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DESNUTRIÇÃO

Prof. José Aroldo Filho

goncalvesfilho@nutmed.com.br

O termo abaixo do peso se aplica a indivíduos que estão 15 a 20% ou mais abaixo do peso padrão aceitável.

Um

baixo

IMC

está

associado

a

maior

risco

de

mortalidade do que os indivíduos normais, especialmente

com o envelhecimento.

IMC<18,5 promove: subfunção da hipófise, tireoide, gônadas e adrenais, maior suscetibilidade a infecções e traumatismos assim como uma imagem corporal distorcida e problemas psicológicos.

O baixo peso pode ser causado por:

Tabela 1: Classificação de gravidade para crianças segundo a OMS - DAN 2009).

Classificação da gravidade da desnutrição Indicador P/E

 

Normal

Leve

Moderada

Grave

Escore-Z

±1Z

-1,1 a-2Z

-2,1 a-3Z

<-3Z

% adequação

90-110

80-89

70-79

<70

Classificação da gravidade da desnutrição Indicador E/I

 

Normal

Leve

Moderada

Grave

Escore-Z

±1Z

-1,1 a-2Z

-2,1 a-3Z

<-3Z

% adequação

95-105

90-94

85-89

<85

  • a) ingestão insuficiente;

  • b) atividade excessiva (aumento do gasto);

Entre adultos, a OMS estabeleceu pontos de corte para baixo peso, sobrepeso e obesidade, segundo IMC.

- IMC < 18,5kg/m 2 baixo peso. c) baixa absorção e/ou utilização de nutriente; d) patologias
-
IMC < 18,5kg/m 2 baixo peso.
c) baixa absorção e/ou utilização de nutriente;
d) patologias com aumento de necessidades (estado
A desnutrição é classificada, em adultos, pelo IMC:
hipercatabólico);
e) estresse psicológico ou emocional.
17,0-18,4 Kg/m 2 - depleção grau I
16,0-16,9 Kg/m 2 - depleção grau II
E importante avaliar a causa e a extensão do baixo peso
antes do início do programa de tratamento.
<16,0 Kg/m 2
- depleção grau III
EFEITOS DA DESNUTRIÇÃO EM LONGO PRAZO (DAN
Avaliar:
2009)
I) história clínica;
II) dados antropométricos (peso, altura, padrão de
crescimento, dobras cutâneas, área muscular e adiposa do
braço – permitem avaliar se existe realmente o risco de
saúde pelo baixo peso);
III) dados biquímicos.
Teoria da Programação metabólica fetos humanos
possuem a capacidade de adaptação frente à oferta de
nutrientes insuficientes. O sistema endócrino possui papel
fundamental nessa adaptação e que, no longo prazo,
aumentaria o risco de doenças relacionadas à obesidade na
vida adulta, como diabetes e hipertensão.
Em relação ao tratamento, deve-se começar pela causa
do baixo peso (infecção, trauma, dentre outros).
TRATAMENTO DA CRIANÇA DESNUTRIDA (DAN 2009)
O apoio nutricional e dietético são efetivos juntamente ou
após o tratamento do distúrbio subjacente ou quando a
causa do baixo peso é de origem somente nutricional.
Medidas mais utilizadas na avaliação de estado nutricional:
peso e estatura. Índices utilizados:
O tratamento da criança desnutrida não deve ser
enfocada apenas nas alterações de saúde, mas também nos
problemas sociais e familiares em toda sua complexidade,
como déficit de renda, analfabetismo materno, condições
inadequadas de saneamento básico, presença de violência
nos bolsões de pobreza e a quantidade e qualidade da dieta
das populações pobres. Incluir medidas como:
- menores de 5 anos:
* peso/idade (P/I);
* estatura/idade (E/I); e
* peso para estatura (P/E).
-
programas de monitoramento de crescimento infantil;
-
programa
de
educação
nutricional
e
orientação,
em
especial sobre amamentação e higiene;
-
promoção da segurança alimentar e nutricional.
(DAN 2010): Déficit de E/I indica um processo crônico ou
pregresso de retardo de crescimento linear. Déficit de P/E
indica acúmulo insuficiente de massa corporal ou
catabolismo de tecidos corporais e, portanto, uma depleção
aguda.
(DAN 2009): Ambulatórios de Recuperação Nutricional
CREN. Objetivos:
-
promover recuperação nutricional efetiva de lactentes e
pré-escolares com desnutrição primária;
O P/I expressa alterações agudas e crônicas.
-
prevenir ocorrência de patologias;
-
diagnosticar e tratar intercorrência clínicas;
- indivíduos com
idade
>
5
anos
usa-se o
IMC. Em
-
promover desenvolvimento global da criança;
adolescentes, pode-se combinar o IMC com o índice E/I.
-
realizar abordagem educativa familiar;
diagnosticar e corrigir erros alimentares da família e da
criança;
-
-

Os índices P/I, E/I e P/E podem ser expressos de acordo com diferentes critérios de classificação: porcentagem de adequação, percentil e Escore-Z.

facilitar o acesso das famílias mais carentes aos recursos sociais disponíveis na região.

Mais utilizados: percentil e Escore-Z.

Para

atingir

esses

objetivos,

abordagem multiprofissional.

faz-se

necessário

uma

Nos CREN, a criança fica 10 horas por dia, de segunda a sexta-feira, recebe cinco refeições que contemplem no

mínimo 70% das necessidades energéticas e 100% das

A família é orientada a fornecer mais uma refeição no domicílio (as famílias recebem uma cesta básica/mês como complemento de tratamento). Entretanto, no Brasil, os CREN são isolados.

Em relação às orientações ambulatoriais, deve-se incluir:

orientação ao aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, orientação para a introdução de alimentos complementares adequados ao final do sexto mês de vida, com manutenção do aleitamento até 2 anos ou mais, monitoramento do crescimento com anotações no cartão da Criança, orientações de higiene e preparo de alimentos, cuidados com a água, entre outros.

DESNUTRIÇÃO PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA (DAN 2009)

necessidades proteicas corrigidas para o percentil de

O

aumento

da

desnutrição durante a internação

hospitalar pode ser explicado por uma soma de condições,

incluindo fatores causais da desnutrição no momento da admissão, maior consumo das reservas energéticas e nutricionais do enfermo em resposta a tratamentos graves (cirurgia, QT, RT) e eventuais perdas por distúrbios digestivos (náuseas, vômitos, íleo paralitico e diarreia). Também pode ser decorrente de iatrogenia.

TIPOS DE DESNUTRIÇÃO

1.DESNUTRIÇÃO AGUDA (DAN 2009) Anteriormente chamada de kwashiokor.

Diagnóstico:

  • - albumina <2,8g/dL;

  • - transferrina <150mg/dL;

  • - linfócitos <1500mm3;

  • - anergia ao teste cutâneo.

