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CURSO DE

INTRODUÇÃO À PSICANÁLISE:
Teoria e técnica

MÓDULO II
MÓDULO II

I - O determinismo psíquico e os processos mentais


inconscientes.

A psicanálise é uma disciplina científica, que como qualquer


outra doutrina científica, deu origem a certas teorias que derivam de
seus dados de observação e que procuram ordenar e explicar esses
dados.
É importante compreender que a teoria psicanalítica se interessa
tanto pelo funcionamento mental normal como pelo patológico. De forma
alguma, constitui apenas uma teoria de psicopatologia. É verdade que a
prática da psicanálise consiste no tratamento de pessoas que se acham mentalmente
enfermas ou perturbadas, mas as teorias psicanalíticas se referem tanto ao normal
quanto ao patológico, ainda que se tenham derivado essencialmente do estudo e do
tratamento da anormalidade.
Como em qualquer disciplina científica, as diversas hipóteses da teoria
psicanalítica se relacionam mutuamente. Algumas são mais importantes que as outras, e
algumas já tiveram grande comprovação e parecem ser tão fundamentais em sua
significação, que nos inclinamos a considerá-las, como leis estabelecidas a respeito da
mente.
Duas destas hipóteses, que foram acentuadamente confirmadas, é o princípio do
determinismo psíquico, ou da causalidade, e a proposição de que os processos mentais
inconscientes são de grande frequência e significado no funcionamento mental normal,
bem como anormal.
Vamos começar falando do princípio do determinismo psíquico. O sentido deste
princípio é de que na mente, nada acontece por acaso. Cada evento psíquico é
determinado por aqueles que o precederam. Os eventos em nossa vida mental que
podem parecer não relacionados com os que os precederam, o são apenas na
aparência. Nesse sentido, não existe descontinuidade na vida mental.
Se compreendermos e aplicarmos corretamente este princípio, jamais
admitiremos qualquer fenômeno psíquico como sem significação ou como acidental.
Deveremos sempre nos perguntar, em relação a qualquer fenômeno no qual estejamos
interessados: “Que os provocou? Por que aconteceu assim?” Formulamos estas
perguntas por estarmos certos de que existe uma resposta para elas. Se pudermos
encontrar a resposta com facilidade e rapidez, isso naturalmente já é outra questão; mas
sabemos que a resposta existe.
Esquecer ou perder alguma coisa, por exemplo, é uma experiência comum na
vida das pessoas. Geralmente, a idéia é a de que o fato é uma “casualidade”, que isso
“apenas aconteceu”. No entanto, uma investigação de muitas dessas “casualidades”
realizadas por psicanalistas nos últimos anos (a começar pelos estudos do próprio
Freud) mostrou que de maneira nenhuma elas são acidentais. Pelo contrário, pode-se
demonstrar que cada uma delas foi provocada por um desejo ou intenção da pessoa
envolvida, de acordo com o princípio do funcionamento mental que estamos
examinando.
Se nos voltarmos aos fenômenos da psicopatologia, podemos dizer que cada
sintoma neurótico, qualquer que seja sua natureza, é provocado por outros processos
mentais, apesar do fato de que o próprio paciente habitualmente considera o sintoma
como estranho e completamente desligado do resto da sua vida mental. Contudo, as
conexões existem e são demonstráveis, apesar de o paciente não se dar conta de sua
presença.
Atente agora para o fato, de que estamos falando não só a respeito da primeira
das nossas hipóteses fundamentais, o princípio do determinismo psíquico, mas também
a respeito da segunda, isto é, a existência de processos mentais dos quais o sujeito não
se dá conta ou é inconsciente.
A relação entre estas duas hipóteses é tão próxima que dificilmente se pode
examinar uma sem suscitar a outra. É exatamente o fato de tantas coisas em nossa
mente serem inconscientes – isto é, desconhecidas para nós – que responde pelas
“aparentes” descontinuidades em nossa vida mental.
Quando um pensamento, um sentimento, um esquecimento acidental, um sonho
ou um sintoma parecem não se relacionar com algo que aconteceu antes na mente, isso
significa que sua conexão causal se apresenta em algum processo mental inconsciente,
em vez de num processo consciente.

