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Universidade de São Paulo

Escola de Comunicações e Artes – ECA


Mestrado em Educação

Michele Cristina Fonseca Antunes – NUSP 7954608

Resenha do Livro

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia


Científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 297 págs.

São Paulo
Abril/2015
Resenha de Livro por Michele Cristina Fonseca Antunes NUSP 7954608

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia


Científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 297 págs.

O livro de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos teve sua 7ª edição
lançada no ano de 2010. As autoras afirmam que a obra procura suprir uma necessidade da
nossa bibliografia de sintetizar procedimentos didáticos, fundamentos para trabalhos
escolares, de final de curso e científicos, servindo de base para a atividade profissional que
precisa ser ordenada, metódica e lógica. Para elas a Metodologia Científica introduz o aluno
no mundo dos procedimentos sistemáticos e racionais, base para a formação do estudioso e do
profissional de qualquer área.

Marconi e Lakatos organizaram o livro em 13 capítulos, cada um deles com subtítulos


e subitens bem definidos. Ao final de cada capítulo há uma sessão denominada Leitura
Recomendada, na qual é possível encontrar uma lista de obras que complementam os estudos
acerca do tema principal daquele capítulo. Além disso, ao longo de todo o texto aparecem
exemplos diversos transformando-o num manual eficaz. O objetivo desta resenha é sintetizar
as principais ideias contidas na obra. Para tal, seguirei a mesma organização das autoras, ou
seja, explicitarei de maneira geral as principais ideias de cada capítulo e, consequentemente,
de cada subtítulo.

O Capítulo 1 – Procedimentos Didáticos – traz três subtítulos. O primeiro deles,


Leitura, aborda a importância de se ler para obter conhecimentos:

[...] ler significa conhecer, interpretar, decifrar,


distinguir os elementos mais importantes dos
secundários e, optando pelos mais representativos e
sugestivos, utilizá-los como fonte de novas ideias e do
saber, através dos processos de busca, assimilação,
retenção, crítica, comparação, verificação e integração
do conhecimento. (MARCONI; LAKATOS; 2010,
p. 1).
Para as autoras, faz-se necessário uma seleção dos materiais que serão lidos
procurando identificá-los como adequados ou não para um determinado contexto. Apontam
que tal leitura deve nos conduzir à obtenção de informações básicas e/ou específicas e precisa
ser proveitosa, ou seja, ser realizada com atenção, intenção, reflexão, espírito crítico e
produzir uma análise, uma síntese do que foi lido. A leitura de um aluno-pesquisador deve ser

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sempre de estudo e informativa, ou seja, ele precisa preocupar-se em interpretar e explicar os
dados colhidos através da leitura com vistas a verificar os fundamentos de verdade enfocados
pelo autor.

O segundo subtítulo, Análise de Texto, indica que analisar “é decompor um todo em


suas partes, a fim de poder efetuar um estudo mais completo, encontrando o elemento-chave
do autor” (p. 9). Isso permitirá observar os componentes de um conjunto e perceber suas
possíveis relações, passando de uma ideia-chave geral para um conjunto de ideias mais
precisas. Dentre outras coisas, o objetivo da Análise do Texto é “levar o estudante a aprender
a ler, a ver, a escolher o mais importante dentro de um texto [...] chegando a níveis mais
profundos de compreensão” (p. 11 e 12). Divide-se em três partes: análise dos elementos, das
relações e da estrutura.

No terceiro e último subtítulo, Seminário, as autoras dizem que esta “é uma técnica de
estudo que inclui pesquisa, discussão e debate; sua finalidade é pesquisar e ensinar a
pesquisar” (p. 17). Tal técnica desenvolve o hábito do raciocínio e da reflexão, além de
possibilitar a elaboração clara e objetiva de trabalhos científicos por parte dos estudantes. Os
seminários podem ser individuais ou em pequenos grupos, contudo, pressupõem momentos
coletivos de discussão e aprofundamento acerca do(s) tema(s) abordado(s).

