Você está na página 1de 27

Título : Apresentação

Conteúdo:

Caro(a) aluno(a)

Na disciplina de Interpretação e Produção de Textos - IPT -, você terá a oportunidade de ampliar


seu universo cultural e expressivo, trabalhando e analisando textos orais e escritos sobre os mais
variados assuntos, bem como de produzir textos diversos na linguagem oral e escrita.
Esperamos que com empenho e dedicação você seja capaz de, ao término do curso:
• valorizar a leitura como fonte de conhecimento e prazer;
• aprimorar as habilidades de percepção das linguagens envolvidas na leitura;
• ler e analisar diversos estilos e gêneros discursivos com senso crítico;
• identificar as idéias centrais do texto;
• ampliar seu vocabulário ativo;
• expressar-se com coerência, concisão e clareza, visando à eficácia da comunicação.
Nosso conteúdo abordará os seguintes itens:
Primeiro bimestre:
1) Conscientização da importância da leitura como fonte de conhecimento e participação na
sociedade;
2) As diferentes linguagens: verbal, não verbal; formal e informal;
3) Noções de texto: unidade de sentido;
4) Textos orais e escritos;
5) Estilos e gêneros discursivos: jornalístico, científico, técnico, literário, publicitário entre
outros; interpretação de textos diversos e de assuntos da atualidade;
Segundo bimestre
6) Qualidades do texto:
• coerência,
• coesão,
• clareza,
• concisão e
• correção gramatical;
7) Complemento gramatical.
Para enriquecer seus estudos, sugerimos a seguinte bibliografia básica:
FARACO, Carlos Alberto e TEZZA, Cristovão. Prática de texto para estudantes universitários. 13.
ed. Petrópolis: Vozes, 2008.
FIORIN, José Luiz e PLATÃO, Francisco. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática,
2006.
KOCH, I. V. & ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. 2. ed. São Paulo: Contexto,
2007.
Título : A Importância da Leitura
Conteúdo
IMPORTÂNCIA DA LEITURA COMO FONTE DE CONHECIMENTO E PARTICIPAÇÃO NA
SOCIEDADE

Ler significa aproximar-se de algo que acaba de ganhar existência.


Ítalo Calvino

O ato de ler é soberano. Implica desvendar e conhecer o mundo. É pela leitura que desenvolvemos o processo de
atribuir sentido a tudo o que nos rodeia: lemos um olhar, um gesto, um sorriso, um mapa, uma obra de arte, as pegadas
na areia, as nuvens carregadas no céu, o sinal de fumaça avistado ao longe e tantos outros sinais. Lemos até mesmo o
silêncio!

Nos dias de hoje, a comunicação, mesmo presencial, está mediada por uma infinidade de signos. Na era da
comunicação interplanetária, estabelecemos infinitas conexões com pessoas de todos os cantos do mundo, o que nos
obriga a decodificar um universo poderoso de mensagens e a nos adaptar a elas: comunidades virtuais do Orkut,
conversas pelo MSN, compras e negócios fechados pela rede e, se essa informação foi dominantemente verbal até
então, agora se torna também visual com a chegada do YouTube.
Sabemos o quanto a força da imagem exerce fascínio e entendemos, definitivamente, que não há mais como sobreviver
neste mundo sem que haja, de nossa parte, uma adaptação constante no que se refere ao acesso às diferentes
linguagens disponíveis.
É fundamental reconhecer que o sentido de todas as coisas nos vêm, principalmente, por meio do olhar, da
compreensão e interpretação desses múltiplos signos1 que enxergamos, desde os mais corriqueiros – nomes de ruas,
por exemplo – até os mais complexos – uma poesia repleta de metáforas. O sentido das coisas nos vêm, então, por
meio da leitura, um ato individual de construção de significado num contexto que se configura mediante a interação
autor/texto/leitor.
A leitura é uma atividade que solicita intensa participação do leitor e exige muito mais que o simples conhecimento
lingüístico compartilhado pelos interlocutores: o leitor é, necessariamente, levado a mobilizar uma série de estr atégias,
com a finalidade de preencher as lacunas e participar, de forma ativa, da construção do sentido. Dessa forma, autor e
leitor devem ser vistos como estrategistas na interação pela linguagem para que se construa o sentido do texto.
Segundo Koch & Elias (2006),
[...] numa concepção interacional (dialógica) da língua, os sujeitos são vistos como atores/construtores sociais, sujeitos
ativos que – dialogicamente – se constroem e são construídos no texto. [...} Nessa perspectiva, o sentido de um texto é
construído na interação texto-sujeitos e não algo que preexista a essa interação. A leitura é, pois, uma atividade
interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente com base nos elementos
lingüísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto
conjunto de saberes no interior do evento comunicativo.

Para esclarecer as idéias até aqui apresentadas, leia a tira a seguir:


http://tiras-hagar.blogspot.com/ (acesso em 16/02/2007)

Na tira, Hagar, o viking, revela o papel do leitor que interage com o texto, no caso, da placa, e atribui-lhe o sentido,
considerando tanto as informações explícitas, como também o que é sugerido de maneira implícita, subentendida.

Podemos, então, concluir que


a) a leitura de qualquer texto exige do leitor muito mais do que o conhecimento do código lingüístico;

b) o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir, entre outros aspectos, de seu
conhecimento lingüístico, textual e, ainda, de seu conhecimento de mundo.
Leitura é, assim, uma atividade de produção de sentido. É nesse intercâmbio de leituras que se refinam, se reajustam e
redimensionam hipóteses de significado, ampliando constantemente a nossa compreensão dos outros, do mundo e de
nós mesmos.

O exercício pleno da cidadania passa necessariamente pela garantia de acesso aos conhecimentos construídos e
acumulados e às informações disponíveis socialmente. E a leitura é a chave dessa conquista.

1
Signos: entidades lingüísticas dotadas de duas faces: o significante (imagem acústica) e o significado
(conceito).

Título : As Diferentes Linguagens

A linguagem é o instrumento com que o homem pensa e sente, forma estados de alma, aspirações, volições e
ações, o instrumento com que influencia e é influenciado, o fundamento último e mais profundo da sociedade
humana.
L. Hjelmslev

Para dar início às suas reflexões a respeito do tema a ser estudado, leia o texto que segue.
Comunicação

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que
você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é
mesmo o seu nome?
“Posso ajudá-lo, cavalheiro?”
“Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...”
“Um... como é mesmo o nome?”
“Sim?”
“Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É
uma coisa simples, conhecidíssima.”
“Sim senhor.”
“O senhor vai dar risada quando souber.”
“Sim senhor.”
“Olha, é pontuda, certo?”
“O quê, cavalheiro?”
“Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim,
faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de
encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem
um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa
a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É
isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?”
“Infelizmente, cavalheiro...”
“Ora, você sabe do que estou falando.”
“Estou me esforçando, mas...”
“Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”
“Se o senhor diz, cavalheiro...”
“Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta.
Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que
eu quero.”
“Sim senhor. Pontudo numa ponta.”
“Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?”
“bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez.
Quem sabe o senhor desenha para nós?”
“Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou
uma negação em desenho.”
“Sinto muito.”
“Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não
sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do
nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com
números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O
oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil
mental, como você está pensando.”
“Eu não estou pensando nada, cavalheiro.”
“Chame o gerente.”
“Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo.
Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?”
“É de, sei lá. De metal.”
“Muito bem. De metal. Ela se move?”
“Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim,
assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim.”
“Tem mais de uma peça? Já vem montado?”
“É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.”
“Francamente.”
“Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem
vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa.”
“Ah, tem clique. É elétrico.”
“Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.”
“Já sei!”
“Ótimo!” “O senhor quer uma antena externa de televisão.”
“Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...”
“Tentemos por outro lado. Para o que serve?”
“Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia
a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de
uma coisa..”
“Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como
um gigantesco alfinete de segurança e...”
“Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!”
“Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!”
“É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?”
(Luís Fernando Veríssimo. Para gostar de ler. v.7. São Paulo, Ática, 1982.)

A linguagem nasce da necessidade humana de comunicação; nela e com ela, o homem interage com o
mundo. Para tratarmos das diferentes linguagens de que dispomos, verbais e não verbais, precisamos,
inicialmente, pensar que elas existem para que possamos estabelecer comunicação. Mas o que é, em si,
comunicar?

Se desdobrarmos a palavra comunicação, teremos:


Comunicação: “comum” + “ação”, ou melhor, “ação em comum”.

De modo geral, todos os significados encontrados para a palavra comunicação revelam a idéia de relação.
Observe:

Comunicação: deriva do latim communicare, cujo significado seria “tornar comum”, “partilhar”, “repartir”,
“trocar opiniões”, “estar em relação com”.

