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UNIDADE 3

ARTIGO CIENTÍFICO

Objetivos

• Aprender a confeccionar o artigo científico.

• Compreender os modelos e formas de citação.

• Assimilar os cuidados éticos quanto ao uso do conhecimento.

Conteúdos

• Estrutura do artigo científico.

• Tipos e modos de citação.

• Plágio ou fraude científica.

Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir:

1) Uma vez trabalhada cada parte integrante do Projeto de Pesquisa, você precisará se atentar para cada detalhe da estrutura do artigo científico, fazendo com que seu texto evolua para esse gênero.

2) Parte do conteúdo da presente unidade – como as formas e modos de citação e o cuidado com o plágio acadêmico, lhe ajudarão não somente com o atendimento às atividades do estudo, mas também com posterio- res trabalhos acadêmicos.

3) Verifique as indicações contidas no Conteúdo Digital Integrador. Há uma seleção de referências de fácil acesso que contribuirão para a escrita do seu Artigo Científico, bem como para futuros textos acadêmicos que você poderá redigir.

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1. INTRODUÇÃO

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Uma vez trabalhada cada parte integrante da composição do Projeto de Pesquisa, é chegada a hora de aprendermos com destaque a estrutura mínima de um artigo científico. É claro que você já havia contemplado – quando foi preciso realizar a primei - ra “revisão teórica” para situar o tema de sua pesquisa – noções elementares sobre “citações diretas” e “indiretas”, “normas para referências” etc. No entanto, essas “regras” deverão acompa- nhá-lo até a conclusão do Artigo Científico.

O principal objetivo desta unidade é orientá-lo, de maneira

ainda mais específica, sobre como trabalhar com o texto acadê-

mico enquanto exigência de um Artigo Científico.

Ao trabalho!

2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA

O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su -

cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador.

2.1. ESTRUTURA DO ARTIGO CIENTÍFICO

Os artigos científicos são trabalhos com dimensão redu - zida que abordam uma questão científica e que apresentam o resultado e a discussão de um trabalho, como depreendemos da definição de Lakatos e Marconi (2010, p. 259): “[ pequenos estudos, porém completos, que tratam de uma questão verda- deiramente científica”.

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Importante ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

A ABNT possui a norma NBR 6022/2003 (Informação e documentação - Artigo em publicação periódica científica impressa – Apresentação), que define os elementos que compõem um artigo científico.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Conforme você já estudou na Unidade 1, a Coordenado - ria Geral de Pesquisa e Iniciação Científica (CPIC) do Claretiano – Centro Universitário estabelece que o Artigo Científico deve ser feito no formato de uma das modalidades citadas a seguir:

1)

Artigo científico de revisão bibliográfica.

2)

Artigo científico de pesquisa de campo.

3)

Relato de experiência.

4)

Estudo de caso.

Para relembrar as definições específicas de cada uma das modalidades, no intuito de impedir que você cometa possíveis erros conceituais quanto ao gênero adotado para desenvolvi - mento do Artigo Científico, sugerimos que releia o conteúdo do tópico “2.2 Modalidades de Pesquisa”, da Unidade 1.

Como já citado, é de grande importância que você tenha o Artigo Científico para além da obrigação de cumprir as atividades de um determinado estudo. Trata-se de um trabalho que poderá contribuir para o aprofundamento de discussões pertinentes à sua área e que contribuirá para seu amadurecimento intelectual.

Ademais, a produção de um bom artigo poderá ser um pri - meiro passo para tentar uma publicação em uma revista cientí- fica desta ou de outra instituição, o que valorizará seu currículo!

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Caso queira se informar melhor sobre as revistas científicas do Claretiano – Centro Universitário, entre em contato com o Prof. Ms. Rafael Archanjo por meio do seguinte e-mail: <revlingua- gem@claretiano.edu.br>.

Já que estamos falando do Artigo Científico, trabalha - remos agora com sua estrutura básica. Segundo a NBR 6022 (2003, p. 3), um Artigo Científico é formado por “elementos pré-textuais”, “elementos textuais” e “elementos pós-textuais”. Esses elementos são indispensáveis a qualquer uma das quatro modalidades de pesquisa adotadas pela instituição; portanto, devemos conhecê-los.

Elementos pré-textuais

De acordo com a NBR 6022 (2003, p. 3), os elementos “pré- -textuais” compreendem:

1)

título e subtítulo (se houver);

2)

nome(s) do(s) autor(es);

3)

resumo na língua do texto;

4)

palavras-chave na língua do texto.

Para tratar desse item, seremos bem pontuais e objetivos, pois trata-se de orientações normativas referentes à formatação. Desde já, recomendamos que, para redigir o artigo, você padro - nize o texto com o uso da fonte Times News Roman.

A primeira página, deverá apresentar a identificação do trabalho. Para confeccioná-la corretamente, proceda a partir das próximas orientações:

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1)

Nome do autor e seu respectivo RA, grafados em cai-

2)

xa alta (letras maiúsculas) na parte superior da pági - na, centralizados, com fonte tamanho 14. Logo abai - xo, deve constar o nome do curso ao qual o autor está vinculado, somente com iniciais em maiúsculas, sem negrito e fonte tamanho 14. No centro da página (centralizado), deve estar o título do trabalho, em caixa alta e em negrito, com fonte ta- manho 16. Pule duas linhas e digite o nome do Tutor da disciplina Metodologia da Pesquisa Científica, pre- cedido da respectiva titulação, com iniciais em maiús - culas, negrito e tamanho 14.

3) Pule mais duas vezes e digite o nome da instituição com iniciais em maiúsculas, negrito, e fonte tamanho

14.

4)

No final da página (centralizado), deve ser acrescenta -

5)

do o nome do polo (cidade) em caixa alta e, logo abai - xo, o ano de conclusão do trabalho, ambos em negrito, com tamanho 14. As margens devem ser configuradas da seguinte ma-

6)

neira: superior, inferior e direita – 2,0 cm; Margem es- querda – 2,5 cm. Para tornar essas informações menos abstratas, segue um modelo de capa concluída:

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO Na segunda página, reapresente o título do trabalho grafa - do

Na segunda página, reapresente o título do trabalho grafa - do em caixa alta, seguido do resumo e das palavras-chave, con - forme o exemplo a seguir.

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO Resumo Segundo Buogo, Chiapinotto e Carbonara (2011, p. 184), o “resumo”

Resumo

Segundo Buogo, Chiapinotto e Carbonara (2011, p. 184), o “resumo” exerce a “[ função de ‘cartão de visita’, para forne-

cer ao leitor, de uma maneira ágil, a essência daquilo que con - tém o texto maior” (o próprio artigo).

O resumo é a apresentação concisa do texto, com destaque para seus aspectos mais relevantes. Ele deverá ser elaborado em fonte Times New Roman, tamanho 12, em parágrafo simples e justificado, seguido de três a cinco palavras-chave com iniciais em maiúsculas e separadas por pontos. O texto deve ser redigido em um parágrafo único.

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Importante!––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

As palavras-chave são empregadas de modo a deixar claro do que trata o arti- go. Elas devem indicar, de modo condensado, a essência do trabalho.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Não há um limite consensual quanto à extensão do “re- sumo”. Cada instituição adota um padrão viável à sua proposta. Para os “resumos” elaborados no Claretiano – Centro Universitá- rio, sugerimos um número de 100 a 300 palavras (sem contar o título do trabalho e as palavras-chave). Trata-se da mesma medi - da adotada nos eventos científicos como o Encontro de Iniciação Científica (ENIC) e o Encontro Nacional Claretiano de Iniciação Científica (ENCIC), bem como nas revistas científicas da institui - ção. Para o resumo do Artigo Científico, exceder a medida de 300 palavras não é proibido, ou causará perda de pontuação. Já um resumo contendo menos de 100 palavras dificilmente consegui - rá abordar todos os seus itens indispensáveis, embora não seja impossível. E quais são os elementos indispensáveis do resumo? Vamos a eles:

1)

Introdução (contextualização inicial do tema, incluindo “justificativa”).

