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UNIDADE 3, TÓPICO 1

Desenvolvimento sustentável como novo paradigma; Degradação ambiental; Consumo; Críticas à

modernidade
As questões ambientais e do trabalho vêm assumindo novas configurações com o aprofundamento do processo de
globalização, com a reestruturação produtiva e a adoção das políticas econômicas de corte neoliberal. Constata-se
um duplo movimento: a dissolução das fronteiras políticas e econômicas ao desenvolvimento do capitalismo
globalizado e desregulamentado e a emergência de "novas" fronteiras ambientais que não podem ser
desconsideradas em longo prazo por este modo de produção.

Esta situação lança desafios à questão democrática, particularmente no caso brasileiro, que foi um país que por
muitos anos, no passado, foi profundamente marcado por uma cultura política autoritária e excludente, que impediu a
sedimentação de uma experiência democrática e o exercício da cidadania de forma plena. Nesse momento você
deve estar se perguntando:

- Como ocorrerá a participação da sociedade, a representação de interesses e, particularmente, a governabilidade do


espaço ambiental dadas as limitações impostas por processos econômicos sem fronteiras?

- Como enfrentar a exclusão de amplos segmentos da população ocasionada por novas formas de organização da
produção e do trabalho que os impedem de exercer plenamente seus direitos como trabalhadores e cidadãos?

- Que propostas de educação podem ser encaminhadas como contribuição para a formulação de um projeto de
desenvolvimento ancorado na "sustentabilidade democrática", no contexto atual do capitalismo internacionalizado?

Essas perguntas nortearão esse primeiro tópico de estudo. Para começarmos a entender melhor os impactos
provocados no meio ambiente iremos estudar o processo da gênese e evolução da sustentabilidade.

A degradação ambiental e a crise da sociedade do trabalho e a consequente queda na qualidade de vida e aumento
da desigualdade/exclusão social, estão a exigir no nosso entender uma discussão que aprofunde a articulação entre
trabalho, meio ambiente e desenvolvimento econômico, pois se questiona até que ponto os recursos naturais e a
humanidade suportarão o modelo hegemônico de produção, trabalho e consumo.

PARE E REFLITA
Será possível desenvolver-se economicamente sem causar danos ao meio ambiente? Caso seja possível,
que caminhos seguir para utilizar os recursos naturais sem degradar a natureza? Pense sobre isso!

Antes de mais nada, é necessário definir Meio Ambiente.

Meio Ambiente é onde estamos inseridos, nosso trabalho, nossa casa, nossa escola e faculdade, nossa rua
e nossa cidade. É tudo que nos cerca. São as diferentes interações que formamos com os seres abióticos
(sem vida, construções, pontes, terra, água e ar) e os seres bióticos ou seres vivos (nós, as plantas e até
mesmo as bactérias).

Desta forma, não estamos sós no cenário atual, e nossas relações com o ambiente afetam e são afetadas
pela economia, educação e saúde. Tudo está inter-relacionado.

Em uma conjuntura permeada por transformações econômicas, políticas, sociais, institucionais e culturais
intensificam-se as crises socioambientais e do mundo do trabalho.
Suas origens relacionam-se, por um lado, à desterritorialização da política, em que a soberania do Estado
é colocada em xeque pelos padrões de internacionalização do processo decisório e de globalização das
atividades políticas, provocando a crise dos sistemas democráticos e, por outro, ao movimento crescente
de desterritorialização de empresas e conglomerados industriais em direção àqueles países com oferta de
condições operacionais favoráveis, ou seja, melhores preços da força de trabalho, economia de
transportes e recursos de infraestrutura, além de uma baixa preocupação em relação ao cumprimento das
legislações trabalhista e ambientais.

Esta mobilidade das empresas decorre das novas formas de organização da produção, que são muito
mais flexíveis do que as baseadas no modelo fordista, pois permitem adaptações às flutuações das
demandas de produtos e serviços e um aproveitamento melhor das vantagens comparativas em diferentes
locais do mundo.

O aprofundamento do processo de globalização econômica traz novas demandas e exigências às


empresas que utilizam, como estratégias de busca de competitividade, o emprego maciço de novas
tecnologias e de novas formas de organização da produção e do trabalho. As novas tecnologias,
basicamente a microeletrônica, as biotecnologias e os novos materiais têm como característica comum,
sua aplicação universal, tanto no desenvolvimento de produtos, quanto na organização da produção.

O uso das biotecnologias e dos novos materiais redefine a relação da produção industrial e agrícola e dos
seres humanos com a natureza, com implicações para o meio ambiente no local de trabalho,
comunidades/sociedade e em escala planetária.

Com as novas formas de gestão do trabalho no padrão da acumulação flexível surgem novas tendências
em relação ao trabalho: este se torna mais abstrato, intelectualizado, autônomo, coletivo e complexo. Não
somente nos setores onde vigoram os novos conceitos de produção, mas em toda a estrutura produtiva
são demandadas novas qualificações e competências profissionais para os trabalhadores, dentre as quais
se incluem as relacionadas à temática ambiental.

Entretanto, se os processos de intensificação do uso de novas tecnologias e de novas formas de


organização da produção flexíveis, enxutas e racionais trazem, por um lado, a possibilidade de um
trabalho revalorizado, mais qualificado, acarreta, por outro lado, o desemprego e a exclusão de
trabalhadores, pela racionalização de custos e a otimização da produtividade industrial e de serviços.

Os reflexos do processo de modernização capitalista têm se revelado particularmente perversos em


países como o Brasil, onde a adoção de novos conceitos de produção está associada a formas políticas e
empresariais autoritárias, levando à exclusão política e econômica das classes populares, ao aumento do
desnível das esferas econômica e social e à degradação ambiental.

Com a globalização da produção observa-se, por um lado, o aumento em alguns países da parcela dos
incluídos no consumo de massa(Extremo Oriente e Sudeste Asiático), com hábitos importados do Ocidente
e, por outro, o crescimento do número de excluídos do mercado de trabalho em escala nunca antes vista.

Ambos os processos causam severos impactos ao meio ambiente: a incorporação ao mercado consumidor
mundial de um grande número de pessoas, além de contribuir para a redução da diversidade cultural e,
consequentemente, da diversidade biológica, reforça os efeitos do consumismo (como o lançamento de
gases na atmosfera/aquecimento global, elevada e concentrada produção de resíduos sólidos e esgotos
sanitários em áreas urbanas densamente povoadas).

Com o início do século XVIII, surge a Era Industrial. A criação de vários produtos novos, criou um novo
modelo econômico nos países ocidentais, o Consumismo. Muitas vezes, compramos por comprarmos, não
sendo realmente uma necessidade efetiva, mais por ser um item cobiçado pela maioria.

E o que fazer com o que não mais utilizamos? Jogamos fora? Criando um círculo vicioso de geração de
resíduos.

O resíduo sólido, o lixo urbano e industrial, é um problema mundial. Este gera além dos incômodos
conhecidos, o odor e ocupação de espaço, também é responsável pela geração de dióxido de carbono. O
dióxido de carbono ao se acumular na atmosfera, tem elevado a temperatura global devido ao efeito
estufa.

O efeito estufa é um processo físico, onde parte do calor que provem do Sol penetra a camada de ozônio e
não consegue sair da atmosfera, ficando parcialmente retido. Este calor mantém a Terra aquecida. Sem
ele nunca teríamos saído da Era Glacial (gelo). A Terra sem o efeito estufa teria em sua superfície a
temperatura média de – 15ºC. Isto impossibilitaria a vida na Terra. Nenhuma planta, nossa base da cadeia
alimentar, e nenhum animal seria capaz de sobreviver a uma temperatura média dessas. Entretanto o
aumento sucessivo de dióxido de carbono vem primeiramente elevando a temperatura do planeta e
posteriormente com a destruição da camada de ozônio irá fazer com que a Terra retorne a uma Era
Glacial.

Aliado a produção de lixo, resíduos sólidos, o desmatamento, o esgoto em “céu aberto” sem tratamento
adequado, vem também aumentando o nível de dióxido de carbono na atmosfera.

Novas formas de tratamento de resíduos sólidos necessitam ser criadas e a prática dos três "R" é
necessária: Reduzir, Reciclar e Reaproveitar

Em 2007, um relatório do Pinel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), criado pela Organização
das Nações Unidas (ONU), demonstrou que o aquecimento global se devia a: emissões de gás carbônico
provocadas pelo ser humano (na própria respiração e com o aumento da população mundial), na queima
de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e seus derivados por motores, industrias e usinas) e em menor
grau, mas ainda importante, pelas queimadas das florestas. O relatório prevê um aumento entre 1,8ºC a
6,4ºC na temperatura global ainda neste século.

O aumento da temperatura pode provocar a elevação dos níveis dos oceanos e mares, devido à expansão
térmica da água e degelo de parte das calotas polares. Com isso, grandes áreas do litoral podem ser
inundadas. Ilhas podem ficar submersas. Pessoas ficaram desabrigadas. A água que surgir devido ao
degelo, modificará as correntes marítimas, modificando o regime de ventos e chuvas. O clima de várias
regiões será modificado. Verões e invernos mais intensos. Estiagem de chuva e podendo haver seca
prolongada em regiões que nunca tiveram seca. Além disso, mudanças climáticas, afetam diretamente, a
agricultura e o cultivo de determinadas plantas. Também leva ao aumento de proliferação de insetos
transmissores de doenças, como a Dengue e a Malária, provocando um descontrole e desequilíbrio do
Ecossistema (Bioma). Além dos insetos causadores de doenças, muitas "pragas", insetos que destroem
plantações, se reproduzem melhor em temperaturas mais elevadas. Finalmente a mudança climática com
elevação da temperatura global, o aquecimento global, poderá levar a extinção de espécies.

Os países industrializados e ricos, são os principais atores que elevam a temperatura provocando o
Aquecimento Global. Eles vêm emitindo níveis elevados de gás carbônico desde a Era Industrial
(Revolução Industrial), e consomem muito mais energia e para tal gastam muito mais combustíveis fósseis
para gerá-la.

Em 2005 entrou em vigor o Protocolo de Kyoto, onde a maioria dos países se comprometia a reduzir os
níveis de emissão de gás carbônico. Utilizou-se como referência as emissões mensuradas de 1990 a
2012. As cotas variam entre 6% a 8% de redução. Para tal é necessário investir em energias renováveis
(Eólica, Solar, Maré Motriz, Biomassa), melhorar a eficiência de produção de produtos industrializados
para que haja menos resíduos após manipulação da matéria prima.

Uma forma dos países ricos e mais industrializados tem de financiar este tipo de recurso, chamado de
Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, é o financiamento de países em desenvolvimento, como o Brasil,
de projetos de biocombustíveis (motores que utilizam biodiesel e etanol), melhorar a automação de
industrias para evitar o desperdício e geração de resíduos sólidos.

Uma outra alternativa é a criação dos Créditos de Carbono. Países não poluidores devem aumentar sua
eficácia em produção de energia, e continuarem sem poluir, sem emitir gás carbônico e para tal recebem
uma recompensa econômica. Em resumo, eu pago para que você não polua e eu possa continuar a
poluindo.
Protocolo de Quioto

Um outro fato importante é, a marginalização socioeconômica que implica em que um significativo


contingente populacional passa a subsistir graças aos recursos naturais ou causando grande impacto
sobre o meio ambiente (extinção de espécies vegetais e animais dos ecossistemas, corte e queima da
vegetação para venda de carvão, entre outros). Importa destacar, por um lado, que desigualdade social e
degradação ambiental sempre andaram juntas no Brasil, conformando uma questão socioambiental e, por
outro, que as agressões ao meio ambiente afetam as pessoas que dele dependem para viver e trabalhar,
de modo desigual ou segundo sua vinculação ao modo de produção hegemônico (como residir próximo às
indústrias poluidoras, lixões, margens dos cursos d'água e áreas com elevada declividade), determinando
que grupos em piores condições socioeconômicas fiquem mais expostos do que outros a riscos
ambientais.

Frente a este quadro de crise social e ambiental de dimensão planetária, verifica-se a formulação de
diferentes propostas de modelos de desenvolvimento ambientalmente sustentáveis. Entretanto, devemos
estar atentos às concepções existentes sobre desenvolvimento sustentável, pois estas estão ancoradas
em diferentes matrizes teóricas que informam a intenção de efetivar distintos projetos políticos, segundo
os interesses em confronto, que se refletem nas abordagens e práticas educacionais.

PARE E REFLITA:
O desenvolvimento sustentável seria um dado objetivo que, no entanto, não se conseguiu ainda
apreender, será uma construção social?

Poderá também compreender diferentes conteúdos e práticas?


Isto nos esclarece porque distintas representações e valores vêm sendo associados à noção de
sustentabilidade: são discursos em disputa pela expressão que se pretende a mais legítima. Pois a
sustentabilidade é uma noção a que se pode recorrer para tornar objetivas diferentes representações e
ideias.

Uma primeira concepção de desenvolvimento sustentável origina-se no interior do discurso


desenvolvimentista e é defendida pelo Estado e empresariado. Foi proclamada pelo Relatório Brundtland
(1987), produzido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU:

Desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a


possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades, isto é, aquele que garante
um crescimento econômico vigoroso e, ao mesmo tempo, social e ambientalmente sustentável.

