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TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS – EDUCAÇÃO BRASILEIRA: AÇÃO DA

ESCOLA, PROTAGONISMO JUVENIL E CIDADANIA


PROTAGONISMO: é o processo de ser protagonista, a figura principal.
CIDADANIA: costuma ser definida como sendo o exercício dos direitos e deveres civis, sociais e
políticos estabelecidos na Constituição (lei maior) de um país. A cidadania também pode ser
entendida como a condição de ser cidadão, ou seja, um sujeito que vive segundo estatutos e
normas comuns pertencentes a uma comunidade articulada politicamente e socialmente.
Podemos entender, portanto, que quem não tem cidadania está excluído da vida social.
PROTAGONISMO JUVENIL: trata-se de uma prática educativa desenvolvida para os jovens,
para que ele seja o protagonista, a figura principal, sendo envolvido em todas as etapas do
processo educativo, desde a elaboração da proposta, a execução da iniciativa e a avaliação das
ações desenvolvidas e resultados obtidos. Visa, entre outras finalidades, incentivar a prática
cidadã por meio da participação social do jovem na comunidade.

CIDADANIA

 Sobre CIDADANIA o dicionário de língua portuguesa Larousse afirma ser “qualidade de


cidadão”, “qualidade de uma pessoa que possui, em uma determinada comunidade, política,
o conjunto de direitos civis e políticos”.
GENTILI & ALENCAR, 2001, p. 87
 “A cidadania deve ser pensada como um conjunto de valores e práticas cujo exercício não
somente se fundamenta no reconhecimento formal dos direitos e deveres que a constituem
na vida cotidiana dos indivíduos”.
 Cidadania significa, além do reconhecimento dos direitos e deveres dos cidadãos, o
cumprimento dos mesmos por parte da sociedade. Por outro lado, tanto o reconhecimento
quanto o cumprimento destes direitos e deveres, não devem – como é de senso comum - se
restringir à esfera política, isto é, ao direito e ao dever de votar e ser votado. Um outro
aspecto importante é que a cidadania tem na igualdade uma condição de existência.
Igualdade de direitos, de deveres, de oportunidades. Igualdade, enfim, de participação social
e política.
 A cidadania deve ser pensada como condição fundamental para a existência de uma
sociedade democrática. Obviamente não se trata da cidadania “do papel”, isto é da teoria,
mas da cidadania em termos práticos, a que deve acontecer com a participação de cada
membro, cada cidadão consciente de seus direitos, deveres e valor.

AÇÃO DA ESCOLA

 A crise paradigmática também atinge a escola e ela se pergunta sobre si mesma, sobre seu
papel como instituição numa sociedade pós-moderna e pós-industrial, caracterizada pela
globalização da economia e das comunicações, pelo pluralismo político, pela emergência do
poder local.
 Há pelo menos duas razões que justificam a implantação de um processo de gestão
democrática na escola pública: 1ª porque a escola deve formar para a cidadania e, para isso,
ela deve dar o exemplo. A gestão democrática da escola é um passo importante no
aprendizado da democracia. A escola não tem um fim em si mesma. Ela está a serviço da
comunidade. Nisso, a gestão democrática da escola está prestando um serviço também à
comunidade que a mantém.
 A AUTONOMIA E A PARTICIPAÇÃO - pressupostos do projeto político-pedagógico da
escola - não se limitam à mera declaração de princípios consignados em algum documento.
Sua presença precisa ser sentida no conselho de escola ou colegiado, mas também na
escolha do livro didático, no planejamento do ensino, na organização de eventos culturais, de
atividades cívicas, esportivas, recreativas. Não basta apenas assistir reuniões.
 A gestão democrática deve estar impregnada por uma certa atmosfera que se respira na
escola, na circulação das informações, na divisão do trabalho, no estabelecimento do
calendário escolar, na distribuição das aulas, no processo de elaboração ou de criação de
novos cursos ou de novas disciplinas, na formação de grupos de trabalho, na capacitação
dos recursos humanos, etc.
 A gestão democrática é, portanto, atitude e método. A atitude democrática é necessária, mas
não é suficiente. precisamos de métodos democráticos de efetivo exercício da democracia.
Ela também é um aprendizado, demanda tempo, atenção e trabalho.
 A cidadania e autonomia são hoje duas categorias estratégicas de construção de uma
sociedade melhor em torno das quais há frequentemente consenso. Essas categorias se
constituem na base da nossa identidade nacional tão desejada e ainda tão longínqua em
função do arraigado individualismo, tanto das nossas elites quanto das fortes corporações
emergentes, ambas dependentes do Estado paternalista. O movimento atual da chamada
"escola cidadã" está inserido nesse novo contexto histórico de busca de identidade nacional.
A "escola cidadã" surge como resposta à burocratização do sistema de ensino e à sua
ineficiência.
 Surge como resposta à falência do ensino oficial que, embora seja democrático, não
consegue garantir a qualidade e em resposta também ao ensino privado às vezes eficiente,
mas sempre elitista. É nesse contexto histórico que vem se desenhando o projeto e a
realização prática da escola cidadã em diversas partes do país, como uma alternativa nova e
emergente. Ela vem surgindo em numerosos Municípios e já se mostra nas preocupações
dos dirigentes educacionais em diversos Estados brasileiros.