A desnutrição hospitalar pode ser resultado de uma conjugação entre a desnutrição primária, consequente do baixo
A desnutrição hospitalar pode ser resultado de uma
conjugação entre a desnutrição primária, consequente do
baixo nível socioeconômico que dificulta a aquisição de
aporte proteico-calórico adequado, e a desnutrição
secundaria, consequente à doença do paciente, como
câncer, infecção ou doenças crônicas.
Sinais clínicos:
-
edema nutricional / ascite;
-
hepatomegalia;
-
alteração de cabelo e pele;
-
hipoalbuminemia;
-
diminuição de função imune;
-
ligada a trauma e infecções, principalmente entre pacientes
DESNUTRIÇÃO TERCIÁRIA (DAN 2009)
internados em UTI recebendo soluções glicosadas a 5% por
10 a 15 dias.
Conforme aumenta o tempo de internação hospitalar,
também aumentam o risco de desnutrição.

2.DESNUTRIÇÃO CRÔNICA (DAN 2009)

Considerado o estágio final do processo de caquexia, na desnutrição crônica os depósitos orgânicas de gordura estão reduzidos. Causada por doenças crônicas e indolentes, a desnutrição crônica é de fácil diagnóstico pelo exame clínico do paciente, que se encontra emagrecido e sem massa gordurosa e muscular.

Diagnóstico:

  • - Peso <80% do ideal;

  • - DCT <3mm;

-

CMB <15cm;

-

Altura <60% do padrão;

-

Hipoalbuminemia não inferior a 2,8g/dL.

Sinais clínicos:

-

emagrecimento;

-

diminuição de temperatura corpórea;

-

diminuição de frequência cardíaca e TMB;

constipação e em alguns casos diarreia de jejum (fezes com muco).

-

3.DESNUTRIÇÃO MISTA (DAN 2009) Diagnóstico e Critério e características Ocorre quando um paciente com desnutrição crônica
3.DESNUTRIÇÃO MISTA (DAN 2009)
Diagnóstico e
Critério e características
Ocorre quando um paciente com desnutrição crônica é
submetido ao estresse metabólico, promovendo
aparecimento de edema, entretanto não há despigmentação
de cabelo.
descrição
-
peso <80% do padrão de peso
para altura, e /ou perda de peso
Marasmo
(atrofia
nutricional,
>10% do peso habitual nos últimos
6 meses com redução muscular;
Tabela 2: Classificação da desnutrição proteico-
energética (DPE) – KRAUSE.
deficiência
calórica
-
albumina >3g/dL;
crônica
grave,
-
desnutrição grave)
causada por ingestão crônica
deficiente em energia;
Diagnóstico e
Critério e características
-
caracterizada por catabolismo
descrição
-
peso >
90%
do padrão de peso
para altura;
adiposo e muscular, letargia,
fraqueza generalizada e perda de
peso.
Kwashiorkor
(edema nutricional
com
despigmentação da
pele e cabelo)
-
albumina
<3g/dL, transferrina
-
<180mg/dL;
peso <60% do padrão de peso
para altura;
-
causada por deficiências
Outra
DPE grave
-
albumina <3g/dL;
energéticas e proteicas agudas ou
(edema nutricional sem
despigmentação de
pele e cabelo)
-
ocorre
quando
um
paciente
refletindo uma resposta metabólica à
lesão;
marasmático
é
exposto
a
um
estresse;
-
caracterizada
por
edema,
-
caracterizado pela combinação
catabolismo de tecido muscular,
fraqueza, alterações neurológicas,
perda de vigor, infecções
secundárias, retardo de crescimento
infantil e alterações em cabelo.
dos sintomas de marasmo e
kwashiorkor,
um
alto
risco
de
infecções
e
deficiência
de
cicatrização.
-
peso
60
75%
do
padrão de
Desnutrição
de
grau
peso para altura;
moderado.
-
albumina de 3– 3,5g/dL.
-
peso
75
90%
do
padrão de
Desnutrição
de
grau
peso para altura;
leve.
-
albumina de 3,5 – 5g/dL.

CORRELAÇÃO CLÍNICA – CHEMIN & MURA

a)Marasmo: anorexia nervosa, DEP secundária à AIDS. b)Kwashiokor: DEP secundária ao prejuízo na absorção de proteínas.

RESPOSTA METABÓLICA AO JEJUM AGUDO (DAN 2009)

A resposta orgânica ao jejum agudo implica adaptações metabólicas deflagradas pela hipoglicemia, que ocorre após 15horas de jejum, por exaustão de glicogênio hepático, muscular e de glicose circulante.

Tem-se redução da insulina plasmática e elevação de glucagon, catecolaminas e cortisol. A elevação dos contrarreguladores promove estímulo à gliconeogênese hepática e renal. Os principais aminoácidos gliconeogênicos são ALANINA e GLUTAMINA.

EVOLUÇÃO CLÍNICA DO DOENTE COM DESNUTRIÇÀO (DAN 2009)

Quando o suprimento proteico-calórico para os tecidos e células não pode ser mantido, ocorre grave descompensação orgânica (rim, coração, fígado e intestino) com consequente acidose, coma e morte.

A descompensação metabólica, promovida pela desnutrição proteica grave, pode ocorrer em poucas horas e inclui distúrbios de coagulação e icterícia, uma vez que o fígado não é capaz de produzir fatores de coagulação e proteínas de transporte.

Causas mais comuns de óbito: edema pulmonar com broncopneumonia, sepse, gastroenterite e desequilíbrios hidroeletrolíticos.

CUIDADO NUTRICIONAL

Ocorre aumento da oxidação de ácidos graxos como fonte de energia (observa-se QR ±0,7), além de
Ocorre aumento da oxidação de ácidos graxos como
fonte de energia (observa-se QR ±0,7), além de queda da
TMB (queda do consumo de oxigênio de 20 – 30%).
Esses eventos promovem rápida perda de peso (2,2 a
4,5kg) na primeira semana, que diminui posteriormente para
220g/dia. Na ausência de estresse este evento é
rapidamente revertido com a administração de calorias ou
proteínas externas.
As dietas ricas em energia para o ganho de peso devem
ser somente iniciadas após o planejamento dietético, que
pode revelar inadequações de consumo e ingestões
nutricionais específicas. Deve-se prescrever refeições em
horários fixos.
Recomenda-se ainda acréscimo calórico de ~500 a
1000kcal nas necessidades calculadas para o indivíduo,
segundo sexo, idade e atividade física, calculadas com base
no peso atual do indivíduo.
RESPOSTA
METABÓLICA
AO JEJUM PROLONGADO
(DAN 2009)
Após as primeiras 72 horas de jejum, se estabelecem
alterações adaptativas do jejum prolongado. Ocorre maior
utilização de lipídios e redução da degradação proteica. Os
lipídios se convertem na principal fonte de energia e os
corpos cetônicos no principal meio de troca energética.
A ingestão deve ser aumentada gradualmente até os
valores programados para evitar o desconforto gástrico e
períodos de desânimo, além de prevenir desequilíbrios
eletrolíticos e de funcionamento cardíaco (síndrome do
roubo celular ou realimentação/overfeeding). O
planejamento dietético baseia-se na atrofia da mucosa
intestinal.
A GLUTAMINA, metabolizada pelo rim, é responsável
por 45% da produção de glicose no jejum prolongado.
A distribuição energética dos macronutrientes deve ser:
a)
lipídeos – 30%;
b)
proteínas – 12 a 15%;
A utilização de corpos cetônicos pelo SNC e sua difusão
pela barreira hematoencefálica é facilitada.
c)
carboidratos – complementar o VCT.
Esse
processo
é
rapidamente
revertido
com a
administração de glicose ou AA.
Às vezes podem ser necessárias suplementações
básicas de vitaminas e minerais dependendo do estado
nutricional. Caso necessário, utilizar suplementos líquidos,
de alta densidade energética.
RESPOSTA ORGÂNICA AO TRAUMA (DAN 2009)
ALTERAÇÕES FUNCIONAIS E ENDOCRINOLÓGICAS
A resposta
dependerá da intensidade e duração da
agressão
inicial
e
da
resposta
do
paciente.
Existem
Pacientes
com
DPE podem apresentar as seguintes
diferenças
entre
a
resposta
orgânica
em
casos
de
alterações:

desnutrição complicada (trauma) e não complicada (crônica).

Na desnutrição complicada, a necessidade energética, a produção de insulina, os hormônios contrarregulatórios, a água corporal total e a proteína visceral estão aumentados. O combustível primário é misto, tem-se QR ~0,85, associado a elevadas taxas de proteólise, gliconeogênese e perda de peso. As cetonas estão ausentes.

Hematológicas: pode ocorrer diminuição

das

concentrações de hemoglobina e de hemácias, relacionada à necessidade de oxigênio aos tecidos. Com o início do tratamento nutricional, começa a haver síntese tissular, aumento da massa magra e da atividade física sendo necessário quantidades suficientes de ferro, ácido fólico e vitamina B12.

Na

desnutrição não-complicada, a necessidade

energética, produção de insulina, água corpórea total e proteólise estão diminuídas. O combustível primário é o lipídio (QR ~0,75) Cetonas estão presentes e os hormônios

Cardiovascular: o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular podem estar reduzidas como consequência da diminuição do débito cardíaco.

contrarregulatórios atingem seu nível basal.

Respiratória:

atrofia

da

musculatura

acessória

e do

diafragma.

Aparelho Digestivo: absorção intestinal prejudicada de lipídeos e dissacarídeos e uma taxa diminuída de absorção de glicose ocorrem na deficiência grave de proteínas. O trato

gastrointestinal e o pâncreas se atrofiam. Há diminuição da produção das secreções gástrica, pancreática e biliar, com concentrações normais ou baixas de enzimas e de ácidos biliares conjugados.

Em decorrência da hipocloridria, hipomotilidade intestinal e deficiências imunológicas (diminuição de IgA secretora), ocorre supercrescimento bacteriano no intestino delgado.

Sistema Imune: redução do número de linfócitos T auxiliares pela diminuição da atividade da interleucina 1, redução da razão T4/T8 e da produção de linfocinas e monocinas. Na desnutrição proteico-calórica grave há uma

diminuição da atividade da IL-1. Os níveis de TNF parecem estar elevados, o que pode estar associado à anorexia, degradação muscular e alteração do metabolismo de lipídeos (hipertrigliceridemia).

Composição Corpórea: quando há perda de mais de 20% de proteína corpórea, a maioria das funções fisiológicas está significativamente alterada.

Outras: Na DPC, ocorre diminuição do potássio corpóreo total devido à redução das proteínas musculares e à perda do potássio intracelular.

Tabela 3: Alterações hormonais na desnutrição e seus efeitos metabólicos – DAN WAIZTBERG (2009)

Hormônios Atividade Efeitos Insulina Diminuída ↓Síntese proteica e muscular; ↓Lipogênese; crescimento Hormônio de crescimento (GH) Aumentada
Hormônios
Atividade
Efeitos
Insulina
Diminuída
↓Síntese proteica e muscular;
↓Lipogênese; crescimento
Hormônio de crescimento (GH)
Aumentada
↑Síntese de proteínas viscerais, ↓síntese
de ureia, ↑lipólise, ↓captação de glicose
pelos tecidos
Somatomedina (insulin-like growh fator)
Diminuída
↓Síntese proteica muscular
e
de
Catecolaminas (epinefrina)
Glicocorticoide
Normal, mas pode aumentar
Normal ou aumentada
Renina-aldosterona
Normal ou aumentada
Hormônios tireoidianos
Gonadotrofinas
T4 normal ou diminuído
T3 diminuída
Diminuída
cartilagem;
↓Síntese de colágeno; lipólise
Lipólise, glicogenólise
↑catabolismo proteico muscular, ↑
turnover das proteínas viscerais,
↑lipólise, ↑glicogenólise, ↓ações do GH
dependentes das somatromedinas
↑retenção de sódio e água contribuindo
para o aparecimento de edema
↓oxidação de glicose
↓gasto energético basal
Amenorreia
Existem
características
que
indicam
mau
prognóstico em pacientes com DPE (DAN WAITZBERG)
As causas mais comuns de morte são: edema pulmonar com
broncopneumonia, sepse, gastroenterite e desequilíbrios
hidroeletrolíticos.

Idade menor que 6 meses. Déficit de peso com relação à altura menor que 30%, ou peso para a idade maior que 40%. Esturpor, coma, ou outras alterações no estado mental ou nível de consciência. Infecções (broncopneumonia ou sarampo). Petéquias ou tendências a hemorragias. Desidratação e desequilíbrios eletrolíticos (hipocalemia e acidose severa). Taquicardia persistente. Anemia severa. Icterícia clínica ou elevação de bilirrubinas. Lesões cutâneas exsudativas ou esfoliativas. Hipoglicemia ou hipotermia. Proteínas séricas totais muito diminuídas.

TRANSTORNOS DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR

Prof. José Aroldo Filho

goncalvesfilho@nutmed.com.br

I. ANOREXIA NERVOSA (AN)

É

uma

condição

clínica

de inanição voluntária e

emaciação, com perda de peso vista como sinal de alcance extraordinário e autodisciplina, com ganho de peso visto como inaceitável. O diagnóstico é indicado com o déficit de peso (perda de >25% do peso usual) ou peso corporal inferior a 85% do esperado associado aos critérios do DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders).

Complicações endócrino-metabólicas:

Amenorreia; Em homens, esterilidade e perda de desejo sexual; Anormalidade ou discreto aumento de GH e diminuição da somatomedina (estimulando a lipólise, como na desnutrição); Intolerância ao frio; Hipoglicemia, hipotermia e desidratação.

O retardo de crescimento é visto em crianças em idade pré-puberal, acometidas por este distúrbio. Se ocorrer o retardo do crescimento, o déficit de peso deve ser calculado usando-se o percentil de altura pré-mórbido do paciente.

