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ÍNDICE

03 Introdução

05 O que é supervisão?

07 A importância da supervisão

09 Como fazer?

11 Com quem fazer?

13 Quando fazer?

15 Tipos de supervisão

18 Investimento ou despesa?

20 Reveja a técnica

22 Transferência e contratransferência

25 Como lidar com o cansaço?

27 Autoconfiança

29 A culpa é minha?

31 O que é de quem?

33 Assumir os próprios erros

35 Conclusão

37 Os autores
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Introdução
Introdução

Sabemos que o atendimento clínico pode


ser uma tarefa bastante complexa, podemos
até imaginar que a graduação em psicologia é
suficiente para lidarmos com qualquer
paciente que nos apareça, mas na verdade
enfrentamos diversas dificuldades mesmo após
esse período, às vezes por lidarmos com casos
mais graves, conhecimento teórico e técnico
insuficientes ou mesmo pela ansiedade de estar
iniciando na profissão. Neste ponto é muito
importante o estudo constante da teoria,
análise pessoal e supervisão.

Veremos adiante o que é supervisão e como


ela pode te ajudar nos seus atendimentos e
também no seu aperfeiçoamento profissional,
seja você iniciante ou não já deve ter passado
por alguns dos obstáculos que veremos a
seguir.

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O que é
supervisão?
O que é supervisão?

A supervisão tem funções muito claras, tal


como guiar o supervisando na compreensão e
no direcionamento do tratamento de seus
pacientes, rever a teoria e as técnicas e como
aplicá-las na prática clínica, refletir sobre a
transferência e contratransferência (veremos
mais adiante o significado destes termos),
proporcionar feedbacks construtivos para
aprimorar a performance do psicólogo em seus
atendimentos, dentre outros.

Por vezes, sem a supervisão ficamos muito


solitários e até mesmo confusos quando
pensamos no tratamento de algum diagnóstico
mais complexo, desta forma, corremos o risco
de nos precipitarmos numa intervenção que
poderá fazer mais mal do que bem ao paciente,
principalmente quando estamos ingressando
no mercado de trabalho e ainda não temos
tanta experiência prática, ou até mesmo
teórica.

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A importância
da supervisão
A importância da supervisão

Se ainda lhe restam dúvidas sobre a


importância da supervisão, tenha em mente
duas coisas:

1) o cuidado com seus pacientes - mesmo


que não tenha grandes dificuldades com a
maioria deles, sempre haverá um ou outro com
algum conteúdo mais complexo, resistente ao
tratamento, ou até aqueles que parecem estar
travados no problema;

2) o cuidado consigo mesmo - já que nem


sempre temos a possibilidade de tratarmos dos
nossos próprios conteúdos na psicoterapia
individual, na supervisão somos obrigados a
rever o que não está resolvido dentro de nós
mesmos, ou seja, às vezes nós que travamos
diante de alguma questão que esteja sendo
mais difícil de lidar.

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Como fazer?
Como fazer?

Durante a supervisão, seja individual ou


em grupo, não é possível falar sobre todos os
casos que está tendo dificuldade, pelo menos
não de forma detalhada. Portanto, é muito
importante priorizar os casos mais complexos e
expor de forma sucinta as informações mais
relevantes do paciente, juntamente com suas
próprias interpretações.

Tenha em mente as relações mais próximas


e significativas dos pacientes que irá falar na
supervisão, familiares, amigos, trabalho, etc.,
já que por meio destas podemos conhecer mais
profundamente sobre suas personalidades e
repetições.

Reflita também como se sente em relação


aos pacientes e com os conteúdos que lhe
trazem, falar sobre isto servirá para aliviar
suas angústias e facilitará a análise do
supervisor.

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Com quem
fazer?
Com quem fazer?

Geralmente buscamos profissionais que,


além de uma boa experiência em atendimento
clínico e teórico, tenha também se submetido à
psicoterapia individual e supervisão, até
porque o supervisor deverá se conhecer muito
bem para manter a distância afetiva necessária
das questões que lhe serão apresentadas,
tomando cuidado para não se deixar
influenciar por nenhum conteúdo mais
complexo.

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Quando fazer?
Quando fazer?

Costumamos procurar pela supervisão


apenas quando estamos com dificuldades com
um paciente ou outro, no entanto, o ideal seria
que estivéssemos sempre em supervisão, afinal,
são sempre bem-vindas novas reflexões sobre
nossos casos e o acolhimento de nossas
angústias, além de novos aprendizados.

