessário para que o campo elétrico alcance novamente o valor
mínimo para a produção de um novo pulso chama-se tempo morto, que nos
detectores Geiger Miller de da ordem de 50 µs a 300 µs, o que é um valor
alto e com isso ele só pode ser utilizado em baixas taxas de contagens, pois
em altas taxas, o alto tempo morto influenciaria muito na resposta do
detector e a partir de determinado valor, o detector trava e para de contar
corretamente. O tempo gasto para que o campo elétrico volte ao seu valor
inicial, ou seja, a amplitude dos pulsos produzidos seja novamente a mesma
chama-se tempo de recuperação (eventos sem descargas incompletas, que
geram pulsos de menor amplitude).

- Os detectores Geiger Miller tem uma eletrônica associada simplificada, o


que caracteriza o seu baixo custo.

- A eficiência é dependente da energia do fóton. Alta eficiência para baixas


energias comparado com altas energias nas interações com o gás.

Obs: A amplitude dos pulsos na saída dos detectores Geiger Miller seria, a
princípio, uma função da tensão aplicada e, portanto constante, mas devido
à natureza estatística do processo, ele apresenta uma distribuição em torno
de uma média e uma calda em baixas amplitudes. Por este motivo, o
patamar de um detector Geiger Miller apresenta uma inclinação.

CINTILADORES:

Cintiladores são materiais sólidos, líquidos ou gasosos que produzem luz


através de diversos mecanismos quando excitados por radiação ionizante.

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Apresentam alta eficiência de cintilação, linearidade de conversão,
transparente a sua cintilação, tempo de desexcitação pequeno, tamanho e
índice de refração.

A conversão da luz produzida nos cintiladores ou corrente elétrica é feita


com a utilização de fotomultiplicadoras, que são ligadas ao detector através
de um acoplamento óptico.

Os materiais dos cintiladores podem ser orgânicos ou inorgânicos. Os


orgânicos possuem número atômico e densidade elevados, sendo assim
bastante apropriados para detecção de radiação γ. Os orgânicos são mais
aplicados à detecção de radiação β.

Para partículas α, são utilizados materiais orgânicos (cintiladores


líquidos) e inorgânicos. Por não possuir boa transparência, é utilizado em
camadas finas.

Para partículas β, são utilizados materiais orgânicos, Antraceno (Z = 6 e ρ


= 1,25 x 10³ kg/m³).

Para radiação γ, são utilizados materiais inorgânicos - NaI (Tl) (Z = 5 e ρ =


3,7 x 10³ kg/m³).

Cintiladores Inorgânicos:

O mecanismo de cintilação se baseia nos níveis de energia dos elétrons na


rede cristalina. Os elétrons se encontram normalmente ligados aos núcleos
na faixa denominada banda de valência.

A radiação ao interagir com o cristal ativa o nível de energia dos elétrons,


tornando-os livres ou os excitando para as bandas de condução ou bandas
de excitação, respectivamente, ultrapassando as faixas de energia que as
separa da banda de valência, que são chamadas de bandas proibidas (gap).

Os elétrons tendem a retornar ao seu estado fundamental e para isso


necessita liberar a energia no mínimo igual ao “gap” (≈ 8 eV). A produção
de radiação eletromagnética nesse processo é bastante ineficiente, sendo a
energia normalmente liberada na forma de calor e mesmo se isso não
acontecesse, os fótons liberados estariam fora (acima) da faixa de luz
visível. Por esse motivo torna-se necessário a introdução de impurezas (ou

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ativadores) no cristal que criam níveis de energia dentro da banda proibida
do cristal puro. Por possuírem um potencial de ionização inferior ao do
cristal, ocorre uma transferência da excitação ou ionização do cristal para o
ativador, passando para um nível excitado e a probabilidade de retorno ao
estado fundamental através de fótons com comprimento da onda na faixa
da luz visível é maior. Nos detectores de NaI (Tl) existe uma relação de
aproximadamente 1 fóton de luz para cada par de íons formados. Sendo
esta relação constante, existe uma proporcionalidade entre o número de
fótons e a energia da radiação cedida ao detector.

Cintiladores Orgânicos:

O processo de produção de luz se baseia na excitação de configuração


eletrônica de moléculas independentes e não em um nível de energia numa
rede cristalina. Por este motivo, podem ser utilizados meios orgânicos,
sólidos, líquidos ou gasosos na detecção da radiação ionizante. Na grande
maioria dos compostos orgânicos ocorre uma transferência de energia entre
as moléculas até que uma delas perca essa energia em forma de luz. Assim
sendo, o cintilador pode ser misturado a um solvente orgânico e a energia
cedida as suas moléculas pela radiação ionizante ser transferida a uma
molécula do cintilador, processo que é muito utilizado em cintiladores
líquidos. O “gap” de energia de moléculas orgânicas cintiladoras é da
ordem de 3 a 4 eV, por esse motivo, algumas vezes é necessário a adição de
um terceiro componente ao sistema, pois 4 eV corresponde a um
comprimento de onda eletromagnética fora (abaixo) da faixa da luz visível.
Este componente tem a função de deslocar o comprimento de onda da
radiação eletromagnética emitida (ultravioleta), absorve a luz produzida
pelo cintilador e reemite fótons com comprimento de onda adequado a luz
visível.