2) Objetivos. 3) Metodologia.

4)

Resultados e Discussão (síntese da principal discussão do estudo).

5) Conclusão.

Importante!––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Perceba que os itens imprescindíveis ao resumo, você já confeccionou duran- te a elaboração do Artigo Científico. Você deverá sintetizá-los ao formato do gênero exigido. Talvez você esteja se perguntando sobre o item “Resultados e

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Discussão”. Entenda que esse item é o resumo das principais ideias da seção “Desenvolvimento”, de seu Artigo Científico.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

O resumo deve ser um texto de sua inteira autoria – por-

tanto, citações (diretas ou indiretas), referências, gráficos ou fi - guras não devem constar no corpo do texto.

A seguir, veremos um exemplo de resumo em artigo de

revisão bibliográfica.

Atenção! ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Infelizmente não será possível abordar todos os modelos ao longo do texto. Contudo, no Conteúdo Digital Integrador desta mesma unidade, sugeriremos a leitura de alguns deles, e você deverá fazê-lo de acordo com sua área.

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Elementos textuais

Passaremos agora aos elementos que lhe darão mais tra- balho: os elementos textuais. Segundo site da Coordenadoria

Geral de Pesquisa e Iniciação Científica (CPIC), do Claretiano – Centro Universitário (PESQUISA, 2015, destaque nosso), elemen-

tos textuais “[ são aqueles que compõem o texto do artigo, dividindo-se basicamente em introdução, desenvolvimento e conclusão (ou considerações finais)”.

Para sua redação, utilize fonte Times New Roman (tamanho 12), justifique o texto e coloque o espaçamento “entre linhas” (1,5). Os elementos textuais deverão compreender, em média, de 8 a 18 páginas. Não é considerada falha grave se o texto exce- der o limite de 18 páginas; contudo, você precisa ter em mente que não é a quantidade de laudas que garantirá a qualidade do texto, mas as análises realizadas com base na boa compreensão da base teórica.

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IMPORTANTE! –––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Lembre-se do tópico em que tratamos sobre escrita acadêmica na Unidade 1:

na construção do Artigo Científico, a objetividade deve ser sua aliada. Tenha cuidado para não ser prolixo.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Vamos à estrutura da seção “introdução”.

Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no Tópico 4, você deve fazer as leituras propostas e assistir aos vídeos indicados no Tópico 3. 1.

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Introdução

A introdução corresponde à parte inicial do Artigo Cientí-

fico. Nela você situará o possível leitor de seu Artigo Cientifico a respeito de algumas categorias básicas, como:

1)

trata). 2) Qual a importância (justificativa) de estudar o tema

(isto é, qual a relevância do tema escolhido). Qual o objetivo de sua pesquisa (isto é, o que pretende alcançar com o estudo proposto).

4) Como fará sua pesquisa (isto é, quais procedimen - tos serão empregados para alcançar os resultados da pesquisa).

A seguir, tratemos com especificidade de cada um dos

3)

Qual o tema de sua pesquisa (isto é, do que o texto

itens citados.

Qual o tema de sua pesquisa?

Essa questão corresponde à parte inicial da introdução. Nela você deve situar o tema dentro do contexto geral da sua área de trabalho, desenvolvendo-o inicialmente de maneira ge- nérica (contextualização geral), para posteriormente chegar ao particular (foco da pesquisa).

É necessário definir o objeto de análise: o que será estu -

dado? Perceba que há diferença entre “objeto” e “objetivo”. O “objeto de análise” corresponde ao “corpus” a ser analisado, isto é, ao que será estudado, sobre o que se voltará a investiga- ção. Do “objetivo” tratamos na Unidade 2, porém, retomaremos o item logo mais.

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Qual a importância de se estudar o tema?

É o ponto em que você deverá inserir a “justificativa”; portanto, deverá responder à pergunta: “Por que fazer?”. Nessa etapa, apresente de forma clara e objetiva as razões de ordem teórica ou prática que justificam a realização da pesquisa ou o tema proposto para avaliação inicial. Desse modo, compreende- -se que a “justificativa” deve indicar:

1) A relevância social/técnica/científica do problema a ser investigado.

2)

As contribuições que a pesquisa pode trazer, no senti -

3)

do de proporcionar respostas aos problemas propos - tos ou ampliar as formulações teóricas a esse respeito. O estágio de desenvolvimento dos conhecimentos re -

4)

ferentes ao tema. A possibilidade de sugerir modificações no âmbito da realidade proposta pelo tema.

Qual o objetivo de sua pesquisa?

Esse é o momento de indicar os “objetivos” da pesquisa:

o que se vai procurar? A apresentação dos “objetivos” varia em função da natureza do projeto. Nos objetivos da pesquisa, cabe identificar claramente o problema e apresentar sua delimitação. Normalmente, apresentam-se os objetivos de forma “geral” e “específica”, todavia, no modelo elaborado pelo Claretiano – Centro Universitário, optamos por padronizar uma única opção:

“objetivos”. A seguir veremos alguns exemplos sobre como inse - rir os objetivos de sua pesquisa.

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Exemplos:

1)

“Almeja-se, com o presente estudo

2)

“Com a pesquisa proposta, espera-se

3)

“O presente estudo pretende

4)

“Com o artigo proposto, intenciona-se

Como fará sua pesquisa?

Essa etapa é destinada a descrever a “metodologia”. Nela você deverá apresentar uma descrição precisa e detalhada dos métodos, materiais, técnicas e equipamentos utilizados no estu - do. É fundamental que fique claro ao leitor a real possibilidade de reprodução dos passos que conduziram o seu trabalho aos “resultados alcançados” (conclusões do seu Artigo Científico).

Não se esqueça de que a “metodologia” pode ser inter- pretada como um conjunto de “métodos e técnicas” utilizados para a condução da pesquisa e deve ser apresentada na sequên- cia cronológica em que o trabalho foi construído. É preciso dar atenção às variações de terminologia relacionadas a essa etapa.

Em determinados casos, em vez de empregar-se o termo “metodologia”, recorre-se à nomenclatura “métodos ou técni- cas”. Essa segunda terminologia é mais adequada a trabalhos de campo, em que se deve oferecer uma série de detalhes, como:

1)

Procedimentos técnicos a serem empregados.

2)

Critérios de inclusão e exclusão (por que determinada

3)

faixa etária foi incluída no estudo? Por que determina - do gênero (homens, mulheres, crianças, idosos etc.)? Processo de análise dos dados.

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4) Localização (tempo e espaço de realização da pesqui - sa etc.).

Você pode, também, descrever sucintamente o tipo de pesquisa a ser abordada (bibliográfica, documental, de campo etc.) e delimitar os instrumentos e fontes escolhidos para a co - leta de dados – como entrevistas, formulários, questionários, le - gislação doutrina, jurisprudência etc.

Nessa etapa, você deve indicar o procedimento para a co- leta de dados, que deverá acompanhar o tipo de pesquisa sele- cionado, isto é:

Para pesquisa bibliográfica: indicar proposta de seleção das leituras (seletiva, crítica ou reflexiva, analítica).

Para pesquisa experimental: indicar o procedimento de testagem.

Para pesquisa descritiva: indicar o procedimento da ob - servação: entrevista, questionário, análise documental, entre outros.

Uma distinção um pouco mais comum sobre a nomenclatu - ra empregada para designar o item “metodologia” é a seguinte:

Metodologia: termo empregado pela área humanística e áreas afins.

Material (ou materiais) e métodos: termos emprega- dos pela área tecnológica, parte da área da saúde e áreas afins.

Casuística e métodos: termos empregados pela área biomédica, área da saúde e áreas afins.

Caso você tenha dúvida sobre qual a nomenclatura mais adequada à sua área e estudo, poderá consultar o tutor deste estudo que o tem acompanhado durante as atividades.