Esta concepção de desenvolvimento sustentável é reiterada pela Agenda 21, (criada na Eco- 92 em 1992
no Rio de janeiro) que se inicia com a afirmação da primazia da economia como motor do
desenvolvimento sustentável e aponta, em seus vários capítulos, a necessidade de um ambiente
econômico e internacional ao mesmo tempo dinâmico e propício, de políticas econômicas internas
saudáveis, da liberalização do comércio e de uma distribuição ótima da produção mundial, sobre a base
das vantagens comparativas, na perspectiva da lógica e da hegemonia do mercado.

Tanto a Comissão Brundtland (1987), quanto a Agenda 21(1992), propõem uma nova relação entre
produção, meio ambiente e desenvolvimento econômico inspirada em uma noção de sustentabilidade
pautada por uma visão econômica dos sistemas biológicos, onde caberia ao desenvolvimento econômico
apropriar-se dos fluxos tidos como excedentes da natureza sem, no entanto, comprometer o "capital
natural". Sua estratégia conjuga crescimento econômico com progresso técnico capaz de poupar recursos
materiais, mas sem restrição aos ritmos da acumulação capitalista. O mercado é apresentado como "o
ambiente institucional mais favorável à consideração da natureza como capital", convertendo-se o
desenvolvimento sustentável, nesta concepção, em um ambientalismo de livre mercado.

Na abordagem mercadológico-ambiental de desenvolvimento sustentável, a palavra-chave é a eficiência, e


as inovações tecnológicas devem garantir um melhor aproveitamento dos recursos naturais e diminuir os
efeitos nocivos das atividades produtivas. Embora se reconheça a responsabilidade do atual padrão de
produção e consumo pela crise ambiental, o que se propõe é a relativa redução de consumo de matéria e
energia a partir da maior eficiência tecnológica.

Desta forma "a noção de sociedade sustentável ancora-se na redução máxima do desperdício ou
poupança de recursos" e a racionalidade do sistema, em seu conjunto, implica considerar o desperdício no
quadro da produção socioeconômica, tendo como noção reguladora o princípio da otimização de recursos
ou poupança, ou da relação ótima custo-benefício, isto é, a eficiência.

Esta concepção de desenvolvimento sustentável tem, portanto, como princípio norteador, o crescimento
econômico e a eficiência na lógica do mercado, e seus pressupostos estão ancorados na economia política
clássica, no liberalismo econômico de Adam Smith, e na sua atualização contemporânea, o neoliberalismo
de Friedrich August von Hayek. O eixo da teoria de Smith (1985) é o crescimento econômico e sua ideia
central é a de que a riqueza das nações é determinada pelo aumento da produtividade do trabalho, que
tem origem em mudanças na divisão e especialização do processo de trabalho.
O crescimento da produtividade do trabalho, que produz um excedente de valor sobre seu custo de
reprodução, permite o crescimento do estoque de capital (acumulação) e amplia o tamanho dos mercados.
Para assegurar a prosperidade das nações é preciso que haja liberdade dos indivíduos - compreendidos
como agentes econômicos - para agir, inspirando-se em seus próprios interesses, e essa ordenação
natural é mais capaz de favorecer a geração da riqueza do que as coordenações artificiais, como as
exercidas pelo Estado, cujo papel deve ser reduzido ao mínimo. Para Smith (1985), não há antagonismo,
mas harmonia entre os interesses individuais e o interesse geral, sendo a liberdade na procura da riqueza
a condição de todo o progresso. Segundo Hayek (1985), o Estado regulador do mercado destrói a
liberdade dos cidadãos e a competição, sem as quais não há prosperidade.

A análise dos pressupostos que norteiam a concepção de desenvolvimento sustentável permite-nos


compreender a necessidade do aumento da competição, da maior mobilidade de capital, dos processos de
acumulação e de alocação de capital, de busca cada vez maior de aumento da produtividade do trabalho
pelo capital e de eficiência, na dinâmica capitalista de geração de valor. Permite-nos compreender,
igualmente, que na concepção de desenvolvimento sustentável centrada na lógica do capital, o livre
mercado é o instrumento da alocação eficiente dos recursos planetários e, neste sentido, a relação
trabalho e meio ambiente está subsumida à supremacia do capital, com sérias consequências para o
mundo do trabalho e para os recursos naturais.

PARE E REFLITA

Refletindo o que estudamos Para aprimorar o conhecimento adquirido nessa aula, sugerimos que você
faça uma breve reflexão sobre a frase a seguir:

"A reflexão sobre o meio ambiente, com o objetivo de se alcançar o desenvolvimento sustentável, exige o
estabelecimento de paradigmas que alterem a relação homem/natureza verificada desde o período colonial."
UNIDADE 3, TÓPICO 2.

Alternativas no tratamento dos problemas dos recursos naturais, do meio ambiente:

Preservacionismo e Desenvolvimento Sustentável.


Na aula anterior aprendemos sobre a origem e a evolução do termo sustentabilidade, vamos dar
continuidade nessa aula sobre as alternativas para solucionarmos os problemas relacionados ao consumo
excessivo dos recursos naturais.

Ao final do estudo desse tópico você deverá ser capaz de apresentar alternativas para lidar com os
problemas relacionados ao consumo dos recursos naturais e discutir a importância de medidas
preservacionista em busca de uma responsabilidade socioambiental.

Não se esqueça que a preservação é a saída para uma melhor qualidade de vida para as gerações
futuras. Antes de iniciarmos a nossa conversa, pense sobre a seguinte questão:

É possível preservar a natureza e ao mesmo tempo extrair dela os recursos necessários ao


desenvolvimento econômico e tecnológico da sociedade?

Entretanto, o assunto sustentabilidade e diminuição de impactos ambientais deixaram de ser específico a


ambientalistas; passando a fazer parte da vida organizacional da empresa, pois este conceito passou a
representar nos dias de hoje pré-requisito para que organizações alcancem a gestão da qualidade e
venham a se manter no mercado de forma competitiva. A gestão da qualidade representa o
aperfeiçoamento contínuo de todas as organizações.

A industrialização mundial
A industrialização mundial foi o marco do desenvolvimento tecnológico e econômico na utilização
desenfreada de matérias-primas e energia. Todo esse desenvolvimento gerou rejeitos resultantes de

Resíduo Impacto

Tintas, pigmentos e Quando feitos à base de chumbo,mercúrio ou cádmio,e solventes orgânicos, descartados no
solventes lixo poluem a água e os alimentos.

Embalagens contendo
Sob a ação da chuva poluem o solo,as águas superficiais e subterrâneas e introduzem-se na
resíduos de
cadeia alimentar.
pesticidas

Liberam metais pesados poluindo o solo, os cursos d’água e os lençóis freáticos, afetando a
Regula
flora e a fauna das regiões circunvizinhas e atingindo o homem pela cadeia alimentar.

processos produtivos que passaram a ser parte do cenário ambiental, onde seu acúmulo no meio
ambiente excedeu a capacidade de absorção passando, então, a ser considerado como fator poluente em
caráter global afetando a qualidade e a saúde da sociedade.

Resíduos e seu impacto no meio ambienteFonte: Eigenher, Emílio (2000)

O setor industrial, por ser o que mais provoca danos ao meio ambiente – seja devido ao seu processo
produtivo, seja pela fabricação de produtos poluentes e sua disposição final após a utilização –, é
considerado um dos maiores facilitadores da degradação ambiental, mas nos dias atuais as indústrias
também passaram a possibilitar maior eficiência na utilização de recursos naturais e na substituição parcial
de insumos no processo produtivo. Dessa forma, quando o desenvolvimento tecnológico segue em direção
a um padrão de produção que não seja significativamente agressivo ao meio ambiente, passa a ser
considerado uma solução parcial do problema em questão.

Em outras palavras: é necessário para a sociedade o desenvolvimento tecnológico, por ser o condutor do
crescimento econômico, mas o desenvolvimento tecnológico deve ser trabalhado de forma mais limpa, a
fim de conseguir sustentabilidade ambiental, pois se deve ter sempre em mente que os recursos naturais
devem servir às gerações atuais e vindouras e que os níveis de poluição têm que ser reduzidos,
independentemente do aumento da produção.

Rejeitos Industriais
Os rejeitos industriais representam desperdício econômico, por serem passíveis de reaproveitamento.
Essa concepção é firmada por vários ambientalistas, que também consideram esses rejeitos como
desperdício e um indício da ineficiência dos processos produtivos realizados, o que na maioria das vezes
gera perda de matérias-primas e insumos. Na industrialização, devido ao fato de os princípios da
qualidade e da eficiência inexistirem, a quantidade de rejeito é maior por não se reaproveitar em outro
processo produtivo e pelo uso desenfreado da matéria-prima.
Quando esses princípios são considerados no processo de industrialização, a qualidade e a eficiência
resultam na diminuição desses rejeitos e na consciência da utilização de matéria-prima. Reforçando essa
ideia, Mello (2009) apresenta princípios a serem considerados no processo produtivo e seus benefícios:

FOCO NO CLIENTE

Propicia a formulação de estratégias e políticas internas em relação ao relacionamento com os


clientes; se adéqua as necessidades do cliente e suas expectativas.

LIDERANÇA

Delega-se poder e envolve pessoas nos objetivos organizacionais e motiva e capacita a força de
trabalho.

ENVOLVIMENTO DAS PESSOAS

Contribui para a melhoria das estratégias e envolve os funcionários em decisões e processos de


melhoria.

ABORDAGEM DO PROCESSO

Melhora o uso das matérias-primas resultando num custo mais baixo e previne erros.

ABORDAGEM SISTÊMICA

Permite uma visão da eficácia de processos identificando as causas de problemas e possíveis


ações de melhoria.

MELHORIA CONTÍNUA

Proporciona a melhoria dos processos, sistemas e produtos.

ABORDAGEM PARA TOMADA DE DECISÃO

Consolida as informações de forma a compreensão dos processos e sistemas no intuito de orientar as


melhorias e prevenir futuros problemas.

À medida que organizações vão aderindo aos princípios da qualidade, cria-se uma convergência de
interesses técnicos, econômicos e comerciais que fará com que organizações reduzam a geração de
poluentes, tornando-se mais eficientes.

O desenvolvimento econômico atrelado à manutenção do meio ambiente está associado à


sustentabilidade, o que, nos tempos atuais, tornou-se fator competitivo entre as organizações, devido à
procura da população por produtos que satisfaçam sua necessidade mas que não agridam o meio
ambiente. Por isso é fundamental entender o comportamento do consumidor e suas necessidades, para
poder satisfazê-las.

Para que o crescimento econômico venha a ser contínuo, com distribuição igualitária dos benefícios
resultantes e para que siga em direção ao desenvolvimento sustentável, se faz necessária uma mudança
no atual padrão tecnológico, de forma a diminuir a degradação existente. Isso não significa que devemos
terminar com as indústrias e seu processo de industrialização, mas primar por um desenvolvimento de
forma sustentável, visto que esse é o resultado dos elevados índices de consumismo criado pela
sociedade, que se agravam cada vez mais com o seu crescimento.

É importante lembrar!
Não há como atingir o desenvolvimento sustentável se os processos produtivos e o consumismo por parte
da sociedade não sofrerem modificações, pois consumidores que não dão a devida importância ao
consumo consciente representam enorme ameaça, por provocarem um impacto significativo no meio
ambiente. Atualmente, acredita-se que as necessidades e expectativas da sociedade devem ser
conjuntas, com forte campanha para a mudança de conceitos.

À medida que a preocupação com a matéria-prima cresce, ou seja, a partir do momento em que a
preservação do meio ambiente se tornou preocupação mundial, consequentemente tornou-se também o
diferencial entre uma organização e outra; este diferencial passou a ser uma oportunidade de negócio.

A procura por produtos que além de oferecer qualidade sejam também provenientes de organizações que
estejam comprometidas com o meio ambiente aumentou. No caso o preço do produto deixou de ser o
único fator estimulador da compra.

Motivação da compra Porcentagem

Investimento no meio 42%


Se 30%
Promoções em ações 28%

Como você pode observar, esta tabela mostra que há aumento significativo na procura por produtos
oriundos de empresas que investem no meio ambiente e em ações sociais. Essa concepção está
recebendo a adesão de algumas organizações que perceberam essa demanda no atual mercado, não se
preocupando somente com preço, mas também com o bem-estar da sociedade como um todo. Ou seja, a
organização que se preocupa com o meio ambiente acredita que passa a reduzir seu potencial de impacto,
de forma a até mesmo levar em consideração a forma como é a colheita da matéria-prima utilizada.

Nesse caso, a utilização de processos, práticas e produtos que proporcione a redução ou o controle da
poluição produzida pela organização resulta em um diferencial competitivo em relação às demais. É
extremamente vital para as organizações nos dias de hoje reconhecer que a gestão ambiental funciona
como uma questão estratégica no que depende da capacidade de responder às expectativas, interesses e
necessidades dos clientes e de outros detentores de interesses.
Com a realização da Conferência das Nações Unidas em Estocolmo, em 1972, a relação entre o meio
ambiente e as organizações empresariais tornou-se um tema político e estratégico. Esta conferência
propiciou a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a criação da
Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. O relatório resultante desta comissão
consagrou a expressão desenvolvimento sustentável e estabeleceu o papel importante das empresas na
gestão ambiental. Estas, em particular as indústrias, revelaram-se grandes propulsores da degradação
ambiental na atualidade.

