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Introdução

Indicadores são substâncias que, por suas propriedades físico-químicas apresentam a


capacidade de mudar de cor na presença de um ácido ou de uma base. Uma solução
quando está em meio ácido libera íons H+ e em meio básico íons OH- .

No século XVII foi introduzida a prática de indicadores de ph por Robert Boyle, que
preparou um licor de violeta e observou que o extrato desta flor tornava-se vermelho em
solução ácida e verde em solução básica.

Ao passar do século notou-se que nem todos os indicadores apresentavam as mesmas


mudanças de cor. E somente no início do século XX, Willstätter e Robinson relacionaram
as antocianinas como sendo os pigmentos responsáveis pela coloração de diversas flores
e que seus extratos apresentavam cores que variavam em função da acidez ou
alcalinidade do meio. Este estudo explicou as mudanças de cores de extratos vegetais
observadas por Boyle.

As antocianinas são pigmentos vegetais responsáveis por uma grande variedade de cores
observadas em flores, frutos e folhas que podem variar do vermelho vivo ao violeta/azul.
Esses pigmentos são compostos fenólicos pertencentes ao grupo dos flavonóides, grupo
de pigmentos naturais amplamente distribuídos no reino vegetal.

Objetivo

Verificar o comportamento de pigmentos extraídos de vegetais como repolho roxo e


flor, com a variação de pH.

Materiais:

- Almofariz

- Pistilo

- 20 tubos de ensaio

- 2 béquer

- 2 funil

- Suporte universal e garra

- Papel filtro

- Pipeta volumétrica e pêra

- Etanol

- Ácido Clorídrico 0,1mol/L


- Hidróxido de Sódio 0,1 mol/L

- Cloreto de Amônio 0,1 mol/L

- Acetato de Sódio 0,1 mol/L

- Cloreto Férrico 0,01 mol/L

- Sulfato de Cobre 0,01 mol/L

- Nitrato de Prata 0,01mol/L

Métodos

Parte I – extração

Foi extraído o suco de repolho roxo e pétalas de flores coloridas, com 10 ml de água e
10 ml de álcool. Após a extração, foi feita a filtração e transferência 0,5 ml para 8
tubos de ensaio numerados de 1 a 8. Depois da filtração foi utilizado o papel filtro
como indicador adicionando de um lado uma solução ácida e do outro uma básica e
feita à observação.

Parte II – influência do ph

Foram adicionados lentamente os reagentes conforme descrito abaixo e verificado as


mudanças de coloração ocorrida durante a prática e anotando o pH para cada tubo de
ensaio:

Tubo 1: 2 gotas de HCl 0,1 mol L-1;

Tubo 2: 5 gotas de HCl 0,1 mol L-1

Tubo 3: não adicionou nada;

Tubo 4: 2 gotas de NaOH 0,1 mol L-1;

Tubo 5: 5 gotas de NaOH 0,1 mol L-1.

Tubo 6: 5 gotas de NaCl 0,1 mol L-1;

Tubo 7: 5 gotas de NH4Cl 0,1 mol L-1;

Tubo 8: 5 gotas de Acetato de sódio 0,1 mol L-1;

Parte II – influência dos metais

Com mais 3 tubos de ensaio foram adicionados 1 ml do extrato hidroalcoólico do


material biológico em cada. E Numerados de 9 a 11.

Tubo 9: 10 gotas de cloreto férrico 0,01 mol L-1.


Tubo 10: 10 gotas de sulfato de cobre 0,01 mol L-1.

Tubo 11: 10 gotas de nitrato de prata 0,01 mol L-1.

Parte III – reversibilidade

Em um tubo de ensaio foram adicionados 1 ml do extrato e 10 gotas de HCl 0,1 mol L-


1. Adicionando gota a gota de NaOH 0,1 mol L-1 no mesmo tubo de ensaio até obter
uma coloração constante. Analisando a coloração da solução para cada gota
adicionada. A partir deste ponto, foram adicionados gota a gota de HCl 0,1 mol L-1 até
obter uma coloração constante. E feita a observação.

