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2° Edição

CAPnilUSMO

I
EIHCAUDim
Paz e Tem
vÕI1°^TUD0SLAT>N0.AMER,CANOS LÜCIO KOWARICK

Ficha catalográfica

dé SINDICATO NAClONAi"n? ^®taIogaçào-na-fonte


AL DOS EDITORES do RJ)
DE LIVROS,
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rei K89c Kowarick, Lúcio. CAPITALISMO
mi.
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Rio de """Sinalidade na América Latina. E MARGINALIDADE
za; '88 MEstu;
OS latino-americanos, ,v. 3) NA AMÉRICA LATINA
se
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tras e Ciênpiac"ij ~ Faculdade de Filosofia, L®'
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Quadros anexo Universidade de São Paulo. 2' Edição
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de; Bibliograria
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rál PtobTemas ~ Condições sociais 2. CapitalismoJ-
cii
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- América I ~ América Latina 4. Sociologia ur"®
e " América Lat" e classes trabalhador
Título
^
^èrie ~ Aspectos econômicos I
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te CDD - 301.36098
cii 301.45
ai 331.54098
oc:
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309.18
qii 330.122
77-0261
m CDU - 331.83(8=6-20 )
esi 301.18(8=6-201)
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330.148
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Card.Oso Paz e Terra


V393585
Capitalismo e marginalidade na América L
301 174 K88c 2 ed ex 2

vtls000045378 - JN00003427'
Biblioteca do lESP
T.

t"

1, 'íter
•. V' Introdução

'''i;

Este trabalho aborda a

merí^o-rarticuLTa ení'wm" do que se converrcionou^d—


de teoria da dependência. Nosso intento primor ,,T-hanas Nes-
ç.arificação do processo de-arginalizaçao nas zonas^
te sentido, tal processo será analisado tendo em
urba...^margl-
e as exigências da acumulação do capital, ^ inserção na
nais serão conceituados como uma forma P . exército in-
divisão social do trabalho. Neste angulo, o trabalho
dustrial de reserva e do custo de reprodução da força de
são questões da maior relevância. ^ ^„nhn mais marca-
Nos primeiros capítulos a análise sera e . . dados
damente teórico, e nos dois últimos, à jos processos
niacroestruturais, será realizada uma interp ^ brasileira,
concretos que caracterizam a realidade ^ estudos de-
Tais timas estão no centro de boa
^envolvidos pelas ciências sociais nos ultimo /. adicionan-
visa atingir um melhor esclarecimento destes proble^ adimona^n^
do-se na tarefa contínua de ""''prática dos movimentos
compreensão mais adequada da teoria e p
^°ciais. , ,, e •
Inúmeras pessoas colaboraram no P^^p
apresentado como tese de doutoramento na Faculdade de Filosofia,
de 1973 Humanas da Universidade de São Paulo em julho
cio ^^gar, foi essencial a participação de Leôn-
Ções e alternnf como orientador, sugeriu pistas, corre-
^Ção do cemrn^ de interpretação. Devo também frisar a colabo-
Pois o espírito Hp de Análise e Planejamento (CEBRA?)'
do por um amViipn?^^i^^ ^ essencial, ainda mais quando é permea-
lises aqui desenvnl% critica e debate intelectual do qual as ana-
ros do CEBRap m beneficiaram. Vários companhei-
diversas fases da piJÍ! ^^"^^'buiram, direta ou indiretamente, nas
Hr, Fernando mencionar, em particu-
sugeriu alterações ^ ^^doso, que leu os primeiros capítulos e
^'zcram também crítirT^^' de Oliveira e Octávio lanm

Juntamente pela
apontar r'
' '' ^ equipe que, coordenada con
ao'? d^ USP e poflTr Cardoso, da cadeira de Antropo-
Sãn D ® consumo d pesquisado questões ^cferen
ves Anna Maria Fernand d-
Niemav^ marginais"
Netto, AnanoMaria Gonça
Maru^Ü.'.^^'■garida Hana Nowinsky, José Car Capítulo I

O campo problemático
da marginalidade urbana
^^"lento dp n-. "^3ior utilid ,^^S'"3Íidade urbana. No ^
^^rgidog uo d SocSsm
^uito sobre Marginalidade"\?íana
Üj"
as discussões e proble^^'
está t uos De outra parte, o
tri a culturru"^'^ para o n
dos alunos leva a
geração cujo desempenho s
"^da adian,. ^^^deira dos7u-"^^™^"^o do "vazio" que ca^
^^^fcver ei E se não fosse ist;
pe<; ' Manoel Tn Corrêa ^ ^^"cacontinuar
que julgounoo pjc
Uens Brandão
çad. cbstan. de .T *^^^doso — contribuiu de -
^ de 'Colabora ~ Pontos centrais.
' resD^ '^^cbidas,
^®sponsabilid.,de.
as interpretações
10
balho n n ' ,^o°^rário, representa barateamento do fator
rentável sistema é altamente "funcional", ou s ] »
processo da acumulação.
traste? Pn?. '^ dualidade, entendida como con
encobre e p *^tijas dinâmicas são diferentes e
se em recoS'"-^Í^'^ ° problema. Neste sentido é falacioso fa
entende a <^^lismo no setor evoluído, se por ■
Ção aos modernn^^ tradicionais que se definem por ,
"a existêncirp ^ destes como também não mterfer^
Finalmente ^^tores evoluídos-.
modernidade e necessário substituir a visão -^c
? inarginalidade nã?°m interpretação que equ
mas a narHr ^ de atraso, carência ou
dinâmica concreta H ^.o^as particulares de inserção í^i" ^.dr
destas trilhas tenrino^ ^t-iação do excedente econômico. E ^ il^le-
^^d^^demarl
vertida hipótes? uma interpretação
P"tindo-se da corriqueiradae
sempre o é qne aquilo que é bom para o
Vivem e trabalham P^'^celas significativas de grupos q Capítulo IV

Capitalismo, dependência
inalidade urbana
margi

O con . g'

de""' >965! p'"£Í?"® ^'^BERT, Denis -


Poi P^ra o ,
dn ■ ^ ^onceito^V': Nacional de Recherch
terciár- "dlizado para caracterizar
ce
vista NossI ^ definido como um
o c ."°niia h mo Um «m i^mótese é que a supertercia evo^.M>
aeumuT """Ode í «'•"'ío" iS
""IsÇio eSt°"ma única =articulação
desligado estrutu
do^túral ^so

"lueeas, direta e indiretamente a" P"
06
Parci^s"? anteriores analisamos °No"ortoefro^ caso,
cura,!' '.''a "leoria da modernização . No pri
pro
estrutura
social ^ ®^idenciar que existe uma negaçao da , decorre do
goria a
° tSt <=°™o uma cate-
motivos pessoais, nunca apare
^alitica que transcende as pessoas enyc vi apontar
Os çj-rn'^ refere à teoria da ao "moderno",
QüP^ Provenientes do fato de opor o de algo que
existe n ^ "^^rginalidade é categorizada como ^ gg^ja efetivada
"evoluído" e onde a as diversas
K- - *5^16 as sociedades fossem ^njja trajetória dos
Países já de antemão delineadas ^ Q-gepção de lústo-
Neste tipo de análise, ^^"to dadas e
^ "°Çáo de estrutura aparecem ao alternativas que
í^^sain porque o Porvir u^o dominantes de u
Po de superar os aspectos e^trutu esP^ci
Vocap-^^ industrial, que tende u se r na idéia
^^bili7a °^etafísica. Indeterminadas grupos margiu
^ processo se efetiva incorporando CP aiustar
lí^cnte. è apesar dos
^^'^flitoc contexto, as forças sociais tend^ ^ qye a
faz '-^"0 sntes são descontinuidades. namentos (do ^
por oposições, mas através de adicionam
caracteristicamente capitalistas é quantitativamente diminuta. Em ou
mfp e particularizações (do difuso ao especializado) tros termos, o capitalismo da Região desenvolve-se transformando
t características funcionais das estruturas modernas, pequena parcela da força de trabalho em trabalhadores assalariados:
einalinl!? tipos de categorização, equacionando a mar ao se desenvolver, libera parte da mão-de-obra vinculada às relações
nrnrpç ^ outro nível analítico, Ela..deve_^sy;_yis]a .coi^^ de produção "tradicionais", que não consegue se transformar ^ em
fw peculiares de inserção no sist? assalariada. Mas esta "liberação".^ nãQ...é.^.ál52tón
a partir do pròcessò de acurnuíaS- com a intenslfícãçãcT dò processo industrial, 4^49~ptiÍ®rt -3
'^.problema central eçtá pm
bòhsiãerá-lã: " ^
(r^r^c» He trabalho e p^fcêíás de inãb-dé-Õbrâ que passáni â opç^ redações
5è"prodüçâo "afcárcas", presentes em boa parte ^âs.^^tiyidades inte
seexnanHp produtivo na medida em que o capu'»" grantes dó setor terciáfiò' da""êcõhdmia:^ê m^^_ especial, as ocupa-
outros ^ domina os diversos setores da econojnm- .ções autônomas" dó' còniérció dç. merc\dQria^ serviços
quezas passa a medida em que a produção e reprodução oè reparação è mánutençãò e ps emprjgos domésdçqs. remunerados,,
tulista, que tranl? sob uma modalidade tipicamente ^ièm' dós dèsempregâdós, e as várias formas de subempre^^^
dutivas'? No can f ocorrem na composição das trábalhádóres ocasionais óu intéfmiféhtés que caracU^rizam ,q;.çeaanQ
^mento
inserção da C^rtrabalho no sistema produtivo,
históricas com
que marca» pybario dè tràbálHó das sbciedádés tatmo^amy^ outro lado,
do sistema . ^jg, ao'se desenvolver, b càpííáíismo não chega a desarticular as formas
°P^tam no ^ \ é co tradicionais de produção, cujos exemplos típicos são as economias
nhecido que o mnA j tmiversalizar o trabalho assalariado • 5 de subsistência do setor agrícola, o artesanato tanto rut^^ Çomo ur
existentes de paíc ^ Pfodução capitalista, malgrado as bano, a indústria a domicílio que, em alguns países da Região, con
conjunto de dentro de sua própria log .^s tinuam a persistir. E o mais importante é que tanto a manutenção
marginalidade ■— ^^^regado® destas formas "tradicionais", como a criação^^ de "novas sao parte
e subempregados Particular, na criação de xércit® integrante de um modo de produção que, não obstante ser em sua
industriai de reserva instância na formação do dinâmica essencial de corte nitidamente capitalista,
^..âcmnulg£ã.q, as„arti^l^£.dglas^st^ajiniêai3;^^ T 'iSfn
nível das leís^gerl^^*"'" ri" presente trabalho situar a não se trata de diias estruturas, nma "moderna e outra tradicio
as sociedades ind.,í de produção capitalista ou no ^g^do nal", "arcaica" ou "marginal".

s nonta o sisUf avançadas. Interessa situá^J^,»,, J^lL^dg^üpn capitajista. a


sociedades latinn ^°mo se realiza no contexto forrnas dp imi^rrãn na diyjsã^^|ocjal,,4Sr=tiâhâJhfí^aõ^lp_.„ _ _
viriflH várias atuais, malgrado existir g^- Jjnegrantes do prGc.e.ss.q.,.de«â£nínjilâSâS5.^ . ,
econômicas °^^h.rtades de articulação das difere
o do cstáS T '"^^tpenetram sob a dinâmica capd Situada a questão nestes termos, um vasto conjunto e ^
buições teóricas desenvolveu um quadro interpretativo que p
qaanH tudo indica "^^^"tação das forças produtivas. .jcant'' dar conta da. problemática da marginalidade na América Latina.
parece^ ^°"^P^rada à j!:f,,^y°^tição do capitalismo latino-a . -^í, . - . • An nnnctütarãn dc Guc a margina-