PROTAGONISMO JUVENIL

 No Protagonismo Juvenil o jovem é sempre o ator principal em ações que dizem respeito a
problemas concernentes ao bem comum, na escola, nos grupos sociais, nas comunidades de
bairro, ou na sociedade de maneira geral. Nesse tipo de ação há a influência do jovem na
conjuntura social para resolver problemas reais. É um formato de educação para a cidadania
onde o jovem toma uma atitude de centralidade. Nesse aspecto a fonte de iniciativa do jovem é a
ação e a fonte de compromisso é a responsabilidade.
 PROTAGONISTA quer dizer, então, lutador principal, personagem principal, ator principal. O
jovem deve começar então, em face do protagonismo a ser aceito como solução, e não como
problema.
 A ação do jovem adolescente, de maneira individual ou em grupo, para buscar soluções de
problemas reais, em atuação de iniciativa, liberdade e compromisso, com participação
autêntica no contexto escolar ou mesmo na sociedade e na comunidade, se traduz de
maneira inequívoca no protagonismo juvenil.
 O jovem protagonista surge como fonte de atuação, pois é dele que parte a iniciativa, como
foco de liberdade, porque a sua ação é pautada em uma decisão consciente e de
compromisso , na medida em que o jovem responde por seus atos. No protagonismo juvenil a
participação do jovem deve ser uma iniciativa legítima e não simbólica, onde são criadas
oportunidades para que o estudante possa procurar, ele próprio, a construção de sua
identidade.
 Para desenvolver com seus alunos a iniciativa de ação protagônica, o professor deve atuar
como líder, organizador, animador, facilitador criativo e coautor participativo dos
acontecimentos. O aluno enquanto protagonista da ação educativa deve buscar a
procedência dos acontecimentos, agindo de maneira efetiva na sua produção, deve decidir,
produzir, questionar e buscar soluções, assim estimulando o seu crescimento pessoal e
ativando a cidadania no compromisso do processo interativo de responder pelos seus atos,
assumindo a responsabilidade de suas ações.
 Só assim o jovem adolescente poderá desenvolver a autonomia, a solidariedade e a
capacidade, ampliando através do protagonismo A COMPETÊNCIA PESSOAL (APRENDER
A SER), A COMPETÊNCIA SOCIAL (APRENDER A CONVIVER), A COMPETÊNCIA
PRODUTIVA (APRENDER A FAZER), A COMPETÊNCIA COGNITIVA (APRENDER A
APRENDER).
 Nesse momento, enquanto o jovem se conscientiza de sua identidade, se reconhece como
ser atuante, autônomo, solidário, participativo e construtor do seu destino pode se estabelecer
como voluntário, transformando-se no cidadão que, oferece seu tempo, trabalho e potencial,
para causas de interesse social e do bem comum.
 Os jovens são peças fundamentais na transformação social, enquanto buscam a atuação
construtiva da sociedade, e é nesse momento que os mestres podem atuar como
orientadores, abrindo espaços e oportunidades, considerando os alunos como parceiros e co-
laboradores. O jovem, considerado sujeito da ação se envolve verdadeiramente no processo do
protagonismo, quando é incitado a construir e a assumir responsabilidades.
 Dentro da ideia de protagonismo juvenil proposta por Gomes da Costa, o jovem é tomado
como elemento central da prática educativa, que participa de todas as fases desta prática,
desde a elaboração, execução até a avaliação das ações propostas. A idéia é que o
protagonismo juvenil possa estimular a participação social dos jovens, contribuindo não
apenas com o desenvolvimento pessoal dos jovens atingidos, mas com o desenvolvimento
das comunidades em que os jovens estão inseridos. Dessa forma, segundo o educador, o
protagonismo juvenil contribui para a formação de pessoas mais autônomas e comprometidas
socialmente, com valores de solidariedade e respeito mais incorporados, o que contribui para
uma proposta de transformação social.
 “Protagonismo juvenil é a participação do adolescente em atividade que extrapolam os
âmbitos de seus interesses individuais e familiares e que podem ter como espaço a escola, os
diversos âmbitos da vida comunitária; igrejas, clubes, associações e até mesmo a sociedade
em sentido mais amplo, através de campanhas, movimentos e outras formas de mobilização
que transcendem os limites de seu entorno sócio- comunitário”. (COSTA, 1996:90)
 Assim, a concepção de Educação contida na proposta de protagonismo juvenil deve ser
entendida de forma abrangente, não podendo limitar-se à Educação escolar, mas incluindo
outros aspectos que possam auxiliar os jovens no exercício da vida pública, como o
desenvolvimento pessoal, profissional, as relações sociais e o trato com as questões do bem-
comum. Ao mesmo tempo os espaços educacionais devem ser compreendidos como
múltiplos, ultrapassando os muros das escolas e atingindo outros espaços de referência,
como organizações sociais, movimentos sociais, etc…
 O protagonismo juvenil deve priorizar a intervenção comunitária, procurando, com a ação
concreta dos jovens, contribuir para uma sociedade mais justa, a partir da incorporação de
valores democráticos e participativos por parte dos jovens e da vivência do diálogo, da
negociação e da convivência com as diferenças sociais. Assim, o protagonismo juvenil
pressupõe sempre um compromisso com a democracia.
 Entretanto, para que se desenvolva o protagonismo juvenil é necessário desenvolver um novo
tipo de relacionamento entre jovens e adultos, em que o adulto deixa de ser um transmissor
de conhecimentos para ser um colaborador e um parceiro do jovem na descoberta de novos
conhecimentos e na ação comunitária.
 Para que isso aconteça, é necessário, no entanto, que haja uma mudança na visão do
educando, em que este possa ser visto como fonte de iniciativa, fonte de liberdade e de
compromisso. Isso quer dizer que os jovens devem ser estimulados a tomarem iniciativa dos
projetos a serem desenvolvidos, ao mesmo tempo em que devem vivenciar possibilidades de
escolha e de responsabilidades.
 “O protagonismo juvenil parte do pressuposto de que o que os adolescentes pensam, dizem e
fazem pode transcender os limites do seu entorno pessoal e familiar e influir no curso dos
acontecimentos da vida comunitária e social mais ampla. Em outras palavras, o protagonismo
juvenil é uma forma de reconhecer que a participação dos adolescentes pode gerar
mudanças decisivas na realidade social, ambiental, cultural e política onde estão inseridos.
Nesse sentido, participar para o adolescente é envolver-se em processos de discussão,
decisão, desenho e execução de ações, visando, através do seu envolvimento na solução de
problemas reais, desenvolver o seu potencial criativo e a sua força transformadora. Assim, o
protagonismo juvenil, tanto como um direito, é um dever dos adolescentes” (COSTA,
1996:65).

