Você está na página 1de 9

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL

TAYSON LUÃ ALMEIDA GIRÃO

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE CONCRETO REFORÇADO COM FIBRAS


DE AÇO – CRFA

BELÉM-PA/2018

1
TAYSON LUÃ ALMEIDA GIRÃO

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE CONCRETO REFORÇADO COM FIBRAS


DE AÇO – CRFA
Relatório solicitado como
requisito avaliativo da disciplina
Estruturas Especiais ministrado pelo
Prof.º Bernardo Nunes de Morais Neto
no Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Civil, da Universidade
Federal do Pará - UFPA.
.

BELÉM-PA/2018

2
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 4
2 TIPOS DE FIBRAS ........................................................................................... 4
3 INTERFACE FIBRA-MATRIZ ........................................................................... 5
4 ESTADO FRESCO ........................................................................................... 5
5 RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO ................................................................... 6
6 RESISTÊNCIA À TRAÇÃO .............................................................................. 6
7 RESISTENCIA À FLEXÃO ............................................................................... 7
8 RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO .............................................................. 7
9 IMPACTO ......................................................................................................... 8
10 POROSIDADE DEVIDO A FIBRA DE AÇO NO CONCRETO ...................... 8
11 REFERÊNCIAS............................................................................................. 9

3
1 INTRODUÇÃO

O CRFA é uma mistura heterogênea, denomina de compósito, de dois


materiais distintos que é o concreto (matriz) e as fibras de aço. O resultado é um
material que combina as características de seus componentes de maneira adequada,
visando um melhor desempenho estrutural. Este novo material vem para suprir as
carências do concreto tradicional, porém o seu uso necessita de estudo,
compreensão e aperfeiçoamento do seu comportamento.

Os primeiros estudos para avaliar o potencial das fibras de aço como reforço
para o concreto datam os anos de 1960 no Estados Unidos. Desde então, várias
pesquisas vêm sendo desenvolvidas sobre o concreto reforçado com fibra de aço em
uma ampla gama de aplicações, como; pavimentos e sobreposições, pisos industriais,
produtos pré-moldados, estruturas hidráulicas e marítimas, reparação, revestimento
de túneis e obras de estabilização de taludes

Segundo o ACI 544.1R-96 o concreto não reforçado é um material frágil,


apresentando baixa resistência a tração, baixa capacidade de deformação e energia
de fissura. Para diminuir essas deficiências, fibras com alta resistência à tração
podem ser adicionadas ao concreto para melhorar a sua tenacidade, a ductibilidade,
controlar a fissuração e a resistência às ações dinâmicas de fadiga e de impacto. Para
isso, a aderência e/ou ancoragem entre as fibras e matriz é essencial. De acordo com
Koksal et al (2018) as fibras ligam as microfissuras e dificultar a propagação da
fissura.

2 TIPOS DE FIBRAS

Vários estudos vêm sendo desenviolado com fibras de variadas propriedades


mecânicas, físicas e químicas para serem utilizadas em adição às matrizes
cimentícias, tais como: fibras de aço, vidro, carbono, polipropileno, polietileno,
acrílicas, nylon e naturais. Essas pesquisas permitem melhorar as propriedades do
concreto, possibilitando também economia ao substituir parcial ou total as ferragens
do concreto.

Para as fibras de aço o ACI 544.1R-96 define um parâmetro chamado fator de


forma ou esbeltez, sendo definida como o comprimento da fibra dividido pelo seu
diâmetro equivalente. Valores típicos da razão de aspecto variam de 20 a 100 para
fibras com comprimentos de 6,4 a 76 mm.
4
3 INTERFACE FIBRA-MATRIZ
ABBASS et al (2018) e BAE et al (2018) justifica muito em seus estudos a
questão envolvendo a interação fibra-matriz e mostras que muitas vezes que é devido
a esse aspecto que há melhorias nas resistências do CRCA.

Nesses estudos são considerados que a natureza e o tamanho da zona de


transição dependem do tipo de fibra e do processo de produção. As características
da zona de transição são decisivas no comportamento mecânico dos compósitos e
na aderência entre a fibra e a matriz. Nas vizinhanças da fibra, a matriz é muito mais
porosa do que nas outras partes. Isto resulta que a zona de transição é relativamente
fraca e leva à propagação preferencial das fissuras ao longo da interface fibra-matriz.

A importância do entendimento dos mecanismos responsáveis pela


transferência de tensões entre a matriz e as fibras está na possibilidade de previsão
da eficiência das fibras, previsão da curva tensão-deformação e modo de ruptura do
compósito (se dúctil ou frágil). Pode auxiliar também no desenvolvimento de
compósitos de melhor desempenho por meio de modificações na interface fibra-
matriz.

Nos estágios mais avançados do carregamento, estágio pós-fissuração, há a


ruptura da adesão entre as fibras e a matriz, e o processo de transferência de tensões
na interface entre os dois componentes passa a ser controlado pelas tensões de
atrito. Neste caso aparecem deslocamentos longitudinais relativos entre as fibras e a
matriz. A tensão de atrito desenvolvida é de cisalhamento e usualmente adotada
como uniformemente distribuída ao longo da interface fibra-matriz. Por meio do
estudo deste modo de transferência de tensões, são avaliadas a resistência e a
deformação últimas do compósito.

