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FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS 1

DISCIPLINA: Hermenêutica Jurídica Nota

PROFESSOR: Iolamárcia Quinto Valor da Prova 10,0


ALUNO(A):________________________________________________________
ASS: ______________________________________________________________ Vista de
Provas em
DATA: ____/____/____ ___/___/__

PROVA DE SEGUNDA CHAMADA DE HERMENEUTICA JURIDICA

1. Integração segundo o Professor Paulo Nader trata-se de um processo de preenchimento de lacunas,


existentes na lei, por elementos que a própria legislação oferece ou por princípios jurídicos, mediante
operação lógica e juízos de valor. De acordo com a LINDB em seu Art. 4º "Quando a lei for omissa, o
juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito".
Também o Código de Processo Civil Brasileiro de 1939, em seu artigo 114, dispunha que quando
autorizado a decidir por equidade, o juiz aplicará a norma que estabeleceria se fosse legislador.
Discorra sobre as espécies de integração do Direito.
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2. Interpretar é fixar o verdadeiro sentido e alcance da norma jurídica.
Interpretação Jurídica é aprender ou compreender os sentidos implícitos das normas jurídicas (Luiz
Eduardo Nierta).
Assim, quando uma interpretação pode ser denominada autêntica?
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3. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a


mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. BRASIL.
(Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 226, § 3º.)

É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher configurada
na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição
de família. BRASIL. (Código Civil. Lei nº 10.406, de 10/01/2002, art. 1.723.)
Pelo que dou ao art. 1.723 do Código Civil interpretação conforme a Constituição, para dele
excluir qualquer significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e
duradoura entre pessoas do mesmo sexo como “entidade familiar”, entendida esta como
sinônimo perfeito de “família”. Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas
regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva. ( BRASIL. Supremo Tribunal
Federal. ADI nº 4.277, Revista Trimestral de Jurisprudência, v. 219, jan./mar. 2012, p. 240.)

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No tocante ao caso exposto discorra sobre o mens legis no tocante a condição de família para a
interpretação de ações que versem sobre requerimentos de casais homoafetivos e, de qual método
hermenêutico interpretativo poderá ser adotado.
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4. Para que serve? A Hermenêutica tem por objetivo o estudo e a sistematização dos processos
aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do direito. De acordo com David
Berlo, no mundo jurídico, o trabalho da Hermenêutica está relacionado ao entendimento do processo
de comunicação entre as expressões do Direito e o destinatário de tais expressões. E por essa razão,
David Berlo criou um esquema, composto de seis elementos, para demonstrar como se desenvolve o
processo de comunicação por meio da Lei, quais os seis elementos do processo de comunicação
aplicados na hermenêutica jurídica?

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5 “Metodologicamente Kelsen é detalhista, minucioso, repetitivo, extraordinariamente lógico.


Foi um defensor da neutralidade científica aplicada à ciência jurídica. Sempre insistiu na
separação entre o ponto de vista moral e político. A ciência do Direito não caberia fazer
julgamentos morais nem avaliações políticas sobre o direito vigente. Com o objetivo de
discutir e propor os princípios e métodos à teoria jurídica - até então inexistentes - aliado à
necessidade de dar ao Direito uma autonomia científica própria, capaz de superar as
confusões metodológicas da livre interpretação do direito, uma tendência à um retorno aos
parâmetros do direito natural ou mesmo a aplicação de critérios de livre valoração, Kelsen
propõe o que denominou princípio da pureza.” ( WOLKMER, Antonio Carlos. Introdução ao pensamento
jurídico crítico. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 164.)

Diferencie “Mens Legis de Mens Legislatoris” e, em seguida, responda o que é o desafio


Kelseniano?
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6. O Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
VI - e inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício
dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas
liturgias (...)
Em 12.02.2016, a 26ª Vara Federal fluminense que permitiu o Hospital Federal do Andaraí,
no Rio de Janeiro, fazer transfusão de sangue em paciente testemunha de Jeová, que
recusou o recurso por motivos religiosos. A decisão excluiu a possibilidade de
responsabilização dos médicos por procederem o tratamento. O pedido para autorizar a
transfusão foi feito pela Advocacia-Geral da União, em nome do hospital, para assegurar o
tratamento a uma paciente que corria de risco de morte. Os advogados da União alegaram
que o procedimento era imprescindível, pois não havia outra alternativa terapêutica
possível para o caso.