A gestão ambiental está diretamente voltada às organizações; é definida como um conjunto de políticas,
programas e práticas administrativas e operacionais que levam em consideração a saúde e a segurança
das pessoas e a proteção do meio ambiente, pela eliminação ou minimização dos impactos e danos
ambientais causados pelas empresas.

Por isso, Valle (2002) nos apresenta a seguinte definição:

Gestão ambiental é um conjunto de medidas e métodos bem alicerçados que, quando aplicados,
promovem a redução e o controle dos impactos produzidos por um empreendimento sobre o meio
ambiente, que levam em consideração a origem e a forma com que se é providenciada a matéria-prima
até a eliminação efetiva dos resíduos gerados.

Gestão ambiental é o reflexo do somatório de aspectos da função social, econômica e ambiental, por
arquitetar a orientação da proteção física, psíquica, social e econômica do ser humano, ou seja, harmoniza
a economia e o meio ambiente.

É importante lembrar!
A partir do momento que a gestão ambiental passou a ser mais bem entendida em decorrência de seus
resultados, passou-se a pensar mais em termos de ecossistemas e ecorregiões. O ambiente passou a ser
encarado de forma sistemática e a gestão ambiental passou a ser vista como questão de natureza
estratégica.

A gestão ambiental deve ter como pilar o comprometimento da alta direção da empresa, que a definirá de
forma clara e objetiva, norteando suas atividades em relação ao meio ambiente, e se torna um
compromisso assumido perante a sociedade, categorizando suas intenções e princípios com relação ao
seu desempenho ambiental.

Quando as empresas se dirigem para os mercados internacionais, reconhecem a importância da gestão


ambiental e a sustentabilidade envolvida nesse processo de aceitação, encontrando formas de administrar
essas questões e passando a definir os passos estratégicos para chegar ao desenvolvimento sustentável.

1)Estratégia baseada em artifícios – a organização encerra suas atividades naquele local e se


instala em outra região em que o controle ambiental seja menos rigoroso.

2) Estratégia baseada em respostas – a organização responde aos incidentes e regulamentações


ambientais que venham a ser cobrados. Não possui nenhum programa preventivo que administre
ou que identifique as questões ambientais envolvidas; simplesmente paga pelo dano causado.

3) Estratégia baseada na conformidade – a organização possui um programa que identifica os


requisitos regulatórios; implanta medidas que satisfaçam os requisitos regulatórios, controlando
os riscos e a responsabilidade de acordo com a lei.
4) Estratégia baseada na gestão ambiental – a organização mantém gerenciamento sistemático de
suas atividades em relação às questões ambientais, o que é encarado como investimento e forma
de reduzir o custo nas operações e aumentar sua receita.

5) Estratégia baseada na prevenção da poluição – em todas as atividades exercidas pela empresa


existe a preocupação com o fator poluidor e seu impacto.

6) Estratégia baseada no desenvolvimento sustentável – a organização se preocupa com os


impactos sociais, ambientais e econômicos ocasionados por suas atividades.

Podemos verificar, nesses seis passos estratégicos, que houve evolução nas atitudes organizacionais em
relação ao meio ambiente. As estratégias possuem um início de despreocupação com a questão
ambiental, seguindo para o conceito de que o ambiente é um custo indesejável e culminando no conceito
de que o ambiente passou a ser fonte de renda e vantagem competitiva; as questões ambientais
passaram a ser vistas como responsabilidade social, moral e ética.

A implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) resultante da política ambiental adotada pela
organização deve ter como um de seus objetivos o aperfeiçoamento contínuo de suas atividades em
harmonia com o meio ambiente; este é o primeiro passo para a certificação da organização nas normas da
série ISO 14000.

Após essa discussão sobre as estratégias encontradas para melhor exploração dos recursos ambientais,
vale à pena parar e fazer uma reflexão sobre o efetivo cumprimento dessas propostas.
UNIDADE 3, TÓPICO 3.

Ampliação do conceito de sustentabilidade: sustentabilidade ambiental e social


Vamos começar esse tópico refletindo sobre algumas questões:

Qual a relação entre sustentabilidade ecológica e sustentabilidade social?

Que dificuldades podem existir para estabelecer a integração entre sustentabilidade ambiental e social?

Enfim, após refletir sobre essas questões, damos início à nossa terceira aula; nela o conceito de
sustentabilidade será ampliado, contemplando os aspectos ambientais e sociais. A sua dedicação e
empenho na leitura serão fundamentais para o melhor entendimento dessa relação. Para tornar mais
didático esse processo, optamos por estabelecer a relação entre uma região de floresta e a sociedade que
atua sobre esse espaço.

Qualquer análise da sustentabilidade, seja qual for a perspectiva teórica, requer estabelecer as inter-
relações entre a sociedade humana e o mundo circundante. Um primeiro nível de análise deve ser, então,
a relação entre o espaço em estudo – com suas características físico-naturais – e a sociedade que atua
sobre tal espaço, com suas características econômicas, demográficas e sociais.

Para facilitar essa relação, vamos analisar um ecossistema caracterizado por mata atlântica. Esse
ecossistema é de topografia variável, relevo montanhoso, planícies aluviais e bancos de areia.
Predominam os solos com baixa aptidão agrícola, devido às limitações topográficas, à baixa fertilidade
natural e ao encharcamento do solo característicos do litoral. O clima predominante é o tropical, super
úmido, com verões quentes, temperaturas médias anuais de 22ºC e precipitações elevadas – média de
2.365mm anuais em 207 dias de chuva.
A vegetação é de floresta pluvial, densa, composta por várias espécies de árvores e arbustos. Nessa
região é significativa uma espécie de palmeira, pela grande dispersão e importância econômica. Outras
formações de importância econômica são os manguezais. Essa região, porém, representa só 5% do que
esse sistema era um século atrás. Ainda assim, permanece relativamente isolada, se comparada com
outras áreas da costa brasileira. E isso se deve a uma simples razão: trata-se de uma zona sem praias,
onde o mangue cobre a costa, diferentemente de áreas onde as praias condicionaram a ocupação de tipo
turístico.

Portanto, o isolamento se dá porque:

a) não há estrada totalmente asfaltada;


b) o transporte de mercadorias e pessoas predominou e ainda ocorre, em grande medida, por via fluvial;
c) a densidade demográfica não tem justificado maiores investimentos em infraestrutura.
A perspectiva comparativa entre regiões naturais deve ser sempre o ponto de partida da análise da
sustentabilidade, já que a ocupação de um ambiente é, por natureza, desigual e relativa. Ao mesmo
tempo, permite destacar os elementos e as restrições determinantes do tipo de ocupação de outros,
geralmente acessórios. Neste caso, por exemplo, as restrições impostas pelas baías de mangue
determinaram historicamente o tipo de ocupação.

Essa distinção não poderia ser percebida ao se analisar a região em si mesma. Por certo, outros fatores
naturais – como a topografia – ou de ordem histórico-política – como o atraso relativo do desenvolvimento
do capitalismo dessa região quando comparado com regiões vizinhas – também explicam seu isolamento
relativo. Mas a especificidade desse local aqui estudado só pode ser explicada pela negativa: a inexistência
de praias.

Em comparação, regiões com praias têm forte ocupação costeira, o que marca uma diferença substancial.
Após tecer essa comparação entre regiões, você deve estar se perguntando:

Que fatores são determinantes para a ocupação e consequente alteração no ambiente natural?

Indo um pouco além, podemos ainda questionar a relação entre o social e o ambiental, ou seja, entre
aspectos econômicos e culturais e a velocidade de ocupação e degradação de uma dada região natural.

Analisadas essas condições naturais ou restrições (mangue e ausência de praias), todos os outros
determinantes da viabilidade da região estão marcados pela sustentabilidade social. Aqui estamos
utilizando o conceito de sustentabilidade social em sentido amplo, incluindo os aspectos econômicos.
Qualquer sistema de produção implica a combinação de uma forma de organização social da produção,
com um nível de desenvolvimento tecnológico determinado, junto a uma base natural dada.

Neste caso, o primeiro elemento a se destacar é que na região o ecossistema de floresta atlântica nunca
foi arrasado, não se implantou um sistema de produção que, ao estilo da indústria urbana ou agrícola
mecanizada, transformasse na raiz as condições naturais. Ao contrário, os diferentes sistemas de
produção se incorporaram marginalmente em termos de espaço ocupado e de impacto, ocasionando
impactos significativos.

Toda aplicação de trabalho sobre o ecossistema tem como consequência a modificação do grau de
fertilidade do solo. Mas é necessário distinguir a fertilidade natural, resultado dos nutrientes do solo, sua
topografia, clima etc., da "fertilidade" econômica. Nesta, além dos fatores naturais, intervêm a tecnologia, a
organização, a infraestrutura e a localização frente aos mercados.

Na medida em que os investimentos de capital são cada vez mais significativos, a fertilidade natural dá vez
a que os investimentos de capital sejam determinantes do resultado econômico. O atraso relativo dos
investimentos em capital fez com que os sucessivos ciclos de produtos – como cana-de- açúcar, arroz,
café, banana e mandioca – não tivessem êxito, porque não podem competir com outras regiões onde a
fertilidade econômica – e não só a natural – é maior.

Uma vez contemplado o nível relativo de desenvolvimento da produtividade do trabalho, é necessário


determinar a forma de produção à qual a sustentabilidade se refere. Essa distinção é da maior
importância. Uma fábrica, por exemplo, pode dar lucro a seu dono e manter um sistema de produção
relativamente limpo, com pouca degradação do meio ambiente. Nesse sentido, pode ser considerada
sustentável tanto para – como por – seu dono e pela sociedade em seu conjunto. Porém, é possível que
os trabalhadores da dita fábrica não achem que sua relação salarial seja sustentável; dessa maneira, a
análise da sustentabilidade deve ser explícita com relação ao sujeito do qual está tratando.

Insustentabilidade
A insustentabilidade de certa região não se dá, de nenhuma maneira, por um problema ecológico, de baixa
fertibilidade natural, nem por dificuldades de acesso à terra. Tampouco a causa pode ser atribuída
exclusiva ou majoritariamente à legislação ambiental e a seu impacto nas práticas econômicas. Isso não
significa negar o papel da legislação, a qual tem importância como maior regimento das questões
ambientais.

A causa da insustentabilidade está no mercado, na competitividade frente a outras regiões, para não falar
da competitividade dos mercados internacionais, que também se fez sentir.

O fato de que a causa da insustentabilidade esteja no mercado leva-nos a refletir sobre a proposta desta
aula, ou seja, a relação entre sustentabilidade ambiental e sustentabilidade social. É impossível pensar a
sustentabilidade no nível local diante de produtores integrados a um mercado que os torna sujeitos a
dinâmicas de preços regulados em nível regional e até mundial.

No entanto, ao pensarmos em termos exclusivamente naturais, vemos que a competitividade mercantil,


cujos elementos afetam diretamente a sustentabilidade social, é a causa dos impactos ambientais que
dificultam a sustentabilidade do ecossistema. Isso é claro em vários casos de produtos naturais, que
passam a ser praticamente o único produto com preço competitivo, razão pela qual os habitantes de uma
região eliminam sistematicamente as árvores que os produzem; isso acontece claramente no caso da
banana, do gengibre ou de sistemas emergentes, como o do palmito.

A competitividade mercantil obriga à introdução de tecnologias que podem afetar a sustentabilidade


ecológica, como os herbicidas, que têm e poderão ter – na medida de seu incremento – mais efeitos
secundários, com impactos potenciais sobre os ecossistemas aquáticos. O mesmo ocorre com os
sistemas especulativos, como a criação de búfalos, que causa comprovados impactos ao ecossistema
(desflorestação) e ao solo (compactação/erosão).

De toda forma, no que se refere à sustentabilidade ambiental, cabem duas ressalvas importantes.
Duas ressalvas importantes.
1ª - com relação ao produto a ser explorado. Ainda que saibamos que o recurso é afetado, não sabemos
qual é o efeito sobre o sistema global (ecossistema de floresta atlântica, como no nosso exemplo anterior).
Este é claramente um caso de perda específica de biodiversidade. Mas essa perda de biodiversidade é
suficientemente importante para afetar o ecossistema como um todo? Isto é difícil de estabelecer.
Ademais, a perda de biodiversidade, seu nível e seu impacto nos ecossistemas é ainda uma incerteza.
Pare neste momento da aula e reflita sobre essa questão.

2ª - quando se refere à área ocupada. Quando se analisa o impacto ambiental da agricultura sobre a
vegetação, observa-se que há alterações nessa paisagem natural. Além dessa constatação, vale lembrar
ser discutível que o desmate/queima em áreas agrícolas afete a biodiversidade e, por conseguinte, o
funcionamento dos ecossistemas. Ao contrário, há indícios de que essa atividade, se adequadamente
praticada, pode incrementar a biodiversidade e contribuir para um maior grau de sustentabilidade dos
sistemas agrícolas.

Nesse sentido, os seres humanos estabelecem relações sociais e, por meio delas, atribuem significados à
natureza (econômico, estético, sagrado, lúdico, econômico-estético etc.). Agindo sobre ela (a natureza),
instituem práticas e, alterando suas propriedades, garantem a reprodução social de sua existência. Essas
relações (dos seres humanos entre si e com o meio físico natural) ocorrem nas diferentes esferas da vida
societária (econômica, política, religiosa, científica, jurídica, afetiva, étnica etc.) e assumem características
específicas decorrentes do contexto social e histórico em que acontecem. Portanto, são as relações sociais
que explicam as múltiplas e diversificadas práticas de apropriação e uso dos recursos ambientais
(inclusive a atribuição de significado econômico).