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Escrita Acadêmica––––––––––––––––––––––––––––––––––

Diferentemente de como você procedeu no Projeto de Pesquisa, no Artigo Científico, para redigir os objetivos e a metodologia, empregue o presente do indicativo! Agora você não está apontando para o futuro, mas efetivamente fazendo a análise.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Ressaltamos que não é recomendado que você crie um “subitem” para cada uma das categorias citadas anteriormente. É recomendável que todos sejam situados dentro da seção in- trodução. Se proceder ao contrário, você fatalmente tornará seu texto “fragmentado”, “engessado”, atrapalhando a fluência. To- davia, é importante fazer um aparte: em trabalhos que envolvam pesquisas de campo (“relato de experiência”, “estudo de caso” ou qualquer “pesquisa de campo”), é recomendada uma divisão um pouco diferente da anterior.

Atenção! ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Perceba que parte dos itens que deve ser acrescentados na seção “introdu- ção”, já foram redigidos durante a concepção de seu Projeto de Pesquisa, ou seja, as quatro perguntas, as quais acabamos de trabalhar, já foram parcial-

mente respondidas. Cabe agora, tendo concluído o Artigo Científico, revisá-las,

e ajustá-las ao “desenho final” de sua pesquisa (ajustar o texto de modo que o caminho, desde o “problema proposto” até as “conclusões”, seja homogêneo; coerente).

Para ficar mais fácil, vamos reproduzir as correspondências entre as quatro perguntas citadas para construção da “introdução” e parte dos itens elabora- dos para o Projeto de Pesquisa.

Pergunta 1: “Qual o tema de sua pesquisa?”

Você já respondeu essa pergunta ao confeccionar para o Projeto de Pesquisa,

o item “contextualização/revisão bibliográfica”. Ou seja, ao situar seu tema

a partir de uma discussão bibliográfica inicial, você deixou claro ao leitor, qual do tema abordado em sua pesquisa.

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Pergunta 2: “Qual a importância de se estudar o tema?”

Você já respondeu essa pergunta ao redigir, para o Projeto de Pesquisa, o item “justificativa”.

Pergunta 3: “Qual o objetivo de sua pesquisa?”

Você já respondeu essa pergunta ao elaborar, para o Projeto de Pesquisa, o item “objetivos”.

Pergunta 4: “Como fará sua pesquisa?”

Você já respondeu essa pergunta ao elaborar, para o Projeto de Pesquisa, o item “metodologia”.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Viu como estão associados? Provavelmente você se lembra que no início de nosso estudo, bem como algumas vezes ao lon - go dele, retomamos a afirmação que o Projeto de Pesquisa, tal como é solicitado neste estudo, exerce a função de um “plano de texto” para o Artigo Científico. Ou seja, o fluxo é único. Cada um dos itens citados deve aparecer dentro da seção “introdução”, sem estarem separados como subitens. Muitos subitens tornam o texto fragmentário, atrapalhando a leitura. Quando se trata de um trabalho em que se emprega uma meto- dologia muito detalhada, às vezes o autor recorre a um subitem específico logo após o final da “introdução”, para descrevê-la. No entanto, em artigos de revisão bibliográfica não é necessário. Não há uma cronologia exata para situar os itens citados. No entanto, eles não podem ser apresentados a esmo, sem uma linha lógica que garanta a coerência entre as partes. Sugerimos o seguinte esquema:

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO Visualizemos agora, um esquema sintético dos aspectos gerais tratados até aqui,

Visualizemos agora, um esquema sintético dos aspectos gerais tratados até aqui, durante o estudo da unidade:

gerais tratados até aqui, durante o estudo da unidade: Também é comum, em algumas pesquisas, separar

Também é comum, em algumas pesquisas, separar o item “Resultados e Discussão”, criando dois itens “Resultados” e “Discussão”. Em contato com o Tutor, você poderá escolher qual das formas utilizar.

Voltemos a tratar da introdução como um todo. Sugerimos que você opte pelo jargão “Desenvolvimento”.

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Lembre-se de que, na introdução, que você deverá desper- tar no leitor a curiosidade para a leitura completa do trabalho. De acordo com Castro (2011, p. 41):

a introdução de um trabalho é seu cartão de visita, a sua

sala de visitas. É quase uma peça de marketing. Se não é atraen - te corre o risco de desanimar o leitor, antes mesmo que tenha uma amostra séria do que vem pela frente. A introdução anun- cia, tenta seduzir o leitor.

] [

A maneira de proporcionar ao leitor um adequado enten- dimento dos detalhes do trabalho é dar-lhe primeiro uma noção geral do todo. De preferência, você deverá concluir a elaboração da introdução, bem como revisá-la (e, se necessário, reescrevê -la), próximo ao término do trabalho. Afinal, por meio dela você deverá mapear, para o leitor, todo o caminho percorrido. Ao con - cluir o trabalho, você terá uma visão melhor do conjunto que possibilitará uma redação adequada da introdução.

Fazemos ainda uma recomendação relevante:

Para produzir a introdução, você deve retomar o seu projeto de pesquisa. Nela são apresentados os principais elementos do projeto. É claro que agora esses elementos devem formar um texto coeso e que tenha a cara de introdução ao desenvolvi - mento de uma formalização de pesquisa (BUOGO; CHIAPINOT- TO; CARBONARA, 2011, p. 186).

Conforme citamos há pouco, você poderá, inclusive, apro - veitar partes do texto do Projeto de Pesquisa, porém melho- rando-as e adaptando-as aos “resultados alcançados” em seu trabalho. As adaptações podem ser necessárias, uma vez que, durante a redação, você poderá dar ao trabalho rumos não pre - vistos no Projeto de Pesquisa. É bem possível que haja neces - sidade de alterações, inclusive no próprio “título do trabalho” (tema delimitado), que deverá dar conta, com clareza, do estudo

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que foi realizado, isto é, deverá apresentar ao leitor um recorte adequado sobre o alcance da análise.

Para problematizar o tema, atestar sua importância e indi - car o viés da abordagem analítica, você precisará recorrer a uma boa revisão de literatura:

Lembremo-nos de que as citações têm também a função de garantir ao leitor que o autor está adequadamente informado a respeito do campo sobre o qual escreve e que, se tomou al - gum caminho mais tortuoso ou menos trilhado, não o fez por desconhecimento das obras mais importantes. Com autores iniciantes, tais referências mostram ao leitor que o escritor tem domínio do assunto (CASTRO, 2011, p. 44).

Entretanto, como nos orienta Castro (2011), é necessá- rio cuidado para não incorrer em explicação desnecessária de determinados termos técnicos e lugares-comuns. É claro que o Tutor tem papel importante para alertá-lo quanto a possíveis “penduricalhos” que podem ou devem ser “cortados”, mas você, enquanto aluno e pesquisador, pode, desde o início, prevenir-se quanto a erros convencionais.

Castro (2011, p. 46) orienta-nos que a introdução é uma “peça didática” para o leitor. Portanto, você deverá fazer o mes - mo com a sua, de modo que fique claro todo caminho percorrido.

Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no Tópico 4, você deve assistir aos vídeos indicados no Tópico 3. 2.

A seguir, trabalharemos com o item que exigirá mais de suas leituras e atenção.

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Desenvolvimento

Chegamos à pesquisa propriamente dita, à travessia mais trabalhosa que deverá enfrentar durante a construção de seu ar- tigo: o desenvolvimento.

Para Barros e Lehfeld (2010, p. 120), o desenvolvimento:

é a fase da fundamentação lógica do tema que deve ser

exposta e provada; é a explicação racional que tem por obje - tivo explicar, discutir e demonstrar. ‘Explicar’ é tornar eviden- te o que estava implícito, obscuro ou complexo; é descrever, classificar e definir. ‘Discutir’ é comparar as várias posições que se entrechocam dialeticamente. ‘Demonstrar’ é aplicar a argu - mentação apropriada à natureza do trabalho, é partir de verda - des garantidas para novas verdades.

O desenvolvimento (ou resultados e discussão) é a eta -

pa em que se confrontam os dados encontrados durante a feitura do trabalho com os apresentados pela literatura rela - cionada a ele. É fundamental lembrar-se de que é nessa parte que você precisará mostrar ao leitor por que ele deve acredi -

tar nos resultados apresentados e por que estes sustentam as conclusões apresentadas.