Complicações cardiovasculares:

Bradicardia

e

hipotensão

(em

decorrência

da

desidratação e da diminuição das catecolaminas);

Arritmias (decorrente de distúrbios hidroeletrolíticos).

Complicações do TGI:

Obstipação; Saciedade precoce; Alterações de paladar; Diarreia (presente somente no abuso de laxantes,

A etiologia da Anorexia é multifatorial, incluindo fatores genéticos, biológicos, interpessoais, familiares, socioculturais no desenvolvimento e
A etiologia da Anorexia é multifatorial, incluindo fatores
genéticos,
biológicos,
interpessoais,
familiares,
socioculturais
no
desenvolvimento
e
manutenção
do
distúrbio. O início é mais comum na adolescência, uma
vez
que
a
mudança
com
o
corpo na fase puberal
provocando má absorção) não é complicação
comum.
aumentam
a preocupação com
a
forma e tamanho
do
corpo.
Complicações hematológicas:
Critérios de diagnóstico para Anorexia Nervosa
Leucopenia e linfopenia;
Anemia.
Recusa em manter o peso normal ou acima do mínimo
normal de peso para a idade e altura (peso corporal
inferior a 85% do padrão esperado), ou seja, ocorre a
presença de 15%, pelo menos, de déficit em relação ao
padrão de peso ideal;
Medo intenso de ganhar peso ou engordar ou, até
mesmo, de ficar sobrepeso, mesmo estando magra;
Distúrbio na maneira em que visualiza o peso ou
tamanho corporal, excessiva influência na auto avaliação
do peso ou do tamanho corporal ou não considera o baixo
peso preocupante;
Amenorreia em mulheres pós-menarca (ausência de
pelo menos três ciclos menstruais consecutivos).
Complicações ósseas:
Osteoporose e osteopenia, podendo ocasionar fraturas.
Complicações renais:
Diminuição da TFG e risco para formação de cálculos
(decorrente da desidratação e da hipocalemia).
II. BULIMIA NERVOSA (BN)
Existem dois padrões de Anorexia Nervosa:
1)Restrição: durante o atual episódio de anorexia, o
indivíduo não apresenta comportamento de ingestão
excessiva de alimentos/purgação.
A bulimia é um distúrbio caracterizado por episódios
recorrentes de ingestão excessiva de alimentos seguidos
de um ou mais comportamentos compensatórios
impróprios para prevenir o ganho de peso, que englobam
vômito auto induzido, abusos de laxativos e diuréticos,
jejuns prolongados e em excesso ou exercício compulsivo.
Diferentes
dos
pacientes com anorexia nervosa,
pacientes bulímicos estão dentro da variação de peso

2)Compulsão periódico-purgativa: durante o atual episódio de purgação o indivíduo apresenta regularmente episódios de ingestão excessiva e purgação.

normal, embora alguns estejam ligeiramente abaixo do peso ou com sobrepeso.

Aspectos clínicos e complicações:

As

complicações

clínicas

nos

portadores

de

transtornos alimentares podem representar risco de vida estando associadas a fatores como tempo de evolução;

idade de início do quadro; intensidade da redução ponderal e tipos e frequência de métodos compensatórios.

Os sinais e sintomas físicos associados à AN são:

Emagrecimento, cuja perda acentuada de peso promove o aparecimento dos ossos e à diminuição acentuada do tecido adiposo; Hirsutismo (pele coberta por uma fina camada de pêlos); Lanugem; Hipercarotenodermia; Pele ressecada, apatia, falta de disposição e cansaço.

Alguns fatores etiológicos foram propostos para o desenvolvimento de Bulimia Nervosa e inclui dependência, familiar, nível sociocultural, cognitivo-comportamento e psicodinâmico.

TRANSTORNOS DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR Prof. José Aroldo Filho goncalvesfilho@nutmed.com.br I. ANOREXIA NERVOSA (AN) É uma condição

Critérios de diagnóstico para Bulimia Nervosa

Repetidos episódios de ingestão excessiva de alimentos. Crises caracterizadas por:

1) consumo em períodos isolados (2h, por exemplo) de quantidades de alimentos definitivamente maiores do que muitas pessoas considerariam normais; 2) perda do senso de controle ao se alimentar durante a crise. Repetidos comportamentos compensatórios, não apropriados, para controle do peso; Os episódios de comer em excesso ocorrem pelo menos 2 vezes por semana durante os últimos 3 meses;

Transtorno da imagem corporal; Na presença de bulimia do tipo purgativo, não ocorrerá anorexia.

Existem dois padrões de Bulimia Nervosa:

1)

Purgação: durante o atual episódio de Bulimia

2)

Nervosa, a pessoa está regularmente envolvida na autoindução de vômitos, abuso de laxativos ou diuréticos ou enemas; Não purgação: durante o atual episódio de Bulimia a pessoa tem o hábito de usar mecanismos compensatórios inapropriados, como jejuns ou excesso de exercícios, mas não apresenta regularmente episódios de purgação.

CHEMIN

&

MURA

Os

sinais

e

sintomas

físicos

associados à BN são:

 
 

Sobrepeso ou peso próximo ao normal;

 

Aumento

de

glândulas

parótidas,

sublingual

e

submandibular (reflexo dos vômitos induzidos); Sinal de Russell (calos em mãos);

Distúrbios hidroeletrolíticos (complicação mais grave. Distúrbios de sódio, cloreto, fósforo, potássio e magnésio são os mais importantes); Desidratação e alcalose metabólica ocasionados pelo excesso de métodos purgativos (vômitos, diuréticos e laxantes).

Complicações cardiovasculares:

Arritmias

cardíacas

causadas

por

alterações

em

eletrólitos.

Complicações do TGI:

Sensação de náuseas e salivação excessiva, como reflexo da indução de vômitos; Obstipação ou diarreia; Alterações de cavidade oral (perda de dentes, cáries e

aumento de glândulas salivares) face de meia- lua; Esofagite e até hemorragia alta; Dilatação gástrica e ulcerações; Alterações enzimáticas em fígado e pâncreas.