Podemos assim afirmar que, historicamente, comunicação implica em participação, interação entre
dois ou mais elementos, um emitindo informações, outro recebendo e reagindo. Para que a comunicação
exista, então, é preciso que haja mais de um pólo: sem o “outro” não há partilha de sentimentos e idéias
ou de comandos e respostas.
Leia o cartum a seguir e procure reconhecer como o humor se produz na situação apresentada.

Para que a comunicação seja eficiente, é necessário que haja um código comum
aos interlocutores.
O que é a linguagem?

Linguagem é a capacidade humana de articular conhecimentos e compartilhá-los socialmente. Assim, todo


e qualquer processo humano capaz de expressar e compartilhar significação constitui linguagens: tirar
fotos, pintar quadros, produzir textos e músicas, escrever jornal, dançar, etc. As linguagens fazem parte
das diversas formas de expressão representadas pelas artes visuais, pela música, pela expressão corporal
e pela escrita.

A linguagem, portanto, nomeia, fixa e concebe objetos, utiliza conceitos e


tem por função permitir a comunicação.

Nós encontramos a língua pronta quando nascemos e aprendemos a utilizá-


la com as pessoas mais velhas. É a partir dessa aprendizagem que
passamos a reproduzi-la.

Muitas das expressões artísticas atuais têm origem conhecida: a fotografia


surgiu no século XIX; o teatro ocidental surgiu na Grécia e na Idade Média.
Já a escrita surgiu há milhares de anos.

Tomemos, agora, o conceito apresentado por Bechara (1999:28) para fundamentar o conceito de
linguagem:

Entende-se por linguagem qualquer sistema de signos simbólicos empregados na intercomunicação social para
expressar e comunicar idéias e sentimentos, isto é, conteúdos da consciência.
A linguagem é, então, vista como um espaço em que tanto o sujeito quanto o outro que com ele interage
são inteiramente ativos. Por meio dela, o homem pode trocar informações e idéias, compartilhar
conhecimentos, expressar idéias e emoções. Desse modo, reconhecemos a linguagem como um
instrumento múltiplo e dinâmico, isso porque, considerados os sentidos que devem ser expressos e as
condições de que dispomos em dada situação, valemo-nos de códigos diferentes, criados a partir de
elementos como o som, a imagem, a cor, a forma, o movimento e tantos outros.
Vale salientar a idéia de que o processo de significação só acontece verdadeiramente quando, ao
apropriarmo-nos de um código, por meio dele nos fazemos entender.
Título : Linguagem Verbal e Linguagem Não Verbal

Chamamos de linguagem a todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de
comunicação. Certamente, você já observou que o ser humano utiliza as mais diferentes linguagens: a da
música, a da dança, a da pintura, a dos surdos-mudos, a dos sinais de trânsito, a da língua que você fala,
entre outras.

Como vemos, a linguagem é produto de práticas sociais de uma determinada cultura que a representa e a
modifica, numa atividade predominantemente social.

Considerando o sistema de sinais utilizados na comunicação humana, costumamos dividir a linguagem em


verbal e não verbal. Assim, temos:
a. Linguagem verbal: aquela que utiliza as palavras para estabelecer comunicação. A língua que você
utiliza, por exemplo, é linguagem verbal, assim como a literatura.

b. Linguagem não verbal: aquela que utiliza outros sinais que não as palavras para estabelecer
comunicação. Os sinais utilizados pelos surdos-mudos, por exemplo, constituem um tipo de linguagem
não verbal.

Para viver em sociedade, o ser humano — possuidor de capacidade criativa e cumulativa — cria um
arsenal de códigos, que se entrecruzam e atendem às suas necessidades de sobrevivência, de intercâmbio
com o outro, de satisfação afetiva, de aprimoramento intelectual.

A comunicação dá-se, assim, por intermédio de algum tipo de linguagem que, como vimos, altera-se de
acordo com o uso que as pessoas fazem dela. Verbais ou não verbais, criamos sinais que têm significado
especial para o grupo humano do qual fazemos parte.

Veja, por exemplo, a tela de Portinari:

Ao pintar os trabalhadores rurais em atividade,


Portinari revela, com precisão, uma importante questão
social: a vida sofrida dos lavradores nas lavouras do
café que, ao cumprir longas jornadas de trabalho,
misturam-se à terra, numa interminável fila de homens
e mulheres anônimos, com mãos e pés enormes,
sugerindo, talvez, o excesso e a força de tanto
trabalho. Não há céu, não há horizonte; o predomínio
da cor marrom reforça o drama vivido por esses
trabalhadores.
Diante do não verbal, como espectadores, experimentamos a emoção que o quadro desperta, não porque
seu significado esteja expresso em palavras, mas porque ele exibe a síntese do sentimento do artista.

Podemos concluir, assim, que a linguagem é múltipla e, a partir da combinação de seus variados
códigos, promove a interação entre os seres humanos, permitindo a expressão do que pensa e do que
sente.

Título: Linguagem Formal e Informal

Nossa língua apresenta uma imensa possibilidade de variantes lingüísticas, tanto na linguagem formal (padrão) quanto
na linguagem informal (coloquial). Elas não são, assim, homogêneas. Especialmente no que se refere ao coloquial, as
variações não se esgotam. Alguns fatores determinam essa variedade. São eles:
• diferenças regionais: há características fonéticas próprias de cada região, um sotaque próprio que dá traços
distintivos ao falante nativo. Por exemplo, a fala espontânea de um caipira difere da fala de um gaúcho em pronúncia e
vocabulário;

• nível social do falante e sua relação com a escrita: um operário, de modo geral, não fala da mesma maneira que um
médico, por exemplo;

• diferenças individuais.

É importante salientar que cada variedade tem um conjunto de situações específicas para seu uso e, de modo geral, não
pode ser substituída por outra sem provocar, ao menos, estranheza durante a comunicação. O texto de Luis Fernando
Veríssimo ilustra uma dessas situações inusitadas:

Aí, Galera
Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador
de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não?
- Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.
- Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos
seus lares.
- Como é?
- Aí, galera.
- Quais são as instruções do técnico?
- Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na
zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contra-
golpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação
momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação.
- Ahn?
- É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça.
- Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?
- Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a
uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas?
- Pode.
- Uma saudação para a minha progenitora.
- Como é?
- Alô, mamãe!
- Estou vendo que você é um, um...
- Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um
ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação?
- Estereoquê?
- Um chato?
- Isso.
Correio Braziliense, 13/05/1998.

Podemos concluir daí que cada variedade tem seus domínios próprios e que não existe a variedade “certa” ou “errada”.
Para cada situação comunicativa existe a variante “mais” ou “menos” adequada. É certo, no entanto, que é atribuída à
variante padrão um valor social e histórico maior do que à coloquial. Cabe, assim, ao indivíduo – competente
lingüisticamente - optar por uma ou outra variante em função da situação comunicativa da qual participa no momento.
Por fim, citando Bechara (1999), a linguagem é sempre um estar no mundo com os outros, não como
um indivíduo em particular, mas como parte do todo social, de uma comunidade.
Título : Noções de Texto: Unidade de Sentido

A palavra “texto” é bastante familiar no âmbito escolar e fora dele, embora, de modo geral, não o reconheçamos em
diversas de suas ocorrências. Certamente já ouvimos: “Que texto interessante! Seu texto está confuso! Faça um texto
sobre “suas férias”...
No entanto, no que diz respeito especialmente à leitura, muitas vezes os alunos lêem fragmentos do texto e buscam
entender partes isoladas que, sem relação com as demais — com o todo —, levam o leitor, provavelmente, a chegar a
conclusões precipitadas e até mesmo erradas sobre o sentido do texto.
Os estudos mais avançados na área da Lingüística Textual, a partir da década de 60, detiveram-se em explicar as
características próprias da linguagem escrita concretizada em forma de texto e não em forma de um mero amontoado
de palavras e frases.
Para a Lingüística Textual, a linguagem é o principal meio de comunicação social do ser humano e, portanto, seu
produto concreto — o texto — também se reveste dessa importante característica, já que é por intermédio dele que um
emissor transmite algo a um receptor, obedecendo a um sistema de signos/regras codificado. O texto constitui-se, assim,
na unidade lingüística comunicativa básica.
Inicialmente, faz-se necessário expor o conceito de “texto”, por ser ele o elemento fundamental de comunicação.
Vejamos o conceito proposto por Bernárdez (1982):
Texto é a unidade lingüística comunicativa fundamental, produto da atividade verbal humana, que possui sempre caráter
social: está caracterizado por seu estrato semântico e comunicativo, assim como por sua coerência profunda e
superficial, devida à intenção (comunicativa) do falante de criar um texto íntegro, e à sua estruturação mediante dois
conjuntos de regras: as próprias do nível textual e as do sistema da língua”.
Alguns elementos nos parecem centrais nessa definição. São eles:
a. Um texto não é um aglomerado de frases; o significado de suas partes resulta das correlações que elas mantêm entre
si. Uma leitura não pode basear-se em fragmentos isolados do texto. Observe a seqüência:
Marilene ainda não chegou. Comprei três melancias. O escritório de Sérgio encerrou o
expediente por hoje. A densa floresta era assustadora. Ela colocou mais sal no feijão.
O vaso partiu-se em pedacinhos.

