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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

CURSO DE PSICOLOGIA

ESTÁGIO BÁSICO DO NÚCLEO COMUM

Disciplina Psicologia do Cotidiano

Relatório de Observação Crítica – “A Caça”

Aluno(a): Rafael Marques da Silva

Matrícula: C98BAG-5 Turma: PS5P44

Professora: Dra. Karine Cambuy

Campus: Jundiaí

Data: 25/03/2018

O filme conta a história de Lucas. Ele é professor, tem 42 anos, é divorciado e


tem um filho. Dá aula para crianças em uma escola, e tem como hobby a caça.
Aparentemente todos alunos gostam dele, o recebendo com abraços e brincadeiras,
e ele também parece confortável na presença das crianças.

Lucas, após um dia de aula, encontra Clara, uma garotinha da escola que se
perdeu. Ele se oferece para ajudá-la a ir para casa, e, no caminho, ela fala sobre
achar o Lucas triste e solitário, pois é isso o que o pai dela disse. Há forte influência
das relações familiares.

Os próprios personagens tem esta tendência à observação. O pai de Clara,


que é amigo de Lucas, o diz em determinado momento: “Dá para perceber quando
você está mentindo, você faz assim (gesto) com os olhos, igual um tique nervoso”.

Apesar de tudo, Lucas parece querer passar um ar mais frio. Ele é divorciado
e a esposa não o deixar ver o filho com frequência. Na fala, ele transparece a falta
da família, mas visualmente parece intocável, sólido. Ele, algumas cenas depois,
também recebe a notícia de que seu filho voltaria a morar com ele. Lucas mantém a
mesma postura.

Existem conflitos no ambiente de Clara. Seus pais discutem muito, seus


irmãos são mais velhos e acabam expondo ela a situações constrangedoras,
inclusive mostrando-a revistas pornográficas. Ela aparenta sempre estar angustiada,
e em suas atitudes, sempre parece sozinha, isolada, perdida. Seus pais parecem ter
descuido, pois ela sempre está sozinha.

As crianças parecem encontrar segurança em Lucas, na escola. Clara


também demonstra muito gostar de seu professor e amigo, chegando a dar um beijo
nele e o entregando bilhetes. Lucas busca castrar este desejo de Clara, mas ela fica
frustrada e nega tudo o que havia feito.

Clara, após este ocorrido, começa a falar mal de Lucas para uma funcionária
da escola, chamada Grete, que aparenta ser a diretora. Ela fica preocupada, pois
Clara fala sobre seu pênis ficar duro, entre outras coisas que denotariam um abuso.

Neste meio tempo, Lucas e outra funcionária da escola trocam elogios, a


Nadja. É possível perceber que ela está apaixonada. Ele retribui, mas da sua
maneira, menos calorosa, mais austera. Eles acabam ficando juntos e namorando.

No dia seguinte, Grete comenta com Lucas sobre o incidente de Clara.


Preocupada, ela para o professor tirar alguns dias de folga, assim, facilitando o
entendimento do caso. Lucas fica muito apreensivo com a situação.

Grete chama um amigo para conversar com Clara. Ele se chama Yuri, e
provavelmente é psicólogo. Ele passa a questionar a garotinha sobre o que havia
ocorrido entre ela e o professor. Ela fica desconfortável, mas admite o abuso.

Neste dia também ocorre a reunião de pais. Na reunião, Grete fala tanto
pessoalmente com a família de Clara, como com o grupo de pais. Ela explicita que é
possível haverem ocorrido múltiplos casos de abuso na escola. A notícia corre, e o
filho do professor o liga, dizendo que a informação de que ele é abusador chegou
até ele.
Todos passam a julgar Lucas, e ele vai tirar satisfação com Theo, o pai de
Clara. No fim de tudo, o professor é expulso da casa, e Clara desmente o que havia
dito. Ela diz que era tudo uma mentira. A garotinha fica triste com a situação e vai
até a casa de Lucas, mas ele a manda embora.

