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CLARA AZEVEDO MONT’ALVERNE

METODOLOGIA DO TRABALHO
CIENTÍFICO
APREENSÃO
CONSTRUÇÃO
TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO

Belém
2012
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PARTE I – A APREENSÃO DO CONHECIMENTO

Ao defrontar o mundo exterior com o seu ´ “eu” interior, o homem se expressa por
meios de processos cognitivos e assim, lenta e gradativamente, ele conhece e domina os
fenômenos naturais.
O Conhecimento tem início quando ocorre um certo encantamento do ser humano ao
contemplar a natureza, o universo, as coisas ou os fatos que o cercam. Esse encantamento e
curiosidade dão início ao processo de conhecimento, de discernimento, que termina por
produzir o saber de forma metódica e organizar-se. Ao materializar-se este saber, o conhecer
toma forma de senso comum, da ciência, da filosofia, da religião, da arte e do mítico, que
correspondem aos tipos de conhecimentos que diferenciam-se uns dos outros por
características específicas e por objetos de estudo.

1. AS FORMAS DE CONHECER O MUNDO


1.1. SENSO COMUM: uma visão-de-mundo.
A necessidade de acumularmos esse tipo de conhecimento espontâneo parece-nos
óbvia. Imagine termos de descobrir diariamente que as coisas tendem a cair, graças ao efeito
da gravidade; termos de descobrir diariamente que algo atirado pela janela tende a cair e não
a subir; que um automóvel em velocidade vai se aproximar rapidamente de nós e que, para
fazer um aparelho eletrodoméstico funcionar, precisamos de eletricidade.
O senso comum, na produção desse tipo de conhecimento, percorre um caminho que
vai do hábito a tradição, a qual, quando estabelecida, passa de geração para geração. Assim,
aprendemos com nossos pais a atravessar uma rua, a fazer o liqüidificador funcionar, a plantar
na época adequada e de maneira correta, a conquistar a pessoa que desejamos e assim por
diante.
E é nessa tentativa de facilitar o dia-a-dia que o senso comum produz suas próprias
“teorias”; na realidade, um conhecimento que, numa interpretação livre, poderíamos chamar
de teorias médicas, físicas, psicológicas, etc.
Esse conhecimento do senso comum, além de sua produção característica, acaba por se
apropriar, de uma maneira muito singular, de conhecimentos produzidos pelos outros setores
da produção do saber humano. O senso comum mistura e recicla esses outros saberes, muito
mais especializados, e os reduz a um tipo de teoria simplificada, produzindo uma determinada
visão-de-mundo.
O que estamos querendo mostrar a você é que o senso comum integra, de um modo
precário (mas é esse o seu modo), o conhecimento humano. É claro que isto não ocorre
muito rapidamente. Leva um certo tempo para que o conhecimento mais sofisticado e
especializado seja absorvido pelo senso comum, e, nunca o é totalmente. Quando utilizamos
como “rapaz complexado”, “menina histérica” , “ficar neurótico” , estamos usando termos
definidos pela Psicologia Científica. Não nos preocupamos em definir as palavras usadas e
nem por isso deixamos de ser entendidos pelo outro. Podemos até estar muito próximos do
conceito científico mas, na maioria das vezes, nem o sabemos. Esses são exemplos da
apropriação que o senso comum faz da ciência.
O Senso Comum ou conhecimento empírico surgiu no início da caminhada
empreendida pelo homem e seguirá enquanto ele existir.. Suas principais características
são: Superficial – porque não se aprofunda nas observações, acredita no que viu e na maneira
como foi contado o fato. Sensitivo – porque se contenta com as aparências e emoções do
cotidiano. Subjetivo – porque é a própria pessoa que organiza o saber e as experiências.
Assistemático – porque não sistematiza as experiências e idéias, nem tampouco a forma como
as adquiriu e nem as tentativas de validá-las.
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1. 2. O CONHECIMENTO MÍTICO
Contados, repetidos e em evolução constante através de gerações, os mitos que
conhecemos hoje formam um elo vivo com o surgimento da terra e as origens da humanidade.
Por toda parte, da Ásia à África, das Américas à Oceania, um sem-número de narradores
transmitiu a seus descendentes, lendas épicas sobre as gr4andes peripécias de heróis e seres
sobrenaturais, numa tentativa de explicar a criação e a catástrofe, a vida e a morte.

O mito é uma forma de se situar no mundo, de encontrar o seu lugar entre os demais
conhecimentos. É um modo de explicar o mundo e os fenômenos. É uma verdade que não
precisa de provas para ser aceita, uma verdade não teórica, intuitiva. Foi a primeira forma de
dar significado ao mundo. As primeiras explicações eram míticas, transmitidas oralmente em
fábulas, lendas e outras expressões. (TEIXEIRA (1999).
Os mitos efetivamente, narram não apenas a origem do mundo, dos animais, das
plantas, do homem, mas também de todos os acontecimentos primordiais em consequências
dos quais o homem se converteu no que é hoje – um ser mortal, sexuado, organizado em
sociedade, obrigado a trabalhar para viver e trabalhando de acordo com determinadas regras.
Por isso mesmo, para o homem das sociedades arcaicas,o mito é uma questão da mais alta
importância.
É o mito que ensina as histórias primordiais que o constituíram existencialmente,
assim como tudo o que se relaciona com sua existência. Dessa forma, conhecer os
mitos é aprender o segredo da origem das coisas, é aprender como as coisas vieram
à existência, onde encontra-las, como fazer com que reapareçam e fazer com que
desapareçam. (ELIADE, , 1997 p.16).

Portanto, o mítico é uma relação através do imaginário das pessoas com a realidade de
um conhecimento não demonstrado, livre, aberto, que é capaz de levar a perceber a realidade,
tendo uma noção do que ela é, de forma aberta e sem um caráter lógico, sem uma
racionalidade explicativa. É um conhecimento completo, poético, que não exige atitude
prática e matemática para demonstrar sua realidade.
Características: E um conhecimento valorativo, inspiracional, não verificável,infalível,
exato.

1. 3. CONHECIMENTO RELIGIOSO
A formulação de um conjunto de pensamentos sobre a origem do homem, seus
mistérios, princípios morais, forma um outro corpo de conhecimento humano, conhecido
como religião. È um conhecimento muito antigo e derivou do conhecimento mítico. No
ocidente, um livro muito conhecido traz as crenças e tradições de nossos antepassados e é
para muitos um modelo de conduta: a Bíblia. Esse livro é o registro do conhecimento
religioso judaico-cristão. Um outro livro semelhante é o livro sagrado dos hindus: Livro dos
Vedas. Veda, em sânscrito (antiga língua clássica da Índia), significa conhecimento.
O conhecimento religioso sempre foi direcionado no sentido de se compreender a
realidade do homem e o universo. Não demonstra e nem experimenta. Explica tudo pela fé e
revelação divina. É totalmente absoluto. Apóia-se em doutrinas bíblicas e tem por
características ser: valorativo e inspiracional – porque o que se crê é transmitido por
revelação sobrenatural. Assim não há o que questionar se é verdade ou mentira e se são
considerados infalíveis. Por isso é um conhecimento infalível. É sistemático – porque explica
o surgimento de tudo de forma ordenada, com princípio, meio e fim. Tudo é explicado como
obra e domínio de um Criador Supremo. Não é verificável – o acreditar ou não acreditar se
encerra de forma compulsória e absoluta.
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1.4. CONHECIMENTO FILOSÓFICO


Povos antigos, e entre eles cabe mencionar sempre o gregos, preocuparam-se com a
origem e com o significado da existência humana. As especulações em torno desse tema
formaram um corpo de conhecimento denominado filosofia.
O conhecimento filosófico surgiu no momento em que houve vontade de separar as
explicações míticas e religiosas das explicações pala razão intelectual pura. A filosofia
permeia toda a vida humana e é à base de todo o conhecimento, inclusive da ciência, que nela
se originou.
A palavra filosofia foi usada primeiramente por Pitágoras, sendo composta dos
vocábulos Philos, que significa amigo e Sophia, que se refere a sabedoria.
Os primeiros filósofos viveram nos século VII e VI a.C. nas colônias gregas (Ásia
Menor, Itália e Sicília). Este foi o período pré-socrático, cujos representantes já mostravam
preocupação em explicar o mundo. Procuravam achar o princípio de todas as coisas, e cada
um explicava esses princípios a seu modo. Para Tales, o princípio era a água, para
Anaxímenes é o ar, para Demócrito, é o átomo e para Empédocles, o princípio era constituído
por quatro elementos básico: a água, o ar, a água e o fogo.
A filosofia usa a razão e a intuição intelectual. Busca coerências internas e define
rigorosamente os conceitos. o nascer da filosofia se vincula também à ciência. È por meio da
filosofia que a ciência teve formulado o seu método. A ciência se separou da Filosofia no
século XVII, quando a Teoria Heliocêntrica tomou o lugar da Teoria Geocêntrica, embora
essa discussão tenha iniciado no século XVI.
Características: é valorativo – o conhecimento surge da experiência e não da
experimentação, portanto suas hipóteses não permitem comprovação. É infalível e exato –
pois como são enunciados seus postulados, não podem ser submetidos a testes de laboratórios.
É sistemático – seus estudos são elaborados de forma organizada e as realidades são
explicadas de maneira coerente. É racional – porque os fatos são logicamente
correlacionados. A principal característica do conhecimento filosófico é o trabalho da razão
pura para questionar e explicar os problemas da vida e do homem e ter a faculdade de
discernir entre o certo e o errado, apenas pela razão e inteligência.

1.5. CONHECIMENTO CIENTÍFICO


A ciência compõe-se de um conjunto de conhecimento sobre fatos ou aspectos da
realidade (objeto de estudo), expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Esses
conhecimentos devem ser obtidos de maneira programada, sistemática e controlada, para que
se permita a verificação de sua validade. Assim, podemos apontar o objeto dos diversos ramos
da ciência e saber exatamente como determinado conteúdo foi construído, possibilitando a
reprodução da experiência. Dessa formas, o saber pode ser transmitido, verificado, utilizado e
desenvolvido.
Essa característica da produção científica possibilita sua continuidade: um novo
conhecimento é produzido sempre a partir de algo anteriormente desenvolvido. Negam-se,
reafirmam-se, descobrem-se novos aspectos, e assim a ciência avança. Nesse sentido, a
ciência caracteriza-se como um processo.
Pense no desenvolvimento do motor movido a álcool hidratado. Ele nasceu de uma
necessidade concreta (crise do petróleo) e foi planejado a partir do motor a gasolina, com a
alteração de poucos componentes deste. No entanto, os primeiros automóveis movidos a
álcool apresentaram muitos problemas, como o seu mau funcionamento nos dias frios. Apesar
disso, esse tipo de motor foi se aprimorando.
A ciência tem ainda uma característica fundamental: ela aspira à objetividade. Suas
conclusões devem ser passíveis de verificação e isentas de emoção, para, assim, tornarem-se
válidas para todos.
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Objeto específico, linguagem rigorosa, métodos e técnicas específicas, processo


cumulativo do conhecimento, objetividade, fazem da ciência uma forma de conhecimento que
supera em muito o conhecimento espontâneo do senso comum. Esse conjunto de
características é o que permite que denominemos científico a um conjunto de conhecimento.
A ciência busca oferecer explicações acerca de um fenômeno, mas não é um dogma;
logo é discutível. É a efervescência das reflexões, discussões, contradições, sistematizações e
resistematizações que lhe dão vitalidade.
A ciência é um processo. Um processo permanente em busca da verdade, de
sinalização sistemática de erros e correções, predominantemente racional. Não que a intuição,
sentimentos e sensações não estejam presentes. Eles estão. Afinal, como nos ensinou Jung,
eles são nossas funções psíquicas básicas.Mas o que predomina é a busca da racionalidade.
Tem como principais características: racionalidade, objetividade, baseia-se em fatos, é
exata, é analítica, é verificável, é comunicável.

1.5.1 Divisão e classificação da ciência

Segundo Mário Bunge, as ciências assim se dividem e classificam-se:


As Ciências Formais discutem a forma de seus argumentos e não o conteúdo de suas
premissas e conclusões. Tanto a Lógica como a Matemática trabalham apenas com
constructos ou objetos conceituais, funções, proposições, etc. Tratam de objetos abstratos ou
idéias.
As Ciências Factuais também chamadas de experimentais ou reais, tratam dos fatos,
de objetos concretos ou materiais, elaboram enunciados acerca de fatos ou fenômenos que
ocorrem na natureza, precisam testar experimentalmente suas hipóteses. Ocupam lugar no
espaço, sofrem transformações e possuem energia.

As Ciências Naturais procuram estudar a natureza e o próprio homem, sem se deter


em aspectos sociais, políticos, históricos e culturais desse homem.

As Ciências Sociais ou Humanas se preocupam em estudar a interação desses


fatores, que fazem do homem uma espécie única na natureza, uma espécie capaz de ter
consciência, de conhecer suas próprias origens, de possuir valores e de decidir sua própria
evolução.
Ao contrário do que dão a entender a maioria dos livros de metodologia, o
conhecimento científico não algo pronto e acabado, indiscutível. Na verdade, o século XX foi
palco de uma apaixonada discussão sobre o que é ciência, quais são suas características e sua
relação com os outros tipos de conhecimento.
Os pensadores que exploraram o tema discordam entre si e há até aqueles que
defendem que um método científico é impossível. Outros têm denunciado a ideologia por trás
do método científico, tais como Edgar Morin e Hebert Marcuse, que acusam a ciência e a
tecnologia de promoverem a transformação do homem em coisa e a compartimentação do
saber.
Outros apresentam propostas que discordam completamente do que a maioria
entende por ciência. Exemplo disso é a gonzologia, uma corrente de pensamento influenciada
pelo jornalismo gonzo. Para esses pensadores, a única metodologia possível dentro da ciência
é a observação participante.
Entretanto, a noção que se tem hoje do conhecimento científico é influenciada pelos
pontos de vista do Círculo de Viena e dos pensadores Karl Popper e Thomas S. Kuhn pela
influência de suas propostas epistemológicas.
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1.5.2 Círculo De Viena

Essa corrente de pensamento de inspiração positivista surgiu na Europa no início do


século XX. Acreditava na possibilidade das ciências humanas e sociais seguirem as mesmas
metodologias das ciências naturais.
O Círculo de Viena estava preocupado em diferenciar o conhecimento científico dos
outros tipos de conhecimento. Eles partiam de algumas perguntas básicas: o que é
conhecimento científico? Que tipo de conhecimento pode ser caracterizado como científico?
Eles iniciaram distinguindo dois contextos: o da descoberta e o da verificação. O contexto da
descoberta é aquele em que o cientista faz sua descoberta.
Para o Círculo de Viena, esse era um contexto irrelevante para se definir se esse
conhecimento é científico ou não. A descoberta pode ter surgido, por exemplo, de um sonho,
de uma alucinação ou simplesmente de uma coincidência...
Para o Círculo de Viena o que realmente importa na definição do que é científico ou
não é o contexto da justificativa. Ou seja, é a forma como o cientista vai explicar sua
descoberta aos pares.
O Círculo de Viena dava grande importância à verificação. Assim, o cientista deveria
explicar detalhadamente como chegou aos seus resultados para que outros pesquisadores,
repetindo a experiência, pudessem chegar aos mesmos resultados.
Para evitar equívocos (intencionais ou não) era necessário usar uma linguagem
unívoca. Ou seja, cada termo utilizado no trabalho deveria ter uma única interpretação.
Nas ciências sociais, o pensamento do Círculo de Viena influenciou os pesquisadores
a definirem muito bem os termos utilizados.
Em um trabalho sobre aborto em casos de violência sexual, o que é aborto? O que é
violência sexual? Será que uma esposa pode acusar o marido de a tê-la violentado? A
definição desses termos, e a utilização dos mesmos com uma única significação ao longo de
todo o trabalho asseguram a interpretação correta e a cientificidade do trabalho.
O Círculo de Viena também estabeleceu o princípio da verificação. Ou seja, o
cientista deve repetir a experiência e verificar se chega sempre ao mesmo resultado antes de
divulgar suas tese. Jamais se deve fazer juízos precipitados.
Essa corrente de pensamento também acreditava que o método cientifico deveria
utilizar a indução.