A existência de determinado risco ou dano ambiental (poluição do ar, contaminação hídrica, pesca
predatória, aterramento de manguezais, emissões radiativas etc.), para ser compreendida em sua
totalidade, deve ser analisada a partir da inter-relação de aspectos que qualificam as relações na
sociedade (econômicas, sociais, políticas, éticas, afetivas, culturais, jurídicas etc.) com os aspectos
próprios do meio físico-natural. Tudo isso sem perder de vista que outras ações sobre o meio físico natural
podem gerar novas consequências sobre o meio social.

Assim, as decisões tomadas no meio social é que definem as alterações do meio físico- natural. Desse
modo, a problemática ambiental coloca a questão do ato de conhecer como fundamental para praticar a
gestão ambiental. Por sua complexidade, a questão ambiental não pode ser compreendida segundo a
ótica de uma única ciência. A questão ambiental convoca diversos campos do saber a depor. A questão
ambiental, na verdade, diz respeito ao modo como a sociedade se relaciona com a natureza. Nela estão
implicadas as relações sociais e as complexas relações entre o mundo físico-químico e orgânico.
Nenhuma área do conhecimento específico tem competência para decidir sobre ela, embora muitas
tenham o que dizer.

A necessidade que a problemática ambiental coloca, de buscar um outro modo de conhecer, que supere o
olhar fragmentado sobre o mundo real, coloca também o desafio de se organizar uma prática educativa
em que o ato pedagógico seja um ato de construção do conhecimento sobre este mundo, fundamentado
na unidade dialética entre teoria e prática. Portanto, o reconhecimento da complexidade do conhecer
implica assumir a complexidade do aprender.

Historicamente, os seres humanos estabelecem relações sociais e, por meio delas, atribuem significados à
natureza. Agindo sobre o meio físico-natural, instituem práticas; alterando suas propriedades, garantem a
reprodução social de sua existência. Essas relações (dos seres humanos entre si e com o meio físico-
natural) ocorrem nas diferentes esferas da vida societária (econômica, política, religiosa, jurídica, afetiva,
étnica etc.) e assumem características específicas decorrentes do contexto social e histórico em que
acontecem. Portanto, são as relações sociais que explicam as múltiplas e diversificadas práticas de
apropriação e uso dos recursos ambientais (inclusive a atribuição desse significado eminentemente
econômico).

No Brasil, em virtude do estabelecido na Constituição Federal, cabe ao Poder Público ordenar essas
práticas, promovendo o que se denomina gestão ambiental pública. O Poder Público, como principal
mediador desse processo, é detentor de poderes estabelecidos na legislação que lhe permitem promover
desde o ordenamento e controle do uso dos recursos ambientais, inclusive articulando instrumentos de
comando e controle com instrumentos econômicos, até a reparação e mesmo a prisão de indivíduos
responsabilizados por práticas causadoras de danos ambientais. Nesse sentido, o Poder Público
estabelece padrões de qualidade ambiental, avalia impactos ambientais, licencia e revisa atividades
efetiva e potencialmente poluidoras, disciplina a ocupação do território e o uso de recursos naturais, cria e
gerencia áreas protegidas, obriga a recuperação do dano ambiental pelo agente causador e promove o
monitoramento, a fiscalização, a pesquisa, a educação ambiental e outras ações necessárias ao
cumprimento da sua função mediadora.

Por outro lado, observa-se, no Brasil, que o poder de decidir e intervir para transformar o ambiente, seja
ele físico-natural ou construído, e os benefícios e custos dele decorrentes estão distribuídos, social e
geograficamente, de modo assimétrico. Por serem detentores de poder econômico ou de poderes
outorgados pela sociedade, determinados grupos sociais possuem, por meio de suas ações, capacidade
variada de influenciar direta ou indiretamente na transformação (de modo positivo ou negativo) da
qualidade do meio ambiente.

UNIDADE 3, TÓPICO 4

A Pratica da responsabilidade ambiental em ambientes formais e não formais de ensino


Nos tópicos anteriores você estudou os aspectos relacionados à origem do termo sustenta- bilidade. Neste
último, veremos a proposta de uma educação pautada em questões relacionadas aos problemas
ambientais, com o objetivo de formar cidadãos mais preocupados com essa problemática. Além disso,
este trabalho visa conscientizar a sociedade de seu papel na construção de um planeta mais saudável.

No final deste tópico, você perceberá que também é responsável pela formação desses indivíduos e verá
a importância dessa conscientização global.

Vamos começar?

Qualquer proposta de ação em meio ambiente precisa ser realizada por uma ótica multidisciplinar, mas
desenvolvendo um processo de trabalho interdisciplinar. Sabemos que o desenvolvimento sustentável é
aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras
atenderem suas próprias necessidades. Ele contém dois conceitos-chave:
Conceito de necessidades, sobretudo as necessidades dos pobres do mundo, que devem receber a
máxima prioridade;

A noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente,
impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras.

O processo de caminhar para um desenvolvimento sustentável subentende que é preciso minimizar os


impactos adversos sobre a qualidade do ar, da água e de outros elementos naturais a fim de manter a
integridade global do ecossistema. O desenvolvimento sustentável também requer a promoção de valores
que mantenham os padrões de consumo dentro do limite das possibilidades ecológicas a que todos
podem aspirar.

Esse tipo de desenvolvimento é mais do que crescimento. Ele exige uma mudança no teor qualitativo do
crescimento, a fim de torná-lo menos intensivo de matérias-primas e de energia e mais equitativo em seu
impacto. Os profissionais da área deverão saber lidar com questões como o uso inteligente dos recursos
naturais, a redução das infrações ambientais e a destinação final adequada dos rejeitos.

Eles também poderão estruturar e modular programas de educação ambiental para empresas e
comunidades, uma vez que a educação ambiental no trabalho pode se transformar num programa
educacional completo e pode ser dada com eficácia e ser adaptada, com baixo custo, às necessidades de
qualquer organização. A educação ambiental requer mudança de comportamento e de atitudes em relação
ao meio ambiente interno de qualquer organização e externo a ela.

A Recomendação 96 da Conferência das Nações Unidas de Estocolmo, em junho de 1972, já reconhecia


o desenvolvimento da educação ambiental como elemento-chave para o combate às crises ambientais no
mundo. No plano nacional, desde 1981 a Lei Nº 6938, já completando vinte anos no alvorecer do terceiro
milênio, dispõe sobre os fins, mecanismos de formulação e aplicação da Política Nacional de Meio
Ambiente e consagra a educação ambiental em todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade.

Como vimos nos estudos anteriores, vários documentos foram criados a partir da Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio 92, entre eles a Agenda 21, que apresenta
plano de ação para o desenvolvimento sustentável a ser adotado pelos países a partir de uma nova
perspectiva de cooperação internacional.

Educação Ambiental
A educação ambiental é identificada como instrumento de revisão dos conceitos sobre o mundo e sobre a
vida em sociedade, conduzindo os seres humanos à construção de novos valores sociais, à aquisição de
conhecimentos, atitudes, competências e habilidades para a conquista e a manutenção do direito ao meio
ambiente equilibrado.

O índice de sustentabilidade ambiental, lançado em janeiro de 2000 como parte do encontro anual do
Fórum Econômico Mundial, é um valioso esforço para medir a habilidade das economias para conseguir
desenvolvimento ambientalmente sustentável.

A evolução do conceito de educação ambiental acompanhou a evolução do conceito e da percepção de


ambiente. Evoluiu de um enfoque mais ecológico no sentido das ciências biológicas para uma dimensão
que incorpora as contribuições das ciências sociais fundamentais para a melhoria do ambiente humano.
Assim, pode-se pensar o ambiente e a educação ambiental de forma a reduzi-los aos aspectos relativos a
fauna, flora, ar, solo e água.
Pode-se, no entanto, ampliar o conceito e adotar o modelo que aborda os aspectos políticos, éticos,
sociais, científicos, econômicos, tecnológicos, culturais e ecológicos, por exemplo. Todavia, compartilho de
um pensamento no qual o ponto de partida é o ambiente interno de cada ser humano. Não no sentido
antropocêntrico, mas porque parto do princípio de que o ambiente interno de cada ser humano está
conectado com o planeta e com o cosmos. É onde começa a compreensão do conceito de rede, de
interconexão, de interdependência, de teia da vida.

A Conferência de Tbilisi considera a educação ambiental como:


"um processo permanente no qual indivíduos tornam-se conscientes do seu ambiente e adquirem conhecimento,
valores, habilidades, experiências e a determinação para agir individual e coletivamente, prevenindo e resolvendo
problemas presentes e futuros." (Tbilisi, CEI, de 14 a 26 de outubro de 1977)

Assim como o ambiente precisa ser percebido na sua totalidade, a educação ambiental também precisa
ser vista e praticada na sua integralidade. É comum a prática de uma educação ambiental voltada para o
cuidado externo, com o oikos: nosso planeta-casa. No entanto, a primeira casa habitada pelo ser humano
é constituída pelo seu próprio ser, seu próprio corpo. A visão do corpo como oikos é encontrada tanto na
cultura oriental quanto na tradição indígena ou cristã. Dessa forma, a educação ambiental precisa ser
praticada tanto nas diferentes dimensões do ambiente interno de cada um (físico, mental, emocional,
espiritual) quanto nas dimensões do ambiente externo (relacionamentos interpessoais e com a as demais
manifestações da natureza).

Nestes tempos em que a informação assume papel cada vez mais relevante, ciberespaço, multimídia,
internet, educação para a cidadania representam a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para
transformar as diversas formas de participação na defesa da qualidade de vida. Nesse sentido, cabe
destacar que a educação ambiental assume cada vez mais uma função transformadora, na qual a co-
responsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover um novo tipo de
desenvolvimento – o desenvolvimento sustentável.

Entende-se, portanto, que a educação ambiental é condição necessária para modificar o quadro de
crescente degradação socioambiental. O educador tem a função de mediador na construção de
referenciais ambientais e deve saber usá-los como instrumentos para o desenvolvimento de uma prática
social centrada no conceito da natureza.

Desenvolvimento sustentável
A problemática da sustentabilidade assume, neste novo século, um papel central na reflexão sobre
as dimensões do desenvolvimento e das alternativas que se configuram.

O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades contemporâneas revela que o impacto dos
humanos sobre o meio ambiente tem tido consequências cada vez mais complexas, tanto em termos
quantitativos quanto qualitativos.

O conceito de desenvolvimento sustentável surge para enfrentar a crise ecológica; pelo menos duas
correntes alimentaram o processo: uma, centrada no trabalho do Clube de Roma, reúne suas ideias,
publicadas em 1972 sob o título de Limites do Crescimento; segundo elas, para alcançar a estabilidade
econômica e ecológica propõe-se o congelamento do crescimento da população global e do capital
industrial, mostrando a realidade dos recursos limitados e indicando forte viés para o controle demográfico.
A segunda está relacionada à crítica ambientalista ao modo de vida contemporâneo, e se difundiu a partir
da Conferência de Estocolmo, também em 1972. Tem como pressuposto a existência da sustentabilidade
social, econômica e ecológica. Essas dimensões explicitam a necessidade de tornar compatível a melhoria
nos níveis e qualidade de vida com a preservação ambiental. Surgem para dar resposta à necessidade de
harmonizar os processos ambientais com os socioeconômicos, maximizando a produção dos ecos-
sistemas para favorecer as necessidades humanas presentes e futuras. A maior virtude dessa abordagem
é que, além da incorporação definitiva dos aspectos ecológicos no plano teórico, enfatiza a necessidade
de inverter a tendência autodestrutiva dos processos de desenvolvimento no seu abuso contra a natureza.

O Relatório Brundtlandt, também conhecido como Nosso futuro comum, defende, a partir de 1987, a ideia
do "desenvolvimento sustentável", indicando um ponto de inflexão no debate sobre os impactos do
desenvolvimento. Não só reforça as necessárias relações entre economia, tecnologia, sociedade e política
como chama atenção para a necessidade do reforço de uma nova postura ética em relação à preservação
do meio ambiente, caracterizada pelo desafio de responsabilidade tanto entre as gerações quanto entre os
integrantes da sociedade dos nossos tempos.

Na Rio 92, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global
colocou princípios e um plano de ação para educadores ambientais, estabelecendo relação entre as
políticas públicas de educação ambiental e a sustentabilidade. Enfatizaram-se os processos participativos
na promoção do meio ambiente, voltados para sua recuperação, conservação e melhoria, bem como para
a melhoria da qualidade de vida.

É importante ressaltar que, apesar das críticas a que tem sido sujeito, o conceito de desenvolvimento
sustentável representa importante avanço, na medida em que a Agenda 21 global, como plano abrangente
de ação para o desenvolvimento sustentável no século XXI, considera a complexa relação entre o
desenvolvimento e o meio ambiente numa variedade de áreas, destacando sua pluralidade, diversidade,
multiplicidade e heterogeneidade.