O Capítulo 2 – Pesquisa Bibliográfica e Resumos – também traz três subtítulos. No


primeiro, Fases da pesquisa bibliográfica, Marconi e Lakatos explicam que a pesquisa
bibliográfica compreende oito fases distintas, sendo elas, escolha do tema, elaboração do
plano de trabalho, identificação, localização, compilação, fichamento, análise e interpretação
e redação. Após explicar cada uma dessas fases, as autoras abordam a importância das Fichas
como um instrumento de trabalho imprescindível para o pesquisador; é através delas que o
pesquisador poderá identificar as obras que leu, conhecer seu conteúdo, fazer citações,
analisar o material e elaborar críticas. Abordam detalhadamente como elaborar e organizar
tais fichas e, apesar de exemplificarem com fichas físicas, atualmente podemos usar nossos
computadores para elaborá-las e organizá-las virtualmente; a ideia é que se faça uma
compilação das obras lidas para a elaboração do trabalho em voga. Finalizam descrevendo
que os resumos, da mesma forma que as fichas, são instrumentos imprescindíveis e
obrigatórios para o trabalho do pesquisador; através deles podem-se selecionar obras que
merecerão ou não uma leitura completa.

O Capítulo 3 – Ciência e Conhecimento Científico – segue a mesma organização dos


capítulos anteriores. O primeiro subtítulo, O conhecimento científico e outros tipos de

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conhecimento, apresenta uma diferenciação entre o conhecimento popular, também
denominado senso comum, baseado no empirismo e o conhecimento científico que “é
transmitido por intermédio de treinamento apropriado, sendo um conhecimento obtido de
modo racional, conduzido por meio de procedimentos científicos” (p. 57). Explica, ainda,
cada um dos quatro tipos de conhecimento, a saber, conhecimento popular, filosófico,
religioso e científico, enfatizando que este último “é sistemático, já que se trata de um saber
ordenado logicamente, formando um sistema de ideias (teoria) e não conhecimentos dispersos
e desconexos” (p. 62). Por fim, no segundo e terceiro subtítulos as autoras explicam
brevemente sobre o conceito de ciência, sua classificação e divisão salientando que
“entendemos por ciência uma sistematização dos conhecimentos, um conjunto de proposições
logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja
estudar” (p. 62).

Por sua vez, o Capítulo 4 – Métodos Científicos – traz sete subtítulos e constitui um
dos capítulos mais longos da obra. No primeiro subtítulo, Conceito de Método, as autoras
afirmam que “o método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior
segurança e economia, permite alcançar o objetivo [...] traçando o caminho a ser seguido,
detectando erros e auxiliando as decisões do cientista” (p. 65). No segundo, Desenvolvimento
histórico do método, abordam de maneira sucinta as fases que antecederam o Método
Científico enfatizando que o mesmo “é a teoria da investigação” (p. 66) e que só alcança seus
objetivos quando as etapas de 1) descobrimento do problema, 2) colocação precisa do
problema, 3) procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema, 4) tentativa
de solução do problema com o auxílio dos meios identificados, 5) invenção de novas ideias,
6) obtenção de uma solução, 7) investigação das consequências da solução obtida, 8) prova
(comprovação) da solução e 9) correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados
empregados na obtenção da solução incorreta são seguidas.

Já o terceiro subtítulo, Método Indutivo, define indução como “um processo mental
por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se
uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas” (p. 68). O argumento
indutivo fundamenta-se em premissas que conduzem apenas a conclusões prováveis e não a
conclusões verdadeiras como no método dedutivo. Por isso, faz-se necessário seguir três
etapas para que não se cometam equívocos facilmente evitáveis:

a) certificar-se de que é verdadeiramente essencial a


relação que se pretende generalizar – evita confusão
entre o acidental e o essencial;