Diante do conflito entre os princípios da liberdade religiosa e proteção da vida em situações


que envolvam a transfusão de sangue para as testemunhas de Jeová,discorra sobre a
possível interpretação utilizada na decisão citada?

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7. APELAÇÃO CÍVEL. FAMÍLIA. INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. RECUSA DO


DEMANDADO À SUBMISSÃO AO EXAME SOB O MÉTODO DO DNA. JUSTIFICATIVA QUE
NÃO SE COADUNA COM A BUSCA DA VERDADE REAL. PROVA SUFICIENTE DA
PATERNIDADE. ENUNCIADO 301 DA SÚMULA DO STJ. ARTS. 231 E 232 DO CÓDIGO CIVIL.
Em face da relevância do tema filiação, e considerando a possibilidade de determinação científica da
paternidade por meio de método seguro e confiável (DNA), parece injustificável que o investigado,
negando a imputada paternidade, recuse-se a submeter-se a exame capaz de alicerçar a sua tese
negatória. Não há que se falar em violação à privacidade ou à integridade física e moral pela simples
feitura de um exame sanguíneo, porquanto aquela não acarreta imunidade; tampouco a simples coleta
de sangue significa agressão à higidez física ou psíquica do indivíduo, porque feita sob a garantia do
sigilo profissional. O enunciado nº 301 da Súmula do STJ assenta que, "em ação investigatória de
paternidade, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de
paternidade". Na valoração da prova, deve-se atentar para a regra de que "aquele que nega a se
submeter à exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa " (art. 231 do CC), sem
olvidar que "a recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter
com o exame" (art. 232 do CC). RECURSOS DESPROVIDOS. (SEGREDO DE JUSTIÇA) _
DECISÃO MONOCRATICA _ (Apelação Cível Nº 70018229765, Oitava Câmara Cível, Tribunal de
Justiça do RS, Relator: José Ataídes Siqueira Trindade, Julgado em 16/02/2007).
Sobre a decisão acima responda:
a) Qual o princípio constitucional que norteia a tese adotada pelo réu? Havendo a chamada antinomia
(conflito das normas) como deve interpretar as leis neste caso concreto? Fundamente.
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8. A casa é o ponto de refúgio do ser humano, é nela que ele se ancora para revigorar as forças através
do refrigério do lar. É, bem assim, por isso, um santuário que recebe proteção legal quanto à sua
inviolabilidade.
Frase celebre que encerra o pensamento de tutela ao domicílio foi a do Lord Chatham ao afirmar que:
“O homem mais pobre desafia em sua casa todas as forças da Coroa, sua cabana pode ser muito frágil,
seu teto pode tremer, o vento pode soprar entre as portas mal ajustadas, a tormenta pode nela penetrar,
mas o Rei da Inglaterra não pode nela entrar. (MORAES, 1991, p. 896)”.
A proteção ao domicílio nasceu no Direito Inglês e sempre esteve presente nas constituições do Brasil.
A Constituição Política do Império do Brasil, de 25 de março de 1824 protegeu a casa do cidadão da
seguinte forma:
“CAPITULO III - Das Disposições Geraes, e Garantias dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos
Brazileiros.
Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a
liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Imperio, pela
maneira seguinte.
VII. Todo o Cidadão tem em sua casa um asylo inviolavel. De noite não se poderá entrar nella, senão
por seu consentimento, ou para o defender de incendio, ou inundação; e de dia só será franqueada a sua
entrada nos casos, e pela maneira, que a Lei determinar.”
Esse direito continua a ser tutelado com a promulgação da Constituição Federal
de 1988 quando em seu artigo afirma:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes: XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia,
por determinação judicial”. (BRASIL, 1988)

A luz das escolas de interpretação hermenêutica discorra sobre o mens legislatores da


norma e da interpretação contemporânea do sentido “casa”.
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Boa Sorte!

Iolamárcia Quinto

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