TEXTO COMPLEMENTAR - O que é indução?

Indução é o princípio segundo o qual deve-se partir das partes para o todo. Ou seja,
ao fazer uma pesquisa, deve-se ir coletando casos particulares e, depois de certo número de
casos, pode-se generalizar, dizendo que sempre que a situação se repetir o resultado será o
mesmo.
Se, por exemplo, eu quero saber a que temperatura a água ferve. Coloco água no
fogo e, munido de um termômetro, meço a temperatura. Descubro que a fervura aconteceu a
100 graus centígrados. Repito a experiência e chego ao mesmo resultado. Repito de novo e
vou repetindo até chegar à conclusão de a água sempre ferverá a 100 graus centígrados.
Umberto Eco dá um outro exemplo curioso: os sacos de feijões.
Vejo um saco opaco sobre a mesa. Quero saber o que tem no mesmo. Uso o método
indutivo: vou tirando o conteúdo do saco um a um. Da primeira vez, me deparo com um
feijão branco. Na outra tentativa, de novo um feijão branco. Repito a experiência até achar
que está bom (ou até acabar a verba). Então extraio uma lei: dentro deste saco só há feijões
brancos.
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KARL POPPER
Para esse autor inglês, a ciência é caracterizada pelo falseamento. Ou seja, uma teoria
só é científica se for possível provar que ela está errada. Assim, seria não-científico afirmar
que vai chover amanhã. É certo que amanhã vai chover em algum lugar do planeta, em algum
horário. É científico dizer que vai chover amanhã às 17 horas em Macapá, pois essa afirmação
é passível de falseamento.
A ciência não aceita formulações vagas, que não podem ser falseadas, características
dos videntes e cartomantes: “Você vai viver um grande amor”; “Um grande reino vai cair”. É
impossível provar que essas firmações são falsas. Em algum momento a pessoa vai viver um
grande amor.
Para Popper, O cientista não deveria procurar fatos que comprovassem sua tese, mas
fatos que o falseassem, que provassem que ela é falsa.
Imaginemos que estejamos estudando as galinhas. Pesquiso uma e descubro que ela
bota ovos. Encontro outra galinha e observo o mesmo comportamento. Por indução, chego à
conclusão de que todas as galinhas botam ovos. Para Popper isso não é científico, pois se eu
encontrar uma única galinha que não bote ovos, minha tese cai por terra.
Para Popper, a indução é falha e a única maneira de sermos científicos é usarmos a
dedução.
Assim, eu crio uma lei geral: todas as galinhas botam ovos. Então pego uma galinha
ao acaso e verifico se ela bota ovos. Se isso ocorrer, a tese está correta, por ora. Se um dia
aparecer uma galinha que não bote ovos, a tese será falseada.
Popper nos ensinou que as verdades científicas são provisórias. São apenas hipóteses
esperando pelo falseamento.

TEXTO COMPLEMENTAR - Dedução


A dedução é uma forma de raciocínio científico segundo o qual devemos partir do
geral para o particular. Assim, devemos primeiro criar uma lei geral e depois observar casos
particulares e verificar se essa lei não é falseada. Para os adeptos da dedução, o cientista
não precisa de mil provas indutivas. Basta uma única prova dedutiva para que a lei possa ser
considerada válida.
No exemplo do saco, imaginem que o vendedor nos disse que ele estava cheio de
feijões brancos. Eu então retiro um feijão de dentro do saco. Se for um feijão branco, então
minha hipótese está, por enquanto, correta.
Um problema da dedução é que ela geralmente se origina de induções anteriores.
Geralmente fazemos uma lei geral depois de já ter observado casos particulares.

THOMAS S. KUHN
Thomas Kuhn percebeu uma falha na teoria de Popper: nenhum cientista procura
falsear sua hipótese. Ninguém passa a vida toda pesquisando clonagem para depois chegar à
conclusão de que clonar um ser vivo é impossível (falseamento). Ele percebeu que a ciência
caminha através de revoluções científicas. Para melhor explicar sua teoria, ele criou o termo
Paradigma. Paradigmas são grandes teorias que orientam a visão de mundo do cientista.
Uma mudança de paradigma pode representar uma alteração total na maneira como
as pessoas vêm o mundo. São as chamadas revoluções científicas.
Por que as coisas queimam?
Antes de Lavoisier: porque contém flogisto, um produto altamente inflamável.
Lavoisier: por que entram em contato com oxigênio.
Os paradigmas fornecem uma visão de mundo que orienta os pesquisadores.
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De tempos em tempos surgem as anomalias, fenômenos que não se encaixam no


paradigma. Para explicá-los os cientistas mais jovens criam um novo paradigma, que leva
bastante tempo para ser aceito, pois os cientistas antigos não mudam de idéia.
Exemplos de revoluções científicas: O heliocentrismo, a teoria da evolução, a lei da
gravidade, a teoria da relatividade, A psicanálise...

TEXTO COMPLEMENTAR - Paradigmas


Uma das expressões mais recorrentes no vocabulário de quem tenta falar difícil é
paradigma. No entanto, são poucas as pessoas que conhecem o real significado dessa
palavra.
O termo paradigma, no sentido definido pelo filósofo T.S. Kuhn, está intimamente
relacionado à ciência e às revoluções científicas. Ele representa um guia, para análise e
interpretação da natureza. Ou, como costumo dizer, é um óculo que ajuda o cientista a ver e
compreender a natureza.
Vamos a um exemplo. Durante uma aula de ciências, o professor solta uma pedra e
ela cai ao chão. O mestre, em seguida, explica aos alunos que o objeto despencou em
decorrência da força da gravidade, que o puxou para baixo.
A explicação é baseada no paradigma newtoniano, segundo o qual matéria atrai
matéria. Quanto maior o objeto, mais atração ele exerce. Como nosso planeta é muito maior
que a pedra, ele a atrai, e não o contrário.
Assim, o paradigma estabelecido por Newton nos ajuda a observar e entender o
fenômeno das coisas que caem.
A explicação pode parecer óbvia, mas não é. Os aristotélicos, anteriores a Newton,
tinham uma maneira diferente de compreender o fenômeno.
Para eles, a tendência das coisas é voltar ao seu estado natural. O estado natural
dos objetos pesados é os locais baixos, assim como o estado natural das coisas leves são os
locais altos. Assim, uma pedra cai pelo mesmo motivo pelo qual um balão sobe: ela está
voltando ao seu estado natural.
Digamos, no entanto, que, ao invés de cair, a pedra fique flutuando no ar.
Professores e alunos certamente ficariam estarrecidos. Por quê? Porque a natureza estaria
contrariando o paradigma. A pedra voadora seria uma anomalia, um fenômeno que não se
encaixa na expectativa que temos com relação à natureza.
(Detalhe: um bebê não acharia nada de anormal no episódio, pois ele ainda não aprendeu o
paradigma segundo o qual as coisas caem quando soltas)
A maioria dos cientistas tende a ignorar as anomalias. “Ei, crianças! Isso é apenas uma
alucinação. Essa pedra não está flutuando”, diria o professor.
Mas alguns pesquisadores, jovens e aventureiros, decidem pesquisar a anomalia e
descobrem que, para explicá-la, é necessário mudar a maneira como vemos o mundo. São as
chamadas revoluções científicas.
A história é repleta de revoluções científicas: o Heliocentrismo de Galileu; a Teoria da
Evolução, de Darwin; a Teoria da Relatividade, de Einstein e, mais recentemente, a Teoria do Caos.
Ao contrário do que se poderia pensar, ou do que nos fazem crer os livros de história, os
cientistas revolucionários dificilmente são aclamados pela sociedade de seu tempo. Galileu quase
morreu na fogueira. Darwin sofreu todo tipo de crítica. A Teoria do Caos chegou a ser acusada de
charlatanismo.
A principal contribuição da noção das revoluções científicas parece ter sido acabar com o
mito da ciência acumulativa, vista como um muro no qual cada cientista ia acrescentando seu
tijolinho. Durante as revoluções científicas, gerações de novos pesquisadores entram em conflito com
os cientistas “normais”. E o que definirá se um paradigma irá sobreviver não é a sua cientificidade, e
sim sua capacidade de explicar o mundo. E, bem, há uma outra razão: a comunicação. Triunfam
aquelas teorias cujos adeptos divulgam seu ponto de vista.
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1.5.3 Visão Atual Da Ciência


A visão de ciência que se tem hoje é orientada pelos pontos de vista do Círculo de
Viena, Popper e Kuhn. Ela inclui os princípios abaixo.

 PRINCÍPIO DA VERIFICAÇÃO – o conhecimento científico deve ser verificado. O cientista
deve comunicar seus resultados e como chegou a eles exatamente (com linguagem unívoca)
para permitir que outros cientistas verifiquem se os resultados estão corretos.

 PRINCÍPIO DO FALSEAMENTO – Princípio segundo o qual o cientista deve estar preparado
para o falseamento de suas hipóteses. As verdades não são eternas em ciências.
Todas os cisnes são brancos até que se encontre cisnes de outras cores. O movimento
dos objetos é governado pelas leis da gravidade até que se encontre um local em que
os objetos não obedecem a essa lei.

 PARADIGMAS – a ciência é guiada por paradigmas. É o paradigma que vai costurar os vários
conhecimentos sobre o mundo, diferenciando do senso comum, que é composto de
conhecimentos isolados. As pesquisas procuram verificar e confirmar o paradigma. O
argumento da autoridade é retomado como sendo importante.
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PARTE II – A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

2.1. O ATO DE ESTUDAR: o momento que conduz à leitura crítica da realidade


Paulo Freire nos diz que “Estudar é realmente um trabalho difícil. Exige de quem o faz
uma postura crítica sistemática. Exige uma disciplina intelectual que não se ganha a não ser
praticando-a. Para este autor, uma postura crítica é fundamental e indispensável ao ato de
estudar, e requer de quem a ele se dedica:
a) Que assuma o papel de sujeito deste ato. É buscar as relações entre o conteúdo em
estudo e outras dimensões afins do conhecimento. Estudar é uma forma de reinventar, e
recriar, e rescrever. O estudo sério de um livro como de um artigo de revista implica não
somente numa penetração crítica em seu conteúdo básico, mas também numa
sensibilidade aguda, numa permanente inquietação intelectual, num estudo que predispõe
à busca.
b) Que o ato de estudar, no fundo, é uma atitude em frente ao mundo. Estudar é também
sobretudo pensar a prática e pensar a prática é a melhor maneira de pensar certo.
c) Que o estudo de um tema específico exige do estudante que se ponha, tanto quanto
possível, a par da bibliografia que se refere ao tema ou ao objeto de sua inquietude.
d) Que o ato de estudar é assumir uma relação de diálogo com o autor do texto.
e) Que o ato de estudar demanda humildade. Humilde e crítico, sabe que o texto, na razão
mesma em que é um desafio, pode estar mais além de sua capacidade de resposta. Nem
sempre o texto se dá facilmente ao leitor. A compreensão de um texto não é algo que se
recebe de presente. Exige trabalho paciente de quem por ele se sente problematizado.

Estudar não é um ato de consumir idéias, mas de criá-las e recriá-las.

2.2. A LEITURA: o caminho adequado para um estudo proveitoso.


Em qualquer meio intelectual a leitura constitui um dos fatores decisivos do estudo. É
principalmente através dela que as pessoas aplicam e aprofundam seu campo cultural.
Portanto é preciso ler, sempre e muito.

2.2.1. TÉCNICAS DE LEITURA


 Será importante você se preocupar com seus hábitos de leitura?
Em muitas situações de estudo, o estudante fracassa porque sua leitura não é eficiente. A
leitura é um dos principais canais de aquisição de informação, especificamente na
Universidade.
 Antes de iniciar uma leitura, você sabe situá-la dentro de um contexto ?
Antes de iniciar o estudo de um texto, esteja certo de que compreendeu qual é sua
incumbência. Pergunte-se que informação terá que encontrar e por que encontrá-la, ou que
uso fará dela. Em alguns casos, a colocação dos problemas pode ser difícil; mas você pode
sempre se perguntar pelo menos: qual a relação deste tópico com a unidade que eu estou
estudando? Qual a relação deste tópico com outras unidades que eu já estudei?
 Você lê em termos de idéias?
O bom leitor não lê palavra por palavra: ele lê conjunto de palavras que constituem unidades
de pensamento. Essas unidades de pensamento são naturais para a compreensão de
significados.
Uma unidade de pensamento pode ser constituída de uma ou mais frases.
Você percebe um conjunto de palavras ou de frases como uma unidade de pensamento em
função desse conjunto formar um todo significativo, isto é, uma idéia .
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 Você tem certeza de que o material que você leu está bem compreendido?
Muitos estudantes desperdiçam grande parte do tempo lendo materiais cujo significado não
está bastante claro para eles. As pesquisas provam que há diferença no nível de aprendizagem
de material significativo e pouco significativo. Esteja certo de que você compreende o
material de leitura. Para isso, tente descobrir as relações entre o que você está tentando
aprender e o que você já sabe. Traduza as passagens difíceis para sua própria linguagem (se
preciso, use o dicionário, a enciclopédia. Tente explicar o texto para você mesmo e para as
outras pessoas: ao tentar explicar algo para outra pessoa, você descobrirá em que pontos
sua compreensão está falha e poderá se concentrar mais nos pontos fracos.
 Ler: Grifar e Anotar nas Margens
 Para que adianta grifar um texto lido?
Quando observamos os livros de texto e as notas de aula dos alunos, verificamos que poucos
deles descobriram a força e a riqueza do grifo.
Alguns grifam demais, outros praticamente nada, e outros ainda de modo impróprio.
Freqüentemente encontramos capítulos inteiros onde a maior parte do material está grifada; o
grifo feito com exagero perde muito do seu valor potencial.
O processo mecânico de grifar pode ajudar na concentração; mas, na realidade, isso é apenas
um pouco mais útil do que seguir a linha com o dedo. Grifar deve ser um processo seletivo e
de resumo.
 Como você pode grifar de maneira seletiva e não mecanicamente ?
O grifo deve ser feito com dois objetivos em mente: primeiro deve ser uma ajuda para você
entender e organizar a matéria; segundo, um auxílio para revisão.
Para que o material grifado possa ser útil para a revisão, é preciso que seja por si mesmo
significativo. Os detalhes precisam estar relacionados uns com os outros e se enquadrar bem
ao tópico principal em que estão incluídos. O material grifado de modo apropriado, resume
para a revisão posterior (ou mesmo para fazer um resumo escrito daquele texto) as principais
idéias, os detalhes importantes, os termos técnicos e as definições.
 Há um plano que possa ser seguido para que você possa grifar eficientemente?
Se você quer que o grifo seja eficiente, então é necessário que seja feito de acordo com um
plano. Tente, por exemplo, o plano seguinte, que tem sido empregado com êxito por muitos:

1. Faça uma leitura do material sem grifar nada (só ler): você terá uma visão global dele;
2. Na segunda leitura, é que você deverá começar a grifar o texto, usando a seguinte
técnica: identifique, em cada parágrafo, quais as questões que seguem as seqüências
dos tópicos e tente respondê-las enquanto lê ( em outras palavras: faça um
levantamento das possíveis perguntas em que o trecho lido serve como respostas.
Quando se estuda, durante uma leitura deve-se prever as questões que aquele trecho
pode resultar). Quando encontrar idéias ou detalhes importantes que ou respondem as
questões, ou estejam relacionadas com ela, coloque um sinal claro na margem.
Quando terminar o parágrafo, volte a olhar os itens que marcou. Se ainda achar que as
idéias ou os detalhes são importantes, então grife-os.
 Você usa as margens do texto para fazer apontamentos ?
A combinação do grifo com as anotações nas margens é mais eficiente do que os simples
grifo; isso obriga-o a reformular o material do texto com as suas próprias palavras, a resumi-
lo e a dispô-lo sob uma forma mais conveniente para posterior estudo, revisão, resumo escrito,
resenha ou fichamento.