Se se pode descobrir a causa ou as causas inconscientes, então todas as


aparentes descontinuidades desaparecem e a cadeia causal, ou sequência, torna-se
clara.
Vamos pensar em um exemplo bem simples. Uma pessoa pode se surpreender,
cantarolando uma melodia sem ter nenhuma idéia de como ela lhe veio à mente. No
entanto, neste exemplo particular, um espectador afirma-nos que a referida melodia foi
ouvida pela pessoa poucos momentos antes de haver penetrado em seus pensamentos
conscientes, como se não tivesse vindo de parte alguma. Foi uma impressão sensorial,
nesse caso auditiva, que compeliu a pessoa a cantarolar a melodia. Visto que ela não se
deu conta de ter ouvido a melodia, sua experiência subjetiva foi a de uma
descontinuidade em seus pensamentos, sendo necessário o testemunho do espectador
para remover a aparência de descontinuidade e tornar clara a cadeia causal.
É raro, no entanto, que um processo inconsciente seja descoberto de forma tão
simples, como no exemplo citado. Naturalmente, deseja-se saber se existe um método
geral para descobrir processos mentais dos quais o próprio indivíduo não se dá
conta. Podem eles, por exemplo, ser observados diretamente? Caso contrário, como
pôde Freud descobrir a frequência e a importância de tais processos em nossa vida
mental?

Ainda não dispomos de um método que nos permita observar diretamente


os processos mentais inconscientes. Todos os nossos métodos
para estudar tais fenômenos são indiretos. Eles nos permitem inferir a existência desses
fenômenos e muitas vezes determinar sua natureza e seu significado na vida mental do
sujeito que é objeto do nosso estudo.
O método mais eficiente e de maior confiança de que dispomos para estudar os
processos mentais inconscientes é a técnica que Freud desenvolveu durante vários
anos. Ele denominou essa técnica de psicanálise pela simples razão de ter sido capaz,
com sua ajuda, de discernir e descobrir os processos psíquicos que, de outra forma,
teriam permanecidos ocultos. Com a ajuda da sua nova técnica, Freud se apercebeu da
importância dos processos mentais inconscientes na vida psíquica de todo sujeito,
mentalmente enfermo ou não.
Assim, Freud, ouvindo as associações “livres” do paciente – que eram na
verdade livres do controle consciente – era capaz de formar uma imagem, por inferência,
do que inconscientemente estava ocorrendo no psiquismo do paciente.
O que descobriu, no decorrer de anos de escuta de seus pacientes e de
cuidadosa observação, foi que não somente os sintomas histéricos, mas também muitos
outros aspectos normais e patológicos do comportamento e do pensamento eram o
resultado do que inconscientemente estava acontecendo no psiquismo daquele sujeito.
No curso do estudo dos fenômenos mentais inconscientes, Freud logo descobriu
que estes poderiam ser divididos em dois grupos:
- elementos psíquicos pré-conscientes- este grupo compreende
pensamentos, lembranças, etc., que podem se tornar conscientes por um esforço de
atenção. Tais elementos psíquicos têm acesso fácil àconsciência.
- elementos psíquicos inconscientes – compreendem aqueles elementos que
só podem tornar-se conscientes a custo de considerável esforço. Em outras palavras,
eles são barrados da consciência por uma forçaconsiderável.
Freud pode demonstrar também, que o fato de serem inconscientes, não os
impedia de exercer uma influência significativa no funcionamento mental. Além disso, foi
capaz de demonstrar que os processos inconscientes podem ser bastante comparáveis
aos conscientes em precisão ecomplexidade.
Como dissemos anteriormente, não dispomos de um meio de observar
diretamente as atividades mentais inconscientes, mas evidências desse fato podem ser
derivadas de uma observação clínica, ou mesmo geral.
Por intermédio da técnica de investigação dos sonhos (o que trataremos mais
adiante), descoberta por Freud, pode-se constatar evidências das atividades mentais
inconscientes. Tomemos como exemplo, os sonhos nos quais a pessoa que shah, está
bebendo, somente para acordar e perceber que está sedenta, ou shah que está
urinando ou defecando e acorda com a necessidade de se aliviar. Tais sonhos
demonstram igualmente, que durante o sono, a atividade mental inconsciente pode
produzir um resultado consciente – nesses casos em que uma sensação corporal
inconsciente e os anseios a ela ligados dão origem a um sonho consciente da desejada
satisfação ou alívio. Tal demonstração em si é importante e pode ser feita sem uma
técnica especial deobservação.
No entanto, por meio da técnica psicanalítica, Freud pôde demonstrar que por
trás de todo sonho existem pensamentos e desejos inconscientes ativos, e assim
estabelecer, como regra geral, que quando se produzem sonhos, estes são provocados
por uma atividade mental que é inconsciente para o sonhador, e que assim
permaneceria a menos que se empregue a técnica psicanalítica.
Existem outros fenômenos, que também examinaremos mais adiante, que
demonstram como as atividades inconscientes podem influenciar nosso comportamento
consciente. Eles ocorrem nos períodos de vigília, e são chamados em geral, de atos
falhos ou lapsos: lapsos da linguagem, da escrita, da memória e similares.
Como no caso dos sonhos, a significação inconsciente de alguns lapsos torna-se
bastante clara. Não é difícil deduzir, que um rapaz que tem alguma hesitação sobre o
casamento se ele nos contar que, quando se dirigia para a igreja, parou num sinal de
trânsito e só quando este mudou é que percebeu que se detivera para um sinal verde
em vez de vermelho.
Outro exemplo bem evidente, que poderia ser considerado mais como um ato
sintomático que um lapso, foi fornecido por um paciente cuja hora de sessão de
análiseforacanceladaporsolicitaçãodoanalista.Opacientesesentiuumtanto
perdido durante o tempo em que se ocupava habitualmente em vir ao tratamento, e
decidiu experimentar um par de pistolas de duelo antigas que comprara há pouco tempo.
De modo que durante o tempo em que comumente ele estaria deitado no divã do
analista, estava atirando com uma pistola sobre umalvo!
Penso que, mesmo sem as associações do paciente, alguém poderia se sentir
com bastante segurança para presumir que ele estava irritado com o analista por não
atendê-lo aqueledia.

