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Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Brasil em 2016.

Este trabalho tem como objetivo mostrar as pesquisas e análises de dados dos índices de
desenvolvimento humano do ano de 2016 no Brasil, neste ano o Brasil ficou no 79º lugar no
ranking que abrange 188 países, do mais ao menos desenvolvido.

O desenvolvimento humano é muito mais do que o aumento ou quebra dos rendimentos


nacionais. Tem a ver com a criação de um ambiente no qual as pessoas possam desenvolver o
seu pleno potencial e levar vidas produtivas e criativas, de acordo com as suas necessidades e
interesses. As pessoas são a verdadeira riqueza das nações. O desenvolvimento tem a ver,
portanto, com o alargamento das escolhas que as pessoas têm para levar uma vida a que deem
valor. E tem a ver com muito mais do que o crescimento económico, que é apenas um meio,
ainda que muito importante, de alargar as escolhas das pessoas.

Para alargar estas escolhas, é fundamental a criação das capacidades humanas, o conjunto de
coisas que as pessoas podem ser, ou fazer, na vida. As capacidades mais elementares para o
desenvolvimento humano são: ter uma vida longa e saudável, ser instruído, ter acesso aos
recursos necessários para um nível de vida digno e ser capaz de participar na vida da
comunidade. Sem estas, muitas outras escolhas simplesmente não estão disponíveis e muitas
oportunidades na vida mantém-se inacessíveis. Os filósofos, economistas e líderes políticos,
desde há muito que enfatizam o bem-estar humano como o objetivo, o fim, do
desenvolvimento. Como dizia Aristóteles, na Grécia antiga, "A riqueza não é, evidentemente,
o bem que procuramos, pois ela é útil apenas para obter outra coisa qualquer". Na procura dessa
outra coisa qualquer, o desenvolvimento humano comunga de uma visão comum com os
direitos humanos. O objetivo é a liberdade humana. E esta liberdade é vital na persecução das
capacidades e na realização dos direitos. As pessoas têm de ser livres para exercer as suas
escolhas e para participar na tomada de decisão que afeta as suas vidas.
(http://www.br.undp.org)

Na literatura econômica convencional predomina a idéia de que crescimento econômico é


sinônimo de desenvolvimento. Para os economistas mais ortodoxos, há uma clara equivalência
entre riqueza e desenvolvimento. A idéia é que bastaria medir o grau de opulência econômica,
através de indicadores como renda per capita, para se saber se há desenvolvimento ou não. Em
outras palavras, esses economistas acreditam que a partir do crescimento quantitativo da renda,
indicadores de qualidade de vida como expectativa de vida, educação, saúde, pobreza, entre
outros, alcançariam automaticamente valores satisfatórios, como numa relação de causa e
efeito. Para eles, o crescimento da renda melhora, por si só, os indicadores sociais, incluindo
os indicadores de qualidade de vida, atingindo assim o desenvolvimento. (Barcellos Marques
Sousa, Roseane, 2010).

A partir dos anos 60, a visão acima começa a sofrer fortes críticas. Nesse período, foram
surgindo evidências demonstrando que a relação entre crescimento e melhorias nos indicadores
sociais, incluindo qualidade de vida, não ocorriam de forma direta. Essa afirmação em Veiga
(2005) é exemplificada pelo caso dos países em desenvolvimento que mesmo após atingirem
crescimento elevado da renda não avançaram nos indicadores sociais. No Brasil, o período da
industrialização proporcionou um rápido aumento de renda per capita, entretanto, a elevação
da renda não foi condição suficiente para ampliar os resultados dos indicadores sociais. Essas
evidências reforçam a idéia de que para alcançar o desenvolvimento é necessária uma avaliação
de um conjunto mais amplo de indicadores. Dentro dessa idéia, o PNUD (Programa das Nações
Unidas) desenvolveu o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), um indicador que tem por
objetivo substituir o indicador de renda per capita como índice para o desenvolvimento por um
indicador que absorva uma quantidade maior de variáveis socioeconômicas. O
desenvolvimento humano significa alargar as escolhas humanas atribuindo maior destaque à
riqueza da vida humana e não simplesmente à riqueza das economias. O trabalho é fundamental
neste processo, na medida em que mobiliza, de formas diferentes, pessoas de todo o mundo e
ocupa uma parte importante das suas vidas. Dos 7,3 mil milhões de pessoas de todo o mundo,
3,2 mil milhões têm emprego, outras dedicam-se ao trabalho de prestação de cuidados, a
trabalho criativo, a trabalho voluntário ou a outros tipos de trabalho, ou ainda à sua preparação
enquanto futuros trabalhadores. (http://www.br.undp.org)

