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A Ritmica de: Emile Jaques Dalcroze Uma Educagiio por e para a Musica. Mt) rnin ARITMICA DE E. JAQUES DALCROZE por Iramar Rodrigues Instituto Jaques - Daleroze - Genebra “No meu modo de ver, 2 educagtio musical deveria basear-se por completo na audigao, ou em todo caso na percepgtio do fenémeno musical — mediante 0 ouvido que se acostuma a captar as relagdes entre notas, tonalidades e os acordes ¢ o corpo inteiro, por meio de exercicios especiais, iniciando-se na apreciagao da ritmica, a dindmica ¢ 08 coloridos agégicos da misica” @aques - Daletoze — 1926) Curia de Rilmica Dalcroze Uma educagtio por e para a misica. Tramar B. Rodrigues Institute Dalcroge -- Geaebra Tntrodugao Resumimos alguns de seus dados biognificos para situi-lo melhor em sua época: Naseeu em 1865 emViena, de pais sulgos. Teve uma inffiicia livre © feliz, Tinka 10 anos quando seus pais se mudaram ¢ passaram a viver em Genebra. ‘Teve uma ima maior que Ihe dedicou uina admiragao profunda. Depois de estudar ma escola priméria ¢ no colégio que também amou owuito na sua juventude, Jaques — Dalcroze inaressa na Universidade de Genebra. Sua indecistio entre a Misica ¢ a Arte Dramdétioa, o fez inclinar-se pelo segundo, Seguin em Paris ostudos de directio, porém, muito cedo se voltou para © campo da musica, Desde essa época comega compor suas cangBes colaborando na Exposigfio Internacional de 1896 ¢ também no Festival de Vaudois em 1903, Imediatamente depois aparece sua oriag%o “Jeu du Feuillu” (Jogo de Folhas), festa tradicional no Canton de Genebra que comemora a chegada da primavera (primeiro domingo de maio). Nesta época conhece Madame Nine Falicro, grande interprete de suas obras, com quem se casa algum tempo depois, Bm 1909, nasceu seu primeiro filho Gabriel, antes da viagem da familia A Alemanha, Viver em Helleran onde, o Senhor Jaques pode continuar seu trabalho © suas pesquisas para o ensino de solfajo, rfimica e sua improvisago segundo suas idéias. Entre suas atividade pedagogicas em Helleran ¢ na Europa, sempre dividiu com sus alunos para fazer as demonstragies de seu trabalho, Em 1913, Perey Yngham introduz o método na Inglaterra, ¢ Juan Llongueres fez co mesmo em Barcelona. Em 1914, viaja para Genebra para eriar a Festa de Juno, Em 1915, cria o Instituto Daleroze de Genebra. Em 1922, visita a escola de Juan Liongucres cm Barcelona, ficando muito impressionade pela obra de Liongueres, Em 1924, Jaques ~ Daleroze vai viver em Paris durante dois anos, onde finda a Escola da “Rua Maricngan”. Depois ole val para Viena onde se dedica ao estudo de 6rgfio a composigio com Anton Bruckner, No ano seguinte viaja para a Argélia onde sera Diretor de Orquestra em umnTeatro. De volta a Genebra, comega sua carreita de professor (diregfio, solfejo, harmonia € composigiio) no Conservatério de Genebra, onde nessa mesma época comega suas pesquisas e bases de seu método chamado entfio “Ginastica Ritmica”. Em 1926, realiza © 1° Congresso de Ritmica em Genebra que conta com demonstragées ¢ conferéncias ¢ um trabalho de Juan Llongueres sobre a ritmica © 08 cegos. Na comemoragiio de seu septuagésimo aniversério, Jaques ~ Dalcroze recebe um livro ouro que contem as assinaturas de dez. mil alunos do mundo inteiro. Por ocasifio de seu actogésimo aniversério, o Departamento de Instrug&io Pablica de Genebra organiza a representagio de sua pega coreografica “O pequeno Rei que chora”. Os tiltimos anos de sua vida foram sombrios pela morte de sua esposa em 1946, ¢ também porque sua satide que comega a Ihe impedir de ir a0 Instituto para dar as suas aulas. Morreu em 1950 em Genebra. Como disse Paul Chaponniére: “Jaques — Daleroze foi um homem feliz, que trabalhou toda sua vida para fazer-nos mais felizes”. Jaques ~ Dalcroze escreveu nao somente misica e o Método, também seus pensamentos ¢ idéias sobre a miisica e a pedagogia, ¢ ainda em nossa época nos mostra uma verdade, a Verdade da Vida, a Verdade da Misica e do Movimento. Os pensamentos de Jaques ~ Daleroze sobre a pedagogia e a edueagiio A pedagogia é uma arte ea atte 6 0 mais ativo dos educadores’. Se um aluno no compreende rapidamente um exereicio ditado por seu professor, é porque nfo foi explicado claramente. Igual que de uma receita mal escrita pelo médica, nia tem culpa o farmacéutica”. © bom mestre deve simultaneamente aplicar e criar um espirito de classe e procurar penetrar nas mais diversas personalidades de scus alunos. Ele deve fazer as questBes diferentes