Essa seqüência apresenta um amontoado aleatório de frases, já que suas partes não se articulam entre si, não formam
um todo coerente. Portanto, tal seqüência não constitui um texto.
Agora, observe a tira:

Inicialmente notamos que os personagens curtem o sol num momento de lazer. No segundo quadro da tira, ao lermos
“mas, infelizmente...”, acreditamos que o personagem vai interromper o agradável momento por conta de alguma
obrigação que deva cumprir. No terceiro quadro, porém, somos obrigados a reinterpretar o significado anteriormente
atribuído e verificar que ambos estão, mesmo, dispostos a aproveitar o sol sem qualquer pressa. Como vemos, o
sentido global de um texto depende das correlações entre suas partes.
Veja como isso se dá no texto que segue.
Circuito Fechado

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear,
pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo; pente.
Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta,
chaves, lenço, relógio, maços de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato,
bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro,
papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de
saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo.
Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio.
Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta,
projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi.
Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de
fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro,
fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro,
fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo,
papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista.
Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro.
Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca,
pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
(Ricardo Ramos)

Em Circuito fechado não há apenas uma série de palavras soltas; temos aqui um texto. E por quê? Apesar
de haver palavras, aparentemente, sem relação umas com as outras, é possível reconhecer, depois de
uma leitura atenta, que há uma articulação entre elas. A escolha dos substantivos e a seqüência em que
são empregados revelam um significado implícito, algo que une e relaciona essas palavras, formando um
texto. Podemos, assim, dizer que esse texto se refere a um dia na vida de um homem comum.

Note que no início do texto há substantivos relacionados a hábitos rotineiros, como levantar, ir ao
banheiro, lavar o rosto, escovar dentes, fazer barba tomar banho, vestir-se e tomar café da manhã.
Chinelos, vaso, descarga. Pia. Sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear,
pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente.
Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta,
chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos.

Já no final do texto há o ritual que denota a volta para casa. Observe:


Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa,
cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforos. Poltrona, livro. Cigarro e
fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama,
espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

Descobrimos que a personagem é um homem também pela escolha dos substantivos. Parece que sua
profissão pode estar relacionada à publicidade e o personagem é, também, um fumante, pois, por
quatorze vezes, o narrador retoma a seqüência “cigarro, fósforo”.
Creme de barbear, pincel, espuma, gilete [...] cueca, camisa, abotoadura, calça, meia, sapatos, gravata,
paletó [...] Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de
notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída [...] Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales,
cheques, memorandos, bilhetes [...] Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos,
cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-
negro, giz, papel.

Enfim, o texto Circuito fechado é uma crônica — um texto narrativo curto —, cujo tema é o cotidiano e
leva o leitor a refletir sobre a vida. Usando somente substantivos, o autor produziu um texto que termina
onde começou. Essa estrutura circular tem relação com o título e com a rotina que aprisiona o homem nos
dias atuais.

b. O texto tem coerência de sentido e o sentido de qualquer passagem de um texto é dado pelo contexto
(unidade maior em que uma unidade menor está inserida. Exemplo: a frase serve de contexto para a
palavra, o texto para a frase etc.)
Se não levarmos em conta as relações entre as partes do texto, corremos o risco de atribuir a ele um
sentido oposto àquele que efetivamente tem.

c. Todo texto tem um caráter histórico, não no sentido de narrar fatos históricos, mas no de revelar as
concepções e a cultura de um grupo social numa determinada época.

http://www.propagandasantigas.blogger.com.br/
Os anúncios retratam duas concepções distintas a respeito da moda infanto-juvenil em épocas diferentes: o
recato do século XIX e o olhar prático e dinâmico dos dias atuais.

Título : Textos Orais e Textos Escritos

A interação pela linguagem materializa-se por meio de textos, sejam eles orais ou escritos. É relevante,
no entanto, reconhecer que fala e escrita são duas modalidades de uso da língua que, embora se utilizem
do mesmo sistema lingüístico, possuem características próprias. As duas não têm as mesmas formas, a
mesma gramática, nem os mesmos recursos expressivos. Para a compreensão dos problemas da
expressão e da comunicação verbais, é necessário evidenciar essa distinção.
Para dar início às suas reflexões, leia o texto de Millôr Fernandes, a seguir.
A vaguidão específica
"As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica."
Richard Gehman

— Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte.


— Junto com as outras?
— Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer coisa com elas. Ponha
no lugar do outro dia.
— Sim senhora. Olha, o homem está aí.
— Aquele de quando choveu?
— Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo.
— Que é que você disse a ele?
— Eu disse pra ele continuar.
— Ele já começou?
— Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse.
— É bom?
— Mais ou menos. O outro parece mais capaz.
— Você trouxe tudo pra cima?
— Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a senhora recomendou para deixar até
a véspera.
— Mas traga, traga. Na ocasião nós descemos tudo de novo. É melhor, senão atravanca a entrada e
ele reclama como na outra noite.
— Está bem, vou ver como.

FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. São Paulo, Círculo do Livro, 1976, p.77.
No texto, o autor revela ironia ao atribuir às mulheres o falar de modo vago e por meio de elipses. No
entanto, tais características são próprias do texto oral, em que a interação face-a-face permite que os
interlocutores, situados no mesmo tempo e espaço, preencham as lacunas ali existentes, já que ambos,
ancorados em dados do contexto e no conhecimento partilhado que possuem, são capazes de
compreender e produzir sentido ao que se diz.
Em nossa sociedade, fundamentalmente oral, convivemos muito mais com textos orais do que com textos
escritos. Todos os povos1, indistintamente, têm ou tiveram uma tradição oral e relativamente poucos
tiveram ou têm uma tradição escrita. No entanto, isso não torna a oralidade mais importante que a
escrita. Mesmo que a oralidade tenha uma primazia cronológica sobre a escrita, esta, por sua vez, adquire
um valor social superior à oralidade.
A escrita não pode ser tida como representação da fala. Em parte, porque a escrita não consegue
reproduzir muitos dos fenômenos da oralidade, tais como a prosódia, a gestualidade, os movimentos do
corpo e dos olhos, entre outros. Ela apresenta, ainda, elementos significativos próprios, ausentes na fala,
tais como o tamanho e o tipo de letras, cores e formatos, sinais de pontuação e elementos pictóricos, que
operam como gestos, mímica e prosódia graficamente representados.
Observe a transcrição de um texto falado, retirado de uma aula de História Contemporânea, ministrada no
Rio de Janeiro, no final de década de 70. Procure ler o texto como se você estivesse “ouvindo” a aula.
... nós vimos que ela assinala... como disse o colega aí,,, a elevação da sociedade burguesa... e
capitalista... ora... pode-se já ver nisso... o que é uma revolução... uma revolução significa o quê? Uma
mudança... de classe... em assumindo o poder... você vê por exemplo... a Revolução Francesa... o que ela
significa? Nós vimos... você tem uma classe que sobe... e outra classe que desce... não é isso? A burguesia
cresceu... ela ti/a burguesia possuía... o poder... econômico... mas ela não tem prestígio social... nem
poder político... então... através desse poder econômico da burguesia... que controlava o comércio... que
tinha nas mãos a economia da França... tava nas mãos da classe burguesa... que crescera... desde o
século quinze... com a Revolução Comercial... nós temos o crescimento da classe burguesa... essa
burguesia quer... quer... o poder...ela quer o poder político... ela quer o prestígio social... ela quer entrar
em Versalhes... então nós vamos ver que através... de uma Revolução...ela vai... de forma violenta... ela
vai conseguir o poder... isso é uma revolução porque significa a ascensão de uma classe e a queda de
outra... mas qual é a classe que cai? É a aristocracia... tanto que... o Rei teve a cabeça cortada... não é
isso?

Dinah Callou (org.). A linguagem falada culta na cidade do Rio de Janeiro – materiais
para seu estudo. Elocuções formais. Rio de Janeiro, Fujb, 1991, p. 104-105.

