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7” 1 te oh TRANSFORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVIII ‘Tocqueville transporta sua andlise para o inicio da “era da igualdade”. Ele ccaracteriza o impacto das idéias igualitirias nas relacbes enire patrbes e emprega- dose analisa a crise resultante nas relagdes humanas, Escrevendo nos anos de 1830, faz especulagdes sobre o futuro, especialmente na sua brilhante comparagéo entre as estéveis condigées de igualdade na América eas inseguras condigdes na Franca. Hoje, podemos olhar para essas especulacies, bem como para as de Karl Marx, a partir do ponto de vista vantajoso de uma época posterior. Sem o esforgo desses homens em discern os esbocos do futuro, careceriamos de pardmettos para uma anilise critica a Vimos que a vida politica medieval depende da ligacio entre a posicao heteditéria ou espiritual na sociedade, © controle sobre a terra como © principal recurso econdmico, eo exereicio da autoridade piblica. Todos aqueles cuja posigio {ou status 08 exclui do acesso ao controle sobre a terra so desse modo excluidos F de qualquer participacio direta nos negécios piblicos, Os direitos ¢ liberdades so estendidos mais a grupos, corporagées ¢ classes do_gue a sujeitos individuais; a rTepresentagio nos corpos judieiirios e legislativos é canalizada através de Estados _& dicioniment privilegados. Ness estraur, nena drlio media € conc dido a siditos em posigéo de dependéncia econdmica, tais como arrendatérios, artifices, trabalhadores e criadas: na melhor das hipéteses, eles sio classificados sob a casa de seu amo ou representados por ele e por sua propriedade. Esse sistema € rompido pelas revolugdes gémeas do Ocidente — a politica e a industrial -, que o REINHARD BENDIX levaram so teconesiment final dos dios de eidaani de todos os ado, incluindo aqueles em posigdes de dependéncia econdmica, Tooqueville: Emerge dessacriseum nove pada de lage che one @ antiga relagio tradicional por uma relagdo de auloridade individualista. Novas formas de agigioemergem dss novo pao de eagbs decane eclnce aidéiade dete guns aa tadoses cidade Far seumatetsinadeiceer ee, 8 raicalizagio des eases mus banas no decover ds indicate none Conta ese pno de fund, process de onstsio dongle ¢ eniane ‘esmos de una ands comparativo Gao da edo Nos Louder gmergents da Eure ocidetal, o problema politico eich efi se, ¢ em ane A Relagdes de Classe numa Eva de Contrato i Relagdes de auto) dade individualistas —— fn A sesipracidade das zelacbes sociais est dentro de padres porque os homens s orientam pela expectativa dos outos, toda agio da “outro” Hime o mmo tespostas possives. Auiordade significa que os poueos no comando tém ene ampla escolha de opgdes. Inversamente, subordinagao significa que os muitos que cumprem as ordens tém seu imbito de escola reduzido. Mass opsbes Jos pose so limitadas, mesmo quando o poder no comando& opressivo, Um desexe nce € aus, mesmo a mais desteasubordinago, dein algumos eco agueles que abdecem. A ndo-cooperagioteita pode se varia, sui, mais inpomanne aa gue rotesto manifesto Os subordinados faze julgamentes,condurindo gene de cooperagio ou nio-cooperagio que so varives importantes em cade privia Ue autoridade estabelecido, A ideologia tradicional que defende os pivlégios da aistoracia em nome de suas responsahildades deve ser vista por esse prisma, Tosquonilie enintns oe ‘specs posiis das eagoessoias que correspondem 3/aayisto do mands Por mais voluntariosos ¢ evaivos que sejam os senhores dndividvainone, ¢ fezosvel presumis gue, por algum tempo, o senso ¢ a pitca da tesponsaiidgde i | 2cstosstica por seus interires exam relavamente elevados tort core, Bentinas a lealdade e obediéncin dos subordinados, De fato, sem alguma espon- Ssabilidadé de um lado ¢ alguma lealdade de outro, nao teria sentido dizer que as “Tligbes de avtordade raiconas foram rompidos. € melhor considers ogo, TRANSFORMAGOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVII tradicional como parciaimente win padro de comportamento € parcialmente um idieai, em viride dos violentos conflitos que também earacterizam a sociedade medieval, Meais sio essenciais nessa conexto, porgue eles afelam a orientacio mesmo dagueles que nio conseguem viver de acordo com eles. As relagées de aoridade tradicionais permanecem intaetas, enquanto as agbes e crencas que fagem desse padro, bem como aquelas que 0 sustentam, no solapam a fecipro- cidade de expecta Dizer que umacrise de tansigao se estabelece quando os homens questionam conséientemente 0s acordos e convengées previamenie aceitos no nos ajuda a distinguir esse questionamento dos continuos ajustes de direitos e obrigagées que vas basica, ‘ocorrem enquanto as relagées de autoridade tradicionais permanecem “intactas”. ‘Tais ajustes envolvem modificagbes de detalhe, que se transformam num questio- ‘Ramento de presungdes basicas apenas quando elas se acumulam. Usualmente, 0 observador contemporaneo ¢ impedido de reconhecer essa distingio. Ele pode ver uuma crise (no existe época sem suas Cassandras), mas ele nio consegue dizer se ela & a crise ¢ aonde ela conduzirs, Em sua anilise das selagées de autoridade tradicionais, Tocqueville observa que os senhores fogem cada vez mais de sua responsabilidade de “proteger € remunerar”, mas mantém seus privilégios de costume como um direito inalienavel Esse processo se estende séculos a fio, durante os quais a real rejeigio de responsabilidad é completamente obscurecida ideologia tradicional. Quando essa discrepincia entse os direitos e responsa- bilidades dos senhores se torn manifesta? As idgias referentes A posigio do pobre nao fornecem a melhor chave a esse culos, o pobre aprendeu © dever ao trabalho € a virtude respeito. Ao longo dos s de se satisfazer com 0 lugar que Devs escolheu para ele. A condenacio de sua Indoléneia e dissipagao so ta tema constante, mas esses defeitos sao considerados inextirpaveis — um simbolo da classe social inferior. Acredita-se que a qualidade humana ¢ a responsabilidade social se harmonizam. A baixa posigio social e a condigio inferior do pobre também os isentam de responsabilicade; nao se pode exigit muito deles, Por outro lado, a classe alia também significa grande respon- sabilidade. Mesmo onde as préticas tradicionais sao abandonadas,¢ ficil preservar © conveniente pretexto de que o rico e poderoso trata o pobre como os pais a seus filhos. Durante a maior parte do séeulo XIX, 0 patematismo sustenta sev apelos uma opiniao profundamente asraigada ndo é destrufda prontamente. E, contudo, muito mais imptessionante que, na fase inicial da industrializagio inglesa, a responsabilidade de proteger 0 pobre contra os riscos da vida seja explicitamente rejeitada. O contraste com o paternalisma torna essa rejeigao da responsabilidad da classe superior um fenémeno evidentemente novo, REINHARD BENDIX Durante a segunda metade do século XVII, alguns pares, escritores € economistas poliicns comegam a rejeitar a “responsabilidade do rico” como uma fraude piedosa, As deslocagées da Revolugio Industrial com seus efeitos crutis 3 sobre as massis conduziram ou exigitam novas interpretagées da causa da pobreza so Trés dessas interpretagbes Sio aqui citadas. Embora intimamente ligadas uma s outta, elas representam mais ou menos temas separiveis do pensamento social i snglés, quando, nos anos finais do séeulo XVII, a caridade tradicional e a antiga vg legislagio de assisténcia a0 pobre como um meio de ajudar o indigente se tornaram y t eo" quests eontrovertidas! t Uma abordagem vé a causa da pobreza no proprio esforgo para minorara i : iiséria. O pobre nao se inclina a se empenhar; falta-Ihe o orgulho, a honea e a 7 ambigfo de seus superiones. Ail, essa observagiosustetava a opnigo de que : © pobre deve ser yuiado; aggra; sustenta a opinio de que a caridade apenas 7 Gestedi a incentive e, portanto, intensifica a pobreza. A indoléncia aumenta : quando se tomam providéncias para socorzer 9 pobre; u horrivel necessidude € ' 6 motivo mais natural do trabalho, pois exerce incessante pressia sobre o pobre 7 “O escravo deve ser compelido a trabalhar; mas o homem livre deve ficat entregue a seu préprio julgamento e critério”, Aqui a énfase recai na suposigio oe de que 0 rico nio pode ajudar o pobre, mesmo que o queita, e ainda de que as b ¢ ordens inferiores devem depender de si mesmas, A rejeicio da responsabilidade avg 8 dla classe superior caminha de mios dadas com a pretensio de que o pobre deve Gi ser autodependente 4 Na segunda abordagem, os esforgos prnicosos de caridude esto lgados 3 - h teoria de mercado de trabalho. Deve-se permitir i fome produzir seu efeito, para j a «que os trabalhadores sejam compelidos a se empenhar. Caso contrio, eles redu- Ne 7 seus esforgos e destruirio sua tinica salvaguatda contra a fome. Aqui a $ :io-de-obra € encarada como uma comodidade como outra qualquer, seu sakitio P sendo determinado pela demanda por essa comodidade mais do que pela necessi- ; {dade do trabalhador ou sua habilidade para sobreviver. A tnica questio relevante 5 € qual mio-de-obra & preferida pelo empregador. Pois o patrio esta sujeito as ¢ mesmas necessidades de oferta e procura que o trabalhador. Isso significa, a longo : prazo, que ele nio pode pagar-the mais do que ele oferece sem pdr em isco sua ' empresa, e, por conseguinte, que as interesses docapital edo trabalho sto idénticos. a A teoria de mercado significa que o empregador nio pode agir ieesponsavelmente ¢ 2 |. Osdetathes io precsarso os preacupar aa Pata uma discuss e citagGes mats amplas, ver mew estado Work wad Auoriy in Industry, New Yak, John Wiley & Sons, 1956, pp. Ve 3% 2. Deelaagio do reverend Townsend op. cit. 74 TRANSFORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVII sem prejudicar seu préprio interesse € que o trabalhador nia tem outra salvaguarda endo 0 empenho e nenhuma garantia contra a fome, ‘A terceita abordagem, especificamente identificada com a obra de Malthus,) relaciona essa teoria de mercado do trabalho com a teoria da populagio. Em vez de afirmar a harmonia de interesse entre ricos © pobres, Malthus teconhece a inevitabilidade de desgracas periddicas © agudas. Ele atribui esse fendmeno a ‘apidamente do que os meios de subsis- classes superiores ndo tém poder para alterar. balho, iendénia da populagao a aumentar mais Lancia, uma lei da natureza qu Malthus afirma que a pobseza € inevitivel e um estimulo necessario a0 que a caridade e a ajuda ao pobre apenas aumentam a indoléncia ¢ a imprevid que as classes superiores nao sio ¢ no podem ser responsaveis pelo destino do pobre. Mas, em termos do presente contexto, ele também contribui com uma importante idéia, Se ¢ uma lei da natureza que os pobres aumentem seu mimero além do suprimento de alimento disponivel, é responsabilidade das classes mais altas entender essa lei e instruir as classes inferiores de acorda com cla. A jimprevidencia pode ser uma tendéneia natural, mas também resulta da ignorancia ¢ da falta de resttigio moral, e essas falhas podem ser combatidas pela educagio. ‘Aeducagio, portant, 4 tnica da nova ideologia empresarial, uma vez que Ge empregadares ji nio possuem abrangente autoridade pessoal do senhor tistoritico, Tem-se muita confianga em forgas impessoais como necessidade conémica ea pressio da populagio sobre os recursos ~ muito mais confianga do gue ocortia quando o senhor exercio um dominio inteiramente pessoal sobre sua proptiedade, Mesmo assim, os empregadores devem lidar com a administragio de homens, e 20 inicio do séoulo XIX ouviamrse queixas em relagio a erescente distanea pessoal que orbave al sdmiciteagto die, epeciatnentena velha base pateralista, Com a divulgagto dis idéi Social; ahisine enteas classes se alargs, como observa Tocqueville, ainflugneia igualitérias declina a énfase no nivel pessoal dos empregadores diminui. Conseqdentemente, a confianca € depositada rao apenas nas forgas econdmicas impessoais, mas também na influéncia impes soal das idéias ¢ da educagio. E nesse contexto que os propagandistas autonomos como Samuel Smiles formulam a nova ideologia empresarial, com sua énfase na ‘imensa quantidade de influéncia” que os empregadores possuem, se se aproxima- rem de seus trabathadores “com simpatia e confianga” ¢ “ajudarem[-nos] ativa- mente na formagio de hibitos prudentes”. Daf em_dianie, as ideologias empresariais consistem em_combinagbes temiiticas dos trés élementos seguintes: 7. oelemento paternalista, modelado segundo a propriedade tradicional, na qual a Re Opin p12 REINHARD BENDIX dominagdo pessoal do senhor sobre sua familia e servicais € a tonica; 2.0 elemento impessoal, modelado segundo a concepgio de mercado dos economistas clissicos, «em que a pressio andnima da oferta € da procura, da luta pela sobrevivéncia, farga os trabathadores a fazer 0 que seus empregadores mandam, e 3. 0 elemento educacional, modelado segundo a sala de aula, o laboratério psicolégico, ou a sessio de (erspia, nos quais a instrugio, os incentivas e as penalidades, ou as perstiasGes motivacionais indiretas, sio usados para diseiplinar os trabalhadores © impelicos a intensificar seus esforcos. No decarrer da industrializagio na Europa ocidental, podemos postular uma seqiiéneia que conduz primeicamente a um declinio do paternalismo e a0 surgimen- to do elemento impessoale, subseqiientemente, a uma confianga declinante nas forcas de mercado ea uma crescente confianga no modelo edueacional. A seqiién- ia aplica-se mais intimamente a0 desenvolvimento inglés e americano, embora mesmo nesse sso seja uma aproximagdo grosseira, Como o paternalisimo sempre inclui um elemento educacional, a confianga nas forgas do mercado foi muitas vezes obscurecida nurna maneira paternalista, ea dimensio educacional é compa- tivel com uma abordagem impessoal e também pessoal. Os antecedenies culturais diferentes, bem como a estrutura organizacional inconstante dos empreendimentos ‘condmicas, tm muito que ver com as diversas énfases entre as ideologias ‘empresariais, tais como as das Estados Unidos, Alemanha e Japio* A dimensao politica dessas ideologias é, contudo, de especial importiincia Num Estado-nacio emergente que destruiu a antiga fragmentagio da autoridade publica, as agéncias do governo nacional permitem aos empregadotes de miio-de- obra protecao legal para seus direitos de propriedade. Esses direitos fazem parte de uma ampia tendéncia igualitiria, que também se expressa no elogio a habitos frugais ¢ trabalho drduo, qualidades que habilitam todes os homens a adguirirem propriedade e status, Ao nivel impessoal de apelos ideoligicos, essa abordagem produz certas paradoxes tipicos, de importincia politica. As interpretagées individualistas da relagdo de autoridade no permanecem limitadas a empresa. A idéia de um mercado impessoal, que induzira os trabatha- doves a oferecer seus servicos e trabalhar diligentemente, demanda politicas que facilitem a operacio desse mercado. Além disso, 0 recurso a apelos idealdgicas € métodos educacionais sugere que os incentives impessoais sio insulicientes. Os empresirios também procuram inculcar os habilos € motives desejados. Mas, 4. Op. cit, cp. 5; Heinz Haxsmane, Autoriy and Organization in German Managemen, Pinceon, University Pres, 1959, possim;e ames G. Abegglen, The Jepanese Factory, Glencoe, Th Fe Press, 1958 TRANSFORMAGOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDEWTAIS DESDE 0 SECULO xvi cencorajando a autodependéncia dos trabalhadores, eles corsem 0 risco de que tal individualismo termine em protesto politico e social, mais do que em cooperagio ce submissio. Pois 0 elogio a bons habitos e ao trabalho rduo conduz por si mesmo a {ulgamentos hostis de um teor muito provocativo. O trabathadar bom e honesto é uum modelo a ser seguido como distinto do trabalhador preguigoso e imprevidente, iio difundidas pelo radio, em beneficio de todos os que o ‘ouvirem e como um aviso que provoca desprezo e condenagio, A maneira paiblica pela qual esses “atributos coletives” sio discutidos transforma-os em questi politica, A divisio moral das classes baixas em pobres diligentes e pobres imprevidentes nao s6 desafia a complacéncia do indolente, mas também prejudica ‘oauto-respeito daqueles que permanecem pobres apesar dos mais ativas esforgos. 