segundo seus temperamentos ¢ suas personalidades’. A. obrigagio do professor € de contribuir para o desenvolvimento do temperamento musical de seus alunos, cultivar seus sentidos estéticos, cultivar sua personalidade, por todos os meios em seu poder’. Falando com meus alunos, eu observo as diversas maneiras de tonalizar tempos diferentes, indicando-me dessa maneita suas disposigdes musicais®, Nao é necessdtio nfo querer olhar as 4 coisas, é nectssiri¢ saber olha-las, NBo é necessério simplesmente eseutar a miisica, € necessiri saber ouvi-M, Toda sensugfo deve poder car nascimento a um ponsamente®, O necessdtio é, como disse Montaigne, que “a educuyao comece nos brapos da méfe ou da babs, no berge.”* Saber conheoer o que somos, ¢ adivinhar o que poderiamos ser®, A finalidade de toda edueagio é chegar a que os alinos, a0 fim de seus cstudos, nao digam somente “en sei mais porque eu aprendi?”. Ensinar as criangas 4 ver ¢ a olhat, a ouvir e a escutar, nfo é um dos principais objetivos da educagio. A edueaeao nifo consiste em criar 10 aluno 98 qualidades que ele nfo possui, também simplesmente xjudi-lo a tirar proveito das qualidade: que possui. B o educadot que tem que conseguir realizar cssa tarel dificil, ow soja, desenvolver ets seus alunos a liberdade de agdo e de pensamento. Pary ohegar a obier esses objetivos, tod educador deve compreender entre outms, colsas a diferenga essencial enfee instrugio e educagio: a instragia ¢ passiva, ¢ um meio de acumular conkecinento, a cducugio & uma forge ativa, que opera sobre a vontade coordenancda as diversas flngties vitals. As crianges t@m temperarnentos variades ¢ as diferengas de movimento entre cada uma sho muito diferentes, HA criangas ativas, passivas, apaticas, tensas, telaxadas, etc. Essas diferengas devem ser tomadas em considcragfio pelo professor e desta forma & necessério que os exervicios nfo sejam escolhidos pela sorte. Em meus planos de educagfic, eu tenho tido em conta que cada uri de minhas aulas scja formada de capitulos distintos, © para ensinar mcu métoda & imperiante que cada capitulo fea parte de um exercici. Mas, tude deve ser apresentado a3 criangas de duas manciras diferentes: primeira pura desenvolver a espontaneidade do corpo e de espirito ¢ diminuir o tempo perdido entre & eoncepgiio de um ato é sua realizagto;, segundo, por as mnanHestagdes corpatais em ordem™. Sobre a Misi Para Jaques — Daleroze, o estude da miisica ¢ o conheoimento de si propric, A. musica, arte da expressio, 6 a imagem humana; sentir para expressar-se, eonhecer-se para eonstruic-se!, © se na minha esoola, utilizamos textos ¢ obras, que mio sfo cspecialmente destinados a danga ou para ser datpados, & simnplesmente para assimila-les completamente. a estas masicas © para comunicar com clas, para nos modificarmos'* Dalcroze quer que a misica, passando pelo ouvido, chegue até a alma para abraz4-la e que a alma transforme 0 corpo em n ressondncias'*. E necessério conhecer profundaniente os elementos da melodia ¢ da harmonia e suas diferengas e relagbes entre 0 dinamismo e durag6es"”, melodia, harmonia, foitas de respiragSes, de siléneios, de siléncios do impulso que nos plenifica 0 dominio do, mundo musical onde encontramos 0 vocabulrio no mundo dos sentimentos'*. A iiisica ‘transporta sua harmonia, sua melodia, seu ritmo, sua frase, seus sil€ncios para falar & nossa alia’, - ‘A educagio musical deve ao mesmo tempo desenvolver as “sensagées e as emogées e aperfeigoar a vista, 0 ouvido ¢ 0 tato™. O corpo humano € uma orquestra na qual os diversos instrumentos musicais, (nervos, ouvidos olhos), estejam dirigidos simultaneamente por dois chofes: a alma e 0 cérebro”. B magnifico o poder que possui a misica de nos acalmar quando estamos excilados, nos despertar quando estamos dormindo”, ou quase adormecidos. Sua Filosofia Nilo 6 necessdrio somente tet idéias justas, € necessirio ter forcas ¢ habilidades para comunicé-las ao préximo”. Para viver plenamente nossas vida, é necessario saber escutar, olhar, apalpar, pensar, analisar, compreender, atuar, esquecer o sofrimento, inspirat-se no passado, preparar o futuro, amar e ajudar os outros.Uf™ Uma pessoa nfio pode conhecer profundamente uma obra se nfo a possui fisicamente € psiquicamente”, Nao é somente cona multiplicar as palavras que alguém pode expressar claramente seu pensamento. Uma s6 arvore pode equilibrar uma paisagem, uma sé porta um s6 baletio pode harmonizar uma coisa, um pequena vaso de flores pode embelezar um mével ou um cémodo