É possível notar que o texto é bastante entrecortado e repetitivo, apresenta expressivas marcas de
oralidade e progride apoiando-se em questões lançadas aos interlocutores, no caso, aos alunos. Isso não
significa que o texto falado é, por sua natureza, absolutamente caótico e desestruturado. Ao contrário, ele
tem uma estruturação que lhe é própria, ditada pelas circunstâncias sociocognitivas de sua produção.

No entanto, tais características, próprias do texto oral, são consideradas inapropriadas para o texto
escrito. E por quê?

Para entender essa questão, inicialmente, faz-se necessário observar a distinção entre essas duas
modalidades de uso da língua, proposta por Marcuschi (2001:25):
• A fala seria uma forma de produção textual-discursiva para fins comunicativos na modalidade oral.
Caracteriza-se pelo uso da língua na sua forma de sons sistematicamente articulados e
significativos, bem como os aspectos prosódicos e recursos expressivos como a gestualidade, os
movimentos do corpo e a mímica.
• A escrita, por sua vez, seria um modo de produção textual-discursiva para fins comunicativos com
certas especificidades materiais e se caracterizaria por sua constituição gráfica, embora envolva
também recursos de ordem pictórica e outros. Pode manifestar-se, do ponto de vista de sua
tecnologia, por unidades alfabéticas (escrita alfabética), ideogramas (escrita ideográfica) ou
unidades iconográficas. Trata-se de uma modalidade de uso da língua complementar à fala.
De modo geral, discute-se que ambas apresentam distinções porque diferem nos seus modos de
aquisição, nas suas condições de produção, na transmissão e recepção, nos meios através dos quais os
elementos de estrutura são organizados.
Para Koch (1992), dentre as características distintivas mais freqüentemente apontadas entre as
modalidades falada e escrita estão as seguintes:

Fala Escrita
1. Descontextualizada.
1. Contextualizada. 2. Planejada.
2. Não-planejada. 3. Condensada.
3. Redundante.
4. Não-fragmentada.
4. Fragmentada.
5. Incompleta. 5. Completa.
6. Pouco elaborada. 6. Elaborada.
7. Predominância de frases curtas, simples 7. Predominância de frases complexas, com
ou coordenadas. subordinação abundante.
8. Pouco uso de passivas. 8. Emprego freqüente de passivas.
9. Pouca densidade informacional.
9. Densidade informacional.
10. Poucas nominalizações.
11. Menor densidade lexical. 10. Abundância de nominalizações.
11. Maior densidade lexical.

Ocorre, porém, que essas diferenças nem sempre distinguem as duas modalidades. Isso porque se
verifica, por exemplo, que há textos escritos muito próximos ao da fala conversacional (bilhetes, recados,
cartas familiares, por exemplo), e textos falados que mais se aproximam da escrita formal (conferências,
entrevistas profissionais, entre outros). Além disso, atualmente, pode-se conceber o texto oral e o escrito
como atividades interativas e complementares no contexto das práticas culturais e sociais.
Oralidade e escrita, assim, são práticas e usos da língua com características próprias, mas não
suficientemente opostas para caracterizar dois sistemas lingüísticos distintos. Ambas permitem a
construção de textos coesos e coerentes, ambas permitem a elaboração de raciocínios abstratos e
exposições formais e informais, variações estilísticas, sociais e dialetais.

Cabe lembrar, finalmente, que em situações de interação face a face, o locutor que detém a palavra não é
o único responsável pelo seu discurso. Trata-se, como bem mostra Marcuschi (1986), de uma atividade
de co-produção discursiva, visto que os interlocutores estão juntamente empenhados na produção do
texto.

1
Povos: Em todas as comunidades, a fala antecede a escrita. Segundo pesquisas, há 3 mil línguas faladas
no mundo, das quais 180 possuem escrita e, aproximadamente, apenas 78 delas, literatura.

Título : Estilos e Gêneros Discursivos


Você conhece essa piada?
Desconfiado de que sua festa estava cheia de penetras, o anfitrião grita:

- Convidados da noiva, para o lado direito!

Metade se aloja do lado direito dele.

- Agora, convidados do noivo, do meu lado esquerdo!

Um monte de gente se junta do lado esquerdo.

- E, agora, caiam fora vocês! Isto aqui é uma festa de aniversário!


Todos os dias, deparamo-nos com diferentes textos durante as mais diversas situações comunicativas das
quais participamos socialmente: anúncios, relatórios, notícias, palestras, piadas, receitas etc. Veja, por
exemplo, o que podemos fazer quando queremos:
• escolher um filme para assistir no cinema.
Podemos consultar a seção cultural de um dos jornais da cidade ou uma revista especializada, ler num
outdoor sobre o lançamento de um filme que lhe agrada ou, ainda, pedir a opinião de um amigo.

• saber como chegar a um local desconhecido por nós.


Podemos consultar um guia de ruas da cidade ou, ainda, perguntar a alguém que conheça o trajeto.
Quem sabe até pedir que essa pessoa lhe desenhe o caminho?

• convidar um amigo para sua festa de aniversário.


Podemos mandar um e-mail, um convite pelo correio, telefonar ao colega, enviar um “torpedo” pelo
celular.

• entreter uma criança.


Aqui as possibilidades são várias! Podemos ler histórias de fadas, lançar adivinhas, lembrar antigas
canções, recitar quadrinhas e parlendas, propor jogos diversos, assistir a um desenho etc.

Em todas as situações descritas acima, utilizamos textos em diferentes gêneros, isto é, para situações
e/ou finalidades diversas, lançamos mão de um repertório diverso de gêneros textuais que circulam
socialmente e se adaptam às diferentes situações de comunicação. Cada um desses gêneros exige, para
sua compreensão ou produção, diferentes conhecimentos e capacidades.
De modo geral, todos os gêneros textuais têm em comum, basicamente, três características:
• o assunto: o que pode ser dito através daquele gênero;
• o estilo: as palavras, expressões, frases selecionadas e o modo de organizá-las;
• o formato: a estrutura em que cada agrupamento textual é apresentado.

Os gêneros surgem, situam-se e integram-se funcionalmente nas culturas em que se desenvolvem. O


conjunto dos gêneros é potencialmente infinito e mutável, materializado tanto na oralidade quanto na
escrita. Eles são vinculados à vida cultural e social e contribuem para ordenar e estabilizar as atividades
comunicativas do seu dia-a-dia. Assim, são exemplos de gêneros textuais: telefonema, carta, romance,
bilhete, reportagem, lista de compras, piadas, receita culinária, contos de fadas etc.
Para Bronckart (1999), a apropriação dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização, de
inserção prática nas atividades comunicativas humanas.

Título : Qualidades do texto: Coerência, Coesão (I)

Nesta aula daremos início ao estudo de alguns fatores importantes para a qualidade de um texto. Como
você já viu, em aulas anteriores, o que é um texto, isto é, quais as características básicas que nos
permitem considerar um texto como tal, passaremos aos itens relativos à qualidade textual, que
compreendem: coesão e coerência; clareza e concisão e correção gramatical.

Coesão e coerência
Para entendermos a noção de coesão/coerência,
primeiramente devemos considerar a hierarquia de
valores que existe de uma palavra a um texto. É essa
hierarquia que determina a coesão/coerência, tendo em
vista ser o texto um “todo” de significado, ou seja, para
considerarmos que um texto seja um “texto”, temos que
levar em consideração sua organização sintático-
semântica em primeiro lugar.

Assim, a coesão equivale à relação entre as palavras,


entre as orações, entre os períodos, enfim, entre as partes que compõem um texto. Quando chegamos ao
“todo”, ao sentido global, temos a coerência do texto. Então, um fator depende do outro, isto é, a
coerência pressupõe a coesão.
Exemplificando: o falante de língua portuguesa não reconhece coesão e coerência em uma seqüência
como:
Dia é muito este especial vida minha em.

No entanto, esse mesmo falante reconheceria como coerente (e coesa) a seqüência:


Este dia é muito especial em minha vida.
Houve organização sintático-semântica na segunda seqüência, o que não ocorreu na primeira.
Segundo Koch (1998), “o conceito de coesão textual diz respeito a todos os processos de seqüencialização
que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação lingüística significativa entre os elementos que
ocorrem na superfície textual”.
Essa coesão pode ser estabelecida por meio de mecanismos referenciais e/ou seqüenciais, segundo os
estudos lingüísticos. Para entendermos melhor, vejamos a proposta didática dessas classificações, feita
por Platão & Fiorin (1999).

