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DIREITOS HUMANOS

E CIDADANIA
PARA A PRF

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA PARA A PRF - 1ª Edição 1
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SUMÁRIO
INTODUÇÃO .................................................................................... 2
1. TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS ................. 3
2. AFIRMAÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS
8
3. DIREITOS HUMANOS E RESPONSABILIDADE DO
ESTADO 15
4. DIREITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
19
5. INSTITUCIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS E
GARANTIAS FUNDAMENTAIS ........................................................... 22
6. POLÍTICA NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS ... 28
7. PROGRAMAS NACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS
29
8. GLOBALIZAÇÃO E DIREITOS HUMANOS .................. 36
9. AS TRÊS VERTENTES DA PROTEÇÃO
INTERNACIONAL DA PESSOA HUMANA ....................................... 38
9.3 DIREITO DOS REFUGIADOS .............................................. 40
10. A CONSTITUIÇÃO BRASI- LEIRA E OS TRATADOS
INTERNACIONAIS DE DIREI- TOS HUMANOS .............................. 41
11. APLICAÇÕES DA PERSPECTIVA SOCIOLÓGICA A
TEMAS E PROBLEMAS CONTEMPORÂNEOS DA SOCIEDADE
BRASILEIRA ............................................................................................ 45
12. PRÁTICAS JUDICIÁRIAS E POLICIAIS NO ESPAÇO
PÚBLICO 51
13. ADMINISTRAÇÃO INSTITU- CIONAL DE
CONFLITOS NO ESPAÇO PÚBLICO .................................................. 54
14. ORIENTAÇÕES FINAIS................................................... 57
15. QUESTÕES ......................................................................... 58

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INTRODUÇÃO
Olá, futuros policiais! Quem escreve aqui é o Luís Krieger, um
dos colaboradores do Quebrando as Bancas e Policial Rodoviário
Federal aprovado no concurso de 2013.
Sou formado em Direito pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul e, além da PRF, também fui aprovado em alguns outros
concursos, como Analista do MPU, Capitão da PM/RS, Oficial do
Exército – Quadro Complementar e Técnico do Superior Tribunal
Militar.
Mas vamos ao que importa:
Nosso objetivo é esgotar o edital e gabaritar, juntos, a prova da
PRF.
Para que o estudo funcione e você tenha êxito no concurso, você
deve seguir algumas regras:
1 – Leia essa apostila com atenção mais de uma vez.
2 – Para cada hora de estudo, separe 10 min de revisão no dia
seguinte. Depois de uma semana, revise novamente o conteúdo, por 05
min. Repita a revisão 30 dias depois. Por fim, perto da prova, dê mais
uma boa revisada.
3 – Além de estudar toda esta apostila, leia o material
complementar que disponibilizamos para você.
4 – Faça testes até cansar!
Seguindo as regras acima, seu sucesso será certo, amigo!
Antes de ir para o primeiro tópico, assista a este vídeo para
inspirar seus estudos:

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1. TEORIA GERAL DOS


DIREITOS HUMANOS

1.1 CONCEITO
Os Direitos Humanos (DH) podem ser definidos como os
direitos indispensáveis para que se tenha uma vida digna. São
direitos básicos que todas pessoas possuem (ou deveriam possuir),
como: igualdade, direito à vida, liberdade e segurança pessoal.
Importante dizer que não há uma lista fechada de quais são os
Direitos Humanos. Se hoje o acesso à internet pode ainda não ser
considerado um DH, no futuro poderá ser um bem tão essencial
quanto a água que bebemos.
Sobre os DH’s é importante que você saiba de suas principais
características:
Os direitos humanos possuem universalidade, ou seja, são
direitos de todos humanos, pouco importando a nacionalidade,
orientação sexual, opção política etc. Todavia, nem sempre foi
assim. Basta lembrar o ocorrido durante o nazismo.
A Declaração Universal de 1948 é o marco da universalidade
dos Direitos Humanos, consagrando no art. 1º que "todos os seres
humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos".
Além disso, os direitos humanos possuem a característica da
indivisibilidade. Significa que todos os DH’s possuem a mesma
proteção jurídica, pois todos são importantes e, juntos, formam o
conjunto de direitos humanos, os quais devem ser promovidos por
completo, e não isoladamente.
Além disso, os direitos humanos gozam das características de
imprescritibilidade, inalienabilidade e indisponibilidade.

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A imprescritibilidade implica no reconhecimento de que os


direitos humanos sempre possuem valor, não importando quanto
tempo se passe. Além disso, os direitos humanos não podem ser
vendidos, não possuindo valor pecuniário. Por isso, são
inalienáveis.
Por fim, os direitos humanos são indisponíveis, ou seja, não
podem ser renunciados, mesmo que o titular dos direitos queira
renunciar.

1.2 TERMINOLOGIA
“Direitos Humanos” é uma expressão que recebeu muitas
críticas no passado pela redundância. Afinal, só o ser humano é
titular de direitos, logo todo direito seria humano. Por isso, diversas
outras expressões foram criadas: direitos individuais, direitos
públicos subjetivos, liberdades fundamentais, liberdades públicas,
direitos fundamentais e direitos humanos fundamentais.
Todavia, de forma clássica, ainda se utiliza a expressão
direitos humanos.
Direitos Fundamentais (DF) x Direitos Humanos (DH)
Muitos distinguem os DH’s
dos DF’s do seguinte modo: Direitos
os direitos fundamentais Humanos
seriam aqueles positivados, Plano Internacional
ou seja, escritos em uma
Constituição ou Lei; já os Direitos
direitos humanos seriam Fundametais
aqueles reconhecidos no São DH positivados em
plano internacional, mesmo uma Constituição
interna de um Estado
sem estarem escritos.
Portanto, os DH’s englobam os
DF’s.

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Podemos afirmar que os DF’s são os DH’s reconhecidos por


um Estado e positivados em uma Constituição.

1.3 ESTRUTURA NORMATIVA


Os Direitos humanos possuem uma estrutura normativa
variada. Muitas vezes um DH pode significar apenas um não fazer
do Estado, como no caso da liberdade. Outras vezes, ao revés, pode
significar um fazer do Estado, como no caso da Segurança Pública.
Vamos analisar brevemente as possíveis estruturas dos DH’s:
Direito-pretensão
Significa que uma pessoa tem direito a algo e outrem tem o
dever de prestar. Ex.: o direito à educação faz nascer o dever
de o Estado prestar a educação.
Direito-liberdade
Significa não ser privado de suas escolhas individuais,
implicando em uma abstenção de outrem. Ex.: liberdade de
religião.
Direito-poder
Uma pessoa, em determina situação, tem um poder em
relação a outrem. Ex.: O preso tem o direito-poder de ser
defendido por um advogado.
Direito-imunidade
Significa que uma pessoa tem uma autorização de não sofrer
de qualquer modo com determinada ação. Ex.: toda pessoa é
imune à prisão, a não ser no caso de flagrante delito ou de
ordem escrita e fundamentada de um juiz.

1.4 FUNDAMENTAÇÃO
Quando falamos em fundamentação de alguma coisa,
estamos querendo saber dos pilares que sustentam tal coisa. Assim
como o fundamento de um prédio, os Direitos Humanos também
possuem suas estruturas de sustentação. Tais estruturas buscam nos

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dar um motivo do porquê os DH devem ser respeitados por todos.


Não fossem esses “motivos”, ninguém respeitaria os Direitos
Humanos.
Duas correntes de pensamentos buscam fundamentar os
Direitos Humanos, ou seja, demonstrar o motivo pelo qual
devemos reconhecer e obedecer aos DH’s: corrente Jusnaturalista
e corrente Positivista.
O fundamento Jusnaturalista
Defende que mesmo antes do homem criar leis e textos
formais já existiria um conjunto de normas universais com poder
vinculante superior às regras fixadas pelo Estado (Direito Posto).
Na Idade Média, São Tomás de Aquino, expondo as ideias
religiosas de Jusnaturalismo, dizia: as leis humanas devem
obedecer às leis naturais, as quais são fruto da razão divina.
Além dos religiosos, os contratualistas também defendiam o
Jusnaturalismo. Para eles, a supremacia dos Direitos Humanos é
fundada em um contrato social realizado entre a comunidade e o
Estado, limitando este. Tal contrato não nasce de regras escritas
pelos homens, mas de um direito preexistente e atemporal derivado
da natureza do homem.
Seja para os naturalistas ou para os contratualistas, o
Jusnaturalismo firma-se na ideia de um direito preexistente às
normas produzidas pelo homem.
Vamos, então, resumir: os Direitos Humanos são regras
anteriores e que se sobrepõem às regras criadas pelos homens.
O fundamento Positivista
Para os positivistas, tudo que é importante deve ser escrito em
uma lei, tratado ou Constituição. Deve haver uma hierarquia entre
as leis, sendo que no topo estaria a Constituição. Assim, os DH’s
foram inseridos nas constituições, obtendo uma superioridade.

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Sendo assim, para os positivistas o fundamento dos direitos


humanos, que faz com que eles sejam obedecidos e respeitados,
reside no fato de ele ter uma validade formal, estando previsto no
ordenamento jurídico, como em leis, tratados, constituição, etc.
A visão utilitarista e comunista
Embora seja menos provável de aparecerem na prova da PRF,
devemos ainda dar uma espiada nas teorias utilitaristas e
comunistas de fundamentação dos Direitos Humanos.
Para os utilitaristas, os DH’s serão respeitados e obedecidos
se os cidadãos receberem uma vantagem por conta disso. Para eles,
a comunidade cumpre as regras visando vantagens e utilidades, e
não por espontaneidade.
De outro lado, para o pensamento socialista e comunista, os
direitos humanos são reconhecidos em abstrato, sem levar em
consideração os meios de implementação desses dispositivos. Na
realidade, os DH’s não resolveriam os problemas reais. A solução
passava por uma luta de classes, com o fim do capitalismo, onde o
homem não seria mais o opressor do próprio homem.

