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DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE E DO VÍNCULO CONJUGAL

SOCIEDADE CONJUGAL E VÍNCULO CONJUGAL

 O casamento estabelece, concomitantemente, a sociedade conjugal e o vínculo matrimonial.

 A sociedade conjugal é, pois, formada com o casamento, consistindo num complexo de direitos e
obrigações que formam a vida em comum dos cônjuges

 O casamento gera direitos e deveres de conteúdo moral, espiritual e econômico

 Art. 1.571. É taxativa a enumeração das causas que fazem terminar a sociedade conjugal:

a) Pela morte de um dos cônjuges;

b) Pela nulidade ou anulação do casamento;

c) Pela separação judicial*;

d) Pelo divórcio*.

§ 1º. O casamento válido SÓ se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo divórcio, aplicando-
se a presunção estabelecida neste Código quanto ao ausente.

PEC DO DIVÓRCIO

 Promulgação da Emenda Constitucional 66/2010: inviabilizou juridicamente a separação de direito


(separação judicial e separação extrajudicial), que foi banida do sistema jurídico.

 Não vige mais o sistema bifásico, a despeito da controvérsia ainda existente na doutrina e na
jurisprudência

 Persiste, assim, apenas o divórcio direto

 Não há mais prazo para o casal se divorciar (divórcio como direito potestativo das partes)

Art. 226, § 6º, da CF/88 Art. 226, § 6º, da CF/88


Redação original Redação atual

“O casamento civil pode ser dissolvido pelo “O casamento civil pode ser dissolvido pelo
divórcio, após prévia separação judicial por divórcio”
mais de um ano nos casos expressos na lei, ou
comprovada separação de fato por mais de
dois anos.

SEPARAÇÃO DE DIREITO

 É causa de dissolução de sociedade conjugal, NÃO rompendo o vínculo matrimonial: nenhum dos
consortes poderá convolar novas núpcias.
 É uma medida preparatória da ação do divórcio;

 Art. 1574. Será possível quando os cônjuges forem casados por mais de 01 ano e o manifestarem
perante o juiz.

 São duas as espécies de separação de direito: a consensual (judicial e extrajudicial) e a litigiosa


(separação-sanção, separação-ruptura e separação-remédio).

SEPARAÇÃO EXTRAJUDICIAL CONSENSUAL

 NÃO havendo filhos menores ou incapazes, a separação consensual poderá ser feita por escritura
pública, na qual constarão todas as disposições relativas à partilha de bens, pensão alimentícia e
nome do cônjuge.

 O tabelião só lavrará a escritura se os cônjuges estiverem assistidos por advogados ou pela


defensoria pública.

 A escritura não depende de homologação judicial.

SEPARAÇÃO JUDICIAL LITIGIOSA

 É realizada a pedido de um dos cônjuges, mediante processo contencioso, qualquer que seja o
tempo de casamento;

 O litígio pode versar apenas sobre os termos da separação (partilha de bens, filhos, etc)

 Encontra suas bases fundadas na culpa ou na ruptura da vida em comum (causas subjetivas) e em
causas objetivas

 Art. 1572. Devem estar presentes as hipóteses legais que tornam insuportável a vida em comum,
dando origem a 3 espécies de separação litigiosa:

a) Separação-sanção: quando um dos consortes imputar ao outro qualquer ato que importe em grave
violação dos deveres matrimoniais que torne insuportável a vida em comum. (Art. 1572, caput)

OBS: Sanção ao cônjuge culpado: perda do direito do uso do sobrenome do cônjuge inocente e perda
do direito a alimentos integrais.

Art. 1573. Caracterizam a impossibilidade da vida em comum, justificando a ação de separação


judicial litigiosa:

 adultério;

 tentativa de morte;

 sevícia ou injúria grave;

 abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo;

 condenação por crime infamante;

 conduta desonrosa.
b) Separação-ruptura: quando qualquer dos cônjuges provar a ruptura da vida em comum há mais de
01 ano e a impossibilidade de sua reconstituição.(Art. 1572, § 1º)

c) Separação-remédio: pelo fato de o outro cônjuge estar acometido de grave doença mental,
manifestada após o matrimônio, que torne impossível a continuação da vida em comum, DESDE
QUE, após uma duração de 2 anos, a enfermidade tenha sido reconhecida de cura improvável. (Art.
1572, § 2º)

OBSERVAÇÕES:

 Seja qual for à causa da separação judicial e o modo como esta se faça, é licito aos cônjuges
restabelecer, a todo tempo, a sociedade conjugal, por ato regular em juízo.”