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07

Tipos de
supervisão
Tipos de supervisão

A forma mais popular de supervisão é a


individual, o setting é muito semelhante ao da
psicoterapia tradicional já que o supervisando
terá espaço para cuidar de seus pacientes e de
suas próprias angústias relacionadas aos
atendimentos, com mais liberdade do que se
houvessem outras pessoas participando, já que
alguns podem se sentir envergonhados em falar
sobre questões mais intimas na frente de
outros.

Outra forma é a supervisão individual


online, com toda a tecnologia que temos à
nossa disposição hoje em dia, acaba sendo uma
opção bastante prática e cômoda cuidar dos
nossos pacientes e de nós mesmos no conforto
da nossa casa, quando temos a opção de
estarmos sozinhos ganhamos a mesma
liberdade que teríamos no consultório, onde
todo o conteúdo seria tratado de forma sigilosa.

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Na supervisão em grupo a duração é maior,
mas há um tempo limite para que cada
supervisando possa falar, o que exige maior
organização para priorizar os casos mais
complicados, no entanto, devemos também
considerar o aprendizado que temos quando
ouvimos as dificuldades do outro, além de
poder opinar e discutir sobre os conteúdos,
sentimentos e técnicas, o que torna este tipo de
supervisão ainda mais enriquecedora.

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Investimento
ou despesa?
Investimento ou despesa?

O ideal quando vamos pagar por qualquer


produto ou serviço é pensarmos se realmente
precisamos daquilo, se é de fato um
investimento válido ou apenas uma despesa.
Com a supervisão não seria diferente.

Entenda que hoje em dia, o conhecimento


é um dos principais objetos de investimento de
muita gente, você sabe por que? A resposta é
simples, porque ninguém poderá tirá-lo de
você! Claro que isto não significa que devemos
pagar por qualquer tipo de conhecimento, mas
sim por aqueles que nos sejam úteis de alguma
forma.

A supervisão também se caracteriza como


um novo conhecimento, aprendemos muito
sobre nossos pacientes como também sobre nós
mesmos, com isso, desenvolvemos mais
rapidamente nossas habilidades no
consultório, nos tornando melhores
profissionais e, consequentemente, seremos
mais procurados.

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Reveja a técnica
Reveja a técnica

Por mais que saibamos da importância de


nos manter atualizados com relação a nossa
profissão, nem sempre conseguimos nos
organizar para estudar tanto quando
deveríamos, ou acabamos priorizando outras
responsabilidades como cuidar de casa ou da
família.

Na supervisão não é possível fugir da teoria


e é preciso rever a técnica a todo momento, já
que esta deve ser a base de todo e qualquer
atendimento clínico. Por tanto, se ainda tem
dúvidas sobre quais são os mecanismos de
defesa, transferência e contratransferência,
técnicas de entrevista e como aplica-los nos
seus atendimentos, este é o espaço ideal.

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Transferência e
Contratransferência
Transferência e
Contratransferência

Estes termos são fundamentais e essenciais


para o tratamento de qualquer paciente, mas
podem ser bastante complicados de identificar
e usá-los a nosso favor na clínica. Vamos então
relembrar o significado de cada um aqui, de
acordo com a teoria psicanalítica:

A transferência* se refere a um processo do


tratamento onde os desejos inconscientes do
paciente relacionados a outras pessoas ou
conteúdos passam a se repetir no âmbito da
relação com o psicólogo.

A contratransferência* por sua vez, é um


conjunto de manifestações do inconsciente do
analista relacionadas com as da transferência
de seu paciente.

*Dicionário de Psicanálise, Elisabeth Roudinesco e Michel Plon.

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Daí a importância destes conceitos serem
foco constante na supervisão, precisamos
perceber sempre que se fizerem presentes para
melhor analisar os conteúdos do paciente e
também do psicólogo, e utilizá-los para dar
seguimento ao processo terapêutico de forma
mais produtiva.

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Como lidar com


o cansaço?
Como lidar com o cansaço?

Dependendo da quantidade de pacientes


que você atenda em uma ou mais clínicas, se
leciona em alguma faculdade ou trabalha em
outras áreas ao mesmo tempo, o cansaço com
certeza se fará presente.

Na verdade, nem precisamos fazer tudo


isto para nos sentirmos cansados, quando
lidamos com conteúdos mais densos dos
pacientes ou forçamos muita nossa mente nos
atendimentos ficamos exaustos.