"aHdadr'r."^^tcada ^^ilhada pis de^env^ 'íuaae e inerente ao sistema capiLdusi^-


'• laío' ^^^omenos distintos no que tange ^^ále^dadelTatinÕ^lml^^^
1 ^ absorção de mão-de-obra em Processoslil^i^íímarginalidaded^prrent^.^.'S^^^sisUma'"
^olvirtrs^^rginalidartB
alem de "ser" capitaHsta; "sbr tamhém je£^^^^ partici^r °nl? form^
nasJorma_;
peito ao conjunto de fatores de ordem demográfica. De um lado, as
evidpní-iíiH países desenvolvidos 2. No entanto, é
uma maatíifM^^ nas sociedades dependentes a marginalidade adquire de crescimento populacional eram bem mais reduzidas em
do deipnvni ■ ^ ^ significado ímpar quando comparada à história confronto com as que se verificam na~América Latina dos últimos
dO anos, devido à acentuada queda da mortalidade infantil e geral
bL auZl hoje avançado,, como tam- e a manutenção em níveis elevados do índice de natalidade^. Ainda
na medida ^ ^ viabilidade de incorporar estas populações
Joeo Dortant^ ° desenvolvimento se efetive. O que está em do ponto de vista da dinâmica populacional, deve ser acrescentado
volvimentol miA ^po de desenvolvimento (ou subdesen- outro fato de importância para o dimensionamento do problema.
excludente e de pct^^ característica a qualidade de ser super- Refere-se às maciças migrações jnte^nacjpnais^^ue começaram a se
de produção do caructoAl'Í° acentuar fundamentalmente no decorrer do século XIX ^ No entanto,
estes fatores não estão isolados e, em si, não seriam de primeira
grandeza para explicar as potencialidades do sistema em gerar me
-pprjgue ,o J'Ê® nos (ou mais) marginalidade. Na realidade, é o processo de acumu-
^OEi^áriàe principalmente após áção do capital que cria (e se apropria) a força de trabalho de
num caso "como p ®-^"Pdüpaddra de mão-de-obra, o que tanfQ qoe necessita para produzir e se reproduzir e gera a população exce-
mãtmfiais'baVíântp'^'""-"^"' ...uma quantidade. de empregues dente, não incorporada diretamente no processo produtivo enquanto
à fraca póíenaálTda/ superexcludência diz respeito então assalariados s. Contudo, uma sociedade que apresenta uma taxa de
fÍLiiíação ^hiça de trabalho incremento demográfico diminuta e que exporta o excedente popula
paftTciíIãí 0;.-^'^° Qnc caracteriza,,.dp cional pode, em princípio, diminuir o montante de desocupados ou
£^,.Jytro'Tád^'airnTmo'?
cubarem ás^forma^ .Região,_e.m.,..vez .de^ .d.es.artL' 3 E
® imensa a literatura a respeito. Veja, por exemplo, SINGER, Paul
,'&iÍ£^õWrde mâmica populacional e desenvolvimento, São Paulo, CEBRAP, 1970.
a'pfisefvá-rã''^'"^'^^^ —■nãq-tipiçame.nte_ç.apttas
indústria., a domicjhol j Entre 1812 c 1914 emigraram mais de 20 milhões de pessoas somente
_^eTé ínTe7^^^ também originariam as Ilhas britânicas. Entre 1850 até a I .Grande Gi^rra^.majs^^
l^-i^íent^çap^ fprnia..ii^° Aa . Europa, b Gue^'"eauiyáiéná
^rcmrio). Ambos os autônomos do seto da fõrcã de trabalho, conforme ÊÀSTÈRCING, Richard A. —
»jp,, "®ncès in Europe overseas emigration before World War I , ECO-
?r--^^P^^3Íi®rTátrhn'ãm''^^^ inerentes ao desenvolvimentp OMIC DEVELOPMENT AND CULTURAL CHANGE, V. IX (3), p. 331-351,
^-^'■^SCJTqúézàr
Quando se anal' '
"lado por nuN, José — "Superpoblación relativa, ejercito industrial de
européia várias diferèrma^ qne se deu a industrialização iQpTf op.
^ marginal". REVISTA LATINOAMERICANA DE SOCIO-
cit., p, 206-207.
2 '^ham à vista. A primeira delas diz res- analisou detidamente como o capital organiza o processo produ-
1- ° ®®i"ando ao mesmo tempo uma massa de trabalhadores e uma popu-
Paises desenvolvidos veja, Çao excedente ou exército industrial de reserva. Mostrou também que
^ marginaiiH f^usuin Books u oíher América: poverty processo de acumulação, com variações existentes entre uma época
\ trabalho! a tn' Países ^963. Apesar da anáh^ ^istorica e outra, de país para país e mesmo entre ramos de atividade
encontrar trabaih ^'ustração- transcender os limites ^conomjca de uma mesma sociedade, utiliza segundo as necessidades ^
® preparo n ^ da ai t ^ negros norte-americanos não P
"<=«ssÍtatio na para nm Po^que sua falta de educaç ^ balh ® reprodução do capital, quer a ampliação a jorna a
num tneS'^1*^® escala Pn^ trabalho que já não nta» so^fisticada
I ?■' intensificação
ou ainda o trabalhoatravés da introdução
da mulher de em substitu.^^^^^
e da criança
quais continuam ^^^^'^^niente m • ^ falta de esperança, gui «^tivos segundo as da
suasmão-de-obra
necessidadesmasculina,
e não emorganizando
função dasos necessidades
^
ef i-equerSr."" " '""^Cão
historia rip i
^
^n: H0B«ti5Ai^ ^
adquirir as qualificações
não especializados, . j ^ População. MARX. Karl - "O Capital", principalmente livro 1. volu-
L capítulos 7, 13 e 23, Civilização Brasileira, Rio, 1971 •
62
^^dnstrSS^™' EJ. _ "La marginalidad
nzación europea". op. cit., p.
« ^43.
soC
63
subempregados Estes fatores conjugam-se com o fato da jndus; Na América Latina, em contraste, há uma larga fatia populacio
ter, de fo_rma.geraÍ^ prg- nal que não consegue se inserir no sistema produtivo, engrossando o
campo à cidade na intensidade rol dos desempregados ou inativos; bem como razoável proporção da
A Latin^ das últimas décadas, força de trabalho que não consegue estabelecer-se como assalariada,
encetado"pelo So ® o tipo-de industrialiraçâo permanecendo numa situação de subemprego, de modo particular nas
tendia a baseava numa tecnologia ._qil® ocupações autônomas do setor terciário, ou ainda vinculada às ati
Mp-de:obra'extremamente vidades artesanais e à indústria a domicílio. Tais fenômenos são lar
âWa1í3ã3e="'"?r>^'^--£SS3l--Í'IIps Ipaj^es "latino-ame gamente analisados no quadro da teoria da acumulação capitalista e
sécuIcTxíX^' H- ^®t:noíógico do desenvolvimento do no contexto latino-americano, em função do caráter dependente da
quase ilirnitad.m. . ™ referindo-se à Grã-Bretanha, "demandou economia e da sociedade dos países da Região.
uos landes se^r"d ° socialmente marginais; não só Ê, portanto, de vital interesse introduzir a teoria da dependên
quadamente mecanírad" trabalho intensivo ou inade- cia- Ela constitui uma tentativa de explicação de caráter global que
^ni foi requerida o segundo os cânones modernos, como tam- procura não só interpretar as várias etapas por que passaram as
(...) Deçfa T« ^ quantidade de trabalhadores não capacita- formações sociais latino-americanas, como também, dada a confi-
mecanismo automátL"n^dA ^^"^"t^"ulização do século XIX tinha um fiuração estrutural existente, analisar o porvir histórico dessas socie
na economia industrial" r de mão-de-obra não quahficad dades. Em outros termos, é uma teoria que abrange fatores macro-
cstruturais, tanto políticos e econômicos, como sociológicos e cultu-
europeu apresentava um T^ urbana do século XI^ a partir dos quais se analisa a trajetória histórica das sociedades-
e pauperização maior do qu® P^fiféricas tendo em vista suas relações com os países centrais. É,
a potencialidade que ^ que queremos evidenciar e Uma teoria globalizante que procura interpretar a proble
Países para absorver ^í- produtivo da maioria daqueles mática do desenvolvimento — ou subdesenvolvimento enquanto
de forma acentuada e «a "°^ra disponível de modo a amp t processo histórico-social global.
^^ rmaneníe o número de assalariados
frm sociais de amplitude suficiente, o sistema_ capitalista
e poucas correções às desigualdade sociais.
de acumulaçãode^rL ®° ®*^edente populacional
"este sentido "a'' ^
é desnecess obstante, mesmo desde o século XIX, o desenvolvimen o ecch
? «obsbawm. ej.^' ^ do° conjunto dada população
produtividade Permitiram
e atenuar aumentar
a misena o mvel
das classes de
soaais
dn europea", op. social en Ia historia de Ia cia?o^^"^'"®<^'das. Por outro lado, a grande indústria e
® "Tanto A ■' das ,zonas rurais, absorver
tanto eficazmente a maior da
que a modernização parte da m permitiu «levar
agricultura elevar
de consumo dos artigos alimentícios e melhorar a ^^nda dos
jai"^°"eses, pelo menos
®do, a estabilidade nos países
dos preços anglo-saxões
e a persistência e nordicos^ nP^iriram
da concorrência permitiram
consumidores usufruir da baixa dos custos obtida
da produtividade. Os estudos de Fourastié
IrL
Prosseguir, apesar ode aumento
não ter dohavido
poderaumento
aquisitivode dosalários,
tf^^Balhador
graçaspode
"cpende de „ ue difírn vida
cie baixa is preç" tanto dos artigos aHmetttícios co^o dos
"'o ác ™"'"° POfIft ° °''°'-As t" nftr«- nivelação da renda, graças^ ao efeito desr:ivimen?o"e™
ínp-esos v Ias
Profii ^ ^ l®"8o Ura industH^•^'^^'^®'^^™®ute complexos. j-end®
dur^?' durante "^«straTar nf"^dos sobre a repartição d^
^ ° período de°H® Período d^ , ^, ^^^^sualdade permanece Snr^, ~ Latina,'na"'revista mexicana DE
„. ® '^«colagem oí 5®^°luÇão industrial e espera ^.fa' lOLOGlA, sociales
ano XXX,en Ia América
(3), jul.-set. 1968, p. . 573-574.
RhV
64 ' seja. até a Primeira Grande tiu
65
Sem dúvida a marginalidade decorre destes fatores macro- senvolvidas, e como esta dependência se traduz no próprio âmbito
estruturais. Mas ela é apenas uma das expressões deste processo interno das nações dependentes implicaria tanto uma análise teórico-
total e, desta forma, parece não ser o caso destrinchar a teoria da crítica como concreta, que foge ao âmbito do presente trabalho .
dependência nas múltiplas questões que ela coloca. Não se trata, Neste sentido, não discutiremos um conjunto de questões, entre
portanto, de entrar no mérito da complexa e extensa polêmica que as quais se a noção de dependência engloba e é mais adequada
a teoria da dependência motivou, nem cotejar as nuanças que os do que a de subdesenvolvinf^nío^^. Tampouco discutiremos se o
múltiplos trabalhos sobre o tema puseram em evidência. conceito de excedente econômiào efetivo é o mais pertinente para
«.^^^9|..do conceito de deoenApricin pctruturàl. entendida^çofflQ detectar a problemática de dependência i^. Foge também ao no^sso
recusa ibordar o tema levando em çon-
escopo analisar o papel que os países dependentes tiveram, ou tem,
^a dinâmica ^duêl^ op^^^ no polo dominante, no barateamento do custo de reprodução da força de tra a o a
Jape^ recepíor. sociedades centrais e até que ponto este processo foi responsável
e oepèndência alude diretamente às condições de exis pela dinâmica de acumulação daquelas sociedades ^ _ * 1,0
Não se trata, por outro lado, de comparar os múltiplos trab -
mo^ econômico e do sistema pobtico, hos sobre o assunto para verificar em que contexto a eoria
interno dos
A ^ paises como®"tre
no externo"tanto no que se refere ao pia"
ambos, uuperialismo o conceito foi usado, ou de discutir como a i 1
^Çào e de classe interfere na construção do arcabouço e "
A conceito de dependência são inúmeras, dependência, nem de separar entre "lenins" e "kautskys os autores
«íer/ioí nmvp^' consideração não apenas os 9ue escreveram sobre o tema.
equaciona a orginadas nas sociedade centrais, m
outros Contii!? Países, onde um tem o domínio g discussão a respeito, veja:
de dependência entrp^ especificações de como se articulam as
tre os países latino-americanos e as sociedades cirm 1 a "teoria da dependência : teoria de pardOSO Fernando
Hen?"
Hennque - «TeoriaEstudos CEBRAP. L ou
da dependência" 1971,análises
p. 3-9
América Latina ■ Rjo dependência. São Paulo, CEBRAP. Estudos 1, 1971, p-
Kio de Janeiro. E. — Dependência
Zahar. 1970. p. 27. e desenvolvimento í^,.E°nforme FRANK. Andrew G. - Capitalism and unãerdevelopment
nômico) que afeta (além " -América. Modem Readers Paperbacks, 1969.
nco das nossas socieda/"^ mstitucionais e o conjunto do P Rio Conforme BARAN. Paul A. - A poíííica do crescimento
f, Esta dependêncL hl! Oatino-americanas). po ae Janeiro, Zahar. 1964. «nlicativo na interpre-
que sejam inte? nossas sociedades está . d,conceito parece ter um
tacãrt^j dependência serie tanto rna.o,^q^_^
importante maior quanto maior
concrpf ^ estrutura intern sistema, as tendências gociais
assim como os Perm Porcentagem do excedente economico f ^esas e instilmçoes
nantes ^®"dências que subordinados, ^1" doiu'' para o exterior; ou apropriado p análise completa
caríer r '°'^®dades metíSt"" com os interess^ da dP ^ pelos países dominantes. Além ' .' condições de pr^
caíáier. d«tas rd ° ' * cada período de "<5 "" ducãn^j*^^®"oia só se completa quando se ex . y cultura de ta
excedente econômico potencial . p. 23-24. Veja
tamux ^ América Latina. México, Sigjo fctructural. 1971 (nutneo,.
EERptd mesmo autor — La dependena função da polarida e
que as°4dar""^' '^ S^ão unilateral e ^ centro^-rE^^^ utiliza também este
de sociologia do pioneira, P- 52-95.
r^ctenzação do Subdesenvolvimento, Sao Paulo, cARDOSO
Anibai com S iíf. formas específicas Ferní? análise crítica sobre a teoria sobre
america". RFVTc.^^®l'®udencia metropolitanos." #.n den^ Henrique - "Notas sobre1972o (mimeo).
estado atuai
P. 529 ^^XICANa social e urbanización
iLANA DE SOCIOLOGIA, v. XXX (3)' ;„i.-s Pendência"-. São Paulo, CEBRAP
67
66
_A teoria da dependência, de toda forma, é uma complementação mudanças abruptas no processo de acumulação, sem que seus e eitos
-9o imperialismo, conforme exposta classicamente por.L?' Se generalizassem para o conjunto da economia. .
Na América Latina ela toma corpo na medida em que No que toca o processo de acumulação recente, ao
p^o]tto âQ ^senvolvimento autônomo entra em colapso, como tam- se de forma abrupta nas sociedades latino-americanas ^ PJ . _
-explode o arqui-fomentado mito da burguesia rmcioruil tãQ industrial "já aparece sob a modalidade monopolistica e o g
jmqda do refoimismo imperante nas décadas de 1950-1960.. . como decorrência, com um nível tecnológico -
Importa indicar ás principais características da acumulação das vado. No entanto, em primeiro lugar, ambos os elemen u
sociedades latino-americanas no seu momento atual — ou seja, o tesultado do desenvolvimento orgânico nem das mo a i Amé-
momento em que o setor preponderante da economia passa a ser Petitivas de organização do capitalismo industrial i'
^ a industria realizado em contexto urbano e voltado para o mercado Latina, nem dos prévios níveis de desenvolvimento
interno com vistas a detectar suas conseqüências sobre o pro destes países. Em segundo lugar, chegam de ®
cesso de marginalização.
é, como elementos, e não como setores integral
lurados" i8_ j ip ,4o
Neste particular, convém frisar que, apesar das formas de Não é o caso de empreender uma análise Cumpre
canUpfuf. sociedades latino-amricanas serem de cunho o desenvolvimento econômico dos países o processo
arhVi 1 A o^usudo cada vez mais hegemônica a acumulaça ssaltar apenas que na fase de incipiente industria Ç . j_
Sanai''" P'«=^sso industrial com base no trabalho ^ dependência se efetuava através da exportação ^fg^^j-ados.
tância ' produtivos complexos e, em primeira m T^se produtos agrícolas e da importação de ^ situação
Smdtí' - nem por isso, estas formai 1 dinamica de trocas mantinha os países perij -«ntrolado por
tas estrufnra°'^ luar-se com outras não caracteristicamente capita' f dependência na medida em que o processo
Srupos que representavam interesses dos latino-americanas,
históricos ° ™°^^^'dades produtivas que correspondem a ^^nip eros limites à industrialização das socieda volume
nam hegemnítT modalidades produtivas que se do! ^Í^Pressavam, dentre outras formas, internacionais
um desenvolvinj acumulação não rusultassem e pela tendência0"giuados
histórica pelas flutuações das ^ .gçôes de trocas tal
de deterionzaçao
sociais latino am ^ previamente maturado nas for^uç
'iinâmla Tcon^ decorressem de enx.rro. advindos^ tino realçar que, segundo a ^eona ^
tn ® dominação de modalidade agro-exporta guanto os da
dendo à lógica de<;tP P^^^°™'nante
dades do Continp ^
nos países centrais
tais enxertos não penetrariam nas
Ije- fa!f
^ em ^ "marginalidade urbana, dos
que o setor industrial efeitos tão dopro
países ja tende ^a ggj.se
nente de forma coordenada e integral, o que origm
15 LENIN, VI _ r-r
hegemônico da economia, e esta ® , capital estran-
sei "''e apoiado numamonopoüstico,
tecnologia poupador iP^ão-dlbra.
.. -g foi efetuada '
Efetivamente, a primeira fase de indus 1 j^gntalmente na
"""íi base tecnológica rudimentar, baseada fmdam
Ss '■ -«I.
S;.-'t ®°
revSt3°®° "I.
EtBueno.
desafro^^^^
Buenos 4 dei desigual
copitaiismo en
eeRússia,
combinado,
combinado,
Rússia. d"
con^tn"
em l"
OJJ"
IR ^
Ue gk OBREGON, Aníbal — Polo margina
Ia economia y mano
russa. Buenoí-tír^v""' = TROTSKY, L. - H^stor'" marginada. op. cit., p. 4. História
" As carac ■ Tilcara, 1962. llouZr^O Caio estudou em
,^D0 JR., Ceio em_ detalhe
detalhe X'silie"s"'l95^i,ÍrSM4d
haseiara-se em: QUIJANO cit-' Wasil Brasil.
Brasil. 4?
4? edicao,
edição, São
^ão Paulo,
Paulo, nrn<;iliense,
grasiliense. 1^57, ^ edição,
Latina I>ependL? de obra marginada, eri^f Poim^°J^^^'nporâneo. 5» edição, São da história.
jm.-set 1968 ^ Mexicana
'^8. P. 525-570. ^ SOCIOLOGIA,y urbanizacion
social ano XXX, v. (3)' Sào p ensaio de interpretação dialô
Brasiliense, 1947.
by
exploração extensiva do trabalho de baixa qualificação. Sua dinâ sus importação de produtos manufaturados que constitui a tônica
mica de crescimento estava alicerçada, fundamentalmente, na incor do sistema. Existe uma inversão no sentido de substituir as
poração de um volume crescente de trabalho e pouco sedimentada Ções, efetivando a implantação de um parque industiial,
nas inovações tecnoló^cas e na racionalização dos processos produ duzir in loco os produtos antes importados"^. O tipo de ep^ ■
tivos. Por outro lado, boa parte da população estava fixada de adquire uma configuração estruturalmente diversa em
forma relativamente estável nas atividades agrícolas e os que vinham período anterior. O capital estrangeiro
a cidade tinham possibilidades de se inserir no sistema urbano de ricos investindo nos ramos dinâmicos da economia. A P
trabalho: "A própria oferta de mão-de-obra industrial não podia assume "novo caráter". Não é mais de tipo
ainda ser excessiva para as necessidades da produção industrial se manifesta sob a égide do setor industrial que passa ^ se
crescente, se é levado em consideração que o grosso da população °minante no processo de acumulação, o qual tende, ^
estava incorporada às atividades agro-extrativas estáveis, não obs q"c se expande, a ser controlado pelo capUai de
tante seu relativo estancamento, e as condições sócio-culturais ineren Na oiica do problema da marginalidade, esta g
tes as sociedades destes países (latino-americanos) neste primeiro
penedo antes dificultavam, que estimulavam, o desraizamento ma- "dustrialização tem repercussões de grande vmUo. ^
sob seu impacto parte do setor agrícola se mo erni ^
Ciço e violento da mão-de-obra dos setores primários" l^erar mão-de-obra. Esta modernização, "luitas vezes,
carência de transportes e de comunicação restrinja ^pcmias
tecnciógico. É também de relações d_e «"^'''J°-^a,hador- mora-
nria dím.n ° ?"^<íiação do setor industriai, que peia sua p°' regionais, assiste-se à substituição do
Zicà nrjr apresentava como a atividade eco- pelo emprego de mão-de-obra baseado ^ ^ ^gidez
"ras urbanaTT"" giobai. Apesar das ' outros ramos entram em decadência, ou ai , gj^pioração a
que nartiam ri populações rurais, peia quantidade dos estrutura da propriedade e os niecanismos de expj^
que L ànlv a «dade e pelo tipo de tecnologia em eira/^^^° sujeitos aos"fuga"
os, assentua-se pequenos proprietários,
do campo (sem ar ^ agrícolas de
não aLofvido era f ° excesso de mão-de-obra
: mente A setunri / "í' ^^í^eie que iria ocorrer postenor- suh???^° algumas sociedades, , ter papel de
ocorreu^ industrialização, (nos países em que ela rgi ^ ou o artesanato rural tenham reforçando
generafea no d r ^Pda a 2^ oVande Guerra e se tais ^"'Portância no processo produtivo). „e a vida urbana,
i polaridade exportação seguinte.e Já,
exportação de matérias-primas então, agrícolas
produtos não é ver- ^ -P-'iêno de nota o fato
o miinH generalização
udo rural difundindo dos transportes
padrões eq
simbólicos transformam em
sooutrode nia^rginaliz^c^^^ ~ "Redenifición
texto, que em parte^n^'"
de Ia dependência V „Ll
^^ril de 1970. p. 33
relativamente baixo de tecnoloeia°'^^ anterior. Ouijano diz: ^jUares Celso tratou longamente deste
de organização empresaria? empregada e as formas Quase-fam 1 ® subdel' ^óição. Rio de Janeiro. Fundo de C ^y^ura, 1961;
mente ampla, de modo que a ®'=^ouôm- Rto de LIA,
Janeiro.
para os centros urbano-indu^t Que pouco a pouco la 1969;^^^^°P..,,voIvimenío
Subdesen^ ^ras e eira 1967
ua estrutura de papéis e nn
I>este ponto de vis^a
^ possibilidade de '"corpor
emergiam com a industrializa^., Região
3-' edição. Rio de Jan^ro.^Cjvm ^industr.a^
® referindo, obviamente, aos p , ^ processo de jg
^ento demográfico podiam População industrial e ° Ção (jg* p^íueles que completaram em boa ^ e^taimente numa
' ademais, a expansão inH
de integra?ãrda de maneira não muito desm
constituía um canal bastanjo °aXo%r:n.rur
ncorporar maior qüantidS"ri'''' que tinha capacidade
sistema', quoano OBRErL .
urbatimaciõn en Latino Ame. i.
padrões dominantes
""Dependência, cambio scc.a
Theotônio dos - "O novo cara^rJa toreTra!
ctt., p. 553. ° América", REVISTA MEXICANA DE SOCIOLOD
'^^1. P. 185-236.
70 71
aspirações de vida para a população do campo e operam no sentido mais agudos quando se considera as altas taxas de incremento e-
de acentuar a migração rural-urbana. mográfico que passaram a vigorar nos países da Região nas u íimas
Por outro lado, nos centros urbanos a grande indústria expande décadas: "A formação destas crescentes populações marginais nao
sua capacidade produtiva mas, ampliando de forma proporcional pode ser atribuída ao velho sistema tradicional. Ao contrario, sao
mente limitada o número de empregos. Em outros termos, instauram- lormadas em parte pelo aumento vegetativo das populações u -
se nas economias regionais unidades produtivas com alta "densidade ""S- • . mas também se compõem em proporção importan e c
e capital , que passam a utilizar maior proporção de valor de capi' tores emigrados das zonas rurais em crise que expulsavam g
tal constante em relação ao variáveis. Em concomitância com este parte da mão-de-obra camponesa para a cidade. ^
necessitam para a produção e escoamento de desenvolvimento na América Latina nos últimos anos se cara^eri
, onas de um conjunto de serviços — transportes, ener^a, ^ por Um pequeno crescimento da importância relativa ^ _
^^-°bra industrial no conjunto da PoP"laç5o ativa A expl.caçao
orodmTvaft — ^tie passa a ser realizado sob modalida es
Hmital . como a disponibilidade de capitais é 2rf!( capital
f^-de "«naontra no caráter
monopolístico deste desenvolvimento,
baseado na baixa «t.l.zaçaop »
, (j ^
no âmhitr» / *:°°""tração do excedente econômico se f nrao-de-obra através de nma tecnologia altamente desenvolv._
articuladn ^ unidades produtivas, de tipo monopolis •
de ativ?d.H. subornado. o;ganiza-se um espectro lista"' ^ "luda
(ja "doçãonão
desta tecnologia,
havia assimiladodentro
as de ^ ^ [gçggg
^j-a a libera-
popu-
forca de trnh expansão se apóia na utilização extensiva "uos 20 e 30, produziu um efeito desastroso P empresa-
Ções autônnm^ ° caracteriza de modo particular as ocup riai°, uossos países (latino-americanos). A es ^ ^^
artesanato terciário, além das atividades .c
ao invés de iuúústria a domicílio, que, em muitas ' ^entff° absorver a mão-de-obra tipo de de-
pois, um dunlo^'1! destruídas, continuam sendo recriadas. Oper ^ senvni
oÍn„i- população. Daí que o resultad
tenha levado a um agravamento d p , mar-
Sialidade
aue social e econômica..."^».
econômica. . . • , —
nrocesso -»■de
certos setores e rric^' ^ campo, a racionalizaçao capitm ^ P l*Om n 1 • ^ í-1 rs f 1 m
que determina n s a ^®^°"^Posição das estruturas ^r"adicion » indutrf • "^"^êiualidade urbana configura-se q""" ° „ avanço se
desenvolvimento de'í?ai? maciço; q"®
nas cria
grandes ®Pera ganha impulso na medida em q . qua-
no restrito mas em um mercad d?o H de tecnologia poupadora de
série de atilTriad ^ ^^ J cujo correm e centralização oiistas. Isto signi
efeito de atração é inf^ .^^onexas geradoras de empregos m fica p dinâmica das grandes redes P ^gtor industrial
absorção" 24^ 'ufmitamente maior do que sua capacid Se tor"^ nutras palavras, que na medida em q , tgr de capital
criatj ^^g^mônico, para cada quantidade^ ^"narcelas relativamen-
®ão da margií^JidTit a pedra de toque para a ^°^^gcio- te ^ ' ^"^orpora ao seu âmbito de produção P . -j^ação apóia-se,
"ado tendo em vista ^ conseguinte, deve ser de trabalho adicional A industnalizaç
"as zonas rurais, cuia transformações que g
^aixa capacidade de acorre às cidades, e de jg
Produção tipicament ^
P'camente industriais, de trabalho em
fenômenos que se tornam ai"
ConM.^_
»aia, icnomenos que se ^
.jjcipa^-
?dicionat?'"a!idade não deva ser também -,s;rr.s
atribui Américatg:;
Utm .
cap?tul"*3.'' - O Capital, livro 1, vol, 2. Op. ciU P" Ser -.»„osa.
p Seneralização, para todos os p
talaciosa. „
ESPACE?^^. Manuel - "L'urba„- ■ Ameriuue ^ ^^isar a "maquinaria e a indústria
, o Br ®?^fETÉS, (3)^m d^P^^dente en Amer q ^ de t ^ introdução de t^^nolog ^ máquina de
^ economia® Kbrasileira:
d' '^eja-se
críticaa 1 rí ^ de r-toA Francisc®-í.
p (2) 1^' ' ^'"ubalho: "Aplicação
^ ^ual muito da forçadesde
se generalizou mecaa . ^^^ução da m q
r^2 ^ razao dualista. ESTUDOS CEBRA*^ e
pois, num mercado de trabalho restritivo, desnivelando a oferta de nexão com estes processos, na medida em que a situação e^
trabalhadores que advém das fontes migratórias e do crescimento dência é central na forma de acumulação que marca os países
vegetativo face a uma dinâmica que ao mesmo tempo gera urna bno-americanos. , ..
quantidade relativamente diminuta de empregos no setor industria Contudo, se a afirmativa é correta, ela necessita ^
e desorganiza parte das atividades econômicas tradicionais preexis^ "lente qualificada. Assim, cumpre por nos seus ■ -g^te
tentes; "Esta industrialização dependente é, por isso, excludente, que ponto a situação de dependência em si, ou mai p
sua ogica mesmo contém a inevitabilidade da marginüUzoçõo 6 o novo caráter da dependência gera a marginalidade. P . ^
crescentes setores da população urbana. Esta marginalização em efere-se à questão capitalismo autônomo versus capi a .. jj^q
desenvolvimento não se produz somente porque os novos po^o^do- Neste ponto toma-sc necessário indagar
res as areas urbano-industriais não encontram um lugar defmi ^^Pendente se estrutura em modalidades de f ° ~di-
na estrutura de papéis ocupacionais básicos, secundários ou su si mente diferentes das de um capitalismo «ue toca
sívTXh"''"'!"' industrial, mas também devido ao nças^,- por sua vez, têm reflexos de natureza di
de tranit™»' ® tamos de atividade produtiva, frente a tr"abalho, de formas de inserção marginal na capi
llr^Z ® de grande rentabilidade para os monopoi.o
rZr," ""duzem de modo inev.ta^ tal ^ o processo de monopolização ^liberando
oS P°P«'^Ção urbana, nestas condições, nao sa" Uiti desarticulou deasforça
po °"*'"Êente ponderável economias
de P^'"^ foi incor-
g parcial des
emTre L do mercado de trabalho _das no^
tos ramos ri também a relativa marginalização o ta npenetração constitui
estável, um
bem fator
como deo carater abr p ,j Latina,vital
I «i" -VO esquema de industr.ah^ a configuração da marginalidade urbana n única
pendència^enn!'i!f\''"^'P'^^'^''^''^ analisados equacionam a d no r,. conferir ao capital estrangeiro a rcsp pg^ggg
forma que vinori P5°''iema estrutural, ou seja, .jes estar de marginalização social parece ab
»rás destas interpretações é que
' autônpmo,
de acumu-
tão aparecem cn^ Poises perijéridos aos centrais, onde ^"1
lacãn ° interesses nacionais, teria economia agríco
nc Ta e" dinâmica la g uo mesmo tempo, não nte de forç^
^^ociedaTlptZr:-
cretas, reartimia
rTricas cot-.g
condições histori balho no setor fabril maior ja marginaHdade
Urban' ^ ^®^^ndo por conseguinte a signifi
^^"to^rserni:
polo central. Tal:r e esta
como no âmbitorearticulação
das relações ^
A ou dependente
qn® o capitalismo ' das unida
problemática da maro°^^vj° deve
da itiargmalidade parece basicamente
ser elaborada em Mtreita co- des Tir ^ lógica que leva a uma ^jq e de recursos
pro(ji-,? a um crescente controle de desenvolve, ^a
cardar... , 'rner^ se on seja, que tende, na de orpnizaçao
deixar sem emprego ^ ela ^ ^^PÕe -Ttnimental 5ir
pã Z'' "rdada na ^"tes. com a mão... PQupa' , lado, o emprego de um ^0^,0 própna deco
ram «speciai^t xf .®"Pi"imiu-se o trabalho maU
à das fábricas mo dos cardadores uianuai j-elaÇ^ '■cncia ?^^^'^amente mão-de-obra, e, de outr , ^ idades
(Rep of que gran^ produção é tão pequena n leva ao declínio de «f", ou depen^ente^
Cap^r-iivro"; tTr icionais, e isto, seja o capitalismo capitalismo nacion
' 1. vol. 1 . Í1 st oct. "'dadores
1856." p. 16).«cou
MARX. ^ar'" ao den^ !, possa contrapor ^ ,j ggs essenciais qu
27 QUIjano ■'
no que diz respeito^ às co estivessem
V aw, - "Dependência,
a . REVISTA MEXICANA cambio
0E SOCIOLO" seado„ ^ processo de acumulação, com ^ exclusão soci
^"1 lógicas diferentes no que se re
74
Seria curioso — diz Singer — imaginar um capitalismo, autôfto Não resta dúvida que a marginalidade na etapa atual das ou so-