] [

De acordo com Castro (2011, p. 46):

Tudo o que é importante deverá estar ali. Um leitor rigoroso e paciente deverá encontrar o essencial para assegurar a vali - dade metodológica do trabalho. Ou seja, todas as premissas, teorias, bases de dados, análises e resultados precisam estar nesse miolo.

O “desenvolvimento” é a seção mais “densa” do Artigo

Científico. Nela você deve argumentar, discutir, inferir sobre o tema proposto. É o momento de estabelecer um diálogo entre a teoria e o objeto de análise, pontuando, de modo conciso, coe- rente e gradual, a investigação realizada. Uma boa argumenta-

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ção, devidamente embasada na literatura específica, conduzirá seu trabalho às boas “conclusões” ou “considerações finais”.

É preciso também conter o ímpeto de multiplicar citações de outras obras, demonstrando que o autor leu (ou folheou) muita coisa. Essa enxurrada de autores e citações tira a nitidez das ideias e traz um quê de exibicionismo. Se o tema é confuso e tem muitas vertentes, cabe ao autor deslindar o assunto e não passar para o leitor a cacofonia intelectual que encontrou (CAS- TRO, 2011, p. 47).

Ao elaborar a seção “desenvolvimento”, siga uma linha ló - gica de discussão. Tenha cuidado para não fazer “cortes bruscos” no texto, deixando o leitor confuso e o texto desconexo. Não es- queça de fazer a ligação textual entre a seção “desenvolvimen- to” e a seção “considerações finais”.

Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no Tópico 4, você deve fazer a leituras proposta e assistir ao vídeo indicado no Tópico 3. 3.

Chegamos à parte final do artigo científico.

Conclusão ou considerações finais

Cada conclusão deve ser fruto de uma “[ dedução lógi -

ca, baseada e fundamentada no texto, de forma resumida” (LA- KATOS; MARCONI, 2010, p. 85). Nessa etapa, são destacados os resultados obtidos no estudo ou pesquisa. Você deve ser breve, podendo incluir recomendações ou sugestões para outras pes- quisas na área.

Algumas questões precisam ser respondidas na conclusão:

]

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1) Com base na discussão realizada, fundamentada na leitura do referencial teórico, quais conclusões foram obtidas com o trabalho? 2) Foi possível atingir os objetivos propostos na introdução? 3) Os resultados obtidos (conclusões) responderam às questões levantadas no início do estudo?

4)

Se não responderam, qual a dificuldade encontrada?

5)

Até que ponto as questões iniciais foram respondidas?

Apesar da recomendação para ser breve, invista em uma boa discussão, com bom referencial teórico, para que seu traba - lho não seja desvalorizado. Uma seção “Conclusões” ou “Consi- derações Finais” com um ou dois parágrafos deixará seu texto demasiado pobre.

Na conclusão (ou considerações finais), você deverá reto - mar os pressupostos tratados na introdução. É preciso estabele - cer uma ligação de modo em que fique claro que há um diálogo entre as partes.

Conclua seu artigo fundamentado nas evidências atingidas

no “desenvolvimento”. Essa última parte não deve contar novos

dados, “[ ou seja, dados que não tenham sido apresentados

anteriormente e analisados” (CASTRO, 2011, p. 54). Se for pos -

sível, mostre que sua conclusão corrobora com conclusões mais amplas.

Uma pesquisa abre novas perspectivas, sugere áreas em que nosso conhecimento é precário e abala convicções antigas. Tais

]

implicações pertencem [ [às] conclusões. Contudo, as ‘suges-

tões para pesquisa futuras’ têm de fluir naturalmente da dis- cussão; não podem ser uma enumeração desconexa de tópicos, que mais parecem uma lista de compras no supermercado. [ ]

]

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

Se não há comentários interessantes nessa linha, melhor que nada seja dito (CASTRO, 2011, p. 54).

Na introdução, você trabalhou o texto (explanação geral do tema) do “geral” para o “particular”. Já nessa etapa, o proces - so é inverso: parte-se do “particular” para o “geral”. Vejamos, na figura a seguir, a visão do “todo” do artigo, proposta por Buogo, Chiapinotto e Carbonara (2011):

artigo, proposta por Buogo, Chiapinotto e Carbonara (2011): Fonte : Buogo, Chiapinotto e Carbonara, (2011, p.

Fonte: Buogo, Chiapinotto e Carbonara, (2011, p. 183).

Figura 1 Estrutura do artigo científico.

Talvez tenha restado a pergunta de se há diferença entre “Conclusão” e “Considerações Finais”; afinal, empregamos am - bos os termos várias vezes como sinônimos, sem estabelecer uma distinção. Para esclarecer essa dúvida, leiamos a definição do referencial Normas de Elaboração de Trabalhos (CENTRO DE ENSINO SUPERIOR ALMEIDA RODRIGUES, s.d., p. 24):

Só se deve usar o termo “Conclusão” quando, em pesquisas de mestrado e doutorado, esta for de tal magnitude que qualquer

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

pesquisador, em qualquer lugar, usando os mesmos critérios, procedimentos e experimentos, chegue à mesma resposta, ou seja, à mesma “Conclusão”. O termo “Considerações Finais” deve ser utilizado apenas em pesquisas bibliográficas, em que outro pesquisador, ainda que consultando as mesmas fontes, possa chegar a outras respostas, ou seja, a outras “Considera- ções Finais”. Um exemplo prático desta diferenciação é quando duas ou mais pessoas assistem a um mesmo filme. Após o tér- mino, se perguntada, cada pessoa poderá ter a sua compreen- são, ou seja, suas “Considerações”.

De qualquer forma, sugerimos o uso do jargão “Conside- rações Finais”. Como apontou o Prof. Dr. Gilson Volpato (2012c), nenhum conhecimento pode ser considerado acabado. Por isso, o termo “Conclusão” pode soar um tanto quanto pretensioso. Ainda que um trabalho traga “conclusões” bem específicas, no - vos estudos sobre o mesmo tema e objeto de estudo podem trazer resultados que refutem as “conclusões” de um trabalho anterior. Nessa lógica de raciocínio, “Considerações Finais” se apresenta como um texto mais apropriado.

Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no Tópico 4, você deve assistir ao vídeo indicado no Tópico 3.

4.

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

Elementos pós-textuais

Ainda segundo a NBR 6022/2003, compreende-se como

elementos “pós-textuais”, as “referências”, “apêndices” e “ane - xos” – dentre outros. Como sabemos que as normas de formata - ção das “referências” normalmente tiram o sono de graduandos

e pós-graduandos, abordamos suas principais formas na Unida- de 2, no tópico “2.8 Referências”.

No próximo tópico, discutiremos outra questão relevante no meio acadêmico. Leia com atenção cada orientação e, caso tenha dúvida, não hesite em procurar o tutor da disciplina.

2.2. QUESTÕES CRUCIAIS DO TEXTO ACADÊMICO: CITAÇÕES E PLÁGIO

A incidência de apropriação indevida de produção intelec -

tual, tida como “[ ato ou efeito de imitar, de apresentar, como sua, obra de outra pessoa” (CUNHA, 1997, p. 611) – chamada conceitualmente de plágio – tem aumentado acentuadamente.

A popularização da internet contribui para esse processo. Se, por

um lado, temos acesso rápido e fácil à informação, por outro, carecemos de mais atenção quanto à procedência da fonte e à maneira de citá-la no corpo do texto de nossa produção.

Tal problema chegou a tamanha gravidade que o Con - gresso Nacional sancionou a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, prevendo sanções cíveis àqueles que se apropriarem in- devidamente de quaisquer conteúdos, além das sanções penais dispostas no Código Penal, que trata o plágio como crime (BRA- SIL, 1998). Plágio é crime e pode acarretar pena de detenção de três meses a um ano ou multa.