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2. AFIRMAÇÃO HISTÓRICA
DOS DIREITOS HUMANOS

2.1 A ANTIGUIDADE ORIENTAL E


O ESBOÇO DA CONSTRUÇÃO DE
DIREITOS
Foram criados nesse período códigos de comportamentos
baseados no amor e respeito ao próximo. Alguns pensadores da
época podem ser citados: Buda, Confúcio e Zaratrustra.
De outro lado, algumas codificações normativas também
foram criadas, como a Codificação de Menes, no Antigo Egito, e o
Código de Hammurabi, na Babilônia. Tais codificações criam
esboços de direitos individuais, como direito à vida, propriedade e
honra.

2.2 GRÉCIA E DEMOCRACIA


ATENIENSE
A Grécia tem importante papel na promoção dos DH em
relação aos direitos políticos: a democracia ateniense adotou a
participação política dos cidadãos. Além disso, na sua obra A
República, Platão trouxe a ideia de igualdade e a noção de bem
comum - preceitos alinhados com as ideias de DH’s.

2.3 A REPÚBLICA ROMANA


Roma deixou para Humanidade a Lei das Doze Tábuas,
buscando controlar os arbítrios do soberano. De outro lado, O
Direito Romano trouxe ainda a consagração de diversos direitos,
como: propriedade, liberdade e personalidade jurídica. Além disso,

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tivemos a consolidação do princípio da legalidade, o qual buscava


defender o cidadão dos abusos e promover o bem comum.

2.4 A INFLUÊNCIA DA IGREJA


A Bula Sublimis Deus, de Paulo III (1537), é lembrada como
uma importante intervenção da Igreja na promoção dos DH’s ao
condenar a escravidão. Outra importante manifestação religiosa em
prol dos DH’s foi o Édito de Nantes (Henrique IV) estabelecendo
tolerância religiosa e colocando fim na guerra entre católicos e
protestantes.

2.5 A CRISE DA IDADE MÉDIA E O


SURGIMENDO DA IDADE
MODERNA
Na Idade Média, podemos citar a Magna Carta Inglesa de
1215, a qual consistiu em um catálogo de direitos dos indivíduos
contra o Estado – época do Rei João Sem Terra. Após o
renascimento, surgiram os Estados Nacionais europeus.
Na Idade Moderna, surge a “Bill of Rights” (1689). Em
síntese, essa carta consagrava a ideia de redução do poder dos reis
ingleses de forma definitiva.

2.6 MUNDO CONTEMPORÂNEO


Os Direitos Humanos, como os conhecemos hoje, surgiram
na reconstrução da sociedade ocidental ao final da segunda Guerra
Mundial. O sistema global nasce em 1945, com a criação da ONU,
que é a sucessora da Liga das Nações, a partir da Carta das Nações
Unidas.
Portanto, a Carta das Nações inaugurou o sistema global de
proteção aos Direitos Humanos. Pela primeira na história as
Nações Unidas firmaram um tratado com o objetivo de favorecer a
proteção dos direitos humanos e liberdades fundamentais para

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todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião (art. 1º, III;
13, § 1º, b; 55, c; 56; 62; 68; 72, c).
Importante: a Carta da ONU não define o que são os direitos
humanos e liberdades fundamentais. Por isso, foi necessária a
criação de outros documentos. Em 10/12/1948, a Declaração
Universal dos Direitos Humanos foi criada, complementando a
Carta das Nações Unias.
O sistema global tem quatro instrumentos:
1) Carta da ONU;
2) DUDH;
3) DIDCP;
4) DINESC.
Além do sistema global, há também sistemas regionais de
proteção aos Direitos Humanos, como o Pacto de São José da Costa
Rica, para as “Américas”.
Alguns documentos internacionais são importantes para
nosso estudo, pois podem ser cobrados no concurso da PRF:

2.6.1 DECLARAÇÃO UNIVERSAL


DOS DIREITOS HUMANOS
Amigo futuro policial, o tema da DUDH é muuuuito
importante em concurso público. Normalmente as questão são
centradas na leitura do texto “seco” da Declaração, mas questões
teóricos também podem ser cobradas.
Por isso, apresentarei aqui um estudo teórico da DUDH e
você fica obrigado a fazer a leitura fria do texto da Declaração
(disponível no material complementar).
Conforme já falado, após os diversos crimes e atrocidades
ocorridos contra a humanidade, após a 2ª Guerra Mundial
entendeu-se necessária a reconstrução dos Direitos Humanos.

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Nesse sentido, afirmou o CESPE em concurso do DEPEN em


2015:
“Consensualmente considerada um prolongamento natural
da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU, 1945),
a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi
aprovada pela Assembleia-geral da ONU em 1948
(Resolução 217–A). O documento reflete o desejo de paz,
justiça, desenvolvimento e cooperação internacional que
tomou conta de quase todo o mundo após duas grandes
guerras no espaço de apenas duas décadas. ”
A DUDH, sob um prisma estritamente legalista, não
apresenta força jurídica obrigatória e vinculante. Todavia, pelo fato
da DUDH não obrigar seu cumprimento, já que é apenas uma
recomendação, foram elaborados tratados que passavam a
incorporar os direitos constantes da Declaração: o Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional
dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
Portanto, a DUDH, por si só, não é vinculante e nem traz um
rol de órgãos que fiscalizem e exijam seu cumprimento, pois é uma
mera “recomendação”. Todavia, a partir da DUDH foram criados
tratados que tornaram obrigatórios o cumprimento de direitos que
foram extraídos da DUDH.
Características da Declaração Universal:
Faz parte do Sistema Global de Proteção aos Direitos
Humanos.
A declaração não apresenta um rol fechado de direitos,
podendo ser ampliado.
Fundamenta-se na ideia de que todos nascem iguais em
dignidade e direitos.
Orienta-se pelos princípios da universalidade, igualdade e
não-discriminação.
Não trata da pena de morte.

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Os exercícios de direitos não podem justificar a violação dos


direitos de outrem.
Fique ligado! O CESPE gosta bastante de cobrar esse
dispositivo da DUDH:
Artigo XXVI
Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será
gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais.
A instrução elementar será́ obrigatória. A instrução técnico-
prossional será acessível a todos, bem como a instrução
superior, está baseada no mérito.

Dica: Artigo 14
§1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar
asilo em outros países.
§2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente
motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e
princípios das Nações Unidas.

2.6.2 Pacto de São José da Costa


Rica
A Convenção Americana de Direitos Humanos, também
chamada de Pacto de San José da Costa Rica, foi assinada em 22
de novembro de 1969, na cidade de San José, na Costa Rica, e
ratificado pelo Brasil em setembro de 1992. Faz parte do sistema
regional de proteção dos Direitos Humanos, englobando as
américas.
Tem como escopo buscar entre os países americanos a
consolidação dos valores de liberdade pessoal e de justiça social,
independentemente de onde a pessoa tenha nascido.
Importante destacar que, conforme o Pacto: “Ninguém deve
ser detido por dívidas. Este princípio não limita os mandados de
autoridade judiciária competente expedidos em virtude de

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inadimplemento de obrigação alimentar.” Retomaremos este


assunto mais para frente.
Merece destaque também a seguinte observação: há algumas
situações em que o Estado poderá exigir um trabalho de um cidadão
sem que isso configure trabalho forçado ou obrigatório:
3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos deste artigo:
a) os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa em
cumprimento de sentença ou resolução formal expedida pela autoridade judiciária
competente. Tais trabalhos ou serviços devem ser executados sob a vigilância e
controle das autoridades públicas, e os indivíduos que os executarem não devem
ser postos à disposição de particulares, companhias ou pessoas jurídicas de caráter
privado;
b) serviço militar e, nos países em que se admite a isenção por motivo de
consciência, qualquer serviço nacional que a lei estabelecer em lugar daquele;
c) o serviço exigido em casos de perigo ou de calamidade que ameacem a
existência ou o bem-estar da comunidade;
d) o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais.

Corte Interamericana de Direitos Humanos


Criada pelo Pacto de São José, a Corte Interamericana de
Direitos Humanos tem a finalidade de julgar casos de violação dos
direitos humanos ocorridos em países que integram a Organização
dos Estados Americanos (OEA), que reconheçam sua competência.
A Corte é um órgão judicial autônomo, com sede na Costa
Rica, cujo propósito é aplicar e interpretar a Convenção Americana
de Direitos Humanos e outros tratados de Direitos Humanos.
Basicamente analisa os casos de suspeita de que os Estados-
membros tenham violado um direito ou liberdade protegido pela
Convenção.
Necessário destacar que, conforme o § 4º do art. 5º da CF, “O
Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a
cuja criação tenha manifestado adesão”.
Não confunda: Comissão X Corte

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Comissão Interamericana de Direito Humanos: foi


criada para promover a defesa dos Direitos Humanos,
servindo como instância consultiva da Organização.

Corte Interamericana de Direitos Humanos: é um


órgão judicial autônomo criado com o objetivo de
aplicar e interpretar a Convenção Americana sobre
Direitos Humanos. Possui função jurisdicional e
consultiva.

Dica: o artigo 44 do Pacto de San José permite que qualquer


pessoa, grupo de pessoas ou entidades não governamentais
legalmente reconhecidas em um ou mais Estados-membros da
Organização apresentem à comissão petições que contenham
denúncias ou queixas de violação da Convenção por um
Estado-parte.

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3. DIREITOS HUMANOS E
RESPONSABILIDADE DO
ESTADO
Este tópico, caro futuro PRF, não é comum de ser encontrado
nos manuais e resumos de Direitos Humanos. Algumas apostilas
até abordam o tema, porém por vezes aprofundando muito mais do
que deveria e, em outras, falando de forma demasiadamente
superficial.
Por isso, pare este tópico vamos usar como referência um
texto que apresenta um equilíbrio perfeito entre aprofundamento na
matéria e sintetização: o estudo de Tatiana Botelho, publicado
Revista da Faculdade de Direito de Campos, Ano VI, Nº 6 - Junho
de 2005.

3.1 A RESPONSABILIDADE
INTERNACIONAL DOS ESTADOS POR
VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
O principal infrator dos direitos humanos de acordo com a
jurisprudência internacional é o Poder Executivo. Muitas vezes as
regras internacionais são violadas por agentes públicos que agem
de acordo com as normas internas.
Caso um particular pratique um ato que venha a ferir os
Direitos Humanos, ficando o Estado inerte, poderá haver uma
responsabilização por violação aos DH’s.
De outro lado, pode haver também uma responsabilização
internacional do Estado no caso de um ato judicial violar os direitos
humanos. Tal violação pode ocorrer pelo fato da decisão ser tardia
ou inexistente, ou ainda quando a decisão viola direitos humanos.