Coesão por retomada ou por antecipação (coesão referencial)

a. Retomada ou antecipação por uma palavra gramatical


São classes gramaticais (artigos, pronomes, numerais, advérbios, verbos) que funcionam, no texto, como
elementos de retomada (anafóricos) ou de antecipação (catafóricos) de outros termos enunciados no
texto.
Exemplo:
Estamos (a) reunidos para examinar o caso. Eu, a diretoria e vocês
entendemos que não se trata de uma questão simples. Ela (b) deve ser
analisada com muita cautela, por isso nós (c) nos encontramos aqui.

No pequeno trecho, podemos observar as expressões destacadas e verificar que:

(a) “Estamos” é o verbo que antecipa o sujeito “eu, a diretoria e vocês”. Na seqüência, é um elemento
catafórico.

(b) “Ela” é um pronome que retoma “uma questão”, portanto um elemento anafórico.

(c) “Nós” é pronome (elemento anafórico) que retoma o sujeito “eu, a diretoria e vocês”.

É a isso que se denomina “retomada ou antecipação por uma palavra gramatical”. Podemos, então,
encontrar, em um texto, vários elementos que estabelecem essa retomada ou antecipação. São eles que
estabelecem as ligações no texto, ou seja, são esses termos que estabelecem o que se denomina coesão
referencial.

Algumas observações:
1 – O termo substituído e/ou retomado pode ser inferido pelo contexto.
Exemplo: Estamos aqui para examinar o caso.
Nesse caso, “aqui”, se não houver referência anterior explícita, leva à inferência de que se trata do local
em que ocorre a situação comunicativa (que não precisa ser um lugar concretamente especificado).
2 – No uso de artigo, o definido tem a função de retomar um termo já enunciado, enquanto o indefinido
geralmente introduz um termo novo.
Exemplos:
(a) Encontrei a carta sobre a mesa. (pressupõe-se que se trata de uma carta já referida anteriormente).
(b) Uma carta foi deixada sobre a mesa. (“uma” introduz o termo carta, ou seja, o termo está sendo
apresentado no texto)
3 – Os verbos “fazer” e “ser”, enquanto anafóricos, substituem, respectivamente, ações e estados.
Exemplos:
(a) João e Maria estudaram muito para a prova, o que você não o fez. (=estudar)
(b) Eduardo e o irmão ficaram muito emocionados com a homenagem, mas não foi (= ficarem
emocionados) como esperávamos.
4 –Ambigüidade.
Quando um elemento anafórico refere-se a dois antecedentes distintos, pode provocar ambigüidade.
Observe:

A placa pede que o pedestre reduza a velocidade ou


que o motorista reduza a velocidade pela presença
de pedestres no local?

Veja outros exemplos que provocam ambigüidade:


(a) Pronome possessivo:
Minha amiga discutiu com a irmã por causa de sua resposta. (sua= da amiga ou da irmã?).
(b) Pronome relativo:
Ela convidou o irmão do namorado, que chegou atrasado para a festa. (que= o irmão ou o namorado?)

b. Retomada por palavra lexical (substantivos, verbos, adjetivos)


Além das palavras gramaticais, há outra forma de se retomar as palavras no texto. É o mecanismo de
substituição por sinônimos, por hiperônimo, por hipônimo ou uma antonomásia.
No exemplo anterior, podemos observar um desses mecanismos. Em “... de uma questão simples”, o
substantivo “questão” retoma “o caso” por um processo de substituição por sinônimos.
A relação de hipônimo/hiperônimo corresponde à relação de “contém” / “está contido”. O primeiro está
contido no segundo e vice-versa. Por exemplo, cachorro é hipônimo de mamíferos e vice-versa.
Quanto à antonomásia, é o processo de substituição de um nome próprio por um comum ou de um
comum por um próprio. Geralmente é utilizado para personalidades.
Exemplo: A Rainha dos baixinhos estréia novo filme. (Em vez de Xuxa estréia novo filme).
Dentre os mecanismos de coesão referencial, há também a elipse, quer dizer, o apagamento de palavras
(que podem ser recuperadas pelo contexto) em uma seqüência, para que não haja repetição indevida.

Exemplo: O Presidente da República anunciou novas medidas. Ø Baixou os juros, Ø elevou o salário
mínimo e, ainda, Ø regulamentou a criação de novos empregos.
Veja que o símbolo Ø representa o sujeito “O Presidente da República”, que foi omitido para evitar
repetição na seqüência. Trata-se da elipse do sujeito.

Título : Qualidades do texto: Coerência, Coesão (II)

Coesão por encadeamento de segmentos textuais (coesão seqüencial)

a. Coesão por conexão

Estabelecida por conectores (ou operadores discursivos), que fazem a relação entre segmentos do texto.
Esses conectores, além de estabelecer relação lógico-semântica entre as partes do texto (de causa,
finalidade, conclusão etc.), têm função argumentativa, que segundo FIORIN & PLATÃO (1999) podem ser
dos seguintes tipos:

1) Os que marcam uma gradação numa série de argumentos orientada no sentido de uma determinada
conclusão (até, mesmo, até mesmo, inclusive, ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando
muito). Ex.: Ele tem todas as qualidades para vencer o concurso: é alto, magro e até inteligente.

2) Os que marcam uma relação de conjunção argumentativa (ligam argumentos em favor de uma
conclusão, como: e, também, ainda, nem, não só... mas também, tanto...como, além de, além disso, a
par de). Ex.: O cliente não recebeu o produto solicitado e, ficou, ainda, insatisfeito com o que recebera.
3) Os que indicam uma relação de disjunção argumentativa (argumentos que levam a conclusões
opostas, como: ou, ou então, quer...quer, seja...seja, caso contrário). Ex.: Todos os convocados pelas
autoridades competentes devem apresentar-se ou serão intimidados a fazê-lo.

4) Os que marcam uma relação de conclusão (portanto, logo, por conseguinte, pois, quando não
introduz a oração). Ex.: Ele foi classificado o melhor corredor. Recebera, pois, o maior prêmio. (Está
implícito que quem fosse considerado o melhor corredor, receberia o melhor prêmio).

5) Os que estabelecem uma comparação entre dois elementos, com vistas a uma conclusão (a favor ou
contra). Ex.: Não sei se o trabalho ficará bom, mas esse pedreiro é tão eficiente quanto o outro.

6) Os que introduzem uma explicação ou justificativa (porque, já que, que, pois). Ex. É melhor não
mexer no material, já que não tem a intenção de comprá-lo.

7) Os que marcam uma relação de contrajunção (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto,
embora, ainda que, mesmo que, apesar de que). Ex.: O governo abriu financiamento de casas à classe
média, porém há uma grande parte da população sem casa própria.

8) Os que introduzem argumento decisivo, como um acréscimo à informação (alíás, além do mais, além
de tudo, além disso, ademais). Ex.: Ela tirou tudo do armário, espalhou no quarto e não terminou a
arrumação. Aliás, nem deveria ter começado.

9) Os que indicam uma generalização ou uma amplificação da informação anterior (de fato, realmente,
aliás, também, é verdade que). Ex.: Não bastasse estar atrasado, também esqueceu o ingresso no bolso
da calça.

10) Os que especificam ou exemplificam o que foi dito. Ex.: Todos ficaram insatisfeitos com a decisão
da mãe. O filho mais velho deixou de falar com ela.

11) Os que marcam uma relação de retificação, ou seja, uma correção, um esclarecimento, um
desenvolvimento ou uma redefinição do conteúdo anterior. (ou melhor, de fato, pelo contrário, ao
contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras). Ex.: O candidato não honrou seu compromisso,
isto é, não cumpriu o que prometera em campanha eleitoral.

12) Os que introduzem uma explicitação, uma confirmação ou uma ilustração do que foi informado.
(assim, desse modo, dessa maneira).Ex.: Encontramo-nos em período de crise econômica. Assim, o
comércio de produtos eletrônicos está em baixa.

b. Coesão por justaposição

Esse tipo de coesão pode ser estabelecido com ou sem elementos de ligação. Quando há conectores,
estes podem ser:

1) Os que marcam seqüência temporal. Ex.: A mulher abandonara o lar. Um ano depois, estava
arrependida.

2) Os que marcam uma ordenação espacial. Ex.: À direita fica o portão de entrada para o prédio.

3) Os que especificam a ordem dos assuntos no texto. Ex.: Primeiramente, devo declarar que aceito a
proposta.

4) Os que introduzem um dado tema ou servem para mudar o assunto na conversação. Ex.: Devemos nos
unir para uma decisão acertada. Por falar nisso, estamos todos no mesmo barco.

Algumas observações:

1 – Quando não há conectores, eles podem ser inferidos pelo contexto.


Ex.: Não assistirá à conferência. Está atrasada. (subentende-se um conector que estabeleça relação de
causa na segunda oração, como “porque”)
2 – Quanto à manutenção do tema no texto, trata-se da articulação tema (dado) e rema (novo), que se
dá na perspectiva oracional ou contextual.