da casa, uma s6 palavra pode iluminar uma frase, um simples apertar de mfios pode consolar uma dor. Citagies I.E, Jaques -- Daleroze: Souvenirs, Notes et Cutiques, (pagina 10) 2 EB. Jaques — Datcroze: Notes Bariolées, (pagina 143) 3. Idem, (pagina 171) 4, E, Jaques = Daleroze: Le Rythme, La Musique et L*Edueation, (pigina 97) 5, E, Jaques — Duiceome: Notes Hariolées, (pagina 16) 6, Idem, (pagina 7) 7. B. Jaques — Daleroze: La Musique ct Nous, (piygitia 15) 8. Idem, (pdigina 65) 9, Idem, (pagina 9) 10, Idem, (pagina 95) 11, Idem, (paging 144) 12, Idem, (pagina 168) 13, Extrato de una conferencia de Jaques — Daleroze (22.11.1924) 14. E. Jugues = Daleroze: La Musique et Nous, (pagina 123) 15, Idem, (pdigina $6) 16. E. Jaques ~ Dalerove: La Musique ef Nous, (pagina 403) 17, Idem, (piiginn 167) 18, dem, (pagina320) 9. E, Jaques — Dakeroze: Notes Bariolées: 20, FE, Jaques — Daleroze: La Musique ct News, (pagina 105) 21. F. Jaques — Dalorexe: Notes Darlolées 22, Idem, (pagina 35) 23, Idem, (paging 14) 24, Idem, (pagina 26} 25, Idem, (pdgina 17) 26, E, Jaques — Daloroze: Le Rythme, La Musique et l'Eduention, (pagina 112) 27. B, Jaques ~ Dealoroze: Notes Hariolées, (pagina 29) 28. Idem, {pagina 38) 29. Idem, (pagina 10} 30. 6, Jaques Daloroze: Le Rythme, La Musique et Education, (ndgina 61) 31. B, Jaques Daleroze: Notes Bariolées, (pagina £1) 32. 8, Jaques Daleraze: Le Rythme, La Musique et L’Edueation, (pigina 37) 33, Joan Llongweres: El Ritmo on la Educacion general de la infancia, (paginas8) O Solfejo Dalcroziano Opensamento de Jaques — Dalcroze sobre 0 solfejo O estudo do solfejo desperta o sentido dos graus ¢ das diferengas de elevagiio dos sens (tonalidades) e as faculdades para o reconhecimento dos timbres. O ensinar aos alunos a escutar ¢ a apresentar mentalmente as melodias e seus contrapontos em todas as tonalidades e as harmonias™ . Nossos ouvidos ¢ nossos olhos nos informam sobre as belezas da natureza, a diversidade de posig&es, seus aspectos, a vegetagiio e.o perfume. Pelo timbre de voz, pademos reconhecer as pessoas que nfo vemos, e nossos olhos nos do as indicagSes precisas sobre seu carter temperamento. Mas, existe um grande mimero de pessoas que nfo sabem servir-se de seus olhos, nem se seus ouvidos”. 1S pelo ouvido que podemos perceber 0 som ¢ 0 ritmo ¢ controlar sua percepgtio. A voz 6 um meio de teptodugdo de um som. Ela nos permite ter uma idgia do que 0 ouvido faz ao som. A consciéneia de um om ¢ a faculdade de nosso espirito ¢ de nosso ser inteiro, de representar ao mesmo tempo, sem ajuda da voz, ou de um instrumento, toda a sucesstio € superposigéio de sons, e de reconhecer qualquer melodia ou acorde, gFagas & comparagiio entre os sons. Esta consoiéneia se adquire com a ajuda das experiéncias repetidas entre o ouvido ¢ a voz" . As faculdades de um individuo estfio formadas por um conjunto das seguintes condigdes: 1. A percepgao dos sons considerados isoladamente 2. A diferenga entre dois sons (Intervalos) 3. A nogio de graus (Fungdes Tonais) 4. A duragéio dos sons (Ritmos) 5. Assimuttaneidade dos sons (Harmonias) 6. Amemorizagdo de grupos sonoros (Audigfo interna) Stio como conseqiiéncias as expresses sonoras externas que devem organizar toda a educagio musical do individuo (ser humano). No solfejo, una impresstio visual (0 grafismno) supde uma sugestio, um reforgo a.uma impressdo auditiva, passando diretamente impressiio motriz (atitudes de contar ¢ executar), ‘No mecanismo da aprendizagem do yolfejo e no ditado musical, hi um elemento em comum que é & impressiio auiilive, pois, através do ouvido, a reprodugiia conduz a0 ato motriz (leitwm musical) ¢ visual para o ditade musical, Exemplos: A presente comparagiin prova a imporlincia capital da audigfio imema no cstudo do solfgjo da misica cm peral, Emile Jaques — Dalcroze Sua Vida ‘Emile Jaques Dalcroze nasceu em Viena, do dia 06 de julho de 1865 ¢ faleceu em junho de 1950, Um estudo de sua vida permite estabelecer com fins didéticos, cinco grandes periodos. Primeiro Periodo (1865 ~ 1903) Filho de pais sufgos, retornou com eles a Genebra com a idade de 8 anos. Freqiientou 0 colégio, mais tarde 0 Gindsio (liceu) e logo a Universidade onde estudou Letras. Freqtientou ao mesmo tempo aulas no Conservatério onde seguiu cursos de piano com Ruegger e Schulz, Depois de seu exame final compds uma pequena 6pera, “A Confidente”. No ano de 1883 0 jovem Jaques teve que decidir-se entre suas duas grandes vocagdes, a arte dramitica — que o atraia — e a mésica para