]

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

Além das penalidades citadas e da desmoralização acadêmica,

o plagiário estará sujeito a sanções cíveis, como retratação pú-

blica e indenização pecuniária por dano moral e/ou patrimonial,

e também a sanções administrativas, que podem chegar à re-

provação desligamento da instituição, no caso de estudantes, e demissão, no caso de professores/pesquisadores (BRASIL, 1998).

Ainda sobre a internet (esclarecendo que plágio não se re- fere exclusivamente a fontes consultadas na internet), cabe res - saltar que o maior impasse não é produto da ferramenta em si, mas do uso que dela se faz. Entretanto, podemos também inferir que não se trata, exclusivamente, de um problema ético.

Algumas vezes, o autor do texto incorre em “plágio” por falta de orientação. E é justamente para que você, acadêmico do Claretiano – Centro Universitário, não cometa esse erro que abordaremos o tema com ênfase na presente unidade.

Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no Tópico 4, leia mais sobre plágio, sobre o Artigo 184, e a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, na íntegra no Tópico 3. 5.

Por que se faz uma citação?

Inicialmente, esclareçamos, de maneira sucinta, o que é uma “citação”. Para tanto, nada melhor do que recorrer à defi- nição da ABNT. Ela nos orienta que citação é “menção de uma informação extraída de outra fonte” (ABNT, 2002, p. 1).

Desse modo, podemos entender que citar é introduzir a fala (texto) ou parte dela (fragmento textual) de outro autor em textos de nossa autoria. Você pode se perguntar: por que

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

fazemos isso? Não podemos afirmar algo por conta própria? Em nossa comunicação diária, nas atividades cotidianas não formais, sim.

Podemos falar o que quisermos e como quisermos (guar- dados os seus devidos contextos e consequências), mas, no meio acadêmico, não. Nele as afirmações que fazemos necessitam de embasamento teórico. Recorramos aos autores Aleixo e Daverni para esclarecer ainda mais a questão:

Para que um trabalho acadêmico (ou seja, os trabalhos que você faz no seu curso de Graduação, que vão desde as atividades até o Trabalho de Conclusão de Curso) possa ser considerado rele- vante, é preciso que ele esteja fundamentado em estudos na

área do assunto abordado. [ Dessa forma, para demonstrar

que seu trabalho reconhece as pesquisas relevantes na área e não partiu de uma ideia vaga e sem fundamentação, mas que está embasado teoricamente em estudos anteriores à sua produção, as referências bibliográficas são fundamentais: elas mostram que você pesquisou antes de afirmar qualquer coisa! (ALEIXO; DAVERNI, 2012, n.p.).

]

Refletindo sobre a orientação lida, podemos entender que, em outras palavras, não podemos afirmar algo no meio acadêmi - co que não esteja fundamentado em um referencial já validado pela comunidade acadêmico-científica.

Não podemos escrever a esmo, e construir “achismo”. Em suma, não podemos fazer uma afirmação categórica sem emba - samento científico. Lembre-se que plágio não é fazer uso da obra de outrem, mas sim fazer uso de um texto do qual não somos autores sem fazer a devida referência. Isso quer dizer que, em textos acadêmicos, podemos (e devemos) recorrer a outros au - tores.

A seguir, temos um excerto de um artigo científico que

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

trabalha com um tema relacionado à Música Popular Brasileira e o regime militar brasileiro (1964-1985). Leia com atenção.

o regime militar brasileiro (1964-1985). Leia com atenção. Em síntese, o autor argumenta que o período

Em síntese, o autor argumenta que o período violento vivido no contexto brasileiro a partir do Golpe Militar de 1964 aconteceu em um mesmo contexto no qual a indústria fonográ - fica (de discos) se expandia – favorecida pelo crescimento eco - nômico – concluindo o raciocínio com a indicação que a música popular brasileira foi utilizada, nesse contexto, como veículo de crítica, protesto etc.

De que forma o autor do artigo o fez? Fundamentou sua linha de argumentação no texto de Araújo, empregando “duas ci - tações diretas”. É claro que estamos trabalhando com um exem- plo restrito, sintético – ao longo de seu artigo, provavelmente o autor baseou-se em outros autores para enriquecer a discussão e dar força ao texto que redigia, isto é, o autor realizou outras leituras e, de algum modo, trouxe-as para seu trabalho. Em um

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

trabalho acadêmico, a discussão deve perpassar outros autores, estabelecendo diálogos ou discutindo disparidades etc.

Agora que você compreendeu a importância de buscar re - ferências para o desenvolvimento de um trabalho acadêmico, aprendamos, em seguida, como inserir adequadamente as re- ferências aos textos de outros autores em nossos textos, isto é, vejamos como se trabalha com as citações.

Como se faz uma citação?

De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), responsável por nortear o padrão de textos científicos, são diversas as maneiras de se fazer uma citação. Contudo, as mais conhecidas são: indireta, direta e citação de citação (apud).

Comecemos pela citação indireta.

Citação indireta

É chamada citação indireta a elaboração de paráfrase tex- tual. Em linhas gerais, paráfrase textual significa apreender a ideia de um autor, trazendo-a ao nosso texto com nossas pró - prias palavras ou, ainda, para ficar mais claro, recorramos à defi - nição da ABNT para citação indireta: “Texto baseado na obra do autor consultado” (ABNT, 2002, p. 2).

Nesse caso, você altera a linguagem do “texto fonte” (alte- ra o plano de expressão, isto é, o “como se diz”), mas não deve alterar o sentido (plano de conteúdo, ou “o que se diz”).

Ao alterar o plano de expressão, você deve se certificar de que não alterou a ideia que o autor original quis transmitir. Caso venha a alterá-la, o leitor (ou avaliador) de seu trabalho possi -

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

velmente identificará que você não entendeu o que o autor da referência quis “dizer”, que teve uma interpretação errônea, al- terando o sentido do texto (o que é inadequado).

Vejamos um exemplo de paráfrase extraído, na íntegra, do Curso de Acolhida do Claretiano – Centro Universitário.

Curso de Acolhida do Claretiano – Centro Universitário. Realizar uma paráfrase é, portanto, apreender o sentido,

Realizar uma paráfrase é, portanto, apreender o sentido, ideia do texto de um autor, empregando-a em nosso texto – sem deixar de fazer a devida referência. Os autores Aleixo e Daverni trazem-nos, ainda, um argumento sobre a importância e uso da paráfrase no contexto do aluno da Graduação e Pós-Graduação do Claretiano – Centro Universitário:

Por quê? Ora, para responder às atividades, para mostrar que pesquisou sobre o assunto, para atestar o seu entendimento sobre o tema tratado. Assim, quando tiver de fazer uma inte-

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

ratividade no Fórum ou uma atividade no Portfólio, você nunca poderá ficar no famoso “ctrl+c e ctrl+v” (copia e cola), uma vez que isso seria plágio (ALEIXO; DAVERNI, 2012, n.p.).

Vamos às possíveis formatações de uma citação indireta:

Modelo 1: “Citar um autor consiste em referenciar a ideia ou o texto feito por ele nos trabalhos que estamos confeccionando (ROSALES, 2011)”.

Modelo 2: “Depreende-se do texto de Rosales (2011) que citar um autor consiste em referenciar a ideia ou o texto feito por ele nos trabalhos que estamos confeccionando”.

Modelo 3: “Segundo Rosales (2011), citar um autor con - siste em referenciar a ideia ou o texto feito por ele nos trabalhos que estamos confeccionando”.

Repare que utilizamos a mesma obra do exemplo anterior, mas com a seguinte diferença: o nome do autor aparece no início do parágrafo, somente com a letra inicial do sobrenome dispos- ta em letra maiúscula (“Rosales”), seguida do ano e página entre parênteses (2011, p. 116). Sempre que você optar por introduzir a citação “chamando” o nome do autor (Como no exemplo 2 –

“Segundo Rosales – isto é, sempre que o nome do autor for

referenciado fora dos parênteses – somente a primeira letra do

sobrenome deve ser grafada em maiúscula.