0 auto-respeito é ainda mais prejudicado quando 0 sucesso econémico é interpre- \ tado como sinénimo de virtude e 0 fracasso como um sinal de depravacao moral. © Num contexto de agilagdo crescente, tais julgamentos ajudam a tansformar a civica das classes mais baixas numa questio politico-nacional. inter- pretacao individualista das relagSes de autoridade na indistria aparece, desse ponto de vista, como um esforco para negar os digeitos de cidadania aqueles que ssio malsucedides economicamente, uma abordagem que pode despertar um novo sentido do diteito por patte das classes inferiores e conduzir a esforcos tateantes cujas deficiéneias para definir a posigio dessas classes na comunidade politica nacional. Do mesmo modo que Tocqueville focaliza a atengio numa transigdo nas retagbes domésticas, sim também matcadas por uma mudanga nos termos de comandas ¢ obediéncia, a se segue focalizard a atencio numa transic¢ao em relagdes de grupo a discussio qu: no nivel nacional, marcada por mudangas de idéias concementes a direitos & obrigagdes das classes baixas. O mal-estar da classe baixa torna-se politico: Inglaterra Quando as transformagSes politicas sio atribuidas a determinantes econdmi- cos, a mudanga de posigio das classes inferiores ¢ a emergéncia da cidadania nacional aparecem como subprodutos da industrializagio. Essa linha de interpre~ tagio desenvolve-se no fim do século XVIII. Parece plausivel no sentido de que as revolugées nos Estados Unidos e na Franga “refletem o erescimento da burguesia”, enquanto a Revolucio Industrial na Inglaterra leva a mobilizagdo politica de uma forga de (rabalho industrial emergente. Ainds que muito simplificadas, essas afirmagies referem-se a fendmenos histéricos mais do que a principios gerais, Todavin, € hz desses fendmenos histdricos que todos os eventos politicos foram REINHARD BENDIE de inicio consteuidos como sulbprodutas mais ou menos diteios de processos soci cecondmicos®. Aiualmente, sabemos que, em outras partes, as revolugses politicas acorreram na auséneia de uma classe média economicamente forte ¢ politicamente c articulada, ow talvez por causa dessa auséncia, como na Riissia ¢ no Japio. « Novamente, a mobilizagio politica das classes baixas ocorreu como um prelidio 4a industealizagao, mais do que como um resultado dela, como, por exemplo, nos Estados Unidos. Portanto, ndo teremos muita ajuda se tacitamente aecitarmos 2 : Europa ocidental e especialmente a Inglaterra como nosso modelo. Everdade que, J . : alias idgias democriticas se originaram em cireunstincias nas quais as madancas soeigecondmicastinham um impacto macigo na esteatura politica mas essas idéias . espalharam-se por todo © mundo, mesmo na auséncia de circunstincias semelhan- S ir Acs. A cidadania nacional € o industrialismo modetno combinaram- variedade de estruturas soe! is; portanto, devemos reconhecer a democratizagio ¢ _ a industrializagio como dois processos, um distinto do outro, por mais intimamente : ‘que, Vez por outra, estivessem ligados. 5 Vos \ Os dois processos estiveram estritamente ligados na Inglaterra. Por um longo w2lés servin como modelo para a compreensio do crescimento econdmico em relagio i modernizagio politica ~ talvez simplesmente porque a Inglaterra era o ptimeiro pais a desenvolver uma indistria moderna, E jesmo na Inglaterra, tempo, 9 desenvolvimento i Apenas pot essas razdes, talvez seja conveniente mostrar que, € possivel distinguir 0 elemento politica em meio 4 mudanga econdmica. Vimos que, antes do sécula XVI, as classes baixas podiam tentar arranear i forga concessies dos poderes governantes por uma postura “legitimista” mesclada com: violéncia; ow que podiam compensar sua exclusio do exercscio de direitos piiblicos por fantasias milenaristas ¢ banditismo. Formas diferentes de protesto da classe inferior toraaram-se possiveis, contudo, depois que 0 despotismo esclarecido e os fil6sofos do Huminismo formutaram o principio de direitos iguais para todos os . e homens. A disseminagio dessa idéia era cerlamente facilitada pela industrializa~ C ‘gio, um fato que logo foi reconhecid: : Sobre os homens tabathadores, pelo menos nos parses mais avancados da Evropa, pode ser consiverado certo que o sistema de governo patriareal ov paternaista€ algo a que nio se suibmeterdo de novo, sla questio foi decidida, quando aprenderam a ler e iveram acesso 20s jornais € aos panttcios politicos; quando se permitiu que pregadores dissidentes a cles se p ristorassem, e apelassem para swas Faiculdades e sentimentos, em oposico 20s credos proles> ‘los se desemvolvera inicaent, ms um seco toeio depos deve ser possvelsavaguandase 5 RANSPORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVI sados ¢ apoiados por seus superiores; quando foram reunidos em grande niimero pata trabathar octalitente sob 0 mesmo to; quando as.estradas de ferro possibiltaram-thes muda de wm ugar para Gutto, e mudar seus pales e empregadores to facilmente como de casacas; quando Joram encorajados « buscar partcipagio no gaverno, mediante o diteito de voto eleitoral Nessa declaragio, Mill descreve um pais relativamente industrializado, esuas referencias a pregadores dissidentes e a0 direito eleitoral assinalam condighes que sio mais ou menos préprias da Inglaterra daquela época. Mas ele também nota varios fatas que foram quase sempre associados com 0 reerutamento de uma forga de trabalho industrial: a alfabetizagio dos trabalhadores, a divulgagao de material impresso entre eles, a concentragio fisiea do trabalho, a maior mobilidade geogr fica, e a despersonalizagio do relacionamento no empreyo..A descrigio de Mill pode ser considerada equivalente & afirmagio de Mannheim d3 que a “sociedade industrial moderna” — por mobilizar fisica intelectwalmienfe 0 povo — “incita A ago as classes que antigamente sé desempenhavam um papel passive na vida politica”. Falando em tormos getais, sob a influéncia de idéias de igualdade, essa _mobilizagio do protest da elasse balsa passou a orientar-se para a realizagio de ‘ima participacao completa na comunidade politica existente ou para o estabeleci- mento de uma eomunidade politica nacional na qual essa participagiio fosse possivel. Essa cansideracio pode ser estendidiinicialmente a alguns dos distiibios populares no inicio do século XIX na Inglaterra, Para Marx, esses distirbios so similares as rebelides esporidicas nas quais, por varios séculos, camponeses © ariesios destruitam miquinas como os instrumentos mais imediatos de sua opres- sio®, Escritores posteriores mostraram que essa violencia era dirigida contra banqueiras ou prestamistas assim como contra maquinas, e que, apesarde sua Sbvia agitagio, os trabalhadores do inicio do. século XIX na Inglaterra mostram um surpreendente respeito pela propriedade nao diretamente ligada a sua desgraga, 46. Jon Sian Mill, Principles of Poitice! Economy pp. 322323. 8 afirmagio de Mill € ai eitada oma wana formaagio escepcionalmente este do que eta apatentemente um tipico comum de Conersngio. Ver olevanameto eclaecedr da erescenteconscicia das relagGes de classe de As Brigg, "The Language of Clas in Enly Nineeeath Centery Englan em Asa Briggs John Saville (eds) Esseys a Labour History in memory of GD. H. Cole, London, Maclin, 1960, pp. 43-73, 4, ate 6 a efingio de Koil Mannheim als "derocratisagio fundamental", que & compativel com tliferemies forma de govern, nox com a “demosraia™. A definigio € sil todavia, porque Teilga Cinergeneta de aa comuniate pois nacional, a qual todos os adblis, iaependentemente Je use, si eidnlos e, portant, participanes, Ver Kat! Mannheim, Man aud Society ir an Age of Reconstruction, New York, Hatcour, Brace, DAL, pA Ver irl Mave, Capital, Newt York, Modern Liar, 1936, pp. 465-478, arespeito de seu evantamento « ierpretagio uessasrebelies REINIVARD BENDIX Distinguindo na pritica a destruigao saqueadora de propriedade daquela “justit. cada”, pode-se considerar que os trabalhadares se engajaram numa “negociagio va pelo distirbio” numa época em que as reunides exam proibidas por lei’ Essa prova € compativel com a idéia de que os operdrios que se engajam na violéncia desejam ao mesmo tempo demonstrar sua respeitabilidade. Esto face a i9 proibides de se reunirem para a nogociagio coletiva pacifica, enquanto as reunites dos empregadores sio toleradas ou até encorajadas, Portanto, a “negociagao coletiva pelo distirbio” acompanha ia de direitos civis que foram negados, apesar da aceitagio da face com uma iniqilidade legal manifesta; facilmente a exig dade formal perante a lei Embora muito desarticulado a principio, o apelo contra as iniquidades leg: envolve uma nova dimensdo do distérbio social. Para captar a relativa novidade temos de confiar na prova circunstancial do periodo. No fim do. século XVIIE ¢ através do século XVII, a posi dessa experiénei jo civies do homem comum nacional na Europa, Durante décadas, os debates sobre a educagio hisica ¢ © direito a0 voto questionam se um aumento na tormou-se um tema de del alfabetiza 10 ou nos dircitos de voto entre © povo funcionaria como um antidato indi revolucionaria ov como um perigoso incenlivo a insubordinagao"" A prop, dificil saber quais sentimentos esses debates suscitam entre as préprias p Confrontadas com a iniqlidade de sua posigdo legal e um debate pilblica acima de {uralmente muita vacilagio. O pove parece alternar entre 50.8 sua confianga civiea, hi 1 insisténcia nos direitos antigos ¢ as violentas revolas contra as causas mais 9. A frase foi cunhada por EJ. Hobsbowm, “The Machine Breakers" Past ond Present, , 1952, pp. 57-70, A prova referent 8 Wistngio ene sage e iis agiagSes, como os famosos dsnbios Vos Fits, nats em Frank O. Darvall, Popa Distrbances and Pubic Order Regency England, London, Ostord University Pres, 1934, pp. 314-315 e passin 10 Obsetve-se a esse respeilo a Eniase de Mant a0 moda pelo qual a8 reuides de Mabalhadores © ‘mpegidores estinnlam wn a0 outoe a referéncia no texto abaino 2 consciéncia dese iniguidade rte os magsiados iagleses. Um esto bs gps industria e arias no Japso sere qe qv356 fomesmo mecanisrno opera num eer cultural muito diferente, Vero coments de que “mend crescente de fizendizos arenialiios convenceramse da necessitade da agio politi, quando Souberam com que treqiéacia ox veredicios dos ibunais, que se baseavam nis les vigentes, fram ont eles, em George O. Totten, "Labor and Agrarian Disples in Japan Following World Wa Economic Development and Cultural Change, 1X, ov. 1960, pHa 194 11. Questes semeihantes foram levatals com respeita 3 conserigi niversil wm vex. Me AHS 35 {hp aistamenta ¢ seu signifiendo para o desenvolvimento da elages de clase aa Aleoanha & 0 de Gerba Rites, Sneishuns und Kriegshondiver, Munich, R. Oldenbourg, 954, pp. 60-188. possi, er tabi n veferida disevssio em Katherine Chorley, Armice andthe At of Revolution, London, Far & Fate, 1943, p. 87-107, 160-183. Os refridas debates sobre allabetizgt so snatisados Jesa, em M. G. lone, De Charity Schoo! Movement fem dette com clerEncia 3 experié ne i Cambridge, Cambridge University Pest, 1938, asin 100 TRANSFORMAGOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO Xvi evidentes de opressio; protestos de respeitabilidade e brados por revolugio san. grenta; propostas de reformas especificas e esquemas uldpicos de variedade des: concertante. Mas tal diversidade de manifestagdes pode ter um denominador ‘comum na experiéneia transitdria que Tocqueville caracteriza’ oo] hé quase sempre una época em que as mentes das homens flutuam enire a no aristocrtica de sujoigio e a nogo demot Jmportineia moral aos alhas daquele que obedece; cle no mais considera como uma espécie se obri le neni cars fica de obedidneia. A obediéncia perde entio sua wae humans; ela no tem para 0 divin, ¢ ainda nio a vé sob seus aspectos pu + de santidade ov justiga, ¢ ele se submete a ela como a uma condigio Aegindante mas proveitosa" Na Inglaterra, em nivel politico-essa ambivaléncia é resolvida a medida que a ideia de que 08 direitos das pessoas como cidadaos foram negados injustamente ganha accitagio, porque como pessoas trabalhadoras elas tém direitos, em virtude de sua contribuigdo 3 riqueza da nagiv. Ha muitas razdes para aceitar a plausibilidade dessa interpretagio, mesmo que seja impossivel prové-la. Uma das razdes é que a iniqdidade legal ¢ o debate piiblico acima da inseguranga civica do povo representam uma negagao cumulativa de sua respeitabilidade, que ocorre justamente quando a industrializagio © a disseminacio das idéias igualitérias incitam ° desempenhavam apenas um papel passivo na vida politica” (Mannheim). Ocasio- nalmente, essa negagio de respeitabilidade é equivalente d negacio do direito agio as classes que antigamenie existéncia, como nesta passagem de Thomas Malthus, que se tornou objeto notério dos ataques socialistas: [Um homem que nasceu num mundo que ji tem dono seus pais, em relagio aos quais ele tem uma justa exigent 10 tem direito de veclamar 2 minima parcela de Ii abrigo desocupado para ele. Ela the 4 rapidamente suas préprias orden! se niio puder obter subsisténcia de 1, € $8 2 Sociedade do quer o sew lsnbatho, imento,e, de fato, no tem diteto de esiar onde ests. No vigoroso festim da Natureza, ni diz para ie embora,e execut DeclaragSes extremas como esta ou a referencia de Burke & *multidio suina” foram feitas por intelectuais, ¢ talvez nao tenham sido muito conhecidas, Contudo, arrogincia € o medo eram muito difundidos nos circulos de classe média, e € 12. Tocqueville, Democracy in America lp, 194-195 13. Thomas Mais, an Esso on te Principle of Poputation, 2. ed, Landon, Johnson, 1805, Esta pasags fo noificala em edges posterores ao Enso 101 REINHARD BENDIX nte sensibilidade entre 0 povo, embora inarticulada, em resposta a esse questionamento pablico de sua respeitabilidade. razodvel esperar uma eres Os obscrvadotes contemporiineos freqiientemente comentavam a reaciio po~ pular, Esses observadores esto com freqiiéneia distantes da vida da classe taba- Ihadlora, ¢ sho partiditios no debate concernente as “classes inferiozes”, e divididos muitos, mas 0 sectarismo pode ndo entre eles mesmos, Seus preconceitos apenas sensibilizar como também distorcer 0 entendimenta. Na Inglaterra, abser- vadores tio diferentes como Thomas Carlyle, William Cobbett, Benjamin Disraeli ¢ Harriett Martineau comentam o sentimento de injustiga entre as trabathadores, sua perda de auto-respeito, 0 abuso pessoal que os dirigentes da sociedade cumulam sobre eles, 0 movimento cartista como a expressio de ultraje da gente do pova o de seus direitos civis, ¢ o sentimento dos trabalhadores de serem uma “classe proscrita” em seu proprio pais". Tal desafeicio civica do povo era encarada com grave preocupagiio por eminentes oradores em muitas sociedades européias. Em retrospecto, essa preocupagio parece justificada no sentido de que a posigio do “povo" como cidadios estava efetivamente em questo" A negaciio implicita ou explicita da respeitabilidade civiea do povo é contra: riada com ceria naturalidade pocuma insisténcia nos direitos do povo que nao deve ser anulada, Essa insisténcia fundamenta-se primeiro em um sentimento de justa te da idgia de que © trabalho, que é “a pedra angular sobre a qual 4 sociedade civilizada € construida”, é “oferecide menos [...] do que suportar a de um homem ordeiro e sibrio em decéncia conforto”", Essa concep. indignagio di fam 14. Vero capitulo “Righls and Might, em Thoms Carlyle, Chavtom, Chicago, Belford, Chrks, 1890, 1p. 30-39; G, D. Hue Margaret Cole feds), The Opinions of Witiom Cobbet, London, Cobbett, 1944, 1p. 86:87, 128-124, 207, passin Monsard’s Porlinsentary Debates, vol. XLIX, 1839, cols. 246-247 ERK, Webb, The British Working Class Render, London, Alten & Unwin, (935, . 