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O Estado tem a responsabilidade de disponibilizar


ferramentas aptas a reparar uma violação aos DH’s que tenha
ocorrido aos indivíduos. Caso o Estado não repare uma violação,
responderá duplamente: pela violação inicial dos DH’s e por não
prover ao indivíduo os recursos internos aptos a reparar o dano.
Tem o Estado o dever de investigar e punir os responsáveis
pela violação de DH’s. De igual modo, deve o Estado reparar as
vítimas por tais violações. Além disso, deve combater a
impunidade.

3.2 A REPARAÇÃO DOS DANOS


NA VIOLAÇÃO DE DIREITOS
HUMANOS
Quando uma regra internacional é violada, quem pode
pleitear a reparação é o Estado e não o indivíduo, pois o Estado é o
titular do direito de exigir no plano internacional. Todavia, no caso
de violação aos DH’s, busca-se a responsabilização internacional
do Estado.
Por esse motivo, prevalece a proteção do indivíduo e, em
consequência, deve-se aceitar que ele, enquanto vítima, tenha o
direito de obter a reparação.

3.3 AS SANÇÕES COLETIVAS E


UNILATERAIS POR VIOLAÇÃO DE
DIREITOS HUMANOS
Toda vez que uma obrigação internacional é violada surge
como reação uma sanção. Temos dois tipos de sanções:
Sanções coercitivas: são medidas de imposição de
penalidades para que o Estado cumpra obrigação violada.

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Sanções punitivas: são medidas de punição a Estados por


seus comportamentos.
No campo do Direito Internacional, consagrou-se a adoção
das sanções coercitivas, abandonando-se as punitivas. Quando o
um Estado viola normas internacionais, há um conjunto de medidas
unilaterais que buscam forçar o Estado violador a cumprir com suas
obrigações. O nome desse conjunto de medidas é a contramedida.
Na prática, as contramedidas são medidas de represálias com
ênfase nas medidas de cunho econômico. Cada Estado decide (pela
sua vontade discricionária) se vai utilizar ou não de tais medidas
contra o Estado violador de Direitos.

3.4 RESPONSABILIDADE CIVIL DO


ESTADO EM CASO DE MORTE DE
DETENTO
Trata-se de um tema que revolta muita gente, mas, amigo, não
estamos aqui para discutir nossas opiniões, mas sim porque você
quer ser Policial Rodoviário Federal, não é mesmo?
Então vamos lá....
A Responsabilidade civil do Estado pode ser caracterizada
como a obrigação que a Administração Pública tem de indenizar os
danos patrimoniais ou morais que seus agentes, atuando nesta
qualidade, causarem a terceiros.
Importante consignar que a responsabilidade civil do Estado
é objetiva. Veja o que diz a CF:
Art. 37 (...)
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a

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terceiros, assegurado o direito de regresso contra o


responsável nos casos de dolo ou culpa.
Veja que o dolo e a culpa são exigidos apenas para a ação de
regresso. Portanto, contra o Estado não se exige a demonstração de
dolo ou culpa. Por isso se diz que a responsabilidade é objetiva.
Se um detento é morto dentro da unidade prisional, haverá
responsabilidade civil do Estado?
Sim, pois conforme o art. 5º, XLIX, da CF, é assegurado aos
presos o respeito à integridade física e moral. Desse modo, poderá
o poder público indenizar pelos danos que o preso venha a sofrer,
independentemente de o Estado ter agido com dolo ou culpa, já que
a responsabilidade é objetiva.
E se o preso tiver em uma situação degradante, cabe
indenização?
Sim, veja esta notícia retirada do site do STF, em fevereiro de
2017:
“O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu, nesta quinta-
feira (16), que o preso submetido a situação degradante e a
superlotação na prisão tem direito a indenização do Estado
por danos morais. No Recurso Extraordinário (RE) 580252,
com repercussão geral reconhecida, os ministros
restabeleceram decisão que havia fixado a indenização em
R$ 2 mil para um condenado. ”

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4. DIREITOS HUMANOS NA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Chegamos, agora, a uma das partes mais importantes de nosso
estudo. Você, que será em breve um Policial Rodoviário Federal,
deve saber o que nossa lei maior diz sobre os Direitos Humanos,
pois toda ação policial deve se ater a preservar e garantir tais
direitos.
Sendo assim, em nosso estudo devemos focar nossas energias
nos dispositivos constitucionais mais importantes sobre direitos
humanos. Vamos lá!

4.1 PREVALÊNCIA DOS DIRIETOS


HUMANOS (art. 4º, II, da CF)
Nossa Constituição determina que a República Federativa do
Brasil, nas suas relações internacionais, deverá se guiar pelo
princípio da prevalência dos direitos humanos. Mas, na prática,
o que significa isso?
Na prática, significa que o Brasil está mandando o seguinte
recado para os outros países: "então, galera, nós aqui no Brasil nos
comprometemos com os Direitos Humanos e os colocamos em
primeiro lugar nas nossas relações". É como se fosse um "selo
Direitos Humanos" ter uma regra constitucional assim.
Um aviso: para nosso concurso só importa o que está escrito
na CF, pouco importando o descompasso que possa existir com a
realidade.

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4.2 INVERTENVEÇÃO FEDERAL


POR VIOLÇÃO A DIREITOS
HUMANOS
Conforme determina o art. 34, VII, “b”, os direitos da pessoa
humana são considerados como princípios sensíveis da
Constituição Federal. O que significa isso? Significa que se houver
violação aos direitos humanos por parte dos Estados, a União
poderá realizar uma intervenção federal.

4.3 FEDERALIZAÇÃO DOS


CRIMES CONTRA DIREITOS
HUMANOS (art. 109, V-A e §5º)
Quando ocorre uma violação a Direito Humano no território
brasileiro, quem se responsabiliza no Plano Internacional é a
União, nos termos do art. 21, I, da CF. Sendo assim, se um pequeno
Município do interior brasileiro violar os Direitos Humanos e a
União não tiver culpa alguma, ainda assim será ela a responsável
no plano internacional.
Assim sendo, a União deve ter mecanismos para controlar o
respeito aos Direitos Humanos. Um dos instrumentos é a
federalização dos crimes contra Direitos Humanos, envolvendo
casos mais graves:
“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
(...)
V-A – as causas relativas a direitos humanos a que se refere
o §5º deste artigo;
(...)

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§5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o


Procurador-Geral da República, com a finalidade de
assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de
tratados internacionais de direitos humanos dos quais o
Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior
Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou
processo, incidente de deslocamento de competência para a
Justiça Federal”.
O que seria uma grave violação de direitos humanos?
Exemplos: tortura; homicídio motivado por preconceito de raça,
sexo etc. Todos esses casos são graves e podem motivar o
deslocamento da competência para a Justiça Federal, desde que
obedecidos os demais requisitos.
É muito importante que você memorize os requisitos para a
federalização de crime violador dos direitos humanos:
Grave violação de direitos humanos
Necessidade de assegurar o cumprimento das
obrigações decorrentes de tratados internacionais
O pedido deve ser realizado pelo PGR em qualquer fase
do inquérito ou processo perante o STJ

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5. INSTITUCIONALIZAÇÃO
DOS DIREITOS E GARANTIAS
FUNDAMENTAIS

O que estudaremos a seguir é assunto que deve ser


aprofundado no estudo de Direito Constitucional. Em nosso estudo
focaremos no que é mais importante para a prova de Direitos
Humanos.
De qualquer sorte, aconselhamos fortemente que você leia
todos os artigos constitucionais mencionados uma, duas, três ou
quantas vezes forem necessárias até que você memorize os
aspectos principais.
É importante que você saiba que os direitos e garantias
fundamentais são para todos, valendo inclusive para o estrangeiro
que esteja de passagem pelo Brasil, em virtude da princípio da
primazia dos direitos humanos nas relações internacionais do
Brasil (art. 4º, II, da CF).
Além disso, os Direitos Fundamentais não valem apenas entre
o Estado x Indivíduos (eficácia vertical dos direitos fundamentais),
mas também entre Indivíduos x Indivíduos (eficácia horizontal dos
direitos fundamentais).

5.1 NOÇÕES GERAIS


Primeiramente, é importante que você saiba que nenhum
direito fundamental é absoluto. Nem mesmo o direito à vida é
absoluto, já que a própria Constituição Federal admite a pena de
morte no caso de Guerra Declarada (art. 5º, XLVII).
Outra característica importante dos direitos fundamentais é a
vedação ao retrocesso: os direitos devem sempre avançar. A

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legislação pode até modificar os direitos fundamentais, mas sempre


para deixá-lo mais forte.
Os direitos e garantias fundamentais foram instituídos na
Constituição Federal brasileira no Título II, estando divididos nos
seguintes grupos de direitos:
 Direitos e deveres individuais e coletivos:
o Previsão – em maior peso no art. 5º da CF.
o Constituem as liberdades negativas, ou seja,
determinam um “não fazer do Estado”. Ex.: tenho
o direito de ir e vir e o Estado não pode intervir
nessa liberdade.
 Direitos sociais:
o Previsão – art. 6º a 11 da CF.
o São as chamadas liberdades positivas. Significa
que o estado tem o dever de realizar um “fazer”
em benefício do cidadão.
o São característicos de um Estado Social.
 Direitos de nacionalidade:
o Previsão – arts. 12 e 13 da Constituição.
o Nacionalidade é o vínculo jurídico de direito
público interno entre uma pessoa e um Estado.
o A nacionalidade significa que um indivíduo
possui determinados direitos em relação ao Estado
de que é nacional, tais como: direito de residir,
votar e ser votado, direito de não ser expulso etc.
o No Brasil, prevalece o critério ius soli: ou seja, é
brasileiro quem nasce no território nacional, como
regra.
 Direitos políticos:
o Previsão – art. 14 da CF.
o São denominados direito de cidadania, tendo em
vista que regulam a participação popular nos
rumos da nação.
 Partidos políticos:

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o Previsão – art. 17 da CF.


o Os partidos políticos, de acordo com a CF, têm
liberdade de criação, fusão, incorporação e
extinção de partidos político.