a qual estava singularmente dotado, Triunfou esse (iltimo interesse e partiu em 1884 para Paris para continuar seus estudos. Ali atuou ‘durante algum tempo como acompanhante de Juliani excelente professor de canto, entrando logo em contato com Leo Delibes. Em 1887 iniciou seus estudos no Conservatério de Viena, inscrevendo-se nos cursos de érgio e composigo ministrados por Bruckner e os de piano a cargo de Ludwig. Divergéncias com Bruckner o levaram a estudar no mesmo Conservatério, composigfio com Graedner e piano com Prosnitz, ‘De Viena partia cm 1289 rumo 6 Paris onde trabalhou intensamente com Detibes e Found, Em Paris conheceu um compositor chamado Adicr que o cortvidow para mudar~ se para a Argélia como segundo diretor da Orquestra de um Teatro gue ele mesmo dirigia. ‘Tinka naquela época 25 anos. Ali se inferessou vivamiente pela miisica drabe de to diversos ritmos. Loge de um passeio pelo interior, efetuado com quires quatro mvisicos, regressou A capital da Argélia onde he foi oferecida @ Directo do Conservatérin, 0 que reeusau, E precsameme nesta época que 6 jovem Jaques teve um amigo genebrino chamade Valetoze. Como encontroy esse apelida “bom sonore” pediu autorizagio para adota-lo, trocando a letra “W" por uma “DB, Conseguida a permissiio, Kinile Jaques se converten em Emile Jaques — Dalecoze, nome que nis tarde legalizow para ele © toda a familia. Regressou a Gensbrat ¢ em 1892 foi nomeado professor de Salfjo © Harmonia dio Conservatério, Suas ligées revoluciondrias no campo técnico, suscitaram a middo eriticas severns, porém justas, sobre © ensina clissico © tradicionalista da misiea, Desde estas primeiras ligdes, através das observapdes que efetuava sobre as deficiéneias e dificuldades dos afunos, ¢ nas sohugties que oftrecia a esses problemas, que devem situar-ge os albores da Ritmica, Segundo Periode (1903 — 1910) Este petiodo esti caractecizado pelo nascimento da Ritinica, Mais adiante exporemos a motivagilo ¢ as Jontes de inspiraglio que moveram a Jaques — Daloraze @ sui criagi®, & que uniria para sempre seu nome ao da “gimnagia’ (movimento para expressijo rimica). Em 1904 devido a incompeeensilo de wn membro do Comité do Conservatério {que qualificou seus intentos coma “macaquices” (gestos infantis}, se viu obrigado a abrir um curso particuby, oferecenda em 1903 a primeira domonsttagiio piblios de seu métndo, Em 1905 ~ 1906, a Ritmica da “M?Sicur Jaques” (come sempre o chammraetl) & conhecidhn nes Consermtdrios de Zurich ¢ Busilea, Em 1906 fez combecer seu método em Berlin, Londies, Berna ¢ Montreux. Eu 1907 se abtiram noves Cursos de Ritmica Dalcroze em Paris ¢ Braxelas. De 1908 a 1910 se abriram novas escolas em Berlin, Dresde, Munich, Husun, Nuremberg, Frankfort, Stuttgart, Rotterdam, Amsterdam, Utrecht, La Haya, Paris, Heidelberg, Colonia e Viena. Terceiro Perfodo (1910-1914) Esta ¢ a etapa de mais brilhante difustio do método, A partir da Alemanha the foi oferecido, a Jaques — Daleroze, construir uma escola, em Hellerau, cidade Jardim situada proximo de Dresdo. As primoiras classes se instalaram em Dresdo e & de se destacar que a cabo de varios meses, no decurso de uma pequena demonstragfio'se revelaram varios talentos para a plistica, entre outros o de Mary Wygmann, que seguiu mais tarde ao professor em Hellerau. Nas magnificas instalagdes de Hellerau inauguradas em 1912, se dio lugar apresentagdes de grandes artistas da Europa, entre outros Paul Claudel, Karl Storck, Bernard Shaw, 0 principe Volkonsky, Diaghilew, Max Reinhard ¢ Nijinsky. Neste perfodo que realizam demonstragtes em Mosceu ¢ Sito Petersburgo. O ano de 1914 assinala o fim deste intenso periodo. O comego da guerra o surpreende em Genebra e jé nfo retornard mais a Hellerau. Quarto Perfodo (1915— 1939) Ena 12 de outubro de 1915, 0 Instituto Jaques — Daicroze abre em Genebra suas Portas ¢ o Maesiro reinicia uma etapa com éxitos, agora, em sua cidade querida. De 1924 a 1926 trabalha em Paris. Em 1926, se organiza etn Genebta o Primeiro ‘Congresso do Ritmo ¢ em agosto desse mesmo ‘ano se funda a Unifio Internacional de Professores do Método, Nao 6 necessdrio detalhar as inimeras -viagens realizadas por Jaques —- Dalcroze neste periodo. Odesenvolvimento do método nio cessa de intensificar-se, até que em 1939 por causa da guerra, as fronteiras valtaram a se fechar. Quinto Periodo (1939 ~ 1950) Nos escuros anos da guorra, a escola de Genebra, continua funcionando apezar de todas as dificuldades. 