Podemos acrescentar que Freud, pôde por intermédio da técnica psicanalítica,


mostrar que a atividade mental inconsciente desempenha um papel na produção de
todos os atos falhos e não apenas naqueles em que o significado de tal atividade é de
fácilevidência.

Pode-se notar também, que muitas vezes, os motivos para o comportamento de


determinada pessoa podem frequentemente parecer óbvio para o observador, embora
para ela seja desconhecido. Um exemplo é o do pacifista que está pronto a brigar
violentamente com qualquer pessoa que contradiga seu ponto de vista sobre a
indesejabilidade da violência. É obvio que seu pacifismo consciente se faz acompanhar
de um desejo inconsciente de lutar, o que, no caso, é exatamente o que sua atitude
conscientecondena.

Por certo, a importância da atividade mental inconsciente foi primeiramente


demonstrada por Freud no caso dos sintomas de pacientes mentalmente enfermos.
Como resultado das descobertas de Freud, a idéia de que tais sintomas têm um
significado desconhecido para o paciente é agora geralmente aceita e bem
compreendida.

Se o paciente sofre de uma cegueira histérica, por exemplo, naturalmente


presumimos que existe algo inconsciente que ele não deseja ver, ou que sua
consciência o proíbe de olhar. É verdade que nem sempre é de todo fácil perceber o
significado inconsciente de um sintoma. E muitas vezes também, os determinantes
inconscientes para um único sintoma podem ser vários e muito complexos, de modo
que, ainda que se possam fazer conjecturas, estas são apenas uma parte de toda a
verdade. No entanto, nosso objetivo agora, é só demonstrar a existência dos processos
mentais inconscientes.
Ainda que agora, em nossas ilustrações, possamos perceber o poder da
atividade mental inconsciente, não podemos esquecer que foi o uso da técnica
psicanalítica que tornou esta descoberta possível e isto foi essencial para o estudo mais
completo dos fenômenos mentais inconscientes.
Freud convenceu-se de que de fato, a maior parte do funcionamento mental se
passa fora da consciência. Isso constitui, por certo, um contraste marcante com o
conceito que prevalecia antes, o de que consciência e funcionamento mental eram
sinônimos. Acreditamos que os dois, não são de modo algum, a mesma coisa. A
consciência não precisa participar, e frequentemente não participa das atividades
mentais que são decisivas na determinação do modo de agir do sujeito, ou daquelas que
são as mais complexas e as mais precisas em sua natureza. Tais atividades, mesmo as
complexas e decisivas, podem ser completamente inconscientes.

II – A Pulsão ou Impulso

Prossigamos em nosso propósito de apresentar a teoria psicanalítica, agora


tratando das forças instintivas que habitam o psiquismo.
Inicialmente, é preciso fazer um parêntese. Muitas vezes o que aqui se chama
de pulsão ou impulso é também denominado instinto. A distinção a se fazer é a seguinte:

Instinto
É um esquema de comportamento característico de
uma espécie animal, que varia muito pouco de um
sujeito para o outro. É transmitido geneticamente e
parece atender a uma finalidade.
Pulsão ou Impulso

O que chamamos de impulso no homem, não


pressupõe uma resposta estereotipada, mas apenas um
estado de excitação central frente ao estímulo. A atividade
motora que se segue a esse estado de excitação é mediada
por uma parte da mente bastante diferenciada que se
conhece como “ego” na terminologia psicanalítica, e que
permite que a resposta ao estado de excitação seja
modificada pela experiência e reflexão, em vez de ser
predeterminada, como é o caso dos instintos dos animais
inferiores.