5.2 DIMENSÕES DE DIREITOS


FUNDAMENTAIS
No início, falava-se em gerações de Direitos Fundamentais.
Todavia, a ideia de geração passa a impressão de que quando se
muda de geração a que fica para trás não mais existe. Por isso,
prefere-se o uso da expressão “dimensão de direitos fundamentais”,
pois todas as dimensões coexistem.
Direitos Fundamentais de 1ª Dimensão:
Há um foco nas liberdade individuais em relação ao Estado,
ou seja, há uma abstenção do Estado na interferência da vida do
indivíduo. Tais direitos, abarcados na primeira dimensão, estão
relacionados às liberdades públicas e aos direitos políticos, focando
na liberdade.
O titular dos direitos da primeira dimensão é o indivíduo. São
direitos de resistência frente ao Estado.
Alguns documentos históricos podem ser mencionados como
precursores dos direitos fundamentais de primeira dimensão,
conforme ensina Pedro Lenza (você não precisa memorizar a lista
abaixo – o objetivo é contextualizar):
Magna Carta de 1215
Paz de Westfália (1648)
Habbeas Corpus Act (1679)
Bill of Rights (1688)
Declaração Americana e Francesa
Como exemplo de direito fundamental de primeira dimensão
podemos citar o direito de ir e vir.

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Direitos Fundamentais de 2ª Dimensão:


Lembra-se das suas aulas de história que mostrava as
precárias condições de trabalho no século XIX durante a revolução
industrial? Não mais havia escravos, todavia, para sobreviver,
muitas pessoas chegavam a trabalhar 20h sem descanso. Fora isso,
não havia qualquer amparo em caso de acidentes ou problemas de
saúde, surgindo uma massa de pessoas em situação de extrema
vulnerabilidade e pobreza.
Por isso, por meio de movimentos sociais, como a Comuna
de Paris, em 1848, e o Movimento Cartista, ocorrido na Inglaterra,
a população exigiu que o Estado fornecesse aos cidadãos uma
proteção, com direitos sociais, culturais e econômicos, bem como
direitos coletivos, correspondendo aos direitos de igualdade.
Dentro dessa ideia de direitos da segunda dimensão, podemos
citar:
Constituição do México, de 1917;
Constituição de Weimar, de 1919, na Alemanha.
Se nos direitos de primeira dimensão queria-se uma omissão
do Estado em relação ao indivíduo, nos direitos da segunda
dimensão, pelo contrário, buscava-se uma atitude. São direitos de
titularidade coletiva e com caráter positivo, pois exigem atuações
do Estado.
Direitos Fundamentais de 3ª Dimensão:
Com o avanço da sociedade, surgem novas preocupações
mundiais: preservação ambiental, proteção dos consumidores etc.
Nesta dimensão de direitos, o ser humano passa a pertencer à
coletividade, surgindo a ideia de direitos ligados à solidariedade e
fraternidade. São direitos transindividuais, em rol exemplificativo,
destinados à proteção do gênero humano.
Bonavides identifica os seguintes direitos da 3ª Dimensão:

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Direito ao desenvolvimento;
Direito ao meio ambiente;
Direito de propriedade sobre o patrimônio comum da
humanidade;
Direito de comunicação.
Direitos Fundamentais de 4ª Dimensão
Tais direitos, segundo Bonavides, decorrem da globalização
dos direitos fundamentais. Há uma ideia de globalização política,
de universalidade (eu sei, é confuso mesmo, mas memorize as
palavras-chaves).
Os exemplos de direitos de 4ª Dimensão:
Democracia
Informação
Pluralismo.

5.3 RESTRIÇÕES DE DIREITOS


FUNDAMENTAIS
Nossa Constituição Federal prevê dois momentos em que os
direitos fundamentais serão restringidos. Tais hipóteses estão
relacionados a momentos de crise. São elas: estado de defesa e
estado de sítio.
O estado de defesa (previsto no art. 137 da CF) é uma medida
menos severa que o estado de sítio (previsto no art. 137 e 138 da
CF). Enquanto no estado de sítio exige-se autorização do
Congresso Nacional para ser decretado, no de defesa não.
Os pressupostos para a utilização do estado de defesa são
grave ou iminente instabilidade institucional ou calamidades de
grandes proporções da natureza. Os direitos fundamentais que
podem ser restringidos no estado de defesa são:
a) reunião, ainda que exercida no seio das associações;

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b) sigilo de correspondência;
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;
d) garantia da prisão somente em flagrante delito ou por
ordem de autoridade judicial competente pelo prazo
máximo de 30 dias, prorrogável uma vez por igual período
(o prazo da prisão não poderá exceder 10 dias, salvo se o
Judiciário autorizar, sendo vedada a incomunicabilidade
do preso).
O estado de sítio envolve medidas mais severas. Por isso,
necessita de autorização do Congresso Nacional, por maioria
absoluta. Tem cabimento em situação de comoção grave de
repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a
ineficácia de medida tomada durante o estado defesa. Outra
hipótese de cabimento é no caso de declaração de guerra ou de
resposta a agressão armada estrangeira.
No caso de estado de sítio decretado em decorrência de
comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que
comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de
defesa, somente poderão ser tomadas as seguintes medidas:
a) obrigação de permanência em localidade determinada;
b) detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por
crimes comuns;
c) restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo
das comunicações, à prestação de informações e à liberdade de
imprensa, radiodifusão e televisão, na forma da lei;
d) suspensão da liberdade de reunião;
e) busca e apreensão em domicílio;
f) intervenção nas empresas de serviços públicos;
g) requisição de bens.
Já no caso de estado de sítio decretado em decorrência de
declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada
estrangeira, todos os direitos e garantias fundamentais poderão ser
restringidos, devendo, contudo, haver previsão acerca disso no
decreto presidencial, após autorização do Congresso.

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6. POLÍTICA NACIONAL DOS


DIREITOS HUMANOS
Após a ditadura, com o retorno do governo civil, percebeu-se
a necessidade de adoção de uma Política Nacional de Direitos
Humanos, em 1985, com o objetivo de se desenvolver políticas
públicas para a afirmação dos direitos humanos na sociedade
brasileira. Com o Governo FHC, houve uma intensificação no
desenvolvimento da Política Nacional de Direitos Humanos.
Apesar do Brasil figurar entre as 10 maiores economias do
mundo, é apenas o 79º no ranking de desenvolvimento humano,
conforme relatório de Desenvolvimento Humano dos Programas
das Nações Unidas. Portanto, é necessária a implementação de uma
política forte de desenvolvimento dos Direitos Humanos.
Ministério dos Direitos Humanos
É o órgão responsável por implementar, promover e assegurar
os direitos humanos no Brasil. O órgão foi criado pelo FHC em
1997, na forma de Secretaria de Direitos Humanos. No Governo
Dilma foi elevado ao Ministério. Recentemente, o Governo Temer
havia extinto o Ministério dos DH. Todavia, em fevereiro de 2017
voltou atrás, recriando-o.

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7. PROGRAMAS NACIONAIS
DE DIREITOS HUMANOS
A busca por uma melhor qualidade de vida para os cidadãos
brasileiros começa pela implementação de uma política pública de
direitos humanos, que busque aproximar nosso desenvolvimento
econômico do desenvolvimento humano.
Os Programas Nacionais de Direitos Humanos (PNDH)
constituem o primeiro passo para o desenvolvimento de uma
política de valorização dos Direitos Humanos. Até a presente data,
o Governo já elaborou três PNDH’s.

Dica: A competência administrativa de realizar políticas


públicas de implementação dos direitos humanos é comum a
todos os entes federados, conforme se extrai do art. 23, X, da
CF/88:
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios:
(...)
X - combater as causas da pobreza e os fatores de
marginalização, promovendo a integração social dos setores
desfavorecidos;
Assim sendo, os Estados e Municípios também podem criar
programas de direitos humanos.

PNDH-1 (Decreto nº 1904, de 1996)


O primeiro PNDH, elaborado juntamente com a sociedade
civil por meio de debates, tinha como meta realizar um diagnóstico
da situação dos Direitos Humanos no Brasil, bem como verificar

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as medidas para a sua defesa e promoção (conforme art. 1º, do


Decreto nº 1904). Portanto, a missão do PNDH identificar os
problemas de direitos humanos e executas, a curto, médio e longo
prazo as medidas de promoção e defesa desses direitos.
Importante: o PNDH não possui força cogente, ou seja, não é
obrigatório que se obedeça a suas disposições, já que é mero
decreto presidencial que busca dar fiel execução às leis. Todavia,
serve como importante orientação para as ações governamentais.
O PNDH-1 é bastante voltado à garantia de proteção dos
direitos civis, tendo foco no combate à impunidade e à violência
policial. Adotou também como meta a adesão brasileira aos
tratados de direitos humanos.
Podemos apontar como fruto do PNDH-1:
 Reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas
em razão de participação política, com indenização às
famílias (Lei nº 9140/95);
 Transferência da justiça militar para justiça comum dos
crimes dolosos contra a vida praticados por policiais
militares (Lei nº 9299/96);
 Tipificação do crime de tortura (Lei nº 9455/97)
 Proposta de emenda constitucional sobre a reforma do
Poder Judiciário, na qual se inclui a chamada
“federalização” dos crimes de direitos humanos.
PNDH-2 (Decreto nº 4229, de 2002)
Assim como o PNDH-1, foi elaborado a partir do diálogo com
a sociedade civil, incluindo consulta pública por meio da internet,
tendo como ênfase os direitos sociais em sentido amplo.
Enquanto o PNDH-1 concentrou-se nos direitos civis
(lembre-se, a ditadura havia acabado de terminar), o PNDH-2
focou nos problemas sociais e nos grupos vulneráveis, lançando
518 tipos de ações governamentais.