mo ou nao. capaz dV. ín-^pHir QiiP nc T^^npfí^ do desenvolyitp^s^ ciedades latino-americanas decorre, em grande parte, no qtia ro es
to favorecessem uns pnucnis ern detrimento da grande maioria ^ aturai dependente em que se encontram os países do Con inen ,
~sê a situação de dependência acirrou certas contradições e "ias este quadro é um processo cuja substantivação advem, era
grou processos que tomaram mais aguda e flagrante a marginali a tma instância, da própria forma de acumulação, ou seja, as
de urbana dos países latino-americanos, nada leva a concluir que, 'ações capitalistas de produção, sejam estas nacionais o"
um capitalismo autônomo, no processo de sua expansão, não ten cs países hegemônicos. Em outros termos, as contra iço
provocado fenômenos basicamente semelhantes. "Chegamos, agora, o capitalismo e adjetivamente no fato dele ser -jgn.
ao fundo da questão. De acordo com os autores que estamos ana Assim, parece difícil afirmar que a situação ®
® capitalismo nacional produziu uma urbanização cq !í?P°®' do ponto de vista da acumulação regras su
I ra a que a penetração do capital estrangeiro perverteu. '^ diferentes na articulação entre o capital e Z.
Antes a população que imigrava às cidades era integrada souia L?® ' ■ ável afirmar é que tal configuração
iÇoes inerentes à própria essência do capitalism ,
t,asjcamente
jj.^
economicamente, agora ela fica marginalizada. Não é mais o cap
alismo que produz as "distorções", é o capital estrangeiro qu rnon^ ^^^áter abrupto e parcial com que ^ cjiega pronta-
az. crítica dos clássicos ao imperialismo centrava-se em penetrou nas sociedades
P ntos: na exploração, ou seja, na transferência de excedentes ber>' invés de ser criada '"ternamente, ch|^P^^
dominante, e na transferência, de volta, ° q. visão ^ segmentação da produção que ^ ^ multinacio
criset; dominado, das contradições do próprio ' qh- nais ^^^tnacional do trabalho ditada pelas^ - f.,ncão dos inte-
dições ^ atualização desta crítica, face as resspc especializa a produção das "filiais ^ e g^^ente, cons-
titup "matriz" e ainda a própria exportação
tarefa ner ^ apbcação concreta à América Latina,
(do continente _e^ e ..or. pitai^^-f^^táculos à internalização do circuito e jgdoinser
ca-
mal inifioro ^ ciências sociais (do continente c
3s conlradicòêc ^ muito diferente imputar ao .j-apô- 5'ção,^ da forçafatores, indiscutivelmente,
de trabalho ligam-se _ P
nas estruturas caracteriza
ismo nacional isento de contradições" da não absorvida pelo capital, p "novas"
28 SINGER, Pani r, J na Amé
relaJ'"'' "larginal na medida em que encarna
rica Latina. São Panin dependência e marginalidade ^Qce ^orrnac^f produção não tipicamente ^apda processo de
considerações críticas a (mimeo). Neste trabalho o Süa exn de produção que o ^ap» n i ^ capitalismo
^ "icnqtíe
■- Laiine"
^utiiie" nn -í;
. ^ Manuel: "L'urbaniiation^
Lnrbamzainjn Í^'T'% t^tia e recria. Mas nada leva a diversos. Neste
dhin miívers ^ QUIJANO OBREGON. Anibal: teria produzido efeitos substancialmente di
t^ependencia, cambio ! , d^Amériqiie Latme. oP_ cit
29 y urbanización cn Latinoamerica . oP ei' J'''BrSros '
op. a QUIJANO OBREGON, Anibal e CASTELLS, ^^Ueles ° Instituto Superior de Estudos ^
nacionap. acreditavam - e ainda acreditam não
Singer, Pa 1 „ Atn^' ^°sso\' /ealizar a tão propalada "revolução demo ^ dependente na
no^'^;;der a oposição entre capitai smo aujonom este autore^
cndos^^àlí'^"" depcndência e marginalidade ' Priiicinai ° do pensamento de Castells ggta em J
Quijano no nossn Singer tece são í?'®tnica para Theotônio dos ^5" redução" - caráter
Tiomo" dei?°■ a tcs" dirigidas. , ^jmeoto ^ je de ri ^ "forma tradicional de prc _ ao ^las de
°rlsinou PrZocJ ^ a qual o "desenvolvim^^nde^l,. o® depçj. ..Rendôncia de épocas históricas P jgnoram as
aos referidos
jos da Região,
n^^.5°"tradições
Fm que o capitalismo
nnrece diO^,. jj ,jtiP
pr^ j®Pendênc'^^^'^"" autores mencionados, caráter" capitah^ - ^j^gno
'•°^^ria um ^^tores <^"tros termos. Parece Jin ^ Passado, imputam ao "n°;° criação do fejm
no maraitíf ^ "desenvol\'imento "^ciona de
Q? ^^rginai^J^'^"^''dade
due ^ gmaUdade urbana.substantivamente_ i jj^ossariam jaa ^cnada
Certamente f^/f^ontra-a
Singer tem í'''"';? lati ^ atualmen ^,js,
ist íi
,ivf
^^ndamento Íf"°:3."^^ricano. De resto, o ponio dependência não cria marginalidade, encon
*^0 riticas, no entanto, poderiam te
emergir, é preciso ver que o desenvolvimento capitalista recente,
sentido, seria pueril pensar que os interesses decorrentes ^ fosse ele nacional ou estrangeiro, encontraria na América Latina
piíalismo autóctone — se ele existisse — teriam conduzi um conjunto de pré-condições propícias ao surgimento do fenôme
maior integração como também que a desarticulação car^^ no. De um lado, a tendência secular à estagnação de boa parte do
dos países latino-americanos provém exclusivamente do ^ (.gnfais «etor agrário o qual, sob o impacto do capitalismo, se desarticula
o capitalismo, agora, reflete os interesses monopolistic Parcialmente e libera mão-de-obra que aflue às cidades. ^ or ou ro
e não nacionais. Por outro lado, parece errôneo capi- 2do, face à expansão lenta dos empregos industriais, so
da modalidade monopolista de produção exclusivamen relativamente diminutas dessa força de trabalho chega a
tal estrangeiro. Em vários países do Continente, e ," aumeii' ormar em operariado do setor fabril. Ademais, a nmno
tamente o Brasil, a presença do Estado na economia sob ^o crescimento demográfico, tanto nas cidades oomo n
tado de maneira ponderável e, em alguns sewres fe aP ^ ^^'oionada aos fenômenos anteriores, criou ™^
formas monopolistas. Ademais, através da diversui _Ç ^ lega'®» f^5o^de~obra^^. Em outros termos, se é a si
funções e da utilização de mecanismos fiscais, de riq^®' tua ^0 inserção marginal na divisão social do r ' j - ^
toma-se crescente a sua influência no processo de criaç inp^^° dependência no seu caráter pode aguçar
à lógica da essência do seu processo
^
visto ^ ég marginalidade, além dás formas presentes ,. gg.
É claro que o conjunto destes processos pode instâo'^'®'
ótica da dependência, mas dizer que o Estado, em sadaT"'
term'
também ^m consideração as ^'tuaçoes ^stój^^s^pa^
^ também necessário equacionar p aquele
e expressão dos interesses capitalistas nacionais ou a' desvi^p^
titui uma afirmação demasiadamente genérica que P ^ gm enceí'^ "velho sistema tradicional de pro uç , ^pg^gg mais
a compreensão do problema. Em vários momentos, gg^tido^ ^ recen? período colonial, seja aquele realiza . j g formas
países, a política estatal norteou-se explicitamente priv h&' os quais traduzem, em última associ^^
impedir o controle de certos ramos de produção p& gj^a. Lr- das à dependência. Assim, estas jaij^ade nova co
o, principalmente quando este era de origem ^jnento^ mo dependência, tanto na sua modalidaae
nao negamos que a presença do capital estrangeiro pre em palavras diferentes, parece possível dizer q > acumu-
tiginosamente após a 2^ Grande Guerra. Ao contra tacãn^^ um processo de causalidade entre ^ dependên
Ça tende, em vários países, a se acentuar cada . de d^' cia ^^Pdalista e marginalidade, e na medi a pgj-g
gamos também que tal penetração provocou uma se aO comn caráter antigo e novo, constitui P latino-america
que deram à marginalidade urbana uma
que a que tinha em épocas anteriores. Mas nem
^
co^'
no, a formação e expajisão do capi ^ gdquire significa-1
Çàò guando
ni de marginalização
analisado toma co p que
à luz das interpretações articulam ten-|i
10V0 caráter da dependência. Pode-se supor qo ^j-^voca j^voi' mo referência este conjunto de teorias.
f^enío nacional, associado ou não ao Estado, gste
seqüências em essência semelhantes, a não ser q g^pita
ento tivesse se orientado por uma trajetória
„ bas^
A marginalidade deve ser analisada tendo
^pendente que marca a expansão da economia ffid — con
32
mpnt^ aP^^eiso evidenciar
problemática também outrosurbana
da marginalidade fatoree Q ^ te Jferta ^ de LEWIS, Arthur -.jj^jj^esTRE ECON
^Vii /.'muada de mano-de-obra . EL
* P. 629-675. ,jg
^ tjteratura sobre o tema. Veja, ,P°'"-^^i3rasU®'^^
e ãc Janeiro, Ri® d

