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LIÇÃO 7

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 7ª LIÇÃO DO 2º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 13 DE MAIO DE 2018

ÉTICA CRISTÃ E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Texto áureo

“Conhecemos o amor nisto: que


ele deu a sua vida por nós, e nós
devemos dar a vida pelos
irmãos.” (1 Jo 3.16)
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – 1 Coríntios 15. 35-
45.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Bem-vindo – nobre leitor – a mais um estudo de nossa lição. Nesta Lição de


número 7, vamos perceber a Ética Cristã dando ênfase na doação de órgãos,
portanto, vamos estudar o conceito geral de doação de órgãos, exemplos na Bíblia
de doação de órgãos e que doar é um ato de amor.

Destacadamente, o ato de doar é a maior expressão de amor que uma


pessoa pode demonstrar ao seu semelhante, bem como a melhor maneira de
conhecer o significado do amor.

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I – DOAÇÃO DE ÓGÃOS: CONCEITO GERAL

De acordo com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira – Albert Einstein,


a doação de órgãos ou de tecidos é “um ato pelo qual manifestamos a vontade de
doar uma ou mais partes do nosso corpo para ajudar no tratamento de outras
pessoas”.

Destarte, a doação pode ser de órgãos (rim, fígado, coração, pâncreas e


pulmão) ou de tecidos (córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula
óssea e sangue de cordão umbilical). A doação de órgãos como o rim, parte do
fígado e da medula óssea pode ser feita em vida.

Portanto, para a doação de órgãos de pessoas falecidas, somente após a


confirmação do diagnóstico de morte encefálica. Tipicamente, são pessoas que
sofreram um acidente que provocou traumatismo craniano (acidente com carro,
moto, quedas etc.) ou sofreram acidente vascular cerebral (derrame) e evoluíram
para morte encefálica.

Para a doação de órgãos, se existir doador em potencial, vítima de acidente


com traumatismo craniano ou derrame cerebral (AVC), com confirmação da morte
encefálica e autorização da família para a doação, a função dos órgãos deve ser
mantida artificialmente.

Seguem-se, então, as seguintes ações:

 A Central de Transplantes inicia os testes de compatibilidade entre o doador e


os potenciais receptores, que aguardam em lista de espera.
 Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão sobre quem
receberá o órgão passa por critérios previamente estabelecidos como: tempo
de espera e urgência do caso.
 A Central de Transplantes emite uma lista de potenciais receptores para cada
órgão e comunica aos hospitais e às equipes de transplantes responsáveis
pelos pacientes.

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 As equipes de transplantes, junto à Central de Transplantes, adotam as
medidas necessárias – meio de transporte, cirurgiões e equipe multidisciplinar
– para viabilizar a retirada dos órgãos.
 Os órgãos são retirados e os transplantes realizados.

1. Definição de transplante.

Segundo o Ministério da Saúde:

O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um


órgão (coração, fígado, pâncreas, pulmão, rim) ou tecido (medula óssea,
ossos, córneas) de uma pessoa doente (receptor) por outro órgão ou tecido
normal de um doador, vivo ou morto. O diagnóstico de morte encefálica é
regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos diferentes
examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame
complementar, que é interpretado por um terceiro médico.

Assim, Morte Encefálica é a interrupção irreversível das atividades cerebrais,


causada mais frequentemente por traumatismo craniano, tumor ou derrame. Como o
cérebro comanda todas as atividades do corpo, quando este morre, significa a morte
do indivíduo.
2. O conceito de doação na Bíblia.

Em atos capítulo 20 e versículo 35, assim está escrito: “... Mais bem-
aventurado é dar que receber”. Essa expressão, no contexto de Atos, refere-se tanto
ao nosso tempo quanto ao nosso dinheiro em relação à ajuda para alguém que está
enfermo, neste caso, reflete a concepção genuína de um ato voluntário e
despretensioso para com o próximo. É um dar livre e sem ser forçado. Indica que o
doador assume o caráter de Cristo, cuja natureza é dar (Lc 6. 38a).