96, sobre nefontes| sess declragies. Também & relevamleagu oFamaso simile das “dass nes ele 48 quai Hoh enum cominicgio nem simpala; que sto io ignorantes dos habitos,pensamentoseSenfimemtes| tua di ontea como se morssen em fegies diferentes, ou como se essem habitmes de planets siferents, lormidos por uma rag diferente, slimentadoe pot uta comida diferente, ordemidos de rmaneias ifeentes, ena fosem governados pels mesmas eis". Esta passage ocorre no roma {Se Benjamin Disraeli, Si, Balimore, Penguin Books, 1954, p. 73. al das esforgos propiganisticos para contrablangar essa “desafegio cvien” na Inglett, ver RK. Webb, op. ei, posi, € Reinhatd Bendis, Wark ad Authority én Indasny 0-73, 16, A tase cia ¢ de um foheto de Manchester de 1818, reed em JL, « Barbaes Horsman, The ow Labourer, London, Longeins, Green, 1925, pp. 206-308, No paraligns de Toequevile, pode-se Uizer que esa in fea 2 meio caminho eat eenga nos “anges ditto" que foram eronsa mente sbolios & a pretensio de que os pipros servos Jevem ser os senhotes, Neti também anise de Von Sicin, qe atima que 9 aatagosismo entre 05 labalbadores e os empregadares “origini-se na eng noe direitos © ne valor dos teabalnadows navi, por um lado, eno conhocimens de ie ‘ao serio proporcionis 15, Para um 9 rs condighes presentes da produgio mecanizads, os série do opts "TRANSORMAGOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE O SECULO XVIII dle um “dizeito de subsisténcia”, com seus tradicionais exageros, a idéia do “direito do traballto a toda a produgio” e a crenga de que eada trabalhiador saudvel tem “direilo a0 trabalho” sio os trés direitos inerentes ou naturais que se opdem aos direitos adquiridos contratualmente, os dnicos que sio reconhecidos pelo sistema Jegal prevalecente'”. Embora as elaboragées tedricas desses conceitos na literatura socialista nio revelem o pensamento do homem comum, é plausivel presumir que 0 tema comum dessas teorias expressa os esforgos do operdirionum Estado-nagaa™ Na Inglaterra, os protestos das classes inferiores parecem objetivar o estabe- Jecimento da cidadania dos trabalhadores. Aqueles que contribuem para a tiqueza € 0 bein-estar de seu pais t&m 0 direito de seem ouvidos em scus conselhos hacionais, ¢ esto habilitados a uma posicio que imponha respeito. Na Inglaterra, cessas demandas nunea aleangam a culminaneia revolucionatia que se desenvolve mais freqdentemente no confinente europeu, embora ocasionalmente violentas explosdes também irrompam na sociedade inglesa. Se, apesar de todos os seus conflitos, a modernizagio politica da Inglaterra ocorreu de uma maneira relativa ‘mente contina e pacffica isto talvez se deva a que, durante quase todo o século XIX, a Inglaterra eta Lider na industrializagio © na expansio ultsamarina. Os ‘operiios ingleses podiam exigir seu justo lugar na comunidade politica da prine pal nagio da mundo", Nesse contexto favordvel, o debate nacional concemmente a0 status apropriado das classes baixas desenvolve-se ma tradicional linguagem da teligido, Certamente, os operirias ingleses esto muito desiludidos com a Igreja suas preensSes como inivigvo”, Ver Lore wor Sten, ‘Dee Beg der Arbeit unde Pinzipien es Aisllies i ihrem Verbslnise 2am Sozislismus und Communismus", Zeist fur die igesunte Staorowisensch, ML, 1846, p. 2 Sobre una exposiio deals dessis concepges de diteitos ntuais no pensamento socialists ede ‘sn incompaiblidade com a le de propricdade, ver Anton Menger, The Right 1 the Whole Produce of Labour, London, Macmillan, 1899, passin. 18, Possivelmente, a weo por Marx ds tori do valor Ho wabalho teve se deseisconcepgies de “dietos natura", como €analisado por Menger 10, Engels considerava os dois Fendmenos ciusalmente 1ig200s, coma em seu comentivio a Marx de que o-“abueguessmento do proetariado inglés” era em cexto sentido “Iuito natural nama nagio que explornva o mundo lodo”, Ver sua earta 4 Mars, de 7 de qutubro de 1888, em Kart Mars e Friedrich Engels, Ausgenatte Brief, Berlin, Dictz Verlag, 1983, pp. 131-132. Todavin sua interprelagio ignora a¢ herongas histricns que inetam wma “reeiprocidade nacional de Uireitos ¢ obvigagées”, apesit da amenga das ideas revolueionsrias © dos esforgos pata ma Imudangt evondmica rapida, A coincldéncia entte a posigio preferida pelt Int Tegndos favorivers a eletivagio dessa “ineoenorngio” politica da “quant Estado” foi diseutida nie agora apenas em tnechos © partes de abyss, Ver). L. Hammond, “The Industrial Revolution and Discontent”, The Economie History Review, U, 1930, pp. 227-228; Henri de Man, The Psychology of Socialism, New York, Henry Holt, 1927, pp. 39-81, com respeito a0 papel Wo suto-respeito ofondide no protesto radical inglés; e Selig Perlman, A Theory of the Labor Movement, New York, Augustus Kelley, 1949, p. 291, que enfaliza 0 Signiticnte especial rade impacto moral na base os REINHARD BEKDIY estabelecida © com os apelos religiosos, que com muita freqiléncia sio apologins ‘mal disfargadas em favor da ordem estabelecida. Contudo, 0 ateismo doutrinario 6 raro, e 0s lideres da classe trabalhadora inglesa muitas vezes fundamentam sas demandas numa linguagem biblica ou quase biblica. Portanto, a proeminéncia da Inglaterra como uma poténcia mundial ¢ uma pritica religiosa comum podem ter facilitado a incorporacao efviea dos trabalhadores, mesmo que o novo equilibria nacional de direitos ¢ deveres nia se realizasse facilmente. Um exemplo extinido do campo das elagGes industria ilustra as sutlezas dessa transigSo inglesa para urna comonidade politica moderns. A primeira visa, 2 proibigio legal dos sindicatos no inicio do séeulo XIX parece wma brotal repress, Dizia-se que a "reunies de trabalhadores”reduziam of ditetes I formals do empreyador assim como os do trabalhador. Contudo, em seu exame do imiive, os Webbs coneluem que a otganizagio ineficiente da policia, a auséneia de instauragio de proceso piblico efetivo e a inéreia dos empregadores 1 de reunies ilegai de sua inequivaca proibigio” n responsaveis pela ampla ocorrénei Mais recentemente, uma publicagio de documentos sobre os antigos sindi- calos revelou que nem os empregadores nem os funcionirios do governo recorriam ‘4 todos os remédios legais que thes eram franqueadas. Aparentemente, os empre~ gadores desejavam que © governo instituisse medidas judiciais contra reunides i eral, enviado a Secretaria de Negécios Internas, em 1804, é de especial interesse a esse respeito. O parecer apresenta detalhes do grande mal das reuniGes entre os trabalhadores por todo 0 pais, reuniées conside- radas claramente ilegais € passiveis de processo. Mas se 0 governo tivesse de is. Um parecer do promotor 20. Indicios da tetago ente 0 renascimenioreigioso eo ploest da classe trabilhaora si discriges fem Work aru Athovy on Industry, pp. 60-73, de minh abr, as 9 questsoé contovertidn. Em soba Socal Bandi and Primive Rebels, pp. 126-149, Habsbwm questions que ax movimentos religiosos ene operitios diminuitan se radicalismo, Em Churches andthe Working Clases in Viciovian Biglond, London, Routledge & Kegan Pau, 1947, K. S. Inglis reine gramie quanidne de provas que suger que os apeinios ingleses ern marcndanicaeiadiferenes em tlagin is obs 2s durante odo 0 Sécula XIX. Mas mesino Inglis amite (idem, pp. 329-292) que 0 ses (emboea pronuneiado enite ss cole da coninenie nism era ro ene os opeitios uropen, que win grande mimeo de criangas da elasse operant freqentavam a8 escolas dominic, “Tul adinissio poke rwito bem ser perigosa, eoatado, uma vex que 4 QUESTO nid € s& os operivios Jeses exam realmente cfenes, 98 s¢ conlinwvam a usar Alas religiosis em sun "buses da respwtsbilidade, As dens eligiosis no so necessriamente menos unporantesewando se assoc is prevcupngies seculares, Vera anise de secuaridade e eligi no contextoameriano de S. M Lipset, The Fise New Nation, New York, Basic Books, 1963, pp. 1S1-159, ¢ x exacerbagio dhs flagdee de lasse mu auséncia de oa linguigem religiosavitvel de Guenther Roth, The Social Democrats ix tperia! Germany, New York, The Bedminster Press, 1963, passin 24, Shiney e Benrie Webb, The History of Trade Uatonium, New Yorks, Langman, Green & Co., 1926, p74 08 netwnann meno ‘empregadores é equivalente & repressto, embora, na pritica, pouco se faga para tender as queixas dos trabathadores, exceta em termos calculados para prejudicar sua posigtio de membros respeitiveis da comunidade. Nesse periado de transigiio, Tocqueville vé uma importante ameaga revolu ciondria. O patria continua a esperar servilismo, mas rejeita a responsabitidade Sobre seus servigais, enquanto estes exigem direitos iguais e se tornam intrataveis No nivel societirio, o caso inglés se aproxima desse modelo. Muitos empreende- dores ingleses antigos certamente rejeitam qualquer responsabilidade sobre scus cempregados, embora esperem que eles obedegam; recusam qualquer interferéncia nental na administragao, embora procurem transferit ao goveeno a respon governa subilidade por todas as consequéncias piblicas adversas de seus préprios atos" ‘tios em muites casos, porque Funcionérios do governo apoiavam os empr estavam profundamente preacupados com a agitagio e a truculéncia. Dito isto, ‘ervas devem ser acrescentadas, Hé alguns fubricantes que reconhecem as obrigagdes tradicionais da classe disigente. Entre alguns magistrados, o prineipio de nao-interferencia pelo gaverno é apoiado por uma atitude desprendida e critica, primeiras décadas do século XIX. Finalmente, a demanda de igualdade da classe trabalhadora emergente funde-se num molde mais ou menos conservador varias 1 no sentido de que na balanca é acrescentada uma busca de aceitacio piblica de cidadania igualitiria, Em outras palavras, a sociedade inglesa provou ser eapaz de apaziguar « classe baixa como uma participante igual na comunidade politica nacional, embora mesmo na Inglaterra esse desenvolvimento tena envolvido uma luta prolongada, ¢ todas as implicagdes de igualdade como as entendemos atual- mente s6 tenham evolufdo gradualmente. Implicagées teéricas A discussio precedente limita-se aos desenvolvimentos na Inglaterra, A disso, suas téonicas sao industralizagio pode ser iniciada apenas uma vez; depo tomadas de empréstimo; nenhum outso pais que desde entio embarcou no processo pode comegar de onde a Inglaterra comegou no século XVIII, A Inglaterra é a ddo que o modelo. Por algum tempo, a Inglaterra possuia quase 0 monopalio nas mais avangadas (éenieas da produgio industrial, € outros paises exeegio ma 24 Com base isso, mesmo potavo2es iis ieotogia do aise fre, empenhavam se atvamente na ‘extensio dos conicoes goveemamienais. Sobre dlalbes 4 este respeo, ver Mation Bowlky, Massa ‘Senior and Cassi Economics, Landon, Allen & Unwin, 1937, pp. 237-281; 8. E.Fiact, The Life tnd Times of Edwin Chaaict, London, Meien, 1952, possi}. B.Brebpe,“Laisez-lie an Slate Intervention i 1h Centuy Bein, loural of Beonone History, Vill, Supplement 1948, pp 39:75 TRANSFORMUACOES DAS SOCIEDADES EUROPEINS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVII ‘emprestavam-nas dela, Na maior parte do século XIX, a Inglaterra permanecew na ‘vanguarda, combinando a primazia industrial com a politica. Retrospectivamente, remas que, como resultado dessas ¢ das condigées a elas relacionadas, ela comunidade politica nacional, na qual finalmente foi permitido a0 dual de direitos e obrigagies, mais do que como consequléncia de guerra ou revolugio, Mas possufa uma quarto Estado” participar, por meio de uma redefinigio uma compreensio de um caso to singular como esse € importante no estudo comparativo da mudanga social ¢ politica, pois indiretamente ele pode apontar 6 que muitos dos outeos “casos” tém em comm. Quando comparamos os indusitiais retardatirios com a Inglaterra e os demo- ue acontece quando um pais, no possti uma comunidade politica vidvel, ou quando a comunidade que a possui ctatas retardatirios com a Franea, perguntamos: O, esta tio “atrasada” em comparagio com paises democritica e industrialmente Yadiantados que deve ser reconstituida antes que a demanda por “cidadania plena” se tome de algum modo significativa? Nao é uma idgia nova sugerir que o protesto : da classe baixa pode progredic de uma demanda por cidadania plena dentro da comunidade politica prevalecente para uma demanda por uma mudanea dessa svomunidade, a fim de tornar possivel a plena cidadania. Mas, embora essa idéi \,_ seja compativel com a teoria de Marx relativa a um avango da parada da maquina para uma agio politica, deve-se notar que eu enfatizo a alienacio da comunidade politica mais do que a alienacda que resulta de “insatisfagdes criativas”, como faz Mars, Essa mudanga de énfase nos ajuda a ver ao me de massa do sécula XIX ~ e sociatismo ¢ a nacionatismo smo tempo dois movimentos em contraste com Marx, que explica primeiro enquania ignora o segundo. Hi uma conexdo muito estreit entre agitagio nacionalista e soctalista, no sentido de que ambas visam de maneiras diferentes & integracio politica das massas anteriormente excluidas da participa- iio, Essa conexiio ¢ obscurecida pela separagio marxista desses movimentose pelo fato de que a primazia da Inglaterra como poténcia mundial tomnou desnecesssiria 2 classe inferior inglesa a pretensio de pertencer, em matéria de auto-respeito, a uma comunidade politica nacional, Contudo, o excepcional desenvolvimento da 25, Ver a segue declagio, ext de wm discrso do lier cansta Hantwel, proferido em 1837; Pateceine unis anomalia que, um pafsem que as tes © 38 citaciasalcangarae fal nivel, especial mente pel ilipénsa,habildade e esforgos doares... apenas vn aelto masculino em sete devs ter Ci vol, gue en a psa clases tabhadoras devin ser exeuidss do sei david politica”. Cad mM Beer, A Hivony of British Seiatom, London Allen & Unwin, 1948, H, pp 25-26. €inseuivo ‘oniasir esta declnagio com ado lider nacional italiana Mazzin: “Sem Pais, no se lem nome, Eimolo, vez, nem direitos ..] Naose iadaes com a esperanes de emaneipngio ths condigdes socials Injustas se no congnstsrem primeira am Fas path voces. [.