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Análise do setor Sucroenergético do mês de agosto.

Açúcar

O preço do açúcar cristal seguiu em alta no mercado paulista em agosto. Segundo


pesquisas do Cepea, os valores foram impulsionados pelas demandas interna e
externa firmes e pelos aumentos na cotação internacional.

Em agosto, a média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 46,42/sc, alta de


13,5% sobre a de julho. Comparando-se a média atual com a de agosto/09 (R$
45,43) houve aumento nominal de 2,17%.

No mercado externo, as cotações refletem a preocupação de agentes internacionais


com a oferta mundial, já que grandes países produtores da commodity têm
passado por problemas climáticos. Atualmente, o Brasil é o único fornecedor
mundial de açúcar, fundamento que impulsionou as cotações futuras do produto em
agosto.

Conforme cálculos do Cepea, as vendas de açúcar no mercado externo


remuneraram cerca de 4% mais que as vendas domésticas em agosto
(considerando-se: o valor médio do Indicador CEPEA/ESALQ, o vencimento
Outubro/10 na Bolsa de Londres (Liffe), um desconto de qualidade estimado em
US$ 8,25/t, e custos com elevação e frete de US$ 90,00/t).

Nos estados do Nordeste, em agosto, o Indicador Mensal do Açúcar Cristal


CEPEA/ESALQ para o estado de Alagoas fechou a R$ 59,37/saca de 50 kg, aumento
de 7,22% sobre o de julho. Em Pernambuco, o Indicador Mensal foi de R$ 62,87/sc,
alta de 12,9%.

Etanol

As negociações de etanol estiveram aquecidas no mercado spot no início de agosto


no estado de São Paulo. Algumas distribuidoras consultadas pelo Cepea adquiriram
maiores volumes do combustível, enquanto outras se concentraram na retirada do
produto já contratado. Diante de tal procura, usinas estiveram mais firmes nas suas
ofertas de vendas, fazendo com que os preços subissem. Além disso, a entrega de
açúcar, especialmente para o mercado externo, seguiu aquecida, aliviando a
necessidade de vendas imediatas de etanol. Vale ressaltar que, desde julho, usinas
que atenderam a critérios do governo federal puderam também acessar recursos
públicos para estocagem do combustível a ser comercializado na entressafra.

Na primeira quinzena do mês, especificamente, nem mesmo a combinação de


colheita avançando sem interrupções com a oferta de usinas do Centro-Oeste,
sobretudo de Mato Grosso do Sul, fez com que os preços no mercado paulista
recuassem.

Segundo pesquisas do Cepea, na segunda quinzena, os preços do etanol seguiram


firmes no mercado paulista. De modo geral, parte das distribuidoras esteve com
menos interesse em novas aquisições. Usinas, por sua vez, mantiveram os preços
firmes, mas com baixo volume negociado.

Em agosto, o Indicador mensal CEPEA/ESALQ para o anidro em SP foi de R$


0,9619/litro (sem impostos), 4,09% maior que o de julho. O Indicador
CEPEA/ESALQ para o hidratado fechou a R$ 0,8357/litro (sem impostos) em
agosto, alta de 4,73% no período.
Nos estados do Nordeste, que ainda estão em entressafra, os preços do hidratado
subiram em Alagoas e ficaram praticamente estáveis em Pernambuco. O Indicador
CEPEA/ESALQ mensal do hidratado fechou em R$ 1,0886/litro (com impostos,
exceto ICMS) em Alagoas, elevação de 2,79% sobre o Indicador de julho. Já em
Pernambuco, a média do hidratado foi de R$ 1,1084/litro, queda de 0,84% sobre a
do mês anterior. Quanto ao anidro, não foi possível calcular Indicador em ambos os
estados por conta do número insuficiente de informações.

Em relação à paridade de preços entre os produtos do setor sucroalcooleiro no


estado de São Paulo, cálculos do Cepea mostraram que o açúcar cristal remunerou
47% a mais que o etanol anidro e 61% a mais que o hidratado em agosto.
Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 9% a mais que o
hidratado. Em agosto, o preço do álcool anidro combustível recebido pelo produtor
representou 10,47% do preço da gasolina C vendida ao varejo em julho, no estado
de São Paulo.

Quanto à safra 2010/11, conforme dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-


Açúcar), 570,19 milhões de toneladas devem ser processadas na região Centro-Sul
do País – em abril deste ano, a estimativa da Unica era de 595,89 milhões de
toneladas. Na temporada 2009/10, foram moídas 541,96 milhões de toneladas.

Na primeira quinzena de agosto, a entidade indica que foram processadas 40 mil


toneladas de cana na região Centro-Sul, ligeira queda de 0,82% frente ao mesmo
período da temporada passada. Mesmo assim, de açúcar, foram produzidas 2,737
milhões de toneladas e de etanol, 1,914 bilhão de litros, aumentos de 7,82% e de
6,53%, respectivamente.

No acumulado da safra (até 16 de agosto), foram processadas 337,883 milhões de


toneladas de cana na região Centro-Sul, aumento de 17,08% frente ao mesmo
período da temporada passada, conforme dados da Unica. De açúcar, foram
produzidas 19,512 milhões de toneladas e de etanol, 14,804 bilhões de litros,
aumentos de 26,46% e de 18,92%, nessa ordem. Sobre o mix de produção nesse
período, 44,71% da cana foi alocada para o açúcar e 55,29%, ao etanol.

Quanto às exportações brasileiras de etanol, em agosto, foram embarcados 242,3


milhões de litros do combustível, aumento de 3,37% sobre o volume de julho; em
comparação ao mesmo período de 2009, contudo, houve queda de 30,31%. Em
relação ao açúcar, o volume de refinado e de bruto embarcado em agosto deste
ano foi 19,03% e 7,95%, respectivamente, superior ao de julho/10.