Resultados e Discussões

Tubo Solução Cor observada Ph provável


1 2 gotas de HCl Vermelho 1-3
0,1mol/L
2 5 gotas de NaCl 0,1 Vermelho 1-2
mol/L
3 nada Roxo 7
4 2 gotas de NaOH 0,1 Verde 9
mol L -1
5 5 gotas de NaOH 0,1 Verde claro 10-11
mol L-
6 5 gotas de NaCl 0,1 Roxo 7
mol L-1;
7 5 gotas de NH4Cl 0,1 Roxo 7
mol L-1
8 5 gotas de Acetato Violeta 7-8
de sódio 0,1 mol L-1
9 10 gotas de cloreto Roxo escuro 7
férrico 0,01 mol L-1
10 10 gotas de sulfato Roxo escuro 7
de cobre 0,01 mol L-
1
11 10 gotas de nitrato Roxo 6-7
de prata 0,01 mol L-1

No tubo 9, o cloreto férrico, faz com que ocorra uma intensificação da cor, isso
acontece devido ás formas quinonas das antocianinas livres. As quinonas são um
grupo de substâncias orgânicas coloridas e semivoláteis onipresentes na natureza e
derivadas de compostos aromáticos.

Reversibilidade – Tubo 12
Figura 1 Figura 2 Figura 3

Na Figura 1 vemos o tubo de ensaio com o extrato e 10 gotas de HCl (à esquerda)


sendo comparado com o tubo contendo apenas o extrato, assim é possível perceber a
cor vermelha, pois se trata de uma solução ácida. Na Figura 2, foi adicionado ao
mesmo tubo que continha HCl, algumas gotas de NaOH, assim a coloração mudou
para azul, pois a solução se tornou básica. Em seguida, foi adicionado novamente
gotas de HCl e a coloração retornou ou vermelho, indicando a acidez da substância.
Logo, trata- se de uma reação reversível, deslocando-se nos dois sentidos.

Estrutura das Antocianinas

Antocianinas são compostos derivados das antocianidinas, cuja estrutura genérica


ilustrada abaixo é o cátion flavílico. Nas antocianinas, uma ou mais hidroxilas das
posições 3, 5 e 7 estão ligadas a açúcares, aos quais podem estar ligados ácidos
fenólicos. Os diferentes grupos R e R' e açúcares ligados nas posições 3, 5 e 7, assim
como os ácidos a eles ligados, caracterizam os diferentes tipos de antocianinas.
Estrutura da antocianidina nos diferentes pHs testados (neutro, ácido e básico).

Procedimento com o pigmento extraído das flores

Não foi bem sucedido pelo fato de não ocorrer mudança na coloração da solução.
Com base em literaturas chegou-se a teoria que o pigmento extraído não se tratava
de uma antocianina, e sim de uma xantofila1 (pigmento do grupo dos carotenoides2)
onde esses são insensíveis ao ph do meio, o que explicaria a falha no experimento.

1: As xantofilas são pigmentos amarelos do tipo oxicarotenoide, o que revela que são
produzidas pela oxidação dos pigmentos carotenos. Apesar de estarem presentes nas
folhas das plantas, as xantofilas permanecem imperceptíveis devido à predominância
da clorofila. A deterioração da clorofila permite que a cor amarela da xantofila possa
ser observada. É um fenómeno que acontece, por exemplo, durante o Outono ou o
amadurecimento de frutas.

2: Os carotenoides são pigmentos de cor vermelha, alaranjada ou amarela,


encontrados nas células de todos os vegetais, atuando na fotossíntese. Também
estão presentes nas células de protistas e fungos.

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/indicadores-acido-base.htm

http://www.ufrgs.br/agronomia/materiais/userfiles/Leticia.pdf