-] NE@ se deixemn lev pela hl de rmelhora suas condigbes materia sem primeiv vesolver a questo nacional |.) Moje fn] weds a0 wor REINHARD BENDIN lalerra serviu aos tedricos sociais durante um século como modelo que os outros, es presumivelmente seguiam Aabordagem aqui proposta no é uma mera inversio da teoria marxista. Marx considera os movimentos socinis da século XIX como protestos contra privagées psiquicas e materiais que se acumularam como resultado do processo capilalista; ele vé nas massas um anseio fundamental por satisfagdes criativas numa boa sociedade. Interpreto esses movimentos de protesto como politicos, e defino seu carder em termos do contraste entre uma comunidade politica pré-moderna ¢ uma comunidade politica modema, Quando se assume esta opinido, 0 século XVII aparece como um importante hiato na hist6ria da Europa ocidental. Antes dessa Epoca, as massas populates eram inteiramente excluidas do exercicio dos direitos piiblicos; desde entdo, elas se tomaram cidadios, e nesse sentido participantes na comunidade politica, A “era da revolugio democritica” estende-se dessa época a0 presente, Durante esse periodo, algumas sociedades universalizaram paciticamente é-lo e, conseqilentemente, 2 cidadania, enquanto outras foram ineapazes de f sofrerum virios tipos de levantes revolucionarios. Assim concebido, o problema das classes inferiores mum Estado-nagdo moderne consiste nos processos politicos através dos quais, a0 nivel da comunidade nacional, a reciprocidade de diteitos € deveres & gradvalmente estendida e redefinida. E bem verdade que esse processo foi afetado a todo momento por forgas que emanavam da estrutra da sociedade Mas mantenho que a distribuigio e redistribuigio de diteitos e devetes nio sia 0 vitalmente afetadas pela posigio meros subprodutos de tais foreas, que ela internacional do pais, pelas concepgdes sobre © que a distribuicio adequada na comunidade nacional deveria ser, ¢ pelo “toma-Li-dé-ea” na luta politica” Mina tse esté de acordo com a énfase dada por Tocqueville reiprocidade de direitos ¢ obrigagées como uma marca da eomunidade politica, Na Europa, 2 crescenteconseiéncia da classe trabalhadora expressa ama de tudo ima expetién- cia de alienagio politica, ito 6, wm senso de nio ter wma posi reconhecida na Sioa elsse stale da Ui; Si apenas fogSes dessa classe. |] Sua emancipagio no pode ter rnentirs comoga pratien te que # Governa Nacional ses landada}™ Ver oseph Mains, The Duce of Man and Other Essays, New York, EP. Dalion, 1912, pp. S354, 26, Esinabonlogem ditete do maesismo, que tats a palilia eo governe como variives Bependentes da smudonge da organizagio de prod, sem enfentr a elaliva smtonomi das agbes govereamentais rem 1 exisines confines das connie polieas miconals. Ela também difere da abordagem Sociokgica ds politica e dhs insti ana, que conti a primers coma meres subpraduos Se interagdes ene indivkiuas e a5 eeguodas como uina “eatapaga supetiia”, dentro da qual ess imteragies tornecem a chave pata om comcensio ealista da vida social, Ver ura anise erica este reducionisna em Wolin, op. cit, cups 9 e 10. Uma abordagem alterativn que ealtizn a sutonomi parcial, her como a infenlependéncia do governa € da soled ests camila ma obra de Max Weber, conn €disenti aims, nas pp 47-0, TRANSFORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPEUAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO NULL comunidade civica, ou de nao ter uma comunidade civiea na qual participar. Pela ato de a pacticipagio politica popular ter-se tornado possivel peta primeira vez na histéria européia, o protesto da classe baixa contra a ordem social contia (pelo ‘menos no inicio) em cédigos de comporiamento prevalecentes €, portanto, reflete uma mentalidade conservadora, mesmo onde conduz a violéneia contra pessoas € propriedade”. Mais do que comprometer-se com uma busea de uma nova ordem social, as massas recentemente politizadas protestam contra sta cidadania de segunda classe, exigindo 0 direito de participagio em termos de igualdade na comunidade politica do Estado-nagio®. Se esta € uma avaliagto correta dos mal-articulados impulsos ¢ anseios caracteristicos de muitas agitagdes populares ‘entre as classes baixas na Europa ocidental, temos entio uma chave para 0 dectinio do socialisma, Pois a posigio civica dessas classes.naio.€ mais uma questio preeminente em sociedades nas quais a igualdade de cidadania foi institucionali- zauda com éxito. A seco seguinte deste capitulo analisa essa institucionalizagio numa base comparativa, A Extensao da Cidadania as Classes Inferiores Elementos de cidadania No Estado-nagao cada cidadao encontra-se numa relagio direta com a auto- ridade soberana do pais, em contraste com 0 Estado medieval, no qual essa relagio 27. Ver nessa conexios expressio de aborrecimento de Engels em rela 8 araigada“respeltbildnde” dios tabaladoresinglesese seus lideres, em wa cia Sorge, de 7 de dezembro de 1889, em Ausgenite Briefe, 495. 28. A potspectivs apreseniida acim foi desensolvida por alguns dle mews amigos slonos, © estado de Guenther Roth do “solementa da Classe Trabalhadora ea ltegragho Nacional” na Aleman mpi {oi citadoantriorente. Ver também Gaston Ringer, "The Lesitimation of Protest: A Comparative Study i Labor History", Comparative Suds i Society ond History, Marit 1960, pp. 320-343, do ‘esta autor, "Socat Secu, Incentives and Contras in he U.S, andthe US.S.R", foe cit, Vo. 1961, pp. 104-124, € Samuel Sursce, The Stots Evolution oflalion Workers, 1860-1914, tese de doutorado, Department of Secielogy, University of California, Berkeley, 1062. 29, A sega subsequent fl eseriajntament com o Dr Stein Rokkan, do Christian Michelsen Insists Bergen, Norwegs. Adapei« ensin original mntendo-o de acordo com os propos deste volume As fonmalagessubseqbente enatiza o seat clssficntrio mo qual o feria “classes inferior Suusida, A questo de quai stores dat “clases inferites” desenvolvem a capaeidade pons 9 agh0 conjunlae sls que citcunstinias iso oeorre permnece em abetto. Embors, a6 ecto pont, uh fesposta 40 proesto ov 0 resulido do potest anteipade, « extensio de eidndania ocorre com referencia 4 grupos ampla e abstatamente defini, como todas adsltos acima de 21 anes, ‘multeres ou aulios que ives posses espeiFicadas, qe peenchessem certsrequsitoresklencni 109 REINHARD BENDIX direta é desfrutaca apenas pelos grandes homens do reino, Por conseguinte, um elemento essencial da construgio da nacao é a codificagdo dos direitos e deveres los. A questo & 9 quio de todos os adultos que sio elassifieades como cidax exchisiva ow inclusivamente 0 cidadio € definido, A paste algumas excegses notiveis, a cidadania a principio exclu todas as pessoas social e economicamente dependentes. Durante o século XIX, essa restricdo maciea 6 gradualmente reduzida tg, finalmente, todos os adultos serem classificados como cidadios. Na Europa ocicental, essa extensio da cidudania nacional é mantidaisolada do resto do mundo pelas tradigdes comuns do Stindestaat™. A integragao gradual da comunida nacional desde a Revolugio Francesa refleteessas tradighes sempre que a extensio da cidadania € discutida em termos do “quarto Estado”, isto é, em termos de extensio do principio de representagdo funcional aqueles previamente excluidos da cidadania. Por outro lado, a Revolugio Francesa também fez avancaro principio n entre plebiscitirio. De acordo com esse principio, todos os paderes que inter 0 individuo ¢ o Estado devem ser destruidos (como Estados, corporagées etc.), de modo que todos 0s cidadios coma individuos possuem direitos iguais perante o soberuno, autoridade nacional" Cabe acrescentar uma palavra a respeite dos dois adjetives “funcional” ¢ “plebiscitérig”. A expressio “tepresentagie funcional” deriva da estrui politica medieVilyna qual se considera apropriado, por exemplo, que os aneidos ovo grande sestre de uma guilda a representem numa assembléia municipal, Aqui a fungio rofere-se gencticamente a todo tipode atividade considera apropriaga a0 Es 0 termo “Tunic” designa atvidades ow dirctos ¢ Usado de maneira mais amy deveres especificas de grupos. Como tal, ele absange ambas as coisas, observaches de comportamento © mandatos éticos daquilo que é considerado apropriado. O primeiro, contudo, implica teorias muito diferentes de sociedade. Na sociedade medieval, a posigao e as fungies apropriadas dos geupos constituintes sio fixadas ‘te Tis giupos abzangem mult pessoas alga daquels qe Kém powcas posses els bai, poweo stigo,e que por causa dessas incapcidades 0 convencionmene consilstadas "pertencentes is classes infeiones.& eferEaea aq € 0 grupo clssitionio maior de todos aqueles (inclaindo a8 ‘lasses miss") que foram exeluides de qualquer paiipagie dieia ov indreta nos processes de tomatls de deci polities dy comune 30. Ata ponto que o bisloriaor Oita Hintze ne ‘qatquer outo lugar. Ver “Welgeschchiche Vorbedingungen dcr Repriscnativertasung”, eit Stat und Veressing, Gotingen, Vandenboeck & Ruprecht, 1962, yp. 140-185 3. Estes dois modelas form anatisados em terms da distingfo entre principio represen Picbisciivio pox Ernst Fraenkel, Die reprasentative ad de plebiscire Komponenten demokrats chen Verfasungsvtans, Gulernos 219-220 de Recht und St icologin do plebisitovionismo & documenta em J. L, Talon, Te Origins of Tavaiarin Deo racy, New Vork, Fredrick A. Praeger, 1960, 510 TRANSFORMACOES DAS SOCICDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO Xvit numa ordem hierdrquica. Nas sociedades acidentais madernas, essa visio antig; foi substituida por conceitos de fungio de grupo que pressupdem o ideal de igualdade, exceto nos casos em que conolagdes medievais subsistern. O terma ‘plebiscito” refere-se ao voto direto numa questéo piiblica importante por todos as eleitores qualificados de uma comunidade, Quanto maior a comunidade, tanto menotes as qualificagdes estipuladas para os eleitores e, postanto, quanto maior © ndimero de pessoas que se encontram numa relagao direta com a autoridade piiblic: lanto maior sera o conflito entze o principio plebiscitério € o funcional. O sentido cespecifica de ambos os prineipios varia naturalmente com as definigdes de ativi- dades especificas de grupo e a extensio e qualificagdes de membro da comunidade. Virias acomodagdes entre © principio funcional e plebiscitirio caracteriza- ram a seqiléncia de decretos-leis e codificagdes por meio dos quais a cidadania se tomou nacional em muitos pafses da Europa ocidental. A fim de examinar esse desenvolvimento comparativamente, os virios direitos de cidadania devem ser distinguidos e analisados. Em sev estudo Citizenship and Social Class, T. H. Marshall formula uma tpologia de diteitos tripartite + Direitos civis como “liberdade pessoal, liberdade de ps ade © a conetuir contrates vilidos, € a direito 8 jutiga' 1a, pensamento e fe, 0 direito 8 prop + Direitos potiicos lais come a diteito de voto ¢ 0 direito a0 acesso a cargo pili, + Direitos saciais que vio do “diteto ao bem-estarecondmico 8 seguranga minimos a0 dieico de participa inteizamente na heranca social ea viver a vide de um ser civilzado, de acordo ‘com as padres provalecentes na saciedade™ Quatro grupos de instituighes paiblicas correspondem a esses trés tipos de direitos Qs ibunais, para a salvaguards dos diteitos civise, especilicament, para a protegio de todos ‘08 difetos exiensivos aas membros menas articulados da comonidade nacional + Os corpas representarivaslocais e nacionais como vias de acesso 3 porticipagio ma tomacla acto. + Os servigos socials, para garanti um myinimo de protegio contra a pobreza, a dacnga, avtios infortinios; eas escolas, pata possibil ‘menos os elementos bisicos le uma edveagio, todas 0s membros da comunidad reeeberem pelo 532, Ocnsai referido fo reeditdo em, H, Marshall, Class Citizenship an Soca! Development, Caden City, New York, Dovbleday & Co Ine, 1964, pp. 71-72. A discussfoquese segue deve muito lise {o professor Marshall REINHARD BENDIX Iniciaimente, tas direitos de cidadania emergem com o estabelecimento de Uiteitos iguais perante a lei O individuo é livre para concluir cantrates waidos, quite disporda propriedade. A 5 privilégios herdados. Cada homem possi agora o dirita de agir como uma unidiade independent; contudo,a lei apenas define sus copacidade legal, silencian- do sobre sua habilidade de usila. Ademais, os direitos civis sio estendidos aos fithos i elimninar a servidio heredi 4 extensio do direito dos pa sualdade legal avanga 8 custa da protegio legal ftimos, estran; geiras e judeus; o principio de igualdade legal ajuda a ia, iguala a posicdo de marido e mulher, cireunscreve , facilita o divarcio € legaliza 0 casamento civil” Consequentement, aextensio dos direitos civis beneficia os setoresinaticulados da popolagio, dando um significado libertrio postive ao reconhecimento legal a. individuatidade Enicelanto, esse ganho,de igualdade legal subsiste ao lado da desigualdade sociale econdmiea Tocqueville e outros apontam que na sociedade medieval Tints pessoas dependentes rai protegidas de alguma maneia conta as difcu- dades da vida pelo eastume e pela benevoléncia paternal, embora is cust da ervigncia pessoal, A nova liberdade do contrato salarial destruiu rapidamente | tada e qualquer protecao desse tipo que existia anteriormente™. Pelo menos durante nigum tempo, nenhuma nova protecio foi instituida no lugar das antigas; conse- giientemente, o preconceito de classe e as desigualdades econémicas prontamente exeluuem a grande maioria da classe baixa do gozo de seus direitos legais.O dircito do individuo de afirmar e defender suas liberdades civis basicas em termos de igualdade com as outros ¢ pela devido processo legal é formal, no sentido de que 1s poderes less individuo em sew uso desses poderes. Como observou Anton Menger, em 1899: ‘Nossos cédigos de lei privada nao contém uma Gnica cléusula que atribua ae individuo mesmo aqueles beneficios e servigos que sio indispensiveis & manuten- ‘gio de sua existéncia”™, Nesse sentido, a igualdade da cidadania eas desigualdades de classe social desenvolvem-se juntas, is esto garantidos, na auséncia de qualquer tentativa de assistir 0 33. Ver RH. Graveson Sites the Coma Law, London, The Athlone Pres, 1953, pp. 14-32. Sobre Aetathes desees desenvolvimentos lgnis mt Alemanha, Austra, Soig eFrang, ver. W. Hedeman, Die Foviscinitte des Zvtrcles it 19, Sehrlandert, Beli, Carl Heymanns Verlag, 1910 € 1935, 2 sols. Um breve apanido dn pan de fondo © da extensio desses desenvolvimentos na Europ tncontease cn Haws Thieme, Das Naturrecht ond die exropiiache Prsarechiseschicue, Bast, Malbing © Licblenhaha, 1954 Uns tatamento mis abrangente eneontrase em Franz Wieacke Privatrclisgeschichte der Nevscit, Gotingen, Vandenhoeck & Rupee, 1982, esp. pp 197-216.¢ 1, levis de Tousuevile, Democracy in Americe, New York, Vintage Books, 1954, Mp. 187-190, 35. Anton Menger, The Right tothe Whole Prxtuct of Labor, Londo, Macmillan ad Co, 1899, pp. 34 TRANSFORMAGOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO xvIN A justaposigfo da igualdade legal ¢ das desigualdades sociais e econdmicas inspiraram os grandes debates politicos que acompanham a construgao da nagio da Europa no século XIX. Esses debates giram em tomo dos tipos e graus de jdaldade'6u inseguranga que podem ser considerados intoleraveis e 0s métodos que devem ser usados para alivii-los. Os porta-vozes de uma posigio de laisses faire consistente procuram responder a essa questi dentro da estrutura dos direitos civis formais. Tendo obtido reconhecimento legal para 0 exercicio de direitos individuais, cles insistem que, para permanecer legitimo, o governo deve ser fie! a ordem juridica, E coerente com essa posi¢ao que, na maioria dos paises europeus, as primeiras leis de seguranca cos operdrios procurem proteget mulheres e crian- as, que na €poca niio so considerados cidadaos no sentido da igualdade leg Pelo mesine critério, todos os adultos do sexo masculino sao cidadios porque tém © poder de engajar-se no esfargo ecandmico e cuidar de si mesmos. Conseqiiente- mente, sio excluidos de qualquer pretensio legitima a protegao. Desse modo, lireitos formalmente garantides beneficiam o afortunado e, mais esporadicamente, aqueles que sio definidos legalmente como desiguais, enquanto toda uma carga de ripida mudanga econdmica cai sobre © “pobre trabalhador”, fornecendo, desse ‘modo, uma hase para a agitacao, muito em breve Essa agitago é politica desde 0 inicio. Um dos primeiros resultados da protecio legislativa da liberdade de contrato € a proibicia legislativa dos sindica- tos. Porém, onde os recursos legistativos so usados tanto para proteger a liberdade do contrato individual como para negar as classes baixas os direitos de recorrer por sua vez 4 mesma liberdade (isto é, 0 direito de associagio), os alaques sobre a desigualdade se ampliam necessariamente. A igualdade njo é mais procurada por meio da liberdade de contrato apenas, mas pelo estabelecimento dos direitos sociais, € politicos igualmente. Os Estados-nagdes da Buropa ocidental podem recordar es legislativas e decisGes administea- historias mais longas ou mais curtas das aK livas que aumentaram a igualdade dos stiditos dos diferentes estratos da populagao 36. 0 iguaitarismo ieolésico, bem como um iatresse em demolie resis famines ma lierdite de agio eeontmies, ram presumivelmente a rz pela ula protegs fl esta primeiramente 90s stores mais desricuaos da “lass isa A respeito de uma andliseciien do Cadigo Civil stoma {e 1888 -,excusivamente em Lermos des interes econdinicos aque serviriatn sis Usposigic, ver Anion Menget, Das birgerliche Recht umd de besiztosen Votisklossen, Tubingen, H. Lanpp'sche Buchhanale, 1908. 