Dentes em perimólise (erosão de esmalte dentário ou cárie de língua); Complicações hematológicas: Fraqueza física e
Dentes em perimólise (erosão de esmalte dentário ou
cárie de língua);
Complicações hematológicas:
Fraqueza
física
e
personalidade transtornada e
Anemia em indivíduos com sintomatologia intensa.
extremista, associada à depressão e risco de
suicídio.
Complicações renais:
Complicações endócrino-metabólicas:
Diminuição de cloretos e potássio;
Desidratação e risco aumento para nefroitíase.
Hipoglicemia e hipercolesterolemia;
Irregularidade menstrual (não amenorreia);
Tabela 1: Comparação dos transtornos alimentares (TA) – CHEMIN & MURA.
Anorexia nervosa
Medo mórbido de engordar
Faixa etária de início da doença: entre 12 e 18 anos
Prevalência: 0,5 a 1 %
Magreza
Amenorreia
Desnutrição, hirsutismo, lanugem, apatia, indisposição,
braquicardia, hipotensão, saciedade precoce,
obstipação/diarreia, leucopenia, linfopenia, anemia,
osteoporose nefrolitíase
Subtipos
Restritivo: não há purgação
Compulsão periódico-purgativa: há purgação
Bulimia nervosa
Quer desesperadamente emagrecer
Faixa etária de início da doença: entre 16 e 26 anos ou mais
Prevalência: 3 a 5%
Peso corporal próximo do normal ou sobrepeso
Irregularidade menstrual
Sobrepeso, sinal de Russel, perimólise, aumento da glândula
parótida, distúrbio hidroeletrolítico, hipoglicemia, arritmia
cardíaca, ulcerações esofágicas e gástricas, anemia,
nefrolitíase
Subtipos
Purgativo: há purgação
Sem purgação: há jejuns e atividade física, mas não há a
prática de vômitos, diuréticos, laxantes
III.
TRATAMENTO
DOS
TRANSTORNOS
ALIMENTARES

Os antidepressivos são eficazes na redução do impulso sobre a alimentação excessiva e levam ao bem-estar do doente. A fluoxetina tem sido utilizada.

Acompanhamento deve ser realizado por equipe multidisciplinar: médico (avaliação clinica), nutricionista (reeducação alimentar e nutricional), psiquiátrica e psicológica. Início do tratamento: ambulatório / consultório. Frequência: semanal.

Objetivo interrupção

da

perda de

peso, melhora

da

subnutrição

e

nos

parâmetros

clínicos.

Em

pacientes

bulímicos,

avaliar

também

as

intercorrências

gastrointestinais.

 

DAN WAITZBERG (2009) Equipe multidisciplinar – acompanhamento psiquiátrico, nutricional e psicoterapia. META: ganho de peso até IMC>19kg/m 2 .

Uso

de

fluoxetina,

com

maior sucesso quando

administrada em doses >20mg. OBS: também usado em

AN é anorexígeno!

Outros

medicamentos

utilizados

para

atenuar

os

sintomas: lítio, antiácidos, antiespasmódicos e analgésicos

2.Terapia cognitivo-comportamental

Pode ser feita em grupos ou individual. Em pacientes jovens é aconselhável a presença e apoio familiar, uma vez que o fator predisponente ao transtorno pode estar relacionado à família e sua estrutura.

1.Terapia Medicamentosa

Tenta ajudar o paciente a encontrar formas para substituir os comportamentos negativos por maneiras mais construtivas e positivas no modo de agir, procurando evitar a convicção catastrófica a respeito do próprio corpo.

3. Terapia Nutricional

A

avaliação

nutricional

de

rotina engloba a história

dietética bem como a avaliação dos índices bioquímicos, metabólicos e antropométricos do estado nutricional.

História Dietética

Manejo dietético - Anorexia nervosa – recuperação do peso, avaliado pelo IMC/Idade, sexo e curva de
Manejo dietético
-
Anorexia nervosa – recuperação do peso, avaliado pelo
IMC/Idade,
sexo
e
curva
de
crescimento
e
o
As diretrizes devem englobar a ingestão de energia,
macro e micronutrientes, atitudes e comportamentos
alimentares.
restabelecimento
do
padrão
alimentar,
baseado
na
reeducação alimentar.
Aspectos na anamnese de pacientes com TA (CHEMIN &
MURA)
Pacientes com AN geralmente possuem ingestão
calórica inadequada (~1000 kcal) ao passo que a ingestão
calórica na BN é imprevisível.
CUIDADO NUTRICIONAL NA ANOREXIA NERVOSA
-
Histórico do peso corporal;
-
Uso de álcool e outras drogas;
Os objetivos são:
-
Frequência de episódios purgativos;
-
restaurar um peso mínimo saudável (quando a
-
Sintomas gastrointestinais;
menstruação retorna);
-
Preferências alimentares;
-
-
Aversões alimentares;
restaurar hábitos alimentares saudáveis e o prazer de se
alimentar;
-
Consumo de carboidratos;
-
tratar ou restaurar as complicações físicas;
-
Condição socioeconômica;
-
-
Estrutura familiar.
redimensionar pensamentos, sentimentos e crenças
inadequadas relacionadas à alimentação;
-
Proporcionar o apoio familiar;
O papel do nutricionista está em ajudar a suspender as
restrições e/ou orgias alimentares. Como estratégia de ação
do nutricionista, o uso de diário alimentar tem se mostrado
útil na prática clínica.
-
Prevenir recaídas.
Etapas da terapia nutricional (DAN WAIZZTBERG, 2009):
1.Educacional – coleta de
dados do paciente, hábitos
alimentares e histórico da doença, conceitos de
alimentação e nutrição dentre outros.
2.Experimental – habilidades terapêuticas para abordar a
relação do paciente com o corpo e com os alimentos.
No monitoramento, a ADA preconiza o ganho de 2,2 –
4,4kg por semana se o paciente é acompanhado em
ambulatório e 4,4 – 6,6kg se hospitalizado. Essa meta é
difícil de ser alcançada, dependendo do grau de desnutrição.
Alvarenga recomenda o ganho de 1kg/semana na fase inicial
de tratamento, objetivando, ao término dessa fase, IMC
19kg/m2 ou atingir 85% do peso alvo.
Pode-se realizar o cálculo com base na anamnese
alimentar. As alterações decorrentes do aporte calórico
insuficiente só se normalizarão com a correção do peso
do paciente.
Ferramenta essencial na terapia nutricional – DIÁRIO
ALIMENTAR, que serve como instrumento de
1. Fase inicial: 30 – 40kcal/kg de peso atual/dia (1000 –
automonitorização, onde
o
paciente
se
torna
mais
consciente de sua alimentação e de sua doença.
1600kcal/dia) – KRAUSE 2010 / DAN 2009 / CUPPARI 2014
/ CHEMIN & MURA 2011
Um DIÁRIO ALIMENTAR para acompanhamento de
pacientes com ANOREXIA NERVOSA deve conter:
CHEMIN & MURA (2011)
-
horário/refeição;
-
local da refeição;
-
alimento/quantidade;
-
presença de compulsão;
-
presença de purgação;
-
periodicidade do episódio de purgação;
-
escala de fome;
Em relação ao cálculo das calorias, utiliza-se a
fórmula do Harris & Benedict, com fator injúria de 1,3
(desnutrição) e aumento paulatino semanal das
quantidades calorias a serem oferecidas (200 a
500kcal/semana) até chegar a um valor de
3000kcal/dia, dependendo do metabolismo basal.
-
saciedade;
-
sentimento.
A
internação
é
indicada
em
casos
de declínio
persistente da ingestão oral e peso, para prevenir ou tratar
O VET deve ser suficiente para proporcionar retorno
da menstruação e cessar a perda de peso. Fracionar a
dieta entre 6 a 8 refeições por dia (ou a cada 3h) com
a seguinte distribuição de macronutrientes:
instabilidades clínicas (desidratação, distúrbios
hidroeletrolíticos, bradicardia, hipotensão, hipotermia) ou
quando o tratamento ambulatorial não obteve os resultados
satisfatórios.
CHO: 54 – 58%VET;
PTN: 0,8 a 1,2g/kg peso atual;
LIP: completar o VET.