Podemos acrescentar, que no caso do homem também existem alguns


desejos ou impulsos instintivos que são predeterminados por fatores genéticos. No
adulto, por exemplo, existe obviamente uma conexão íntima entre o impulso sexual e
aquele padrão inato de respostas ao qual chamamos de orgasmo. No entanto, o
grau no qual este tipo de resposta aparece é muito menor no homem do que parece
ser em outros animais. E ainda, os fatores ambientais ou da experiência do sujeito
tem muito mais chance de modificar esta respostareflexa.
Aqui usaremos o termo pulsão. Uma pulsão é, portanto, um constituinte
psíquico, que, quando em ação produz um estado de excitação psíquica ou, como
dizemos tensão. Esta tensão impele o sujeito para a atividade, é também
geneticamente determinada de uma forma geral, mas pode ser influenciada,
alterada, pela experiência individual,subjetiva.
Essa atividade deve levar a algo que chamamos de cessação da excitação
ou da tensão, ou de gratificação. Quando falamos da cessação da excitação ou da
tensão nos referimos a uma terminologia mais objetiva, enquanto falamos de
gratificação, reportamo-nos a uma terminologia mais subjetiva.
Assim, vemos que há uma sequência que é característica da ação do impulso.
Podemos chamar essa sequência de:

- Tensão → atividade motora e cessação datensão.


- Necessidade → atividade motora egratificação.
Enquanto a primeira terminologia deixa de lado os elementos da experiência
subjetiva, a segunda se refere explicitamente a ela.
Freud percebeu que a característica das pulsões, de impelir o sujeito à atividade,
era análoga ao conceito de energia física, que certamente se define como a capacidade
de produzir trabalho. Por conseguinte, presumiu que há uma energia psíquica que
constitui uma parte dos impulsos, ou de certa forma deriva deles.
Esta energia psíquica, não é de modo algum igual à energia física. É somente
análoga em alguns aspectos. O conceito de energia psíquica, assim como o conceito de
energia física, é uma hipótese que tem por objetivo servir ao propósito de simplificar e
facilitar nossa compreensão dos fatos da vida mental que podemos observar.
Continuando com a analogia, podemos falar do quantum de energia psíquica
com o qual um objeto ou determinada pessoa estão investidos. Freud usou a palavra
alemã Besetzung, que foi traduzida para o português como Catexia.

Catexia
É a quantidade de energia psíquica que se dirige ou se
liga à representação mental de uma pessoa oucoisa.

Isso quer dizer que o impulso e sua energia são considerados como fenômenos
intrapsíquicos. Aquilo que é catexizado são as diversas lembranças, pensamentos e
fantasias do objeto, que compreendem o que chamamos representações mentais ou
psíquicas.
Podemos ilustrar nossa definição de catexia, por meio do exemplo, da criança
pequena cuja mãe, assim como é esperado, é a principal fonte de gratificação. Com
isso, queremos dizer que a mãe é um objeto altamente catexizado.

Classificação das pulsões - Voltemo-nos agora para a questão da


classificação das pulsões. A teoria instintual de Freud desenvolveu-se a partir de
observações clínicas. O impulso sexual parecia ser central à patogênese da histeria.
Freud estava principalmente preocupado com o impulso sexual, durante a década de
1890 e no início do séculoXX.
Embora originalmente tivesse postulado um instinto autopreservativo nos anos
1890, não o elaborou até uns 20 anos depois. À medida que a teoria psicanalítica
evoluía, sua teorização sobre o papel dos instintos tornou-se cada vez mais abstrata e
afastada de dados clínicos.
As hipóteses de Freud sobre sua classificação se modificaram e se
desenvolveram no transcurso de três décadas. Na sua última formulação, Freud
presume a existência de dois impulsos, o sexual e o agressivo. O primeiro impulso dá
origem ao componente erótico das atividades mentais, enquanto o outro gera o
componente puramente destrutivo.
Tal teoria presume que em todas as manifestações pulsionais que podemos
observar, sejam normais ou patológicas, participam ambas as pulsões: sexual e
agressiva. Para empregar a terminologia de Freud, os dois impulsos se encontram
regularmente “fundidos”, embora não necessariamente em quantidades iguais.
Assim, mesmo o mais insensível ato de crueldade intencional, que
aparentemente parece satisfazer apenas algum aspecto do impulso agressivo, ainda
assim possui algum significado sexual inconsciente para seu autor e lhe proporciona
certo grau de gratificação sexual inconsciente. Do mesmo modo, não há ato de amor,
por mais terno que seja que não proporcione ao mesmo tempo um meio inconsciente de
descarga da pulsãoagressiva.
Queremos dizer com isso, que as pulsões não são observáveis como tal no
comportamento humano de forma pura ou não mesclada. São abstrações dos dados da
experiência. São hipóteses – conceitos operacionais, para usar expressão que
está em moda hoje em dia – que acreditamos que nos permitem compreender e explicar
nossos dados na forma mais simples e sistemática possível. De modo que não devemos
esperar ou procurar um exemplo clínico o qual a pulsão agressiva apareça isolada da
sexual, ou vice-versa.
Distinguimos então, dois impulsos ou pulsões. Um deles é chamado de pulsão
sexual ou erótica e o outro de pulsão agressiva ou destrutiva. Assim, temos então duas
espécies de energia psíquica. A energia que está ligada a pulsão sexual, tem o nome de
libido e a que está ligada a pulsão agressiva leva o nome de energia agressiva.
Pulsão sexual → libido
Pulsão agressiva → energia agressiva