4 ESTADO FRESCO
Para KOKSAL et al (2018) a adição de fibra de aço ao concreto influência
negativamente sobre a trabalhabilidade. De acordo com ACI 544.1R-96 as
propriedades da CFRA em seu estado fresco são influenciadas pelo fator de forma.
Quanto maior o valor do fator de forma e da porcentagem de fibras, maior será a
tendência para a aglomeração das mesmas. Por isso se recomenda lançar as fibras
em taxas controladas junto com os agregados, homogeneizando a mistura antes do
lançamento do cimento.

5
5 RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO

ABBASS et al (2018), CARMONA et al (2013) e BENCARDINO et al (2010)


observa que a adição de fibras no concreto aumentou levemente a resistência à
compressão. Este pequeno aumento na resistência a compressão pode ser atribuído
ao efeito confinante dessa combinação fibra/concreto e estabilização do crescimento
de fissuras o que depende da força de adesão da fibra de aço e a matriz.

De acordo com JANG et al (2017) mostra que há mudanças significativas na


resistência a compressão do CRFA para vários tamanhos de agregados graúdos e
frações de volume de fibra, porém a fração de volume de 0,5%, no entanto, a
resistência à compressão diminuiu em comparação com a de outras misturas devido
a seu maior teor de ar. No gráfico tensão-deformação os efeitos da fração de volume
da fibra de aço no comportamento inicial da curva parecem ser insignificantes,
enquanto a ductilidade pós-pico da CRFA aumenta com um aumento no teor de fibra.
O uso da fibra de aço como reforço transversal melhorar o confinamento e ductilidade.
Também há efeitos da fração volumétrica e do tamanho agregado na tenacidade das
misturas de CRFA. As taxas de resistência à compressão aumentam com um
aumento no teor de fibra das misturas para todos os tamanhos de agregados do
estudo.

6 RESISTÊNCIA À TRAÇÃO

ABBASS et al (2018) e BAE et al (2018) observaram que as resistências à


tração aumentaram linearmente com aumento no teor de fibras, quando a matriz
cimentícia e as fibras de aço estão bem aderidas, e em bastante quantidade, elas
ajudam a manter pequena a abertura das fissuras. Permitirão ao CRFA resistir a
tensões de tração bem elevadas, com uma grande capacidade de deformação no
estágio pós-fissuração.

ABBASS et al (2018) afirma também se a resistência à tração da matriz é alta,


a ruptura da adesão ocorres antes da fissuração da matriz. Por outro lado, se a
resistência à tração da matriz é baixa, a fissuração acontece antes da ruptura da
adesão entre fibra e matriz. O benefício da fibra para o aprimoramento na resistência
à tração do concreto depende da interrupção de trinca e energia de transferência de
fibra.

6
ABBASS et al (2018) realizou um estudo das propriedades mecânicas do
CRFA variando comprimento das fibras de aço e a relação água-cimento. Esse estudo
permitiu verificar que as fibras de aço melhoraram a matriz cimentícia frágil devido a
transferência de tensões da matriz para as fibras, ou seja, quando maior a tensão de
tração transferida para as fibras maior a eficiência, sendo que a contribuição de fibras
longas é maior do que no caso de fibras curtas.

7 RESISTENCIA À FLEXÃO

De acordo com o ACI 544.1R-96, a resistência à flexão do CRFA é maior


comparando as de tração ou compressão porque o comportamento dúctil da CRFA
na tensão lado de um feixe altera a distribuição normalmente elástica. Devido ao
deslocamento de o eixo neutro em direção à zona de compressão há uma alteração
na distribuição de tensão plástico na zona de tensão e elástico na zona de
compressão.

Segundo BENCARDINO et al (2010) A incorporação de fibras no concreto tem


uma grande influência na resistência e à flexão do CRFA, bem como na o
comportamento de fratura, energia de fratura e ductilidade. O principal fator que
influencia essas propriedades é a módulo de elasticidade e geometria das fibras.

Segundo ABBASS et al (2018) que estudou o efeito do teor de fibras na


resistência à flexão observou as melhorias nas resistências à flexão em diferentes
relações água-cimento e com diferentes comprimentos de fibras de aço. O aumento
no teor de fibras de 0,5% para 1,5% aumentou a resistência à flexão de 3% a 124%
para a fibra com maior comprimento. Para comprimentos menores da fibra e menor
conteúdo da fibra, um efeito quase insignificante no aumento na resistência à flexão
é observado. Pode-se observar que a ascendente da parte da curva de deflexão da
carga pode ser caracterizada pela não linearidade.

8 RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO

De acordo com a ACI 544.1R-96 as fibras de aço melhoram significativamente


a resistência ao cisalhamento do CRFA, podendo ser usado na substituição total ou
parcial dos estribos.