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b) assegurar-se de que sejam idênticos os fenômenos ou
fatos dos quais se pretende generalizar uma relação –
evita aproximações entre fenômenos e fatos diferentes,
cuja semelhança é acidental;
c) não perder de vista o aspecto quantitativo dos fatos
ou fenômenos – impõe-se esta regra, já que a ciência é
primordialmente quantitativa, motivo pelo qual é
possível um tratamento objetivo, matemático e
estatístico. (MARCONI; LAKATOS; 2010, p. 70).
Assim, pode-se afirmar que a indução fundamenta-se sobre o princípio do
determinismo e este é muito mais observável no domínio das ciências físicas e químicas do
que no das biológicas e, principalmente, sociais e psicológicas. A indução apresenta duas
formas: 1) Completa ou Formal, estabelecida por Aristóteles e que não exerce influência para
o progresso da ciência; e 2) Incompleta ou Científica, criada por Galileu e aperfeiçoada por
Francis Bacon, fundamenta-se na causa ou na lei que rege o fenômeno ou fato, constatada em
número significativo de casos, mas não em todos. Portanto, o argumento dedutivo reformula
de maneira explícita as informações já contidas nas premissas.

O quarto subtítulo, Método Dedutivo, abarca os argumentos dedutivos e indutivos e os


argumentos condicionais. As autoras explicitam que o argumento indutivo “tem o desígnio de
ampliar o alcance dos conhecimentos” (p. 74) enquanto que os argumentos dedutivos “tem o
propósito de explicar o conteúdo das premissas” e “sacrificam a ampliação do conteúdo para
atingir a ‘certeza’ ” (p. 74). Já os argumentos condicionais são dois, ou seja, “ ‘afirmação do
antecedente’ (modus ponens) e a denominada ‘negação do consequente’ (modus tollens)” (p.
75).

No quinto subtítulo, Método hipotético-dedutivo, Marconi e Lakatos trazem as


observações de dois autores. Segundo elas, para Karl R. Popperi,

[...] o método científico parte de um problema (P 1), ao


qual se oferece uma espécie de solução provisória, uma
teoria-tentativa (TT), passando-se depois a criticar a
solução, com vista à eliminação do erro (EE) e, tal
como no caso da dialética, esse processo se renovaria a
si mesmo, dando surgimento a novos problemas (P2).
(MARCONI; LAKATOS, 2010, p. 77, grifos das
autoras).
As autoras afirmam que para Popper, a primeira etapa é o surgimento do problema; é o
problema que vai desencadear a pesquisa. Em seguida surgem as conjecturas; são lançadas
“para explicar ou prever aquilo que despertou nossa curiosidade intelectual ou dificuldade
teórica e/ou prática” (p. 80). Na terceira etapa surge a tentativa de falseamento, ou seja,
realizam-se os testes que consistem na eliminação dos erros.

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O segundo autor mencionado pelas autoras neste subtítulo é Bungeii. Segundo elas,
para Bunge, as etapas deste método são: a) Colocação do problema – reconhecimento dos
fatos, descoberta do problema, formulação do problema; b) Construção de um modelo teórico
– seleção dos fatores pertinentes, invenção das hipóteses centrais e das suposições auxiliares;
c) Dedução de consequências particulares – procura de suportes racionais, procura de suportes
empíricos; d) Testes das hipóteses – esboço da prova, execução da prova, elaboração dos
dados, inferência da conclusão; e) Adição ou introdução das conclusões na teoria –
comparação das conclusões com as predições e retrodições, reajuste do modelo e sugestões
para trabalhos posteriores.

Já o sétimo subtítulo, Método dialético, aborda as quatro leis da dialética. A primeira


dessas leis, Ação Recíproca, diz respeito à concepção da dialética acerca do mundo; “a
dialética o compreende como um conjunto de processos” (p. 83), portanto, “essa lei leva à
necessidade de avaliar uma situação, um acontecimento, uma tarefa, uma coisa, do ponto de
vista das condições que os determinam e, assim, os explicam” (p.84). A segunda lei, Mudança
Dialética, é a negação da negação; “tem algo positivo, tanto do ponto de vista da lógica, no
pensamento, quanto da realidade: sendo negação e afirmação noções polares, a negação da
afirmação implica negação, mas a negação da negação implica afirmação” (p. 84); é o que
denominamos de tese-antítese-síntese.