5. O que você deve anotar nas margens?


12

Antes de grifar o texto, você identificou as perguntas que se podem extrair dele. Seria útil que
você as escrevesse nas margens; para mais tarde fazer uma revisão rápida , ou um resumo
escrito, ou uma resenha, ou um fichamento do que leu, você terá as principais perguntas do
texto escrita nas margens e suas respectivas respostas grifadas nele.
Outra possibilidade é você redigir nas margens também as respostas; assim, você terá a
oportunidade de traduzir para suas próprias palavras as idéias centrais do texto, garantindo
que elas estão realmente bem compreendidas.
Algumas pessoas também encontram utilidade em resumir em uma ou duas palavras o assunto
central em cada parágrafo.

 - Interpretação de Texto
Um primeiro passo. O entendimento de um texto, ainda o elemento básico da comunicação
humana, implica uma análise: a sua decomposição em partes. Só assim, o seu entendimento é
possível. Como analisar um texto e interpretá-lo é o objetivo do vestibular.
Como se vê, a compreensão do texto depende também do conhecimento de mundo, o que nos
leva à conclusão de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Português, mas
também de todas as outras disciplinas sem exceção.

 Três questões básicas


1 - Qual é a questão de que o texto está tratando?
Ao tentar responder a essa pergunta, o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias
da principal, isto e, aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Quando o leitor não sabe
dizer do que o texto está tratando, ou sabe apenas de maneira genérica e confusa, é sinal de
que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para
compreender o que está diante de seus olhos.
2 - Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão?
Disseminados pelo texto, aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. Por
isso, uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. Não saber dar resposta
a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva.
3 - Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada?
Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o
leitor de que ele está falando a verdade. Saber reconhecer os argumentos do autor é
também um sintoma de leitura bem feita, um sinal claro de que o leitor acompanhou o
desenvolvimento das idéias. Na verdade, entender um texto significa acompanhar com
atenção o seu percurso argumentativo.

 Falo de um modo, mas escrevo de outro?!


De fato, falamos de um modo, mas escrevemos de outro, pois língua escrita e língua
falada são duas modalidades diferentes de comunicação, tendo cada uma delas suas
características próprias. Quando falamos, além das palavras, utilizamos outros elementos
como os gestos, os olhares, a expressão do rosto e, principalmente, algo chamado entoação da
frase. Pela entoação distinguimos uma frase afirmativa de uma interrogativa, uma frase dita
com seriedade de outra dita com ironia, por exemplo. Quando escrevemos, entretanto, não há
mais gestos, nem olhares, nem entoação. Sobram apenas as palavras. É por isso que, ao
redigirmos relatórios, documentos, resenhas ou quaisquer outros tipos de texto escrito,
devemos ter cuidado especial com a pontuação, a ortografia, a concordância e a colocação das
palavras. Do contrário, corremos o risco de não sermos devidamente interpretados; nosso texto
ficará confuso, comprometendo, assim, a comunicação. É importante ressaltar, também, que a
língua escrita não é nem mais nem menos importante que a língua falada. Não existe
13

"superioridade" de uma ou outra. São apenas modalidades diferentes que se realizam em


situações diferentes. Certo, errado ou ... adequado?
A unidade é uma característica fundamental de um bom texto. Unidade significa
manutenção temática, ou seja, uma vez definido o tema a ser abordado, devemos mantê-lo ao
longo de todo o texto. Entretanto, o assunto abordado pode ser visto sob vários aspectos, sob
diferentes ângulos. Assim, para que o texto não fique confuso, cada um desses aspectos deverá
ser abordado em um parágrafo.

 Construção da Frase
Se começamos bem uma frase, ela praticamente escreve o seu final sozinha. Assim, é
preciso controlar cuidadosamente como empregamos as primeiras palavras de uma frase. No
inicio da frase o tema deve ser organizado em torno do sujeito ou conceito central e logo se
passa ao verbo que expressa a ação crucial que aquele sujeito sofre ou exerce. Com isso, as
informações novas ou relevantes ou o ponto mais forte da frase, é quase sempre o seu final!
Em resumo: deve-se guardar a informação mais importante, mais forte, mais nova
e mais original para o final da frase. O melhor é iniciar a frase com artigo ou com sujeito
e nunca com advérbio!
Exemplo 1: Inadequado "Fui atropelado por um carro hoje pela manhã ao sair do
trabalho." Adequado "Hoje pela manhã, ao sair do trabalho, fui atropelado por um carro”.
No primeiro exemplo o impacto inicial é tamanho que não se percebe mais o resto da
frase. Ninguém conseguirá lembrar se era de manhã ou de tarde ou de noite ou se estava indo
passear ou trabalhar. A segunda frase leva o leitor até a informação essencial estabelecendo
com precisão as condições em que o fato ocorreu.
Exemplo 2 – Inadequado “Historicamente, as alterações nas pregas vocais, de cantores
líricos, eram tratados com infusão de sal grosso”. Adequado “A infusão com sal grosso foi um
dos primeiros tratamentos recomendados aos cantores líricos com alterações de laringe”.

 Estrutura do Parágrafo
Um parágrafo é uma unidade de composição escrita sobre um determinado assunto, que
é elaborada a fim de atingir um determinado objetivo. Essa unidade é estruturada por meio de
um conjunto de orações e apresenta, normalmente, três partes: introdução, desenvolvimento e
conclusão.
Assim sendo, quando se trata de um texto dissertativo, é sempre importante perceber três
aspectos fundamentais: o assunto, o ponto de vista (tese) e os argumentos que sustentam o
ponto de vista.
O ponto de vista é a idéia central (principal) - aquilo que o autor diz sobre o assunto, sua
opinião -, e os argumentos são as idéias de apoio - aquelas que dão suporte à idéia central
(exemplos, enumerações,dados estatísticos,comparações etc.).
Pode-se comparar o parágrafo dissertativo a uma mesa. O topo da mesa é a idéia central,
aquilo em que o autor pensa, crê ou simplesmente aquilo que sabe sobre o assunto. Mas a
mesa não ficaria em pé sem as pernas que a sustentam!No parágrafo, as "pernas" são os fatos,
exemplos, comparações, enfim, as idéias de apoio que dão suporte à idéia central. Constituem
a prova dada pelo autor de que a idéia principal é válida.

Observe a diferença entre idéia central e idéias de apoio:


Idéia Central Idéias de Apoio
Deve ser suficientemente genérica, ampla, de São específicas.
modo a abranger todas as idéias do parágrafo.
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A sentença que contém a idéia central pode ser a primeira sentença do parágrafo, a
última ou a do meio. Às vezes, o parágrafo não apresenta uma sentença contendo a idéia
principal. Nesse caso, a idéia central aparece implícita.

 Procedimentos Argumentativos
Procedimento argumentativo são recursos dos quais o autor lança mão a fim de justificar
a opinião que formulou. Afinal, uma opinião sem fundamentação não satisfaz, não parece
verdadeira e, conseqüentemente, não convence. Quando queremos expressar nosso ponto de
vista a respeito de determinado assunto, seja ele favorável ou contrário, devemos fundamentar
nossa opinião. Em outras palavras, devemos desenvolver nossa afirmativa para que ela tenha
valor.
Se dissermos A administração Fleury foi ruinosa para o Estado de São Paulo, um
partidário do ex-governador poderá responder simplesmente que não foi.
No entanto, se dissermos A administração Fleury foi ruinosa para o Estado de São
Paulo, porque deixou dívidas, junto ao Banespa, de 8,5 bilhões de dólares, porque deixou de
pagar os fornecedores, porque acumulou dívidas de bilhões de dólares, porque inchou a folha
de pagamento do Estado com nomeações de afilhados políticos, porque desestruturou a
administração pública etc., o partidário do ex-governador, para argumentar, terá de responder
a todos esses fatos.
São diversos os recursos argumentativos utilizados pelo autor para fundamentar sua
opinião. O importante mesmo é a forma como o argumento é apresentado, pois precisa ser
CONSISTENTE, passando para o leitor um valor de verdade.
Os principais procedimentos argumentativos são: comparação; definição; relações de
causa e conseqüência; enumeração e ordenação por espaço e tempo.

 Estilo do Texto
Os projetos de pesquisa são elaborados com a finalidade de serem lidos por professores
pesquisadores incumbidos de analisar suas qualidades e limitações. Espera-se, portanto, que
seu estilo seja adequado a esses propósitos. Embora cada pessoa tenha seu próprio estilo, ao se
redigir o projeto, convém atentar para certas qualidades básicas da redação, que são
apresentadas a seguir.

a) lmpessoalidade
O relatório deve ser impessoal. Convém, para tanto, que seja redigido na terreira pessoa.
Referências pessoais, como "meu projeto", "meu estudo" e "minha tese" devem ser evitadas.
São preferíveis expressões como: "este projeto", "o presente estudo" etc.

b) Objetividade
O texto deve ser escrito em linguagem direta, evitando-se que a seqüência seja desviada
com considerações irrelevantes. A argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em
considerações e opiniões pessoais.

c) Clareza
As idéias devem ser apresentadas sem ambigüidade, para não originar interpretações
diversas. Deve-se utilizar vocabulário adequado, sem verbosidade, sem expressões com duplo
sentido e evitar palavras supérfluas, repetições e detalhes prolixos.

d) Precisão
Cada palavra ou expressão deve traduzir com exatidão o que se quer transmitir, em
especial no que se refere a registros de observações, medições e análises. As ciências possuem
15

nomenclatura técnica específica que possibilita conferir precisão ao texto. O redator do


relatório não pode ignorá-las. Para tanto, deverá recorrer a dicionários especializados e a
outras obras que auxiliem na obtenção de precisão conceitual.
Deve-se evitar o uso de adjetivos que não indiquem claramente a proporção dos objetos,
tais como: pequeno, médio e grande, bem como expressões do tipo: quase todos, uma boa
parte etc. Também devem ser evitados advérbios que não explicitem exatamente o tempo, o
modo e o lugar, como, por exemplo: recentemente, antigamente, lentamente, algures, alhures e
provavelmente. Deve-se preferir, sempre que possível, o uso de termos passíveis de
quantificação, já que são estes os que conferem maior precisão ao texto.

e) Coerência
As idéias devem ser apresentadas numa seqüência lógica e ordenadas. Poderão ser
utilizados tantos títulos quanto forem necessários para as partes dos capítulos; sua redação,
porém, deverá ser uniforme, iniciando-se ou com verbos ou com substantivos.
O texto deve ser elaborado de maneira harmoniosa. Para tanto, deve-se conferir especial
atenção à criação de parágrafos. Cada parágrafo deve referir-se a um único assunto e iniciar-se
de preferência com uma frase que contenha a idéia-núcleo do parágrafo - o tópico frasal. A
essa idéia básica associam-se pelo sentido outras idéias secundárias, mediante outras frases.
Deve-se também evitar a criação de um texto no qual os parágrafos sucedem-se uns aos outros
como compartimentos estanques, sem nenhuma fluência entre si (transições).
A estrutura do parágrafo tem analogia com a estrutura da frase. As frases que se seguem
à frase introdutória trazem informações adicionais a propósito daquele tópico que o autor
deseja discutir. Um parágrafo é, portanto, formado por duas fases: a questão e sua discussão,
sendo de certa forma, uma microtese! Assim como nas frases, deve-se guardar as informações
mais novas e originais para o final do parágrafo.

Observações finais:
 Expressões corriqueiras da linguagem oral de uma profissão podem ser
totalmente inadequadas em um trabalho escrito. Exemplos: pegar uma veia, rodar
um EEG, tirar a pressão, entre outros.
 Não se deve utilizar a abreviatura etc... na monografia. Substitua por “entre
outros” ou “entre outras”.
 Utilizar palavras erradas é o maior dos pecados! Deve-se consultar dicionários
sempre que houver dúvida!
 Nunca atribuir propriedades e ações humanas a coisas. Exemplos: O trabalho
conclui que...; A literatura refere que...; O tumor tem predileção pelas pregas
vocais ...; A tabela 3 mostra as características...

f) Concisão
O texto deve expressar as idéias com poucas palavras. Convém, portanto, que cada
período envolva no máximo duas ou três linhas. Períodos longos, abrangendo várias orações
subordinadas, dificultam a compreensão e tornam pesada a leitura. Não se deve temer a
multiplicação de frases, pois, à medida que isso ocorre, o leitor tem condições de entender o
texto sem maiores dificuldades.
Quando os períodos longos forem inevitáveis, convém colocar na primeira metade as
palavras essenciais: o sujeito, o verbo e o adjetivo principal. Isso porque as palavras da
primeira parte da mensagem são mais facilmente memorizáveis. Quando, porém, são feitas
intercalações com muitas palavras separando o sujeito e o verbo principal, o entendimento
torna-se mais difícil.
16

g) Simplicidade
A simplicidade, paradoxalmente, constitui uma das qualidades mais difíceis de serem
alcançadas na redação de um relatório ou monografia. É comum as pessoas escreverem mais
para impressionar do que para expressar. Também há os que julgam indesejável empregar
linguagem familiar num trabalho científico. Essas posturas são injustificáveis. Devem ser
utilizadas apenas as palavras necessárias. O uso de sinônimos pelo simples prazer da variedade
deve ser evitado. Também se deve evitar o abuso dos jargões técnicos, que tornam a prosa
pomposa, mas aborrecem o leitor. Convém lembrar que o excesso de palavras não confere
autoridade a ninguém; muitas vezes constitui artifício para encobrir a mediocridade.

h) Formatação
Tamanho do Papel – A 4 (210 x 297mm)
Alinhamento do Documento:Para efeito de alinhamento, não devem ser usados barras,
travessões, hífens, asteriscos e outros sinais gráficos na margem lateral direita do texto, que
não deve apresentar saliências e reentrâncias.
Margem Superior - 3,0 cm
Margem Inferior - 2,0 cm
Margem Esquerda - 3,0 cm
Margem Direita - 2,0 cm
Espaçamento entre linhas – A partir da Introdução, todo o corpo do texto deverá ser digitado
em espaçamento entrelinhas 1,5. O espaço é simples nas notas de rodapé, nas citações em
destaque (com mais de 3 linhas) e nas Referências.
Tipos de Fonte Arial ou Times New Roman, estilo normal, cor preta
Tamanho da Fonte – 12 para o corpo do trabalho e 10 para o Resumo, notas de rodapé, e nas
citações em destaque da margem.
Parágrafos - Deverão iniciar-se a 2, 0 cm a partir da margem esquerda do texto. No
computador, usar a régua, colocando o indicador da primeira linha abaixo do número 2,0
cm.
17

PARTE III – A TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO]

Um trabalho científico é uma aventura, uma expedição intelectual que se assemelha ao


ato de desvendar um mistério; é uma forma de exploração que nos leva a descobertas e a
tecnologia da informação tem um papel relevante como suporte para sua realização.
Existem diversos tipos de trabalhos científicos: trabalhos de síntese (sinopses e
resumos), resenhas críticas, trabalhos de divulgação científica (notas ou comunicações
científicas apresentadas oralmente em simpósios, congressos ou outros eventos científicos;
artigos em publicações periódicas), relatórios e informes científicos, trabalhos monográficos
e/ou acadêmicos (monografia, ensaio, trabalhos de conclusão de cursos de graduação e pós-
graduação lato sensu, dissertação de mestrado ou tese de doutorado) paper (texto escrito a
partir de uma comunicação oral) etc.
Diversos recursos de síntese são amplamente utilizados nas instituições de ensino
superior como método de estudo pessoal ou na construção dos trabalhos monográficos e/ou de
conclusão de curso. O fichamento, resumo, resenha, glossário, esquema, paper e sipnose, são
recursos úteis ao estudar, pois auxiliam na organização e memorização do conteúdo de textos,
além de facilitar e tornar mais rápida a pesquisa e a revisão de textos lidos. Muitos professores
utilizam esses recursos, pedindo resumos, resenhas e esquemas, como avaliação de leitura e
compreensão dos textos que utilizam.