As dimensões apontadas pelo conceito de desenvolvimento sustentável contemplam cálculo econômico,


aspecto biofísico e o componente sociopolítico como referenciais para a interpretação do mundo e para
possibilitar interferências na lógica predatória prevalecente. O desenvolvimento sustentável não se refere
especificamente a um problema limitado de adequações ecológicas de um processo social, mas a uma
estratégia ou um modelo múltiplo para a sociedade que deve levar em conta tanto a viabilidade econômica
como a ecológica.

Num sentido abrangente, a noção de desenvolvimento sustentável reporta-se à necessária redefinição das
relações entre sociedade humana e natureza, e, portanto, a uma mudança substancial do próprio processo
civilizatório, introduzindo o desafio de pensar a passagem do conceito para a ação. Pode-se afirmar que
ainda prevalece a transcendência do enfoque sobre o desenvolvimento sustentável radical mais na sua
capacidade de ideia força, nas suas repercussões intelectuais e no seu papel articulador de discursos e de
práticas otimizadas que, apesar desse caráter, tem matriz única, originada na existência de uma crise
ambiental, econômica e social.

O desenvolvimento sustentável somente pode ser entendido como um processo no qual, de um lado, as
restrições mais relevantes estão relacionadas à exploração dos recursos, à orientação do desenvolvimento
tecnológico e ao marco institucional. De outro, o crescimento deve enfatizar os aspectos qualitativos,
notadamente os relacionados à equidade, ao uso de recursos – em particular da energia – e à geração de
resíduos e contaminantes. Além disso, a ênfase no desenvolvimento deve fixar-se na superação dos
déficits sociais, nas necessidades básicas e na alteração de padrões de consumo, principalmente nos
países desenvolvidos, para poder manter e aumentar os recursos-base, sobretudo os agrícolas,
energéticos, bióticos, minerais, ar e água.

Assim, a ideia de sustentabilidade implica a prevalência da premissa de que é preciso definir limites às
possibilidades de crescimento e delinear um conjunto de iniciativas que levem em conta a existência de
interlocutores e participantes sociais relevantes e ativos por meio de práticas educativas e de um processo
de diálogo informado, o que reforça um sentimento de corresponsabilidade e de constituição de valores
éticos. Isso também implica que uma política de desenvolvimento para uma sociedade sustentável não
pode ignorar nem as dimensões culturais nem as relações de poder existentes, muito menos o
reconhecimento das limitações ecológicas, sob pena de apenas manter um padrão predatório de
desenvolvimento.

A sociedade sustentável
Atualmente, o avanço para uma sociedade sustentável é permeado de obstáculos, na medida em que
existe restrita consciência na sociedade a respeito das implicações do modelo de desenvolvimento em
curso.

Pode-se afirmar que as causas básicas que provocam atividades ecologicamente predatórias são
atribuídas às instituições sociais, aos sistemas de informação e comunicação e aos valores adotados pela
sociedade.

Isso implica principalmente a necessidade de estimular a participação mais ativa da sociedade no debate
dos seus destinos, como uma forma de estabelecer um conjunto socialmente identificado de problemas,
objetivos e soluções.

O caminho a ser desenhado passa necessariamente por uma mudança no acesso à informação e por
transformações institucionais que garantam acessibilidade e transparência na gestão. Existe um desafio
essencial a ser enfrentado, e está centrado na possibilidade de que os sistemas de informação e as
instituições sociais se tornem facilitadores de um processo que reforce os argumentos para a construção de
uma sociedade sustentável.

Para tanto é preciso que se criem todas as condições para facilitar o processo, suprindo dados,
desenvolvendo e disseminando indicadores e tornando transparentes os procedimentos por meio de
práticas centradas na educação ambiental que garantam os meios de criar novos estilos de vida e
promovam uma consciência ética que questione o atual modelo de desenvolvimento, marcado pelo caráter
predatório e pelo reforço das desigualdades socioambientais.

A sustentabilidade, como novo critério básico e integrador, precisa estimular permanentemente as


responsabilidades éticas, na medida em que a ênfase nos aspectos extra econômicos serve para
reconsiderar os aspectos relacionados com a equidade, a justiça social e a própria ética dos seres vivos.

A noção de sustentabilidade implica, portanto, uma inter-relação necessária de justiça social, qualidade de
vida, equilíbrio ambiental e ruptura com o atual padrão de desenvolvimento. Nesse contexto, a educação
ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, na mudança de
comportamento, no desenvolvimento de competências, na capacidade de avaliação e na participação dos
educandos. A educação ambiental propicia aumento de conhecimentos, mudança de valores e
aperfeiçoamento de habilidades, condições básicas para estimular maior integração e harmonia dos
indivíduos com o meio ambiente.
Nesse sentido, a relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume papel cada vez mais
desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se
complexificam e riscos ambientais que se intensificam. As políticas ambientais e os programas educativos
relacionados à conscientização da crise ambiental pedem cada vez mais novos enfoques integradores de
uma realidade contraditória e geradora de desigualdades e que transcendem a mera aplicação dos
conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis. O desafio é, pois, formular uma educação ambiental
que seja crítica e inovadora, em dois níveis: formal e não formal.

Assim, a educação ambiental deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social.
Seu enfoque deve buscar uma perspectiva holística de ação, que relaciona o homem, a natureza e o
universo, tendo em conta que os recursos naturais se esgotam e que o principal responsável pela sua
degradação é o homem.

Os grandes desafios para os educadores ambientais são: de um lado, o resgate e o desenvolvimento de


valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo, responsabilidade, compromisso, solidariedade e
iniciativa); de outro, o estímulo a uma visão global e crítica das questões ambientais e a promoção de um
enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes.

Vale ressaltar que quando nos referimos à educação ambiental, situamo-la em contexto mais amplo, o da
educação para a cidadania, configurando-a como elemento determinante para a consolidação de sujeitos
cidadãos. O desafio do fortalecimento da cidadania para a população como um todo – e não para um
grupo restrito – concretiza- se pela possibilidade de cada pessoa ser portadora de direitos e deveres e de
se converter, portanto, em ator corresponsável na defesa da qualidade de vida.

O principal eixo de atuação da educação ambiental deve buscar, acima de tudo, a solidariedade, a
igualdade e o respeito à diferença, com formas democráticas de atuação baseadas em práticas interativas
e dialógicas. Isso se consubstancia no objetivo de criar novas atitudes e comportamentos diante do
consumo na nossa sociedade e de estimular a mudança de valores individuais e coletivos.

A educação ambiental é atravessada por vários campos de conhecimento, o que a situa como uma
abordagem multirreferencial; a complexidade ambiental reflete um tecido conceitual heterogêneo, em que
os campos de conhecimento, as noções e os conceitos podem ser originários de várias áreas do saber. A
dimensão ambiental representa a possibilidade de lidar com conexões entre diferentes dimensões
humanas, propiciando entrelaçamentos e múltiplos trânsitos entre múltiplos saberes. A escola participa,
então, dessa rede como uma instituição dinâmica com capacidade de compreender e articular os
processos cognitivos com os contextos da vida. A educação insere-se na própria teia da aprendizagem e
assume papel estratégico nesse processo.

Podemos dizer que a educação ambiental, na escola ou fora dela, continuará a ser uma concepção radical
de educação, não porque prefere ser a tendência rebelde do pensamento educacional contemporâneo,
mas sim porque nossa época e nossa herança histórica e ecológica exige alternativas radicais, justas e
pacíficas.

E o que dizer do meio ambiente na escola?

Você deve estar se fazendo essa pergunta. Pode-se dizer que um processo de reconstrução interna (dos
indivíduos) ocorre partir da interação com uma ação externa (natureza, reciclagem, efeito estufa,
ecossistema, recursos hídricos, desmatamento) na qual os indivíduos se constituem como sujeitos pela
internalização de significações que são construídas e reelaboradas no desenvolvimento de suas relações
sociais. A educação ambiental, como tantas outras áreas de conhecimento, pode assumir, assim, parte
ativa de um processo intelectual constantemente a serviço da comunicação, do entendimento e da solução
dos problemas.

Trata-se de um aprendizado social baseado no diálogo e na interação em constante processo de recriação


e reinterpretação de informações, conceitos e significados que podem se originar do aprendizado em sala
de aula ou da experiência pessoal do aluno.

Dessa forma, a escola pode transformar-se no espaço em que o aluno terá condições de analisar a
natureza em um contexto entrelaçado de práticas sociais, parte de uma realidade mais complexa e
multifacetada. O mais desafiador é evitar cair na simplificação de que a educação ambiental poderá
superar uma relação pouco harmoniosa entre os indivíduos e o meio ambiente mediante práticas
localizadas e pontuais, muitas vezes distantes da realidade social de cada aluno.

Cabe sempre enfatizar a historicidade da concepção de natureza, o que possibilita a construção de uma
visão mais abrangente e que abra possibilidade para uma ação em busca de alternativas e soluções.

E como educação ambiental se relaciona com cidadania?

Cidadania tem a ver com identidade e pertencimento a uma coletividade. A educação ambiental, como
formação e exercício de cidadania, refere-se a uma nova forma de encarar a relação do homem com a
natureza, baseada numa nova ética, que pressupõe outros valores morais e uma maneira diferente de ver
o mundo e os homens.

A educação ambiental deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que valoriza as
diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária.

O que tem sido feito em termos de educação ambiental?


A grande maioria das atividades é feita dentro de uma modalidade formal. Os temas predominantes são
lixo, proteção do verde, uso e degradação dos mananciais, ações para conscientizar a população em
relação à poluição do ar. A educação ambiental que tem sido desenvolvida no país é muito diversa, e a
presença dos órgãos governamentais como articuladores, coordenadores e promotores de ações é ainda
muito restrita.

No caso das grandes metrópoles, existe a necessidade de enfrentar os problemas da poluição do ar, e o
poder público deve assumir papel indutor do processo. A redução do uso do automóvel estimula a
corresponsabilidade social na preservação do meio ambiente, chama a atenção das pessoas e as informa
sobre os perigos gerados pela poluição do ar. Mas isso implica a necessidade de romper com o
estereótipo de que as responsabilidades urbanas dependem em tudo da ação governamental, e os
habitantes mantêm-se passivos e aceitam a tutela.

O grande salto de qualidade tem sido feito pelas ONGs e organizações comunitárias, que têm
desenvolvido ações não formais centradas principalmente na população infantil e juvenil. A lista de ações
é interminável, e essas referências são indicativas de práticas inovadoras preocupadas em incrementar a
corresponsabilidade das pessoas em todas as faixas etárias e grupos sociais quanto à importância
de formar cidadãos cada vez mais comprometidos com a defesa da vida.
A educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para
transformar as diversas formas de participação em potenciais caminhos de dinamização da sociedade e
de concretização de uma proposta de sociabilidade baseada na educação para a participação.

O complexo processo de construção da cidadania no Brasil, num contexto de aumento das desigualdades,
é perpassado por um conjunto de questões que necessariamente implica a superação das bases
constitutivas das formas de dominação e de uma cultura política calcada na tutela. O desafio da
construção da cidadania ativa configura-se como elemento determinante para constituição e fortalecimento
de sujeitos cidadãos que, portadores de direitos e deveres, assumam a importância da abertura de novos
espaços de participação.

Atualmente, o desafio de fortalecer uma educação ambiental convergente e multirreferencial é prioritário


para viabilizar uma prática educativa que articule de forma incisiva a necessidade de enfrentar
concomitantemente a degradação ambiental e os problemas sociais. Assim, o entendimento sobre os
problemas ambientais se dá por uma visão do meio ambiente como um campo de conhecimento e
significados socialmente construído, que é perpassado pela diversidade cultural e ideológica e pelos
conflitos de interesse. O aluno precisa ser situado nesse universo de complexidades; seus repertórios
pedagógicos devem ser amplos e interdependentes, visto que a questão ambiental é um problema híbrido,
associado a diversas dimensões humanas.

Os professores devem estar cada vez mais preparados para reelaborar as informações que recebem,
especialmente as ambientais, a fim de poder transmitir e decodificar para os alunos a expressão dos
significados sobre o meio ambiente e a ecologia nas suas múltiplas determinações e interseções. A ênfase
deve ser a capacitação para perceber as relações entre as áreas e como um todo, enfatizando uma
formação local/global, buscando marcar a necessidade de enfrentar a lógica da exclusão e das
desigualdades.

Nesse contexto, a administração dos riscos socioambientais reforça cada vez mais a necessidade de
ampliar o envolvimento público por meio de iniciativas que possibilitem o aumento do nível de consciência
ambiental dos moradores, garantindo a informação e a consolidação institucional de canais abertos para a
participação numa perspectiva pluralista. A educação ambiental deve destacar os problemas ambientais que
decorrem da desordem e da degradação da qualidade de vida nas cidades e suas regiões.

À medida que se observa cada vez mais dificuldade de manter a qualidade de vida, é preciso fortalecer a
importância de garantir padrões ambientais adequados e estimular uma crescente consciência ambiental,
centrada no exercício da cidadania e na reformulação de valores éticos e morais, individuais e coletivos,
numa perspectiva orientada para o desenvolvimento sustentável.

A educação ambiental, como componente de uma cidadania abrangente, está ligada a uma nova forma de
relação ser humano/natureza, e sua dimensão cotidiana leva a pensá-la como somatório de práticas e,
consequentemente, entendê-la na dimensão de sua potencialidade de generalização para o conjunto da
sociedade. Cremos que essa generalização de práticas ambientais só será possível se estiver inserida no
contexto de valores sociais, mesmo que se refira a mudanças de hábitos cotidianos.