A terceira lei, Passagem da quantidade à qualidade, trata de “analisar a mudança


contínua, lenta ou a descontínua, através de ‘saltos’ ” (p.85). As autoras afirmam que
“denominamos de mudança quantitativa o simples aumento ou diminuição de quantidade. Por
sua vez, a mudança qualitativa seria a passagem de uma qualidade ou um estado para outro. O
importante é lembrar que a mudança qualitativa não é obra do acaso, pois decorre
necessariamente da mudança quantitativa” (p. 86). A quarta e última lei, Interpenetração dos
contrários, parte da premissa que os objetos e os fenômenos da natureza tem contradições
internas, pois possuem um lado positivo e outro negativo. Assim, destaca-se seus principais
caracteres: a) a contradição é interna; b) a contradição é inovadora; e c) unidade dos
contrários.

Por fim, o sétimo subtítulo, Métodos específicos das ciências sociais, aborda 11
métodos diferentes em subitens. O primeiro deles, O método e os métodos, explica que, no
que se refere à sua aspiração filosófica, método e métodos situam-se em níveis claramente
distintos. Enquanto o método se distingue por uma abordagem mais ampla, em nível de
abstração mais elevado, os métodos seguem procedimentos de etapas mais concretas da

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investigação, com objetivos mais restritos em termos de explicação geral dos fenômenos e
menos abstratos.

O segundo subitem, Método Histórico, “consiste em investigar acontecimentos,


processos e instituições do passado para verificar a sua influência na sociedade de hoje” (p.
89), além de preencher “os vazios dos fatos e acontecimentos, apoiando-se em um tempo,
mesmo que artificialmente reconstruído, que assegura a percepção da continuidade e do
entrelaçamento dos fenômenos” (p. 89). O terceiro, Método Comparativo, “realiza
comparações com a finalidade de verificar similitudes e explicar divergências” (p. 89); ele
“permite analisar o dado concreto, deduzindo do mesmo os elementos constantes, abstratos e
gerais” (p.89). O quarto, Método Monográfico, “consiste no estudo de determinados
indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com a finalidade de
obter generalizações” (p. 90); como exemplos desse tipo de estudo pode-se citar as
monografias regionais, as rurais, as de aldeia e as urbanas.

O quinto subitem, Método Estatístico, permite “obter, de conjuntos complexos,


representações simples e constatar se essas verificações simplificadas têm relação entre si” (p.
90); seu principal objetivo é fornecer uma descrição quantitativa da sociedade. O sexto,
Método Tipológico, apresenta algumas semelhanças com o método comparativo, “pois ao
comparar fenômenos sociais complexos, o pesquisador cria tipos ou modelos ideais,
construídos a partir da análise de aspectos essenciais do fenômeno” (p. 91). “Entretanto, só
podem ser objeto de estudo do método tipológico os fenômenos que se prestam a uma divisão,
uma dicotomia de ‘tipo’ e ‘não tipo’ ” (p. 91).

O sétimo, Método Funcionalista, “é, a rigor, mais um método de interpretação do que


de investigação” (p. 92); ele “estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas
unidades, isto é, como um sistema organizador de atividades” (p. 92). O oitavo, Método
Estruturalista, “caminha do concreto para o abstrato e vice-versa, dispondo, na segunda etapa,
de um modelo para analisar a realidade concreta dos diversos fenômenos” (p. 93). As autoras
afirmam que “a diferença primordial entre os métodos tipológico e estruturalista é que o ‘tipo
ideal’ do primeiro inexiste na realidade, servindo apenas para estudá-la, e o ‘modelo’ do
segundo é a única representação concebível da realidade” (p. 93).