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PNDH-3 (Decreto nº 7037, de 2009)


É o único programa que ainda está em vigor. O PNDH-3,
assim como seus antecessores, também contou com a participação
da sociedade civil. Foi dividido em seis eixos orientadores, 25
diretrizes, 82 objetivos estratégicos e 521 linhas de ações. O
PNDH-3 foi muito mais detalhista que os anteriores e previa
algumas ideias, como: descriminalização do aborto, laicização do
Estado, responsabilidade social dos meios de comunicação,
conflitos sociais no campo e repressão política da ditadura militar.
Em relação ao aborto, o texto do PNDH-3 previa: “Apoiar a
aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto,
considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus
corpos”. Após repercussão negativa, o Governo alterou o texto para
o seguinte: “considerar o aborto tema de saúde pública, com a
garantia do acesso aos serviços de saúde”.
Necessário destacar, ainda, que foi criado o Comitê de
Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3, com objetivo de
monitorar as ações. Objetivava-se, com isso, que o programa não
fosse apenas uma folha de papel, mas que efetivamente fosse um
instrumento para a implantação dos Direitos Humanos.
Por fim, para nosso estudo é imprescindível a leitura da tabela
abaixo, que trata dos eixos e diretrizes do PNDH-3.
Dica: Leia três vezes a tabela abaixo e, próximo à prova da
PRF leia mais outras três vezes.

EIXOS E DIRETRIZES DO PNDH-3

EIXO ORIENTADOR DIRETRIZES


I - Eixo Orientador I: a) Diretriz 1: Interação
Interação democrática entre democrática entre Estado e
Estado e sociedade civil: sociedade civil como
instrumento de fortalecimento
da democracia participativa;

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b) Diretriz 2: Fortalecimento
dos Direitos Humanos como
instrumento transversal das
políticas públicas e de interação
democrática; e
c) Diretriz 3: Integração e
ampliação dos sistemas de
informações em Direitos
Humanos e construção de
mecanismos de avaliação e
monitoramento de sua
efetivação;
II - Eixo Orientador II: a) Diretriz 4: Efetivação de
Desenvolvimento e Direitos modelo de desenvolvimento
Humanos: sustentável, com inclusão
social e econômica,
ambientalmente equilibrado e
tecnologicamente responsável,
cultural e regionalmente
diverso, participativo e não
discriminatório;
b) Diretriz 5: Valorização da
pessoa humana como sujeito
central do processo de
desenvolvimento; e
c) Diretriz 6: Promover e
proteger os direitos ambientais
como Direitos Humanos,
incluindo as gerações futuras
como sujeitos de direitos;
III - Eixo Orientador III: a) Diretriz 7: Garantia dos
Universalizar direitos em um Direitos Humanos de forma
contexto de desigualdades: universal, indivisível e
interdependente, assegurando a
cidadania plena;
b) Diretriz 8: Promoção dos
direitos de crianças e

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adolescentes para o seu


desenvolvimento integral, de
forma não discriminatória,
assegurando seu direito de
opinião e participação;
c) Diretriz 9: Combate às
desigualdades estruturais; e
d) Diretriz 10: Garantia da
igualdade na diversidade;
IV - Eixo Orientador IV: a) Diretriz 11: Democratização
Segurança Pública, Acesso à e modernização do sistema de
Justiça e Combate à segurança pública;
Violência: b) Diretriz 12: Transparência e
participação popular no sistema
de segurança pública e justiça
criminal;
c) Diretriz 13: Prevenção da
violência e da criminalidade e
profissionalização da
investigação de atos
criminosos;
d) Diretriz 14: Combate à
violência institucional, com
ênfase na erradicação da tortura
e na redução da letalidade
policial e carcerária;
e) Diretriz 15: Garantia dos
direitos das vítimas de crimes e
de proteção das pessoas
ameaçadas;
f) Diretriz 16: Modernização da
política de execução penal,
priorizando a aplicação de
penas e medidas alternativas à
privação de liberdade e
melhoria do sistema
penitenciário; e

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g) Diretriz 17: Promoção de


sistema de justiça mais
acessível, ágil e efetivo, para o
conhecimento, a garantia e a
defesa de direitos;
V - Eixo Orientador V: a) Diretriz 18: Efetivação das
Educação e Cultura em diretrizes e dos princípios da
Direitos Humanos: política nacional de educação
em Direitos Humanos para
fortalecer uma cultura de
direitos;
b) Diretriz 19: Fortalecimento
dos princípios da democracia e
dos Direitos Humanos nos
sistemas de educação básica,
nas instituições de ensino
superior e nas instituições
formadoras;
c) Diretriz 20: Reconhecimento
da educação não formal como
espaço de defesa e promoção
dos Direitos Humanos;
d) Diretriz 21: Promoção da
Educação em Direitos
Humanos no serviço público; e
e) Diretriz 22: Garantia do
direito à comunicação
democrática e ao acesso à
informação para consolidação
de uma cultura em Direitos
Humanos; e
VI - Eixo Orientador VI: a) Diretriz 23: Reconhecimento
Direito à Memória e à da memória e da verdade como
Verdade: Direito Humano da cidadania e
dever do Estado;

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b) Diretriz 24: Preservação da


memória histórica e construção
pública da verdade; e
c) Diretriz 25: Modernização da
legislação relacionada com
promoção do direito à memória
e à verdade, fortalecendo a
democracia.

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8. GLOBALIZAÇÃO E
DIREITOS HUMANOS
Globalização é um processo de integração, em nível mundial,
em relação aos aspectos econômicos, sociais, políticos e culturais.
Tudo isso está relacionado a uma redução de distâncias temporais
e espaciais, com o desenvolvimento tecnológico. Como
consequência, há uma ruptura do protecionismo interno dos
Estados.
O processo de desenvolvimento da globalização pode ser
dividido em 04 fases:
1ª Fase: século XV até a Revolução Industrial
2ª Fase: Revolução Industrial até a 2ª Guerra Mundial
3ª Fase: 2ª Guerra Mundial até 1989 (Guerra Fria).
4ª Fase: Nova Ordem Mundial.
Na última fase há uma grande expansão da globalização, a
qual traz benefícios e prejuízos. Tivemos melhorias no transporte,
no acesso à informação e o maior desenvolvimento da tecnologia.
Características da Globalização:
Pilares da Globalização: capital e tecnologia.
Consumo.
Formação de Blocos Econômicos (Regionais) –
destaque para a União Europeia, que possui moeda
única.
Internacionalização dos fluxos de capitais.
Empresas Transnacionais.
Importante apontar o fortalecimento das empresas
transacionais com a globalização, fazendo com que surgisse uma
nova divisão internacional do trabalho. As grandes empresas, com
sedes nos países desenvolvidos, fixam suas fábricas nos países

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subdesenvolvidos, em face da mão de obra mais barata, remetendo


o lucro novamente para os países desenvolvidos.
Agora, focando no aspecto dos Direitos Humanos, podemos
afirmar que globalização, a partir do momento em que facilitou a
comunicação entre os povos, tornou mais fácil e célere as
denúncias por violação a Direitos Humanos. Dessa forma, é como
se os Direitos Humanos pudessem mais facilmente serem
fiscalizadas por todos.
Por outro lado, com a facilitação dos transportes, também
ocorreram diversos crimes relacionados à globalização, como o
tráfico de drogas, de armas e de pessoas. Buscando combater esses
crimes transacionais, o Brasil aderiu à Convenção de Palermo, que
combate o tráfico em suas diversas formas.
Desse modo, fruto da Globalização, foi a intensificação da
proteção em nível internacional dos Direitos Humanos, por meio
de Tratados, Pactos e tribunais internacionais.

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9. AS TRÊS VERTENTES DA
PROTEÇÃO INTERNACIONAL
DA PESSOA HUMANA
Podemos falar que existem dois “tipos” de direitos humanos.
Em sentido estrito, DH’s são aqueles garantidos em tempos de paz.
Já em sentido amplo, os DH seriam compostos pelo Direito
Humanitário e pelo Direito dos Refugiados.

9.1 DIREITOS HUMANOS


Os povos tendem, por natureza, a dominar os mais fracos,
impondo a lei do mais forte. Para conter os excessos da
humanidade, são necessárias regras jurídicas, trazendo civilização
ao estado da barbárie. Como se sabe, se não houver freios, o
homem tende a explorar, escravizar e causar o mal. Basta olhar para
a história da humanidade e perceber todas as atrocidades que o
homem já cometeu.
Partindo desse pressuposto, de que o homem tende a causar o
mal, é necessária a adoção de um conjunto de regras e ideias
capazes de afastar esse estado maléfico do aspecto humano.
Conforme aponta Ricardo Castilho, “um dos fatores mais
relevantes dos últimos séculos, no sentido de refinar o
comportamento do homem, em sociedade, foram, precisamente, os
direitos humanos”.
Mas, objetivamente, o que você deve fixar para concurso é:
os Direitos Humanos, em sentido estrito, são um conjunto de
atividades que buscam assegurar ao homem a dignidade e evitar
que passe sofrimentos.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, elaborada em
1948 após a Segunda Guerra Mundial, determina que todas as
pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos, são dotadas
de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA PARA A PRF - 1ª Edição 39
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espírito de fraternidade; que toda pessoa tem capacidade para gozar


os direitos e liberdades estabelecidas na Declaração, sem distinção
de qualquer espécie (raça, cor, sexo, língua, religião, opinião
política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza,
nascimento, ou qualquer condição); e que toda pessoa tem direito
à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Direitos Humanos X Direitos Fundamentais
Parte da doutrina distingue os direitos humanos (DH’s) dos direitos
fundamentais (DF’s). Os DF’s seriam aqueles positivados, ou seja,
reconhecidos pelos Estados e existentes nas leis e constituições
nacionais. Já os DH’s seriam aqueles previstos no plano
internacional, ou seja, fora dos Estados.

9.2 DIREITO HUMANITÁRIO


Durante a Primeira Guerra Mundial diversos combatentes e
civis foram vítimas de situações de crueldade extrema. Com a
segunda Grande Guerra, novas atrocidades se repetiram, o que
levou diversos países a elaborar a Convenção de Genebra, a qual é
formada por outras quatro convenções:
 Convenção para a Melhoria da Sorte dos Feridos,
Enfermos e dos Exércitos em Campanha;
 Convenção para a Melhoria da Sorte dos Feridos,
Enfermos e Náufragos das Forças Armadas no Mar;
 Convenção para a Proteção dos Prisioneiros de Guerra
e Convenção para a Proteção dos Civis em Tempos de
Guerra.
A Convenção de Genebra buscou, portanto, regrar o
tratamento dos prisioneiros de guerra e da população civil dos
países em conflito. Buscou-se asseguras os Direitos Fundamentais.
Podemos definir o Direito Humanitário como:
regulamentação jurídica do emprego da força e violência no âmbito

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internacional, impondo uma limitação à atuação dos Estados


perante os indivíduos diante de uma situação e conflito.