A problemática socioambiental, ao questionar ideologias teóricas e práticas, propõe a participação


democrática da sociedade na gestão dos seus recursos atuais e potenciais e no processo de tomada de
decisão para a escolha de novos estilos de vida e a construção de futuros possíveis, sob a ótica da
sustentabilidade ecológica e da equidade social.
Torna-se cada vez mais necessário consolidar novos paradigmas educativos, centrados na preocupação
de iluminar a realidade desde outros ângulos; isso supõe a formulação de novos objetos de referência
conceituais e principalmente a transformação de atitudes.

UNIDADE 4, TÓPICO 1:

Leis e decretos que regem a sustentabilidade no Brasil


No estudo da Unidade II apresentamos o surgimento e a preocupação com o desenvolvimento sustentável
a nível global. Essas questões permeiam não só o cenário ambiental como também o econômico e,
sobretudo, o social. No primeiro tópico desta unidade apresentaremos as leis e decretos que regem a
sustentabilidade em nosso país.

Vamos então continuar nessa caminhada rumo ao desenvolvimento sustentável e a uma melhor qualidade
de vida?

Direito Ambiental

Não são recentes as preocupações com o meio ambiente. Até a instituição do Governo Geral, em 1548,
aplicava-se a legislação do Reino, as Ordenações Manuelinas, cujo Livro V, no título LXXXIII, proibia a
caça de perdizes, lebres e coelhos e no título "C" tipificava o corte de árvores frutíferas como crime. Após
1548, o Governo Geral passou a expedir regimentos, ordenações, alvarás e outros instrumentos legais, o
que marca o nascimento do Direito Ambiental.

Veja quadro a seguir:

Período Ações

Com o domínio espanhol, foram aprovadas as Ordenações Filipinas, , que disciplinaram a matéria
11 de janeiro
ambiental. Essas ordenações “previam, no Livro V, no título LXXV, pena gravíssima ao
de
agente que cortasse árvore ou fruto, sujeitando-o ao açoite e ao degredo para a África por
1603
quatro anos, se o dano fosse mínimo; caso contrário, o degredo seria para sempre”.
A primeira lei de proteção florestal foi o Regimento do Pau-Brasil, exigia autorização real para o corte
Em 1605
dessa árvore.
Em 13 de
março
Uma Carta Régia preocupava-se com a defesa da fauna, das águas e dos solos.
de
1797
Surgiu nosso primeiro Regimento de Cortes de Madeiras, que estabelecia rigorosas regras para a
Em 1799
derrubada de árvores.
Por recomendação de José Bonifácio, foram baixadas as primeiras instruções para reflorestar a costa
Em 1802
brasileira.
Foi criado o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, como uma área de preservação ambiental, considerada
Em 1808 nossa primeira unidade de conservação, destinada a preservar espécies e estimular estudos
científicos.
Em 9 de abril
D. João VI expediu a ordem de, que prometia a liberdade aos escravos que denunciassem
de
contrabandistas de pau-brasil.
1809
Em 3 de Decreto que proibia o corte de árvores nas áreas circundantes do Rio Carioca, no Rio de Janeiro. Ainda
agosto José Bonifácio, nomeado intendente Geral das Minas e Metais do Reino, solicitou à Corte o
de reflorestamento das costas brasileiras, sendo atendido.
1817
A conselho de José Bonifácio, o Imperador extinguiu o sistema de sesmarias, deixando de prevalecer o
Em 17 de
prestígio dos títulos de propriedade em favor da posse e ocupação das terras. A vantagem do
julho
sistema, ao democratizar o acesso à terra para quantos pretendiam explorá-la, foi diminuída
de
pela desvantagem: o posseiro se utilizava do fogo para limpar a área e preparar a terra,
1822
destruindo os recursos naturais.
A situação com o advento da Lei 601, a primeira Lei de Terras do Brasil, que considerava crime
punível com prisão de 2 a 6 meses e multa a derrubada de matos ou o ateamento de fogo. Além
Em 1850
disso, também estabeleceu a responsabilidade por dano ambiental fora do âmbito da legislação
civil.
Logo no início da fase republicana, o Brasil subscreveu o convênio das Egretes, em Paris, responsável
pela preservação de milhares de garças que povoavam rios e lagos da Amazônia. Pelo Decreto
Em 1895
8.843, de 26 de junho de 1911, foi criada a primeira reserva florestal do Brasil, no antigo
Território do Acre.
Foi criado o Serviço Florestal do Brasil, sucedido pelo Departamento de Recursos Naturais
Em 28 de
Renováveis, este pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF e, atualmente,
dezem
pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama. No que toca à
bro de
defesa ambiental, surgiram os primeiros códigos de proteção dos recursos naturais – florestal,
1921
de mineração, de águas, de pesca, de proteção à fauna.
O Código Florestal impôs limites ao exercício do direito de propriedade. Até então os únicos limites
Em 1934
eram os constantes no Código Civil quanto ao direito de vizinhança.
Em 4 de A elaboração do I Plano Nacional de Desenvolvimento, aprovado pela Lei 5.727, de 4 de novembro de
novem 1971, incluiu entre as suas inovações o PIN – Programa de Integração Nacional e o
bro de PROTERRA – Programa de Redistribuição de Terras e Estímulos à Agro- pecuária do Norte e
1971 do Nordeste, experiências que se mostraram negativas do ponto de vista preservacionista.
Em 4 de
dezem Elaboração do II Plano Nacional de Desenvolvimento, aprovado pela Lei 6.151, de 4 de dezembro de
bro de 1974, adotando medidas de proteção ao meio ambiente.
1974
Veio, em seguida, o III Plano Nacional de Desenvolvimento, aprovado pela Resolução nº 1, de, do
Em 5 de
Congresso Nacional, que trouxe avanços ainda maiores para o Direito Ambiental, entre os
dezem
quais a criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama. Também merece
bro de
referência o estabelecimento da responsabilidade objetiva nos casos de danos nucleares (Lei
1979
6.453/77).
Em 31 de
agosto A Lei 6.938, , que estabeleceu a Política Nacional para o Meio Ambiente, com a instituição da Polícia
de Administrativa Ambiental.
1981
Em 24 de
Outro passo importante foi a edição da Lei 7.347, , com a instituição da Ação Civil Pública, importante
julho
instrumento de preservação ambiental. Aqui devemos render homenagens ao Ministério
de
Público do Estado de São Paulo.
1985

A Constituição Federal de 1988 deu um passo gigantesco na evolução do direito brasileiro ao dedicar um
capítulo específico ao meio ambiente, inserido no Título VIII – Da Ordem Social, considerado um dos mais
importantes e avançados da Constituição de 1988. Ela toma consciência de que "a qualidade do meio
ambiente se transformara num bem, num patrimônio, num valor mesmo, cuja preservação, recuperação e
revitalização se tornaram num imperativo do Poder Público, para assegurar a saúde, o bem-estar do homem e
as condições de seu desenvolvimento. Em verdade, para assegurar o direito fundamental à vida".

As normas constitucionais assumiram a consciência de que o direito à vida, como matriz de todos os
demais direitos fundamentais do homem, é que há de orientar todas as formas de atuação no campo da
tutela do meio ambiente. Como bem de uso comum do povo, o meio ambiente deve ser defendido e
resguardado por todos, sem necessidade de invocar a intervenção estatal.

Na constituição a expressão "meio ambiente ecologicamente equilibrado" implica a proteção e restauração


dos processos ecológicos essenciais, assim definidos pelos cientistas especializados na área: preservação
da biodiversidade, dos Parques Nacionais, como o Parque das Sete Cidades, e de outros espaços
territoriais carentes de especial proteção, ação preventiva para evitar degradação do meio ambiente, como
ocorre na construção de grandes obras públicas, como estradas e barragens, a proteção da fauna e da
flora, sobretudo em relação às espécies em perigo de extinção.

A Constituição Federal dedicou norma específica quanto à mineração. Em um país rico em minerais em
quantidade e diversidade, o desenvolvimento nacional reclama a sua utilização, mas, ao mesmo tempo,
mostram-se necessárias providências para a salvaguarda da natureza. Busca-se o equilíbrio entre dois
valores importantes: o desenvolvimento nacional, indicado como um dos objetivos fundamentais da
República Federativa do Brasil, e a proteção do meio ambiente. A exploração mineral acarreta danos à
natureza. As minas auríferas utilizam o mercúrio, metal pesado e prejudicial às espécies. Daí porque se
exige que tal exploração obrigue o interessado a promover a recuperação do meio ambiente degradado (§
2º).

A preocupação com a preservação do meio ambiente, restringindo-se o uso dos recursos naturais, levou o
poder público a considerar patrimônio nacional alguns sistemas ecológicos: a Floresta Amazônica
brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira (§4º). Nada
impede que o legislador inclua outras áreas. Não há no direito brasileiro uma definição legal de "patrimônio
nacional", mas a consequência é clara: autoriza o estabelecimento de restrições legais para tornar efetiva
a preservação do meio ambiente.

Terras devolutas são terras públicas que poderiam ter sido regularmente adquiridas por particulares, que,
entretanto, deixaram de fazê-lo por falta de interesse ou pelo não atendimento de alguma formalidade
legal.

A preocupação com os acidentes nucleares, sobretudo depois do vazamento ocorrido na usina de


Chernobyl, na antiga URSS, levou o constituinte a estabelecer a exigência de que as novas usinas que
vierem a instalar-se deverão aguardar a edição de lei para definir a sua localização (§ 6º).

Além desses dispositivos, reunidos no capítulo específico, a Constituição Federal também se ocupou do
meio ambiente em outras passagens: ampliou o objeto da ação popular para alcançar os atos lesivos ao
meio ambiente (art. 5º, LXXIII); ao dispor sobre os princípios gerais da atividade econômica, incluiu entre
eles a defesa do meio ambiente.

Como resultado da evolução da legislação ambiental no Brasil, em junho de 1992 realizou-se no Rio de
Janeiro a Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como
Rio 92, evento de repercussão mundial, da qual resultaram cinco documentos:

a) Declaração do Rio de Janeiro (Carta da Terra), com 27 princípios fundamentais sobre o


desenvolvimento sustentável;

b) a Declaração de Princípios sobre Florestas;

c) a Convenção sobre Biodiversidade, sobre a proteção das riquezas biológicas, principalmente florestais;
d) Convenção sobre o Clima, sobre medidas para preservação do equilíbrio atmosférico, com o uso de
tecnologias limpas, e controle da emissão de CO2;

e) Agenda 21, que é um guia de cooperação internacional sobre recursos hídricos, resíduos tóxicos,
transferência de recursos e tecnologias para os países pobres etc.

Depois da Rio 92, continuaram os atos legislativos favorecedores de uma política favorável ao meio
ambiente. A legislação referente ao Imposto Territorial Rural (Leis 8.874/94 e 9.393/96) traz incentivo para
as áreas de preservação florestal. Mais tarde, veio a Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, a Lei dos
Crimes Ambientais, que inclusive estabelece a responsabilidade penal das pessoas jurídicas.

Crime Ambiental

Essa breve análise das normas ambientais demonstra que tem sido constante a evolução da legislação
ambiental em nosso país, buscando a adoção de institutos adequados ao estabelecimento de uma política
efetiva com vista à preservação dos bens naturais, culturais, paisagísticos, históricos, turísticos e outros
para o uso desta e das gerações futuras. É importante, porém, que sejam assinados convênios entre as
unidades federativas e as ONGs voltadas para a defesa do meio ambiente, sobretudo na preservação das
áreas verdes e dos lençóis aquíferos.

Apesar de toda legislação e da preocupação em preservar o meio ambiente, assusta-nos o aumento, a


cada dia, de focos de incêndio que destroem florestas, trazendo danos ao meio ambiente, à saúde pública
e à preservação das espécies animais e vegetais.

UNIDADE 4, TÓPICO 2:

Mercado do carbono, ativos e passivos ambientais


Neste tópico vamos discutir o conceito de meio ambiente e, mais uma vez, aprofundar os impactos
causados nos ambientes naturais em nosso planeta. Além disso, trataremos de alguns encontros
importantes que ajudaram a fundamentar as discussões acerca da emissão de gases tóxicos na
atmosfera. Daremos maior ênfase ao mercado de carbono e seus preceitos.

Você sabe o que significa meio ambiente?

O termo meio ambiente é considerado, pelo pensamento geral, sinônimo de natureza, local a ser apreciado,
respeitado e preservado. Porém, é necessário um ponto de vista mais profundo sobre esse termo,
estabelecer no ser humano a noção de pertencimento ao meio ambiente, com o qual possui vínculos
naturais para a sua sobrevivência. Por meio da natureza, reencontramos nossas origens e identidade
cultural e biológica, uma espécie de diversidade "biocultural".

Outra definição sobre o termo meio ambiente o coloca no significado de recurso, de gerador de matéria-
prima e energia. Nessa segunda definição, a educação ambiental trabalha a noção de consumo
responsável e solidário, na defesa do acesso às matérias-primas do meio ambiente de forma comum para
todos.

Na terceira concepção da palavra, meio ambiente, no sentido de ecossistema, é um conjunto de


realidades ambientais, considerando a diversidade do lugar e sua complexidade. Como lugar onde se vive,
é referente à vida cotidiana: casa, escola, e trabalho. Como biosfera, surge para explicar a
interdependência das realidades socioambientais em todo mundo; a Terra é a matriz de toda vida.
De acordo com a resolução Conama 306/2002, "meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influência
e interações de ordem física, química, biológica, social, cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a
vida em todas as suas formas".

