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Docente Responsável: Denis Ricardo Martins de Godoi

Estagiária Docente: Melany Isabel Garcia Nicholson


Disciplina: Físico Química Experimental

FÍSICO-QUÍMICA EXPERIMENTAL

PRÁTICA 3 – Calor de dissolução e dissociação

Discentes: Bruno Britto Melo RA: 161140581

Isabelle Zacararias RA: 151140065

Rodrigo Santana RA: 161140459

Vitor Pacini RA: 161141048


Docente Responsável: Denis Ricardo Martins de Godoi
Estagiária Docente: Melany Isabel Garcia Nicholson
Disciplina: Físico Química Experimental

Resumo:
Calor de solução e calor de dissociação são valores que representam a
interação de um soluto com um solvente. Para poder estudar esses conceitos,
realizaram-se dois experimentos. O primeiro foi realizado com o objetivo de
determinar o calor de solução esquentando uma solução saturada e resfriando
ela, obtendo a concentração limite do sal para cada temperatura. Já o segundo
experimento determinou o calor de dissolução medindo a variação de
temperatura em um calorímetro ao adicionar determinado sal.

Para o primeiro experimento utilizou-se ácido benzoico como soluto e


água como solvente. Aqueceu-se a solução saturada até a temperatura de
80ºC, e a partir dessa temperatura, coletou-se uma amostra da solução de 10
em 10 ºC. Cada amostra foi pesada e titulada para obter o valor exato da
concentração em cada uma das soluções, considerando-se que em todas elas,
a concentração de ácido benzoico era a saturação na temperatura. Os
resultados obtidos possuem erros intrínsecos do experimento, devido aos
gradientes de temperatura durante o aquecimento e o resfriamento da solução.
Imprecisão do termômetro, erros titulométricos, além de erros inesperados
como derramamento da solução e falha no processo de filtração. Apesar disso,
foi possível obter uma reta que representa estatisticamente os dados, como o
previsto pela teoria. Porém, tornou-se inviável analisar a qualidade dessa reta
uma vez que não foi possível obter um valor teórico de entalpia de solução
para o ácido benzóico.

No segundo experimento foram utilizados três sais diferentes, NaCl,


Na2CO3 e NaHCO3. Para cada um dos sais, foram realizados os seguintes
procedimentos: Pesou-se do sal puro, adicionou-se o sal na água do
calorímetro, anotou-se as temperaturas inicial (água pura) e final
(estabilização), e por fim, com o sal já adicionado na água, forneceu-se uma
quantidade de calor específica através de um galvanostato, anotou-se o tempo
necessário para obter uma variação de 0,5ºC e as variáveis necessárias para
calculo da potência. Com isso, obteve-se as entalpias de dissociação dos três
sais. Os erros obtidos experimentalmente foram de 16,15% 51,48% 15,83%.
Resultado satisfatório, o modelo utilizado para essa parte, assim como na
primeira, possui várias fontes de erro, intrínsecas e de operador.
Docente Responsável: Denis Ricardo Martins de Godoi
Estagiária Docente: Melany Isabel Garcia Nicholson
Disciplina: Físico Química Experimental

TRATAMENTO DOS DADOS E DISCUSSÕES:

Experimento 1: Calor de dissolução

A solução titulante usada no experimento era de hidróxido de sódio 0,1


mol.L-1 nominal. Para que se saiba a real concentração do reagente, uma
padronização foi feita com o padrão primário bifitalato de potássio, usando
0,8448g. Essa massa foi titulada com a solução de hidróxido de sódio,
resultando numa cor levemente rosa aos 47,9mL de titulante adicionados.
Portanto, a concentração real da solução é:

1 𝑚𝑜𝑙 𝑏𝑖𝑓𝑖𝑡𝑎𝑙𝑎𝑡𝑜 1 𝑚𝑜𝑙 𝑁𝑎𝑂𝐻 1


0,8448𝑔 × × × = 0,08636 𝑚𝑜𝑙 𝑁𝑎𝑂𝐻/𝐿
2014,2212𝑔 1 𝑚𝑜𝑙 𝑏𝑖𝑓𝑖𝑡𝑎𝑙𝑎𝑡𝑜 0,0479 𝐿

Para a determinação da fração molar de ácido benzoico, pesou-se a


massa 𝑚1 de 6 erlenmeyers com tampa. Após a elevação da temperatura da
solução, adicionou-se a mesma aos erlenmeyers e pesou-se a massa 𝑚2 do
conjunto (vidraria e solução). A diferença de massa ∆𝑚 = 𝑚2 − 𝑚1
corresponde à massa da solução contendo ácido benzoico. Os resultados
obtidos encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1 – Massas dos erlenmeyers com e sem solução, para diferentes temperaturas

Erlenmeyer 𝒎𝟏 (𝒈) 𝒎𝟐 (𝒈) ∆𝒎 (𝒈) 𝑻 (°𝑪)


1 101,178 129,712 28,534 70
2 98,525 121,182 22,658 65
3 85,410 108,165 22,755 60
4 98,856 120,890 22,034 55
5 70,249 97,520 27,271 50
6 67,809 97,924 30,115 45

Fonte: Os autores, 2018.