DAN (2009) O ganho de peso deve ser controlado (900 a 1300g/semana para pacientes internados e de 250 a 450g/semana para pacientes ambulatoriais).

Avaliação Nutricional

  • 2. Fase de ganho de peso controlado: 70 – 100kcal/kg de

peso atual/dia - KRAUSE 2010 / DAN 2009 / CUPPARI

2014.

ATENÇÃO: para se evitar a síndrome de realimentação, inicia-se o processo de realimentação considerando as necessidades do metabolismo basal e ir aumentando a

ingestão calórica de forma gradual, 200-250kcal a cada 0,5-

1,3kg/semana.

Atentar-se aos eletrólitos: fósforo e potássio (o fósforo chega ao nível mais baixo de concentração durante os primeiros 7 dias de início da realimentação, justificando a sugestão de monitoramento diário de eletrólitos).

A realimentação com alimentos é a primeira escolha para a recuperação do peso, porém, em alguns casos, o nutricionista poderá recomendar suplementos alimentares para suprir as necessidades nutricionais.

3. KRAUSE / CUPPARI 2014 - adicionam uma terceira fase:

Fase de manutenção de peso, que corresponderia a prescrição de 40 – 60 kcal/kg peso atual.

Em relação aos macronutrientes:

A) Proteínas

Mínimo: RDA g/kg de peso ideal para a idade. 15 – 20% VCT, fontes de AVB.

  • B) Carboidratos

50 – 55% VCT; Estimular o consumo de fibras insolúveis para o tratamento da constipação.

  • C) Lipídeos

25 – 30% VCT; Estimular pequenos aumentos no consumo de lipídeos até atingir a meta; Fornecer fontes de ácidos graxos essenciais.

Em relação aos micronutrientes:

100% das RDA de suplemento multivitamínico com minerais; Notar que o teor de ferro das fórmulas pode agravar a constipação.

Principais alterações clínicas observadas na anorexia nervosa e relação com possíveis deficiências na dieta Sistema Possíveis
Principais alterações clínicas observadas na anorexia nervosa e relação com possíveis deficiências na dieta
Sistema
Possíveis alterações clínicas
Possíveis deficiências na dieta
Pele e anexos
Proteína
Proteína e zinco
Sistema gastrintestinal
Aporte calórico insuficiente
Fibras e ingestão hídrica insatisfatória
Sistema cardiovascular
Aporte
calórico
insuficiente,
desequilíbrio
Sistema renal
Sistema hematológico
Sistema reprodutivo
Alterações metabólicas
Pele seca
Lanugo, cabelos finos e quebradiços,
perda de cabelo
Retardo no esvaziamento gástrico
Constipação intestinal, diminuição do
peristaltismo intestinal
Diminuição da pressão arterial;
arritmias
Edema
Cálculo renal
Anemia
Leucopenia
Infertilidade
Hipocalemia
Hiponatremia
hidroeletrolítico
Proteína
Aporte calórico hídrico insatisfatório
Ferro, vit. B12, ácido fólico
Aporte calórico-proteico insuficiente
Aporte calórico insuficiente
Potássio (Desequilíbrio hidroeletrolítico)
Sódio (Desequilíbrio hidroeletrolítico)
Hipoglicemia
Desidratação
Aporte calórico insuficiente
Baixa ingestão hídrica
CUIDADO NUTRICIONAL NA BULIMIA NERVOSA
necessária
para
normalizar
as
sensações, mesmo com
sobrepeso.
Os objetivos são:
-
normalizar o comportamento alimentar;
Outras informações a serem obtidas na anamnese:
-
modificar as atitudes relacionadas ao alimento, ao peso e à
-
histórico familiar alimentar;
imagem corporal;
-
padrão alimentar atual;
-
proporcionar o apoio familiar;
-
identificar se há padrões comportamentais;
-
prevenir recaídas.
-
preferências e aversões alimentares;
-
Como os padrões de fome e saciedade estão alterados
na bulimia nervosa, uma ingestão aumentada pode ser
padrão de atividade física atual e antes da doença
instalada;
-
frequência e tipos de comportamentos compensatórios ou
purgativos associados.

Principais alterações clínicas observadas na bulimia nervosa e relação com possíveis deficiências na dieta

Sistema

Possíveis alterações clínicas

Possíveis deficiências na dieta

Pele e anexos

Calosidade no dorso da mão (sinal de

Decorrente do ferimento com os dentes e

Russel); erosão

do esmalte dentário;

do contato com o suco gástrico devido ao

cáries

vômito auto induzido

Sistema reprodutivo

 

Aporte calórico insuficiente

Sistema metabólico

Irregularidade menstrual Hipocalemia Hiponatremia

Potássio (Desequilíbrio hidroeletrolítico) Sódio (Desequilíbrio hidroeletrolítico)

Hipoglicemia

Aporte calórico insuficiente

Outras alterações

Desidratação Hipertrofia das glândulas parótidas decorrente dos vômitos, podendo ocorrer aumento de amilase produzida no local.

Baixa ingestão hídrica Decorrente dos vômitos auto induzido

ATENÇÃO – CHEMIN & MURA

As pacientes bulímicas chegam a ingerir de 400 a 5000 kcal em um único episódio de compulsão, seguido de purgação. O objetivo é realizar educação nutricional e manter estado nutricional, além de observar os fatores desencadeadores de compulsão, vômitos e jejum assim como a frequência destes comportamentos.

KRAUSE A PRESCRIÇÃO CALÓRICA PARA MANUTENÇÃO DO PESO DEVE INCLUIR:

A)

1,2

1,3

do

gasto

energético de repouso, pela

calorimetria indireta, calculado para atividade sedentária;

  • B) Caso não possua calorimetria indireta, prescrever dieta

com 100% do gasto energético de repouso pelo Harris & Benedict da seguinte maneira:

absorvido. Estudos mostram que episódios mais calóricos (3.530kcal) ou menos calóricos (1.549kcal) possuem retenção igual de calorias (~1.128kcal). A orientação dietética específica deve ser absolutamente individualizada, com padronização de horários, proposta de inclusão de grupos alimentares e educação nutricional.

NÃO EXISTE PARA BN UMA DETERMINAÇÀO DE CONSUMO DE ENERGIA ESPECÍFICA.

Deve-se adequar o padrão alimentar e não exatamente aumentar ou diminuir o consumo energético. Deve-se estimular uma alimentação balanceada com inclusão de alimentos de TODOS os grupos alimentares. Até mesmo a inclusão dos alimentos “perigosos”. Pacientes com BN normalmente tem peso normal ou acima do normal, que pode apresentar/mascarar uma desnutrição, chamada de “fome oculta” – deficiência de micronutrientes.

