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O coronel Ramiro Bastos contemplava tudo aquilo como se fosse propriedade sua.

E assim o era um pouco, pois ele e os


seus governavam Ilhéus há muitos anos. Era um velho seco, resistente à idade. Seus olhos pequenos conservavam um
brilho de comando, de homem acostumado a dar ordens. Sendo um dos grandes fazendeiros da região, fizera-se chefe
político respeitado e temido. O poder viera às suas mãos durante as lutas pela posse da terra

. Fora duas vezes intendente, era agora senador estadual. De dois em dois anos mudava o intendente, em eleições a
bico de pena[eleições fraudadas], mas nada mudava em realidade, pois quem continuava a mandar era mesmo o
coronel Ramiro, cujo retrato de corpo inteiro se podia ver no salão nobre da intendência[prefeitura], onde se realizavam
conferências e festas. Amigos incondicionais ou parentes seus revezavam-se no cargo, não moviam uma palha sem sua
aprovação. Seu filho, médico de crianças e deputado estadual, deixara fama de bom administrador. A verdade, porém, é
que o coronel Ramiro amava a cidade à sua maneira, como amava o jardim de sua casa, o pomar de sua fazenda.

AMADO, Jorge. Gabriel cravo e Canela (1958)

- Como é a figura do coronel descrita pelo escritor Jorge Amado?

-Que característica do coronelismo esse documento revela?

O coronel Ramiro Bastos contemplava tudo aquilo como se fosse propriedade sua. E assim o era um pouco, pois ele e os
seus governavam Ilhéus há muitos anos. Era um velho seco, resistente à idade. Seus olhos pequenos conservavam um
brilho de comando, de homem acostumado a dar ordens. Sendo um dos grandes fazendeiros da região, fizera-se chefe
político respeitado e temido. O poder viera às suas mãos durante as lutas pela posse da terra

. Fora duas vezes intendente, era agora senador estadual. De dois em dois anos mudava o intendente, em eleições a
bico de pena[eleições fraudadas], mas nada mudava em realidade, pois quem continuava a mandar era mesmo o
coronel Ramiro, cujo retrato de corpo inteiro se podia ver no salão nobre da intendência[prefeitura], onde se realizavam
conferências e festas. Amigos incondicionais ou parentes seus revezavam-se no cargo, não moviam uma palha sem sua
aprovação. Seu filho, médico de crianças e deputado estadual, deixara fama de bom administrador. A verdade, porém, é
que o coronel Ramiro amava a cidade à sua maneira, como amava o jardim de sua casa, o pomar de sua fazenda.

AMADO, Jorge. Gabriel cravo e Canela (1958)

- Como é a figura do coronel descrita pelo escritor Jorge Amado?

-Que característica do coronelismo esse documento revela?

O coronel Ramiro Bastos contemplava tudo aquilo como se fosse propriedade sua. E assim o era um pouco, pois ele e os
seus governavam Ilhéus há muitos anos. Era um velho seco, resistente à idade. Seus olhos pequenos conservavam um
brilho de comando, de homem acostumado a dar ordens. Sendo um dos grandes fazendeiros da região, fizera-se chefe
político respeitado e temido. O poder viera às suas mãos durante as lutas pela posse da terra

. Fora duas vezes intendente, era agora senador estadual. De dois em dois anos mudava o intendente, em eleições a
bico de pena[eleições fraudadas], mas nada mudava em realidade, pois quem continuava a mandar era mesmo o
coronel Ramiro, cujo retrato de corpo inteiro se podia ver no salão nobre da intendência[prefeitura], onde se realizavam
conferências e festas. Amigos incondicionais ou parentes seus revezavam-se no cargo, não moviam uma palha sem sua
aprovação. Seu filho, médico de crianças e deputado estadual, deixara fama de bom administrador. A verdade, porém, é
que o coronel Ramiro amava a cidade à sua maneira, como amava o jardim de sua casa, o pomar de sua fazenda.

AMADO, Jorge. Gabriel cravo e Canela (1958)

- Como é a figura do coronel descrita pelo escritor Jorge Amado?

-Que característica do coronelismo esse documento revela?

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