3. A doação de si mesmo: pertencemos a Deus.

O Salmista assim se expressou no Salmos 116.12: “Que darei eu ao Senhor


por todos os benefícios que me tem feito?” A esta resposta diríamos: obrigado por

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tudo, Bom Deus, pois a ti pertencemos! Esse modo de agir faz-me lembrar as
palavras do eminente pregador Charles Hadon Spurgeon – o príncipe dos
pregadores –, citando Basílio de Cesareia:

A chuva desce para nós; para nós o sol lança os seus raios criativos; se
levantam as montanhas, os vales florecem, nos proporcionando agradável
moradia e retiro seguro. Para nós fluem os rios; murmuram as fontes; os
mares abrem os seus seios para admitir nosso comércio; a terra consome
suas provisões; cada novo objeto apresenta um novo gozo; toda natureza
lança seus tesouros aos nossos pés, pela graça generosa dAquele que quer
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que tudo seja nosso.

Destarte, depreende-se que Deus é o doador de ricas bênçãos para nós, que
tudo pertence a Ele e vem dEle; não seríamos, então, mais felizes se também
pudéssemos ajudar aqueles que necessitam de fato de proteção e benefícios? De
fato, todos nós pertencemos a este tão generoso Deus.

II – EXEMPLO DE DOAÇÃO NA BÍBLIA

Vamos ver alguns exemplos, entre tantos outros, de registros de ações que
denotaram verdadeiro senso de desprendimento em prol dos outros.

1. O exemplo dos gálatas.

Segundo as Sagradas Escrituras a estada de Paulo na Galácia em sua


primeira viagem missionária foi resultado de alguma fraqueza na carne (Gl 4. 13.
Ver: 1 Co 2.3). Alguns têm especulado que esta fraqueza tinha a ver com a sua
desfigurada aparência, que causava repulsa aos gálatas, ao ponto de eles rejeitarem
a sua pregação devido a sua fragilidade e falta de atrativos. Outros sugerem que o
apóstolo sofria de ataques de epilepsia, pois no versículo 14 do capítulo 4 de
Gálatas, a palavra “rejeitastes”, no grego é ekptuo, que literalmente significa “cuspir”,
que alguns comentaristas entendem como referência ao costume de cuspir na
direção de um epiléptico para evitar a influência de um espírito ruim supostamente
habitando nele.

1
Tradução do original em Espanhol. Trecho do Livro: El Tesoro de David, Tomo II, p. 234, Editorial
Clie, España – Barcelona, 2003.

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Outros ainda sugerem que Paulo sofria de alguma forma de oftalmia, citando
Gl 4.15, sem atentar o provável sentido metafórico da expressão, e também Gl 6. 11,
sem entender o uso de letras grandes para dar ênfase da importância do que ele
estava escrevendo. Nem mesmo 2 Co 12.7 refere-se a alguma enfermidade, antes,
o próprio texto sugere algum tipo de adversidade, sofrimento ou perseguição (At
9.16; 2 Co 12.10; 2 Tm 3.12; 1 Co 4.11-13; 2 Co 6. 9,10; 2 Co 11. 23-27),
proveniente de um agente de satanás. (no grego a palavra anjo sempre se refere a
um ser). Portanto nada destas especulações supracitadas são convincentes, mas o
fato é que os Gálatas prestaram ajuda e homenagem ao apóstolo aos gentios (At 14.
8-18), sem medir esforços. Um belo exemplo, para nós, de doação.

2. O desprendimento de Paulo.

Os textos supracitados (At 9.16; 2 Co 12.10; 2 Tm 3.12; 1 Co 4.11-13; 2 Co 6.


9,10; 2 Co 11. 23-27), justamente nos dá a ideia de como o apóstolo Paulo sofreu e
se dou para que o evangelho fosse pregado e levado àqueles que não conheciam a
Jesus. E o mesmo conclui: “eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar
pelas vossas almas (2 Co 12.15). Um grande exemplo de desprendimento em prol
dos outros.

3. A doação suprema de Cristo.

Em Romanos 5.8 está escrito: “Deus prova o seu amor para conosco em que
Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. Esta foi a maior expressão de
doação já escrita. William Barclay, assim se expressou sobre este texto:

O fato de que Jesus morreu por nós é a prova final do amor de Deus. Seria
muito difícil conseguir que um homem morresse por um justo. Seria possível
persuadir alguém a morrer por um bom e grande princípio. Alguém poderia
ter tão grande amor que fosse movido a dar sua vida por um amigo. Mas o
maravilhoso de Jesus Cristo é que morreu por nós quando éramos
pecadores, homens maus e numa situação de inimizade e de hostilidade
com Deus. O amor não pode ir mais além do que isto. [...]Tudo aconteceu
para nos mostrar que Deus nos ama. Tudo aconteceu porque Deus nos
ama. [...]Todo o processo brota do amor de Deus. Jesus não veio para
mudar a atitude de Deus; veio para mostrar qual é e sempre foi a atitude de
Deus para com os homens. Ele veio para provar aos homens
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incontestavelmente que Deus é amor.