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Disciplina: Físico Química Experimental

A partir dos valores de volume “gasto” nas titulações da solução de ácido


benzoico com o hidróxido de sódio padronizado, foi possível determinar o
número de mols de ácido presente em cada erlenmeyer. Como a reação de
neutralização entre o ácido e a base em questão se dá na proporção 1:1, sabe-
se que:
𝑛á𝑐𝑖𝑑𝑜 = 𝑛𝑏𝑎𝑠𝑒 = 𝐶𝑏𝑎𝑠𝑒 ∙ 𝑉𝑏𝑎𝑠𝑒

Multiplicando o número de mols pela massa molar do ácido, calculou-se


a massa de ácido presente em cada erlenmeyer:

𝑚á𝑐𝑖𝑑𝑜 = 𝑛á𝑐𝑖𝑑𝑜 ∙ 𝑀𝑀á𝑐𝑖𝑑𝑜

A diferença entre a massa da solução e a massa de ácido resulta na


massa de água; consequentemente, calculou-se o número de mols de água na
solução.
A fração molar 𝑥á𝑐𝑖𝑑𝑜 de ácido benzoico é dada pela expressão:
𝑛á𝑐𝑖𝑑𝑜
𝑥á𝑐𝑖𝑑𝑜 =
𝑛á𝑔𝑢𝑎 + 𝑛á𝑐𝑖𝑑𝑜

Os valores de volume de equivalência para cada titulação, assim como


os números de mols de ácido suas respectivas frações molares calculadas,
encontram-se na Tabela 2.

Tabela 2 – Resultados das titulações: números de mols de ácido benzoico e suas


respectivas frações molares

Erlenmeyer 𝑽𝒆𝒒 (𝒎𝑳) 𝒏á𝒄𝒊𝒅𝒐 (𝟏𝟎−𝟑 ) 𝒙á𝒄𝒊𝒅𝒐 𝑻 (°𝑪)


1 23,50 2,029 0,0013 70
2 25,10 2,216 0,0018 65
3 21,30 1,883 0,0015 60
4 18,40 1,468 0,0012 55
5 18,90 1,632 0,0011 50
6 17,00 1,589 0,0010 45
Fonte: Os autores, 2018.
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Disciplina: Físico Química Experimental

Analisando a Tabela 2, verifica-se que a fração molar de ácido benzoico


diminui com a diminuição da temperatura. Tal resultado era esperado, uma vez
que, com o aumento da temperatura do sistema, a dissolução do ácido
benzoico, processo endotérmico, é favorecido.
Para determinar o calor de dissolução do ácido benzoico, plotou-se, no
Gráfico 1, o logaritmo neperiano da fração molar do ácido em função do inverso
da temperatura, em Kelvin.

Gráfico 1 – Logaritmo neperiano da fração molar de ácido benzoico em função


do inverso da temperatura

-6,2

-6,3

-6,4

-6,5
Ln (x)

-6,6

-6,7

-6,8
y = -1900x - 0,902
-6,9 R² = 0,578

-7
0,0029 0,00295 0,003 0,00305 0,0031 0,00315 0,0032
1/T, K

Fonte: Os autores, 2018.

A partir da análise do gráfico, verifica-se um ponto destoante dos


demais, provavelmente oriundo de erros experimentais. Portanto, decidiu-se
removê-lo do conjunto de dados. Assim, obteve-se o Gráfico 2, o qual foi
utilizado para a obtenção do calor de dissolução do ácido benzoico.
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Gráfico 2 – Logaritmo neperiano da fração molar de ácido benzoico em função


do inverso da temperatura, corrigido

-6,2

-6,3

-6,4
y = -3186x + 3,0599
-6,5 R² = 0,9567
Ln (x)

-6,6

-6,7

-6,8

-6,9

-7
0,0029 0,00295 0,003 0,00305 0,0031 0,00315 0,0032
1/T, K

Fonte: Os autores, 2018.

Observa-se que a exclusão do ponto discordante tornou mais próximo


de 1 o valor de R², mostrando ser uma exclusão razoável.
Utilizando o valor do coeficiente angular da função linearizada, obteve-
se:
∆𝑑𝑖𝑠𝑠 𝐻
𝛼= − ⇔ ∆𝑑𝑖𝑠𝑠 𝐻 = − 𝛼 ∙ 𝑅 = 26,489 𝑘𝐽/𝑚𝑜𝑙
𝑅

Experimento 2: Calor de dissociação

A calibração do calorímetro já foi feita diretamente com os sais pesados,


para agilizar o experimento, pulando a parte de se calibrar ele com água.
Através da fórmula 𝑄 = 𝑖 2 ∙ 𝑅 ∙ ∆𝑡 obteve-se o calor específico para cada
um dos 3 sais utilizados, posteriormente, isolando a Capacidade Calorífica na
𝑄
fórmula 𝐶𝑝 = − ∆𝑇, obteve-se a capacidade calorífica para cada sal, usando o

∆𝑡
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como o tempo levado para se variar 0,5°C.