POR QUE A PARTICIPAÇÃO SOCIAL DO JOVENS?

 Nesse sentido, seria função do processo educativo criar oportunidades que pudessem
garantir aos jovens uma vivência e um aprendizado das questões do mundo adulto,
proporcionando o fortalecimento de um autoconceito positivo, a formação de vínculos
saudáveis e o desenvolvimento de potencialidades e talentos, o que ao mesmo tempo em que
favoreceria os próprios jovens, contribuiria com a construção de uma sociedade menos
violenta e desigual. Além disso, ANTÔNIO CARLOS GOMES DA COSTA acredita que o
envolvimento dos jovens em projetos sociais e comunitários possa auxiliá-los na criação de
projetos de vida, elemento fundamental para o desenvolvimento pessoal e social dos jovens.
 Assim, promover a participação dos jovens a partir do protagonismo juvenil é também facilitar
o acesso do jovem aos novos espaços de participação social e política, resgatando o
elemento transformador inerente à condição juvenil e canalizando-o para uma atuação
saudável.
 O desenvolvimento do protagonismo juvenil, de acordo com ANTÔNIO CARLOS GOMES DA
COSTA, diferencia-se do protagonismo juvenil de outras épocas principalmente em função de
que na proposta do educador, as ideias e iniciativas devam ser sempre oriundas dos próprios
jovens, o que em outras épocas foi determinado pelos adultos em ideários já pré-definidos
dentro dos partidos políticos.

PELA DEFINIÇÃO DE PROTAGONISMO JUVENIL, VOCÊ


CONSEGUE PERCEBER A RELAÇÃO EXISTENTE ENTRE
“AÇÃO DA ESCOLA”, “PROTAGONISMO” E
“CIDADANIA”?

 PARA GADOTTI (2001), a DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO,


de 1789, estabelecia as primeiras normas para assegurar a liberdade individual e a
propriedade. O autor afirma que “cidadania e autonomia são hoje duas categorias estratégias
da construção de uma sociedade melhor em torno das quais há frequentemente consenso”.
Atualmente, O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA) visa estabelecer
condições mínimas para que os jovens possam exercer seu direito“cidadão”.
 O Protagonismo Juvenil foi criado pelo educador mineiro, ANTÔNIO CARLOS GOMES DA
COSTA, colaborador e defensor do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Na visão de
Antônio Carlos Gomes da Costa, a participação dos jovens, nas práticas educativas, deveria ir
além do âmbito familiar e escolar, devendo também ter espaço na igreja, nas associações e,
até mesmo, na sociedade, por meio do envolvimento do jovem em campanhas e movimentos.

ECA (ARTIGOS 16, 18


E 18-A)

Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:


I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários ressalvados as
restrições legais;
II - opinião e expressão;
III - crença e culto religioso;
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;
V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;
VI - participar da vida política, na forma da lei;
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação.
 Observe que os incisos deste artigo estabelecem direitos para que o jovem exerça sua

condição de cidadão, como base no que é entendido como liberdade em nossa sociedade. Os

incisos destacados em amarelo, além de se relacionarem à cidadania, dão suporte para a

atuação do jovem como protagonista em ações sociais.

Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a
salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou
constrangedor.
 Visto que todos têm o dever de proteger a criança e o adolescente, cabe também a escola agir
em defesa do direito dos jovens.
Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de
castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina,
educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada,
pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por
qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los.
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se:
I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força físi-
ca sobre a criança ou o adolescente que resulte em:
a) sofrimento físico; ou
b) lesão;
II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à
criança ou ao adolescente que:
a) humilhe; ou
b) ameace gravemente; ou
c) ridicularize.
 Observe que o tratamento cruel ou degradante ao adolescente também é vedado, sendo que o
tratamento cruel extrapola os castigos físicos citados no inciso I. Ridicularizar, humilhar um
jovem, suas formas de expressão, suas opiniões, também é vedado pelo ECA.

PARTE I: CONCEITO BÁSICOS – JUVENTUDE,


EDUCAÇÃO E MUDANÇA

QUAL O GRANDE DESAFIO DA EDUCAÇÃO NESTA RETA FINAL DE SÉCULO?