78
f

Capítulo V

Capitalismo e formas de inserção marginal


nas estruturas produtivas

1
• 4
1

Uma vez discutida a teoria da dependência em relação ao


problema da marginalidade urbana, convém analisar mais detida
mente as modalidades de inserção na divisão _ social do trabalho.
H necessário enfatizar, de imediato, uma questão central: a oposi
■t; ' . ção entre trabalhadores marginais e assalariados nada tem a ver
com uma suposta dualidade , que confronta duas formas produtivas
estanques, uma dinâmica e outra que constituiria um peso morto
no processo de geração de riquezas. Como apontado no capitulo
anterior, trata-se de uma uniça^.lQ£Íca
ane^reúnriormas -desíguals^çomblMdas, que, AOje ^
ifçnWs nàodaUd^deS-prcKlutiyas ^rcaicas''
sarTatd ra^indústria a domicílio),,,,criando _tam^^^ formas
TS-djcipna^r-iardBs^^
% autônomo no setor terciário^ da _ economiaj_ jendeaore ambu;
Tantês7"pV"lrafãlhádorés autônomos
è c'ons^âçãÒ,"Vipãnciiriimp_eM^^^
^ujo executor pode ser^ designado de
trabalho não lão" apenas constantèmente^fecundados j
Tffiifalisu cdiííd^ tãmBKSKO^ |
n ,£m.^es cuidados que se po^^^._o._3nceitp^^dj^ma^^^^^^
83
t^^ue, será discuíido^no_ capítulo seguinte, guardam uma .eá" ralizar e de como as formas econômicas mais "evoluídas" do ponto
ciciq de_expan_são dp capital, aparecendo no, Çp;; de vista da expansão capitalista se combinam com as mais "arcai
•^^TLl^,.j£^j^^2§l!£9,p"ptjanlp uma categoria cíassicamente definida co- cas" originando uni único modo de produção. O sistema produtivo,
de um lado, divide a sociedade em classes sociais. De outro, para
Ademais, produzindo merca
dorias sob a formaVtesanar ou"sob a modalidade de pequena em- realizar a acumulação, baseia-se na exploração da força de traba
domicílio, ou vendendo serviços e bens de toda ordem --- lho cujo excedente é incorporado áo capital. Estas afirmações, por
s es u limos geralmente originários da produção de corte industria óbvias que sejam, constituem a pedra de tòqüé qiíé permite sepa
rebaixam o custo de reprodução da força de trabalho. Posto ven- rar os trabalhadores "não-marginais" dos "marginais . O qüè ca
serviços a baixos preços, podem propiciar às camadas racteriza estes últimos é que sua inserção no sistema produtivo su
põe tipos de exploração distintos daqueles característicos dá parce
te" prnnA " ^ Possibilidade de captar maior parcela de "exceden- la "integrada" da classe trabalhadora, ou seja, os assalariados que
lacão ° ajusta perfeitamente a uma forma de acunju na economia urbana estão presentes no setor fabril e no setor ter-
ta" da "\^°ricentração de renda e na "pauperização absoju- ciário organizado sob a forma de empresas®. Constituem força de
esDecialÍ7aH^^ ^balhadora, principalmente dos seus segmentos nac^ trabalho que não é absorvida pelas formas típicas que o capitahs-
so se fala forma toma-se arriscado e até mesmo falacio nio no processo de sua expansão tende a generalizar, isto é, a ven
preende ^a economia se por isto se com- da da força de trabalho que passa a ser comprada e submetida pejo
zem de form^- modalidades produtivas que se repro
que'determinam a dinâm.ca do capital. O que está em jogo, por conseguinte, é uma diferenciação
no seio da classe trabalhadora decorrente do processo de acumula
equacion^^o^p'" ™urginalidade que procuramos desenvolver e ção capitalista que gera certas modalidades de trabalho passíveis de
tive sT^elhal P.'°^esso de inserção no sistema produ- serem conceitualizauas como marginais. Em outros termos, os tra
eleitos por bnm ^ '^^Ç^o implica o descarte de outros cn balhadores que participam do sistema capitalista
ueração constíin"""^^'^" análises, em que o baixo nível de re quanto assalariados estão sujeitos a um tipo de exploração ligado
'f^ste, os precárin^ definitório básico e, como conseque à produção de mais valia
A marpinalldni'^ consumo material e cultural,
slvo a classe trahaiif a ° presente trabalho se refere tein I "integrado" refere-se apenas a ope-
se situa nf n . em sentido restrito, é e^lar da situação de trabalho, o que nâo sociedade:...
tenha acesso ao Poder ou aos benefícios ,■ g por defini-
montantes irrisóriord!-^ inferior da pirâmide social onde ^ti- insiste, com freqüência, que a própna clas^ _
^'PaÇão no processo decorrem Pj^te, está ecoMomicflmeníe integrada, nao nece ias
decisões da política
uwwiDw<* X—-
p ''nível de vida" h P Não está em jogo, por cons g j. ? •icnos -- não participa
— não participa no
no srau deseja , ' »c "„ CARDOSO,
CARDOSO, Fer-
Fer-
,'civilização" urbana g*"npos que, excluídos dos 'orpo sindicai,, eic^.. ■
na direção da empresa, na vida smd uma discus-
"marginais" em rebns^ Poderiam ser classificados São í° ■ "'"'dne — Participação e tiÍfeL 1972, p. 166, (grifo
econômicas e 500131^x1- participam mais das nq no^ teórica, (In O modelo político brasileiro, DIFbL, __ conflito
. ^^"forme também RODRIGUES,
e sindicalismo no Brasil, Sao niFEL, 1966. Sobre a
' WEFFORT, Francisco
estratificação em ohp j pauta também uma j^ain
d^a '"divíduos em Camadas educação etc. hierarq^^^^j^ 1Q7, ^
política dos trabalhadores, veja
Sindicalismo e política, São Paulo,
je Filosofia. USP,
conf sociais e H ^^ciais.
no Oseioquedaestá em trabalhado
classe foco e gg (mimeo).

so H ^°"^ecido niip ^ '"serção nas estruturas produtiva ■ ^gs-


'"^"muiação de trabalhe decorrem d" P ^^ne-
cern''^/ ^ diferença entre trabalho P''°d"Uvo^ gm^'^conlexto "^empresarial
S problema, mas o trabalho o^fXfdoTetor terciário e o tra-
■ Conr ' produção que é capaz de » b-xih ^^^títeriza também ramos ou atividade que a rigor nao
autônomo ou as modalidades produtivas arcaicas q
ser consideradas tipicamente capita is
^ °SREGon, Aniba. - Po,. n,ar,i.a, d.
84 ^ ^P- cit. 85
Os trabalhadores marginais participam de unidades produtivas O capitalismo, por sua própria lógica de funcionamento, se
cujo arcaísmo tecnológico e das relações de trabalho dificilmente baseia na exploração ligada à extração de mais valia. Neste sen-
permite defini-las como tipicamente capitalistas. Por outro lado, tido, os assalariados são explorados na medida em que parte do
pode-se também apontar cumo marginais aqueles que trabalham seu trabalho é incorporado ao capital, sendo marcados por um
por conta própria. processo de pauperização relativa ou absoluta. Uma maneira de
J)e modo esquemático, é possível indicar algumas categorias- caracterizar os grupos marginais é através do processo de explora
padrão de trabalhadores marginais. Um primeiro caso é quando ção a que estão submetidos: ... "vastos setores de mao-de-obra,
não há ruptura entre o trabalhador e os instrumentos de produção, que não chegam a se converter em trabalhadores liyres_ com ocu
trata-se, por excelência, do artesanato e da indústria a domicílio. pação assalariada dotada de certo grau de estabilidade, isto e, sem
Apoiam-se em tecnologia rudimentar, funcionando a baixo nive serem "absorvidos" nas formas típicas que o capitalisino tende a
e capitalização, c mal chegam a remunerar o fator trabalho, cons- generalizar. Ou seja, que nestes casos seriam encontradas formas
tuuindo relações de produção em que os indivíduos a rigor nao marginais de exploração, ou pelo menos na impossibilidade des es
sao nem patrões nem assalariados. trabalhadores de lograr uma participação no produto social simil
uos trabalhadores assalariados estáveis"
pví>m!un respeito à mão-de-obra autônoma, cujos principais A conceituação de marginalidade enquanto Ac
e as, na^ maior parte
opontamos, caracteriza-se
das vezes de pouca oupelo
nuladesempenho de em
especialização, ta- t^u bai.xa participação no produto social precisa ser ^.
serviços transacionados são vendidos a baixos
"laneira mais precisa. O processo de exploração
Partir da dinâmica de acumulação, de como esta ano frabalho
se ainda trabalho, muitas vezes, incompletas. ^'ve/ com o e também da noção de tempo de trabalho^
viável tamKí domésticos remunerados. Finalmente, pa ^^lalmenie necessário. Tal noção veicu!a-se a ' .
de marS"" ^_^"cterizar como marginal, ou pelo menos passível trabalho, cm que o assalariado produz o valor dos seus me
das unidade r força de trabalho que pa^ticiP e subsistência {trabalho necessário) e produz ^ a \q\
do rejeitada p nV, produção de maneira intermitente,^ la que é apropriada pelo capital {trabalho exce " efej-g à
COS, bem comn segundo as oscilações dos ciclos econ ndencial do desenvolvimento capitalista opera, n
sazonal fruto dp° crônico ou trabalho ^«asiona da força de trabalho, num ^uplo sen "mr
Neste nn f econômicos estruturais ou conjun ^ De um lado, não obstante a jornada de t"™'" ? -
várias atividade?" *^0"vém notar que, muita? vezes, na ' "■P® magnitude diversa de sociedade para soledade ^
de uma ILtío ^ '^''nacTo « .stórica para outra, apresenta urn Ijm.te max,mo_^a panm^do
pode ser sucedida r. °utra, em que, por exemplo, a Jl . pode ser prolongada. Este limite , das iron-
riado. Como tambí^ antecedida por trabalho autônomo ou as ■^,'^0. Contudo sua determinação decorre
ra a condição de emprego assalaria fâo? da exploração que se ligam ao mvel geral da
zoável parcela Ha P^^P"^ e uma constante que caracteri
Assirn "lao-de-obra urbana,
de boa parte à\iem respeito, como PJ^^^s faj .cs^"' "'"'^deressal
^^g*os tar que osuperiores,
acumulação capitalismo,ten na m^dula^que^Pprincípio,
na categoria de lumn conjunto de indivíduos engl 'Pdes estruturais de reprodução, não /.l^ão^dà
Pj^oba parcelas da ela ' contrário, o universo é outro. ^tpandir excessivamente a jornada de trabalho. A expio
Cão de exploracãn ^^^balhadora que se encontram numa situa-
4 e a diferencia dos assalariados" u p. 414.
^ Conforme MARx jÇar
"Conforme MARX, Karl — o Capital. oP- P"
^í' Conforma
Confor A.,,,,, ' ^ dt.. capítulo
^apiiai, op. cit., copitui 23.
Pfoceso Produtivo, de Marginalidad ^ posición en
P. 262.
•' uatinoamericana dc Sociologia, op. dt - 87
86
mão-de-obra fabril através de longas jornadas e condições precá Se os países de "velha" industrialização tenderam a eliminar
rias de trabalho caracterizou a força de trabalho não só masculina no processo de sua expansão estas formas "arcaicas" de produção,
mas também feminina e infantil durante várias décadas do século muitos dos países latino-americanos continuam a recriá-las. A par
XIX.
cela da força de trabalho aí inserida pode ser caracterizada como
Tal período foi marcado por intenso confronto social que supexexplorãda, posto que produz mais valia através de um proces
so extensivo.
visava a melhoria da situação operária. Contudo, e este parece ser
o outro aspecto complementar que caracteriza a lei tendencial da Parece claro que, muitas vezes, toma-se difícil caracterizar o
trabalho no artesanato e nas indústrias a domicílio como sendo as
acumulação de capital, dada a pressão operária, e tendo em conta salariado, pois freqüentemente, trata-se mais de agregados e mem
que existem limites de exploração da força de trabalho, pois o ca bros da família do que propriamente da venda de força de traba
pital dela necessita para se reproduzir, tal exploração passa a não lho. Contudo, mesmo assim, é possível caracterizar o processo de
ser mais efetuada extensiva, mas sim intensivamente^. superexploração pois, em última intância, é necessário haver algu
A partir de certo momento, quando, em alguns ramos indus ma parcela de trabalho excedente, mesmo quando tal^ processo se
triais, a produtividade do trabalho já é acentuada, aparece o inte- efetiva às custas de um acentuado rebaixamento dos níveis de sub
resse por parte destes ramos de regular e padronizar as condi^fS sistência, o que parece ser a regra geral.
de trabalho para o conjunto do setor fabril, expurgando do cenário A categorização de marginal para o trabalhador da indústria a
economico as unidades produtivas cuja acumulação baseia-se domicílio e do artesanato se justifica não porque seu rendimento
exploração extensiva do trabalho i». Na Inglaterra e na maior par- seja inferior ao do assalariado das empresas fabris, mas porque
sua inserção no sistema produtivo é marcada, em muitos casos, por
de Continental, a regulamentação das relações Uma forma de remuneração que não é a do assalariado puro, bem
mVT a ruína do artesanato e da indústria a do- como se apóia no trabalho extensivo onde a divisão de tarefas e
TiZTS ^ domicílio e às formas interme- pequena e a tecnologia rudimentar, o que dificilmente poderia ser
da iornari/d^? ^ a manufatura, significou sua ruína a limitaçao definido como situação tipicamente capitalista de prod^ução. Em ou
Pio acâo ao trabalho infantil. A ex- tros termos, as condições técnicas e sociais de produção configuram
uma modalidade de trabalho que dificilmente poderia ser definida
«ip^ciaade de concorrência"'i. como plenamente capitalista.
Mas se a caracterização de superexploração parece pertinente
a diminuir coeVdUvàmem?^^"'^ trabalhadora forçou o para as "velhas" formas de inserção no sistema produtivo, para as
às fábricas Propriame^L começando por impo^ "novas" é de difícil utilização, a menos que se extraia deste pro
tanto, se tornou impossível normal de trabalho. Le cesso a produção de mais valia, que é o seu traço defmitono essen
gando o dia de trabalho tan a produção de mais valia. P
todas as suas forças à ° com plena consciência e com cial. A apropriação que se processa no caso do tra a o
^envolvimento do sistem^
Mstema de máquinas". Ibidem.relativa,
p. 467.acelerando lante, dos serviços de reparação e manutenção, limpeza, vigilância e
*^àrga, e das inúmeras atividades do "tarefeiro que se inserem e
balho que no Brasil ocorreu °a ~ ^ ""^S^lanientação das relações de tr^^ forma autônoma no setor terciário da economia e sobre os serviços
baixo cs salários da cla«^ 30, além de equahzar P e bens que vendem no mercado. Em regra geral, sao executados a
economico fundamental IZl Permitiu às empresas "m cal ^ base do dispêndio de força física com instrurnentos
economia brasileira: crítica\ P^P^^^o de expansão do capital. Veja- dimentares e manuais e mínima ou nula divisão de tarefas, n
II MARX op. cit.. configurando nem mesmo um quadro de cooperação simp es. ^
rico da indústria moderna'rr'" ^ "*-) desenvolvimento o importante a reter na caracterização de
re,°, social. ( Tm' de generalizar íiqui desenvolvida é a forma de inserção nas «truturas
re\olucionam-se completamen'.
do artesanato e da indú i retaguarda... (da fiaçãoda emaniif»Lra-
estruturas tradicionais Como apontamos anteriormente, a marginalidade configura-se, quer
"Áustria a domicílio". Idcm. o. ."^61.
89
88
pela não-pariicipação na produção de mais valia no caso que abran tie ser considerado como o padrão limítrofe necessário para a re
ge o espectro de alividades autônomas antes referido, quer pelos produção da força de trabalho. É assim que, por exemplo, quando
trabalhadores presentes nas unidades artesanais e nas indústrias a se toma os padrões vigentes na economia brasileira verifica-se que
domicílio, quer ainda pela mão-de-obra que é incorporada e expul o salário mínimo real em 1958 era superior ao de 1971 em mais
sa das empresas capitalistas em razão das flutuações conjunturais de 2,5 vezes Quando esta renda mínima é vista em função dos
ou estruturais da economia. Não é portanto o grau de usufruto do padrões de consumo vital, chega-se ao paradoxo que um trabalha
'•produto social" que está em jogo. Na hipótese de os grupos mar dor deveria, num mês, trabalhar 33 dias ininterruptamente para
ginais terem um "nível de vida" semelhante ao dos assalariados atingir o qu é considerado necessário em relação as despesas de
com situação regular e estável de trabalho, nem por isso deixariam alimentação, habitação, higiene e transporte'"'.
de ser definidos como marginais, a não ser que se tome como cri Estas considerações indicam que a caracterização da margina
tério classificatório básico a remuneração e não a forma de inser lidade segundo padrões de renda é demasiadamente Inespecífica pa
ção lo sistema produtivo, o que nos parece uma caracterização que ra definir o fenômeno de maneira adequada. É preciso evidenciar
não atinge o cerne do problema. que o salário mínimo constitui um padrão que influencia as escalas
Neste sentido, parece inadequado caracterizar as populações salariais imediatamente superiores e inferiores, como também cons
marginais como sendo aquelas que, por terem uma "renda-traba- titui um parâmetro que norteia o montante de remuneração de um
Iho-mínimo", estão no limite das necessidades de consumo Esta conjunto de serviços efetuados no "mercado" do trabalho autôno
generalização esbarra em alguns problemas fundamentais para a mo. Os grupos marginais podem até ter uma remuneração que em
caracterização do fenômeno. Em primeiro lugar o que é exatamen média seja superior àquela que caracteriza cs assalariados estáveis
te "limite das necessidades de consumo"? Sabe-se que estes padrões Mas este é um problema que não deve desvirtuar a lógica do con
são historicamente dados e que exprimem as necessidades da dinâ ceito, ou seja: que as camadas marginais constituem um estrato
mica de acumulação. Mas sua variação no tempo e no espaço é da classe trabalhadora, diferenciada analiticamente dos trabalhado
enorme, e, obviamente, os critérios legais que estipulam um montan res estáveis por sua situação no processo produtivo.
te "mínimo" de remuneração constituem um indicador que não po-
13 "A queda do salário mínimo real é
J2 Conforme PEREIRA, Luís — "retendo a expressão populações 'margi mínimo que em dezembro de 1958 apresentava u de Cri
nais' para que se firme a especificidade histórica desse contingente po* Cr$ 5,90, em dezembro de 1971 apresentava um ^
pulacional (...) podemos identificar teoricamente aquele contingente como 222. Para o salário mínimo atual voltar ao mes P ^ salário mi-
constituído pelas populações que estão na margem ou na fímbria das dezembro de 1958, será jg Crl 598.56". DIEESE EM
necessidades de 'consumo', da força de trabalho por cada sistema econô rumo então, deveria ser em dezembro de l''l n i «a
mico capitalista 'periférico' tomado em bloco". Populações marginais, m RESUMO, ano VI março-abril de 1972, n9 2, Sao au o,
Estudos sobre o Brasil contemporâneo, op. cit., p. 168. E mais adiante:
"Em termos de identificação empírica, portanto, as populações 'marginais M ..."O trabalhador dc salário mínimo ILeniTres^ fs
são formadas pelos indivíduos c renda per capita (auferida ou impu minutos por mês para poder ®lem| Considerando
tada) está abaixo da renda-trabaiho-minima 'per capita' familiar devido despesas com habitação, vestuário, li'8iene e tra p 275 60)
a que participam direta ou indiretamente (no caso dos membros famiiia'5 que o trabalhador com o maior nível de às 791
'dependentes') das mais baixas oportunidades de ganhar a vida (cnt- nha Cr$ 0.016 por minuto, o salário mínimo P®J®^""«To^
pregos assalariados e não-assalariados) e, portanto, dos mais baixos pa* horas e vinte o um minutos mensais, devena ser de Cr$ 'c 9^ g ^973
drõôcs dc consumo, propiciados por tais oportunidades (••) Na socie
Em termos
itiinos reais
rtais o salário luii
o saianu mínimo --cp
em 1958 era de
_ Famíl CrJ 5,90 e padrao
a assalariada: em 1973e
dade brasileira, as populações 'marginais' podem ser empiricamente Iden atingia apenas 1,91 cruzeiros. Veja Dittbb
tificados, em conjunto, como formadas por todos aqueles que estão abai custo de vida, Estudos Sócio-Econômicos, n. 2.
xo do limite de renda per capita familiar fixado direta ou indiretamente 15 Em 1969, 15% dos autônomos ganhavam até um_ salário mínimo en
como tninimo pelo Governo Federal, através dos dispositivos legais rea quanto 11% dos operários auferiam tal remunerado. Por ovtro lado,
tivos ao salário-mínimo (remuneração individual) e ao salário famiha 12% dos Sitônomos gsnhavam mais 4 salár.os m.mmos e apenas 4%
(acréscimos para a composição da receita familiar 'mínima')." làem, P- dos operários paulistanos estavam nesta categoria. Idem, p. 32.
170-171.

