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• Hermenêutica Jurídica: é a parte da ciência jurídica que estuda norma mais geral e abstrata já não teria nenhum conteúdo

nenhum conteúdo e seria a norma


e sistematiza os processos necessários a fixação do sentido e alcance hipotética fundamental (Estrutura Lógica ou Juízo Hipotético.
(interpretação) das expressões do direito. Interpretação: consiste em
aplicar as regras, que a hermenêutica perquire e ordena, para o bom Relação de Hierarquia: a norma inferior tem que estar em
entendimento dos textos legais. A Hermenêutica é a teoria científica da conformidade com a norma superior do ponto de vista formal; -
arte de interpretar. Escola Histórica de Savigny: Esta Escola entende A norma mais geral e abstrata não teria nenhum conteúdo e
que o Direito é um produto histórico, que surge espontaneamente das seria a Norma Hipotética Fundamental, tendo existência
convicções do povo. Assim, cada Estado tem seu próprio Direito, necessária para dar fundamento de validade a todo
proveniente do “espírito do povo” (volksgeist), e afirma que qualquer ordenamento jurídico. - Para Kelsen, a sentença emanada da
legislação deveria ser interpretada em consonância com os costumes autoridade judiciária, não era um ato de interpretação, era
vigentes. O costume era priorizado como manifestação imediata do apenas uma decisão de acordo com a norma, ou seja, a aplicação
espírito do povo, tendo em vista sua evolução espontânea. Para Saviny, da interpretação literal (gramatical). - Kelsen não propôs nenhum
a codificação petrificaria o Direito, e qualquer legislação existente só
método hermenêutico, pois levava em conta nenhum critério
seria válida se estivesse de acordo com o costume. Para a Escola
extrajurídico para iluminar a interpretação; Para Kelsen, o
Histórica, o jurista seria o representante do Espírito do Povo (origem
ordenamento jurídico não poderia ser estudado como um
das instituições), pois o intuiria nas instituições, descobrindo, assim, o
Direito e enunciando-o de forma erudita. Savigny admitia as simples conjunto de normas que regulam o comportamento
interpretações: gramatical, lógica, sistemática e histórica. Sua pretensão humano, mas, ao contrário, deveria ser vislumbrado como um
era introduzir o método hermenêutico na dogmática jurídica, de forma a todo unitário e sistemático, pelo fato de todas as normas
elevar o Direito à categoria de ciência, no caso, ciência do espírito. As possuírem o mesmo fundamento de validade; -OBS: Como
fases do pensamento de savigny: 1ª Fase: Só o costume (espírito do Kelsen pregava a norma desprendida de fato e valor,
povo) seria realmente Direito. Para ele a norma jurídica é aquela que é desprezando totalmente o ato de interpretar, foi um retrocesso
aprendida diretamente do espírito do povo, sem mediação de legisladores para a ciência da hermenêutica, embora tenha contribuído muito
(só bastava o costume que seria a norma legal); 2ª Fase: A Lei é para o direito, pois até hoje é muito citado pelos autores
elaborada por mediadores do povo (Legisladores), que expressassem a (teóricos). Teoria Autopoiética do Direito: Origem da palavra
vontade do povo, ou seja, o espírito do povo; 3ª Fase: A Lei deveria ser “AUTOPOIESE”: deriva do grego “autos” (por si próprio) e
atualizada pela doutrina para permanecer fiel ao COSTUME “poiesis” (criação própria, produção, origem). O direito auto se
(acompanhar a dinâmica social, a evolução da sociedade). Contestava a completa, auto se regula. É uma amenização da teoria pura do
Codificação do Direito (quebrou reinado do fetichismo legal - Escola da direito, no entanto, faz uma seleção do que realmente interessa da
Exegese); Se opunha a ideia de um Direito Natural Universal, mas sociedade para o direito; - O termo “Autopoiese” foi criado na
favorável ao Direito Natural de cada nação- Espírito do povo (pois cada década de 70 pelos biólogos chilenos Humberto Maturana e
estado da Alemanha representava uma cultura, forma de pensar de seu Francisco Varela, em forma de uma concepção biológica que
povo); Costume: era a manifestação do Espírito do Povo (foi ao tenta explicar o fenômeno da vida, ou seja, a Teoria Autopoiética,
extremo, valorando muito o costume e desprezando a lei). Introduziu a que tem como idéia básica um sistema organizado, fechado e
Hermenêutica do Direito: Hermenêutica jurídica; A metodologia auto-suficiente; - No início da década de 80, através do
proposta por Savigny veio consolidar os chamados cânones tradicionais sociólogo alemão Nicklas Luhmann, o conceito de autopoiese é
da Hermenêutica jurídica, quais seja: a) Interpretação gramatical; b) introduzido nas ciências sociais, porém de forma diferenciada.