No Art. 225 da Constituição Federal há a seguinte frase:


"Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e as futuras gerações".
A sociedade como um todo é responsável pela preservação do meio ambiente; então é preciso agir da
melhor maneira possível para não modificá-lo de forma negativa, pois isso terá consequências para a
qualidade de vida da atual e das futuras gerações, entendendo que: "o meio ambiente concebido,
inicialmente, como as condições físicas e químicas, juntamente com os ecossistemas do mundo natural, e
que constitui o habitat do homem, também é, por outro lado, uma realidade com dimensão do tempo e
espaço".

O espaço ocupado pelo homem está a todo o momento sofrendo modificações relacionadas ou impostas
pelo próprio homem; elas podem ser danosas ao meio quando não administradas corretamente. A crise
ecológica revela uma crise ética em nossos dias, uma crise de valores, uma crise de relações humanas e
de convivência com as demais criaturas.

Daí a importância da educação ambiental para a responsabilidade e o respeito à vida. Tal educação afirma
valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica.
Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam
relações de interdependência e diversidade.

Essa educação ambiental está diretamente relacionada ao posicionamento das empresas em contribuir
para o desenvolvimento de tecnologias que diminuam a poluição ambiental.

O sensível aumento da degradação ambiental no planeta pode tornar-se ameaça endêmica ou epidêmica
à qualidade de vida humana, principalmente no tocante às mudanças do clima mundial. O avanço
científico associado às fortes evidências de alterações no clima do planeta efetivou uma resposta
internacional concreta, que culminou na aprovação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (CQMC), durante a Convenção das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o
Desenvolvimento Sustentável, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992.

A partir dessa Convenção e com objetivo de encontrar saídas para o problema ambiental do aquecimento
global, diversas conferências têm sido realizadas; a de maior destaque foi a COP-3 (Conferência das Partes
nº 3), realizada em dezembro de 1997, na cidade de Quioto, no Japão, evento que resultou no estabelecimento
do Protocolo de Kyoto.

Contudo, apenas em 16 de fevereiro de 2005 o Protocolo entrou em vigor, 90 dias após sua assinatura
pelo presidente da Rússia, Vladmir Putin, quando então foi possível cumprir os requisitos para tal, ou seja,
ter sido ratificado por 55 nações-parte que respondam por pelo menos 55% das emissões globais,
tornado-se norma internacional de observância obrigatória pelos países signatários, que são mais de 140
em todo o mundo, correspondendo a 61,6% das emissões globais.
Gás carbônico

O Protocolo de Kyoto, em linhas gerais, tem como objetivo frear a elevação da temperatura do planeta, por
meio da diminuição da emissão do dióxido de carbono (CO2) e de cinco outros gases causadores do efeito
estufa, provenientes principalmente da queima de combustíveis fósseis e da destruição dos ambientes
naturais.

Diante do atual cenário mundial, em que a geração de energia é amplamente baseada em petróleo e
carvão, esse é um árduo desafio; contudo, é necessário para proteger o sistema climático e preservar a
sadia qualidade de vida para as gerações atuais e futuras. Nesse instrumento foram estabelecidas metas
específicas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa (GEEs) em pelo menos 5% em
relação aos níveis emitidos pelos países em 1990.

Veja aqui de que maneira cada um dos países cuja conduta se pretende regular através desta norma,
deverá agir para atingir os objetivos firmados.
- formular programas nacionais e regionais adequados para melhorar a qualidade dos fatores de emissão, que
contenham medidas para mitigar a mudança do clima e medidas para facilitar uma adaptação adequada à
mudança do clima;

- cooperar na promoção de modalidades efetivas para o desenvolvimento, a aplicação e a difusão destes programas e
tomar as medidas possíveis para promovê-los;

- facilitar e financiar, conforme o caso, a transferência ou o acesso a tecnologias, know-how, práticas e processos
ambientalmente seguros relativos à mudança do clima, dentre outras práticas previstas no Artigo 10 do
Protocolo de Kyoto.

Tais instrumentos têm ainda o propósito de incentivar os países em desenvolvimento a alcançar um


modelo adequado de desenvolvimento sustentável. São três os mecanismos de flexibilização previstos:
- Comércio de emissões, realizado entre os países listados em seu Anexo I, de maneira que um país que tenha
diminuído suas emissões para valor abaixo de sua meta transfira o excesso de suas reduções para outro país
que não tenha alcançado tal condição;

- Mecanismo de desenvolvimento limpo; e

- Implementação conjunta, ou seja, implantação de projetos de redução de emissões de GEEs em países que
apresentam metas no âmbito do protocolo.

A saber, o Artigo 12 do Protocolo de Kyoto prevê um mecanismo flexível, ou seja, uma alternativa ou
forma subsidiária para que os países do Anexo I que não tenham condições de promover a necessária
redução de gases em seu território possam atingir suas metas de redução de emissão de gases de efeito
estufa, estimulando ao mesmo tempo o desenvolvimento estruturado daqueles países que não tenham
atingido níveis alarmantes de emissão de poluentes.

Consiste basicamente na utilização das reduções atingidas pelos países em desenvolvimento (entre os
quais está o Brasil) pelos países desenvolvidos para o cumprimento de suas metas obrigatórias.

Beneficia tanto os países desenvolvidos relacionados no Anexo I como os países em desenvolvimento, por
meio do sistema denominado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL); aqui a tentativa de reversão
do aquecimento global ganha contornos de negócio lucrativo.

UNIDADE 4, TÓPICO 3:

Certificações de Responsabilidade Socioambiental


O conceito de Responsabilidade Social Ambiental (RSA) mostra não apenas o compromisso de empresas
com pessoas e valores humanos, mas também preocupações verdadeiras com o meio ambiente. É fato
que as empresas ainda necessitam melhorar sua relação com a sociedade de maneira a promover um
desenvolvimento baseado na ideia do "triple bottom line", ou seja, calcado em um tripé que envolve o
meio ambiente, a economia e o social.
Na intenção de estimular a responsabilidade social empresarial, uma série de instrumentos de normas e
certificações foram criadas nos últimos anos. O apelo relacionado a esses selos ou certificados é de fácil
compreensão. Num mundo cada vez mais competitivo, empresas vêm vantagens comparativas em
adquirir certificações que atestem sua boa prática empresarial, dentro de um gerenciamento ético, social e
ambiental.

A pressão por produtos e serviços socialmente corretos faz com que empresas adotem processos de
reformulação interna para se adequarem às normas impostas pelas entidades certificadoras.

A importância de normas e padrões está principalmente na definição e concordância de termos e


procedimentos, o que permite uma comparação da empresa com o restante do mercado.

Com relação à responsabilidade social, são três os principais padrões existentes:


- AA1000

- SA8000

- ISO 26000

Com relação ao meio ambiente, a certificação internacional mais aceita na atualidade é a ISO 14000, que
atesta a performance ambiental da empresa.

Vamos conhecer um pouco sobre elas?

Norma AA1000
A norma AA1000 foi lançada em 1999 pelo ISEA (Institute of Social and Ethical Accountability), hoje
AccountAbility e surgiu como resposta à crescente geração de relatórios de sustentabilidade e à
necessidade de mecanismos que assegurassem sua confiabilidade, pois o principal problema dos
relatórios de sustentabilidade é a não obrigatoriedade de auditoria, com isso as empresas dispõe para o
público as informações que lhe convier.

Esta norma é um ótimo instrumento de transparência e governança corporativa e inclui três princípios: o
princípio fundamental da Inclusão e os princípios da Relevância e da Responsabilidade.

Numa definição bem simples, sua função é garantir a qualidade das informações apresentadas nos
relatórios, fornecendo mecanismos de avaliação e verificação de dados, principalmente para as
informações não financeiras. É como se fosse uma contabilidade socioambiental. Mas na verdade ela é
muito mais do que isso. A sua essência é fundamentada na aprendizagem e desempenho social, ético,
ambiental e econômico das empresas, além de apontar caminhos estratégicos para a sustentabilidade.
Sua forma de atuação é baseada no relacionamento das empresas com seus stakeholders, procurando
incluí-los no processo decisório da companhia. Mesmo já existindo há de mais de uma década, a AA1000
é muito pouco difundida no Brasil.
O termo inglês stakeholder (que poder ser traduzido como "parte interessada") designa uma pessoa, grupo ou entidade
com legítimos interesses nas ações e no desempenho de uma organização e cujas decisões e atuações possam
afetar, direta ou indiretamente, essa mesma organização. Estão incluídos nos stackeholders os funcionários,
gestores, proprietários, fornecedores, clientes, credores, Estado (enquanto entidade fiscal e reguladora),
sindicatos e diversas outras pessoas ou entidades que se relacionam com a organização.

Norma ISO 26000


Publicada em novembro de 2010 em Genebra – Suíça a Norma Internacional ISO 26000 – Diretrizes sobre
Responsabilidade Social foi elaborada pelo ISO/TMB Working Group on Social Responsability por meio de
um processo que envolveu cerca de 450 especialistas de 99 países. Os especialistas vieram de seis
diferentes grupos de stakeholders - Consumidores, governo, indústria, trabalhadores, ONG e
serviços/suporte/outros (ABNT, 2010; INMETRO, 2012). A participação dos trabalhadores ocorreu por
meio de especialistas vinculados às centrais sindicais de vários países, liderados pela Confederação
Sindical Internacional (CSI).

O principal objetivo da ISO 26000 é a de orientar as organizações na melhor forma de incorporar ações à
sua gestão, sendo aplicável a todos os tipos e portes de organizações (pequenas, médias e grandes) e de
todos os setores (governo, ONG's e empresas privadas) e visa promover a sensibilização para a
Responsabilidade Social, por meio da abordagem dos seguintes temas: governança organizacional,
direitos humanos, práticas de trabalho, meio ambiente, práticas justas de operação, questões do
consumidor, envolvimento e desenvolvimento da comunidade.

Esta norma tem a função de ser um guia de Responsabilidade Social, e se expressa no desejo e pelo
propósito das organizações em incorporarem considerações socioambientais em seus processos
decisórios e a responsabilizar-se pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio
ambiente.

Isso implica um comportamento ético e transparente que contribua para o desenvolvimento sustentável,
que esteja em conformidade com as leis aplicáveis e seja consistente com as normas internacionais de
comportamento. Também implica que a responsabilidade social esteja integrada na organização como um
todo, e leve em conta os interesses das partes interessadas. Todos os temas contêm várias questões e as
organizações identificam suas particularidades e a implantam por meio do diálogo com as partes
interessadas (ABNT, 2010).
Relação entre a organização, suas partes interessadas e a sociedade. Fonte: ISO
26000:2012Integração da Responsabilidade Social por toda organização.

Na norma, Responsabilidade Social é definida como:

"Responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no


meio ambiente, por meio de um comportamento ético e transparente que:
- contribua para o desenvolvimento sustentável, inclusive a saúde e o bem estar da sociedade;

- leve em consideração as expectativas das partes interessadas;

- esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com as normas internacionais de
comportamento, e

- esteja integrada em toda a organização e seja praticada em suas relações."

A norma fornece orientações para todos os tipos de organização, independente de seu porte ou
localização, sobre:

- Conceitos, termos e definições referentes à responsabilidade social; Conceitos, termos e definições


referentes à responsabilidade social;

- Histórico, tendências e características da responsabilidade social;

- Princípios e práticas relativas à responsabilidade social;


- Os temas centrais e as questões referentes à responsabilidade social;

- Integração, implementação e promoção de comportamento socialmente responsável em toda a


organização e por meio de suas políticas e práticas dentro de sua esfera de influência;

- Identificação e engajamento de partes interessada;

- Comunicação de compromissos, desempenho e outras informações referentes à responsabilidade social.

Princípios da responsabilidade social


Ao abordar e praticar a responsabilidade social, o objetivo mais amplo da organização é maximizar sua
contribuição para o desenvolvimento sustentável. Dentro desse objetivo, apesar de não haver uma lista
definitiva de princípios da responsabilidade social, convém que as organizações respeitem os sete
princípios descritos abaixo, assim como os princípios específicos de cada tema central (ABNT, 2010).

1. ACCOUNTABILITY

A organização deve se responsabilizar por seus impactos na sociedade, economia e meio


ambiente;

2. TRANSPARENCIA

Agir com transparência nas decisões e atividades organizacionais que impactam a sociedade e o
meio ambiente;

3. COMPORTAMENTO ÉTICO

Comportar-se com honestidade, equidade e integridade. Adotar e aplicar padrões éticos de


comportamento de acordo com as atividades organizacionais desenvolvidas;

4. RESPEITO PELOS INTERESSES DOS STAKEHOLDERS

identificar todos os stakeholders e respeitar seus direitos legítimos, e considerar outros interesses
de todos os indivíduos e não apenas dos proprietários e acionistas;

5. RESPEITO PELO ESTADO DE DIREITO

Cumprir com a legislação de todas as jurisdições em que operar, manter-se atualizado para estar
sempre em conformidade com a lei;

6. RESPEITO PELAS NORMAS INTERNACIONAIS DE COMPORTAMENTO

Em situações em que a legislação não apresentar normas de proteção socioambiental adequada,


deve-se, no mínimo, respeitar as normas internacionais de comportamento. Evitar ser cúmplice
de atividades que não respeitam as normas internacionais de comportamento;

7. RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS

Diretrizes da ISO 26000 para uma conduta sustentável:

Segundo o Conselho de Justiça do Trabalho, a norma tem a proposta de servir como um


importante norte para as corporações e não como uma certificadora e tem sete temas centrais:

 7) Envolvimento e desenvolvimento da comunidade


Refere-se ao envolvimento da comunidade; educação e cultura; geração de emprego e capacitação;
desenvolvimento tecnológico e acesso a tecnologias; geração de riqueza e renda; saúde e
investimento social.