0 listo fo pablicadooriginalmente em 1890. Ess perspective one oinleresse utosustentadoalegalidde formal que Cob de protissionais eg, e conde 20 prolongad conto ‘te 0 positivism legal es dowtrna dei natural, Ver ese tespeto a andlse de Max Weber, Law In Economy and Society, Cambridge, Hsward University Press, 19S4, pp. 284-321. Ver também ‘selarecedar disenssio dese pono ém Fr. Darmsiaedter, Die Grenzon der Wirksemeit des Reclts- stuates, Meielberg, Cat! Winet Universtiebuchandlung, 1930, pp. 52-84 REINHARD BENDIX com tetmos de sua capacidade legal e de seu status legaP’. Para cada Estado-nagdo © para cada conjunto de instituigSes podemos apontat com exatidlio eronologias das medidas pablicas tomadas ¢ tragar as seqiiéncias de presses e contrapressdes, negociagies € manobras, por tras de cada extensiio de direitos além dos estratos dos privilegiados tradicionalmente. A extensio de varios diteitos as classes baixas constitui um desenvolvimento caracteristico de cada pais. Uma consideragio detalhada de cada um desses desenvolvimentos notaria o considerivel grau com que os decretos-leis si0 negados ou violados na prética. Ela sublinharia, portanto, como a questio da posigio civiea das classes baixas era enfrentada ou burlada em cada pais, quais alternativas politicas estavam em estudo, ¢ quais os passos sucessivos que conduziram finalmente 4 extensio dos direitos de cidadania. Uma anilise completa poderia esclarecer cada passo a0 longo do caminho, mas também obscureceria o proceso global da construgdo da nagio. Pelo fato de setem consideradas em conjunto, os desenvolvimentos dos varios paises europeus também constituem a transformacio desde as sociedades patrimoniais do séeulo XVI até 0 Estado de bem-estar do séeulo XX. Um estudo comparative dessa transformagao do ponto de vista da cidadania nacional parecer inevitavelmente abstrato se for justapeste 2 cronologia especifica © a andlise det hada dos sucessivos decretos legislativos em cada pais. Contudo, esse estudo terd a vantagem de en} fatizar a verdade que, considerados cumulativamente © & longo prazo, os dectetos legislativos estenderam os direitos de cidadania as classes baixas e, portanto, representam um proceso genuinamente compardvel na Europa dos séeulos XIX © XX. A discussio que se segue limila-se 1 um aspecto da consirugio da nagio curopéia ocidental: @ entrada das classes inferiores na arena da politica nacional. Sio consideradas apenas as politicas que tém relevaneia imediata para os movi- 1 nacional, As mentos das classes baixas que procuram ingressar na pol decistes sobre o direito de formar associagdes € sobre a direito de receber um i, pois esses direitos estabelecem a plat minima de educacéo format 7. Quando todos os .uullos io igus porantea lee tives para dar se vol, o exec esses ieitos depen da habia edisposigio de ums pesssoa paras os padres ezaisiq et diet Por outty fad, stn legal dos chtadiosenvalvediretas edevetes que mio podem ser volunttin ‘mente muddos sema inlervengiodo Estado. Uma disessioda dstingio onceiual eaves capaci coma "o por legs de tnzer™ € 9 situs com “0 estado legal de sr” encontase em Geaveson, op i pp 35:57 38. Consqienemente, apenas un considera ince € do i fses inca fina esse proces \demndangs coapso as sociedades patinoniis raves dextensia des ities civiseeeagie © implementagi Tisai dos disor a0 benimesar en» nossts socielaes "Ue consmo Je mass TRANSFORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVI forma para a entrada das classes baixas € condicionam as estratéxias e atividades dos movimentos das classes baixas, uma vez que sio formalmente autorizadas a participar na politica. Em seguita, os diveitos de participaedo reais si0 analisados ‘em termos da extensio do direito de voto ¢ das disposigbes para a vote secreto. No conjunto, a extensio desses direitos € indicativa do que se pode chamar de 10 civiea das classes baixa: Us dieito civil bésico: 0 diveito de associagao e de reunitio 5 direitos civis sio essencinis a uma economia de mercado competitiva, porque “«io-a cada homem, como parte de seu status individual, o poder de se engajar como uima wnidade independemte no esforgo econdmico™”. Mas, tomando conhecimento apenas de pessoas que possuem as meios de proteger-se asi mesmas, a lei efetivamente concede direitos civis Aquelas que possuem propriedade ou que asseguraram fontes de renda. Todas as outras permanecem condenadas por seu fracasso no esforgo econémico, le acoso com as opinides prevalecentes do inicio dioséculo XIX. O principio abstzato de igualdade, que fundamenta oreconhecimen- to legal e ideoligico do individuo independente, € muilas vezes a causa direta das acentuadlas desigualdades. No presente context a ilustracio mais relevante dessa conseqiténeia € a insisténcia da lei de que o contrato salarial é um contrato entre iguais, que 0 empregador ¢ 0 trabalhador so igualmente capazes de salvaguardar seus interesses. Com base nessa igualdade legal formal, em muitos paises europeus negau-se a0s trabalhadores odireito de reunido, por causa da negociagio com seus empregadores. Contudo, a negagiio do diteito de reunito deu origem a dificuldades concei- tuais ¢ politicas desde 0 inicio, Os direitos civis referem-se niin sé aos direitos de propriedade e contrato, mas também a liberdade de palavra, pensamento, ¢ contis: sio, que incluem a liberdade de juntar-se a outras pessoas na busca de legitimos abjetivos privados. Tais liberdades basciam-se no direito de associagao ~ vm principio legal aceito em varios paises curopeus (Franca, Inglaterra, Bélgica, Holanda), que tesolveram, no entanto, proibir aos trabalhadores_0 direito de reunidio. Sustentava-se que as condighes de trabalho devem ser fixadas por acordos alcangados livremente entre um individuo e outro". Essas proibigdes legais distin- 38, Masha, op. cts, p87. Kilicosscrescentls por mi BO. Vert deciaraeio fe Le Chapeier, autor da ll fracesa qve proibin os stcats, de jatho de 1791 i & ea no lnternational Labout Ofte, Frsedow of Associations, 1LO Studies anl Reports, Sets An 28, London, P.S. King & Son, 1925, . 11. Qutras referencias. esa obra de 5 volumes sero dads forraliia FLO Report, com 0 nimero¢ piginas ias REINHARD BENDIX guiam-se, entretanto, do direito de formar associages religiosas ou politicas na medida em que as associagdes nio especificamente proibidas por tei eran I Conseqiientemente, os dectetos particularizavam trabalhadores de varias condi. cies, mediante regulamentos especiais a fim de “preservar” o principio de igual- dade formal perante a lei A distingao entre associagio € reunido nao era feita, contudo, em todos os paises. Para entendler esse contraste, devemos recorclar a abordagem tradicional do relacionamento amo-servo, que era semelhante em muitos paises europeus. Decre- tos estatutdrios foram usados para regulamentar as relagies entre amos e servos € para controlar a tendéncia dos amos e artifices a se reunirem, no interesse dos precas ou salirias crescentes. Tal regulamentagio ganhou importancia & medida que as oF ganizagdes corporativas declinaram, embora as regulamentagées gover tivessem se tornado muitas vezes ineficazes pelos novos problemas que se originaram no acelerado desenvolvimento econdmico. Os estorgos para entren: tar esses novos problemas podiam tomar varias formas. © governo podia tentar usar uma extensio dos dispositivos tradicionais. Essa abordagem funcionou temporariamente na Inglaterra, mas diminuin a dsting ene assoclagies, que efam permitidas,e reunides de trabalhadores, que eram puaibidas. Nos pases escandi mnais éxito, Rsses pases perms século XIX. les experimentaram uma n sas, culluais, econdmicas e polticas qae acompanharam o declinio da seciedade vos € na Suiga, as politicas tradicionais tiveram jeceram predominantemente agricolas até tarde no {vel proliferagdo de associagdes religio- de Estado. Excetuando-se alg ‘ou nada fizeram para restringir nem para legalizar essas alividades, Havia diferen- cas ali também nos virios esforgos para enfrentar crescente desgoverno dos antifices ¢ trabalhadores agricolas. Mas nenhum desses paises foi to longe quanto 1a decretagao de uma legislagao proibitiva especial destinada a aniqui- abalhadares, Nesse cendi 10 teria violado 0 amplamente aceito a Inglatert lar mais do que a moderar as reunides dos jo tradicional, com sua ideologia patrimonial, tal proibi século XVII, os controls absolulista tadicionais sobre as associagBes de artifice foram estendidas a uma proibigio geral de todas as “assembléias secretas", como 1 Céidigo Civil prussiano de 1794. Essa proibigio era diigida principalmente contra os magons livres e outas formas primitivas de organizagbes quase politics, Francesa (tal legislagio era usada contra as reunides de rabathadores igualmente). Uma proibigio especifica da Gliima ocorreu na Préssia apenas nos anos de 1840, TRANSFORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVI embora na Austria jétivesse ocorride em 1803. Essa abordagem absolutista pode ser considerada junto cam politi nem ‘grande parte 0 mesmo efeito geral sobre as reunides dos trabalhadores. Na Ii nna Espanha, as restrighes da atividad dificilmente requeriam dispositivos legislatives especificos pura assegurar sua implementagio. Na Franga, por outro lado, a tradigio plebiscitéria de relagdes diretas entce Estado € cidadao levaram & promulgagio da famosa Loi Le Chapelier com 1791, e essa (endéncia a sestringir todas as associaghes foi fortalecida ainda ‘mais na época de Napoleio, Havia ali ampla evidéncia de que o governo absolutista © 0 governo plebiscitério cram compativeis entre ssociativa eram tradicionais ¢ locais, ¢ Finalmente, na Tnglaterca, a manutengto a Jongo prazo da distingfo hostil entre associngbes ¢ reunides mosirou-s diffi. O direto de associagio permitia a agilagRo politics, por melo da qual se podia resistr a proibigio dos sindicatos Emboraa Lei de 1824 que repeiaas leis anti-reunigesndo fosseefetiva, sua ania 0 A desagradivel continuagio das reumies de ‘alhadores. Vimos que essas medidas repressivas precisam ser comparadas com passagem € uma prova de oposis trat aquelas outras nas iio apresentavaim queixas ¢ os magistrados no agiam na auséncia de uma queixa ais as Violagbes ficaram impunes, porque os empregadores Quando o declinio do sistema de guilda ¢ o crescente progress do desenvel- vimento econdmico sugeriram a necessidacle de novas regulamentagaes das rela. {ges patriio-empregado e das associagGes de attifices, os varios paises da Europa cidental responderam com trés tipos de politicas muito distintas. O tipo eseandi- preservando 0 direito de associagio, e ao mesmo tempo estendendo o regulamento do € das associagGes de artifices a uigo continuou a tradicional organizagio dos oficios no periodo moderne, estatuldrio das relagdes entre patrio e empr fim de enfrentar os novos problemas. Numa forma modificada, essa variante representa o conceito medieval de liberdade como um privilégio, um conceit que cerlamente contribui pata urn reforgo estatutario dos arranjos existentes. O segundo ‘ipo, o absolutista, éexemplificado pela proibicao prussiana primes ide trabathadores, depois de todas as assembléias secretas, ¢ finalmente das recém-for- madas reunides de trabalhadores ~ mantendo a politica do absolutismo esclarecida que Se lipo representa uma 0 das associagis ular todas as fuses da vida social e econémica procura 1 importante ruptura com a tradiglo de liberdade como um privilégio juridico, na medida ‘em que 0 rei desti6i todos os poderes que se intexpéem entre ele mesmo e seus stiditos, cembora es Finalmente, a politica liberal exemplificada pela Inglaterra passou da antiga regula- das guildas ¢ do relacionamento patrdo-empregado para uma politica que a destruigio pudesse ser igualmente radical sob 0 patrocinio plebiseitirio menta combinava a proibigio espeeifica das reunides dos trabalhadotes com a preservagio "7 REIWHARD BENDIX do diteito de associagio em outros aspectos, Assim, o liberalismo, com sua hostil istingdo entee associagio e reunido, representa um limite na metade do caminho entre a preservagiio do direito de assnciagio (como era compreendido na estrutura pré-moderma da Europa) ea negagdo completa do direito de associagio, que era uma excrescéncia do absolutismo © uma oposigia plebiscitiria aos poderes inde: 1ados © corporacies, Paises do primeito tipo caracterizavam-se por histérias de repressio relati~ vamente insignificantes, enquanto os paises dos outros dois tipos suprimiram as reunites dos trabalhadores por proibigio expressa ou por severas regulamentagdes estatulirias por periados que vio de.75 a 120 anos. Podemos comparar os paises em termos desse intervalo entre as primeira’ tedidas decisivas, tomadas para reprimir fendéneias as reuniGes dos trabalhadores, e a decisio final de ace sindicatos. Na Dinamarca, por exemplo, esse intervalo compreendeu 49 anos, na Inglaterra, 76 anos, € na Prissia/Alemanha, 105 ou 124 anos, conforme conside- remos 1899 ou 1918 como a data mais apropriada para o reconhecimento legal dos Sindieatos. Mas a datagio desses intervals € prablemética. Os primeirasatos de regalamentos tadcionais¢ wina nova e mais severa proihigao que indvidualizava classe trabathaconarecentemente emergente.E também dif datas preisamente 2 legslagao inal dos sindieatos, pois, a maioria dos e280, al legislagio oconreu {que guiaram a extensio do diteito de associagio 3s gradualmente, Todavia, essas dificuldades de datagio nao inv: tipologia tripartite das politie ‘classes inferiores na Europa ocidental O direito legal de formar associagdes combina o principio plebiscitario com ‘© funcional. Sempre que rados os cidadios possuem esse direito, femos um ‘exemplo de plebiscitarianismo no sentido formal de que todos gozam da mesma capacidade legal para agir. Contudo, na pritica, apenas alguns grupos de cidadaos usufruem essa vantage, enquanto uma grande maioria permanece “desorganiz: da”, Portanto, nos Estados-nagoes em desenvolvimento da Europa ocidental, as associagdes privadas exemplificam 0 prineipio funcional de representagio com base nos interesses comuns, em contraste com os Estados medievais, que gozavam coletivamente do privilégio de exercer certos direitos publicos em troca de uma responsabilidad legal comum. Loge foi reconhecido que as organizngées baseacas em interesses econdmices comuns perpetuariam ou restabeleceriam prineipios corporativas aniitogos iqueles do periodo medieval", Em seu argumento contra us agvolunazemos 2 questo da continuidade ou descontinidsde ent corporagSesanedicvais © deinss sn pobtemsa tat exlenssmente nos escrilos de Figs, Gerke, Milind ove 1s TRANSFORMAGAES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVII sociedades de beneficio mituo, Le Chapelier expressa essa opinido em seu discurso de 1791 perante a Assembléia Constituinte, ao qual se fez referéncia anteriormente: As corpora Ares na mesma o&upac questo, E do interesse da: neeessitam pata seu sustento e socorer ‘ém objetivo contesso de odie assisténcia pasa os trabatha rs em quest Jo onde adoecem ou fear desempregados. Mas que no haja erro nessa 5 € 60s funcionitios publicos fornecer trabalho aos que dele ss doenies [..] Ne se deve permitir que os cidadios ens certas ocupagbes se retinan na cefesa de scus pretensos interesses comuns. Nao deve mais haver idas na Estado, mas apenas 0 interesse individual de cada cidadio € o interesse geral. Nao wi despertar em nenburm cidado nenhum Fio, nem aparté-o cla bem-estar pablico por intermédio de interesses corporativos® se petmitinéa ning) specie de ineresse interned E dificil manter de_modo coerente essa posicio radicalmente plebiscitiria {que no tolera a organizacio de nenhumn “interesse intermedisrio”. Pois as tendéi- cias individualisias da esfera econdmica, que sio parcialmente responsaveis por essa posigio, sio igualmente responsiveis pelos desenvolvimentos legais que a solapam, Uma crescente economia de cimbio, com sua ripida diversiticagio de Lransagées, dd origem ¿io de como o significado legal de cada transagio pode ser determinado inequivocamente. Essa questio é parcialmente respondida atri- buindo-se “personatidade juridica” a organizagdes como firmas comerciais e, portanto, separando as esferas legais dos acionistas e funcionsrios da esfera legal da propria organizagio". A incorporacio estabelece a responsabilidade legal sepatada da organizagio, limitando assim a responsabilidade de seus membros ou agentes individuais. Embora a “responsabilidade limitada” tena sido denunciada 1 certa altura como uma infragio da responsabilidade individual, interesses maci- 42, Citta em 1LO Report, 9. 