Nadja pergunta a Lucas se ele realmente abusou da menina. Ele não nega,
mas fica muito bravo e manda ela ir embora. Lucas age muito agressivamente neste
momento. Algum tempo depois, Marcos, seu filho, vem o visitar.

Lucas acaba sendo preso no dia de natal. Seu filho fica sem reação e vai até
a casa de Theo, Clara e sua família, pedindo para ficar com eles. Marcos arruma
confusão, brigando com a família por incriminar seu pai. Ele é jogado para fora e vai
até a casa de seu tio, onde é acolhido.

O tio de Marcus fala mais sobre o caso. Mais crianças relataram abusos,
dizendo que haviam ocorrido no porão de Lucas. O fato é que não existe porão na
casa, mas todos partem do pressuposto de que as crianças não estão mentindo.

Lucas é absolvido no julgamento e volta para sua casa. Logo após, sua casa
é vandalizada, e sua cadela é encontrada morta, assim como ele é agredido ao ir
fazer compras. Com tanta hostilização, Lucas chega até a se alcoolizar, e então vai
até a igreja para a missa de natal.

Durante a missa, todos observam Lucas. Durante o coral das crianças, ele
começa a chorar. É um choro enigmático, não é possível perceber se é um choro de
culpa ou de frustração. Irritado, ele levanta e agride Theo, falando para que se
olhem nos olhos e ver se encontra alguma coisa. A cena remete ao começo do filme,
onde Theo diz saber quando Lucas mente.

Um ano se passa e Lucas volta a se reintegrar à sociedade. Há a cerimônia


de crescimento de Marcos, onde ele se torna um caçador. Nestes momentos, Lucas
chega até a fazer contato com Clara. Ambos parecem apreensivos, Lucas carrega a
garota no colo por instantes, e a cena fica por isso. No fim do filme, quando Lucas
leva Marcos para caçar, alguém, na floresta, tenta alvejá-lo com um tiro. Lucas se
recolhe, com medo, e assim o filme termina.
Este filme traz diversas reflexões à tona. O roteiro parece querer nos mostrar
que Lucas é inocente, mas algumas situações deixam um ar de dúvida. Lucas, na
cena da igreja, encara Theo e pisca os olhos de uma maneira parecida a qual ele
mentiu no começo do filme. Outras crianças relatam abusos. O irmão de Clara
parece sempre desconfortável na presença de Lucas, e chega até a chorar quando
ele e a irmã brincam. Além disso, na cena em que Lucas fala com Nadja, ela o
questiona sobre ser molestador e ele não nega, mas responde-a com uma pergunta.

Em contraponto, os irmãos mostram a revista de sexo para Clara, o que pode


ter ficado na sua imaginação e a feito imaginar estas coisas. Além disso, a garota
sempre mostrou muito carinho pelo professor, e é possível que sua indignação com
ele recusar sua carta a tenha feito falar isto. Além disso, o filme mostra uma cena do
professor em um banheiro com um aluno, onde o professor não faz nenhum tipo de
contato sexual, e só se aproxima do garoto quando ele reforça que não se limparia
sozinho. Na cena do interrogatório de Yuri, o método que Yuri usa para entrevistá-la
não é correto, pois ele sempre sugere a resposta da menina, usando a falácia do
viés de confirmação.

Ademais, o filme também mostra muitas características da cultura do país.


Após pesquisa, é possível descobrir que o filme se passa na Dinamarca. Pode-se
ver sempre a cultura de caça, a convivência em pequenas comunidades, o
catolicismo, entre outras celebrações presentes na cultura dinamarquesa.

É um filme que nos faz refletir e tentar buscar respostas nos detalhes, pois
muitas coisas não são explícitas. A psicologia do cotidiano se torna uma importante
ferramenta de análise destas situações, mas é certo que toda observação parte de
um ponto de vista, e uma situação cotidiana pode ser interpretada de diversos
pontos.