3.1. TIPOS DE TRABALHO CIENTÍFICO - MÉTODOS DE ESTUDO


3.1.1 Resenha
Elaborar uma resenha é relacionar todas as propriedades de um objeto, enumerar seus
aspectos relevantes e descrever as circunstâncias que o envolvem. Filtrar apenas os aspectos
do tema que lhe interessam e é importante, porque um texto pode ter muitos aspectos
importantes (que entrariam em um resumo, por exemplo), mas, que não dizem respeito ao
assunto que lhe interessa. Para exemplificar digamos que você tivesse que fazer a resenha das
passagens vividas por um personagem de um romance, lá você encontraria vários
personagens, várias tramas, mas nada entraria na resenha a não ser aquilo que é relacionado
ao tal personagem.
A resenha pode ser descritiva ou pode ser também crítica, contendo julgamentos ou
apreciações do resenhador.
Para fazer uma resenha você deve, então definir para que finalidade ela vai servir e
escolher, dentro do texto, o assunto ou tema que lhe interessa. Uma resenha deve conter:
a. Uma parte descritiva com informações sobre o texto:
 Nome do autor;
 Título completo e exato da obra;
 Nome da editora e, se for o caso, da coleção de que faz parte a obra;
 Lugar e data da publicação;
 Número de volumes e páginas.
b. Uma parte com o resumo do conteúdo da obra:
 Rápida indicação do conteúdo total da obra e do ponto de vista adotado pelo autor
 Resenha que apresenta os pontos essenciais do texto relacionados aos aspectos que
interessam.
18

3.1.1.1 Resenha Crítica


Resenha Crítica é a apresentação do conteúdo de uma obra, acompanhada de uma
avaliação/comentário crítico. Expõe-se claramente e com certos detalhes o conteúdo da
obra, o propósito da obra e o método que segue para posteriormente desenvolver uma
apreciação crítica do conteúdo, da disposição das partes, do método, de sua forma ou estilo e,
se for o caso, da apresentação tipográfica, formulando um conceito do livro.
Para a elaboração da avaliação/comentário crítica, utilizam-se opiniões de diversos
autores da comunidade científica em relação às defendidas pelo autor e se estabelece todo tipo
de comparação com os enfoques, métodos de investigação e formas de exposição de outros
autores.
A resenha crítica deve ter um título original e a redação do trabalho deve ser feita de
maneira direta, ou seja, sem entretítulos. A passagem de uma parte para outra deve ficar
evidente pela organização, articulação e encadeamento das idéias. No que se refere a sua
estrutura, a resenha crítica têm três seções principais:
1) Introdução: uma breve apresentação que procura contextualizar o assunto, discutir sua
relevância e localizar o leitor no espaço e tempo. O objetivo da introdução é interessar o
leitor pela resenha e pelo tema em questão. A introdução deve ocupar entre 10% a 20% da
extensão total da resenha.
2) Desenvolvimento: Descrição do assunto- nesta seção, busca-se resumir (com ou sem
crítica) o conteúdo do tema, destacando os principais conteúdos relativos ao assunto. O
desenvolvimento deve ocupar entre 60% a 70% da extensão total da resenha. Ao final do
desenvolvimento é interessante fazer uma transição para a crítica.
3) Crítica: este é o momento de enfatizar sua própria opinião sobre o tema. Ao estudar e
analisar o assunto, o acadêmico reuniu uma grande quantidade de material. Desta forma,
muitos aspectos podem ser considerados e relacionados. Neste momento, é preciso
destacar de maneira ordenada as suas sugestões, propostas, críticas, conclusões e
considerações finais sobre o tema. A crítica deve ter entre 20% e 30% da extensão total da
resenha, apresentando um juízo objetivo e sintético sobre o assunto do trabalho.
4) Considerações finais
5) Bibliografia ou referências bibliográficas (ABNT).

Resenha crítica apresenta as seguintes exigências:


• Conhecimento completo da obra, não deve se limitar à leitura do índice, prefácio e de
um ou outro capítulo;
• Competência na matéria exposta no livro, bem como a respeito do método empregado;
• Capacidade de juízo crítico para distinguir claramente o essencial do supérfluo;
• Independência de juízo; o que importa não é saber se as conclusões do autor
coincidem com as nossas opiniões, mas se foram deduzidas corretamente;
• Correção e urbanidade; respeitando sempre a pessoa do autor e suas intenções;
• Fidelidade ao pensamento do autor, não falsificando suas opiniões, mas assimilando
com exatidão suas idéias, para examinar cuidadosamente e com acerto sua posição;
• Evidentemente, uma resenha crítica bem feita pode converter-se num pequeno artigo
científico e até mesmo num trabalho monográfico, podendo ser publicada em revistas
especializadas;
• A resenha crítica compreende uma abordagem objetiva (onde se descreve o assunto ou
algo que foi observado, sem emitir juízo de valor) e uma abordagem subjetiva
(apreciação crítica onde se evidenciam os juízos de valor de quem está elaborando a
resenha crítica);
19

• O cientista tem uma capacidade de juízo crítico mais desenvolvida. O aluno esforça-se
para o exercício de compreensão e crítica inicial;
• A resenha facilita o trabalho do profissional ao trazer um breve comentário sobre a
obra e uma avaliação da mesma;
• Na introdução o aluno deve apresentar o assunto de forma genérica até chegar ao foco
de interesse, ou ao ponto de vista o qual será focalizado. Uma vez apresentado o foco
de interesse, o aluno procura mostrar a importância do mesmo, a fim de despertar o
interesse do leitor. Por último, deixa-se claro, o caminho/método que orienta o
trabalho;
• A descrição do assunto do livro, texto, artigo ou ensaio compreende a apresentação das
idéias principais e das secundárias que sustentam o pensamento do autor. Para facilitar
a descrição do assunto sugere-se a construção dos argumentos por progressão, que
consiste no relacionamento dos diferentes elementos, mas encadeados em seqüência
lógica, de modo a haver sempre uma relação evidente entre um elemento e o seu
antecedente;
• A apreciação crítica deve ser feita em termos de concordância ou discordância,
levando em consideração a validade ou a aplicabilidade do que foi exposto pelo autor.
Para fundamentar a apreciação crítica, deve-se levar em conta a opinião de autores da
comunidade científica, experiência profissional, a visão de mundo e a noção histórica
do país;
• Nas considerações finais, deve-se apresentar as principais reflexões e constatações
decorrentes do desenvolvimento do trabalho. As referências bibliográficas seguem a
NBR-6023 de 2000 da ABNT sobre referências bibliográficas.

A resenha crítica, além de conter todos os elementos já citados, inclui também julgamentos
e comentários do resenhador sobre as idéias do autor, sempre bem fundamentados.

3.1.1.2 Resenha Bibliográfica


Resenha, recensão, revista de livros ou análise bibliográfica é uma síntese ou um
comentário dos livros publicados feitos em revistas especializadas das várias áreas da ciência,
das artes e da filosofia. As resenhas têm papel importante na vida científica de qualquer
estudante e dos especialistas, pois é através delas que se toma conhecimento prévio do
conteúdo e do valor de um livro que acaba de ser publicado, fundando-se nesta informação a
decisão de se ler o livro ou não, seja para o estudo seja para um trabalho em particular. As
resenhas permitem, como já se viu, operar uma triagem na bibliografia a ser selecionada
quando da leitura de documentação para a elaboração de um trabalho científico.

3.1.1.3 Resenha Informativa


Limita-se a expor o conteúdo do texto resenhado com a maior objetividade possível.
Exigem capacidade de síntese, relativa maturidade intelectual, domínio do assunto do texto
abordado, muita sobriedade e base nas diretrizes da leitura analítica. A elaboração de resenhas
concretiza o desejo de os estudantes contribuírem às revistas especializadas de sua área e uma
efetiva maneira de se iniciar no campo das publicações.

3.1.2 Resumo
Resumir é apresentar de forma breve, concisa e seletiva um certo conteúdo. Isto
significa reduzir a termos breves e precisos a parte essencial do texto original. Não cabem no
resumo comentários ou julgamentos pessoais a respeito do que está sendo resumido. Muitas
20

pessoas fazem o resumo de maneira errada apenas produzindo partes ou frases do texto
original, e elaborando-o à medida que lêem. Para elaborar um bom resumo é necessário
compreender antes todo o conteúdo do texto. Não é possível resumir um texto à medida que
se faz a primeira leitura e a reprodução de frases do texto, em geral, indica que ele não foi
compreendido.
Para elaborar um resumo é preciso muito cuidado para tentar captar o plano geral da
obra e seu desenvolvimento, bem como as principais idéias contidas no trabalho original
(idéia central e propósitos do texto). O resumo “é uma condensação do estudo, mencionando
as principais contribuições do trabalho para sociedade científica e para os leitores de forma
geral e, ainda, uma visão rápida e clara do conteúdo das conclusões” (FACHIN, 2001, p. 162).
Portanto, saber fazer um bom resumo de textos lidos é uma técnica de grande auxílio no
percurso acadêmico de um aluno, em especial por lhe permitir recuperar rapidamente idéias,
conceitos e informações com as quais ele terá que lidar ao longo de seu curso. É uma boa
maneira de compreender e memorizar o texto, além de facilitar o trabalho caso ele tenha que
ser revisto posteriormente.
Fazer um bom resumo não é tão fácil quanto parece, é uma habilidade que deve ser
aprendida e aplicada. Quem resume apresenta, com as próprias palavras os pontos
relevantes de um texto, procurando expressar suas idéias essenciais na progressão e no
encadeamento em que aparecem. Ou seja, ao fazer um resumo é importante não perder de
vista três elementos:
 As partes essenciais do texto;
 A progressão em que elas se sucedem;
 A correlação entre cada uma dessas partes.
Em geral um bom resumo deve ser:
 Breve e conciso: no resumo de um texto, por exemplo, devemos deixar de lado os
exemplos dados pelo autor, detalhes e dados secundários;
 Pessoal: um resumo deve ser sempre feito com suas próprias palavras. Ele é o
resultado da sua leitura de um texto;
 Logicamente estruturado: um resumo não é apenas um apanhado de frases soltas. Ele
deve trazer as idéias centrais (o argumento) daquilo que se está resumindo. Assim, as
idéias devem ser apresentadas em ordem lógica, ou seja, como tendo uma relação
entre elas. O texto do resumo deve ser compreensível.

Como fazer um bom resumo?


1. Ler o texto inteiro ininterruptamente e tente responder a seguinte pergunta: De que se trata
o texto? É preciso compreender o texto e ter uma noção do conjunto antes de fazer o
resumo;
2. Reler o texto e tentar compreender melhor o significado das palavras difíceis. Recorra ao
dicionário se necessário tentando identificar o sentido de frases mais complexas. Elaborar
um glossário do texto para facilitar seu trabalho e agilizar a leitura;
3. Tentar fazer uma segmentação do texto, agrupando idéias que tenham alguma unidade de
significação. Para texto pequeno, pode-se dividi-lo em parágrafos; e textos maiores
sugere-se que o melhor e mais funcional é dividi-lo por subtítulos;
4. Finalizando, redigir o resumo com suas palavras, procurando condensar e encadear os
segmentos na progressão em que sucedem no texto e estabelecendo relações entre eles.

Atenção: quando o resumo refere-se a uma obra completa, é chamado de sipnose.

O resumo tem várias utilizações. Isto significa também que existem vários tipos de
resumo. Resumos como parte de uma monografia, antes de um artigo, em catálogos de
21

editoras, em revistas especializadas, em boletins bibliográficos, etc. Por isso, antes de fazer
um resumo você deve saber a que ele se destina, para saber como ele deve ser feito. Em linhas
gerais, costuma-se dizer que há 3 tipos usuais de resumo: o resumo indicativo, o resumo
informativo e o resumo crítico (ou resenha).

3.1.2.1 Resumo Indicativo ou Descritivo


Também conhecido como abstract (resumo, em inglês), este tipo de resumo apenas
indica os pontos principais de um texto, sem detalhar aspectos como exemplos, dados
qualitativos ou quantitativos, etc. Um bom exemplo deste tipo de resumo são as sinopses de
filmes publicadas nos jornais. Ali você tem apenas uma idéia do enredo de que trata o filme.

2.2.2 Resumo Informativo ou Analítico


Também conhecido, em inglês, como summary, este tipo de resumo informa o leitor
sobre outras características do texto. Se o texto é o relatório de uma pesquisa, por exemplo,
um resumo informativo não diz apenas do que trata a pesquisa (como seria o resumo
indicativo), mas informa as finalidades da pesquisa, a metodologia utilizada e os resultados
atingidos. A principal utilidade dos resumos informativos no campo científico é auxiliar o
pesquisador em suas pesquisas bibliográficas.

3.1.2.2. Resumo Crítico ou Resenha


Este é, provavelmente, o tipo de resumo mais pedido pelos professores ao longo de um
curso seja de graduação ou pós-graduação. O resumo crítico é uma redação técnica que avalia
de forma sintética a importância de uma obra científica ou literária.
Quando um resumo crítico é escrito para ser publicado em revistas especializadas, é
chamado de Resenha. Ocorre que, por costume, os professores tendem a chamar de resenha o
resumo crítico elaborado pelos estudantes como exercício didático. A rigor, só se escreverá
uma resenha no dia em que o resumo crítico for publicado em uma revista. Até lá, o que se faz
é um resumo crítico.
Mas não deixam de estar certos os professores que dizem que resenha não é resumo. A
resenha (ou resumo crítico) não é apenas um resumo informativo ou indicativo. A resenha
pede um elemento importante de interpretação de texto.
Antes de começar a escrever seu resumo crítico você deve se certificar de ter feito uma
boa leitura do texto, identificando:
1. qual o tema tratado pelo autor?
2. qual o problema que ele coloca?
3. qual a posição defendida pelo autor com relação a este problema?
4. quais os argumentos centrais e complementares utilizados pelo autor para defender sua
posição?
Identificado todos estes pontos, que devem estar retratados no esquema do texto, já se tem
material para escrever metade do resumo crítico. Este material já é suficiente para fazer um
resumo informativo, mas, para um resumo crítico, falta a crítica, ou seja, a análise sobre o
texto. E o que é esta análise? A análise é, em síntese, a capacidade de relacionar os elementos
do texto lido com outros textos, autores e idéias sobre o tema em questão, contextualizando o
texto que está sendo analisado. Para fazer a análise, deve-se ter:
 informações sobre o autor, suas outras obras e sua relação com outros autores;
 elementos para contribuir para um debate acerca do tema em questão;
 condições de escrever um texto coerente e com organicidade.
A partir daí pode-se escrever um texto que, em linhas gerais, deve apresentar:
22

 nos parágrafos iniciais, uma introdução à obra resenhada, apresentando o assunto/


tema;
 o problema elaborado pelo autor;
 e a posição do autor diante deste problema;
 no desenvolvimento, a apresentação do conteúdo da obra, enfatizando:
 as idéias centrais do texto;
 os argumentos e idéias secundárias;
 por fim, uma conclusão apresentado sua crítica pessoal, ou seja:
 uma avaliação das idéias do autor frente a outros textos e autores;
 uma avaliação da qualidade do texto, quanto à sua coerência, validade, originalidade,
profundidade, alcance, etc.
É bom lembrar que estes passos não são uma norma rígida. Esta é a estrutura usual de
resenhas, mas como a resenha é um texto escrito para publicação em revistas especializadas,
cada revista cria suas próprias regras. Questões como onde escrever o nome do resenhista (se
abaixo do título, no final, a quantos centímetros da margem), quantos parágrafos utilizar, o
número mínimo e máximo de linhas, a utilização de tópicos e subtítulos, etc., tudo isso é
definido pela revista que for publicar a resenha. Por isso, sempre que um professor pedir para
você fazer uma “resenha” (um resumo crítico, já que não será publicado) você deve pedir que
ele lhe dê este parâmetros. Se o professor não se pronunciar, sinta-se livre para decidir como
apresentar a resenha, desde que respeitando a estrutura geral apresentada e as normas de bom
senso para redação de trabalhos.