SEMICONDUTORES:

Dispositivos empregando semicondutores como o meio básico de detecção


de radiação foram disponibilizados, na prática, no início dos anos 60. A
passagem de radiação pelo semicondutor provoca a criação de um grande

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número de pares elétron-buraco, ao longo de sua trajetória, que são
coletados pelo campo elétrico aplicado ao material. A principal vantagem
dos semicondutores é que a energia média necessária para criar um par
elétron-buraco é muito menor (da ordem de 3 eV para o germânio) do que a
necessária para formar um par de íons em gases.

Os detectores com diodos de silício são empregados para partículas


carregadas pesadas, como partículas alfa, prótons e fragmentos de fissão.

Os detectores com diodos de germânio são um dos tipos mais utilizados em


laboratórios para a medida de emissores gama de baixa atividade e para
identificação de radioisótopos presentes em materiais, em uma grande faixa
de energia (alguns keV a 10 MeV).

A refrigeração melhora a relação sinal-ruído, uma vez que aumenta a


resistidade e mobilidade das cargas no semicondutor.

Região de depleção:

Região onde a concentração de buracos e elétrons é bem reduzida, é a


região sensível do detector.

Camada Morta: Região onde estão os elétrons e buracos no detector, elas


podem servir de blindagem.

INFORMAÇÕES PONTUAIS:

Resolução – é a capacidade que um detector tem de diferenciar duas


energias próximas.

Tempo morto – tempo que um detector fica incapacitado para medir uma
nova interação.

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Tempo de recuperação – tempo que o campo elétrico leva para retornar ao
valor normal (mais alto) após a ocorrência de uma interação, ou seja, tempo
mínimo entre dois pulsos de mais alta amplitude.

Pulsos espúrios – pulsos que não são da radiação.

Eficiência de detecção – razão entre o valor medido e a atividade da fonte.


Só é válida quando as condições de detecção (fonte, distância, detector,
geometria) são fixas.

A calibração depende da atividade da fonte e não de sua exposição.

A discriminação entre α e β pode ser feita com a simples troca da tensão


de operação do detector. Rβ = Rβtotoal - fRα / Onde f = R1α/R2α

Pulso mensurável – está acima da faixa de discriminação.

A área de um fotopico é a área acima da linha da área do efeito Compton.

Patamar α+β é normalmente menor e mais inclinado que o patamar de α


devido ao fato de as partículas β não serem mono energéticas, o que resulta
numa distribuição de amplitude de pulsos mais larga do que as de α.

Dependência energética – variação da resposta do detector com a energia


da radiação incidente.

Para impedir o empilhamento (de pulsos) afastamos o detector da fonte de


radiação ou diluímos a fonte de radiação.

Efeito soma – ocorre quando dois fótons γ são emitidos ao mesmo tempo e
são contabilizados pelo detector, no espectro, ocorre um pico com a soma
das duas energias.

Câmaras de Ionização:

- Baixo campo elétrico aplicado (não ocorre multiplicação)

- Simples coleta de pares de íons

- Contagens de pulsos ou taxa de corrente

- Utilizado para altas atividades e para medir a taxa de exposição (com ar


no detector)

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- permite identificar e quantificar as radiações α, β, e γ, bem como medir
taxa de exposição e, indiretamente, dose absorvida.

- Pulsos de baixa amplitude

Detectores Proporcionais:

- Diferenciação entre α e β (ao mesmo tempo) através de dois pontos de


operação (relacionados com o campo elétrico).

- Geometria cilíndrica

- Contagens de pulsos

- Utilização de gás de Quenching

- Maiores pulsos devido às cascatas

- Convenientes para medir raios-X, elétrons de baixa energia e radiação α.

- Detecção de nêutrons, por meio de reações nucleares (n, p) ou (n, α),


colocando-se o material para interação com os nêutrons dentro do contador

Detectores Geiger Miller:

- Detecção de α, β e γ sem diferenciação.

- Contagens de pulsos sem distinção de energias

- Amplitude de pulsos tão grande que permite a eliminação dos pré-


amplificadores, simplificando a eletrônica e barateando os custos.

- Utilização de gás de Quenching

- Altos campos elétricos (multiplicação de elétrons independentes)

Cintiladores:

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• Inorgânicos

- Detecção de α e γ

- Geralmente sólidos

- Necessitam de ativadores

- Alto número atômico (Z) e alto coeficiente de atenuação (ρ)

- NaI (bastante eficiente, baixa sensibilidade para amostras de baixa


atividade)

- Determinação da atividade da amostra

• Orgânicos

- Detecção de α e β

- Líquidos, sólidos e gasosos

Cintiladores Líquidos: composto por um vidro com a amostra radioativa e


o detector; e um tubo fotomultiplicador e o sistema eletrônico que lhe é
associado. Eficiência próxima a 100%.

- O processo de fluorescência em material orgânico surge de transições na


estrutura do nível energético de uma molécula isolada e, portanto, pode ser
observado independentemente de seu estado físico

- Sem necessidade de adição de ativadores

- Baixo número atômico (Z) e baixo coeficiente de atenuação (ρ)

Semicondutores:

• Barreira de Superfície

Detecção e espectrometria α

• Ge (Li) / Si (Li)

Detecção de raios X e γ

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A energia média necessária para criar um par elétron-buraco é muito menor
(da ordem de 3 eV para o germânio)

• Ge puro / HPGe

- Espectrometria γ

- Permite identificar com facilidade os radionuclídeos por meio das


energias de suas radiações

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