9.3 DIREITO DOS REFUGIADOS


Surgido após a Segunda Guerra Mundial, em 1951 a ONU
promulgou a Convenção que trata do Estatuto dos Refugiados.
Buscou-se que os países acolhessem e protegessem pessoas que
fossem perseguidas em suas terras de origem em virtude de: raça,
religião, nacionalidade, filiação a certo grupo social ou em razão
de suas opiniões políticas.
A Convenção determina que o refugiado deverá obedecer às
leis do país que lhe oferecer refúgio e terá direito a não ser
discriminado quanto à raça, religião ou país de origem, podendo
continuar a residir no país asilante.

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10. A CONSTITUIÇÃO BRASI-


LEIRA E OS TRATADOS
INTERNACIONAIS DE DIREI-
TOS HUMANOS
Galera, esse tema é muito importante em concurso público.
Então, não preciso nem dizer né... Atenção total!
Primeiro: é importante que você tenha uma noção de
hierarquia das normas. Faremos isso brevemente aqui, apenas para
que você possa entender o assunto. Se já sabe, pule para o próximo
parágrafo.
Vamos lá! A Constituição Federal está no topo da hierarquia
das normas. Nenhuma norma pode se sobrepor à CF. Abaixo da CF
estão todas as leis, as quais devem obedecer à CF, seja lei ordinária
ou lei complementar. E abaixo das leis estão os Decretos, os quais
devem obedecer às leis e à CF. Então, como regra, esse é o
panorama:

Constituição Federal

Leis Ordinárias e
Complementares
Decretos, Portarias, Resoluções,
etc.

A Constituição Federal possui normas originárias e


derivadas. As primeiras, foram inseridas na Constituição pelo
próprio Poder Constituinte Originário, no caso o Poder Legislativo
ao criar a CF. Já as derivadas são fruto de uma necessidade de

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atualização do texto constitucional, a fim de manter a sua


atualidade, sendo materializadas em emendas de revisão e emendas
constitucionais.
As normas constitucionais originárias servem de parâmetro
para todas as outras normas, inclusive para as Emendas à
Constituição. Assim, as EC devem respeitar as normas
constitucionais originárias. Portanto, há uma diferença entre
normas constitucionais originárias e emendas constitucionais.
Desde 2004, a nossa pirâmide hierárquica sofreu uma
modificação. A Constituição Federal, por meio de uma Emenda
Constitucional de 2004, em seu art. 5º, §3º, nos diz que: os tratados
e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros,
serão equivalentes às Emendas Constitucionais. Memorize isso!
Podemos citar como exemplo de convenção/tratado
internacional sobre Direitos Humanos com equivalência à Emenda
Constitucional a “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência e de seu Protocolo Facultativo”.
Portanto, se o Tratado for aprovado conforme prevê a CF e
versar sobre Direitos Humanos, terá ele a mesma força que uma
Emenda à Constituição.
E como fica a situação de um tratado/convenção sobre
direitos humanos que não tenha sido aprovado conforme a regra do
art. 5º, §3º, da CF?
Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, se o
tratado ou convenção internacional sobre direitos humanos tiver
sido aprovado antes de 2004, ou seja, antes da regra do art. 5º, §3º,
da CF, terá ele valor supralegal, ou seja, abaixo da Constituição
Federal, mas acima de todas as leis. Este tema é bastante cobrado
em concurso público!

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Por outro lado, se o tratado ou convenção internacional não


for sobre direitos humanos, ele terá força de lei ordinária.
Então a nossa pirâmide ficaria assim:

Constituição Federal e
Tratados/convenções sobre DH
aprovados conf. Art. 5º, §3º, da
CF
Tratados/convenções sobre DH não
aprovados conf. Art. 5º, §3º, da CF

Leis Ordinárias e Complementares,


Tratados e Convenções
Internacionais
Decretos, Portarias, Resoluções, etc.

Cuidado! Os tratados

Cuidado! Tratados e convenções sobre DH aprovados


conforme o art. 5º, §3º, da CF, não equivalem a normas
constitucionais originárias, mas a emendas constitucionais,
ou seja, normas constitucionais derivadas.
A questão do Depositário Infiel
A CF, no art. 5º, LXVII, afirma que não é admitida a prisão
civil por dívida, salvo no caso de obrigação alimentícia e no caso
de depositário infiel. Portanto, de acordo com a CF, seria possível
a prisão do depositário infiel.
Ocorre que o Pacto de São José da Costa Rica, que versa
sobre Direitos Humanos, em seu art. 7º, parágrafo 7º, proíbe a
prisão civil por dívida, excetuado o devedor voluntário de pensão

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alimentícia. O Pacto de São José não foi aprovado nos termos do


art. 5º, §3º, da CF, logo tem status supralegal. Por isso, todas as leis
que o contrariem estão revogadas.
Assim, embora a Constituição Federal permita, é necessário
que uma lei diga como seria a prisão do depositário infiel. Todavia,
tal lei iria contrariar o Pacto. Assim sendo, decidiu o STF que não
é possível a prisão do depositário infiel.
A questão é um pouco confusa, mas o importante a
memorizar é:
1. O Pacto de São José da costa Rica tem status supralegal.
2. Não é possível a prisão do depositário infiel, pois
qualquer lei que afirma que a prisão é possível irá
contrariar o Pacto de São José.

Introdução de um Tratado no ordenamento jurídico brasileiro


O processo de internalização de um Tratado começa depois
da assinatura, quando o Ministro das Relações Exteriores
encaminha uma Exposição de Motivos ao Presidente da República.
O Presidente, após receber o documento, se concordar com o
tratado, encaminha uma Mensagem ao Congresso Nacional. No
Congresso, o tratado será examinado na Câmara dos Deputados e
depois no Senado Federal. Uma vez aprovado, o Congresso emite
um Decreto Legislativo.
O ato seguinte é a ratificação pelo Presidente da República e,
por fim, a promulgação por meio de decreto de execução, também
de competência do Chefe do Poder Executivo da União

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11. APLICAÇÕES DA
PERSPECTIVA SOCIOLÓGICA
A TEMAS E PROBLEMAS
CONTEMPORÂNEOS DA
SOCIEDADE BRASILEIRA

11.1 A IGUALDADE JURÍDICA


A Constituição Federal prevê:
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes (...).
É importante referir que a igualdade ela não é
necessariamente matemática, ou seja, não implica em distribuir os
bens sociais em porções iguais a cada pessoa. Se determinado
cidadão é rico, ele necessita de menos bens sociais do que outro
que é pobre. Da mesma forma uma pessoa cega irá necessitar de
muito mais bens sociais do que alguém que possui capacidade
física plena.
Se os bens sociais fossem distribuídos de forma
matematicamente igual para todos, teríamos apenas uma igualdade
formal. Todavia, buscamos mais que isso, queremos uma igualdade
material, ou seja, substancial. Conforme ensinou Rui Barbosa,
devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais,
na medida de suas desigualdades.

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Em virtude do princípio da igualdade material, ou da


equidade, quando você for aprovado na prova objetiva e na
redação, você será convocado para o TAF e lá verificará que há
uma diferença nos índices: para os homens são exigidos índices
mais severos do que para as mulheres, em função da maior força
física que possuem os indivíduos do sexo masculino.
Não entendeu?
Então veja a imagem abaixo e entenderá:
Igualdade Formal Igualdade Material (equidade)

11.2 OS DIREITOS DE CIDADANIA


A cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis,
políticos e sociais estabelecidos na Constituição de um país. A
cidadania também pode ser definida como a condição do cidadão,
indivíduo que vive de acordo com um conjunto de estatutos
pertencentes a uma comunidade politicamente e socialmente
articulada.
Na prática, cidadania significa poder participar da vida
política de um país, tendo direitos e deveres, em virtude do status
de cidadão.
No ordenamento jurídico brasileiro há diversos direitos de
cidadania, incluindo o Estatuto da Criança e do Adolescente e o

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Código de Defesa do Consumidor. Todos os direitos de cidadania


derivam dos direitos previstos na Constituição Federal.
Vamos destacar aqui os principais direitos de cidadania:
Todos são iguais perante a lei.
Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa senão em virtude de lei.
Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento
humano degradante.
São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e
a imagem das pessoas, assegurando o direito de
indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação.
A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela
podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo
em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou durante o dia, por determinação judicial.
É plena a liberdade de associação para fins lícitos,
vedada a de caráter paramilitar.
O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do
consumidor.
Todos têm direito a receber dos órgãos públicos
informações de interesse particular, ou de interesse
coletivo geral, que serão prestadas na lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.
São a todos assegurados, independentemente do
pagamento de taxas: o direito de petição dos poderes
públicos em defesa dos direitos ou contra a ilegalidade
ou abuso de poder; a obtenção de certidões em
repartições públicas, para defesa de direitos e
esclarecimentos de situações de interesse pessoal.
A prática do racismo constitui crime inafiançável e
imprescritível, sujeito a pena de reclusão, nos termos da
lei.

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É assegurado aos presos o respeito à integridade física


e moral.
Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por
ordem escrita e fundamentada de autoridade judicial
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou
crime propriamente militar, definidos em lei.