Interpretação lógica; c) Interpretação sistemática; d) Interpretação Depois foi levada para as ciências jurídicas e criada a teoria
histórica; e) Interpretação Teleológica. Críticas ao pensamento de autopoiética do Direito. Características da Teoria Autopoética:
Savigny: Impossibilidade de se ter segurança jurídica, pois só o a) A sociedade exerce influência indireta sobre o direito, ou seja,
COSTUME seria o fundamento da norma jurídica ( exagero na exaltação o sistema jurídico pode assimilar os fatores do meio ambiente de
do costume, o que seria totalmente inseguro); O jurista não pode ficar acordo com seus próprios critérios, não sendo influenciados
exclusivamente atrelado ao COSTUME e esquecer das outras formas de diretamente por tais fatores (através da cognição); b) A
expressão do Direito, tais como: as leis, a equidade, a analogia, os autopoiese exige para o ordenamento jurídico um sistema dotado
princípios gerais do direito, etc. Teoria de Ihering: O SEU de fechamento auto-referencial, isto é, a própria normatividade
PENSAMENTO PASSOU POR 3 FASES, DENTRE AS QUAIS para o sistema jurídico; c) Em face da influência indireta da
PODEMOS CITAR: 1.ª FASE: foi alvo de inúmeras críticas de vários sociedade, o direito seleciona o que dela provém e interessa ao
teóricos da época. Foi uma fase totalmente negra e desconsiderada. ordenamento jurídico ( o que realmente traz benefícios para as
Críticos dizem que apenas quis se contrapor a tudo o que diziam há ciências jurídicas); d) O direito é, portanto, um SISTEMA
época para se destacar (como forma de causar choques de pensamentos). NORMATIVAMENTE FECHADO, que serve à autopoiese, mas
- Ihering equiparou o Direito ás ciências naturais, tomando a Biologia COGNITIVAMENTE ABERTO, na medida em que permite a
como paradigma; - Nesta fase, contrapôs-se a Savigny, uma vez que este concordância do processo com o meio ambiente; e) Abertura
classificou o Direito dentre as ciências culturais; - Para Ihering, o cognitiva adequada ao meio ambiente (EXTERNO) e capacidade
costume (de Savigny) não guardava qualquer relação com o Direito. 2.ª de conexão da reprodução normativa autopoiética (INTERNO);
FASE: teve muita contribuição para o direito: seu pensamento resume- OBS: Na Teoria Autopoiética do Direito a auto-suficiência não é
se: luta de classes, Ação Judicial e coação para efetividade do direito. - absoluta como na Teoria Pura do Direito, mas apenas relativa.
Nesta fase, Ihering foi contra tudo o que defendeu na sua fase anterior; - Escola Tópica: Pregava a abertura completa, por isso foi
Para ele, a sociedade era palco constante de uma luta de classes, e o considerada a teoria mais aberta, sem restrições ou limitações. -
Direito existe para regular essas relações em sociedade; - O direito O termo “Tópica” tem a sua origem na expressão grega “topos”,
protegia os interesses daqueles que conseguiam se impor socialmente (os que corresponde ao termo “lugar comum”; Foi atribuído por
que estavam no topo da pirâmide), portanto, o direito seria o resultado Aristóteles no seu famoso texto denominado de “Tópica” e
dessa luta de interesses e não mais a evolução espontânea do costume (já expressa uma técnica que propunha a adoção de um raciocínio
dizia Savigny); O direito, para ter realização prática, deveria se valer da fundado na solução de problemas ( cujo fim era o de chegar a um
AÇÃO JUDICIAL. E o Estado, com toda a sua força, através da lugar comum, uma única solução); - Theodor Viehweg, filósofo
COAÇÃO, deveria garantir uma decisão; - Nessa fase, foi considerado alemão, em sua obra “Tópica e Jurisprudência”, publicado
marxista, por defender essa eterna e incessante luta de classes; - pela primeira vez em 1953, na qual sugere que a tópica deveria
Finalizando, escreveu a sua tão conhecida obra “A Luta Pelo Direito”; 3.ª ser utilizada como técnica de interpretação do Direito; - Tópica é