É importante perceber, que a divisão dos impulsos em sexual e agressivo em


nossa teoria atual se baseia na evidência psicológica. Em sua formulação original Freud
procurou relacionar a teoria psicológica das pulsões com conceitos biológicos mais
fundamentais, e propôs que as pulsões se denominassem pulsão de vida e pulsão de
morte. Há alguns analistas que aceitam o conceito de um impulso de morte, enquanto
outros (talvez a maioria atualmente) não oaceitam.
Os impulsos estão intimamente relacionados com fatos observáveis. Há muitos
meios pelos quais se pode fazer isso, mas talvez um meio tão bom quanto qualquer
outro consista em examinar um aspecto dos impulsos que mostrou ser particularmente
significativo tanto para a teoria como para a prática, qual seja seu desenvolvimento
genético.
Comecemos com o impulso sexual, uma vez que estamos mais familiarizados
com seu desenvolvimento e vicissitudes que com os de seu ocasional parceiro e, às
vezes, rival, o impulso agressivo.
A teoria psicanalítica postula, que estas forças já estão em atividade no bebê,
influenciando o comportamento e clamando por gratificação, que mais tarde produz os
desejos sexuais do adulto, com todo seu sofrimento e êxtase. É bom dizer que se
considera esta proposição amplamenteaprovada.
As provas válidas provêm de pelo menos três fontes. A primeira é a observação
direta de crianças. São óbvias as evidências de desejos e comportamentos sexuais em
crianças pequenas, quando se quer observá-las, e conversar com elas com disposição
objetiva e sem preconceitos.

Infelizmente, é aí que surge o obstáculo, porque precisamente em virtude da


necessidade de cada pessoa esquecer e negar os desejos e conflitos sexuais da sua
própria infância remota, quase ninguém, antes das descobertas de Freud, foi capaz de
reconhecer a presença evidente de desejos sexuais nas crianças que observara.

As outras fontes de evidência sobre esse ponto provêm da análise de crianças e


de adultos. No caso da análise de crianças pode-se ver diretamente, e no caso da
análise de adultos inferir reconstrutivamente a grande significação dos desejos sexuais
infantis, bem como sua natureza.
Vamos agora, tratar de modo sistemático aquilo que se conhece da
sequência típica das manifestações do impulso sexual desde a infância. Freud, em
1905, nos Três ensaios sobre a sexualidade descreveu seus pontos essenciais.

O aluno deve compreender que as fases a serem descritas não são tão distintas
uma da outra quanto nossa apresentação esquemática pode transparecer. Na realidade,
cada fase se confunde com a seguinte e as duas se superpõem, de modo que a
transição de uma para a outra é muito gradual. Pela mesma razão, os períodos
assinalados como duração de cada fase devem ser entendidos como muito próximos.
Fase oral – Nos primeiros meses de vida, o bebê experimenta fome e frustração
na ausência do seio e a descarga que satisfaz a necessidade de tensão quando o seio
está presente. Tensão e fome forçam o reconhecimento e a aceitação de pessoas no
mundo externo. Segundo Freud, então, a primeira percepção psicológica de um objeto
surge da intensa necessidade fisiológica de uma experiência familiar que proporciona
gratificação e alivia a tensão.
A resposta da mãe à criança é decisiva para lançar as fundações para a base
mais rudimentar e essencial do desenvolvimento posterior de relações de
objetoeacapacidadeparaingressarnomundodossereshumanos.Elasetornao
primeiro objeto de amor para o bebê, no sentido em que é reconhecida como fonte da
gratificação da fome e a provedora do prazer erótico que o bebê obtém a partir do sugar.
Se um relacionamento confiável e afetuoso foi estabelecido entre mãe e filho
durante os primeiros meses de vida, o palco está preparado para o desenvolvimento de
relacionamentos confiáveis e afetuosos com outras pessoas ao longo da vida.
Ao contrário, quando o vínculo inicial mãe-bebê e a experiência de alimentação
são perturbados, está estabelecida a base para problemas subsequentes na área de
relações de objeto. Se a mãe não está disponível durante a fase inicial de sucção do
estágio oral, a frustração pode ser tão intensa que o bebê cresce com desejos intensos
de ser alimentado e cuidado poroutros.
Se a fixação ocorre durante a fase de morder do estágio oral, por exemplo, a
criança pode ser atormentada por tendências agressivas orais ao longo da vida. Estes
impulsos podem ser manifestados em um apetite voraz ou uma tendência a fazer
comentários mordazes sobre os outros, os quais são destrutivos para os
relacionamentos.