11.3 O PLURALISMO JURÍDICO


O pluralismo jurídico está caracterizado na concomitância de
duas ou mais ordens pré-existentes num mesmo Estado. As regras
de condutas no não vem apenas da fonte estatal, mas também de
forças paralelas de outras organizações.
A Igreja, em seu interior, possui regras morais e de conduta
próprias, que diferem das regras que o cidadão comum é
submetido. Na Igreja Católica os padres não podem casar, por
exemplo, tendo uma severa restrição em sua liberdade.
Outro exemplo de uma outra fonte de regras de condutas
paralela é o que o ocorre dentro da Organização Criminosa do PCC:
eles possuem regras próprias e inclusive um tribunal. Para seus
integrantes, as regras do PCC constituem uma outra ordem jurídica
que deve ser obedecida.
Portanto, o pluralismo jurídico é um fenômeno social, e não
legislativo.
Anderson de Souza Prado nos explica, de forma resumida, o
que é o pluralismo jurídico:
“O pluralismo jurídico é composto pela diversidade de
normas que vigem em uma determinada sociedade de forma
simultânea, sendo considerada uma questão social e em partes
como antagonismo ao monismo jurídico, que é o monopólio das
normas jurídicas exercidas pelo Estado. ”
Em alguns casos o próprio Estado reconhece o pluralismo
jurídico. Podemos citar o tratamento constitucional conferido aos

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povos indígenas, aos quais se reconhece o direito de autonomia e


autogoverno nas questões relacionadas aos assuntos locais dos
indígenas.
Nesse sentido, a Constituição Federal Brasileira, nos arts. 231
e 232, reconhece o respeito às formas de organização própria dos
povos indígenas, além de suas crenças costumes, usos e tradições
bem como os direitos originários dos povos indígenas sobre suas
terras.
O CESPE já cobrou este assunto (inclusive na prova da PRF),
então fique atento. Segundo Bobbio, há quatro espécies de ordens
jurídicas não-estatais:
a. ordenamentos acima do Estado, como o ordenamento
internacional e, segundo algumas doutrinas, a Igreja
Católica;
b. ordenamentos abaixo do Estado, propriamente sociais,
reconhecidos pelo Estado e por ele limitados ou
absorvidos;
c. ordenamentos ao lado do Estado, como a Igreja
Católica, conforme determinadas acepções ou a ordem
jurídica internacional, na teoria denominada dualista;
d. ordenamentos contra o Estado, como organizações
criminosas, seitas secretas ou paramilitares.

11.4 O ACESSO À JUSTIÇA


No passado, quando o Estado ainda não era organizado, por
óbvio, não existia a Justiça. Assim, os conflitos eram resolvidos por
meio da força, vencendo o mais forte.
Com a estruturação do Estado, este avocou a solução dos
conflitos e passou a deter o poder de dizer quem tinha o direito,
tendo o monopólio da Justiça. Assim, o vencedor de um conflito
não mais será a parte mais forte, mas sim a parte que possui o
direito.

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Em face do Estado deter o monopólio da Justiça, deverá ele


também propiciar acesso à Justiça. Por isso, a Constituição Federal
prevê a garantia constitucional de acesso à Justiça:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes: XXXV - a lei não excluirá da
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
Para Uadi Lammêgo Bulos, o objetivo da garantia
constitucional do acesso à justiça é “difundir a mensagem de que
todo homem, independente de raça, credo, condição econômica,
posição política ou social, tem o direito de ser ouvido por um
tribunal independente e imparcial, na defesa de seu patrimônio ou
liberdade. ”

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12. PRÁTICAS JUDICIÁRIAS E


POLICIAIS NO ESPAÇO
PÚBLICO
O tópico que vamos iniciar agora é daqueles que se você tiver
bom senso não precisa nem estudar. De qualquer modo, vou lançar
aqui algumas ideias gerais que até quem não possui bom senso vai
matar a questão rsrs.
Vamos nessa, futuro policial...
A atuação policial no espaço público deve partir do seguinte
pressuposto: garantir a segurança de todos com cidadania. O que
significa isso?
Significa que os policiais devem tratar o cidadão de forma
respeitosa, conforme determina o Decreto nº 1.171/94 (Código de
Ética):
XIV – São deveres fundamentais do servidor público:
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção,
respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os
usuários do serviço público, sem qualquer espécie de preconceito
ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião,
cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de
causar-lhes dano moral;
O respeito a tal regra de conduta não significa que, diante de
um infrator social, deverá o policial quedar-se em inércia. Se
preciso for, a força deverá ser utilizada. Todavia, não se pode
confundir o uso legítimo da força, dentro da legalidade, com
truculência.
Outro ponto necessário de destaque nesse tópico é: ao policial
cabe cumprir a lei e fazê-la cumprir. Portanto, não pode o policial
descumprir a legislação valendo-se de seu cargo público.

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É óbvio que, diante de uma situação concreta, o policial


poderá acabar violando algumas regras como do Código de
Trânsito, por exemplo, como num caso de acompanhamento tático
de indivíduos que efetuaram um roubo e estão fugindo pela
rodovia. Há casos em que será necessário até mesmo andar pela
contramão da via.
O que se deve ter em mente é: não se pode violar às normas
sem um motivo que justifique.
Por fim, é importante que você, futuro PRF, saiba que quando
estiver uniformizado, você representa toda a instituição. Então cada
ação sua deve ser acertada, pois um erro poderá condenar toda a
instituição.
Em relação à prática judiciária no espaço público, de
importante temos para destacar os casos de fiscalização da atuação
policial.
Sabemos que, como regra, cabe ao Ministério Público
fiscalizar a atuação policial. Todavia, o Judiciário também poderá
realizar um controle indireto da atividade policial, ao analisar, por
exemplo, as prisões em flagrante efetuadas pelos policiais.
Com esse objetivo (fiscalizar a atuação policial), o Conselho
Nacional de Justiça editou a Resolução nº 213, de 15/12/2015,
dispondo sobre a apresentação de toda pessoa presa à autoridade
judicial no prazo de 24h.
A questão do uso de algemas
Muito importante! Fique ligado.
Conforme a Súmula Vinculante nº 11 do STF, só é lícito o
uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga
ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do
preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito,
sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou
da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se
refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

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Tratando-se de Súmula Vinculante, significa que tal regra


deve ser obedecida pela Administração Pública e seus agentes.
Recentemente, regulando o uso de algemas, o Presidente
Temer editou o Decreto nº 8.858/2016, o qual prevê que é
permitido o emprego de algemas apenas em casos de resistência e
de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria
ou alheia, causado pelo preso ou por terceiros, justificada a sua
excepcionalidade por escrito (art. 2º). Na prática, repetiu-se o que
já havia sido previsto pelo STF.
Dispõe ainda o Decreto que é vedado o emprego de algemas
em mulheres presas em qualquer unidade do sistema penitenciário
nacional durante o trabalho de parto, no trajeto da parturiente entre
a unidade prisional e a unidade hospitalar e após o parto, durante o
período em que se encontrar hospitalizada (art. 3º).

DICA: Pode-se usar as algemas nos casos


PRF: Perigo – Resistência – Fuga

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13. ADMINISTRAÇÃO INSTITU-


CIONAL DE CONFLITOS NO
ESPAÇO PÚBLICO

O tema da Administração institucional de conflitos é bastante


difícil de ser localizado em livros ou apostilas. Por isso, aqui vou
me valer de meu caderno de anotações das aulas de Direitos
Humanos ministradas no Curso de Formação da PRF e em alguns
outros materiais... Vamos nessa!
A Constituição Federal determina, em seu art. 1º, que o Brasil
é um Estado Democrático de Direito. E o que isso significa?
Significa que os cidadãos devem respeitar as leis e os direitos dos
outros. Do contrário, haverá consequências, já que é dever do
Estado garantir a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do
patrimônio.
Como sabemos, as manifestações são livres. Todavia, o
direito de manifestação e protesto não pode ser irrestrito, pois todos
os direitos são limitados por outros direitos. Por isso, em uma
situação de conflito, os policiais devem estar preparados para
atuarem conforme os padrões éticos, com o uso progressivo da
força, e respeitando os direitos humanos e as leis.
Diante de uma situação de conflito, a Administração deve
utilizar da proporcionalidade e razoabilidade para conciliar, por
exemplo, uma manifestação em uma rodovia federal com o direito
de ir e vir das outras pessoas.
Conforme art. 3º do Código de Conduta para os Encarregados
de Aplicação da Lei, “Os funcionários responsáveis pela aplicação
da lei só podem empregar a força quando estritamente necessária e
na medida exigida para o cumprimento do seu dever”.

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Sobre o artigo acima, os responsáveis pelo Código acima


lançaram o seguinte comentário:
“O emprego da força por parte dos funcionários responsáveis
pela aplicação da lei deve ser excepcional. Embora se admita que
estes funcionários, de acordo com as circunstâncias, possam
empregar uma força razoável, de nenhuma maneira ela poderá ser
utilizada de forma desproporcional ao legítimo objetivo a ser
atingido. (...) Em geral, armas de fogo só deveriam ser utilizadas
quando um suspeito oferece resistência armada ou, de algum outro
modo, põe em risco vidas alheias e medidas menos drásticas são
insuficientes para dominá-lo. (...)”
Ainda, sobre os disparos de arma de fogo, veja o que diz a
Portaria Interministerial nº 4226/2010:
“6. Os chamados “disparos de advertência” não são
considerados prática aceitável por não atenderem aos
princípios elencados na Diretriz nº 2 e em razão da
imprevisibilidade de seus efeitos”.
Dispõe ainda:
“4. Não é legítimo o uso de armas de fogo contra pessoa em
fuga que esteja desarmada ou que, mesmo na posse de algum
tipo de arma, não represente risco imediato de morte ou de
lesão grave aos agentes de segurança pública”.
Portanto, amigos, esqueçam aquela ideia de filme. A arma de
fogo só deve ser utilizada no estrito cumprimento do dever legal ou
em legítima defesa, ou seja, para salvar a sua vida ou de outrem de
um risco iminente.
Confirmando o que diz a Portaria Ministerial, em 2014 foi
editada a Lei 13.060, prevendo:
Art. 2º Os órgãos de segurança pública deverão priorizar a
utilização dos instrumentos de menor potencial ofensivo,
desde que o seu uso não coloque em risco a integridade física

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ou psíquica dos policiais, e deverão obedecer aos seguintes


princípios:
I - legalidade;
II - necessidade;
III - razoabilidade e proporcionalidade.
Parágrafo único. Não é legítimo o uso de arma de fogo:
I - contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou que não
represente risco imediato de morte ou de lesão aos agentes
de segurança pública ou a terceiros; e
II - contra veículo que desrespeite bloqueio policial em via
pública, exceto quando o ato represente risco de morte ou
lesão aos agentes de segurança pública ou a terceiros.