É importante apontar que a introdução do parágrafo pode variar de acordo com seu repertório. Por exemplo, em vez de “Segundo Rosales (2011, p. 116)”, seria possível utilizar outras maneiras, tais como: “Aponta Rosales (2011, p. 116) que”, “Afir- ma Rosales (2011, p. 116) que”, “Depreendemos de Rosales (2011, p. 116) que”, etc.

”)

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

Uma ocorrência corriqueira (mas inadequada) é o produ - tor de um determinado texto efetuar a paráfrase, mas não refe- renciar “autor” e “ano” da publicação. Se você assim proceder, estará cometendo “plágio indireto”. Este ocorre:

quando o redator elabora uma paráfrase, isto é apresen -

ta informações de um documento consultado com as próprias palavras, mas não faz a indicação (citação) nem a identificação (referência) da obra original. Cabe observar que neste caso, ain - da que a obra consultada esteja listada no final do trabalho, a ausência da citação (indicação) do autor no local exato onde a ideia original foi reescrita configura plágio (PLÁGIO.NET, 2015, n.p.).

] [

Tenha muito cuidado ao elaborar uma paráfrase. Altere a linguagem (plano de expressão) de maneira que seu texto não se torne uma cópia do texto fonte. Para não cometer esse erro, observe o exemplo a seguir:

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO Observe que, ao realizar uma “paráfrase” do “texto fonte” (ROSALES, 2011,

Observe que, ao realizar uma “paráfrase” do “texto fonte” (ROSALES, 2011, p. 119), o autor alterou o “plano de expressão” (linguagem) sem comprometer a “ideia” (plano de conteúdo). Em outras palavras, foi reproduzida a ideia do texto fonte, mas não por meio de cópia. Além disso, o “texto-fonte” foi referen - ciado corretamente: “(ROSALES, 2011)”. Vale notar que não foi citada a página, pois trata-se de uma citação indireta.

A seguir, repetimos o exemplo do “texto-fonte”, mas em- pregamos um outro exemplo de “paráfrase” (no caso específico, foi uma tentativa que não resultou em paráfrase).

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO Vamos pontuar as alterações dos textos: Substituição de “É importante

Vamos pontuar as alterações dos textos:

Substituição de “É importante certificar-se de que” por “Verifique se”.

2) Exclusão do termo “realmente” – que estava entre “como tal,” e “é uma reformulação”.

1)

3)

Substituição do termo “reformulação” por “mudança”.

4)

Alteração de “que você considerou” para “considerado”.

5) Substituição de “você estará cometendo” por “cometerá”.

Nessa “tentativa” de paráfrase, o autor manteve a ideia original do “texto-fonte”, mas manteve, também, praticamente

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

todo o plano de expressão, tratando o fragmento como uma “ci - tação indireta”. Temos aí um caso “clássico” de plágio.

Por meio dos exemplos, é possível perceber que o autor não alterou significativamente o plano de expressão do “texto- fonte” de modo a construir a paráfrase; ao contrário, acabou praticamente copiando o texto-fonte na íntegra. Seria mais ade- quado não ter feito nenhuma alteração na linguagem e ter feito uma citação literal (“citação direta”, que aprenderemos a seguir).

Citação direta

Entende-se por “citação direta” qualquer fragmento, por menor que seja, retirado na íntegra da obra de outro autor, ou, em uma definição conceitual: “Transcrição textual de parte da obra do autor consultado” (ABNT, 2002, p. 2).

Há três formas de fazer uma citação direta:

• Citação direta que compreende até três linhas do corpo do texto.

• Citação direta que compreende quatro linhas ou mais.

• Citação de citação.

Trabalharemos com cada uma delas. Atente-se para o exemplo a seguir.

Aponta Rosales (2011, p. 116) que: “É importante certifi- car-se de que o trecho que você considerou como paráfrase [ ] é uma reformulação do texto original e não uma cópia”.

Repare que, no exemplo anterior, a citação direta tem até três linhas, e está compreendida entre aspas (“ ”). A indicação da fonte (sobrenome do “autor”, seguido de “ano” e “página”, sempre separados por vírgulas) introduz a citação. A outra ma -

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

neira de se fazer uma citação direta de até três linhas é proceder da mesma maneira indicada no exemplo anterior, fazendo so - mente uma alteração: citar a fonte no final do parágrafo: “(RO- SALES, 2011, p. 116)”.

Observe a seguir uma outro exemplo de forma de incluir um texto externo ao nosso:

• É importante certificar-se de que o trecho que você considerou como paráfrase e referenciou como tal real - mente é uma reformulação do texto original e não uma cópia (que exige citação direta), caso contrário, você es- tará cometendo plágio.

Perceba que utilizamos exatamente o mesmo texto. Se procedêssemos dessa forma, cometeríamos “plágio direto”, que consiste em “cópia literal do texto original” (PLÁGIO.NET, 2015, n.p.); afinal, estaríamos empregando uma parte literal do texto de outrem sem indicar “autor”, “ano” e “página”. Esse procedi - mento é condenado.

Vamos, ainda, a mais um exemplo utilizando o mesmo fragmento.

• É importante certificar-se de que o trecho que você considerou como paráfrase e referenciou como tal real - mente é uma reformulação do texto original e não uma cópia (que exige citação direta), caso contrário, você es- tará cometendo plágio (ROSALES, 2011).

Esse trecho contém outra incorreção: indicamos somente a “autoria” e o “ano” de publicação. A “página” não foi indica- da; em “citações diretas”, a indicação de “página” é obrigatória. Além disso, como trata-se de uma citação literal de até três li - nhas, ela deveria estar entre “aspas” para que o leitor entendes -

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

se claramente que se trata de um fragmento retirado na íntegra do texto de Rosales. Isso faria com que o leitor entendesse ina - dequadamente que construímos uma paráfrase (“citação indire- ta”) do texto de Rosales – e não uma citação direta. Nesse caso, cometeríamos novamente plágio direto.

Em casos em que a referência não contiver marcação de páginas, utilize a expressão “n.p.” (não paginado); desse modo, o leitor entenderá que o texto que foi utilizado como referência não indicava página – em um exemplo completo, teríamos: “(RO- SALES, 2001, n.p.)”.

Atenção! ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Essa opção é válida somente para fontes que não apresentam paginação. Se você referenciou um determinado texto, não acrescentando página porque esqueceu de fichá-lo, e utilizar o recurso “n.p.”, estará cometendo um erro.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Citação direta longa

O outro modelo de citação direta é o que se refere às cita - ções que compreendem quatro linhas ou mais do corpo do texto. Em citações que se adequam a esse formato, você deve referen- ciar como orientam os exemplos a seguir:

• Conforme afirma Rosales (2011, p. 115):

Em cursos a distância, é habitual pesquisar documentos com - plementares na internet para facilitar a compreensão de um assunto de uma disciplina ou para auxiliar na elaboração de trabalhos acadêmicos. Ao selecionar esses documentos, procu - re reconhecer se a fonte que o disponibiliza é confiável. Para isso, observe se o site é conhecido e se os autores dos materiais publicados estão vinculados a órgãos científicos e de pesquisa.

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

Se houver qualquer dúvida sobre esses itens, é melhor buscar documentos em outros sites.

• Ao fazer uma citação:

respeite o autor original e sempre indique a referência bi -

bliográfica para qualquer trecho retirado de uma obra, mesmo que seja apenas uma pequena frase; copiar a ideia de alguém, ou qualquer trecho de texto, ou figura etc. – é plágio e caracte- riza crime! Caso você realize este ato em seu trabalho acadêmi - co, certamente será penalizado pelo professor (ROSALES, 2011, p. 116).

] [

Perceba que a única diferença nos exemplos anteriores é o local onde o autor faz referência à fonte consultada.

É importante mencionar que você pode se utilizar das duas maneiras ao longo do seu texto, desde que o faça de maneira correta, isto é, indicando “autor”, o “ano” e a “página” da publi - cação. O que você não pode, em hipótese alguma fazer, é deixar de referenciar o texto que não é de sua autoria.

Citação de Citação

Chamamos de “citação de citação” a ocorrência de citar- mos a ideia de determinado autor que aparece no texto de outro autor – isto é, quando queremos fazer uma citação direta, mas não tivemos acesso ao texto original.