FASE: momento conclusivo de seu pensamento; - Desenvolveu a uma técnica de pensar por problemas, desenvolvida pela retórica,
interpretação TELEOLÓGICA (sendo aquela que busca a finalidade dos visando a solução de problemas. É favorável à abertura e
fatos, dando ênfase nos fins sociais); - Admitia uma exacerbada liberdade dialética. A tópica surgiu como uma reação à concepção de
ao texto legal; - Exaltava o livre trabalho do intérprete. Teoria Pura do sistema fechado prevalecente no positivismo jurídico. A tópica se
Direito – Hans Kelsen: Kelsen deixou uma vasta obra, da qual se opõe ao método sistêmico. Enquanto o último é fechado e
destaca, principalmente, por ser uma condensação de seus estudos a dedutivo, a tópica é favorável à abertura e à dialética. A tópica é
respeito do Direito: “A Teoria Pura do Direito”. Foi considerado o uma técnica de enforcar problemas para solucioná-los. O julgador
expoente máximo da corrente filosófica denominada de “Positivismo deverá examinar um problema em toda a sua complexidade e, em
Jurídico”; Por intermédio da “Teoria Pura do Direito”, Kelsen seguida, eleger critérios para solucioná-los, ou seja, padrões de
demonstrou uma concepção de ciência jurídica segundo a qual o Direito avaliação baseados em fragmentos de justiça material. Critérios
celebraria um corte epistemológico relativamente à moral e qualquer para classificação das Espécies de Interpretação: QUANTO
outra disciplina, visando torna-lo um saber objetivo e exato; O direito AO AGENTE DE INTERPRETAÇÃO: é com base no órgão
deveria está separado das outras ciências, dada a sua auto suficiência; prolator do entendimento da lei. Assim, a interpretação pode ser:
“Teoria Pura do Direito”: preocupação em construir uma ciência do 1) PÚBLICA: que é prolatada pelos órgãos do Poder Público,
Direito livre de toda ideologia, de toda intervenção extrajurídica, bem quer do Legislativo, quer do Executivo, quer do Judiciário. A
como, pregava a autonomia da ciência jurídica; Pregava a purificação do interpretação pública é dividida em autêntica ou legislativa,
direito, pois o direito era auto suficiente, não precisava da intervenção judicial e administrativa. 1.1.) INTERPRETAÇÃO
das outras ciências (principal característica da Teoria Pura do Direito”); AUTÊNTICA OU LEGISLATIVA: é oriunda do próprio órgão
Kelsen classificou o Direito entre as ciências formais, como a fautor da lei, levada a efeito mediante a confecção de diplomas
matemática. Em oposição a Teoria Tridimensional do Direito (de interpretativos. 1.2.) INTERPRETAÇÃO JUDICIAL: é a que é
Miguel Realy: Fato, Valor e Norma), Kelsen propôs um realizada pelos órgãos do Poder Judiciário. 1.3.) INTERPRETAÇÃO
normativíssimo abstrato, considerando a norma Jurídica esvaziada de ADMINISTRATIVA: realizada pelos órgãos do Poder Público, que
conteúdo, ou seja, apenas levando-se em consideração a sua estrutura não são detentores do Poder Legislativo nem do Judiciário. Pode
lógica; -DIREITO=NORMA (só norma) – (menos FATO+VALOR, ser: 1.3.1.) REGULAMENTAR: é a que se destina ao traçado de
não precisava do conteúdo fático e nem axiológico): Estrutura Lógica normas gerais como a grande massa de decretos, portarias etc.,
ou Juízo Hipotético; - Kelsen afirmava que o ordenamento jurídico tinha em relação a certas prescrições das leis ordinárias. (A rigor, não é
estrutura piramidal, onde as normas superiores fundamentavam as interpretação). 1.3.2.) CASUÍSTICA: é a que se orienta no
inferiores sob o aspecto dinâmico-formal, sendo que as normas eram sentido de esclarecer dúvidas especiais, de caráter controversial
mais gerais e abstratas quando se aproximavam do topo, e mais ou não, que surgem quando da aplicação, por parte dos aludidos
específicas e concretas quando se aproximavam da base da pirâmide. A órgãos, das normas gerais aos casos concretos. Ocorre quando um
órgão superior da Administração Pública orienta um órgão
inferior a entender a norma de determinado modo.