12 Bm 1946, se comegou a entrever novamente a luz, ¢ 0 éxito obtida pelo Curso de Verio de 1947, provou que a grande fainilia dos rltmicos dalerozianos estava em plone vigor. ‘Em junho de 1950, aos #5 anos, faleceu Emile Jaques — Daleroze, Risin aan lagi, Tn slio acum do lbs dn aspects ipenites yerscy tind de agucs — Prtoze, puma ceninlizar tae hrieresus em wun coogi 2 Rica, Min cbt € precny ilar ue coma seampositr lel © mo demas arsnve psi, wan couebulgta So rmpllcima. Porta fo Gm st ‘ope que este hamem oe excepelonal alkladerharoou Kolo Seu corneas Ste © mse ie querida Bulge especialmente a sus cade, Gonchen B AObra Motivagio Os elementos que motivaram o nascimento da Ritmica devemos buscé-los nas observagdes que o Professor efétuava em seus alunos do Conservatério de Genebra, em suas classes de Solfejo. Em continuagio as apresentaremos esquematicamente: Primeira observagio Certos alunos progridem de uma mancira normal do ponto de vista auditivo, porém lhies falta a sensagto de duragio, a capacidade de medir os sons ¢ de citmar suas sucessées de duragto desigual. Segunda observagio Sempre buscando desenvolver em seus alunos o-sentido auditivo, ele se apercebeu que relacionavam a mitido a ac&o da mmisica por. movimentos involuntérios de certas partes do corpo, movimentos da cabega, polpear com os pés 0 solo, etc.; de onde se podia deduzir que “uma relagio devia existir entre a aciistica e os centros nervosos superiores”, ‘Terceira observagio Todas as criangas nfio reagiam da mesma maneira, Muitas delas chegavam a coordenar seus movimentos, os qué no respondiam as ordens do eérebro. “A infeligéncia percebia o som no tempo, porém aparelho vocal nio podia realizé- 0”. Do estudo destas observagdes gerais, chegou as seguintes conchusées: Primeira conclusdo Tudo o que é misica de natureza motriz ¢ dinfmica, depende no somente do ouvido, também de outro sentido, que erroneamente se acreditou que era téctil, porque os exercicios efetuados pelos dedos favoreciam o progresso do aluno. Segunda conclustio Chegou a considerar a musicalidade puramente auditiva como uma musicalidade incompleta; a investigar as relagées entre a motilidade © 0 “instinto auditivo”, entre a'harmonia dos sons ¢ aquelas das duragdes, entre a misica o cariter, entre a arte musical ¢ a da danga. Terceira concluso Aarritmia musical é a consegiléneia de uma arritmia de cardter geral. Quavie conclusiia Nito é possivel criar harmonias verdadeiramente musicais, sem posseir um cstade musical hatmnimico interior. Estas concluséecs so a5 que “fizerum sentir a Jaques — Dalcroze a necessidade de criar um sistema educative capaz. de regularizar as reagtes nervosas da crinnga, desenvolvendo seus reflexos, estabeleger nelas automatisinns temparais, lutar contra suas inibigtes, afinar sua sensibilidade, reforgar sous dingertisinos ¢ apressi-los também, criando a unidade ma diversidade das sensagées, como também estubelecer a chiridade nas harmonias das correntes nervosas ¢ os regisiras neryosos cerebrais. Conhecer, ainda, os meios naturais de encadear com clasticidade os ritmos e og periodos sonora”. iB de inspi I ii vidas Acobra de Jaques -- Dgleraze nfo reconbece outra origem direta que as suns inquictagées freee 205 problemas de ritmo ¢ coordenagio evidenciados no a por séus alunos, assim como também por nisicos profissionais, Poderia admitir-se que a obra de Isadora Duncan haja oferecide a Jaques — Daleroze, em algumi momento, motivos de reflextn. Umportantes so estes dois pamiprafos de Juan Llongueras: “Assim, poweo 2 pouco, chegou o professor a unir em seus cursos a9 experiéncias de ordem fisiolégiea com as de ordem auditiva c analitica, Comegou a vishumbrar que a harmonia esti intimamente ligada com o dinamisme, que o compasso deve ser vivificada pelo ritmo, © que o ritmo, por sua propris parte, fat de ser ondenade pela métrica”. “Deste outro ponto de vista, se deu conta também de que os requeridos de -oposigiio coloridos pela arte do contraponto ¢ da polifonia deviam reger-se pelea leis da sensatez e do equilibro, dependente todas elas do estado nervoso © muscular”, Assim que seu fregiierite contato com personalidades de tiundo artistico, e cientifico de sua épnes, devem ter influenciado a personalidade de Jagues — Daleroze, Nao obstante seria impensado asseverar que algumas delas ‘possa haver-se manifesto em forma visivel sobre sua Ritmica, Sem ddvida, & preciso reconhecer » vatiosa contribuigo do célebre Eduardo: Claparade (Professor de Psicologia da Universidade de Genchra) que etn Teunides