 1) Governança organizacional Trata de processos e estruturas de tomada de decisão, delegação de


poder e controle. O tema é, ao mesmo tempo, algo sobre o qual a organização deve agir e uma
forma de incorporar os princípios e práticas da responsabilidade social à sua forma de atuação
cotidiana;
 2) Direitos humanos Inclui due dilligence, situações de risco para os DH; como evitar
cumplicidade; resolução de queixas; discriminação e grupos vulneráveis; direito civis e políticos,
direitos econômicos, sociais e culturais; princípios e direitos fundamentais do trabalho;
 3) Práticas trabalhistas Refere-se tanto a emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalho
autônomo. Inclui emprego e relações do trabalho; condições de trabalho e proteção social; diálogo
social; saúde e segurança no trabalho; desenvolvimento humano e treinamento no local de trabalho;
 4) Meio ambiente Inclui prevenção da poluição; uso sustentável de recursos; mitigação e adaptação
às mudanças climáticas; proteção do meio ambiente e da biodiversidade e restauração de habitats
naturais;
 5) Práticas leais de operação Compreende práticas anticorrupção; envolvimento político
responsável; concorrência leal; promoção da responsabilidade social na cadeia de valor e respeito
aos direitos de propriedade;
 6) Questões dos consumidores Inclui marketing leal, informações factuais e não tendenciosas e
práticas contratuais justas; Proteção à saúde e a segurança do consumidor; consumo sustentável;
atendimento e suporte ao consumidor e solução de reclamações e controvérsias; proteção e
privacidade dos dados do consumidor; acesso a serviços essenciais e educação e conscientização;
 7) Envolvimento e desenvolvimento da comunidade Refere-se ao envolvimento da comunidade;
educação e cultura; geração de emprego e capacitação; desenvolvimento tecnológico e acesso a
tecnologias; geração de riqueza e renda; saúde e investimento social.
 1) Governança organizacional Trata de processos e estruturas de tomada de decisão,
delegação de poder e controle. O tema é, ao mesmo tempo, algo sobre o qual a organização deve
agir e uma forma de incorporar os princípios e práticas da responsabilidade social à sua forma de
atuação cotidiana;

Para cada tema, são abordadas várias possíveis ações e expectativas relacionadas. A norma ainda traz os
Princípios da Responsabilidade Social e várias definições como: Accountability, due diligence (diligência
devida), Meio Ambiente, Comportamento ético, Igualdade de gênero, Impacto de Normas internacionais de
comportamento, Governança organizacional, esfera de influência, desenvolvimento sustentável etc.

Accountability: condição de responsabilizar-se por decisões e atividades e prestar contas destas decisões
e atividades aos órgãos de governança de uma organização, a autoridades legais e, de modo mais amplo,
às partes interessadas da organização.
A due diligence: no contexto da responsabilidade social é um processo abrangente e pró-ativo para
identificar impactos sociais, ambientais e econômicos negativos reais e potenciais das decisões e
atividades de uma organização com o propósito de evitar e mitigar esses impactos.

A ISO 26000 é uma norma de diretrizes e de uso voluntário; não visa nem é apropriada a fins de
certificação. Qualquer oferta de certificação ou alegação de ser certificado pela ABNT NBR ISO 26000
constitui em declaração falsa e incompatível com o propósito da norma. Embora não seja uma norma de
certificação, surgiu como um padrão internacional de diretrizes de responsabilidade social voltadas para
organizações de diferentes portes e natureza (público ou privado). Ainda que a norma tenha sido criada
por organizações não governamentais, integrou, no processo de elaboração, várias partes interessadas –
consumidores, empresas, governos, organizações não governamentais, trabalhadores, além de
organismos de normalização e entidades de pesquisa.

Segundo a norma ISO 26000 os benefícios que a Responsabilidade Social pode trazer para a organização
são diversos, tais como:
- Melhorias das práticas de gestão de risco da organização,

- Estímulo a um processo decisório que leve em conta às expectativas da sociedade,

- Melhoria da reputação da organização,

- Geração de inovação,

- Melhoria da competitividade incluindo acesso a financiamento e status de parceiro preferencial,

- Melhoria do relacionamento da organização com suas partes interessadas,

- Aumento da fidelidade, envolvimento, motivação, participação e moral dos empregados,

- Melhoria da saúde e segurança dos trabalhadores,

- Eficiência no uso de recursos,

- Maior confiabilidade e prevenção ou redução de possíveis conflitos com consumidores referentes a produtos ou
serviços.

ISO 14000 – A CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL


Organizações de todos os tipos estão cada vez mais preocupadas com o atingimento e demonstração de
um desempenho ambiental correto, por meio do controle dos impactos de suas atividades, produtos e serviços
sobre o meio ambiente, coerente com sua política e seus objetivos ambientais. Agem assim dentro de um
contexto de legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas e outras
medidas visando adotar a proteção ao meio ambiente e de uma crescente preocupação expressa pelas
partes interessadas em relação às questões ambientais e ao desenvolvimento sustentável (ABNT, 2004).

A série de normas ISO 14000 correspondem a um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) editado pela ISO
(International Organization for Standardization). Esta série de normas apresenta diretrizes para Auditorias
Ambientais, Avaliação do Desempenho Ambiental, Rotulagem Ambiental e Análise do Ciclo de Vida dos
Produtos. Ou seja, especifica os requisitos relativos a um sistema de gestão ambiental, de modo a permitir
que a organização formule políticas e objetivos que levem em conta os requisitos legais e as informações
referentes aos impactos ambientais significativos.

A referida norma compreende o ciclo PDCA:

Esse ciclo consiste na aplicação das etapas de planejamento, implementação, verificação de resultados e
análise crítica em busca da melhoria contínua do Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

As normas de gestão ambiental têm por objetivo prover as organizações de elementos de um SGA eficaz
que possam ser integrados a outros requisitos da gestão, e auxiliá-las a alcançar seus objetivos
ambientais e econômicos (ABNT, 2004).

A ISO14001 foi definida na Conferência de Estocolmo, em 1972, que resultou no relatório intitulado "Nosso
Futuro Comum", quando foi feito um apelo às indústrias para o desenvolvimento e adoção de sistemas de
gestão que levassem em conta as questões ambientais.
BENEFÍCIOS DA NORMA ISO 14001
- Melhorar o relacionamento com todas as partes interessadas (clientes, acionistas, ONG's, fornecedores,
governo e funcionários), assegurando o comprometimento com uma gestão ambiental demonstrável;

- Melhorar os processos e a gestão ambiental, reduzindo a quantidade de resíduos e a utilização de


energia, protegendo a saúde humana e o meio ambiente;

- Fortalecer a imagem e credibilidade da empresa e a participação no mercado, melhorando a relação com


o público;

- Melhorar a eficiência, reduzindo os custos de funcionamento da empresa;

- Demonstrar conformidade, ampliando as suas oportunidades de negócios;

- Cumprir as obrigações legais, obtendo maior participação das partes interessadas e a confiança do
cliente;

- Preparar para mudança de cenário dos negócios com segurança

- Satisfazer os critérios dos investidores e melhorar o acesso ao capital;

- Maior controle dos riscos com acidentes ambientais.

COMO AS EMPRESAS PODEM APOIAR A CERTIFICAÇÃO?


O apoio a norma ISO 14001 pelas empresas podem vir de qualquer tipo de divulgação:
Eventos, Informações e Treinamentos;

Simpósios, Seminários, Workshops;

Informações por escrito;

Reuniões informativas;

Treinamentos abertos.

A demanda por produtos ambientalmente corretos cresce mundialmente, em especial nos países
desenvolvidos, onde os consumidores já alcançaram um nível de conscientização suficiente para torná-los
parte atuante dessa internalização, os mesmos expressam a preocupação ambiental através do poder de
compra, optando cada vez mais por produtos ambientalmente seguros, esses consumidores tendem a
dispensar produtos e serviços que agridem o meio ambiente. O reflexo disso pode ser percebido no
desenvolvimento de rótulos ambientais como forma de informar aos consumidores sobre as especificações
ambientais do que eles estão consumindo.

Cada vez mais compradores, principalmente importadores, estão exigindo a certificação ambiental, nos
moldes da ISO 14000, ou mesmo certificados ambientais específicos. Além disso, a imagem de empresas
ambientalmente saudáveis é mais bem aceita por acionistas, consumidores, fornecedores e autoridades
públicas.

UNIDADE 4, TÓPICO 4:

LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E LICENCIAMENTO AMBIENTAL: GOVERNO, MEIO

AMBIENTE E A LEI DE CRIMES AMBIENTAIS.


Nos últimos anos, o desenvolvimento econômico decorrente da revolução industrial impediu que os
problemas ambientais fossem considerados. A poluição e os impactos ambientais do desenvolvimento
desordenado eram visíveis, mas os benefícios proporcionados pelo progresso eram justificados como um
"mal necessário".

Foi apenas na década de 1960 que o termo "meio ambiente" foi usado pela primeira vez - numa reunião
do Clube de Roma, cujo objetivo era a reconstrução dos países no pós-guerra. Ali foi estabelecida a
polêmica sobre os problemas ambientais.

O direito ambiental pode ser conceituado como:

O conjunto de leis, princípios e políticas publicas que regem a interação do homem com o Meio Ambiente
para assegurar, através de processo participativo, a manutenção de um equilíbrio da Natureza, um
ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações (SÉGUIN e CARRERA, 1999,
p.70).

Inicialmente, as políticas ambientais de praticamente todos os países eram essencialmente reativas,


buscando reduzir os efeitos da poluição já existente. Com o agravamento da deterioração do meio
ambiente e a maior conscientização dos problemas em escala global, sob a forma de mudanças
climáticas, depleção da camada de ozônio, redução da biodiversidade, poluição marinha e chuvas ácidas,
passaram a ser adotadas medidas de caráter preventivo.

A Lei N.º 6.938 de 31 de agosto de 1981, com base nos incisos VI e VII do Art. 23 e no Art. 225 da
Constituição, estabelece a Política Nacional de Meio ambiente com o objetivo de preservar, melhorar e
recuperar a qualidade ambiental do país através do SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente).
Constituição Federal:

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;

VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1o. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa
degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;

Esta lei que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA), introduziu o conceito de
licenciamento ambiental entre os instrumentos da política brasileira no setor. Visando um melhor
entendimento, no seu artigo 30 define os termos: meio ambiente, degradação ambiental, poluição,
poluidor, e recursos ambientais; e em seu artigo 100 torna obrigatória a prévia licença ambiental para
atividades potencialmente poluidoras.

A Política Nacional do Meio Ambiente consagra o importante princípio da Responsabilidade do Poluidor. Em


questões ambientais ela é objetiva, isto é, independente da existência de dolo (intenção de causar o
dano) ou culpa (negligência, imperícia ou imprudência). O poluidor, portanto é responsável pelos danos
causados ao meio ambiente e a terceiros, devendo indenizar ou repará-los, e o Ministério Público da União
e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados
ao meio ambiente.

O art. 1º, da Resolução CONAMA nº 237/97, nos dá as seguintes definições:

Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a
localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos
ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma,
possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas
técnicas aplicáveis ao caso.

Licença Ambiental: ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as condições,
restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física
ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos
recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer
forma, possam causar degradação ambiental.

Estudos Ambientais: são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à
localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreendimento, apresentado como
subsídio para a análise da licença requerida, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle
ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação
de área degradada e análise preliminar de risco.

Impacto Ambiental Regional: é todo e qualquer impacto ambiental que afete diretamente (área de
influência direta do projeto), no todo ou em parte, o território de dois ou mais Estados.

TIPOS DE LICENÇA AMBIENTAIS


O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças: (art. 19, do
Dec. Federal nº 99.274/90).

I - Licença Prévia (LP) – na etapa preliminar do planejamento da atividade, requisitos básicos a serem
atendidos nas fases de localização, instalação e operação, observados os planos municipais, estaduais ou
federais de uso do solo.

II - Licença de Instalação (LI) – autorizando o início da implantação, de acordo com as especificações


constantes do Projeto Executivo aprovado; e

III. - Licença de Operação (LO) - autorizado, após as verificações necessárias, o início da atividade
licenciada e o funcionamento de seus equipamentos de controle, de acordo com o previsto nas Licenças
Prévias e de Instalação.

Tanto o IBAMA quanto os órgãos estaduais de meio ambiente atuam na fiscalização e na concessão de
licença ambiental antes da instalação de qualquer empreendimento ou atividade que possa vir a poluí-lo
ou degradá-lo. O IBAMA atua, principalmente, no licenciamento de grandes projetos de infraestrutura que
envolvam impactos em mais de um estado e nas atividades do setor de petróleo e gás da plataforma
continental. Os estados cuidam dos licenciamentos de menor porte.