91
90
mente consumidores de serviços pessoais. Em torno da prestação
A fim de tomar mais explícita a problemática aqui tratada é
destes serviços organiza-se uma gama variada de atividades que são
conveniente introduzir na análise as categorias de mercado formal
exercidas sem o reconhecimento jurídico. O MNF, por conseguinte,
(MF) e mercado não-formalizado (MNF), entendida antes como
é marcado por um grau mais acentuado de distribuição de riscos,
padrões que se estudam ao longo de um contínuo do que como na medida em que não está apoiado no sistema legal e que existe
tipos puros Tal distinção apóia-se na diferenciação entre "firma" uma quantidade variada de pessoas a quem os serviços são pres
e "indivíduo". "Por indivíduo, entende-se o agente econômico (pes tados Tais pessoas não são empregadores típicos, mas apenas
soa, família, etc.) que portanto não tem existência jurídica como
empregador. Por firma, entende-se a empresa registrada... cuja consumidores. A relação não envolve um emprego fixo, mas uma
atuação se orienta em consonância com o aparato legal vigen tarefa específica, o mais das vezes de curta duração Ao contrário
te"...".
do MF, no MNF "a segurança da ocupação depende sempre e
Cumpre assinalar que o MF baseia-se num tipo de emprego apenas do próprio trabalhador, que não encontra restrições de or
dem jurídico-institucional ou burocrática para a sua atuação —
que, em princípio, tem uma definição legal. Nele, o trabalhador donde a infinidade de nuances que podem apresentar as situações
vende sua força de trabalho a um único empregador. Por outro do emprego" —.
lado, tende a proporcionar um emprego estável, no sentido de ser Do ponto de vista da continuidade do trabalho e para evitar
contínuo e regular . . , •.
períodos de "ociosidade", o trabalhador deve desenvolver uma rede
o limite do MF é difícil de ser traçado. No limiar deste sistema de relações sociais a fim de criar "laços de clientela", o que im
de trabalho encontra-se a firma não-registrada, onde, plica uma alta dose de "personificação" da atividade econômica e
qüência, o próprio emprego não tem reconheciinento legal Por torna o MNF muito mais instável e flexível Instável, no que se
oposição ao MF, o MNF caracteriza-se, nao pela presença de u refere à continuidade do trabalho, e flexível no que toca ao preço,
único empregador, mas por uma multiplicidade de patrões , gera o qual freqüentemente varia bastante malgrado o serviço prestado
ser o mesmo. O que importa para a problemática da marginalidade
16 As análises que se seguem baseiam-se em MACHADO DA SILVA, L urbana é apontar que no seio do MNF se desenvolvem relações de
Antonio, op. cit., principalmente capítulos i e n. trabalho distintas do quadro que caracteriza o salariato. Não se trata
17 Idem, p. 13. obviamente dos trabalhadores por conta própria, cuja qualificação
redunda em continuidade de trabalho e em altos rendimentos e
18 O salário mínimo legal... "aumenta ^ dos que são
mão-de-obra pouco ou nada qualificada, entre a . ^ -yg incentiva para que o ingresso no MF é extremamente facilitado, visto a grande
registrados e ganham 'o salário' e os que °® g_'.anjjo por outro procura das empresas por este tipo de profissional. Mas é preciso
a luta pela efetiva aplicação das leis do _ f^air ao cumpri* considerar que bom número de trabalhadores por conta própria
lado, o interesse de empresas pequenas e . tributária, já
mento da legislação não só do trabalho mas mesmo. AprO' 20 Idem, p. 29.
o ônus de se furtar a uma e a outra é mais ou ^ estabelecido' d®
fundà-se, a partir daí, o desnível entre o setor g . . jg produ- 21 Ibidem, p. 29-30. Esta descrição constitui o padrão característico do
economia, cujos custos sociais impõem à empresa marginal' MNF.
tividade para se manter no mercado e o setor aut cimorta os ônus
subsiste, apesar de sua baixa produtividade, ktj, «ledida em 22 Ibidem, p. 31.
trabalhistas e fiscais, além de sub-remunerar o _ exempl®
que empresas do setor 'marginal' prestam serviços ' ge 23 Ibidem, p. 30-31. "Embora os laços de clientela não estejam ausentes
distribuição) à empresas do setor 'estabelecido, estas co ? j.gínais' do MF, neste subsistema eles são mais restritos, e condicionados pela
priar de uma parte do excedente produzido nas empresa paul
espremer sua margem de lucratividade abaixo da^^ „ (, CEBR^P- subordinação de situação de emprego às normas gerais e impessoais
I- — "Milagre brasileiro: causas e conseqüências". Cadern ("universalistas"). representadas pelo sistema legal, e à burocratização da
(mimeo) 1972, p. 31. atividade econômica, configurada pela "firma" como "instituição".

19 Machado da Sjlva, Luís Antônio — op. cit., p. 28-29. 93

92
aqui entendida como nível de remuneração — mas as condições sob
- tak niialificacões--' Para muitos, a permanência nestes as quais a "exploração" se concretiza. O assalariado fabril, por defi
Tos aTalh^o e^a devido ao fato de o MF - ou seja o nição, realiza tarefas parcializadas e cooperativas em um quadro
Í;'aralho assaLriado nas etupresas - ter lun.tada cap^cjdade hierarquizado e burocrático. Não é sem significado que a classe
operária tende a ascender ou a declinar na "escala social" através de
t MNF^^como as várias modalidades processos coletivos. Também não é sem significação que o traba
englobadas por cada um dos o^"desej"o^ dr^indepen- lhador autônomo efetua tarefas que tendem a não ser parcializadas
:"^indas" interferem fatores opiniões realizadas isoladamente, num contexto onde inexistem "patrões",
mas apenas indivíduos que compram seus bens e serviços a preços
dência" ou a "vontade preferem o MNF variáveis. Sua ascenção ou queda em termos de "nível de vida"
rj....b.»» depende, obviamente, de processos de caráter coletivo, mas fatores
"individuais", parecem ter também um peso significativo na mobili
problema estrutural de mui maioria dos países latino- dade vertical deste grupo de trabalhadores.
com que se expandem ® ^ jg "obriga" grandes contingentes Obviamente o trabalho autônomo reúne categorias amplas e dís-
partes e torna-se necessário detalhar as múltiplas atividades nele
contidas para melhor compreender sua significação no processo das
contradições sociais. Mas não é da idéia de pauperizacão que se
w». p-™»" — chegará a uma teoria e prática das transformações sociais. A idéia
de uma série de "mecanismos gg^ generalizações que de que os trabalhadores só tem "os seus grilhões para perder" foi
;Srapo:::rreraça;rd: traba.ho conceitua,izdveis co.o ™ar- revista por quem mesmo a formulou.

se trata, pois. de f rtgSa^


vista o nível de remuneração. Tal pr^d.
,,egorias X mo" mentes sociais o -

24 Machado da MNF.
o considera como núcleo envolver|
um ^uo ge con^

crmo'Timples consunddores puros , .b,de . P ^


25 A sirpttS^oT^nX^df^Sr LOPES Juar» ^ ,
[a uv ^ tfiv.

sõcreíadc "'l--',^lG"u°ES,™Leôncir Martins entre a f


22-95, e por ^ODRIGo Brisiliense, 1970. So
Sobre as
operárias, '^Hentaçõcs operárias Í^J^. Socio/ogi^
.lif/pstrSIr^tio: Consclence ouvr.ere a S. Pauto 95

4/61, out. dez., P-

94
Capítulo VI

Marginalidade e processo de acumulação


Cabe aprofundar no plano teórico a problemática da marginali
dade, analisando as conexões entre as formas de inserção marginal
® o processo de acumulação capitalista. Uma interpretação que teve
0 mérito de abordar o tema a partir desta perspectiva foi a de
Quijano, Numa primeira caracterização, o autor analisa a marginali
dade tendo em vista as diferentes formas de integração na socie
dade Desta diferenciação decorrem três configurações institucio
nais que correspondem a estruturas distintas: a básica, a secundária e
3 niarginal. Apesar de não ficar explícito o significado de cada
estrutura na dinâmica global da sociedade, o que o autor tem em
mente é uma forma de articulação que reúne modalidades de pro
dução diversas
1 quijano OBREGON, Aníbal — Notas sobre el concepto, op. cit., p. 26-26.
2 "A maior dificuldade que a definição fornecida por Quijano enfrenta
® a da especificação da "estrutura básica ou dominante . Esta dificuldade
existe devido ao princípio do interrelacionamento das partes em qual-
<l«er estrutura. Em outras palavras, qualquer que seja a "estrutura básica
de dominante" de uma sociedade, ela só assim é definida devido ao tipo
relacionamento que mantém com as "estruturas secundárias e com
as "estruturas marginais". Ora, se tal fato é verdadeiro, então as "estru
turas marginais" são tão básicas para a definição de estrutura global
da sociedade como a "básica ou dominante" BERLINCK, Manoel T. —
Relações de classe numa sociedade neocapitalista dependente: margina
lidade e poder em São Paulo. (Mimeo) p. 29.