Os pacientes devem ser instruídos sobre as alterações nas sensações de fome, apetite e saciedade.

Mulheres: 655 + (9,6 x peso em kg) + (1,85 x altura em cm) –
Mulheres: 655 + (9,6 x peso em kg) + (1,85 x altura em
cm) – (4,7 x idade em anos)
Homens: 66 + (13,7 x peso em kg) + (5,0 x altura em
cm) – (6,8 x idade em anos)
TRATAMENTO HOSPITALAR – CHEMIN & MURA
Em
geral,
os
pacientes
respondem
de
maneira
C)
Monitorar o estado antropométrico e ajustar calorias para
satisfatória
ao
tratamento
ambulatorial,
que
é
feito
manutenção do peso;
semanalmente.
D)
Evitar dietas para redução de peso até que os padrões
alimentares e o peso corporal estejam estabilizados;
Ele deve englobar uma equipe multidisciplinar.
E)
Prescrição inicial de 1200 – 1500 kcal/d.
Em relação aos macronutrientes:
A)
Proteínas
Mínimo: RDA g/kg de peso ideal para a idade.
15 – 20% VCT, fontes de AVB.
B)
Carboidratos
50 – 55% VCT;
Estimular o consumo de fibras insolúveis para o
As pacientes podem receber dietas com VCT inicial
de 1500 kcal para repor o gasto energético basal, que
serão acrescidas semanalmente de 500 – 750 kcal até
atingir um VET de 3000 – 4000 kcal, proporcionando
ganho de peso de 500 a 1000g/semana. A via de
administração pode ser enteral, quando há intenso
processo de depleção corporal ou quando há recusa para
se alimentar.
tratamento da constipação.
C)
Lipídeos
25 – 30% VCT;
Fornecer fontes de ácidos graxos essenciais.
Em relação aos micronutrientes:
A hospitalização pode ser necessária para corrigira
intensa desnutrição (peso menor que 75% do esperado para
estatura e idade ou IMC <14kg/m2) e complicações clínicas
gravemente instaladas, ou nos processos intensos e
descontrolados de purgação, associados com altos graus de
depressão e risco de morte.

100% das RDA de suplemento multivitamínico com minerais;

Notar que constipação.

o

teor de

ferro das

fórmulas pode agravar a

As pacientes podem ser internadas em enfermarias de psiquiatria ou clínica médica, de acordo com a presença de co-morbidades.

RECOMENDAÇÕES

WAIZTBERG (2009)

DIETÉTICAS NA BN DAN

Objetiva cessar o ciclo da BN. Educar sobre o papel da restrição alimentar como iniciadora e perpetuadora do ciclo.

O DIÁRIO é considerado uma estratégia importante, que provê avaliação constante e pode simbolizar a relação entre o terapeuta nutricional e o paciente.

O DIÁRIO de um paciente com BN deve conter:

  • - Horário e o que consumiu;

  • - Compensação;

  • - Sentimentos. O paciente deve ser esclarecido que a atitude purgativa possui consequência e, além disso, é ineficiente como método para perda de peso, uma vez que até 50% do que