* Segundo ÍTALO GASTALDI, o grande desafio da educação nos dias de hoje reside na questão
dos valores, ou seja, na capacidade de as gerações adultas possibilitarem aos jovens identificar,
incorporar e realizar os valores positivos construídos ao longo da evolução da história humana.
POR QUE ESTA TAREFA TORNOU-SE TÃO DESAFIADORA E COMPLEXA EM NOSSO
TEMPO?
* Porque - precisamente agora - estamos vivendo num mundo marcado por uma série de
dinamismos, que, tomados em conjunto, configuram o ingresso da humanidade numa nova etapa
do processo civilizatório.
QUE DINAMISMOS SÃO ESSES?
* No plano econômico, a globalização dos mercados. No plano tecnológico, o ingresso na era pós-
industrial e, no plano sociocultural, a chamada pós-chamada.
QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DESSES DINAMISMOS PARA O COTIDIANO SOCIAL
DOS JOVENS?
* São muitas e bastante diversificadas. A globalização dos mercados, por exemplo, exige que
cada país, para inserir-se de forma competitiva na economia internacional, eleve dramaticamente
seus níveis de produtividade e qualidade na produção de bens e serviços. Isto, frequentemente,
se faz por meio de ajustes estruturais na economia. Estes ajustes, pelo menos num primeiro
momento, têm acarretado um elevado custo social, que é pago, principalmente, pelos mais
pobres.
E O INGRESSO NA ERA PÓS-INDUSTRIAL?
* As novas tecnologias já não substituem apenas a força muscular de homens e animais. Elas -
agora - através das máquinas inteligentes substituem também boa parte do esforço cerebral
humano. Esta nascendo um novo mundo do trabalho marcado pela robótica, a telemática, a infor-
mática, os novos materiais e a biotecnologia.
* No interior desse quadro, o mercado de trabalho tende a tornar-se cada vez mais complexo,
competitivo e reduzido em suas dimensões. As novas tecnologias possibilitam o aumento
crescente da produção sem aumento ou até mesmo com crescente redução dos empregos. Em
resumo, produção e emprego, daqui para a frente, estarão definitivamente desvinculadas uma da
outra.
E A CULTURA PÓS-MODERNA?
* A cultura pós-moderna, segundo os estudiosos do tema, é o ambiente cultural da era pós-
industrial e do mundo globalizado.
* A pós-modernidade, segundo Gastaldi, é marcada por alguns traços como a desconfiança da
razão, a desaparição de dogmas convicções e princípios fixos, a fragmentação das cosmovisões,
através da crise dos grandes relatos e a dissolução do sentido da história. Tudo isso levando a
formas cada vez mais variadas e difusas de religiosidade, o distanciamento, em vez do conflito,
entre jovens e adultos e, principalmente, a uma crise de valores sem precedentes. A busca do
prazer imediato e o consumismo emergem como características emblemáticas desses novos
tempos.
QUAL A GRANDE CONSEQUÊNCIA DE TUDO ISSO?
* A globalização e o ingresso na era pós-industrial podem ter como consequência um enorme
crescimento da exclusão social, se a humanidade não for capaz de conciliar a agenda da
transformação produtiva, que é econômica e técnico-científica, com a agenda da equidade social,
que é essencialmente ético-política. E isto nos faz lembrar das palavras prefiguradoras de André
Malraux: “O século XXI será ético e espiritual ou não será.”
E COMO FICA A EDUCAÇÃO DIANTE DE TUDO ISSO?
* A educação está desafiada a encarar e vencer esses novos desafios. Ele já não pode mais
reduzir-se apenas à transmissão de conhecimentos, habilidades e destrezas. Mais do que nunca -
como diz Paulo Freire – é preciso que a pedagogia seja entendida como a teoria que implique os
fins e os meios da ação educativa.
QUE TIPO DE HOMENS QUEREMOS FORMAR?
*Durante essa “ERA DOS EXTREMOS”, que foi o século XX, o mundo capitalista pautou-se por
um ideal de homem muito autônomo, porém, pouco solidário. Enquanto que os países socialistas
cultivaram um homem compulsoriamente solidário e muito pouco autônomo.
* O desafio de construir um novo horizonte antropológico para a educação, nesta reta final do
século e do milênio, tem levado muitos educadores a se voltarem para a formação do homem
