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A literatura Medieval, para além da sua vertente poética, pode ser uma forma de nos dar a

conhecer a sociedade, as relações e as ligações entre os sexos durante este período. Se


recuarmos ainda mais no tempo, descobriremos que Aristóteles descreve a literatura como
“Literatura de poesia”, expressão que deriva da palavra grega “poesis”, que significa criação.
Para Aristóteles a literatura era, pois, como uma espécie de recriação de um tempo através da
expressão da arte contida nas palavras. Assim, pode-se dizer que a literatura, noutros tempos,
ilustrava as histórias dos povos. Vemos isso, por exemplo numa das obras que existe até hoje
nos livros de ensino escolar, i.e., nas obras de Homero, autor da Ilíada e da Odisseia.

Concretamente e relativamente à poesia Medieval, é muitas vezes afirmado que o amor na


cultura europeia foi descoberto nesta época histórica Podemos reparar, por exemplo, que nas
cantigas de amigo, o sujeito poético surge na voz de uma donzela, o objeto amoroso é o
“amigo”, o seu amado, a relação do sujeito/objeto é o amor espontâneo e natural. Existe um
plano de igualdade entre sujeito e objeto; já nas cantigas de amor podemos notar que o sujeito
abordado é o trovador apaixonado, o objeto amoroso é a sua “senhor”, a dama, e a relação
sujeito/objeto é a de prestar vassalagem, notando-se assim uma inferioridade do sujeito em
relação ao objeto. O objeto do seu amor, a “Senhor” é colocado, assim, num pedestal, pois é
sempre um amor impossível devido ás diferenças entre os dois seres que coexistiam em
diferentes estratos sociais, estando a dama numa posição hierárquica muito superior ao do
sujeito poético.

A mesma devoção amorosa de um sujeito por um objeto pode ser encontrada ao longo dos
tempos em várias obras e, ainda hoje, em composições de músicas modernas que expõem esse
conceito de amor e da relação amorosa. Exemplo disso é o poema lírico de Camões “Amor é
fogo que arde sem se ver”, o qual foi composto em pleno Renascimento, e ainda podemos
também notar o mesmo tema amoroso retratado em algumas referências literárias de músicas
modernas como por exemplo na interpretação feita por Ivan Santos e Lenine “Amor é para
quem ama”, e “Elegia” interpretada por Caetano Veloso, que derivam dos versos de “Elegy:
going to bed,”.

Por outras palavras, podemos concluir que a literatura ao longo dos tempos, relativamente ao
tema, mas não à forma, não sofreu muitas mudanças, pois, o amor, sendo algo universal e
inerente ao homem, surge um pouco em todos os campos artísticos, na música, no teatro e
mesmo na poesia. Apesar disso, o conceito de amor e a relação sujeito/objeto foi-se alterando,
como podemos notar, nos dias de hoje, quando constatamos que as pessoas se importam
menos com o valor da relação e dão muito mais importância a si mesmos enquanto indivíduos,
do que ao ser comum que nasce quando se cria uma relação amorosa.