3.1.2.3 Diferença entre Resumo e Resenha


Para se fazer um resumo ou uma resenha é necessário que se faça primeiramente uma
boa leitura.
E, para um melhor entendimento de um texto, você pode fazer a leitura em duas etapas:
1ª) Ler para se ter à visão do conjunto do tema;
2ª) Retomar a leitura com maior atenção e sinalizar tópicos frasais de maior relevância.
Então, depois de realizada a leitura, cabe decidir se fará resumo ou resenha.
RESUMO RESENHA
É a condensação de conteúdo, sem Não deixa de ser uma condensação do
análise crítica ou interpretação. Deve ter o texto, mas também há a análise interpretativa
mesmo vocabulário do autor e seguir a mesma do texto lido.
ordem do texto. É um resumo crítico, deve existir uma
O resumo deve ter: apreciação crítica sobre a obra. Como fazer a
a) brevidade resenha?
b) claridade Para fazer a resenha, deve-se
c) fidelidade primeiramente resumir o conteúdo e depois
fazer a transição para a crítica, seguindo o
esquema:
a) introdução
b) desenvolvimento
c) conclusão
d) crítica (quando for feita a parte)
A resenha é muito utilizada em jornais e
revistas
Se não houver segurança no tema é
melhor chamar o trabalho de comentário
ou fichamento.
23

3.1.3. Ensaio
O ensaio é um "estudo bem desenvolvido, formal, discursivo e concludente, consistindo em
exposição lógica e reflexiva e em argumentação rigorosa com alto nível de interpretação e
julgamento pessoal. No ensaio há maior liberdade por parte do autor, no sentido de defender
determinada posição sem que tenha que se apoiar no rigoroso e objetivo aparato de
documentação empírica e bibliográfica. De fato, o ensaio não dispensa o rigor lógico e a
coerência de argumentação e por isso mesmo exige grande informação cultural e muita
maturidade intelectual" (SEVERINO, 1976, p.153). "É uma exposição metodológica dos
assuntos realizados e das conclusões originais a que se chegou após apurado o exame de um
assunto. O ensaio é problematizador, antidogmático e nele deve se sobressair o espírito crítico
do autor e a originalidade" (MEDEIROS, 2000, p. 112).

3.1.4. Esquema
O esquema é um registro gráfico (bastante visual) dos pontos principais de um determinado
conteúdo. Não há normas para elaboração do esquema, ele deve ser um registro de utilidade
pessoal, por isso, é muito particular a definição da melhor maneira de fazê-lo. É uma técnica
muito útil para fazer uma revisão rápida antes de provas ou de seminários.
Um roteiro de esquema:
 Ler o texto todo uma vez ininterruptamente para se ter uma compreensão de todo o
conteúdo;
 Ler o texto novamente por parágrafos, subtítulos ou capítulos (a divisão se escolhe de
acordo com o tamanho do texto que precisa estudar);
 Anote as palavras chaves, as frases que contém os conceitos mais importantes, coisas
que ao ler se lembra do resto do conteúdo;
 evidenciar o esqueleto do texto (ou da aula, do filme, da palestra, etc.) em questão,
apresentando rapidamente a organização lógica das idéias e a relação entre elas.
 ser o mais fiel possível ao texto, limitando-se a reproduzir e compreender o conteúdo
esquematizado.
 colocar estes itens no papel como uma seqüência ordenada por números (1, 1.1, 1.2, 2,
etc.) para indicar suas divisões;
 utilizar símbolos para relacionar as idéias esquematizadas, como setas para indicar que
uma idéia leva à outra, sinais de igual para indicar semelhança ou cruzes para indicar
oposição, etc.
 é igualmente útil utilizar chaves ({) ou círculos para agrupar idéias semelhantes.
Não importa que códigos se usa no esquema, pois ele é de uso pessoal. O importante é
que ele seja útil, ou seja, permita recuperar rapidamente o argumento e as idéias de um texto
com uma simples visualização.

3.1.5 Fichamento
Fichamento é uma forma de investigação que se caracteriza pelo ato de fichar
(registrar) todo o material necessário à compreensão de um texto ou tema.
Excelente maneira de manter um registro de tudo que se lê. Depois de fazer um bom
fichamento de um texto, ou livro, não será necessário recorrer ao original novamente, fazendo
com que se ganhe tempo. Além disso, durante o processo de fazer o fichamento adquiri-se
uma compreensão maior do conteúdo do texto. Mas o que é fichamento? Para explicar o que é
fichamento é melhor explicar antes o que não é: fichamento: não é resumo, embora possa
conter resumos; fichamento não paráfrase, embora possa conter paráfrases do autor.
24

Fichamento é basicamente o arquivo do texto que se lê contendo a referência e o que se


entendeu do conteúdo do texto de uma obra, de um texto ou mesmo de um tema.
O fichamento de uma obra ou texto deve apresentar os seguintes itens:
 Indicação bibliográfica – mostrando a fonte da leitura
 Resumo – sintetizando o conteúdo da obra. Trabalho que se baseia no esquema (na
introdução pode fazer uma pequena apresentação histórica ou ilustrativa).
 Citações – apresentando as transcrições significativas da obra.
 Comentários – expressando a compreensão crítica do texto, baseando-se ou não em
outros autores e outras obras.
 Ideação – colocando em destaque as novas idéias que surgiram durante a leitura
reflexiva.
Para fazer o fichamento de uma obra ou texto deve-se:
1. Ler o texto inteiro uma vez ininterruptamente;
2. Ler o texto novamente, grifando, fazendo anotações e procurando entender o que o autor
quer dizer em cada parágrafo.
3. Fazer o fichamento;

Fichamento: como fazer


É uma das fases da Pesquisa Bibliográfica, seu objetivo é facilitar o desenvolvimento das
atividades acadêmicas e profissionais. Pode ser utilizado para:
 Identificar as obras;
 Conhecer seu conteúdo;
 Fazer citações;
 Analisar o material;
 Elaborar a crítica;
 Auxiliar e embasar a produção de textos;

Classificação de Fichamento:
FICHAMENTO BIBLIOGRÁFICO - consiste em resenha ou comentário que dê idéia do que
trata a obra, sempre com indicação completa da fonte. Pode ser feito também a respeito de
artigos ou capítulos isolados, a arquivado segundo o tema ou a área de estudo. O Fichamento
bibliográfico completa a documentação textual e temática e representa um importante
auxiliar do trabalho de estudantes e professores.

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil . São


Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

A obra insere-se no campo da história e da antropologia social. A autora utiliza-se de


fontes secundárias colhidas por meio de livros, revistas e depoimentos. A abordagem é
descritiva e analítica. Aborda os aspectos históricos da condição feminina no Brasil a
partir do ano de 1500. A autora descreve em linhas gerais todo o processo de lutas e
conquistas da mulher.

FICHAMENTO TEMÁTICO - reúne elementos relevantes (conceitos, fatos, idéias,


informações) do conteúdo de um tema ou de uma área de estudo, com título e subtítulos
destacados. Consiste na transcrição de trechos de texto estudado ou no seu resumo, ou, ainda,
25

no registro de idéias, segundo a visão do leitor. As transcrições literais devem vir entre aspas
e com indicação completa da fonte (autor, título da obra, cidade, editora, data, página). As
que contêm apenas uma síntese das idéias dispensam as aspas, mas exigem a indicação
completa da fonte. As que trazem simplesmente idéias pessoais não exigem qualquer
indicação.

Educação da mulher: a perpetuação da injustiça (pp. 30 – 132). Segundo capítulo.


TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil . São
Paulo: brasiliense, 1993.

“ uma das primeiras feministas do Brasil, Nísia Floresta Augusta, defendeu a abolição da
escravatura, ao lado de propostas como educação e a emancipação da mulher e a
instauração da República” (p.30) “na justiça brasileira, é comum os assassinos de mulheres
serem absolvidos sob a defesa de honra” (p. 132) “a mulher buscou com todas forças sua
conquista no mundo totalmente masculino” (p.43)

FICHAMENTO DE CITAÇÕES Transcrição textual: reprodução fiel das frases que se


pretende usar na redação do trabalho

Educação da mulher: a perpetuação da injustiça (pp. 30 – 132). Segundo capítulo.


TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil . São
Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

O trabalho da autora baseia-se em análise de textos e na própria vivência nos


movimentos feministas, como relato de uma prática. A autora divide seu texto em fases
históricas compreendidas entre Brasil Colônia (1500 – 1822), até os anos de 1975 em que
foi considerado o Ano Internacional da Mulher. A autora trabalha ainda assuntos como
mulheres da periferia de São Paulo, a luta por creches, violência, participação em greves,
saúde e sexualidade.

Papel branco Formato A4 Impressão em face única


Espaçamento entre linhas: 1,5 Fonte: arial ou verdana Tamanho da fonte: 12
Paginação: parte superior à direita, a partir da página 2
Margens: Superior – 3 Inferior – 2 Esquerda – 3 Direita – 2

Sabe-se, por certo, que a investigação científica se alicerça, desde há muito, em


um conjunto de normas e princípios estabelecidos. Não obstante, no que se refere à estrutura
e apresentação formal de produtos resultantes dessa atividade — trabalhos científicos —
constatava-se a existência de uma diversidade de normas, formatos e/ou padrões,
institucionalizados ou não, dada a ausência de uma normalização específica para esse mister.

Essa lacuna foi finalmente preenchida com a publicação da “primeira edição” da


NBR 14724, pela Associação Brasileira de Normas Técnica (ABNT), em julho de 2001.
Baseada na ISO 7144:1986, e tendo como origem o Projeto 14:001.01-013:2001, a referida
norma especifica os "princípios gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos (teses,
dissertações e outros), visando sua apresentação à instituição", ordinariamente representada
26

por bancas ou comissões examinadoras designadas (ABNT, 2002c, p. 1, grifo nosso). Em


agosto 2002 foi editado o Projeto NBR 14724:2002, substituindo, a partir de 29.09.2002, a
NBR 14724:2001.

Assim, tendo como norte esta e outras referências normativas vigentes e


relacionadas (NBR 6023:2002; NBR 6024:1989; NBR 6027:1989; NBR6028:1990; NBR
6034:1989; NBR 10520:2002 entre outras), busca-se, apresentar e consolidar uma proposta
atualizada de estrutura e apresentação formal de trabalhos acadêmico-científicos,
particularmente os oriundos da pós-graduação — teses, dissertações ou monografias de
conclusão de curso, objetivando evitar orientações conflitantes e orientandos inseguros.

A forma de apresentação e procedimento de trabalhos acadêmico-científicos,


regulados segundo normas técnicas institucionalizadas, expressam em si fatores de
discriminação dos tipos e graus de alcance desses trabalhos.

Na pós-graduação, a elaboração de trabalhos científicos constitui, normalmente,


requisito parcial e obrigatório à obtenção de uma titulação, conforme o nível de formação
em curso, ou seja, mestrado e doutorado, em nível stricto sensu, ou especialização e
aperfeiçoamento, em nível lato sensu. Os produtos resultantes desses níveis de pós-
graduação recebem respectivamente a denominação de teses, dissertações e monografias ou
trabalho de conclusão de curso, conforme legislação federal vigente.

Exigência semelhante pode ser encontrada também na graduação, sob diferentes


nomenclaturas (Trabalho de Conclusão de Curso — TCC, Monografia de Conclusão de
Curso — MCC, Trabalho de Graduação Interdisciplinar — TGI entre outros possíveis),
requeridos por inúmeros cursos desse nível.

Pode-se ainda, por extensão, incluir aqui os trabalhos acadêmicos desenvolvidos


em disciplinas de graduação e de pós-graduação. Mas, a despeito da denominação atribuída
a cada trabalho, conforme especificidade do nível de formação e do nível de investigação
que os precedem, são eles todos, em sua essência, trabalhos monográficos, visto que
apresentam uma estrutura geral básica.

Natureza do trabalho

1.Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TCC, MCC, TGI e outros) — trabalho


desenvolvido na graduação sobre um tema relacionado de formação, cuja finalidade é a conclusão
deste curso. Requer orientação técnica, metodológica e de conteúdo, que objetiva “calibrar” a
qualidade e aproveitamento do ensino oferecido. Pode ser considerado um trabalho de iniciação
científica, uma vez que seu desenvolvimento é calcado em processos e métodos próprios da ciência.

2 Paper :Segundo a ABNT (1989) paper é um pequeno artigo científico, elaborado sobre
determinado tema ou resultados de um projeto de pesquisa para comunicações em congressos
e reuniões científicas, sujeitos à sua aceitação por julgamento. Caracteriza-se pela
originalidade, ou seja, as reflexões devem ser do autor do paper. Se o seu autor apenas
compilou informações sem fazer avaliações ou interpretações sobre elas, o produto do seu
trabalho será um relatório e não um paper. Espera-se de que o escreve uma avaliação e/ou
interpretação dos fatos ou das informações que foram recolhidas, ou seja, o desenvolvimento
sintético de um ponto de vista acerca de um tema, de uma realizada e observada, de um texto,
27

uma tomada de posição definida e a expressão dos conhecimentos de forma original


(MEDEIROS, 1997, p. 187).

Os propósitos de um paper são quase sempre os de formar um problema, estudá-lo,


adequar hipóteses, cotejar dados, prover uma metodologia própria e, finalmente, concluir ou
eventualmente recomendar. Num paper a opinião do autor é velada e tem a aparência
imparcial e distante, não deixando transparecer tão claramente as crenças e as preferências do
escritor. Segue a mesma seqüência de um trabalho de pesquisa, devendo conter entre 15 a 20
laudas. O conteúdo de paper inclui:

 Introdução: formulação do tema, justificativa, objetivos, metodologia, delimitação do


problema, abordagem e exposição lógicas das idéias apresentadas.
 Desenvolvimento: exposição detalhada do que se disse na introdução e fundamentação
lógica das idéias apresentadas.
 Conclusão: busca da síntese dos resultados da pesquisa.
Este conteúdo é inserto num documento que contém: folha de rosto, sinopse, conteúdo,
bibliografia.
Como o tempo é restrito, a linguagem deve ser concisa, correta e precisa. Logo,
pressupõe-se que o apresentador tenha conhecimento do tema, saiba precisar a terminologia e
adequá-la à platéia e esteja preparado para responder as questões que surgirem durante o
evento.

