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H. J. Koellreutter: a música como projeto ético e estético

HJ Koellreutter: music as ethical and aesthetic project

Palavras-chave: Koellreutter; Música; Novo pensamento. Keywords: Koellreutter; Music; New thinking.

José Eduardo Costa Silva Universidade Federal do Espírito Santo

zed2004@gmail.com

Apresento uma síntese das principais ideias estéticas de Koellreutter, focalizando sua tese

de que a música é um meio de comunicação, que se serve de uma linguagem para comunicar

à cultura as novidades do pensamento, da qual decorre a proposição estética e ética de unir, com a interferência da música, Ocidente e Oriente. A música é um meio de comunicação, que se serve de uma linguagem para comunicar à cultura as novidades do pensamento porque: 1) há um vínculo essencial entre música e pensamento, cuja existência é comprovada na correspondência entre as fases históricas do pensamento – a pré-racionalista; a racionalista; a racionalista-positivista e a relativista - e os diferentes sistemas de estruturação musical; 2) a sociedade reconhece e acolhe as novidades do pensamento que a música comunica. (KOELLREUTTER, 1997, p. 71).

O pensamento comunicado pela música interfere na cultura como uma ideologia que me-

dia a compreensão que o homem tem de si mesmo e do mundo. Nesse contexto, a estética é a ideologia do artista, e é através dela que ele dialoga com seu tempo. O conjunto de ideias que Koellreutter denomina Estética Relativista do Impreciso e do Paradoxal está em concordância um conjunto de ideias da física contemporânea denominado relativismo, que se iniciou no séc. XIX, a partir do pensamento de Bernhard Riemann (1826-1866). Derivam do relativismo três noções que esfacelam os conceitos da estética tradicional e estabelecem as bases para a nova estética: a superação do dualismo dos conceitos dos contrá-

rios;a superação dos conceitos de tempo e espaço absolutos e a superação do princípio causal. (KOELLREUTTER, 1988, 5ª aula).

A primeira noção atende diretamente ao projeto ético de Koellreutter de promover o

encontro entre as culturas do Ocidente e do Oriente, a partir da compreensão de que os

contrários podes ser compreendidos como complementares. Reside aqui a ideia de que de que as tensões causadas pelos contrários norteiam e estruturam modos de pensar e perceber. Por exemplo: somente as culturas originárias, por trabalharem a noção dos con- trários complementares, foram capazes de experimentar a vivência do todo, enquanto que

as culturas edificadas no racionalismo conduzem às vivências fragmentadoras. (KOELL-

REUTTER, 1985, PR.1). Do princípio fenomenológico de que sujeito e objeto se pertencem mutuamente, Koell- reutter deduz que não pode haver conceitos absolutos. Assim, Koellreutter adentra no

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se pertencem mutuamente, Koell- reutter deduz que não pode haver conceitos absolutos. Assim, Koellreutter adentra no
se pertencem mutuamente, Koell- reutter deduz que não pode haver conceitos absolutos. Assim, Koellreutter adentra no
se pertencem mutuamente, Koell- reutter deduz que não pode haver conceitos absolutos. Assim, Koellreutter adentra no
se pertencem mutuamente, Koell- reutter deduz que não pode haver conceitos absolutos. Assim, Koellreutter adentra no
se pertencem mutuamente, Koell- reutter deduz que não pode haver conceitos absolutos. Assim, Koellreutter adentra no
se pertencem mutuamente, Koell- reutter deduz que não pode haver conceitos absolutos. Assim, Koellreutter adentra no

relativismo filosófico, que, junto ao relativismo da física, empresta os três adjetivos

pelos quais caracteriza a sua estética: relativista, impreciso e paradoxal. Os dois primeiros aludem diretamente à concepção de que os conceitos não são absolutos, enquanto que

o paradoxal remete à noção de complementariedade dos opostos. (KOELLREUTTER, 1988, 1ª aula).

A segunda noção versa sobre a superação do conceito de tempo e espaço absolutos. Para

Koellreutter não estamos habituados a perceber o tempo como um fenômeno da percep- ção. Porém, a física contemporânea ensina, qualquer medida de tempo nada representa sem um acontecimento que a assinale. Logo, o tempo é simplesmente uma ordem possí- vel de acontecimentos espaciais, e o espaço, por sua vez, uma ordem possível de objetos no tempo; trata-se do continum espaço-tempo. Esse continum motiva a sensibilidade inte- gradora, que demanda que o espaço seja percebido segundo três coordenadas espaciais num referencial tridimensional e, também, por uma quarta coordenada, que registra as variações no tempo. (KOELLREUTTER, 1988, 6ª aula). Segundo o espaço-tempo, uma peça pode vir a apresentar as seguintes possibilidades de estruturação: a- em primeira dimensão, dada a partir de uma sucessão linear de signos, tal como no canto gregoriano; b- em segunda dimensão, onde se registra a disposição simul- tânea dos signos; c- em terceira dimensão, pela qual os signos convergem em direção a um

centro tonal e d- em a-mensão, que suscita uma percepção integrada dos signos, como em Variações Para Piano, opus 27 de Webern. (KOELLREUTTER, 1988, 5ª aula).

