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AULA 2 - Topografia

Erros em Topografia
Por melhores que sejam os equipamentos e por mais cuidado que se tome ao
proceder a um levantamento topográfico, as medidas obtidas jamais estarão isentas de
erros.
Assim, os erros pertinentes às medições topográficas podem ser classificados
como:

a) Naturais: são aqueles ocasionados por fatores ambientais, ou seja, temperatura,


vento, refração e pressão atmosféricas, ação da gravidade, etc.. Alguns destes erros são
classificados como erros sistemáticos e dificilmente podem ser evitados. São passíveis
de correção desde que sejam tomadas as devidas precauções durante a medição.

b) Instrumentais: são aqueles ocasionados por defeitos ou imperfeições dos


instrumentos ou aparelhos utilizados nas medições. Alguns destes erros são
classificados como erros acidentais e ocorrem ocasionalmente, podendo ser evitados
e/ou corrigidos com a aferição e calibragem constante dos aparelhos.

c) Pessoais: são aqueles ocasionados pela falta de cuidado do operador. Os mais


comuns são: erro na leitura dos ângulos, erro na leitura da régua graduada, na contagem
do número de trenadas, ponto visado errado, aparelho fora de prumo, aparelho fora de
nível, etc..
São classificados como erros grosseiros e não devem ocorrer jamais, pois não são
passíveis de correção. É importante ressaltar que alguns erros se anulam durante a
medição ou durante o processo de cálculo. Portanto, um levantamento que
aparentemente não apresenta erros, não significa estar necessariamente correto.

1.4 - Classificação dos Erros de Observação


Para representar a superfície da Terra são efetuadas medidas de grandezas
como direções, distâncias e desníveis. Estas observações inevitavelmente
estarão afetadas por erros. As fontes de erro poderão ser:

• Condições ambientais: causados pelas variações das condições ambientais,


como vento, temperatura, etc. Exemplo: variação do comprimento de uma trena
com a variação da temperatura.

• Instrumentais: causados por problemas como a imperfeição na construção de


equipamento ou ajuste do mesmo. A maior parte dos erros instrumentais pode
ser reduzida adotando técnicas de verificação/retificação, calibração e
classificação, além de técnicas particulares de observação.

• Pessoais: causados por falhas humanas, como falta de


atenção ao executar uma medição, cansaço, etc.

Os erros, causados por estes três elementos apresentados anteriormente,


poderão ser classificados em:
• Erros grosseiros
• Erros sistemáticos
• Erros aleatórios

1.4.1 - Erros Grosseiros

Causados por engano na medição, leitura errada nos instrumentos,


identificação de alvo, etc., normalmente relacionados com a desatenção do
observador ou uma falha no equipamento. Cabe ao observador cercar-se de
cuidados para evitar a sua ocorrência ou detectar a sua presença. A repetição
de leituras é uma forma de evitar erros grosseiros.
Alguns exemplos de erros grosseiros:
• Anotar 196 ao invés de 169;
• Engano na contagem de lances durante a medição de uma distância com
trena.

1.4.2 - Erros Sistemáticos

São aqueles erros cuja magnitude e sinal algébrico podem ser


determinados, seguindo leis matemáticas ou físicas. Pelo fato de serem
produzidos por causas conhecidas podem ser evitados através de técnicas
particulares de observação ou mesmo eliminados mediante a aplicação de
fórmulas específicas. São erros que se acumulam ao longo do trabalho.

Exemplo de erros sistemáticos, que podem ser corrigidos através de


fórmulas específicas:
• Efeito da temperatura e pressão na medição de distâncias com
medidor eletrônico de distância;
• Correção do efeito de dilatação de uma trena em função da
temperatura.

Um exemplo clássico apresentado na literatura, referente a diferentes


formas de eliminar e ou minimizar erros sistemáticos é o posicionamento do
nível a igual distância entre as miras durante o nivelamento geométrico pelo
método das visadas iguais, o que proporciona a minimização do efeito da
curvatura terrestre no nivelamento e falta de paralelismo entre a linha de visada
e eixo do nível tubular.

1.4.3 - Erros Acidentais ou Aleatórios

São aqueles que permanecem após os erros anteriores terem sido


eliminados. São erros que não seguem nenhum tipo de lei e ora ocorrem num
sentido ora noutro, tendendo a se neutralizar quando o número de observações
é grande.
De acordo com GEMAEL (1991, p.63), quando o tamanho de
uma amostra é elevado, os erros acidentais apresentam uma distribuição
de freqüência que muito se aproxima da distribuição normal.

1.4.3.1 - Peculiaridade dos Erros Acidentais


• Erros pequenos ocorrem mais freqüentemente do que os grandes,
sendo mais prováveis;
• Erros positivos e negativos do mesmo tamanho acontecem com igual
freqüência, ou são igualmente prováveis;
• A média dos resíduos é aproximadamente nula;
• Aumentando o número de observações, aumenta a probabilidade de se
chegar próximo ao valor real.

Exemplo de erros acidentais:

• Inclinação da baliza na hora de realizar a medida;

• Erro de pontaria na leitura de direções horizontais.

1.4.4 - Precisão e Acurácia

A precisão está ligada a repetibilidade de medidas sucessivas feitas em


condições semelhantes, estando vinculada somente a efeitos aleatórios.
A acurácia expressa o grau de aderência das observações em relação
ao seu valor verdadeiro, estando vinculada a efeitos aleatórios e sistemáticos.
A figura 1.15 ilustra estes conceitos.

O seguinte exemplo pode ajudar a compreender a diferença entre eles:


um jogador de futebol está treinando cobranças de pênalti. Ele chuta a bola 10
vezes e nas 10 vezes acerta a trave do lado direito do goleiro. Este jogador foi
extremamente preciso. Seus resultados não apresentaram nenhuma variação
em torno do valor que se repetiu 10 vezes. Em compensação sua acurácia foi
nula. Ele não conseguiu acertar o gol, “verdadeiro valor”, nenhuma vez.
Exemplo 1: Suponha um diastímetro, inicialmente, com a marcação de 25
metros.
Em segunda análise, suponha que foi feita uma aferição (constatação em
laboratório), e sua verdadeira medida seja 24,9 m. Neste caso, pensaria o
usuário estar medindo 25m, mas na realidade teria apenas 24,9 m.

a) Partindo do exemplo 1, suponha uma distância no campo igual 100 m, qual


seria a distância real?