99
o mérito do trabalho reside em romper com a tradição da Proveniente do caráter "abrupto" e "parcial" com que foram in
maioria dos estudos sobre marginalidade, avançando na direção de jetadas as empresas monopolistas, o capitalismo latino-americano teria
definir algumas questões fundamentais para a compreensão do pro originado estruturas produtivas marginais que se l^alizam no nível
blema. Ou seja, que o trabalho marginal é inerente ao sistema so mais baixo dos diversos setores de atividade econômica. Em última
cial no sentido de que deriva do próprio processo de produção instância, as atividades que caracterizam o "polo marginal" da eco
capitalista. Tal colocação permite ao autor formular que a margina nomia "estão se expandido e modificando através de novos modos
lidade é um fenômeno radical, posto que não pode ser eliminada de articulação na estrutura econômica global, mas naturalmen^te
sem que se eliminem as estruturas básicas do processo de produção ocupam um nível cada vez mais deprimido. Este fenômeno nao
capitalista Mas é somente com a noção de polo marginal que se está ocorrendo somente no interior do setor industriai-fabnl, mas
pode compreender a forma como Quijano entende a articulação das em todos os setores da atividade econômica, e de modo mais visível
diversas estruturas econômicas Em última análise, trata-se de ní no interior de (alguns) setores chamados terciários... (...) Sem
veis econômicos, em que o "polo marginal" corresponderia aos se dúvida, em todos os períodos da história latino-americana e das so
tores mais deprimidos da economia. Em tais setores estariam presen ciedades capitalistas em geral, sempre existiram estas formas de
tes a "mão-de-obra marginalizada" que não é incorporada nos nú atividade econômica .. No entanto, é somente no período atua
cleos hegemônicos da economia. De um lado haveria estruturas pro que elas tendem a se expandir e a se diferenciar como um nível
dutivas apoiadas em tecnologia moderna e marcadas por grande inteiro ou estrato da economia, isto é que faz parte crescente de
capacidade financeira e crescente controle do mercado. Seriam por cada um dos setores substantivos. Neste sentido deve-se^ insistir que
excelência as empresas monopolísticas. Por oposição a este núcleo este nível — o mais deprimido — da atividade econômica _e um
hegemônico, o "polo marginal" seria caracterizado pela carência de produto das novas condições em que se processa a articulaçao da
recursos produtivos, por ocupações instáveis, de mínima produtivi estrutura econômica latino-americana, não um mera sobrevivência _.
dade e qualificação, apresentando rendimentos baixos e muitas vezes Por outro lado, cumpre ressaltar que o setor margina nao
descontínuos ^ configura, face ao hegemônico, um novo dualismo estrutural. Ao
contrário, "o conceito de pólo marginal — diz Quijano ^ realça
3 Ê o que diz CARDOSO, Fernando Henrique; "Participação e Margina a presença de uma lógica histórica comum a todos os níveis da
lidade'. op. cit., reconhecendo o mérito das interpretações de Quijano; estrutura econômica latino-americana que produz ao mesmo tempo
Quando se passa do nível sistemático formal de caracterização da mar os centrais e periféricos, e deste modo articula a ambos numa mesma
ginalidade, para o nível histórico estrutural, a relação entre uma estru trama estrutural, em posições distintas"^. Fruto desta dinamica estru
tura básica e outra, chamada marginal, que sem estar limitado pelas
! condi^cuma o íuncionamento das estruturas básicas, parece
tural, forja-se a "mão-de-obra marginalizada", condito
redefinir-se. Se não fosse assim, seria difícil compreender sobre a ne os grupos sociais "excluídos" dos polos hegemônicos. Tais grupos
cessidade do fenômeno da marginalidade nas sociedades latino-americanas abarcariam o somatório de setores e ramos da economia an o on
e mais djficil ainda aceitar que as duas partes dessas sociedades gem a uma nova modalidade de estratificação socia • _
nao constituem uma "dualidade estrutural") formem uma totalidade na
qual um dos setores e, ao mesmo tempo "marginal e se opõe radicalmente Dois mecanismos estão no cerne do processo ^
por seus interesses ao setor integrado (o que vale dizer - segundo ,o De um lado, alguns papéis econômicos deixam de ter import n ,
método histonco-estrutural _ que é portador de uma possibilidade his
tórica de mudança)", p. 175-176.
6 quijano OBREGON, Anibal - Polo marginal, op. cit.. p. 14-16.
Redefinición de Ia Dependência- OUIJANO OBREGON, Anibal — làetn, P- 17-18.
^ r en América Latina, 1970, op. cit.. Polo Margi* R • • • « posto que todos os setores
.
mlfí % Economia y mano de obra marginada, 1971, op. cit.. e La Poy ea rfliTins rnais
da economia marginalizam
de um grupo limitado,
em todos os níveis do sistema. Não «e trata mais de um ^
da formação de uma nova "tratific OBREGON, Aníbal —
social originário de todos os setores . 0 „ 71
5 QUIJANO OBREGON, Aníbal — Redefinición de Ia Dependência, op- cit- t-a forrnaiion d'un univers marginal, op. ci .,
101
100
fenômeno que se relaciona com a baixa produtividade do trabalho um saldo positivo. Assim a marginalidade deixa de ser aborda^
e a perda dos meios de produção por parte dos setores sociais que ao nível de suas "manifestações aparentes" — apatia, falta de parti
desempenham estes papéis; como também o mercado consumidor cipação, anomia — como também enquanto um problema de "ca
dos seus produtos ou serviços torna-se limitado, quando não prati rência de consumo", seja este material ou cultural. Tais jnanifesta-
camente inexistente. Tal situação diz respeito a "empregos mar^- Ções aparentes" podem existir, mas só ganham significação quando
nais" como o artesanato, pequeno comércio e pequenas empresas de relacionadas com processos que ao mesmo tempo transcen^m o
serviços. Neste caso configura-se a categoria de "lucro marginal" "mundo próximo" dos indivíduos que vivem tais situações e são an
proveniente de atividades que podem até ser marcadas pela estabili tecedentes, posto estarem na origem da sintomatologia que pode se
dade no trabalho®. O segundo mecanismo inerente ao processo de nianifestar nos atores sociais marginais.
marginalização refere-se à impossibilidade de obter emprego estável Contudo, se é correto colocar o processo de acumulação Çonio
e regular nos setores "modernos" da economia. Neste caso a mão- gerador de "mão-de-obra marginal", torna-se necessário especificá-
de-obra... "marginaliza-se pela ausência de trabalho no 'núcleo he Ia. Se o modelo proposto acerta quando coloca corretamente as
gemônico' das relações de produção, pela falta de colocação estável causas que a originam, peca pela imprecisão quando impnme no
num emprego marginalizado ou em ra2^o de um emprego temporá fenômeno categorias sociais distintas, a não ser que se entenda por
rio nos níveis mais baixos do núcelo hegemônico. (...) Trata-se de marginalidade os grupos sociais "excluídos", presentes nos níveis
mais baixos" da economia. Se esta colocação for aceita, nao se pode
assalariados marginais que de certa forma constituem prolonga mais equacionar o trabalho marginal enquanto formas especificas
mentos do proletariado industrial das cidades" i®, de inserção nas estruturas produtivas mas sim como mecanismo
Na medida em que a problemática da marginalidade é equacio que redundam em últimas instâncias na pauperização. ^ a exclusão
nado tendo em vista o processo macroestrutural que caracteriza as assim definida, por ser um processo demasiadamente genérico, visto
economias latino-americanas, as interpretações de Quijano apresentam englobar tanto a "renda" como os "salários marginais , perde seu
poder explicativo pois calca-se em processos economicos dispares,
marcados por diversas formas de apropriação de ^
Tr c°cn™ ocorrersVT Te mais, no âmbito das estruturas produtivas, a^
articular o modelo é também passível de cntica. jmnflrto
10 IdejTJ, p. 73, XJm modelo semelhante pode ser encontrado em 3osé polo marginal" é o conjunto de atividades que, devido ao imparto
Nun. que passamos a resumir tendo Pm X* encontrado em j <^as unidades monopolistas, toma-se o nível mais epri ^
nas de marginalidade apontadas pelo Lor 0?r 'ema econômico. E disso decorre a afirmaçao "e ^ « Polo mar
nalidade são três. Em primeiro lu«r ^ Ifl
sãos pré-capitalistas) e os trabalhln própria" (pequenos arte gmai" reflete todos os setores da economia Ora, sabe se que^o
de modo particular aqueles adstST ^^^^^^Iham para um êrau de monopoiização varia bastante de se o P modalidades
recebem salário em dinheiro cnio consumo e que n que em várias atividades é ponderável a P^aeuÇa dus moaai.dad s
nas atividades domésticas Tim ®*®rnplo típico pode ser encontra
mais ligada a íorS p?é-canb.if'.^
parcial ou total, Íncorporar-L
^ mão-de-obra n^o
consegue, de
eompetitivas. Ademais, a produção monopolista supõe «je apô^
uestas modalidades que, em muitos casos, nada
Nesta situação podem ser ® mercado de -g. ® que não podem, por conseguinte, ser configurad
ção "refúgio" em serviços puros nT ^^^emprego aberto, a ocup
temporada. Finalmente o terceírn ocasional, intermitente ®ums. .
res menos modernos ondp rL If os trabalhadores nos se Tais colocações não visam invalidar a
leis sociais têir. escassa trabalho são mais duras, por Quijano enquanto problemática equaciona "pólo
nnível mínimo de subsistência n° ^ salários oscilam em ^°^"baixa uusso de acumnlação, mas colocar em duv.da a n<^u° ^ PP^°
produtividade. Tais categorias caracterizam as empresas de
marginais: os trabalhadores estalT referência os trabalhadores «urginai" composto Tios setores mais doP^^^os 'S quan-
que usufruem dos benefícioc l^^nte absorvidos pelos setores mo ^ ubvidade econômica. Singer, neste particular, pa
reniimeração comparativampnto.^^'^^^'® ® condições de do diz; "Coiocam-se... as seguintes alternativas, ou o setor mar
social, op. cit., p. 30.32^ satisfatórias. Participación y margina
103
102
ginal engloba as atividades que não integram o setor monopolístico manecem no âmbito restrito dos próprios "setores marginais"._ Em
e neste caso não apresenta as características descritas por Quijano outras palavras, as formas de trabalho marginal, tanto "arcaicas"
como "novas", não são auto-suficientes no sentido de se auto-
■(perda de significação de um certo número de papéis econômicos) reproduzirem, nem isoladas, pois transferem excedente às estruturas
ou então pertencem ao setor 'marginal' unicamente os estabeleci de corte nitidamente capitalistas.
mentos que sofrem a pressão competitiva do capital monopolístico. Não se quer dizer com isto que tal transferencia seja funda
E o que o autor possivelmente tem em mente, ao mencionar como mental para o sistema capitalista. Ao contrário, o excedente gerado
empregos marginais no meio urbano os dos artesãos, das pelo trabalho marginal parece ter uma participação diminuta na
empresas e do pequeno comércio. Mas, neste caso, entre o nucie formação do produto global. No entanto, não obstante este aspecto,
negeinonico', e o setor 'marginal' interpõe-se todo um conju" o conjunto de serviços e produtos originários dos setores marginais
nL por não estarem monopolisticamente organizadas, pode proporcionar uma "infra-estrutura de custos" altamente com-
siPniü hegemônico e por não sofrerem perdavê-se
de pensadora na medida em que leva a um barateamento do custo da
□ue n são marginalizadas. Deste modo, v à ''eprodução da força de trabalho. É, viável dizer, inicialmente, que
Liíh hoa parte da classe trabalhadora, e dentre esta os segmentos mar
e emdicotômica apresentada
mais complexa pelo autor
na América não
Latina" correspond ginais, consome um "custo urbano" bastante diminuto que se con
do
que marginal" confunde mais figura, por exemplo, no tipo de habitação e na forma de como
e
esta é construída, bem como no baixo grau de utilização dos serviços
"evoluído" ^'P^rtir
twna obscuras aseconômico
o sistema formas deemarticulaçao
"margm dos públicos, entre os quais: saúde, saneamento, energia eletnca e edu
cação". Ademais, certas ocupações características da mao-de-obra
que comftfH esclarecendo a trama marginal — serviços de reparação, conservação e confecção ae
oduSo
grau hl
de formas economicamente
n^^^^^volvimento: desiguais
"A articulação no quede pr^^
de formas Joupas, construção de habitações e comercialização de alimentos
que é amplamente desenvolvida por trabalhadores autonomos —,
calibrar o enfnr^^^ j anacrônicas entre si preenche a je criam as condições para que a classe trabalhadora, marginal ou nao,
rendimento máTí^° fatores econômicos segundo uma Im se reproduza a níveis mínimos de subsistência, tomando uma
fator constantemp^f' cxplorando-se em limites extremos o acumulação a altas taxas de exploração do trabalho, po'^ ° f/Ptól
capitalistas <;pm* " ^ ^^"odante, que é o trabalho —- em ha pode remunerar os trabalhadores a ele diretainente submetidos
nômicas em capitalistas. Por isso, estrutur preços que freqüentemente se deterioram histoncamen e *
ser combinadac ? estágios de desenvolvimento (- • •) i^iico
S^°^al. .. Sqi, '^Sanicamente e articuladas no sistema Outra ordm de problemas diz respeito ao
reserva Tal questão tem sucitado inúmeras po e dados
econômicas arcair^f^'- dependente, a persistência de ■complexos problemas teóricos envolvidos e a
A exploração dessas"f ° ^ função secundária e comp e Sistemáticos que possibilitem maiores esclarecimen o . . ',
n^enos moderna
menos modernas * ® combinação cun»
comomaçao com ou '^o reside e.^ saLr se os segmentos nrargina.s das ^ades de
ca pitalista' do a» f ^ ultramodernas, fazem parte do pendentes" continuam a desempenhar o papel de exército industn
selor ÊrelativamentP^"^
preciso ^'^^"òmico privilegiado" >2.
evidência que, ao invés de operar co ^ uH
uin
"ualista,
Veja OLIVEIRA, Francisco de - A economia brasileira: critica à razao

— como a noção de j-grite op. cit.


3 economia de mp ° caracterizam fazem parte m j.,
mercado no sentido de gerar riquezas que nu" P gLP^IJANO OBREGON, Aníbal descreveu um ^séne^de^^mec^^^^^
, s ao rebaixamento do custo de reprodup iniimeros estudos realizados
SINGER, Pa,, , Aiíié-
^dna. op. ^p dependência e marginalidade em ?^"^^Üon
favelas oud'un
em univers marginal,evidenciaram
"áreas pobres" op. cit. também
também tais
lai processos.
Conforme MARX, Karl — O Capital, livro 1. v. 2, op. cit, p
10^;
Janeiro, 1968, p. 65.
-O-

incremento gerado pelo sistema econômico se opere através de


de re»m, eool.rme.«lis»* ■«»"»
.o c.pit.1. xxm de O ^ ^ aumentos salariais diminutos em relação à mais-valia produzida:
" a acumulação capitalista sempre produz, e na proporção de sua
Importa reter inicialmente q ' , . trajetória se dirige energia e de sua expansão, uma população relativamente supérflua,
da "teoria dos salários tem u pensamento ricardiano isto é, que ultrapassa as necessidades médias da expansão do capi
tal, tornando-se, desse modo, excedente. (—) A população traba
no sentido de se despren mão-de-obra são vistas em função
onde a oferta e pr^ " 'Th" lhadora, ao produzir a acumulação do capital, produz, em propor
ções crescentes, os meios que fazem dela, relativamente, uma popula
da dinâmica demográfica ^ iramos a formulação mais acabada ção supérflua"
°sr.'rsr.°'e...-«. .—■ • Mas o processo não se esgota aí. Além da força de trabalho
6m decorrência do processo de acumulação ter como contrapartida
o"po„o d. p«id. e 1" necessária a criação de uma população trabalhadora não incorpo
rada ao capital, esta parcela, a seu turno, tornar-se a alavanca
expansão meramente ^/^omposição do capital expande- da acumulação capitalista, e mesmo condição de existência do modo
ção em que a "parte consUnte
rapidamente do que a Desnecessário^
dTacvmnUçSo,repetir
bas-
se mais produção capitalista". É este o conceito de população excedente
ou exército industrial de reserva, o qual constitui um sustentaculo
básico no processo produtivo. Básico de duas maneiras. De um lado,
serve ao capital nos momentos de sua expansão: "Nesses casos,
grandes massas humanas têm de estar disponíveis para serem^lança-
óas nos pontos decisivos, sem prejudicar a escala de pro uçao nos
ootros ramos. A superpopulação fomece-as" De outro, enquanto
r^nia massa que está em "reserva" pressiona os trabalhadores que
estão "na ativa" no sentido de reduzir os salários pagos. Duplo papel
procura d magnitude de su^ p por conseguinte: servir diretamente ao capital nos momentos de sua
capital global, aumento do relação à e^tpansão, e indiretamente, quando não absorvida, re uzin o o mon
t^nte de remuneração do fator trabalho: "O
parte empregada da classe trabalhadora engrossa as fileyas de seu
exército de reserva, enquanto inversamente a forte Pressão
deza aumenta. Com oj ^ mco exerce sobre aquela, através da concorrência, compe e-
fxcessivo e a sujeitar-se às exigências do capital (. . . ,
JUnto, os movimento gerais dos salários regulam-se ex
pela expansão e contração do exército industria e
^espondentes às mudanças periódicas do ciclo '"dustrial
"" :"tr "°«s...'«» O exército industrial de reserva reúne a
•hadora que está parcialmente empregada ou desempregada,
jg g glém
liga'a um con^m de produtiv^f" fíndo^ce-" " ^dem. p. 731-732.
^àem. p. 733-734.
.„,erpretação da evolu^a°^oEL, ^"'"[iação de "O
^dem, p. 738-739.
.6 para uma -terP sa.ariosye,a.^ M^ ^ .d 107

,7 MARX. KarI
106
'1

de trabalho é irrelevante para a economia, 'marginal'. Tal como a


do mais aparece cnh "es
três iM
modalidades: mão-de-obra "flutuante", entendo, esta é a essência do problema da 'marginalidade social'"
aspectos essen- Parece estar em jogo na afirmação de que "grande proporção
"]atente" ou ^-y:„entos de expansãc-retração do sistema é irrelevante" a idéia de uma oferta superabundante de mão-de-obra
ciais, diz respeito aos a incorporação ou repulsão de não mais necessária ao capital; isto é, não so mantida em "reserva ,
econômico que tem como „ p„cesso de penetração como também de tal magnitude que não chega a afetar a dinâmica
trabalhadores. A latente ^ 3, mão-de-obra rural que fica do capital no seu processo de expansão e de repressão ^salarial.
do capitalismo no proletariado urbano-industnal. A "reserva", por ser superabundante, deixa de ser um exército
disponível para ingressar nas_fi condição de ocupação é industrial', não interferindo mais nas leis de acumulação: o exército
A "estagnada" engloba a ''.rroutros, pelo mínimo de de reserva é excessivo ^3. Mas cabe perguntar, excessivos em relação
WtaSente irregular. tmoá%lnicnL\í se enconuam a que, visto ser o processo de acumulação e não a dinâmica popu
lacional que cria a força de trabalho que é excedente às necessid^-
<les do capital? Para tal seria necessário que o modo de produção
capitalista tivesse se transformado a tal ponto que as^parcelas nao
absorvidas deixariam de apresentar as "rirtualidades" tão clw^entó
apontadas por Marx ao analisar o capitalismo do século XIX. E
essa a posição de Nun e de Quijano-^. .
como os incapazes para , A argumentação de Nun se apoia em duas preliminares. Em
primeiro lugar, a distinção que faz entre exército industnal de re
transcrições detalhadas e serva e massa marginal baseia-se numa leitura de O Capital, princi
tarem modalidades de inse^ no coincMe-m - palmente do capítulo XXni, cuja interpretação é revista a partir de
iim outro texto de Marx, o Grundrisse A outra premissa teonca
c configurações de traiiaii ^ "estagnada cou
^ HOBSBAWM, Eric J. — La marginalidad social, op. cit., p. 237-238.
José® MARm.^Juan C.^rMURMIs! dTsTa
p ^ O conceito de marginalidade ao nível das rei Ç ^ reserva veja:
uma crítica a esta noção de exército %
^^DOSO. Fernando Henrique - Participação fcruSda por
PERetr Luís —brasileiro,
''^REIRa. op.marginais (In
Populações ,P°^Studos sobre
Estuaos some o Brasil con-
'®niporâneo, op. cit.)
nun, José _ Superproblación relativa op. «'■. ^
tcipacién, op. cit.f QWMNO , OSMGON
proo^ op- cit., e Redefimción de . são basicamen
te econômicos e sociais que os autor .. esquemas.
Dar
iremos"^®3mos, sendoa portanto
prelerência NUN, na desnecessáno
obra impressa P gunerpoblacion,
S p rp idem.