A terceira noção versa sobre a superação do princípio causal. Koellreutter sustenta que a

dedução da causalidade ocorre articulada à percepção que temos das dualidades no tem- po. Dois eventos, pra que sejam reconhecidos como causa e efeito um de outro, deverão, primeiramente, estarem esclarecidos em termos de semelhança e diferença, de modo que sejam significados como antecedente e consequente. Entretanto, a percepção da causa e efeito implica em um nível de previsibilidade, pois é a confirmação dessa previsibilidade

que assegura a significação. O nexo causal é, segundo Koellreutter, o elemento de redun- dância da música tonal. Ele traduz a associação entre os conceitos de expectativa e hábito. Alguma informação que escape a essa lógica será considerada como novidade e tornar-se-á um elemento relevante na produção de significação e afeto. (KOELLREUTTER, 1988, 5ª aula).

A tomada de consciência de uma nova realidade se traduz em uma música que a comuni-

ca, qual seja: a Música Monótona. Uma música caracterizada pelo alto grau de redundân- cia, garantido pela repetição das ocorrências que constituem o silêncio, entendido como

meio de expressão. O silêncio é base de monotonia que leva à serenidade e ao equilíbrio psíquico e emocional, base sobre a qual pode incidir os elementos da composição.A mú- sica monótona deve possibilitar uma vivência que transcenda a valorização do som, con-

duzindo-nos para a vivência de seus elementos qualitativos. Trabalhar por essa música é

o motor da práxis pedagógica de Koellreutter e expressa seu humanismo orientalizado. (KOELLREUTTER, 1988, 8ª aula).

motor da práxis pedagógica de Koellreutter e expressa seu humanismo orientalizado . (KOELLREUTTER, 1988, 8ª aula).
motor da práxis pedagógica de Koellreutter e expressa seu humanismo orientalizado . (KOELLREUTTER, 1988, 8ª aula).
motor da práxis pedagógica de Koellreutter e expressa seu humanismo orientalizado . (KOELLREUTTER, 1988, 8ª aula).
motor da práxis pedagógica de Koellreutter e expressa seu humanismo orientalizado . (KOELLREUTTER, 1988, 8ª aula).
motor da práxis pedagógica de Koellreutter e expressa seu humanismo orientalizado . (KOELLREUTTER, 1988, 8ª aula).
motor da práxis pedagógica de Koellreutter e expressa seu humanismo orientalizado . (KOELLREUTTER, 1988, 8ª aula).

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Referências KOELLREUTTER, H.J. Introdução à estética e à composição musical contemporânea. Tex- tos Org. por ZAGONEL, Bernadete; CHIAMULERA, Salete M. Porto Alegre: Movi- mento, 1987. Introdução à estética relativsta do impreciso e do paradoxal, Resumo de Aulas. SP:

Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 1987/1988. Música de Leste a Oeste, O grande reencontro das culturas musicais do Ocidente e do Oriente; programas da Rádio MEC. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 1985. Terminologia de uma nova estética da música. Porto Alegre: Movimento, 1990. “Sobre o Valor e o Desvalor da Obra Musical”. Educação Musical, Cadernos de Estudo. BH: Atravez/EM-UFMG/FEA, fev. 1987.

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o Valor e o Desvalor da Obra Musical”. Educação Musical, Cadernos de Estudo. BH: Atravez/EM-UFMG/FEA, fev.
o Valor e o Desvalor da Obra Musical”. Educação Musical, Cadernos de Estudo. BH: Atravez/EM-UFMG/FEA, fev.
o Valor e o Desvalor da Obra Musical”. Educação Musical, Cadernos de Estudo. BH: Atravez/EM-UFMG/FEA, fev.
o Valor e o Desvalor da Obra Musical”. Educação Musical, Cadernos de Estudo. BH: Atravez/EM-UFMG/FEA, fev.
o Valor e o Desvalor da Obra Musical”. Educação Musical, Cadernos de Estudo. BH: Atravez/EM-UFMG/FEA, fev.
o Valor e o Desvalor da Obra Musical”. Educação Musical, Cadernos de Estudo. BH: Atravez/EM-UFMG/FEA, fev.