realizadas com o professor, fixow a terminologia exaia ¢ indispensivel que permitiria cstabelecer relagties entre as experitncias extético — pedapogicas de Jaques — Daleroze ¢ uma serie de contribuig6es cientificas jd definitivamente comprovadas e aceitadas. Finalidade Muito se tem discutido sobre a finalidade da Ritmica. Deve enquadrar-se debaixo da denominagito de gindstica? E danga? Nada mais esclarecedor que esta breve fiase de seu autor: “A aptendizagem da rfimica nfo é mais que uma preparagtio para os estudos artisticos especializados € no consiste em uma arte em si mesma, E neste sentido que meus alunos io educados segundo uma série de exercicios que tem por objetivo desenvolver ¢ harmonizar as fang6es motoras ¢ regular os movimentos corporais no tempo e no espago”. Por sua parte Marguerite Croptier?, em um artigo que publicara na imprensa de Genebra no ano de 1952, disse: “O método de Jaques — Daleroze, se impés; foi discutido; obteve milhares de adeptos fiéis aos ensinamentos recebidos, porém também foram muitos os invejosos ¢ imitadores que se serviram dele com fins absolutamente alheios a ritmica em si mesma”. “Mhuitos sto os que conhecem o método, muitos eréem conhecé-lo © muitos, enfim, 0 confundem com a danga, o balé, a cultura fisica ou a gindstica, Estas artes e disciplinas tem sua razfio de ser ¢ seu préprio valor; que se Ihes deixe a possibilidade de expressat-se como Ihes agrade”, “Os professores de educagiio fisica, de gindstica, os bailarinos e os educadores se servem da Ritmica em seus ensinamentos ou ent suas interpretagées”. Ent&o, que 6 a Ritmica? “fi danga? Nao, posto que ela ndo é uma arte em si, se no um meio de chegar a todas as artes”. “A misica é a base da ritmica, porém esta niio forma virtuosos da misica, nem do movimento do corpo, Ela constitue uma preparagio para todas as artes fundamentadas no movimento. Por conseguinte, este estudo preparatério deveré ser completado pela busca dos meios técnicos de expresso proprios a cada arte especializada. Estes estudos superiores so patticularmente facititados pelos canhecimentos gerais fisicos ¢ mentais que tenham adquirido os discfpulos que deram seus primeizos passos com a ritmica de Jaques — Daleroze”. *, Diretora do Instituto Jaques — Daleroze de Genebra “Ela nfo é tampouco uma gindstica posto quo seria incompleta fisicamente falando, Além disso, toda sensapio emntiva ¢ a sensibilidade que thes sito particulares 4 Ritmice, Ihe seriam timdas.” “A Ritmica € antes de tudo um método de educagio geral, uma espécie de solfejo corporal musical, que permite observar as manifestapSes fisicas ¢ psiquicas dos alunos dando a possibilidade de analisar seus deféitos e de busear @ meio de corrigi-los". “A maior parte destes efeitos so provocados por uma fala de coesao entre suas faculdades fisicas ¢ mentais, Havert pois que encontrar um meio de sensibilizar todas as partes do corpo, de despeender a personalidade © desenvolvé-la. Hi ainda, que unir ¢ harmonizar o cérebro © os misculos, promotores de todos os atos humanos, $d a musica pode matizer estes alos em ua energia, © em espaco e tempo". “Oestude do método Jaques —Daleroze conatitue pols uma prepanagdo para uma earreira pedagégica nova. Essa pedagogia “por © para o ritmo” exige sonhecimentos quantitativos e muito variados. Os temas de estudo so a miisica e indos seus elementes, por exemplo, o solfyjo, a hanmonia, o contraponta, a improvisago © © pinno. Além disso, um conhevimento profunde da eiénoia do movimento, do sentida-de duragio, da cducagtio do sistema nerveso ¢ enfim do- desenvolvimento das ficuldacies cmotivas ¢ imagitmtivas”. “Uma das fibalidades da Rutmica é a de criar nos alunos um desejo imperioso de capressar-se apis haver desenvolvide suas ficuldades emotivas oe sua imapinagiio. Esta diseiplina é dirigida de forma progressiva tendy em conta as possibillidades © a natueza de cada um Fla exige ooncenimugio, vontade, exatidfia, as que em nenhum caso conducem A fadiga, muito ao contrario, x cxecutam em um meio ce segueanga ¢ alepria”. “Ao finalizar seus estudes os alunos devem poder dizer-se, nfio somente “en sei”, também “eu sinto”, que é exalamente o que quevia Jaques — Daleroze, Com o intuito de combinar a finalidade direta e priticn da Ritmies, recorreremos as expresses da professor, o qual as formula cm ths conceitos, a seguir: 1, Desenvolver ¢ aperfeigoar o sistema nervoso ¢ o aparelho museular de fal mancira que se possa criar uma “mentetidade rittica”, gragas a colaboragiic intima de como ¢ do espicito, sob a infludrcia comstante a mtisica. 