Ex.: Vamos descrever, então, o interior da casa. A sala é ampla e se divide em dois ambientes. Os
quartos são bem arejados. A cozinha comporta toda a família nos horários de refeição.

Título : Qualidades do texto: Coerência, Coesão (III)


Coerência e progressão textual
A pesca
Affonso Romano de Sant’Anna
o anil
o anzol
o azul
o silêncio
o tempo
o peixe
a agulha
vertical
mergulha
a água
a linha
a espuma
o tempo
a âncora
o peixe
a garganta
a âncora
o peixe
a boca
o arranco
o rasgão
aberta a água
aberta a chaga
aberto o anzol
aquelíneo
ágilclaro
estabanado
o peixe
a areia
o sol

Apesar dos poucos elementos de coesão, temos um texto coerente porque há unidade de sentido que é
dada a partir do próprio título; ele também é elemento de referência e ativa o conhecimento de mundo.
As palavras, assim, ganham sentido e vemos que se trata da descrição de uma pescaria, situação que
corresponde ao esquema que temos arquivado na memória.
Como já dissemos, a coerência é o todo de sentido em que resulta o texto. Para que ela se estabeleça, é
preciso observar a não-contradição de sentidos entre partes do texto, o que se constrói pelos mecanismos
de coesão já explicitados.
Além disso, de acordo com Fiorin & Platão (1999), há vários níveis que devem ser levados em conta,
como o narrativo, o figurativo, o temporal, o argumentativo, o espacial e o de linguagem. Para todos eles,
dois tipos de coerência são fundamentais: a coerência intra e extratextual. A primeira corresponde à
organização e encadeamento das partes do texto, ao passo que a segunda pode estar relacionada tanto
ao conhecimento de mundo como ao conhecimento lingüístico da falante.
No entanto, há textos que podem ser incoerentes aparentemente. Para se verificar se o texto tem
sentido, é preciso considerar vários fatores que podem levar à atribuição de significado ao texto. São
eles: o contexto, a situação comunicativa, o gênero, o(s) intertexto(s).
Esses fatores determinam as condições de produção e de recepção de um texto. É preciso ter
conhecimento dessas condições para julgar coerente (ou não) um texto. Para exemplificar, um texto
literário, por ser ficcional, admite o uso da linguagem figurada, ao passo que um texto científico não a
admite. Portanto, se houver o uso de uma metáfora em um texto científico, por exemplo, este será
julgado incoerente.

Título : Qualidades do texto: Clareza e Concisão

A clareza e a concisão compreendem duas qualidades primordiais de um texto bem elaborado. A primeira
diz respeito à organização coerente das idéias, de modo a não deixar dúvidas sobre o que foi proposto
pelo texto, desde seu início até sua conclusão, enquanto a segunda está associada à não-prolixidade do
texto, ou seja, uma está ligada à outra.

Do ponto de vista da produção, de acordo com a intenção, deve-se selecionar a estrutura que sustentará
o texto, levando-se em consideração características peculiares a cada uma delas (narrativa, descritiva ou
dissertativo-argumentativa), as quais serão apresentadas mais à frente. O fundamental é garantir que
haja uma hierarquia de idéias e fatos na relação intratextual, a fim de se organizar um todo coeso e
coerente.

Nesse sentido, a organização dos parágrafos no interior do texto é de suma importância e constitui uma
das dificuldades que deve ser vencida pelo produtor, pois quando não se tem domínio dessa habilidade,
há duas tendências na construção dos parágrafos: ou o texto é um bloco único de informações ou
confundem-se período e parágrafo.

Para melhor compreensão, passemos a verificar essas duas etapas: da organização discursivo-textual e
da elaboração dos parágrafos.

Organização discursivo-textual

Do ponto de vista de quem produz o texto, é preciso que haja conhecimento das condições de produção,
ou seja, é preciso saber para quê, para quem e por quê o texto será produzido. Além dessas, o tipo de
texto também é uma condição de produção, visto que o gênero determina as características de cada
texto, o que pressupõe o conhecimento delas para a organização discursivo-textual adequada.

Uma primeira preocupação deve ser com a pessoa do discurso, na cena enunciativa, tendo em vista que o
uso da 3ª ou da 1ª pessoa produz efeito de objetividade ou subjetividade. Dizemos efeito porque este é
resultado da intenção do locutor (para com o interlocutor) de “afastar-se” ou “aproximar-se” da
enunciação quando faz a escolha.

A partir desse primeiro posicionamento, o sujeito assume “a voz” que seja mais conveniente à produção
do texto-discurso. Trata-se da relação entre enunciação e enunciado, ou ainda, “o que se diz” e “o que se
quer dizer”.

É dessa escolha enunciativa que se pode avaliar se o texto-discurso é objetivo ou subjetivo, se o sujeito
aproxima-se ou distancia-se do ponto de vista que há no texto. Enfim, o modo de dizer, o que se
pretende dizer depende dessas escolhas prévias. Após essa primeira seleção, torna-se necessário saber
que tipo de texto pretende-se produzir, isto é, se o texto é descritivo, narrativo ou argumentativo.
Nesse sentido, Emediato (2004:136) propõe o seguinte quadro:

MODOS DE ORGANIZAÇÃO FUNÇÃO DE BASE PRINCÍPIO DE ORGANIZAÇÃO

relação de influência • Posição em relação ao


(EU-TU) interlocutor.
• Posição em relação ao que
Ponto de vista situacional é dito.
ENUNCIATIVO
(EU – Contexto) • Posição em relação ao
mundo e aos discursos
Relato sobre o mundo dos outros.
(ELE)

• Organização da
construção descritiva.
Identificar os seres, objetos do mundo
DESCRITIVO
de maneira objetiva ou subjetiva. (Nomear, Localizar,
Qualificar e Quantificar).

• Organização da lógica
narrativa (Actantes,
Construir uma sucessão de ações de
processos e funções
uma história no tempo em torno de uma
NARRATIVO narrativas).
busca e de um conflito, com actantes e • Qualificação da ação e
personagens.
estatuto do narrador.

• Organização da lógica
Explicar uma verdade, numa visão
argumentativa.
racional, para influenciar o interlocutor:
ARGUMENTATIVO convencê-lo (se argumentação (Relações lógicas, tipos de
demonstrativa) ou persuadi-lo (se
argumentos).
argumentação retórica)

Convencer é apresentar provas e, por isso, os argumentos “demonstram”, ou seja, comprovam o que
está sendo dito. Persuadir é “levar o outro a acreditar”, por isso é um ato retórico, ou seja, o sujeito-
enunciador deve construir os argumentos para persuadir “o outro”.

Título : Tipos textuais I: Narração e Descrição

Conteúdo :
Texto descritivo
O texto descritivo tem por base um sujeito observador, o qual descreve o mundo de maneira objetiva ou
subjetiva. A primeira diz respeito a uma descrição da realidade tal como ela é, em que o sujeito tem como
objetivo primeiro informar sobre objetos, pessoas ou lugares. Quanto à segunda, é a descrição em que o
sujeito descreve a realidade como a sente, passando a exprimir a afetividade que tem em relação ao
objeto, pessoa ou lugar descrito.
A descrição opõe-se à narração pelo seu caráter estático, em que o tempo não tem tanta importância,
pois não há transformação de estados e ações, o que compete ao texto narrativo. Desse modo, o ponto
de vista do sujeito observador é fundamental e depende tanto de sua posição física (em relação ao que
descreve) quanto de sua atitude afetiva (relativa ao objeto descrito).
Leia este trecho de um texto descritivo:

A feira era enorme, num vasto prado que a defrontava com os muros da cidade. As barracas de
lona, de madeira, de tapetes, de ramagens, alinhavam em grandes ruas. No topo do mastro flutuavam
bandeirolas. E homens enfardelados como orientais, mulheres com pluma na cabeça, outras com trajo
de nações estranhas, conservavam-se por trás dos balcões, onde, seguindo a rua e os misteres, se
desdobravam panos, reluziam jóias em caixas gradeadas, se perfilavam frascos de essência, se
amontoavam as peles, se confundiam as armas tauxiadas. N’outras ruas, sob tendas de lona, havia
cozinhas, grandes barricas de cerveja ou de vinho. E os saltimbancos ocupavam um lugar perto do rio,
que longos olmeiros assombravam. Em volta, por toda a vasta planície, era uma confusão de carros
descarregados, de pilas de madeira, de cavalgaduras presas pelas patas, de grandes gigos onde se
debatiam aves.
Apenas as portas da cidade se abriram, a multidão começou a encher as ruas da feira [...]
Eça de Queirós. Obra completa. Rio de Janeiro: José Aguilar. 1970, p. 1530.