COMPETÊNCIA

Art. 53 É competente o foro:

I – para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união


estável:

a) de domicílio do guardião de filho incapaz;

b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;

c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal;

II – de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos;

O USO DO NOME DO CÔNJUGE

A) NA SEPARAÇÃO CONSENSUAL:

 O cônjuge decide livremente a respeito do uso do nome do outro. A omissão a esse respeito não
significa renúncia.

B) NA SEPARAÇÃO LITIGIOSA (art. 1578)

 O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do
outro, desde que expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar:

I. evidente prejuízo para a sua identificação;

II. manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida;

III. dano grave reconhecido na decisão judicial.

OBS: O cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar, a qualquer momento, ao
direito de usar o sobrenome do outro.
SEPARAÇÃO DE FATO

 Fenômeno natural em que os cônjuges decidem pôr fim ao vínculo conjugal, sem, no entanto,
recorrer aos meios legais.

 Põe fim ao regime de bens e ao dever conjugal de coabitação e de fidelidade

 Somente será reconhecido o direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se este, ao tempo da morte
do outro, não estava separado de fato há mais de dois anos.

DIVÓRCIO

 Desaparece qualquer requisito temporal

 Basta a exibição da certidão de casamento

 Ação personalíssima. OBS: no caso de incapacidade, tem legitimidade o curador, o ascendente ou o


irmão.

 Art. 1581: pode ser concedido sem que haja prévia partilha de bens (súmula 197, STJ)

 Pode ser concedido, inclusive, em sede de antecipação de tutela, deixando a discussão sobre guarda,
alimentos, partilha e uso do sobrenome para depois.

DIVÓRCIO E A CULPA

 Duas correntes:

a) Impossibilidade de discussão da culpa.

b) Mitigação da culpa em situações complexas, como atribuição de responsabilidade civil ao cônjuge


culpado e fixação de alimentos.

O USO DO NOME

 Como, via de regra, não há mais discussão da culpa pelo fim do casamento, entende-se como
revogado o art. 1578 e § 1º do CC.

 STJ: a utilização do sobrenome é uma faculdade do cônjuge, pois é um direito de personalidade

A GUARDA DOS FILHOS

 Não há qualquer impacto sobre a guarda, uma vez que a culpa já não gera mais qualquer
consequência jurídica

 Art. 1.583 e 1.584: guarda unilateral e guarda compartilhada

1) GUARDA UNILATERAL:

a) Apenas um dos genitores fica com o encargo físico do cuidado aos filhos, cabendo ao outro exercer
as visitas.

b) Pode ser requerida por acordo dos pais ou por qualquer deles ou ser decretada mediante decisão
judicial.
Crítica: priva o menor da convivência contínua com um dos pais.

2) GUARDA COMPARTILHADA:

a) Os filhos permanecem sob a autoridade equivalente de ambos os genitores, que vêm a


tomar decisões importantes em conjunto quanto ao seu bem estar, educação e criação.

b) O filho tem apenas um lar, mas convive sempre que possível com ambos os pai, o que lhe assegura
o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social completo.

c) Pressupõe um mínimo de convivência entre os genitores

3) GUARDA ALTERNADA:

a) O filho permanece um tempo com o pai e um tempo com a mãe. Esse tempo pré-determinado pode
ser anual, semestral, mensal, findo o qual os papéis dos detentores se invertem, alternadamente.

b) De certo modo, é também unilateral porque só um dos pais num curto espaço de tempo detém a
guarda.

CRÍTICA: a criança perde o referencial de lar.

 Art. 1584, § 3º: o juiz, de ofício ou a requerimento do MP, poderá basear-se em orientação técnico-
profissional ou de equipe multidisciplinar

 Art. 1588: o pai ou mãe que contrair novas núpcias não perderá o direito de ter consigo os seus
filhos, mas apenas por mandado judicial.

 Art. 1589: estabelece o direito de visitas, segundo o que for acordado com o outro cônjuge ou fixado
pelo juiz. OBS: estende-se aos avós.

ALIMENTOS NO DIVÓRCIO

 Antes da PEC do Divórcio:

a) O cônjuge culpado NÃO podia pleitear alimentos do cônjuge inocente. Só este podia pleitear do
culpado. (art. 1704, caput)

Exceção: o culpado tem direito aos alimentos indispensáveis a sua sobrevivência, SE não tiver
parentes em condições de prestá-los nem aptidão para o trabalho. (art. 1694, § 2º)

 Depois da PEC do Divórcio: 2 correntes:

a) Impossibilidade total de discussão de culpa. Alimentos fixados segundo o trinômio necessidade-


possibilidade-razoabilidade.

b) Possibilidade de discussão da culpa na ação de divórcio, podendo os alimentos serem definidos


nesta demanda ou em ação autônoma.