3.Artigo : O artigo trata de problemas científicos, apresentando resultados de estudos e


pesquisas. Costuma ser publicado em jornais, revistas, anais ou outro órgão de divulgação
científica especializado. Uma das características básicas é sua dinamicidade, derivada da
extensão reduzida. Os artigos veiculam agilmente informações, abordagens atuais e, por
vezes, temas novos.
O modelo de estrutura e a formatação dos artigos científicos variam de acordo com as
exigências do corpo editorial dos respectivos periódicos científicos. Entretanto, geralmente
seguem um certo padrão quanto as partes apresentadas:
1) Preliminares: apresentação o cabeçalho (título e subtítulo do trabalho), autor(es),
credenciais e local de atividade do(s) autor(es).
2) Resumo e/ou Abstract: o resumo deve descrever sucintamente o conteúdo do artigo.
Apresenta uma breve apresentação do tema, objetivos, referencial de base, metodologia,
resultados e conclusões. Na grande maioria dos casos, é seguido de algumas palavras-chave
que estão diretamente relacionadas ao principal foco do conteúdo do artigo.
3) Corpo do artigo: a estrutura de um artigo científico pode variar conforme a área do
conhecimento e exigências para publicação. De um modo geral, o corpo do artigo é composto
de uma introdução, revisão da literatura, metodologia, análise e interpretação dos resultados e
conclusões.
4) Bibliografia ou referências bibliográficas (ABNT).
5) Anexos.
Os artigos podem ser de três tipos: analíticos, classificatórios ou argumentativos.
 Os analíticos descrevem, classificam e definem o assunto e levam em conta a forma e
o objetivo que se tem em vista.
 Os classificatórios fazem uma ordenação de aspectos de determinado assunto e a
explicação de suas partes.
 Os argumentativos enfocam um argumento e depois apresentam fatos que provam ou
refutam o mesmo.
28

4 Relatórios : Por relatório, deva-se entender o documento elaborado com a finalidade de


apresentar e descrever informações relativas a fatos vivenciados ou ouvidos, observados ou
até para a historiografia de serviços e experimentos. De um modo geral, os relatórios podem,
ser técnico-científico, que relata formalmente os resultados e progressos nas pesquisas
descrevendo-as de forma científica. Este relatório apresenta informações, conclusões e
recomendações em função do Organismo ou pessoa a que será submetido. Relatório de
Estágio, que apresenta informações e experiências adquiridas pelo estagiário durante
determinado período; contém informações sobre a empresa ou local, duração e atividades
desenvolvidas. Relatório Administrativo, elaborado por vários membros de uma organização
como objetivo de relatar a atuação administrativa de uma unidade ou de toda a organização.
Este é geralmente submetido ao diretor geral ou congênere ao término de um exercício.
Em termos gerais, a estrutura do relatório compõe-se de: Capa (autor, título, subtítulo,
classificação de segurança, local e ano de publicação), Folha de rosto (o que se acrescenta é o
nome do elaborador ou da organização responsável), Equipe técnica (Participantes, função
profissional, organização a que pertence, cargo no projeto), Agradecimento, Prefácio,
Sumário, Lista de figuras, Resumo, Elementos textuais (Introdução, desenvolvimento e resultados),
Relatórios (Estágio, Visita técnica, Administrativos, Progressivos), Tabelas, Citações, Notas de
rodapé, Ilustrações, Quadros, Data e Assinatura, Referência, apêndices e anexos.

5 Monografia
A monografia é uma peça de trabalho individual. Seu objetivo é desenvolver a
capacidade do aluno em compreender e explicar uma área especifica dentro do escopo geral
do curso.
É um produto textual dissertativo que trata de um assunto particular de forma
sistemática e completa. É um estudo realizado com profundidade e seguindo métodos
científicos de pesquisa e de apresentação de um assunto em todos os seus detalhes, como
contributo a uma ciência respectiva.
A etimologia de monografia, do grego monos (um só) e graphein (escrever), traduz a
característica essencial desse trabalho, ou seja, a redução da abordagem a um só assunto, a um
só problema. Isto posto, trata-se de uma dissertação sobre um assunto único.A amplitude de
utilização do termo, contudo, causa uma série de mal-entendidos. De um lado, monografia
pode representar qualquer trabalho escrito que versa sobre um determinado tema.
Por outro, tem uma aplicação mais restrita, implicando resultados de uma pesquisa. Uma
das finalidades básicas das monografias é atender as exigências dos cursos de nível superior.
Assim, a atribuição de diferentes graus: licenciatura e bacharelado, especialização, mestrado e
doutorado é condicionada à entrega de um trabalho monográfico.
A partir deste critério, costuma-se distinguir três níveis monográficos: a monografia, a
dissertação e a tese. A primeira denominação destinada à graduação e à pós-graduação lato
sensu (especialização); a segunda para a pós-graduação em nível de mestrado; e, a terceira,
para a pós-graduação em nível de doutorado.
O problema é que estas expressões não definem adequadamente os objetos. Assim,
sejam quais forem os níveis de exigência, todos são monográficos. Por outro lado, como todos
os textos são dissertativos, não faz sentido dizer que uma tese ou uma monografia não seja
uma dissertação. Por fim, monografias e dissertações podem ser teses, na medida que
defendam pontos de vista e façam a ciência progredir de alguma forma.
Conforme a sua finalidade última, poderíamos destacar as monografias de iniciação à
pesquisa e as científicas. No primeiro grupo estariam os trabalhos feitos na graduação e na
especialização; no segundo, as de mestrado e doutorado.
29

Ela deve ser apresentada em um relatório bem estruturado, incluindo resumo,


introdução, motivação e referencias aos trabalhos existentes. Sua forma de apresentação está
descrita em regras para apresentação.
Primeiramente é preciso escolher um assunto, descobrir um problema relevante que
mereça ser investigado cientificamente e tenha condições de ser formulado e delimitado
tecnicamente em função de uma pesquisa. Com base nesta, redige-se o trabalho com
originalidade e especificação de acordo com as normas de redação científica, devendo conter:
introdução, desenvolvimento e conclusão.

6. Dissertação
É um estudo teórico de natureza reflexiva, que consiste na ordenação de idéias sobre um
determinado tema. A característica básica da dissertação é o cunho reflexivo-teórico.
Geralmente é feita em final de curso de pós-graduação, stricto sensu em nível de mestrado,
com a finalidade de treinar os estudantes no domínio do assunto abordado e como forma de
iniciação à pesquisa mais ampla.
Na monografia (dissertação) para a obtenção do grau de mestre, além da revisão da
literatura, é preciso dominar o conhecimento do método de pesquisa e informar a metodologia
utilizada na pesquisa.
Dissertação científica ou simplesmente exercitação é o trabalho feito nos moldes da tese
com a peculiaridade de ser ainda uma tese inicial ou em miniatura. A dissertação tem ainda
finalidade didática, uma vez que constitui o grande treinamento para a tese propriamente dita.

7 Tese
Relato de pesquisa essencial para a obtenção do grau de doutor, livre-docente ou titular,
a tese deve revelar a capacidade de seu autor incrementar a área de estudo que foi alvo de seus
estudos. Seus itens basilares são: revisão de literatura, metodologia utilizada, rigor na
argumentação e apresentação de provas, profundidade de idéias e avanço dos estudos na
área.Um fator que caracteriza a tese é a originalidade. A dissertação deve revelar a capacidade
do pesquisador em sistematizar o conhecimento.
A tese, deve revelar a capacidade do pesquisador fornecer uma descoberta ou
contribuição para a ciência. Todavia, deve-se ter cuidado com o conceito de originalidade.
Originalidade significa pela própria etimologia 'volta às fontes', ou seja, um retorno à origem,
à essência, à verdade, ainda que esta verdade se tenha perdido, obscurecido ou olvidado. Isto
implica dizer que a relação que se faz entre originalidade e novidade ou singularidade não é
correta.
A exigência de originalidade como total novidade é equivocada dado que a ciência
avança na medida que acumula dados.
A tese é um avanço na área do conhecimento abordado. Tal característica impõe a
necessidade de comprovação, isto é, argumentos que corroborem a hipótese proposta. Isto
posto, o estilo da tese visa a tentar convencer o leitor sobre a verdade do exposto.

8 Projeto
Projeto é um documento escrito que tem por função explicitar o planejamento de uma
pesquisa científica. De um ponto de vista mais amplo, significa todo o processo de pesquisa,
desde a fase de planejamento, passando pela execução e terminando na elaboração do
relatório ou monografia.
O que diferencia um projeto de pesquisa de um anteprojeto é a intervenção da revisão da
literatura. No anteprojeto o pesquisador esboça suas primeiras tentativas de sistematização da
pesquisa, é uma fase essencial para o iniciante que, todavia, pode ser ignorada por um
pesquisador experiente.
30

O iniciante não tem ainda conhecimentos mais aprofundados sobre o tema, sobre a
metodologia adequada de implementação da pesquisa e de análise e interpretação dos
resultados. Ele precisa, então, obtê-los para que depois possa reavaliar o anteprojeto à luz dos
conhecimentos adquiridos.
Isto posto, um projeto é construído a partir da revisão do anteprojeto.Como todo
documento escrito, o projeto tem um padrão de organização das categorias que o constitui.
Formalmente, o documento possui três partes: as categorias pré-textuais, as categorias textuais
e as categorias pós-textuais.

3.2. APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS

3.2.1 Seminário
Tem sua origem na palavra “semente”, o que parece indicar que o seminário deve ser uma
ocasião de semear idéias ou de favorecer a sua germinação.
No plano acadêmico o seminário consiste num grupo de pessoas que se reúne com o
propósito de estudar um tema e/ou autor e/ou obra, sob a direção de um professor ou
autoridade na matéria, e resulta em exposição verbal oral disciplinada.
No seminário os alunos são agentes ativos de sua própria aprendizagem, e, em equipe
apresentam o assunto em função da pesquisa realizada.
Após esta exposição sucede-se o debate, a discussão e/ou reflexão sobre o exposto. Estas três
técnicas, abordam o seguinte:
 A Discussão - é um trabalho intelectual de interação de conceitos, conhecimentos ou
informações, sem posições tomadas ou pontos de vista a defender. É um trabalho de
colaboração intelectual entre alunos, em que cada um traz a sua contribuição em
esclarecimentos, dados, informes, etc., visando a melhor compreensão do assunto.
 O Debate - ao contrário da discussão, processa-se quando, em torno de um tema,
obra ou autor apresentam-se posições contrárias e firmadas. Cada estudante ou grupo,
defende seu ponto de vista. O debate é competição intelectual, é disputa científica,
enquanto a discussão é cooperação científica.
 Reflexão - É o exame de um assunto (tema/questões/problema), tentando maior
número possível de investigação, causa e efeitos. Supões uma pré-disposição para
meditar sobre o assunto e a detenção de conhecimentos profundos. Pode ser feita
individualmente ou em grupo.
O esquema global de um seminário supõe:
1. Espaço físico que possibilite o diálogo coletivo
2. Um coordenador e/ou professor que:
- apresente o tema e sua importância, estimulando a resposta a desafios, a seleção
de sub-temas específicos para trabalhos de pesquisa
 elabore um cronograma de apresentação de trabalhos
 organizar equipes e as assessore; e, exponha, ao início de cada seminário, o
cerne do assunto.

3.2.2 Painel
Consiste em desenvolver uma discussão (ver seminário) informal entre um grupo de pessoas
selecionadas, quer por serem autoridades na matéria, quer por estarem interessadas pelo
problema em questão, quer por representarem pontos de vista antagônicos. Não há
exposições. Há a colocação de informações e/ou opiniões e/ou fatos e/ou conceitos.
A finalidade fundamental do Painel é ajudar os alunos a analisar os diversos aspectos de um
tema, autor ou obra.
O esquema global do Painel supõe:
31

1. O coordenador e/ou professor - este, durante os trabalhos não deve expor os seus pontos de
vista, mas sim ouvir a todos e a todos estimular para que expressem adequadamente.
2. Os componentes do Painel - podem ser especialistas convidados, professores da escola ou
alunos devidamente preparados.
3. O auditório - tem papel ativo ou passivo, dependendo do que foi acertado antes do Painel.

3.2.3 Simpósio
É uma série de breves apresentações individuais de diversas pessoas sobre diferentes aspectos
de um mesmo tema e/ou autor. É uma técnica formal e pode ser realizado em apenas um dia
ou durante vários dias seguidos. Após cada apresentação pode seguir-se uma discussão ou um
debate ou uma reflexão.
Seu esquema global supõe:
1. Coordenador - incumbido de convidar os simposistas com bastante antecedência
propondo-lhe o assunto. É o responsável pela abertura da sessão.
2. Simposistas - são os expositores do tema ou obra e/ou ator em questão, devendo
respeitar o tempo pré-fixado, ou mencionar o período de tempo que levará sua
exposição.
3. Platéia - pode ou não ter participação ativa, dependendo do que foi determinado
antes do início do simpósio

3.2.4 Conferência
O Professor Alcides Abreu, em síntese, coloca que “a conferência consiste na
apresentação formal de um assunto, ou tema, por pessoa credenciada”.
Visa fornecer:
1. elementos básicos para os estudos realizados nos cursos;
2. informações complementares para melhor esclarecimento dos temas e estudo.
Normalmente, em complemento às conferências, seguir-se-á um período de debates,
sendo, por isso e, também, pelo seu cunho formal, vedada a intervenção, ou apartes,
durante sua realização.
32

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Maria Margarida & HENRIQUES, Antônio. Redação Prática: Planejamento,
estruturação e produção de textos. São Paulo: Atlas, 1999.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação –
trabalhos acadêmicos – apresentação: NBR 14724. Rio de Janeiro: ABNT, 2005.
DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.
ECO, Humberto. Como se faz uma tese. São Paulo: Perspectiva, 1989.
FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. São Paulo : Scipione, 1995.
MEDEIROS, João Bosco . Técnicas de Redação . 4 ed. São Paulo : Atlas, 1997.
___________ Redação Científica . 3 ed.. São Paulo : Atlas, 1997.
RICHARDSON, Roberto Jarry et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3 ed. São Paulo:
Atlas, 1999.
SANTOS, Antonio Raimundo. Metodologia científica: a construção do conhecimento. Rio
de Janeiro: DP&A, 1999.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22 ed. São Paulo:
Cortez, 2001.
33

ANEXOS

Exemplos de: Resumo – Resenha – Artigo –Paper


Modelos de Fichamentos.
Modelo de : Capa – Folha de Rosto
Citação
Referências
34

RESUMO
Ao elaborar um resumo para um evento, não se esqueça de inserir na parte superior do papel
as referências do estudo: autoria, título, nome do orientador (se houver), nome da instituição
de ensino e ano. Segue na página seguinte exemplo de resumo dotado das orientações
recomendadas anteriormente.

MODELO RESUMO

A biocompatibilidade de dois adesivos dentinários (Scotchbond Multi-Purpose – 3M e


Optibond Multi-Use – Kerr) foi avaliada por meio de implantes em tecido conjuntivo
subcutâneo de ratos. Os implantes foram realizados utilizando-se tubos de polietileno
preenchidos com os respectivos adesivos e inseridos em lojas cirúrgicas preparadas no dorso
de animais, os quais foram sacrificados nos períodos de observação de 14, 30, 60 e 84 dias.
Os tecidos circunjacentes aos implantes foram removidos, incluídos em parafina e corados
com hematoxilina e eosina para análise em microscopia óptica. Os resultados mostraram
moderado a discreto infiltrado inflamatório nos períodos iniciais de observação (14 a 30 dias)
e reparação da área nos períodos posteriores (60 a 84 dias), com formação de cápsula fibrosa
envolvendo todos os implantes. Os resultados obtidos nos permitiram concluir que: a) os dois
adesivos dentinários são biologicamente aceitáveis quando colocados em contato com o
tecido conjuntivo subcutâneo de ratos; b) houve reação do tecido conjuntivo subcutâneo de
ratos aos dois adesivos dentinários no período de observação de 14 dias, a qual persistiu
como adesivo Optbond Multi-Use-light cure-(Kerr) aos 30 dias; cidade) as reações teciduais
provocadas pelos dois adesivos nos períodos de observação de 60 e 84 dias foram
semelhantes e biologicamente aceitáveis.