O nono subitem, Método Etnográfico, “refere-se à análise descritiva das sociedades


humanas, primitivas ou ágrafas, rurais e urbanas, grupos étnicos etc., de pequena escala” (p.
94). Levantam-se todos os dados possíveis sobre uma dada sociedade com o intuito de
conhecer melhor sua cultura, seu estilo de vida; a observação é a técnica chave dessa

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metodologia. O décimo, Método Clínico, “é útil no contexto da intervenção psicopedagógica”
e “pode ser utilizado tanto sob o aspecto qualitativo quanto o quantitativo, uma vez que pode
incluir intenção, significados, valores etc.” (p. 94-95). Finalizando, o décimo primeiro
subitem, Métodos e Quadro de Referência, explicita ambos os termos; quanto aos métodos de
procedimento diz que “muitas vezes são utilizados em conjunto, com a finalidade de obter
vários enfoques do objeto de estudo” (p. 95); quanto ao quadro de referência diz que “este
pode ser compreendido como uma totalidade que abrange dada teoria e a metodologia
específica dessa teoria” (p. 96).

O Capítulo 5 – Fatos, leis e teoria – está organizado em dois subtítulos. No primeiro,


Teoria e Fatos, as autoras discutem que o senso comum geralmente compreende um fato
como algo real, verdadeiro e, portanto, inquestionável e a teoria como ideias não
comprovadas, como especulação. Entretanto, sob o aspecto científico, o fato é considerado
como uma observação empírica verificada e a teoria se refere a relações entre os fatos.
Enfatizam, ainda, que a teoria em relação aos fatos orienta os objetivos da ciência, oferece um
sistema de conceitos, resume o conhecimento, prevê fatos e indica lacunas no conhecimento.
Já os fatos em relação à teoria podem exercer função significativa na construção e
desenvolvimento da mesma iniciando-a, reformulando-a, rejeitando-a, redefinindo-a,
esclarecendo-a e clarificando os conceitos nela contidos.

O segundo subtítulo, Teoria e Leis, diz que

Ao analisarmos teoria e fatos, deixamos de lado uma


etapa intermediária, constituída pelas leis. Estas, assim
como as teorias, surgem da necessidade que se tem de
encontrar explicações para os fenômenos (fatos) da
realidade. Os fatos ou fenômenos são apreendidos por
meio de suas manifestações, e o estudo destas visa
conduzir a descoberta de aspectos variáveis comuns aos
diferentes fenômenos, por meio da classificação e da
generalização.
Duas são as principais funções de uma lei específica:
a) Resumir grande quantidade de fatos
b) Permitir e prever novos fatos, pois, se um fato ou
fenômeno “se enquadra” em uma lei, ele se comportará
conforme o estabelecido pela lei. (MARCONI;
LAKATOS, 2010, p. 106).
Sendo assim, “devemos levar em consideração que quanto mais restrita uma lei,
menos provável é a sua permanência como apropriada para utilização em situações práticas de
pesquisa, significando que suas implicações não podem ser continuamente testadas” (p. 107).
As leis, portanto, expressam enunciados de uma classe isolada de fatos ou fenômenos
enquanto que “as teorias caracterizam-se pela possibilidade de estruturar as uniformidades e

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regularidades, explicadas e corroboradas pelas leis, em um sistema cada vez mais amplo e
coerente” (p. 107).

O Capítulo 6 – Hipóteses – é constituído por três subtítulos. O primeiro deles,


Conceito, explicita a hipótese “como um enunciado geral de relações entre variáveis (fatos,
fenômenos)” (p. 110). O segundo, Tema, problema e hipótese, está subdividido em 5 subitens
que, de maneira geral, buscam verificar como se formula o problema de uma pesquisa.
Marconi e Lakatos afirmam que “enquanto o tema de uma pesquisa é uma proposição até
certo ponto abrangente, a formulação do problema é mais específica: indica exatamente qual a
dificuldade que se pretende resolver” (p. 110, grifo das autoras). Após formulá-lo, propõe-se
uma hipótese, ou seja, uma sentença afirmativa mais detalhada com colocações conjecturais
entre duas ou mais variáveis. As hipóteses se fazem necessárias quando tentamos resumir e
generalizar os resultados de nossas investigações ou quando pretendemos submeter uma
“conjuntura” à comprovação; servir de guia à investigação é uma de suas principais funções.