^"ÍXe oi' de ooncentra&o é centra-


^ "dantes considerações sobre os processo
O probleina. .„dustrial /'' oporÇ®" 109

sr-pSí
Sico.
743.747.
21 Idem, P-

108
Tanto para Nun, como para Quijano, tal fenômeno é decor
que o autor incorpora refere-se à distinção entre "gênese estrutura rência do surgimento do capital monopolista. Na América Latina,
e efeitos" Trata-se de separar analiticamente as estruturas q dada a situação de dependência e as condições que caracterizam
onginam uma população excedente dos resultados que este exce a presença desta modalidade produtiva — o caráter abrupto e par
acarreta numa formação social concreta. A origem continua^ sen cial de sua penetração, êxodo rural e altas taxas de crescimento de
o mo o de produção que gera uma parcela populacional sup mográfico — grandes parcelas não mais tém as "funções" que desem
tlua ao capital Contudo, nem toda a população excedente penhavam na época do capitalismo do século XIX.
I e o ponto básico — tem na fase atual do capitalismo Em um cenário que tende cada vez mais a se arquitetar em
americano as funções" de exército industrial de reserva - • O empresas de grande porte, alta produtividade e crescente especializa
orienta-se no sentido de afirmar que, a diferen^ , ção do trabalho — tornando cada vez mais difícil, segundo os auto
res, a transferência de mão-de-obra de um setor para outro — a
competitivo, na fase monopolista a relação 0"^^®
expansão econômica cuja alavanca é o monopólio já não mais esta
nal" processo de acumulação tende a não ser je ria tão sujeita a ciclos de retração e calca-se muito mais nas inova
rese^a configurar enquanto um exército m ções tecnológicas e científicas do que na incorporação da força de
se "afiinf-' ^ que parcelas da população oxceden trabalho adicional Ademais, dada a dificuldade de se forjar o
toda ou "disfuncionais" para o processo 'indus trabalhador especializado, tais empresas, devido à sua condição de
trial rip população constitui necessariamente um „] deste pfide markers, remuneram a força de trabalho que absorvem a preços
excpdp
excedente com o categoria
sistema noqueseuimplica uma netação funcio
conjunto" Sensivelmente superiores à média vigorante no mercado de traba
lho, o que permite falar na existência de "dois mercados de traba
lho — o da indústria competitiva e o da monopolista cujo indi
instância °ecoS!ka do "^odo
Petitiva e o seu r f de produção capitalista na
S
• j. a
cador é uma dispersão salarial bastante acentuada
em que esta 4se chT"'" ^eral. a Lglaterra anterior.^ , A conseqüência imediata destas colocações é que partes ^signi
indo um negócio dc emn^ ® ° capitalismo estre» ^ ficativas da população excedente tendem a perder, em relação ao
mente subordinados ao? individuais em pequeua ® -juio so setor hegemônico, seu papel de redutor de salários, bem como dei
^ automação que mr^* ^^^tares do mercado. O notável ij^iitaçao xam de "servir" ao sistema nos momentos de sua expansão. Isto
deliberada; por isso c "Grundrisse" revela que carát^^ j.
concluso de O Caotin] razões devem buscar-se não só jg gu porque o aumento da produção do núcleo monopolista opera-se atra-
teoricamente a ação a também no propósito do seu a jj^ndo ^ y®s de transformações no capital constante combinadas a pequenos
cessivas expeculacões ?.J^c^'tnento operário do seu temp - op- ;ycrementos de mão-de-obra. Por outro lado, os trabalhadores em
P- 195-196. ®°^re o futuro". Superpoblación relati^ reserva" deixariam também de ter a "função salarial", posto que
26 Est - a Veí^' Os níveis de remuneração, em grande parte, independem a pressão
ALTRUss^R^Lu"' é d= nítida inspiração althusse"»,"^. podem exercer na fixação salarial dos empregados nos se ores
" -ara KU,- ^
obscurecer a distinção capítulo XXIII de O Capital co
iribui- ^
jnddf gta a ■ ■ Pfrte considerável da superpopulação ^ sistema
reserva": MarginaUn superpopulação relativa e exer in^ ^al inff? hegemônico não estabelece relações destaestas
su-
assimilação das cateÍoH? Participación, op. cit., p /vj.jto das grandes empresas monopolistas, da f como
esn ^^4?tva' que
especihcos levou a no t ^^Pcrpopulação relativa
no estudo do e cx
capitalismo, pro u® ^as tendem as condiçõesosgerais
a combinar fatoresda produtivos
economia^. Ibidet
jhidem, Pp. 223
d' L^'"?^°ca no sist?m?"^A PcPttlação excedente com os c-
diferenciadas: .o fl^^^tna. Ao contrãHo as Questoes c? . especialmente em remuníar a força de
empresas elas tenham, mas, sobre
tudo ue
pelo valor do tnercado q
sua lULCgiav" ..
gnização produtiva da
"• nun, José — Marginalidad y participacion.
111
As questões levantadas por Quijano e Nun envolvem proble
"avançados" da economia. Em suma, fruto de revolução cienti ico mas cuja solução definitiva dificilmente pode ser obtida visto o es
tecnológica," o incremento da produtividade do trabalho é atualnien tágio atual em que se encontram os trabalhos teóricos e empíricos
básica e crescentemente independente da conconência entre os acerca das sociedades dependentes. Isto porque requerem uma lei
balhadores por emprego e salários, mas decorre da capacidade tura crítica dos textos marxistas cujas dificuldades e controvérsias
meios de produção enquanto tais... Em conseqüência toda expan são enormes. Ademais, seria necessário o confronto de dados que
da produção industrial não mais depende — no fundamental fornecesse evidências suficientemente sistemáticas e abrangentes. As
quantidade de mão-de-obra disponível, mas da qualidade das ino dificuldades decorrem, não só da complexidade teórico-conceitual
ções tecnoló^cas existentes. Assim, a mão-de-obra que envolve os processos que forjam o modo de produção capitalis
mercado de trabalho não constitui mais uma "reserva" p^ra ta, mas também da carência de informações de como estes proces
níveis hegemônicos da produção industrial, mas uma ^ sos se efetivam em determinadas formações sociais concretas
excedente, que, conforme as mudanças na composição
capital, perde de modo permanente e não transitório a possibi pelo capital industrial competitivo; b) a maioria dos trabalhadores que
e ser absorvida nesses níveis hegemônicos da produção . • • se "refugiam" em atividades terciárias de baixa renda; c)i a maioria dos
... Resta ainda a dimensão salarial. Se bem que ainda J desocupados; e d) a totalidade fixada pelo capital comercial... Assim o
"resto" dos grupos a), b) e c) segue produzindo os efeitos diretos (servir
mvel médio da massa global dos salários seja regjdo peía^ na época de expansão) e indiretos (redutor de salários) próprios de um
lyas de contração e expansão da mão-de-obra inativa do exército industrial de reserva (...)... No contexto latino-americano, não
nao parece certo, por outro lado, que o nível médio dos jaiari^^ há dúvida que uma proporção desta massa marginal, correspondente aos
grupos b), c) é, por sua vez, conceitualizável como um exército industrial
do regime econômico atual seja o de reserva em relação ao mercado de trabalho do capital competitivo.
^scanismo. Por dois fatores principais: primeiro P° Mas mesmo neste caso, no entanto, a baixa capacidade de absorver (mão-
de-obra) do setor (competitivo) oljriga a colocar novamente, segundo o
atn^if w"' ^^^lítativas de trabalho derivado na país, o problema da funcionalidade dessa população sobrante, reintrodu-
zindo a categoria de massa marginal a um nível mais baixo". Idem, p. 224.
nãn bãsicos de produção impede, ou pelo menos ...^gde
real ^ de subsütuição, como também a possi , jg 33 ... "A mão-de-obra excluída por nível hegemônico da atividade econô
avann.H de trabalho incorporada nos n^. mica, já não pode ser explicada em termos de exército industrial de
reserva... não é pois desprovido de justificação cientifica propor o con
leriza a mã ^,P^°dução, dado o baixo nível tecnológico qu ^que ceito de 'mão-de-obra marginalizada', para esse setor de trabalhadores
lu nt. r; ^^^cado. (..) segundo, em relação ao nível hegemônico da economia". QUIJANO OBREGON,
vs. inativo-i ^ ^ ° concorrência inter-obreira Anibal — Polo marginal, op. cit., p. 39.
obtêm iim ^'^^balhadores do nível hegemônico d^^P que 34 Para se avaliar tais dificuldades, por exemplo: ... "Ainda quando se
se submpt ^ autonomia relativa que lhes permite nao ^ admita que houve um segundo 'corte epistemológico', no pensamento de
vam no período^^^dições
examinadoimpostas
por Mmx"
pelo capital como as quo -.ai" Marx (fazendo uma concessão à moda atual que sucede à anterior, de
valorização do jovem Marx e que este tenha começado nos GrundrtíSô
(escritos em 1859). e no próprio Capital (19 vol. 1867). É portanto, no
s "mão decorrem as noções "massa de Capital e não nos Grundrisse onde o pensamento de Marx aparece de
forma mais articulada e onde as diversas categorias se determinam no
contexto do 'modo de produção capitalista' (■ . ) Sendo assim, especial-
n^ente numa leitura 'symptomale' dos textos de Marx, buscando responder
3 questões que o próprio autor não se colocou, com a ajuda de textos
íosé^aííesenta^uS'^?^'
p. 200.
- Polo marginal, op. cit..
a^actenzação bastante igual — Superp
que tinham outro propósito para o autor, se impõe um cuidado grande
antes de inovar (ou confundir) as interpretações. Especialmente quando
se toma textos que são anotações do autor, para, valendo-se deles, am
pliar a perspectiva de análise de textos acabados. Ora, a diferença entre
afuncional ou diSuncfnf i~j "Chamarei 'massa marginal ^ f g^pobla^j^gi uma 'teoria geral das populações' — teoria essa que teria sido estabele
p. 201. "Estp V.da superpopulação relativa . rna^^j-ti- cida ou, pelo menos, esboçada nos Grundrisse — e a Lei de população
com relação ao constitui, então, uma m ^onoP° «da
Compõ^no' ^^^balho
Pnncípio: a) umado parte
Capitaldaindustrial
mão-de-our^i 113

112
pidamente do que as condições em que o capitai pode empregar os
Não obstante tais dificuldades, é lícito contra-argumentar no acréscimos dessa população para expandir-se"®®.
sentido de fornecer algumas pistas que ponham senão em xeque, Mas se esta população sobrante aumenta, isto não significa
pelo menos em dúvida, a pertinência do equacionamento da mar que ela deixe de ter "funções" para o capital. Porque deixaria de
enquanto "massa marginal" ou "mão-de-obra marginaii- tê-las para o capitalismo monopolista — e mesmo para o competi-
ZSQE « rivo — na fase atual do capitalismo latino-americano — como pre
o primeiro ponto a ser realçado diz respeito ao próprio cara tende Nun e Quijano? Seria necessário que a lei da acumulação,
ter do modo de produção capitalista. Apesar de substanciais tran conforme exposta no O Capital, não desse mais conta do capitalis
rmaçoes, o capitalismo na sua fase monopolista não pode ser mo na sua "versão moderna". Se a base da acumulação continua
sistema produtivo radicalmente diverso da época c sendo a produção de mais-valia, portanto centrada na exploração
petitiva Nao se trata de um "novo capitalismo", posto que a es do trabalho, cabe perguntar, por outro lado, como se processa esta
exploração? Estaria o capitalismo, na sua "feição moderna" despo
TríL - do trabalhoéatravés
exploração basicamente
do quala efetiva
mesma:afundamenta-se n
criação de ma^ jado das contradições a ponto de poder remunerar a força de tra
balho segundo leis que independeriam da criação de mais-valia?
não nnH ° 9ue a virtualidade dos instrumentos aq A remuneração tem sempre um "custo social" que se liga à
ürodmn independentemente do fator trabalho, criador reprodução da força de trabalho cujos montantes são historicamen
vés de sâ^i em riqueza social. Ao eontráno, a te fixados. Indiscutivelmente o capitalismo monopolista remunera o
■nassa t.abaZ™ «endente a ganhar autonom.a^^^ fator trabalho a preços superiores à média existente no mercado.
monoDolktirn ^ incorporada no sistema produtivo, o Mas essa remuneração não é aleatória. Devido à sua situação mo
na medida ^ contradições entre o trabalho e o P nopolista a grande empresa pode, dentro de certos limites, adminis
■valor do nrnd ^ participação do fator salário *^11111""^, g trar os preços, tanto na venda de seus produtos como na remune
cre^ente gerado, o que supõe, de um lad^ ração da força de trabalho. Em outras palavras, pode pagar mais
tingente de relativa, e de outro, a criação de u 3 seus trabalhadores, não só porque o montante dos salários nos
do desenvow^^ Está dentro da Pi^pna . custos dos fatores de produção tende a ser mais reduzido, como
"Graças ao nmo" ^^pifnüsta gerar uma população ^T^^^anti- também, porque pode transferir o incremento destes custos para o
dade semore produtividade do trabalho social, gja mercado, aumentando o preço de seus produtos. Mas não só pode
com u^spe^din'"'' Tna Psgar mais seus trabalhadores como também necessita fazê-lo, pos
enunciado é uma , menor de força mental to que uma parcela de mão-de-obra a ele alocada, devido ao cará
emprega o trabníh a ^oeiedade capitalista onde o ms ter moderno e sofisticado da tecnologia aí imperante, tem um custo
na seSí ° instrumental. Esta Im rie reprodução mais alto (isto é, basicamente, custos de aprendiza
to maior a Dre*;?^ maior a produtividade do traba ' ^go, gem), que tais empresas não conseguem "socializar por inteiro
tanto mais precária f^abalhadores sobre os meios de e através da utilização dos processos de formação realizados no âm
® venda da nrõn^ Portanto, sua condição de existência, a bito das estruturas educacionais existentes na sociedade. Mas este
Pansão do canitai P^i^a aumentar a riqueza alheia o ®'go a mais" que o monopólio se "permite" fornecer, decorre das
leis da acumulação. Não se trata pois de um capitalismo isento
dutividade do trnv.'«iu ^^o^oimento dos meios de produção e ^pu- rie Contradições, posto que é de uma certa articulação entre capital
lação produtiva rápido do que o crescimento
Pitalista. Nesta'', P^^ssa-se, de maneira inversa, na soc^e ^.g, constante e variável que realiza a acumulação, isto é, mais valia.
' população trabalhadora aumenta sempre Claro está que a remuneração do trabalho não decorre de ma
GSp6CÍfic5 deira mecânica e direta da existência de um exercito industrial de
^arx e s^m^na capitalista', não encontra
de sunp de Althusser sobre o ^5 MARX, Karl — O Capital, op. cií., p. 748.
5i/fiiro Sao Paulo, relativa
DiSo e — Comentário sobreo Pot
- In O Mode ^
sao Européia do Livro, 1972, p. 142-14-í- 115
114
A remuneração da categoria de trabalhadores qualificados é
reserva. Existe um conjunto complexo de processos que se entrela superior à da maioria dos operários, e à primeira vista poder-se-ia
çam e que repercutem no nível dos salários. A fixação do nuniino pensar que, para estes trabalhadores, o princípio de remuneração
(social) de subsistência é altamente variável, dependendo de mu indepenle dos processos que condicionam a existência do exército
tipl^ condições históricas. Decorre, entre outras coisas, do grau de reserva. Existe uma série de indicadores que apontam o contrá
interferência do Estado na fixação salarial, dos grupos sociais q rio. Apesar destas indicações não serem conclusivas, pois não for
s a intervenção favorece, bem como da vitalidade das . mam uma bateria de dados suficientemente ampla e sistemática, ser
^es da classe trabalhadora em obter maior ou menor vem, não obstante, para colocar sérias dúvidas sobre a noção de
benefícios disponíveis. Contudo, mantendo estes fatores constan » "massa marginal" ou "mão-de-obra marginalizada" e sobre suas
i°^mica da acumulação que forja o custo social da implicações no que diz respeito às leis de acumulação por oposição
às que decorrem quando se aceita o conceito de exército industrial
L PTnrí supondo aquela o movimento contraditório ^^ de reserva.
cnmn formação de um exército industrial de ^ Cumpre ressaltar que os salários referentes à mão-de-obra es
cnfli;,- Paupenzação relativa ou absoluta da classe a pecializada dependem do custo de sua formação, que se conjuga
^ supressão da concorrência entre operários, ao fato de serem trabalhadores de relativa raridade. Em conseqüên
última
uiiima analise. ohtPr salários, a ação
\,sindical,
j. tudo isso _vi '
seia _ cia de uma determinada divisão social do trabalho, fruto dos im
perativos de um sistema de máquinas, o capital tem necessidade
obíeiivn^/'''^^' ^ abaixo deste. (...) Mas as - yeZr de "criar" não só tal tipo de trabalhador como também todos os
da relaiiwi^ "ma ação sindical bem sucedida dependem, por
de reserva industrial que^Ç°""' mlnistrativo", as proporções são as seguintes: 13.9% "braçal", 62.37o "se-
Comn ^ reguladora do nível de salários • .||jmos mi-qualificado" e 23.8% "qualificado". SENAI, Relatório de 1970, São
"uos uma int "o capítulo seguinte tem havido, nos Paulo. 1970, p. 15. Parece válido tomar o Brasil ou o Estado de Sao
Paulo como ponto de referência, pois aí, não só o desenvolvimento e
dos 'países latW modificação na estrutura ocupacional na diversificação da indústria, como também a presença do monopólio já é
menos nos mm transformações acarre > considerável, condições que, por hipótese, mais facilmente fariam surgir
seio da classe nn^ ^mâmicos da indústria, uma djferenci cs processos que configuram a "mão-de-obra marginalizada" ou ' massa
<^cm a aumentar empregos não-man ^arginal" por oposição ao exército industrial de reserva. Neste particu-
é digno de nota que. . . "Uma pesquisa efetuada no município de Sao
"m conjunto de nr manuais, como também aparec ^gr Caetano.. . (GPI, Estudo Preliminar para o Planejamento Integrado do
notado inicialmp ^ "P^Ç^cs de tipo especializado. ' uficado^ Município de São Caetano, São Paulo, 1968)... revelou, à base dos dados
sobre oST
total de'
operários° continua sendo
dos trabalhadores
relativamente peq"®" do SENAI para 1968, que embora os ramos 'dinâmicos da classificação
do SENAI sejam os que mais empregam mão-de-obra qualificada (arti-
rices, mestres, técnicos e engenheiros) numa proporção de 32% do numero
36 MANDEL ^ l53.154- de empregados, a porcentagem dos não-qualificados (trabalhadores bra-
Çais), e adestrados (semiqualificados) é de 50% sobre o mesmo^ total,
, ' es — A formação do pensamento, op. tomando-se apenas o nível braçal (não-qualificado) os ramos dinâmicos
Q
nao diferem muito dos chamados 'intermediários e tradicionais. aque-
Latina, segundo estimativas ,^Lf tinham 11% de sua força de trabalho como brasis, enquanto os
Da ® 507 na^^i ^ artesãos classificam-se na } sc seguintes tinham 15 e 137o respectivamente. Isto significaria dizer
trl^^^tCA LATINA '^^ 's^mi.qualificados":
trata de estimat^^aí (2), 1969. p. 97. BOLETIM
Ê claro Que, ggtorej 'odústrias 'dinâmicas' não podendo, até certo ponto, quebrar a fun-
Çao técnica de produção', para tanto necessitando de pessoal qualifica-
função°^° certamente ocorrem variações gtiti^^ , g utilizam, imediatamente após satisfazer aquele
Sicí^^° tamaS) da monopolista ou compe^^ ^ doj fente, mão-de-obra semi e não-qualificada, em proporçoes seniemames
longe P^' o ^me°noí
menos produtiva.
produtiva. Não
♦.-'>'halho Qua ^j^ado/ j
,4,^ Não
fs industriais consideradas tradicionais, servmdo-se assm, ^o ime^o
regtao d.leefetu ada 'n' ^generalização do trabaino lo, d-"
a jí
rcito industrial de reserva' para os fins da eumulaçao . OLIVEm.
Qe se," oc_.._ . a BeneraltTo.^s.^
"ma
um!%. regj-- eefetuada n generalização trabalho dU®
Quando
gS Qtiando se toma o Estado de_ São P^jah Ei-ancisco de — A Economia Brasileira: crítica à razao duahsta, op. cit.,
fadicalmentp ^^"^°^^tmento e diversificação ^ j-ados P ta P- 49-50.
por 1 •974 estabelf^n- Efetivamente, os dados P coP^P gd'
indivíH,,^,. uentos que
'mentos que reúnem
reúnem uma
uma mão-de-obr
mão-de-o , -goal 117
quando de;
' e Quando desta parcela se retira o k
116
para país, novamente parece válido tomar a sociedade brasileira
demais. Mas tais fatores não são alheios às injuções dos custos qu como exemplo, na medida em que o grau de desenvolvimento nela
vigoram na sociedade. Nada leva a crer que o capitalismo mode ^ imperante implica em padrões econômicos segundo os quais as em
no, de cunho monopolista, tenha deixado de ter "interesses" ^"^5^ presas poderiam ter "interesse" em reter os seus trabalhadores. O
baixar estes custos, principalmente o referente ao trabalho, a i quadro número I traz algumas indicações que permitem discutir o
de angariar crescentes taxas de mais-valia. Conforme as _ problema.
exigirem, substitui trabalhadores por máquinas, trabalho nao q ^
lificado por qualificado — ou vice-versa — adequando o QUADRO I
te de mão-de-obra e seus níveis de especialização em razão s
BRASIL: DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA SEGUNDO
imperativos de produção e reprodução. Assim o preço atividade ECONÔMICA E O TEMPO DE SERVIÇO NA
qualificado ou não, não é aleatório. E é o capital que dete EMPRESA EM 1970
o preço do trabalho em função de condições concretas que
istoricamente de sociedade para sociedade. Sempre NUMERO DE EMPREGADOS
droes de remuneração do trabalho, e quando ocorrem rápidas ATIVIDADES INDUSTRIAIS Menos de Menos de
ormações tecnológicas que tornam necessárias a utilização TOTAL 3 meses 12 meses
vos especialistas", o sistema econômico procura suprir as s N? %
cias numéricas e qualitativas forjando este "novo" tipo de
30.393 56.8
o ra. Se tal processo de "suprimento de mão-de-obra" ja c jj, Bxtrativa
Extrativa mineral
53.555
70.846
10.398
6.000
19,4
8.5 19.845 28.0
Produtos alimentares 304.751 35.384 11,6 107.936 35,4
7flr3^ capitalismo concorrencial, muito mais viável e .i^gn- Bebidas 44.574 3.029 6,8 11.710 26,3
tp nia uionopolista, que, por definição, pode mais Fumo 20.430 4.380 21.4 9.719 47,6
sãff imperativos e custos da produção. Í^f-Jores. "Fêxtil 311,745 22.114 7.1 88.002
57.355
28.2
38.3
O im, scalas superiores de salários que determinam as lu Calçados
Madeira
149.921
123.962
15.810
12.505
10.5
10.1 47.486 38.3
tre elaf^ P^^^ece ser o verdadeiro. Em muitas sociedades, Mobiliário 69.415 6.807 9,8 24.354 35.1
influencia^ ° ^^lário mínimo tem sido um e Papel e papelão 46.770 3.193 6.8 12.436 26.6
38,0
mesmo mão-de-obra semi-qualifica gráfica 66.324 6.872 10.4 25.192
Jcuros 28.640 2.165 7.6 8.705 30.4
Sa H i barômetro salarial para pondet itefatos de borracha 33.908 2.790 8.2 16.617 49,0
t de trabalhosa. E nada leva a afirmar Química 124 678 9.817 7.9 37.217
5.171
29.0
12.9
servatórin j™°l deixaram de ser calcados na existência y^er®' Derivados do Petróleo 40.074 1-224 3,1
15.470 38,4
Artefatos plásticos 40.266 4.090 10.2
Ção uè em'
dores está
traduzindc-se num nível de r mun,^a-
sociedades e para grande número de ^ jstên- JTodutos minerais 126.211 10.844 8,6 41.946 33.2
esta abaixo do que é considerado padrão vital de subsi Metalúrgica
Mat. Elét. Eletrônicos
197.111
419.977
15-336
41.352
7,8
9,8
54.574
155.681
27.7
37.1
cia 39
Const. e rep. veículos 144.647 12.163 8,4 46.904 32,4
354.258 64,9
J-onstrução civil 546.018 129.129 23.6
dos trabllhaTorerna industria. Se bemé que
a quetalsetaxa
referevarao ^^(5 ^'Versos 35.103 3.679 10.5 13.666 38,9