Por exemplo, suponhamos que você estava realizando pesquisa sobre direito autoral. Durante as leituras, deparou-se com o material didático Tecnologia Educacional para Educação a Distância, elaborado pela Professora Ms. Gislaine Cristina Mi - cheloti Rosales. Durante a leitura do texto de Rosales, encontrou uma citação da legislação brasileira que é muito pertinente ao

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

seu trabalho. Deste modo, para fundamentar algum argumento confeccionado em seu texto, você opta por utilizá-la.

Dupas (2012, p. 27) orienta que a “citação de citação”

(apud) “[ é indicada da seguinte forma: sobrenome do autor

original, seguido da expressão ‘apud’ [ e do nome do autor citado (autor da obra consultada)”. Vamos ao exemplo:

• Para Brasil (1998, apud ROSALES, 2011, p. 109), cabe

ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor

]

]

“[ ]

da obra literária, artística ou científica”.

Perceba que uma “citação de citação” também é uma “ci- tação direta”, pois se trata de um fragmento retirado na íntegra (isto é, sem alteração da linguagem) do texto que já pertence a um determinado autor. A diferença é que, como já explicamos anteriormente, você empregará essa forma de citar quando não teve contato com a fonte original, mas com um autor que fez uso da obra de um outro autor.

Importante!––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

O termo “apud” é originário do latim e significa “citado por”. No exemplo em- pregado, podemos entender que uma obra de Brasil (1998) foi citada no texto de Rosales (2011). Desse modo, entende-se que citamos um fragmento do texto de Brasil, ao qual tivemos acesso durante a leitura de Rosales, pois não lemos o texto original. Tivemos acesso somente à “obra secundária”. Por isso, apontamos que “este” foi citado por “aquele”: “(apud ROSALES)”.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Vejamos um outro exemplo:

Cabe “[ ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e

]

dispor da obra literária, artística ou científica” (BRASIL, 1998 apud ROSALES, 2011, p. 109).

Observe que, nesse exemplo específico, o sobrenome do autor foi citado em caixa alta (letra maiúscula) dentro dos pa-

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

rênteses. Lembre-se: se um autor é citado dentro de parênte - ses, todas as letras maiúsculas de seu sobrenome devem ser maiúsculas.

Desse modo, podemos entender que ambos os exemplos estão corretos, pois apresentam-se formatados de maneira ade- quada (de acordo com o padrão exigido pela ABNT) e também indicam todos os elementos imprescindíveis a uma “citação de citação” (que também é citação direta), que são: indicação da fonte original, isto é, do “autor” do fragmento (BRASIL), seguido do ano (1998) e depois do termo “apud” (que não é precedido de vírgula; após ele, vêm a indicação da fonte lida (ROSALES) – tivemos acesso ao texto de Brasil durante a leitura de Rosales – o ano de publicação da fonte secundária (2011) e, por fim, a indi - cação da “página” (p. 109).

Se você “[ utilizar as fontes do autor consultado como

]

se tivessem sido consultadas em primeira mão” sem “[ deixar

claro para o leitor que o texto apresentado foi obtido por meio de fonte secundária” estará cometendo plágio. Tal ocorrência é classificada como “plágio da fonte” (PLÁGIO.NET, 2014).

Há, ainda, um outro tipo de plágio que, infelizmente, é muito comum no meio acadêmico. O site plagio.net (2015, com itálicos do autor) conceitua-o como “plágio consentido”, que consiste na:

]

] [

obter vantagem em alguma situação. Caso trabalhos entregues com o nome de determinado aluno, mas que foram realizados

por outras pessoas; trabalhos que foram realizados por outros

e já apresentados em instituição X mas são cedidos para serem

entregues como se fossem originais na instituição Y. Também é

o caso de trabalhos que são comprados de escritórios especiali- zados neste tipo de (des) serviço acadêmico.

combinação entre duas ou mais pessoas com o objetivo de

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

Casos como esse, assim como os de “autoplágio” – que são definidos como “[ trabalhos acadêmicos do mesmo autor

]

que já foram apresentados para avaliação em uma determinada disciplina, curso, revista etc. e são reapresentados para cumprir exigências acadêmicas ou obter nota como se fossem originais”

(PLÁGIO.NET, 2015) −, são severamente punidos pela comuni - dade acadêmica. Redija seus trabalhos com responsabilidade e atenção!

Vídeo complementar

–––––––––––––––––––––––––––––––

Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.

Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Vi- deoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo (Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos.

Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e sele- cione: Metodologia da Pesquisa Científica – Vídeos Complementares – Complementar 2.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR

O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmen- te os conteúdos apresentados nesta unidade.

3.1. ESTRUTURA DO ARTIGO CIENTÍFICO

Sobre os elementos textuais concernentes à estrutura do artigo científico, sugerimos as seguintes leituras:

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

• CASTRO, C. M. Como redigir e apresentar um trabalho científico. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. p. 41- 52. (Biblioteca Digital Pearson).

• CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A.; SILVA, R. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. p. 115-125. (Biblioteca Digital Pearson).

• BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. Fundamentos da metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. p. 120-121. (Biblioteca Digital Pearson).

• ILHESCA, D. D.; SILVA, D. T.; SILVA, M. R. Redação acadêmica. Curitiba: Intersaberes, 2013. p. 131-136. (Biblioteca Digital Pearson).

Assista a palestra proferida pelo professor Valtencir Zuco - lotto, da Universidade de São Paulo (USP), realizada em 2011, na 2ª Semana de Escrita Científica, articulada pelo Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFScar).

Durante sua fala, o professor discorre sobre a escrita cien- tífica voltada para publicação de artigos internacionais. Apesar dos exemplos em língua inglesa (o que não dificulta sua com- preensão), e do direcionamento conclusivo da conferência, é re- levante que assista ao menos uma hora e vinte minutos do vídeo, uma vez que as informações estruturais se aplicam à estrutura do artigo científico em todos os níveis.

• ZUCOLOTTO, Z. 2ª Semana da Escrita Científica do Instituto de Física de São Carlos – IFSC/USP. Como escrever bons artigos científicos: estrutura e linguagem. 2011. Disponível em: <www.youtube.com/ watch?v=QkJFxA9CR3M>. Acesso em: 24 fev. 2015.

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151

UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

Um outro vídeo interessante sobre a redação do artigo científico é o do Prof. Dr. Gilson Volpato:

• VOLPATO, G. L. O Método Lógico para Redação Científi- ca. Disponível em: <http://www.escritacientifica.sc.usp. br/videos/>. Acesso em: 11 fev. 2015.

Observação –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Para acessar ao vídeo do professor Volpato, siga o link indicado e clique no menu: “1º Semana da Escrita Científica do IFSC – 2010”, e role a barra até o final. A conferência está dividida em três partes.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

A título de curiosidade, recomendamos a palestra sobre “fraude em ciência”, do Prof. Dr. William Saad Hossne:

• HOSSNE, W. S. 008 – Fraude em ciência: casos e cau - sas (Parte 1). Disponível em: <http://iptv.usp.br/portal/ video.action?idItem=11261>. Acesso em: 24 fev. 2015.

• O ESTADO DE SÃO PAULO. Pela 1ª vez, Fapesp torna públicas fraudes em pesquisas científicas. 2014. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/noticias/

agencia-estado/2014/10/08/pela-1-vez-fapesp-torna-

publicas-fraudes-em-pesquisas-cientificas.htm>. Acesso em: 24 fev. 2015.

3.2. INTRODUÇÃO

Sugerimos ainda que assista a dois vídeos do Prof. Dr. Gil - son Volpato, sobre como redigir a introdução:

• VOLPATO, G. Aula 37 – Introdução – para que serve. 2012. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=rjrwbFNGzHA>. Acesso em: 24 fev. 2015.

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

Aula 39 – Introdução – estruturas. 2012a. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=DTe92QAk7a4>. Acesso em: 24 fev. 2015.