29, . 89. A decaragi de Le Chapetier reflete © principio enunciado por Rosteaus “Se, 30 dliberay, 2s pessous,siclentemente informs, nip iver mantido neobws comunicaso ene els, a patie do grande ttl de dferencas species, oflotl] geal sempre dr bom resulado,e suns sesoluges serio sempre boas. Mas quando conluios eassociaghes pares sf0 Formadossexpensis da grande associgio, a vanade de cola uma desis associagSe,emora geal ‘em glngio seu membros, € privada em elagio a0 Estido: aio se pode mais diet ue hi tants leiloresqunnios foremos homens, ms apenss ants quanta orem asocingses Desse ml, sede 2s dilerengas menos mumeross, clus produzem am resallado menos geal. Finalmente, «indo wns ‘lessasassocingies se Toronto grande que prevalece sobre too rest, no se tem mas a soma Ue ‘ists opines que dferem a6 cert panto us das ontras, mas um grand dissident aor; & frit dease momento, aio hi mais uma vont gel, 2 opiiao predominsne € apenas individoal E,partano, da mor impertinca, para obter a expresso da vonlide geral, que neahums Sociedade pil ea formada no Estado, e que cada eidaio exprese sun opinso interment per si mesmo [ra Ver Jean-tacques Rowsscu, The Sociol Contract, New York, Hater Publishing Company, 1957, 9. 26-2 49, Weber, Law in Eeonomyand Socicty pp. 156-157 ess. Os edtoresacrexcentaram referéacnseNtensa itera nesse campo, EIHARD BENDIX 0s eram atendlidos por esse novo atlificio, ¢ as objegdes baseadas no conceito de obrigagio foram capidamente superadas. A incorporacio € a mais importante brecha na posigio estritamente plebiscitdria. Bla representa uma primeira limitagao daquele individualismo radical que opéia a igualdade esiritamente formal perante lei c Se opde a formagio de “interesses intermediarios” Marshall afinma que no campo dos direitos civis “o movimento foi (..] nao da representagio de comunidades para a dos individuos {como na historia do Parlamento], mas da reptesentagio de individuos para a de comunidades™. O dispositive da incorporacao e o principio afim da responsabilidade limitada possi bilitaram a uma empresa econdmica assumir riscos e maximizar ativos econdmicos em nome ¢ em beneficio de acionistas individuais. Por intermédio de seus funcio- . a empresa desempenha unta fungdo representativa, no sentido de que toma decisdes ¢ assume responsabilidades para a coletividade de seus investidores, que 6 feeqtientemente composta por outros grupos incorporados bem como por indi- viduos. Durante a maior parte do século XIX, essa fungi representativa da corporagio limitava-se a abjetivos econdmicos. Contudo, conceitos como “cura doria incorporada”, o desenvolvimento das selagdes piblicas © a patticipagio politica direta de muitas corporages grandes sugerem que, nas dltimas décadas, ‘essa antiga restrigdo foi abandonada — um desenvolvimento cujo significado para 1 cidadania ainda precisa ser explorado. Essas consideragées fornecem um fundamento stil para a compreensio da posicdo especial dos sindicatos. Como Marshall observa, os sindicatos: [.-J nio procuraram nem obtiveram a incorporagio. Pacem, portanto, exercer 0s diteitos civis, Viais coletivamenteem nome de seus membros, sem responsabilidad coletiva formal, enquanto 1 cesponsabilidade individval dos tabalhadores em relagio a0 contrata é em larga medida vel [1 Se tomarmos como ponto de partida a proibiga reunides, o desenvolvimento dos sindicatos também exemplifica o movimento dos direitos civis que vai da representacio de individuos para a de comunidades. Essa 30 coletiva dos interesses econdmicos dos membros surge da inabili- ow a severa restrigio de representa dade dos trabathadores de salvaguardar seus interesses individualmente. Os sindi 10s procuram levantar a posigio econdmica de seus membros. Os trabilhiadores 0 nivel de recompensa econdmica a0 qual sentem ter organizam-se a fim de atingi 44, Morshall, op elt p94 45, Ider, p93. A diseussio seguinte basis se na ansise de Marshall ms pp. 95-94, mas sa Gia dere Higeiramente 0 TRANSFORHAGOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVII direito ~ um nivel que na pritica depende da capacidade de organizar ¢ de negociar o que sustentari a negociaei0”. Esses resultados priticos dos sindicatos tém am aleance na posigio dos trabalhadores como cidadiios. Pois, através, a, 0 direito de reunitio & usado para atitmar as aos elementos de justiga social”™*, Desse modo, a extensio da efeita de loi do coleti dos sindicatos e da negoci pretensties bi cidadania as classes baixas adquire o sentido especial de q membros dessus classes tém “direito” a certo padrdo de bem-estar, em retribuigio 0 qual so obrigadas apenas a cumprir os deveres comuns de cidladania coma eidadiios, os ++ A legalizac3o dos sindicatos é um exemplo da legislagao habilitadora, Ela _permite 208 membros das classes baixas se organizarem e, portanto, obterem wna igualdade de poder de barganha que uma igualdade legal formal previamente imposta Ihes negara. Mas, para alcangar esse objetivo, torna-se neces: 0, como vimos, arbitrar em favor de quis 08 grupos em desvantagem sio incapazes de se organizar efetivamente, Em ara habilitar as classes baixas a jeunides”, permitindo-Ihes isengdes legais sem as outras palavras, 0s direitos civis $30 aqui usados participar mais efetivamente do que de outro modo aconteceria na Iuta ecansmica ¢ politica sobre a distribuigdo da renda nacional. Contudo, muitos membros ds classes baixas ou no se valem das oportuni- dades que Ihes siio concedidas pela lei, ov sio impedidos de fazé-lo pelos expe- dientes exelusivistas ou neocorporativistas dos sindicatos estabelecidos. Por conseguinte, com efeito, as oportunidades legais transformaram-se em privilégios disponiveis aos trabalhadores que querem ou t&m capacidade para organizar-se a fim de aumentar seus interesses econdmicos. Tais privilégios so, por sua vei fortalecidos por expedientes legais, extralegais e ilegais para tornar a participagio no sindicato obrigatéria ou a nao-participagdo muito custosa. Assim, o diteito de sos”. Num certo sentido, esia € uma medida da fraqueza das tendéncias corporativisias nas se num “ reunido transform rivilégio daqueles organizados em sind sociedades ocidentais modernas, uma vez que © mesmo diteito aplicado generica- ‘mente significaria que cada adulto pertence a uma organizacio representativa de sua ocupagio. Em vez disso, 0 direito de reunido deu origem a um “enclave corporativisia”. A propria eficdecia de praticas exchusivas pelos sindicatas torna a filingdo quase obvigatdria, por mais vantajosa ¢ involuntariamente ela esteja muitas vezes relacionada com a fracasso de esforgas para novos membros. Desse modo, 6 dircito de reuniiio pode ser usado para reforcar as pretenstes a uma participagio na renda ¢ nos beneficios as expensas do nio-filiado ¢ dos consumidores, Essa posigio excepcional de alguns sindicatos nao alterou o principio de que os direitos 46. dom, p REINTIARD BENDIX jos, embora se possa dizer que ela o violou, Essa facultatividade dos direitos civis precisa de uma énfase especial no presente contexto, por causa do contraste com 0 segundo elemento da cidadania, 98 direitos sociais, aos quais nos voltaremas agora. eivis so facultatives mais do que obrig, Um direito social basico: 0 direito & educagio basica O crit a edveagzobasica€ semelhante a0 “irito de reuniao”. Enquanto [am grande contingente dla populagio &desprovido deeducagobisica, 0 ace550 38 | tactiades educacionais aparece como uin precondig sem a qual outos direitos afabeto. Fornecer as rudiments de dic 20208 analfobetos aparece como-un sto de iberagio, Tadavi, os drstos scias ' Jegais permanecem inacessiveis 20 a so distintivos pelo fato de, comumente, no permitirem ao individuo decidir se deve ou nio tirar proveito de suas vantogens. Como a regulamentagio legslativa ds condigoes de trabatho para mulheres e tian mi indistia, e medidas de bem-esint semelhantes, 0 diteito a una © seguro compuls6rio contra acidente edueagio basics no se distingue do dever de freqitentar a escola. Bin todas as sociedades ocidentais, a educagio bisica tornou-se um dever de cidadania, talvez ‘0 mais antigo exemplo de um minimo prescrito, reforcado por todos os poderes do insformaram-na mum ele ado maderno. Dois atributos da edueagio bisica t mento da cidadania: © govern tem avtoridade sobre ela, ¢ 0s pais de todas_as criangas de um certo grupo etivio’ (geralmente das 6 aos 10 au 12 anos) obrigndos por lei a providenciar para que os flhos freqdentem a escola 05 direitos sociais como um atributo da cidadania podem ser considerados benelicios que compensim o individvo pot seu consentimento em ser governado pelas leis e pelos agentes de sva comunidade politica nacional”. E importante notat | oelemento de acordo ou consenso que esté na raiz da relagdo direta entre os érgdos centrais do Estado-nagito ¢ cada membro da comunidade, Mas voltando agora consideragio dos direitos sociais, descobrimos que esse prineipio de igualdade jo Soberano envolve deveres, bem como direitas plebisetério antes do Estado-n Cada individuo elegivel é abrigado a pavlicipar nos Servigos fornecidos pelo Estado, E im tanto inadequado igualmente usar o termo “plebiscitirio” para aspocto obrigatsrio da cidadania. Todavia, ha uma semelhanga familiar entre 0 direito de todos os cidados de participa através do dreito do voto) nos processos weino € 0 dever de eos 0s pas de providenciarem para que seus decisérios do 47, Goss Fonmulagio deve-se 8 percoptivs anise de Joseph Tussman, Obligation and the Body Poti New York, Oslord University Poss, 1960, 9p. ADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SéCULO XVI TRANSFORMAGOES DAS SOC! fithos na faixa etiria estabelecida freqiientem a escola. Num Estado de bem-estar Uecidem fornecer os completamente desenvolvido, os cidadios como eleiton servigos nas quais os cidadios como os pais das crangas em idade escolar sto entio brigados 4 participar. O diteto a voto ¢ facultative, enquanto os beneficios da freqiéncia & escola si6-obrigatGrios. Mas ambos sao prineipios de igualdade que estabelecem uma relagio diretaentte os érgios centrais do Estado-nagio e cada membro da comunidad € essa relagio direta é o sentido especifico da cidadan Pode ser il reitear as principais dstingges nesse pont. Hi primeiramente a distingdo entre uma rlagioiadireta e wma relagto dreia entre 0 Esiado-nagio.e o eidado. Discutimos a relagioindieta no eapitlo precedente em conexio com os direitos de associagt eo direto de reunido. Enbora esses direitos civs sejam em principio acesives a todos, na prética eles si exigidas por clases de pessoas gue partilham eerios alribulos soiais e econOmicos. Portanto, a representagio de grupo (ou funcional € de importincia continua, mesmo depois de o antigo prnet- pio medieval de jurisdigbes privilegiadas ter sido substtuido pela igualdade petante a Ie. Vollando agora A relagio direta entre 0 Estado-nagio ¢ 0 cidadio, onsideremos os direitos sociais antes de voltarmos i discussio dos ditllos 10 de diteitos sociais com sua énfase na obs politicos. A exten: io pode deixar ntacto o privilégio € ampliar os deveres e beneficios do povo, sem encorajar, social, considerando que a extensio do direito a do necessariamente, sua mobilizag de voto dests6i inequivocamente 0 privilégio e aumenta a participagio a povo nos negécios puiblicos. Ha uma clara indicagio de que no continente europeu o principio de uma sica para as classes baixas emergiu como um subproduto do absolutismo esclarecido, Na Dinamarca, por exemplo, Frederico LV estabeleceu escolas bisicas em seus proprios dominios jf no ano de 1721, dotando-as com recursos suficientes eum corpo docente fixo. Tentativas de dar sequéncia a essa politica falharam, porque (5 proprietirios de terras furtaram-se a suas obrigagdes de empregar e remunerar os educagio professores, impondo encargos como os sakirios do professor aos camponeses, que dificilmente podiam arcar com eles. Continuando as prineipais medidas para aliviar 88), Frederico VI estabelecer uma nova organizagio de escolas basicas que permaneceu como a base -ducagio nacional na Dinamarea desde 1814. as obrigagdes impostas aos camponeses (1787+ Esse desenvolvimento dinamarqués pode ser comparado com 0 correspon- dente desenvolvimento na Priissia, onde o programa de um sistema de educagio nacional também se desenvolveu cedo. O propésito profundamente conservador desse programa é indubitvel. Em 1737, uma lei prussiana de escola basica foi igiu no sentido de editada com o comentério de que o rei ficara preocupado ao ver jovens vivendo e crescendo nas tevas e, portanto, softende danos tanto temporalmente como em litar 0 emprego Ue professores capacitados, e, por varias décadas apés isso, os reis prussianos & suas almas eternas. Nessa ocasido, o rei doou uma soma para fa seus fimciondrios promoveram o esquema com base nessas verbas ineidentais. Em 1763, foi publicado um decreto regulamentando as negécios escolares para toda a quia ¢ incluindo disposigGes para medidas disciplinares contra professores que negligenciavam seus deveres, encarando, desse modo, pelo menos uma admi- nist i das escolas. Ao mesimo tempo, foram feitos esforgos para aliviar atcaténcia de professores destinando-se fundos especiais para esse propésito. Essas medidas enfrentaram dificuldades, porque os pais relutavam em enviar os filhos & escola, e eorporagdes locais nao asstimiam sua parte na responsabilidade financei- 1a, Em 1794, as escolas (junto com as universidades) foram declaradas institwigies do Estado, ¢, nos anos subseqitentes, todo o sistema de educacSo nacional tornau-se parte de um movimento de libertacao nacional contra Napoledo. Embora alguns Dficiais expressassem publicamente suas dividas quanto 3 utilidade da alfabetiza- {Jo para o homem comum, a derrota militar e 0 entusiasma patristico geralmente temoviam tais dividas. Declaragdes oficiais pediam que fosse dado a todos os siiditos sem exceeio conhecimento itil; a educagio nacional levantatia o espitito moral, religiosa ¢ pattiético do povo'. Com toda probabilidade, a educagio nacional tornou-se aceitivel para os governantes conservadores da Prissia porque ‘ujudava a instilar a lealdade ao rei e a0 pats na populagdo. Cabe lembrar, entretanto, que, no campo do recrutamento militar, « mesmo esforgo para mobilizar © povo as¢ provocou uma reagio muito ietras de libertuedo criou grandes controvérs forte entre 0: ultraconservadores, uma vez passado 0 perigo imediato”. Portanto, Ke OU equiveco ra extensiio dos direitos sociais ao povo. O governo absolutista endossava o principio de que nada devia intervir entre o rei € seu povo, e, por conseguinte, de que o rei por sua livre vontade distribuisse beneficios entre ele. Mas 0 absolutismo naturalmente insiste que o povo sio os stiditas do rei; ele rejeita a idéta de direitos e deveres derivados da autoridade soberana do Estado-nacio e devidos a ela: © absolutismo esctarecido pode ser considerado o pioneiro reluta 48, Os dois parigratospreceentesbastim-se ma ota de A. Poersilie,Dasofenliche Unteritaswesen, ol Ide Han and Lerbueh der Stooiswisenschafen, Leipzig, C. L. Hirst, 1897, 1p 138-166, 203.204, e passim, 49, Sobre detains ver o excelente esl de Gethitd Rite, Stonshunss und Kreg Oldenbourg, 1959, 1 caps, 45, 50. O signticado dos regimes absolutistis pura 1 educagio bisicn varia com as.crengas ttigisss prevalecentes do pas. Na Austria, a euueagio bsica ers onganizadn pels vero ja em 1805, com 6 lero agin ne supesisor do Esta. ios com menor unidaue relics que river, Manic, TRANSFORMAGOES DAS SOCIEDADES EUROPIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO NVIIE As idéias de cidadania nacional ¢ de uma autoridade nacional soberana sa0 conceitos basicos do liberalismo, Elas (ém relevaneia especial pata a educagio, porque na Europa 0 ensino esteve nas maos do clero durante séculos. Conseqiien- temente, as escolas estavam mais sob a autoridade clerical do que politica, de modo que os alunos, para receber educagao, so