A adaptação do IDH para níveis subnacionais tem sido praticada em diversos países, com vistas
a adaptar a metodologia do IDH Global ao contexto nacional. O Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento encoraja os países a desenharem IDHs nacionais que utilizem
indicadores mais adequados às suas necessidades. Os países são convidados a inovar, substituir
ou adicionar novas dimensões aos componentes apresentados no IDH global para IDHs
subnacionais. Já foram alterados indicadores específicos do IDH ou criadas novas dimensões
para o IDH, tais como liberdade política, meio ambiente, segurança e trabalho, entre outras.
Gâmbia, Argentina, China, Índia, África do Sul e Letônia estão entre os países que adaptam o
IDH. No Brasil, essa adaptação é feita desde 1998. (Jorge Chediek, 25: 2013).
A pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) aponta que a
relação entre trabalho e desenvolvimento humano não é automática e que existe trabalho, como
o trabalho forçado, que pode prejudicar o desenvolvimento humano na medida em que viola
os direitos humanos, destrói a dignidade humana e sacrifica a liberdade e autonomia. Sem
políticas adequadas, a desigualdade de oportunidades e de recompensas no mundo do trabalho
pode gerar divisões, perpetuando as desigualdades na sociedade. A pesquisa demonstra ainda
que o trabalho pode reforçar o desenvolvimento humano se forem implementadas políticas
destinadas a multiplicar as oportunidades de trabalho produtivas, bem remuneradas e
gratificantes, a melhorar as competências e o potencial dos trabalhadores e a garantir os seus
direitos, a sua segurança e o seu bem-estar. O Relatório também apresenta uma agenda de ação
baseada num novo contrato social, num acordo global e na Agenda do Trabalho Digno.

Os registros administrativos coletam dados multidimensionais sobre assuntos como uso do


tempo, renda e bem-estar subjetivo. Um exemplo bem conhecido é o registro compartilhado
do Cadastro Único do Brasil, que fornece dados sobre a população vulnerável, definidos como
famílias que ganham metade ou menos de um salário mínimo por pessoa ou até três salários
mínimos no total. O banco de dados contém informações sobre as características de cada
membro das famílias, sobre suas circunstâncias sociais e econômicas e acesso a serviços
públicos. Dirigido pela Caixa Econômica Federal, um banco público, o banco de dados abrange
cerca de 78 milhões de pessoas, principalmente para atribuir benefícios como o do Bolsa
Família, o conhecido programa de transferência de renda.

Aumentou o alcance do programa e atenuou o risco de manipulação de dados, fraude e


clientelismo, para o qual o Bolsa Família foi criticado anteriormente. Outros países da América
Latina seguiram a liderança do Brasil. O Sistema de Seleção de Beneficiários Únicos da
República Dominicana ajuda a identificar e classificar famílias elegíveis para programas
sociais. Este mecanismo de segmentação tem sido fundamental para canalizar recursos para as
famílias mais vulneráveis, melhorando também o acompanhamento e a avaliação dos
programas de política social. Uma única base de dados nacional para determinar a elegibilidade
tem outros benefícios, como evitar duplicações (caso contrário, as pessoas podem receber
benefícios de vários programas), reduzindo custos administrativos em todos os programas e
facilitando o monitoramento de critérios para limites de tempo e graduação.

No caso brasileiro, os resultados indicam os efeitos das crises econômica e política que afetam
o país desde 2014. De acordo com o PNUD, mais de 29 milhões de pessoas saíram da pobreza
entre 2003 e 2013. No entanto, o nível de pobreza voltou a crescer entre 2014 e 2015, quando
cerca de 4 milhões de pessoas ingressaram na pobreza. No mesmo período, a taxa de
desemprego também voltou a subir, atingindo mais de 12 milhões de pessoas. E a situação é
mais grave entre jovens e mulheres. Diante de situações como essa, verificada também em
outras países, inclusive em economias desenvolvidas, o PNUD recomenda a adoção de
políticas públicas universais afirmativas, que fortaleçam a proteção social e deem voz aos
excluídos. “Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu
ser social que lhe determina a consciência.” (Karl Marx).