autônomo e solidário, aproveitando, assim, o melhor dos dois mundos. Os ideais de liberdade do
Ocidente e os ideais de solidariedade, que inspiraram o mundo socialista.
E QUANTO À SOCIEDADE? QUE TIPO DE SOCIEDADE DEVEMOS LUTAR POR
CONSTRUIR?
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação.
E COMO FAZER ISSO?
* Essa pergunta nos remete à questão dos meios da educação. Se quisermos transmitir valores às
novas gerações, não deveremos nos limitar à dimensão dos conteúdos intelectuais, transmitidas
através da docência, devemos ir além. Os valores devem ser, mais do que transmitidos, vividos. A
inteligência não é a única via de acesso e expressão dos valores. Eles se manifestam quando
sentimos, escolhemos, decidimos ou agimos nesta ou naquela direção.
NO INTERIOR DESSA VISÃO, O QUE SIGNIFICA EDUCAR?
* Educar, de acordo com a visão aqui defendida, é criar espaços para que o educando possa
empreender ele próprio a construção do seu ser, ou seja, a realização de suas potencialidades em
termos pessoais e sociais.
* FONTE DE INICIATIVA significa que o educando deve agir, ou seja, não deve ser apenas um
expectador ou um receptor do processo pedagógico.
Ele deve situar-se na raiz mesma dos acontecimentos, envolvendo-se na sua produção.
* FONTE DE LIBERDADE significa que o educando deve ter diante de si cursos alternativos de
ação, deve decidir, fazer opções, como parte do seu processo de crescimento como pessoa e
como cidadão.
* FONTE DE COMPROMISSO significa que o educando deve responder pelos seus atos, deve
ser consequente nas suas ações, assumindo a responsabilidade pelo que faz ou deixa de fazer.
* Esta concepção de educando nos leva, necessariamente, à formação do jovem autônomo,
solidário e competente.
NESTE CONTEXTO, O QUE SIGNIFICA COMPETÊNCIA?
* A palavra competência, aqui, não está empregada em seu sentido corriqueiro. Trata-se,
efetivamente, de uma acepção mais ampla. Estamos falando de competência no sentido expresso
no Relatório, que Jacques Delors, coordenando um grupo de quatorze grandes educadores,
produziu para a UNESCO - EDUCAÇÃO UM TESOURO A DESCOBRIR. Este Relatório sustenta
que a educação no século XXI deverá ser cada vez mais pluridimensional.
POR QUE A EDUCAÇÃO É VISTA COMO “UM TESOURO A DESCOBRIR”?
* No limiar da civilização cognitiva na qual estamos adentrando, a educação deverá fornecer ao
homem “a cartografia de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a
bússola que permita navegar através dele.”.
QUAL O SENTIDO DA PALAVRA COMPETÊNCIA NO RELATÓRIO DE JACQUES DELORS?
* Mais do que acumular uma carga cada vez mais pesada de conhecimentos, o importante agora
é estar apto para aproveitar, do começo ao fim da vida, as oportunidades de aprofundar e
enriquecer esses primeiros conhecimentos num mundo em permanente e acelerada mudança.
* Para dar conta da missão que os tempos lhe impõem, a educação deve ser capaz de capaz de
organizar-se em torno de quatro grandes eixos:
→ APRENDER A SER;
→ APRENDER A CONVIVER;
→ APRENDER A FAZER;
→ APRENDER A APRENDER.
* Estes segundo o relatório, são os quatro pilares da educação. A comissão reconhece que a
educação escolar, que temos hoje, orienta-se basicamente para o conhecer e, em menor escala,
para o fazer. As outras aprendizagens - ser e conviver - ficam a depender de circunstâncias
aleatórias fora do âmbito do ensino estruturado.
* DAÍ EMERGE AS QUATRO COMPETÊNCIAS, QUE O JOVEM, PARA SER AUTÔNOMO,
SOLIDÁRIO E COMPETENTE DEVERÁ DESENVOLVER:
→ COMPETÊNCIA PESSOAL (APRENDER A SER)
→ COMPETÊNCIA SOCIAL (APRENDER A CONVIVER)
→COMPETÊNCIA PRODUTIVA (APRENDER A FAZER)
→ COMPETÊNCIA COGNITIVA (APRENDER A APRENDER)
* A ideia pode ser resumida em dois grandes objetivos:
1. Ampliar a educação ao conjunto da experiência humana (ser, conviver, fazer e conhecer);
2. Estendê-la ao longo de toda a vida, transcendendo os limites da instituição e da idade escolar.
* Assim, A EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI TERÁ COMO FUNDAMENTO QUATRO PILARES,
segunda o Relatório:
1. APRENDER A SER:
2. APRENDER A CONVIVER:
3. APRENDER A FAZER:

 “Para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir em cada vez melhor

capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não


negligenciar na educação nenhuma das capacidades de cada indivíduo: memória, raciocínio,
sentido estético, capacidades físicas e aptidão para comunicar.”
 “Desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências - realizar
projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos - no respeito pelos valores do pluralismo, da
compreensão mútua e da paz.”
 “Não somente para adquirir uma qualificação profissional, mas, duma maneira mais ampla,
competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e trabalhar em
equipe. Mas também, aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais ou de
trabalho que se oferecem aos adolescentes e jovens, quer espontaneamente, fruto do contexto
local ou nacional, quer formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o
trabalho.”
4. APRENDER A CONHECER:
 “Combinando uma cultura geral suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em
profundidade um pequeno número de matérias. O que significa aprender a aprender, para
beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.”
* Estamos ainda muito longe - quando olhamos o que se passa em redor de nós no sistema de
ensino - da perspectiva de uma educação assentada sobre os quatro pilares propostos no
relatório. No entanto, é preciso ter claro que, mais do que a visão de um grupo de sábios, o
Relatório exprime as exigências dos novos tempos e das novas circunstâncias em que seremos
chamados a viver no século XXI.
EM QUE SE BASEIA ESTA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO?
* A concepção de educação abraçada pela ONU neste limiar do século XXI tem por fundamento o
PARADIGMA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO, que, desde 1990, vem sendo desenvolvido e
difundido pelo PNUD (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO).
EM QUE CONSISTE ESSE PARADIGMA?
* Com base no Relatório sobre Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD/ IPEA/1996), podemos
resumi-lo em dez pontos básicos:
→ O fundamento real do desenvolvimento humano é o universalismo do direito à vida;
Cada ser humano nasce com um potencial, que necessita de certas condições para se
desenvolver;
→ O objetivo do desenvolvimento é criar um ambiente no qual todas as pessoas possam expandir
suas capacidades;
→ Esse ambiente deve ainda oportunizar que a presente e as futuras gerações ampliem suas
possibilidades;
→ A vida não é valorizada apenas porque as pessoas podem produzir bens materiais, nem a vida
de uma pessoa vale mais que a de outra;
→ Cada indivíduo, bem como cada geração tem direito a oportunidades, que lhe permitam melhor
fazer uso de suas capacidades potenciais;
→ A forma pela qual realmente são aproveitadas essas oportunidades e quais os resultados
alcançados é um assunto que tem a ver com as escolhas que cada um faz ao longo de sua vida;
→Todo ser humano deve ter possibilidade de escolha, agora, e no futuro;
→ Há uma necessidade ética de se garantir às gerações futuras condições ambientais pelo
menos iguais às que gerações anteriores desfrutaram (desenvolvimento sustentável);
→ Esse universalismo torna as pessoas mais capazes e protege os direitos fundamentais (civis,
políticos, sociais, econômicos e ambientais).
QUAL A RELAÇÃO ENTRE A EDUCAÇÃO PLURIDIMENSIONAL E O PARADIGMA DO
DESENVOLVIMENTO HUMANO?
* A educação pluridimensional é a aplicação dos princípios ético-políticos desse paradigma ao
desenvolvimento pessoal e social das novas gerações e também das gerações adultas,
preparando o ser humano para viver e trabalhar numa sociedade moderna.
* OS CÓDIGOS DA MODERNIDADE DE BERNARDO TORO E AS MEGA-HABILIDADES
FORMULADAS PELA EQUIPE DO CLIE (CENTRO LATINO-AMERICANO DE
INVESTIGAÇÕES EDUCACIONAIS) nos traçam prefigurações realistas do perfil exigido de cada
ser humano, para trabalhar e viver numa sociedade moderna.
* CÓDIGOS DA MODERNIDADE (BERNARDO TORO)
→ Domínio da Lecto-Escritura;
→ Capacidade de fazer cálculos e de resolver problemas;
→ Capacidade de compreender, analisar, interpretar e sintetizar dados, fatos e
situações;
→ Compreender e operar seu entorno social;
→ Receber criticamente os meios de comunicação;
→ Acessar informações;
→ Trabalhar em grupo.
* MEGA-HABILIDADES (CLIE)
→ CONFIANÇA: SENTIR-SE CAPAZ DE FAZER;
→ MOTIVAÇÃO: QUERER FAZER;
→ ESFORÇO: DISPOSIÇÃO DE TRABALHAR DURO. SUPERAR DIFICULDADES;
→ RESPONSABILIDADE: FAZER O QUE DEVE SER FEITO. FAZER CORRETO;
→ INICIATIVA: PASSAR DA INTENÇÃO À AÇÃO;
→ PERSEVERANÇA: TERMINAR O COMEÇADO;
→ ALTRUÍSMO: SENTIR PREOCUPAÇÃO PELO OUTRO;
→ SENTIR COMUM: TER BONS CRITÉRIOS AO AVALIAR E DECIDIR;
→ SOLUÇÃO DE PROBLEMAS: POR EM AÇÃO O QUE SABE E O QUE É CAPAZ DE FAZER.
* OS CÓDIGOS DA MODERNIDADE E AS MEGA-HABILIDADES são, portanto, reflexos das
duas ordens de exigência (transformação produtiva e equidade social) sobre a educação do nosso
tempo.
ESSAS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES PODEM SER TRANSMITIDAS ATRAVÉS APENAS
DA DOCÊNCIA?
* É certo que não. Para criar os espaços necessários à eclosão das práticas e vivências capazes
de permitir aos jovens exercitarem-se como fonte de iniciativa, liberdade e compromisso são
necessários recursos pedagógicos de natureza distinta da aula. São necessários acontecimentos
em que o jovem possa desempenhar um papel protagônico. Aqui, o discurso das palavras deve
ser substituído pelo curso efetivo dos acontecimentos.
O QUE É, POIS PROTAGONISMO JUVENIL?
* O PROTAGONISMO JUVENIL, enquanto modalidade de ação educativa é a criação de espaços
e condições capazes de possibilitar aos jovens envolver-se em atividades direcionadas à solução
de problemas reais, atuando como fonte de iniciativa, liberdade e compromisso.
DE ONDE VEM O TERMO PROTAGONISMO JUVENIL?
* Vem do grego. Proto quer dizer o primeiro, o principal. Agon significa luta. Agonista, lutador.
Protagonista, literalmente, quer dizer o lutador principal.
* No nosso caso, ou seja, no campo da educação, o termo protagonismo juvenil designa a
atuação dos jovens como personagem principal de uma iniciativa, atividade ou projeto voltado
para a solução de problemas reais. O cerne do protagonismo, portanto, é a participação ativa e
construtiva do jovem na vida da escola, da comunidade ou da sociedade mais ampla.
TODA PARTICIPAÇÃO IMPLICA EM PROTAGONISMO POR PARTE DO JOVEM?
* Não. Existem formas de participação, que são a negação do protagonismo. A participação
manipulada, a participação simbólica e a participação decorativa são forma, na verdade, de não
participação.
QUANDO SE TORNA GENUÍNA?
* A participação se torna genuína quando se desenvolve num ambiente democrático. A
participação sem democracia é manipulação e, em vez de contribuir para o desenvolvimento
pessoal e social do jovem, pode prejudicar a sua formação. Principalmente, quando se tem o
propósito de formar o jovem autônomo, solidário e competente.
O QUE O JOVEM GANHA COM O PROTAGONISMO?
* A participação autêntica se traduz para o jovem num ganho de autonomia, autoconfiança e
autodeterminação numa fase da vida em que ele se procura e se experimenta, empenhado que
está na construção da sua identidade pessoal e social e no seu projeto de vida.
O QUE A SOCIEDADE GANHA COM O PROTAGONISMO DOS JOVENS?
* A sociedade ganha em democracia e em capacidade de enfrentar e resolver problemas que a
desafiam. A energia, a generosidade, a força empreendedora e o potencial criativo dos jovens é
uma imensa riqueza, um imenso patrimônio que o Brasil ainda não aprendeu utilizar da maneira
devida.

