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Enantiodromia

Enantiodromia é um conceito introduzido na psicologia pelo


psiquiatra Carl Gustav Jung no qual a superabundância de qualquer 'força'
inevitavelmente produz o oposto do que é expectativado.

É de certo modo equivalente ao princípio de estabilidade no mundo natural, onde


qualquer extremo vem a ser incompatível com a ideia de equilíbrio, tal como esse
conceito é entendido.

Jung o utilizou particularmente para se referir à ação inconsciente, conflitante


com os desígnios da mente consciente. ("Aspectos da Masculinidade", capítulo 7).

No seu significado literal, "ir contra", concernendo ao caráter emergente do


inconsciente no transcorrer da vivência.

Esse fenômeno característico ocorre praticamente sempre que uma tendência extrema
e/ou unilateral rege a vida consciente; uma contraposição igualmente poderosa, contudo,
é erguida a tempo, e termina por inibir a performance consciente num primeiro momento
e, em seguida, acaba mesmo por irromper o controle consciente da psique.

A enantiodromia é tipicamente experimentada em conjunto com sintomas associados


com neurose aguda, e é muitas vezes um prenúncio de um renascimento da
personalidade.
O descomunal plano mental sobre o qual a vida inconsciente da psique é erigida se
mostra tão inacessível à nossa compreensão que talvez jamais cheguemos a saber
pormenorizadamente o mecanismo funcional pelo qual um ato 'mal' pode vir a
desencadear um bem, por meio da enantiodromia, da mesma forma que um ato
considerado 'bom' pode muito bem levar a um estado indesejável.

["A Fenomenologia do Espírito nos Contos de Fadas", capítulo 9]

Apesar do termo ter sido cunhado por Jung, esse conceito já pode ser identificado nas
obras de Heráclito e Platão.

Segundo Platão, em sua obra Phaedo,


"Tudo surge desse modo, opostos criando opostos."

Um exemplo de enantiodromia é identificar os gêneros como feminino e masculino.


Só se pode se entender o conceito de feminilidade caso consiga identificar o masculino
também como seu oposto.

Dessa forma, segundo Jung, conforme um indivíduo se identifica conscientemente como


extremamente masculino, um conceito de extremamente feminina se forma em seu
inconsciente em oposição ao seu eu masculino.

Outro exemplo seria o conflito entre um eu consciente extremamente bondoso e um eu


inconsciente extremamente maligno.

O conflito entre os dois é comum em neuroses agudas.