As cidades mostradas no gráfico abaixo, são o que o Brasil tem de melhor nas áreas de
educação, renda e expectativa de vida, segundo a ONU no ano de 2016. Elas integram o seleto
grupo dos municípios com grau de desenvolvimento considerado “muito alto” no Índice de
Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), divulgado hoje pelo Pnud, órgão das Nações
Unidas, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João
Pinheiro. Para tanto, elas têm IDHM superior a 0,8. A média do Brasil hoje é 0,727,
considerado alto (mas não muito alto). O indicador, que vai de 0 a 1, e quanto mais próximo
de 1, melhor é. Semelhante ao famoso IDH calculado para os países do globo, mas algumas
adaptações metodológicas tupiniquins foram feitas, por isso, segundo o Pnud, não é possível
comparar os números de países inteiros às cidades brasileiras. O IDHM não mede exatamente
qualidade de vida. Embora, claro, municípios com elevados índices de educação, longeva
expectativa de vida e renda alta tendam a ser bons lugares para se viver. Entre as capitais,
venceu Florianópolis (SC), seguida de Vitória (ES). O levantamento é feito pela ONU a cada
10 anos, com base nos dados do Censo, do IBGE. Clique nas fotos e confira as cidades que
estão na dianteira do país. Além do valor de cada subíndice do IDHM, estão incluídas em cada
cidade a expectativa de vida, em anos, e a renda, em reais. (http://www.br.undp.org)
Figura 1 – Gráfico dos 10 munícipios do Brasil com melhor IDHM em 2016.

O avanço do desenvolvimento humano através de esforços para alcançar todos exige políticas
bem definidas, incluindo políticas universais com foco apropriado e reorientação, medidas
para grupos com necessidades específicas e intervenções para proteger os ganhos de
desenvolvimento humano e parar as reversões. Mas as políticas que apoiam as políticas
nacionais também envolverão a participação das pessoas na influência das políticas e na
avaliação dos resultados do desenvolvimento, em particular a voz dos marginalizados e
vulneráveis. Para isso, a qualidade e o uso dos dados para elaboração de políticas baseadas
em evidências precisarão ser melhorados. E os sistemas e ferramentas para transparência,
responsabilidade e avaliação precisarão ser bastante fortalecidos. Mas a relevância e a
eficácia das políticas nacionais dependem em grande parte do que acontece globalmente em
termos de questões e instituições, tendo em conta os limites mais amplos da comunidade
global e dos mercados globais. (MACHADO, João Guilherme Rocha 2007).

Os relatórios anuais do IDH continuamente expondo as deficiências nas medidas


convencionais de bem-estar. O IDH continuou a atrair atenção generalizada e motiva o
trabalho de ativistas, estudiosos e líderes políticos em todo o mundo. De fato, o
ressurgimento do interesse neste assunto nos mais altos níveis de governo, evoluem as
opiniões intelectuais sobre as causas e a natureza das mudanças no desenvolvimento
econômico e social na direção de reconhecer a necessidade de ter em conta as especificidades
nacionais e regionais na definição de desenvolvimento. Amartya Kumar Sen, que é um
escritor e economista Indiano, ficou particularmente conhecido pelo seu trabalho sobre as
causas da fome e por, nos anos 1990, ter ajudado a criar o Índice de Desenvolvimento
Humano, usado desde então pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no
seu relatório anual. Amartya Sen sugere que o desenvolvimento de uma "ponte acadêmica"
entre direitos humanos e economia é uma contribuição importante e inovadora que tem
importância metodológica e substancial, e que fornece um protótipo e estímulos para futuras
pesquisas. O trabalho de Sen expandiu e aprofundou o discurso dos direitos humanos,
abrindo novas linhas de indagação tanto em ética como em economia e promovendo a
fertilização cruzada e a integração sobre o tema dos direitos humanos através das divisões
disciplinares tradicionais. Na ética, Sen desafiou a exclusão da pobreza, da fome, da
caracterização das liberdades fundamentais e dos direitos humanos e contribuiu para o
desenvolvimento de um quadro no qual padrões internacionalmente reconhecidos no campo
da pobreza e dos direitos humanos possam ser significativamente conceituados e coerentes
compreendidos.

O conceito de IDH como uma medida sumária do desenvolvimento humano serve como um
melhor guia para os formuladores de políticas. Algumas das limitações acima já foram
abordadas. O IDH continua a ser uma ferramenta muito amplamente utilizada hoje do que o
indicador normal baseado em renda-PNB. O sucesso do IDH é notável.