2. Estabelecer relagties harmoninsas entre os inovimentos corperais, dinamicamente.graduades, ¢ as propargiics ¢ decomposigiies diversas do “tempo”, isto ¢, criar o semride rltmica musical. 3. Por em ralago os dinamismos corporais matizados no tempo comas dimensdes ¢ as resisténeias da “demora” -"tempo”, pata criat 0 sentido do ritmo miisico — plastico. Caracteristicas Generalidades Jaques — Dalcroze freqilentemente repetiu que a Ritmica nfo é um “fim”, ¢ sim um “meio”, Ela devia ser a base da ediicagio das criangas, como também a do estado da misica. Ble escroveu: “A: pritica de movimentos corporais desperta no eérebro imagens. Quando mais forte sfio ag sensag0es musculares mais claras ¢ precisas sio essas imagens ¢ por conseqiiéncia o sentimento nasce da sensagac”. “O aluno que sabe marchar no compasso ¢ seguir certos ritmos nfo tem mais que fechar os olhos para figurar-se que continua marchando métrica € ritmicamente. Ele continua efetuando o movimento apenas pensando-o. Se os movimentos slo “suaves”, suas representagdes imaginativas também o serio, A preciso ¢ o dinamismo em bem tegulados automatismos musculares sto uma garantia da precisdo de automatismos do pensamento ¢ do desenvolvimento das faculdades da imaginagio”. “A fangio desenvolve 0 érefio, a consciéncia dos fenémenos orgfinicos desenvolve ado pensamento, Quando a crianga se sente liberada de toda atadura ‘ou obsticulo fisico e toda precupagio cerebral de ordem inferior, concebe a alegria que so converte em um novo fator de pregresso moral , um novo excitante da sua vontade”. Para terminar este ponto digamos que a Ritmica esté dirigida fundamentalmente as criangas, ainda que também os adultos se beneficiem dela, Porém a idéia do professor sempre foi a de que sua obra devia encontrar um lugar na escola, ¢ por isso ele lutou toda sua vida. Dos exercicios ‘Antes de tratar os exeroicios que constituem a parte pritica da Ritmica expressaremos a finalidade que seu autor Ihes conferia: 1. Gragas aos hops! (vozes de comandos inopiradas) se provoca a diregto dos titmos corporais espontdineos em todas as partes do corpo. 2. Gragas as constantes € diversos chamados & concentragio do espirita, diminui s aio nefasta de certos ritmos intempestivos ¢ fica reforcada em (roca, .a-dos ritmos titels de tal maneira que possa ser obtido um perfeito equilideio dos centros nervosos ¢ dos dinamismos corporis. 3. Gragas a harmonizapio das funp5es comporais com as funpbes do espirito © a0 estado de satisfagiio c de paz que desse resulta, fica assegumada a imaginagio ¢ 40 sentimento sua livre expansio. ‘Og exercicios das primpins experiénclas As primeiras experitncias de Jaques — Dalerore fizeram que seus alunos, por falta dé uma melhor denominagiin, desigyassem suas ligbes como o “passo de Jaques”, Ex que coasistiam? Ee marchir com a misica, reproduzinde seus aeentos, suas tonalidades agépicns © dinimicas, suas frases, sous “crescendos’ ¢ seus “diminvendos”, em uma palavra, fazer @ aluno voller « sentir esta misica, Mais tarde poderia ele, depois de have-ly incorporado, restitui-la no espago, seguinda seu femperamento, por meio de gestos convencionals ou improvisados. Neo comego os exercicios estavam baseados sobre « respitagto longa. ou eurta, interrompida ou prolongada. Para marchar ritmicamente os temas musicals, o professor fiz, represeniar as seminimas por passes, a8 minimas par pastes segnidos de uma ligeire Nexto dos joclhos, as semibreves por quatros gestos da pema. Fstes cram: um passe adiante no primeira tempo, a pena cruzada a direita ou a esquerda no segundo, @ perna ainis da outa que esti servindo de apoio © no terceire o, sobre o quarto, aproximagio dessa perna da outa que esté servindo de apoio, ficande assim em condighes de atucar uma nova nata, ‘Qutro exercicio utilizado consistie em marcar o compasse com as milos, ao Tesmo tempo sift que se ckeentavam autros gestos com os pés, JA nesta époea Jaques — Delerore afirmave o valor do canto de ponte de vista muscular © da fespiragio, Se cftuavam exercicios flexibilizantes do calo (peseoge) & dos ombros, torgties ¢ circunvolugées da cabega, aprendizagem do canto em todas a pasigtes, a oposipgo de certax movimentos dos membros cam nexpiragiio ov a inspiragao e a0 comande de “hop” se mudava de exercicio, Primeiro tipo de trabalho Exercicios de recondicionamento fisico que tendem a devolver ao corpo todo seu Vigor, elasticidade, leveza e movimentar-se equilibrado