O terceiro subtítulo, Fontes de elaboração de hipóteses, insere o leitor nas oito fontes
que podem originar hipóteses. São elas conhecimento familiar, observação, comparação com
outros estudos, dedução lógica de uma teoria, cultura geral na qual a ciência se desenvolve,
analogias, experiência pessoal (idiossincrática) e casos discrepantes na própria teoria.
Destacam-se as hipóteses extraídas, “por dedução lógica, do contexto de uma teoria, isto é, de
suas proposições gerais é possível chegar a uma hipótese que afirma uma sucessão de eventos
(fatos, fenômenos) ou a correlação entre eles, em determinado contexto” (p. 117).

O Capítulo 7 – Variáveis – abarca sete subtítulos. Nos dois primeiros, Conceito e As


variáveis no “universo” da ciência, as autoras explicitam que “uma variável pode ser
considerada como uma classificação ou medida; [...] um conceito operacional, que contém ou
apresenta valores” (p. 121) e que o objetivo delas é, no “universo” da ciência, focar na
passagem entre a observação dos fenômenos e fatos e o levantamento das hipóteses. O
terceiro subtítulo, Variáveis independentes e dependentes, descreve VARIÁVEL INDEPENDENTE
como “aquela que influencia, determina ou afeta outra variável” (p. 122), correspondendo ao
antecedente numa pesquisa e VARIÁVEL DEPENDENTE como aqueles “valores (fenômenos,
fatores) a serem explicados ou descobertos, em virtude de serem influenciados, determinados
ou afetados pela variável independente” (p. 122) correspondendo ao que é o consequente
numa pesquisa.

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No quarto, quinto e sexto subtítulos, a saber, Variáveis moderadoras e de controle,
Variáveis extrínsecas e componentes e Variáveis intervenientes e antecedentes, Marconi e
Lakatos, entre outras coisas, afirmam que:

A variável moderadora reveste-se de importância em


pesquisas cujos problemas são complexos, sabendo-se
ou suspeitando-se da existência de vários fatores inter-
relacionados. Uma vez afastada a possibilidade de as
relações serem simétricas ou recíprocas, a variável
moderadora apresenta-se relevante para saber até que
ponto os diferentes fatores têm importância na relação
entre as variáveis independente e dependente.
(MARCONI; LAKATOS, 2010, p. 128).
O Capítulo 8 – Pesquisa – conta com somente dois subtítulos. O primeiro, Conceito,
descreve a pesquisa como “um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo,
que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou
para descobrir verdades parciais” (p. 139). O segundo, Planejamento da pesquisa, é repleto de
subitens. As autoras explicam o passo a passo para a realização de uma pesquisa. Salientam
que “a investigação pressupõe uma série de conhecimentos anteriores e metodologia
adequada” (p.140). Destacam, ainda, a importância da especificação do objetivo, tornando
explícito o problema; os procedimentos para a coleta de dados que podem ser pesquisa
documental, pesquisa bibliográfica e contatos diretos; a necessidade de clareza na definição
dos termos da hipótese, fundamental para o desenvolvimento da pesquisa; seleção do
instrumental metodológico que será empregado à pesquisa e adequação dos métodos e
técnicas; e, finalizando, a elaboração do relatório, que visa uma exposição geral da pesquisa.