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14. ORIENTAÇÕES FINAIS

Então você chegou ao fim, futuro policial! O que mais


gostava de quando estudava para concursos era a sensação de que
a cada página lida, a cada revisão feita, a cada questão resolvida,
enfim, eu estava mais próximo da aprovação.
Você deu um importante passo!
Agora que você chegou aqui, cai dentro no material
complementar. A Constituição Federal você deve dominar!
Em relação aos demais documentos, procure pelo menos
passar os olhos algumas vezes pelos artigos mais importantes.
Muitas vezes a banca formula questões unicamente em cima dos
textos legais, fazendo o famoso CRTL C + CRTL V.
Depois que você estudar o material complementar (ou antes,
você decide), faça as questões abaixo. Lembre-se também de
sempre revisar! Se você não fizer isso, seu conhecimento vai ser
perder.
Desejo todo sucesso do mundo para você!
Aguardo você na PRF!

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15. QUESTÕES
Julgue os itens abaixo como CERTO ou ERRADO:
1. (CESPE/PC-GO/2016) A declaração Universal dos Direitos Humanos não prevê
expressamente instrumentos ou órgãos próprios para sua aplicação compulsória.

2. (CESPE/PC-GO/2016) A Declaração Universal dos Direitos Humanos não


apresenta força jurídica vinculante, entretanto consagra a ideia de que, para ser
titular de direitos, a pessoa deve ser nacional de um Estado-membro da ONU.

3. (CESPE/PC-GO/2016) A Declaração Universal dos Direitos Humanos prevê


expressamente a proteção ao meio ambiente como um direito de todas as gerações,
bem como repudia o trabalho escravo, determinando sanções econômicas aos
Estados que não o combaterem.

4. (CESPE/MTE-Auditor/2013) A Declaração Universal dos Direitos Humanos


proíbe, expressamente, a manutenção de pessoas em regime de escravidão ou de
servidão.

5. (CESPE/TCE-PA/2016) De acordo com o PNDH, toda pessoa tem direito a


instrução, que deverá ser gratuita em todos os níveis de escolaridade.

6. (CESPE/DPU/2016) Com base na desconstrução de heteronormatividade, o


PNDH-3 recomenda que as configurações familiares constituídas por lésbicas,
gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) sejam reconhecidas e incluídas
nos sistemas de informação do serviço público.

7. (CESPE/JUIZ-TJDFT/2016) Acerca da Convenção Americana Sobre Direitos


Humanos, conhecida como Pacto de São José da Costa Rica, pode-se afirmar que:
o preso não será obrigado a executar trabalho forçado ou obrigatório, ainda que o
serviço exigido ocorra em casos de perigo ou de calamidade que ameacem a
existência e o bem-estar da comunidade.

8. (CESPE/JUIZ-TJDFT/2016) Acerca da Convenção Americana Sobre Direitos


Humanos, conhecida como Pacto de São José da Costa Rica, pode-se afirmar que:
o devedor de obrigação alimentar e o depositário infiel poderão ser presos pelas
dívidas contraídas e não quitadas.

9. (CESPE/DPE-RN/2015) De acordo com as Regras Mínimas para o Tratamento


do Preso, da ONU, relativamente aos instrumentos de coação, o uso de algemas e
correntes é vedado, inclusive como medida de precaução contra fuga durante uma
transferência.

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA PARA A PRF - 1ª Edição 59
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10. (FUNCAB/DELEGADO/2016) De acordo com o art. 5⁰, LXVII, da CRFB/1988,


“Não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento
voluntário e inescusável de obrigação alimentar e a do depositário infiel”. A
Convenção Americana sobre Direitos Humanos -Pacto de San José da Costa Rica,
que proíbe a prisão por dívida decorrente do descumprimento de obrigações
contratuais, à qual o Brasil aderiu, foi internalizada com o status de norma
supralegal e infraconstitucional.

11. (CESPE/STJ-ANALISTA/2015) Entre as principais diretrizes do PNDH-3/2009,


no eixo de segurança pública, acesso à Justiça e combate à violência, incluem-se
a democratização e modernização do sistema de segurança pública; a
transparência e participação popular no sistema de segurança pública e justiça
criminal; e o combate à violência institucional, com ênfase na erradicação da
tortura e na redução da letalidade policial e carcerária.

12. (CESPE/STJ-ANALISTA/2015) De acordo com a Declaração Universal dos


Direitos Humanos, a educação deve ser direcionada ao pleno desenvolvimento da
personalidade humana e ao respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades
fundamentais, devendo o ensino ser gratuito nos graus elementares e
fundamentais.

13. (CESPE/STJ-ANALISTA/2015) É garantido o asilo em outros países àquele que


for vítima de perseguição, ainda que motivada por crimes de direito comum.

14. (CESPE/STJ-ANALISTA/2015) O Brasil não se submete à jurisdição do Tribunal


Penal Internacional.

15. (CESPE/DEPEN/2015) Logo em seu preâmbulo, a DUDH pressupõe a existência


de relação direta entre paz e direitos humanos, de tal modo que a conquista da
convivência pacífica fica inviabilizada se houver desrespeito a esses direitos.

16. (CESPE/DEPEN/2015) Além de significar a internacionalização dos direitos


humanos, a DUDH é o primeiro documento de dimensão mundial a tratar de forma
abrangente o tema dos direitos humanos, realçando a importância destes para a
construção de um mundo de justiça e paz.

17. (CESPE/DEPEN/2015) A DUDH enfatiza o respeito aos direitos e liberdades de


ordem pessoal, entre os quais estão o direito à dignidade da pessoa, a garantia de
proteção igual perante a lei, a garantia contra o trabalho escravo, a tortura, as
detenções e as penas arbitrárias, além do direito de recorrer ao Poder Judiciário
contra abusos de poder.

18. (CESPE/DEPEN/2015) Uma importante diretriz do PNDH-3 refere-se ao


combate à violência institucional, com ênfase na erradicação da tortura e na
redução da letalidade policial e carcerária.

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19. (CESPE/DEPEN/2015) Ao propor um eixo orientador centrado na relação entre


desenvolvimento e direitos humanos, o PNDH-3 defende, entre outros objetivos,
um modelo de desenvolvimento sustentável, assinalado pela inclusão social e
econômica, tecnologicamente responsável e ambientalmente equilibrado.

20. (CESPE/DEPEN/2015) Entre as diretrizes contidas no PNDH-3, estão a


democratização e a modernização do sistema de segurança pública, o que requer
transparência e efetiva participação da sociedade na abordagem do tema.

21. (CESPE/DEPEN/2015) Embora afirme que toda pessoa tem direito à


nacionalidade, a DUDH reconhece o direito dos governos de, arbitrariamente,
privar alguém de sua nacionalidade.

22. (CESPE/DEPEN/2015) A internacionalização dos direitos humanos, objetivo


central da DUDH, é uma forma de resposta ao mal absoluto que caracterizou
regimes políticos como o nazismo, de que o genocídio promovido em campos de
extermínio seria o exemplo mais dramático.

23. (CESPE/MPU/2015) O reconhecimento da dignidade inerente a todas as pessoas,


bem, como de seus direitos iguais e inalienáveis, é o fundamento da liberdade,
justiça e da paz no mundo.

24. (CESPE/DPU/2015) No Brasil, os entes federativos protegem automática e


integralmente os chamados direitos humanos de segunda geração, ou direitos
sociais, por força de consagração constitucional nesse sentido.

25. (CESPE/MTE-AUDITOR/2013) A diretriz referente à garantia dos direitos


humanos de forma universal, indivisível e interdependente, de modo a assegurar
a cidadania plena, consta no eixo orientador denominado Desenvolvimento e
Direitos Humanos do PNDH-3.

26. (CESPE/PRF/2013) A possibilidade de extensão aos estrangeiros que estejam no


Brasil, mas que não residam no país, dos direitos individuais previstos na CF deve-
se ao princípio da primazia dos direitos humanos nas relações internacionais do
Brasil.

27. (CESPE/PRF/2013) Equivalem às normas constitucionais originárias os tratados


internacionais sobre direitos humanos aprovados, em cada casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros.

28. (CESPE/PRF/2013) A expressão direitos humanos de primeira geração refere-se


aos direitos sociais, culturais e econômicos.

29. (CESPE/PRF/2013) Conforme a teoria positivista, os direitos humanos


fundamentam-se em uma ordem superior, universal, imutável e inderrogável.

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA PARA A PRF - 1ª Edição 61
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30. (CESPE/PRF/2013) A aplicação das normas de direito internacional humanitário


e de direito internacional dos refugiados impossibilita a aplicação das normas
básicas do direito internacional dos direitos humanos.

31. (CESPE/PRF/2013) A Política Nacional de Direitos Humanos contempla medidas


voltadas à proteção dos direitos civis, tais como os projetos que tratam da parceria
entre pessoas do mesmo sexo e da obrigatoriedade de atendimento do aborto legal
pela rede pública de saúde.

32. (CESPE/PRF/2013) Caso o Poder Judiciário, ao fundamentar decisão em lei ou


norma constitucional interna, descumpra normas internacionais de direitos
humanos, o Estado não poderá ser responsabilizado no plano internacional por
essa decisão.

33. (CESPE/PRF/2013) O sistema global de proteção dos direitos humanos foi


instaurado pela Carta Internacional dos Direitos Humanos.

34. (CESPE/PRF/2013) No Brasil, o pluralismo jurídico configura-se, por exemplo,


quando da aplicação de regras criadas por membros de organizações criminosas,
distintas das regras jurídicas estabelecidas pelo Estado.

35. (CESPE/PRF/2013) Os direitos de cidadania são, no Estado democrático de


direito, todos aqueles relativos à dignidade do cidadão, como sujeito de prestações
estatais, e à participação ativa na vida social, política e econômica do Estado.

Gabarito
01 C 16 C 31 C
02 E 17 C 32 E
03 E 18 C 33 C
04 C 19 C 34 C
05 E 20 C 35 C
06 C 21 E
07 E 22 C
08 E 23 C
09 E 24 E
10 C 25 E
11 C 26 C
12 C 27 E
13 E 28 E
14 E 29 E
15 C 30 E