PARTE II: ESTRUTURANDO AÇÕES DE PROTAGONISMO


JUVENIL

QUAL A PRIMEIRA ATITUDE DO EDUCADOR AO DECIDIR UTILIZAR O PROTAGONISMO


JUVENIL?
* A adesão do educador à perspectiva metodológica do protagonismo juvenil deve traduzir-se num
compromisso de natureza ética de respeito às possibilidades e limitações próprias da condição
peculiar de desenvolvimento dos seus educandos, que, no caso, é a adolescência.
ALÉM DO COMPROMISSO ÉTICO, O QUE MAIS DEVE PAUTAR A ATUAÇÃO DO
EDUCADOR?
* UM VÍNCULO CLARO DA AÇÃO EDUCATIVA COM A DEMOCRACIA, A SOLIDARIEDADE E
A PARTICIPAÇÃO. É antieducativo mobilizar os jovens por causas que não sejam
inequivocamente democráticas. O fim político do protagonismo juvenil é justamente elevar os
níveis de participação democrática da po-pulação.
* O educador, dentro da proposta de desenvolvimento do protagonismo juvenil, deve ceder seu
espaço “cênico” ao jovem, passando a ter uma função de “bastidor” ou de suporte. Isso, de forma
alguma significa abandonar a função educativa, mas ao contrário, significa colocar os jovens em
posição de destaque no que diz respeito aos processos decisórios, adotando uma postura de
apoio e colaboração. Isso requer uma presença constante junto aos jovens, numa posição
diferente à posição do educador tradicional, estabelecendo uma relação mais “horizontal” junto
aos jovens sem, contudo, perder o seu papel de educador.
* Uma relação mais “horizontal” entre educador e educando pressupõe estar de acordo com o
contexto atual, em que não são mais toleradas as formas hierárquicas dentro e fora das
instituições, que tiveram origem em períodos de repressão e ditadura. Vivemos, ao contrário, um
momento de abertura à diversidade e ao diálogo, em que o respeito às diferenças e a busca do
bem comum são agora valorizados e estimulados.
* O papel do educador, desta forma, se constitui numa função chave do desenvolvimento do
protagonismo juvenil, à medida que tem a intenção clara de desenvolver a autonomia dos jovens.
Nesse sentido, todas as suas ações e estratégias devem estar direcionadas para uma resposta
autônoma e criativa por parte dos jovens, evitando aquelas ações e estratégias que promovam a
dependência ou a acomodação.
* Assim, percebemos que o papel do educador no desenvolvimento do protagonismo juvenil tem
um método e uma direção muito claros, que devem proporcionar a autonomia e a liberdade de
escolha dos jovens de maneira gradativa a partir das atitudes e atividades planejadas e propostas.
QUAIS SÃO ETAPAS PRESENTES NA ESTRUTURAÇÃO DE QUALQUER AÇÃO DE
PROTAGONISMO?
→ INICIATIVA DA AÇÃO: Decidir se e o que deve ser feito diante de uma determinada situação-
problema.
→ PLANEJAMENTO DA AÇÃO: Definir quem vai fazer o que, como, quando, onde e com que
recursos.
→ EXECUÇÃO DA AÇÃO: Por em prática aquilo que se planejou.
→ AVALIAÇÃO: Verificar se os objetivos foram atingidos, analisar o que deu certo, o que precisa
ser evitado e o que precisa ser melhorado no desempenho do grupo.
→ APROPRIAÇÃO DOS RESULTADOS DECIDIR coletivamente o que fazer com os resultados a
quem atribuí-los e, no caso de resultados materiais e/ou financeiros, como utilizá-los.
IMPORTANTE: Gomes da Costa nos recomenta que utilizamos a metodologia de
projetos para o desenvolvimento de ações de protagonismo juvenil.
QUE ATITUDES DEVEM SER EVITADAS POR PARTE DO EDUCADOR?
→ Privar os jovens de participação na decisão da ação a ser realizada.
→ Tentar “vender” para os jovens decisões já tomadas pelos adultos, sem dar-lhes opção de
recusar ou propor alternativas.
→ Apresentar o problema, colher as sugestões do grupo e, depois, decidir sozinho o que fazer.
→ Deixar a decisão para o grupo, sem procurar orientar e esclarecer quando as dificuldades
surgirem.
QUAIS SÃO OS PADRÕES DE RELACIONAMENTO MAIS COMUNS ENTRE ADULTOS E
ADOLESCENTES NO CURSO DE UMA AÇÃO PROTAGÔNICA?
* DEPENDÊNCIA: Os educadores assumem a direção das ações, cabendo aos adolescentes
apenas segui-las e obedecê-las, atuando sob sua tutela.
* COLABORAÇÃO: Educandos e educadores compartilham, através de discussões, reflexões
conjuntas e decisões partilhadas todas as etapas do desenvolvimento de uma ação protagônica.
* AUTONOMIA: Estágio avançado de protagonismo no qual os educandos já se desimcubem de
todas as etapas de uma ação protagônica sem que seja necessário o envolvimento dos