O Capítulo 9 – Técnicas de pesquisa – está organizado em quatro subtítulos. O


primeiro, Documentação Indireta, ressalta que esta “é a fase da pesquisa realizada com intuito
de recolher informações prévias sobre o campo de interesse” (p. 157) e divide-se em duas
linhas, ou seja, Pesquisa Documental (ou de fontes primárias) e Pesquisa Bibliográfica (ou de
fontes secundárias), as quais as autoras explicam detalhadamente ao longo de 12 páginas. O
segundo subtítulo, Documentação Direta, “constitui-se, em geral, no levantamento de dados
no próprio local onde os fenômenos ocorrem. Esses dados podem ser obtidos de duas
maneiras: através da pesquisa de campo ou da pesquisa de laboratório” (p. 169). Para Marconi
e Lakatos,

Pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de


conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de
um problema, para o qual se procura uma resposta, ou
de uma hipótese, que se queira comprovar, ou, ainda, de
descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles.
(MARCONI; LAKATOS, 2010, p. 169).

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[...] A pesquisa de laboratório é um procedimento de
investigação mais difícil, porém, mais exato. Ela
descreve e analisa o que será ou ocorrerá em situações
controladas. Exige instrumental específico, preciso e
ambientes adequados. (MARCONI; LAKATOS, 2010,
p.173).
O terceiro subtítulo, Observação direta intensiva, versa sobre as técnicas de
observação e de entrevista que a constituem. A observação utiliza os sentidos para obter
determinados aspectos da realidade, consistindo, além de ver e ouvir, em examinar os fatos e
fenômenos que se deseja estudar. Os tipos de observação são assistemática, sistemática, não
participante, participante, individual, em equipe, na vida real e em laboratório. A entrevista,
por sua vez, “é o encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a
respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional” (p.
178). Elas podem ser do tipo padronizada ou estruturada, despadronizada ou não estruturada,
focalizada, clínica, não dirigida ou painel.

O quarto e último subtítulo, Observação direta extensiva, “realiza-se através do


questionário, do formulário, de medidas de opinião e atitudes e de técnicas mercadológicas”
(p. 184). O questionário “é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série
ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do
entrevistador” (p. 184); sua elaboração precisa seguir normas específicas para aumentar sua
eficácia e validade. Já “o formulário é um dos instrumentos essenciais para a investigação
social, cujo sistema de coleta de dados consiste em obter informações diretamente do
entrevistado” (p. 195). As autoras afirmam que “o que caracteriza o formulário é o contato
face a face entre pesquisador e informante e ser o roteiro de perguntas preenchido pelo
entrevistador, no momento da entrevista” (p. 195).

O Capítulo 10 – Projeto e relatório de pesquisa – também tem quatro subtítulos. No


primeiro e segundo, Noções Preliminares e Estrutura do Projeto, respectivamente, Marconi e
Lakatos afirmam que “o projeto é uma das etapas componentes do processo de elaboração,
execução e apresentação da pesquisa” (p. 198) e que antes de redigir um projeto de pesquisa é
necessário existir estudos preliminares. Explicitam ao leitor todos os itens da estrutura do
projeto (apresentação, objetivo, justificativa, metodologia, embasamento teórico, cronograma,
orçamento, instrumentos de pesquisa e bibliografia), salientando a ideia da obra servir de
manual para os pesquisadores. No terceiro e quarto subtítulos, Pesquisa-piloto ou pré-teste e
Estrutura do relatório, as autoras apontam que “a pesquisa-piloto tem, como uma das
principais funções, testar o instrumento de coleta de dados” (p. 210) e que ela evidenciará se o
questionário apresenta ou não fidedignidade, validade e operatividade, elementos de suma

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importância. Já o relatório de pesquisa é a redação final dos resultados obtidos após a coleta
de dados, sua codificação e tabulação, tratamento estatístico e análise e interpretação. Tal
relatório precisa conter os seguintes itens: apresentação, página de rosto, sinopse (abstract),
sumário, introdução, revisão da bibliografia, metodologia, embasamento teórico, apresentação
dos dados e sua análise, interpretação dos resultados, conclusões, recomendações e sugestões,
apêndices, anexos e bibliografia.