3.3. DESENVOLVIMENTO

Para complementar nossas orientações à respeito da dis- cussão (que pode ser situada no desenvolvimento), indicamos os seguintes vídeo e texto:

• VOLPATO, G. Aula 36 – Discussão. Disponível em: <htt-

ps://www.youtube.com/watch?v=RKD6G8a1krI>.

2012b. Acesso em: 24 fev. 2015.

• ILHESCA, D. D.; SILVA, D. T.; SILVA, M. R. Redação acadê- mica. Curitiba: Intersaberes, 2013. p. 79-92. (Biblioteca Digital Pearson).

3.4. CONCLUSÃO OU CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sobre o item conclusão (ou considerações finais), reco- mendamos que assista a mais um vídeo do Prof. Dr. Gilson Vol - pato:

• VOLPATO, G. Aula 30 – Conclusão – como redigir. 2012c. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=TA8RtZod_7E>. Acesso em: 24 fev. 2015.

3.5. PLÁGIO

Dentre os temas tratados em evidência, cabe destacar as classificações de “plágio” e as estratégias que você deve empregar para “fugir” dessa prática. Caso ainda tenha dúvida,

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

acesse os seguintes endereços:

• BRASIL. Ministério da Saúde. Plágio acadêmico: co - nhecer para combater. Disponível em: <http://bvsms. saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/plagio_academico. pdf>. Acesso em: 24 fev. 2015.

• PLÁGIO.NET. Como o plágio acontece: tipos mais comuns. Disponível em: <http://www.plagio.net.br/ index-1-menu3.html>. Acesso em: 24 fev. 2015.

• UFF – UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Nem tudo

o que parece é: entenda o que é plágio. Disponível em:

<http://www.noticias.uff.br/arquivos/cartilha-sobre-

plagio-academico.pdf>. Acesso em: 24 fev. 2015.

Ainda sobre o plágio acadêmico, recomendamos dois ví - deos que consideramos instrutivos:

• TV JUSTIÇA. Plágio acadêmico. Fórum. Disponível em:

<https://www.youtube.com/watch?v=tLGO5pmA7EE>.

Acesso em: 24 fev. 2015.

• IESB – INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DE BRA- SÍLIA. Como evitar o plágio – Centro universitário IESB. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=exGX8wvrje4>. Acesso em: 24 fev. 2015.

4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS

A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteú- dos estudados para sanar as suas dúvidas.

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

1) Durante sua pesquisa, caso recorra à uma citação literal, você deverá referenciar:

2)

3)

a) Nome do autor.

b) Nome do autor e ano.

c) Autor, ano e página.

d) Somente a página.

e) n.d.a.

Em caso de paráfrase do texto de um determinado autor:

a) Não é preciso referenciar.

b) Deve-se indicar somente o ano de publicação.

c) Indica-se somente o nome do autor.

d) Aponta-se o autor e o ano da publicação.

e) n.d.a.

Pode-se caracterizar um plágio acadêmico, quando:

a) Reproduz-se uma obra completa sem indicar a fonte.

b) Cita-se ao menos metade de um trabalho ou obra.

c) Copia-se somente parte de obras impressas.

d) Emprega-se qualquer fragmento literal ou não literal de quaisquer ti - pos de fontes, sem fazer a referência segundo as normas da ABNT.

e) n.d.a.

Gabarito

Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au- toavaliativas propostas:

1) c.

2) d.

3) d.

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5. CONSIDERAÇÕES

Nesta última unidade, estabelecendo relação com os con - ceitos trabalhados na Unidade 1 e Unidade 2, em que foi abor- dado o Projeto de Pesquisa, bem como outros itens constitutivos da esfera da “pesquisa”, apresentamos a estrutura comum do Artigo Científico.

Esperamos que você tenha aproveitado ao máximo as orientações aqui trabalhadas, além das leituras e vídeos sugeri - dos, e tenha confeccionado um Artigo Científico adequado para sua aprovação na disciplina.

6. E-REFERÊNCIAS

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Norma NBR 6022. Informação e documentação – Artigo em publicação periódica científica impressa – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, maio 2003. Disponível em: <http://porvir.org/wp-content/ uploads/2013/08/abntnbr6022.pdf>. Acesso em: 23 fev. 2015.

Norma NBR 10520. Informação e documentação – Citações em documentos – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, ago. 2002 Disponível em: <http://www.

gerenciamento.ufba.br/disciplinas/metodologia/nbr10520.pdf>. Acesso em: 24 fev.

2015.

BRASIL. Lei nº. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm>. Acesso em: 23 fev. 2015.

Ministério da Saúde. Plágio acadêmico: conhecer para combater. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/plagio_academico.pdf>. Acesso em: 24 fev. 2015.

Presidência da República. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Diário Oficial da União, 31 dez. 1940. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm>. Acesso em: 24 fev. 2015.

CLARETIANO – CENTRO UNIVERSITÁRIO. Guia do TCC. Disponível em: <http://www. claretianobt.com.br/tcc>. Acesso em: 23 fev. 2015.

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UNIDADE 3 – ARTIGO CIENTÍFICO

CENTRO DE ENSINO SUPERIOR ALMEIDA RODRIGUES. Normas de Elaboração de Trabalhos. Disponível em: <http://www.faculdadefar.edu.br/arquivos/curso-arquivo/ files-22-0.pdf>. Acesso em: 22 jan. 2015.

PLÁGIO.NET. Como o plágio acontece: tipos mais comuns. Disponível em: <http:// www.plagio.net.br/index-1-menu3.html>. Acesso em: 24 fev. 2015.

VOLPATO, G. Aula 37 – Introdução – para que serve. 2012. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=rjrwbFNGzHA>. Acesso em: 24 fev. 2015.

Aula 39 – Introdução – estruturas. 2012a. Disponível em: <https://www. youtube.com/watch?v=DTe92QAk7a4>. Acesso em: 24 fev. 2015.

Aula 36 – Discussão. 2012b. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=RKD6G8a1krI>. Acesso em: 24 fev. 2015.

Aula 30 – Conclusão – como redigir. 2012c. Disponível em: <https://www. youtube.com/watch?v=TA8RtZod_7E>. Acesso em: 24 fev. 2015.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALEIXO, F.; DAVERNI, R. F. Tema 3: Estrutura do texto acadêmico, referenciação, plágio

e paráfrase. In: CLARETIANO. Curso de acolhida. Batatais: Claretiano, 2012.

ARAÚJO, P. C. Eu não sou cachorro não – música popular cafona e ditadura militar. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003.

ABNT ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Norma NBR 6023. Informação

e documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, ago. 2002.

BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. Fundamentos da metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.

BUOGO, A. L.; CHIAPINOTTO, D.; CARBONARA, V. O desafio de aprender ultrapassando horizontes. 2. ed. Caxias do Sul: Educs, 2011.

CASTRO, C. M. Como redigir e apresentar um trabalho científico. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

CAVALCANTE, M. A. S.; FREITAS, M. L. Q. (Orgs.). O ensino da língua portuguesa nos anos iniciais: eventos e práticas de letramento. Maceió: Edufal, 2008.

CPIC – COORDENADORIA GERAL DE PESQUISA E INICIAÇÃO CIENTÍFICA. Normas gerais para elaboração do trabalho de conclusão de curso (TCC). Batatais: Claretiano, 2013.

CUNHA, A. G. Dicionário etimológico nova fronteira da língua portuguesa. 2. ed. 8. imp. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

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DUPAS, M. A. Pesquisando e normalizando: noções básicas e recomendações úteis para a elaboração de trabalhos científicos. São Carlos: EdUFSCar, 2012.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

LIMONGELI, A. M. Teoria de Henri Wallon e a formação psicológica do professor de educação física. Revista Educação, v. 4, n. 1, p. 21-36, 2014. Disponível em: <http:// claretianobt.com.br/revista/dMyUQZwlV>. Acesso em: 08 set. 2015.

ROSALES, G. C. M. Tecnologia Educacional para Educação a Distância. Centro Universitário Claretiano de Batatais, 2011. (Material Didático Mediacional).

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