2
BARCLAY, William. The Letter to the Romans.

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III – DOAR ÓRGAÕS É UM ATO DE AMOR

1. O princípio da empatia e da solidariedade.

Mas o que significa a palavra empatia e o que é ter solidariedade? De acordo


com o estudo etimológico das palavras, empatia vem da fusão de duas palavras
gregas, com seus respectivos significados: in: “para dentro”; pathos: “sentimento”.
Portanto, empatia é a capacidade psicológica de tentar compreender sentimentos e
emoções das outras pessoas. Logo, a empatia é uma das qualidades do ser humano
ligadas à inteligência emocional e pode, portanto, ser desenvolvida.

Ainda é importante destacar que é muito comum ver as pessoas confundirem


empatia com simpatia. Simpatia tem o mesmo radical de empatia (o termo grego
pathos), mas difere pelo início sym que significa união. Destarte, a empatia é a
capacidade de enxergar-se no lugar de outra pessoa, com vontade de compreendê-
la, sem fazer pré-julgamentos. Já a simpatia está relacionada com o sentir a emoção
junto de alguém. Como sua origem grega prenuncia, simpatia é a união dos
sentimentos. Os significados são próximos, mas diferem em intensidade. Ter
simpatia é compartilhar as dores de outra pessoa; a empatia é mais forte, pois faz
com que uma pessoa realmente consiga se ver na situação em que vive o outro.

Por outro lado, como diz Elias J. Silva, educador popular, poeta e consultor
de projetos sociais, a “solidariedade é uma qualidade que dignifica o ser humano. É
um laço recíproco entre as pessoas, entre as comunidades e grupos humanos; é um
sentimento que envolve e constrói possibilidades transformadoras”.

Deste modo, o ato de dar é um ato transformador não apenas para aquele
que recebeu algo, mas para o próprio doador; isso devido à imensa capacidade de
vermos em nós mesmos os outros. Como bem escreveu Benjamin Franklin: “Quando
somos bons para os outros, somos ainda melhores para nós” (Mt 7. 12).

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2. O princípio do verdadeiro amor.

Indubitavelmente, o amor é a maior expressão da ação de dar, de um ser


divino, a um seu mortal – o homem (Jo 3.16). Deus em seu ato de dar ou enviar o
seu próprio filho em resgate de uma humanidade perdida e distante dEle, (1 Jo
4.9,10) demonstrou a essência de seu ser – o amor (1 Jo 4.8).

Ainda é importante destacar que esse ato de amar não pressupõe o medo (1
Jo 4. 18), mas desprendimento de um ser que realmente ama e se doa oferecendo o
melhor para as suas distantes criaturas. Portanto, amemos de verdade uns aos
outros (1 Jo 4.7), pois, de fato, Deus nos amou (1 Jo 4. 11).

Assim, “doar órgãos para salvar vidas é um sublime ato de amor”.

CONCLUSÃO

Portanto, aprendemos nesta lição que o ato de dar subjaz o ato de amar.
Quem ama não só doa, mas também se doa. Na verdade, amar é uma escolha e
uma ação, como vemos em I Co 13. 4-7. Deus é a fonte de nosso amor: Ele nos
amou o suficiente para das em sacrificar o seu Filho por nós. Assim, Jesus é o nosso
exemplo do que significa amar; logo o ato de dar é a suprema demonstração de
amor. Estamos realmente dispostos a dar o nosso melhor para o bem estar de
nossos semelhantes? Só quem já doou algo a outrem é que pode dar esta resposta.

Eis as palavras do coro do Hino 249 da Harpa Cristã:

Ó meu Deus vem dar-me


O dom do Consolador;
Vem hoje selar-me,
Enchendo-me do Teu amor!

[Professor. Teólogo. Tradutor. Jairo Vinicius da Silva Rocha – Presbítero,


Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia de Deus no Pinheiro.]
Maceió, 12 de maio de 2018.