O Capítulo 11 – Trabalhos Científicos – assim como os anteriores, contém quatro


subtítulos. O primeiro, Trabalhos científicos, destaca que os mesmos “devem ser elaborados
de acordo com normas preestabelecidas e com os fins a que se destinam” (p. 218). O segundo,
Monografia, diz que “trata-se [... ] de um estudo sobre um tema específico ou particular, com
suficiente valor representativo e que obedece a rigorosa metodologia” (p. 219). Tem como
característica principal o caráter do trabalho e a qualidade do nível da pesquisa, que está
intrinsicamente ligado aos objetivos propostos. No terceiro subtítulo, Dissertação, as autoras
afirmam que este “é um tipo de trabalho científico apresentado ao final do curso de pós-
graduação, visando obter o título de mestre. Requer defesa de tese. Tem caráter didático, pois
se constitui em um treinamento ou iniciação à investigação” (p. 222). O quarto e último
subtítulo, Tese, aponta que esta “é uma das modalidades de trabalho científico cuja origem se
encontra na Idade Média. [...] Hoje a exigência de tese faz-se em dois níveis: para obtenção
do título de doutor ou de livre-docente” (p. 227).

O Capítulo 12 – Publicações científicas – traz cinco subtítulos. O primeiro,


Comunicação – trabalhos de congressos, define que este é o “processo pelo qual são
transmitidas informações, ou seja, ideias, fatos, opiniões” (p.236). A comunicação científica
deve levar em conta os seguintes aspectos: finalidade, informações, estrutura, linguagem e
abordagem e pode ser classificada como estudo breve, sugestões, textos filosóficos,
apreciação, fixação do enfoque ou recensão particular de um livro. O segundo, Artigos
Científicos, aponta que estes “são pequenos estudos, porém completos, que tratam de uma
questão verdadeiramente científica, mas que não se constituem em matéria de um livro” (p.
242); “por serem completos, permitem ao leitor, mediante a descrição da metodologia
empregada, do processamento utilizado e resultados obtidos, repetir a experiência” (p. 243).

O terceiro e quarto subtítulos, Informe científico e Resenha Crítica, respectivamente,


indicam que “o informe científico é um tipo de relato escrito que divulga os resultados
parciais ou totais de uma pesquisa, as descobertas realizadas ou os primeiros resultados de
uma investigação em curso” (p. 247) e que “a resenha crítica é a apresentação do conteúdo de
uma obra [que] consiste na leitura, no resumo, na crítica e na formulação de um conceito de
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valor do livro feitos pelo resenhista” (p.247). Ela facilita o trabalho do profissional porque faz
um breve comentário sobre uma determinada obra e traz uma avaliação da mesma, ajudando
na decisão da leitura ou não do livro em questão. Já o quinto subtítulo, Conferência, explica
que “trata-se de uma preleção pública sobre assunto literário ou científico. Em geral, consiste
em uma exposição oral, mas pode destinar-se à publicação” (p. 252).

Por fim, o Capítulo 13 – Referências bibliográficas – traz somente um subtítulo,


Livros; contudo, este contém 19 subitens que especificam como deve ser elaborada a
referência bibliográfica conforme o tipo de material, por exemplo, livro completo, capítulo de
um livro, periódicos, filmes etc. Segundo as autoras “as normas que dizem respeito às
referências bibliográficas são fixadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
[e] a norma atual em vigor data de agosto de 2000” (p. 256). Marconi e Lakatos, portanto,
atingiram seu objetivo de produzir uma obra que sintetizasse procedimentos didáticos,
fundamentos para trabalhos escolares, de final de curso e científicos, entre outros, servindo
como um manual de base para a atividade de pesquisa profissional.

i
POPPER, Karl S. A lógica da pesquisa científica. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1975a.
_____. Conhecimento objetivo: uma abordagem evolucionária. São Paulo: Itatiaia: EDUSP, 1975b.
ii
BUNGE, Mário. La ciencia, su método y su filosofia. Buenos Aires: Siglo Veinte, 1974a.
_____. Teoria e realidade. São Paulo: Perspectiva, 1974b.

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