inibidos pela civilizagéo moderna: corregao de possiveis defeitos de postura, e de marcha e de respiracao; remediar os desequilibrios musculares causados por profissdes elou esportes. Neste tipo de trabalho encontramos exercicios usados frequentemente nas atividades especificamente ginasticas. Nao constituem um aporte dalcroziano. Seu uso esta condicionado as necessidades dos alunos Pertencem a este grupo os exercicios gerais de “abrandamento”, os exercicios de alongamento, os exercicios para melhorar um movimentar-se desenvolto equilibrado do corpo, os exercicios tipicamente de reforgo de zonas musculares frageis ou insuficientes e, finalmente, os exercicios de tensdo e relaxamento, Segundo tipo de trabalho Sua finalidade € a educagao da mente. Os meios a utilizar sdo: exercicios que desenvolvam a velocidade de reagao e de adaptagao em forga e velocidade de reagdo as condigées externas; um treinamento sistematico do sentido motor como também do ouvido € da vista; exercicios de coordenagao e dissociacao. de movimentos; exercicios cuja finalidade é desenvolver a imaginacdo, a espontaneidade, a receptividade, a meméria e a concentragao. © mais importante resultado deste tipo de trabalho é a eliminagao de problemas inibitorios de carater psicofisico e 0 acrescentamento e livre exteriorizagao das faculdades criadoras. 2 Dois exemplos: 4) O aluno caminha para adiante © a voz de “hop” retrocede quatro passos (sempre seguindo os compassos da musica) ou, talvez ele corra para adiante a0 *hop" da um salto, igual no tempo de duas notas corridas. 2) A classe dividida em dois grupos. Um representa o tom agudo do piano, 0 outro © baixo. Os alunos se movem somente ouvindo sua propria parte de piano que esta sendo tocada. Este exercicio pode tambem ser feito usando segmentos do corpo. De um trabalho elementar em seu inicio, pode-se chegar 4s exigéncias superiores de um estudo musico-expressivo. Terceiro tipo de trabalho (© estudo ative e criador do ritmo corporal, por uma pratica analitica das diferentes classes de movimentos e por exercicios que desenvolvam o sentido muscular de tempo e espago, 0 que facilitaré ao aluno para experimentar pessoalmente as relagdes estéticas entre movimento € tempo (ritmo corporal) 22 movimento espapo (forma espacial) © para usur o corpo como um meio de expressiio préprio.e espantaneo, Um exempla: 08 alunos esto assentados. Se idem de pé em unta eontagen de cine, Logo tendo na mente a velocidade constanée da contapem, se levanieeo ern quate compiazns, logo em irés ¢ assim sucessivamente. Ou talver, fizenda im gesto com os bragos, como flexiona-los ¢ estende-los lateralmente, 4 diftrentes veloridsces, Tstes exercicios obcignm o shuns « uma consciente relugiio entre espago, tempo ¢ velovidade Quarta tipo dle trabalho © estudo ativo e eriador do ritmo musical conduz progressivamente A melhores formas. [sf di a0 aluno, sobve a base de geur comhecimentas, unm real possessio interna do ritmas mosical. A pritica frefiente da notagiio ¢ leiture do- ritmo, & amalise da constengao ritmica das formas musicais ¢ a8 exercioios de diregio, formam parte deste ireinamonio, A plastica animada* Estes dois Gltimos tipos de trabatho levam camo uma culminagio ua plastica animada Esta parte do método ¢ a que, por desconhecimento do mesnio, fem feitos que muitos © qualificassem de dangs @ arte, ‘Com respeito a este assunto Juan Liongueris' disse: “pela canexiio que tént ‘estes estudos de plastica com os ¢studos de danga, ¢ pelo equivoco que pode ser eriado gate uns ¢ aulras, € conveniente que os estudos de plastica animarka nunca posvam ficar desvirinados de sua finalidade primordial, que é a de por o corpo humana em movimento, ao serviga da exprcssiio, da emog’o ¢ da consirugto musicale no converter a miisica cm movimento exeltame marboso ¢ essencial de corpo humano, ou em frivola expressiic de vaidade e¢ de ‘coqueteria”, Por isso tais estdos nfo devem ser intentados sem haver sido realizada Peviamente uma larga e completa preparagdo mos estudiogas da eitenica, @ ¢ preciso evitar que as demonstragies pablicas de pkisticn animada cedum excessivamente a5 cxigenciag, Nem sempre putas, ncm sempre estéticns, da cspetaculariedade”. “Geralmemte os maus professores de ritimica sfiv es que se valem mais daptessa da plisticn camo 9 supremo tecuts> para chegar a um Gxito efmero e moraentineo ende um piblico pio peeparndo, que em veo de inseressalo © educadg os desorienta lamentavelmente, eriando toda uma serie de confunsties B