submetidos a essa jurisdig’o especial. Esse controle clerical € destruido quando os dirigentes absolutistas ou o Estado: ago adquire autoridade sobre as escolas. Na Prussia luterana, esse controle secular sobre a educagio podia ser imposto sem dificuldade. Quando os ministros da lgreja, bem como os professores, siio submetidos 3 autoridade soberana do tei, 6 ficil recrutar os minisiros para a profissdo docente. Mas quando, como na Franca, o clero catélica esta sob uma autoridade separada da do Estado, o estabelecimento de um sistema nacional de educacio e, portanto, de uma relugio direta entre cada cidado e © governo forna-se incompativel com o sistema vigente. Em seu Essai d’Education Nationale, publicado em 1763, La Chalotais opde-se a0 controle do clero sobre a educaciio pleiteando que o ensino de letras e ciéncias devia ficar nas iis de uma profissiio secular. Apés observar que eminentes homens de letras sia leigas, mais do que clérigos, ¢ que “padres desocupados” infestam as cidades enquanto 0 pais esti desprovide de clero, La Chalotais continua: Para ensinar lets € cigncias, devemas ter pessoas que fagam delas uma profissio. O elero rndo pode evara mal nZoincluirmas os eclesisticns, de vm modo geral, nessa classe. Naosow injusto por exclu-losdeln. Reconhegocom prazerque hi varios ..] que sio mwitoinstruidase muito eapazes tie ensinar[..] Mas presto conta a exclusio dos leiges, Reclama o direito de exigir para a Nacio ‘uma educagio que dependa apenas do Estados porque ela pertenceessencialmente ale, porque ca hago tem tn naliendvel e impreseritve direto de instr seus membros, Cinalmente porque as criangas do Estado levem ser educads por membros do Estado” sa declaragio assemelha-se ao principio plebiscitdrio enunciado por Le Chupelier acima citado®. Enquanto Le Chapelier argumentava contra as sociedades dle beneficio mito, baseasio em que nao se deve permitir que nenhum “interesse + Austra, es sbordagem nfo se mostow possvel; na ranga, por exemple, a tradicional prtensio “itlien de supervsionnr 3 educag Tos desafiada mo 290 de 1760 pela supressio dos jesuilas € pelo nosso de wm ssa de edueagio leigh organizndo micionalmente (ver pp. 121 e). Ademais, em pises com Ips estaaisproertnies (Pris, Dinamarea, Nonwega e Swécia), povco ou nenhum onto fo veri na media em que #unidade de lee ¢ Estado na pessoa de monatcaconcedia vo ltimo auforidade de govesno sede elicagobisin, com minisitosdaIpejaagindo esse campo Som agentes do monarea ow (depos) de wn inistio dy edueagio enegscios eclesisticns 51, Wer La Chaloiis, "Essay on National Edacation®, em Fde lt Fontinere (6), French Liberalism ana Eauceaion i te Eighteenth Cerny, New York, MeGra-Hill Book Company, 1932, pp. 32-53 Wen, 9.115, 0.82 REINHARD BENDIX és de interessé intermediirio” separe nenhum cidadao do “bem-estar piiblico atray corporativos”, La Chalotais repete aqui a mesma idéia em seu argumento contra o cleto. Deve haver uma profissaa de professores que esteja inteiramente & disposi- cio do Bstado, a fim de implementar um programa de instrugao no qual nada interfira entre as “etiangas do Estado” ¢ os professores, que so membros servidores do Estado, Posteriormente, 0 principio de um sistema nacional de educagio bisica também se tornou aceitvel 8 emergente forga de trabalho industrial. Entre os trabalhadores, 0 desejo de se educar era forte, em parte para aumentar as chances nia vida, em parte por ver que com ela os filhos tinham mais Futuro que seus pais, em parte para dae mais peso as reivindieagbes politicas feitas em nome da classe trabalhadora, Se esse desejo levou a esforcos voluntérias para fornecer oportuni- dades ‘como ocorten especialmente na Inglaterra e na Alemanha, tal ago foi em grande parte uma resposta ao fato de oportunidades de outta tipo nao Thes serem acessiveis, Uma vez que tais oportunidades se educacionais ans trabalhadon tomnaram acessiveis, esforgos voluntarios no campo da educagao dos trabathadores diminuiram (ainda que no tenbam cessado inteiramente), outta indicagio da relativa fragilidade das tendéncias corporativistas, provivel, portanto, que os sistemas de educagio nacional tenham se dlesenvalvido tanto pelo fato de a demanda por educagao basica ter interceptada 0 neas politicas. Ele é sustentado por conservadores que temem 0 1c0 nos fundamentos. lealdade ao rei e a0 pais. Os liberais afirmam que © spectro das er inerente desgoverno do povo, que deve ser refreado pela inst de religido ¢, assim, instila Estado-nagio requer cidadios educados por érgios do Estado. E os oradores popullistas protestam que as massas populares que ajudam a criar a riqueza do pais devem pattilhar das amenidades da civilizacao, Contudo, a educa vertida questio quando a autori biisica compulséria (orna-se uma importante ¢ contra- ude governamental nesse campo entca em conflito com a religido organizada, Tradicionalmente, a Igreja catdliea encara © ensino como um de seus poderesinerentes,sendo o trabalho de instrugso conduzido por od 50,0 principio corporat & soberano, ni hed em que a lgieja administra o “estado espritual” do homtem e possi, nesse io, 0 direto ¢ 0 dever de representagio exclusives. Esse principio foi desafindo durante o séeulo XVII na Franga, €o confita sobre o eantole clerical ns religiosas, Segundo essa op domi ou laico da educagio durow até presentemente. Conflites semelhantes também persistiram nos paises protestantes, nos quais a populagio esti acentuadamente Jividida sobre as questécs religiosas. Isto é, um sistema de educacio bisica nacional se opés onde quer que a Iyreja ou varias congregagdes religiosas insisti TRANSFORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO xvi sam em interpor suas préprias oportunidades educacionais entre seus adeptos e 0 Estado. Assim, paises como a Inglaterra, a Bél a Holanda foram eenirio de prolongados debates sobre a questio de permitirse ou nio, e em que condigies 39 goverio nacional dar assisténcia ou exercer autoridade no campo da educacio bisica. Na Inglaterra, por exemplo, as contsibuigées voluntirias & educagio perfa- ziam, em 1858, 0 dobro da quantia do apoio fornecida pelo governo. Desde 1870, fema de escolas estatais, no como um substitute para desenvolveu-se um novo as escolas baseadas nas contribuigées voluntirias, mas como aeréscimo a clas. Desse modo, até bem tarde no periodo modemno, os esforgas locais e voluntirios peservam elementos da “tepresentagio funcional”, apesar do crescimento conti. uo de um sistema de educagio nacional (plebiscitério)®. Talvez o exemplo mais importante do principio corporativo ou representativo na educagio sejao fornecido, pela Holanda com seus és sistemas de escolas separat calvinista € uma secular-humanista. O fato significative aqui é que os trés sistemas sio financiados pelo governo, ¢ os ts baseiam-se no principio de freqiiéneia obrigatéria, combinando portanto claramente o principio plebiscitario nas finangas com 0 principio representative no controle organizacional e substantive sobre o Juma catéliea, uma processo educacional, Dircitos politicos: 0 dircita de vote e 0 voto secreto Essa tensio entre a orientagio estatal ea orientagio nacional na determinagio a politica € até mais evidente nos debates e decretos concernentes aos direitos de participacao politica: o diteito de servir como um representante, o diteito de votar través de representantes, ¢ 0 diteito de escolha independente entre allernativas, A condi Participagio ea a wnificagdo do sistema de representa: dade Média, o principio de tepresentagio territorial foi gradualmente substituico ho continente europeu por um sistema de representacao por Estados: cada Estado enviava seus representantes em separado para deliberar no centro da autoridade feritorial, e cada um possusa sua assembléia em separado". Somente na Inglaterra © sistema original de representagio territorial foi mantido: a Camara dos Comuns io bisica para 0 desenvalvimento rumo aos direitos universais de io nacional. No fim da 53. Ver hiséricn esboge do desenvolvimento cdvcacionlinglts em Eines Barker, The Development the Public Services in Western Exrope, New York, Oxtord University Press, 1948, pp. 8208 6 avolingio comparatva de Robert Ulich, Fe Education of Nations, Cambridge, Hotvant Universe Press, 1961, passin, 54. A pnincipal sutoridade em hishitis dos Estados eouporativos € sun tepteschtagi & ainda Otte von Gierke, Das dewische Genossenschfiseeht, Berti, WeXdmane, 1868, pp. $84-581 REWARD BENDIX nao era uma assembléia dos Estados burgueses, mas um corpo de logistadores que Tepresentavam as localidades constituintes do reino, os condados e os burgos. A grande abertura da sociedade inglesa possibilitou a manutengio dos canais de representacio territorial, e isso, por sua vez, criou condigdes para uma transigao mais suave pasa um regime unificado de democracia igualitiria' Apesar do principio de representagio nesses anciens régimes, apenas os chefes de familias economicamente independentes podiam participar na vida eraum direito que Ihes advinha nao de sua qualidade de memibro de alguma comunidade nacional, mas de sua qualidade de proprictarios piiblica, Essa participaga de territério ou capital ou de seu status no interior de corporagées funcionais Jogalmente definidas coma a nobreza, a Igreja, ou as guildas de comerciantes ou antesios, Nao havia representagio de individuos: os membros das assembléias representavam interesses no sistema, quer na forma de proprietitios de terra ou na forma de privilégios profissionais, A Revolugio Francesa realizou uma mudanga fundamental na concepgio de Tepresentagao: a unidade bisica nio era mais a familia, a propriedade, ou a corporagio, mis 0 cidaddo individual; ¢ a tepresentagio no era mais canalizada através de compos funcionais separados, mas através de uma assemibléia nacional unificada de legisladores. A lei de 11 de agosto de 1792 chegou a conceder diteito de voto a todos os franceses do sexo masculino com mais de 21 anos que niio fossem de 1793 sequer exclua os indigentes, descle que tivessem residido mais de seis meses no canton, A Restaui- rag nao trouxe de volta a representacao por Estados: em vez do régime censitaire introduziu um critério monetirio abstrato que interceptava decisivamente o antigo servos, indigentes, ou vagabonds, ¢ a Constiti critério do status atribuido, Uma nova fa ISd8e a da maior parte da Europa. Napoleao III demonstrou as possibilidades do sistema nesse desenvolvimento inaugurou-se com a Revohugio de ila dif 10 de movimentos pela democracia representativa através plebiscitirio, e os lideres das elites estabelecidas tornaram-se cada vez mais divididos entre seus medos das conseqiiéncias das rpidas extensdes do sufrigio inio pelas possibilidades do fortalecimento dos podleres do Estado-nagio pela mobilizagio da classe trabalhadora a seu serv As classes bai le repuesenagso eriterial verausrepesentagio funcional & 0 ceme do debate sole 38 vivéncia do Pattomento na gpoce 6 absolutism, Otto Hintze bli 9s continu. es hsttieas ene as formas de represeniago medieval © moderna eargumenow que Frm Ue _govertobicamerlalém do aleance do Impetio carolingiootereian base mis equsda a0 desenval Viento do govern pluratisia paviamentar. Ver sea “Typologie det stindischen Verfusuagen des Abenlandes em Stat and Verfostang, pp. 120-13. Rs ‘MANSFORMAGOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO xvi 0%. Esses contlites de estratégia produziram uma grande variedade de compromissos {ransitérios nos diferentes paises. Os pontas de partida para esses desenvolvimentos exam as disposigdes do Standestaat © 0 régime censitaire pés-revolucionitio, ¢ os Pontos finais eram as pramulgagSes do suftgio universal adulto. Mas os passos daclos 98 caminhos escothidos de um pono ae outro variaram mareantemente de pais pais € refleticam diferengas bisicas nos valores e caracteristicas dominantes de cada csteutura social Podemos distinguic convenientemente cinco principais séries de eritévios | usados para limita oditeito de voto durante esse petiodo de transigdo: 1 eritétios dbo diteito de voto aos chetes das familias dentro de cada um dos sropos de statis estabelecides coma defindos por les 2 ngme censitaire:resriges baseadas no valor da tera ou capital ou dis quanti de impostosanuais sobre a propridade e/ou renda; 3. région eapacitare:restighes Por eapacidade de lere eserever, edueagio fori, ou indieagio para o servigo piiblico; 4. criterias de responsabilidade familiar: restrghes aos chefes de famine ue oeupam residéneias propria com ui tamanho minim determinado ov soja dos provisoriamente em propriedades por um aluguel minima determinado, ¢ & gros de residéncias restigbes a cidaddos registrados coma residents seja na de Estado tradicionais: restri comunidade local, o distrito eleitoral, seja no territério nacional por um minima determinado de meses ou anos. A Constituigio norueguesa de 1814 fornece um bom exemplo de um antigo compromisso entte critérios de Estado, 0 régime censitaire e 0 principe eapacitat- ‘&. 0 direito de voto era dado para quatro categorias de eidadiios: duas das quais, os burghers de cidades incorporadas e os aldedes (proprictatios de propriedade livre e alodial ¢ arrendatérios), correspondiam aos velhos Estados; uma terceira, aplicivel apenas nas cidades e vilas, era detinida por posse de Estado real de um ‘a era simplesmente a reunio de todos os funciontitios do yoverno nacional, Esse sistema dava uma clara maioria numérica valor minimo determinado, ¢ a qua 408 fazendeiros, mas, por precaucdo politica, 0s interesses dos burgueses ¢ funcio- naios eram protegidos através de desigualdade na distribuig: de mandatos entre 56, Vor H. Golwitae, “Der Csarsms Napoleons It im Wider de ences Meinung Deas lands", Historische Zeist, vl. 152, 1952, 23-79. Em alguns pases 6 ptensoe scala ascolino universal lorsaramese inimamente Higadis 4 necessdate da comerigte unccrea ae Suiciao principa aumento para a ssolugho do iksdag de quatt Eslads err neceestae le ot fortalecimento da defesa naeion. Nos debates do sufrigio 48s, o slogan “umn hone, am votre yma” reflete ess igi ene o ditto de volo e @teenaamenteiitee 57. Os detains deses deseavolvimenios foram expostor em compénaos conto 0 de Gearg Meyer, Das partomentavische Wobivecht, Benin, Haeting, 1901, ¢ 0 de Kant Briuaise, Des puriemene ios Watrech, Berlin, de Gruyter, 1932, vo. 2 Reman BENDIX Uistitos eleitorais rurais e uibanos™ A simplicidade da estutura soeial dew 30 compromisso noruegués um cater dieto: a velha divi entre os Estados rurais ¢ burgueses correspondia a uma divisio administativa estabelecida em disteitos rorais © vias privilegiadas com carts patente, e a ‘nica classe de eleitores explicitamente colocados acima dessa divisio terrt6io-funcional era dos fan cionétios do tei, os efetivos governants da nagio por vitias décadasfuturas ‘Compromissos muito mais comptexos tinham de ser projetados em politicas smultinacionais como a Austria, Nos velhos teritrios dos Habsburgos, Landeag Lipieo consistza em quatta curiae: os nobtes, os cavaleiros, os prelades, © os representantes de cidades e mercados. A Februarpatent de 1861 manteve a divisio em quatio curiae, mas transforniow 0 eritério de Estado em critério de repre- sentagio de interesse. Os nobres e 0s eavaleies foram sucedidos pela curia dos maiores proprietirios de tras. Q Estado eclesistico era estendido numa curia de Viritstinmen que tepresentava as universidades, bem como as dioceses. O Estado burgués no era mais representado exclusivamente por porta-vozes das cidades ¢ 1mereados, mas também através das edmaras de comércio e das profissdes: este eta 6 primeiro reconhecimento de uin principio corporativista que viria a adguivi importineia central nos debates ideakigicos na Austria no século XX. A essas ts acreseentou-se uma divisio alded: isso era novo no sistema nacional; a repee- senlagio aldes diteta do tipo tio conhecido nos pafses nérdicos sé existiram no oteressante da sequéncia de compro Tirol e em Voralberg. A caracteristica mais missos austifacos eta 0 controle las classes