Tauxiada: ornamentada, lavrada de embutidos de ouro, prata etc.


Saltimbanco: elemento de um elenco de artistas populares itinerantes.
Gigo: cesto de vime, estreito e alto.

Texto narrativo
Podemos dizer que a história do homem confunde-se com a história da narrativa. Contos fantásticos e
maravilhosos, fábulas, parábolas, histórias de suspense constituíram, durante muito tempo, a principal
forma de transmissão de conhecimento e registro da memória dos mais diversos povos.
O texto narrativo, ao contrário do descritivo, é dinâmico, pressupõe a transformação de estados e o
encadeamento de ações. Para tanto, torna-se necessária a criação dos elementos fundamentais de uma
narrativa: personagens, tempo e espaço. Há narração quando os personagens, por meio de ações,
transformam-se no tempo e no espaço determinados no desenvolvimento do texto. Esse conjunto
constitui o que se denomina enredo.
Portanto, para que um texto seja narrativo, é preciso criar personagens (e apresentá-los), instaurar um
problema que determinará o conflito central em torno do qual os personagens relacionam-se em busca da
solução. Quando chega ao auge, tem-se o clímax e daí em diante torna-se necessário apresentar a
resolução do problema, que constitui o desfecho. Normalmente, um texto narrativo, contém, ainda, uma
moral, que corresponde a uma avaliação, a um juízo de valor implícito no texto.
Além de todos esses elementos apresentados, é importante ressaltar que em um texto narrativo há um
narrador, aquele que “conta a história”. Ele assume um ponto de vista, que é demonstrado pelo uso da 1ª
ou da 3ª pessoa, revelando a primeira uma aproximação e a segunda um distanciamento, isto é, o
narrador em 1ª pessoa está mais próximo dos fatos narrados e o narrador em 3ª pessoa mais
distanciado, como se observasse “de longe” o que está acontecendo.
Leia este texto narrativo:
A incapacidade de ser verdadeiro
Carlos Drummond de Andrade
Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois
dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da
escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de
queijo. Desta vez, Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante
quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pala chácara de Siá
Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo
ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
– Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.

Título : Tipos Textuais (II): Dissertativo – Argumentativo

Quando as pessoas não sabem falar ou escrever adequadamente sua língua, surgem homens decididos a
falar e escrever por elas e não para elas. (Wendel Johnson)

Primeiramente, é preciso ficar claro que não acreditamos que haja texto dissertativo que não seja
argumentativo, daí a classificação. A dissertação, a nosso ver, está mais relacionada à forma (que ao
conteúdo) de um texto, que compreende as seguintes partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Já a argumentação está mais ligada ao conteúdo e pode apresentar-se em outras formas (como a
narração ou a descrição). Esse é o tipo de texto que revela a intenção do sujeito de convencer e/ou
persuadir “o outro” sobre a validade de uma tese, que compreende uma proposição (idéia proposta) a ser
defendida no desenvolvimento do texto.

Para tanto, Emediato (2004) sugere uma estrutura básica, que é constituída de:

1) Afirmação (tese, proposição);

2) posicionamento: que pode demonstrar concordância ou discordância com uma


tese já existente;

3) quadro de problematização: situa a argumentação em uma perspectiva (social, econômica, política,


ideológica, religiosa,etc.), direcionando o discurso do sujeito;

4) formulação de argumentos: provas, raciocínio lógico, justificativas ou explicações que dêem


sustentação à tese;

5) conclusão: resultado que se pretende com a defesa da tese pelos argumentos apresentados e sua
pertinência e adequação ao quadro de problematização.

Os argumentos podem ser divididos em dois grupos: os que são utilizados para persuadir e os que servem
para convencer. O primeiro grupo corresponde ao que Emediato denomina argumentação retórica, que se
apóia em valores, crenças e lugares comuns, ao passo que o segundo apóia-se em fatos e verdades e é
denominado argumentação demonstrativa pelo autor.
Um texto argumentativo normalmente é composto dos dois tipos de argumento, os quais o produtor do
texto deve associá-los na busca da defesa de sua tese, tornando seu texto coerente. No entanto,
dependendo do tipo de texto a ser produzido, pode haver predominância de um tipo sobre o outro. Para
essa relação, Emediato (2004, p. 169) propõe o seguinte quadro:

ARGUMENTAÇÃO DEMONSTRATIVA ARGUMENTAÇÃO RETÓRICA


Textos acadêmicos Textos publicitários e de marketing
Textos científicos Textos político-eleitorais
Textos jornalísticos informativos objetivos Textos religiosos e de intenção moral

Textos técnicos Textos de opinião

Há uma variedade de tipos de argumentos que podem ser utilizados na organização discursivo-textual do
texto argumentativo. Todavia, este não será objeto de estudo no momento, razão pela qual não nos
deteremos no assunto específico.

Título : A Organização dos Parágrafos

Embora um parágrafo seja definido pela extensão de uma margem em branco até um ponto final,
devemos salientar que o mais importante é a garantia de uma unidade de sentido para cada parágrafo de
um texto, o que não pode delimitar uma forma padrão.
Primeiramente, ao se elaborar um texto, é preciso um planejamento, um roteiro que norteará a
organização dele em parágrafos, de forma que haja um encadeamento lógico-semântico. Para tanto, faz-
se necessário investigar o conhecimento prévio que se tem sobre o assunto, pois esse conhecimento
permitirá um plano de organização do texto.
Em seguida, deve-se fazer um esboço da estrutura do texto a ser produzido, partindo-se da idéia central,
isto é, do tema escolhido. A partir dele, podem-se relacionar tópicos que possam ser desenvolvidos em
núcleos temáticos no interior do texto, de modo a se organizarem orações, períodos e parágrafos.

Para o planejamento dos parágrafos há sugestões de autores variados e uma delas, a qual é um consenso
entre muitos deles, foi sintetizada por Emediato (2004, p. 92) da seguinte forma:
Tempo → Histórico sobre o assunto, datas, origens, narrativa histórica. Quando?

Espaço → Locais, situações no espaço. Onde?


Definição → O que é? Definir, conceituar, explicar o significado de um conceito.
Enumeração → Lista de características, funções, princípios, fatores, fases, etapas etc.
Comparação → Estabelecer relações de semelhança e de diferença, contrastar.
Causas / Efeitos → Resultados, conseqüências, fatores causais.
Exemplificação → Fatos concretos, provas factuais.

Conclusão / Dedução geral sintetizando os dados e informações contidas nos



Dedução parágrafos anteriores.

A seleção de uma dessas formas direcionará a construção do texto, orientando a seqüência dos
parágrafos de acordo com a ênfase dada no início. É ela que estabelecerá as relações intratextuais e a
segmentação dos parágrafos.

É importante salientar, ainda, que não há uma fórmula mágica para a organização dos parágrafos em um
texto. O importante é estabelecer uma seqüência lógica que o torne claro. Para que se inicie bem um
texto (e, conseqüentemente, haja uma seqüência coerente), Faraco e Tezza (1992: 178) sugerem as
seguintes recomendações:

1) Iniciar o texto familiarizando o leitor com o assunto que será tratado, de modo que a introdução do
texto situe com clareza as coordenadas do texto (assunto, intenção, aspecto que se pretende abordar);

2) evitar o início do texto com uma frase avulsa, a não ser que o tipo de texto o exija (como a linguagem
publicitária, por exemplo), pois esse procedimento denota má estruturação;

3) utilizar períodos mais curtos, uma vez que os períodos longos tornam o texto prolixo e podem
desinteressar o leitor.

Título : Complemento gramatical

Na escrita, sabemos da necessidade de se respeitar a norma culta, a não ser que o tipo de texto não o
exija. Por exemplo, um texto literário, no qual se reproduz a fala dos personagens, se estes estiverem no
“papel” de pessoas comuns e o contexto permitir uma fala descontraída, então a norma padrão não
precisa ser seguida à risca, com a finalidade de imprimir realidade ao texto.

Todavia, em geral, precisamos cuidar da nossa linguagem e, principalmente, do uso da norma padrão em
textos do dia-a-dia. Por isso, passemos a algumas dicas sobre dúvidas que surgem ao ter-se que utilizar
esse português mais formal.

a. O uso do que.

O que, bastante utilizado como um elemento de coesão, pode simplesmente introduzir uma informação
complementar, como pode retomar um termo anterior. Veja nos exemplos:

(a) Ela me disse que não fará mais isso.


(b) O cão, que é fiel ao homem, jamais o trai.