Menc lav» Total


— 2.998.926 359.081 12.0 1.184.637 39,5
conEorme arreg^iões ^hÍ.
mensal médio da
o salário mínimo no Brasd
^rS 124,80, e Cr$ 187,20, o gr» ''ONTE; Ministério do Trabalho e Previdência Social, Departamento Nacio
•^"1 meaio dl ~ cmre LrS 124,80, e i""—■ ,
sejam,_e:
ató 24% ganhavà r ,:r'''^""^'"^'camente
f aiiva 20Õ,00i,_.piO ttal de Mao-deObra, Lei dos 2/3 (40)
iniTv ,07 150,00
150,00 mensai5
Imperante250,00 egôt?
no país _ do que 4 veze 52% até
ouu menos
mensais;
:í/'ibg6^ -
iP fd'
^Çoes avançadas dn menos de 4Cr$vezes
seja ^enos 5uu,ouo menor
500,00 mensais.
39 t970, P-
de 1910, Rio de Janeiro, 1970, P- iof-
'^P9âo das nnt.. . "" "
"oias de rodapé d e nP 13 e 14 do capít ..-tu,o 119

118
ria ser 'compensada' de alguma maneira com algum curso técni
Se bem que se desconheça a intensidade do rodízio por co. . . mais adequado ao tipo de trabalho a que se dedicam os en
de qualificação profissional e por empresas de corte inonopons a trevistados. No entanto, poucos são os que fizeram ou estão ^^en-
competitivo, os dados mostram que a média de permanência do algum curso de natureza técnica ou profissional. (. . .) Chega
emprego é diminuta, pois 12% dos empregados não a ser surpreendente encontrar-se, entre os ferramenteiros, trabalha
meses e quase 40% não completa um ano de trabalho
lucacs ç 4Udbc Hoyo nau cuiiipieia uin auu uc dores que não realizaram nenhum curso técnico e que apren eram
na mesma unidade nmHntivQ
na linifInHp produtiva -O AA taxa
tava de
Hp "turnover"
"flimOVer COOS 1 o a profissão 'na prática'. (. . .) Essa situação não parece peculiar
indicador que sugere a facilidade com que se pode subs \ à Empresa Automobilística. A deficiente formação tecnico-protis-
"exército atuante". Ou seja, revela uma "reserva" que pode ^ sional afeta não apenas a indústria automotriz mas o parque rna-
sar nas "fileiras" do trabalho, revezando ou substituindo os nufatureiro paulista no seu conjunto. (. • •) Dotada de gran es
lhadores "ativos". Claro está que, tanto mais escasso e nec recursos (a Empresa Automobilística) em comparaçao com as ein-
determinado tipo de trabalhador, tanto mais difícil substitui- o^^^ Presas de menor porte, (a Empresa Automobilística) esta em si
não se pode fazer da qualificação um
um "cavalo
k.avai».' de ^
batalha
—- ,. eo met"' tuação relativamente vantajosa para melhor selecionar seus emp -
para forjar um trabalhador fosse necessário uma verdadei
verdadeira gados. Um grau mais elevado de formação técnica e ®
morfose. Não se quer negar que certas modalidades de tra ^ constitui fator indispensável para a realização de ^ nn^rárim
põem^ um aprendizado cuja efetivação implica em certas fas. Mas, por outro lado, no caso de grande par e
aptidão pessoal e grau prévio de conhecimento, como do (semiqualificados) da Empresa Automobilística, ,
treinamento. O que se quer enfatizar é que não se pode gj-ca- relevantes apenas do ponto de vista social: mainr aca-
operano especializado
Cí^peciaiizado uma
uma categoria
categoria sem
sem competidores
competioorca no gg! tação à organização da empresa; maior responsabi i a '
trabalho, ou sem substrato potencial no sentido de
do de trabalho, .. tamento aos regulamentos, capacidade de ajustamen ? ' a|if|_
yiavel sua substituição,
substituição, como se fosse "matéria
"matéria rara
rara^ ^ ponto de vista estritamente técnico, os ^^3
ormaç^ em 'mercadoria"
tormacan pm
uicicduuna
•implicasse
.■ numa maturação
*„T-ofno
implicasse numa muLuiav".
auai"
,
®ados) da linha de montagem - que compoem a
^onga. E o que se pode deoreender de um estudo realiza .«o- ^mostra — não necessitam, para o cumpnmen formal (ee-
ínü^^f
ndustna• °automobilística de
depreender de um
São Paulo, estudo realiza m Qpo
de características Ihes São assinaladas, de um nível " de «
analisou, entre outros aspectos, o c e
^3l ou profissional). Não se lhes exige a leit . material, de
e educacional necessário para operários semiqualifica -dade de decitração de desenhos, -"^—0 do
mente qualificado (ferramenteiros). E não se pode ^nís- ferramentas, etc.. São, no caso dos montadores, P
^'zados na execução de trabalhos repetitivos que
tiL rer? ^ 1^63 — a indústria auto eiccínio e capacidade de decisão" tprmn<;
mão-de ? tendo, portanto, necessidade de -g^ent®^" Tais colocações têm o valor de g^^^ue, em muitos
"O tóvH h" e qualidades até então uisito' s exigências do trabalho especializado. M ' tarefas
educacional ^?'^°'eridade é baixo, se temos em conta os en a formação exigida é ^ indica também que se
trevistado ^ pela sociedade moderna. Entre graP podem ser efetuadas com relativa facilida . deste tipo
de instmcL"''"
"ruçao superior®"'=°t"rotr
à ginasial.nenhum
(. . .) trabalhador
A ausência que
de pode* rabalho qualificado é relativamente raro,
de re or trabalhador por outro não deve -r m.st.f.cad. E^na^^__^P
?s empresas pelo Ministério. É àe quecer que o desenvolvimento tecnologi ^ "diver-
entre aquelas ° ' partiu do "simples" para o "complexo parcializadas,
mijadas. Kâo obstam^ assiduamente forneçam as g âpop onde grande parte das tarefas, altamente p
op ^ÇI^RIGUES, Leôncio Martins - Industrialização e atitu
^enbcada. ^ao
industriais taram aumentado in^dl^ioi"""
suficientes para explicar a alta tax
P. 10-13.
121

120
exigem dos trabalhadores atenção concentrada e não dispersa, tender — de que a "dinâmica" do exército industrial de reserva não
tos repetitivos e quando muito memória, e não imaginação. mais afeta o setor monopolista, indiretamente, este usufrui de tal
"dinâmica" através da transferência dos valores agregados p^ela in
Tudo leva a crer que o não correlacionamento teórico e dústria competitiva, cuja acumulação implica na organização dos
Pinco entre a "massa marginal" ou "mão-de-obra marginaliza^ fatores produtivos onde a remuneração do trabalho tem um papel
com o exército industrial de reserva é falacioso. O enorme c ponderável .
ingente de trabalhadores caracterizado por baixos níveis Como apontamos, tal problemática abrange
eraçao, seja vendendo no mercado sua força de trabalho ® , e empíricas que não permitem uma resposta definitiva, on u ,
os dados apresentados, por fragmentários que sejam, e as in erp
Do^r ftinção dos ciclos do capital, seja traba tações efetuadas, sugerem que a inferência entre Lm^níiar
fitiiir T," oti presentes nos ramos "arcaicos", gai e "massa marginal" ou "mão-de-obra marginalizada deve caminh
tai n ^snancial que possui a virtualidade de permitir qo sentido inverso ao proposto por Nun e^Quijano. ~.prva
ca da padrões salariais altamente "funcionais' ^ , je £ claro que a relação entre acumulação e exercito e r
eraçao da força "^^dida em que
de trabalho facilitavários
a níveis "freiar"
de as escala^.s.
jarnns qão é mecânica e direta. Ao contrário, interferem ^A,^P«tritflmente
meros fatores tanto políticos como culturais, alem
mononnii^° quando se admite a hipótese de que para cer econômicos. Tudo leva a crer que os "grupos
uam inonp^^ 'funções" do exército industrial de nã^ lante as transformações ocorridas no processo ^AAtnal de reserva
® uma unirf^!? ^ P^^ciso enfatizar que tal tipo de einp tinuam desempenhando o "papel" de exercito
formas proLr sentido de estar desvinculada e que este "papel" é decorrente do movimento co
® próprio dn no cenário econômico. A j^presa^ CO e necessário que opõe o trabalho ao capi ■ caoitalis-
competitivas rnonopolista captar excedente çqs nos "3da permite afirmar que a lei geral do
3 deixou de ter um dos seus tentáculos mais p
utfcad^ matérias P"' do exército industrial de reserva. É claro que e e nao pode^^^
produto^: I, u"? processo produtivo, sejam^ nústria con^' 'sto de maneira estática e compartimentada. exoansão e re-
Petitiva que fnr ou semi-acabados Par^ ^ '"trnhalho
em muitnf^ monopólio, a remuneração do pelo tra■?Çao do dinâmica,
capital, e deistocomo
é, ema força
razão dedosfcic o mobilizada para
^eí também
^■tnples fato HpI um fator crucial de sobrevi gjgni-
que, meJ uoncorrencial. Em última instância, «n- anaí*^ "^0 às exigências de sua ^ modo como as
' admitirmos a hipótese - errônea no n form^^ *^^siguais
integralmente, isto é, tendo em ^ uma divisão
43
de produção se e integrada, não
"foução" do exército de reserva, só ' âmbitotrabalho
oi que evidenciar que parecem ser os nova^i' '^0 de umaao empresa
mesmo tempo pareiramo produtiv
ou de um Qjjutivo, mas tam-
em a nível societário e intersocieíário.
vas ^^0 apenas mão-de-obra. Claro está ^ -gg
listas 5^""° ^^'■que não ® permitem l^^presas ®
ramos; "dinâmi.í,'' coincidência entre as emP^^^petit ^do
acima a ^^^^^ionais" Kr^ também entre industn ggta^í'
de São p°"l®do. Neste ^"^^^nto parece haver uma inci j^o jiU'
mero quand^. note-se. por exemplor eP'
quanto l °l^®rários nas fn,?í ° .0 ^=nbe de
nas 100 "tradicinn dinâmicas, em ' ^oorçá" A-
São Paul ASSK mesmo período, a £ lA) em
Nacional de - Mercado de trabalho
4S ínHústria de montagem
P 1'ara um ' IPE-USP. 2). _ de típico é a relação existente entre a
'culos e as de autopeças.
■ =d.«o, P«, - 123

122 '

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