Fase anal

Após os bebês passarem pelo estágio oral


durante os primeiros 18 meses de vida, eles
entram no estágio anal, que dura
aproximadamente dos 18 aos 36 meses de idade.
Uma diferença notável é que, no estágio anal, a
criança é muito menos passiva do que no estágio
oral. Além disso, as demandas do treinamento
esfincteriano durante o período anal conduzem a
uma luta de vontades entre mãe efilho.
A erotização do estágio anal envolve tanto a sensação de prazer da excreção
como posteriormente, a estimulação erótica da mucosa anal por meio da retenção
dasfezes.
Freud observou a conexão entre impulsos anais e sádicos. Inicialmente, o
objeto da atividade anal-sádica é as fezes, e sua eliminação é considerada como um
ato sádico. À medida que o estágio anal progride, o sadismo assume uma natureza
mais impessoal. Nas lutas em desenvolvimento em relação ao treinamento
esfincteriano, a criança aprende a exercer poder sobre os pais cedendo ou retendo
as fezes. A sensação de poder sobre o ambiente que surge com o controle do
esfíncter representa outro elemento sádico.

Relativo ao ESFÍNCTER - Músculo circular que envolve alguns orifícios


naturais, assim como a embocadura do canal excretor de certos órgãos
ocos. O esfíncter se compõe ou de músculos estriados, que obedecem às
estimulações da consciência ou de fibras musculares lisas, que se
contraem e se relaxam sob a influência de estimulações reflexas ou ainda
de mistura dasduas.

Antes do treinamento esfincteriano, a eliminação e a retenção prazerosa são


essencialmente autoeróticas porque elas não exigem a presença ou o auxílio de um
objeto externo.
O ato de defecação durante este período está imbuído de um sentimento de
onipotência como resultado. As fezes tornam-se libidinizadas porque representam
prazer. Posteriormente, a criança desenvolve uma visão ambivalente das fezes como
conteúdos do corpo que são tanto externos como internos. Em outras palavras, a criança
considera as fezes tanto como “eu” quanto como “não eu”. Por outro lado, as fezes são
amadas e retidas ou reinternalizadas; por outro lado, são odiadas eexpelidas.
A ambivalência associada ao estágio anal pode ser transferida para objetos do
ambiente externo. A estimulação associada à limpeza da área anal pode levar a fortes
sentimentos eróticos em relação à mãe. Posteriormente, batalhas em relação ao
treinamento esfincteriano produzem sentimentos agressivos e odiosos em relação a
figurasparentais.
Freud sugeriu que as pessoas obsessivo-compulsivas regridem para o estágio
anal do desenvolvimento. A ambivalência associada às fezes, em conjunção com o
controle parental, leva estas pessoas a tornarem-se compulsivamente asseadas, rígidas,
dominadoras e pedantes. Freud também as descreveu como intensamente
ambivalentes, atormentadas por sentimentos simultâneos tanto de controlar e de reter o
objeto quanto de expeli-lo e destruí-lo.

Fase Uretral
Embora Freud não discutisse o estágio psicossexual uretral
em profundidade, alguns clínicos pensam que ele apresenta relevância
particular para questões de desempenho e controle. O estágio uretral é
geralmente visto como transitório entre os estágios anal efálico.

O prazer em urinar é denominado como erotismo uretral, pode estar associado a


impulsos sádicos trazidos do estágio anal. Competitividade e ambição são
frequentemente vistas como uma compensação para a vergonha associada à perda de
controle uretral.

Fase Fálica
Por volta dos três anos, a criança entra no estágio fálico, no
qual o pênis ou o clitóris é a zona erógena principal. O estágio fálico do
desenvolvimento psicossexual anuncia a chegada do nível edípico do
desenvolvimento, no qual os relacionamentos tornam-se mais
complicados do que no passado. A ênfase passa para relacionamentos
triangulares ao invés de diádicos.
O estágio fálico é também caracterizado por maior tolerância de ambivalência e
a habilidade de suportar frustração na ausência de objetos significativos devido à
capacidade de manter uma representação interna do objeto ausente.
Outro grande contraste entre os estágios psicossexuais pré-genitais do
desenvolvimento e o estágio fálico é a natureza da atividade libidinal da criança. Nos
estágios: oral e anal, tais atividades são, em sua maior parte, autoeróticos, no sentido de
que os impulsos sexuais da criança são voltados na direção do seu própriocorpo.
Na fase fálica o prazer é ainda obtido no próprio corpo, mas este período de
desenvolvimento é também caracterizado pela tarefa fundamental de encontrar
umobjeto de amor que estabelecerá padrões posteriores de escolha de objeto na
vidaadulta.
As fases - oral e anal são geralmente chamadas de pré-genitais ou pré- fálicas.
A fase fálica penetra na organização sexual adulta da puberdade. Essa fase adulta é
conhecida como fase genital.