No exemplo (a), o que introduz a segunda oração “que não fará isso”, complementando o verbo “disse”
(Ela disse o quê?). Nesse caso, trata-se de uma conjunção integrante, pois esta é sua função, integrar o
sentido da oração anterior.

Já no exemplo (b), o que relaciona-se ao antecedente “cão”, por isso é um pronome relativo. Ele poderia
até ser substituído por “o qual”. A informação principal encontra-se na oração “O cão jamais trai o
homem”. A segunda oração foi intercalada na oração principal, acrescentado-lhe uma informação.
Quando se usa o pronome relativo, ele pode introduzir uma informação complementar, mas de caráter
genérico, e, nesse caso, a oração iniciada pelo pronome apresenta-se destacada entre vírgulas (ou
travessões, ou parênteses). Esse tipo de pronome pode também restringir o termo a que se refere e,
nesse caso, a oração introduzida por ele não fica destacada pela pontuação. Vejamos os exemplos:

(c) O homem, que é sensato, não comete esse tipo de erro


(d) O homem que é sensato não comete esse tipo de erro.

No exemplo (c), entende-se que todos os homens (a humanidade) são sensatos, ao passo que no
exemplo (d) entende-se que há um grupo de homens que são sensatos e outro grupo dos que não o são.
No primeiro exemplo há uma generalização, a informação apenas complementa a anterior; no segundo, o
termo está sendo restrito.

b. Uso de porque, por que, por quê e porquê.

http://tiras-hagar.blogspot.com/2006_04_01_tiras-hagar_archive.html

• POR QUE

Pode ser utilizado em uma pergunta indireta (por que motivo) ou em substituição a “pelo(a) qual”.
Vejamos os exemplos:

(a) Não entendo por que você age assim.


(por que motivo)

(b) A rua por que passei, estava congestionada.


(pela qual)

• PORQUE

Este é geralmente usado em enunciados afirmativos. Veja o exemplo:

Fiz isso porque queria irritá-lo.

• POR QUÊ

É usado em final de sentença interrogativa. Exemplo:

Você fez isso, por quê?

• PORQUÊ

É um substantivo, sinônimo de motivo, razão e deve ser acompanhado de artigo. Vejamos o exemplo:

Não entendo o porquê de tanta revolta.


(o motivo)
Título: Uso da vírgula

A vírgula é um sinal de pontuação utilizado para marcar, na escrita, uma pausa (da fala) menor entre
várias informações existentes em um texto. Para sua utilização, há regras que devem ser seguidas.
Vejamos.

1) Não se separa o sujeito do predicado, independentemente da extensão do sujeito. Vejamos os


exemplos.
(a) O pai auxilia o filho em suas dificuldades.
(b) O pai dedicado auxilia o filho em suas dificuldades.
(c) O pai dedicado e atencioso auxilia o filho em suas dificuldades.
Nos exemplos, temos os seguintes sujeitos: em (a) o pai; em (b) o pai dedicado; em (c) o pai dedicado e
atencioso. Em todos os casos, não há vírgula.

2) A informação principal pode ser separada da informação complementar pela vírgula. Exemplo:
Sem notar a minha presença, ela entrou na sala à minha procura.
(informação complementar) (informação principal)
A menos que tenha outra sugestão, você pode seguir esse roteiro.
(informação complementar) (informação principal)

3) Termos acessórios, como o vocativo e o aposto, devem ser separados por vírgulas:
(a) Crianças, não gritem!
(vocativo)
(b) Luís Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, fez um pronunciamento na TV.
(aposto)

4) As expressões explicativas devem ser separadas por vírgulas.


Ele disse tudo, ou seja, a verdade.

5) Usa-se vírgula para isolar SIM ou NÃO que indicam respostas.


Sim, eu aceito o convite.

6) A vírgula pode indicar elipse (omissão de um termo)


Um disse a verdade, o outro, a mentira.
(disse)
7) Quando o adjunto adverbial é antecipado, usa-se vírgula para destacá-lo.
Na semana passada, todos foram à exposição.

8) Em datas, a vírgula separa a expressão locativa.


São Paulo, 01 de janeiro de 2007.

9) Algumas conjunções, como as conclusivas e adversativas, são separadas por vírgulas, conforme os
exemplos:
(a) Procurei minhas chaves na sala toda, porém não a encontrei.
(b) O aluno constatou, pois, sua aprovação no vestibular.
(c) Não estudou o suficiente; portanto, não foi aprovado.

10) A vírgula separa orações intercaladas.


A verdade, eu sei, é impossível ficar calada.

11) Usa-se vírgula para separar orações reduzidas (ou nas formas nominais: gerúndio, particípio ou
infinitivo), como nos exemplos:
(a) Chegando ao local, avise-me.
(b) Concluída a tarefa, recebeu os honorários.
(c) Ao sair, bateu a porta do carro.

12) A vírgula é usada para separar orações subordinadas adverbiais.


(a) Quando chegou ao prédio, comunicou-me.
(Or. Sub. Adv. Temporal)
(b) Embora quisesse muito, não foi à inauguração da loja.
(Or. Sub. Adv. Concessiva)
Em suma, para entender quando a vírgula será proibida, obrigatória ou facultativa, lembre-se:
• substitua a noção de pausa respiratória pela noção das noções sintáticas;
• ao usar uma vírgula, separa-se algo; ao usar duas vírgulas, isola-se algo.
• não separe por vírgulas aquilo que mantém um vínculo lógico.

Apresentamos, a seguir, um quadro para facilitar sua consulta, quando necessário.

Os principais casos de uso da vírgula

Vírgula proibida Exemplo


O ministro das Relações Exteriores da
França está em Brasília/
Entre sujeito e predicado ou entre predicado e sujeito.
Está em Brasília o ministro das
Relações Exteriores da França.
O presidente disse aos governadores
que não aceita a proposta; O ministro
informou aos jornalistas que não
Entre verbo e seu(s) complemento(s) participará da entrevista; O ministro
apresentou todos os projetos de
privatização aos investidores
presentes.
Vírgula obrigatória Exemplo
Se não chover, haverá jogo;
Quando a economia entrou em
Depois de orações adverbiais antepostas colapso,o ministro renunciou; Ao
deixar o governo, o prefeito voltará a
dar aulas na universidade.
Nosso time, que ganhou o torneio
Antes do que que introduz oração explicativa neste ano, foi vice dessa competição
em 55 e 56.
Os cariocas preferem praia; os
Quando há elipse do verbo
paulistas, shopping.
Irá a São Paulo, mas, se não receber
o cachê antes, não cantará; Disse
Para separar conjunções contíguas
que, quando for a Brasília, tentará
uma audiência com o presidente.
Jogou bem, mas perdeu; Estudou,
Antes de mas (com sentido de porém), porém, contudo, entretanto, porém foi reprovado; O acordo não
todavia, portanto, por isso etc. será renovado, portanto os empregos
serão mantidos.
Antes de e que introduza oração de sujeito diferente do da anterior,
Fifa pune Maradona, e Pelé recebe
se, sem a vírgula, houver a possibilidade de entender o sujeito da
prêmio.
segunda oração como complemento do verbo da primeira.
Ontem à noite, no Pacaembu, sem
Para separar adjuntos adverbiais de natureza diferente sete titulares, sob chuva forte, o
Corinthians derrotou o Juventude.

Vírgula optativa Exemplo

O São Paulo enfrenta neste sábado


mais um desafio (ou O São Paulo
enfrenta, neste sábado, mais um
desafio); O governador participará
Com expressões adverbiais breves, antepostas ou intercaladas em Brasília de uma reunião com o
ministro da Fazenda (ou O
governador participará, em Brasilia,
de uma reunião com o ministro da
Fazenda).
Depois de no entanto, entretanto, por isso, porém, contudo, No entanto o presidente deixou claro
portanto, todavia, quando essas palavras ou expressões iniciarem o que não aceitará a proposta da
período oposição (ou No entanto,o presidente
deixou claro que...).
O presidente aceita participar da
Atenção: essa opção não existe quando essas palavras ou
reunião, no entanto avisa que não
expressões não iniciarem o período
aceitará a proposta da oposição.
O prefeito deixará o partido se a
Câmara aprovar a CPI sobre títulos
públicos (ou O prefeito deixará o
partido, se a Câmara aprovar a CPI
dos títulos públicos);
Antes de orações adverbiais de alguma extensão que venham depois
O jogador não disputará a próxima
da principal
partida porque foi suspenso pelo
Tribunal de Justiça da CBF (ou O
jogador não disputará a próxima
partida, porque foi suspenso pelo
Tribunal de Justiça da CBF).
Fonte: Manual de Redação da Folha de S. Paulo.