Na supervisão conseguimos aliviar um


pouco deste estresse acumulado quando
compartilhamos estes conteúdos mais pesados,
e conseguimos principalmente dar um destino
para nossa ansiedade, e não ficar “levando
trabalho para casa”.

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12

Autoconfiança
Autoconfiança

Quem está começando seus atendimentos


pode se sentir um tanto inseguro ao lidar com
os primeiros pacientes, o que é perfeitamente
normal. Mesmo quem tem mais experiência
pode se sentir ansioso ou sem saber o que fazer
em alguns casos.

Neste sentido a supervisão vai bem a


calhar, pois assim entenderá aos poucos o
caminho que tem de tomar para tratar cada
paciente, e se sentirá cada vez mais motivado e
seguro nas suas intervenções.

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13

A culpa é
minha?
A culpa é minha?

Quando ouvimos do paciente que este


tomou uma determinada atitude com base em
algo que dissemos, podemos acabar nos
responsabilizando de forma errônea por aquilo.

Este é o principal motivo pelo qual


devemos evitar influenciar as escolhas dos
nossos pacientes, mas sim apresentar as opções
que tem para ajuda-los a organizar suas ideias,
refletir sobre os prós e contras de cada
possibilidade de escolha, e deixar claro que sua
função não é escolher por ele.

Seguindo estes passos, por mais que o


paciente sofra consequências de uma escolha
ruim, a responsabilidade nunca será sua.

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O que é de
quem?
O que é de quem?

Um dos principais desafios de quem está


começando sua jornada como psicólogo clínico,
é saber identificar se uma determinada
impressão ou sentimento é de fato do paciente
ou de sua própria personalidade. Por isso os
professores pegavam tanto no nosso pé para
darmos início a nossa própria psicoterapia,
para que assim pudéssemos nos conhecer
suficientemente a ponto de conseguirmos fazer
esta diferenciação na hora do atendimento.

Se não seguiu o conselho dos seus


professores, reforço que a psicoterapia é a
forma mais prática de trabalhar o
autoconhecimento e assim facilitar seus
atendimentos, contudo, há outras opções.
Começar a escrever sobre si e fazer sua própria
autoanálise refletindo sobre sua história e
sentimentos pode ajudar bastante num
primeiro momento, outra opção é a supervisão.

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Assumir os
próprios erros
Assumir os próprios erros

“Errar é humano, permanecer no erro é burrice...”


Provérbio Português

O espaço da supervisão é o local ideal para


assumir os próprios erros e além disto,
aprender com eles. Nem sempre temos
consciência de que um erro é de fato um erro
até as consequências aparecerem.

A única forma de evitar estes equívocos é


tentando pensar antes de agir, ou seja,
compartilhar e analisar as intervenções que
deseja fazer em supervisão, e daí decidir se é ou
não o momento certo.

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Conclusão
Conclusão

Dentre todas as profissões que existem,


acredito que a psicologia seja uma das
principais onde um descuido pode ter
consequências bastante graves a depender do
paciente e do quadro clínico que apresenta,
obviamente, a ideia é sempre buscarmos fazer
o nosso melhor a fim de evitarmos (até onde de
fato for nossa responsabilidade), qualquer
prejuízo mais sério.

Por fim, reforço a importância de levarmos


nossa profissão a sério e nos dedicarmos
diariamente a ela, seja colocando a leitura em
dia, se submetendo à psicoterapia, estando sob
supervisão ou simplesmente refletindo sobre os
casos que atendemos. Em hipótese alguma
podemos negligenciar esse tipo de cuidado com
nós mesmos e principalmente com nossos
pacientes.

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Os autores
Raylson Aguiar é psicólogo,
formado em Saúde Mental
pela Anankê Centro de
Atenção à Saúde Mental,
atende adolescentes, adultos
e idosos com transtornos
mentais graves. Atua como
supervisor online, individual
e com pequenos grupos. Contato:
raylson.psicologia@gmail.com.

Luiz Cezar é psicólogo,


Comunicador Social e
Empreendedor. Atua como
consultor e mentor,
ensinando técnicas de
divulgação e marketing para
profissionais da Psicologia.
Fundou a Clínica Innere Psicologia sediada em
Brasília (DF). Com mais de 2000 horas de
atendimento clínico é especializado em Terapia de
Casal e atendimento de adultos. Mantém um BLOG
pessoal e uma FANPAGE no Facebook. Contato:
luizcezar.psi@gmail.com.

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