Fase genital

Esta fase do desenvolvimento psicossexual corresponde


à fase adolescente, que inicia com o começo da puberdade e
termina com a aquisição da fase adulta jovem. A influência mais
notável deste período do desenvolvimento é o amadurecimento
fisiológico de sistemas hormonais, que resulta na intensificação de
impulsos, particularmente os impulsos sexuais.

Este estágio um tanto longo do desenvolvimento psicossexual, sem dúvida um


dos mais desafiadores no ciclo vital, requer o desenvolvimento de domínio psicológico
sobre as pressões dos impulsos.
Além disso, uma tarefa-chave do desenvolvimento associado ao estágio genital
é o estabelecimento de relações de objeto maduras e da sexualidade genitalcom um
parceiro apropriado. Um aspecto importante desta aquisição é a separaçãoemocional
dos próprios pais e o estabelecimento de um estilo de vida independente.
Além destas modalidades essenciais da sexualidade na criança, que deram seus
nomes às fases principais que examinamos, existem outras manifestações do impulso
sexual que merecem atenção.
Uma dessas é o desejo de olhar, que em geral é mais acentuado na fase fálica,
e seu equivalente, o desejo de exibir. A criança deseja ver os genitais de outras, bem
como mostrar os seus. Sua curiosidade e exibicionismo, naturalmente, incluem outras
partes do corpo e também outras funções corporais.
As sensações cutâneas também contribuem com sua parte, e assim o fazem a
audição e o olfato.
Descrevemos a sequência de fases que se produzem normalmente na infância
como manifestações do impulso sexual. Essa sequência envolve, naturalmente,
variações no grau de interesse e importância que se prende na vida psíquica da criança
aos vários objetos e modalidades de gratificação do impulso sexual.
O bico do seio, ou o seio, por exemplo, é de uma importância psíquica muito
maior durante a fase oral do que na anal ou na fálica, e o mesmo é verdadeiro em
relação à sucção, modalidade de gratificação que é característica, por certo, do início da
faseoral.
Vimos também que essas modificações se produzem antes paulatinamente que
de modo abrupto, e que os antigos objetos e modalidades de gratificação são
abandonados de forma gradativa, mesmo depois que os novos estejam estabelecidos
por algum tempo no papel principal.
Se descrevermos esses fatos em termos dos nossos conceitos recentemente
definidos, diremos que a catexia libidinal de um objeto de uma faseanterior diminui à
medida que se alcança a fase seguinte, e podemos acrescentar
que,emboradiminuída,acatexiapersisteporalgumtempodepoisdesetornar
estabelecida a última fase e depois que os objetos a ela apropriados se constituíram nos
principais objetos da catexia libidinal.

A teoria da energia psíquica nos fornece uma explicação do que acontece nessas
modificações. Presumimos que a libido que catexizou o objeto ou a modalidade de
gratificação da fase anterior se desprende dele gradualmente a catexiza, em seu lugar, o
objeto ou modalidade de gratificação da fase seguinte.

Assim, a libido que primeiramente catexizou o seio, ou, para ser mais precisa, a
representação psíquica do seio, catexiza depois as fezes, e ainda mais tarde o pênis.

Podemos dizer então, que há um fluxo da libido de objeto para objeto e de uma fase de
gratificação para outra, durante o curso do desenvolvimento psicossexual, fluxo que
segue um curso que é provavelmente determinado geneticamente em forma ampla, mas
que pode variar consideravelmente de pessoa para pessoa.

Temos razões para acreditar, no entanto, que nenhuma catexia libidinal seja
abandonada. A maior parte da libido pode fluir para outros objetos, mas certa quantidade,
pelo menos, permanece normalmente ligada ao objeto original. A esse fenômeno, isto é,
à persistência de catexia libidinal de um objeto de tenra infância ou meninice na vida
posterior, denomina-se “fixação” da libido.

Por exemplo, um menino pode permanecer fixado em sua mãe e desse modo ser
incapaz, na vida adulta, de transferir suas afeições a outra mulher, como deveria
normalmente ser capaz de fazer. Além disso, a palavra “fixação” pode se referir a um
modo de gratificação. Assim, falamos de pessoas que estão fixadas às modalidades de
gratificação oral ouanal.

O uso do termo “fixação” indica ou implica, geralmente, psicopatologia. Isso se deve a


que a persistência das catexias iniciais tenha sido inicialmente reconhecida e descrita,
por Freud e aqueles que o seguiram, em pacientes neuróticos. É provável, como já
dissemos que constitua uma característica geral do desenvolvimento psíquico. Talvez
seja mais provável que, quando em proporção excessiva, resulta numa
consequênciapatológica.
Uma fixação, tanto a um objeto como a uma fase do desenvolvimento, é em
geral inconsciente, seja totalmente ou em parte. Por exemplo, apesar da forte
intensidade de suas catexias, os interesses sexuais da nossa infância, são comumente
esquecidos em grande parte à medida que abandonamos a tenra infância. De fato, é
mais exato dizer que as lembranças de tais interesses são energicamente barradas de
se tornarem conscientes, e certamente o mesmo deve ser verdade para as fixações em
geral.