AMIN et al (2016) demostrou que as fibras de aço usado como reforço no


concreto, se fornecida em quantidade suficiente no em relação a dosagem, poderia

7
substituir os estribos da viga. Verificou-se que, para vigas contendo maiores
dosagens de fibras de aço, os padrões de fissuração tendem a ser mais dispersos e
as fissuras são visivelmente mais finas.

9 IMPACTO

Yoo et al (2015) estudou o comportamento à flexão de vigas de concreto


reforçado com fibras de aço sob cargas de impacto. Para o caso de carga de impacto,
um aumento na capacidade de carga foi obtido pelo aumento da energia cinética e
força. O comportamento pós-pico foi significativamente afetado pelo aumento do teor
de fibras. Os aumentos no teor de fibra e força também levaram a melhorias no
desempenho de flexão residual após o dano por impacto. Finalmente, a resistência à
flexão tornou-se menos sensível à taxa de deformação (ou taxa de tensão) à medida
que a resistência do concreto aumentava.

10 POROSIDADE DEVIDO A FIBRA DE AÇO NO CONCRETO

Hwang et al (2015) estudou o que ocorre na porosidade na região da interface


fibra de aço e matriz cimentícia. A argamassa com uma fibra de aço localizada
centralmente (Ø0,39 × 15,0 mm) foi segmentada para observação microscópica em
uma imagem de elétrons retroespalhados. Na imagem, a zona interfacial foi definida
como 270 μm da superfície da fibra de aço, onde a porosidade foi medida pela
contagem de pixels após a binarização da imagem para a porosidade.

Hwang et al (2015) verificou que os poros gerados na vizinhança da fibra de


aço variaram de 5,40% a 11,45%, equivalente a 0,51 a 1,08% de vazios de ar em um
concreto a granel. A alta porosidade na interface pode impor uma redução da
resistência do concreto (ou seja, até um descolamento com pasta de cimento) e um
risco potencial de fornecimento adicional de íons agressivos através dos poros,
levando a uma menor durabilidade contra ambientes quimicamente severos.

Hwang et al (2015) em outro trabalho afirma que algumas questões que devem
ser observadas em relação a corrosão. No estudo o transporte de cloreto teve um
aumento devido a porosidade na interface da fibra de aço, implicando que os íons
agressivos externos podem facilmente penetrar no concreto e então degradar
quimicamente as propriedades do concreto.

8
11 REFERÊNCIAS

Abbass, W.; Khan, M. I.; Mourad, S. Evaluation of mechanical properties of steel


fiber reinforced concrete with different strengths of concrete, Construction and
Building Materials 168 (2018) 556–569,
https://doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2018.02.164.

American Concrete Institute - ACI 544.1R-96. Reporto on fiber reinforced concrete.


In: Manual of concrete practice. 1996.

Amin, A.; Foster, S. J. Shear strength of steel fibre reinforced concrete beams
with stirrups, Engineering Structures 111 (2016) 323–332,
http://dx.doi.org/10.1016/j.engstruct.2015.12.026.

Baea, B.; Chunga, J-H.; Choib, H-K.; Jungc, H-S.; Choid, C-S. Experimental study
on the cyclic behavior of steel fiber reinforced high strength concrete columns
and evaluation of shear strength, Engineering Structures 157 (2018) 250–267,
https://doi.org/10.1016/j.engstruct.2017.11.072.

Bencardino, F.; Rizzuti, L.; Spadea, G.; Swamy, R. N. Experimental evaluation of


fiber reinforced concrete fracture properties, Composites: Part B 41 (2010) 17–24,
doi:10.1016/j.compositesb.2009.09.002.

Carmona, S.; Aguado, A.; Molins C. Characterization of the properties of steel fiber
reinforced concrete by means of the generalized Barcelona test, Construction and
Building Materials 48 (2013) 592–600,
http://dx.doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2013.07.060.

Jang, S-J., Yun, H-D., Combined effects of steel fiber and coarse aggregate size
on the compressive and flexural toughness of high-strength concrete,
Composite Structures (2017), https://doi.org/10.1016/j.compstruct.2017.11.009.

Koksal, F.; Sahin, Y.; Gencel, O.; Yigit, I. Fracture energy-based optimisation of
steel fibre reinforced concretes, Engineering Fracture Mechanics 107 (2013) 29–
37, http://dx.doi.org/10.1016/j.engfracmech.2013.04.018 .

Hwang, J.P.; Kim, M.; Ann, K. Y. Porosity generation arising from steel fibre in
concrete, Construction and Building Materials 94 (2015) 433–436,
http://dx.doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2015.07.044.

Hwang, J.P.; Jung, M.S.; Kim, M.; Ki Ann K.Y. Corrosion risk of steel fibre in
concrete, Construction and Building Materials 101 (2015) 239–245,
http://dx.doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2015.10.072.

Yoo, D.-Y.; Yoon, Y.-S.; Banthia, N. Flexural response of steel-fiber-reinforced


concrete beams: Effects of strength, fiber content, and strain-rate, Cement and
Concrete Composites (2015), doi: 10.1016/j.cemconcomp.2015.10.001.

Você também pode gostar