educadores.
COMO DEVE SER O PAPEL DO EDUCADOR DIANTE DOS JOVENS?
→ O educador deve ajudar os jovens a identificar a situação-problema e posicionar-se diante dela.
→ Empenhar-se no sentido de que o grupo não desanime e nem se desvie dos objetivos
propostos.
→ Favorecer o estabelecimento de vínculos entre os membros do grupo, fortalecendo a coesão
grupal.
→ Motivar o grupo a avaliar constantemente a ação e, quando necessário, replanejá-la em
conjunto.
→ Zelar permanentemente para que a iniciativa dos jovens seja compreendida e aceita por outros
jovens e pelo mundo adulto.
→ Cuidar pela manutenção de um clima de entusiasmo e dedicação no interior dos grupos.
→ Colaborar na avaliação das ações desenvolvidas, ajudando os jovens a introduzir os ajustes
necessários.
QUAL DEVE SER O PERFIL BÁSICO DO EDUCADOR PARA ATUAR JUNTO AOS JOVENS
EM AÇÕES DE PROTAGONISMO JUVENIL?
→ Ter convicções sólidas a respeito da importância da participação dos jovens na solução de
problemas reais na escola e na comunidade;
→ Conhecer os elementos básicos da dinâmica e funcionamento dos grupos;
→ Ter algum conhecimento sobre a situação-problema a ser enfrentada;
→ Ter alguma experiência como participante ou animador de atividades de trabalho em grupo;
→ Ser capaz de administrar as oscilações de comportamento frequente entre os jovens: conflitos,
passividade, indiferença, agressividade e destrutividade;
→ Ter controle sobre seus sentimento e reações;
→ Estar aberto para acolher e compreender as manifestações verbais e não-verbais emitidas pelo
grupo.
→ Demonstrar-se capaz de respeitar a dignidade, o dinamismo e a identidade de cada um dos
membros do grupo.
membros do grupo.
POR QUE É IMPORTANTE QUE OS JOVENS PARTICIPEM NA ELABORAÇÃO DO
PROJETO?
* Porque, ao fazê-lo de forma democrática e participativa, a equipe juvenil adquire mais confiança
em si mesma e na sua capacidade de intervir construtivamente em seu entorno social.
QUE CUIDADOS DEVEM SER TOMADOS ANTES DE INICIAR A AÇÃO PLANEJADA?
* Em primeiro lugar deve-se procurar analisar a situação sobre a qual se quer intervir, reunindo os
dados e informações disponíveis.
* Em seguida, o projeto deve ser explicado pelos próprios jovens a todos aqueles que serão
afetados pelas atividades a serem desenvolvidas.
QUE PERGUNTAS BÁSICAS DEVEM SER CLARAMENTE RESPONDIDAS QUANDO SE
PLANEJA UMA AÇÃO PROTAGÔNICA?
* O que pretendemos fazer?
* Quando começará a ação e quanto temo será consumido na sua realização?
* Onde ocorrerão as atividades planejadas?
* Quem ficará responsável?
PELO QUE EM CADA ETAPA DO TRABALHO A SER REALIZADO?
* Como as atividades serão organizadas e encadeadas para se atingir o fim previsto?
* Quanto, em termos de recurso materiais, financeiros e humanos será necessário para o
desenvolvimento das ações previstas?
 Por fim, cabe destacar que, em uma das publicações do MEC, de 2007, sobre protagonismo
juvenil, destacou que uma das maiores preocupações dos nossos jovens é o desemprego,
sendo que a violência e as drogas são apontadas como os grandes problemas do mundo
contemporâneo. As conclusões são retiradas de um texto da socióloga Marilia Sposito, que
traz resultados de uma pesquisa realizada com jovens de diversas regiões metropolitanas:
Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG),
Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Belém (PA) e Distrito Federal (DF).
NESSE SENTIDO, A PUBLICAÇÃO DO MEC AFIRMA QUE:
 (...) é fundamental assumir o compromisso com políticas públicas que não só garantam o
acesso dos jovens à educação técnica e profissional mas, também, que assegurem sua
permanência no sistema educacional, criando condições justas para que tenham acesso ao
ensino superior.
 Para além da garantia de escolaridade, no entanto, o acesso ao mundo do trabalho, nas várias e
diferentes formas que a sociedade contemporânea abre aos jovens, é um elemento essencial na
construção da justiça social e de condições que promovam seu protagonismo na sociedade. Dessa
forma, articular educação e trabalho para a juventude, a partir de projetos que garantam a
qualidade de vida para todos, é um caminho profícuo para o desenvolvimento de ações que
tenham a escola como lócus e a participação cidadã como meta. (MEC, 2007, P. 6)

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