Assim como temos um fluxo progressivo da libido no curso do desenvolvimento


psicossexual, também podemos produzir um refluxo. Esse refluxo é chamado de
“regressão”. Este termo designa o retorno a uma fase ou a um objeto mais remoto de
gratificação.

A regressão se relaciona com a fixação, uma vez que de fato, quando sucede a
regressão, geralmente ela se faz para um objeto ou fase do desenvolvimento ao qual o
sujeito já se fixara. Se um novo prazer se mostra insatisfatório e é abandonado, o sujeito
tende naturalmente a retornar aquele que já foi experimentado eaceito.

Um exemplo característico de regressão seria a resposta de uma criança


pequena ao nascimento de um irmãozinho, com que terá que partilhar o amor e a
atenção da mãe. Embora tenha abandonado a sucção do seu polegar vários meses
antes da chegada do irmão.

Logo retornará depois do nascimento deste, nesse caso, o objeto mais primitivo
de gratificação libidinal para o qual a criança regrediu foi o polegar, enquanto que a fase
mais remota foi à sucção.

Como nosso exemplo sugere geralmente se considera a regressão como


aparecendo sob circunstâncias desfavoráveis e, ainda que não seja necessariamente
patológica, amiúde se associa a manifestaçõespatológicas.

Devemos mencionar neste ponto uma característica da sexualidade infantil que é de


especial importância. Diz respeito ao relacionamento da criança com os objetos. Para
usarmos um exemplo bem simples, se o bebê não pode ter sempre o seio da mãe, logo
aprende a se acalmar sugando os próprios dedos, da mão ou do pé. Essa capacidade de
gratificar suas próprias necessidades sexuais por si mesmo
é chamada de autoerotismo. Dá à criança certa independência em relação ao
ambiente, no que se refere a obter gratificação.
Quanto ao impulso agressivo, devemos confessar que se tem escrito muito
menos sobre suas vicissitudes do que sobre as do impulso sexual. Isso certamente se
deve ao fato de que foi somente em 1920 que Freud considerou o impulso agressivo
como um componente instintivo independente, na vida mental, comparável ao
comportamento sexual, que desde muito cedo foi reconhecido e tornado objeto
deestudo.
As manifestações do impulso mostram a mesma capacidade de fixação e
regressão, e a mesma transição de oral a anal e a fálica. Isso quer dizer que os impulsos
agressivos no bebê muito novo são passíveis de serem descarregados por um tipo de
atividade oral como morder. Um pouco mais tarde, evacuar ou reter as fezes tornam-se
meios importantes de liberação do impulso agressivo, enquanto que na criança
ligeiramente maior o pênis e sua atividade são empregados, ou pelo menos usados na
fantasia, respectivamente como uma arma e um meio de destruição.
No entanto, é claro que o relacionamento entre o impulso agressivo e as
diversas partes do corpo que acabamos de mencionar não se encontra num
relacionamento tão próximo como no caso do impulso sexual. A criança de cinco ou seis
anos, por exemplo, não usa em grande extensão, na realidade, seu pênis como arma;
geralmente emprega suas mãos, seus pés e palavras. No entanto, o que se pode
demonstrar pela análise, é que as armas que usa em seus jogos e fantasias, tais como
espadas, flechas, rifles, etc., representam seu pênis e seus pensamentos inconscientes.
Parece, portanto, que em suas fantasias ela está inconscientemente destruindo seus
inimigos com seu poderoso e perigoso pênis.
É interessante que a questão da relação do impulso agressivo com o prazer
ainda seja, do mesmo modo, duvidosa. Não temos dúvida sobre a conexão entre o
impulso sexual e o prazer. A gratificação do impulso sexual não significa apenas uma
descarga indiferente de tensão, mas também uma descarga que proporciona prazer. O
fato de que o prazer possa ser impedido ou mesmo substituídopor
sentimento de culpa, vergonha, ou aversão em certos casos, não altera nosso ponto de
vista no que se refere à relação original entre sexualidade e prazer.

E a satisfação do impulso agressivo, ou em outras palavras, a descarga da tensão


agressiva, também traz prazer? Freud, em 1920, pensava que não. Outros autores mais
recentes. Outros autores mais recentes presumem que sim. Não temos meios de
encontrar, por enquanto, a afirmação correta.
Uma ressalva pode ser útil no que diz respeito as palavras “libido” e “libidinal”.
Elas devem ser compreendidas como se referindo não apenas à energia do impulso
sexual, mas também a do impulso agressivo.

----------------- FIM DO MÓDULO II --------------