Tabela 3 – Dados utilizados para se calcular a capacidade calorífica para o respectivo


sal utilizado
Sal Corrente (A) Resistência ∆𝒕 (s) Cp (J/gºC)
(Ω)
NaCl 0,1998 10 667 532,5333
Na2CO3 0,1998 10 693 553,2918
NaHCO3 0,1998 10 693 553,2918
Fonte: Os autores, 2018.

Com os dados da capacidade calorífica, da variação de temperatura e o


número de mols de cada um dos sais, calculou-se a entalpia molar padrão de
dissociação para cada um dos sais por meio da fórmula:
𝐶𝑝 ∙ ∆𝑇
∆𝐻𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑐 = −
1000 ∗ 𝑛
No qual o número 1000 foi utilizado para que o resultado ficasse em 𝑘𝐽/𝑚𝑜𝑙
Tabela 4 – ∆𝐻𝑑𝑖𝑠𝑠𝒐𝒄 para as temperaturas observadas no experimento

Sal Cp (J/gºC) ∆𝑻 (ºC) ∆𝐻𝑑𝑖𝑠𝑠𝒐𝒄 (𝒌𝑱/𝒎𝒐𝒍)


NaCl 532,5333 -1,3 4,507
Na2CO3 553,2918 3,1 -11,299
NaHCO3 553,2918 -4,2 14,434
Fonte: Os autores, 2018.

Com a entalpia molar experimental em mãos, calculou-se o erro relativo,


utilizando como base a entalpia molar padrão de cada substância de acordo
com a literatura, por meio da fórmula:
∆𝐻𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑐 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜 − ∆𝐻𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑐 𝑒𝑥𝑝
𝐸𝑟𝑟𝑜 = | |
∆𝐻𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑐 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜
Obtendo-se os seguintes erros:
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Tabela 5– Erros relativos ao experimento

Sal ∆𝐻 𝒆𝒙𝒑(𝒌𝑱/𝒎𝒐𝒍) ∆𝐻𝒕𝒆ó𝒓𝒊𝒄𝒐 (𝒌𝑱/𝒎𝒐𝒍) Erro (%)


NaCl 4,507 3,880 16,15
Na2CO3 -11,299 -23,290 51,48
NaHCO3 14,434 17,150 15,83
Fonte: Os autores, 2018.

Em posse da entalpia de dissociação, é possível calcular a entalpia de


interação soluto-solvente pela fórmula:
∆𝐻𝑆−𝑆 = ∆𝐻𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑐 − ∆𝐻𝑟𝑒𝑑𝑒
No qual o ∆𝐻𝑟𝑒𝑑𝑒 é encontrado na teoria.
Com todos os dados em mãos, o ∆𝐻𝑆−𝑆 é mostrado na tabela abaixo:

Tabela 6 – ∆𝐻𝑆−𝑆 de acordo com ∆𝐻 𝑒𝑥𝑝 do experimento e ∆𝐻𝑟𝑒𝑑𝑒 encontrado na

literatura

Sal ∆𝑯 𝒆𝒙𝒑(𝒌𝑱/𝒎𝒐𝒍) ∆𝑯𝒓𝒆𝒅𝒆 (𝒌𝑱/𝒎𝒐𝒍) ∆𝑯𝑺−𝑺(𝒌𝑱/𝒎𝒐𝒍)


NaCl 4,507 787 -782,493
Na2CO3 -11,299 2301 -2042,299
NaHCO3 14,434 820 -805,566
Fonte: Os autores, 2018.

Percebe-se, portanto, pelos dados obtidos, que o método é uma maneira


qualitativamente interessante de se medir a entalpia dos sais, já que, tanto o
NaCl quanto o NaHCO3 , os quais possuem um processo de dissociação
endotérmico, estão com um ∆𝐻 𝑒𝑥𝑝 positivo assim como na teoria, além de
possuírem um erro baixo comparado ao Na2CO3. Para esse último, a entalpia
ficou com sinal negativo por se ter uma variação de temperatura positiva, assim
como na literatura, mas com um erro alto que, provavelmente, está ligado a
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execução errônea do experimento e também à qualidade dos equipamentos


utilizados.
Já analisando a tabela 6, percebe-se que a entalpia de interação soluto -
soluto do Na2CO3 é perceptivelmente maior à dos outros sais utilizados.
Acredita-se que isso está associado ao fato dele ter dois sódios que são
solvatados, em contraposição aos outros dois sais que possuem apenas um.
Como o número de elementos no sal influencia a energia liberada na
solvatação, faz sentido o Na2CO3 liberar uma quantidade bem maior de energia
comparado aos outros dois.