baixas, excluidas por tanto tempo da io na politica da nacio. Fiel 3 §ua tradi¢ao de representagio funcional Imitiam esses novos cidadios no mesmo nivel dos ja cemancipades, mas colocavam-nos numa nova curia, a quinta, die allgemeine participa 05 politicos austriacos nao Waiilerklasse. Isso, contudo, era apenas uma medida transitéria: onze anos depois, no a Abgeordnerenhaus austriaca conformou-se & tendéncia a democracia igualitiria de massa e foi transformada numa assembléia nacional unificada basea- da no suftagio mascutino universaP”. A ascensio do capitalismo comercial e industrial favoreceu a difusio do régime censitaire. A base ideologica era 0 argumento de Benjamin Constant de Ver Stein Rohan, "Geography. Region and Social Chass: Cross-Cattng Cleavages in Norweaian Politics’ em. M, Lipset Stein Rokkan (eds), Pary Systems and VoerAtigumens, New Wark. The Free Press of Gtenooe, ao pelo 59. Una sil avatingio deses dsenvolvimentes aa Austra encani-se em Ludwig Boyer, Wablrech in Oserreih, Viewna, 1961, pp. 8085. E fteressonte compare 2 mistira ausirinea Ue erienlagie ‘medieval de Estado o corprativisma moderna cons providéncts rusts para Duma em 1006, ‘eta detalhnds anitise de Max Weber em “Russands Ubergang zum Schelakonstiutiontisms Gesunmneiepotrsee Scinfen, Tebinge, 2. C.B, Mok, 1958. pp. 6-126 TRANSFORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPLIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO xvi que o8 negécios da comunidade nacional devem ser deixados iqueles com “inte principe capactare ea essencalmente uma extensio desse critéro:o direito de ‘ola era concedid nio apenas dqueles que possufam (eras 1 tinham investido em negocios, mas iqules que haviam aduiridoum inteesse diretoma manulengio do Esiado através de seus investimentos em eapacitagbes profissionals e de seu compromisso com posigBes de exéito piblic. A nogio implicit é que apenas esses cidaddos podem fazer julgameios rationas das politics a serem seguidas pelo governo, Uma autoridade nomueguesa em lei constitucionalrelaciona esses dos elementos em sua afitmagio: “O sug [..] deve ser reservado as cia gue possuem dscernimento suficiene para julgat quais deverio ser os melhores 3 independénciasuficiente para apolar sua convicgio nessa ques- representantes, tho™! Essa questao de eritétios de independéncia intelectual era o cerne das disputas entre liberais € conservadares sobre a organizagio do sufrigio. Os liberais defen dim o régime censitaire © temiam as possibilidades da manipulagio eleitoral inetente 3 extensio do sufiiigio so cidadao economicamente dependente. Os conservadores, uma vez que reconheciam a importincia de voto como base do poder local, tendiam a defender a emancipagdo das “ordens mais baixas”: tinbam bons motivos para esperar que, ao menos nos Estados patriarcais na regio rural, juralmente nos aqueles que estivessem em posigdes de dependéncia votariam m: notiveis locais. Esse conilito aleangou a auge nas discussdes na Assemblé Nacional alema, em Frankfurt em 1848-1849. A Comissio Constitucional reco- mendara que 0 direito de voto se restringisse a todos os cidadios independentes, & esse termo foi a principio interpretado como excludente de todos as servos e os aque vivinm de saltios, Essa interpretagio esbatrou em violentos protestos na Assembléia, Havin um acordo geral de que todos os siditas que recebiam assistén- cia piblica ou estavam falidas ndo eram independentes ¢ deviam ser excluides do Aireito de voto, mas havia muita dissensio sobre os diteitos dos servos e trabalha- dores. A esquetda exigia direitos totais para as classes baixas ¢enftentava oposicio apenns moderada dos conservadores, O resultado foi a promulgagio do suragio masculino universal. Apesat disso, a Jei io pode ser cumprida na época: passa- am-se outios dezessete anos até que Bismarck conseguisse transformé-la na base da organizacio do Reichstag na Federagic @u-Alemanha do Norte. O chanccler prussiano ja tivera a experiéncia de um sistema de sufrigio universal, mas um sistema marcantemente desigual prussiano de sufraigio de trés classes 60. TH. Aschehoug, Worges mveronde Sietsorfeining, Christiania, Aschehous, 1875, va. p. 280, REINHARD BENDIN introduzido pelo decreto real em 1849, Sob esse sistema, as “ordens mais baixas” receberam o direito de voto, mas 0 peso de seus votos era infinitesimal em comparagio com 0 das classes médias ¢ dos proprietirios de terras. Esse sistema servira evidentemente para amortecer © poder do Gutsbesitzer, especialmente no Leste do Elba: a lei simplesmente multiplicara por 1 0 mimero de votos & sua isposigio, pois eles confiavam que seriam capazes de controlar sem muita dificuldade 0 comportamento de seus dependentes € de seus trabalhadores nas eleigdes", Bismarck detestou o sistema de trés classes, por sua énfase no eritério monetirio abstrato e suas inimeras injustigas, mas estava convencido de que wma ual para todos os homens nao afetaria a estrutura de poder na drea rusal: ao contratio, ela fortateceria ainda mais os interesses territoriais contra os financeiros. Geralmente, na area rural, as extensbes do suit 1 fortalecer as forgas conservadoras" Havia muito mais incerteza sobre as conseqiiéncias de um sufrigio extensive ica nas reas urbanas, A emergéncia € crescimento de uma classe de s smudanga pari 0 sufrigio ip assalariados fora da familia imediata do empregador levantava novos problen para a definiciio da cidadania politica. Na terminologia socioecondmica estabele- ida, seu status era de dependéncia, mas nao ficava claro se eles acompanhariam Ihas eruciais no inevitavelmente seus empregadores no campo politico. As bat desenvolvimento para 0 sufigio universal referiam-se ao status desses estratos emergentes dentro da comunidade politica. Uma grande variedade de compromis: sos transitérios eram debatidos, ¢ virios foram realmente postos 3 prova. A ia basica era sublinhat as diferenciagdes estruturais no interior do estr strat de assalariados. Algumas variedades do régime censitaire admitiam de fato os trabuthadores mais bem pagos, especialmente se possuissem casas proprias"*. O direito de voto do chefe de familia e do inquilino na Gri-Bretanha servia igual mente para integrar a classe trabalhadora mais bem situada dentro do sistema ¢ G1. Sobe wna recente deals avaliagio, ver Th, Nippetdey, Die Organiserion der dewschen Parc ‘or 1918, DisselUort, Droste, 1961, cap, V, Sabre um paatelo com as condighes nas Stes rns de tsiruras seoelhantes, vero capt de Emilio Willems, em Arnold Rose (et), The Instiaons of Audvanced Societies, Minneapolis, University of Minnesota Press, 1988, . 382: As prineipas fangdes ‘losufrigi vamos depreseroarxeseutradepolrexstenle- Dent do pari tradicion osu serescenava oporiunidsdes pita demons ereforat 9 lealénd feudal. Av mest teanpo, ergs { legaligavao tes politicodo propietitio de wea 62, Ver. Moone. “The Other Face of Relorm”, Victovian Sudies, V, se. 1962, pp. 7M eG. Kitson CClork, The Making of Victorian Eaglond, London, Methuen, 1962, especialmente o cp Vil G3 Um seeenseamento de tibuto especial feito ma Noruegs em 1876 indica que mais ee U4 dos tasbahadoyesuibanos que este os estos de impos foram emancipades sob sistema aotado fn 1814 em contrast apenas 34 dos tbatidres nas Steas murs reeberam ditch Ue oto, Ves ‘Stuistsk Centalboresu ser C. a. L4, 1877, pp. 340-341 TRANSFORMACOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE 0 SECULO XVI deixar de fora apenas o “verdadeiso proletariado”, migrantes e trabalhadores marginais sem vinculos locais estabelecidos. A manutengio dos requisitos de residéncia serviu a fungies semelhantes, mesmo depois do desaparecimento de todas as qualificagbes econdmicas para 0 sufrigio: essas restrigbes sito apoiadas mais obstinadamente nas disposigdes para as eleigdes locais, Outta série de estratégias nessa luta para controlar a investida da democracia de massa compreende as instituighes da.sufrigio ponderado € d Os exemplos mais crus sio, sem divida, 0 Kurien austriaco ¢ 0 sistema de tres 18 votos plurais classes prussiano: 0 sufrigio universal é garantido, mas os pesos dos votos dados ixas so infinilesimais em comparagio com aqueles da elite é talvez as classes mais ba territorial ow financeira estabelecida. O sistema de voto plural mais indcuo 4 disposigio inglesa para votos extras para graduados em universidade © para os donos de propriedades comerciais em distrilos eleitoruis diferentes. Sociologica-" mente, o mais interessante é o sistema belga,le voto plural transmitido em 1893: © suérigio masculino universal é introduzido, mas os votos extras so dados nao 86 por etitérios capacitaires, mas também a peres de famille que atingiram a respeitivel idade de 35 anos. O motivo bisico é sublinhar claramente as diferen- ciagdes estruturais dentro dos estratos mais baixos e exeluir do sistema os elemen- tos menas compromissados com a ortlem social estabelecida Intimamente relacionada a essas estratéyias & a obstinada resisténeia a mu- dangas na delimitagdo dos distrites eleitorais. A ripida urbanizagio produz eviden- tes desigualdades, mesmo em condigdes de sufrdgio universal formalmente iguais. AS injustigas dos dispositivos distritais prussianos foram, durante décadas, objeto de amargos debates. A solucio extrema adotada na Repiblica de Weimar ~ 0 estabelecimenta de um sistema unitirio de representacio proporcional para todo o Reich — sem chivida concede a cada cleitor a mesma oportunidade abstrata de , mas ao mesmo tempo antecipa as dificul- o das cade influenciar na distribuic dades inerenies dessa padronizagio por meio de localidades de estrutura muito diferente, A continuada representagio geral das areas rurais nos Estados Unidlos & outro exemple. A entrada das classes baixas na arena politica também levanta uma série de problemas para a adminisiragio das eleigées, Sociologicamente, a questio mais, interessante ¢ a salvaguarda da independéncia da deciséo eleitorat individual. Os defensotes das tradighes estatais e do régime censitaire argumentam que 0s stiditos cconomicamente dependentes nao podem esperar formar julgamentos politicos \dos, corromperiam o sistema pela venda de vatos ¢ independentes e, se emanci pela intima corruptas eram, naturalmente, muito difuindidas em muitos paises, muito antes da extensio do suftdgio, mas a emancipagio de cio violenta. Pritic a REINHARD BENDIX andes setores das classes baixas geralmente fornece um incentive a reformas na eleigoes. O segredo do voto é o problema central administragio e ao controle d: esse debate" A nogio tradicional era que 0 voto era um ato piiblice e sé podia ser confiado ‘homens que pudessem defender abertamente suas opinies. O sistema prussiano de voto oral era defendido nesses termas, mas foi mantido por tanto tempo em ande parle porque provou ser uma maneira fcil de controlar os votos dos Lrabalhadores ayricolas. O voto secreto apela essencialmente A mentalidade urbana liberal: ele convém como outro elemento na cultura privatizada andnima da cidade, deserita por Georg Simmel. 0 fator decisivo, contudo, é a emergéncia do voto da classe baixa como um fator na politica nacional € na necessidade de neutralizar as ameagadoras organizagies operirias: as disposigaes para o sigilo isolam o trabalhador depen: dente nao s6 de seus superiores mas também de seus pares, Dado o estado das estatisticas eleitorais, é dificil determinar com alguma exatido 0s efeitos do sixilo no comportamento teal dos trab; provivel, dada uma quantidade minima de comunicagdes interclasses, que o sigilo ajude a reduzir a probabilidade de uma polarizacio da vida politica na base da hadores nas eleigies. Mas parece inerentemente classe social A esse respelto, o vata secreto representa 0 prinespio nacional e plebiseitiria Je imtegracio eivica, em contraste com as arganizagbes opersrias, que exemplifi- as reivindicagées de sindicatos cam o prineipio de representagiia funcional. Isto © partidos que buscam o reconhecimenta pata o quarto Estado sio contrabalanga: para © voto secreto coloca o individuo diante de uma escolha pessoal e o torna pelo «das pelas pretenses da comunidade nacional e seus porta-vozes. A disposig: menos temporariamente independente de seu ambiente imediato: na cabina de votucio, ele pode ser um cidadio nacional, possibilitaram & gente comum inatticulada escapar da pressio pela pa politic disposigdes para a votagio secrets ticipagao ‘a9 mesmo tempo colocar o nus da visibilidade politica sobre os aliv dentro do movimento da classe trabalhadora, Em termos sociolégicos, podemos dizer, portanto, que o sistema eleitoral nacional abre canais para a expressiio de lealdades secrets, enquante a luta politica tora necessirio ao ativista do partido dectarar suas opinises ¢ expor-se d censura quando ele se desvia do establishment, (4, Uma recente anise do desenvolvimento dos padres para a cantote das legs em uma ragio é a ‘de Comelns O°Leary, The Eiminaion of Corraps Practices in rsh Elections, 1868-1911. Oso, (Carendon Press 1962 665. Algom pumidns socialists te fam contabalansir esses elitos do volo secret estabeleeendo incu esieitos cum os singicnos. Notae 4 esse weapelo a discusslo da conioversin sobe 4 TRANSFORMAGOES DAS SOCIEDADES EUROPEIAS OCIDENTAIS DESDE O SECULO xvi Consideracaes Finais A extensio da cidadania ais classes baixas da Europa ceidental pode ser vista de varios pontos de vista complementares. Em termos da comparagio entre a estrutura politica medieval e a modemna, a discussio exemplifica as tendéncias simultineas & igualdade e a uma autoridade governamental de fmbito nacional. A constituigio de um Estado-nagao moderno é tipicamente a ori cidadania, ¢ esses direitos so um simbolo da igualdade de dmbito nacional. A prépria politica tornou-se de dmbito nacional, ¢ as “classes baixas” tém agora a ‘oportunidade de participagao ativa. 1m dos direitos de A discussio precedente sublinhou a similaridade da experiéneia de toda a Europa ocidental, que teve origem nos legadas comuns do feudalismo europeu. As assembléias ¢ parlamentos de Estado do século XVIII forneceram o fundo imediato para o desenvolvimento dos parlamentos modernos e para a concepeio de um di previamente nao representados. Essa extensio tery dois elementos, mais ou menos diversos. De acordo com a idéia plebiscitiria, odds os individuos adultos devem ter direitos iguais sob um governo nacional; de acordo com a idéia funcional, a 0 We Fépresentagio que foi gradualmente estendido a setotes da populagio associagiio diferenciada dos individuos com outros é tida como certa, e alguma forma de representagiio de grupo Estado e a sociedade numa era de jgualdade. Quando a extensio dos direitos k politicos e sociais se transforma num prineipio de politica estatal, ocritévio abstrato deve ser usado para implementar esses direitos. Por conseguinte, hi tentativas recorzentes pasa definir em que aspecios todas as pessoas devem dai em diante ser consideradas iguais. Contudo, a sociedade continua a ser mareada por grandes desigualdades. Portanto, todos os adultos que pretenderen legais, politicos e sociais se associario naturalmente com outros, a fim de apresen- srefletem precedente 19 frequente- eila. As duas idéias refletem 0 hiato entre © sufeuir de seus direitos tar suas reivindicagdes da forma mais efetiva possivel, ¢ lais associa (ou até intensificam) as desigualdades da estrutura social. A discussii mostrow que as relagdes entre as idéias plebiscitdrias ¢ funcionais $3 mente paradoxsis. A igualdade formal perante a lei beneficia a principio apenas aqueles cuja independéncia social e econdmica os habilitaatirar proveito de seus direitos lepais. avecadagio paga por memiros do sindiestos ingleses em Maria Hatrgon, Trade Unions and the Labour Paty since 1943, Landon, Allen & Unwin, 1960 cp. 1, Os membros do sindieato que dejan se sentos do pigment asinam forma de “tennca" a0 secretiio de sus segio, mas embora © pitanentose}a nominal eo procedimenta simples, honve mila carovésia, em pale porque > “rensinia” & ums pain que indinetamenteameagn 0 sii do voto. ns X