Você está na página 1de 2

Dois monges e uma mulher

Dois monges, um ancião e o outro um mais jovem, voltavam ao templo caminhando à


beira do rio. De repente observaram que na margem havia uma jovem mulher
chorando desoladamente.

"O que aconteceu? " _ Perguntaram.

A mulher respondeu: " Minha mãe vive do outro lado do rio e está morrendo e eu não
poderei estar com ela porque não consigo atravessar este rio sozinha".

O monge jovem lamentou-se dizendo " Nossos votos nos proíbem de ter qualquer
contato com pessoas de outro sexo de modo que não poderemos lhe ajudar, sinto
muito".

"Eu também sinto, mas compreendo, sigam tranquilos o caminho de vocês." - disse a
mulher soluçando copiosamente.

O ancião permaneceu calado por alguns instantes e logo disse: "Senhora, suba em
minhas costas que eu lhe levarei ao outro lado do rio".

Desse modo o velho monge colocou-a sobre seus ombros e a levou até ao outro lado.

O jovem monge ficou furioso. Não disse nada, mas fervia e se corroia por dentro.
"Isso era proibido e um monge não pode tocar uma mulher e o ancião não só havia
tocado, mas também havia levado aquela mulher sobre os ombros."

Seguiram caminhando por vária léguas. Quando chegaram ao mosteiro, enquanto


entravam, o monge que estava nervoso direcionou-se ao ancião e disse:

_ Terei que contar ao nosso mestre superior. Terei que informar sobre o que você fez!
Isso é proibido!

_ Do que você está falando? O que é proibido? - respondeu o ancião.

_ Já se esqueceu? Hoje você carregou uma bela mulher em seus ombros _ disse o
jovem monge ainda nervoso.

O ancião deu uma risada e disse suavemente ao jovem:

_ Sim! Eu a levei! Mas eu a deixei lá no rio a léguas atrás. Mas você, infelizmente,
ainda segue carregando-a em seus pensamentos!

Tal qual o jovem monge, muitas vezes ficamos com o peso do passado. É preciso
evocar a sabedoria do ancião para permanecer no aqui e agora, no momento presente.
Quando permanecemos no presente estamos a Paz sobre os ombros