foi ingerido numa compulsão pode ser retido após vômitos e

EXERCÍCIOS DE OBESIDADE, DESNUTRIÇÀO E TRANSTORNOS ALIMENTARES 1) Alessandra, 25 anos, internou pela quinta vez devido
EXERCÍCIOS
DE
OBESIDADE,
DESNUTRIÇÀO
E
TRANSTORNOS ALIMENTARES
1) Alessandra, 25 anos, internou pela quinta vez devido a
anorexia nervosa, apresentando desnutrição grave
(IMC=13kg/m2). Logo pós a internação, foi encaminhado
parecer à Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional,
sendo indicado início imediato de terapia nutricional enteral.
Em relação à anorexia nervosa, é correto afirmar que:
6) Ana Carolina tem 14 anos e procurou o AGN com queixa
de excesso de peso. Na consulta relatou perda ponderal de
10kg em 6 meses, dado que você correlacionou com baixa
ingestão e amenorréia há 4 meses. Sua avaliação
antropométrica revela:
(Residência HUPE - 2006)
(A)
podem ocorrer alterações hidroeletroíticas graves
(B)
muitos pacientes possuem taxas metabólicas altas
P: 34kg
Est: 1,61m
PCT: 5mm
PCSE: 6mm
CB: 16mm
Após o atendimento você remarcou Ana Carolina para o
ambulatório de anorexia nervosa, pois de acordo com o
DSM-IV, Ana Carolina apresenta (Residência HUPE 2008):
(C)
mais energia é requerida para ganhar tecido muscular do
que tecido gorduroso
(A)
métodos para combater o ganho de peso e sinal de
(D)
ocorre depleção significativa das reservas adiposas e de
Russel
proteínas viscerais e somáticas
(B)
IMC <18,5kg/m2 e amenorréia por 3 ciclos consecutivos
(C)
transtorno de imagem corporal e aceitação do baixo
2) Isabela, adolescente de 13 anos de idade foi
encaminhada para o ambulatório de Nutrição com quadro de
anorexia nervosa. Iniciou a restrição alimentar com o
objetivo declarado de emagrecer. Perdeu cerca de 30kg em
três meses, pesando atualmente 35kg e medindo 1,48m. De
acordo com a história dietética a alimentação constituía em:
peso corporal atual
(D)
recusa em manter seu peso dentro do ideal e menos que
85% de adequação do peso
7)
Ana
Carolina
precisou
ser
internada
devido ao
agravamento do seu quadro, sendo necessário TNE, via
Desjejum: 1 biscoito água e sal e café com adoçante.
Almoço: verduras mais uma colher de sopa de arroz e, às
vezes, um pedaço de carne.
SNG. No plano dietoterápico de Ana Carolina, o valor da
prescrição calórica
inicial
visando
repor
o
GEB
e
o
acréscimo calórico semanal, até que se atinja um VET de
3500kcal
corresponde,
respectivamente
a
(Residência
Ao exame físico apresentou:
HUPE 2008):
FC 56bpm
FR 18irpm
Edema 3+/4+
PA 76/49 mmHg
(A)
1500: 500 – 750
(B)
1200: 300 – 500
(C)
1800: 200 – 400
(D)
800: 750 - 1000
As possíveis complicações que Isabela pode desenvolver
como conseqüência da restrição alimentar são: (Residência
HUPE - 2007)
(A)
diarréia sanguinolenta, esofagite e fissura no estômago
(B)
esôfago de Barret, cálculo biliar e síndrome de Mallory-
8) A adolescente A.M.R. apresentou-se com severo quadro
de emagrecimento, com diagnóstico de transtorno de
comportamento alimentar. O quadro de bulimia foi
diferenciado da anorexia nervosa pela presença de (EAOT
Weiss
2005)
(C)
esvaziamento gástrico retardado, atonia intestinal e
constipação
(A)
cabelo seco e quebradiço.
(D)
hipertrofia de parótida, dores abdominais e incidência
(B)
dentes com perfil de meia lua.
aumentada de cáries dentais.
(C)
amenorréia.
(D)
perda muscular e edema.
3)Sinais físicos da bulimia nervosa incluem: (NutMed)
(A)
danos nos dentes e inflamação esofágica
9) São características dos pacientes com anorexia nervosa,
EXCETO (EAOT 2007):
(B)
hidratado, lábios sem lesões.
(C)
inflamação esofágica e hipercalcemia
(A)
pele seca.
(D)
desidratado e sangramento nasal
(B)
hipertensão.
(C)
cianose de extremidades.
4)Na anorexia nervosa devemos iniciar a necessidade
Energética para ganho de peso a partir: (NutMed)
(D)
cabelo quebradiço e sem brilho.
(A)
25 Kcal/kg
10) Coloque V ou F nas afirmativas abaixo em relação à
anorexia nervosa e, em seguida, assinale o correto (CSM
(B)
35 Kcal/kg
2005):
(C)
27 Kcal /kg
(D)
70 Kcal/kg
5)Na orientação dietética para magreza, sabemos que um
maior fracionamento da dieta evita sobrecarga de alimentos
e desconforto gástrico. Além disso, o consumo constante de
alimentos favorece a lipogênese por: (NutMed)
(A)
aumentar a produção de glucagon
( ) o consumo calórico diário deve ser de 130% do gasto
calórico calculado.
( ) o consumo é aumentado em 100 – 200kcal em poucos
dias para promover ganho adequado de peso.
( ) mesmo que os pacientes estejam abaixo do peso ideal,
o gasto energético é semelhante àqueles com peso normal.
( ) 50 – 55% CHO, 15 – 20% PTN e 25 – 30% LIP.
( ) deve-e estimular pequenos aumentos no consumo de
gordura, lembrando-se sempre de fornecer AGE.
(B)
aumentar a produção de insulina
(C)
aumentar a produção de ACTH
(D)
diminuir a produção de insulina
(E)
diminuir a produção de glucagon
(A)F; V; F; V; V
(B)V; V; F; V; F
(C)V; V; F; V; V
(D)F; F; F; F; V
(E)V; F; V; V; V
11) Pacientes com anorexia nervosa geralmente requerem hospitalização para iniciar o processo de realimentação. Nestes casos,
11) Pacientes
com
anorexia nervosa geralmente
requerem
hospitalização
para
iniciar
o
processo
de
realimentação. Nestes casos, o acompanhamento
nutricional é indispensável para a completa recuperação
do paciente. São condutas nutricionais importantes para
II A obesidade generalizada está associada a um maior risco
cardiovascular e surgimento de artroses.
III A obesidade androide, caracterizada pelo depósito de
gordura central, está associada com maior risco de doença
renal crônica.
a
recuperação
da
anorexia nervosa, EXCETO (EAOT
2009):
(A)
As afirmativas I e II estão erradas.
(B)
As afirmativas I, II e III estão erradas.
(A)
Aumentar a prescrição calórica em 100 a 200kcal/dia.
(C)
Apenas a afirmativa III está correta.
(B)
Estimular o consumo de fibras insolúveis.
(D)
Apenas a afirmativa II esta correta.
(C)
Fornecer fontes de ácidos graxos essenciais.
(D)
As proteínas devem totalizar não mais do que 10% do
VCT.
12) (Residência UFF – 2010) Com relação às diferenças
entre o catabolismo da inanição e o catabolismo relacionado
ao estresse, podemos afirmar que, em ambos os casos,
ocorre:
17) O tratamento dietético de indivíduos obesos é um
desafio da prática clínica, que muitas vezes leva ao
emprego de suplementos. Dentre os suplementos citados a
seguir, aquele que apresenta evidência científica de
benefício para os obesos é (CEPERJ 2011):
(A)
garcínia cambogia
(B)
ma huang (efedra)
(A)
aumento da taxa metabólica.
(C)
sene
(B)
intensa cetogênese.
(D)
cromo
(C)
aumento da glicemia.
(D)
predomínio da secreção do glucagon sobre a de insulina.
18) No início do tratamento, as dietas ricas em energia para
a
recuperação
do
peso
corporal
devem
contemplar
13) (Residência UFRJ – 2010) A desnutrição se caracteriza
por uma alteração no estado nutricional decorrente da
deficiência na ingestão de nutrientes e pode piorar o
prognóstico do paciente hospitalizado. As características
antropométricas, bioquímicas e clínicas nos dois
tipos clássicos de desnutrição protéico-energética podem
diferir e se observa que:
(CEPERJ 2011):
(A)
3000 kcal
(B)
3400 kcal
(C)
12 a 15 % de proteínas
(D)
35 % de lipídios do VE
(A)
no marasmo a adequação do peso corporal para estatura
1– A
2– C
3– A
4– B
5– B
é de 80% e ocorre hipoalbuminemia acentuada
6– D
7- A
8– C
9– B
10
–C
(B)
no kwashiorkor ocorre perda de peso acentuada e
11 -D
12
–D
13 –C
14 –C
15
–A
preservação relativa das proteínas viscerais
16 –B
17
–D
18 –C
(C)
no kwashiorkor o paciente apresenta medidas
antropométricas normais e arrancamento fácil dos cabelos
(D)
no marasmo verifica-se baixa ingestão protéica e edema
nutricional com despigmentação dos cabelos
14) (IABAS 2010) Para o tratamento do paciente obeso,
deve-se aconselhar a ingestão, por dia, de:
(A)40% de açúcar simples
(B)Menos de 0,8g de PTN/kg
(C)20 – 30g de fibras
(D)Cerca de 350mg de colesterol
(E)25-35% LIP, sendo 10% SAT, 7% PUFAS e 15% MUFAS
15) (FIOCRUZ 2010) O tratamento nutricional para pacientes
obesos consiste num plano alimentar hipocalórico com a
seguinte distribuição dos macronutrientes energéticos:
(A)
carboidratos de 50 a 55% do VET, proteínas de 15 a
25% do VET e lipídeos de 20 a 30% do VET.
(B)
carboidratos de 55 a 65% do VET, proteínas de 15 a
25% do VET e lipídeos de 25 a 35% do VET.
(C)
carboidratos de 55 a 65% do VET, proteínas de 25 a
30% do VET e lipídeos de 25 a 35% do VET.
(D)
carboidratos de 55 a 60% do VET, proteínas de 15 a
25% do VET e lipídeos de 25 a 35% do VET.
(E)
carboidratos de 55 a 65% do VET, proteínas de 15 a

25% do VET e lipídeos de 30 a 35% do VET.

16) (Residência INCA – 2010) A obesidade é uma doença multifatorial, que pode ser caracterizada como um desequilíbrio entre a ingestão e gasto de energia com acúmulo excessivo de gordura, que compromete a saúde. Leia as afirmativas abaixo e marque a opção correta:

I A obesidade ginoide, caracterizada pelo acúmulo

abdominal

de

gordura,

está

relacionada

ao

alto

risco

cardiovascular.