Palavras-chave: Biocompatibilidade. Adesivos dentinário. Implante. Tecido conjuntivo


subcutâneo.

Exemplo de Resumo Indicativo

FEIT FEITOSA, Vera C. Campinas: Ed. Papirus, 3a. edição, 1997, 155 p.

Cientistas e tecnólogos são alertados para sua função de emissores no processo de


comunicação da ciência. A caracterização do receptor é proposta como ponto de
partida para a comunicação eficaz, já que orienta não só a determinação do conteúdo
do texto que se vai escrever - para o que são sugeridas técnicas como a dedução, a
indução, a série de perguntas - mas também a organização adequada das informações e
as decisões relativas à tecnicidade e grau de formalidade da linguagem que será
empregada. A seguir , a autora aborda o processo de redação, referindo-se às seções
tradicionais do texto técnico, quais sejam, introdução, corpo do trabalho e conclusão, e
apresentando recursos como figuras, tabelas, anexos, citações e notas. A parte final é
dedicada à revisão crítica do texto e à relação autor-revisor. Os anexos compreendem
informações sobre como fazer entrevistas, exemplos de esboços e de resumos, além de
trechos de textos técnicos que passaram por revisão lingüística com as explicações
pertinentes.
35

Resumo Informativo - é uma condensação do conteúdo que expõe objetivos, metodologia


resultados e conclusões, dispensando a leitura do texto. Corresponde ao que em inglês se
chama summary.

Exemplo de Resumo Informativo:

FEITOSA, V. Cristina. Redação de textos Científicos. 3a. edição, Campinas: Editora Papirus,
2007, 155 p

O livro tem por premissa a necessidade de se buscar maior eficácia comunicativa para o texto
técnico. A autora parte do princípio de que o relato escrito de pesquisas, obras, inovações - parte
inerente do dia-a-dia de cientistas e de tecnólogos - raramente atinge seu receptor como deveria. A
causa dessa falha está no fato de raramente o autor do texto técnico recorrer aos fundamentos
elementares da teoria da Comunicação, que poderiam orientá-lo não só na delimitação e
organização do conteúdo como também nas decisões Quanto à forma, ao estilo e aos recursos de
apoio - figuras, tabelas, notas e citações. O conteúdo do texto técnico deve ser determinado a
partir dos interesses informacionais do receptor. O autor, se procurar conhecer o para quê o
receptor precisa de informações que tem a transmitir, poderá chegar a uma hierarquização dos
itens de maior eficácia. A discussão do ato de redigir passa pela necessidade de se fazerem
rascunhos e pela natureza dos processos de escrever e de revisar. As seções tradicionais do texto
técnico são repensadas em termos de seu conteúdo informativo. Ênfase especial é dada à revisão
crítica e à relação que se estabelece entre o autor e revisor. São apresentados quatro anexos, sendo
que o primeiro trata da condução de entrevistas, o segundo exemplifica a elaboração de esboços, o
terceiro oferece exemplos de resumos, e o quarto - o mais extenso - aborda, de maneira didática
os principais problemas lingüísticos.
(....)

Modelos de Resenhas Críticas

Resenha publicada por Cristina Santos no Caderno de Técnicas de Estudo e Pesquisa em Educação

As ocupações Marginais na área Rural


MARCONI, Marina de Andrade. Garimpos e garimpeiros em Patrocínio Paulista. São Paulo:
CEACH, 1987, 152 p.
O texto caracteriza-se por uma coerência entre a parte descritiva, entre a consulta
bibliográfica e a pesquisa de campo. Tal harmonia difícil e às vezes não encontrada em todas
as obras, dá uma feição específica ao trabalho e eleva sua importância.
Os dados obtidos por levantamento próprio, com o emprego do formulário e entrevistas,
caracterizam sua originalidade.
O principal mérito deste estudo é ter dado uma visão global do comportamento do
garimpeiro, que difere da apresentada pelos escritores que abordam o assunto, mais
superficiais em suas analises, e evidenciando a colaboração que o garimpeiro tem dado, não
apenas à cidade de Patrocínio Paulista, mas a outras regiões, pois o fruto de seu trabalho
extrapola o município.
Entretanto, este estudo carece de uma análise mais profunda da inter-relação entre o
garimpeiro e o rurícula, em cujo ambiente às vezes trabalha, e o citadino, ao lado de quem
vive.
É um trabalho bastante detalhado quanto aos aspectos socio-culturais, porém não permite uma
generalização, por se ter restrito ao garimpo de diamantes em Patrocínio Paulista.

(....)
36

Resenha elaborada por Elizabeth Teixeira em: As três Metodologias; acadêmica, da ciência e da
pesquisa
LUCKESI, Cipriano. Filosofia da Educação. SP: Cortez, 1992. Capítulo 2

Considerando Luckesi (1992), em seu capítulo 2 da obra indicada na bibliografia, a educação pode
se discutida em sua conexão com a sociedade a partir de três dimensões que passaremos a tratar a
seguir> Cada dimensão tem características específicas e o autor garante que ainda está presente no
contexto educacional. Concordamos com essa afirmativa, pois temos presenciado as três posturas em
diversos ambientes de ensino.
A primeira dimensão é apresentada pelo autor com a denominação de Redentora. Essa
dimensão a escola é ativa em relação a sociedade (Escola=Sociedade). Essa ação da escola é para
integrar os elementos à sua estrutura, ao todo sociais; configurar e manter o corpo social; curar as
mazelas sociais; recuperar a harmonia perdida; restaurar o equilíbrio; reordenar o social; regenerar
os que estão à margem da sociedade.
Entendemos que tais atribuições à educação colocam-na na posição de salvadora e realmente
redentora desta sociedade conturbadora e confusa. O alvo dessa educação são as crianças. O
principal mentor intelectual é Comênio e sua obra sobre a didática. Tais características são evidentes
na educação tradicional escolanovista.
A Segunda dimensão apontada pelo autor é a Reprodutora. Aqui, a escola é totalmente
passiva diante da sociedade (escola=sociedade). Essa passividade reflete seu papel de mera
reprodutora no meio. Não há determinações, mas somente constatações. O autor aponta que: a
educação reproduz a sociedade; reproduz a força de trabalho; reproduz saberes práticos; ensina as
regras dos bons costumes; reproduz a submissão/capacidade de manejar. Enfim faz sujeição
ideológica.
Constatamos que nessa dimensão a educação deve priorizar o saber fazer e o saber
comportar-se. Ensinam-se uns a obedecerem e outros a mandarem. A sociedade surge como
condicionante do fazer educativo que é restrito a ser um aparelho ideológico do Estado. É através da
veiculação da ideologia do opressor que mantemos o oprimido submisso. O alvo dessa educação são
todas as faixas de ensino. O mentor intelectual dessa análise é Louis Althusser e a tendência
tecnicista é aquela onde é mais presente.
(...)
37

Resenha publicada por Israel Belo de Azevedo, no Jornal do Brasil, Rio de Janeiro.

HOORNAERT, Eduardo.(org). História da Igreja no Brasil: ensaio de interpretação a


partir do povo, primeira época. Petrópolis:Vozes, 1997, 442p.

Interpretar a história a partir da perspectiva dos oprimidos é uma tarefa por si mesma dificílima. os
vencidos não têm palavra. Os pobres não deixam vestígios. Para falar das virtudes dos vencedores não
faltam documentos. Eles os produzem e os guardam.
No Brasil, João Capistrano de Abreu (1853-1927) inaugura uma visão que, para compreender a
história, parte dos esforços dos cidadãos comuns. Firma-se nesta herança historiográfica o trabalho de
Eduardo Hoornaert e seus colaboradores.
Sua “História da Igreja no Brasil” se inscreve num projeto de uma história geral do Cristianismo
latino-americano, iniciada pela Comissão de estudos de História da Igreja na América latina, (CEHILA),
entidade que reúne historiadores das américas, para debates e pesquisas.
Eduardo Hoornaert, professor de história, no Instituto de teologia do recife, é a grande presença
nestas páginas; e quando ausente, seus colaboradores (...) trilham o seu caminho, o que torna a obra
bastante homogênea.
Conscientes de que sobre grande parte da população brasileira “pesa o silencio da repressão e
sobretudo o medo”(p.402), os autores procuram usar as fontes “simbólicas, capazes de dar a verdadeira
dimensão da história do Brasil e, especialmente, da história da Igreja católica.
Percorrendo os ciclos da expansão missionária desta primeira era colonial, o autor reconhece que a
estrutura eclesiástica sustentou “poderosa e definitivamente “estabelecimento de uma sociedade não
fraternal no Brasil”(p.249).
Para tanto, o cristianismo católico teve que se transformar para servir melhor, mesmo que esta
transformação se opusesse flagrantemente à mensagem evangélica.
O povo, entretanto, “vendido, traído, humilhado e sangrado não perdeu a sua dignidade, porque
soube transformar os símbolos da religião dos dominadores em símbolos de sua fé em Deus” (p.369). Foi
ele que guardou durante séculos a mensagem evangélica para o Brasil e continua a remir os numerosos
pecados do catolicismo da instituição eclesiástica, comprometido com o sistema.
Como se vê, esta “História da igreja no Brasil” não se esquiva de opinar, concluir e falar para hoje,
com uma atualidade impressionante, especialmente porque ela não quer que o leitor entenda o colonialismo
apenas como um período, mas como uma estrutura (....).
Uma história que recorde assim, de modo crítico os feitos da igreja em prol dos pobres e ao mesmo
tempo em cumplicidade com os poderosos, enfrentará, além da falta de documentos, a oposição daqueles
para quem a história da igreja é apenas um rio a arrastar suas glórias, nem que para isto seja preciso
esconder e desprezar a margem onde moram os derrotados, os oprimidos e os desesperançados.
38

Modelo de Fichamento
Ficha Bibliográfica

É a descrição, com comentários, dos tópicos abordados em uma obra inteira ou parte
dela. Exemplo:

A empresa quântica e a nova lógica (1)


A nova lógica da
.................................................. (3) 1 (4)
empresa (2)
NOBREGA, Clemente. Em busca da empresa quântica.. 2 ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999, 380
p.
(A empresa quântica e a nova lógica, 235)
Assim como acontece no mundo dos seres vivos, o prêmio das empresas é continuar existindo. O
futuro que se podia prever, extrapolando em linha reta, a partir do presente, é uma ilusão. Ninguém sabe
como será o amanhã. Temos de estar preparados para qualquer futuro. Dito, assim, pode parecer banal,
mas nossas cabeças foram moldadas segundo o pressuposto de que havia uma “coisa certa” a fazer, e que
inteligência era descobrir esses “certo”.
Bobagem. Os fins e as condições para atingi-los não são fixos nem estáveis. A complexidade diz
que essas coisas têm que ser vistas com conseqüências de processos adaptativos (processo de
aprendizado). Aqueles processos que permitem a emergência tanto daquilo que queremos, prevemos e
construímos, como também da novidade e do surpreendente. Esse processo é que permite à empresa
responder ao inesperado. Não podemos nem impor nem pressupor resultados ou métodos. O futuro é
aberto.
O autor continua com várias abordagens da reordenação das empresas que buscam
sobreviverem a um futuro incerto. (5)

Observação: Neste e nos outros exemplos de Fichas os números entre parênteses


representam o que está explicado abaixo:
(1) - Título do trabalho(*).
(2) - Seção primária do trabalho(*).
(3) - Seção secundária e terciária do trabalho, se houver(*).
(4) - Numeração do item a que se refere o fichamento(*).
(5) - Comentários ou anotações do pesquisador sobre a obra registrada.

Ficha de Resumo ou Conteúdo


É uma síntese das principais idéias contidas na obra. O pesquisador elabora esta síntese
com suas próprias palavras, não sendo necessário seguir a estrutura da obra.
39

Exemplo:

A empresa quântica e a nova lógica


A nova lógica da 1
.........................................................................................
empresa .

NOBREGA, Clemente. Em busca da empresa quântica.. 2 ed. Rio de Janeiro: Ediouro,


1999, 380 p.

(A empresa quântica e a nova lógica, 235)

O trabalho do autor baseia-se em análises e observações de empresas, usando sua


experiência como físico e executivo de marketing muito bem-sucedido para transpor para o
campo dos negócios as lições aprendidas no domínio da ciência.
O autor dividiu seu texto em vários momentos, contrapondo a ciência e a tecnologia, com
background científico – GALILEU, NEWTON, EINSTEIN - e demonstrando com exemplos
práticos – COCA X PEPSI, FORD X GENERAL MOTORS – através de uma linguagem clara
e excitante, o que o mundo dos negócios pode e deve aprender com as novas ciências.
A história é contada de uma forma estimulante e inspiradora numa linguagem com a qual
todos podem se identificar e que todos são capazes de entender.
E por fim traça um paralelo entre o desenvolvimento do pensamento contemporâneo em
ciência e em business e produz uma leitura viva e interessante.

Observação: Existem dois tipos de resumos:


a) Informativo: são as informações específicas contidas no documento. Nesta ficha
pode-se relatar sobre objetivos, métodos, resultados e conclusões. Sua precisão pode substituir
a leitura do documento original.
b) Indicativo: são descrições gerais do documento, sem entrar em detalhes da obra
analisada (o exemplo acima se refere a um resumo indicativo).

Ficha de Citações

É a reprodução fiel das frases que se pretende usar como citação na redação do
trabalho.

Exemplo:
40

A empresa quântica e a nova lógica


A nova
1
lógica da .........................................................................................
.
empresa
NOBREGA, Clemente. Em busca da empresa quântica.. 2 ed. Rio de Janeiro: Ediouro,
1999, 380 p.

(A empresa quântica e a nova lógica, 235)

"O futuro que podia prever, extrapolando em linha reta, a partir do presente, é uma ilusão.
Ninguém sabe como será o amanhã”. (p. 235)
“O cérebro humano, uma economia, uma colméia, um bando de andorinhas... Todas essas
coisas têm grupos de agentes distintos (neurônios, formigas, empresas, consumidores...) que, ao
exercitarem motivações individuais, acabam produzindo efeitos característicos de algo maior.
Algo que não pode ser deduzido a partir do comportamento de cada agente isoladamente, mas
que emerge das interações entre eles”. ( p. 236)

"Quer dizer, a metáfora da “mão invisível” pode dominar nossa maneira de abordar não só
os negócios, mas a nós mesmos, nossa sociedade e a natureza”. (p. 236)
“Minha empresa quântica passa, portanto, pela complexidade”. (p.236)

COMO APRESENTAR OS TRABALHOS - (NBR 14724/2002)

TAMANHO DO TRABALHO
Embora a extensão de um relatório varie muito, seja em razão da natureza da matéria, seja em função do
estilo do autor, alguns balizamentos para orientação podem ser de valia:
a) Relatórios técnicos, comunicações e outros trabalhos desta natureza terão a
extensão compreendida na faixa de 2 800 a 4.000 palavras, vale dizer em torno de 10 a
15 páginas.
b) Monografias, Trabalhos de Conclusão de Curso, estão em torno de 8.000 a
15.000 palavras, correspondendo a 30-50 páginas.
C) Dissertações de Mestrado se situarão na faixa de 20.000 a 30.000 palavras, o que
corresponde a 75-110 páginas.
d) Teses de Doutorado terão de 70.000 a 85000 palavras, isto é, se estenderão por 250 a 300
páginas.

ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS
Capa (obrigatório) / Folha de Rosto (obrigatório) / Folha de Aprovação (obrigatório)
Dedicatória (opcional) / Agradecimentos (opcional) / Epígrafe (opcional)
Resumo em língua vernácula (obrigatório) / Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
Lista de ilustrações (opcional) / Lista de tabelas (opcional)
Lista de abreviaturas e siglas (opcional) / Lista de símbolos (opcional)
Sumário (origatório)
Capa
Elemento de proteção do documento, obrigatório e traz as seguintes informações
indispensáveis aos trabalhos acadêmicos, na seguinte seqüência: a) nome da instituição
41

(opcional), nome do aluno ou equipe, em ordem alfabética, em caixa alta e centralizado; b)


título, subtítulo se houver, também em caixa alta e centralizado; c) cidade e ano. A inclusão
de outros elementos é opcional. As margens da capa serão diferentes do texto, assumindo os
seguintes parâmetros, conforme formato abaixo:

margem superior (3cm)

NOME DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR

NOME DO ALUNO

TÍTULO DO TRABALHO

margem esquerda
(3cm)

margem direita
2 cm

(cidade da instituição onde deve ser apresentado)


(ano da entrega)

margem inferior (2cm)

FOLHA DE ROSTO

Elemento obrigatório. Vem após a capa, trazendo as seguintes informações: cabeçalho -


esquerda da folha: (Nome da Instituição, Área, Curso, Turma, Data); Título do Trabalho - em
caixa alta e centralizado; Informações acerca do tipo de trabalho e da finalidade do mesmo -
direita da folha; Cidade da Instituição onde é apresentado o trabalho e Ano da apresentação –
centralizado. Atente para o formato abaixo:
42

margem superior (3cm)

NOME DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR

ÁREA DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

CURSO DE ....

TITULO DO TRABALHO

margem esquerda
(3cm)

margem direita
2 cm

Trabalho apresentado à Metodologia Geral, como requisito parcial


da avaliação, orientado pelo (a) professor (a) ***

(cidade da instituição onde deve ser apresentado)


(ano da entrega)
Margem inferior (2cm)
43

Folha de Aprovação: Deve conter o nome da Instituição , Nome do Curso. - Título do


trabalho - Nome do autor –local para parecer do professor.

margem superior (3cm)

NOME DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR

ÁREA DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

CURSO DE ....

TITULO DO TRABALHO

margem esquerda
(3cm)

margem direita
2 cm

Parecer do professor:
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________

Nota:____________
Data:____/___/__

(cidade da instituição onde deve ser apresentado)


(ano da entrega)
Margem inferior (2cm)
44

NORMAS DA ABNT - ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS

CITAÇÃO
Citação é a menção, no texto, de uma informação extraída de outra fonte.

 Objetivo da NBR-10520
Fixar as condições exigíveis para padronização e coerência da seguridade das fontes
indicadas nos textos dos tipos de documentos (ABNT, 2002).

 Tipos de citação
De acordo com a ABNT, as formas de citações mais conhecidas são: direta, indireta e citação
de citação.

 Citação direta, literal ou textual
Citações diretas, literais ou textuais: transcrição do trecho do texto de parte da obra do autor
consultado.
Espaçamento 1,5cm
Tamanho = 12

Exemplo :

Exemplo 2: A citação com menos de 4 linhas é colocada entre “aspas”

 Citação indireta ou livre

Citações indiretas ou livres é o texto baseado na obra do autor consultado (uso de paráfrase).
Exemplo 1: Indicação do Autor no começo do texto citar em Caixa Baixa seguida da data
45

Citação de citação
 Citação de citação é aquela em que o autor do texto não tem acesso direto à obra
citada, valendo-se de citação constante em outra obra.

Exemplo 1: Indicação dos Autores separados pela expressão “apud” ou “citado por”
46

 Citação de informação verbal

Os dados obtidos por informação oral (comunicação pessoal, palestras, apontamentos em


aula, etc.) podem ser citados e suas referências aparecerão apenas em nota de rodapé.

Exemplo:
____________________
1 English, therefore, is not a good language to use when programming. This has long been
realized by others who require to communicate instructions. (TEDD, 1977, p. 29)

No texto (comunicação pessoal):


VALE constatou que há indícios de cones de rejeição².
No texto
Vale ressaltar (apontamentos
que... em aula):
/ Em função disso... / A partir dessa reflexão, podemos dizer que... / É
importante ressaltar que... / Com base em (autor) queremos buscar caminhos... / É
A Internet é vista
necessário, como
pois, um grande
analisar... meio
/ Nesse de difusão
sentido, dos aspectos
ressaltamos que... da globalização³.
/ Coaduna-se com essas
 Formalização da citação
reflexões (autor) quando ressalta que... / Posto que [a leitura é sempre produção de
significados], consideramos que... / Daí a necessidade de... / Podemos inferir, com (autor)
Paraque...
formalizar
/ Assim,uma boa citação,
entendemos sugerimos
que... / Dessa algumas formas
perspectiva... para iniciar
/ Dessas um parágrafo
acepções, podemosno
texto acadêmico. Veja:
ressaltar que... / Disso decorre... / Assim sendo, salientamos que... / A partir desses
levantamentos, cabe-nos... / Contudo, ressalta (autor) que... / Podemos compreender, com
base em (autor) que... / Tais afirmações vêm de encontro ao que queremos... (no sentido
de choque) / Os estudos desses autores vêm o encontro de nossos anseios, no sentido de
mostrar que... (para somar) (ECKERT-HOFF1, 2001 apud FACULDADES NETWORK,
2002)
47

REFERÊNCIAS

Referência é conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite


a sua identificação individual. (NBR 6023, 2002, p. 2).

ELEMENTOS DA REFERÊNCIA
 Autor da obra

Inicia-se a referência pelo Sobrenome do autor em maiúsculo, seguido pelo nome. Emprega-se
vírgula entre sobrenome e nome.
Ex.: GARCIA, J.
Quando a obra possuir até três (3) autores, indicam-se todos, na mesma ordem em que aparecem na
obra, emprega-se ( ; ) entre os autores.
Ex: GARCIA, Juarez; SILVA, Jorge; SOUZA, Standilau.
____________________________
1ECKERTT-HOFF, B. M. Apostila de metodologia do trabalho científico. Nova Odessa: Fac.
Network, 2001
GARCIA, J.; SILVA, J.; SOUZA, S.
Quando a obra possuir mais de três (3) autores, menciona-se o primeiro, seguido da expressão et al.
Ex.: GARCIA, J. et al.
Quando houver indicação de responsabilidade por uma coletânea de vários autores, a entrada deve ser
feita pelo nome do responsável, (seguida da abreviatura entre parênteses).
Ex.: GARCIA, J. (Org.).
Indicação de parentesco no nome, manter a indicação em letra maiúscula.
Ex: BRITO FILHO, Dilermando.
AMATO NETO, Vicente.
Para entidades coletivas:
Órgãos de Administração governamental. (Ministério, Secretarias e outros).
Deve-se indicar a entrada pelo nome geográfico (País, Estado ou Município).
48

Ex.: BRASIL. Ministério da Saúde.


PARANÁ. Secretaria da Educação.
LONDRINA. Prefeitura Municipal.
Entidades independentes, empresas, universidades etc...
Ex.: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA.
CACIQUE CAFÉ SOLÚVEL.
IBGE.
Para publicações anônimas, entrar diretamente pelo título, sendo a primeira palavra impressa em
maiúsculo.
Ex.: A VIDA como ela é.
 Título da obra

O título deve ser reproduzido tal como aparece na obra, devendo ser destacado dos demais elementos
da referência (negrito, itálico ou sublinhado).
- Subtítulo
Indica-se o subtítulo após o título, precedido por dois pontos (:). O subtítulo não deve ser destacado.
Ex.: Sistema de retroação e controle: aplicações para engenharia, física e biologia.
 Edição

É indicada a partir da segunda edição, deve ser transcrita utilizando-se abreviaturas dos numerais
ordinais, na língua do documento.
Ex: 2. ed.
5th ed.
 Local

O local deve figurar na referência tal como aparece na publicação. Quando houver mais de um local,
indica-se o que estiver em destaque ou aparecer em primeiro lugar. Quando não for mencionado,
utilizar-se a expressão [S.l.].
 Editora

Deve ser citada tal como aparece na obra. Quando possuir mais de uma editora,indica-se a que
aparecer em destaque ou a que estiver em primeiro lugar. Suprimir as palavras, Editora, Ltda., Cia,
etc...

Se a Editora não estiver indicada na obra, utilizar a expressão [s.n.].


 Data

Quando houver dúvidas quanto à data


[2000?] Data provável.
[200 -] Para década certa.
[19 --] Para século certo.
[18 --?] Para século provável.
Obs.: Na ausência do local, editora e ano, abrir colchetes:
Ex: [S.l.: s.n., 19--].
[S.l.: s.n.], 1999.
São Paulo: [s.n., 19--].
49

ORDEM DOS ELEMENTOS DA REFERÊNCIA


 Livro no todo

SOBRENOME, Nome; SOBRENOME, Nome; SOBRENOME, Nome./Título./edição./Local de


publicação: Editora, ano.
EX: PINHO, Diva Benevides; VASCONCELOS, Marco Antonio Sandoval de. Manual de economia.
3.ed. São Paulo: Saraiva, 1998.
Com indicação de volume
BITTAR, Carlos Alberto. Curso de direito civil. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1994. v.2
(volume citado) Ou
BITTAR, Carlos Alberto. Curso de direito civil. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1994. 3v.
(quantidade de volumes da obra).
 Capítulo de livro

 Com autoria especial (autor do capítulo diferente do autor do livro

SOBRENOME, Nome./Título do capítulo./In: SOBRENOME, Nome./Título do livro./edição./Local:


Editora, ano. p. inicial-final.
Ex.: ARCHER, Earnest R. Mito da motivação. In: BERGAMINI, Cecília; CODA, Roberto (Org.).
Psicodinâmica da vida organizacional: motivação e liderança. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1997. p.23-46
 Sem autoria especial (quando o autor do livro for o mesmo do capítulo).

SOBRENOME, Nome. /Título do capítulo./In: ______./Título do livro./ edição./Local: Editora,


ano./p. inicial-final.
Ex: FOUCAULT, Michel. A prosa do mundo. In: ______. As palavras e as coisas. São Paulo: Martins
Fontes, 2000. p.23-58.
 Com indicação de volume

RODRIGUES, Silvio. Da cláusula penal. In: ______. Direito civil: parte geral das obrigações. 28.ed.
São Paulo: Saraiva, 2000. v.2, p.87-98
 Artigos periódicos

SOBRENOME, Nome (autor do artigo)./Título do artigo./Nome da Revista, Local, v., n., p.inicial -
final, mês ano.
Ex: PEIXOTO, Fábio. Sua empresa não quer fera. Exame, São Paulo, v.35, n.738, p.30-31, abr. 2001.
Obs.: abreviar o mês até a terceira letra, com exceção ao mês de maio.
 Artigos jornais

SOBRENOME, Nome (autor do artigo)./Título do artigo./Nome do Jornal, Local, dia mês e


ano./Caderno, p.
Ex: SILVA, Carlos José. O drama da economia. Folha de Londrina, Londrina, 23 abr. 1998. Caderno
Economia, p.4.
 Teses/dissertações/monografias

SOBRENOME, Nome./Título do trabalho./Ano./ Natureza do Trabalho (Nível e área do curso) -


Unidade de Ensino, Instituição, Local.
50

Ex: MONTAGNA, Adelma Pistun. Expressões de gênero no desenho infantil. 2001. Dissertação
(Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia.
 Documentos meios eletrônicos

 Páginas da Internet

SOBRENOME, Nome./Título da página./Disponível em:<http:/www.editora.com.br>. Acesso em: 23


maio 2001.
Ex: CALDAS, Juarez. O fim da economia: o começo de tudo. Disponível em:
<http:/www.caldasecon.com.br>. Acesso em: 23 abr. 2001.
 Artigos de periódicos (Internet)

SOBRENOME, Nome./Título do artigo./Nome da Revista, Local, v. , n. , mês ano. Disponível em:


<http:/www.editora.com.br> . Acesso em: 23 maio 2001.
Ex: BAGGIO, Rodrigo. A sociedade da informação e a infoexclusão. Ciência da Informação,
Brasília, v.29, n.2, maio/ago. 2000. Disponível em:
<http:/www.scielo.br/cgi-bin/wxis.exe/iah>. Acesso em: 11 jun. 2002.
 E-mail

SOBRENOME, Nome (autor da mensagem). Título da mensagem. [mensagem pessoal] Mensagem


recebida por <endereço destinatário> data.
Ex: SILVA, Mário. Informações eletrônicas [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por
<stujur@uol.com.br> em 11 jun. 2002.
 CD-ROM

Ex: RIO DE JANEIRO. Prefeitura Municipal. Subsecretaria de Desenvolvimento Institucional.


Organização básica do poder executivo municipal. Rio de Janeiro: Unisys Brasil, 1996. CDROM.
 Documentos jurídicos: leis decretos e portarias

BRASIL. Decreto-lei n° 2423, de 7 de abril de 1998. Estabelece critérios para pagamento de


gratificações e vantagens pecuniárias as titulares de cargos e empregos da Administração Federal direta
e autárquica e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 8 abr.
1998, p.6009, Seção 1, pt.1.
 Jurisprudência (Acórdãos e demais Sentenças das Cortes ou Tribunais)

AUTOR (entidade coletiva responsável pelo documento). Nome da Corte ou Tribunal. Ementa (quando
houver). Tipo e número do recurso (apelação, embargo, habeas corpus, mandado de segurança, etc.).
Partes litigantes (precedida da palavra Apelante/Apelada). Nome do relator precedido da palavra
"Relator". Local, data. Dados da publicação que publicou. Voto vencedor e vencido, quando houver.
BRASIL. Tribunal Regional Federal (5.Região). Apelação cível nº 42.441-PE -(94.05.016-6). Apelante:
Edilemos Mamede dos Santos e outros. Apelada: Escola - Técnica Federal de Pernambuco. Relator: juiz
Nereu Santos. Recife, 4 de março de 1997. Lex: Jurisprudência do STJ e Tribunais Regionais Federais,
São Paulo, v.10, n.103, p.558-562, mar. 1998.
 Constituição

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 27.ed. São Paulo:
Saraiva, 1991.
51

 Código

BRASIL. Código civil. Organização dos textos de Maurício Antônio Ribeiro Lopes. 5.ed. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2000.
 Verbetes dicionário/enciclopédia

EMPIRIOCRITICISMO. In: ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo: M. Fontes,


2000. p.326.
 Trabalho apresentado em evento

AUTOR./Título do trabalho./In: NOME DO EVENTO, n., ano, Local. Anais.../Local de publicação:


Editora, ano./p.
Ex: GARCIA, Flávio. A zoologia aplicada no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
ZOOLOGIA, 34., 2002, Itajaí. Anais... Itajaí: UNIVALI, 2002. p.54-67.
 Bíblia

BÍBLIA. Idioma. Título da obra. Tradução ou versão. Local: Editora, Data de publicação. Total de
páginas. Notas (se houver).
BIBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução por Padre Francisco Zbik. Rio de Janeiro: Paumape, 1980.
FONTE: Material extraído (RIBEIRO, 2008)